08/10/2009 - 12:51h Crise regional define poder nacional

ColunistaMaria Inês Nassif – VALOR

Os dois partidos preferidos do eleitor paulista, PT e PSDB, mantêm a centralidade na política nacional mais pela polarização que o eleitor do Estado faz a partir deles – o eleitor define-se ideologicamente a partir da imagem que tem dessas legendas – do que pelo perfil de ambos. Desde a virada do milênio, as seções paulistas desses partidos vivem intensas crises internas porque vitórias estaduais são o primeiro passo da disputa nacional. As lideranças consolidadas pelo eleitorado tendem também a não abrir caminho para renovação.

A posição do PSDB, de partido há muito tempo no poder estadual, tornou-o demais atrativo para lideranças mais conservadoras que estavam abrigadas em partidos que perderam força e eleitorado, como o PMDB e o antigo PP de Paulo Maluf. Militantes antigos queixam-se da queda de qualidade de seus quadros. O destino trouxe de volta para o Estado líderes petistas de maior peso que se desgastaram no primeiro governo de Lula, mas hoje eles pendem muito mais a adequar o diretório paulista ao projeto de continuidade do PT no poder federal do que propriamente de adequação das necessidades nacionais às disputas paulistas.

PT e PSDB polarizam o eleitorado do Estado desde que o ex-governador e ex-prefeito Paulo Maluf (PRP) saiu do mapa das eleições majoritárias, posição consolidada quando ele se refugiou no mandato de deputado federal, em 2006. Parte do eleitorado malufista foi absorvida pelos tucanos – o voto que por conceito era antipetista – e pouco Maluf levou consigo em alianças com o PT.

O eleitor paulista tem mantido um certo padrão de voto: o governo do Estado está há 17 anos nas mãos do PSDB, duas das três cadeiras no Senado ficam com o PT e, na Câmara dos Deputados, os dois partidos paulistas têm as duas maiores bancadas do Estado – são 18 representantes do PSDB e 14 do PT. Na prefeitura da capital se revezam petistas e antipetistas – nas últimas eleições municipais venceu a disputa o prefeito Gilberto Kassab, do DEM, como o candidato antipetista, da mesma forma que Maluf ganhou em 1992 contra o PT e o seu sucessor, Celso Pitta, em 1996.

A candidatura vitoriosa de José Serra à prefeitura, em 2004, foi o momento em que a capital conseguiu realizar de forma mais completa o voto antipetista num representante tucano, sem que ocorresse perda de votos conservadores, claramente antipetistas, para uma legenda mais à direita no espectro partidário. Em 2008, o candidato tucano Geraldo Alckmin sangrou sua candidatura para Gilberto Kassab (DEM), que conseguiu a seu favor um perfil de eleitorado conservador, antipetista, antes dirigido a Maluf, e o eleitor tucano e o antipetismo menos conservador, os dois últimos vindos das mãos de Serra, de quem o candidato do Democratas era vice na prefeitura.

Polarizados nas eleições do Estado com mais eleitores, os dois partidos ainda conservam um grande poder na política nacional. O PT ainda tem uma forte concentração das decisões nacionais nas mãos dos representantes paulistas. Seu presidente é Ricardo Berzoini, deputado federal por São Paulo, e sua Executiva Nacional é fortemente paulista. O PSDB “despaulistizou” a direção nacional ao longo do governo de Fernando Henrique Cardoso, mas não o poder. A candidatura do paulista José Serra à Presidência mobiliza grande parcela do tucanato nacional desde 2002, quando ele perdeu a eleição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2006, quando Lula disputou a reeleição, a briga pela legenda tucana à eleição nacional não saiu do Estado: o ex-governador Geraldo Alckmin foi o candidato, depois de ganhar uma queda-de-braço com o governador José Serra, que então se candidatou ao governo. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se resguarda para as grandes decisões nacionais, também irradia daqui a sua influência para o resto do país.

Da mesma forma que São Paulo, no início da década de 80, produziu as novas lideranças políticas que iriam arejar a política nacional que saía da ditadura, é no Estado que, hoje, as lideranças antigas nacionais são mais arraigadas. A renovação está se produzindo primeiramente fora de São Paulo e começa a acontecer aqui de forma tardia e com mais dificuldades. Primeiramente, porque lideranças estaduais consolidadas tendem a não ceder espaço para novos personagens. Isso ocorre nos dois partidos. No PSDB, é mais acentuada a dificuldade de depuração de quadros de qualidade ruim que tendem a se amontoar num partido quando ele vira opção de poder – e foi o PSDB o grande atrativo para ex-quercistas e pemedebistas que abandonaram a legenda pemedebista esvaziada pela polarização eleitoral entre os tucanos e o PT. No PT esse efeito foi menor porque o partido tem mecanismos de controle interno que não foram desmontados depois que este alcançou o poder federal – e que, se não facilitam a vida dos que chegam de fora, pelo menos dá instrumentos para que as direções os submetam aos interesses de maiorias partidárias.

Se o trânsito das novas lideranças é difícil no PT e no PSDB paulista, também se tornam mais complicadas as disputas internas entre as velhas lideranças. No caso do PT, a luta interna entre os grupos, mesmo depois de 2005, em algum momento pode ser interrompida pela ação de um grupo majoritário. As próprias prévias eleitorais são regras para enquadramento de minorias. Nas eleições, esses mecanismos garantem coesão no palanque, mesmo que as divisões voltem a se manifestar no dia seguinte ao pleito. No PSDB, as disputas são enquadradas em articulações de lideranças que dificilmente conseguem garantir uma mínima coesão eleitoral. Não existem compromissos sólidos dos grupos derrotados em disputa com os grupos vitoriosos, nem se observa uma coesão partidária posterior a uma grande disputa interna pela legenda para cargos majoritários.

Pelos dados colocados na mesa até agora, o PT e o PSDB paulistas vão fazer valer a tradição e se aproximam das eleições rachados. O PT tem mais chances de ir unido para o palanque estadual do grupo vitorioso, mesmo que rache novamente logo em seguida. Qualquer que seja o grupo vitorioso no PSDB paulista, não há chances de unidade nem para as eleições.

Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras

E-mail: maria.inesnassif@valor.com.br

31/10/2008 - 13:41h Eleições municipais

Agrupei as três notas que escrevi sobre as eleições municipais, para facilitar a leitura e agrupá-las no arquivo.

27/10/2008 – 09:42h

Ir além da aritmética eleitoral (I)

Concluídas as eleições municipais corresponde avaliar a situação política e as novas relações de força que emergiram do escrutínio.

Com a mesma ênfase com que pretendia que as eleições municipais eram essencialmente locais e não tinham qualquer relação com o plano federal, os jornais hoje procuram projetar os resultados em sentido inverso, procurando destacar uma suposta derrota eleitoral do governo e uma vitória da oposição.

Essencialmente os resultados das eleições municipais de 2008 (os números, tanto de votos, como de prefeituras) repetem o mapa das eleições de 2004, mas amplificando a votação e as conquistas dos partidos da base do governo, em detrimento dos partidos da oposição (DEM-PSDB-PPS).

Sem desprezar as vitórias obtidas pela oposição, sua força simbólica e seus desdobramentos políticos, a aritmética eleitoral mostra uma diminuição de sua influência e dos municípios por ela governados, particularmente nas cidades acima de 200 mil habitantes e nas capitais.

As eleições municipais confirmaram o quase desaparecimento do DEM-PFL das prefeituras. Perdeu Rio de Janeiro, onde contrariando a tendência que favoreceu a continuidade, Cesar Maia não fez seu sucessor. Afastou o “carlismo” de um retorno com ACM Neto em Salvador e ganhou sobrevida com a vitória de Kassab, porem estreitamente limitada as decisões de José Serra. O PPS virou pó e o PSDB conseguiu manter sua força, diminuída de muitas prefeituras, em cidades já governadas por eles. No plano nacional, a oposição e a mídia não podem sustentar na aritmética eleitoral uma vitória, de fato inexistente, ou uma derrota de Lula e do governo federal. O PT foi o segundo partido mais votado no país e passou a governar 566 prefeituras, 143 a mais que em 2004 . O PMDB, por sua vez, cresceu 54% em termos eleitorais em relação a 2004 (Fonte jornal VALOR).

Mas entre a aritmética eleitoral e a política, as percepções e suas repercussões nos partidos, não existe automaticamente equivalência ou identidade. Por isso não é suficiente constatar os ganhos e perdas, requer-se ir além e aprofundar a analise política sobre as projeções dos resultados eleitorais.

Vou tentar aportar minha opinião em várias notas sobre diversos elementos destas eleições, sem a pretensão de aportar respostas a uma série de problemas revelados nesta campanha. Em outras notas tratarei especificamente das eleições em São Paulo.

Se no plano geral do cômputo municipal, os partidos da base do governo federal obtiveram as maiores vitórias, um analise pormenorizado mostra que destes partidos, é o PMDB quem mais se fortalece e o crescimento dos municípios conquistados pelo PT não compensa este fato, diminuído assim o peso do partido do presidente, na disputa política no campo da base aliada.

A diminuição do voto e dos municípios controlados pela oposição, não deve ocultar a importância política da vitória de Serra na cidade de São Paulo. Não só por ter conseguido a reeleição de Kassab, mas por ter obtido este resultado derrotando ao mesmo tempo seu principal adversário no PSDB, o ex-governador Alckmin e impedido assim o crescimento em São Paulo de seu rival Aécio Neves. A vitória de Serra é por isso uma vitória política muito significativa, reforçada mais ainda pela derrota de Marta e do PT, por uma margem grande e significativa.

