05/11/2008 - 10:54h A verdade incomoda

Juarez Rodriguez/Estado de Minas/Folha Imagem e Luiz Costa/Hoje em Dia/AE

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Aécio e Serra: atuação dos governadores de Minas e São Paulo na campanha municipal gera tensão interna no PSDB agravada pela certeira etiqueta colada por Márcio Lacerda, prefeito de BH na aliança paulista: centro-direita

PSDB contesta declarações de Lacerda sobre apoio da legenda a Quintão

Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

A declaração do prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), sobre suposta interferência de “correntes políticas de São Paulo” na campanha eleitoral mineira para favorecer o candidato do PMDB, Leonardo Quintão, serviu como um alerta para a cúpula tucana. Setores do PSDB viram no gesto sinal de uma campanha de bastidor para enfraquecer a pré-candidatura do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), à Presidência da República.

Lacerda, em entrevista ao “Estado de S.Paulo”, afirmou ter notícias de que a campanha do seu adversário teve “apoio financeiro muito forte de São Paulo” e de “correntes que não queriam o sucesso” do governador Aécio Neves (PSDB), de Minais Gerais. Serra e Aécio são os dois nomes do PSDB cotados para encabeçar a disputa presidencial de 2010. Lacerda foi apoiado por Aécio e pelo prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT).

Lacerda disse, ainda, que Aécio e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) – seu padrinho político – não têm “aquela fome de ser presidente que Serra tem”. Setores do PSDB preferem achar que Ciro Gomes – e não Aécio – está por trás das acusações de Lacerda. Querem evitar uma crise interna no PSDB. O prefeito eleito foi secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional em 2003, na gestão de Ciro.

“Pato novo, quando mergulha fundo, corre perigo”, afirmou ontem o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), referindo-se às declarações de Lacerda, vistas como tentativa de atingir Serra. “É bom ele (Lacerda) se preocupar com seu partido e não opinar sobre o meu. Se quiser, que o faça. Mas sem torcer os fatos. O governador Serra não se intrometeu na eleição de Minas. Disse, apenas, que o modelo adotado em Belo Horizonte (aliança do PT com o PSDB) não é fácil repetir”, disse Virgílio.

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), foi o primeiro a reagir ao que considerou “insinuações” do prefeito eleito, negando que Serra tenha atuado durante a campanha a favor da candidatura de Quintão. Em São Paulo, o candidato de Serra – o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que foi reeleito – disputou em aliança com o PMDB.

“A atuação dos dois governadores, Serra e Aécio, foi coordenada pelo partido”, disse Guerra. Segundo ele, “não há nenhuma chance” de Serra ter interferido na campanha de Belo Horizonte para prejudicar o candidato de Aécio. Assim como, segundo ele, o governador mineiro não atuou em São Paulo sem o conhecimento do partido. Guerra lembrou que o apoio de Aécio à candidatura de Lacerda, numa aliança com o PT, foi aprovada por unanimidade pela Executiva Nacional do PSDB – o que não ocorreu no PT.

O líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES), não viu problemas na declaração de Lacerda – a não ser para o PSDB. “Se a colaboração financeira (para a campanha de Quintão) foi legal, lícita, não vejo problema nenhum, a não ser a repercussão política das relações internas do PSDB”, disse. O que chamou a atenção de Casagrande, na entrevista, foi a definição que Lacerda fez da aliança ocorrida em Belo Horizonte – “de centro-esquerda” – e a de São Paulo – “centro-direita”. Para Casagrande, o prefeito eleito tem razão, porque a aliança feita em São Paulo é de “direita, conservadora”.

Ele considerou natural que Lacerda se posicione claramente com relação aos projetos colocados para o Brasil hoje. Segundo o líder, o projeto do PSB é fortalecer a candidatura de Ciro Gomes em 2010.

03/11/2008 - 08:27h ”Campanha do meu adversário teve apoio forte vindo de São Paulo”

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Márcio Lacerda: prefeito eleito de Belo Horizonte;

segundo ele, ajuda financeira para Quintão veio de correntes que não queriam o sucesso de Aécio na eleição

 

 

Eduardo Kattah, BELO HORIZONTE – O Estado SP

O prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), afirma que a campanha de Leonardo Quintão (PMDB), seu adversário no segundo turno, recebeu forte apoio financeiro “vindo de São Paulo”. Em entrevista ao Estado, o prefeito disse que esse apoio veio de correntes “que não queriam o sucesso do governador (Aécio Neves)”, em alusão velada ao governador José Serra (PSDB).

Lacerda disse que seus padrinhos Aécio e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) trabalham por um projeto de centro-esquerda, em contraponto à aliança de centro-direita de PSDB e DEM, simbolizada pela eleição de Gilberto Kassab (DEM) em São Paulo. Aécio e Ciro, diz, não demonstram “aquela fome de ser presidente que Serra tem”.

Não ganhar no primeiro turno comprometeu a aliança que o elegeu?

A vitória no primeiro turno aconteceu por falhas da nossa estratégia, não por falhas de concepção da aliança. Mas no Sudeste eu tive a maior votação (no primeiro turno) entre os candidatos mais bem colocados. Dizer que houve vitórias do Serra e do Sérgio Cabral (governador do Rio), porque os seus candidatos foram para o segundo turno, e uma derrota porque eu não fui (eleito no primeiro turno), é forçar um pouco a barra. Não houve derrota da aliança.

Que influência a eleição de Belo Horizonte teve sobre 2010?

Ela sinalizou que é possível tendências social-democratas dentro do PT e dentro do PSDB se unirem. E se uniram num projeto eleitoral para uma cidade. Não significa que isso aconteceria em outras eleições. Pode acontecer. O mínimo que deveria acontecer é os social-democratas dos grandes partidos se unirem para ter um projeto para o País. Qualquer que seja o novo presidente, o ideal seria que ele tivesse uma ampla coalizão de forças de centro-esquerda o apoiando, tanto na eleição quanto no governo.

O sr. classificou a vitória de Gilberto Kassab em São Paulo como uma aliança de centro-direita…

E é.

Ela não ajudou a desgastar a aliança do governador Aécio e do prefeito Pimentel, de PSDB com PT?

