29/10/2009 - 23:59h Lula pede a prefeitos apoio aos catadores de recicláveis

ANNE WARTH – Agencia Estado

SÃO PAULO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez hoje um discurso de apoio aos catadores de produtos recicláveis e conclamou os prefeitos a evitarem que empresas explorem a atividade no lugar dos trabalhadores. Ao participar da abertura da Expocatadores 2009, evento voltado às associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis, na capital paulista, Lula defendeu ser melhor que “muitos ganhem pouco” do que “um ganhe muito”.

“Quero fazer um apelo aos prefeitos brasileiros dos quase 6 mil municípios do País. Agora que a coisa começou a dar lucro, podem começar a aparecer algumas empresas querendo se apoderar da reciclagem. As pessoas que até agora trabalharam na reciclagem podem ser jogadas para fora, para atender aos interesses de um grande empresário”, alertou o presidente. “Quero pedir a todos os prefeitos deste País para que levem em conta: é muito melhor para a cidade, para o Brasil e para a cidadania termos muitos ganhando pouco do que ter apenas um ganhando muito.”

Lula também discorreu sobre o Projeto de Lei 203/91, que atualmente tramita no Congresso Nacional e cria uma Política Nacional de Resíduos Sólidos. A proposta institui regras para a coleta seletiva de lixo e prevê que a atividade seja licitada e remunerada pelas prefeituras. Os catadores temem que as cooperativas percam as concorrências para grandes empresas interessadas no negócio. “Tenho certeza de que vamos contar com os prefeitos, governadores e com o Congresso, que vai aprovar a lei dos resíduos”, afirmou Lula.

Muito aplaudido pela plateia da cerimônia de abertura do evento, repleta de catadores do País e da América Latina, Lula recriminou o tratamento “humilhante” que os catadores recebem de parte da sociedade. “Essa gente não tinha vergonha de passar de carro e jogar um lixo qualquer, achando que vocês eram de segunda categoria e que vocês tinham obrigação de catar o lixo deles”, disse o presidente. “Vocês estão fazendo hoje muito mais do que catar material. Vocês estão ensinando a essa gente pedante, a essa gente arrogante, que o ser humano não pode ser discriminado pela sua profissão ou pelo trabalho que faz. Essa é a conquista maior de vocês. E acho que é isso que estão consagrando.”

Kassab recebe vaias em evento com Lula e Maluf

Prefeito deixou o local logo em seguida alegando ter outros compromissos

Andréia Sadi, do R7

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), foi vaiado durante evento nesta quinta-feira (29) na capital paulista que reuniu catadores de lixo. A vaia começou já na hora que o prefeito foi chamado para subir ao palco e durou todo o tempo do seu discurso, de cerca de um minuto. Com ar constrangido, o prefeito deixou o local em seguida e sua assessoria alegou que ele tinha outros compromissos.

A reação do público mudou quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi anunciado. Ele foi aplaudido e subiu ao palco aos gritos de “Lula, cadê você. Eu vim aqui só para te ver”.

No mesmo evento também estava o ex-prefeito e deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), que também recebeu vaias, mas em proporções menores que as recebidas por Kassab.

Segundo a organização do evento, cerca de 1.500 catadores participaram da ExpoCatadores, evento do Movimento de Catadores de Materiais Recicláveis para divulgar a atividade e defender a sua profissionalização.

08/04/2009 - 12:00h Recado entre pares

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Monica Bergamo – FOLHA SP

FALA, MALUF!
Paulo Maluf (PP-SP) está “prestes a explodir” por causa da decisão da prefeitura, comandada por Gilberto Kassab (DEM-SP), de pedir que recursos que seriam dele no exterior sejam repatriados. O ex-prefeito disse há alguns dias a pessoa de sua estrita confiança que poderá aderir à delação premiada, ajudando o Ministério Público de SP a desvendar esquemas que envolveriam “políticos jovens” com os quais já fez campanha na manipulação de recursos de forma, digamos, pouco transparente.

EU, NÃO
Maluf nega que tenha dinheiro no exterior.

22/03/2009 - 12:18h Datafolha: aguardando segunda-feira

Domingo é o dia em que os jornais vendem mais. A Folha de hoje traz pesquisa Datafolha sobre intenção de voto em alguns Estados, a 19 meses das eleições. Não tem qualquer sorte de importância, como prova entre outros exemplos, o fato de Geraldo Alckmin liderar com mais de 50% das intenções de voto a 8 meses das eleições municipais em São Paulo e acabou fora do segundo turno.

A escolha dos nomes para configurar os cenários eventuais deixou de lado o nome de Gilberto Kassab, que os demos gostariam de ver como candidato a governador em 2010, assim como o nome de Aloizio Mercadante que foi candidato a governador pelo PT nas últimas eleições. No caso de Kassab, a sua ausência da pesquisa permite a Alckmin atingir um patamar de intenção de voto superior, pois é o único candidato do campo demo-tucano. Já no campo da oposição de centro-esquerda o Datafolha incluiu em todas as simulações o nome de Luiza Erundina e a dos eventuais nomes do PT, com a consequente divisão das intenções de voto do eleitorado. Na última eleição na capital paulista, Luiza Erundina não foi candidata e apoiou Marta Suplicy. Para dar um exemplo do significado da eliminação do nome de Kassab e a de manter Erundina, basta olhar as intenções de voto na capital, onde Alckmin aparece com 34%, Marta com 20% e Erundina com 10%.

Em fim, como já escrevi pesquisa eleitoral com 19 meses de antecipação serve só para alimentar a projeção de nomes e as disputas internas nos partidos. Carece de qualquer outro valor ou interesse. Bem diferente de avaliar a situação dos governantes, particularmente em momentos delicados como os de hoje com o impacto da crise econômica. Teria sido interessante sim, a Folha publicar hoje os resultados da avaliação do governo estadual e do prefeito de São Paulo, que seguramente o Datafolha fez. A questão é de atualidade e permitiria comparar com a avaliação feita sobre o governo Lula.

Provavelmente ficará para segunda-feira, dia em que os jornais vendem menos. LF

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DATAFOLHA

Alckmin lidera com folga e opositor está indefinido

Tucano obtém de 41% a 46% das intenções de voto para o governo de SP em 2010

Ex-governador obtém pior resultado em confronto com Marta; Datafolha diz que favoritismo de Alckmin está ligado a “recall” de eleições

JOSÉ ALBERTO BOMBIG- Folha SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O tucano Geraldo Alckmin, derrotado ainda no primeiro turno da eleição do ano passado para prefeito de São Paulo, é o preferido dos paulistas na corrida para governador, segundo o Datafolha. Trata-se da primeira pesquisa de intenção de voto nas eleições de 2010 para governos estaduais.
Atual secretário de Desenvolvimento do governador José Serra (PSDB), ele obtém entre 41% e 46% das intenções de voto -sempre na liderança- em todos os cenários em que ele foi citado.
Serra, nome mais cotado entre os tucanos para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também em 2010 e líder nas pesquisas, não aparece em nenhum deles.
A 19 meses da eleição, nenhum dos adversários de Alckmin atinge sequer a metade de suas intenções de voto nos cenários em que ele é apresentado. Os mais bem posicionados são os ex-prefeitos Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PP).
O melhor desempenho do tucano (46%), que governou São Paulo de 2001 a 2006, ocorre quando o candidato do PT é o ministro da Educação de Lula, Fernando Haddad. Contra Marta, o tucano obtém seu pior resultado (41%).
Na hipótese de o deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci concorrer pelo PT, Alckmin chega a 45%.
O outro nome tucano apresentado pelo Datafolha, o do secretário da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira, oscila de 2% a 3% das intenções. Ele e Alckmin já travam uma batalha dentro do partido e do Palácio dos Bandeirantes pelo direito de concorrer em 2010.
A pesquisa foi realizada entre 16 e 19 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

“Recall”
O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, diz que o levantamento mostra “amplo favoritismo de Alckmin”. Mas ele ressalva que Aloysio, Haddad e o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf -também testado em todos os cenários-, ainda são pouco conhecidos.
“Os demais já concorreram nas urnas muitas vezes e recentemente. A campanha para o governo costuma ficar escondida por conta da disputa pela Presidência, e o eleitor, por causa disso, só se lembra dela mais adiante”, afirma Paulino.
Como exemplo, ele cita o desempenho de Paulo Maluf (PP), que chega a liderar com 20% quando Alckmin sai da disputa. Também sem o ex-governador tucano, a ex-prefeita Luiza Erundina (PSB) atinge 14%, seu melhor índice.
O resultado da pesquisa deve servir de combustível para Marta na disputa interna do PT. Derrotada por Gilberto Kassab (DEM) no segundo turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo, ela chegou a ser apontada como nome descartado do processo.
No entanto, Palocci e Haddad, que seriam os preferidos de Lula, ainda mostram pouca viabilidade. O ex-ministro da Fazenda oscila de 3% a 5%.
O ministro da Educação não passa de 2%. Já Marta chega a liderar com 19% no cenário sem Alckmin e com Aloysio.
Além de Skaf (sem partido), também foram apresentados em todos os cenários Campos Machado (PTB), Ivan Valente (PSOL), Paulinho (PDT) e Soninha (PPS).

20/02/2009 - 11:46h Montagem de chapa de Skaf ao governo de SP reúne bloco de esquerda e Maluf

Anna Carolina Negri/Valor

Paulo Skaf: presidente da Fiesp pode dispor de sete minutos na televisão para expor discurso de união entre capital e trabalho no enfrentamento da crise

 

Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, empresário ligado ao setor têxtil, tem mantido conversas com o chamado bloco de esquerda formado por PDT, PSB e PCdoB, para viabilizar sua candidatura ao governo do Estado de São Paulo em 2010. A ideia é que ele se filie até maio ao PSB e que a possível chapa contenha ainda o PR e o PP, somando, assim, cerca de sete minutos no horário eleitoral gratuito.

Na formulação da chapa, a vice ficaria com o deputado em terceiro mandato Milton Monti (PR-SP), economista que foi secretário estadual de Relações do Trabalho no governo Luiz Antonio Fleury Filho (1991-1994). Ex-prefeito de São Manuel, pequeno município paulista a 272 km a noroeste da capital paulista, sua entrada daria o viés interiorano à composição. A vaga para o Senado seria do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP). Uma pesquisa Vox Populi para testar os nomes já está em negociação.

O deputado federal Paulo Maluf, presidente do PP paulista, e o ex-deputado Valdemar Costa Neto, participam diretamente da negociação, além do próprio Paulinho, e do deputado federal e presidente do PSB paulista, Márcio França, que é muito próximo de Skaf.

Em um provável cenário em São Paulo com políticos não tão conhecidos do eleitorado, à exceção do ex-governador Geraldo Alckmin, a aposta é que a constante exposição de Skaf à mídia nos últimos seis anos seja um diferencial, junto com um discurso de capital e trabalho unidos pelo desenvolvimento. Os ideários da composição entre de empresário com sindicalista inspiram-se na chapa que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu vice e o fundador da Coteminas, José Alencar. Até o marqueteiro que fez vitoriosa essa dupla em 2002 é cogitado para a provável chapa: Duda Mendonça.

Os tucanos, embalados na máquina estadual desde 1995, viriam favoritos para a disputa, dentro de uma aliança com seis partidos (PMDB, PTB, PPS, PV, PPS, PSDB), mais de dez minutos de horário eleitoral e cerca de 450 das 645 prefeituras do interior. Embora Alckmin pareça ser o candidato eleitoralmente mais forte, o governador de São Paulo, José Serra, tem preferência por seu secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira. A última eleição majoritária que disputou foi em 1992, para a Prefeitura de São Paulo, onde, mesmo com apoio do então governador Fleury, não foi ao segundo turno.

A avaliação do bloquinho é de que haverá em 2010 espaço para neófitos na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, na medida em que o Estado se divide basicamente entre petistas e anti-petistas. Com a composição, Skaf poderia se fortalecer sendo uma terceira via e incorporando votos dos dois lados.

