28/02/2009 - 16:57h EUA indicam remédio para prevenir câncer de próstata

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Usada para tratar calvície, finasterida reduz em 25% o risco de tumor maligno

Recomendação se apoia em estudo com 18.882 homens; especialistas se dividem sobre o uso da droga, que pode gerar disfunção sexual

AMARÍLIS LAGE – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) e a Associação Americana de Urologia (AUA) divulgaram no dia 24 a primeira recomendação de um remédio para a prevenção do câncer de próstata.

A orientação prevê que homens saudáveis usem finasterida para prevenir esse tipo de tumor -procedimento que a Asco definiu como “quimioprevenção”. O remédio já é utilizado atualmente no tratamento da calvície e do crescimento benigno da próstata.

A recomendação tem como base o PCPT (Prostate Cancer Prevention Trial), estudo realizado nos Estados Unidos e no Canadá com 18.882 homens com idade acima de 55 anos e sem sinal de câncer de próstata.

Durante sete anos, parte dos participantes tomou finasterida e parte, placebo. Constatou-se que o uso do remédio reduziu em cerca de 25% o aparecimento do câncer.

O resultado, porém, foi acompanhado de uma polêmica: aparentemente, os homens que tomaram finasterida e tiveram câncer de próstata apresentavam tumores mais agressivos. Estudos posteriores mostraram que, como esses participantes tinham a próstata reduzida pela finasterida, era mais fácil encontrar nas biópsias deles tumores agressivos. Além disso, os pesquisadores relataram que esses tumores eram detectados antes no grupo que tomou o remédio do que no grupo que recebeu placebo.

“O tempo mostrou que a finasterida deixa essas células com uma aparência mais “feia”, mas é só uma alteração morfológica, elas não ficam mais agressivas. Houve uma polêmica que dividiu os médicos, mas ela vai acabar. Se a AUA adotou essa recomendação, é porque as evidências a favor da finasterida são muito fortes”, avalia o urologista Miguel Srougi, professor titular da USP.

Mas, para outros especialistas, ainda há algumas perguntas em aberto. “Uma delas é: a finasterida só evita o câncer mais leve, e não o mais agressivo? Outra: qual o resultado da finasterida depois de sete anos? Há indício de que, após esse período, a proteção diminua”, afirma Stênio de Cássio Zequi, cirurgião pélvico do Hospital do Câncer A.C.Camargo.

O urologista Carlos Eduardo Corradi, chefe do departamento de uro-oncologia da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia), considera a recomendação norte-americana precoce. “Estudos com o câncer de próstata demoram muitos anos para apresentar resultados e o PCPT não teve a conclusão final ainda. A gente não sabe o que pode acontecer a longo prazo.”


Desvantagens

As entidades norte-americanas recomendam que homens que já tomam finasterida e aqueles que têm PSA total até 3 conversem com seus médicos sobre os prós e contras de tomar o medicamento a longo prazo. No Brasil, o PSA total é considerado saudável até 2,5, mas isso varia de acordo com outros fatores, como o tamanho da próstata do paciente e o índice de PSA livre.

Uma desvantagem do remédio é que ele pode gerar disfunção sexual e crescimento da mama. De acordo com Zequi, esses efeitos costumam atingir cerca de 3% dos pacientes.

Para os especialistas ouvidos pela Folha, o uso do medicamento deve ser indicado para homens que integrem grupos de risco. Ter um parente de primeiro grau com a doença eleva em duas vezes o risco de desenvolver câncer de próstata. Além disso, a incidência da doença parece ser maior em negros, de acordo com Srougi.

Ele ressalta que, atualmente, os urologistas não têm à disposição nenhum outro método preventivo para o câncer de próstata. Há alguns anos, acreditou-se que o licopeno (substância que confere a cor vermelha do tomate), o selênio e a vitamina E teriam um efeito protetor, mas levantamentos recentes mostraram que ainda não há evidências suficientes nesse sentido.

Procurado pela reportagem, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa, que não comenta pesquisas que não tenham tido participação do corpo clínico do órgão.