Não estou dizendo que (a aliança) tenha essa importância toda. Estou dizendo que ela sinaliza algo novo na política nacional, pelo ineditismo. O papel do Kassab será municipal, embora a máquina de uma prefeitura como a de São Paulo – Belo Horizonte muito menos – seja importante no apoio para eleição de governador e presidente. Mas eu digo que é de centro-direita na medida em que reflete uma aliança que o PSDB de São Paulo já tinha com o PFL (atual DEM) há mais tempo. O governador (Aécio) falou isso para ele. Ele disse: “Já falei para o meu amigo Serra que se ele quiser ser presidente tem de criar uma ampla coalizão, um movimento de opinião.”

Como assim, um movimento de opinião?

Para que ele possa governar com a base social-política necessária capaz de gerar as transformações de que o País precisa. Ele precisa ganhar essa base ampla de opinião. Mostrar que é capaz de aglutinar. Ninguém pode ser candidato de si mesmo ou de um partido. Se você pensar bem, o Lula não foi eleito pelo PT. A votação dele foi o dobro da capacidade do PT de gerar votos. Acho que o centro do debate é este: que projeto o novo presidente terá para o País e qual a ampla coligação de forças e movimento de opinião que vai ajudá-lo a governar depois.

O sr. disse que a sua aliança enfrentou resistências vindas de fora, de São Paulo. De onde partiram essas resistências?

A cúpula do PT foi amplamente contrária, isso é conhecido. O PSDB nacional apoiou. Mas a gente tem notícias de que a campanha do meu adversário teve um apoio muito forte vindo de São Paulo.

Que tipo de apoio? Dado por quem?

Prefiro não dizer, porque eu tenho notícias de que o apoio financeiro vindo de São Paulo foi muito forte. Apoios ao candidato do PMDB e de correntes que não queriam o sucesso do governador (Aécio) nessa empreitada.

Qual a participação de Ciro na escolha do seu nome? Que tal a dobradinha Aécio-Ciro para 2010?

Ele participou da articulação aqui. Eu soube da participação dele nas articulações em outubro de 2007. Eu não vejo nem Ciro nem Aécio com aquela fome de ser presidente. Eles são até desapegados da idéia. Não têm aquela gana de ser presidente que parece que o governador José Serra tem. Eles querem um projeto para o País. Os dois querem um projeto de centro-esquerda.

31/10/2008 - 12:19h Lacerda constata o obvio e diz que Serra lidera “projeto de centro-direita”

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Afilhado de Aécio, prefeito eleito de BH reage a alfinetada de governador de SP

Ao diferenciar PSDB mineiro do paulista, prefeito eleito diz que o partido em Minas, que o apoiou na eleição, é de “centro-esquerda”

ANDREZA MATAIS – Folha SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O prefeito eleito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), afirmou ontem que o PSDB de Minas Gerais é diferente do PSDB paulista ao classificar de “centro-esquerda” a aliança que o elegeu -que contou com a participação informal do partido e formal do PT- e ao chamar de “centro-direita” a aliança que apoiou Gilberto Kassab (DEM) em São Paulo.

“O PSDB em Minas Gerais é social-democrata. Em São Paulo, o projeto vitorioso é de centro-direita”, afirmou o eleito.

O comentário ocorre após o governador José Serra (PSDB), que costurou a aliança vitoriosa em São Paulo, ter classificado a coligação petista-tucana em torno de Lacerda como “um projeto eleitoral complexo que deu certo, na perspectiva de Aécio [Neves]“, e ter considerado que se trata de uma “fórmula local” que não tem como se repetir nacionalmente.

Afinado com o governador de Minas e presidenciável, Aécio Neves (PSDB), Lacerda disse que ninguém será eleito em 2010 se não conseguir aglutinar forças e que, nesse aspecto, os políticos mineiros levam vantagem: “Sou mineiro e a capacidade que o Estado tem de buscar convergências é algo histórico. O país precisa disso. Sem aglutinar várias forças nem o Serra se elege”, afirmou ele.

Estreante no PSB, Lacerda disse que irá defender na disputa presidencial de 2010 uma composição semelhante à costurada em Belo Horizonte. “Defendo que seja um projeto de centro-esquerda o mais amplo possível”, declarou.

Além do apoio de Aécio, ele ainda teve como cabo eleitoral o atual prefeito da capital, Fernando Pimentel (PT), que também defendeu mais “conversa” entre PT e PSDB.

O prefeito eleito participou ontem da reunião da Executiva Nacional do PSB, em Brasília. O presidente nacional do partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, afirmou que Marcio Lacerda é hoje a “maior estrela do partido” -que tem em seus quadros o deputado federal Ciro Gomes (CE), que já disputou a Presidência em duas ocasiões (1998 e 2002). Em 2002, Lacerda foi coordenador financeiro da campanha presidencial de Ciro e continuou com ele como ministro-adjunto na Integração Nacional.

19/10/2008 - 11:22h Nova virada eleitoral pode acontecer em BH

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Márcio Lacerda (PSB) e Leonardo Quintão (PMDB) na disputa em BH

 

KENNEDY ALENCAR Colunista da Folha Online

O deputado federal Leonardo Quintão (PMDB) é um dos fenômenos destas eleições municipais. Na reta final do primeiro turno em Belo Horizonte, o peemedebista cresceu e quase encostou em Márcio Lacerda, candidato do PSB à prefeitura da capital mineira. Resultado: 43,5% dos votos válidos para Lacerda e 41,2% para Quintão.

No começo da campanha para o segundo turno, pesquisas apontaram uma vantagem de Quintão na casa dos 20 pontos percentuais. Levantamento realizado pelo Datafolha nas últimas sexta e quinta-feira constatou uma redução dessa vantagem para exatos 10 pontos percentuais –47% para Quintão contra 37% de Lacerda. Em votos válidos, excluídos brancos, nulos e indecisos, a pesquisa dá 56% ao peemedebista e 44% a Lacerda.

Na quarta-feira, houve a sabatina da Folha com os dois candidatos –este jornalista foi um dos entrevistadores. Impressão: Quintão é uma águia política. Carismático, bom de TV, inteligente. Isso tudo é verdade. Mas lembra muito o Fernando Collor de 1989. Não no sentido agressivo. Pelo contrário. É bem cordato. Mas usa chavões com eloquência, o que é sinal de vazio de idéias. Quintão parece ter vestido um personagem para a eleição, como Collor na primeira disputa presidencial após a redemocratização.

Na sabatina, Lacerda lembrou que Quintão usou dados de fichas da repressão da ditadura para chamá-lo de assaltante de bancos. O peemedebista diz que apenas reproduziu o que estava na ficha do adversário. Ora, logo alguém do PMDB, partido que fez oposição, ainda que consentida, à ditadura. Rapidamente, ele saiu da armadilha, dizendo que a ditadura era ruim e que o PMDB a combatera, mas o ataque já estava nas ruas de BH havia dias.

