06/11/2009 - 10:51h CEOs e diretores de bancos disputam lugares para ouvir Lula em seminário organizado pelos jornais “Financial Times” e Valor Econômico, em Londres

Lula 'vende' Brasil aos investidores e à Rainha

Lula foi recebido pela rainha Elizabeth II em um encontro privado na Banqueting House. Depois, foi homenageado com prêmio da Chatham House, instituição privada que trata de assuntos internacionais e tem vínculos com a monarquia inglesa. A distinção é concedida às personalidades que mais contribuem para melhorar as relações internacionais

Investidores e governo mostram entusiasmo com a economia

de Londres – VALOR

A alta superior a 130% da bolsa paulista em dólares neste ano e a agressiva entrada de dólares que mantêm o real sobrevalorizado em pelo menos 50% são os sinais mais evidentes do clima de entusiasmo com o Brasil que tomou conta dos investidores. Em seminário organizado em Londres pelos jornais “Financial Times” e Valor Econômico, ontem, CEOs e diretores de bancos, fundos de investimentos e grandes companhias disputaram um convite para ouvir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ministros da Fazenda e Casa Civil, Guido Mantega e Dilma Rousseff, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e um grupo de presidentes de grandes bancos e companhias estatais e privadas.

O tema era investimentos no Brasil. Os chairmans da British Gas, sir Robert Wilson, da GDF Suez Group, Gérard Mestrallet, e do Banco Santander, Emilio Botín, deram o tom ao falar dos investimentos que pretendem continuar a fazer no Brasil nos próximos anos e de sua satisfação pelos resultados colhidos até aqui. Além de apontar as perspectivas favoráveis de crescimento para os próximos anos, Wilson e Mestrallet ressaltaram que o Brasil é um lugar confiável para o investimento de longo prazo, com respeito aos contratos.

Na mesma onda seguiram os presidentes do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, e do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, que ressaltaram a importância, para o sistema financeiro, da inclusão de milhões de brasileiros que passaram a ter renda suficiente para manter algum tipo de relacionamento bancário. Henrique Meirelles destacou a solidez do sistema bancário brasileiro, cujas regras prudenciais mais conservadoras evitaram que a crise se abatesse de modo mais violento sobre o país, enquanto Lula e Mantega defenderam a importância dos bancos públicos para o enfrentamento da crise.

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, colocou em cifras o que representa esse entusiasmo: R$ 550 bilhões em investimentos nos próximos quatro anos só no pipeline do banco. Do clima de “estamos todos felizes no mesmo barco” não destoou nem mesmo o presidente da Vale, Roger Agnelli, que passou os últimos meses sob fogo cerrado do Palácio do Planalto, que lhe cobrava uma participação mais ativa nos investimentos no país, especialmente no setor siderúrgico, até como contrapartida ao que a empresa lucra sem devolver nada aos Estados de onde tira o minério, que é isento de impostos.

O discurso estava afinado no mote “o futuro é aqui e agora”, em referência ao “Brasil, país do futuro”, um futuro que nunca chegava e frustrou várias gerações. Botín disse que o Brasil se tornou o país do presente.

As estatísticas sobre o país, de bancos e organismos internacionais, que sempre castigaram a imagem do Brasil e lhe faziam perder credibilidade, agora são mais fortes que qualquer discurso. O ministro da Fazenda exibiu os números que muitos investidores anotavam: o crescimento do PIB no terceiro trimestre deverá superar 8% em termos anualizados e o país poderá gerar mais de 1 milhão de empregos formais neste ano. Apesar da crise, o crédito avança a um ritmo de 20% a 25% em 12 meses. Para 2010, Mantega previu uma expansão do PIB de 5%, mesma aposta do presidente Lula. Dilma, por sua vez, destacou o volume de investimentos ligados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O presidente Lula aproveitou a participação no seminário para se encontrar, na quarta-feira, com o primeiro-ministro da Inglaterra, Gordon Brown. Ontem, ele foi recebido pela rainha Elizabeth II em um encontro privado na Banqueting House. Depois, foi homenageado com prêmio da Chatham House, instituição privada que trata de assuntos internacionais e tem vínculos com a monarquia inglesa. A distinção é concedida às personalidades que mais contribuem para melhorar as relações internacionais.

Lula foi escolhido para receber o prêmio por seus esforços na mediação de crises regionais e pela iniciativa de liderar a missão da ONU de estabilização do Haiti. Também foram levadas em conta as ações para incluir Cuba no Grupo do Rio e a criação da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

05/10/2009 - 09:33h O desmonte anticíclico

Colunista

Sergio Leo – VALOR

“Política anticíclica”, apelido em economês para medidas tomadas pelo governo contra tendências indesejáveis na economia, é um termo insuficiente para explicar a rapidez com que o Brasil rompeu a onda de desaceleração econômica levantada no ano passado. Houve claro, providências tomadas pela equipe econômica para aplacar os efeitos da crise e ajudar as empresas a atravessar o que ameaçava ser maremoto – e que, sem chegar a marolinha, ficou mais próximo das previsões otimistas que das visões apocalípticas de alguns analistas. Um dos maiores motores da recuperação, a política de rendas do governo, estava aí antes da crise, porém.

Até o fim da década de 90, em todas as vezes que a população de baixa renda sentiu segurança para ir em massa às compras, o Brasil foi soterrado pela hiperinflação ou espancado pela crise nas contas externas. Ou subiam os preços para acomodar o excesso de demanda ou as importações pesavam sobre a economia, pelo mesmo motivo. Na situação atual, não só foi limitado o risco de inflação – e a política monetária, ainda que excessivamente severa, foi abrandada nos últimos meses – como o país sofre mais com a valorização da moeda nacional em relação ao dólar do que com o risco de problemas em suas obrigações externas.

Há um inédito mercado de consumo de massas no Brasil, fator fundamental para a recuperação econômica. Sua criação gradual pôs o pobre na mira do varejo e da indústria e ampliou o parque produtivo do país. Mãe volúvel que é, a economia brasileira pode apontar vários pais para esse rebento: os governos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso garantiram a estabilidade – de regras e preços – essencial para que o governo Lula pudesse criar o ambiente favorável à aposta nesse mercado de consumidores de pouco dinheiro.

O arsenal anticíclico, ou anticrise, acionado recentemente pelo governo teve como principais componentes a redução de impostos para setores selecionados, a garantia da oferta de crédito e o impulso (quase US$ 30 bilhões no primeiro semestre) dos investimentos estatais, a maior parte da Petrobras. Essas medidas foram adotadas para aliviar firmas que especularam mal e, principalmente, como forma de sinalizar aos agentes privados que não haveria retração no consumo, pelo contrário. Boa parte do colapso do último trimestre de 2008, vale lembrar, deveu-se à freada histérica nas fábricas da indústria automobilística.

Os críticos da política expansionista patrocinada pelo Ministério da Fazenda têm razão, porém, ao afirmar que essa política é anterior à crise, e que seu caráter anticíclico é uma circunstância. Uma política resoluta de expansão de gastos torna-se anticíclica quando o ciclo econômico está em contração – será procíclica em breve, quando a economia correr, fagueira, sem o peso do cataclisma financeiro que assombrou o capitalismo.

Por trás da briga, na semana passada, entre Banco Central, que fez questão de apontar os riscos inflacionários do crescimento, e o Ministério da Fazenda, que vociferou contra o “terrorismo fiscal”, está a inescapável tarefa de começar, em breve, a desmontar o aparato anticíclico. O vigor do crescimento brasileiro já levanta a torcida do juro alto, e levou o FMI, no fim de semana, a recomendar cuidado ao Brasil, para não se transformar em sorvedouro de investimentos estrangeiro e provocar perigosa elefantíase na moeda brasileira, o real.

Retirar os estímulos da economia exige uma correta identificação desses estímulos, e uma coreografia bem ensaiada entre as autoridades da área econômica – que andaram, pelo contrário, pisando uns nos calos dos outros nos últimos dias. É sabido que foi principalmente o consumo das famílias que sustentou o crescimento econômico de quase 2% no segundo trimestre do ano. Esse poder aquisitivo ampliado garantirá boa parte da recuperação brasileira, que já aponta índices de crescimento superiores a 5% em 2010.

Não faz muito tempo, o discreto – e excelente – economista Ricardo Bielschowsky, hoje na Cepal, mostrou, em palestras pelo país, o papel do “consumo de massas” na estratégia de desenvolvimento no Brasil. É uma das principais diferenças entre economistas de corte ortodoxo e os heterodoxos. Enquanto aqueles veem as chamadas “reformas de segunda geração” como o grande passo que falta na caminhada para o futuro próspero que nos espera, heterodoxos como o próprio Bielschowsky apontam o estímulo ao consumo de massa como a pedra filosofal que ajudará a transformar o país.

Ortodoxos e heterodoxos concordam, ambos, em um ponto: a necessidade de combate à pobreza e concentração de renda. Mas a inclusão do “consumo de massa” na formulação das políticas para a crise e para a bonança marca uma diferença fundamental entre ambos: ortodoxos veem despesas ou pressão inflacionária onde os heterodoxos veem estímulo e dinamização de investimentos.

Quando Robert Zoellick, ex-representante comercial dos Estados Unidos, presidente do Banco Mundial, diz que o mundo emergente tem de apostar mais no mercado interno e no comércio Sul-Sul, ele reconhece como foi importante ligar estabilidade à política de rendas (que não se limita à defender salários e rendimentos da inflação). Qualquer estratégia para a frente deve guardar algum carinho para o mercado baseado no consumo popular fortalecido nos últimos anos.

Não faz muito tempo, Bielschowsky alertou os economistas do Ministério da Fazenda que o governo tem perseguido políticas ativas de investimento e de inclusão social sem fazer a vinculação entre elas e ligá-las à estratégia desenvolvimento baseado no consumo de massas. Estratégia, aliás, que já consta dos planos plurianuais do governo desde 2003. Consumo de massas está ligado à políticas de gastos em educação e saúde, de aumento gradual do salário mínimo, à sustentação de programas de inclusão como o Bolsa Família, à recuperação das aposentadorias. Mas há quem veja esses fatores apenas como alarme de complicações fiscais à frente.

Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras

E-mail: sergio.leo@valor.com.br

05/10/2009 - 09:00h FMI alerta para enxurrada de capital externo no Brasil

Para Fundo, governo precisa rever políticas de estímulos que adotou na crise

Mantega diz que boa parte de dólares que ingressa no Brasil é para investimento produtivo e que BC vai acumular mais reservas

FERNANDO CANZIAN – FOLHA SP

ENVIDO ESPECIAL A ISTAMBUL

A rápida recuperação da economia brasileira pode levar uma quantidade exagerada de capitais estrangeiros para o país e valorizar ainda mais o real. Isso pode afetar as exportações e aumentar rapidamente o deficit em conta corrente por conta de mais importações.
O alerta é do FMI, que recomendou ao governo brasileiro que comece a retirar os estímulos econômicos que adotou nos primeiros meses da crise.
“O Brasil já está aumentando o apetite de investidores, dada a solidez de sua economia. E precisa rever os estímulos fiscais para evitar um ingresso de dólares acima do necessário”, disse Nicolás Eyzaguirre, chefe do Departamento para o Hemisfério Ocidental do Fundo.
Em 2009, o Brasil será um dos únicos países emergentes que terá aumento no ingresso de dólares em relação a 2008.
Segundo o IIF (Instituto de Finanças Internacionais, na sigla em inglês), que reúne os maiores bancos do mundo, o país deve receber neste ano 21% mais dólares, em um total de US$ 42,7 bilhões, ante US$ 34,7 bilhões em 2008.
Nos emergentes, os ingressos serão de US$ 349 bilhões em 2009, recuo de 46,3% sobre 2008. A principal razão para a forte entrada de dólares no Brasil é o fluxo de investimentos especulativos. De US$ 8,9 bilhões em 2008, eles passarão a US$ 29 bilhões neste ano.
Em muitos casos, bancos e investidores nos países ricos vêm aproveitando a enxurrada de dólares que os BCs vêm despejando no mercado a fim de recuperar suas economias para transferir parte desse dinheiro para nações emergentes.
O Brasil, que ainda tem uma taxa de juros muito elevada diante dos padrões internacionais (8,75%), é um dos alvos preferidos desses investidores, que também vêm aplicando fortemente na Bovespa, o que ajuda a explicar sua forte alta.
Para Eyzaguirre, enquanto vários países ainda lutam para escapar da crise, o Brasil terá de se preocupar agora em “gerenciar a abundância” de dólares.
Um fluxo maior de dólares em qualquer país com câmbio livre tende a valorizar a moeda local. É o que ocorre no Brasil, onde o dólar, que chegou a superar os R$ 2,50 durante a crise, fechou na sexta a R$ 1,778.
O dólar barato encarece as exportações e barateia as importações, afetando os saldos comercial e em conta corrente (resultado das transações com o mundo). É o ocorre no Brasil.
Além do FMI, o IIF alertou para a necessidade de países emergentes não se descuidarem com o ingresso excessivo de dólares. “A perspectiva de maior crescimento e juros maiores nesses países deve atrair fluxos significativos de capital especulativo, trazendo desafios para seus governos.”
Questionado sobre o assunto, o ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que muito do ingresso de dólares no Brasil é para investimento produtivo. E que o BC continuará com sua política de acumular reservas (hoje acima de US$ 224 bilhões) para tentar enxugar o excesso de dólares no mercado.

30/06/2009 - 09:28h Substituição tributária de Serra dificulta combate a crise

“A substituição tributária não é uma medida contracíclica contra a crise.”

Amir Khair, especialista em contas públicas

 

Mantega culpa Estados por repasse limitado aos preços

Segundo ministro, mudança tributária imposta por governadores reduziu o caixa das empresas

Edna Simão, Renato Andrade e Raquel Landim – O Estado SP

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, jogou sobre o governo de São Paulo e de outros Estados a responsabilidade pelos problemas no repasse aos consumidores da isenção do imposto incidente na produção de geladeiras, fogões e máquinas de lavar, a chamada linha branca.