20/01/2009 - 19:49h Khadja Nin

Mama
Sambolera

16/09/2008 - 17:11h Vacina contra câncer de mama mostra eficácia

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Aguardando o progresso da ciência, campanhas de prevenção, diagnostico e tratamento

 

Pesquisa em animais apresentou um bom resultado em tumor agressivo e resistente

O Globo

WASHINGTON. Cientistas da Wayne State University, nos EUA, testaram com sucesso em camundongos a vacina contra um câncer de mama que responde por 20% a 30% dos casos.
Ele é causado pelo excesso da proteína HER2, o receptor para fator humano de crescimento epidérmico. O estudo, publicada na “Cancer Research”, revela que a substância é eficaz também na prevenção.
Os receptores HER2 estimulam o crescimento normal de células e se encontram em baixas quantidades. Porém, elas podem ter muito mais receptores, gerando um tumor agressivo. A vacina contêm genes que produzem o receptor HER2 e um composto que ativa o sistema imune.
A equipe aplicou pulsos elétricos para injetar a vacina em músculos das patas. A droga produziu grande quantidade de receptores HER2, que levaram à reação no sistema imune contra o sinal de câncer.
Em condições normais, em baixas quantidades, esta proteína passa despercebida no sistema imunológico. Para aumentar a reação natural do animal contra o tumor, pesquisadores usaram um agente supressor de atividade das células T reguladoras.
Elas impedem que a defesa responda em excesso. Na ausência dessas células, houve melhor resposta à vacina.
Quando os cientistas introduziram o HER2 nos tumores dos animais, o câncer foi erradicado, sem efeito adverso. Há drogas para tratar este tipo de câncer, mas pacientes desenvolvem resistência.

— A vacina é produzida nas próprias células — disse WeiZen Wei, que dirigiu o estudo.
O câncer de mama é a principal causa de morte por tumores entre as mulheres. No Brasil, estima-se em 49.400 o número de casos novos este ano, segundo o INCa.

— É um dado pré-clínico encorajador.
Porém, quando se lida com vacinas, boa parte do que funciona em animal não tem efeito em humanos. Temos que aguardar — disse Carlos Gil, chefe da Pesquisa Clínica do INCa.

22/08/2008 - 13:12h Um bafômetro contra o câncer

Bafômetro desenvolvido para o exame - imagem: revista Thorax

Israelense desenvolve aparelho que detecta células alteradas antes da formação de tumor

Renata Malkes Especial para O GLOBO • TEL AVIV

Uma técnica que promete identificar células cancerígenas antes mesmo da formação de um tumor levou o pesquisador israelense Hussam Haik, do Instituto Technion, em Haifa, Israel, à lista dos 35 jovens cientistas mais promissores do mundo, segundo relatório anual do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT, na sigla em inglês).
Aos 33 anos, Haik ganhou destaque ao desenvolver o chamado “nariz eletrônico”, aparelho que detecta células cancerígenas no intestino grosso, nas mamas e nos pulmões após a análise de moléculas odoríferas. Basta o paciente soprar no aparelho, nos mesmos moldes do bafômetro usado para detectar a ingestão de álcool.
A técnica vem sendo desenvolvida em laboratórios de diversas universidades européias e americanas, mas a equipe liderada por Haik assumiu a liderança das pesquisas ao descobrir novos biopolímeros, substâncias feitas de diferentes moléculas orgânicas, que poderiam detectar um câncer e o estágio em que a doença está.
Como num bafômetro, a idéia é que o paciente sopre dentro de um tubo com os chamados biopolímeros.
Proteínas liberadas na respiração reagem com os compostos e indicam — ou não — a presença de células cancerosas através de um sensor eletrônico. A identificação da doença antes da formação do tumor pode levar as chances de cura para até 90%.

— Trata-se de um grande avanço, pois identificamos o processo inicial de formação do tumor. Com isso, podemos dar uma chance muito maior ao paciente. Já temos os biopolímeros necessários para identificar alterações nos seios, no intestino grosso e nos pulmões.
Nosso maior desafio agora é conseguir identificar com exatidão o estágio em que a doença se encontra, antes de estudar maneiras de detectar outros tipos de câncer — explicou Haik, um árabe-cristão nascido na cidade de Nazaré.
O trabalho do pesquisador ganhou impulso há dois anos, quando recebeu uma bolsa de US$ 2,2 milhões concedida pela União Européia para jovens cientistas, após concluir com sucesso um pós-doutorado no Instituto de Tecnologia da Califórnia. O dinheiro foi investido no laboratório e na contratação de mão de obra qualificada. A equipe de Haik trabalha com 20 pesquisadores, entre israelenses, alemães, chineses e indianos.
Os primeiros testes em seres humanos já estão sendo realizados no Hospital Rambam, no norte de Israel, com resultados satisfatórios.
Há expectativas de que o aparelho possa estar à disposição dos médicos já a partir de 2010.