Ao mesmo tempo, os limites desta vitória inegável de José Serra é que ela não conseguiu se projetar fora do Estado, na vitória de Gabeira no Rio, candidato do Serra e maior esperança deste segundo turno, após Kassab, para a oposição e a mídia. A vitória do candidato de Aécio em BH também constituí um limitador da vitória do paulista e de suas pretensões para 2010.

O PT deverá proceder a uma avaliação aprofundada sobre sua situação. Ele não pode limitar sua avaliação dos resultados a constatar o simples crescimento em prefeituras e em votos obtido pela legenda, ou no crescimento dos partidos da base do governo. Em primeiro lugar porque o PMDB é um aliado muito dividido nos diferentes Estados (em São Paulo está na oposição). Em segundo lugar, porque o PT, como partido, não conseguiu resolver o divorcio com uma parte significativa do eleitorado, particularmente da região sudoeste e sul e nestas regiões, de seu afastamento de contingentes significativos de eleitores da classe média urbanizada. Isto é particularmente válido nas capitais, como em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.

27/10/2008 – 14:52h

Ir além da aritmética eleitoral (II)

Quando os dirigentes do PT, os senadores Mercadante e Suplicy, os deputados federais e estaduais de São Paulo e os vereadores do partido, foram a Brasília pedir para Marta ser novamente candidata à prefeitura, as pesquisas e as analises eleitorais indicavam uma vitória quase certa para o ex-governador Geraldo Alckmin. Mesmo assim era impossível para Marta recusar esta convocatória unânime do seu partido, na medida em que só ela podia assegurar um resultado eleitoral expressivo em São Paulo.

O curso dos acontecimentos mudaram em parte esta analise, tirando Alckmin do segundo turno, mas não o favoritismo do centro-direita que acabou vitorioso na cidade.

A vitória de Serra se reveste de uma força maior, pois conseguiu ao mesmo tempo eliminar seu adversário tucano e derrotar a candidata petista com uma avalanche de votos.

Esta vitória de Kassab e Serra na cidade de São Paulo foi contundente. Ela só tem equivalente na vitória de Pitta e Maluf em 1996. O paralelo não é só numérico, mas político e social.

A estrutura econômica, social, política e midiática que tem como eixo e expressão partidária o tucanato, conseguiu uma importante vitória, preservando assim seu projeto de recuperar o poder, perdido para Lula e o PT em 2002.

A decadência do malufismo foi substituída pela emergência e consolidação do PSDB na cidade. A evolução do PSDB para o centro-direita permitiu que ele incorporasse as bases de sustentação social e política do malufismo, o conservadorismo e o anti-petismo.

Esta substituição foi facilitada pela ação militante da mídia, que no passado foi reticente ao malufismo e que hoje faz corpo e alma com o tucanato contra o PT.

Mas este processo que hoje manifesta com força sua consolidação, só foi possivel pela incapacidade do PT em conquistar a hegemonia na cidade a partir da vitória de Marta em 2000. Evidentemente que intervém nesta dificuldade a sadia recusa do PT a virar um partido do conservadorismo e do status quo, mas também sua dificuldade a superar suas limitações programáticas e administrativas, em favor de uma visão mais moderna da esquerda e da luta contra a desigualdade social.

A hegemonia da direita em São Paulo tem uma longa tradição e história. As vitórias eleitorais da esquerda foram exceção, só duas, e diretamente ligadas à conjunturas eleitorais (divisão da direita e modo de escrutínio que permitiu a eleição de Erundina em 1988; experiência Pitta e declínio do malufismo, combinado com apoio eleitoral do centro-esquerda tucano em favor da Marta em 2000). A divisão também se fez presente nesta eleição, mas com carateristicas diferentes, é suas conseqüencias podiam ter pesado no resultado do pleito se tivessem servido para ampliar a base social de apoio da candidata petista o que não foi conseguido pela campanha e pela candidata.

Romper esta hegemonia exige muito mais que uma vitória eleitoral como foi a de 2000, requer a consolidação de um governo com ampla base de sustentação social e política, além de uma disputa de valores com muito peso numa cidade conservadora como São Paulo.

Ter governado São Paulo na difícil situação econômica e financeira deixada por Pitta na cidade, e de FHC no país, permitiu que o PT consolidasse seu cacife eleitoral no patamar de 40%, mas não permitiu ir além. Ele fincou firme sua força e sua inserção na periferia e entre os mais pobres, porém não conseguiu mudar suas relações com setores médios arrastados pelos conservadorismo para um anti-petismo reacionário.

A incapacidade do PT aqui mencionada, combinou-se com as conseqüências dos erros cometidos por quadros e dirigentes do PT com relação as questões de financiamento irregular dos partidos, amplamente explorados pela mídia e a direita nos últimos anos contra o PT.

Um fator importante em São Paulo é o peso do poder da mídia aqui, diferente do resto do Brasil. Esse peso está a serviço do PSDB contra o PT e quando os demo-tucanos ficam inaudíveis a mídia os substitui como partido de oposição, visando a desestabilizar o governo federal. Mas este peso é maior em São Paulo porque o discurso de direita encontra respaldo no conservadorismo das classes médias que são diretamente influenciadas pela mídia em um processo no qual um alimenta o outro dialeticamente.

Penso que é a partir de esta reflexão que deverá ser elaborado um balanço específico do processo eleitoral, de seus erros e acertos. Evidentemente isto inclui o papel da política eleitoral, do marketing, dos dirigentes e da candidata.

Neste aspecto reproduzo como conclusão desta nota um parágrafo de um e-mail que recebi hoje de um jornalista conhecido que prefere ficar no anonimato: “Oi Luis, poucas certezas foram tão repetidas ontem à noite na TV quanto o encolhimento político da Marta. Blá-blá-Blá, não vou perder tempo. Bem, essa mesma turma disse que Marta estava morta ao perder a reeleição em 2004. E depois quando não foi escolhida candidata ao governo em 2006. E ainda quando disse o famoso ‘relaxa e goza’ no ano passado. É estranho que tantos analistas tão inteligentes, tão isentos, tão preocupados com a correção de suas previsões errem tanto. Talvez seja o fato de que 40% dos paulistanos não estão nem aí para o que eles dizem. Quem consegue a confiança de 2,5 milhões de paulistanos apenas com a sua militância…”

30/10/2008 – 12:34h

Ir além da aritmética eleitoral (III)

No começo do segundo turno da eleição municipal em São Paulo, em ato que contou com a participação de 11 ministros, Marta lançou um manifesto “Compromisso com São Paulo”.

Relendo esse manifesto percebo agora que ele não ocupou nenhum lugar na campanha e que provavelmente ele tenha chegado tarde demais. O manifesto, que reproduzo novamente aqui embaixo, deveria ter ocupado um lugar central no momento em que Marta aparecia com crescimento nas pesquisas no primeiro turno, enquanto o noticiário estava ocupado pela disputa brava entre Alckmin e Kassab.

Esse manifesto poderia ter balizado uma série de iniciativas em direção à sociedade civil e também em direção à setores das classes médias. O conjunto teria ampliado a base de apoio e o diálogo da candidata do PT, com provável desdobramento na queda da taxa de “rejeição”. As referências nesse documento à Carta ao povo brasileiro do então candidato Lula põe em evidência, na minha opinião, o erro de “timing” no lançamento deste manifesto e o lugar marginal que acabou ocupando esta orientação na própria campanha.

Esse erro político ma parece importante, porque a orientação do manifesto teria dado substância à linha de conquistar a maioria, intervindo assim na crise dos adversários. Ao contrário me parece que ficamos simplesmente aguardando que o eleitorado decidisse qual dos dois passaria para o segundo turno, sem apresentar uma alternativa aos eleitores de ambos e à franja de eleitores indecisos.

A questão da “rejeição” ao PT ou a seus candidatos não será resolvida com iniciativas só de marketing e sim por iniciativas políticas que rompam o “isolamento” (utilizo “isolamento” em relação a um percentual maior de eleitores, que a nossa base eleitoral de 30-40% que está longe de ser pouca coisa ou isolada).

Outro elemento crítico foram as conseqüências políticas do comercial que foi transformado pela mídia e nossos adversários em instrumento de paralisia e crise. O erro reconhecido por João Santana, de não ter detectado nenhuma carga particular nos grupos “qualis” e de não ter previsto o significado que a mídia colaria no mesmo, provém de uma subestimação do papel da mídia paulista como força política organizada em favor da direita. Basta pensar qual teria sido a opinião da própria candidata, se tivesse sido consultada antes, para perceber que as “qualis” não podem ter a palavra final quando as decisões incumbem à política.

Pensar que a mídia, tendo permanentemente feito campanha sobre a vida privada da Marta, não sairia em defesa de Kassab, é atribuir a ela “princípios éticos ou deontológicos”, que evidentemente ela não tem. Como duvido que alguém na campanha tenha esta ilusão, penso que o questionamento válido -ninguém sabe qual é a trajetória de Kassab-, levou à perguntas que serviram de pretexto para uma campanha anti-Marta. O erro é grave, paralisou a agenda da candidata durante vários dias e mesmo se não teve maior conseqüência no plano eleitoral, reforçou os argumentos contra o PT no curso final do pleito.

