18/11/2009 - 14:09h IPTU: Porque não se manifestam agora? Não estão mais cansados? Cadê o Marcos Cintra?

Cadê a Fiesp? Cadê a Associação Comercial? Cadê Marcos Cintra? Ele está no governo de Kassab, como secretário. Cadê Afif Domingos, hoje secretário de Serra? Não são contra o aumento da carga tributária? contra os impostos e os aumentos abusivos da tributação? e o DEM? e o PSDB? Onde estão os animadores entusiastas do Cansei?

Vejam o que diziam em 2001.

LF

27 de outubro 2001

Críticas atingem aumento e isenções

DA REPORTAGEM LOCAL

Sete entidades de classe divulgaram ontem um documento com suas posições sobre as alterações no IPTU. Nele, além de propor que o aumento se limite a um reajuste da 10% da Planta Genérica de Valores, elas criticam a progressividade e a diferenciação de alíquotas e pedem a redução da faixa de isenção e a criação de um grupo de acompanhamento dos recursos arrecadados.
O documento é assinado pelo SindusCon-SP, pela Fiesp, pelo Secovi-SP, pela Força Sindical, pelo Alshop, pela Associação Comercial e pelo Simpi.
“A progressividade abre um precedente. Hoje é 1,8%. Amanhã poderá ser 2%, 3%”, diz Artur Quaresma Filho, presidente do SindusCon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) e vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Sobre o aumento de 10%, Quaresma admite que ele não levará a uma atualização real de toda a planta, mas defende que a prefeitura faça uma proposta de atualização no decorrer de três anos.
“Os 10% são a reposição da inflação mais o nosso investimento na cidade. A questão é que esse investimento precisa ter um limite.”
A prefeitura rebate. “Não posso não cobrar sobre o valor que sei ser real. Isso é renúncia de receita. É crime fiscal. É o mesmo que pedir para o Estado fazer o ICMS incidir sobre preços de 96″, diz Fernando Haddad, chefe de gabinete da Secretaria das Finanças.
As entidades também criticam o fato de a prefeitura estar reajustando a planta e propondo a progressividade no mesmo ano. Para elas, é um aumento duplo. Além disso, dizem, o peso do imposto não sairá das pessoas físicas.
“O comerciante vai aumentar seus preços, e, no final, é a população que vai financiar o reajuste”, diz Wagner Artuzo, conselheiro do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), entidade que não assina a carta divulgada, mas que concorda com ela.
Haddad, da prefeitura, rebate. “O IPTU não tem representatividade nenhuma nos custos das empresas. Os paulistanos pagam R$ 5,4 bilhões de CPMF. O IPTU somará R$ 1,7 bilhão.”
As isenções são outro alvo de críticas. As entidades afirmam que quem é isento perde o direito de cobrar ações do governo.
“Pode haver até uma espécie de auto-lançamento: as pessoas que não podem pagar dão o que puderem, o que dão de dízimo à igreja”, sugere Quaresma.
No setor imobiliário, de acordo com as entidades, o maior efeito deve ser nos aluguéis. Os inquilinos, dizem, vão pressionar por descontos para arcar com o IPTU.
“Isso pode levar a desocupação dos imóveis e a uma maior periferização”, diz Artuzo, do Creci.
A prefeitura questiona. “Duvido que um proprietário prefira ter o imóvel vazio do que absorver o IPTU. Isso é pouco inteligente. E os donos não são pouco inteligentes”, dispara Haddad. (SC)” (Folha SP – 27/10.2001)

6 de novembro 2001

Representantes da Fiesp e da Associação Comercial de SP defendem aumento máximo de 10% no imposto

