19/10/2009 - 09:07h Prioridade é eleger Dilma, diz novo articulador de Lula

Ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, defende candidatura única

Para atender ao projeto nacional, Padilha afirma que o PT poderá ter de abrir mão de lançar candidatos em alguns Estados em 2010


Alan Marques/Folha Imagem
alexandre_padilha
O novo ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha


VALDO CRUZ E LETÍCIA SANDER – FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Novo articulador político do governo Lula, o ministro Alexandre Padilha disse à Folha que a eleição presidencial caminha para “termos uma candidatura única” da base governista e que a prioridade do PT em 2010 será tentar eleger a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e construir bancadas fortes no Senado e na Câmara. Petista, Padilha deixou claro que isso significa o PT abrir mão de candidaturas em alguns Estados em favor dos aliados, sugerindo que pode haver uma determinação nesse sentido em caso de resistências. Sexto ministro de Relações Institucionais do período Lula, ele afirmou também que o governo não tomará nenhuma iniciativa para apoiar a volta de uma nova versão da CPMF e indicou que a taxação de Imposto de Renda sobre a poupança foi engavetada -temas impopulares e que podem ser usados pela oposição em 2010.

FOLHA – Havia a expectativa de que o governo Lula quebraria a tradição de utilizar a negociação de cargos e emendas para ter uma base aliada forte no Congresso. É possível quebrar esta corrente?
ALEXANDRE PADILHA
- Tanto acho possível que estamos quebrando esta engrenagem.

FOLHA – Lula foi muito criticado pelo apoio a José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor. Para governar é preciso ser assim tão tolerante?
PADILHA
- Primeiro, nós governamos com as características do sistema político brasileiro e estamos promovendo mudanças. A ideia de um governo de coalizão é um avanço nisso.

FOLHA – O sr. acha possível aprovar uma nova versão da CPMF, a Contribuição Social, voltada para a saúde?
PADILHA
- Isso não é um tema nem uma iniciativa do governo. Acho que só é possível se existisse um processo de mobilização de governadores, prefeitos, da sociedade. Isso não se demonstrou até o momento.

FOLHA – O governo lutou para prorrogar a CPMF, agora o sr. diz que este não é um tema de governo. Houve também um recuo na tributação da poupança. O governo está refém da eleição?
PADILHA
- Não. O único cálculo que o governo faz é da importância das medidas para o momento que o Brasil vive, para a superação da crise. O que avaliamos como importante encaminhamos para o Congresso, enfrentando inclusive o debate que é promovido por ele.

FOLHA – Será enviado o projeto de taxação da poupança de IR?
PADILHA
- Teve um debate no fim do primeiro semestre no âmbito do conselho político, a Fazenda apresentou uma proposta. Depois, o próprio ministério não deu continuidade à apresentação do projeto.

FOLHA – Qual deve ser o lema do candidato do PT em 2010?
PADILHA
- A única coisa que acho sobre a eleição de 2010 é que vai ser polarizada, que confronta dois projetos para o país.

FOLHA – Mas o sr. não acha que o eleitor estará mais preocupado com o futuro do que com o passado?
PADILHA
- O eleitor vai decidir sobre o futuro a partir dos ganhos que ele teve no presente.

FOLHA – Na sua avaliação, como será a escolha do eleitor em 2010?
PADILHA
- Confio plenamente que o governo do presidente Lula terá todas as condições de fazer a sua sucessora.

FOLHA – A ministra Dilma?
PADILHA
- A ministra Dilma, não tenho dúvida, é a pessoa que expressa isso dentro do governo, quem mais acumulou os conhecimentos sobre aquilo que o governo Lula mudou na vida da população.

FOLHA – A ministra, que até então era vista como a mais técnica, tem agora dividido sua agenda de trabalho com ações políticas. Não temem ser acusados de abuso da máquina?
PADILHA
- Não, não tem nenhum procedimento feito pelo governo que caracterize isso.

FOLHA – O sr. acha que o vice dela deve ser do PMDB?
PADILHA
- Vejo com muita simpatia o desejo do PMDB de compor e de apoiar Dilma e acho que ele tem quadros políticos que podem contribuir.

FOLHA – Como avalia as candidaturas da ex-ministra Marina Silva (PV) e do ex-ministro Ciro Gomes (PSB)?
PADILHA
- São dois quadros extremamente valiosos. O ministro Ciro teve um papel fundamental de contribuição ao governo no primeiro mandato. Sem dúvida alguma pode contribuir muito para o embate eleitoral que vamos ter em 2010, numa eleição que vai ser polarizada. Ela caminha para termos uma candidatura única.

FOLHA – Só uma?
PADILHA
- Caminha para isso. Por ser uma eleição polarizada, caminha para ter uma candidatura por parte do governo.

FOLHA – A tendência então é o Ciro ser candidato em SP?
PADILHA
- Você tem de perguntar para ele.

FOLHA – Ele pode ser vice da ministra Dilma?
PADILHA
- Acho que não existe nenhuma tendência para se fechar essas situações hoje.

FOLHA – Muitos defendem que o PT ceda nos Estados pela aliança nacional. Isso pode acontecer?
PADILHA
- O PT está bastante comprometido com o projeto nacional, bastante convencido de que a prioridade para o PT é a eleição da ministra Dilma como sucessora do presidente Lula. A outra prioridade é constituir uma forte bancada no Senado e na Câmara.

FOLHA – Mas até agora nenhum pré-candidato do PT abriu mão.
PADILHA
- O fato de a gente já ter, em vários Estados, um conjunto de forças políticas em torno de outros candidatos é uma demonstração de que o PT prioriza o projeto nacional.

FOLHA – Cite um exemplo?
PADILHA
- Tem vários Estados em que o PT não lançou pré-candidato. É uma situação única no PT essa não sinalização de candidatos, apoiando desde o início outros partidos.

FOLHA – Quando tiver dois candidatos da base aliada, como na Bahia, significa que Lula vai subir no palanque dos dois?
PADILHA
- Faço minhas as palavras do governador Jaques Wagner, que disse que a prioridade dele é o projeto nacional. Aquilo que puder contribuir e ajudar para a candidatura de Dilma ele vai fazer. Se for a existência de dois palanques, ele vai conviver com isso.

22/09/2009 - 14:00h Serra lidera pesquisa com 34% e continua caindo. Ciro empata com Dilma com 14%


Possível candidata do PV, Marina Silva aparece com 6%.

Diego Abreu Do G1, em Brasília

A última pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta terça-feira (22) mostra um empate entre a ministra-chefe da Casa Civil e possível candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, e o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). Ambos aparecem com 14% das intenções de voto em um universo de cinco candidatos avaliados. A pesquisa foi realizada de 11 a 14 de setembro, com 2.002 entrevistados em 142 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), aparece como favorito para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. A pesquisa estimulada mostra que 34% dos entrevistados votariam em Serra.

Depois de Ciro e Dilma, vêm Heloísa Helena (PSOL), com 8%, e Marina Silva (PV), com 6%. Em relação a última pesquisa, realizada em junho, quando Marina ainda não aparecia, Serra caiu quatro pontos percentuais e Dilma, três. Ciro, por sua vez, surpreendeu, registrando crescimento de dois pontos. Na última pesquisa, ele aparecia com 12% das intenções.

Já em um cenário em que Heloísa Helena não é candidata, Serra lidera com 35%, seguido por Ciro Gomes (17%), Dilma (15%) e Marina (8%). Em um último contexto, sem Heloísa Helena, com Aécio como candidato do PSDB, Ciro Gomes ganharia a eleição com 28% dos votos. Na sequência, vêm Dilma (18%), Aécio (13%) e Marina (11%).

Em um cenário em que o candidato tucano é Aécio Neves, Ciro lidera a pesquisa com 25% das intenções de voto, seguido por Dilma (16%), Aécio (12%), Heloísa Helena (11%) e Marina Silva (8%). Vinte e oito por cento dos pesquisados disseram que votariam em branco ou nulo ou não responderam à pesquisa.

11/09/2009 - 14:55h 2010: Provável futuro presidente do PT diz que candidatura de Marina estimulou Ciro a se candidatar também


Para Dutra, base irá fragmentada no 1º turno

César Felício, de Belo Horizonte – VALOR

Favorito para a eleição interna para a presidência do PT, o ex-senador José Eduardo Dutra (SE), da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), já trabalha com um cenário de fragmentação do quadro eleitoral em 2010 tanto para a Presidência da República quanto nas eleições estaduais.

“Qual foi o efeito imediato da possível candidatura da senadora Marina Silva pelo PV? o Ciro Gomes (PSB) se sentiu estimulado a ser candidato. Ele tem uma tese que a eleição no próximo ano não deve ser plebiscitária. O Ciro vinha sendo convencido da importância de uma eleição bipolarizada, mas agora reposicionou-se como candidato”, afirmou Dutra, referindo-se ao deputado cearense a quem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta convencer a transferir o título eleitoral para São Paulo e lançar-se candidato a governador.

Segundo Dutra, “o PT vai insistir na aliança, até porque quer manter a unidade nos Estados governados pelo PSB, mas é certo que no segundo turno, o campo governista estará unido”, disse.

Dutra afirmou ainda que o partido estará preparado para a multiplicidade de candidatos da base governista nos Estados. Minas Gerais é um dos Estados onde a divisão é possível. O ministro das Comunicações, Hélio Costa , é o virtual candidato do PMDB e há uma disputa dentro do PT pela cabeça de chapa entre o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel.

“Vamos tentar reproduzir ao máximo a aliança nacional. Mas em Estados onde isso não for possível, será possível um consenso por regras de convivência. Minas Gerais não é o quadro mais grave. O mais grave é na Bahia”, afirmou. Na Bahia, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), colocou-se como candidato, contra a reeleição do governador petista Jaques Wagner.

Dutra visitou Belo Horizonte para o lançamento da candidatura à presidência estadual do PT do dirigente Gleber Naime, que apoia a pré-candidatura de Patrus. No dia 26, deve voltar a Minas para o lançamento da candidatura estadual à reeleição do deputado Reginaldo Lopes, que apoia Pimentel. O ex-senador negou que a eleição direta petista seja uma prévia da disputa interna entre Patrus e Pimentel.

“O processo de eleição direta do PT não tem a tarefa de substituir a prévia para a escolha do candidato ao governo. Nem aqui em Minas e nem em outros Estados”, afirmou. Hegemônico no atual comando do partido no Estado, Pimentel continua apostando na eleição interna petista para evitar as prévias. Seu grupo político lançou uma chapa própria, chamada “PT para Todos”, para a disputa nacional, sem indicar um candidato a presidente.

É uma forma de apoiar Dutra para o comando da sigla e ao mesmo tempo demarcar seu território no Estado. Uma vitória da “PT para Todos” em Minas será utilizada por Pimentel como um sinal de que tem o apoio da maior parte do partido para concorrer ao governo em 2010.

Uma possível aliança entre PT e o PMDB também passará por uma disputa interna pemedebista. Com apoio do ex-governador Newton Cardoso, o deputado estadual Adalclever Lopes disputa a presidência estadual da sigla contra o deputado federal Antonio Andrade, ligado a Hélio Costa. Dentro do PT, uma vitória de Adalclever seria vista como o fim da possibilidade de uma composição de Hélio Costa com o PSDB do governador Aécio Neves. Se Antonio Andrade ganhar, o ministro das Comunicações fica fortalecido para negociar apoio à sua candidatura tanto entre os petistas como com Aécio.

08/09/2009 - 16:00h Aprovação a Lula cai de 81,5% para 76,8%, indica CNT/Sensus

Sergio Leo, no twitter, diz que a ausência de Carla Bruni pesou negativamente na avaliação. Na mesma linha, notícias da França indicam que Sarkozy tem complexo de baixinho e só aceita caras de baixa estatura ao lado dele, o que explica seu entusiasmo na parada de ontem, por ser fotografado junto ao Lula e não com Jobim.

Mas jornalistas bem informados, e mal intencionados, pretendem que o motivo é outro: Lula é aprovado por 76,8% e tem só 7,2% de opiniões negativas. Já Sarkozy tem 36% de aprovação e 61% de desaprovação.

Ambos responsabilizam a imprensa pelos resultados. LF

Gripe suína, crise no Senado e caso Lina Vieira contribuíram para variação, informou instituto de pesquisas

 

Fábio Graner, da Agência Estado

 

BRASÍLIA -  A avaliação positiva do governo Lula caiu 4,4 pontos percentuais, passando de 69,8% em maio para 65,4% em setembro, de acordo com pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta terça-feira, 8. Em contrapartida, a avaliação negativa da administração do presidente aumentou 1,4 ponto percentual, de 5,8% para 7,2%.