Durante o anúncio do novo pacote de medidas para estimular a economia, o ministro afirmou que o efeito da desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos últimos três meses sobre esses produtos foi limitado, porque alguns governadores promoveram, ao mesmo tempo, uma substituição tributária, transferindo para a indústria a responsabilidade pelo recolhimento do ICMS , antes mesmo da venda do produto no varejo.

A decisão dos governadores, na avaliação do ministro, reduziu o capital de giro das empresas, impedindo uma queda mais brusca dos preços. Segundo levantamento do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), apresentado por Mantega, nos meses de abril e maio, o preço médio do fogão recuou 0,7%, o do refrigerador caiu 5% e o da máquina de lavar 6,4%. “Há espaço para uma redução maior dos preços”, afirmou o ministro.

O governo federal reduziu o IPI em 5 pontos porcentuais para fogões e em 10 pontos porcentuais para refrigeradores e máquinas de lavar.

As vendas de produtos de linha branca cresceram consideravelmente após o estímulo. Somente de geladeiras, a expansão das vendas foi de 26% em maio na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Com a renovação da isenção do IPI até o fim de outubro, Mantega vai convocar os governadores para discutir a questão. “Foi feito em São Paulo e em outros Estados. Vou conversar com os governadores que de certa forma se aproveitaram”, disse. Ele frisou que “não tem nada contra a substituição tributária” e acrescentou que o momento é que foi “errado”.

Fabíola Xavier, diretora do IDV, que representa varejistas como Casas Bahia, Magazine Luiza e Carrefour, confirmou que a substituição tributária impediu o repasse integral da redução do IPI para os preços pagos pelo consumidor nas lojas. “Temos a mesma opinião do ministro. Deixamos de pagar imposto para o governo federal para pagar para o estadual”, disse. Ela afirmou que o varejo é a favor da substituição tributária, porque combate a sonegação, mas o problema é que as medidas foram “simultâneas”. O setor pediu ao governo paulista a revisão das margens de lucro utilizadas para o cálculo.

Lourival Kiçula, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Eletroeletrônicos (Eletros), afirmou que o repasse do IPI foi feito integralmente pela indústria e que o problema ocorreu depois.

Por meio de uma nota, a secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo informou que o prazo para o pagamento do imposto pode chegar a 90 dias e que o objetivo foi neutralizar eventual impacto no fluxo de caixa das empresas. O governo estadual argumenta ainda que a medida foi discutida com as entidades de classe.

A Receita Estadual de Minas Gerais também informou que o efeito da substituição tributária é “neutro” para o repasse do IPI ao consumidor. O órgão disse que o IPI faz parte da base de cálculo do ICMS, logo se o primeiro é reduzido, o segundo é “automaticamente” alterado.

Para Amir Khair, especialista em contas públicas, o problema é exclusivamente de “capital de giro”. Ele disse que, ao antecipar a arrecadação do imposto, o Estado se apodera de um capital que estaria disponível para o varejo. Khair ressalta que as pequenas varejistas operam com margens apertadas. “A substituição tributária não é uma medida contracíclica contra a crise.”

18/05/2009 - 10:44h “Conservadorismo” afetou lucro do BB


Entrevista: Presidente do banco diz que perda na rentabilidade decorre de “exagero” na restrição ao crédito


Ruy Baron / Valor

O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine: “Sempre acreditei que o principal componente do resultado é a intermediação financeira”

 Alex Ribeiro, de Brasília – VALOR

O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, afirma que a queda do lucro da instituição no primeiro trimestre é resultado de exagero na restrição de crédito e nas provisões para devedores duvidosos. “Veio um cenário de conservadorismo, consequência da crise”, afirma Bendine, em entrevista ao Valor. “Essa equação não ficou bem equilibrada.”

O lucro do BB no primeiro trimestre foi de R$ 1,655 bilhão, 12,9% menor que o mesmo período de 2008. Bendine pondera que essa cautela era natural, dado o ambiente de incerteza provocado pela crise financeira internacional. Mas diz que, a partir de maio, percebe-se a convergência da inadimplência a patamares mais próximo da normalidade, o que vai permitir que o banco amplie mais o crédito e recomponha a rentabilidade.

Bendine foi nomeado presidente do BB em abril porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava insatisfeito com a resistência do antigo titular do cargo, Antonio Francisco de Lima Neto, em reduzir spreads e ampliar o crédito em meio a um cenário econômico incerto.

A indicação de Bendine foi, no princípio, mal recebida pelo mercado financeiro, que receava ingerências políticas no BB. “Não tenho nem tive nenhum tipo de vinculação ou filiação partidária”, afirma Bendini, na entrevista. A seguir, os principais trechos.

Valor: A sua nomeação para a presidência do BB foi mal recebida pelo mercado. As ações do banco chegaram a cair 11%, embora tenham se recuperado. A que o sr. atribui essa repercussão?

Aldemir Bendine: Discordo que tenha sido mal recebida. Talvez tenha sido mal interpretada num primeiro momento. Nos dois primeiros dias, dada uma série de interpretações, que considero errôneas, houve queda nos preços das ações. A partir do terceiro dia, depois de eu ter feito uma conferência com os analistas de mercado, as ações têm se mantido em constante alta.

Valor: O mercado se preocupava com uma eventual politização do BB. O sr. tem vinculação com o PT?

Bendine: Nenhuma. Sou um funcionário com 30 anos de casa. Tenho uma carreira dentro do banco, com passagem nas mais importantes áreas. Subi os degraus naturalmente. Não tenho nem tive nenhum tipo de vinculação ou filiação partidária, nem agora nem ao longo de minha trajetória. É natural esse tipo de interpretação quando é feita a substituição no comando de uma empresa em que aproximadamente 70% do capital é do governo, em que o decreto de nomeação é do presidente da República. Mas não tenho vinculo partidário.

Valor: Outra preocupação é se o sr. vai se vincular mais aos interesses do governo do que aos dos acionistas, que esperam resultados.

Bendine: O que houve, na verdade, foi uma coincidência de visão e de postura. Sempre acreditei, ao longo de minha história no banco, que o principal componente do resultado é a intermediação financeira. O BB sempre foi um grande especialista em crédito. Para mim, a estratégia natural do banco é a alavancagem do crédito. Isso coincidiu com algumas interpretações (dentro do governo) de que o banco não vinha atuando de forma decisiva no crédito.

Valor: Haverá um compromisso formal de gestão com o governo?

Bendine: Não, não terá. De fato, assumi um compromisso com o ministro (da Fazenda, Guido Mantega), um compromisso moral de conduzir o banco para uma ação mais decisiva, mais pragmática.

Valor: Seria para reduzir os juros e o spread dos empréstimos?

Bendine: Não. Reduzir os juros e o spread é algo que já está dado, que faz parte de um processo econômico, das condições de mercado. Não é um processo exclusivo do BB e não se faz de forma artificial. Mas, ao aproveitar a nossa competitividade, que já existe, porque por tradição o BB pratica as menores taxas de juros do mercado, ao atuar de forma mais agressiva, vamos conquistar espaço, conquistar clientes. O movimento natural de defesa da concorrência é procurar se manter atrativo para manter os seus clientes. Então pode ser que, naturalmente, leve para uma redução do spread mais acelerada.

Valor: Ao mesmo tempo em que o sr. assumiu um compromisso com o governo de destravar o crédito, também assumiu com o acionista minoritário o compromisso de manter a rentabilidade. Como conciliar esses dois objetivos aparentemente conflitantes?

Bendine: Não acho conflitantes, acho convergentes. Quando você tem uma condição de queda do spread dada ao longo do tempo, a única forma para compensar a sua rentabilidade na intermediação financeira é com o aumento do volume de negócios. Há ainda espaço para crescer em áreas onde o banco não tem um volume compatível com o seu tamanho. Temos áreas novas para explorar e trazer resultado, notadamente no financiamento de veículos, financiamento imobiliário, cartões de crédito e, principalmente, seguridade.

Valor: Mas a redução da rentabilidade é um fato concreto. O resultado recorrente passou das casa dos 25% em 2008 para 19% em 2009, o que é o limite inferior da meta para o ano, definida entre 19% e 22%. Haveria espaço para continuar reduzindo o spread?

Bendine: A redução do spread foi dada, aconteceu, mas numa velocidade e num volume superior ao crescimento da carteira de crédito. A carteira de crédito não cresceu na mesma proporção.

Valor: Por quê?

Bendine: Veio um cenário de conservadorismo, consequência da crise. Essa equação não ficou bem equilibrada. A queda de spread não foi proporcional ao crescimento de crédito.

Valor: A restrição do crédito foi uma decisão gerencial equivocada?

Bendine: Era uma tendência natural, dada a crise, quando você tinha um ambiente de incerteza. Considerando que temos para frente um cenário macroeconômico com clareza um pouco maior, em que a gente enxerga que o país não está em uma situação tão agravada como se imaginava no início da crise, a gente vê uma possibilidade de evolução do crédito em uma velocidade muito maior do que a do primeiro trimestre. Notadamente, a partir de maio.

Valor: O resultado também foi afetado pelas provisões. O que houve?

Bendine: Talvez a gente não conseguiu, e isso vale para todo o mercado, e o BB especificamente, lidar com algumas questões que tiveram um impacto muito maior. Teve um leve descolamento da inadimplência, em função de um cenário de incerteza na economia, teve que trabalhar com um cenário de maior provisionamento.

Valor: Mas o que aconteceu com as provisões? A avaliação se mostrou equivocada?

Bendine: Foi um pouco de insegurança do ponto de vista do consumidor, em relação cenário de manutenção de emprego e renda. Mas o BB tradicionalmente tem a menor taxa de inadimplência do mercado e isso foi mantido. Inclusive esse descolamento (alta da taxa de inadimplência) no BB foi menor do que no mercado. O que a gente percebe é que voltou a um patamar mais próximo de normalidade.

Valor: O nível de provisionamento se mostrou exagerado para o cenário que houve mais tarde?

Bendine: Talvez um pouco.

Valor: Isso também teria afetado o resultado?

Bendine: Afetou, na medida em que você faz um provisionamento maior em relação a isso.

Valor: Como avançar no crédito sem abrir mão da segurança na avaliação de risco?

Bendine: Nossa técnica bancária e nossas regras na concessão de crédito estão mantidas e são rígidas. O que a gente vê como oportunidade não é alavancar crédito com empresas que já são tradicionalmente clientes. A gente vê espaço para buscar novos clientes que talvez não estejam tendo um atendimento que eles imaginam necessário para suas atividades.

Valor: O BB entrou no programa do governo “Minha Casa, Minha Vida”, que tem uma ênfase em baixa renda. Isso significa que o BB vai operar no segmento com menor margem sem ainda ter adquirido larga experiência no crédito imobiliário. Não seria uma estratégia perigosa?

Bendine: A gente entrou no crédito imobiliário já no ano passado e vem buscando esse aprendizado. Ao aderir ao programa “Minha Casa, Minha Vida”, não significa que estamos abrindo mão de atuar no segmento de maior renda. Essa política permanece. Naquela faixa de menor renda, não estamos entrando de forma decisiva porque essa é uma exclusividade da Caixa Econômica Federal. Estamos trabalhando no segmento acima de três salários mínimos. Nesse programa há uma oportunidade ímpar para financiar o produtor, a construção, o que é uma bela margem de negócio.

Valor: Outro programa de interesse do governo que o Banco do Brasil entrou é o financiamento de eletrodomésticos da linha branca. Mas é justamente esse segmento, nas estatísticas do Banco Central, que tem apresentado o maior aumento da inadimplência. Os riscos não seriam excessivos?

Bendine: Os bancos atuam normalmente em duas arenas no financiamento direto ao consumidor. Uma é o crédito a clientes do próprio banco, que têm um histórico, um relacionamento anterior. O outro é o financiamento do cliente não correntista, através de uma parceria com uma rede varejista, por exemplo. O histórico, o conhecimento desse cliente, o relacionamento, é um pouco menor do que aquele que é um cliente tradicional seu. No caso específico desse programa no BB, a gente criou uma linha voltada para o nosso correntista. Por isso que nós tivemos condições de colocar uma taxa bastante agressiva, acreditando numa demanda maior que vai existir em função da recente decisão do governo de reduzir o IPI para a linha branca.

Valor: No caso do cliente do BB, a inadimplência é menor?

Bendine: No dados do BC você não consegue separar isso. É natural que a inadimplência entre os não correntistas seja maior do que entre os clientes em que há um relacionamento anterior.

Valor: A compra de metade do Banco Votorantim devolveu a liderança do mercado ao BB, que foi perdida para o Itaú Unibanco?

Bendine: Deve-se tomar cuidado com esse tipo de afirmação. O Votorantim ainda não foi incorporado nos nossos ativos, até porque depende da aprovação do BC. Nas incorporações de bancos, como as recentes operações envolvendo bancos privados, ocorre uma sinergia negativa de ativos. Há uma sinergia positiva nos resultados, tarifas, receitas de serviços, mas nos ativos a sinergia é negativa.

Valor: Como assim?

Bendine: Ela ocorre, por exemplo, na exposição de crédito que os dois bancos têm com uma mesma empresa. O banco A, que é o controlador, já tem esse nível de exposição com a empresa. E verifica-se que o banco B também tem sua própria exposição a essa empresa. Ao trazer essas duas exposições à analise de risco de uma única instituição, a tendência é diminuir o grau de exposição. Então você tem uma tendência de ter uma redução nos ativos.

Valor: Há algum horizonte para o BB retomar a liderança?

Bendine: São duas variáveis: o crescimento orgânico (ampliar as operações do próprio banco) e o inorgânico (fusões e aquisições). O concorrente pode, a qualquer tempo, adquirir uma empresa. Essa é uma variável não controlável. Considerando só o crescimento orgânico, até o próximo ano o BB retoma a liderança.

Valor: O sr. tem repetido que a área de seguridade pode contribuir mais para o resultado do banco. Esta definida a estratégia?