O conteúdo da famosa “rejeição” ao PT deve ser avaliado corretamente, recusando a manipulação da mídia. Esta manipulação se apóia no termo rejeição e sua ambigüidade. A pergunta que os institutos fazem é: “em quem o senhor (a) não votaria de jeito nenhum?”. Alguns institutos a formulam perguntando sobre o nome de cada candidato: “votaria, poderia votar, não votaria de jeito nenhum” seguido de cada nome; ou apresentando a tabela inteira com os nomes dos candidatos.

Nenhuma pergunta sobre a motivação é feita. O Datafolha não formulou esta questão no segundo turno, pois é pouco relevante na medida em que só tem dois candidatos e a “rejeição” é mais ou menos equivalente à decisão do voto (está determinado em votar em fulano).

A mídia e seus articulistas, anos a fio construíram em parte essa “rejeição” e, em relação a “rejeição” dos principais líderes do PT, forneceram e fornecem em permanência seus desejos, como conteúdo desta rejeição. Sem nenhuma base em pesquisas, anos a fio atribuíram à falta de diploma de Lula sua rejeição, ou ao fato de ser operário. Não que estes argumentos não existissem, mas eles eram reiterados e propagados com o intuito de serem transformados em barreira intransponível. Agindo assim a mídia procura destruir os dirigentes do PT, pois ela sabe que eles não se improvisam do dia para a noite. Se o fato dele ser operário, falar português com erros e não ter diploma motivou as três derrotas seguidas de Lula (1989-1994-1998), logicamente o PT deveria trocar de líder ou transformá-lo em alguém  ‘diplomado” (as duas coisas aconteceram, em 1999 alguns petistas começaram a organizar outro candidato e Eduardo Suplicy aconselhou Lula a fazer um curso nos Estados-Unidos).

Como Marta é “rejeitada” por ser mulher ou arrogante, divorciada de “senador querido”, casada com argentino, defender os gay’s, ser do PT, ser rica, ou defender os pobres…

Luis Favre

A seguir o documento Compromisso com São Paulo que foi publicado aqui no blog com o título “A palavra de Marta”

A palavra de Marta

 Compromisso com São Paulo

Quero agradecer de todo o coração a cada um dos mais de dois milhões de paulistanos que me deram sua confiança no primeiro turno destas eleições. E de tudo vou fazer para estar à altura deste apoio firme e caloroso.

Tenho certeza de que cada um desses votos vai se confirmar no próximo dia 26. Mas peço ainda um pouco mais a todos vocês: vamos trabalhar juntos, com garra e vitalidade, para que novos votos venham se somar aos nossos, no caminho para a vitória.

Nesses poucos dias que faltam para o momento decisivo, quero me comprometer com a população de São Paulo de que continuarei a fazer uma campanha sem ataques pessoais. Meu propósito é apresentar e debater propostas capazes de melhorar a vida de nosso povo.

Minha agenda vem desde o meu primeiro mandato. Com as coisas boas que fizemos na educação, nos transportes, na habitação, na saúde, na cultura e em nossas demais áreas de atuação. Até mesmo nossos tropeços, que reconheço com humildade, nos deram ensinamentos.

Depois da desastrosa experiência que atormentou São Paulo, ao longo da gestão de Celso Pitta, entendi que, para enfrentar o imenso desafio de reconstruir São Paulo, era necessária a união de todas as forças vivas da cidade. O apoio que recebi de Mário Covas e do PSDB, no segundo turno das eleições municipais de 2000, me fez ver que a união era possível e que poderíamos realizar um governo de reconstrução com a participação de todos. Isso só não se concretizou, na dimensão pretendida, por atropelos do processo das eleições presidenciais que se avizinhavam.

Mas em 2002, em sua Carta ao Povo Brasileiro, o então candidato Lula convocou o espírito da parceria e do consenso, assumindo compromissos que respondiam com clareza à vontade de união e mudança. Espírito e compromissos que dariam, em seguida, a marca de sua ação governamental. De que foi exemplo maior, desde logo, a criação do Conselho Econômico e Social, reunindo representantes de todos os setores sociais – para começarem juntos, sob a presidência de Lula, a construção de um novo caminho nacional.

Por esse caminho, o Brasil reencontrou o rumo do crescimento, da superação da dependência do FMI, da diminuição da pobreza, da geração de emprego e renda, da promoção da ascensão social e da ampliação de oportunidades educacionais para jovens de baixa renda. O avanço foi possível – e sensível – porque a disposição do presidente, no combate à desigualdade, se firmou na convergência do esforço de todos.

Não estou na disputa política para dividir. Mas, sim, para unir e construir. Não virão de mim apelos ao ódio, à destruição ou à rejeição de adversários. O que farei será mostrar com firmeza, ao povo de São Paulo, a alternativa que represento para a cidade. Seu voto indicará o destino que se deseja. E vou me empenhar para que tal destino coincida com o caminho que o presidente Lula traçou para o país.

Como primeiro passo no sentido da união de São Paulo, assumo aqui o compromisso de, se eleita, constituir um Conselho da Cidade. Um conselho de representantes de todos os segmentos da população. Das entidades representativas da sociedade civil, dos empresários e dos sindicalistas, do comércio e da universidade, das igrejas, da cultura, do esporte e dos usuários dos serviços públicos. Com um só objetivo: realizar uma cruzada – e canalizar o esforço de todos, a fim de enfrentar as questões mais cruciais do município, a começar pelo transporte coletivo.

Tenho apoio do presidente Lula para, na articulação das três instâncias de governo, construir 228 km de corredores de ônibus e 47 km de metrô, nos próximos quatro anos. Para, assim, dar um salto de qualidade na vida paulistana, superando um problema crítico que vem prejudicando fortemente a economia urbana e a saúde da cidade e do cidadão. E assim como, para combater a segregação dos mais carentes, o metrô deve chegar a mais lugares da periferia, me comprometo a não criar qualquer pedágio urbano, que atingiria em cheio os menos privilegiados, sem resolver o problema do trânsito, como já ficou demonstrado em grandes cidades do mundo.

Quero também assumir uma nova atitude na questão tributária. Os níveis recordes de arrecadação da prefeitura permitem um amplo programa de incentivos à produção e ao empreendedorismo, tão forte em nossa capital, com desoneração dos impostos municipais e desburocratização dos procedimentos. E reafirmar meu compromisso de isentar os profissionais liberais autônomos do pagamento do ISS.

Com a união de todos os setores sociais, poderemos projetar São Paulo na era digital. Segmentos empresariais da área de informática já manifestaram interesse em participar do programa de acesso gratuito à internet banda larga em nossa cidade. O governo federal assinou convênio para equipar, com esse fim, 800 escolas municipais. E pretendo combinar esta ação com investimento em qualificação profissional no espaço dos CEUs, que, com a construção de mais 20 unidades, irão configurar a Rede-CEU.

Uma outra ofensiva do governo de união por São Paulo deverá se desenvolver no campo da saúde, diante da realidade da falta de médicos e de atendimento em especialidades. Venho propondo a criação de 31 policlínicas na cidade, uma em cada subprefeitura. E quero agora incorporar, ao desenho dessa rede, a proposta de criação de centros de atendimento aos idosos, apresentada pelo candidato Geraldo Alckmin.

Para finalizar, quero dizer que, para governar São Paulo e superar a crise que estamos vivendo, será fundamental a mobilização de nossas melhores energias. A coragem de ousar e inovar, combinando planejamento e imaginação. Generosidade e rigor.

São Paulo precisa crescer. Mas crescer com inclusão social. Crescer em benefício de todos. E é para isso que a todos convoco, no sentido da construção de um governo de união por São Paulo. Um governo voltado para construir uma cidade melhor, mais forte e mais justa.

27/10/2008 - 11:52h Classe média está ressentida com PT em SP, diz estudiosa

FOLHA DE SÃO PAULO ENTREVISTA

MARIA VICTORIA BENEVIDES

Kassab é apenas um “político fabricado” e só venceu a eleição porque rejeição a Marta é muito forte, afirma Benevides

A CIENTISTA POLÍTICA Maria Victoria Benevides, 66, avalia que Gilberto Kassab não venceu a eleição porque sua aprovação é alta, e sim porque a rejeição a Marta Suplicy é muito forte. “Kassab não provocou nenhuma rejeição. Isso não significa que ele seja bom: significa que as pessoas eram indiferentes a ele”.
Professora titular da Faculdade de Educação da USP e autora de “O Governo Kubitschek” (1976), “A UDN e o Udenismo” (1980), “O Governo Jânio Quadros” (1981) e “O PTB e o Trabalhismo” (1989), entre outros livros, Benevides afirma que Kassab é apenas um político fabricado pelo governador tucano José Serra -”ele é uma espécie de Pitta que deu certo”- que conseguiu reunir todas as vertentes da direita paulistana em sua batalha contra o PT.

