22/10/2009 - 11:22h Aliado a Serra, PSB paulista resiste a aceitar candidatura de Ciro

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Vandson Lima e Luciano Máximo, de São Paulo – VALOR

A indefinição sobre qual cargo o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) vai disputar nas eleições de 2010 tem colocado a executiva paulista de seu partido em situação delicada na hora de definir alianças. Aliados do governo do tucano José Serra em São Paulo, deputados estaduais do PSB mostram-se reticentes quanto à possibilidade de formarem chapa conjunta com o PT, oposicionista, na hipótese de Ciro concorrer ao governo paulista, como quer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Não é só questão de apoio. Serra tem sido parceiro nosso. Municípios como São José do Rio Preto e São Vicente, que têm prefeitos do PSB, recebem investimentos importantes do governo estadual”, diz o deputado estadual e líder da bancada pessebista, Jonas Donizette Ferreira.

Há ainda um outro entrave à parceria PT-PSB em São Paulo. O partido de Ciro tem compromisso com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, recém-filiado ao PSB. “Temos aí outra questão. O Skaf foi convidado a se filiar ao PSB com o compromisso de ser candidato a governador”, revela Donizette. O próprio Ciro Gomes já admitiu publicamente que apoia a escolha de Skaf para a disputa.

No PT, apesar de a candidatura própria para a briga pelo Palácio dos Bandeirantes ser uma diretriz da executiva estadual, o partido não descarta apoiar Ciro num embate com o PSDB em 2010 como parte de uma estratégia nacional de apoio à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na corrida presidencial.

O deputado estadual petista Carlinhos Almeida chegou a afirmar que o político cearense teria mais dificuldade dentro do PSB do que no próprio PT para se lançar politicamente em São Paulo. “O PSB tem ligação muito grande com o governador José Serra e muitos representantes do partido não mostram o menor entusiasmo com a candidatura do Ciro apoiada pelo PT. Ele [Ciro] tem mais apoio dentro do PT, por ser um parceiro desde o início do governo Lula”, afirma.

O parlamentar, que é o primeiro-secretário da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, disse também que é cedo para prever como será a chapa de uma eventual aliança PT-PSB. “É prematuro cogitar quem será vice de quem. Temos que aguardar um pouco a negociação nacional e a própria definição do Ciro. Interlocutores nos dizem que ele não quer vir para São Paulo, que prefere a Presidência”, diz Almeida.

Já o líder do PSB na Câmara Federal, o deputado Rodrigo Rollemberg (DF) não vê, hoje, a possibilidade de Ciro desistir da disputa ao Palácio do Planalto: “Não há motivo para isso. A candidatura de Ciro está firme e as pesquisas provam que duas candidaturas da base governista serão melhor do que uma. Nem o presidente Lula está completamente convencido de sua tese de candidatura única”.

Nem mesmo a ofensiva petista na busca de apoios de partidos hoje aliados ao PSB (como o PDT e o PCdoB, do chamado “bloquinho”) é vista como ameaça. “Não são apoios definitivos. É um noivado, não é casamento. Se as pesquisas nos forem favoráveis, tudo muda”, crê o deputado federal Márcio França, presidente regional do PSB.

O prefeito de Osasco, Emídio Souza, voltou a confirmar que quer ser o candidato ao governo pelo PT em 2010, mas que não irá “fechar as portas para os aliados, em benefício a um projeto nacional”. Reforçando que não largaria a prefeitura para ser postulante a um cargo de vice-governador, Emídio disse que está terminando de escrever carta-manifesto na qual pretende reafirmar que está à disposição do partido para ser o principal concorrente. O documento deve ficar pronto no fim de semana e, antes de ser divulgado no início da semana que vem, passará por várias revisões. O potencial candidato petista pregou paciência. “O PSDB também não decidiu nada ainda, o tempo para isso é fevereiro, março”, salienta.

O discurso do presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara, revela que o partido quer privilegiar as alianças no Estado. “Estamos chamando partidos aliados para formar um programa de governo, que será submetido ao debate. A partir daí vamos construir a tática para chegar a uma liderança. Queremos construir uma candidatura própria, mas é evidente que, dentro de uma democracia, os aliados também podem apresentar candidatos”, complementou Edinho.