Bendine: Por uma questão de acordo de confidencialidade assinado com parceiros ou interessados, não posso me alongar nessa questão. O que eu posso adiantar é que temos um modelo estabelecido no segmento de seguridade bastante diferente da concorrência, até por algumas características de um banco de sociedade de economia mista. O banco vinha com esse modelo há 15 anos e algumas alterações ocorreram nesse mercado. Por exemplo, a gente trabalha segmentado aqui no banco o ramo de vida do ramo de previdência, coisa que o mercado há muito tempo mostrou ser mais eficiente trabalhar isso no mesmo “business”. O banco tinha “n”, empresas que não estavam debaixo de uma “holding”. Então não havia ganhos de sinergia, havia “n” plataformas em cada uma das empresas.

Valor: O BB vai seguir sozinho na seguridade ou vai continuar com parceiros privados?

Bendine: Não posso falar. Tenho um acordo de confidencialidade e posso ferir compromissos com os meus parceiros se fizer comentários sobre isso.

Valor: As negociações para aquisição do BRB foram suspensas?

Bendine: Não tenho nenhum comunicado formal do governo do Distrito Federal ou do próprio BRB de que as negociações foram interrompidas. Soube de algumas declarações (que indicam a desistência do negócio), mas não tive ainda a oportunidade de estar com o governador. A gente tem uma agenda próxima marcada. Dada a troca de comando no BB e outros fatores extraordinários, talvez tenha tido alguma interrupção no cronograma, mas eu estou confiante que o cronograma siga o ritmo normal.

Valor: E no caso do Banestes?

Bendine: Esta dentro do cronograma, na fase de avaliação pelos dois lados. Ainda não estão concluídas

Valor: No fim do ano passado, o índice de Basiléia do BB caiu bastante, em virtude das aquisições. Esse pode ser um limite para ampliar o volume de crédito?

Bendine: Claro que, dado essas aquisições recentes, que reduzem o índice de Basiléia, isso vem se apertando. Mas a gente tem ainda uma folga que nos permite uma grande alavancagem em 2009. Mas a gente vai ter sim a preocupação de começar uma discussão sobre o patrimônio, sobre a estrutura de capital do banco para que a gente não fique refém de uma impossibilidade de maior alavancagem no próximo ano.

Valor: Quais são as alternativas?

Bendine: Pode ser aumento de capital, retenção de dividendos, divida subordinada e outros instrumentos. No devido momento, a gente vai conversar com o Tesouro Nacional e com a Fazenda para ver a melhor alternativa.

Valor: O BB tinha, antes da crise, um programa de internacionalização, que incluía atuar no varejo nos Estados Unidos. Esse projeto está mantido?

Bendine: Não só está mantido, como estamos fazendo uma revisitação sobre novas oportunidades, dado esse cenário que a gente vivenciou a partir de setembro. Não nos esqueçamos que ele tem também um lado voltado para a presença do brasileiro lá fora. Ainda temos um número expressivo de brasileiros no mercado americano, por volta de 1,5 milhão de pessoas. Então alí tem um nicho importante de alavancagem de negócios.

Valor: E a Visanet?

Bendine: Fizemos um pedido de registro na CVM, e é o máximo que eu posso falar porque estamos em um processo de oferta.

Valor: Vai ter alguma troca na presidência da Nossa Caixa?

Bendine: Eu desconheço.

28/03/2009 - 13:38h Corte de IPI de carro é prorrogado

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http://g1.globo.com/Noticias/Carros/foto/0,,16120399-EX,00.jpg

Cleide Silva – O Estado SP

Uma manhã de conversas ao telefone entre sindicalistas, dirigentes de montadoras e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, selou ontem a renovação do acordo de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os carros por mais três meses. O anúncio oficial será feito na segunda ou terça-feira, pois depende da agenda dos envolvidos nas negociações.

O governo já vinha manifestando intenção de renovar a medida, que ajudou as montadoras a venderem, em plena crise, mais veículos no primeiro trimestre deste ano do que em 2008. O impasse estava na contrapartida a ser exigida, de manutenção de empregos, sugerida pelas centrais sindicais. Só em janeiro e fevereiro as montadoras cortaram 4 mil vagas.

As fabricantes concordaram, desde que ficassem de fora os trabalhadores com contratos temporários. Os sindicalistas encontraram uma “frase mágica” para endossar o acordo, que terá cláusula afirmando que “os contratos temporários serão cumpridos”. Ou seja, aqueles que vencerem nos próximos três meses não serão renovados, pois tinham validade por um ano. A abertura de programa de demissão voluntária está liberada.

O corte do IPI em meados de dezembro e com validade inicial até 31 de março foi adotado para reduzir o efeito da crise financeira nas vendas de carros no País, que despencaram nos últimos meses de 2008. Apesar de ter provocado queda de 90% na arrecadação do imposto, a medida é vista como uma das poucas anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com resultado efetivo.

O primeiro trimestre deve ser fechado com vendas próximas a 655 mil veículos, 1% a mais do que em igual período de 2008, quando somaram 647,9 mil unidades. No segmento de automóveis e comerciais leves, o mais beneficiado pela medida, o aumento deve ficar perto de 2%, com 630 mil unidades.

Os estoques nos pátios das fábricas e das revendas, que chegaram a 305 mil veículos em dezembro, equivalentes a 56 dias de vendas, baixaram no mês passado para 181 mil unidades, ou 27 dias de comercialização.

A alíquota do IPI, que era de 7% para carros 1.0, permanecerá isenta. Para modelos 1.4 até 2.0, ficará em 5,5% para motores flex e 6,5% para a gasolina, metade da alíquota normal. Com o novo imposto, os preços dos carros caíram em média de 5% a 7%.

FEIRÕES

Com o anúncio da prorrogação só a partir de 2ª-feira, o governo não vai atrapalhar as campanhas das montadoras neste fim de semana, que usam como atrativo a última oportunidade para comprar carro com IPI reduzido.

A Volkswagen faz feirão hoje e amanhã na fábrica Anchieta e na área ao lado do Playcenter com o slogan “Último fim de semana de IPI reduzido”. A Fiat fará ações nas lojas de todo o País e divulga anúncios com a chamada “Aproveite o último fim de semana com IPI reduzido e condições especiais.”

16/03/2009 - 13:19h O antiamericanismo do governo Lula

Sergio Leo – VALOR

A alegria quase adolescente com que as autoridades brasileiras falam da aproximação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama desmoraliza um dos mais frequentes lugares-comuns nas críticas à política externa do governo, a acusação de antiamericanismo. Quando se trata da relação comercial Brasil-EUA, os críticos têm até (reduzida) base real para reprovações contra Lula e assessores, mas o chavão foi esquecido neste fim de semana. Parte das atenções para o encontro entre Lula e Obama se concentrou em uma tolice, as tarifas dos EUA contra o etanol brasileiro.

Etanol não é besteira, nem o esforço brasileiro para derrubar as barreiras dos Estados Unidos contra qualquer produto brasileiro, especialmente commodity tão simbólica. Mas medir os resultados do primeiro encontro dos presidentes por decisões que possam adotar em relação à tarifa do álcool é um exercício de quem ignora a natureza e funcionamento do poder nos EUA.

Não será na Casa Branca que se decidirão mudanças relevantes na política comercial americana nessa questão. É no Capitólio, o Congresso dos EUA. Que, aliás, rejeitou na semana passada a tentativa feita por Obama de reduzir os subsídios pesados à agricultura, que distorcem o comércio e prejudicam países competitivos como o Brasil.

Curiosamente, o blogue da Casa Branca contraria o noticiário que, no Brasil, insinuou uma aparente relutância de Obama em reduzir a tarifa aplicada sobre o etanol brasileiro nos EUA. O texto do governo americano fala do tom “positivo e otimista” de Obama, que limitou-se a dizer o óbvio – a questão do etanol não se resolve do dia para a noite – e disse acreditar que essa fonte de atrito se eliminará com o tempo, à medida em que os dois governos aprofundarem a troca de “ideias, comércio, intercâmbio no setor de biocombustível”. Esse último comentário foi ignorado no relato de jornais brasileiros.

Entre os queixumes com ar de despeito feitos sobre a bem-sucedida visita de Lula a Obama, uma crítica é relevante: como notou o presidente do Diálogo Interamericano, Peter Hakim, Lula poderia ter aproveitado a oportunidade para contatos com os importantes presidentes das comissões do Congresso, tão essenciais para o futuro das questões de interesse brasileiro quanto o chefe do Executivo americano.

Lula, que hoje fala a empresários, limitou os encontros extra-agenda a uma conversa com um velho conhecido, John Sweeney, presidente da AFL-CIO, principal organização sindical do país. Visita importante: a AFL-CIO move parte do insistente lobby protecionista americano. Não há registro, porém, que Lula tenha tentado converter Sweeney para a campanha de livre-mercado hoje em moda no Planalto.

O embaixador do Brasil em Washington, Antônio Patriota, considera a questão levantada por Hakim um “falso problema”, já que a viagem, desde o convite, no primeiro contato telefônico entre os dois presidentes, à definição da data – que se ajustou à agenda de Obama – tinha uma característica diferente da visita de Estado, onde, aí sim, sem nenhuma distorção no protocolo, caberiam encontros de Lula com líderes no Congresso americano. “Essa crítica está fora de foco; e o Brasil não pode ser visto apenas pela perspectiva interamericana”, reage Patriota.

De fato, o Brasil, para os EUA tem uma dimensão hemisférica e outra mundial. A tradição é dar ênfase à relação dos EUA com o Brasil no plano do chamado Hemisfério Ocidental. Nesse plano, o encontro deu sinais importantes. Primeiro deles: como definiu a revista “Time”, na edição desta semana, Lula firmou-se como a “melhor aposta” para aproximar o governo Obama da esquerda que governa boa parte dos países do continente. Lula teve aval do venezuelano Hugo Chávez para levar sinais de paz à Casa Branca. Mais discreto, o boliviano Evo Morales indicou a Lula que gostaria de encontrar-se com Obama às margens da reunião da Cúpula das Américas, em abril, onde o Brasil será ator de destaque.

Também notável foi o anúncio feito por Lula de que o Brasil promoverá a formação de uma instituição sul-americana para cuidar, sem participação dos EUA, do combate a drogas no continente. Tarefa inadiável e complicada. Na Bolívia, por exemplo, a receita com o gás natural tende a cair, deixando sem muitas opções de renda a economia do país. Vale lembrar que o presidente da República, lá, fez questão de manter, depois de eleito, o posto de presidente do sindicato de cultivadores de coca.

Como nota o embaixador brasileiro nos EUA, porém, a dimensão do Brasil se expandiu para além do continente, e também nesse aspecto é um avanço importante a abertura de um canal direto com o governo Obama, para discutir as soluções em discussão para a crise econômica global. É difícil imaginar que o secretário do Tesouro, Thomas Geithner, vá consultar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para decidir os próximos passos a tomar na crise; mas a criação de um regime de contatos regulares entre as duas equipes econômicas tem o potencial de aumentar em muito a qualidade do processo decisório e a esfera de ação das autoridades brasileiras.

Resta das acusações de antiamericanismo contra o governo brasileiro a constatação de que, desde os anúncios de parceria estratégica, ainda no governo Bush, pouco andaram os grupos de trabalho criados ou o comemorado Fórum de Altos Executivos Brasil-EUA; e os interesses estritamente bilaterais perderam espaço na agenda em Brasília.

Baseada em evidências como a delicada economia do México, maior parceiro americano no continente, e a recusa americana em aprovar até hoje acordos de livre comércio já assinados com parceiros fiéis como a Colômbia, há uma convicção no governo brasileiro de que as diferenças essenciais de interesse entre os dois países recomendam certo descolamento da agenda americana. Se os mecanismos de parceria criados com o governo dos EUA forem postos em funcionamento desta vez, o governo poderá argumentar mais facilmente que suas ações não são guiadas por preconceitos ideológicos, mas por frio e saudável pragmatismo.

Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras

E-mail sergio.leo@valor.com.br

11/03/2009 - 11:28h Presidente discute PIB com Palocci

http://www.kaneoya.com.br/wordpress/images/lula_palocci.jpg

Lula ficou surpreso com o fraco desempenho da construção civil

Beatriz Abreu e Tânia Monteiro, BRASÍLIA – O Estado SP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se limitou a consultar a equipe econômica para tratar dos efeitos da brutal queda do Produto Interno Bruto (PIB). Ontem, depois de ter se reunido com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, por mais de uma hora, o presidente Lula ainda se encontrou com o ex-ministro da Fazenda e hoje deputado Antonio Palocci (PT-SP), para uma longa conversa. Na pauta, além do PIB, constavam discussões sobre outros indicadores da economia, que preocupam o presidente da República.

Afastado do governo desde março de 2006, Palocci está voltando aos poucos à cena política e tem frequentado o Palácio do Planalto, onde no passado já teve uma sala para despachos diários. Lula gosta de ouvi-lo. Palocci é o candidato preferido de Lula para disputar o governo de São Paulo, em 2010, caso seja absolvido do processo que enfrenta no Supremo Tribunal Federal, em que é acusado de violar o sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos.

ESPANTO

Lula foi informado ontem, bem cedo, pelo ministro Paulo Bernardo (Planejamento), da queda do PIB. Para o presidente, os números “foram um pouco piores do que imaginava”, embora já esperasse a queda. Lula reagiu com mais espanto diante dos números da construção civil. “Foi só isso?”, perguntou, lembrando em seguida que “os investimentos na construção civil não pararam”.

No balanço geral, o governo considerou que a queda de 3,6% do PIB é um “dado muito ruim, mas não desesperador”, disse uma fonte à Agência Estado.

A estratégia de comunicação para avaliar o comportamento da economia no fim de 2008, manda considerar que esses dados “estão no retrovisor”, ou seja, espelham uma situação do passado. “A situação já mudou com as medidas adotadas nos últimos meses”, dizem os assessores presidenciais.

O foco das mensagens oficiais agora será que, no ano passado, a economia cresceu 5,1%, um resultado bem acima do experimentado por diversos países. Somente a China superou o Brasil e cresceu cerca de 9%.

O Planalto não estimula o anúncio de novas projeções para este ano, mas não desautoriza iniciativas como a do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, que revelou estimativas de um crescimento entre 2% e 2,5%.