MAURICIO PULS
DA REDAÇÃO

Marta Suplicy, por sua vez, foi vítima tanto de sua rejeição pessoal como do ressentimento da classe média paulistana, que se sente abandonada por um governo que privilegia os muito ricos e os muito pobres:

FOLHA – Kassab começou no PL, um satélite do PFL, mas logo ingressou no próprio PFL, que aqui em São Paulo reunia herdeiros da UDN. É possível dizer que a “direita udenista” conseguiu substituir a “direita populista” representada por Maluf?
MARIA VICTORIA BENEVIDES
- A direita udenista certamente está com Kassab, mas Kassab não é fruto da direita udenista, mas dos liberais que vieram da esquerda do antigo MDB e da oposição à ditadura. É por isso que é muito difícil estabelecer claramente uma definição de sua identidade política. Nós podemos falar do DNA dele: o DNA dele, com toda a certeza, é de direita, mas um mix da direita udenista com a direita pessedista. Mas basta ver quem o fabricou politicamente: foi José Serra, que está longe de ter um DNA de direita udenista. Ele vem da esquerda e depois evoluiu para uma posição liberal.
Kassab é apoiado hoje por uma parte importante do antigo Partidão [PCB], por uma parte importante do antigo movimento sindical. Isso não tem nada a ver com a direita udenista, mas, numa escolha em dois turnos, ele ficou com a direita udenista, a direita malufista, a direita janista e a direita adhemarista. Conseguiu reunir não só a direita udenista, mas todo o conjunto conservador das direitas de São Paulo, mais os tucanos liberais, dos quais a maioria não tem origem na direita, mas que acabaram se “endireitando” no governo.

FOLHA – Mas qual seria a substância político-eleitoral de Kassab?
BENEVIDES
- Eu acho que ele foi uma pessoa fabricada. Ele é uma espécie de Pitta que deu certo. O Pitta foi fabricado pelo Maluf igualzinho o Kassab foi fabricado pelo Serra. Quem era Kassab antes do Serra? Eu mesma nunca tinha ouvido falar dele, assim como ninguém tinha ouvido falar do Pitta. É o Pitta que deu certo. E deu certo porque o PSDB, embora rachado e enfraquecido por divisões internas, se deu conta de que ele era a maneira que tinha de ganhar a batalha contra o PT, que é seu grande adversário.

FOLHA – A questão é saber se esses políticos fabricados têm longevidade. Hoje a aprovação a Kassab (59%) na cidade é bem maior do que a do próprio Serra (38%), o que sugere que ele poderia sobreviver a uma eventual derrota de Serra em 2010. Mas, olhando para o passado, os políticos fabricados não duraram muito: Adhemar fabricou o Lucas Garcez; Jânio, o Carvalho Pinto; Quércia, o Fleury. Fabricaram um sucessor, mas o sucessor não teve sobrevida.
BENEVIDES
- O que falta nessas comparações que você fez é a perspectiva do segundo turno: o que mais beneficiou Kassab foi a possibilidade de reeleição contra sua principal adversária, a Marta, que tinha uma enorme rejeição. Kassab não provocou nenhuma rejeição. Isso não significa que ele seja bom, significa que as pessoas eram indiferentes a ele. É muito mais fácil criar uma perspectiva positiva em relação a alguém que tem uma imagem indiferente do que destruir uma rejeição e transformar essa rejeição em aprovação. E Kassab apareceu muito, teve um apoio muito grande do governo Serra e também, indiretamente, do governo federal, porque Lula não quis se indispor com São Paulo. Ao contrário. Serra não tem uma queixa a fazer do Lula.

FOLHA – Uma reportagem recente da Folha mostrou que a gestão Kassab recebeu mais verbas do governo Lula do que a própria gestão Marta.
BENEVIDES
- Exatamente. Eu não apostaria na continuidade do Kassab, mas também não apostaria no fim. O que eu fiquei impressionada foi com os míseros 6% [dos votos] do Maluf. Os malufistas morreram…

FOLHA – O populismo em São Paulo praticamente acabou?
BENEVIDES
- O populismo na vertente malufista. Mas o populismo continua, sob formas clientelistas -aliás utilizadas por todos os partidos-, porque ele está muito entranhado na cultura brasileira. Não acredito que o populismo tenha acabado. E não vejo, a não ser pelo estilo mais cordato, muita diferença entre Maluf e Kassab.

FOLHA – A sra. diz que o Kassab se beneficiou da rejeição a Marta. Mas o que explica essa rejeição?
BENEVIDES
- Há uma rejeição grande ao PT, que aumentou muitíssimo depois da crise de 2005, que decepcionou muita gente, dos meios intelectuais até uma esquerda tradicional, além de uma classe média que se sentiu abandonada, porque na realidade houve uma prioridade aos mais pobres. O problema é que o governo ficou nos extremos: favoreceu muito os muito ricos e os muito pobres, e a classe média tem motivo de ressentimento. Isso aumentou muitíssimo a rejeição ao PT.
E a própria Marta é vítima de muito preconceito e muita rejeição. Dela ficou o quê? O que ficou de lembrança da Marta? O “Martaxa”. A prova é que ela bateu muito contra isso. O problema é que a memória da imensa maioria dos eleitores, os mais pobres e os menos politizados, é mais curta. Marta devia ter um nível de aprovação altíssimo por causa dos CEUs, mas os CEUs foram apropriados pelos outros: ninguém diz que vai abandonar os CEUs. Deixou de ser algo exclusivo do PT. E a rejeição a Marta é muito forte porque juntou a rejeição ao PT, que piorou muito em razão do que aconteceu, à rejeição a Marta, que é grande por ela ser a Marta: ela agrega rejeição por ignorância, por preconceito, pelo grupo dela no PT.

FOLHA – Segundo o IBGE, em 2006 a taxa de luz existia 3.893 municípios, e a taxa do lixo, em 2.753. Ou seja, elas existem na maioria das cidades, e não causam tanta celeuma.
BENEVIDES
- E principalmente aqui em São Paulo, para a imensa maioria das pessoas, era um valor ridículo. Eu me lembro que minha faxineira veio reclamar disso, e eu perguntei quanto ela pagava de taxa de lixo. Era R$ 3. O filho dela estudava num CEU e ele ia e voltava da escola numa van da prefeitura, mas o ficou foi a tal taxa do lixo, porque isso foi superdimensionado pelos adversários. Eles foram competentes em grudar esse adesivo na Marta. E essa coisa das taxas nunca foi apresentada de uma maneira que mostrasse que ela eliminou o IPTU de muitos. Por exemplo, um de meus filhos mora hoje num prédio que ficou isento. Isso nunca foi suficientemente mostrado. Aí predominou a rejeição. E a campanha da Marta foi contaminada por equívocos de marqueteiros e assessores.

FOLHA – A sra. citou o impacto da crise de 2005. Mas, olhando o país, o PT foi quem mais cresceu na eleição.
BENEVIDES
- Mas aí é importante ver que o PT de São Paulo não é e nunca foi o PT nacional.

FOLHA – Qual é a diferença?
BENEVIDES
- O PT nacional se beneficiou enormemente das políticas regionais e municipais no governo Lula. O PT no resto do Brasil está ligado a propostas e projetos locais, nos quais o conteúdo ideológico é muito pequeno, e a presença da classe média também. Essa classe média forte, organizada, com imprensa, universidades, pequenos e médios empresários, é imensamente mais forte aqui. Dificilmente existe, no resto do Brasil, essa rejeição forte e absoluta ao PT que existe em São Paulo. Inclusive porque São Paulo tem esses extremos: tem uma forte presença de pobres e miseráveis, mas tem a maior classe média, a maior concentração de riqueza, a maior concentração de universidades, intelectuais, empresários organizados, que atuam com muito mais força na opinião pública do que os partidos. O PSDB e o PFL não são só partidos políticos: são partidos vinculados aos grupos de interesse de tudo o que é forte em São Paulo. Eles têm apoio majoritário na Fiesp, UDR, associações de empresários, instituições da sociedade civil. Basta ver que o PT sempre teve enorme dificuldade para ganhar na cidade. Ganhou com Erundina porque não tinha dois turnos, ganhou com Marta porque polarizou com Maluf.

FOLHA – Ela teve inclusive o apoio do governador Covas e do PSDB.
BENEVIDES
- O apoio do PSDB. E hoje o PSDB sabe que seu maior adversário é o PT. Por isso o PSDB não faria em São Paulo aliança com o PT, como foi tentado em Belo Horizonte.

FOLHA – É possível dizer então que o PSDB conseguiu se tornar o partido dessa classe média organizada?
BENEVIDES
- Sim. O PSDB, aliás, é o partido que está no poder desde Franco Montoro, com um breve interregno. Está lá. E está fortemente instalado no governo Kassab. Por isso não dá para dizer que o kassabismo é a direita udenista. É direita, mas com muitas nuances. Direita udenista é o DNA dele: direita udenista que apoiou o golpe militar, que esteve com Maluf e Pitta. Mas a coalizão dele é muito mais ampla. Esse foi o grande trunfo dos tucanos. Como foi o grande trunfo do PT em outros Estados do Brasil.

18/09/2008 - 13:43h Filiações

A nota a seguir é do portal UOL e destaca as declarações de Kassab sobre Maluf e Pitta, na sabatina da Folha. Percebam que o arrependimento de Kassab é por ter “errado com 50% da população” que elegeu Pitta. A população foi vítima da demagogia vendida pelo malufismo com participação ativa de Kassab. A população pagou as conseqüências,  já Kassab foi Secretário de Planejamento de Pitta. A responsabilidade dele não é a mesma. LF

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O prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), elogiou nesta quinta-feira o deputado federal e candidato a prefeito Paulo Maluf (PP). Ele disse que Maluf foi um bom prefeito, mas que se arrependeu de ter votado no ex-prefeito Celso Pitta (PTB). A declaração foi feita na manhã desta quinta-feira, durante a sabatina promovida pela Folha.