Lacerda caiu em contradição, como criticar as companhias peemedebistas de Quintão tão benquistas por seu maior aliado, o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB). O candidato do PSB também reconheceu que errou na campanha de primeiro turno, recusando-se a responder a ataques e ficando escondido na propaganda de TV. Aécio e o prefeito da capital, Fernando Pimentel (PT), fizeram uma aliança à força, desagradando partidários e aliados. Aécio e Pimentel tiraram Lacerda do bolso do colete e estão tomando um belo susto.

Mas, de novo, uma impressão: o candidato do PSB demonstrou mais consistência política e administrativa na sabatina. Ao final do encontro, gente que pensava em votar em Quintão já admitia optar por Lacerda ao obter mais informações sobre os candidatos. Havia 200 pessoas na sabatina. A percepção deste jornalista é de que ocorre uma reflexão sobre a onda Quintão. Há chance de nova virada em Minas.

(…)

Leia a integra da coluna de Kennedy Alencar na Folha online
Kennedy Alencar, 40, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos. Também é comentarista do telejornal “RedeTVNews”, no ar de segunda a sábado às 21h10.

E-mail: kalencar@folhasp.com.br

30/08/2008 - 20:53h Márcio Lacerda dispara nas corrida eleitoral de BH, mostra Ibope

http://tbn0.google.com/images?q=tbn:wSeDura2beKYyM:http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/images/AecioPimentelLacerda.jpgJornal da Globo – O Globo Online

RIO – O candidato do PSB à prefeitura de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, disparou na preferência dos eleitores e atingiu 40% das intenções de votos, mostra pesquisa do Ibope, encomendada pelo jornal “O estado de São Paulo” e pela TV Globo, e divulgada pelo Jornal da Globo na noite desta sexta-feira. Ele tinha 8% das intenções de voto em julho. Foi para 9% na pesquisa de 15 de agosto e agora disparou, atingindo 40% das intenções. Lacerda é o candidato das duas maiores autoridades políticas de Belo Horizonte, o prefeito Fernando Pimentel (PT), e de Minas, o governador Aécio Neves (PSDB).

A deputada federal, Jô Moraes, do PC do B, tinha 17% em julho. Na primeira quinzena de agosto oscilou para 18% e agora está com 15%. O deputado federal Leonardo Quintão, do PMDB, tinha 14% em julho, caiu para 10% na primeira quinzena de agosto e na nova pesquisa se manteve estável. Sérgio Miranda, do PDT, começou com 3%. Oscilou para 2% e agora se manteve estável.Vanessa Portugal, do PSTU, tinha 4% em julho, oscilou para 5% na primeira quinzena de agosto e agora caiu para 1% das intenções. Gustavo Valadares, do DEM, tinha 2% das intenções em julho manteve-se estável na primeira quinzena de agosto. Agora, oscilou para 1%.

Na última pesquisa em Belo Horizonte, brancos e nulos somam 10%. Não sabem e não opinaram, 20%. Os candidatos André, do PT do B, Pepê, do PCO, e Jorge Periquito, do PRTB, tiveram menos de 1% das intenções.

Num eventual segundo turno, Marcio Lacerda teria 48% das intenções de voto contra 21% de Jô Moraes. Em outro cenário, o candidato do PSB teria 43% dos votos no segundo turno contra 17% de Leonardo Quintão.

O Ibope entrevistou 805 eleitores na capital mineira entre os dias 26 e 28 de agosto. A pesquisa, registrada na 26ª Zona Eleitoral com o número 59638/200, tem margem de erro de três pontos percentuais.

24/08/2008 - 08:54h Candidato de Aécio e do PT já é líder em BH

Marcio Lacerda cresce 15 pontos em um mês e chega a 21%, empatando com Jô Moraes, que oscilou de 20% para 17%

O programa de Lacerda na televisão tem 11 minutos e 47 segundos, enquanto o da deputada Jô Moraes dura só um minuto e 46 segundos

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Aécio Neves, Fernando Pimentel (atual prefeito), Marcio Lacerda e Ciro Gomes em campanha no Mercado Central de Belo Horizonte

PAULO PEIXOTO – FOLHA SP

DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE

Pesquisa Datafolha realizada após o início da propaganda eleitoral na TV e rádio mostra que Marcio Lacerda (PSB), o candidato à Prefeitura de Belo Horizonte do governador tucano Aécio Neves e do prefeito petista Fernando Pimentel, equilibrou a disputa e está na frente, empatado tecnicamente com Jô Moraes (PC do B).
Um mês após a primeira pesquisa, Lacerda cresceu 15 pontos percentuais -de 6% para 21% das intenções de voto, quatro pontos à frente da deputada federal Jô Moraes, que oscilou negativamente de 20% para 17%. O deputado Leonardo Quintão (PMDB) subiu quatro pontos (de 9% para 13%).
A pesquisa, encomendada em parceria pela Folha e TV Globo, ouviu 829 eleitores nos dias 21 e 22. A margem de erro é de três pontos percentuais. No levantamento espontâneo, Lacerda tem 11% (eram 2%), contra 5% de Jô Moraes (igual ao anterior) e 3% de Quintão.
O crescimento de Lacerda nesse período tem um peso muito importante do horário eleitoral, segundo o diretor do Datafolha, Mauro Paulino. O programa de Lacerda tem 11 minutos e 47 segundos, e o de Jô, apenas 1 minuto e 46 segundos. O segundo melhor tempo é o de Quintão: 5 minutos e 23 segundos. O candidato da aliança Aécio-Pimentel terá ao longo da campanha 1.062 inserções (média de 23 por dia), contra 159 para Jô (3,6 por dia).
“A pesquisa mede o período de um mês. Não tem como afirmar que foi na última semana [todo o crescimento], mas há um impacto muito forte com o tempo de TV que Lacerda tem. No período de um mês ele virou o jogo, saiu das últimas colocações e -apesar de estar na margem de erro, mas considerando essa evolução- assumiu a dianteira”, disse Paulino.
Apesar de 67% dos entrevistados terem dito que não assistiram ao horário eleitoral, Paulino disse que há um “efeito multiplicador” nessa fase da campanha, com as pessoas comentando. Muitos podem ter assistido às inserções sem considerá-las horário eleitoral.
O apoio de 14 partidos e as presenças constantes de Aécio e Pimentel na propaganda eleitoral, tidos pelo diretor do Datafolha como cabos eleitorais muito importantes por serem bem avaliados, ajudaram no crescimento de Lacerda -segundo o Datafolha, a gestão do prefeito petista é aprovada por 76% do eleitorado. E Lacerda tem a menor rejeição: 7%.
As posições dos demais candidatos não mudaram muito. Vanessa Portugal (PSTU) oscilou dois pontos para baixo e está com 4%, mesmo percentual de Sérgio Miranda (PDT), que antes tinha 5%. Gustavo Valadares (DEM) oscilou de 4% para 2%. André (PT do B), Jorge Periquito (PRTB) e Pepê (PCO) não atingiram 1%. Num eventual segundo turno entre Jô e Lacerda, haveria empate: 34% contra 33%, respectivamente. A pesquisa foi registrada sob o número 56616/ 2008.