Uma aliança que inclui o PT não é descartada pelo bloquinho, mas os petistas descartam a ideia. Não cogitam ceder espaço no maior colégio eleitoral do país nem tampouco compor com Skaf, um crítico constante do governo Lula que notabilizou-se no embate pelo fim da CPMF e pela queda de juros. Nas palavras de um integrante da cúpula petista, “esperava-se uma postura diferente dele em relação ao governo”. Na legenda, a disputa deve ficar entre os deputados federais Arlindo Chinaglia e Antonio Palocci. Entretanto, caso prospere uma aliança bloquinho, Skaf, PP e PR, o tempo de propaganda eleitoral gratuita do PT será o menor.

Oficialmente, a Fiesp informa que muitos partidos procuram o empresário. As incursões políticas de empresários ligados a Fiesp têm sido discreta nos últimos anos.

O último de seus presidentes a ingressar na política foi Carlos Eduardo Moreira Ferreira, eleito deputado federal em 1998 pelo então PFL, hoje DEM. Com uma campanha tendo por mote “Produção, Emprego e Educação”, obteve 91.194 votos em 520 municípios. Quatro anos depois, frustrado com a atividade política, por não conseguir emplacar as reformas tributária, trabalhista e política, desistiu de tentar a reeleição. “Jogar para a plateia é outra característica marcante da política nacional, à qual é extremamente difícil para alguém proveniente do meio empresarial se adaptar”, escreveu em sua justificativa pela desistência de tentar um novo mandato.

O adversário de Moreira Ferreira pela presidência da Fiesp em 1992, Emerson Kapaz, foi secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do governo Mário Covas antes de se eleger deputado federal pelo PSDB em 1998. Deixou o partido para tentar a candidatura a Prefeitura de São Paulo pelo PPS em 2000, disputa em que acabou como vice da candidatura Luiza Erundina (PSB). Foi reeleito deputado federal em 2002, mas iniciava a função de arrecadador da campanha de Alckmin à Presidência em 2006 quando acabou envolvido no escândalo das sanguessugas, deixando a política. Em um seminário do PPS em 2007, disse que “a política já não faz mais diferença no Brasil”.

À margem das urnas, Pedro Piva, pai do ex-presidente da Fiesp Horácio Lafer Piva, foi o último empresário ligado à instituição a exercer mandato majoritário por São Paulo. Financiador de campanha e suplente do então senador José Serra (PSDB), eleito em 1994, ocupou sua cadeira durante quase todos os oito anos do mandato, do qual o atual governador paulista ausentou-se para ocupar, consecutivamente, dois ministérios no governo Fernando Henrique Cardoso, Planejamento e Saúde.

06/12/2008 - 09:40h Kassab encerra 1º mandato com 56% de aprovação, segundo Datafolha

Resultado é só 1 ponto percentual abaixo do de Maluf, o melhor já registrado por um prefeito ao deixar o governo, diz Datafolha

O prefeito com pior avaliação ao deixar administração foi, segundo o Datafolha, Celso Pitta, com 81% de reprovação

Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem

O prefeito Gilberto Kassab posa para fotos no viaduto do Chá

EVANDRO SPINELLI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Um mês após a reeleição para prefeito de São Paulo, a aprovação à gestão de Gilberto Kassab (DEM) atinge 56% na última pesquisa Datafolha do ano.
É um índice positivo, pois representa uma estabilidade em relação ao que ele vinha apresentando na campanha eleitoral, mas fica um ponto percentual abaixo do melhor índice registrado por um prefeito ao deixar o governo: Paulo Maluf (PP), em 1996.
Para o Datafolha, a aprovação de ambos está em empate técnico, mas Kassab tem maior rejeição (17% contra 11% de Maluf), o que desempata o jogo em favor do ex-prefeito.
Maluf disputou a prefeitura e foi o quarto colocado na eleição, com 6% dos votos. Já Kassab tornou-se o primeiro prefeito reeleito da história da cidade, com 34% no primeiro turno e 61% no segundo.
O Datafolha completa 25 anos em 2008 e mede a avaliação dos governos municipais desde a volta da eleição direta para prefeito da capital, em 1985. O primeiro avaliado foi Jânio Quadros, prefeito de 1986 a 1988, que deixou o governo com 30% de aprovação.
O pior prefeito desse período, segundo o Datafolha, foi Celso Pitta, que deixou o governo em 2000 com 81% de reprovação e aprovação de apenas 4% dos eleitores.

Estabilidade
A avaliação da gestão Kassab se estabilizou no mesmo patamar do segundo turno da campanha eleitoral. O prefeito fechou a eleição com 59% de aprovação à sua gestão e 15% de rejeição. Chegou agora a 56% e 17%, respectivamente.
Nos dois casos, há uma variação dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. O levantamento foi feito entre os dias 25 e 28 de novembro com 1.103 eleitores da capital.
Kassab tinha 49% de aprovação na semana que antecedeu o primeiro turno, no qual ele surpreendeu e apareceu na frente da então favorita Marta Suplicy (PT). Começou o segundo turno com 61% de ótimo ou bom, o maior índice registrado em todo o seu governo, e registrou 59% nas duas outras pesquisas anteriores à eleição.
A nota média do governo também apresenta estabilidade. Kassab tinha nota 6,6 logo após o primeiro turno, manteve a nota na pesquisa seguinte e fechou a campanha com 6,5. Agora, chega a 6,4.
Doze por cento dos entrevistados deram nota dez ao prefeito e 8% disseram que ele merece nota zero.
Para Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, o resultado é positivo para Kassab. Segundo ele, terminada a campanha há uma tendência natural de que o prefeito tenha queda em sua avaliação devido ao fim da exposição de mídia. Com Kassab não foi assim.
“Kassab foi o grande personagem da eleição. Ele tinha o maior tempo de TV e muita mídia. É comum a avaliação dos prefeitos caírem depois da eleição, mas Kassab conseguiu manter, o que é positivo para ele”, afirmou Paulino.

Mulheres
A estabilidade, no entanto, não vale para todas as camadas sociais. A reprovação do governo subiu seis pontos percentuais entre as mulheres (de 13% para 19%) e dez pontos na faixa etária de 35 a 44 anos (passou de 14% para 24%), para citar apenas dois exemplos.
A aprovação também caiu em algumas áreas, como entre os eleitores de nível superior (cinco pontos percentuais, de 68% para 63%) e aqueles com renda de 5 a 10 salários mínimos (dez pontos, de 65% para 55%).

10/11/2008 - 13:42h Fim de festa

Gestão Maluf-Pitta tem de devolver R$ 160 mi para Prefeitura

Decisão do STJ mantém a condenação de gestores públicos, CBPO, Odebrecht e Cliba por irregularidades

Eduardo Reina, de O Estado de S.Paulo

SÃO PAUILO – O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em última instância, mantém a decisão do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo de condenar as empresas CBPO, Odebrecht e Cliba, ex-diretores do Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb) e um ex-secretário municipal a devolverem cerca de R$ 160 milhões aos cofres de São Paulo por irregularidades nos contratos de limpeza pública nas gestões de Paulo Maluf e Celso Pitta. O dinheiro é referente ao prejuízo causado com a antecipação das datas de pagamento e dos reajustes do contrato, assinado em 1995.

As três empresas foram multadas e ficam proibidas de firmar contratos com o poder público por cinco anos. Além das contratadas, o ex-secretário municipal de Serviços Alfredo Mário Savelli, os ex-diretores do Limpurb José Reis da Silva, Paulo Gomes Machado, Carlos Alberto Venturelli e o diretor interino na época Afonso Celso Teixeira de Moraes foram citados na sentença.

A decisão da Justiça, apesar de ter sido assinada em agosto, ainda não foi publicada no Diário Oficial, percurso necessário para valer. A publicação é prevista para as próximas semanas, segundo o STJ. As irregularidades cometidas durante o contrato caracterizam improbidade administrativa, pois, segundo ação do Ministério Público Estadual, desrespeitou a Lei de Licitações Públicas, que limita o valor dos aditamentos em 25% do contrato original. Os réus são acusados de enriquecimento.

O contrato foi assinado em abril de 1995, na gestão Maluf, com valor de R$ 82 milhões. Seis meses depois, o primeiro reajuste o elevou para R$ 101 milhões. Na gestão Pitta, outros 14 aditamentos foram efetuados, subindo o valor para R$ 162 milhões, diferença de quase 100% do custo original.

O TJ aceitou a denúncia em 1999 e considerou que os aumentos eram irregulares e que houve improbidade administrativa dos ex-diretores da Prefeitura. Os aditivos estavam em total desconformidade com o edital, extrapolando o limite da Lei de Licitações. Os acusados recorreram e perderam.

No STJ, a ministra Eliana Calmon negou todos os recursos. Ela observou que as empresas foram contempladas com série de benefícios, como pagamentos antecipados, feitos a cada dez dias, em vez de mensais. Para a ministra, tudo isso provocou uma série de transtornos para a administração pública.

No mesmo tribunal e no TJ tramitam ainda outros seis processos idênticos, envolvendo outras empresas que prestaram serviço de varrição de ruas e coleta de lixo na capital. Apesar das condenações, as empresas continuaram a celebrar contratos com o poder público amparadas por uma liminar obtida em Brasília.

28/10/2008 - 14:30h Afif lança-se para cargo majoritário em 2010

César Felício, VALOR

Paulo Pinto/AEAfif revelou-se como o elo entre Maluf e Kassab:
entrou na política ao ingressar em chapa do ex-prefeito na ACSP

e convidou o atual prefeito a integrar os quadros da entidade

Coordenador da campanha de reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM) em São Paulo, o secretário estadual de Trabalho Guilherme Afif Domingos expôs ontem a uma abarrotada platéia de empresários na Associação Comercial de São Paulo seus planos para 2010: será candidato a um cargo majoritário numa aliança global entre PSDB, DEM e PMDB.

“O resultado da eleição coloca São Paulo no epicentro das mudanças que ocorrerão no País em 2010. Neste ano vamos ter a repetição desta aliança para a Presidência da República e vice, a governador e vice e às duas vagas no Senado. Estou escalado para ser candidato majoritário”, afirmou, diante de uma faixa erguida por presentes, onde se lia “Kassab Prefeito, Afif Governador”. Uma manifestação classificada como “espontânea” pelo presidente da entidade, Alencar Burti, e como “um boato, mas agradável” pelo próprio Afif.

Na visão de Afif, a eleição de 2010 fechará o ciclo de 1964, “com o fim do mandato da oposição mais radical que se fez àquele sistema”. A candidatura presidencial do governador paulista José Serra (PSDB) emergeria então, segundo Afif, como a marca do pragmatismo que elimina as diferenças ideológicas entre esquerda e direita. “Serra é o homem talhado para conduzir o barco neste mar encrespado e a formatação da aliança de 2010 foi feita nesta eleição”, disse.

Durante uma palestra de cerca de uma hora, Afif esboçou o que seria um projeto de gestão de longo prazo para São Paulo. “Devemos evitar que aconteça em São Paulo o que ocorreu no Rio. Temos 1 milhão de pessoas sem renda declarada e 3 milhões sem endereço. É um Uruguai na informalidade ou na marginalidade. Temos uma conflagração surda. Se a gente não reintegrar este contingente na cidadania, se não agirmos, o PCC o fará”, disse.

A reintegração na cidadania, de acordo com Afif, só pode se dar pelo fomento ao empreendedorismo. “A auto-sustentabilidade do cidadão se confronta com a política assistencialista, que beneficia mais o assistente do que o assistido”, disse. Na secretaria estadual do Trabalho, Afif planeja iniciativas de impacto até as eleições de 2010. Falou em promover “mutirões de legalização” logo que o Congresso Nacional aprovar a criação da figura do micro-empreendedor individual.

Empresário do ramo de seguros, Afif dirigiu a Associação Comercial por vários períodos desde o início dos anos 80, intercalando a atividade patronal com incursões na política. Foi secretário de Agricultura, candidato a vice-governador em 1982, a presidente da República em 1989 e a senador em 1990 e 2006. Elegeu-se deputado constituinte em 1986.

O apoio da entidade a seus projetos políticos é permanente. Ontem, o atual presidente da instituição, Alencar Burti, disse que “São Paulo e o Brasil” ganhavam com a reeleição do prefeito. No ato promovido ontem pela Associação, Afif recebeu aplausos do ex-governador, ex-prefeito e deputado Paulo Maluf (PP-SP), que presidiu a entidade na década de 70.