Durante a sabatina, o candidato responderá a perguntas de quatro entrevistadores –a colunista da Folha Mônica Bergamo, os jornalistas Nilson Camargo (editor responsável do jornal “Agora”) Fernando Barros (editor de Brasil) e Rogério Gentile (editor de Cotidiano)– e da platéia, que encaminharam suas questões por escrito. Kassab afirmou que apoiou Maluf em 1992 porque acreditava que ele era melhor do que o senador petista Eduardo Suplicy. “Maluf era mais bem preparado do que o senador Suplicy”, disse. “[Maluf] foi um bom prefeito [...] Elegeu o sucessor.” Sobre as denúncias de corrupção contra o ex-prefeito, Kassab não quis comentar. Disse que quem deve cuidar disso é a Justiça. Ontem, em sabatina da Folha, Maluf elogiou Kassab. “Ele [Kassab] tem uma qualidade: está sendo leal a seu titular [Serra]. Poucos vices têm isso”, afirmou. “Ele está fazendo uma administração seguindo o que o Serra estava fazendo”, disse Maluf. Quanto a Pitta, de quem Kassab foi secretário do Planejamento, o prefeito disse que se arrependeu do voto, mas que não errou sozinho. “Na eleição do Pitta, 50% dos paulistanos votaram nele.”

Covas

Apesar de na década de 1990 Kassab ter apoiado Maluf ao invés do tucano Mário Covas, ele disse que mantinha uma boa relação com ele. “No segundo turno, ele recebeu meu apoio no meu escritório pessoal”, disse sobre a eleição em que Covas venceu para o governo do Estado.

13/09/2008 - 19:38h Trajetórias

http://www.4news.com.br/impresso/200809/130920080003a13c.jpg

Quando a questão das trajetórias dos candidatos é evocada no meio da luta política, a história sofre.

Nada contra a transparência e sempre é bom avaliar o percurso dos que pleiteiam dirigir a cidade de São Paulo.

O PSDB vai, pelo que diz a nota do Jornal da Tarde (JT), evocar o passado de Gilberto Kassab.

Faz bem, pois o mesmo foi “apagado” por motivos de oportunismo político. Coube a Marta em 2004 alertar para esse passado e para o fato que a prefeitura iria para as mãos do ex-secretário de Pitta. Na época isto aparentemente não incomodava nenhum tucano.

É verdade que em 1994, quando Mario Covas concorreu ao governo, Alckmin estava com ele e Kassab com Maluf. É verdade que em 1996, Alckmin estava com Serra, candidato tucano à prefeitura, e Kassab com Pitta e Maluf.

http://www.terra.com.br/istoe/1622/fotos/26.jpgPodemos acrescentar para bem dos fatos, que em 1998 enquanto Kassab continuava com Maluf; Marta apoiava Mário Covas. Lembrar também que em 2000 contra Maluf, Mário Covas, Alckmin e até Serra estiveram com Marta. Kassab ainda com Maluf.

Acontece que após morte de Covas, o seu vice, Alckmin, escolheu um vice do PFL Cláudio Lembo e Kassab já tinha migrado para a turma peefelista.

Que logo, para tentar tirar Serra do caminho da pretensão “presidencial” de Alckmin, o PSDB impós Kassab como vice de Serra, acreditando que isto “amarraria” Serra à prefeitura.

Nada disto invalida uma verdade: Kassab é um sobrevivente do malufismo travestido de tucano. Mas quem emprestou as penas e o bico, vendendo a fantasia, foi o PSDB e seus dois caciques: Alckmin e Serra.

Nunca é tarde para reconhecer o erro e a crise do PSDB em São Paulo pode levar a uma reconsideração do itinerário seguido pelos tucanos.

Depois de tudo, agora até Lula é bom para eles (mesmo nisto, o PSDB não é original. Maluf já tinha tentado em 1996 “roubar” o Suplicy, contra o PT. “Nada contra Suplicy, mas não quero o PT mandando aqui” dizia o chefe de Kassab na época, igualzinho aos tucanos hoje).

Nunca é tarde para reconsiderar erros passados.

Mas isto não deveria depender de passar ou não para o segundo turno.

E não deveria conduzir a falsificar a história, apagando os personagens das fotos em função da conveniência do poder.

Luis Favre

09/09/2008 - 10:23h Além dos números

Merval Pereira – O Globo

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/foto/0,,12005448,00.jpgNOVA YORK. Um trabalho da equipe do cientista político da PUC do Rio de Janeiro Cesar Romero Jacob, que reúne pesquisadores brasileiros e franceses, publicado na edição de setembro da revista Alceu, dá boas indicações para se entender o que está acontecendo com os votos nas duas principais capitais do país, Rio e São Paulo, e que conseqüências podem ter as eleições municipais para a eleição presidencial de 2010. O artigo, com 50 mapas por zonas eleitorais do TRE, e por Áreas de Ponderação da Amostra, do IBGE, para os dados socioeconômicos, mostra a correlação entre a votação das eleições municipais de 2002 e a eleição presidencial de 2006, assim como já haviam feito com as eleições municipais de 1996 e 2000 e as presidenciais de 1998 e 2002.

Um primeiro ponto a destacar: diferentemente de eleições anteriores — quando se verificou um descompasso entre as votações dos candidatos a presidente pelo PSDB, Fernando Henrique Cardoso, em 1998, e José Serra, em 2002, e o desempenho dos candidatos desse partido a prefeito, José Serra, em 1996, e Geraldo Alckmin, em 2000, com os candidatos do PSDB a presidente tendo ótimas votações na capital paulista e os seus postulantes a prefeito não tendo desempenho semelhante — houve uma convergência dos resultados obtidos por Serra, para prefeito em 2004, e por Alckmin, para presidente em 2006, “o que se constitui num fato novo na política paulistana”.

Esta mudança, segundo o estudo, deve-se ao enfraquecimento do malufismo, atingido por uma sucessão de denúncias de corrupção envolvendo os ex-prefeitos Paulo Maluf e Celso Pitta.

Já no Rio, o descompasso entre as votações dos candidatos do PT, nesses dois níveis de eleição, se acentua. É grande a discrepância entre o bom desempenho de Lula, em 2006, e a reduzida votação de Jorge Bittar, em 2004, o que se deve, em parte, segundo o estudo da PUC do Rio, à divisão das forças de esquerda no pleito municipal.

Além disso, com o enfraquecimento do brizolismo, acentuado com a morte de Leonel Brizola, em 2004, e com a perda de expressão eleitoral do grupo de Anthony Garotinho, um “vácuo político” propiciou o bom desempenho de um candidato fora dos quadros partidários tradicionais, como o bispo licenciado Marcelo Crivella.

Na verdade, ressalta o estudo coordenado pelo cientista político Cesar Romero Jacob, este fato se constitui num elemento novo na política carioca, tradicionalmente dividida entre os diversos grupos da família brizolista: o próprio Brizola (PDT), Cesar Maia (PFL), Marcello Alencar (PSDB) e Garotinho (PMDB).

Com a vitória em 2004, Cesar Maia se afirmou como o principal herdeiro da família brizolista na cidade, ao vencer a quarta eleição consecutiva, como candidato (em 1992, 2000 e 2004) ou elegendo o seu sucessor (Luiz Paulo Conde, em 1996).

A candidatura de Crivella acabou provocando uma divisão de caráter religioso na cidade: os católicos fazendo voto útil em Cesar Maia e os evangélicos votando no irmão Marcelo Crivella.

Desse modo, “enquanto no Rio observou-se uma cidade dividida pela religião, em São Paulo verificou-se uma cidade polarizada pela política, numa acirrada disputa entre os dois maiores partidos brasileiros do momento, o PT e o PSDB”, destaca o estudo.

O trabalho dos pesquisadores da PUC do Rio de Janeiro não vai além dos dados das últimas eleições, mas com base neles é possível fazer-se algumas ilações. A forte votação de Marta Suplicy confirma uma situação recorrente, com os candidatos do PT a prefeito e a presidente tendo seus maiores percentuais de votos nos bairros populares. Vencendo, Marta Suplicy torna-se uma forte candidata à Presidência pelo PT, com uma base de votos importante na capital paulista.

Se confirmada a “cristianização” do candidato tucano Geraldo Alckmin em benefício da reeleição do prefeito Gilberto Kassab, com apoio de Serra, é possível prever-se uma boa votação do candidato tucano à Presidência da República em 2010, principalmente se ele for Serra. Indo Alckmin para o segundo turno, mesmo que derrote Marta, o PSDB estará irremediavelmente dividido. Terá sido uma vitória pessoal dele, e não do partido.
No Rio, dos 7 pleitos realizados desde 1982 para o governo estadual, 5 foram ganhos por políticos pedetistas ou que atuaram, em algum momento de sua vida política, nesse partido: Brizola (1982 e 1990), Marcello Alencar (1994), Garotinho (1998) e Rosinha Garotinho (2002)
.
Portanto, com exceção de Moreira Franco (1986) e Sérgio Cabral (2006), ambos do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), os demais poderiam ser considerados integrantes da “família brizolista”.

O crescimento da candidatura de Eduardo Paes, apoiado pelo PMDB do governador Sérgio Cabral, pode significar que uma nova era na política do Rio está se abrindo, com a máquina peemedebista sendo ajudada pelo fato de Paes ser oriundo da máquina da prefeitura, onde ele iniciou sua vida política com o prefeito Cesar Maia.

Assim como em 2004 o voto útil foi para Cesar Maia contra Crivella ainda no primeiro turno, agora estaria indo para Eduardo Paes, mesmo que seja previsível um segundo turno.