Para os empresários, a mudança nas regras de cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano defendida por Marta Suplicy não reúne um só ponto positivo.
Pela proposta, as alíquotas de IPTU subirão de 1% para porcentagens progressivas que vão de 0,8% a 1,6%, para imóveis residenciais, e de 1,2% a 1,8%, para comércio, indústria e terrenos.
Os índices são aplicados sobre fatias do valor venal dos imóveis. Esses valores estão contidos na Planta Genérica de Valores, que foi atualizada. A correção média será de cerca de 22%.
Os empresários alegam que o pacote de mudanças, entre outros problemas, provocará desemprego e até risco de as empresas deixarem a cidade. Quanto ao teto de 60% e 80% de aumento, proposto pela prefeitura respectivamente para imóveis residenciais e comerciais, eles defendem o índice único bem menor. Admitem discutir um máximo de 10% e que a progressividade e a nova Planta Genérica de Valores sejam rediscutida para vigorar só em 2003.
“Se tiver uma inflação, vamos dizer, de 6,8% ou 7% [neste ano], estamos dando 50% a mais do que seria”, disse o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, sobre a proposta de correção de 10%.
Ontem, ele criticou a proposta da prefeitura de isentar 1,6 milhão dos 2,5 milhões de contribuintes. “Com o intuito de criar uma justiça social, eles vão criar uma grande injustiça. Vão gerar desemprego e informalidade.” (Folha de SP – 6 de novembro 2001).

17 de outubro 2001

TENDÊNCIAS/DEBATES

O IPTU PROGRESSIVO

O demagógico IPTU do PT

MARCOS CINTRA

A Prefeitura de São Paulo poderá dar uma grande contribuição para o aumento do desemprego e dos preços e para mais empresas deixarem a capital rumo a outras cidades da região metropolitana. Tudo isso por conta da intenção de aumentar a arrecadação tributária por meio da adoção do IPTU progressivo na cidade.
Em 2001, 2 milhões de contribuintes do IPTU devem gerar uma receita de R$ 1,3 bilhão. Para o próximo ano, de acordo com o projeto apresentado, 980 mil contribuintes deverão gerar uma arrecadação com IPTU da ordem de R$ 1,9 bilhão. Ou seja, uma arrecadação 46% maior deverá ser imposta a uma base 51% menor, de modo que essa concentração da carga do IPTU deverá atingir de forma mais pesada a indústria e o comércio, que terão de arcar com 75% dos R$ 536 milhões a mais que a prefeitura pretende arrecadar com o tributo.
Em 2001, a indústria e o comércio deverão contribuir com 40% do IPTU arrecadado. A proposta apresentada pretende elevar essa participação para 50%.
A prefeita Marta critica a Lei de Responsabilidade Fiscal e a renegociação da dívida municipal -dois elementos importantes para o controle da gestão financeira municipal- como responsáveis pela falta de recursos para investimentos. Afirma que o IPTU progressivo, além de equacionar essa falta de dinheiro, é uma questão de “justiça social”. Usa um argumento falso para justificar um ato insensato de elevação de imposto, justamente no momento em que o mundo inteiro discute a diminuição da carga tributária como forma de enfrentar a crise econômica mundial.
A cidade de São Paulo registra inúmeros fatores que limitam sua competitividade econômica. O trânsito caótico, o ISS de 5% (cidades limítrofes cobram menos de 1%), a explosão da violência e as enchentes constituem os principais itens do elevado custo São Paulo, que torna a atividade produtiva no município cada vez mais inviável. O IPTU proposto poderá ser um fator de incentivo à saída de empresas da cidade de São Paulo para outras regiões.
A indústria e o comércio atuam hoje num ambiente recessivo, que deve se intensificar nos próximos meses. As empresas estão operando no limite, tanto de preços como de impostos. A elevação da carga do IPTU irá pressionar ainda mais os custos empresariais. Isso certamente será transferido para os preços finais dos produtos.
De acordo com dados da própria Secretaria Municipal de Finanças, haverá casos -como os de lojas e escritórios na região dos Jardins- em que o IPTU será reajustado em mais de 100%. Isso num período em que os negócios se retraem e a inflação de 2001 deve ficar abaixo de 10%.
A carga tributária brasileira beira os 35%. Isso tem contribuído significativamente para limitar a geração de empregos no país. O IPTU maior deve jogar mais lenha na fogueira do desemprego na capital. A maior pressão desse item nos custos de produção poderá levar a cortes de pessoal.