06/03/2009 - 09:30h Presidente a empresários: “Não me peçam para fazer com que os trabalhadores paguem a crise arrochando os salários”

 

Lula descarta contingenciar verbas e quer aumentar gastos contra a crise

Ribamar Oliveira, BRASÍLIA – O Estado SP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a crise não será vencida com o contingenciamento das verbas orçamentárias, com o corte de gastos ou de salários, mas com ousadia, com investimentos e com disponibilidade de crédito.

“Nós não teremos medo de dizer em alto e bom som: tudo o que tem que acontecer nessa crise, não é o presidente da República se trancar em seu gabinete, os ministros resolverem fazer contingenciamento cada vez maior, cada vez gastar menos, cortar salários, em nome de que a gente vai vencer a crise. Não”, afirmou Lula, durante discurso na abertura de um seminário realizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). “Nós iremos vencê-la diferentemente de outras crises. Essa é com investimentos, é com ousadia, é com coragem, é disponibilizando crédito”, acrescentou.

Lula chegou a dizer aos participantes do seminário – empresários, em sua maioria – que não lhe pedissem “para fazer com que os trabalhadores paguem a crise outra vez, arrochando os salários”.

O presidente afirmou que “agora é a hora da gente aproveitar essa crise para fazer o que nós não tivemos coragem de fazer nos últimos 20 anos”. Lula não chegou a explicitar que coisas seriam essas, mas insinuou que elas envolvem gastos públicos. “Nós não temos problemas de déficit público, pois o País está totalmente equilibrado”, afirmou.

As palavras de Lula mostram que a área econômica está seguindo orientação do presidente quando estuda reduzir o superávit primário de 3,8% para até 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme o Estado antecipou na quarta-feira.

Como a crise derrubou a receita tributária, a área econômica acredita que somente com a redução do superávit primário o governo poderá manter os investimentos públicos e pagar as despesas decorrentes do aumento de 12% do salário mínimo e dos reajustes ao funcionalismo concedidos no ano passado.

Em seu discurso no seminário , o ministro Guido Mantega (Fazenda) foi contraditório quando tratou da questão fiscal. Inicialmente, o ministro disse que “se enganam aqueles que acham que iremos enfraquecer a política fiscal”. Segundo ele, o governo vai cortar gastos correntes para poder compensar a queda nas receitas derivada da crise econômica. Depois, disse que com o acúmulo de solidez fiscal nos últimos anos, o Brasil pode adotar uma política fiscal anticíclica.

Lula voltou ontem a defender a estatização dos bancos pelos países ricos , como forma de resolver a crise financeira e restabelecer o crédito internacional. Lula criticou ainda a volta do protecionismo comercial em vários países. “Não podemos passar do vale-tudo financeiro, que jogou o planeta na situação atual, para um vale-tudo protecionista, que certamente nos jogaria numa crise ainda pior do que aquela que resultou na Segunda Guerra”, disse.

COLABOROU FABIO GRANER

27/02/2009 - 12:36h Mantega rebate previsão de retração no país

PIB

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DA SUCURSAL DE BRASÍLIA FOLHA SP

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, rebateu previsão negativa da consultoria inglesa “Economist Intelligence Unit”, ligada à revista “The Economist”, de que o PIB do Brasil recuará 0,5% neste ano.
O ministro ressaltou que acredita em crescimento da economia brasileira em 2009. Mas admitiu que, para atingir a meta de 4%, o país depende da melhora na economia dos EUA e da resolução de “problemas que eles criaram e que até agora não foram solucionados”.
Mantega citou o varejo como exemplo de setor que não sofreu consequências da crise -cresceu 9,1% em 2008, mesmo caindo 2,3% no último trimestre do ano.

20/02/2009 - 09:30h Governo acredita no descolamento do Brasil

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Claudia Safatle – VALOR

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que ao longo da semana propagou os primeiros sinais de recuperação da economia brasileira, acredita que, embora os efeitos perversos da crise financeira mundial sobre o país continuem, “para o Brasil, o pior já passou. Para o resto do mundo, não”. Isso o leva a crer, também, que o país, por todos os bons fundamentos macroeconômicos, está num processo de “descolamento” dos demais países emergentes. O prêmio de risco, diz, é o atestado disso: “É o mercado dizendo que nosso país é menos arriscado que a maioria dos emergentes”, ressalta, com a tabela do EMBI do JP Morgan em mãos, durante conversa com o Valor.

O pior momento da crise que começou em setembro foi o último trimestre de 2008, diz. “Sofremos um impacto forte com o choque de crédito, a queda das exportações, o medo, a insegurança em relação aos impactos da crise.”

A cautela e o bom senso, porém, não recomendam comemorações, até porque não há garantia de que as surpresas vindas do resto do mundo acabaram. “Estamos num período de muita volatilidade. Em dezembro era um cenário, em janeiro, outro. Agora, temos indicadores antecedentes de que a produção industrial melhorou”, pondera. Dezembro e janeiro foram, na verdade, dois meses terríveis, temperados por um agudo ajuste de estoques na economia mundial e na economia doméstica. O Japão teve queda de 20% na produção industrial em dezembro, comparada a dezembro de 2007. Nos Estados Unidos, a queda foi de 8% e, em janeiro, o governo brasileiro ficou assustado, pois a brutal retração das economias desenvolvidas provocou queda de 22,8% nas exportações do país. Em relação a dias de verdadeiro pânico, de fato, hoje a situação é de certo alívio, apesar do mau humor no mercado externo.

Os primeiros dados da indústria automobilística que chegaram ao governo este ano – setor que estava puxando o crescimento e, no pós-setembro, passou a liderar a retração – apontam para uma boa recuperação das vendas e o mercado já começa a se ressentir da falta de alguns modelos. “Estão faltando o Honda Fit, o Ford Ka”, cita Mantega, que atribui a reação da demanda às medidas tomadas pelo governo no fim do ano passado, como a redução do IPI sobre os automóveis, à injeção de recursos dos compulsórios dos bancos nas empresas que financiam a compra de veículos e à redução do IOF para crédito pessoal. “A produção, que caiu para 4 mil veículos/dia, hoje voltou para 9 mil a 10 mil veículos/dia”, anima-se.

Foi esse o quadro que ele traçou nas duas reuniões desta semana com o presidente Lula – da coordenação política e do Conselho Político, com as lideranças dos partidos da base aliada. Nem de longe isso significa que a crise tenha acabado. “Jamais diria que a crise acabou. Sempre fui realista”, reage o ministro.

“Estamos assistindo a um cenário com os Estados Unidos e a Europa aprofundando suas recessões. No mercado interbancário as coisas estão melhorando um pouco, mas está muito aquém do desejado. Nos emergentes, houve alguma recuperação na China, e há sinais positivos no ar. O pacote fiscal aprovado pelo Congresso americano é um avanço, mas o problema financeiro não foi equacionado. Persistem dúvidas sobre que saída será dada à economia americana”, enumera, para mostrar que o panorama externo ainda é muito incerto.

A economia brasileira, contudo, vai ter desempenho positivo do PIB, assegura Mantega. Ele prefere não arriscar uma previsão mais realista. “Mantenho o crescimento de 4% este ano como objetivo a ser perseguido. Não necessariamente como resultado. Estamos num período de muita volatilidade”, reitera.

Não é só a indústria automobilística que está reagindo, segundo o ministro. Ele conta que sexta-feira passada, dia 13, “estava numa mesa com vários empresários e o Abílio Diniz (do Grupo Pão de Açucar) disse que suas vendas aumentaram 8% em janeiro e continuam crescendo em fevereiro. A Nestlé, do outro lado, está indo no mesmo sentido. A Unilever também. O comércio varejista caiu muito pouco.”

A receita tributária de janeiro teve queda real de cerca de 6%. O ministro assinala que “a arrecadação vai crescer menos que em 2008, porque a economia vai crescer menos e os lucro das empresas também. Por isso anunciamos o corte de R$ 37 bilhões no Orçamento deste ano”. Ele avisa, no entanto, que a comparação dos dados fiscais de janeiro de 2009 com o de 2008 não é uma boa medida porque, em 2008, ainda houve cobrança da CPMF e impacto positivo dos lançamentos de ações (IPO). Com isso, a arrecadação superou em R$ 5 bilhões a previsão daquele mês.

“Não estamos preocupados. Nossa arrecadação vai crescer menos, mas, ainda assim, crescerá muito mais do que a da França ou a dos Estados Unidos. Vamos ficar melhor que muitos países do ponto de vista fiscal. Só não digo melhor que a China, mas vamos ficar melhor que Rússia e Índia.”

Para a atividade econômica como um todo, Mantega espera “o primeiro semestre mais fraco e o segundo, mais forte”. Dadas as enormes incertezas que ainda cercam a economia mundial e, consequentemente, a nacional, Mantega apenas diz: “Não vejo taxas negativas (para o PIB que caracterize uma recessão), mas não posso afirmar nada.”

Claudia Safatle é diretora adjunta de redação e escreve às sextas-feiras

E-mail claudia.safatle@valor.com.br

26/01/2009 - 16:37h Veja as medidas já anunciadas no Brasil para combater os efeitos da crise

da Folha Online

O governo já anunciou uma série de medidas nas últimas semanas para evitar uma piora no sistema financeiro.

Veja as principais medidas:

19 de setembro

Quatro dias após a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, o crédito internacional seca e o dólar dispara no Brasil. O Banco Central anuncia um leilão de US$ 500 milhões com compromisso de recompra da moeda após 30 dias. Nessa operação o BC “empresta” os dólares às instituições financeiras durante esse período. Os recursos servem para que os bancos possam financiar as exportações brasileiras.

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24 de setembro

A crise internacional de confiança nos bancos e a falta de crédito externo afetam os bancos pequenos e médios no Brasil. O BC anuncia então mudanças no recolhimento de depósitos compulsórios, que beneficia bancos menores e instituições que trabalham com leasing. Com isso, o BC garante a injeção de R$ 13 bilhões no mercado.

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1º de outubro

O Banco do Brasil antecipa R$ 5 bilhões em crédito para o setor agrícola para suprir a falta de recursos causada pela crise financeira.

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2 de outubro

O BC anuncia a redução do compulsório para os bancos grandes que comprarem parte das carteiras de crédito dos bancos pequenos. A avaliação do governo é que os grandes bancos estão preferindo segurar os recursos a emprestar para essas instituições. A estimativa do BC é que a mudança injete R$ 23,5 bilhões na economia, além de ajudar as instituições menores.

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6 de outubro

Governo anuncia a criação de uma linha internacional de crédito para ajudar os exportadores, com o dinheiro das reservas internacionais do BC. O governo também reforça a linha de financiamento para exportações pré-embarque do BNDES, com mais R$ 5 bilhões.

No final do dia, o presidente Lula edita uma medida provisória que dá mais poderes ao BC para atuar durante a crise. Entre elas, está a autorização para o BC comprar carteiras de crédito de bancos em dificuldades no Brasil.

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8 de outubro

O dólar chega a R$ 2,48 pela manhã e obriga o BC a queimar parte das reservas internacionais para acalmar o mercado. Pela primeira vez, desde o dia 13 de fevereiro de 2003, o BC realiza um leilão em que vende parte dos US$ 208 bilhões que tem em caixa.

Nos leilões anteriores, o BC vendia a moeda com um compromisso de recompra. Na prática, isso funcionava como um empréstimo e não afetava as reservas. Foram realizados três leilões. Os valores não foram divulgados.

No fim do dia, o BC anuncia mais duas mudanças nas regras do recolhimento sobre depósitos compulsórios e coloca mais R$ 23,2 bilhões na economia.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, convoca uma reunião do G20 financeiro, presidido atualmente pelo Brasil,na sede do FMI (Fundo Monetário Internacional), nos Estados Unidos.

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9 de outubro

CMN (Conselho Monetário Nacional) regulamenta as regras para que o BC possa socorrer os bancos que precisem de crédito em dólares ou reais. A regulamentação dá ao BC poderes para interferir na administração dos bancos que venderem suas carteiras de crédito à instituição em busca de recursos.

No fim do dia, o presidente Lula se reúne com o ministro da Fazenda e o presidente do BC, que embarcam para os EUA com a missão de defender uma regulamentação mais rígida dos mercados financeiros no encontro do FMI.

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13 de outubro

O BC informa mais mudanças no compulsório, que significam a liberação na economia de R$ 47,1 bilhões dos R$ 100 bilhões que foram prometidos pela manhã.

No compulsório sobre exigibilidade adicional (que inclui depósitos a vista, prazo e poupança), o limite de dedução aumentou de R$ 300 milhões para R$ 1 bilhão. O limite de dedução do compulsório sobre depósitos a prazo passou de R$ 700 milhões para R$ 2 bilhões, com impacto de R$ 13,1 bilhões a partir de 17 de outubro.

Os bancos também terão direito a fazer um abatimento em relação ao compulsório recolhido sobre operações de leasing. Em relação ao desconto no compulsório sobre depósitos a prazo para quem comprar carteiras de crédito de outros bancos, muda o patrimônio de referência do banco vendedor, que sobe de R$ 2,5 bilhões para R$ 7 bilhões. O percentual de desconto para quem comprou sobe de 40% para 70%.

Segundo o BC, além de vender a carteira de crédito, os bancos menores poderão vender também outros ativos, principalmente aqueles ligados a fundos de investimentos desses bancos.

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16 de outubro

O Banco Central anunciou mais uma mudança nas regras dos depósitos compulsórios. Agora, o BC ampliou as possibilidades para que esses bancos possam elevar o dinheiro que têm em caixa com a venda de ativos para bancos maiores.

Além de vender a sua carteira de crédito e títulos dos seus fundos de investimentos, os bancos menores poderão vender outros ativos: 1) títulos e valores mobiliários de renda fixa, adiantamentos e outros créditos de pessoas físicas e jurídicas não-financeiras; 2) depósito interfinanceiro com garantia de ativos elencados no item 1 ou de operações de crédito.

Além disso, o CMN autorizou o Banco Central a determinar que, nas operações de empréstimos em moeda estrangeira, os recursos sejam direcionados para operações de comércio exterior. O BC também fica autorizado a receber debêntures emitidas por empresas não financeiras nas operações de redesconto.