Veja também: CNT/Sensus: Serra lidera todas simulações para 2010

A avaliação regular subiu de 23,9% para 26,6%. Segundo o diretor do Sensus, Ricardo Guedes, a queda na opinião favorável ao governo ocorre principalmente entre pessoas das regiões Sul e Sudeste, entre mulheres, pessoas jovens e de “maior idade”.Já a aprovação a Lula recuou de 81,5% em maio para 76,8% em setembro e a desaprovação subiu três pontos percentuais, de 15,7% para 18,7%. Embora o nível de desaprovação do presidente tenha aumentado, sua avaliação positiva ainda se encontra em um patamar significativamente alto, conforme analisou Guedes.

Guedes associou a queda nas avaliações positivas do governo e do presidente Lula a três fatores: gripe suína, o episódio envolvendo a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira com a ministra Dilma Rousseff e a crise no Senado, envolvendo o presidente da casa, senador José Sarney, embora este último tema não esteja contemplado na pesquisa. Segundo o diretor, há uma postura do presidente Lula de chamar crises institucionais para si, que prejudica sua popularidade. “Há uma postura menos política de Lula”, afirmou.

21/08/2009 - 14:22h A bandeira de Barbara Gancia

Barbara Gancia está ditirâmbica. Cheia de entusiasmo por Marina Silva. Pelo que Marina Silva tem de melhor, sua origem humilde.

Para Barbara “Com sua cara de brasileirinha barrada no baile, do ponto de vista pedagógico Marina Silva representa a bandeira que o mundo quer ver o Brasil hastear. Alfabetizada no Mobral, contaminada por metais pesados, vítima das doenças da floresta, alguém que percorreu uma estrada muito similar à de Lula, só que sem a mácula do sindicalismo, o que ela pensa sobre sustentabilidade e o ambiente faz todo o sentido em um país que possui 60% do que resta de hectares “plantáveis” no mundo.” (FSP 21 agosto 2009)

Marina é a bandeira de Barbara, porque seria “alguem que percorreu uma estrada muito similar à do Lula”.

Pareceria que Barbara também apreciava o Lula e “a sua estrada”, sem formação superior e de origem pobre.

Será?

Em 1998, Barbara Gancia escrevia na Folha de São Paulo:

“Tire as crianças da sala, que eu vou contar uma piada suja. Diz que no meio de uma conversa entre o Lula e o Vicentinho, alguém soltou um pum. Qual o nome do filme? Você não sabe? Ora, “O que É Isso, Companheiro?”. (FSP 25 de março 1998).

Em dezembro do mesmo ano, na mesma Folha, Barbara ponderava:

“Sibilante
E o Luiz Inácio Lula da Silva, hein, que vai passar seis meses estudando em Harvard? Só espero que, antes de embarcar para os Estados Unidos, ele aprenda a dizer Cambridge, Massachusetts, sem cuspir em meio mundo.”
(FSP 11/12/1998).

Ver também, de junho 2001 o artigo premonitório da mesma Barbara Gancia Lula nunca chegará à Presidência

Mas como Marina rompeu com Lula e sua origem pode servir eleitoralmente para os que sempre cuspiram na origem do Lula, Barbara Gancia procura levantar a bandeira.

Dos hipócritas!

Luis Favre

20/08/2009 - 09:23h Marina deixa PT e diz que pode ajudar na revisão programática do PV

A ex-ministra confirmou que a possibilidade da disputa à Presidência da República está sendo discutida.

O líder do PV na Câmara, deputado Sarney Filho (MA), afirmou que há conversas com outras legendas, como P-Sol e PSC, sobre uma eventual aliança na campanha, para aumentar o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão

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Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

A senadora Marina Silva (PT-AC), ex-ministra do Meio Ambiente do governo Luiz Inácio Lula da Silva por mais de cinco anos, confirmou ontem sua saída do PT, depois de 30 anos de filiação. Com a decisão, Marina avança nas negociações para se filiar ao Partido Verde (PV) e disputar a Presidência da República em 2010. Uma eventual candidatura da senadora ao Palácio do Planalto pode causar prejuízos tanto à estratégia eleitoral governista quanto à da oposição.

Marina deixa o PT sem receber de Lula um gesto no sentido de tentar demovê-la da decisão. No PV, a adesão da ex-ministra e sua candidatura a presidente são consideradas certas. Ontem, ela anunciou apenas a saída do PT, mas admitiu sentir-se “livre” para discutir o convite do PV para participar de uma “revisão programática”, com atualização do programa e do estatuto. O objetivo é apresentar ao país um modelo de desenvolvimento baseado na “sustentabilidade ambiental, social e econômica”.

Em carta ao presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), Marina lista algumas “conquistas” de sua gestão no Ministério do Meio Ambiente – a queda do desmatamento da Amazônia, a estruturação e fortalecimento do sistema de licenciamento ambiental e a criação de 24 milhões de hectares de unidades de conservação federal – e diz que “faltaram condições políticas para avançar no campo da visão estratégica”. Em entrevista, afirmou que o meio ambiente “não deveria ser algo periférico, onde você faz uma militância quase que à margem do processo decisório do governo”.

Ao comentar a decisão de Marina, Berzoini descartou a possibilidade de o partido reivindicar, na Justiça Eleitoral, o seu mandato no Senado. Segundo ele, a ação “não faria sentido”, já que a ex-ministra “não agiu em detrimento do PT”, nem “em postura dissonante” da legenda.

Decisão tomada em 2007 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), posteriormente confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), deu aos partidos o direito de preservar a vaga de político que, eleito pela sigla, pedir desfiliação sem justa causa. O partido tem 30 dias, depois do pedido de desfiliação, para pedir à Justiça Eleitoral a decretação da perda do mandato.

Na carta ao dirigente petista, a senadora criticou os “equívocos da concepção do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo” e disse ter desistido de lutar pela questão ambiental dentro do PT. “É o momento não mais de continuar fazendo o embate para convencer o partido político do qual fiz parte por quase 30 anos, mas sim o do encontro com os diferentes setores da sociedade dispostos a se assumir, inteira e claramente, como agentes da luta por um Brasil justo e sustentável, a fazer prosperar a mudança de valores e paradigmas que sinalizará um novo padrão de desenvolvimento para o país.”

Na entrevista, a ex-ministra confirmou que a possibilidade da disputa à Presidência da República está sendo discutida. Uma eventual candidatura de Marina a presidente é considerada prejudicial ao desempenho eleitoral da ministra Dilma Rousseff (chefe da Casa Civil), porque, em tese, ela terá votos no eleitorado petista. O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), também pré-candidato a presidente, afirmou que Marina “implode” a candidatura de Dilma.

Por outro lado, tucanos admitem que o governador José Serra (SP), possível candidato do PSDB, teria problemas no Rio de Janeiro, onde o PV é aliado dos tucanos. O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), até ontem pré-candidato a governador com apoio do PSDB, reconheceu a dificuldade com a mudança de cenário. “Minha situação é uma variável não resolvida dessa história”, afirmou.

Na primeira pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República em que seu nome foi incluído – realizada pelo instituto Datafolha e divulgada no último domingo -, Marina aparece com 3%. É pouco, mas ela lembra que começou com 3% da preferência do eleitorado do Acre na primeira campanha para o Senado. “É um desafio programático e não pragmático”, diz ela sobre sua mudança de partido, decisão que – afirma – não está subordinada à possibilidade de se candidatar a presidente.

O líder do PV na Câmara, deputado Sarney Filho (MA), afirmou que há conversas com outras legendas, como P-Sol e PSC, sobre uma eventual aliança na campanha, para aumentar o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão. Mas, assim como Gabeira, o líder analisou que o partido terá de utilizar “instrumentos diferentes dos tradicionais” para difundir a candidatura, como as ferramentas disponíveis na internet (blogs, twitter etc.). “A blogosfera pode ser um meio de superar a falta de espaço na televisão”, afirmou o deputado.

Na entrevista, Marina criticou avaliações segundo as quais seu discurso, numa campanha eleitoral, seria monotemático, restrito à questão ambiental. “Só aqueles que ainda não entenderam que falar de desenvolvimento sustentável é dar resposta a todos os setores da sociedade é que acham que sustentabilidade é algo monotemático. O argumento mostra fragilidade de quem não compreende o conceito.”

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), disse que, se for candidata, a senadora “tira votos de todos os candidatos, inclusive da oposição”. Considerou uma escolha pessoal “difícil” votar em Dilma ou Marina, por considerar ambas “excelentes”. Mas declarou apoio à ministra, pré-candidata do seu partido.

O senador Paulo Paim (PT-RS) lamentou a decisão tomada pela ex-ministra. Citando outros ex-petistas que podem disputar a Presidência – Heloísa Helena (P-Sol) e Cristovam Buarque (PDT) -, disse que isso “divide as forças que estariam aglutinadas na Frente Popular e democrática, liderada pelo PT”.

16/08/2009 - 11:41h Pesquisa traz preocupações a Serra e Dilma

KENNEDY ALENCAR colunista da Folha Online

 

 

A mais recente pesquisa Datafolha sobre a sucessão presidencial mostra um quadro de estabilidade que deverá preocupar os dois principais pré-candidatos ao Palácio do Planalto: o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).

Aos olhos de hoje, a pesquisa reforça a ideia de que o mais provável será um duelo entre Serra e Dilma no segundo turno de outubro do ano que vem. Por ora, apostar nesse cenário parece ser o mais sensato.

Mas faltam quase 14 meses para a disputa em primeiro turno. É tempo suficiente para surpresas. E há fatos novos em campo.

*

Efeito Marina no PSDB

Primeiro, vamos ao resultado do levantamento. Serra continua a liderar com 37%. Teve oscilação negativa de um ponto percentual em relação à última pesquisa, realizada no final de maio. Em março de 2008, ele marcou 38%. Foi a 41% no final de novembro do ano passado. Manteve esse índice até meados de março deste ano. Caiu para 38% no final de maio. E agora marcou os 37% acima citados.

Não dá para falar em tendência de queda de Serra. Ele permanece estável na liderança, mas a oscilação negativa pode ter algo a ver com a entrada da senadora Marina Silva (AC) no jogo presidencial. Ela vai deixar o PT para disputar a Presidência pelo PV.

Os tucanos comemoraram a eventual candidatura de Marina. Avaliam que ela prejudicará mais Dilma do que Serra. Pode ser uma avaliação precipitada.

O discurso de Marina tem potencial para atrair parte do eleitorado mais rico e mais escolarizado que, insatisfeito com o PT no poder, estacionou sua preferência no tucanato.

Oscilações negativas de um ou dois pontos, dentro da margem de erro, se mantidas nas próximas pesquisas, afetarão o cenário de favoritismo de Serra. Essas oscilações não devem ser descartadas.

Marina tirará votos do PT, mas também do PSDB.

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Parou por quê?

A pesquisa vai gerar preocupação entre os estrategistas de Dilma. Candidata de Lula, a ministra vinha crescendo de março de 2008 ao final de maio de 2009. Agora parou. Parou por quê? Eis a questão.

Vamos aos números da petista _em pesquisas, vale mais a curva, a tendência, do que o número absoluto de um levantamento.

Dilma saiu de 3% no final de março de 2008 para 8% quando novembro terminou. Foi a 11% em março deste ano. E voltou a subir, conquistando 16%, no final de junho. De lá para cá, manteve essa marca.

É justo reconhecer que a candidatura de Dilma ganhou fôlego.

Especulação: os efeitos negativos da crise econômica podem ter freado sua ascensão, que tenderia a ser retomada com a recuperação da economia já em curso neste momento. Pode ser. Mas também pode ser que Dilma tenha se aproximado de um teto ao qual chegou embalada pelo suporte do presidente Lula, cuja popularidade é alta. Agora, ela teria de mostrar serviço por conta própria. Nessa hora, surgiu Marina.

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O fato novo

Os três pontos percentuais da senadora do Acre não podem ser considerados uma marca ruim. Ela estava totalmente fora do debate presidencial, o que significa não aparecer na mídia e nas conversas do meio político.

A 14 meses da eleição, Marina tem tempo para se tornar conhecida e crescer. Convenhamos: quem viu Dilma sair de 3% para 11% em um ano poderá ver Marina repetir o trajeto.

É fato que o PV é um partido sem estrutura nacional. Tem pouco tempo de TV e rádio no horário eleitoral gratuito. Enfrentará dificuldade para arrecadar recursos financeiros. E há muita gente com currículo esquisito na legenda.

Mas Marina é um fato novo, tem bom apelo para ser vendida, diria um marqueteiro. Ambientalista com os pés no chão e com uma história pessoal semelhante à de Lula, ela pode se apresentar como diferente dos políticos tradicionais porque isso é um fato.

Quem acompanha política sabe que Marina é diferente. Não fez tudo para ficar no poder. Não atua na base do é dando que se recebe. Enfim, há predicados que vão gerar simpatia numa faixa do eleitorado, sobretudo na mais escolarizada e mais rica. Será preciso, claro, combinar com os russos: o grosso do eleitorado, fatia menos escolarizada e de menor renda.

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De volta ao jogo principal?