Maluf foi prudente ao comentar de público a pretensão de Afif a algum cargo majoritário em 2010. “Deus permita que São Paulo tenha a ventura de ter no seu quadro de dirigentes alguém com a experiência e a honestidade de Guilherme Afif”, disse. Antigo dirigente da Associação Comercial, representando o setor imobiliário, Gilberto Kassab era presença aguardada no encontro, mas avisou a Afif com antecedência que não poderia ir.

No encontro, Afif traçou o elo entre Kassab e Maluf, uma associação que a candidata derrotada do PT à prefeitura, Marta Suplicy, procurou fazer, de modo negativo, durante toda a campanha eleitoral. Tanto Afif quanto Kassab e Maluf têm vínculo com a Associação Comercial de São Paulo, definida pelo secretário de Trabalho como “uma escola de formação de homens públicos, na defesa das liberdades econômicas”.

Afif narrou que tornou-se dirigente da entidade ao entrar na chapa encabeçada por Maluf que ganhou a presidência da Associação, em 1976, representando o setor de seguros. Na base do convite havia antigas relações familiares: o avô de Afif, William e o pai do ex-governador, Salim Farah Maluf, eram amigos. “Eles conversavam em árabe, quando eu era criança. O respeito que tenho por Afif começou aí, antes mesmo dele nascer”, comentou Maluf.

Já em 1984, quando o próprio Afif era o presidente da entidade, recebeu de um contraparente, Aniz Kassab, tio do atual prefeito, um pedido para aproveitar o então recém formado engenheiro em sua equipe. Aniz Kassab era alto funcionário da Serraria Americana, a empresa da família Maluf que deu origem à Eucatex.

Além de dirigente da Associação Comercial, Kassab tornou-se um operador político de Afif na formação do Partido Liberal em 1985, na campanha para deputado em 1986 e na eleição presidencial de 1989. Só começou a disputar mandatos eletivos na década de 90, quando Afif retirou-se temporariamente da política.

24/10/2008 - 10:19h “Pragmatismo despolitiza as campanhas”

 Heloisa Magalhães, do Rio – VALOR

 Renato Lessa: “O PT tem teto em SPaulo.
Só ganhou com o apoio de Covas”
. Nelson Perez/Valor


“A política está sendo varrida . Existe uma cultura há anos no Brasil repetindo a idéia de que o bom candidato é aquele que responde a problemas práticos. Esquerda e direita acabaram. O eleitor pensa nas questões práticas, escola do filho, transporte e esgoto”, diz o cientista político Renato Lessa.

Ele critica o cenário que levou ao que atribuiu a um certo “enfado” com relação aos políticos e critica a “tendência crescente do eleitor pragmático, aquele que vota com foco na administração o que, na sua avaliação, vem se repetido à exaustão em todos os níveis do Executivo.

O professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) diz que neste universo do voto racional, “outra coisa terrível é a idéia de que esse eleitor vota no candidato que é amigo do prefeito, governador e do presidente”. diz. E frisa que há tendência de um corte deste processo com a provável vitória de Gilberto Kassab, em São Paulo, e a disputa acirrada no Rio e Belo Horizonte, mostrando o questionamento do eleitor à força do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos governadores Sérgio Cabral e Aécio Neves

Em conversa com o Valor, o professor falou do perfil do eleitor que cresceu mas pouco se politizou depois do golpe de 1964.

Abaixo os principais trechos da entrevista:

Valor: As prefeituras hoje com mais recursos financeiros permitindo maiores realizações estão influenciando a reeleição? O eleitor está cada vez mais deixando a política de lado?

Renato Lessa: Primeiro, acho que se trata de uma hipótese com tinturas mitológicas, que por todo o Brasil os prefeitos que tiveram mais dinheiro foram bem avaliados e o eleitor votou neles. Não acredito que as coisas funcionam desse jeito. Política é mais complicada. E também não acredito que exista um eleitor médio. Tenho colegas que acreditam nessas ficções estatísticas. Eu acredito em eleitores reais. E os casos são diferentes. A mesma motivação que podem levar os eleitores de Salvador (João Henrique, PMDB) a reeleger um prefeito não são necessariamente as mesmas motivações que levam os paulistas a reeleger o (Gilberto) Kassab (DEM), embora em ambos os casos você tenha um prefeito bem avaliado. Há fatores locais que não podem deixar de ser levados em conta porque as eleições não são coordenadas nacionalmente.

Valor: Mas o senhor concorda que os eleitores estão partindo para o voto mais pragmático?

Lessa: A hipótese do eleitor pragmático está posta. Merece algum tipo de atenção. Pode também estar decantando na cabeça do eleitor a maneira correta de votar diante de um certo enfado com relação a questões de política. Há décadas vem sendo repetido que política é uma coisa ruim, horrorosa, que só interessa a gente corrupta e que tem relações escusas. Então política é tudo aquilo de que devemos nos afastar e a gestão é tudo aquilo que devemos apreciar.

Valor: Mas ao mesmo tempo o número de candidatos a cada eleição só cresce…

Lessa: No Brasil, dois em cada três brasileiros votam. É um eleitorado imenso. São 138 milhões de eleitores para 183 milhões de habitantes. Na última, foram 350 mil candidatos a vereador, 17 mil a 18 mil para prefeito. O tamanho disso não é brincadeira de dois em dois anos temos uma multidão incalculável que se mobiliza e vai às urnas. Esse eleitorado teve dois piques de crescimento na fabricação de um eleitor mas despolitizado. Depois do golpe de 64, foram dois momentos de expansão forte. O eleitorado disparou mais de 180%. É uma coisa extraordinária que é um caso de crescimento eleitoral sem política. Foi a única ditadura do mundo com aumento exponencial do eleitorado.

Valor: Por que cresceu tanto?

Lessa: A população cresceu mas entre as razões estão o aumento da alfabetização e da urbanização. E aumentou nesse eleitorado o número imenso de eleitores desqualificados em termos educacionais, com os analfabetos funcionais que entraram nisso. Outro espasmo se deu depois da Nova República.

Valor: E a redemocratização de 1988?

Lessa: Se pegarmos a Carta de 1998 duas grandes novidades institucionais vamos ver uma mudança de papeis. Uma é do Ministério Público e do Judiciário. O MP deixou de de ter as funções tradicionais do promotor, acusador e passou a defensor da cidadania. E a partir daí toda uma difusão de uma ideologia, uma mentalidade, um imaginário de que os brasileiros são portadores de direitos.

Valor: Foi a busca dos cidadãos em fazer prevalecer seus direitos que diferenciou as instituições?

Lessa: Os direitos dos brasileiros não são expressos através dos partidos. E não é apenas porque o Legislativo está asfixiado e insulado pelas medidas provisórias do Executivo. O eleitor hoje vai buscar os direitos no Judiciário. O Congresso hoje é um conjunto de pessoas eleitas que ficam à disposição do presidente para fazer maiorias, para compor maiorias de governo, muito distante da população aqui em baixo. E a população está aprendendo, cada vez, a mobilizar o Judiciário e o sistema de Justiça para defender suas causas.

Valor: O senhor fala em um eleitor focado em questões práticas. A candidatura Gabeira, no Rio, se enquadra neste perfil?

Lessa: O Gabeira nessa eleição no Rio está tentando animar a questão da grande política. O Rio é uma cidade global, uma das maiores metrópoles do mundo, não pode ser pensada como um problema local tem a ver com o pais e o mundo. A candidatura dele é teste interessante para ver se há espaço na cidade do Rio para quem se apresenta de uma maneira mais politizada no sentido mais amplo. Diz que vai pensar a cidade, as milícias ilegais, o meio ambiente. Contrapõe o estilo completamente asséptico sem política, do gestor, do prefeitinho da Barra (função que foi ocupada pelo opositor a Gaberia, Eduardo Paes, do PMDB, no início da trajetória política) contra a idéia que uma cidade dessa complexidade tem que ter estadista.

Valor: Em São Paulo não está sendo posto em questão a capacidade de Lula tranferir voto?

Lessa: O que está acontecendo em São Paulo é o que sempre aconteceu. Não está acontecendo nada novo. O PT em São Paulo tem o que a Marta (Suplicy) tem. Não é que Kassab é o administrador bem sucedido e admirado. É que o PT tem teto eleitoral. A Marta só ganhou quando disputou com o (Paulo) Maluf. Só ganhou quando Mario Covas desembarcou do consultório médico, quando estava proibido de sair, e foi fazer campanha para ela, colocou o PSDB ao seu lado. Marta com Covas ganhou do Maluf, mas sozinha não ganhou do (José) Serra e não ganha do Kassab. É questão do tamanho eleitoral que o PT tem em São Paulo. É imenso mas é menor do que a metade. Pode até existir transferência de voto em tese, mas em São Paulo o que está acontecendo é a repetição de um padrão eleitoral que está consolidado.

Valor: E para presidente da República, transfere?

Lessa: Depende muito, é totalmente circunstancial. Depende de quem é a pessoa e de quem é o inimigo. Não há uma teoria geral. Mario Covas transferiu para Marta porque o inimigo era o Maluf. (Leonel Brizola) transferiu voto no Rio para Lula quando o inimigo era (Fernando) Collor. Se o candidato que disputasse contra Lula fosse Mario Covas ou Ulysses Guimarães dava para transferir aquela quantidade toda de votos? Não sei, a ver. É muito circunstancial.

Valor: O que sai dessa eleição agora já permite projetar a tendência do quadro partidário para 2010?

Lessa: Tendência para 2010 é complicado mas força é algo a considerar. É força partidária para disputar eleições que virão. Três grandes partidos PT, PSDB e PMDB. Pegando a distribuição de votos nas cidades com mais de 200 mil votos no primeiro turno esses três partidos são os campeões. Mais abaixo vem o DEM. Nas 80 cidades maiores, o DEM teve desempenho quase de pequeno partido, ficou lá em baixo. Perdeu as lideranças e o palanque. O partido foi comido no interior pelo PT que entrou nos grotões e o PSDB se consolida como o principal partido de oposição. Mesmo com a vitória do Kassab, em São Paulo, ninguém vai acreditar que será uma vitória do DEM. Os três maiores partidos com escala nacional são o PMDB, PSDB e PT tem base e densidade eleitoral. O Lula não sai enfraquecido. Há uma teoria que com uma derrota da Marta elimina a Dilma (Rousseff). Eu não entendi essa dialética.

21/10/2008 - 09:00h Vamos ao que interessa

TENDÊNCIAS/ DEBATES

FOLHA SP

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

Vamos ao que interessa

RUI FALCÃO


As contas de Marta, nos quatro anos de governo, foram aprovadas tanto pelo TCM quanto pela Câmara Municipal. Ponto final

MAL COMEÇOU o segundo turno e vimos o ex-prefeito Celso Pitta sair das catacumbas para vir em socorro de seu ex-secretário de Planejamento, Gilberto Kassab, em artigo publicado neste espaço (”Pingos nos is…”, 13/10).

De todo, serviu para reafirmar que empregou Kassab. Esse mesmo que, na propaganda, se diz arrependido de servir ao Pitta quando este ainda não caíra em desgraça. Andavam juntos -e não há como negar. Tanto é verdade que Kassab, do PFL, liderou o movimento “Reage Pitta” contra o impeachment saneador. Quebraram São Paulo -e não há como negar. Entretanto, cabem alguns esclarecimentos ao texto do ex-prefeito. Vamos a eles.

Kassab, Pitta e o padrinho de ambos, Maluf, representaram e representam retrocesso e prejuízos. Com Maluf e Pitta, a dívida da prefeitura foi de R$ 4,69 bilhões para R$ 21,56 bilhões ao término de 2000. Na gestão Maluf, a dívida aumentou 169%; na de Pitta, 70%. Corriam os anos da “era” FHC: desemprego, crise.

Quando Marta Suplicy assumiu a prefeitura, Pitta e FHC legaram-lhe uma dívida de longo prazo de R$ 21,56 bilhões, compromissada durante 30 anos e cujo pagamento onerava 13% das receitas líquidas mensais do município. No período 2001-2004, o pagamento dessa dívida significou a perda de cerca de R$ 1,2 bilhão/ano -quase R$ 5 bilhões em quatro anos. Pitta ainda deixou dívidas de curto prazo no valor de R$ 1 bilhão. Todas renegociadas e pagas na gestão Marta.