Ainda que as pesquisas de intenção de voto apontem Geraldo Alckmin (PSDB) como favorito na disputa do governo estadual, o candidato tucano, na avaliação do PSB, será outro: o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, homem de confiança de Serra e mais bem articulado com os partidos aliados. Márcio França acredita ser este o cenário mais favorável a seu partido: “As pesquisas mostram que, seja Ciro ou Skaf o nosso candidato, estaremos na frente de Aloysio nas pesquisas”.

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Lula: Dilma lá e Ciro aqui

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19/10/2009 - 09:55h PSB-SP tenta se equilibrar entre PT e PSDB


A um ano das eleições, partido de Ciro Gomes apoia o presidente Lula no âmbito federal e o governador Serra no cenário estadual

Sem se decidir entre tucanos e petistas, legenda busca ampliar o seu poder em SP, onde a chegada de Ciro alterou o xadrez eleitoral


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JOSÉ ALBERTO BOMBIG – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A menos de um ano das eleições, o PSB (Partido Socialista Brasileiro), peça decisiva do xadrez político de São Paulo, tem como meta no Estado aquilo que alguns de seus líderes definem reservadamente como “socialismo de resultados”, mas que, na prática, pode ser traduzido como equilibrar-se entre o presidente Lula (PT) e o governador José Serra (PSDB).
A legenda, indicada pelo Planalto, controla parte do principal porto do país, o de Santos, ocupa a vice-liderança do governo paulista na Assembleia, e não está disposta a deixar nem a base de apoio de Lula nem a do governador tucano paulista.
“Temos uma posição de centro-esquerda, porém com uma visão menos ácida do que a dos dois polos que controlam a política brasileira hoje, no caso, o PT e o PSDB”, diz o deputado federal Márcio França, presidente do PSB paulista, líder de seu partido na Câmara e um dos articuladores da transferência do domicílio eleitoral do colega Ciro Gomes (PSB-CE) para São Paulo.
No governo Lula, foi criada uma Secretaria Especial de Portos, com status de ministério. O principal beneficiário do projeto acabou sendo Pedro Brito, o “ministro” da pasta e homem de confiança de Ciro.
De seu lado, França, ex-prefeito de São Vicente, ampliou seu poder na Baixada Santista. “Nós, do PT, não temos nada no porto de Santos. As diretorias são ocupadas pelo PSB”, diz a vereadora santista e ex-prefeita Telma de Souza. França nega. “Nunca indiquei ninguém.”
A secretaria foi o dote oferecido por Lula para incorporar de vez o PSB à base de apoio ao Planalto, mas o próprio França admite sua proximidade com os tucanos paulistas. “É uma herança trazida desde os tempos do Mario Covas [governador do PSDB morto em 2001].”

Serra parceiro
Com a mudança de domicílio, Ciro tornou-se a opção preferencial de Lula para liderar uma chapa anti-PSDB no território do governador José Serra, em uma manobra que remonta a grandes nomes da política.
Mas a ideia não encontra tanta ressonância dentro do PSB paulista. “Prefiro ficar com a palavra do próprio Ciro de que não quer ser candidato ao governo. O Serra foi nosso principal parceiro nas eleições municipais do ano passado. É homem muito preparado”, diz o deputado estadual Jonas Donizete, vice-líder do tucano na Assembleia Legislativa.
Espremido entre tucanos e petistas, o PSB-SP aposta em duas “estrelas” para alavancar suas bancadas legislativas, o que provoca temores entre os petistas: o jogador Marcelinho Carioca, candidato à Câmara dos Deputados ou à Assembleia, e o escritor, professor e apresentador de TV Gabriel Chalita, egresso do PSDB.

05/10/2009 - 13:11h PSB busca o espaço que era do PT

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Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

Embalado pelo crescimento de do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) nas pesquisas eleitorais, o PSB foi o partido mais agressivo na busca por filiados que se encerrou no sábado. A concentração de esforços ocorreu no Estado de São Paulo, onde, além de Ciro, a legenda tem outros dois representativos pré-candidatos ao governo do Estado: Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e Gabriel Chalita, vereador paulistano mais votado em 2008 e ex-secretário de Educação do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

São dois os principais motivos que levaram a sigla a atuar com maior desenvoltura em São Paulo. Um deles foi o enfraquecimento do PT paulista durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acabou por deixar um vazio de alternativas de poder à esquerda no Estado. Tanto que mesmo absolvido pelo STF no caso da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci ainda tem sua viabilidade eleitoral colocada em dúvida.