Ciro Gomes (PSB) manteve os 15% da última pesquisa. Sua trajetória no Datafolha é a seguinte: 20% em março de 2008, 15% no final de novembro, 16% em março de 2009, 15% no final de maio deste ano e 15% agora.

Tem peso, mas não é o preferido de Lula, que ainda deseja mais que ele concorra ao governo paulista do que à Presidência. O presidente continua a apostar num confronto plebiscitário entre Serra e Dilma.

Essa é uma visão arrogante. Lula não enxerga ou finge não enxergar o fator Marina. Talvez seja interessante manter Ciro na contenda presidencial, a fim de que dois candidatos do atual campo governista defendam a sua administração.

Não vale um centavo furado a história de que Marina não vai atacar o governo. Basta ler suas declarações aos jornais.

Talvez seja interessante o presidente esquecer essa possível candidatura de Ciro ao governo paulista, algo artificial demais para funcionar. Alguns petistas acham melhor contar com mais uma opção numa eleição presidencial que vai ser dura. Ciro já entendeu isso e se reposicionou. Tirou gás do projeto paulista.

O governo confia na recuperação da economia e no conjunto de suas realizações para eleger Dilma. É uma estratégia respeitável e correta. Será suficiente?

*

Aliança PSOL-PV sairá?

A senadora Heloisa Helena (PSOL), que marcou 12%, mantém um bom patamar no Datafolha. Tinha 14% no final de maio de 2008 e repetiu a taxa em novembro. Caiu para 11% em março deste ano. Oscilou negativamente para 10%. E agora obteve 12%.

HH está no jogo, mas pode fazê-lo ficar mais interessante se fechar uma aliança do PSOL com o PV. Ela reforçaria Marina.

*

O jogo vai esquentar

Falando da própria senadora do Acre, já foram abordadas as vantagens e dificuldades. Por ora, ela é o novo. Vamos ver que discurso construirá. O eixo ambiental numa candidatura ao Palácio do Planalto é desejável, é inovador, mas não pode virar samba de uma nota só.

Se quiser entrar no jogo para valer, ela terá de convencer o eleitorado de que tem propostas melhores do que as de Serra e de Dilma.

Ele é um candidato respeitável, com boas passagens pelo Ministério da Saúde, pelo Congresso, pela Prefeitura de São Paulo e pelo governo paulista.

Ela é a representante de um partido que faz uma boa administração. Lula honrou o compromisso essencial de melhorar a vida dos mais pobres, o que é muita coisa num país como o Brasil.

Parece que vai ser uma eleição legal.

Kennedy Alencar, 41, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre bastidores do poder, aos domingos. É comentarista do telejornal “RedeTVNews”, de segunda a sábado às 21h10, e apresentador do programa de entrevistas “É Notícia“, aos domingos à meia-noite.

E-mail: kennedy.alencar@grupofolha.com.br

16/08/2009 - 09:23h Intenções eleitorais não foram afetadas pela crise do Senado

Serra mantém liderança na disputa pela Presidência, mostra Datafolha

Dilma Rousseff e Ciro Gomes estão tecnicamente empatados.
Em dois cenários diferentes, Marina Silva teria 3% se disputasse.

Do G1, em São Paulo – A pesquisa Datafolha, que será divulgada na edição deste domingo (16) do jornal “Folha de S.Paulo”, mostra que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), mantém a liderança na disputa pela Presidência da República, que será no ano que vem.
Serra, que tinha 38% das intenções de voto no levantamento anterior, realizado entre 26 e 28 de maio, oscilou um ponto para baixo e está com 37%.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), manteve os 16% registrados na pesquisa anterior.
O ex-minsitro e deputado federal Ciro Gomes (PSB) também manteve o percentual do levantamento anterior, 15% das intenções de voto.
A ex-senadora Heloisa Helena, do PSOL, oscilou positivamente dentro da margem de erro, e passou de 10% para 12% das intenções de voto. Brancos, nulos ou nenhum registraram 12% e 7% não souberam responder.
A pesquisa Datafolha foi realizada com 4.100 eleitores entre os dias 11 e 13 de agosto em 171 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Cenário 2
Em cenário com a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que pode trocar o PT para se candidatar pelo PV, Serra teria 36% das intenções de voto contra 17% de Dilma Rousseff e 14% de Ciro Gomes. Heloisa Helena aparece com 12% e Marina Silva, com 3%.
Brancos, nulos ou nenhum somam 11%. Não souberam 7% dos entrevistados.

Cenário 3
Quando o candidato do PSDB é o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), Ciro é líder na disputa, aponta o Datafolha.
Ciro Gomes aparece com 23%, Dilma com 19%, Heloisa Helena com 17% e Aécio Neves com 16%. Brancos, nulos e nenhum são 16% e 9% não sabiam.

Cenário 4
Ainda com Aécio Neves pelo PSDB e a ex-ministra Marina Silva disputando contra Dilma, Ciro Gomes tem 21%, Dilma 19%, Heloisa Helena 17%, Aécio Neves 15% e Marina Silva, 3%.
Brancos, nulos e nenhum somam 16% e 8% não sabem.

Cenário 5
O Datafolha pesquisou um cenário em que Serra e Aécio disputam a eleição, nesse caso o governador de São Paulo também lidera, com 32%.
Dilma aparece em segundo com 16%, Ciro tem 14%, Heloisa Helena aparece com 12% e Aécio, 10%. Brancos e nulos são 9% e 6% não sabem quem escolheriam.

16/08/2009 - 09:06h Datafolha: aprovação a Lula continua em patamar histórico

 

Com 67% de ótimo e bom, equivalente a taxa de novembro de 2008 (70%)

DATAFOLHA

Lula passa por crise sem perder alta aprovação

Governo petista é avaliado como ótimo/bom por 67%

DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva consegue, até o momento, atravessar a mais nova crise política nacional e manter sua popularidade entre os brasileiros no mesmo patamar.
Para 67%, seu governo é ótimo ou bom, variação dentro da margem de erro na comparação com a última pesquisa, feita em maio, quando Lula atingiu 69% de aprovação.
Segundo o instituto, 25% dos brasileiros acham o governo regular, ante 24% na última pesquisa. Para 8%, a administração do petista é ruim ou péssima; eram 6% no levantamento anterior. “O Lula conseguiu passar incólume pela crise, o Congresso, não”, diz Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha.
Com os 67% de ótimo ou bom que registra agora, Lula está a apenas três pontos de seu recorde pessoal (70%), atingido em novembro de 2008 e que foi o melhor resultado obtido por um presidente desde que o Datafolha começou a fazer esse tipo de pesquisa, em 1990.
O presidente foi o principal fiador da permanência de José Sarney (PMDB-AP) na Presidência do Senado. Em 17 de junho, chegou a declarar que o senador não poderia ser tratado como “uma pessoa comum”. Depois, amenizou o apoio público, mas manteve a sustentação ao aliado nos bastidores.
A pesquisa mostra a dissociação entre a popularidade de Lula e a crise no Senado. Mesmo entre os que consideram o governo ótimo ou bom, a maioria (73%) defende a saída ou afastamento temporário de Sarney.
Também entre os que aprovam o governo, 65% acreditam que Sarney está envolvido nas denúncias feitas contra ele.

14/08/2009 - 11:23h Ciro diz a Lula que é candidato ao Planalto

http://blogs.diariodepernambuco.com.br/politica/wp-content/uploads/2009/05/ciro-kacio.jpgEm jantar, presidente afirmou que quer deputado na corrida paulista

Vera Rosa, BRASÍLIA – O Estado SP

A possibilidade de candidatura da senadora Marina Silva (PT-AC) ao Palácio do Planalto pelo Partido Verde (PV), em 2010, fortaleceu o desejo do PSB de lançar o deputado Ciro Gomes (CE) à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em jantar que reuniu dirigentes do PSB e do PT, na quarta-feira, Ciro disse a Lula que sua prioridade é concorrer à Presidência, e não ao governo de São Paulo. Afirmou ainda que o projeto governista corre risco de derrota se a eleição for um “plebiscito” entre petistas e tucanos.

“Acho um grave erro apostar todas as fichas numa única candidatura da base aliada”, argumentou Ciro, numa referência à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a preferida por Lula para a disputa de 2010. O presidente, porém, não escondeu que, se dependesse dele, Ciro deveria concorrer à cadeira do governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

O Planalto mostra preocupação com a entrada de Marina no páreo presidencial. Ex-ministra do Meio Ambiente e petista histórica, a senadora está de malas prontas para o PV. Além disso, ela coleciona divergências com o governo e rusgas com a própria Dilma. No diagnóstico do Planalto, Marina pode não ter tantos votos, mas fatalmente empurrará a eleição para o segundo turno, jogará água no moinho dos tucanos e será uma candidatura de contestação ao atual modelo de desenvolvimento. Na prática, um contraponto feminino a Dilma feito por quem conhece o governo e o PT.

O racha na base aliada foi um dos principais assuntos do jantar, no Palácio da Alvorada. Anfitrião do encontro, Lula garantiu que não tentará demover Marina de sair do PT nem de entrar na corrida ao Planalto. “Em nenhum momento eu pediria a Marina para não ser candidata. A minha história foi construída com muitas candidaturas”, afirmou ele, de acordo com relato dos convidados.

Dilma também participou do jantar, que varou a madrugada, e conversou bastante com Ciro e com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.”Dissemos ao presidente Lula e à ministra Dilma que, se a tática de lançar vários candidatos puser em risco o projeto governista, reavaliaremos nossa posição”, contou Campos, que preside o PSB.

Ficou combinado que o PSB fará nova rodada de pesquisas, até 15 de setembro, para medir o potencial de Ciro em São Paulo e no País. É provável que o deputado transfira o domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, mas isso não significa, necessariamente, que será candidato ao Bandeirantes.

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), afirmou que o partido tem simpatia pela candidatura de Ciro em São Paulo. Não é bem assim, pois Lula gosta de Ciro, mas ele sofre resistências na seara petista. O PT e o PSB também vivem às turras no Paraná e no Espírito Santo, além dos problemas enfrentados em São Paulo.

Diante do impasse, o presidente voltou a dizer que o deputado Antonio Palocci (PT-SP), ex-ministro da Fazenda, pode concorrer à vaga de Serra. Palocci está animado com essa possibilidade. Acusado de violar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, em 2006, o ex-ministro só aguarda o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e tem certeza de sua absolvição.

14/08/2009 - 10:53h PSB joga definição sobre Ciro para 2010

Alan Marques/Folha imagem Foto Destaque
Foto Destaque
Eduardo Campos com Ciro Gomes: “O PSB tem este projeto nacional muito antes deste movimento de Marina e do PV”

 

Raymundo Costa e Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR

O PSB frustrou a primeira tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tornar “plebiscitária” a eleição presidencial de 2010. Mas nenhuma possibilidade foi fechada no jantar que reuniu os socialistas, o PT e o presidente na noite de anteontem, no Palácio da Alvorada, inclusive a de o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) concorrer ao governo de São Paulo com o apoio do PT. Os dirigentes do partido, no entanto, disseram a Lula que preferem ter Ciro como candidato a presidente da República. A eventual candidatura da ministra Marina Silva, pelo PV, permeou todas as conversas no Alvorada.

A decisão sobre a proposta de Lula – Ciro concorrer ao governo de São Paulo para o campo governista enfrentar o PSDB com apenas um candidato – será tomada até o dia 15 de janeiro. Mas isso não significa necessariamente a retirada da candidatura de Ciro Gomes, segundo explicou ao Valor um dos participantes do jantar.

“A prioridade do candidato único é de Lula; a nossa continua sendo a candidatura própria”, disse esse dirigente, sob a condição de não ser identificado. Segundo ele, Lula quer que o seu governo seja debatido, nas eleições. “Ele acha que seus mandatos batem qualquer outro que o país já teve”. Mas a comparação que Lula quer fazer é com os oito anos de Fernando Henrique Cardoso, porque acredita que o candidato do PSDB – logo, de FHC – será José Serra, ex-ministro do governo tucano nos ministérios do Planejamento e da Saúde.

O outro assunto dominante à mesa foi a eventual candidatura da ministra Marina Silva pelo Partido Verde. Os comensais avaliaram que em eventual segundo turno Marina ficaria com o candidato de Lula, ou seja, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, com a qual, aliás, ele teve atritos quando era ministra do Meio Ambiente. Mas a avaliação que predominou é que, embora Marina guarde suas mágoas, ela não saiu do governo com a raiva com que saiu o ex- ministro Cristovam Buarque (demitido por telefone) e nem rompida com ninguém

Um dirigente do PSB contou uma conversa que Marina teve com uma amiga comum. Nessa conversa, Marina teria dito que José Serra nada tem a ver com sua candidatura. Ela disse à amiga que tem “um projeto a defender”. Marina foi descrita como uma pessoa muito religiosa, com alto grau de misticismo e convencida de que está impregnada por uma missão. Lula não disse, mas já articula para que Marina não deixe o PT para ser candidata a presidente pelo PV.