Esclarecido o passado mais remoto, vamos ao mais recente. Kassab herdou de José Serra a prefeitura. Conforme reconhecido pelo Tribunal de Contas do Município, a partir do parecer do conselheiro Eurípedes Sales, relator do processo, a administração Marta Suplicy fez uma transição cumprindo as exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal e da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2004.

A disponibilidade financeira da prefeitura, em 31/12/04, era de R$ 358,6 milhões. Os restos a pagar, com vencimento em 2004, para os quais a administração devia deixar recursos disponíveis, totalizaram R$ 267,6 milhões. Portanto, um superávit de mais de R$ 91 milhões. As contas de Marta, nos quatro anos de governo, foram aprovadas tanto pelo TCM quanto pela Câmara Municipal. Ponto final.

Marketing político foi o que os paulistanos viram no início do atual governo. Encenaram um espetáculo às conveniências da coligação demo-tucana. Fornecedores eram apresentados em condições vexatórias e se dizia que “levavam calote da Marta”.

Na verdade, enquanto os flashes espocavam sobre o suposto caos e desvario petistas, um mês após a posse, a administração demo-tucana contava com um excedente de caixa de mais de R$ 1,1 bilhão -dinheiro que poderia ter sido usado, pelo bom princípio da continuidade administrativa, para pagar os fornecedores, mas que foi “destinado” a aplicações financeiras.

No primeiro trimestre de 2005, o superávit já passava de R$ 2 bilhões, e 90% foram “destinados aos bancos”. No final de 2007, o excedente de caixa já chegava perto dos R$ 5,2 bilhões, e as aplicações financeiras giravam em torno de R$ 4 bilhões. Balancetes, normalmente, não mentem.

É bom deixar claro que, se hoje há mais dinheiro nos cofres da prefeitura, temos de agradecer às políticas do presidente Lula, que geraram crescimento econômico, ampliação do emprego, retomada das atividades empresariais, incremento do consumo das famílias e verbas federais para a cidade, que faltaram nos anos FHC. Fato inconteste, houve expressivo crescimento das receitas tributárias em todos os municípios brasileiros.

Feitos os esclarecimentos, vamos ao que hoje interessa discutir. Os recursos da prefeitura não podem ficar aplicados no banco enquanto faltam médicos, professores, hospitais, escolas, moradia e tantos outros serviços para a população. Temos uma gestão ultrapassada, sem planejamento, que deixa o caos tomar conta do trânsito e do transporte público.

São Paulo tem agora a oportunidade de eleger um governo comprometido com a democracia, com as maiorias sociais, com a descentralização, com a transparência e com a utilização criteriosa dos recursos públicos. Quem se recorda do governo Pitta não deve reincidir no erro. Nesta eleição, São Paulo tem a chance de avançar, inovar, acompanhar o ritmo do Brasil do governo Lula. Isso é o que está em jogo. Isso é o que interessa.

FOLHA SP – 20/10/2008


RUI FALCÃO, advogado e jornalista, é deputado estadual pelo PT e atua na coordenação da campanha de Marta Suplicy. Foi deputado federal, presidente do PT e secretário municipal de Governo de São Paulo (gestão Marta).

17/10/2008 - 13:32h Uma carta exemplar

Luis, por motivos profissionais eu não posso fazer declarações de voto, mas estou muito enojado com essa história toda.

Sei que virou unanimidade que o momento crucial desta campanha para prefeitura de São Paulo foi o comercial do PT perguntando se o candidato do DEM era casado e se tinha filhos. A reação ao comercial gerou no inconsciente paulistano a percepção de que a campanha da Marta era homofóbica e preconceituosa. Na avaliação de dez entre dez çabios com espaço nos jornais, Marta “mostrou desespero”, “apelou para baixaria” e “jogou fora a sua biografia” para tentar “ganhar de qualquer jeito”.

Não vou entrar nessa discussão agora, mas quero chamar atenção para outro momento da campanha muito menos comentado. No dia 15 de setembro, Marta participou de encontro com pastores da Igreja Batista, representantes de 540 templos e uma comunidade de 70 mil paulistanos. Segundo o relato de O Globo, a reunião foi um constrangimento só. No auditório do colégio Batista, o grupo pediu o apoio da candidata contra o projeto de lei 122 que criminaliza a homofobia. Segundo os religiosos, a proposta, em tramitação no Congresso Nacional, os impediria de pregar contra a homossexualidade.

Marta foi categórica: “Se for para xingar homossexual, dizer que é doente, desacatar, sou contra. Com toda a minha formação de psicanalista e na área de sexualidade, não posso ser a favor. Se eu respondi, está respondido, se querem mais detalhes, tenho de ler o projeto” disse.
Perguntada sobre o mesmo assunto pela terceira vez, Marta lembrou que não é mais parlamentar: “Não sou eu que vou votar (a lei), mas minha opinião pessoal vocês têm de ter: não sou a favor disso, gente. Não sou! Tenho de deixar isso claro”.

“Nós temos de ter coerência com o que a gente é, com o que a gente vive e com a vida da gente. De mim, vocês nunca vão encontrar evasivas”, disse Marta.

Para piorar o clima, informou o jornal carioca, um dos pastores perguntou sobre “investimento em espiritualidade” nas escolas. Marta defendeu a escola laica: “O mesmo respeito que temos em relação à religião, temos de ter em relação à raça, à sexualidade, em relação às diferenças. As pessoas não são iguais. Não nascemos iguais”.

Questionada pelos repórteres se havia perdido votos ao ser tão incisiva, Marta respondeu: “As pessoas podem ver, pelo menos, que lidam com uma candidata que tem princípios, que fala o que pensa”.

Respondendo a mesma pergunta, o diretor-executivo da Convenção Batista do Estado de São Paulo, Valdo Romão, fez uma análise perfeita: “Quem já tem suas reservas quanto a ela, reafirmou essas reservas. E quem tem suas simpatias, reforçou-as”.

Pois bem: não vou aqui cobrar artigos dos çabios da imprensa sobre o episódio do Colégio Batista, mas relendo o ocorrido alguém intelectualmente honesto é capaz de acusar Marta de ser “homofóbica”, de ser “preconceituosa”, de “jogar a sua biografia em troca de votos”?

Marta Suplicy é uma defensora histórica dos direitos dos homossexuais. Ao que me recorde, foi a primeira prefeita do país a apoiar e participar da Passeata do Orgulho Gay. Provavelmente perdeu muitos votos com isso. Nunca se importou.

Mas a questão é: sinceramente, que outro político brasileiro teria a coragem de enfrentar uma platéia de eleitores em potencial e dizer exatamente o que eles NÃO querem ouvir? Que outros políticos pautam a sua carreira por princípios (certos ou não) e se mantêm neles sob custa de votos? Que outros políticos não fazem o eterno jogo de montar um discurso para cada platéia, caminhando no gelo fino da hipocrisia e do populismo? Que outro político não submete o seu discurso à vontade dos marqueteiros e dos çabios da imprensa? Quantos? Ciro Gomes e José Serra, por certo. Talvez outros três, no máximo.

É por isso que os últimos dias da campanha paulistana me dão tanto nojo. Ok, se a imprensa acha que Gilberto Kassab será um prefeito melhor, ótimo. Está jogo: façam a sua declaração de voto e todos ficamos sabendo quem é quem. Mas gastar uma semana de cobertura da principal campanha eleitoral do país discutindo os preconceitos de Marta é uma das coisas mais absurdas que já vi. Quantos políticos brasileiros sofreram tanto preconceito quanto Marta? Vou facilitar a lista e colocar três nomes: em campanhas passadas Lula era “comunista e aborteiro”; Erundina, uma “nordestina incapaz”; Gabeira, um “maconheiro veado”. Marta, bem, para não repetir tudo que já foi escrito vamos ficar com uma única declaração de Paulo Maluf no segundo turno de 2000: “A vida particular de Dona Marta não cabe numa lista telefônica”. Então, é a Dona Marta a preconceituosa?

A questão básica é nesta semana toda de discussão do PT o leitor paulista no foi privado do seu direito mais essencial: o de ser informado. Peço perdão aos marqueteiros do PT e aos çabios da imprensa, mas a questão para os próximos quatros anos de São Paulo não é a vida privada de Gilberto Kassab. Isso é bobagem. O importante é saber o futuro do Bilhete Único, a expansão dos CEUS, os investimentos para atenuar o caos na saúde, as idéias para diminuir o inferno diário dos congestionamentos. É para isso que estamos elegendo um prefeito. Um prefeito que tenha coragem de dizer que vai fazer, que tenha caráter de defender as suas idéias mesmo desagradando uma parcela de eleitorado.

São Paulo merece mais.

13/10/2008 - 17:54h Nota à imprensa

A campanha de Marta repudia veementemente as insinuações que alguns veículos têm feito a respeito do comercial levado ao ar no domingo (13/10). A equipe de marketing, ao perguntar sobre o estado civil do candidato Gilberto Kassab, em meio a uma série de outros questionamentos, apenas defendeu o legítimo direito do eleitor conhecer, em todos os aspectos possíveis, a história de quem se apresenta para governar a maior cidade do país.

O candidato Gilberto Kassab dedica-se, em sua campanha, a esconder sua trajetória e companhias, seus compromissos e lealdades, vendendo gato por lebre ao eleitor. Esconde sua condição de filhote do malufismo, de braço direito do ex-prefeito Celso Pitta, de integrante do partido mais conservador do país. Esforça-se para iludir os paulistanos com promessas falsas jogando para debaixo do tapete seus próprios atos como governante. Esses são os fatos que a candidata Marta desmascarou no último debate. Esses são os objetivos fundamentais que motivaram a peça publicitária ontem veiculada.

As insinuações absurdas e cínicas sobre invasão de privacidade do outro candidato são inaceitáveis. Basta lembrarmos da história de Marta, protagonista das principais lutas em defesa dos direitos da mulher e das liberdades individuais. Mais ainda: ela foi vítima constante do preconceito e da intriga, patrocinados ironicamente pelos mesmos setores que hoje apóiam Kassab.

Não haverá manobra ou invencionice que nos impeça de continuar comparando projetos e trajetórias, desmascarando os truques de marketing que tentam impedir o povo paulistano de conhecer o verdadeiro Gilberto Kassab. Esse é, repetimos um direito inalienável dos eleitores.

Carlos Zarattini
Coordenador-geral

12/10/2008 - 13:20h As razões dos eleitores

O ‘motor’ do voto para prefeito

Fábio Leite e Fernanda Aranda – Jornal da Tarde

Os contrastes de São Paulo fizeram da disputa eleitoral uma balança com dois pesos e duas medidas. Enquanto o prefeito e candidato à reeleição Gilberto Kassab (DEM) “sobrou” nas regiões mais ricas da cidade e Marta Suplicy (PT) dominou o eleitorado nos extremos periféricos, o equilíbrio nas urnas marcou as regiões onde desigualdades sociais “dividem parede”. Segundo especialistas, são locais onde a tônica do segundo turno foi antecipada porque já houve migração de votos.

São quatro regiões da cidade onde características antagônicas “convivem” e um voto pode fazer diferença na eleição do dia 26. Na primeira etapa, Kassab e Marta terminaram quase empatados em Ermelino Matarazzo, Sapopemba (ambos na zona leste), Rio Pequeno e Pirituba (os dois zona oeste) – veja números ao lado -, reproduzindo a diferença de apenas 0,8 ponto na média geral da cidade: 33,6% dos votos válidos para ele e 32,8% para ela.

A primeira pesquisa do Datafolha para o segundo turno, apesar de mostrar uma vantagem de 17 pontos para Kassab (54% contra 37% para Marta), confirma que a disputa continua acirrada nessas áreas.

“Bairros como Ermelino e Pirituba estão em plena ascensão econômica”, diz o cientista político Rui Tavares Maluf. “E os extremos também prevalecem nas periferias, o que torna a divisão de votos entre Kassab e Marta mais polarizada.”

Barracos de madeira vizinhos de sobrados de três dormitórios compõem o cenário desses distritos. Mas, além da discrepância financeira, uma antecipação do segundo turno já na primeira etapa da eleição é outra explicação para o emparelhamento numérico nessas regiões, trazida por Fernando Abrúcio, pesquisador político da FGV. “Pessoas que votariam em Geraldo Alckmin (PSDB) ou Paulo Maluf (PP) migraram seus votos para os candidatos que acreditavam ter mais chances.”