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22 de outubro

O presidente Lula assinou MP (medida provisória) que autoriza os bancos públicos brasileiros, a Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, a adquirirem participações em instituições financeiras no pais sem passar por um processo de licitação. A MP é ampla (leia íntegra), composta de sete artigos, e inclui todo tipo de instituição financeira: seguradoras, instituições previdenciárias, empresas de capitalização, etc.

À noite, Lula assinou outro decreto que zera a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para a aplicação no mercado de capitais e operação de empréstimos e financiamentos externos. Com a decisão, o capital que entra no país tem maior rentabilidade, ou seja, trazer dólares para o Brasil fica mais atraente ao investidor.

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27 de outubro

O Banco Central anuncia mais uma mudança nas regras dos depósitos compulsórios recolhidos pelos bancos brasileiros. A medida pode injetar mais R$ 6 bilhões na economia.

Com a mudança, os bancos que anteciparem suas contribuições ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) no valor de 60 meses terão um desconto no recolhimento do compulsório sobre depósitos à vista. O valor mensal do desconto será o equivalente à contribuição de um mês ao FGC. Os bancos usarão como base o valor recolhido em 1º de outubro, referente ao mês de agosto deste ano.

Hoje, os bancos são obrigados a recolher 42% dos depósitos à vista (dinheiro da conta corrente) feitos pelos seus clientes e depositar o dinheiro em espécie no BC. Esse dinheiro fica parado, sem remuneração, e equivale hoje a cerca de 20% de todo o compulsório recolhido pelo BC.

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29 de outubro

O Banco Central do Brasil e o Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos) anunciaram o estabelecimento de uma linha de “swap” (troca) de dólares americanos por reais no valor de US$ 30 bilhões.

Segundo o BC, essa linha será utilizada para incrementar os fundos disponíveis para as operações em dólares feitas pelo BC no Brasil. Isso inclui os leilões de dólares realizados por aqui. A linha é válida até 30 de abril de 2009.

Já a Caixa Econômica Federal confirmou hoje que irá disponibilizar uma linha de crédito de capital de giro de R$ 3 bilhões para empresas de construção civil. Além disso, o governo vai permitir outros bancos direcionem mais recursos da poupança para essas empresas. O governo vai criar um fundo com base nos dividendos que seriam pagos pela Caixa à União até 2010. O fundo terá de R$ 1,050 bilhão, ou seja, vai garantir 35% das operações.

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30 de outubro

BC anuncia regra para forçar os bancos a liberar o crédito obtido com o alívio no compulsório. Hoje, o dinheiro do compulsório sobre depósitos a prazo é recolhido na forma de títulos públicos. Ou seja, o banco recebe uma remuneração igual a do título. Agora, os bancos irão recolher apenas 30% em títulos. Os outros 70% serão recolhidos em espécie, ou seja, vão ficar parados no BC sem remuneração. Para não sofrer essa “punição”, os grandes bancos terão de comprar carteiras de crédito e outros papéis de bancos menores que estejam com problemas de liquidez (falta de dinheiro).

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4 de novembro

Banco Central altera regras para os leilões de empréstimos de dólares destinados a financiar o comércio exterior. Até agora, o BC só havia realizado em leilão desse tipo, no valor de US$ 1,6 bilhão. Pela nova regra, os bancos poderão participar desses leilões de dólares sem apresentar garantias em títulos, como era exigido até hoje. Será feita apenas uma operação de empréstimo de dólares das reservas internacionais por 30 dias. Nessas operações, ao invés de títulos, os bancos dão como garantia o valor dos dólares em reais.

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5 de novembro

O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) anuncia criação de uma linha de crédito de R$ 1 bilhão para financiamento dos produtores rurais. O dinheiro será usado para financiar as CPRs (Cédulas do Produtor Rural). A operação da linha será feita pelo Banco do Brasil.

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6 de novembro

O ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou, durante reunião do chamado Conselhão (o CDES, Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), uma série de novas medidas que, juntas, disponibilizam R$ 19 bilhões em linhas de crédito para diversos setores via BNDES (banco estatal de investimento) e Banco do Brasil.

O anúncio com valor mais alto refere-se ao BNDES, que terá mais R$ 10 bilhões para financiar o capital de giro de empresas e para empréstimos em linhas de exportação pré-embarque –ou seja, os valores serão usados para permitir as vendas externas.

Outros R$ 5 bilhões, provenientes do BB (Banco do Brasil), serão usados para abrir uma linha de crédito para capital de giro de pequenas e médias empresas.

Como já era esperado, Mantega confirmou R$ 4 bilhões, também do BB, para ajudar os bancos de montadoras a elevar o crédito aos consumidores.

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11 de novembro

O governo de São Paulo lançou uma linha de crédito de R$ 4 bilhões, por intermédio do banco Nossa Caixa, para os bancos e financeiras ligadas às montadoras de veículos em todo o país, que sofrem com a escassez de crédito.

À tarde, a Caixa Econômica Federal divulgou a ampliação do limite de financiamento para compra de material de construção de R$ 7.000 para R$ 25 mil.

À noite, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, anunciou conjunto de medidas de alívio tributário e de aumento do crédito para o setor produtivo para ajudar as pequenas e médias empresas.

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12 de novembro

A Caixa Econômica Federal libera R$ 2 bilhões para financiar bens de consumo diretamente no varejo e estimular a economia brasileira. Segundo informou a instituição nesta quarta-feira, a medida abrange a compra de eletrodomésticos, eletrônico, móveis, TV e vídeo, além de material de construção.

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13 de novembro

BC anuncia nova mudança no compulsório, alterando a forma de recolhimento de cerca de R$ 40 bilhões, o que representa quase 20% de todo o depósito compulsório depositado hoje pelos bancos. O compulsório adicional sobre depósitos à vista, a prazo e poupança (chamado pelo BC de “exigibilidade adicional”), que hoje é recolhido em espécie, passará a ser recolhido em títulos públicos a partir de 1º de dezembro.

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16 de novembro

O governo publica medida provisória que altera as datas de pagamento de tributos federais como o IR (Imposto de Renda) recolhido na fonte, a contribuição previdenciária, do PIS/Cofins e o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

O pagamento do IR e da contribuição para a Previdência passam a ser pagos não mais no dia 10, mas no dia 20 do mês seguinte ao fato gerador. O pagamento do IPI será adiado do dia 15 para o dia 25 de cada mês. O PIS/Cofins terá uma ampliação menor de prazo, do dia 20 para 25.

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21 de novembro

O governo publica o decreto que reduz o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) cobrado nos financiamentos para a compra de motos por pessoas físicas. A alíquota agora vai passar de 3,38% para 0,38%. Poderão ser financiadas com imposto mais baixo motocicletas, motonetas e ciclonetas.

No início do ano, o governo elevou o IOF de 1,5% para 3,38% para recompor a perda da CPMF, cuja alíquota era de 0,38% sobre qualquer movimentação financeira.

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25 de novembro

O Banco Central anuncia novas mudanças nos depósitos compulsórios para destinar mais R$ 6,2 bilhões ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Esse dinheiro faz parte dos R$ 10 bilhões extras anunciados pelo governo no início do mês. O restante já chegou ao BNDES por meio da Caixa Econômica Federal, que irá emprestar o dinheiro para reforçar o capital de giro das empresas nesse momento de crise.

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1º de dezembro

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anuncia a criação de uma nova linha de capital de giro de empresas brasileiras, de até R$ 6 bilhões. A nova linha visa recuperar a concessão de crédito para as empresas, que segundo o BC (Banco Central) começou a se recuperar, ainda que em patamares tímidos. O prazo da linha vai até 30 de junho de 2009.

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11 de dezembro

O CMN (Conselho Monetário Nacional) anuncia que vai ampliar as alternativas de aplicação das reservas internacionais do Brasil. O Banco Central ficará autorizado a disponibilizar parte desse dinheiro, por meio dos bancos, para as empresas brasileiras que precisem rolar financiamentos feitos no exterior. O governo estima gastar mais de US$ 10 bilhões das reservas, que hoje estão acima de US$ 200 bilhões.

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11 de dezembro

Governo federal anuncia medidas para reduzir impostos e aliviar os efeitos da crise econômica que pretendem injetar R$ 8,4 bilhões na economia. Entre as principais mudanças anunciadas estão a nova tabela do Imposto de Renda, a redução do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para o consumo e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para as montadoras.

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12 de dezembro

O governador de São Paulo, José Serra, anunciou um pacote de medidas fiscais e financeiras para ajudar na redução dos impactos da crise financeira global. Entre as medidas tomadas pelo governo paulista estão uma linha de crédito de R$ 1,2 bilhão para empresas de autopeças e máquinas e mudanças nos regulamentos do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e da Nota Fiscal Paulista.

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16 de dezembro

Os bancos pequenos terão R$ 5,4 bilhões a mais para utilizarem em operações de crédito para pessoas físicas e jurídicas. O CMN (Conselho Monetário Nacional) aprovou hoje a liberação de recursos do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para essas instituições.

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17 de dezembro

Banco Central divulga que balanço da liberação de depósitos compulsórios, que soma R$ 98 bilhões. O compulsório é o dinheiro dos clientes que os bancos são obrigados a deixar depositados no BC.

BC também divulga que já fez atuações no mercado de câmbio no valor de US$ 53,4 bilhões entre os dias 19 de setembro e 16 de dezembro para segurar a disparada do dólar.

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22 de janeiro de 2009

Governo anunciou recursos adicionais para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no valor de R$ 100 bilhões para os anos de 2009 e 2010. Esse dinheiro virá por meio do caixa do governo e das captações feitas no exterior pelo Tesouro Nacional.

O dinheiro ficará disponível para o banco, que irá sacar conforme necessário. Serão priorizados investimentos na área de gás e energia, bens de capital e infraestrutura, entre outros setores. Também vão garantir os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e da Petrobras.

23/01/2009 - 10:31h Governo “turbina” BNDES e diz que irá fiscalizar demissões. Projetos terão de manter empregos, afirma Mantega


Injeção recorde de recursos dará ao banco mais R$ 100 bi neste ano; no total, BNDES terá R$ 166 bi para empréstimos às empresas

De acordo com o ministro Mantega, não poderá haver demissão de funcionários nos projetos beneficiados com recursos da instituição

Alan Marques/Folha Imagem

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante entrevista ontem, em Brasília

JULIANA ROCHA – FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O governo liberou ontem mais R$ 100 bilhões para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) financiar empresas neste ano, ao mesmo tempo que determinou que não poderá haver demissão de funcionários nos projetos beneficiados com recursos da instituição. Esta foi a maior injeção de recursos já feita no banco de desenvolvimento. O valor equivale a 10% da dívida do setor público.
“Estamos determinando que o BNDES explicite qual é a geração de emprego de cada um desses projetos. Cada projeto que será financiado com esse dinheiro vai explicitar quantos empregos a mais estão sendo criados. Portanto, há nossa preocupação explícita com a manutenção ou a elevação do nível de emprego”, afirmou.
Com os novos recursos, que virão do Tesouro Nacional, a capacidade do banco de emprestar para as empresas passou para R$ 166 bilhões, 82,4% a mais do disponível em 2008. No ano passado, quando o desembolso bateu recorde, foram liberados R$ 91 bilhões.
“A medida vai garantir todo o crédito necessário para investimentos no país em 2009″, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. No ano passado, o Tesouro já havia repassado R$ 27,5 bilhões ao BNDES.
Ele ressaltou que, com este novo orçamento, o BNDES poderá atender também às empresas que ainda não fizeram pedidos de crédito no banco. Ele citou o exemplo de companhias que planejavam captar dinheiro no exterior e, por causa do fechamento do mercado de crédito internacional, suspenderam os projetos.

Petrobras
Mantega afirma que a crise não vai inibir os planos de investimentos dos empresários. Mesmo com a redução da demanda no país, ele acredita que os projetos estão mantidos. “Não há desistências significativas de projetos no BNDES. As empresas estão mantendo os projetos. Haverá recursos suficientes para viabilizar esses investimentos”, disse.
Ele ressaltou que uma das prioridades do BNDES será a Petrobras, mas não informou, porém, quanto dos R$ 166 bilhões será destinado à empresa. Em 2008, o governo derrubou a medida que limitava a possibilidade de a estatal do petróleo tomar empréstimos no país, o que inclui o BNDES.
Outros setores citados por ele como foco de atenção do banco são os de energia elétrica, gás, infraestrutura e a parte privada do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Engenharia financeira
Segundo Mantega, uma parte do dinheiro virá do excedente de caixa do Tesouro -chamado no jargão técnico de superávit financeiro. A outra parte virá de uma emissão de títulos públicos no exterior.
O ministro afirmou que o repasse para o BNDES será considerado nas contas do governo como empréstimo. Portanto, não haverá impacto na dívida líquida quando o Tesouro emitir títulos no exterior. Na dívida bruta, no entanto, esse valor estará contabilizado. O uso do superávit financeiro reduz, também, a capacidade do governo de abater sua dívida.
Ele disse, ainda, que o BNDES não precisa do dinheiro de uma vez só, já que estará pagando juros ao Tesouro.
Mesmo sem divulgar qual parcela dos recursos sairá de cada fonte, o Ministério da Fazenda definiu os juros que o BNDES terá que pagar ao Tesouro pelo “empréstimo”. Será cobrada uma taxa de 8,75% sobre 70% dos recursos. Sobre os outros 30% dos recursos serão cobrados a mesma taxa de captação internacional do Tesouro. Na última emissão de títulos, o Tesouro vendeu papéis com juros de 6,19% ao ano.
A Folha apurou que o governo vai aceitar como garantia participações na BNDESPar- o braço de investimentos do banco, que tem ações, por exemplo, da Vale. 