23/08/2008 - 23:29h Candidato de Aécio e do PT já é líder em BH

Marcio Lacerda cresce 15 pontos em um mês e chega a 21%, empatando com Jô Moraes, que oscilou de 20% para 17%

O programa de Lacerda na Televisão tem 11 minutos e 47 segundos, enquanto o da deputada Jô Moraes dura só um minuto e 46 segundos

Paulo Peixoto – Folha de São Paulo

Pesquisa Datafolha realizada após o inicio da propaganda eleitoral na TV e rádio mostra que Marcio Lacerda (PSB), o candidato à Prefeitura de Belo Horizonte do governador tucano Aécio Neves e do prefeito petista Fernando Pimentel, equilibro a disputa e está na frente, empatado tecnicamente com Jô Moraes (PCdoB).

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13/08/2008 - 11:20h O ensaio mineiro das eleições presidenciais

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Aécio Neves, Fernando Pimentel (atual prefeito), Marcio Lacerda e Ciro Gomes em campanha no Mercado Central de Belo Horizonte

Editorial – VALOR

Por enquanto, a inédita coligação em Belo Horizonte, que uniu os dois partidos que tradicionalmente polarizam a eleição, PT e PSDB, em torno de um candidato do PSB que em outra hipótese não teria chance alguma, produziu apenas um candidato obscuro cercado de estrelas por todos os lados. Márcio Lacerda (PSB) desfilou anteontem seu terceiro lugar nas pesquisas ladeado pelo governador Aécio Neves (PSDB), pelo atual prefeito Fernando Pimentel (PT) e pelo deputado Ciro Gomes (PPS) como aquele que pode vir a ser uma criatura política concebida pela transferência direta do prestígio pessoal do governador e do prefeito. A aposta é a de que ambos têm substância eleitoral suficiente não apenas para transformar os 60% dos indecisos em votos favoráveis, mas para fazer da eleição de Lacerda um dado definitivo no jogo eleitoral de 2010, quando se estará decidindo a Presidência da República.

O cearense Ciro Gomes entrou no jogo mineiro por absoluta falta de opções. Por quase seis anos, foi a promessa de candidatura presidencial que aglutinaria todo o bloco governista por obra e graça de um apoio pessoal de Lula, que acenou com essa possibilidade até ceder – à sua maneira – à opção do PT por uma candidatura própria. Também o presidente Lula passou a apostar unicamente na força de seu prestígio – tanto no PT quando junto ao eleitor – para transformar uma ministra técnica, a da Casa Civil, Dilma Rousseff, em sua sucessora. Abrigado num pequeno partido e com chances cada vez mais remotas de coligação com o PT em 2010, Ciro tem que aumentar o seu cacife para ter algum poder de negociação na sucessão de Lula. A vitória do candidato de seu partido em Belo Horizonte é um dado importante, e uma aposta que o une a Aécio, um ex-colega de PSDB – Ciro foi um dos fundadores do partido e saiu batendo a porta no governo de Fernando Henrique Cardoso.

A capital mineira tornou-se uma peça importante no jogo sucessório nacional por falta de opção. Aécio Neves tem que encontrar um caminho próprio que não passe por São Paulo, onde tem um adversário interno declarado, o governador José Serra, e um que pode sempre ser um postulante a qualquer cargo, Geraldo Alckmin. As eleições de BH tornaram-se um modelo do que seria o ideal para ele em 2010: uma aliança entre ele, o PT e o PSB que isole postulantes paulistas; e um acerto com Ciro Gomes, que pode lhe valer uma visibilidade no Nordeste que hoje não tem.

No meio dessa porção de interesses políticos que se projetam a 2010, existe o eleitor da capital mineira. Por enquanto, não é possível dizer que ele vá referendar o projeto político de seu governador e do seu prefeito – este, interessado, no momento, em definir sua hegemonia sobre o diretório mineiro do PT. Os dados objetivos não permitem nenhuma aposta: Jô Morais, do PCdoB, tem hoje o primeiro lugar nas pesquisas, mas é também a mais conhecida do eleitor – e não começou o horário eleitoral gratuito, que apresentará o desconhecido Lacerda e tentará converter o alto grau de aprovação das administrações de Aécio e Pimentel em votos a favor dele. De outro lado, o alto índice de indecisão, e o fato de nenhum dos candidatos a prefeito ter um peso próprio que garanta um claro favoritismo, dá chances a Lacerda de ganhar apenas apresentando ao eleitor o aval de seus apoiadores. Conta também a favor do candidato do PSB, registra uma pesquisa do Instituto Vox Populi, um alto índice de aprovação do eleitorado à aliança entre PT e PSDB, que o apóia.

Se Jô Moraes ganhar, ninguém ganha grandes coisas junto com ela. Se Lacerda perder, perdem Aécio, Pimentel e Ciro Gomes – e a maior chance de a sucessão presidencial sair do círculo de influência paulista. Nessa circunstância, é de se esperar que pelo menos as duas lideranças mineiras joguem todo o seu prestígio e poder não apenas para conseguir votos para Lacerda, mas para conter dissidências. A máquina municipal do PT, sob influência do prefeito, abriu processo na Comissão de Ética contra todos aqueles que declararam apoio público à candidata do PCdoB. É só o começo. O jogo tende a ser pesado – e se for pesado demais, pode ter o efeito contrário e favorecer Jô Morais, numa eleição onde nenhum candidato tem uma fatia de liderança própria – e onde, teoricamente, qualquer vitorioso será um azarão.