Em busca de saber quais são os critérios de desempate, o JT foi até essas regiões e encontrou justificativas – e esperanças – em Jaqueline Hipólita, de 22 anos, Cintia Oliveira, de 21, Camilo Olalla, de 19, e Arlete Gomes, de 41. A bordo de ônibus, metrô, trem ou carro, esses paulistanos travam peregrinações diárias pela cidade. Para eles, o “combustível” do voto está no transporte público.

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10/10/2008 - 09:55h O voto paulistano de Piraporinha a Santana

Cristiane Agostine e Caio Junqueira, VALOR

Entre as senhoras de Santana e os jovens de Piraporinha localizam-se os extremos do eleitorado paulistano que surpreendeu neste domingo ao conferir ao prefeito Gilberto Kassab (DEM), já no primeiro turno, uma votação superior ao da ex-prefeita Marta Suplicy.

Reduto paulistano do moralismo que, na ditadura, clamou por censura, Santana foi uma das zonas eleitorais em que Marta mais perdeu votos. Em sua eleição como prefeita, em 2000, teve 34,6% dos votos lá. Na tentativa de reeleição, em 2004, 25,9%. Este ano, sua votação reduziu-se para 12,1%.

Piraporinha deu à petista o maior ganho de votos, proporcionalmente, em relação às últimas eleições: teve 43,1% em 2000, 52% em 2004 e 59,5% neste ano. Configurou-se, assim, como um dos poucos bastiões do município que resistiram ao avanço kassabista.

O Valor passou um dia em cada uma dessas regiões para tentar desvendar as razões desses comportamentos opostos. Em Piraporinha, a população predominantemente carente acha que Kassab apenas deu continuidade às iniciativas administrativas tomadas por Marta, que o precedeu no cargo. Até uma espécie de tribunal popular foi montado no local para julgar o atual prefeito, condenando-o por negligência e falta de investimentos no bairro nas áreas de educação, cultura e esporte.

Em Santana a situação é inversa e o anti-petismo é um sentimento alastrado entre as pessoas, em sua maioria integrante da classe média paulistana. A defesa da tradição, da família e da propriedade fundamentam os argumentos contrários a Marta Suplicy em um bairro com forte apelo de católicos conservadores, onde o vereador Gabriel Chalita (PSDB) colheu uma de suas mais expressivas votações

Em Piraporinha, corredores de ônibus, bilhete único e CEUs movem eleitor

Em uma travessa da estrada do M’Boi Mirim, uma das principais ruas de Piraporinha, na zona sul de São Paulo, Romualdo José da Silva, de 48 anos, protege-se em um pequeno salão de cabeleireiros da garoa que caía na manhã de quarta-feira. É só perguntar para ele para quem foi o seu voto e ele logo fala que é PT de coração. As ações do governo da ex-prefeita Marta Suplicy são enumeradas por ele como em uma propaganda política: Centros Educacionais Unificados (CEUs), corredores de ônibus, bilhete único, material escolar e uniforme. “Marta ajudou muito a população mais pobre e ninguém pensava em fazer isso”, resume.

Marisa Cauduro/Valor
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Antonio Jefferson: “Kassab é o prefeito dos ricos. Só veio para terminar as coisas da prefeita”

Perto de lá estão dois CEUs, entregues pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), semelhantes aos da gestão da ex-prefeita. Está também o Hospital do M’ Boi Mirim, projeto de Marta, que foi entregue pelo prefeito e as Amas, unidades de saúde, bandeiras da atual gestão. O investimento de Kassab no bairro não parece ter tido efeito sobre Romualdo. “Kassab fez muito, mas ele só deu continuidade às obras de Marta. Os projeto são dela e ninguém nunca vai tirar.”

Pedro Viano do Santo, de 52, pai de 11 filhos, interrompe a conversa: “Acho Kassab mais corajoso. Ele está há pouco tempo e já limpou a cidade”, disse, referindo-se ao Cidade Limpa . Pedro votou em Kassab no primeiro turno, por recomendação de sua igreja evangélica. Apesar dos elogios, diz que agora vai de Marta: “O pessoal da igreja fechou com ele e eu votei também. Mas agora o voto é meu, não adianta e vou de Marta.”

Piraporinha, onde mora Romualdo, é a zona eleitoral onde Marta mais ganhou votos, proporcionalmente, em relação à eleição de 2004. Neste ano, ela teve 59,5% dos votos e Kassab, 20,97%. Quatro anos atrás, teve 52% e José Serra (PSDB), 32,17% . Na zona eleitoral, que corresponde ao Jardim Ângela e Jardim São Luis, o PT sempre foi forte.

No CEU Guarapiranga, entregue por Kassab, Romildo Merces de Jesus, de 28 anos, deixa a filha de quatro anos enquanto comenta: “Isso aqui é coisa da Marta. ” Ele diz não gostar de Kassab porque a prefeitura o fez sair da favela onde vivia. “Me falaram: vai para o albergue ou para a rua. Não é assim que se trata.”

“Kassab é o prefeito dos ricos, está muito longe de se preocupar com os pobres”, opina Antonio Jefferson, de 21 anos, sobre o crescimento do PT no bairro. “Ele se preocupou mais com a imagem da cidade, em diminuir a poluição visual, do que com o povo. Do que adianta ter a cidade limpa se o povo está triste, sem saúde?”. Funcionário de supermercado, lembra que participou de manifestações para que a prefeitura construísse o hospital M’ Boi Mirim, ainda na gestão Marta. “O povo viu quem lutou por isso. Foi a mesma coisa com os CEUS. Foi a Marta que lutou pelo terreno. O Kassab só veio para terminar as coisas da prefeita.”

Os moradores de Piraporinha também se organizaram para pedir investimentos na região. A igreja e movimentos sociais fizeram dois tribunais populares para “julgar” a prefeitura e no último prepararam uma ação civil pública contra o governo por falta de investimentos em educação, cultura e esporte. O tribunal foi organizado pelo Fórum de Defesa da Vida, que reúne 250 entidades e representantes do Ministério Público. “A ausência do poder público é marcante aqui”, diz Lea Maria Chaves, integrante do fórum.

O Jardim Angela, que compõe Piraporinha, já foi considerada a área mais violenta do mundo pela ONU. Ainda hoje é classificada como uma das regiões onde os direitos humanos são menos respeitados. Cerca de 30% da população vivem em mais de 270 favelas. “Acredito que o partido PT é mais sensível ao social”, diz Lea Maria, apesar de reclamar de dificuldades para trabalhar com o governo de Marta. “Voto no PT, mas acho que lidar com Kassab é mais fácil.”

Nas ruas da região, a campanha petista predomina, mas as ações de Kassab no reduto petista reverteram-se em alguns votos. No CEU Vila do Sol, Maria Rosangela, 27 anos, dona de casa, diz ter mudado o voto depois do CEU, onde estuda sua filha. “Em 2004 votei na Marta, mas agora foi Kassab. Vamos ver se ele continua fazendo benfeitorias para cá.” No hospital M’Boi Mirim, Moacir Edson Costa, de 37 anos, trabalhador autônomo, comenta que “Marta foi boa” e que em 2004 votou nela. “Voto no Kassab para ele continuar o que está fazendo.”

A comerciante Ivone França, de 63 anos, afirma que votou em Kassab “por opção na hora.” Ela reclama que a ex-prefeita preocupou-se muito com os mais carentes. “Marta fez muita escola na periferia. Isso ajuda e atrapalha. Para quem tem lojinha de material escolar, como eu, foi ruim. Não vendo quase nada depois que a prefeitura passou a dar material escolar.” Sua irmã, Lucia Aparecida, de 53 anos, também escolheu o prefeito. Ela também reclama dos projetos de transferência de renda. “Tem muita gente carente que recebe essas bolsas, mas não precisa. Aqui falam que Marta vai dobrar asbolsas só pra votarem nela.”

Dona de um bar, reclama das taxas do lixo e da iluminação criadas na gestão Marta e não se conforma com um comentário sobre o caos aéreo de Marta, feito quando a petista era ministra do Turismo. “Eu até gravei da televisão ela falando o ‘relaxa e goza’. Queria mostrar para a minha filha, para não votar na Marta”. Do Jardim Angela, onde a comerciante mora com a família, o trajeto de ônibus até o centro a viagem dura mais de duas horas. Sua filha tem de fazê-lo de segunda a sexta. “Todo mundo tem carro, não podemos culpar o Kassab pelo trânsito. Acho que tem de fazer rodízio de dois dias. Pode por mais ônibus que for, se não tiver rodízio de dois dias, vai continuar do jeito que está.” (CA)

Em Santana, tradição religiosa, culto à família e aversão a taxas definem escolha

Nem a presença da Paróquia de São José Operário, Patrono dos Trabalhadores, é capaz de levar os eleitores do bairro de Santana a votar na candidata à prefeita de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores, Marta Suplicy. É neste bairro da classe média e alta paulistana, o primeiro ao norte do rio Tietê, que ela assiste , eleição após eleição, sua votação despencar. De 2000 a 2004, caiu 25%. Neste ano, 53%.

Leonardo Rodrigues/Valor
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Ariane Leonardi: “A família dela é muito desregrada. Político tem que ter regra. O que ela proporciona à minha família?”

Encontrar um eleitor petista nas tortuosas ruas deste bairro é tarefa árdua. Na melhor das hipóteses, o que se vê são ex-petistas (arrependidos) que, quando optaram pelo 13 nas urnas, o destinatário foi o presidente Lula. Bem antes de ele tentar ser presidente. “Só votei no Lula em 1986 porque eu trabalhava com metalúrgica. Depois nunca mais. Trabalhei com a Erundina. Para consertar um banheiro eles faziam reunião. Se Moisés fosse petista ainda estava no Egito consultando as bases pra ver se fugiam do Egito”, diz Ruth Guiness, 63, dona-de-casa, caminhando por uma das feiras livres do bairro na fria manhã de anteontem.

As opiniões expressadas, em geral, trazem consigo uma anedota, um termo pejorativo – como a referência à gestão Lula a um “governo de bebum” e a ojeriza a ele por uma “questão de pele”- e muitas referências a condutas pessoais tidas por inaceitáveis aos políticos. Mais do que ao presidente e ao partido, são esses julgamentos que embasam a maior parte das críticas a Marta, ainda que o bairro concentre o maior índice de divorciados da cidade.

“A família dela é muito desregrada. Político tem que ser como um juiz, tem que ter regra. O que ela proporciona para a minha família? Ligo a tevê e ela está na Parada Gay. O que tá indicando para meu filho? Para relaxar e gozar? E o filho dela? Cantor louco de rock, ‘zueiro’, o que proporciona de bom? Sem falar que para ser prefeita tem que ter marido”, afirma a advogada Ariane Leonardi, 32 anos. Atuante na área de direito de família para pessoas carentes, embora a bordo de um Dodge Journey da montadora Chrysler avaliado em cerca de R$ 100 mil, ela pede, no fim da conversa: “Frise a família e a sociedade. O que falta nela é o conceito de família”.

O discurso expõe um componente constante no bairro, a religiosidade. Desde sua fundação, a Igreja tem presença forte no local, a começar pela origem do seu nome: Santa Ana. Formado a partir da doação de uma sesmaria a Companhia de Jesus no século XVII, o crescimento veio no fim do século XIX, com a instalação de um colégio pela Irmãs de São José de Chambéry. Já no início da abertura política ainda durante o regime militar, ficaram famosas as “senhoras de Santana” que atuaram contra o despudor televisivo.

Hoje, a aversão ao PT e a Marta é questionada pelo padre Humberto, da Paróquia São José Operário. “A resposta para isso é uma constante busca minha. Mas acho que há um receio da classe média a aspectos religiosos, políticos e comportamentais que venham de setores progressistas da sociedade”, afirma. Ele conta também que verificou isso quando se instalou no bairro, há cinco anos, e muitas pessoas tinham aversão ao Concílio Vaticano II, documento papal que nos anos 60 modernizou e abriu a instituição para, segundo ele, “tantas realidades”.

Além da tradição e da família, a propriedade também permeia os argumentos contrários à petista. Bairro onde o pequeno e médio comércios compõem o visual das ruas, as taxas do lixo e da luz criadas na gestão Marta, entre 2001 e 2004, são pontos que elevam a rejeição à ex-prefeita. “Eu gostava tanto dela, votava nela, mas depois, com essas taxas não dá mais. Pesou bastante para a gente. Quando mexe no bolso fica ruim, né”, diz Ingrid, proprietária do Empório da Beleza, na avenida Alfredo Pujol, a principal do bairro.