O jantar demorou cerca de três horas. O PT – representado por Ricardo Berzoini (SP) e José Eduardo Cardozo (SP), presidente e secretário-geral, respectivamente -informou que se curvaria à decisão de Lula de indicar Ciro ao governo paulista.

“Para nós, quanto mais candidatos do nosso campo político disputarem, maiores as chances de vitória”, declarou o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Lula e o PT defenderam a unidade da coalizão governista já no primeiro turno, em torno da chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff. Eduardo Campos concorda que o surgimento de outras candidaturas – além de Ciro, a senadora Marina Silva também tende a ser tornar candidata pelo PV – faz com que a eleição de 2010 deixe de ser plebiscitária e, fatalmente, force um segundo turno. “Para os planos do governo de vencer a disputa em primeiro turno, isto é um atrapalho enorme”, concordou.

Eduardo Campos deixou claro que Lula foi extremamente elegante e respeitoso diante da posição do PSB. O presidente voltou a demonstrar todo o apreço que tem por Ciro, “a quem considerou um amigo fraterno e leal, sobretudo durante o período em que foi ministro da Integração Nacional”. O governador de Pernambuco negou que a possibilidade de Marina tornar-se candidata fortaleça a manutenção da candidatura Ciro. “Vamos deixar uma coisa bem clara: o PSB e Ciro têm este projeto nacional muito antes deste movimento de Marina e do PV. Além disso, neste momento, quem articula a candidatura de Ciro ao governo de São Paulo é apenas o diretório estadual do partido”.

Sobre a candidatura de Marina Silva, Campos foi cauteloso. Falou da admiração que sente pela senadora, mas disse que ainda é cedo para fazer qualquer avaliação. “Primeiro, precisamos saber se, de fato, ela deixará o PT para filiar-se ao PV; depois, precisamos esperar para confirmar se ela será ou não candidata; por fim, precisamos ver a dimensão e expressão desta candidatura”. Mas Berzoini confidenciou a dirigentes do PSB que ele já considera Marina fora do PT. A principal dúvida, no PT e no PSB, é o discurso de Marina. A senadora é crítica da política econômica do governo Lula, por exemplo.

13/08/2009 - 12:00h Para fora do cercadinho

É preciso saber o que deseja Marina. Ela quer usar a eleição para fazer propaganda de teses? Ou pretende construir uma alternativa de poder? Se for a segunda opção, a senadora do Acre precisará dar um jeito de achar seu caminho para sair do cercadinho

Por Alon Feuerwerker – Correio Brasiliense

alonfeuerwerker.df@diariosassociados.com.br

A eventual candidatura de Marina Silva à Presidência pelo PV vai enfrentar de cara uma dificuldade programática: como tirar o discurso e a militância ambientais do cercadinho, do microcosmo de fiéis falando a si mesmos, prevendo o apocalipse e condenando ao fogo eterno os céticos. A então ministra tentou fazer essa ampliação de horizontes no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Os resultados foram limitados. O termo era “transversalidade”, a tentativa de introduzir a pauta verde no universo mais amplo das ações governamentais.

Não funcionou a contento, por razões várias. Uma delas, que talvez sintetize as demais: a agenda ambiental no Brasil construiu-se nos últimos tempos como uma federação de vetos. Para toda iniciativa de desenvolvimento, haverá pelo menos uma organização não governamental a afirmar, sem dúvida nenhuma, que aquilo constitui gravíssima ameaça ao meio ambiente. E que portanto não é o caso de fazer. Assim se passa com as hidrelétricas na Amazônia, com a termoeletricidade de origem nuclear, com as hidrovias, com as sementes geneticamente modificadas, etc.

Conversa difícil de emplacar num país cujos maiores desafios são acelerar o desenvolvimento e ocupar efetivamente o território. Dá para fazer isso respeitando 100% a sustentabilidade? É possível (provável) que sim. Só que até agora ninguém disse como. No debate sobre a energia, por exemplo, acena-se com as ditas alternativas, como as provenientes da luz solar e dos ventos. Mas será realista falar em desenvolver o Brasil no ritmo desejado (e necessário) renunciando às demais fontes energéticas?

Outro capítulo é o aquecimento global. Se o fenômeno for mesmo consequência do excesso de civilização, é razoável que a conta seja transferida principalmente a quem já alcançou o patamar superior no quesito. Uma tese bastante difundida diz que o planeta não suportará se o padrão de consumo (emissão de carbono) dos Estados Unidos e da Europa for estendido ao conjunto da humanidade. Tudo bem, mas o que fazer? Reduzir principalmente a emissão dos ricos ou distribuir o sacrifício também pelos pobres, já que em teoria estes serão os maiores prejudicados se nada for feito?

Junto com o Brasil, a China vem recebendo muitas críticas por resistir a metas de emissão de gases causadores do efeito estufa. A posição dos líderes políticos chineses deve ser analisada à luz de um fato. Nenhum governo ali fica na sela se não propiciar um crescimento econômico, sustentado, em torno de 10% ao ano. A necessidade política está também na base das posições dos governos na Europa e nos Estados Unidos, confrontados com uma opinião pública cada vez mais preocupada com a defesa dos ecossistemas.

Trata-se, assim, de uma disputa de poder. E há o risco de a agenda verde radical ser recebida como antinacional nos países do mundo subdesenvolvido. Mais ainda nos Brics, nações que finalmente ameaçam romper a hegemonia do Primeiro Mundo. Não é um xadrez fácil de jogar. É um jogo perigoso, que embute riscos a serem bem explorados em períodos eleitorais.

Se Marina Silva sair mesmo do PT e virar candidata a presidente (ou será presidenta?) pelo PV, e se ela mostrar viabilidade eleitoral, não terá como avançar sem enfrentar esse debate com algum grau de pragmatismo. É preciso saber o que deseja Marina. Ela quer usar a eleição para fazer propaganda de teses? Ou pretende construir uma alternativa de poder, ainda que estrategicamente?

Se for a segunda opção, a senadora do Acre precisará dar um jeito de achar seu caminho para sair do cercadinho.

13/08/2009 - 11:26h Marina fura estratégia da disputa plebiscitária e desarruma jogo de 2010

Ruy Baron/Valor Foto Destaque
Foto Destaque
Ciro: futuro eleitoral do deputado federal do PSB foi discutido na noite de ontem entre Lula, seu partido e o PT

Raymundo Costa e Cristiano Romero, de Brasília – VALOR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se ontem com as cúpulas do PT e do PSB para reavaliar a estratégia governista na eleição presidencial de 2010. Quando convocou a reunião, Lula tinha um prato feito para apresentar aos partidos. A situação mudou, em menos de uma semana, depois que a senadora Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, passou a considerar seriamente a hipótese de sair do PT e eventualmente disputar a Presidência da República pelo PV.

A candidatura de Marina é um revés para Lula. É do presidente a estratégia para levar a eleição presidencial a uma espécie de plebiscito entre os oito anos de governo tucano e os oito do PT. Para isso era preciso retirar do cenário uma candidatura que se mostrava competitiva no campo governista – a do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), até agora o segundo colocado nas pesquisas de opinião. O primeiro é o tucano José Serra, governador de São Paulo, enquanto a candidata de Lula, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, aparece ora em terceiro, ora tecnicamente empatada com Ciro.

Com a eventual saída de Ciro, a “eleição plebiscitária” imaginada por Lula se daria entre Serra e Dilma Rousseff. O prestígio do presidente é muito grande no Nordeste, mas ele enfrenta dificuldades eleitorais no Sudeste e no Sul. A candidatura de Ciro Gomes ao governo de São Paulo seria parte da solução do problema: tiraria um candidato competitivo da eleição presidencial e daria ao PT e a Dilma um nome (Ciro) capaz de criar problemas para Serra em São Paulo, onde se situa o maior colégio eleitoral do país.

A entrada em cena de Marina, no entanto, teve o efeito de um tsunami no Planalto e fez um furo na estratégia presidencial. Com três candidatos saídos da base governista (Dilma, Ciro e Marina), o PSB passou a a considerar que Ciro tem tantas chances – ou até mais, por ter “recall” de duas outras eleições presidenciais – quanto Dilma e Marina de passar e disputar o segundo turno com o apoio da ministra da Casa Civil e – talvez – também da ex-ministra do Meio Ambiente. Seria um quadro parecido com o de 2002, quando Serra, candidato do então presidente Fernando Henrique Cardoso, ficou isolado na disputa contra o próprio Ciro (naquela época, filiado ao PPS), Anthony Garotinho (então, no PSB) e Lula.

Num primeiro momento, o Palácio do Planalto subestimou a “hipótese Marina”, cujo nome foi habilmente trabalhado pelo PV: primeiro o partido divulgou o convite à ex-ministra, depois vazou resultados de uma pesquisa em que ela aparece à frente de Dilma em algumas das simulações. O Planalto ridicularizou a pesquisa. Depois, passou a dizer “imagina, Marina é uma das fundadoras do PT, jamais deixará o partido”. Quando a preocupação aumentou, a cúpula do governo enviou mais de um emissário para sondar as reais intenções da senadora petista. Entre eles, o ex-governador Jorge Viana, colega de PT da senadora no Acre.

Foram todas conversas educadas, civilizadas, segundo relatos de que quem acompanhou a movimentação. Marina falou que tem o PT no coração, mas em nenhuma dessas conversas descartou a hipótese de deixar o PT e muito menos a de ser candidata presidencial pelo PV. Também avaliou que o PT se transformou num partido excessivamente pragmático, que deixou de lado o “sonho e a utopia”.

Os emissários do Planalto voltaram preocupados, mas com a sensação de que o teor das conversas continha algumas mágoas: com a saída do ministério, com a falta de apoio de Lula para a eleição de Tião Viana (PT-AC) ao Senado e até ao fato de Jorge Viana, ex-governador do Estado, não ter sido convidado por Lula para ser ministro do governo. De qualquer forma, assessores palacianos decidiram destacar o ex-ministro Antonio Palocci para uma conversa mais definitiva com Marina, com quem tem ótima relação.

A disputa plebiscitária idealizada pelo presidente também ajudaria nos acordos estaduais, sobretudo a coligação entre o PT e o PMDB, desejo expresso de Lula que o PT engoliu até agora por conta apenas da sua elevada popularidade. Especialmente o PT de São Paulo. Se Lula não conseguir impor seu ponto de vista, será chamado a arbitrar entre as candidaturas de Antônio Palocci e do prefeito de Osasco, Emídio de Souza, ao governo estadual.

Em reunião anteontem, integrantes da cúpula do PT avaliaram a situação: eles não sabiam exatamente o que Lula iria falar ontem a noite no jantar-reunião com a cúpula do PT e do PSB, evento que não havia começado até o fechamento desta edição. Segundo um petista, tratava-se de conversa para varar a noite.

Depois de trocar entre si informações, os petistas saíram da reunião de terça-feira mais ou menos convencidos de que Ciro vai insistir em sair candidato a presidente. São Paulo não estaria efetivamente em seus planos. O Plano B de Ciro seria a candidatura a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff, uma vez que os petistas dizem que já não há mais jeito: o candidato do PT será a ministra da Casa Civil. As especulações em torno de Palocci não passariam disso mesmo: especulações.

Já os socialistas do PSB – além de Ciro, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o vice-presidente do partido, Roberto Amaral, o senador Renato Casagrande e o líder da sigla na Câmara, Rodrigo Rollemberg – foram para o jantar de ontem com Lula, convictos de que têm um candidato competitivo para disputar a presidência. “Temos um candidato, um nome. Ciro tem 15% das intenções de voto, tanto quanto Dilma”, ponderou um integrante do partido.

O PSB não descarta lançar Ciro ao governo de São Paulo – uma ideia inicialmente lançada pelo deputado Márcio França (PSB-SP), mas logo incorporada com entusiasmo pelo presidente Lula – ou mesmo ao governo do Rio de Janeiro. Mas, antes, quer, segundo um dirigente, “arrumar o jogo” no diálogo com o presidente e o PT. Uma das preocupações do PSB é com o pós-Lula.

Na avaliação da cúpula do partido, as “conquistas” do governo Lula não foram institucionalizadas. Além disso, o presidente teria se tornado um mito em vida, cuja presença já é suficiente, por exemplo, para resolver conflitos dentro do PT ou mesmo no PMDB. Ao que tudo indica, ele não será sucedido por outro mito, e o futuro presidente, seja quem for, terá que conviver com sua presença.

12/08/2009 - 12:08h Turbulências na campanha

eleições 2010

Estratégia de Lula de transformar disputa pelo Planalto em plebiscito entre Dilma e o PSDB é colocada em xeque por causa das possíveis candidaturas de Marina e Ciro, além da rebeldia do PMDB

Tiago Pariz e Flávia Foreque – Correio Braziliense

André Dusek/AE – 18/5/09
Dilma: base aliada cobra de Lula preço mais alto para referendar candidatura da ministra

 A candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, atravessa o momento mais delicado de campanha. Com a opção do PSB pelo lançamento do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao Palácio do Planalto e a quase certa candidatura da senadora Marina Silva (PT-AC), pelo PV, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi colocado em xeque. Os aliados aproveitaram um momento de estagnação da candidata para cobrar mais caro o apoio nos estados e na aliança presidencial.