O outro foi a tentativa de reforçar a candidatura própria no Estado, dispute Ciro o governo paulista ou a Presidência. Para tanto, a estratégia foi a de buscar dissidentes e críticos nas bases do partido mais forte do Estado, o PSDB. É isso que explica a filiação de Chalita, um símbolo da era Alckmin no Estado e que se viu, assim como o ex-governador, sem espaço partidário entre os tucanos sob a administração de José Serra.

A vinda da reitora da Universidade de São Paulo (USP), Suely Vilela, segue o mesmo padrão. Nomeada por Alckmin, enfrentou, na gestão Serra, a ocupação da reitoria e uma greve de funcionários, que culminou com a invasão do campus pela Polícia Militar e desentendimentos com a cúpula do Poder Executivo.

Ambos virão com discurso forte na área educacional. Há duas semanas, segundo o IBGE, foi registrado no Estado o aumento no número de analfabetos entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

O partido, porém, apostou em outras áreas. Do esporte, trouxe o jogador de futebol Marcelinho Carioca, popular entre corintianos, e o ex-velocista Claudinei Quirino, medalhista de prata no revezamento 4×100m rasos nos Jogos Olímpicos de Sydney-2000. Do movimento por justiça, veio Massataka Ota, pai do menino assassinado Ives Ota. Da saúde, a médica Mariane Pinotti, filha do ex-deputado federal Aristodemo Pinotti (DEM), morto neste ano. No interior paulista houve adesões importantes do meio político, como o ex-prefeito de Ribeirão Preto por quatro vezes Welson Gasparini. ele deixa o PSDB.

“Antes tínhamos nomes, agora temos nomes fortes. E como vamos concorrer ao governo precisamos de uma bancada forte para depender menos das coligações”, afirma o presidente do PSB paulista, deputado federal Márcio França.

A perspectiva de uma candidatura fraca na oposição ao PSDB incentivou o PSB a aumentar suas bases no Estado. Isso não aconteceu, por exemplo, em outros Estados, seja porque o PSB é aliado do governo estadual ou porque ele tem o poder estadual. Em Minas, o ex-embaixador em Cuba Tilden Santiago e o ex-ministro Walfrido Mares Guia (Turismo e Relações Institucionais) foram apresentados como trunfos, mas apenas para as eleições proporcionais. O mesmo ocorreu no Rio, que tem no ex-jogador Romário a maior expectativa de voto.

No Nordeste, o partido é forte e governa três Estados: Pernambuco, com Eduardo Campos, também presidente nacional do PSB; Ceará, com Cid Gomes; e Rio Grande do Norte, com Wilma de Faria. A reeleição de Campos e Cid é avaliada como tranquila. Wilma termina o segundo mandato e o partido não tem um candidato forte à sua sucessão. Ainda assim, em Pernambuco houve uma filiação de peso: Joaquim Francisco, ex-governador de Pernambuco, três vezes deputado federal, e duas vezes prefeito de Recife. Ele saiu do PTB.

A expectativa é de que em 2010 a legenda mantenha o ritmo ascendente das últimas eleições. Em 2008, o crescimento foi nítido: teve 1 milhão de votos a mais em relação aos conquistados em 2004. Passou de 4,7% dos votos válidos para 5,7% dos votos válidos. Como resultado, aumentou em 74,5% o número de prefeituras, passando de 175 para 309 municípios e conquistando três capitais – Belo Horizonte, Boa Vista e João Pessoa. Foi a quarta maior variação em votos válidos em 2008 em relação a 2004: 21,28%, atrás de PV (107,14%), PCdoB (88,89) e PMDB (24,16%). A atual bancada federal é de 29 deputados. Em 2002 foram eleitos 22. A meta agora é passar dos 40. “Em 2010 vamos finalmente passar para a primeira divisão dos partidos brasileiros”, afirma França.