Há, porém, quem estenda as críticas às questões administrativas e ao setor considerado ponto forte da candidata: educação. Presente na rede pública municipal de ensino desde os anos 80, a diretora de escola Jane Garcia, 52 anos, kassabista, teve como chefes em última instância uma seqüência de prefeitos com colorações partidárias diversas: Mário Covas, Jânio Quadros, Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pitta, Marta Suplicy, José Serra e Gilberto Kassab. E garante: o chefe atual é o maioral. “Ela fez os CEUs mas e o restante como é que fica? Estou em uma escola hoje que precisava de reformas elétricas, hidráulicas, pintura, ampliação. Só agora conseguimos. Só agora os professores são valorizados com aumentos”, diz, enquanto seu poodle Tara, protegido do frio com um vestidinho azul, descansa em seu colo. Depois da exposição técnica, cita, tal qual os outros entrevistados, os aspectos pessoais da candidata petista. “Ela é arrogante e tem toda a questão social-familiar”.

O anti-petismo de Santana acaba por contaminar a candidatura dos vereadores da legenda. O primeiro integrante da sigla a aparecer na lista dos mais votados é José Américo, na 33ª colocação, com 256 votos. Antes dele, predominam políticos do PSDB, DEM, PP e PTB. Quem lidera o ranking, com 3.095 votos, é o tucano Gabriel Chalita, o mais votado da capital paulista. Tendo por lema de campanha “São Paulo mais educada, sua família mais feliz”, descreve em seu site que “foi catequista, ministro da eucaristia e seminarista” e que “considera a família o alicerce da sociedade”. (CJ)

06/10/2008 - 00:29h Marta ou Kassab

marta_kassab.jpg

Com 99,69% dos votos apurados

  * Válidos 6.351.680 (77,48%)
* Nulos 315.901 (3,85%)
* Brancos 230.081 (2,81%)
* Abstenção 1.276.378 (15,57%)

Nome do candidato (partido) % válidos votos válidos

Gilberto Kassab (DEM)
33.61% 2.134.851

Marta (PT)
32.79% 2.082.523

Geraldo Alckmin (PSDB)
22.47% 1.427.501

Maluf (PP)
5.92% 375.736

Soninha (PPS)
4.19% 266.155

Ivan Valente (PSOL)
0.67% 42.467

04/10/2008 - 20:24h IBOPE: Marta 35%; Kassab 27% e Alckmin 17%

marta_kassab_alckmin.jpg

Ibope:Kassab atinge 27% e deve ir ao 2º turno com Marta

EQUIPE AE – Agencia Estado

SÃO PAULO – O prefeito de São Paulo e candidato à reeleição pelo DEM, Gilberto Kassab, subiu 2 pontos porcentuais – de 25% para 27% – na mais recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), contratada pelo jornal “O Estado de S.Paulo” e Rede Globo, e deve disputar o segundo turno com a candidata do PT, Marta Suplicy, que manteve 35% e continua liderando as intenções de voto. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, teve oscilação negativa de 3 pontos porcentuais, de 20% para 17%, na corrida à Prefeitura de São Paulo. Na sondagem anterior, divulgada em 27 de setembro, Kassab e Alckmin estavam tecnicamente empatados, uma vez que a margem de erro é de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos. Agora, com 11 pontos de diferença, Kassab se descolou.

O deputado Paulo Maluf, candidato do PP, oscilou 1 ponto, de 7% para 6%. A vereadora Sonia Francine, a Soninha, candidata do PPS, subiu 1 ponto e agora está com 5%. Considerando a margem de erro da pesquisa, ambos estão em empate técnico.

O deputado Ivan Valente, candidato do PSOL, obteve 1%. Os candidatos Anai Caproni (PCO), Ciro Tiziani Moura (PTC) e Levy Fidelix (PRTB) tiveram menos de 1%. Edmilson Costa (PCB) e Renato Reichmann (PMN) constavam do disco da pesquisa estimulada, mas não foram citados pelos eleitores entrevistados. Os votos em branco e nulos somaram 6% e os que não sabem em quem votar ou não responderam totalizaram 3% dos eleitores.Os números levam em conta os votos totais.

Considerando apenas os votos válidos – a proporção do candidato sobre o total de votos, excluídos os brancos, nulos e indecisos -, a pesquisa de intenção de voto aponta Marta com 38%, Kassab com 30% e Alckmin com 19%. Maluf aparece com 7%, Soninha, com 5%, e Ivan Valente, com 1%. Os demais não pontuaram.

A pesquisa do Ibope foi realizada entre quinta-feira, dia 2, e hoje. Foram entrevistados 1.204 eleitores. O levantamento foi registrado na 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, sob o número 034.001.08-SPPE.

Histórico

Nas cinco pesquisas Ibope anteriores, também contratadas por Estado e TV Globo, Marta e Kassab apresentaram trajetórias bem diferentes. Marta liderou desde a primeira pesquisa, divulgada em 18 de julho, com 34%, mas em empate técnico com Alckmin, com 31%, e Kassab bem longe, com apenas 10%. Na época, a diferença de 21 pontos porcentuais que Alckmin impunha ao atual prefeito deu a impressão de que o segundo turno já estava definido. Kassab chegou a amargar um quarto lugar, atrás de Maluf, na pesquisa divulgada em 15 de agosto, mas passou a subir gradativamente a partir do programa eleitoral gratuito no rádio e na TV, iniciado a 19 de agosto, até superar Alckmin.

04/10/2008 - 20:10h Pesquisa Datafolha: Marta Suplicy (PT) tem 36% dos votos válidos, contra 30% de Gilberto Kassab (DEM), segundo a pesquisa. Geraldo Alckmin (PSDB) aparece com 21% dos votos válidos.

Eleições2008 -  04/10/2008

Na véspera do primeiro turno da eleição, Marta tem 36% e Kassab atinge 30% dos votos válidos




A ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, do PT, e o atual ocupante do cargo, Gilberto Kassab, do DEM, vão disputar o segundo turno da eleição para prefeito, no dia 26 de outubro, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha na sexta, dia 3, e no sábado, dia 4 de outubro, véspera do primeiro turno. Se a eleição fosse hoje, Marta teria 36% dos votos válidos e Kassab ficaria em segundo lugar, com 30% dos válidos. Geraldo Alckmin, do PSDB, com quem o democrata travou uma acirrada disputa pela segunda colocação, ficaria em terceiro, com 21% dos votos válidos. O Datafolha ouviu 5153 eleitores, a partir dos 16 anos de idade, e a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Ainda levando-se em consideração os votos válidos, Paulo Maluf (PP) atinge 7%, e empata com Soninha (PPS), que obtém 5%. Ivan Valente teria hoje 1% dos votos válidos. Anaí Caproni (PCO), Ciro (PTC), Edmilson Costa (PCB), Levy Fidelix (PRTB) e Renato Reichmann (PMN) foram citados, mas não atingem 1% dos votos válidos.

A Justiça Eleitoral divulga os resultados oficiais da eleição com base nos votos válidos, excluindo brancos, nulos e abstenções. Para o cálculo destes votos, o Datafolha exclui da amostra, além dos votos brancos e nulos, os eleitores que se declaram indecisos.

No que diz respeito ao total de votos, Marta oscilou de 35% das intenções de voto no levantamento realizado nos dias 29 e 30 de setembro para 34% hoje. Kassab segue tendência ascendente desde o final de julho, quando tinha 11% das preferências. Em relação ao levantamento anterior, o atual prefeito oscilou de 27% para 28%. Alckmin se manteve com 19%.

O percentual de intenção de voto em Maluf (PP) oscilou de 7% para 6% e a taxa dos que pretendem votar em Soninha (PPS) variou de 4% para 5%. Ivan Valente (PSOL) atinge 1% das intenções de voto. Anaí Caproni (PCO), Ciro (PTC), Edmilson Costa (PCB), Levy Fidelix (PRTB) e Renato Reichmann (PMN) foram citados, mas não atingem 1% das menções.

Na véspera do primeiro turno da eleição 6% dos eleitores paulistanos não têm candidato a prefeito: 4% votariam em branco ou anulariam o voto e 2% se dizem indecisos.

Gilberto Kassab também mostra uma consistente ascensão no que diz respeito à intenção de voto espontânea. Em relação ao levantamento anterior, a taxa dos que dizem, espontaneamente, que vão votar pela reeleição do atual prefeito subiu de 22% para 25%, seu melhor resultado nessa série de pesquisas. O percentual dos que dizem espontaneamente, antes da apresentação dos nomes dos candidatos, que vão votar em Marta se manteve em 28%. A intenção de voto espontânea em Geraldo Alckmin se manteve em 14%, pela quarta vez seguida.

A taxa dos que não sabem dizer espontaneamente em quem vão votar para prefeito oscilou de 22% para 20%.

A vantagem de Gilberto Kassab sobre Marta Suplicy na simulação de segundo turno subiu de cinco pontos na pesquisa realizada nos dias 29 e 30 de setembro para nove pontos hoje. No levantamento anterior, o atual prefeito atingia 49%, contra 44% da candidata do PT. Se uma segunda votação fosse realizada hoje, 50% dos eleitores paulistanos votariam pela reeleição do democrata, ante 41% que optariam pela petista.

Se o segundo turno fosse realizado hoje, Kassab teria o voto de 67% dos eleitores que declaram intenção de votar em Geraldo Alckmin no primeiro turno; 21% desses eleitores afirmam que votariam em Marta. O atual prefeito contaria com o apoio de 62% dos eleitores de Maluf . Os eleitores que pretendem votar em Soninha no primeiro turno se mostram divididos: 43% votariam no democrata e 39% dariam seu voto à petista.

O percentual de eleitores que pretendem votar em Kassab e que sabem dizer o número a ser digitado na urna eletrônica para confirmação de sua vontade no dia da eleição é de 75%. Entre os eleitores que pretendem votar em Alckmin, a taxa dos que respondem corretamente o número do candidato é de 69%. Marta é a candidata com maior percentual de eleitores que sabem seu número: 83% respondem corretamente quando consultados a respeito.

Na véspera da eleição, 13% dos eleitores paulistanos que declaram intenção de votar em um candidato ou que pretendem votar em branco ou anular afirmam que ainda podem mudar de idéia.

Entre os que têm intenção de votar em Geraldo Alckmin, a taxa dos que dizem que seu voto ainda pode mudar é de 14%. Desses, 7% afirmam que, em caso de mudança, Gilberto Kassab seria o candidato que teria mais chance de receber seu voto; 3% citam Marta.

O percentual de eleitores que pretendem votar em Kassab e admitem que seu voto mudar é de 13%, dos quais 6% afirmam que, caso mudem, provavelmente votarão em Alckmin; 4% optariam por Marta.

Entre os eleitores que têm intenção de votar em Marta, 12% afirmam que seu voto ainda pode mudar. Desses, 5% dizem que Kassab seria o candidato que teria mais chance de receber seu voto em caso de mudança; 4% citam Alckmin.

A maioria (58%) dos eleitores paulistanos ainda não decidiu seu voto para vereador. Já tomaram sua decisão sobre em quem vão votar para a Câmara Municipal 42%.

São Paulo, 4 de outubro de 2008.

04/10/2008 - 18:57h Às urnas cidadãos!

Vários colunistas da Folha de São Paulo têm considerado que a grande revelação desta eleição municipal tem sido Gilberto Kassab. Baseiam-se na idéia que ter conseguido o patamar de intenção de votos que as pesquisas indicam (28%), sendo alguém quase desconhecido pouco tempo atrás, constitui uma inegável revelação.

Mas o que me parece ter sido a grande revelação desta fase da eleição é o patamar de intenção de votos dados nas pesquisas para Geraldo Alckmin, o provável derrotado.

Alckmin foi “secado” financeiramente pelo governador Serra, traido pela bancada de vereadores do seu próprio partido, abandonado por seus correligionários do tucanato nacional e atacado cotidianamente pela mesma mídia que o erigiu no passado como um ótimo administrador.

