10/11/2009 - 11:19h País cresce a 9% ao ano no 3º trimestre


Consultorias atribuem taxa chinesa à recomposição de estoques e dizem que ritmo de crescimento vai cair


http://www.acemprol.com/download/file.php?id=9524

Márcia de Chiara – O Estado SP

A economia brasileira cresceu no terceiro trimestre deste ano em ritmo chinês, com taxa anualizada do Produto Interno Bruto (PIB) beirando 9%, apontam as projeções de várias consultorias independentes. O número oficial do desempenho do PIB do terceiro trimestre, medido pelo IBGE, será conhecido em 10 de dezembro. Para este trimestre, no entanto, a perspectiva é de arrefecimento do crescimento para uma taxa anualizada em torno de 6%.

“A taxa marginal de crescimento de 2,1% do PIB do terceiro trimestre que, anualizada, corresponde a 8,7%, não deve se repetir no quarto trimestre”, prevê o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges. Segundo ele, o PIB do terceiro trimestre foi “inflado” pelo ajuste dos estoques.

Após a brusca freada na produção industrial no fim de 2008, os empresários da indústria não acreditavam numa recuperação tão rápida e cortaram a oferta. Passaram dois trimestres enxugando estoques. Mas, a partir do segundo trimestre, a economia começou a reagir.

No terceiro trimestre, diz Borges, a produção foi fortemente acelerada para recompor os estoques que eram, em alguns setores, insuficientes para atender à demanda. “Houve problemas de abastecimento nos eletrodomésticos da linha branca e nos carros, ambos setores que tiveram corte de impostos para incentivar as vendas”, lembra.

Fábio Silveira, sócio da RC Consultores, também projeta desaceleração de crescimento do PIB de 9% anualizado no terceiro trimestre para algo em torno de 6% neste trimestre. Ele atribui esse movimento à recomposição dos estoques queimados no primeiro semestre. Maurício Molon, economista-chefe do Banco Santander, acrescenta outro fator que está contribuindo para diminuir o ritmo de crescimento do PIB neste trimestre: o aumento das importações, favorecidas pelo dólar baixo. “O setor externo vai roubar o crescimento da economia.”

Além do aumento das importações, Bernardo Wjuniski, economista da Tendências Consultoria Integrada, acrescenta que a exportação ainda levará algum tempo para se recuperar plenamente. Esse é mais um fator que tira o ímpeto do crescimento nos próximos meses, já que a arrancada no terceiro trimestre resultou de um ajuste de estoques para cima, puxado pelo mercado interno.

Para 2010, as projeções das consultorias para o crescimento do PIB vão de 3,7% a 5,6%, sem pressões inflacionárias. “A inflação corrente é baixa e há ociosidade na indústria”, diz Silveira. Wjuniski acredita que o cenário é benigno para a inflação em 2010 e as pressões de preços podem ocorrer em 2011. Nas suas previsões, a produção industrial deve fechar 2009 com queda de 8% e crescer 8,7% em 2010.

04/11/2009 - 13:06h Produção de máquinas cresce 5,8%

http://blog.empregosdeprimeira.com.br/wp-content/uploads/2009/09/empregos0509cursopro1.jpg

Em setembro, setor de bens de capital puxou a melhoria do desempenho geral da indústria, que avançou 0,8%

Jacqueline Farid e Alexandre Rodrigues, RIO – O Estado SP

A produção industrial do País aumentou 0,8% em setembro ante agosto e fechou o terceiro trimestre com alta de 4,1% ante período anterior, no melhor desempenho trimestral apurado desde o fim de 2003. A reação da produção de bens de capital em setembro, um termômetro do desempenho dos investimentos, teve forte impacto nos resultados industriais do mês, como mostra pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para a gerente de análise da coordenação de indústria do IBGE, Isabella Nunes, os resultados de setembro confirmam a continuidade da recuperação do setor industrial, com destaque para os bens de capital. Segundo ela, os estímulos governamentais e o aumento da confiança dos empresários garantiram a aceleração no crescimento desse segmento industrial.

A produção de bens de capital aumentou 5,8% em setembro ante agosto, bem acima da média da indústria e a sexta taxa positiva seguida ante mês anterior. Isabella observou que esse ritmo de crescimento foi bem superior em setembro, já que os resultados ante o mês anterior não ultrapassaram 0,7% em agosto e 1,6% em julho.

Os dados trimestrais confirmam a forte reação na produção de bens de capital. No terceiro trimestre, ante trimestre anterior, a produção aumentou 6,1%, o primeiro saldo positivo após três trimestres seguidos de queda. “Os resultados de bens de capital confirmam a recuperação crescente dos investimentos, estimulados pela reação, embora lenta, no uso da capacidade instalada e estímulos de governo, via crédito especial e desoneração de impostos.”

Analistas econômicos concordam que essa reação foi o principal destaque no desempenho da indústria em setembro. “O aumento da produção desses bens indica uma retomada dos investimentos”, avalia o analista da Tendências Consultoria, Bernardo Wjuniski.

O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, destaca a importância da expansão de bens de capital. “Achei um bom resultado (da indústria), pois foi amparado no setor de bens de capital, que é importante para abrir espaço para o crescimento.”

Mesmo com o impulso dos investimentos, a recuperação na margem da indústria em geral não foi suficiente para evitar a continuidade das quedas na produção ante iguais períodos do ano passado. Em setembro, na comparação com igual mês de 2008, houve queda de 7,8% e no terceiro trimestre, ante o mesmo trimestre do ano passado, o recuo foi de 8,3%. No ano, a indústria acumula queda de 11,6% e em 12 meses, de 10,3%.