01/08/2008 - 10:08h Debate temático domina 1 encontro de candidatos

Debate ontem que reuniu os candidatos a prefeito de São Paulo, promovido pela Rede Bandeirantes de TV: discussão temática dominou primeira metade
Fernando Donasci / Folhaimagem
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VALOR – Cesar Felício e Danilo Jorge, Sérgio Bueno, Marli Lima e Raquel Salgado, de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Salvador

O primeiro debate promovido pela TV Bandeirantes em seis capitais (São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Manaus), entre candidatos a prefeito, foi dominado por discussões temáticas, com farpas mais acaloradas no da capital baiana.

No primeiro dos cinco blocos do debate paulistano, a primeira pergunta apresentada pelo mediador Boris Casoy foi sobre as propostas dos candidatos para combater a poluição na cidade. Os líderes em pesquisa, Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) demonstraram mais segurança na abertura do debate. A candidata do PT, Marta Suplicy, atacou a atual gestão por ter abandonado a coletiva coletiva de lixo, o que teria agravado a poluição, além da política de expansão dos corredores de ônibus. Geraldo Alckmin disse que as doenças do aparelho respiratório já são a quarta causa de morte na cidade. Falou da redução do ICMS sobre o carro flex, que aprovou como governador.

O candidato do PP, Paulo Maluf, apresentou a principal proposta de sua plataforma, a “freeway”, seis pistas sobre os rios Tietê e Pinheiros. Foi o único momento em que o assessor de Marta, João Santana, riu, da platéia. “Carros em movimento poluem menos que aqueles em ponto morto”. A candidata do PPS, Soninha Francine, criticou a política de popularização de crédito que permite compra de carro em até 90 meses. E ainda observou que a proposta de Maluf, de asfaltar os rios da cidade, aumentaria a poluição.

No segundo bloco, Soninha, perguntou a Marta se ela se arrependia do túnel da Rebouças e da ponte estaiada, que não tem ciclovia nem passagem para pedestre . Marta disse que não se arrependia de nada e, de olho no eleitorado da candidata, elogiou sua iniciativa de ter chegado de bicicleta. “Foi coerente”. Disse que construiria mais 200 quilômetros de corredores de ônibus e citou o compromisso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de liberar recursos para as iniciativas em transporte público.

Perguntado por Ivan Valente (PSOL) sobre quem financiaria sua campanha, que tem teto de R$ 25 milhões, Alckmin disse que a previsão é modesta e não respondeu. Preferiu defender o financiamento público de campanha. O candidato do PSOL o acusou de faltar com a transparência e disse que o financiamento privado era a principal origem da corrupção no Brasil. Relacionou a atuação de seus financiadores com o acidente no metrô . Alckmin rebateu que a associação era de mau gosto.

Alckmin perguntou a Kassab qual seria sua proposta para a iluminação pública em São Paulo. Kassab acusou a privatização das empresas públicas de energica, feita por Alckmin, de não ter condicionado as empresas a investir em iluminação pública. Alckmin não acusou o golpe e disse que a iluminação teria que ser melhorada para ajudar a segurança.

Nos bastidores, o ex-governador Orestes Quércia (PMDB), que apóia Kassab, disse que seu candidato precisava mudar a postura. “Precisa demonstrar coragem, do homem que enfrenta caminhoneiros e está enfrentando o trânsito”. Os senadores Álvaro Dias (PSDB) e Sérgio Guerra (PSDB) prestigiaram Alckmin. Com Marta, chegaram seu vice, o deputado federal Aldo Rabelo (PCdoB), e os senadores petistas Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy. Soninha Francine, chegou de bicicleta. Ivan Valente foi o único a apostar em militância, com torcida uniformizada. Ele tem 1% nas pesquisas.

Em Belo Horizonte, oito dos nove candidatos participaram. Um dos mais esperados para o evento, devido às incertezas em relação à sua participação, o empresário Márcio Lacerda (PSB) disse que a decisão só foi tomada no início da noite, poucas horas antes do programa. “A questão principal era saber se participar de um debate com oito candidatos era produtivo ou não”, disse.

O candidato disse que a decisão foi tomada após avaliação feita pelos estrategistas da campanha e pelos membros do conselho político. Ele afirmou que a posição do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), os dois principais fiadores da candidatura de Lacerda, era favorável à participação.

No início do debate, o candidato do PMDB, deputado federal, Leonardo Quintão ressaltou que a sua candidatura fazia parte da base partidária que apóia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e, no Estado, o governador Aécio Neves.

Para a candidata do PC do B, deputada federal Jô Moraes, que lidera até agora as primeiras pesquisas eleitorais já divulgadas, o debate serviria para revelar ao eleitor, “quem efetivamente conhece a cidade e quem pode estar a serviço dela”.

No início do debate de ontem à noite em Porto Alegre, os candidatos à prefeitura trataram de apresentar – e reapresentar – promessas de governo enquanto o prefeito José Fogaça (PMDB), que concorre à reeleição, preferiu relacionar as iniciativas da própria administração. Segundo ele, que lidera as pesquisas de intenção de voto, nos últimos quatro anos o município investiu em segurança comunitária, no combate às pichações de locais públicos e na qualificação da Guarda Municipal. Ele lembrou ainda a contratação de médicos, a ampliação do programa da saúde da família e a reforma de parte dos postos de saúde pública.

A candidata do PT, Maria do Rosário, segunda colocada nas pesquisas, comprometeu-se a levar adiante o programa de despoluição do lago Guaíba, iniciado ainda na última gestão do partido (2001-2004). Ela prometeu ainda estender a coleta seletiva de lixo para toda a cidade e construir uma usina de geração de energia a partir de resíduos orgânicos. Manuela D’Ávila (PCdoB), que vem em terceiro nas pesquisas, voltou a afirmar que se empenhará na construção de um metrô na cidade e disse que pretende estabelecer restrições ao trânsito de caminhões no centro em horários determinados.

Os oitos candidatos à prefeitura de Curitiba participaram ontem do debate da Band. Havia a expectativa de que seriam sete contra o prefeito Beto Richa (PSDB), que busca a reeleição e conta com vitória no primeiro turno. O primeiro embate foi entre o tucano e o candidato do PMDB, Carlos Augusto Moreira Júnior, que questionou os gastos de R$ 30 milhões para propaganda da atual gestão em 2008. Richa disse que ele estava ‘mal informado’ e o acusou de usar a estatal TV Educativa para propaganda pessoal.