06/07/2009 - 11:03h Ciro pode se candidatar por São Paulo, mas não decidiu ainda a qual cargo

Muito longe ainda das eleições de 2010, as especulações sobre o pleito, particularmente no Estado de São Paulo, são isso: especulações.

No caso de Ciro, que não definiu sua posição, a especulação faz parte do debate mais geral sobre a candidatura a presidente da qual, por enquanto, não se afastou.

Pessoalmente vejo com bons olhos a possibilidade de Ciro ser candidato em São Paulo, mais ainda que, segundo o artigo do jornal VALOR, “Ciro não descarta participar da corrida ao Palácio dos Bandeirantes mesmo que o PT lance candidato próprio, caso os aliados avaliem que a participação de dois nomes da base de sustentação de Lula pode evitar a vitória de Alckmin no primeiro turno.”, foi o que eu defendi em A questão de Ciro em São Paulo: factóide ou opção?:

“A eleição presidencial sendo prioritária para os partidários da continuidade do governo Lula, tudo deveria estar subordinado no Estado de São Paulo a este objetivo. Ainda mais que aqui se concentra quase um quarto do eleitorado do país. Esta prioridade significa que o PT deve constituir suas chapas majoritárias com aqueles dirigentes experientes em disputas eleitorais de peso, com cacife eleitoral e isto concerne os cargos de governador e vice, assim como ao Senado e à Câmara federal para obter o melhor percentual possível na disputa nacional neste Estado. Ao mesmo tempo o PT deve sim, conversar com seus aliados para convence-los de lançar os nomes mais fortes e viáveis aqui, para forçar um segundo turno na disputa para governo do Estado.”

Essa hipótese me parece a mais adequada e, diria eu, a única realmente plausível no Estado, pois permitiria sim reforçar o campo da oposição aos demo-tucanos e talvez forçar um segundo turno. Já a substituição de um candidato próprio do PT por Ciro, nada acrescentaria ao potencial eleitoral da oposição e pouco reforçaria a votação de Dilma no Estado. LF

Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) já tomou as primeiras providências necessárias a uma eventual troca de domicílio eleitoral de Fortaleza para São Paulo, abrindo caminho à possibilidade de disputar o governo do Estado, em uma estratégia de partidos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para enfrentar a hegemonia do PSDB.

O prazo final para a transferência é um ano antes das eleições, que serão realizadas no primeiro domingo outubro de 2010. No entanto, a residência mínima de três meses no novo endereço é requisito para a troca, segundo o Código Eleitoral. Para cumprir a exigência, Ciro já providenciou imóvel em seu nome, garantindo comprovante de residência. “Já deve ter conta de luz no meu nome”, disse na semana passada.

O cumprimento da formalidade legal não significa que a decisão esteja tomada. As conversas entre PT, “bloco de esquerda” (PSB, PDT e PC do B) e partidos aliados em São Paulo estão avançadas. Falta, ainda, uma conversa decisiva entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Eduardo Campos (Pernambuco), presidente nacional do PSB. Lula tem dado sinais de que apoia a candidatura Ciro por São Paulo, mas falta oficializar a decisão.

Ciro trabalha com a hipótese de transferir seu domicílio eleitoral dentro do prazo e deixar para depois a definição sobre a candidatura. Por São Paulo, ele poderá concorrer a qualquer cargo eletivo – até à Presidência da República, plano não totalmente abandonado.

No Ceará, governado por Cid Gomes (PSB), seu irmão, Ciro teria um leque menor de opções, pela regra de inelegibilidades. Segundo a Constituição (artigo 14), cônjuge e parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, de presidente da República, governador e prefeito são inelegíveis, no território de jurisdição do titular. Como exceção, a pessoa pode concorrer à reeleição, se já for titular de mandato eletivo.

Mantendo domicílio eleitoral no Ceará, portanto, Ciro poderia concorrer apenas a presidente e vice-presidente e à reeleição como deputado federal – alternativa que ele rejeita totalmente, “por falta de aptidão”. Em São Paulo, teria, além das anteriores, outras opções: governador, vice-governador, senador e até a deputado estadual.

Com relação à disputa para governador de São Paulo, o próprio Ciro mantém dúvidas. Diz que só concordará “se for para cumprir uma tarefa política”, com uma estratégia eleitoral definida. “Preciso compreender qual é o grande projeto em que isso se inscreve, adquire legalidade e naturalidade”, afirmou.