Por trás do rótulo de “justiça social” do projeto, há a intenção única de assaltar o bolso dos contribuintes


Em resumo, o PT, para extrair ainda mais recursos dos agentes privados, tenta ganhar apoio popular ao elevar o número de isentos do IPTU.
Propõe-se que os isentos passem de 540 mil para 1,6 milhão. Esses contribuintes deixam de pagar o tributo diretamente, mas vão arcar com esse custo tributário por meio da elevação nos preços dos bens que consomem e também com mais desemprego. Isso sem falar nas empresas que podem sair da capital rumo às cidades próximas, o que poderia gerar maiores custos de transporte para os seus trabalhadores.
O IPTU mais alto para a indústria e o comércio, na verdade, será um custo indireto adicional para os classificados como isentos. Vale citar que, no caso dos imóveis residenciais com valor de mercado acima de R$ 90 mil -limite de isenção do IPTU, caso o projeto seja aprovado como está-, seus contribuintes vão arcar com custos extremamente elevados, que superam muito os índices de inflação.
Isso ocorre justamente num momento em que a renda disponível da classe média vem caindo devido à elevação dos preços administrados pelo setor público -acima da inflação- e por causa da carga tributária crescente.
O IPTU do PT não passa de demagogia. Na realidade, por trás do rótulo de “justiça social” do projeto, há a intenção única de assaltar o bolso dos contribuintes.
Os maiores prejudicados do projeto do IPTU, em última instância, serão justamente aqueles que os defensores da proposta dizem querer proteger.


Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, 56, doutor em economia pela Universidade Harvard (EUA), professor e vice-presidente da FGV, é deputado federal (PFL-SP) e coordenador do governo paralelo da cidade de São Paulo. mcintra@marcoscintra.org

FOLHA SP – 17/10/2001

10/11/2009 - 11:50h Universidade Taleban

TENDÊNCIAS/DEBATES – FOLHA SP


http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/foto/0,,14472733,00.jpgMARTA SUPLICY


Uma simples pergunta evidencia o machismo: a reação seria a mesma se se tratasse de um rapaz usando roupa “inadequada”?