Os estudos da equipe da PUC do Rio revelam a existência em São Paulo de territórios eleitorais fiéis ao PT e ao PSDB, “num confronto político do tipo direita-esquerda mais clássico”. São Paulo continua sendo uma cidade polarizada pela política e não pela religião, como aconteceu na última eleição municipal do Rio de Janeiro, e continua acontecendo hoje.

Segundo o estudo, “a boa implantação dos dois maiores partidos brasileiros na capital paulista tem impedido que, pelo menos nas eleições para prefeito, questões de natureza religiosa se sobreponham a escolhas políticopartidárias”. No Rio, ao contrário, PT e PSDB são fracos politicamente.

E-mail para esta coluna: merval@oglobo.com.br

25/08/2008 - 17:48h Ondas e fundamentos

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Desde a re-democratização e as suas primeiras eleições em 1982, foi se configurando na cidade de São Paulo três grandes eleitorados. A cada pleito eleitoral esses três setores disputam a hegemonia entre si, com uma constância que surpreende o analista superficial.

Esses três segmentos eleitorais começaram a sofrer uma mudança com a introdução do sistema eleitoral majoritário a dois turnos, o que reforça a tendência já presente nas democracias à bi-polarização da vida política. Mesmo assim, na cidade de São Paulo esses três segmentos eleitorais permeam a vida eleitoral desde 1982 até agora.

Inicialmente os setores hegemônicos foram constituídos pelo centro-esquerda peemdebista e a direita populista (janista e malufista). O terceiro segmento, muito pequeno, foi ocupado pela esquerda na criação do PT.

Como o sistema eleitoral proporcional não exigia maiorias absolutas para vencer, a divisão nestes três segmentos do eleitorado permitiu a vitória de Jânio e depois, uma primeira vitória do PT com Erundina.

Desde aquele momento, foi a evolução interna entre os diversos segmentos do eleitorado e a relação de forças entre eles a que levou a um ou outro desfecho nas eleições na cidade (municipais, estaduais ou federais).

Globalmente o campo da direita populista majoritário em 1982 com Jânio, e ainda majoritário com Maluf até levar a vitória de Pitta em 1996, começou a desfiar depois. A evolução do centro-esquerda peemdebista-tucano para um pragmatismo de centro-direita o transformou no principal receptáculo do debilitamento da direita populista, ao mesmo tempo que permitiu ao PT ocupar plenamente sua vocação social-democrata, de força de centro-esquerda. Como isto não foi produto de um processo linear, as relações de força eleitorais expressavam isto de maneira muito fluida, porém persistente.

Mesmo vencendo as eleições em 2000, por exemplo, a maioria em favor de Marta e do PT só foi possível no segundo turno pelo apoio de Mário Covas à Marta. O grosso do eleitorado de Alckmin no primeiro turno, na época candidato do PSDB, foi para Maluf no segundo turno, mas uma importante fração votou na Marta, que ganhou com 58% dos votos válidos contra 42% de Maluf (que no primeiro turno tinha obtido pouco mais de 15%).

Depois o processo só reforçou o campo do centro-direita tucano e parcialmente também o campo petista, em detrimento do malufismo. Isto permitiu em 2002 a vitória de Lula, mesmo que por pequena margem na cidade, na medida em que se fechava o ciclo do PSDB no governo federal e se consolidava a implantação do PT em São Paulo. Mas o PSDB emergia, com a vitória ao governo de Estado e com um bom resultado na cidade, como a força hegemônica no centro e na direita do espectro político.

As eleições de 2004 e de 2006 confirmaram está situação reforçando eleitoralmente o PSDB em São Paulo, sem porém eliminar completamente a direita populista que preserva um pequeno e importante eleitorado.

A está altura da analise é bom insistir que não existem categorias estancas entre os três segmentos eleitorais, nem sociológicas, mesmo que os setores mais pobres sejam o destaque do eleitorado do PT e que a burguesia e as altas camadas médias se identifique claramente com o PSDB. Uma parte do eleitorado de classe média oscila entre o PSDB e o PT, outra parte oscila entre os tucanos e a direita populista, é têm eleitores pobres em todas as candidaturas, evidentemente.

Os contornos mudam a cada eleição determinados pela conjuntura concreta e a intervenção das forças políticas e sociais nessa conjuntura.

Na situação atual persiste o fenômeno aqui analisado. A novidade é por conta de dois fatores novos, coincidentes no tempo: um, a ampla base de apoio no eleitorado nacional à política e à figura do presidente Lula, do PT; e o segundo é a novidade da disputa interna no campo do centro e centro-direita (hegemonizado pelo PSDB) com repercussões diretas na cidade de São Paulo com duas candidaturas, Kassab e Alckmin. A conjunção de ambos processos, aliados ao carisma e popularidade de Marta é a que constitui o tripé que sustenta a possibilidade de uma vitória da candidatura de centro-esquerda. Utilizo essas etiquetas de propósito, porque contrariamente ao mito de que o voto no Brasil não é ideológico, o eleitorado acaba agrupado sim, nos espectros ideológicos, seja de esquerda ou de direita com suas variantes.

Mas, apesar da crise no campo do centro-direita, não existe nenhum automatismo nesse desfecho. A vitória de Marta é possível, ela não é automática.

Primeiro, porque esses setores, mesmo divididos, contam com uma ampla base de sustentação eleitoral. Segundo, porque contam com uma amplíssima base de sustentação social e política nos diferentes mecanismos de poder: Estado, prefeitura, associações, mídia, instituições, ideológicas e culturais etc. Terceiro, porque souberam preservar esse apoio em São Paulo, com sustentação eleitoral incluso em setores médios e populares, disputando o eleitorado com o PT. Por último, porque serão pressionados a se unirem para enfrentar Marta, mesmo se essa união será limitada no tempo e apenas formal.

Por isso me parece essencial insistir na campanha, no nosso perfil de oposição aos demo-tucanos em seu conjunto e utilizar o momento para ampliar a receptividade às propostas do PT para a cidade, conjugadas com a ação do governo federal. Isto permitiu captar uma pequena parcela de eleitores que no primeiro turno não votaram no PT, nem em 2004, nem em 2006 e que aparecem nas duas últimas pesquisas inclinados a votar na Marta.

Esses eleitores vão ainda flutuar bastante, como ondas, e provocarão oscilações nas intenções de voto de todos os principais candidatos, até o desfecho do segundo turno. Mas é com eles que pacientemente o diálogo deverá ser preservado e aprofundado para conquistar no final seu voto, decisivo para a vitória. LF

23/07/2008 - 14:36h Utilidade pública?

“A lista da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) com os 15 candidatos a prefeituras de capitais que têm “ficha suja” na Justiça nada mais é do o velho e bom “serviço de utilidade pública”. A entidade não acusa ninguém, nem toma partido. Apenas divulga informações relevantes para que o eleitor vote conscientemente e tente melhorar a prática política no país.”

Nesses termos começa o artigo de Eliane Cantanhêde na Folha Online. Ela acrescenta, na mesma linha de raciocínio :

“A lista dos magistrados não debate mérito, não embute discurso populista, não induz o eleitor a coisa nenhuma. Relaciona, pura e simplesmente, candidatos e processos. Assim, curto e grosso. Cada eleitor que leia e vote como quiser e conclua o que quiser.”

Mas como considerar que a própria frase do começo do artigo escrita pela jornalista -candidatos que têm “ficha suja”- não constitui uma opinião de “mérito”, não “embute discurso populista” nenhum e não “induz o eleitor“?

Se como diz Eliane Cantanhêde no seu artigo: “Uma conclusão óbvia, aliás, é que há candidatos e candidatos, casos e casos.” Qual pode ser o significado de apagar esta “conclusão óbvia” configurando uma lista em que todos os mencionados são ditos “sujos” por igual?

Em carta dirigida a AMB, Claudio Weber Abramo, Diretor executivo da ONG Transparência Brasil, que já presta o serviço de utilidade pública que a jornalista reivindica, escreve:

“Diferentemente de outros, a Transparência Brasil não publica “listas”. Publicamos, sim, em nosso projeto Excelências (www.excelencias.org.br), os links para os Tribunais de Justiça e de Contas em que se explicitam as ocorrências que afetem os parlamentares. Dessa forma, e em contraste com a mera publicação de “listas”, qualquer pessoa pode verificar por si mesma a natureza do fato que é mencionada, não precisando confiar em relações coletadas não se sabe como.”

Que significado dar a expressão utilizada por Eliane Cantanhêde de “informações relevantes para que o eleitor vote consciente”? Como poderia um eleitor expressar “consciência” a partir de uma lista que põe de fato todos os casos como igualmente “sujos”?

Em democracia é normal que os partidos e seus candidatos destaquem o que consideram relevante para os eleitores, sobre si mesmos e sobre seus adversários. A mídia cumpre seu papel quando de maneira isenta informa sobre os políticos com questões relevantes para a sociedade. As informações relevantes estão a disposição de todos e da mídia particularmente. Ela informa sobre os processos, sobre as acusações e mostra caso a caso, candidato e candidato, para que o julgamento não produza amálgamas, simplificações e prejulgamento.

A lista em lugar de esclarecer desinforma, obscurece a compreensão e apresenta de forma reducionista o que exige de discernimento, do contraditório e de discussão. Como a própria jornalista reconhece a lista visa a influenciar o voto, supostamente consciente, proclamando uma suspeita de desonestidade para alguns e de “ficha limpa” para outros, sem que a justiça tenha dado seu julgamento.