Na pergunta feita pela emissora a todos os candidatos, a questão envolvia um poste de energia colocado no meio de uma ciclovia e a necessidade de ter de conversar com empresas do governo para resolver problemas. Gleisi Hoffmann, do PT, aproveitou para elogiar a gestão de Lula logo na primeira oportunidade. Numa cutucada ao tucano, Moreira disse que tem bom relacionamento com o governo do Estado, ou seja, com o governador Roberto Requião, que o indicou à disputa. Assuntos como mobilidade urbana e transporte público, falta de creches, necessidade de mais investimentos em saúde e falta de segurança foram outros assuntos em pauta.

Os candidatos à prefeitura de Salvador resolveram colar não só na imagem de Lula, mas também na do governador da Bahia, Jaques Wagner. O primeiro a lançar mão disso foi justamente o candidato tucano, o ex-prefeito Antonio Imbassahy. Logo na abertura, aproveitou para exaltar conhecimento da cidade ressaltar que tem um “relacionamento fundamental com o governador”.

Wagner tem frisado que três candidatos, Imbassahy, Walter Pinheiro (PT) e João Henrique Carneiro (PMDB) “o tem” e fez questão de participar da convenção não só do PT, mas também das demais dos partidos de sua base: PMDB e PSDB.

Mesmo tendo falado primeiro do que Imbassahy, Walter Pinheiro, candidato pelo PT, não se lembrou de citar sua parceria com Wagner, deixando isso para o segundo bloco do debate. O deputado federal enumerou problemas de Salvador, como gestão, trânsito e exclusão dos negros, e disse que sua prioridade é humanizar a cidade.

O candidato do Democratas, Antonio Carlos Magalhães Neto, também falou sobre os pontos críticos de Salvador e, como tem feito em sua campanha, se colocou como o novo. Em busca de uma imagem de preparado, tinha, na ponta da língua, o número de policlínicas, postos e médicos da família que pretende implantar na capita baiana. Não deixou de atacar o atual prefeito, João Henrique Carneiro (PMDB).

João, por sua vez, acusou ACM Neto de ser mais do mesmo e de vir de um partido que governou o Estado por 16 anos e Salvador por oito. Foi o primeiro a citar a aliança com o presidente Lula, o que fez por três vezes durante os dois minutos em que respondeu sobre a saúde em Salvador.

01/08/2008 - 09:53h Um encontro marcado com a derrota

Foto: Agências

Os seis governadores eleitos do PSDB: Yeda Crusius, Cássio Cunha Lima e Ottomar Pinto (no alto);
Teotônio Vilela, Aécio Neves e José Serra (abaixo)

VALOR

Do alto de seus 73% de aprovação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva procura dar-se ao luxo de se afastar dos palanques municipais. Começará a organizar a sua sucessão depois de contados os votos sem dívidas a pagar e sem derrotas que lhe sejam creditadas. Sua capacidade de liderança tende a ficar ainda mais realçada pelo contraste: a situação dos governadores é exatamente oposta. O começo da temporada eleitoral deste ano nas capitais estaduais é um prenúncio de desastre para os governadores, de leste a oeste, de sul a norte, independente de partido.

No PSDB, tropeça o paulista José Serra e tropeça o mineiro Aécio Neves. Depois de não conseguir evitar a candidatura a prefeito de Geraldo Alckmin , Serra agora vê a campanha de seu favorito Gilberto Kassab patinar. Tornou-se um ausente da eleição na maior cidade do continente.

Em Belo Horizonte, Aécio imaginava que conseguiria montar uma coligação para eleger seu secretário Márcio Lacerda tão ampla que tornaria a eleição uma formalidade. Teve de manter o PSDB fora da aliança formal, recebeu um PT rachado e ficou sem o PMDB e o DEM. Não é provável que a líder nas pesquisas Jô Moraes mantenha o fôlego até outubro. Mas já não há dúvidas de que em Belo Horizonte a disputa será em dois turnos e que Aécio precisará cortar seus descansos de fim de semana no Rio para eleger seu candidato.

Gestores de crises, os demais governadores tucanos estão em situação ainda pior. No Rio Grande do Sul, Yeda Crusius apóia Marchezan Júnior, candidato ao sexto lugar em Porto Alegre. Em Alagoas, a candidata do governador Teotonio Vilella Filho apareceu com 1% na última pesquisa divulgada.

O petista Jaques Wagner é outro mero expectador do processo, na Bahia. Não trouxe o prefeito João Henrique para o PT e nem promoveu a aliança do partido com o PMDB. Ficará feliz se conseguir evitar a vitória de ACM Neto, que lidera as pesquisas. No Rio de Janeiro, o pemedebista Sérgio Cabral Filho também está longe de emplacar seu candidato. A lista completa enfadaria o leitor: estão mal posicionados na eleição para a capital de seus Estados Blairo Maggi (MT), Roberto Requião (PR), Alcides Rodrigues (GO), Ana Júlia Carepa (PA), Cid Gomes (CE), Eduardo Campos (PE), Luiz Henrique (SC), entre outros.

Tendência é governadores perderem nas capitais

A concentração de riqueza e saber em relação ao resto do Estado tradicionalmente torna as capitais centros oposicionistas. A capacidade da ação administrativa do governador reverter em popularidade é diluída na capital. A construção de uma ponte pode mudar o jogo político numa pequena cidade. Numa capital de Estado, obras de bilhões têm efeito reduzido. A regra não é apenas brasileira, que o digam Argentina e México, onde os prefeitos de Buenos Aires e Cidade do México se opõem ao poder central.

Desde a redemocratização as derrotas dos governadores em suas capitais quase sempre predominaram sobre as vitórias chegando ao extremo das eleições de 1992, quando todos os governos estaduais saíram derrotados. Esta tendência geral só não predominou na eleição de 2000 quando oposição e situação aos governos estaduais elegeram treze prefeitos de capital cada. Na última disputa, há quatro anos, apenas cinco governadores tiveram sucesso na eleição municipal mais importante de seus Estados.

A questão é entender o desdobramento destas derrotas na eleição seguinte. E é neste ponto que as situações não podem ser analisadas em bloco. Algumas capitais, como Curitiba e Teresina, apresentam uma linha de continuidade política de pelo menos vinte anos. Os governadores Requião e Wellington Dias chegaram ao poder apesar da oposição dos grandes centros e uma nova derrota não é diminuição de capital político.

Há também os casos em que a capital não é determinante para o controle da máquina estadual. No Pará, o PT ganhou em Belém em 2000. Dois anos depois, o PSDB manteria o controle do governo estadual. Em 2004, por meio do aliado PTB, foram os tucanos que venceram a eleição municipal. Na eleição para o governo estadual, quem levaria seria a petista Ana Júlia.