Sistematicamente atacado pelas costas, sem dinheiro, sem apóio na mídia, sem coligações que ampliassem seu horário na TV (Serra levou os partidos a apoiar o adversário do tucano), deixado na solidão, e eis que as pesquisas dão ao Alckmin (19%) apenas 9 pontos a menos que Kassab.

A outra revelação, que a mídia prefere ignorar, é que Marta lidera no primeiro turno e isso após meses a fio de campanha contra ela. Campanha de seus adversários, que somados contavam com o triplo de tempo na TV. Campanha da mídia fazendo eco permanentemente ao “relaxa e goza” ou a “martaxa”, ou a “rejeição” ou a dúvidas e mentiras sobre suas propostas. Marta emerge deste primeiro turno da eleição, não só como a primeira em todas as pesquisas (34%); mas é em relação ao governo dela e as suas principais marcas que o debate acontece e concentrará a disputa no segundo turno.

Os que acompanham este blog sabem que Marta sempre teve lucidez para saber que a disputa seria difícil. Na cidade de São Paulo se consolidaram dois campos fortes eleitoralmente e opostos politicamente: o campo conservador, hoje liderado pelos demo-tucanos e o campo popular, liderado por Marta, Lula e o PT com seus aliados. Esses campos estão hoje relativamente equilibrados, após anos de dominação do campo conservador.

Esta dominação do campo conservador permitiu a vitória de Maluf em 1992, a de Pitta em 1996, a de Serra em 2004, a de Alckmin e Serra em 2006. Em três oportunidades o campo popular conseguiu vencer, sempre graças ao apoio ou a divisão do campo conservador. Foi assim com Erundina, foi assim em 1998 com Mário Covas contra Maluf, com apoio de Marta e do PT e em 2000, com a vitória de Marta com apóio do mesmo Covas, Alckmin e o PSDB, contra Maluf. Evidentemente as fronteiras entre ambos os campos não é tão esquemática como estou simplificando aqui para ilustrar minha opinião.

Estamos às vésperas de um novo confronto e disputa entre ambos campos. As divisões manifestadas no campo conservador neste primeiro turno terão seu efeito, mesmo reduzido pela aparência de unidade que ostentarão no segundo turno. Ao mesmo tempo a eleição será decidida pelos eleitores que oscilam entre os campos, sem clareza para medir a distância entre os mesmos. Caberá a Marta, aos partidos, sindicatos e entidades que a apoiam; aos militantes e simpatizantes da Marta, aos seus eleitores do primeiro turno, convencer e mostrar claramente a esses eleitores hesitantes, o que representa a alternativa popular com Marta prefeita. Não vai ser no grito e sim no argumento que a vitória será obtida.

Essa vitória é possivel e dependerá exclusivamente do engajamento de todos.

Luis Favre

A seguir as tabelas da pesquisa Datafolha incluídos os resultados que estarão nos jornais de amanhã.

Pesquisas Datafolha de começo de julho até hoje

Marta 38% 36% 41% 39%
40%
37%
37%
37%
 35% 34%
Alckmin 31% 32% 24% 24% 22%
20%
22%
20%
 19% 19%
Kassab 13% 11% 14% 16% 18%
21%
22%
24%
27%
28%
Maluf 8% 8% 9% 7% 8%
8%
 7% 6%
 7% 6%
2° turno
Marta 45% 43% 49%  46% 47%
47%
47%
45%
 44% 42%
Alckmin 50% 51% 44% 46%
47%
47%
47%
48%
49%
50%
2° turno
 Marta 55% 52% 55% 49%
50%
 48% 46%
46%
44%
41%
 Kassab 36% 37% 35% 41%
43%
 44% 45%
47%
49%
50%
campo 3 e 4 de julho 23-24 julho 21-22 agosto 29 agosto 4-5 setembro 11-12 setembro 17-18 setembro 25-26 setembro 29-30 setembro 2-3 outubro

 

Os resultados da última pesquisa Datafolha transpostos em voto útil (sem os brancos e nulos) dão 36% Marta; 30% Kassab; 21% Alckmin; 7% Maluf e ainda 5% Soninha.

02/10/2008 - 18:49h O beijo da Tosca ou o traidor do Poderoso chefão?

http://www.chambe-aix.com/musique/dossier/maria_callas/images/callas_tosca_titto_gobi2.jpghttp://images.art.com/images/-/Godfather---Brando-and-Pacino--C10114459.jpeg

Maria Callas em Tosca, exclama depois de esfaquear Scarpa: “Este é o beijo da Tosca” . Marlon Brando, Dom Corleone ao filho: “quem proporá a reunião será o traidor”

Duas notas do site da Folha Campanha no ar, mostram o ar nauseabundo no qual mergulhou o PSDB.

Segundo Josias, também jornalista da Folha, FHC será o escolhido para dar o “baccio da Tosca” no Alckmin (na Ópera, Tosca apunhala o chefe da polícia Scarpia, depois de simular que estaria disposta a ir à cama com ele, e exclama exaltada pela ousadia de seu gesto “este é o beijo da Tosca”). Ou se vocês preferem outras referências, FHC será o membro da “família” Corleone, que proporá a reunião para assassinar o filho de Dom Corleone, após a morte do velho encarnado por Marlon Brando. Em claro, FHC vai convidar Alckmin a fazer haraquiri em público a mais tardar segunda de manhã, em favor de Kassab, que será apresentado como o “novo tucano” anti-PT.

Todos os membros do PSDB, que ficaram com Alckmin e com a decisão da convenção partidária, serão enterrados juntos, como faziam os antigos egípcios com o séquito do faraó.

A elite e a mídia aplaudirão com duas mãos o espetaculo de travestir papagaio em tucano, e fingirá que nunca teve nada a ver com Alckmin.

Vocês sabem, aquele argumento… o cara é muito ruim. LF

Blog da Folha, Campanha no ar

Tucano e Kassab usam os mesmos comitês

FLÁVIO FERREIRA
da Folha

Apesar da disputa entre os seus partidos, Gilberto Kassab (DEM) e Gilberto Natalini (PSDB), vereador que tenta a reeleição, distribuem material de campanha juntos em Cidade Ademar, na zona sul.

A reportagem teve acesso a um impresso no qual o subprefeito de Cidade Ademar, Beto Mendes, pede votos para Natalini. O material indica um número de telefone para quem quiser obter impressos do tucano.

A Folha ligou para o número indicado e a pessoa que atendeu disse que o material do vereador poderia ser retirado no comitê de Kassab da rua Yervant Kissajikian, 1.149.

natalini.jpg
Adesivo distribuído junto
com material de Kassab

A reportagem foi ao local e um funcionário do comitê de Kassab disse que o material de Natalini já havia acabado, mas que os impressos poderiam ser obtidos em um comitê do tucano, na rua Celso dos Santos, 1.326, no mesmo bairro.

No endereço, a Folha encontrou um pequeno comitê com um grande volume de impressos de Natalini e bandeiras de Kassab.

Uma funcionária do escritório entregou à reportagem um “kit Natalini-Kassab” com adesivos e impressos do prefeito do DEM e do vereador tucano.

A Folha também ligou para o comitê central de Natalini, na rua Vergueiro, e um funcionário informou que a propaganda de Natalini poderia ser obtida no comitê de Kassab em Cidade Ademar.

Natalini é o líder dos vereadores tucanos kassabistas.

Ele disse à Folha que não autorizou ninguém da sua equipe de campanha a entregar propaganda eleitoral dele em comitês de candidatos a prefeito.

Sobre o comitê da rua Celso dos Santos, o vereador disse que a campanha dele só tem um comitê oficial, na rua Vergueiro, e que no local deve funcionar um comitê domiciliar, que atua de maneira informal.

O tucano disse que há amigos dele ligados a Kassab, a Alckmin e até a Paulo Maluf (PP) que estão fazendo campanha para ele.

“Não há como controlar os apoios que recebo”, disse Natalini.

Tucano pede expulsão de vereadores

CATIA SEABRA
da Folha

Gilberto Natalini, vereador do PSDB que tem usado os mesmos comitês de Gilberto Kassab (DEM) para distribuir material de campanha, é alvo de Rosalvo Salgueiro, integrante da Executiva Municipal do PSDB.

Rosalvo entrou com representação pela expulsão dele do partido na última sexta-feira.

Também foram citados no documento outros três vereadores tucanos: Adolfo Quintas, Ricardo Teixeira e Claudinho.

01/10/2008 - 09:20h Pesquisa indica Marta na liderança e provável 2° turno contra Kassab

http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/06/marta_kassab_alckmin.jpg

Se os resultados da pesquisa Datafolha de hoje forem confirmados nas urnas no domingo, Geraldo Alckmin candidato do PSDB estará fora do segundo turno das eleições municipais de São Paulo.

Pesquisa deve sempre ser analisada como uma indicação e tendência, não como o resultado que acabará saindo das urnas. A margem de erro, no caso do Datafolha de hoje, 2 pontos para mais ou para menos, é um elemento que sempre é desconsiderado na edição posterior às pesquisas, mas que ocupam um lugar importante, mais ainda quando a disputa é acirrada (é bom lembrar que em 2004 o Datafolha dava empate entre Serra e Marta na véspera do primeiro turno, sendo que as urnas deram quase 10 pontos de vantagem para Serra no primeiro turno).

Isto dito, os resultados do Datafolha parecem indicar que Kassab conseguirá passar Alckmin e ir para o segundo turno contra Marta.

Marta continua na liderança e o segundo turno mostra um equilíbrio entre Marta e seus adversários, seja Kassab ou Alckmin, legeramente favorável a estes. Como já escrevi na semana retrasada, “aparentemente esse equilíbrio só será rompido no segundo turno e não antes. É um pouco como em aqueles campeonatos de futebol em que o primeiro já está classificado com antecedência e só se saberá com quem ele ira disputar a copa, após o jogo decisivo entre o segundo e o terceiro colocado. É natural nesse caso que todo o interesse das torcidas e dos comentaristas esteja concentrado nessa disputa e não nas qualidades do líder. Incluso é normal que o vitorioso apareça inicialmente com mais força que o próprio líder, “carregado” pela adrenalina de sua vitória na disputa pelo segundo lugar. Pelo menos no futebol, as vezes é assim.”

Hoje, a pesquisa Datafolha mostra que aquele que era o favorito da eleição (em março Alckmin tinha 53% contra 41% de Marta no 2° turno; em maio 52% a 42%, segundo o Datafolha) e que aparecia como imbatível, terá sucumbido assim ao rolo compressor de seu “companheiro” de partido, o governador José Serra, que “cristianizou” a candidatura do seu correligionário e adversário interno, com êxito.

José Serra soube utilizar as máquinas estadual e municipal, e seus apoiadores nas fileiras tucanas, para primeiramente “secar” financeiramente Alckmin, dividir o PSDB, angariar uma importante coligação eleitoral (e o conseguinte tempo de TV) para seu preposto na prefeitura e levantar Kassab a situação de candidato favorito do campo demo-tucano.

A vitória de Serra sobre Alckmin, se confirmada nas urnas domingo, será indiscutível.

Paralelamente, a campanha eleitoral permitiu, no bojo da crise do campo demo-tucano, que Marta consolidasse o eleitorado do campo petista e popular no maior patamar já alcançado nas disputas eleitorais em São Paulo desde o ano 2000.

Nesta fase final, antes do primeiro turno, os principais candidatos na disputa tem concentrado seus ataques contra o PT e Marta. Aparentemente, tanto Alckmin, como Kassab, resumem seus programas a representar o anti-PT.

Porem, acabando o primeiro turno, os eleitores do PSDB por exemplo, deverão, entre outras coisas, definir se as afirmações de Alckmin sobre a trajetória malufista de Kassab são um argumento circunstancial do seu candidato ou a realidade de uma tentativa de vender gato por lebre (ou no caso, papagaio por tucano).

Em duas circunstâncias, quando Mário Covas enfrentou Maluf em 1998, -o PT apoiou o PSDB no segundo turno-, e quando Marta enfrentou Maluf em 2000, -recebendo o apoio de Covas e Alckmin-, o PT e o PSDB consideravam que derrotar a direita malufista era uma prioridade que prevalecia sobre as divergências profundas existentes entre ambos partidos.