Alguns invocam a necessidade de conhecer a vida pregressa dos candidatos para justificar a lista, como se o jogo democrático eleitoral não aportasse essa informação. Curiosamente nisto também a lista facilita o contrabando e “oculta” o que de relevante tem a vida pregressa. Como bem diz Eliane Cantanhêde “Marta não é Maluf”, mas nada impedira em nome da AMB que outros candidatos afirmem o contrário. Já Kassab, que estranhamente não aparece na lista, tem sua vida pregressa marcada pela associação política com o malufismo e foi secretário de planejamento de Pitta. Como se vê, nada melhor para ocultar a vida pregressa de um candidato que as listas simplificadoras.

Luis Favre

O processo pelo qual, segundo os jornais, o nome de Marta é incluído na lista da AMB é o mesmo em que José Serra é igualmente acusado. O processo Não teve julgamento ainda.

A seguir o artigo de Eliane Cantanhêde

Apostem suas fichas!


A lista da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) com os 15 candidatos a prefeituras de capitais que têm “ficha suja” na Justiça nada mais é do o velho e bom “serviço de utilidade pública”. A entidade não acusa ninguém, nem toma partido. Apenas divulga informações relevantes para que o eleitor vote conscientemente e tente melhorar a prática política no país. É bom ou não é?

Só não é bom, claro, para o próprio candidato carregado de processos, de correspondentes malas de dinheiro e doido para se encostar numa prefeitura e conquistar mil e uma novas oportunidades de… fazer o bem público?

Dos 15, num universo de aproximadamente 350 candidatos a prefeitos de capitais, o mais encrencado é — sem a menor surpresa — o nosso velho conhecido Paulo Maluf (PP), com o recorde de quatro ações penais que tramitam no Supremo e três ações de improbidade administrativa na Justiça de São Paulo.

Sua reação foi proporcional ao tamanho da encrenca: “Juízes não devem se meter em política”, esperneou. Só que os juízes não estão se metendo em política. O que há são suspeitos e réus que se meteram até o pescoço na política e não querem sair nunca jamais.

A lista dos magistrados não debate mérito, não embute discurso populista, não induz o eleitor a coisa nenhuma. Relaciona, pura e simplesmente, candidatos e processos. Assim, curto e grosso. Cada eleitor que leia e vote como quiser e conclua o que quiser.

Uma conclusão óbvia, aliás, é que há candidatos e candidatos, casos e casos.

Além de Maluf, a AMB listou Marta Suplicy (PT), candidata que lidera as pesquisas para a principal prefeitura do país, por responder a ação penal remetida do Supremo ao Superior Tribunal de Justiça, num caso de licitação de sua gestão anterior na mesma prefeitura.

Mas basta botar os olhos na lista da AMB para comprovar que Marta não é Maluf, assim como a ação contra ela não é como a penca de ações (inclusive com uma condenação em primeira instância) contra ele.

Além do trabalho da AMB evidenciar, o eleitorado sabe. Quem vota em Maluf está careca de saber em quem está votando. E todo mundo, principalmente quem vota em Marta, sabe que ela não tem absolutamente nada a ver com Maluf.

O importante é que todos tenham o maior número de dados para tirar suas conclusões. Informação de menos é que eterniza os males e bloqueia os avanços. Informação demais jamais será problema.

Eliane Cantanhêde é colunista da Folha, desde 1997, e comenta governos, política interna e externa, defesa, área social e comportamento. Foi colunista do Jornal do Brasil e do Estado de S. Paulo, além de diretora de redação das sucursais de O Globo, Gazeta Mercantil e da própria Folha em Brasília.E-mail: elianec@uol.com.br

23/07/2008 - 12:00h Pitta diz que foi preso para atingir Kassab e Maluf

Reproduzo a seguir a entrevista de Celso Pitta ao jornal Folha de São Paulo. Contrariamente as afirmações do entrevistado não vejo na ação da policia contra ele nenhuma relação política. É verdade que Pitta foi alçado a prefeito pelo apoio de se padrinho Paulo Maluf e que Kassab foi secretário de planejamento de Pitta e base da tropa de choque do malufismo em São Paulo. Isto não faz de Maluf e Kassab cúmplices ou responsáveis dos atos de Pitta na mira da PF. Nenhum jornal tentou ligar sua prisão a Kassab e Maluf e nada do que até agora filtrou das investigações implica Kassab ou Maluf nas supostas falcatruas entre Pitta, Nahas e Dantas. LF

Clique na imagem para ampliar e ler

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03/07/2008 - 11:36h Serra não nadará num mar de rosas

VALOR

Há algo mais do que um simples racha entre PSDB e DEM no ar poluído da capital paulista. A candidatura à reeleição do prefeito Geraldo Kassab (DEM) é um ingrediente novo num cenário onde há 15 anos três partidos – o PSDB, o PT e o PP (ou seja qual for o nome do partido do ex-prefeito Paulo Maluf) – monopolizam as atenções do eleitor. Kassab interrompe o que tem sido uma gradativa e natural transferência para o PSDB dos votos mais à direita, historicamente destinados a Maluf, ao entrar diretamente na disputa por esse eleitorado; e o candidato tucano, Geraldo Alckmin, além de deixar de ser o caminho natural para o eleitor malufista, tem dificuldades de acesso ao eleitorado mais à esquerda e ao voto de periferia, que teria de disputar com Marta Suplicy (PT).

Em 2004, PSDB e DEM estavam juntos, com o hoje governador José Serra (PSDB) na cabeça de chapa e Kassab na vice. Serra, com um perfil mais à esquerda do que o DEM e com um eleitorado forte ao centro, conseguiu com a aliança também agregar votos à direita e vencer as eleições. Em outubro próximo, DEM e PSDB não apenas serão concorrentes, mas terão candidatos com um perfil ideológico muito semelhante.

Em 2000, quando era vice-governador e candidatou-se a prefeito, Alckmin conseguiu ser o maior beneficiário do esvaziamento do eleitorado malufista. Maluf foi seriamente atingido pelo catastrófico mandato de seu apadrinhado, Celso Pitta (1996-2000). Segundo estudo de Fernando Limongi e Lara Mesquita, 27% dos eleitores que votaram em Maluf em 1996 transferiram seu votos para o PSDB na eleição seguinte (”Disputa por votos malufistas deve marcar eleições à prefeitura de São Paulo”, Cristiane Agostine, Valor, 29/10/2007). A partir de então, a polarização entre PT e Maluf na capital paulista cedeu espaço ao PSDB. Em 2000, Marta Suplicy obteve 38,01% dos votos no primeiro turno, e o então PPB de Paulo Maluf, com 17,35%, foi para o segundo turno com uma distância de apenas 0,14 pontos percentuais sobre o PSDB. Nas eleições de 2004, vencidas, enfim, pelo tucano José Serra, o PSDB teve 43,56% no primeiro turno, contra 35,82% de Marta Suplicy. Maluf veio em distante terceiro lugar, com 11,92% dos votos.

A soma dos votos da classe alta e a manutenção de parcela do eleitorado ex-malufista, de classe média conservadora (que deu acesso dos tucanos à periferia de São Paulo), pode ter sido determinante para a vitória de Serra. Foi determinante, contudo, não ter ninguém concorrendo em sua faixa de eleitorado e conseguir avançar sobre os votos conservadores. O hoje governador conseguiu votos à direita sem ter uma firme rejeição do eleitorado de centro-esquerda, onde disputava votos com o PT.
Alckmin e Kassab disputam mesmo voto

Essas eleições concentram candidatos à direita na capital paulista – Kassab, Alckmin e o próprio Maluf, que nas pesquisas ainda exibe 8% das intenções de voto. Os votos conservadores estão rachados e qualquer dos dois candidatos depende de polarizar com a petista Marta Suplicy para ter chances de ir ao segundo turno. Ser uma alternativa viável à petista arregimenta votos à direita, que tende a exercer o voto útil contra o candidato de esquerda.

Se Alckmin conseguir isso, ainda terá de superar suas dificuldades de acesso aos votos de periferia. Aí o PT tem superioridade porque foi o alvo preferencial da administração petista, ainda na memória recente; e porque tem beneficiários dos programas sociais do governo Lula. No segundo turno das eleições de 2002, quando disputaram a Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Serra, a diferença de votos dados aos dois na cidade foi mínima – 48,94% para o tucano e 51% para o petista, o que representou escassos 167 mil votos. Na Zona Leste, Serra levou uma surra de Lula: em Sapopemba, Itaim Paulista e Guaianazes, o presidente obteve 60% dos votos. Kassab, candidato à reeleição, retomou programas do governo de Marta e governou para a classe média – isso lhe dá possibilidade maior de acesso ao eleitor pobre e pode atrair os eleitores ricos, onde os tucanos exercem a hegemonia.

Marta ainda pode crescer na periferia. Lá, é mais forte a atuação de movimentos sociais, que tendem a exercer o seu voto útil no PT; os programas sociais do governo federal são em maior número; e parcela do petismo local compete ativamente com a política de clientela liberada do malufismo.

