05/11/2009 - 16:08h Na intimidade com Mario Cravo Neto

Mostra em homenagem ao artista destaca uma obra que vai muito além da linguagem fotográfica como forma de expressão

Click to return
White Mother I (1990) Mario Cravo Neto


Maria Hirszman – O Estado SP

Eternamente Agora, que será aberta hoje no Instituto Tomie Ohtake, é bem mais do que um merecido tributo a Mario Cravo Neto (1947-2009), um dos grandes nomes da fotografia contemporânea brasileira, que morreu precocemente em agosto. Concebida em parceria por Cristian Cravo, fotógrafo e filho do artista, e por Paulo Herkenhoff, a mostra indica – por meio de uma seleção enxuta, mas criteriosa de trabalhos – questões centrais em sua produção. Além de nexos estéticos e temáticos, a exposição se pauta pelo Herkenhoff define como “trama dos afetos”, privilegiando seu universo afetivo e deixando de lado o caráter mais mundano de sua produção.

http://noravr.blog.lemonde.fr/files/2009/08/mario-cravo-neto.1250194276.JPG

Dentre esses liames se destaca com grande força a intensa relação entre Mario Cravo Neto e seu pai, o escultor Mario Cravo Junior, presente a partir de obras, registros fotográficos (seu último trabalho, presente na mostra, era justamente para ilustrar um livro que idealizava realizar sobre a obra do pai) e um impressionante retrato. Familiares (modelos frequentes do artista) e a cena doméstica estão presentes, inclusive pela transposição para o espaço da exposição de um canto, com móveis e objetos da casa em que viveu.

Há também, fechando o ciclo, uma bela imagem de autoria de Cristian. De grandes dimensões e num pouco usual recorte vertical, a foto mostra um menino de costas, em posição de reverência diante de uma magnífica cachoeira. “Um ato de humildade diante de algo muito maior”, diz Cristian explicando por que escolheu essa imagem dentre tantas para a mostra. A exposição evidencia ainda uma forte relação existente entre o fotógrafo e Pierre Verger e não apenas pelo viés do fascínio compartilhado pela Bahia e pelo candomblé.

A maioria das obras selecionadas pertence a um universo fechado, de registro intimista em ateliê, de retratos de pessoas ou objetos, conciliando sólida busca formal com sensível apreensão poética e simbólica do mundo à sua volta. Mais conhecido pela obra fotográfica, Cravo Neto não se atinha a essa linguagem como forma de expressão, pelo menos até meados da década de 70, quando realiza e performances, posteriormente registradas em foto. A exposição traz uma delas, Câmaras Queimadas (1977), nas duas versões. Também é mostrado, em versão fotográfica e com toda sua materialidade física, o ninho feito com fiberglass que tanto fascinava o artista por sua situação ambígua e provocadora, entre a natureza e a artificialidade.

Aliás, a transitoriedade, a relação de choque e harmonia entre imagens distintas, o contraste entre a ação impactante da cor e a densidade da imagem em preto e branco, o jogo entre o real e a representação são elementos quase constantes na poética de Mario Cravo Junior. No tríptico A Flecha em Repouso, é explorada uma associação potente entre as simbologias míticas do candomblé e da iconografia cristã, ora tirando faíscas do choque entre as imagens e ora estabelecendo estranhas harmonias entre os elementos. A imagem central, que retrata a fachada de uma igreja parisiense, parece mergulhar no cinza escuro que lhe é bastante característico. No entanto, ao observar as pernas das imagens esculpidas, vê-se que isso é ilusório. Estamos, na verdade, diante de uma fotografia tão colorida quanto o prato do sacrifício do candomblé à esquerda ou a moça que dorme à direita. Mas foi necessária uma fricção, uma reação quase epidérmica para que os tons do metal brotassem. “Ele parece lidar com a carnalidade da fotografia”, sintetiza Herkenhoff.

Apesar do forte caráter barroco de sua obra, o curador parece interessado em abordar outro aspecto menos explorado da produção do artista: a relação com o minimalismo. Além da importância do movimento em sua formação (Cravo Neto vivia em Nova York no fim dos anos 60 e teve contato com a primeira grande publicação sobre o tema, editada em 1968 por Gregory Battcock), o que leva o curador a fazer essa aproximação é a redução poética e a economia formal fortemente presentes em seu trabalho. Obra essa que ainda tem muito a ser explorada. Cristian Cravo calcula que apenas 1% da obra do pai tenha sido ampliada até o momento e promete para breve a criação de um instituto para preservação e divulgação de sua obra, a instalar-se provavelmente em São Paulo.