HÁ COISAS que assustam pelo seu inusitado ou inesperado.
Outras assustam porque, além de surpreendentes, são indicadoras de situações preocupantes. O caso da aluna Geisy, da Uniban, faz parte dessa segunda leva. Um vestido curto, um salto alto e um andar rebolado quase provocam o linchamento de uma estudante. Dias depois, a vítima é transformada em ré e quase acaba expulsa da universidade.
Uma moça põe um vestido ousado, talvez não exatamente próprio para quem vai assistir a uma aula. Teria uma festa depois? Não vem ao caso. A situação que merece análise é: Por que um vestido curto e um possível caminhar provocante suscitam a reação brutal sofrida pela moça? Outra indagação é: Por que uma universidade, que deveria ser um lugar de ensino, penaliza a jovem e vai na contramão do século que pretende instruir?
Vamos começar pelo que é “próprio” para ir à aula. É possível hoje dizer o que é moda? Ou o que é adequado para ir a este ou àquele lugar? Dá para restringir o que hoje se entende por expressão e extensão da personalidade da pessoa? Claro que não se espera que alguém vá de traje de banho… mas um vestido?
Não. Não foi a impropriedade da roupa, mas o desejo, o medo e a raiva que a roupa despertou -igualmente, mas por motivos diferentes- em homens e mulheres. A inveja e o reprimido provocaram a mesma reação.
O caso da universidade Taleban é complexo, na medida em que junta machismo máximo com burrice aguda. A decisão pela expulsão, mesmo que revogada, explica com extrema clareza a situação que nós mulheres ainda vivemos.
Uma simples pergunta evidencia o machismo: Seria essa a reação da universidade se se tratasse de um rapaz se vestindo de maneira “inadequada”, com coxas à mostra ou dorso nu?
A burrice é que, se a universidade já havia pecado com o desleixo com a segurança da estudante, a primeira reação a tornou símbolo do atraso. Também financeiramente é um desastre para a instituição -quem vai querer estudar em tal lugar? Sem falar que, se o juiz não for do mesmo ramo Taleban, propiciará reparação financeira maior à aluna. Agora, com a expulsão revogada, é preciso esperar os próximos passos.
A universidade, negando seu papel educador e a princípio expulsando a aluna, “completara o serviço” dos estudantes. A violenta indignação da sociedade civil e das organizações de defesa das mulheres -estas com algum atraso- mostrou como parcela importante da população já tem a percepção da gravidade do que ocorreu.
Ficou evidenciado, e isso é o que indignou tantas pessoas, o quanto esse tipo de preconceito ainda está entranhado na sociedade. A agressão à jovem, a atitude da universidade Taleban, foi tudo muito assustador.
Sobrou um pseudoconsolo: aqueles que dizem que mulheres, nos dias de hoje, não têm mais do que reclamar ficarão caladinhos alguns dias. Poucos dias, pois o tamanho da montanha a ser escalada, como pudemos todos verificar, é enorme.
Não avançamos no número de mulheres na política -aliás, estamos entre os piores na América Latina. Continua a enorme desigualdade de salários para o mesmo trabalho e… quem é mulher tem sempre uma história para contar sobre o que ocorre no cotidiano, seja entre quatro paredes, seja na rua. E não são boas histórias.
A desqualificação da estudante, feita primeiro pelos seus pares e depois pela universidade, evidencia por que as mulheres têm tanta dificuldade em trilhar o caminho do poder, seja ele político, seja empresarial. Não é à toa que, no ranking das cem “Melhores & Maiores” empresas brasileiras publicado pela revista “Exame”, nenhuma mulher ocupa o cargo de presidente.
Universidades como essa e desrespeito à liberdade da mulher produzem resultados que excluem mais da metade da população -o gênero feminino- dos seus direitos plenos.
Nós acreditamos que, assim como este é o século do Brasil, também é o século no qual as mulheres adquirirão, de fato e na prática, direitos iguais. Enquanto shows de autoritarismo continuarem a acontecer sem indignação da sociedade, será difícil atingir ambas as metas.
A reação da universidade diante da avalanche de repreensões e possíveis sanções deixa claro que a indignação e a reação públicas ainda conseguem mudar rumos.


MARTA SUPLICY foi prefeita da cidade de São Paulo pelo PT (2001-2004) e ministra do Turismo (2007-2008).

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

10/11/2009 - 09:27h Partidos da base lulista fecham acordo por Ciro

São Paulo: Candidatura de deputado cearenese ao governo paulista une PT, PDT, PSB, PSL, PSC, PRB, PTN e PCdoB

http://www.estadao.com.br/fotos/ciro_sindical_valeria_goncalvez_p.jpghttp://farm4.static.flickr.com/3571/3639798812_8349aa13eb.jpg

Vandson Lima, de São Paulo – VALOR

Reunidos na sede do PDT em São Paulo, a convite do deputado federal Paulo Ferreira da Silva, o Paulinho da Força, os líderes de oito partidos da base governista de Luiz Inácio Lula da Silva fecharam acordo para elaborar uma agenda política em comum, seguindo também unidos na disputa pelo governo de São Paulo.

E o candidato deverá ser o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). Único nome a unir boa colocação nas pesquisas de opinião e aceitação de todos os partidos envolvidos (PT, PDT, PSB, PSL, PSC, PRB, PTN, PPL e PCdoB), Ciro contaria ainda com o apoio declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O grupo ainda buscará o apoio do PR, do PP e do PTB.

O acordo praticamente tira da disputa o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que não conta com apoio do PT e do PDT. Outra possibilidade seria a aliança apoiar um candidato petista, o que só ocorrerá caso Ciro Gomes se candidate à Presidência.

Para o deputado federal e líder do PSB, Márcio França, “Ciro tentará à Presidência caso se mantenha crescendo nas pesquisas, à frente de Dilma, até março. Mas Ciro está ciente de que, cada vez mais, o cenário se torna favorável à sua candidatura em São Paulo”. Márcio calcula que, com a atual configuração, o candidato da aliança recém formada terá 9 minutos na propaganda eleitoral, enquanto o candidato da coligação PSDB-DEM-PMDB terá cerca de 10 minutos.