— Estamos ainda em fase de pesquisa.
O aparelho final será portátil e, sobretudo, estamos trabalhando para que seja também acessível.
Quando chegar a fase de comercialização do produto, já pensamos em parcerias para que cada médico possa tê-lo em seu consultório. Não queremos que seu custo final ultrapasse US$ 1 mil — disse Haik.

12/06/2008 - 18:02h Esperança no tratamento de câncer

Câncer já pode ser considerado doença crônica por causa do avanço das terapias individualizadas

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Maria Vianna – O Globo Online

CHICAGO – O perfil genético do paciente vai ser cada vez mais importante para definir que tipo de tratamento seguir na hora em que é diagnosticado algum tipo de câncer. Das novidades apresentadas no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês) este mês em Chicago, o aperfeiçoamento e o barateamento de testes feitos com biomarcadores – moléculas que reconhecem características específicas de um tumor quando juntadas a ele – foram recebidos com entusiasmo pelos especialistas na área, que já falam inclusive que alguns tipos de câncer podem ser encarados como doença crônica. Para os especialistas, os tratamentos cada vez mais individualizados estão ajudando a prolongar a vida de pacientes. Isso significa que, com o tratamento adequado, as pessoas poderão viver anos, assim como ocorre com doenças como diabetes e hipertensão arterial.

- Há seis, sete anos, a sobrevida do câncer de cólon era de 11 meses. Hoje já é 30 e está crescendo. É cada vez mais comum ver pacientes de câncer ditos incuráveis com sobrevida de dez anos. Nos casos do de mama , reto e próstata, a sobrevida está aumentando a cada ano que passa – explica o oncologista Gilberto Amorim, do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Estes testes identificam se o paciente vai se beneficiar mais da quimioterapia, da radioterapia ou de uma combinação de tratamentos que inclui drogas orais, ou até mesmo se o tratamento escolhido não vai ser eficaz.

- No início, o tratamento do câncer era basicamente a quimioterapia, que funciona como tiro de cartucheira, ou seja, atira para todo lado. Às vezes, a quimioterapia acerta o alvo certo, às vezes mais do que deveria e outras vezes, nada. Isso não é o ideal. Os tratamentos hoje visam atingir apenas as células cancerosas, sem afetar as células saudáveis. É como se a gente trocasse a cartucheira por um tiro teleguiado – explica o oncologista Paulo Hoff, diretor do setor de oncologia do Hospital Sírio Libanês e do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Polêmica envolvendo o teste

Para médicos e pacientes, esta notícia tem um grande impacto não só na forma do tratamento, como também em seu custo. Embora um teste deste tipo custe cerca de R$ 3 mil, o paciente com câncer pode gastar o triplo disto em quimioterapia e medicamentos antes de perceber que o tratamento não está dando certo.

Por outro lado, os testes que verificam se o indivíduo tem alto risco de sofrer algum tipo de câncer – que já podem ser feitos no caso do de mama e de cólon – ainda não são bem aceitos pela comunidade médica. A oncologista Clarissa Matthias, diretora do Núcleo de Oncologia da Bahia, frisa que o teste pode ser eficaz em doenças que podem ser evitadas com atitudes preventivas.

- No câncer de mama, mulheres que testam positivo para mutações que quase sempre levam à doença reduzem suas chances em 90% quando fazem uma mastectomia profilática. Se o câncer de mama fosse comum na minha família, ia querer que minha filha fizesse o teste e a cirurgia de retirada das mamas. É uma escolha da pessoa com seu médico, mas acho importante ter esta opção – diz a médica.

Hoff discorda, lembrando que mesmo com uma alta chance de desenvolver o câncer, a pessoa pode nunca desenvolver a doença.

- Podemos até fazer um cálculo, dependendo do tipo de câncer, de quanto é causado pela genética e pelas atividades do dia-a-dia. São pouquíssimas as situações em que o teste vai determinar se a pessoa vai ter câncer e ela vai estar com o destino selado. Os testes que prevêem se as pessoas vão ou não ter câncer são polêmicos e ainda vão demorar bastante para serem adotados pelos médicos – acredita o oncologista.

11/05/2008 - 15:17h Dalida canta Mama

Dalida