18/04/2009 - 12:07h Exposição reconta historia da fotografia pelo olhar de artistas transgressores

http://3.bp.blogspot.com/_q08M1ajACHg/SeiCgYiL3BI/AAAAAAAAG5Y/L7jI3N0amic/s320/Paul_Bonzon,_Paysage_nocturne,_1918.jpg
© Foto de Paul Bonzon. Paisagem noturna, 1918

 

 

O Museu de Arte Moderna de São Paulo-MAM está no Ano da França no Brasil, com a exposição “Olhar e fingir: fotografias da coleção Auer”. A mostra, com curadoria realizada pela historiadora francesa Elise Jasmin em parceria com o fotógrafo brasileiro Eder Chiodetto (curador do Clube de Colecionadores de Fotografia do MAM), reúne cerca de 290 peças da abrangente coleção do casal Michel e Michèle Auer e compreende quase 170 anos da história da fotografia. A coleção adquirida ao longo de mais de 40 anos pela Fundação Auer é a maior coletânea particular de fotografias do mundo, contando atualmente com cerca de 50 mil imagens. A exposição contará com imagens produzidas ao longo dos séculos 19, 20 e 21 por autores de diferentes continentes – entre os sul-americanos, estão os brasileiros Geraldo de Barros, Pedro Vasquez, Fabiana de Barros e Mario Cravo Neto – e garimpadas pelo casal em suas pesquisas e viagens pelo mundo. Entre outros tesouros da história da fotografia, o público brasileiro terá uma única de ver daguerreótipos, inclusive raras peças colorizadas e um calótipo (exemplar do processo positivo/negativo desenvolvido por William Henry Fox Talbot) da década de 1850, além de algumas obras do pictorialismo do final do século 19 e início do século 20. Entre os nomes de peso representando o século 20, estão fotografias de Cartier-Bresson, Brassaï e Man Ray e cartões de Marcel Duchamp, Salvador Dali e René Magritte. Os curadores selecionaram imagens que trazem à tona a história da fotografia contada pelo prisma de artistas transgressores. No lugar de buscar uma cópia do mundo real, esses artistas se apropriaram da fotografia para falar do imaginário, do universo das sensações e das percepções não visíveis representadas por meio de experimentações e metáforas visuais. A fotografia como invenção e não como catalogação do mundo.

Visitação: de 23 de abril a 28 de junho de 2009. Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 3. Tel (11) 5085-1300. Horários: Terça a domingo e feriados, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h). Ingresso: R$ 5,50. Sócios do MAM, crianças até 10 anos e adultos com mais de 65 anos não pagam entrada. Aos domingos, a entrada é franca para todo o público, durante todo o dia. http://www.mam.org.br/

Fonte Images & Visions

20/02/2008 - 00:23h ARCO premia artista brasileiro Matheus Rocha Pitta

soldados.JPG

“Kissing policemen”, de los rusos Blue Noses, fue vendida en 16 mil euros Foto: EFE

adncultura*com

La Feria Internacional de Arte Contemporáneo de Madrid, cerró sus puertas con un balance muy satisfactorio de ventas, con resultados muy buenos para las galerías de Brasil y con el anuncio de que en 2009 el país invitado será la India

MADRID, (EFE).- Los responsables de ARCO ofrecieron una rueda de prensa en la que expresaron su satisfacción por los 200.000 visitantes que han recibido las 295 galerías participantes en el certamen y por el hecho de que las cifras de ventas hayan mantenido el nivel alcanzado el año pasado, en que se experimentó un aumento del 15 por ciento.

Aunque estos resultados se obtengan por encuestas a los galeristas, a los que no se pide un relación exacta de ventas, los organizadores consideran que ha sido un buen balance, sobre todo por el temor que existía respecto a que la crisis económica afectara las ventas en esta edición. En cuanto a los visitantes, con los que está previsto que acudan hoy a la última jornada de la feria, se alcanzará la cifra de 200.000, superando los 198.000 de 2007.

Los resultados han disipado la incertidumbre generada por la crisis, según la directora de ARCO, Lourdes Fernández, quien aseguró que la calidad de las obras y el esfuerzo hecho por las galerías en su presentación han sido claves para que el balance sea positivo. Fernández agradeció a todos los museos, coleccionistas o instituciones que han adquirido obras en ARCO.

Los comisarios del programa de Brasil como país invitado, Moacir dos Anjos y Paulo Brum, se congratularon por la “magnífica” edición de ARCO. “Las innovaciones han sido muy positivas -dijeron- y los resultados finales de las galerías brasileñas muy buenos”. Dos Anjos señaló que aunque no tienen cifras concretas, “por las conversaciones con los galeristas, no sólo han vendido bien sino que lo han hecho a importantes instituciones mundiales, como el Museo de Arte Moderno (MoMA), de Nueva York. Además, ARCO ha permitido que varios galeristas de Brasil hicieran sus primeros contactos en Madrid y llegaran a acuerdos para futuras ferias.

En la 27 edición de la Feria, la Asociación Española de Críticos de Arte (AECA) concedió el ´Premio ARCO a la mejor obra o conjunto presentado por un artista vivo´ al escultor británico Anthony Caro. Otro de los galardones de ARCO fue el Illy Sustain Art, entregado al artista brasileño Matheus Rocha Pitta, como reconocimiento a uno de sus trabajos, que retrata el problema de la inmigración entre México y Estados Unidos.

En la cita madrileña coincidieron obras de artistas brasileños de proyección internacional, como Miguel Rio Branco, Mario Cravo Neto, Cildo Meireles, Abraham Palatinik, Laura Vinci, Marta Neves, Felipe Barbosa, Vania Mignone, Mauro Restiffe, Albano Afonso, Sandra Cinto, Cildo Meireles, Caetano de Almeida, Laura Lima o Marcus Galan.

(mais…)