A ideia de Ciro disputar o governo paulista partiu do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical. Nasceu pela falta de nome competitivo da oposição ao governo José Serra (PSDB) para disputar com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). O tucano surge nas pesquisas com forte chance de eleição no primeiro turno.

Para avaliar as chances do deputado, aliados de São Paulo encomendaram ao Ibope pesquisa de opinião pública no Estado. Ciro aparece com 18%, mesmo percentual da petista Marta Suplicy, que não quer concorrer. Os outros nomes desse grupo (PT e bloquinho) ficam bem atrás. O prefeito de Osasco, Emídio de Souza (PT), lançado por 15 dos 19 deputados estaduais do PT, aparece com 3%.

O lançamento de Emídio não suspendeu as negociações entre PT e aliados. Segundo o líder na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (SP), o partido apresenta o prefeito de Osasco, mas deve estar aberto a discutir as opções dos parceiros. “E ver qual o melhor nome para dar consistência a um programa de desenvolvimento, criação de emprego e geração de renda para o Estado, que cole São Paulo ao Brasil, rompendo com o núcleo que o governa há quase 15 anos”, disse.

Nesse contexto, Ciro “é visto com respeito pelo PT”, por sua história e compromisso com o projeto do governo Lula. De acordo com outros dirigentes nacionais do PT, o forte discurso do deputado cearense contra os tucanos pode “empolgar” a base do partido em São Paulo. Há, por outro lado, certo receio de seus “rompantes”. O PT já foi alvo de críticas do deputado.

Na sexta-feira, o Ibope divulgou nova pesquisa em que Ciro aparece com no máximo 12%, percentual menor do que os registrados na enquete encomendada por seus aliados. Isso ocorreu, segundo o deputado Márcio França (PSB-SP), lider do “bloquinho” na Câmara, porque nessa segunda pesquisa o nome de Ciro não aparece como única opção da frente antitucana. Ele é colocado como concorrente de Marta Suplicy (PT), Paulo Maluf (PP) e Paulinho da Força (PDT).

“Essa hipótese não existe”, diz França. Segundo ele, a articulação em curso pressupõe aliança dos partidos do “bloquinho” com PT, PP e PR, todos oposição a Serra. Analisando os percentuais obtidos por essas siglas na pesquisa, França calcula que o bloco da oposição poderá ter um percentual de largada de cerca de 40% – conseguindo equilíbrio com o bloco governista (PSDB, DEM, PMDB, PPS, PV e PTB).

O tempo de propaganda eleitoral na televisão será praticamente o mesmo para cada lado: dez minutos. Por enquanto, é tudo especulação. Mas o mais provável é haver dois grandes blocos na disputa pelo governo, segundo França. Numa eleição polarizada, a tendência é decisão no primeiro turno.

Ciro não descarta participar da corrida ao Palácio dos Bandeirantes mesmo que o PT lance candidato próprio, caso os aliados avaliem que a participação de dois nomes da base de sustentação de Lula pode evitar a vitória de Alckmin no primeiro turno.

A eventual candidatura em São Paulo tiraria Ciro da eleição para a Presidência da República, o que seria conveniente à campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). “Há uma conjunção de interesses. A negociação passa por uma estratégia nacional”, diz França.

Ciro tem consultado aliados e analisado os cenários à vista. De antemão, rebate argumentos de que ele é um “forasteiro”, já que nasceu em Pindamonhangaba (SP), terra de Alckmin, e tem família no Estado, onde sempre esteve presente durante seus 30 anos de carreira política – especialmente como ministro da Fazenda do governo Itamar Franco durante quatro meses (1994).

Ex-prefeito de Fortaleza, ex-governador do Ceará, ex-ministro da Integração Nacional da Lula e duas vezes candidato a presidente, Ciro contabiliza também a seu favor os cerca de 3,5 milhões de nordestinos que vivem na capital paulista (27% do eleitorado da cidade).

O deputado não acredita que os ataques desferidos por ele contra a elite econômica de São Paulo prejudiquem uma eventual candidatura sua ao governo do Estado. “Eu cobro palestras a empresários. Eles me convidam e pagam. É um indicativo, no mínimo, de respeito.”