 

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Projetos terão de manter empregos, afirma Mantega

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA – FOLHA SP

O ministro Guido Mantega (Fazenda) determinou, ontem, que os desembolsos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) estejam condicionados à manutenção do emprego nos projetos beneficiados pelo banco público. Ele admitiu que essa condição já existe nos contratos do banco, mas a partir de agora será fiscalizada.
Reportagem da Folha de ontem mostrou que setores beneficiados com recursos do BNDES em 2008 estiveram entre os que mais demitiram em novembro e dezembro, quando foram fechadas 654 mil vagas no mercado formal. O setor de alimentos e bebidas, recordista de demissões, foi o que mais tomou crédito -R$ 8,6 bilhões.
O governo ainda não sabe o que fazer caso a empresa decida demitir. Mantega reconheceu que ainda não foi decidido quais serão as punições para as empresas. Ele disse, também, que o governo não poderá exigir que a empresa mantenha os trabalhadores em outras áreas em que o dinheiro do BNDES não tenha sido usado.
“Não adianta colocar medida coercitiva. Dizer que quem desempregar vai ser expulso do paraíso, colocado no inferno. Mas esse recurso para investimento do BNDES é condicionado, sim, à geração de emprego. Isso é fácil de fiscalizar.”
Mantega questionou a reportagem da Folha sobre as demissões e o desembolso do BNDES. Ele disse que é preciso ver se as empresas que desempregaram são as mesmas que tomaram empréstimos do banco. O desembolso de recursos por empresa, no entanto, é protegido por sigilo bancário.

“Empresas exageraram”
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) também declarou que o alvo das punições são apenas os projetos beneficiados com recursos públicos. “Não posso impedir o direito da empresa de demitir”, disse, acrescentando que algumas empresas “exageraram na dose” de demissões em dezembro e precisarão recontratar em março, para quando ele espera o reaquecimento do mercado de trabalho.
“Alguns setores se aproveitaram da crise para sair demitindo e aumentar suas margens de lucro”, criticou. Lupi voltou a afirmar que empresas beneficiadas com recursos públicos precisam ter contrapartidas de geração de emprego.
Ontem foi editada portaria nomeando os representantes do governo, trabalhadores e empresas que participarão do grupo para monitorar a aplicação dos recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e o cumprimento de objetivos sociais.
Segundo Lupi, o grupo trabalhará cruzando os dados de concessão de crédito com os de demissões, fornecidos pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
O ministro destacou que duas resoluções do Codefat (Conselho Deliberativo do FAT) já exigem a geração imediata de emprego e renda por conta da aplicação dos recursos do fundo em projetos do setor privado. Entre as penalidades previstas, de acordo com ele, estão o aumento da taxa de juros cobrada e a antecipação do pagamento da dívida.
Em breve, disse Lupi, sua pasta deverá anunciar um conjunto de medidas para formulação de políticas públicas de emprego. Questionado se entre elas estará a ampliação do seguro-desemprego, respondeu que sim, sem dar detalhes. JULIANNA SOFIA E JULIANA ROCHA).

 

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Empresariado critica barreiras para não demitir

PAULO DE ARAUJO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
DENYSE GODOY
DA REPORTAGEM LOCAL

A classe empresarial rebateu com duras críticas a proposta do governo de vincular os empréstimos do BNDES à garantia de manutenção de empregos nas empresas. Para o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, o BNDES “não faz nenhum favor” quando empresta. “O banco cobra juros, e a taxas muito altas se compararmos com outros países”, disse ele. Skaf, no entanto, evitou entrar em detalhes sobre a determinação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de condicionar os desembolsos do banco de fomento à manutenção de postos de trabalho. “O fato é que ninguém recebe dinheiro [do BNDES] de graça. E, quando o empresário executa um projeto financiado pelo banco, ele naturalmente está investindo e gerando empregos”, disse o presidente da Fiesp. De acordo com ele, os juros cobrados pelo BNDES, embora mais baixos em relação ao praticado internamente, são altos na comparação com outros países. “Há países em que os juros para financiar investimentos são negativos”, disse.
O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE), chamou de “exercício demagógico” a ideia de vincular o crédito do BNDES à manutenção dos empregos nas empresas.
“Não é realista dizer “eu lhe forneço dinheiro e você assume tal compromisso [não demitir]. A demissão é um último recurso. Tudo o que violenta a lógica do mercado acaba sendo artificial”, disse Monteiro. “O que segura o emprego é o crescimento econômico.”
O presidente da CNI afirmou ainda que o desemprego na indústria ainda deve aumentar no primeiro trimestre deste ano, mas a situação deve começar a se equilibrar a partir do segundo trimestre.
“Ainda teremos um agravamento. Mas acho que no segundo trimestre a queda do emprego vai estancar”, disse o presidente da CNI, após participar de reunião na Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) ontem.
De acordo com o presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), Aguinaldo Diniz Filho, metade dos empréstimos recebidos pelo setor em 2008 veio do BNDES. A indústria tomou R$ 1,2 bilhão no banco no ano passado e foi a segunda colocada na lista dos setores que mais demitiram no final do ano, com um total de 29 mil vagas formais extintas. “O que gera empregos é o mercado, é a demanda. O que acontece se a demanda for para baixo e essa crise levar a uma situação pior?”, questionou.

Sindicato Saudando a medida do governo como uma “boa notícia”, Artur Henrique, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), disse que os sindicatos também se encarregarão de fiscalizar o uso de financiamento do governo pelas empresas. Comparando as informações sobre liberação de crédito com os números de dispensas, pretendem pressionar as companhias e avisar o governo quanto a eventual inobservância das regras.


Colaborou ANDRÉ ZAHAR , da Sucursal do Rio

17/01/2009 - 12:18h Caixa prepara nova redução de juros

Plano inclui corte nos spreads; área econômica do banco projeta queda de 3 pontos porcentuais da taxa Selic em 2009

Adriana Fernandes – O Estado SP

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A Caixa Econômica Federal prepara uma nova rodada de redução de taxas de juros dos empréstimos aos seus clientes. O pacote com taxas mais baratas, que será anunciado no prazo de 15 dias, vai incluir também um novo corte de spreads bancários (diferença entre o custo de captação e o custo do empréstimo) em alguns produtos oferecidos pelo banco estatal.

A medida faz parte da estratégia de política econômica do governo de estimular a concorrência e reduzir o custo do crédito para as empresas e pessoas físicas com o objetivo de estimular o crescimento econômico este ano. A redução dos juros dos bancos oficiais será complementar ao novo pacote anticrise que o governo prepara para ser anunciado ainda neste mês.

O vice-presidente de Finanças da Caixa, Márcio Percival, antecipou à Agência Estado que os estudos para o cálculo das novas taxas levam em conta cenário de taxa Selic traçado pelo área econômica do banco federal, de 10,75% ao ano no fim de dezembro de 2009.

Esse cenário está condicionado a uma queda de 3 pontos porcentuais da Selic até o fim do ano. A Selic hoje está em 13,75%. “Nós reprecificamos uma nova curva de juros”, disse Percival. “É uma decisão interna da Caixa, que está em linha com a política econômica do governo”, afirmou.

Segundo o vice-presidente, os modelos usados pelo banco para traçar os cenários indicam que há espaço para essa redução maior da Selic. A média do mercado, de acordo com a pesquisa Focus realizado pelo Banco Central com instituições financeiras, é de uma queda menor até dezembro, para 11,75%.

O executivo da Caixa destacou que o IGP-10 de janeiro apresentou deflação e os indicadores mostram queda da inflação, com desaceleração do ritmo da atividade econômica. “Os contratos de DI futuro (juros futuros) derreteram a um nível menor do que em dezembro de 2007″, disse Percival.

Em dezembro, com a diminuição da volatilidade do mercado financeiro, a Caixa já tinha feita uma rodada de queda dos juros, alongamento dos prazos e dos spreads, seguindo a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que os bancos públicos devem baratear o crédito. A estratégia do governo é usar os bancos oficiais, que respondem por quase 40% do crédito no País, para puxar para baixo as taxas e influenciar as instituições privadas a fazerem o mesmo, diminuindo o custo do dinheiro.

Segundo fontes da equipe econômica, o Banco do Brasil também deve seguir a Caixa. O Banco do Brasil recebeu orientação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para fazer uma nova rodada de baixa dos seus spreads e taxas. No fim do ano passado, o presidente Lula e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, se queixaram publicamente das taxas praticadas pelo Banco do Brasil.

Antes de sair de férias, na semana passada, Mantega se reuniu com um grupo de empresários que reclamaram que o crédito continua elevado. Procurado pela Agência Estado, o Banco do Brasil não quis comentar a informação.

17/01/2009 - 12:16h Pacote habitacional só deve fazer efeito no 2º trimestre

Para governo, economia responderá ao estímulo logo, mas não o emprego

Fabio Graner – O Estado SP

moradia1.jpgO governo espera que o pacote de medidas de estímulo ao mercado habitacional, que deve ser divulgado até o fim deste mês, comece a produzir efeitos positivos sobre a atividade econômica já a partir do segundo trimestre do ano. No entanto, a avaliação no Planalto é que, a curto prazo, as medidas não devem impedir cortes de vagas no mercado de trabalho.

“O impacto mais forte na economia será sentido no segundo semestre”, disse à Agência Estado o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, que está diretamente envolvido na discussão das medidas. “No curto prazo, as medidas não devem impedir os cortes de vagas no mercado de trabalho, mas elas poderão promover uma recuperação mais rápida do emprego no médio prazo”, acrescentou.

Evitando entrar em detalhes, Barbosa confirmou a informação, antecipada pelo Estado, de que o programa habitacional terá quatro eixos: estímulo à habitação popular (voltado para classe média baixa); habitação de interesse social (para população mais pobre, com renda mensal de até R$ 1.050); classe média alta com eventuais alterações nas regras de utilização do Fundo de Garantia do Tempo Serviço (FGTS); e estímulo à compra de materiais de construção.

O secretário também confirmou que o principal foco de ação no âmbito do plano habitacional será a desburocratização dos procedimentos para aquisição de imóveis, embora o governo esteja discutindo também medidas de incentivo ao crédito e, em menor escala, desonerações.

No grupo das reduções tributárias, os técnicos discutem corte de tributos sobre materiais de construção e também a desoneração do Regime Especial de Tributação (RET), que taxa em 7% o chamado Patrimônio de Afetação.

Esse é um mecanismo que permite a separação de uma determinada obra do patrimônio da construtora – o que dá mais segurança aos compradores, no caso de a empresa passar por dificuldades ou falir. A redução do RET, na visão do setor, poderia baratear o custo dos imóveis.

DISCUSSÕES

Barbosa disse que na próxima semana, quando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já estará de volta das férias, a equipe econômica vai finalizar os trabalhos técnicos em torno do plano habitacional.

Na semana seguinte, o resultado será levado e discutido com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que decidirá o desenho final do programa de estímulo ao setor.

Segundo o secretário, já estava no horizonte do governo estimular o setor habitacional – segmento que melhora o nível de atividade econômica e é grande gerador de emprego, sem pressionar as contas externas. O calendário, no entanto, foi antecipado por causa do agravamento da crise financeira internacional e de seu impacto na economia brasileira.

Além do segmento habitacional, o governo aposta suas fichas na maior execução das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e em medidas para os setores agrícola, automobilístico e de construção civil.

16/01/2009 - 10:17h Centrais sindicais ameaçam parar empresas que demitirem

Decisão, anunciada ontem, contou com a Força Sindical, que se afastou das negociações com a Fiesp

Paula Pacheco – O Estado SP

As centrais sindicais definiram ontem que vão reagir às demissões com uma onda de paralisações nas empresas de todo o País. Participaram da reunião, organizada pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Força Sindical, Nova Central, União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). Faltou a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que ficou de fora da discussão porque terá na segunda-feira um encontro com todas as suas centrais estaduais e maiores sindicatos.

“Não podemos ficar assistindo às demissões. O próprio governo já percebeu que a marolinha vai ser uma onda grande de demissões. Será preciso uma injeção de dinheiro para evitar esses cortes”, avaliou Wagner Gomes, presidente da CTB. Uma das surpresas do encontro foi o anúncio do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, de que só voltará a negociar com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) daqui a 10 dias. Ele era voz isolada entre as centrais ao concordar com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, sobre a redução de salários e da jornada de trabalho.

Ontem, Paulinho preferiu se unir às outras centrais, que assinaram uma proposta para começar uma negociação governamental nas esferas federal, estadual e municipal. Ontem mesmo já começaram as costuras para reuniões com os ministros Carlos Lupi, do Trabalho, Guido Mantega, da Fazenda, e com o presidente Lula.

Skaf, agora apoiado apenas por um grupo de grandes empresários e parte dos sindicatos patronais , disse não se sentir isolado com a decisão. “Achei ótima a ideia do Paulinho de adiar o encontro. Semana que vem será o momento de unirmos forças pela redução da Selic e do spread bancário.”

O presidente da CUT nacional, Artur Henrique, também é favorável às paralisações. “A orientação é para que sejam feitas paralisações e greves no caso de cortes. É a forma de resistirmos.” O líder sindical tenta uma aproximação com o governo para avaliar maneiras de manter os atuais níveis de emprego do País.

Antes da decisão das centrais, as paralisações já vinham ocorrendo. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, onde a GM desligou 802 temporários, conseguiu parar a produção por dois dias, num total de quatro horas. Ontem participaram da manifestação cerca de 5 mil trabalhadores.

Os presidentes dos três sindicatos dos metalúrgicos do ABC, que representam aproximadamente 140 mil trabalhadores, defenderam ontem a união das bases, passando por cima das divergências entre CUT e Força Sindical, para enfrentar o processo de demissões já desencadeado nas indústrias e a proposta do empresariado de redução da jornada com corte de salários. Como primeira atividade conjunta, representantes de São Bernardo estarão hoje , às 13h30, em frente à Magneti Marelli Cofap, em ato promovido pelos metalúrgicos de Santo André contra a ameaça de demissão de 150 operários.

O grupo de sindicalistas do ABC defende estabilidade de emprego de seis meses, por decreto-lei, no caso de empresas que recebem ajuda financeira pública.As demissões no ABC desde outubro até o momento, segundo os presidentes dos sindicatos, atingiram cerca de 2,2 mil operários.