Por motivos análogos – a tentativa de forjar alianças amplas- Serra e Aécio amarraram as eleições de 2008 a 2010. O primeiro apostou na junção de quercismo e dos antigos pefelistas, hoje democratas. O segundo mirou na esquerda, dando mãos ao PSB de Ciro Gomes e ao prefeito petista Fernando Pimentel. Qualquer resultado diferente da vitória de Kassab em São Paulo fará com que Serra dependa do apoio de seus adversários dentro do próprio partido para viabilizar sua candidatura presidencial de 2010.

O cenário eleitoral para Aécio em Belo Horizonte está longe de ser tão adverso quanto é o paulistano para Serra, mas uma derrota de Márcio Lacerda teria um potencial destruidor muito maior. Principalmente porque não poderia ser debitada ao candidato – um desconhecido na capital mineira – mas exclusivamente a Aécio e Fernando Pimentel. Tinge de fracasso a imagem de articulador político de ambos. Tenderia a sepultar a candidatura do primeiro à Presidência e do segundo ao governo estadual.

César Felício é repórter de Política. Substitui, interinamente, a editora de Política Maria Cristina Fernandes, titular da coluna, às sextas-feiras

01/08/2008 - 09:42h Primeiros acordes

A imagem “http://www.deolhonacamara.org.br/fotos/noticias135.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
Divorcio entre tucanos expõe “roupa suja” e provoca trapalhadas

Dora Kramer, O Estado de São Paulo

dora.kramer@grupoestado.com.br

A saia-justa dos tucanos com o início de pé esquerdo do prefeito Gilberto Kassab em São Paulo, a largada pífia do afilhado de dois mitos da popularidade em Belo Horizonte e a interdição do direito de ir e vir pelo crime e as milícias no Rio indicam que daqui para a frente tudo deverá ser muito diferente em comparação às modorrentas campanhas municipais anteriores, que só despertavam interesse às vésperas da eleição.

Nas três principais capitais, representantes dos maiores colégios eleitorais do País, candidatos e partidos precisaram reordenar suas estratégias assim que os primeiros acordes se revelaram bem mais fortes que o esperado. E até o inesperado entrou em cena.

Por exemplo, em São Paulo, Marta Suplicy, pelo histórico e temperamento, seria a candidata mais propensa à movimentação errática. Pois quem enfiou os pés pelas mãos foi justamente o disciplinado Gilberto Kassab, atento à conduta desde que a explosão de ira para com um cidadão durante visita a posto de saúde quase inviabiliza sua candidatura.

Em poucos dias, Kassab produziu duas grandes tolices: o envio de um e-mail recomendando “ação” do secretariado na área onde o instituto Datafolha faria pesquisa de opinião e a distribuição de panfletos aproveitando a divulgação da lista dos “fichas-sujas” para constranger a candidata do PT.

O prefeito ao mesmo tempo entregou prova material do uso da máquina administrativa, demonstrou uma confiança pueril em uma equipe formada por tucanos e integrada por uma boa fornada remanescente de petistas, e ainda deu mostras de desatenção, de falta de assessoria ao se esquecer de que, ficha por ficha, a dele também carrega a mácula de um processo ainda em aberto onde é co-réu em processo contra o ex-prefeito Celso Pitta de quem foi secretário de Planejamento.

Logo ele que havia conseguido apagar essa parte do passado que, quando da escolha do candidato a vice de José Serra para prefeito, em 2004, provocou protestos generalizados, incluídos aí os do próprio Serra.

Além disso, não se mexeu nas pesquisas – a não ser um pouco para baixo – e inibiu o tucanato, até então seu aliado, a pôr as mangas de fora. Na realidade, na prefeitura o clima anda mais para barbas de molho, com medo de Kassab não passar de uma intenção.

Em Belo Horizonte, a expectativa era a de que Márcio Lacerda, candidato da popular e dinâmica dupla Aécio Neves-Fernando Pimentel, fizesse jus desde o início ao esforço dos padrinhos que se atiraram numa jogada arriscada – tanto pode ser de mestre, quanto revelar-se um desastre ou, pior, uma irrelevância.

É cedo para antecipar resultados, inclusive porque os atuais 6% são até razoáveis para alguém que se passar às 3 da tarde pela avenida Afonso Penna ninguém reconhece.

Mas é certo que Márcio Lacerda não poderá contar apenas com o fator transferência de votos. Terá de mostrar desempenho. Ou, então, corre o risco de levar o governador de Minas e o prefeito de Belo Horizonte a um vexame oceânico.

Resta o Rio. Bem, o Rio é o que está se vendo. Os protagonistas não são os candidatos. É o crime e a rendição do Estado aos seus ditames. Uma coisa esquisita, pois a segurança não diz respeito ao prefeito, mas os candidatos a prefeito serão cobrados a tratar do assunto sem poder dizer que está fora de sua alçada. Sob pena de pagar a conta por covardia ou cumplicidade.

Leia a integra da coluna de Dora Kramer no jornal O Estado de São Paulo

24/07/2008 - 22:45h Em Belo Horizonte, Jô lidera a disputa; três candidatos estão empatados em 2º lugar

da Folha Online

Pesquisa Datafolha divulgada pela TV Globo hoje mostra Jô Moraes (PC do B) liderando a disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte (MG), com 20% das intenções de votos. A pesquisa completa será publicada na edição de amanhã da Folha.

Três candidatos estão tecnicamente empatados no segundo lugar: Leonardo Quintão (PMDB) com 9%, Vanessa Portugal (PSTU) e Márcio Lacerda (PSB), com 6% das intenções de voto. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Os candidatos Sérgio Miranda (PDT) e Gustavo Valadares (DEM) aparecem com 5% e 4% das intenções de voto, respectivamente. Jorge Periquito (PRTB) e André (PT do B) têm 1% cada. A taxa de Pepê (PCO) não atingiu 1%.

A pesquisa ouviu 829 eleitores ontem e hoje. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral com o número 472652008.

06/04/2008 - 13:38h Aécio cria em BH embrião de aliança para disputar Planalto

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KENNEDY ALENCAR
Colunista da Folha Online

O governador de São Paulo, José Serra, é o favorito nas pesquisas sobre a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acontecerá em outubro de 2010. Esse é o maior trunfo do tucano paulista.

Mas o governador de Minas, o tucano Aécio Neves, conseguiu uma façanha política que lhe dá um trunfo de peso para a corrida pelo Palácio do Planalto. Na articulação política, Aécio hoje tem franca vantagem em relação a Serra, que sofre com uma crise política na tradicional PSDB-DEM em São Paulo.