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) acredita que o acordo muda a qualidade da disputa em São Paulo, na medida em que propõe um novo projeto de oposição, com viabilidade eleitoral e em sintonia com o governo federal. Ao final de sua fala, ouviu do anfitrião, Paulinho: “Esse é um bom discurso para ser candidato a governador”, deixando o senador encabulado e provocando riso nos presentes.

O PT foi o partido que enviou mais nomes de peso para a reunião. Além de Mercadante, compareceram o deputado federal e presidente do PT, Ricardo Berzoini, o presidente estadual Edinho Silva, o líder do PT na Assembleia Legislativa e deputado estadual Rui Falcão, além da vice-prefeita de Bauru, Estela Almagro.

A aliança formará três grupos de trabalho: de deputados, presidentes dos partidos e lideranças. Esses grupos avaliarão as condições de se eleger uma bancada forte na Assembleia e elaborarão uma agenda política comum, com encontros para apresentação de propostas, criando uma plataforma alternativa para o governo de São Paulo.

No encontro nacional do PT, realizado no sábado, em Guarulhos (SP), nomes antes cogitados para a disputa, como o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, e a ex-prefeita da capital, Marta Suplicy, relativizaram o discurso pela candidatura própria, mostrando que o partido está resignado à ideia de concentrar forças na disputa presidencial e, como é do desejo do presidente Lula, compor chapa com Ciro em São Paulo.

Emidio disse ontem no Twitter (microblog) que mantém sua candidatura. ” Acabei de sair da reunião com a executiva estadual do PT. Oficializei minha disposição para ser candidato ao governo de São Paulo.

09/11/2009 - 18:37h Um bom começo

Bloco de apoio a Lula se une em SP em torno de candidato único e amplia oposição a Serra

REGIANE SOARES da Folha Online

Dirigentes e parlamentares PDT, PT, PC do B, PSB PSL, PSC, PRB, PTN e PPL (ainda em formação) se reuniram hoje em São Paulo para definir as estratégias para a construção de uma candidatura única ao governo do Estado.

No plano nacional, esses partidos fazem parte da base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em São Paulo, entretanto, algumas dessas legendas –como PDT e PSB– são aliados do governador José Serra (PSDB), que faz oposição a Lula.

Na reunião, os partidos formaram grupos de trabalho para elaborar uma agenda política comum. Os grupos serão divididos entre os dirigentes estaduais dos partidos, os parlamentares na Assembleia Legislativa, na Câmara e no Senado, que farão um diagnósticos dos problemas do Estado, a elaboração de propostas para um programa de governo, além da elaboração de seminários para discutir o assunto. Serão agendada pelo menos mais três ou quatro reuniões até o fim do ano.

A reunião foi realizada a convite do presidente estadual do PDT em São Paulo, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, e reuniu os principais líderes dos partidos no Estado, como o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, o presidente nacional do PSB, Márcio França, entre outros.

“Nosso objetivo é a construção de uma candidatura única do campo popular progressista em São Paulo”, afirmou Paulinho, que não informou quando será definido ou anunciado o nome do candidato da oposição. “Quem sabe em junho [de 2010], nas convenções dos partidos”, disse.

Berzoini disse que o PT está aberto a discutir as indicações e ressaltou que a reunião de hoje não era para falar em nomes. “Estamos abertos para disputar qualquer arranjo”, afirmou.

A candidatura dessa frente em São Paulo está indefinida. O PT, por exemplo, tem pelo menos seis pré-candidatos a governador, entre eles o deputado Antonio Palocci e o senador Eduardo Suplicy. Outro nome que ganhou força entre os aliados é o do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) –defendido hoje por Paulinho.

“Esse é um bom discurso para ser candidato ao governo”, afirmou Paulinho depois que Mercadante defendeu a mudança no comando do Estado –que há mais de 16 anos é administrado pelo PSDB.

O PSB também não definiu se lançará o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo paulista, como deseja o presidente Lula, ou à Presidência da República. A definição deve sair em 2010.