A mudança do cenário favorável a Dilma Rousseff ocorreu em meio à crise no Senado e às dificuldades do PT (1)em avançar nas conversas sobre as alianças estaduais. A missão de retirar a candidata do marasmo está nas costas de Lula. A primeira é a aliança com o PMDB, que sofre com falta de entendimento em Minas Gerais, Pará, Ceará, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. A segunda é amarrar todos os aliados em torno de Dilma e evitar as candidaturas de Marina e Ciro Gomes. Lula quer transformar a eleição de 2010 em um plebiscito entre o seu governo, representado pela ministra da Casa Civil, e a eventual candidatura do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), representante dos oito anos da administração Fernando Henrique Cardoso. Para os petistas, Serra seria mais fácil de bater do que o também tucano Aécio Neves, governador de Minas Gerais.

Os acordos estaduais são vitais para a sobrevivência do apoio do PMDB. O líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), um dos defensores da candidatura de Dilma Rousseff, faz um alerta. “Se deixar o jogo solto nos estados, vai ter briga.” Os sintomas das desavenças estão à mostra. O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, que chegou a ser cotado como vice de Dilma, ameaça se lançar ao governo baiano contra Jaques Wagner (PT). No Pará, o deputado Jader Barbalho deve sair para o Senado com apoio da oposição e contra a governadora Ana Júlia Carepa (PT-PA).

Até mesmo entre alguns parlamentares do PMDB o ceticismo é grande sobre a capacidade de Dilma absorver os votos e a popularidade do presidente Lula. “Ela se esforça para fazer gestos e cenas, mas não tem o carisma do presidente”, avaliou um parlamentar peemedebista.

O presidente Lula terá hoje reunião com os socialistas sobre o futuro político de Ciro Gomes. O deputado pelo Ceará já disse que decidiu se lançar à Presidência. Mesmo não sendo um dos maiores entusiastas da empreitada, o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, prometeu bancar a proposta do colega na reunião com Lula.

Resistência

“A intenção do Lula é fazer um plebiscito, mas o PSB não vai rifar a candidatura do Ciro pelo interesse dos outros partidos”, afirmou o deputado Beto Albuquerque (RS), vice-presidente da legenda. O nome do socialista ganha força diante da resistência da base aliada em acreditar no fôlego da mãe do PAC”. “Ela ainda é uma incógnita”, avaliou o deputado Márcio França (SP). “A nossa prioridade era ter dois candidatos (à Presidência) do bloco do governo”, emendou.

O PSB viu na proposta do PV a Marina Silva uma maneira de se cacifar nas negociações pela disputa presidencial. A avaliação corrente é que a candidatura da senadora à Presidência enfraquece a projeção de Dilma. “Tem candidaturas que são naturais porque trazem um valor simbólico e têm também aquelas que são construídas, que é o caso da Dilma. É uma candidatura sólida, mas tem muito trabalho pela frente. Não vejo ela ter a confiança da base”, diz o presidente do PV, José Luiz Penna.

Enquanto cuida da aliança, Lula mandou Dilma intensificar o esforço de exposição e divulgação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ela cumpriu agenda no Rio Grande do Norte e no final de semana estará em São Paulo para participar, em Osasco, a quinta maior cidade do estado, de um fórum de tecnologia social. O ato também serve para prestigiar o prefeito da cidade, Emídio de Souza, pré-candidato petista ao governo paulista.

1 – “BALÃO DE ENSAIO”
Com os nomes do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e da senadora Marina Silva (PT-AC) ventilados para a disputa presidencial, o PT já trabalha com a hipótese de ter a corrida diluída com outros concorrentes. “De repente é até melhor mais candidatos para forçar um segundo turno”, avaliou o ex-senador José Eduardo Dutra, candidato a presidente do PT. “Ainda não sei se é melhor polarizar com o PSDB.” Para a senadora Ideli Salvatti (PT-AC), as defecções na base aliada não passam de balão de ensaio.


Discurso de concorrente

Carlos Moura/CB/D.A Press – 17/6/08
    A Marina vai causar uma revolução na eleição”
    Pedro Simon (PMDB-RS), senador

 Assediada pelo PV, a senadora Marina Silva (PT-AC) está encantada com o projeto político de disputar a Presidência da República. Ela é movida por colocar no centro do debate sobre o Brasil pós-Lula o desenvolvimento ecossustentável. Oficialmente, a senadora disse ainda analisar a questão, mas os sinais de sua decisão estão expostos.

Marina Silva não tem medo de perder o mandato por infidelidade partidária caso o PT venha cobrar sua vaga no Senado na Justiça Eleitoral. “Quando falo da magnitude do que estou fazendo, o cálculo político apequena o debate. Não seria o medo de perder o mandato que me faria desistir do que acredito e defendo. O mandato é uma honra que ganhei do povo acreano”, afirmou a petista.

A senadora não só minimiza a importância de uma disputa judicial pelo mandato como se escora na experiência política da colega de PT Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência. Ao ser questionada sobre o pedido da ministra da Casa Civil para que ela continue na legenda, Marina respondeu: “Fiquei sabendo que ela fez um apelo e disse que me entende. Afinal, ela saiu do PDT para ir para o PT e sabe como é isso”.

Desde que o PV apresentou uma pesquisa em que mostra um surpreendente desempenho nas classes A e B, Marina Silva dedicou-se às conversas com pessoas mais próximas. Sustentou que mais ouve do que fala. São apelos para não rasgar 30 anos de história e militância pelo PT, pedidos para não trair antigos colegas. Mas o entusiasmo com o protagonismo político é maior. Quem conversou com ela nos últimos dias praticamente jogou a toalha. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) a classificou de a grande novidade. “A Marina vai causar uma revolução na eleição”, disse.

A ex-ministra do Meio Ambiente cita seis pessoas defensoras do movimento utópico em que se espelha. Quatro delas são: Chico Mendes, morto em 1988, o sociólogo Florestan Fernandes, morto em 1995, o teólogo Leonardo Boff, e o presidente Lula. Boff já declarou ser favorável à candidatura. O presidente Lula não deu nenhuma declaração, nem chamou Marina para uma conversa. Se demorar demais, pode ser atropelado pelos fatos. A bancada do PT no Senado divulgou ontem carta aberta pedindo que Marina não deixe o partido. (TP)

12/08/2009 - 11:29h Gabeira acerta com PSDB candidatura no Rio

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2010: Deputado, que pretende ter dois palanques presidenciais discute hoje cenário sucessório com Marina

Ana Paula Grabois, do Rio – VALOR

Fenômeno nas eleições municipais no ano passado, neste momento a opção do deputado federal Fernando Gabeira (PV) é sair como candidato a governador do Estado do Rio em 2010 apoiado pelo PSDB. Na semana passada, Gabeira conversou com o governador de São Paulo, José Serra, e com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo, dois entusiastas da candidatura do deputado ao governo do Estado do Rio no ano que vem.

Nas eleições de 2008, aliado ao PSDB, PPS e DEM, Gabeira perdeu por apenas 55,7 mil votos do atual prefeito, Eduardo Paes (PMDB). Na época, recebeu forte apoio financeiro dos tucanos, que tinha como representante na chapa o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha. O PSDB deu R$ 1 milhão à campanha de Gabeira a prefeito.

“Eles querem que a gente saia com candidatura ao governo”, disse. A opção pelo Senado foi deixada para trás, diz. “A situação lá está muito complicada. Precisaria entrar para mudar e teria que ter pelo menos dez senadores”, afirmou, sem esperanças de renovação na Casa em 2010.

Um dos desafios de sua candidatura será conjugar no primeiro turno a eventual candidatura da senadora Marina Silva pelo PV com a candidatura tucana à Presidência. “Não sei como será, mas gostaria de contar com o apoio do PSDB”, disse o deputado do PV ao Valor. Uma das possibilidades é Gabeira subir no palanque dos dois candidatos presidenciais. Para Serra, Gabeira seria o palanque ideal no Estado para fazer frente ao apoio que Cabral (PMDB), pré-candidato à reeleição, dará à virtual candidata do PT, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. “Essa é a opção, ter dois palanques”, diz o vereador Alfredo Sirkis (PV-RJ). Hoje Gabeira se reúne com Marina para tratar do assunto.

A pré-candidatura Gabeira deve complicar o quadro eleitoral para o governador Sérgio Cabral. Em pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) realizada entre 23 e 27 de julho com 2 mil eleitores no Estado, Cabral apareceu com 28% das intenções de voto, seguido por Gabeira, com 21%. O ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PR) obteve 17%, enquanto o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), tinha 9%. Cabral luta para ter menos concorrentes e tenta tirar da disputa Lindberg Farias, do PT.

Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador do Rio tem tentado convencer Dilma a tirar Lindberg da corrida ao governo estadual. Uma das alternativas para Lindberg seria concorrer ao Senado .

No PV do Rio, existem ainda diferenças com o DEM, especialmente com o ex-prefeito da capital, Cesar Maia, que tem declarado apoio a Gabeira. A avaliação de políticos do PV é de que a eventual aliança com o ex-prefeito, que deve concorrer ao Senado, vai contra o discurso de renovação de Gabeira. Em 2008, Maia fechou com Gabeira no segundo turno, após a derrota da deputada federal Solange Amaral (DEM).

12/08/2009 - 10:52h ”Candidatura única é um risco incabível”

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/images/CiroGomesWilsonDias470.jpg

Ciro Gomes: deputado PSB-CE; Deputado acredita que nome único da base governista para disputa presidencial pode dar a Serra vitória no 1.º turno

 

Luciana Nunes Leal, RIO – O Estado SP

 


Na noite de segunda-feira, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) animou dirigentes e líderes socialistas na Baixada Fluminense quando revelou que está decidido a ser candidato à Presidência da República. Embora tenha ressalvado que não se trata de uma opção individual e que vai ouvir as ponderações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro reiterou a tese de que uma candidatura única da base governista, representada pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é um risco e pode levar o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), à vitória no primeiro turno. O deputado confirmou que participará de um encontro com o presidente hoje.

“É um risco desnecessário, incabível, uma ameaça ao futuro do País colocar todos os dados numa única mão em um primeiro turno”, disse, pouco antes de uma palestra sobre educação na sede do PSB de Duque de Caxias.

De que depende sua decisão sobre ser candidato a presidente ou a governador de São Paulo?

De uma orientação do meu partido. Nós temos aliança com o presidente Lula e gostamos dessa aliança. Queremos convencê-lo das nossas percepções. Mas vamos ouvir com o maior respeito as ponderações do presidente.

O sr. defende a tese de que uma candidatura única da base governista pode dar a vitória ao governador José Serra no primeiro turno?

Nós pensamos que é um risco desnecessário, incabível, uma ameaça ao futuro do País colocar todos os dados numa única mão em um primeiro turno.

Que tipo de dificuldade o sr. vê?

Há cogitações da possibilidade de a ministra Marina Silva ser candidata. O impacto disso é deletério sobre a candidatura da Dilma.

Por quê?

Porque é uma defecção do PT, é mulher. Tem identificação com o Lula de mais longo curso do que a da Dilma. E a Marina pode se apresentar recuperando uma certa intransigência ideológica, ética, que a Dilma, pelo entorno político que hoje está, não pode. O Lula aguenta defender o Sarney, o Renan, se abraçar com Collor, porque tem interlocução e uma exuberância política que são justas, são dele. Nem eu, nem o Serra, nem a Dilma, nem a Marina aguentaria.

Como o sr. candidato a presidente se apresentaria para o eleitor?

Não sou uma novidade. Eu diria: manter e institucionalizar tudo de bom do Lula. E consertar o que de contradição existe.

Qual é o prazo para o sr. escolher seu futuro em 2010?

Eu pessoalmente estou decidido. Sou candidato a presidente. Eu já escolhi. O resto agora são as outras variáveis.

12/08/2009 - 10:30h Terceira via muda xadrez eleitoral


Marina, na avaliação de analistas e parlamentares, pode abalar caráter plebiscitário do embate entre PT e PSDB

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Julia Duailibi e Gustavo Uribe, AGÊNCIA ESTADO – O Estado SP

A eventual entrada de Marina Silva (PT-AC), ex-ministra do Meio Ambiente, na disputa presidencial de 2010 pode acabar com o caráter plebiscitário da eleição dando origem a uma “terceira via”, que certamente se beneficiará do desgaste da polarização entre PT e PSDB.

Na avaliação de analistas políticos e parlamentares, a candidata Marina tende a empurrar a eleição para o segundo turno, trazendo o “imponderável” para a disputa, em razão, principalmente, de três fatores: é uma novidade eleitoral; tem boa imagem num momento em que o País assiste às denúncias no Congresso; e defende uma bandeira palatável a setores da classe média, o meio ambiente.