NA CONTRAMÃO

Na contramão dos resultados dos bens de capital, a produção de bens de consumo duráveis (automóveis, eletrodomésticos), que vinha aumentando há oito meses consecutivos ante o mês anterior, caiu 1,1% em setembro. Para Isabella, a queda é pontual e reflete um recuo também pontual na produção de automóveis, por causa de paralisações de trabalhadores em empresas do setor.

A produção de bens de consumo semi e não duráveis (alimentos, remédios, vestuário) também registrou recuo, de 0,7%, em setembro ante agosto. De acordo com Isabella, essa queda teve forte impacto da produção de carburantes e da indústria farmacêutica, e também não altera uma tendência de crescimento dessa categoria. COLABOROU FLÁVIO LEONEL

27/10/2009 - 08:53h Financiamento para compra de máquinas cresce 40% em outubro

Indústria retoma projetos de expansão

Alexandre Rodrigues e Marianna Aragão – O Estado SP


A indústria começa a retomar projetos de investimento suspensos durante a crise. O mês de outubro deve registrar liberações entre R$ 2,5 bilhões e R$ 2,6 bilhões na linha específica para aquisição de máquinas e equipamentos (Finame) disponível no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). É quase 40% mais que o emprestado em setembro (R$ 1,85 bilhão) e o dobro dos financiamentos de julho (R$ 1,28 bilhão), consolidando a tendência de retomada de investimentos na indústria.

“Estamos trabalhando com essa projeção para outubro. Acreditamos que é resultado de dois fatores: juros mais baixos do Plano de Sustentação do Investimento (PSI) e o aumento da confiança dos empresário”, afirmou ao Estado o diretor de Administração e Operações Indiretas do banco, Maurício Borges Lemos.

Na semana passada, o balanço trimestral de desempenho do banco já havia registrado R$ 2,4 bilhões em pedidos de liberação da Finame no acumulado de 22 dias úteis anteriores a 15 de outubro, depois de oscilar em torno de R$ 1,5 bilhão entre março e agosto. A média diária de desembolsos atingiu R$ 109,5 milhões este mês, superando em 80% os R$ 60,5 milhões de julho, nível mais baixo desde o início da crise global.

A indústria de base – que inclui principalmente siderurgia, papel e celulose, química e petroquímica e cimento -, primeira a sofrer o baque da crise, começa a tomar a liderança de investimentos. “A recuperação da economia e o fim dos ajustes de estoques aumentaram a utilização da capacidade instalada. Em alguns setores, ela já chegou ao limite”, afirma o economista da Tendências Consultoria, Bernardo Wjuniski.

Na semana passada, a Siderúrgica Gerdau voltou atrás no adiamento de um investimento de R$ 1,75 bilhão em uma nova usina em Ouro Branco (MG). As expectativas mudaram, justificou o presidente do grupo, André Gerdau Johannpeter.

A companhia quer começar as obras de instalação de um laminador de chapas grossas já no início de 2010. Com o equipamento, entrará na produção de aços planos, matéria-prima que atende às indústrias petrolífera, naval, da construção civil e de equipamentos pesados.

Para o BNDES, a curva ascendente nos financiamentos reflete a atratividade do PSI, programa especial de empréstimos com juros de 4,5% ao ano, que vigora até 31 de dezembro. Mas também indica o retorno de projetos paralisados pela crise. Antes de setembro de 2008, a média diária de desembolsos da Finame vinha crescendo, e chegou a quase R$ 150 milhões.

INDÚSTRIA DE BASE

Segundo o chefe de Pesquisas Econômicas do banco, Fernando Puga, a retomada está sendo comandada pela indústria de base. “São setores exportadores, como siderurgia e celulose, que estavam liderando os investimentos antes da crise. Essas empresas adiaram seus investimentos e decidiram ficar líquidas, ter dinheiro em caixa. Agora, estão retomando os planos”, diz Puga, informando que setores como o de siderurgia já estão nos mesmos níveis de uso da capacidade instalada de entre 2006 e 2007.

“As obras de infraestrutura, com a perspectiva de realização da Copa e da Olimpíada, vão demandar muito aço”, diz o analista de siderurgia e mineração da Link Investimentos, Leonardo Alves. Isso explica a motivação das companhias para reativar investimentos. A CSN vai retomar um projeto em Congonhas (MG), previsto desde 2007. Uma reunião amanhã entre o governador mineiro, Aécio Neves, e o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, deve selar a decisão. O projeto envolve a construção de uma siderúrgica de R$ 6,2 bilhões.

O setor de máquinas e equipamentos ainda está com nível mais baixo de uso da capacidade. O aumento da demanda por crédito no BNDES reflete mais o crescimento dos desembolsos do banco nos setores da indústria de base. Com os empréstimos para a Petrobrás, chama a atenção no balanço total de liberações no acumulado dos últimos 12 meses o crescimento de 371% do setor de química e petroquímica em relação ao mesmo período anterior.

Houve crescimento também nos desembolsos para os setores de material de transporte (93%), celulose (172%), metalurgia e siderurgia (76%) e mecânica (76%).

A Usiminas, que adiou o plano de ter uma nova unidade em Santana do Paraíso (MG), parece menos animada com o reaquecimento. O principal argumento, segundo o presidente da companhia, Marco Antônio Castello Branco, é a expectativa de que a demanda só voltará aos níveis pré-crise em 2011. Para o analista da Spinelli, Jayme Alves, a razão pode ser outra. “Com projetos grandes como o da Vale e Gerdau, pode haver um excesso de capacidade.”