Mas existem precedentes, como o do próprio FHC e Maluf juntos pela reeleição do primeiro, apesar de Mário Covas em 1998. Mas não será sem repercussão entre seus apoiadores, mais ainda se confirmado o que as pesquisas no Brasil indicam, que é o quase desaparecimento do ex-PFL (DEM) no país todo.

Tudo indica que este último exemplo, de união do campo malufista-demo-tucano será o movimento que tanto o PSDB, como o DEM e o próprio Maluf, farão apenas apurados os votos do primeiro turno. Este processo já começou, indicando um movimento do eleitorado que precipita a polarização do segundo turno, que começa agora.

Como ja disse aqui no blog e esta nova pesquisa Datafolha confirma:

“Vale a pena destacar também a força e a consistência do eleitorado de Marta, segundo registrado pelas pesquisas. Após 3 meses de intenso tiroteio contra ela, particularmente da campanha Kassab, Maluf, Ciro Moura, e em menor intensidade do próprio Alckmin; das matérias negativas (amplamente dominantes nos jornais segundo o observatório da Mídia), às intenções de voto se mantém no mesmo patamar, na liderança.”

No segundo turno o tempo de TV sendo igual, esta vantagem do campo anti-PT diminui. Ao mesmo tempo, aumentará, e muito, a ação da mídia, da elite e da direita em favor de quem quer que seja o segundo colocado. Para eles a questão é de perspectiva de poder em 2010 e preservar o poder da oposição de direita em São Paulo com Serra.

Para os que têm como norte a luta pela diminuição da desigualdade social e que almejam aprofundar o progresso social conquistado pelo governo Lula, pelo que foi o governo da Marta e do PT, só resta uma atitude: arregaçar as mangas e ir a luta para conquistar os eleitores.

Novamente, as pesquisas mostram que a disputa entre os dois campos no segundo turno será voto a voto.

Não se pergunte o que Marta pode fazer por São Paulo, isso você já sabe. Pergunte-se o que você pode fazer para eleger a Marta, e entre nessa luta.

Luis Favre

A seguir as tabelas da pesquisa Datafolha.

Pesquisas Datafolha de começo de julho até hoje


Datafolha Datafolha Datafolha Datafolha Datafolha Datafolha Datafolha Datafolha Datafolha
Marta 38% 36% 41% 39%
40%
37%
37%
37%
 35%
Alckmin 31% 32% 24% 24% 22%
20%
22%
20%
 19%
Kassab 13% 11% 14% 16% 18%
21%
22%
24%
27%
Maluf 8% 8% 9% 7% 8%
8%
 7% 6%
 7%
2° turno
Marta 45% 43% 49%  46% 47%
47%
47%
45%
 44%
Alckmin 50% 51% 44% 46%
47%
47%
47%
48%
49%
2° turno
 Marta 55% 52% 55% 49%
50%
 48% 46%
46%
44%
 Kassab 36% 37% 35% 41%
43%
 44% 45%
47%
49%
campo 3 e 4 de julho 23-24 julho 21-22 agosto 29 agosto 4-5 setembro 11-12 setembro
17-18 setembro 25-26 setembro  29-30 setembro

 

01/10/2008 - 08:52h Kassab abre oito pontos sobre Alckmin. Petista, com 38% dos votos válidos, e democrata, com 29%, iriam para o segundo turno, se eleição fosse hoje

Pesquisa realizada pelo Datafolha nos dias 29 e 30 de setembro, a cinco dias do primeiro turno da eleição para prefeito de São Paulo, mostra que o candidato à reeleição, Gilberto Kassab, do DEM, abre oito pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Geraldo Alckmin, do PSDB, e fica igualmente a oito pontos da primeira colocada na disputa pela prefeitura, a petista Marta Suplicy.

Em comparação com o levantamento anterior, realizado nos dias 25 e 26, a taxa de intenção de voto em Marta oscilou dois pontos percentuais para baixo, de 37% para 35%, enquanto Kassab ganhou três pontos, passando de 24% para 27% das preferências. Alckmin se manteve com 19%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Se o primeiro turno da eleição fosse realizado hoje, Marta Suplicy teria 38% dos votos válidos, e iria para o segundo turno com Gilberto Kassab, que atingiria 29% dos válidos. Geraldo Alckmin ficaria em terceiro, com 20%.

A Justiça Eleitoral divulga os resultados oficiais da eleição com base nos votos válidos, excluindo brancos, nulos e abstenções. Para o cálculo destes votos, o Datafolha exclui da amostra, além dos votos brancos e nulos, os eleitores que se declaram indecisos.

O ex-prefeito Paulo Maluf (PP) oscilou de 6% para 7% das preferências e Soninha (PPS) se manteve com 4%. Ivan Valente (PSOL) atinge, pela quarta vez consecutiva, 1% das intenções de voto. Anaí Caproni (PCO), Ciro (PTC), Edmilson Costa (PCB), Levy Fidelix (PRTB) e Renato Reichmann (PMN) foram citados, mas não atingiram 1% das menções. Os eleitores sem candidato são 7%: votariam em branco ou anulariam o voto 4%, e não saberiam em quem votar 3%.

A pesquisa também mostra que o prefeito chega às vésperas do primeiro turno com 49% de aprovação. Em relação à pesquisa da semana passada, essa taxa oscilou um ponto para cima. O percentual dos que consideram o desempenho de Kassab ruim ou péssimo oscilou de 15% para 13% e a taxa dos que consideram seu desempenho variou de 35% para 36%. A nota média atribuída ao prefeito, em uma escala de zero a dez, é de 6,2.

Foram ouvidos 1954 eleitores da cidade de São Paulo, a partir dos 16 anos de idade.

Gilberto Kassab ganhou três pontos no que diz respeito à intenção de voto espontânea, passando de 19% para 22%, seu melhor resultado nessa série de pesquisas. Já o percentual dos que dizem espontaneamente, antes da apresentação dos nomes dos candidatos, que vão votar em Marta Suplicy, oscilou um ponto para baixo, de 29% para 28%. A intenção de voto espontânea em Geraldo Alckmin se manteve em 14%.

A taxa dos que não sabem dizer espontaneamente em quem vão votar para prefeito em 5 de outubro, oscilou de 25% para 22%, menor taxa registrada nessa série de pesquisas do Datafolha.

Marta perde para Kassab e para Alckmin em simulações de segundo turno

Se o segundo turno fosse realizado hoje, a líder na disputa pelo primeiro turno, Marta Suplicy, seria derrotada tanto por Gilberto Kassab quanto por Geraldo Alckmin. É a primeira vez nessa série de pesquisas do Datafolha que Kassab assume a liderança nas simulações de segundo turno, com vantagem que supera a margem de erro.

No caso de uma segunda votação entre Kassab e Marta, o atual prefeito teria 49% do total de votos, cinco pontos a mais do que a petista, que ficaria com 44%. Na pesquisa da semana passada, o democrata estava numericamente à frente (47% a 46%), pela primeira vez, mas ocorria empate, dentro da margem de erro.
Se o segundo turno fosse entre Alckmin e Marta, os percentuais seriam idênticos aos registrados no confronto entre o democrata e a petista: 49% votariam no tucano e 44% dariam seu voto à candidata do PT. Na pesquisa anterior, os dois empatavam, com, respectivamente, 48% e 45%.

A simulação de um pouco provável segundo turno entre Alckmin e Kassab mostra o democrata cinco pontos à frente do peessedebista (46% a 41%). Na pesquisa anterior, os dois empatavam, e o candidato tucano estava numericamente à frente (44% a 42%).

Se disputasse um segundo turno contra Marta hoje, Kassab teria o voto de 72% dos eleitores que declaram intenção de votar em Geraldo Alckmin no primeiro turno. Apenas 18% dos eleitores do tucano afirmam que votariam na petista. O democrata contaria ainda com o apoio da maioria dos eleitores de Maluf (61%). Entre os que pretendem votar em Soninha no primeiro turno, 44% votariam no atual prefeito e 39% dariam seu voto à candidata do PT.

Caso a disputa ficasse entre Geraldo Alckmin e Marta, o tucano contaria com o apoio da maioria dos eleitores que declaram votar no primeiro turno em Kassab (76%), e em Paulo Maluf (63%). Metade (50%) dos eleitores que pretendem votar em Soninha optariam por Alckmin; 36% votariam em Marta.

Taxas de rejeição se mantém estáveis; conhecimento do número de Kassab chega a 70% entre seus eleitores

O percentual de eleitores que não votariam de jeito nenhum em Marta Suplicy no primeiro turno da eleição para prefeito se manteve em 35%; ou seja, a taxa de rejeição à petista é idêntica à que ela obtém de intenção de voto.

A taxa dos que não votariam de jeito nenhum em Gilberto Kassab se manteve em 21% e a taxa dos que descartam votar em Geraldo Alckmin oscilou de 18% para 17%.

A taxa de rejeição a Paulo Maluf oscilou de 58% para 59%.

Vêm a seguir Soninha (18% de rejeição), Levy Fidelix (16%), Ciro (14%), Anaí Caproni (13%), Edmilson Costa, Ivan Valente (12%, cada) e Renato Reichmann (11%).

Votariam em qualquer um dos candidatos 1%, e não votariam em nenhum deles 2%.

Há 12 dias, 70% dos eleitores que tinham intenção de votar em Gilberto Kassab não sabiam dizer o número a ser digitado na urna eletrônica para confirmação de sua vontade no dia da eleição; 26% citavam corretamente o número 25. Uma semana depois, a taxa dos que respondiam corretamente o número do democrata dobrou, chegando a 52%. Hoje ela é de 70%, próxima aos percentuais de respostas corretas registrados entre os que eleitores de Marta (75%) e Alckmin (72%).

Dizem que o voto ainda pode mudar 19% dos que têm intenção de votar em Alckmin,
14% dos que votariam em Kassab e 12% dos eleitores de Marta

A cinco dias do primeiro turno da eleição para prefeito de São Paulo, 16% dos eleitores paulistanos que declaram intenção de votar em um candidato ou que pretendem votar em branco ou anular afirmam que ainda podem mudar de idéia até o próximo domingo.

Entre os que têm intenção de votar em Geraldo Alckmin, a taxa dos que dizem que seu voto ainda pode mudar passou de 22% na pesquisa concluída na última sexta-feira para 19% hoje. Desses, 9% afirmam que, em caso de mudança, Gilberto Kassab seria o candidato que teria mais chance de receber seu voto; 5% citam Marta Suplicy.

O percentual de eleitores que pretendem votar em Kassab e admitem que seu voto mudar passou de 18% para 14%, dos quais 9% afirmam que, caso mudem, provavelmente votarão em Alckmin; 4% optariam por Marta.

Entre os eleitores que têm intenção de votar em Marta, a taxa dos que afirmam que seu voto ainda pode mudar passou de 17% na pesquisa da semana passada para 12% hoje. Desses, 5% dizem que Kassab seria o candidato que teria mais chance de receber seu voto em caso de mudança; 4% citam Alckmin.

Taxa dos que defendem apoio de Serra a Alckmin cai de 63% em julho para 52% hoje

A maior parte dos eleitores paulistanos continua acreditando que o governador José Serra , do PSDB, deveria apoiar seu colega de partido, Geraldo Alckmin, na eleição para prefeito de São Paulo. No entanto, o percentual dos que pensam assim caiu de 63% no começo de julho para 52% hoje. Em contrapartida, a taxa dos que opinam que o governador tucano deveria apoiar Gilberto Kassab, do DEM, subiu de 24% para 36%. Kassab foi candidato a vice-prefeito em chapa encabeçada por Serra, e assumiu a prefeitura quando o tucano deixou o cargo para disputar o governo do Estado, em 2006.

Para 42%, Serra está de fato apoiando Geraldo Alckmin. Na opinião de 26%, o tucano está apoiando Gilberto Kassab. Um quarto (25%), no entanto, não sabe dizer quem o governador está apoiando.

Entre os que têm intenção de votar em Alckmin, 47% acham que Serra está apoiando seu colega de partido e 23% acreditam que ele torce pelo candidato democrata. Entre os eleitores de Kassab, os percentuais são parecidos: 44% acham que o governador tucano apóia Alckmin e 26% afirmam que o voto do governador vai para o atual prefeito. Nada muito diferente do que pensam os que pretendem votar em Marta: para 42% deles, o governador está apoiando Alckmin e na opinião de 26% ele apóia Kassab.

São Paulo, 30 de setembro de 2008. Datafolha