Baseados na expressão “terceira via” – mas não no conceito desenvolvido pelo sociólogo inglês Anthony Giddens, que nos anos 90 pregou um caminho entre o neoliberalismo e a social-democracia excessivamente calcada do papel do Estado -, analistas veem mudança no xadrez político com Marina na disputa.

“Ela traz o imponderável para a disputa. O crescimento dela é imprevisível. Além disso, ela tira a ‘plebiscitação’ do pleito e joga, sem dúvida, a eleição para o segundo turno”, avalia o senador José Agripino Maia (DEM-RN). A entrada de Marina na disputa também dá combustível aos entusiastas da candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) à Presidência. “Caminhar para uma eleição plebiscitária ficará mais difícil, e o quadro eleitoral será mais diverso. Há espaço para duas candidaturas que defendam o projeto do presidente Lula”, declarou o líder do PSB na Câmara, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). Esse será o argumento usado pelos setores do PSB que são a favor da candidatura Ciro, na reunião de hoje com Lula.

TETO ELEITORAL

Para Humberto Dantas, conselheiro do Movimento Voto Consciente, Marina “deve ser a alternativa para os descontentes com o governo Lula e com a oposição”. Carismática e com a trajetória em prol do meio ambiente, a ex-ministra deve obter mais de 10% dos votos em primeiro turno, estima Dantas. Entre os parlamentares, as estimativas iniciais ficam abaixo de 10% dos votos, embora muitos evitem arriscar em razão do “elemento surpresa” da candidatura. Marina levaria os votos dos “órfãos” da ex-senadora Heloisa Helena (PSOL)”, que pode concorrer ao Senado.

“Ela vai carregar uma bandeira importante e pouco recorrente no universo político brasileiro, o meio ambiente”, disse José Paulo Martins, coordenador da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Marina provocará mudança no discurso de seus concorrentes – do lado tucano, os governadores José Serra (SP) ou Aécio Neves (MG), e do petista,a ministra Dilma Rousseff.

Para Carlos Melo, do Instituto de Ensino e Pesquisa, a senadora colocará em pauta um “tema pouco caro aos virtuais candidatos à Presidência Dilma e Serra”. “Eles terão de tomar cuidado quando falarem sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e sobre o Rodoanel”, destaca Melo.

12/08/2009 - 09:52h Marina & Ciro

FERNANDO RODRIGUES – FOLHA SP

BRASÍLIA – A possível entrada da quase ex-petista Marina Silva na corrida presidencial demonstra como ainda é volátil o cenário em 2010. Até há um mês, o Planalto maquinava com razoável sucesso para haver apenas uma escolha plebiscitária entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).
Agora, a chance de Marina entrar na disputa pelo Partido Verde pavimentou o caminho para Ciro Gomes (PSB) voltar a pensar em voos nacionais. Por tabela, congestionou a trajetória de Dilma.
Com quatro candidatos na urna eletrônica (Dilma, Serra, Marina e Ciro), a ala cirista do PSB passou a alimentar o desejo de repetir no Brasil o desempenho da eleição estadual de Pernambuco em 2006.
Naquele ano, Lula tentou a reeleição e teve dois palanques em solo pernambucano: Eduardo Campos (PSB) e Humberto Costa (PT). Lulistas, ambos concorriam para o governo local contra Mendonça Filho (PFL, hoje Democratas). No segundo turno, deu Campos versus Mendonça. O PT apoiou o PSB, que acabou vencendo a parada.
No ano que vem, o idílio imaginado por Ciro é terminar o primeiro turno à frente de Dilma. A entrada de Marina Silva seria a sua garantia de que o votos de centro e de esquerda estariam fracionados.
Esse tipo de configuração depende necessariamente da candidatura de Marina Silva. Sem ela, Ciro ficaria falando sozinho. Teria uma estrada acidentada para tentar pela terceira vez o Planalto (ele já foi candidato em 1998 e em 2002).
Já a ainda senadora petista, do seu lado, precisa ponderar muita coisa antes de entrar para ser linha auxiliar desse ou daquele candidato. Promoverá a causa verde. Mas estará em um partido político cuja metade da bancada não tem a menor ideia do que vem a ser política de meio ambiente. E todos são liderados pelo deputado Zequinha Sarney, do PV do Maranhão.

frodriguesbsb@uol.com.br

12/08/2009 - 09:21h Nas mãos do tempo

Colunista

Rosângela Bittar – VALOR

A pajelança a ser comandada hoje pelo presidente Lula com seus aliados do PSB e do PT, no Palácio da Alvorada, com todo o requinte da liturgia presidencial, é um lance para impressionar e, sobretudo, pressionar. Pressionar o PT, como última tentativa, a aceitar a candidatura de Ciro Gomes ao governo de São Paulo em nome da aliança e, se de todo não der mesmo, como não estava dando até ontem, e o partido dos trabalhadores mantiver a resistência, levar o PT a fazer concessões ao PMDB, nos Estados, para que o PMDB ceda a vaga de vice da candidata Dilma Rousseff a Ciro Gomes. Qualquer definição fora dessas opções leva Ciro a ser candidato a presidente da República na sucessão de 2010, contra tudo e contra todos, especialmente tendo como adversária a candidata petista.

Este é um resumido enredo do samba que deve se manter inalterado, mesmo após a reunião dos partidos com o presidente, porque a negociação não deve chegar a um desfecho assim, de primeira.

O que está ocorrendo agora tem gênese nas eleições municipais quando, para se fortalecer, ampliar horizontes e plantar sementes eleitorais, o chamado bloquinho de esquerda cogitou o lançamento da candidatura do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) a prefeito da capital, diante da impossibilidade de furar o bloqueio do PT contra alianças com esses pequenos partidos. Como os grandes desistiram de apoiar o PT, a candidata Marta Suplicy aceitou, em nome do partido, que o PCdoB integrasse sua campanha com a candidatura a vice, o deputado Aldo Rebelo. Não deixou de ser um passo adiante para este grupo apesar da relutância do PT, que atrasou a aplicação da estratégia da esquerda.

O que o PSB e o PCdoB vinham armando é uma continuidade deste propósito de 2008, mas com muito, muito mais condições de ampliação do seu eleitorado. Ciro Gomes quer ser candidato a governador de São Paulo, acha que estão esgotadas suas possibilidades no Ceará, onde já fez de tudo, armou as condições básicas para isto e os partidos que conduzem este projeto têm segurança sobre o sucesso que seria a empreitada. Esta candidatura, que o presidente Lula também quer muito, criaria melhores chances para a campanha da candidata Dilma Rousseff a presidente, puxando para ela boa parte da votação que o PSDB historicamente obtém no Estado. Daria ao PT, que não tem um candidato imbatível, condições de fazer uma grande bancada parlamentar. E se não vencesse nesta, Ciro criaria uma base em São Paulo para si e para esses partidos. Inclusive, acreditam os socialistas e comunistas, ampliaria para a votação do próprio PT.

Todos estavam dependentes de uma definição do PT mas, segundo avaliação feita ontem pelo grupo, o partido do presidente se perde no debate de posições, e não se define. Isso significa, para quem já viveu experiência com a legenda, que o PT não quer fazer a aliança e vai lançar candidato próprio. Este PT tem nome e sobrenome: Marta Suplicy e Antonio Palocci. Com um grande elenco na articulação das resoluções internas.

Há mais ou menos um mês, quando já estava na agenda a candidatura Ciro ao governo de São Paulo, uma análise interna feita pelo PT paulista e aqui mesmo publicada identificou as razões do partido para não aceitar a aliança desta forma. Para o PT, historicamente, o partido tem uma votação de 30% em São Paulo. Sem a certeza se vai transferir isto para outro candidato, temendo perder parte do eleitorado e desestimular a militância, que faz questão de marcar presença nas eleições, o melhor a fazer seria lançar candidato próprio e encontrar-se com PSB e PCdoB no segundo turno.

Argumentação que PSB e PCdoB consideram “balela”. O mínimo que dizem dela é que é interesseira. O PT estaria, na verdade, tentando impedir a consolidação de uma liderança não petista em São Paulo. E só teria sentido a candidatura Ciro se fosse com a união de todos. Até porque, sem o PT, o tempo de televisão para a propaganda eleitoral do candidato seria mínimo.

Impacientes, e já tendo tido uma primeira posição do PT paulista de que terá candidato próprio, PSB e PCdoB resolveram voltar à candidatura presidencial de Ciro Gomes. A entrevista concedida pelo deputado à repórter Raquel Ulhôa, do Valor, publicada na edição de segunda, é uma conversa de candidato a presidente, cheia de recados ao PT mas sem fechar completamente as portas a uma aliança a qualquer tempo.

Ciro elogiou José Serra, o governador tucano que é seu sparring preferido: recado aos petistas de que não contem com ele para atacar o adversário; Ciro preservou Marina Silva, possível candidata do PV, porque não a considera sua adversária; previu a implosão da candidatura de quem considera do lado oposto ao seu, Dilma, se for mesmo a candidata do PT. E muitos outros sinais ao partido do presidente.

Pressão fortíssima mas ainda não a definição cabal de que sua candidatura é mesmo a presidente da República pelo PSB. Por uma razão: há políticos importantes do PT defendendo, como saída do impasse, que Ciro seja vice de Dilma Rousseff. Para isto, o Partido dos Trabalhadores tem um imenso desafio pela frente. O de convencer uma maioria do PMDB a ceder o posto sem abandonar a aliança lulista.

E para fazer esta maioria no PMDB, o PT precisa fazer uma maioria no próprio PT, para aceitar composições regionais abrindo mão de posições para favorecer pemedebistas. Por exemplo: José Fogaça, avaliam os partidários de Ciro, preferiria ter o apoio do PT no Rio Grande do Sul a ter o vice na chapa de Dilma; Hélio Costa, com certeza, igualmente em Minas Gerais; Sergio Cabral gostaria de ter o PT na sua reeleição mais que o vice da chapa presidencial. E assim em vários outros Estados onde o PMDB quer eleger o governador e fazer grande bancada, com o apoio do PT.

Se em São Paulo foi impossível ceder a candidatura aos parceiros históricos, imagine-se como será a negociação do PT com o PMDB país afora. Por isso, a solução não está à vista, ainda. O tempo é que vai resolver, não o encontro de hoje.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

11/08/2009 - 16:15h Ciro reitera intenção de se candidatar à presidência

Em entrevista, deputado diz que decisão depende de ponderações de Lula; reunião com presidente é hoje

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S.Paulo

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE)RIO – Na noite de segunda-feira, 10, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) animou dirigentes e lideranças socialistas na Baixada Fluminense quando revelou que está decidido a ser candidato à Presidência da República.

Embora tenha ressalvado que não se trata de uma opção individual e que vai ouvir as ponderações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro reiterou a tese de que uma candidatura única da base governista, representada pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é um risco e pode levar o tucano José Serra à vitória no primeiro turno. O deputado confirmou que participaria de um encontro com o presidente Lula marcado para esta terça-feira, 11.

Como acredita que a decisão final não será tomada este ano, Ciro estuda uma saída que não elimine a possibilidade de disputar o governo paulista: transferir o domicílio eleitoral para São Paulo até o fim de setembro. Com isso, atenderia a exigência legal para disputar a sucessão do governador tucano José Serra, mas continuaria pré-candidato a presidente.

Leia trechos da entrevista que o Estado publica na íntegra na edição desta quarta-feira, 12.

De que depende sua decisão sobre ser candidato a presidente ou a governador de São Paulo?

De uma orientação do meu partido. Não é uma orientação neutra, eu participo da reflexão que o partido está fazendo. Nós temos aliança com o presidente Lula e gostamos dessa aliança. Queremos convencê-lo das nossas percepções. Mas vamos ouvir com o maior respeito as ponderações do presidente.

O senhor defende a tese de que uma candidatura única da base do presidente Lula poderia dar a vitória ao governador José Serra no primeiro turno?

Nós pensamos que é um risco desnecessário, incabível, uma ameaça ao futuro do País colocar todos os dados numa única mão em um primeiro turno.


Qual é o prazo para o senhor escolher seu futuro em 2010?

Eu pessoalmente estou decidido. Sou candidato a presidente. Eu já escolhi. O resto agora são as outras variáveis.

11/08/2009 - 14:09h Lula pressiona por candidatura Ciro em SP

Eleições: Para o presidente, deputado conseguiria unir forças de esquerda e incomodar o governador José Serra

http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2007/12/lula-mao-na-cabeca.thumbnail.jpg

Cristiano Romero, de Brasília – VALOR

As lideranças do PT e do PSB reúnem-se amanhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir uma possível aliança em torno da candidatura do deputado Ciro Gomes (CE) ao governo de São Paulo, em 2010. Nos últimos dias, as negociações entre representantes dos dois partidos se intensificaram, mas, segundo apurou o Valor, ainda não foi fechado um acordo.