Ontem, representantes do Sindicato Metabase de Itabira (MG) reuniram-se com a rede CUT Vale, que representa os sindicatos ligados à Vale, para organizar um ato em frente à sede da empresa no Rio de Janeiro, em 11 de fevereiro. A mobilização vai repudiar as demissões e as propostas de flexibilização de direitos trabalhistas. Mesmo os sindicatos que aceitaram acordos com a suspensão temporária do contrato de trabalho, como o Metabase de Corumbá (MS), apoiam a manifestação. “Negociamos suspensão por dois meses para 95 trabalhadores em troca da estabilidade, mas tivemos demissões”, disse o sindicalista Cassiano de Oliveira.

COLABORARAM PAULO JUSTUS e JOAQUIM ALESSI


Propostas para a crise

Fiesp:

- Redução da taxa básica de juros – Redução da jornada e do salário

- Desoneração da carga tributária CUT, CTB, CGTB, Nova Central e UGT:

- Empresas que receberem recurso público garantem os empregos

- Eliminação do banco de horas

- Aumento do seguro-desemprego

- Mais dinheiro do FAT para qualificação de mão de obra

- Queda da Selic e do spread bancário Força Sindical:

- Concorda com as propostas das outras centrais, mas aceita a redução dos salários

Ministério do Trabalho:

- Empréstimos com recursos do FGTS e Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) para a empresa que não demitir.

Ministério da Fazenda:

- É contra a garantia de emprego pela dificuldade de separar as demissões rotineiras da causadas pela crise

15/01/2009 - 09:54h Governo diz que não tem como impedir cortes

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Assessor de Lula afirma que não dá para obrigar empresas a contratar ou não demitir

Tânia Monteiro e Beatriz Abreu – O Estado SP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva compreende o discurso sindicalista do ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, de ameaçar punir as empresas que estejam demitindo, mas não pretende interferir na relação entre patrões e empregados. “Vivemos no capitalismo. O governo não tem como obrigar uma empresa a contratar, nem impedir uma empresa de demitir”, afirmou um auxiliar direto do presidente.

A política da não intervenção continua em prática no Planalto, embora isso não signifique uma atitude de distanciamento da classe trabalhadora. Ao contrário, da mesma forma como abriu as portas do Planalto para ouvir os empresários, que agora têm reuniões com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente está agendando um encontro com as centrais sindicais para discutir as condições do mercado de trabalho. Para Lula, o compromisso dos empresários está mantido. “As empresas estão tomando crédito para manter a cadeia produtiva. Não se pode suspender o crédito porque isso limita a capacidade produtiva”, disse uma fonte.

O Planalto, no entanto, avalia que, em meio ao turbilhão criado com a expectativa de fechamento de milhares de vagas em dezembro e do processo acelerado de férias coletivas, demissões de temporários e suspensão de acordos trabalhistas, chegou a vez de os dirigentes sindicais serem ouvidos. “O presidente quer ouvir diretamente deles o que está acontecendo no mercado de trabalho”, disse uma fonte.

Da mesma forma, Lula cobrou de Lupi informações objetivas sobre o fechamento de postos de trabalho em dezembro. Embora não tenha desautorizado o ministro, a percepção de fontes do governo é que “Lupi errou no processo” ao comentar números ainda não conclusivos. O ministro “se assustou” com os dados preliminares, mas a explicação não convenceu Lula, que marcou para segunda-feira novo encontro com Lupi. Até lá, ele deve reunir informações para detalhar a pesquisa do Cadastro Geral de Empregados e Demitidos (Caged).

A expectativa é que até 600 mil postos possam ter sido suprimidos, mas o dado oficial ainda não está fechado. Lupi terá de demonstrar ao presidente que setor e por qual motivo demitiu. “O presidente quer uma radiografia completa para, aí sim, tomar uma decisão”, disse um assessor. Até porque, na avaliação de Lula, a melhor forma de estimular o emprego não é ameaçar empresas com a suspensão do crédito oficial, e sim ampliar o crédito e adotar medidas de estímulo à economia.

“A empresa demite não porque quer. É porque precisa, é porque está enfrentando dificuldades e, com isso, ela também se desorganiza”, comentou um ministro. “Não há medidas a tomar diante da decisão de uma empresa demitir. A única solução é ativar a economia.”

14/01/2009 - 10:17h Demissões aumentam pressão sobre Fazenda

Até dentro no governo cresce cobrança por um plano amplo de proteção

 

Adriana Fernandes, BRASÍLIA – O Estado SP

 


A onda de demissões que começou a se configurar na economia brasileira neste início de 2009 aumentou a pressão para que o Ministério da Fazenda adote um plano de ações emergenciais voltadas para atenuar os efeitos negativos do desemprego. Um plano que funcionaria como uma espécie de “ponte” para o trabalhador caminhar até uma situação de recuperação do emprego, como medidas de ampliação da rede de proteção social e dos mecanismos de seguro-desemprego.

Setores do governo avaliam que não basta a adoção de um pacote de medidas de estímulo à habitação e de desoneração tributária para estimular os investimentos e preservar os empregos, como o que está em estudo pela equipe econômica. Seria preciso um quadro mais amplo de medidas para combater os efeitos da crise financeira nessa fase mais crítica de desaceleração do ritmo de crescimento do País.

A possibilidade de escalada do número de desempregados no País está provocando insatisfação entre ministérios com ações voltadas às áreas do setor produtivo com a atitude do ministério da Fazenda e Banco Central (BC) na condução das discussões das medidas. Nos bastidores, setores dos Ministérios do Desenvolvimento, Cidades, Trabalho e Agricultura admitem que a área econômica está mais aberta às conversas com empresários do que às discussões com os colegas da Esplanada.

Uma coordenação maior entre os ministérios também está na pauta das discussões. Essa coordenação incluiria também o BC, que, na avaliação das mesmas fontes, precisa iniciar a redução da taxa básica de juros, a Selic, em dosagem maior. A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na próxima semana, será decisiva para definir os rumos da economia para 2010.

Não se trata de combater apenas as expectativas negativas, mas evitar que as demissões se generalizem para setores que ainda não foram afetados pela crise financeira e poderiam se antecipar a um cenário econômico pessimista que não está configurado. Ontem, o IBGE divulgou uma queda de 0,6% do emprego em novembro em relação a outubro de 2008, a maior retração desde outubro de 2003. Tradicionalmente, é um período de fechamento de postos, mas o que se observa é a tendência de aumento de casos de demissão.

Até mesmo o período de férias do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a viagem ao exterior do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, nesta semana, são criticados. Existe o temor de que as medidas para a preservação do emprego possam chegar “tarde demais” e além do prazo prometido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No fim do ano passado, durante o programa “Café com o Presidente”, Lula garantiu à população que novas medidas anticrise sairiam até o dia 20. O retorno de Mantega das férias está previsto para o dia 19.

19/12/2008 - 08:45h Governo prepara novo pacote de desoneração fiscal

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081219/img/capadodia.jpg

Segundo Dilma, ‘crescimento de 4% em 2009 não é fantasia, mas o que buscamos atingir’

Renée Pereira – O Estado de São Paulo

O governo federal prepara um novo pacote de desoneração fiscal para estimular os investimentos no País, afirmou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Em almoço promovido ontem pela Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib) e Confederação Nacional da Indústria (CNI), que reuniu cerca de 500 empresários na capital paulista, ela comentou que essa é uma das questões centrais estudadas pelo ministro da Fazenda Guido Mantega para manter o crescimento econômico. “Temos todas as condições para minimizar os efeitos da desaceleração da atividade provocada pela crise financeira.”

Dilma destacou que, com as medidas adotadas pelo governo desde o início da crise, é possível perseguir a meta de crescimento de 4% no ano que vem. “Não é necessariamente o que vai ocorrer; é o que buscamos fazer para ocorrer. Este objetivo não é ?fantasista?, mas é necessário porque um governo sem metas não tem perspectivas e não unifica os agentes.”

A evolução do Produto Interno Bruto (PIB) estará ancorada especialmente na retomada e garantia dos investimentos. Para isso, o governo baseia-se em quatro pilares. Um deles é o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que será turbinado com mais R$ 200 bilhões em obras. Dilma comentou que a carteira com os novos projetos será apresentada hoje para aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os empreendimentos estão trem-bala, concessões rodoviárias, projetos portuários e expansão ferroviária.

Os outros pilares do crescimento são o programa de mobilidade urbana, que prevê a construção de trens leves sobre trilhos e metrôs; o programa de habitação popular, com investimentos da ordem de R$ 300 bilhões; e as obras referente ao pré-sal. Dilma também confirmou os investimentos de R$ 140 bilhões da Petrobrás em atividades extras pré-sal. “Tudo isso sustenta emprego e renda, já que mantém elevada a demanda na iniciativa privada, indústria da construção naval, bens e serviços, engenharia e construção civil”, avaliou a ministra, durante um discurso de mais de meia hora. Em tom otimista e bem humorada, a ministra convocou a platéia de empresários para um esforço conjunto para manter o nível de emprego no País.

Dilma disse que os programas sociais também serão mantidos e que as oportunidades criadas por essa taxa de câmbio pode trazer bons frutos para vários setores como o agronegócio. Ela reforçou também que o governo tem trabalhado na questão de evitar a disseminação do medo e do pânico e garantiu que todas as medidas possíveis de curto prazo já foram tomadas.

O presidente da Abdib, Paulo Godoy, acredita que o grande desafio hoje é restabelecer a confiança do mercado, possibilitando o crédito entre os agentes. “Hoje está havendo uma corrida para os provedores de financiamento de longo prazo. Ou se fortalece a fonte (no caso, o BNDES) ou criamos outras formas de captação de poupança. Se não tivermos crédito, não conseguimos manter investimentos. A construção civil e a infra-estrutura devem e podem fazer papel de políticas anticíclicas.”

13/12/2008 - 11:36h O governo Lula e as contradições na hora de enfrentar a crise

Blog de Krieger

O governo anunciou ontem um pacote para enfrentar a crise econômica. Inclui corte de impostos , ajuda a empresas endividadas e ajuda para a indústria automobilística. São medidas positivas, mas são pontuais. O núcleo central da política econômica continua a apresentar uma contradição insolúvel. Enquanto o Ministério da Fazenda e o discurso do presidente apontam para a necessidade de aumentar o consumo, o Banco Central recusa-se a baixar os juros, numa atitude destinada a frear o mesmo consumo. Lula teme a recessão. O BC, mais conservador, teme a volta da inflação.




Há alguns dias, escrevi uma matéria no Correio, contando como o presidente toma suas decisões sobre a crise. Fontes do Planalto contaram que, na hora final, ele se fecha na sala com Mantega e Meirelles. Age como um árbitro. Mas nem sempre, Lula tem a última palavra. Quando se trata de juros, o BC é soberano.


A nós, que assistimos, fica uma sensação contraditória. De um lado, é bom ver que o governo está agindo. Mas é inquietante perceber essa falta de unidade.
Gustavo Kriger é jornalista do Correio Braziliense
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12/12/2008 - 11:18h Novas medidas a caminho

Breno Fortes/CB/D.A Press – 8/10/08
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Crédito ao setor da construção apenas sustenta as obras em andamento e não garante expansão

Construção está na lista de setores a serem ajudados pelo governo, que conta com investimentos da Petrobras

Raul Pilati – Correio Braziliense

O governo estuda novas medidas para estimular a economia. “Não serão as últimas ações”, adiantou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele disse que mais incentivos estão sendo preparados para o setor de construção civil, um dos pilares que tem chance de sustentar o crescimento em 2009, segundo a análise feita no Ministério da Fazenda. O estímulo seria para as habitações populares. Mas Mantega não quis revelar detalhes.

Manter elevada a atividade das empresas da construção civil é essencial para a economia do país. O setor é um dos principais responsáveis pelos investimentos capazes de suportar um crescimento de médio e longo prazos. As medidas para o segmento adotadas até agora — como a linha de crédito de R$ 3 bilhões aberta pela Caixa Econômica Federal — tiveram como objetivo impedir que as obras em execução fossem interrompidas.

O próprio secretário de Polícia Econômica do Ministério, Nelson Barbosa, admite que novos lançamentos de prédios vão depender da “reavaliação” do cenário pelas empresas. Mas ressalta que o governo conta com outros dois pilares para não deixar os investimentos despencarem: o cumprimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a Petrobras.

Barbosa destaca que, mesmo que não esteja dentro das metas de prazos programadas, o PAC vem aumentando os desembolsos, estimulando a economia. Este ano, o programa deve pagar R$ 28 bilhões em obras executadas, equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2009, ele espera que os pagamentos às construtoras cheguem a R$ 34 bilhões, ou 1,2% do PIB, acelerando a economia.

A outra fonte crucial de investimentos é a Petrobras, maior empresa da América Latina. Os gastos da gigante no ano que vem devem chegar a 1,9% do PIB, superando a previsão inicial de 1,6%. O secretário, entretanto, não quis entrar na discussão sobre a fonte de financiamento para a estatal que, em novembro, precisou recorrer a um empréstimo de R$ 2,7 bilhões de bancos estatais para fechar suas contas do mês.

Renda
Enquanto tem esperança de manter os investimentos em 2009, os economistas do governo já não contam com a mesma força da renda dos brasileiros. Barbosa estima que as despesas das famílias, um dos principais motores da economia em 2008, devem crescer entre 4% e 5% no próximo ano. Será uma forte desaceleração, pois entre julho e setembro deste ano, subiram 7,3% em relação a igual período de 2007.

O secretário olha com esperança para uma retomada da atividade no segundo semestre do ano que vem. Até lá, crê, os efeitos nas medidas antirecessivas tanto no Brasil quando nos países desenvolvidos terão produzido efeitos positivos. E aponta três fatores que podem reverte a desaceleração econômica: as taxas de juros no mercado futuro em queda, o fim do pessimismo exagerado que se instalou entre os consumidores e as ações do governo.

12/12/2008 - 10:35h Carro até 7% mais barato

Governo corta imposto de veículos novos para estimular vendas

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Edna Simão e Vicente Nunes – Correio Braziliense

A indústria automobilística, que vinha crescendo a um ritmo impressionante de 30% ao ano até o estouro da crise internacional, pediu ajuda e o governo atendeu. A partir de hoje, todos os carros zero com motores de até 2 mil cilindradas (2.0) pagarão 50% menos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A medida, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem como objetivo estimular a demanda por automóveis e evitar um brusca desaceleração da economia brasileira em 2009.