Independentemente de quem seja o candidato, o presidente estadual do PT em São Paulo, Edinho Silva, acredita que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT à Presidência, terá um palanque forte em São Paulo. “Não será um palanque frágil”, afirmou o petista, que pretende atrair ainda partidos como o PTB, PP, PR, PTB e PMDB, que está rachado e em São Paulo defende a candidatura do governador José Serra (PSDB) à Presidência.

Assembleia Legislativa

Além da discussão de uma candidatura única, a reunião de hoje também deve ter consequências na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A ideia é que os partidos que se reuniram hoje comecem a fazer parte da bancada de oposição a Serra, que atualmente reúne apenas o PSOL, PC do B e o PT.

06/11/2009 - 15:43h Candidatura Ciro ao governo de São Paulo unificará o PT e reforçará a oposição aos tucanos no Estado. Ciro aceitará?

http://oglobo.globo.com/fotos/2009/10/06/06_MVG_ciro-gomes.jpg

Após uma tentativa vã de incentivar uma disputa no PT, abrindo um debate sobre o eventual candidato a vice, da eventual candidatura Ciro ao governo de SP -tentativa abandonada apenas esboçada-; a Folha SP tenta novamente hoje especular sobre o “efeito Ciro” nos rumos do PT no Estado.

Bastaria observar que os “Martistas” defensores da candidatura Ciro citados na matéria, apoiam a candidatura de Emídio, Prefeito de Osasco, como candidato do PT caso Ciro persista em disputar a presidência, para desmontar a idéia que a divergência entre “Martistas” esteja centrada em apoiar ou não Ciro Gomes ao governo estadual.

Vale lembrar também que a eventual candidatura Palocci ao governo foi posta na mesa pelo próprio presidente da República em conversa com o senador Mercadante e estampada na capa do Estadão e só recentemente o próprio Lula teria evoluído, pressionando Ciro em favor de uma aliança com o PT no plano estadual.

Para qualquer observador que conheça o PT é evidente hoje que, caso Ciro aceitar a sugestão lançada por Lula, o partido do presidente estará unido na aliança com Ciro e o PSB. Tanto é assim, que Emídio e Palocci, assim como Eduardo Suplicy, já indicaram publicamente que apoiam Lula nesta escolha e subordinam eventual candidatura à decisão do deputado do PSB que definirá sua escolha até março 2010.

A decisão está inteiramente nas mãos de Ciro e do PSB, este ultimo devendo escolher entre o apoio a Serra ou a aliança com a oposição aos demo-tucanos no Estado, ou seja o PT.

Agir para provocar está ruptura do PSB com Serra é o caminho para reforçar a candidatura Dilma e também para procurar derrotar o continuismo tucano no Estado. Se Ciro decidir ser candidato ao governo estadual o PSB passará a integrar a oposição e está aliança tem potencial de vencer o pleito estadual.

Ciro aceitará?

Caso ele aceite, alguém representativo no PT recusa essa aliança com Ciro como candidato? Ninguém.

Por isso a tentativa de provocar disputa interna sobre o assunto está fardada ao fracasso.

Caso Ciro persista na sua recusa a abandonar a candidatura a presidente, o PT deverá escolher um nome próprio para essa disputa. Nessa escolha o presidente também terá uma voz de peso, mas dificilmente existirá consenso no partido se o candidato não tiver o aval das principais lideranças no Estado, o que é o caso hoje com Palocci.

Poderá, aí sim, surgir disputa interna e até previa para definir o candidato. Mas isto é hoje só especulação.

De concreto, a candidatura Ciro ao governo estadual jogaria o PSB para uma aliança com o PT, unificaria a oposição aos demo-tucanos, alavancaria as candidaturas de Chalita e Mercadante ao Senado e permitirá à candidatura a deputada federal da Marta, eleger uma importante bancada do PT no parlamento.

O PT só tem a ganhar com esse desfecho das conversas para trazer Ciro para São Paulo.

A palavra está com Ciro.