Alternando-se no poder federal desde 1994, PT e PSDB vivem às turras no cenário nacional. A principal jogada de Aécio foi demonstrar que essa guerra pode ser superada. E fechou com o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, uma aliança para apoiar Márcio Lacerda (PSB) na eleição municipal de outubro.

Houve reações contrárias no PT, partindo principalmente de dois ministros: Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretaria Geral). Derrotados na tentativa de minar a aliança, Patrus e Dulci tentaram patrocinar a mudança do candidato do PSB. Foram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não comprou a tese, apesar de versões terem sido vendidas para a impressa nesse sentido.

Em reunião no Palácio do Planalto, Lula cobrou de Pimentel gestos políticos para dar “conforto” a aliados federais que ficaram fora do acerto mineiro: o vice-presidente José Alencar, do PRB, e o ministro das Comunicações, Hélio Costa, do PMDB.

Aécio entrou em campo na hora. Alencar será o convidado de honra do 21 de Abril em Minas. E Hélio Costa já conversou com o governador a respeito da importância da união de políticos mineiros. No futuro, se a operação der certo, Costa será um dos homens fortes de uma eventual Presidência de Aécio.

Resultado: Patrus e Dulci ficaram isolados. A aliança para tentar eleger Márcio Lacerda deverá contar com PSB, PT, PSDB, PMDB e PRB, entre outras siglas. Aécio tem interesse em se viabilizar como candidato a presidente desse arco de forças daqui a dois anos.

Mas o PT apoiará um tucano em 2010? De jeito nenhum. O mais provável é que o partido lance um candidato no primeiro turno. Até agora, não há um nome forte do petismo para concorrer. Por isso, Aécio quer deixar aberta a possibilidade de um entendimento para a segunda etapa.

O Plano A do mineiro é ser candidato pelo PSDB, mas ele ainda não descartou um Plano B, que seria a migração para outro partido antes da eleição. Numa outra legenda, seria mais fácil ainda um eventual entendimento se Aécio fosse ao segundo turno de 2010.

Para vitaminar os planos do tucano mineiro, outro fator importante é a boa relação com Ciro Gomes, presidenciável do PSB e hoje o nome do campo lulista mais forte nas pesquisas. Ciro, porém, não descarta ser vice de Aécio se esse for o preço para inviabilizar a candidatura de Serra no PSDB e para criar uma chapa bem competitiva.

Lula tem interesse na boa relação com Aécio, que pode, sim, ser uma saída de emergência do petista. O presidente não vai embarcar na tese da re-reeleição, apesar da espuma que esse assunto produz e ainda produzirá. Sabe que será difícil emplacar um petista. Teme que, sozinho, Ciro perca força na hora em que o jogo começar. Daí ser conveniente a boa relação com Aécio, que já disse que será um candidato pós-Lula. Ou seja, vai olhar para frente.

Em conversa reservada, Lula tirou o chapéu para o tamanho da aliança que Aécio montou em Minas.

Kennedy Alencar, 40, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos. Também é comentarista do telejornal “RedeTVNews”, no ar de segunda a sábado às 21h10.

E-mail: kalencar@folhasp.com.br

02/03/2008 - 10:45h Lula dá aval a pacto em MG de olho em 2010

VALDO CRUZ – DA SUCURSAL DE BRASÍLIA FOLHA DE SÃO PAULO

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Aécio e Pimentel, com Lula

O acordo entre o petista Fernando Pimentel e o tucano Aécio Neves tem a bênção do presidente Lula. De olho em 2010, ele autorizou pessoalmente o prefeito de Belo Horizonte a fechar um entendimento com o governador na disputa pelo comando da capital mineira.

O sinal verde foi dado em um almoço no Palácio da Alvorada, em janeiro, logo após o balanço de um ano do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Sob a justificativa de que “vamos precisar do Aécio” e de que o nome sugerido como candidato é da “nossa base”, Lula liberou Pimentel, sinalizando que aposta na divisão no ninho tucano para fazer seu sucessor.

Os três fazem seus movimentos mirando 2010. Lula tenta atrair Aécio para seu campo na sucessão; o governador busca aliados para construir sua candidatura ao Planalto; e o prefeito sonha com o lugar do tucano mineiro. Na tentativa de viabilizar esse arranjo, Aécio e Pimentel foram buscar no PSB o candidato de consenso para a Prefeitura de BH: Márcio Lacerda, ex-assessor do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e hoje secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais.

No início do ano, quando as negociações avançaram, Fernando Pimentel decidiu consultar o presidente. “Eu não sou louco de fazer um acordo desse sem aprovação do Lula”, confidenciou a amigos. Ele esteve em Brasília no dia do balanço de um ano do PAC, 22 de janeiro. Acabou convidado para um almoço no Alvorada.
Em uma mesa com os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Franklin Martins (Comunicação) e o chefe do gabinete particular da Presidência, Gilberto Carvalho, Lula falou do acordo desejado por Pimentel e deu seu aval.
Primeiro, comentou que os dois ministros petistas de Minas, Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretaria Geral), não serão candidatos. Em seguida, disse que não via motivos para vetar o entendimento com Aécio.

Márcio Lacerda trabalhou no governo como secretário-executivo de Ciro no Ministério da Integração Nacional. Deixou o cargo depois de seu nome ser mencionado no escândalo do mensalão como tendo recebido dinheiro de Delúbio Soares. Os recursos, porém, não eram para ele, mas para o publicitário da campanha de Ciro ao Planalto.
Filiado há pouco ao PSB, Lacerda é aprovado pelo Diretório Municipal do PT, controlado pelo prefeito, mas não agrada ao Diretório Estadual do partido. Mas o prefeito não acredita numa intervenção do Diretório Nacional do partido em Belo Horizonte para solucionar um impasse. Confia no fato de ter obtido o aval de Lula e no interesse presidencial em manter um canal com o governador mineiro.

Lula está convencido de que José Serra será o candidato tucano em 2010 e que o tucano mineiro pode sair insatisfeito do processo de escolha do PSDB. Daí sua frase “vamos precisar do Aécio”, durante a conversa no Alvorada. No ano passado, Lula insistiu com Aécio para que ele se transferisse para o PMDB. Para fugir de uma punição da Justiça eleitoral, como a perda do mandato, Lula chegou a lhe sugerir, numa viagem a Minas, que deveria renunciar no final de 2009, deixando no comando o vice de confiança, Antonio Anastasia.