A expectativa é de que os preços dos veículos caiam pelo menos 7%, reduzindo os estoques que lotam os pátios da montadoras. Um Ford Fiesta 1.0, por exemplo, negociado a R$ 32.900 passará a ser vendido por R$ 30.597 — uma economia de R$ 2.303. Nos cálculos de Mantega, a medida, que vigorará até 31 de março de 2009, reduzirá em R$ 1 bilhão a arrecadação de impostos. Mas isso não preocupa. A avaliação que prevaleceu dentro do governo foi a de que o consumo aquecido será mais do que suficiente para compensar a perda de receitas. “Esperamos que a diminuição de tributos estimule a economia e aumente a demanda. O perigo é não tomar medidas e deixar o nível de atividade cair”, afirmou Mantega.

O pacote de bondades do governo favorece, principalmente, os consumidores de carros populares. O IPI de 7% que incidia sobre os veículos 1.0 foi zerado. Nos automóveis a gasolina com motores até 2.0, a alíquota baixou de 13% para 6,5% e, nos movidos a álcool ou com sistema de combustível flex, o tributo caiu de 11% para 5%. O governo também favoreceu os utilitários. Nas caminhonetes até 1.0, o IPI recuou de 8% para 1%. “A escassez de crédito fez as nossas vendas desabarem e os estoques aumentarem de forma muito rápida”, disse o vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes dos Veículos Automotores (Anfavea) e diretor da Fiat, Antonio Sérgio Martins Mello.

O setor automobilístico é altamente dependente de crédito. Mais de 80% das vendas são feitas por meio de financiamento. Desde outubro, porém, as montadoras e as revendedoras passaram do céu para o inferno, com a venda despencando de uma média de 12 mil veículos por dia para 7 mil/dia. Atualmente, existem mais de 300 mil carros nos parques industriais e o setor já ameaça promover uma onda de demissões. “A decisão de reduzir o IPI para estimular a venda de veículos era necessária, porque a indústria automobilística tem peso relevante no desempenho da economia como um todo, por contar com uma longa cadeia produtiva”, disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge.

Ele admitiu, no entanto, que o governo não impôs condições para a concessão dos benefícios, como a garantia de empregos pleiteada pelas centrais sindicais. Nesta semana, representantes dos trabalhadores disseram que continuariam pressionando o governo para que as empresas que estão recebendo ajuda do governo assumam o compromisso de não demitir. “Emprego não é contrapartida. Há um esforço das montadoras para manter o nível do emprego. Mas não há um compromisso firmado nesse sentido”, ressaltou Jorge.

O ministro do Desenvolvimento frisou, porém, que o governo vai acompanhar se a queda do IPI será repassada ao consumidor. Se, por acaso, esse compromisso não for cumprido, as montadoras serão convocadas a dar explicações. “É muito fácil verificar se a redução do IPI está sendo repassada”, assegurou. Mas tal afirmação é vista com desconfiança. Em outros momentos, iniciativas como essa foram adotadas para incentivar as vendas. Contudo, os benefícios ficaram concentrados nos caixas das montadoras.

Segundo o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, que participou do encontro de empresários com o presidente Lula, o setor já começa a registrar recuperação das vendas, ainda que o crédito esteja mais caro e o prazo de pagamento, mais curto. Ele destacou ainda que 2008 foi um ano de recordes — de produção e de vendas no mercado interno.


É muito fácil verificar se a redução do IPI está sendo repassada

Miguel Jorge, Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio

Medidas bem recebidas

Luciana Navarro da equipe do Correio

Espera-se que as mudanças anunciadas pelo governo resolvam o drama de montadoras e concessionárias que acumulam carros nos pátios. Mas enquanto isso não surte efeito, as previsões são pessimistas. A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) refez as previsões para 2009 e aposta em queda de 19% nas vendas em relação a 2008. As estimativas feitas no começo deste ano eram de 20% de expansão. “As medidas são bem-vindas e podem interromper a queda, mas ainda é preciso analisá-las e ver como será o processo de recuperação”, disse o presidente da Fenabrave, Sérgio Reze.

Para o vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e diretor da Fiat, Antonio Sérgio Martins Mello, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), mesmo que temporária (valerá até 31 de março), é bem-vinda, pois os estoques de carros nos pátios das montadoras estão elevadíssimos. Apesar do socorro do governo, Mello destacou que as empresas automobilísticas não assumiram nenhum compromisso com a manutenção de empregos. “Não houve garantias nesse sentido. O que firmamos foi um compromisso de fazer um esforço para não haver demissões. Só isso”, destacou.

12/12/2008 - 08:57h Classe média vai pagar menos imposto de renda

Pacote traz renúncia fiscal de R$ 8,4 bi

Medidas incluem cortes no IR da pessoa física, no IPI de carros e no IOF sobre compras a prazo e cheque especial

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Lu Aiko Otta, BRASÍLIA – O Estado SP

 


Para garantir que a economia continuará crescendo no ano que vem, o governo lançou ontem um pacote destinado a estimular o consumo. Conforme antecipado pelo Estado, o conjunto anunciado ontem é composto por cortes no Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre compras a prazo e o cheque especial. No total, elas reduzirão a arrecadação federal de 2009 em R$ 8,4 bilhões.

“O objetivo é estimular o crescimento da economia brasileira”, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. “São medidas que vão aumentar o volume de crédito, reduzir o custo financeiro e desonerar produtos de consumo.”

Novas medidas estão a caminho. Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu cerca de 30 empresários no Palácio do Planalto e ficou acertada a criação de uma comissão especial para analisar, até o fim do ano, a adoção de novas providências a partir de problemas apresentados na reunião.

O empresário Jorge Gerdau elogiou a disposição do governo de dialogar. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, saiu com a sensação que a taxa de juros Selic deverá cair em breve.

Apesar da estimativa de perda de arrecadação, o Orçamento de 2009 não foi revisto ainda porque outras medidas estão em estudo, segundo explicou Mantega. Além de mais cortes nos tributos, o governo poderá elevar o volume de investimentos. A idéia é esperar o fim das discussões para analisar os números. Além disso, o ministro espera efeitos positivos do pacote de ontem. Ao estimular a economia, a perda de R$ 8,4 bilhões pode ser parcialmente compensada – mas os técnicos não sabem em quanto.

ALÍVIO NO IRPF

A principal bondade anunciada ontem é a nova tabela do IRPF, que entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2009 e vai reduzir a carga tributária para todos os contribuintes. Atualmente, existem duas alíquotas: 15% e 27,5%. Foram criadas mais duas: 7,5% e 22,5%. A renda que seria tributada a 15% passará a pagar 7,5%. O Ministério da Fazenda divulgou uma simulação para uma pessoa que ganha R$ 4 mil. Pela tabela sem modificação, ela recolheria R$ 526,65 por mês de IR. Com a tabela nova, pagará R$ 437,15.

O ganho mensal máximo que um contribuinte terá com a nova tabela do IRPF será de R$ 89,50. Já o governo deixará de recolher R$ 4,9 bilhões em 2009 com a mudança. “São R$ 4,9 bilhões injetados na economia como consumo”, disse Mantega. “Vai ter sobra de recursos para aquisição de bens e serviços.” O consumo também será estimulado com a redução do IOF de 3% ao ano para 1,5%. Com isso, será barateado o custo do cheque especial, das compras a crédito de automóveis e outros bens duráveis, como eletrodomésticos, e os empréstimos pessoais.

O corte no IOF vai ajudar a reduzir o juro cobrado na ponta em aproximadamente 4 pontos porcentuais, segundo estimou Mantega. Ele assegurou que, já hoje, as instituições financeiras oficiais, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, vão repassar a redução. Com a medida, a queda na arrecadação será da ordem de R$ 2,5 bilhões em 2009. A alíquota do IPI para os carros também será reduzida. A do carro popular cai de 7% para zero até 31 de março de 2009.

12/12/2008 - 08:37h ”Pacote está na direção certa”

Especialistas elogiam estímulos a consumo e crédito

 

Ricardo Leopoldo, Renée Pereira e Célia Froufe – O Estado SP

 


Economistas e representantes do setor bancário elogiaram o pacote de medidas anunciado ontem pelo governo para reduzir os efeitos da crise. Na avaliação do ex-diretor do Banco Central (BC) e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Ilan Goldfajn, as medidas ajudam a suavizar a desaceleração da economia. “São medidas que vão na direção certa. Mas é preciso lembrar que elas não vão resolver a crise, que é muito grave e está levando o mundo à recessão”, comentou.

Embora o pacote deva estimular o consumo, Goldfajn ressalta que não terá o poder de afastar boa parte dos impactos da crise. “Há uma redução internacional do crédito que se disseminou por todo o mundo, inclusive no País. Há uma recessão mundial que está diminuindo as exportações. Existe uma percepção geral de que o nível de atividade vai diminuir, o que reduz os investimentos.”

Para o ex-secretário de Política Econômica e professor da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzzo, os empréstimos das reservas internacionais para empresas com financiamento externo são uma das medidas mais relevantes, pois pode colaborar para reduzir a pressão sobre o câmbio. “O ponto importante é que as medidas têm flexibilidade. Se houver necessidade, o Poder Executivo pode adequar nos próximos meses suas ações de acordo com a evolução do nível de atividade.”

Na avaliação de Belluzzo, as medidas têm dois focos corretos: diminuir os juros das operações financeiras, e portanto os custos de crediários, e estimular o consumo.

Para Ricardo Oliva, presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), todas as medidas estão no caminho certo, mas o principal desafio agora é retomar a confiança da sociedade. “Os consumidores querem ter certeza de que vão ter emprego e os bancos querem ter certeza de que vão receber o empréstimo de volta.”

11/12/2008 - 10:26h Pacote quer incentivar consumo da classe média

http://oglobo.globo.com/fotos/2007/11/21/21_MHG_pais_guido21j.jpg

Claudia Safatle e Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anuncia hoje um conjunto de medidas para incentivar o consumo de bens e serviços na economia. O pacote ainda será submetido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela manhã, mas nele deverá constar a criação de novas alíquotas na tabela do Imposto de Renda Retido na Fonte; a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para operações de crédito ao consumo, cuja alíquota, elevada em janeiro, é de 3,38%; e redução do IPI para automóveis. Conforme sugestão de sindicalistas que estiveram ontem com o ministro, a redução do IPI, que é temporária, seria condicionada à manutenção dos empregos.

A proposta da Fazenda para o IR é criar duas novas alíquotas, uma inferior à mínima de hoje, de 15%, algo em torno de 10%, e a outra intermediária entre os 15% e a alíquota superior, de 27,5%, que pode ser de 22% ou um pouco maior, uns 25%. A definição exata das novas alíquotas será tomada hoje pelo presidente Lula, e dependerá do tamanho da perda de arrecadação que o governo considerar razoável para 2009, quando entrará em vigor a nova tabela. O mesmo ocorre com a redução do IPI sobre carros. Hoje os veículos populares (motor 1.0) a gasolina pagam 7% de IPI; os carros médios (motor até 2.0) pagam 13% e os de luxo (motor 2.1 para cima), 25%. Há impostos diferentes para veículos movidos à álcool, diesel ou flex.

A redução do IPI é um incentivo para o setor automobilístico, um dos que mais sofre com a crise econômico-financeira, que resultou numa contração forte da oferta de crédito.

Não deverá sair hoje a nova rodada de liberação de recursos dos depósitos compulsórios dos bancos no Banco Central. Há dúvidas sofre a eficácia dessa medida já que até agora o BC liberou mais de R$ 90 bilhões em compulsórios que poderiam ativar as operações de crédito, mas isso não está acontecendo. Também não é líquido e certo que os recursos que o contribuinte receber de alívio no imposto de renda sejam dirigidos ao consumo. Há o risco desse dinheiro se transformar em poupança.

Hoje o presidente Lula terá reunião com um seleto grupo de empresários e só após esse encontro as medidas serão anunciadas por Mantega como “um presente de Natal” do governo, sobretudo para a classe média.

Lula quer evitar que o medo de recessão e desemprego leve o consumidor a um comportamento extremamente conservador em 2009, restringindo as compras aos bens de primeira necessidade. Se isso ocorrer, a recessão pode se transformar numa profecia auto-realizável. Se o consumidor não comprar, a indústria não vai produzir, o trabalhador ficará sem emprego, e a economia, que vinha de um crescimento vigoroso até setembro, pode capotar.

Os empresários devem reproduzir, ao presidente da República, o tom da reunião feita na Fiesp com Mantega e o vice-presidente, José Alencar, na última sexta-feira, em São Paulo. Dirão que a crise internacional é grave e que não há meios de impedir que ela atinja o dia-a-dia dos brasileiros, inclusive os seus empregos. “Os setores que dependem de crédito para produzir, inevitavelmente, sofrerão cortes ou terão que adotar férias coletivas”, afirmou o diretor do departamento de competitividade e tecnologia da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho.

Estarão no Palácio da Alvorada dirigentes dos setores de alimentos, petroquímica, siderúrgico, mineração, aviação, embalagens, construção civil, comércio, agricultura e automobilístico.

Em todas as áreas, em menor ou maior grau, a avaliação é a mesma. O ano no país será dividido entre pré-outubro e pós-outubro. “O PIB do quarto trimestre deve ser zero, o que é péssimo”, completou José Ricardo, que faz parte de um gabinete de crise criado pela FIESP. O governo vem tentando fazer a sua parte, mas a estrutura oficial é muito lenta, o que impede que as soluções cheguem à ponta com a mesma velocidade dos efeitos da crise, alegam os empresários.

Exemplo disso é o crédito. O governo liberou parcela importante dos compulsórios para que os bancos voltassem a emprestar, e orientou Banco do Brasil e Caixa Econômica a saírem na frente. Não foi exatamente o que aconteceu. O crédito ficou caro e a disputa pelo acesso, mais acirrada. Os empresários também estão muito preocupados com a volatilidade da taxa de câmbio. Para os exportadores, a desvalorização do real é benéfica. Para os importadores, a volatilidade dificulta a fixação de preços.