O principal interessado no lançamento de Ciro ao governo paulista é o presidente Lula. Segundo um ministro próximo do presidente, Lula acredita que a candidatura do ex-ministro agruparia as forças de esquerda no em São Paulo – unindo não só PT e PSB, mas também outras siglas de esquerda, como o PCdoB -, teria um discurso forte e incomodaria o atual governador de São Paulo, José Serra (PSDB), em “seu quintal”.

Lula acha que Ciro ajudaria, também, a impulsionar, no eleitorado paulista, a candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Nas conversas internas, o presidente, segundo relato de um assessor direto, lembra que Ciro é um nome forte num momento em que o PT não dispõe de nomes competitivos para disputar o governo de São Paulo.

“O PT apoiaria porque não tem candidato”, afiança um ministro que está participando das discussões. A avaliação corrente no Palácio do Planalto é que os possíveis candidatos petistas em São Paulo não têm, neste momento, nenhuma chance de sucesso.

O senador Aloízio Mercadante, observa um ministro, sofreu desgaste em 2006, no episódio do “dossiê dos aloprados” contra tucanos paulistas. Marta Suplicy perdeu as últimas duas eleições que disputou para a Prefeitura de São Paulo. O ex-ministro Antonio Palocci ainda sofre o desgaste do episódio da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, embora o presidente Lula acredite que, se ele for inocentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), terá chances de vitória nas eleições.

Uma alternativa defendida por alguns setores do PT – o lançamento do ministro da Educação, Fernando Haddad – encontra forte resistência das alas mais fortes do partido. Haddad seria um candidato que nunca disputou eleições e que, perdendo a disputa, hipótese considerada a mais provável pelos próprios petistas, ganharia o direito de ser o primeiro da fila no pleito seguinte, algo que as lideranças do PT não aceitam.

Em entrevista ao Valor, publicada ontem, Ciro Gomes disse que seu objetivo continua sendo disputar a Presidência, mas ele não descartou sair candidato ao governo paulista. No Palácio do Planalto, assessores próximos do presidente asseguram que ele quer, sim, se candidatar no Estado mais populoso e rico do país. “Se ele perder, vai se tornar uma referência em São Paulo”, observa um ministro.

A candidatura Ciro enfrenta resistências no PSB paulista, aliado de José Serra no Estado, e também em setores do PT que não abrem mão de ter um candidato próprio. No segundo caso, o presidente Lula e lideranças nacionais do partido, como o presidente da sigla, deputado Ricardo Berzoini, e o ex-ministro José Dirceu têm força suficiente para forçar a legenda a fechar com Ciro. Nas conversas que têm tido com lideranças petistas, Lula tem repetido uma espécie de mantra, segundo relato de um ministro: “O PT precisa ter a sabedoria e a maturidade para fazer as alianças necessárias, inclusive, entendendo que muitas vezes a cabeça de chapa deve ser de outro partido”.

11/08/2009 - 13:24h Tic-tac

http://bahiapress.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2009/03/lula_palocci.jpg

Coluna Mônica Bergamo – Folha SP

Tic-tac

Além da possibilidade de Marina Silva (PT-AC) deixar o partido para disputar a Presidência da República pelo PV, o PT lida com outra probabilidade de rachaduras no casco da candidatura de Dilma Rousseff: a impossibilidade de uma aliança formal com o PMDB, que já estaria fora do barco petista em pelo menos seis Estados: São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Pará.

TUDO COMBINADO 1
‘ O presidente Lula, que já tinha mandado sinais, voltou a falar abertamente no nome do ex-ministro Antônio Palocci Filho para disputar o governo de São Paulo. E também na necessidade de se esperar mais para ver os caminhos que o PSDB vai tomar (José Serra vai mesmo concorrer ao Planalto ou à reeleição em SP? Os tucanos lançam Geraldo Alckmin ou Aloysio Nunes Ferreira ao Palácio dos Bandeirantes?) antes de definir candidaturas.

TUDO COMBINADO 2
As indiretas do presidente Lula, feitas ao PT de São Paulo, coincidem com novas manifestações de Ciro Gomes (PSB-CE) de que prefere esperar até abril para definir se concorre ao governo de SP, à Presidência da República ou a vice. Ele deve se reunir com Lula amanhã em Brasília. Mas o discurso já está afinado.

11/08/2009 - 13:02h Marina leva Ciro a rever plano para sucessão

http://querenciahoje.files.wordpress.com/2009/04/ciro3.jpg

Ele avalia que novo cenário é mais favorável à candidatura presidencial

Clarissa Oliveira e Luciana Nunes Leal – O Estado SP

Antes mesmo de ser confirmada, a candidatura da senadora Marina Silva (PT-AC) à Presidência da República já começou a impactar nas articulações para a eleição do ano que vem. Diante do convite feito pelo PV a Marina para que saia candidata ao Planalto em 2010, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) começou a rever a possibilidade de disputar o governo de São Paulo e voltou a investir na tese de que quer mesmo concorrer à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ciro comentou com aliados que a entrada de Marina na corrida criaria um cenário muito mais favorável a uma candidatura sua ao Planalto. Com a senadora na disputa, argumentou, a eleição perderia o caráter plebiscitário esperado pelo PT e pelo PSDB, ajudando a garantir um segundo turno.

A expectativa é de que Ciro diga pessoalmente a Lula que quer concorrer à Presidência. Os dois devem se reunir esta semana com o presidente do PSB, governador Eduardo Campos (PE), e dirigentes das duas siglas. A previsão era de que o encontro fosse um jantar em Brasília, amanhã. Até ontem, não havia confirmação.

A negociação para lançar Ciro ao Palácio dos Bandeirantes avançou depois que Lula mandou um recado ao PT de São Paulo, para que levasse “a sério” a candidatura do deputado. Num encontro com o presidente do PT paulista, Edinho Silva, e o deputado Márcio França, presidente do PSB no Estado, Ciro deu a linha do que dirá a Lula. Afirmou que se animou com as conversas sobre a corrida estadual, mas sua prioridade continua sendo a disputa presidencial.

Ontem, no Rio, Ciro disse que terá “uma conversa franca” com Lula. Mas garantiu que, do encontro, não sairá a definição sobre seu futuro político. Ele criticou a aliança PT-PMDB para dar sustentação à chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em 2010. E disse que entrada de Marina na corrida “causa uma erosão a ponto de implodir” a candidatura de Dilma. A afirmação já havia sido feita em entrevista ao Valor Econômico. Ao jornal, Ciro disse ainda que a Presidência é sua prioridade “sem qualquer tipo de dubiedade”.

NEGOCIAÇÃO

Marina ainda não deu uma resposta ao PV, mas sua saída do PT já é dada como certa por aliados. Ela tirou o último fim de semana para conversar com familiares e amigos no Acre. Quem esteve com a senadora saiu convencido de que há pouca chance de ela ficar no PT.

Na lista dos que se reuniram com Marina estão o governador Binho Marques e o ex-governador Jorge Viana. Nas conversas, ela não disfarçou o entusiasmo com a possibilidade de liderar uma campanha presidencial e reiterou que está decepcionada com o PT. Destacou, porém, que não fará nenhum movimento para “arrastar” para o PV seus aliados.

“O PT foi, de certa forma, ingrato com a história de Marina. Considero que é muito difícil, neste momento, ela optar por permanecer no partido”, disse Sibá Machado (AC), suplente da senadora, que exerceu o mandato quando ela esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente. Binho Marques afirmou, em nota, que aguarda a decisão de Marina. “Como amigo, companheiro e conhecedor de suas virtudes, serei sempre solidário a ela.”

O recado de que ela está prestes a aceitar o convite chegou à cúpula do PV. “As posições que recebemos sobre conversas que ela teve no Acre foram muito animadoras”, disse o presidente do partido, José Luiz Penna.

10/08/2009 - 08:50h “Marina implode candidatura Dilma”

“Se engana redondamente quem imagina que eu, eventualmente aceitando o desafio de ser candidato a governador de São Paulo, vou cumprir uma tarefa mesquinha de atacar o Serra. Ao contrário: acho ele um grande governador” (Ciro Gomes)

Entrevista: Ciro diz que só define rumo que tomará em abril de 2010

Gustavo Miranda / Agência O Globo – 17/12/2008 Foto Destaque
Foto Destaque
Ciro: “Há um passo que está na mão do PSDB, que é o Serra resolver ser candidato à reeleição em São Paulo e apoiar o Aécio. Nesse caso, a eleição está perdida”

Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) considera hoje o risco de derrota do governo nas eleições presidenciais de 2010 “muito maior” do que a possibilidade de vitória. Como sinal da fragilidade da estratégia do Palácio do Planalto, cita o potencial de estrago de uma possível candidatura da senadora Marina Silva (PT-AC) à Presidência da República. Se aceitar o convite do PV e entrar na disputa, Marina, na opinião de Ciro, “implode” a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

Ciro ainda não decidiu se vai concorrer a presidente ou a governador de São Paulo. Acha que a decisão só deve ser tomada em abril de 2010, após análise da evolução do processo eleitoral. A prioridade, diz ele, continua sendo a Presidência da República. Não descarta a disputa ao governo de São Paulo, desde que isso faça parte de uma estratégia nacional para dar continuidade ao projeto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas, se decidir concorrer ao governo de São Paulo, Ciro avisa que não vai cumprir a “tarefa mesquinha de atacar” José Serra, a quem avalia como “um grande governador”, embora mantenha as críticas à sua participação no governo Fernando Henrique Cardoso.

Em entrevista ao Valor, Ciro diz que as pesquisas mostram a limitação da transferência de voto de Lula a Dilma. Prevê que, na campanha, ela terá dificuldades de defender os avanços necessários ao país. Sobre a crise do Senado, situa o senador José Sarney (PMDB-AP) apenas como “parte” do problema.

“O problema é a hegemonia moral e intelectual frouxa que preside hoje o Congresso brasileiro. Não é só o Senado não”, diz.

Na quarta-feira da semana passada, depois de conversar com Lula, o presidente do PSB, governador Eduardo Campos (PE), reuniu-se com Ciro, o secretário-geral do PSB, senador Renato Casagrande (ES), e o primeiro vice-presidente, Roberto Amaral.

Avaliaram que o processo sucessório está incerto e a evolução da candidatura Dilma é uma incógnita. Por isso, o partido ainda não deve abrir mão, a mais de um ano da eleição, da possibilidade de Ciro ser lançado candidato a presidente. Parte do PSB acha que Lula não deve colocar todas as fichas num candidato só.

Essa avaliação deverá ser levada para Lula no encontro de quarta-feira, do qual o PT também participará. Segundo Ciro, não há chance de a questão da disputa ao governo de São Paulo ser decidida na reunião. A seguir, a entrevista.

Valor: As articulações em torno da possibilidade de sua candidatura ao governo paulista cresceram. Sua opção hoje é a Presidência da República ou São Paulo?

Ciro Gomes: A Presidência. Claramente. Sem qualquer tipo de dubiedade e vacilação. Agora nós compreendemos que está em jogo o futuro do Brasil. E o futuro do Brasil exige que todas as pretensões pessoais e partidárias, legítimas que sejam, sejam postas em segundo plano. Nossa avaliação unânime no PSB é que, da forma como as coisas estão postas, hoje a tendência é que esse projeto que defendemos está ameaçado de perder as eleições.

Valor: De que coisas o senhor fala?

Ciro: A se dar crédito à notícia média dominante de que o presidente Lula resolveu escolher a Dilma candidata, compor a chapa com o PMDB e convocar os correligionários, parceiros e aliados para um plebiscito contra o candidato do PSDB, que hoje seria o governador José Serra, achamos que o risco de perder a eleição hoje é muito maior do que a possibilidade de ganhar.

Valor: Por que?

Ciro: Há um conjunto de fatores. Primeiro, fadiga de material. Segundo, as contradições, que não são pequenas, desta coalizão PT-PMDB. Essa crise do Senado é só uma caricatura disso. Só quem suporta isso é o Lula, porque tem um capital político único. O risco de perder a eleição é real nessas bases, como de ingovernabilidade para qualquer um de nós, sem o capital político e a interação que o presidente Lula tem com a população. Isso guarda coerência com a história do Brasil. Juscelino não fez o Lott [marechal Henrique Lott, ministro da Guerra no governo Juscelino Kubitschek e candidato a presidente derrotado, em 1960, por Jânio Quadros, candidato da oposição]. Não fez o sucessor, tendo sido o presidente mais popular do país. E as pesquisas são eloquentes na indicação do que estou querendo dizer.

Valor: Mostrando dificuldades da candidatura da ministra?