Com o PT com preferência consolidada na população pobre e o PSDB na população rica, os votos da classe média conservadora, malufista ou ex-malufista, são fundamentais para qualquer candidato que dispute com Marta. É difícil, nessa circunstância, imaginar que durante toda a campanha as relações entre Kassab e Alckmin serão cordiais – na verdade, eles estarão competindo fundamentalmente um com o outro, junto ao mesmo eleitorado, para disputar o segundo turno. Alckmin, que fez da sua candidatura a maior pedra no sapato do governador José Serra – cuja aliança em torno da reeleição de Kassab consolidaria, por si, o apoio à sua candidatura em 2010 – pode ser um complicador maior ainda, quando a disputa eleitoral exigir um ataque frontal ao candidato do DEM. A vida de Serra não vai ser um mar de rosas.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

maria.inesnassif@valor.com.br

27/06/2008 - 13:35h A rua tucana bifurca

A rua que pulsa desnorteada

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VALOR

Gilberto Natalini, médico de 56 anos, no terceiro mandato de vereador, lidera a bancada tucana na Câmara de Vereadores de São Paulo. Reivindica com orgulho a autoria do termo Martaxa, que popularizou a fama de fiscalista da ex-prefeita e contribui para sua derrota em 2004.

No dia seguinte à convenção que decidiu pela candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin à prefeitura da capital, Natalini foi a um hospital na periferia Norte da cidade cuja ampliação de serviços foi negociada com o prefeito Gilberto Kassab (DEM). Logo foi cercado por eleitores seus, médicos e enfermeiras que atendem no hospital. Queriam saber como é que seu grupo político trabalharia contra o prefeito candidato que atendera às suas demandas.

O vereador sentiu-se encurralado. Todo seu material de campanha foi confeccionado a partir de realizações em parceria com Kassab. “Eu ia falar o que? A ética me manda dizer que meu partido tem um candidato, mas eu ia dizer a eles que aquilo que a gente tinha batalhado tanto pra conseguir não valia mais nada e que agora eu ia embarcar noutra candidatura? É uma situação esquizofrênica”.

O vereador Adolfo Quintas (PSDB) foi eleito por Ermelino Matarazzo, na onda do avanço de José Serra sobre o velho reduto petista da populosa zona leste de São Paulo em 2004. “O prefeito já instalou oito AMAs (Assistência Médica Ambulatorial) a meu pedido. Tenho que prestar contas ao eleitor do que consegui para a região. Não vou trabalhar contra Kassab de jeito nenhum”.

Da bancada de 12 vereadores de São Paulo, apenas dois votaram pela candidatura Alckmin. E, dos dez que fizeram uma última tentativa de resistência na manhã do domingo, dois avaliam que o constrangimento é tal que devem desistir da disputa.

Num partido sem presença nos movimentos sociais os vereadores são aquilo que o PSDB tem mais próximo do que o programa do partido chama de “pulsar das ruas”. Com a eleição de Serra em 2004, na primeira vez que o partido chegava ao governo da capital paulista pelo voto, a bancada municipal praticamente dobrou. Agora corre o risco de minguar de novo. Juntos, têm quase 500 mil votos.

Eleição de vereador é a mais corpo-a-corpo de todas. O voto de opinião é residual. O candidato fala para pequenos grupos, reunidos ao final da pelada de domingo, em associação de bairro ou mesmo em grupos de amigos reunidos em casa. O eleitor procura seu candidato imbuído de um espírito de governabilidade por mais que os profetas da alienação ignorem a racionalidade do voto. Quer escolher o vereador que ajude seu candidato a prefeito. Mas que candidato?

Muito desse trabalho de criar e multiplicar rede de contatos é feita por militantes como aqueles mais de 500 delegados reunidos pelos vereadores rebeldes no domingo. Pela inconformidade explicitada com a decisão do grupo de recuar da disputa contra Alckmin, é de se duvidar que demonstrem qualquer entusiasmo com a candidatura oficial do partido.

Convenção desorientou bases tucanas

Além disso, o prefeito passará a depender mais dessa base tucana do que o fez até agora. A partir do dia 5 sua intensa agenda de inaugurações terá que ser substituída por eventos menos explícitos de campanha. Os três principais candidatos devem ficar em condições mais ou menos equânimes de exposição.

Até meados de agosto, quando tem início a propaganda eleitoral gratuita na televisão, Kassab terá que contar mais com o corpo-a-corpo para converter os paulistanos que aprovam sua administração em eleitores seus, única condição que o levará a disputar o segundo turno. O drama colocado pela convenção tucana é que o prefeito não terá como fazê-lo sem tirar votos de Alckmin.

O voto em São Paulo tem-se mantido relativamente coerente ao longo das últimas eleições. Nas disputas de 2004 e 2006, Marta e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcançaram exatamente o mesmo percentual no segundo turno da cidade de São Paulo: 45% dos votos válidos.

Ambos foram derrotados pelo PSDB, que cresceu no município em cima do eleitorado que consagrou o malufismo em 1992 e 1996. Na distribuição geográfica dos votos, o PSDB domina a região central e o PT, as franjas da cidade. O que está em disputa é o eleitorado de classe média baixa, em áreas de transição da cidade em que Maluf reinou nos anos 90.

O eleitor típico dessas regiões é o micro-comerciante que anda satisfeito com Lula porque está vendendo bem e conseguiu comprar seu carro financiado em 60 prestações, mas não entende por que o CEU da região, construído com o imposto que ele paga, é melhor do que a escola particular de seu filho.

É em cima desse eleitor me-taxou-e-deu-o-dinheiro-pros-pobres que Marta investe para diminuir sua rejeição. Na expectativa de que esteja no segundo turno e alcance os 45% que seu partido tem alcançado no município nas últimas eleições, precisaria virar 5% dos votos, algo em torno de 500 mil votos.

Do outro lado, Kassab e Alckmin disputarão o mesmo eleitor numa guerra que ainda terá o recalcitrante Paulo Maluf. O melhor dos mundos para os petistas seria enfrentar um Alckmin que passe para o segundo turno em queda depois de uma campanha tensa contra Kassab capaz de desmobilizar as máquinas estadual e municipal a seu favor. Para derrotar Marta, na reta final, um ou outro terá que conquistar um colégio eleitoral extra com um punhado de votos igual ao dos atônitos vereadores do PSDB.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

mcristina.fernandes@valor.com.br

29/10/2007 - 08:49h Disputa por votos malufistas deve marcar eleição à Prefeitura de SP

Cristiane Agostine – jornal Valor


Kassab: atual prefeito de São Paulo poderia ser beneficiados com os votos dos “órfãos” do ex-prefeito Paulo Maluf

Caso o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) concorram à eleição municipal de São Paulo no próximo ano, eles disputarão uma mesma parte do eleitorado, órfão de Paulo Maluf (PP). Nas duas últimas eleições, em 2000 e 2004, os tucanos conseguiram captar mais votos malufistas (da direita) do que o PT. Além da disputa pelo mesmo perfil eleitoral com os tucanos, o DEM terá de enfrentar outro problema: a entrada no cenário eleitoral, antes fechado pelos candidatos do PT, PSDB e PP.

Em São Paulo, cidade com a disputa eleitoral mais acirrada do país, 44% dos eleitores já têm suas preferências partidárias definidas. Nos três últimos pleitos, o PT mostrou que tem o voto garantido de pelo menos 17% do eleitorado. O PSDB tem 15% e o PP, 12%. Os números indicam o percentual de eleitores que votam no partido independente da chance de vitória do candidato lançado.

A análise do comportamento eleitoral e da dinâmica partidária das eleições de 1996, 2000 e 2004, realizada pelos pesquisadores Fernando Limongi e Lara Mesquita, mostra que o domínio do PT, PSDB e PP fechou o “mercado eleitoral” na cidade e impediu que, no período, candidatos de outros partidos ganhassem projeção. Os três partidos controlaram as eleições paulistanas nos últimos 15 anos. “Ainda que o voto partidário inicial, de 44% dos eleitores, não seja capaz garantir a vitória (de nenhuma agremiação), ele é capaz de bloquear a entrada de outros candidatos”, analisou Lara. A pesquisa, patrocinada pela Fapesp, foi apresentada no 31º encontro da Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs).

Como os candidatos destes três partidos contam com um patamar mínimo de votos, explicam os pesquisadores no estudo, os eleitores tendem a convergir ao longo do processo eleitoral a um deles.

Um possível cenário favorável à candidatura de Kassab, vinculada a um partido de direita, seria a conquista dos votos do PP, dos “órfãos” de Paulo Maluf – deputado federal ícone da legenda, ex-governador e ex-prefeito de São Paulo. Entretanto, ele esbarrará na parcela conquistada pelo PSDB nas últimas disputas eleitorais. Dos eleitores que votaram no PP em 1996, 27% mudaram o voto para o PSDB em 2000 e apenas 6,3% para o PT. Já na eleição seguinte, de 2004, a transferência de voto foi menor, mas ainda assim os tucanos conseguiram mais votos do que os petistas do grupo malufista: 1,9% dos que escolheram o PP em 2000 foram para o PSDB e 0,8% para o PT.

Com exceção de Celso Pitta, apadrinhado por Maluf em 1996, nenhum outro candidato sem experiência nas urnas ganhou a eleição na capital. “O custo para disputar a cidade é muito alto”, observou Lara. “Nas últimas disputas, como o PT, PP e PSDB tinham 44% dos votos eles conseguiam coordenar a arena eleitoral. A disputa teve de ser em torno dos três”, afirmou a pesquisadora ligada ao Cebrap, mestranda da USP. “O DEM não é uma força tradicional em São Paulo e entrará agora na disputa, em um lugar que sempre foi ocupado por Maluf”, disse Lara.