Ciro: Claramente, porque há um limite para essa coisa da transferência de voto. A eficiência da transferência dos 70% de apoio ao Lula a ela está pela metade. Então, ela pode ir a 35%. Tudo bem, é muita coisa. A Dilma tem grandes virtudes, vai agregar outros atributos além do apoio do Lula. Não tem nenhuma crítica a Dilma. Pelo contrário. Ela é uma pessoa maravilhosa, perfeitamente votável para qualquer tarefa. A questão é que o Brasil mudou. É uma questão delicada, porque somos parceiros. Mas queremos que o presidente nos ouça e pense no que vamos dizer para ele. Eu, especialmente, falarei com a maior clareza e franqueza, porque acho que é um momento crítico para o Brasil. Está marcada uma grave crise política em 2010.

Valor: O senhor pode explicar?

Ciro: É uma maioria amorfa a que temos na base aliada do Congresso e na coalizão partidária, cujo cimento é fisiologia, clientelismo e, infelizmente, muita corrupção. Isto é compensado pela exuberância do Lula, da liderança legítima que ele tem. Qualquer outro vai viver essa crise, se começar em cima de uma estrutura esclerosada como essa, sem renovação, sem nova utopia, sem novos projetos, sem uma nova agenda. O PMDB tem cinco ministros, tem o presidente da Câmara e do Senado e está com Lula. Se o Serra ganhar, no dia seguinte essa gente vai aderir a ele contra seis ministérios, presidência do Senado, da Câmara, do Supremo, da CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil]. A governabilidade será garantida, mas mediante a manutenção desta hegemonia moral e intelectual fisiológica e clientelista.

Valor: Como é que a crise do Senado, que atinge o senador José Sarney (PMDB-AP) e divide a base, pode ser interpretada nesse contexto?

Ciro: Revela com grande força caricatural o que estou tentando dizer. Este segundo semestre será tumultuado para nós. Hoje tem essa novela em cima do Senado e do Sarney. Acabando essa novela, tendo acumulado um desgaste, vem a novela da Petrobras, que será muito quente. Depois virão outros. Vai estourar em 2010. O Lula já precificou isso e aguenta. Está provado. Ele defende o Sarney e aguenta. Defende o Renan e aguenta. Confraterniza com Collor e aguenta. Quero saber se eu aguento, se o Serra aguenta, se a Dilma aguenta. Ninguém mais aguenta.

Valor: O PSB liberou seus senadores para tomar a posição que considerar conveniente na crise do Senado. O senhor acha que o senador Sarney deve ser defendido?

Ciro: Não me sinto obrigado a isso. Apenas lembro que Sarney não é o problema. Pode ser parte dele. O problema é a hegemonia moral e intelectual frouxa que preside hoje o Congresso brasileiro. Não é só o Senado não.

Valor: Essa avaliação sobre os problemas da coalizão será feita ao presidente na reunião desta semana, da qual o PT vai participar?

Ciro: Algumas coisas direi a ele só pessoalmente. Essa questão é a pragmática. Mas tem uma outra, não menos grave, ou mais grave ainda, que deriva de uma constatação que eu tenho de que a presença do Lula no governo brasileiro melhorou o Brasil em todos os aspectos, sem exceção de nenhum. Porém, essa é uma constatação que se faz olhando para o retrovisor. Ou seja, comparado com o que era, tudo melhorou. Porém, o que vai estar em discussão em 2010 não é o Lula, não é a avaliação do Lula, é o futuro do país. E aí você tem graves problemas. Primeiro, o presidente conciliou, na minha opinião de forma muito frouxa, o segundo mandato, para esconjurar essa escalada golpista que o ameaçou no primeiro mandato, e não conseguiu institucionalizar nenhum dos grandes avanços que promoveu.

Valor: Quais foram?

Ciro: Só para citar os mais importantes para a vida do povo: a política de salário mínimo, a estratégia da Petrobras, as políticas compensatórias, a política de crédito (saiu de 13% para 43% a proporção de crédito no PIB brasileiro). Mas era o Lula contra o governo. Nada disso é institucional. A segunda questão é o avanço. É natural um governante, tanto mais do principal partido da esquerda brasileira que está no governo há oito anos, perder um pouco a energia de propor reformas e mudanças. É quase uma contradição em termos. Como é que a Dilma vai falar em mudança, se ela é a continuação? E a questão é: o Brasil pode parar? A educação pública está boa? A saúde pública está boa? A segurança do povo está boa? A mobilidade urbana nas cidades está boa? As essencialidades da vida do povo estão boas? A proporção de manufaturados na plataforma de exportação, a velocidade com que o Brasil supera seu hiato tecnológico-científico está correta? São essencialidades. E aí você pode correr o risco – provavelmente estamos já correndo o risco – de a turma que quer voltar ao passado, a turma do Fernando Henrique, assumir esse discurso. Mais do que o pós-Lula: a reforma, a ética, a eficiência do serviço público, as mudanças que o país precisa… Não é uma mudança para negar nada do Lula. É uma mudança que só se viabilizará porque o Lula avançou extraordinariamente.

Valor: O senhor acha que a ministra Dilma não teria condições de conduzir esses avanços?

Ciro: A Dilma pode. Qualquer um de nós pode. A questão é que tipo de coalizão política, que tipo de debate será feito. Nossa preocupação no PSB é que ela terá grandes dificuldades. Veja como seria, de forma caricata, esse debate: a Dilma, que tem todos os dotes para isso, pode dizer que o Brasil precisa manter o que está bom e avançar em tais e tais mudanças. O Serra, de lá, diz: ´vocês tiveram oito anos, por que não fizeram?´ Aí ela responde de cá: ´e porque vocês em oito anos não fizeram?´.

Valor: O senhor acha, então, que o presidente está errando na estratégia da sucessão?

Ciro: Vou refletir sobre a notícia média. Acho que ele está fazendo de forma genial certo. Por que? Ponto número 1: na contramão da tradição de todo governante, que quer postergar sua sucessão, o Lula antecipou ineditamente. Porque ele, mais do que ninguém, conhece o PT. Se ele não põe a mão numa pessoa que pode dispor politicamente como aliada, para ficar ou para sair, para compor ou descompor, para brigar ou para conciliar, uma hora dessa os diversos grupos em que se reparte o PT estariam tentando, com dossiês e caneladas por baixo da mesa, impor ao Lula nomes. Segundo: naquela data, quando ele fez isso, havia uma cogitação de terceiro mandato. Ele nunca quis, nunca pediu, mas imaginou a possibilidade. Ele era obrigado a imaginar isso. Tinha que ter uma candidatura que poderia, amanhã, dizer que houve uma mudança constitucional e que tenho dever com o país de continuar.

Valor: Com o senhor sendo vice da ministra, mudando o perfil da chapa, seria mais fácil assumir o discurso da mudança?

Ciro: Eu acho temerário. Não há razão, do meu ponto de vista, para que se ponha o país no risco de um mano a mano para deslindar essas coisas no primeiro turno.

Valor: Qual seria o efeito da entrada da senadora Marina Silva (PT-AC) na disputa?

Ciro: Esta variável nova mostra as dificuldades (da candidatura governista) com precocidade. Está na mão da Marina. Se ela aceitar a convocação do PV, ela implode a candidatura da Dilma. Implode. Então, tem muitas variáveis por acontecer. O Serra recua ou não recua? A Marina é candidata ou não?

Valor: É por isso que o senhor diz que a decisão do PSB sobre a candidatura presidencial ou o governo do Estado não deve ser tomada agora?

Ciro: Essa é a posição do PSB. Nós nos reunimos ontem à noite (quarta-feira), fizemos uma avaliação e há uma convergência de percepção do momento. Todos nós achamos que o tempo é essencial para que a gente deslinde essa vontade que nós temos de convergir com o Lula nesta ou naquela direção. Há um ano eu disse que a tendência era a gente perder a eleição. E essa tendência está se consolidando. Há um passo que está na mão do PSDB, que é o Serra resolver ser candidato à reeleição em São Paulo e apoiar o Aécio. Nesse caso, a eleição está perdida, na minha opinião. É simples entender. Não é profecia. O Serra apoiar o Aécio significa que recuou voluntariamente. Dá vitória para Aécio em São Paulo. O Aécio sai com 80% em Minas – que o Serra não tira nem com apoio do Aécio – e entra mais fácil no Rio de Janeiro, no Norte e no Nordeste. E no Sul os níveis de aprovação do governo Lula estão bem mais baixo.

Valor: Em que condições o senhor disputaria o governo de São Paulo?

Ciro: Eu estou com a vida ganha. Não preciso ser candidato a nada. Posso ser candidato a presidente ou cumprir uma tarefa como candidato a governador do Rio ou São Paulo – mas desde que seja dentro de uma estratégia que consulte o melhor interesse do povo brasileiro. Senão eu não topo. A prioridade do partido é a Presidência. Eu não sou candidato a governador de São Paulo. Nunca pretendi. Considero extremamente honroso a lembrança do meu nome, um desafio que não sei sequer se estou à altura, e cumpro tarefas.

Valor: Como, por exemplo, disputar em São Paulo para minar a candidatura de Serra a presidente?

Ciro: Quero dizer isso formalmente: se engana redondamente quem imagina que eu, eventualmente aceitando o desafio de ser candidato a governador de São Paulo, vou cumprir uma tarefa mesquinha de atacar o Serra. Ao contrário: acho ele um grande governador. Já estou adiantando aqui: acho ele um grande governador. E acho que deveria continuar governador. Acho que seria um péssimo presidente da República, não porque tenho animosidade pessoal, mas porque foi ministro do Planejamento por quatro anos do governo FHC, data na qual o país quebrou, a divida pública quase dobrou, a carga tributária explodiu. Depois foi ministro da Saúde e não fez rigorosamente nenhuma transformação institucional, como, a rigor, nós também não fizemos.

Valor: O senhor tem até o fim de setembro para trocar o domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, se quiser disputar a eleição lá. Pode disputar governo, Presidência ou qualquer outro mandato. O senhor admite como opção candidatar-se novamente a deputado federal para puxar uma grande bancada?

Ciro: Não serei. E ponto final.

Valor: Qual a chance de sua candidatura a governador do São Paulo ser definida na reunião desta semana?

Ciro: Nenhuma chance. Pode botar isso com exclamação. E a remota chance de eu ser candidato a governador de São Paulo exige que eu entenda de que grande projeto nós estamos falando.

08/08/2009 - 21:58h Dilma admite possibilidade de Marta disputar governo de SP

“Quanto mais mulher melhor”, afirmou a ministra ao ser questionada se dividiria uma chapa com Marta

Clarissa Oliveira e Tomas Okuda, da Agência Estado

SÃO PAULO – Em meio à negociação entre PT e PSB sobre uma possível candidatura do deputado Ciro Gomes (PPS-CE) ao governo paulista, a chefe da Casa Civil e candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, admitiu neste sábado, 8, a possibilidade de a ex-prefeita Marta Suplicy representar seu partido na corrida para o Palácio do Bandeirantes. “Quanto mais mulher melhor”, afirmou Dilma, ao ser questionada se gostaria de dividir uma chapa em que Marta seja a candidata ao governo. “Acho que as mulheres são muito unidas nisso”, respondeu Marta. As duas chegaram juntas na tarde deste sábado, por volta das 17h10, ao evento de encerramento das Caravanas do PT de SP, que reúne militantes e lideranças do partido na Quadra dos Bancários, região central da capital paulista.

Marta tem dito a aliados que pretende disputar a eleição do ano que vem, mas que ainda não decidiu para qual posto vai se lançar. O desgaste da derrota na última corrida municipal, entretanto, jogou contra a ex-ministra nas conversas para a definição do candidato petista ao governo estadual.

Sem candidato natural, o PT vem avançando na negociação com Ciro. Na próxima quarta-feira, o deputado vai se reunir em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do PSB, governador Eduardo Campos (PE), além de dirigentes dos dois partidos.

Na saída do almoço, Marta e Dilma minimizaram as conversas com o PSB. “Tenho a impressão de que esta é uma questão que vai se colocar para o partido em algum momento. Nós ainda estamos numa fase em que não estamos discutindo. É uma situação em que está tudo muito aberto. O partido agora está mais preocupado em se organizar”, disse Dilma. “Temos que, primeiro, aglutinar o partido e torná-lo muito sólido na nossa candidatura presidencial. E acho que não teremos nenhum problema aqui em ter uma representação, seja ela a que nos convier”, completou Marta.

Dilma aproveitou a ocasião para comentar a possibilidade de a senadora Marina Silva (PT-AC) sair candidata à presidência no ano que vem. Marina recebeu um convite do PV e estuda a possibilidade de deixar o PT para concorrer. Apesar das divergências entre as duas quando Marina deixou o Ministério do Meio Ambiente, no ano passado, Dilma manteve o tom diplomático. “Acho que a Marina, sempre, em qualquer processo é bem vinda, não acho que seja um problema a Marina”, disse a chefe da Casa Civil, dizendo não partir do princípio que a senadora vai de fato trocar de partido. “Para mim, a Marina é do PT.”

Na segunda-feira (10) a ministra faz balanço regional do PAC no Rio Grande do Norte, no centro de convenções de Natal, e na terça-feira tem compromissos em Mossoró(RN).