Luis Favre

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Aliado a Serra, PSB paulista resiste a aceitar candidatura de Ciro

PT vai priorizar Presidência e Congresso em 2010, diz Genoíno

http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/wp-content/uploads/2009/10/martaciro1-570x427.jpg

“Efeito Ciro” implode grupo de Marta em SP

Parte da ala do PT ligada à ex-prefeita rejeita proposta de candidatura própria da sigla e trabalha por deputado do PSB para o governo

Intenção da ex-ministra de ver Antonio Palocci à frente da chapa que vai disputar o Palácio dos Bandeirantes divide seus simpatizantes

JOSÉ ALBERTO BOMBIG – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O grupo político ligado à ex-prefeita Marta Suplicy, hegemônico no PT paulista há pelo menos seis anos, está próximo da dissolução por conta da disputa envolvendo a candidatura da sigla ao governo do Estado e dos planos da ex-prefeita de concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados em 2010.
Parte dos principais “martistas”, como são chamados internamente os apoiadores da ex-prefeita, se empenhou em pavimentar o caminho para que Ciro Gomes (PSB-CE) tenha o apoio do PT na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
Marta, no entanto, trabalha por uma candidatura própria da sigla, de preferência a do deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que seria uma espécie de herdeiro natural, na visão da ex-prefeita, do comando de seu grupo.
No mês passado, Marta afirmou que Ciro “não tem nada a ver com São Paulo”.
Líder do PT na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (SP), por exemplo, alega que Ciro poderia ajudar Dilma Rousseff (pré-candidata do PT ao Planalto) e concorrer com chances de vitória no Estado.
“É nessa medida, a de um palanque forte para a Dilma e de um nome forte junto ao eleitor, que a candidatura de Ciro Gomes ganha força”, diz Vaccarezza -que sempre foi identificado como um “martista”.
A posição de Vaccarezza é compartilhada internamente pelos também deputados federais José Mentor, Devanir Ribeiro e Jilmar Tatto, expoentes da gestão de Marta na Prefeitura de São Paulo (2001-2004).
Ao lado da ex-prefeita na defesa de Palocci como pré-candidato permaneceram Rui Falcão, líder do partido na Assembleia paulista, Antonio Donato, vereador na capital, e Carlos Zaratini, deputado federal, os três ex-secretários de Marta.
“Entendo que o PT deva apresentar uma candidatura própria aos aliados, e acho que o Palocci é nosso melhor nome, mas reconheço que hoje há um importante movimento pró-Ciro”, afirmou Donato.

Vaga aberta
Palocci se reuniu recentemente com seus correligionário em São Paulo e disse que não pretende se colocar como pré-candidato antes que Ciro decida qual eleição irá disputar -o Palácio do Planalto ou o Palácio dos Bandeirantes.
Na prática, isso significa que o PT ficará sem ter um nome para trabalhar eleitoralmente até o início do ano que vem, quando o deputado do PSB deverá tomar sua decisão.
A despeito da recusa de Palocci, seus correligionários vão inscrevê-lo como pré-candidato no diretório estadual.
Na avaliação dos que tentam convencer o deputado petista a entrar na disputa, uma eventual candidatura Ciro ao governo paulista poderá criar um novo polo de oposição ao PSDB no Estado, vaga hoje automaticamente ocupada pelo PT.
A outra opção anti-Ciro aventada no PT seria convencer Marta a concorrer novamente ao governo, mas a ex-prefeita já avisou o seu entorno que pretende se candidatar novamente a deputada federal.

26/10/2009 - 10:55h Aproximação entre Dilma e aliados isola candidatura Ciro

O tratamento dado por alguns artigos a questão da candidatura Ciro Gomes ao governo de São Paulo, mostram pouco apego aos fatos e participam das inevitáveis intrigas e disputas que acompanham a vida do PT. Assim, um artigo na Folha afirmava que tinha começado a discussão do nome do vice para a candidatura Ciro, e agora Valor pretende que o “grupo da Marta” seria o único contrário a candidatura Ciro, mas evidentemente não cita ninguém que sustente essa suposta oposição.

A candidatura Ciro Gomes ao governo de São Paulo seria uma boa coisa, isto é consenso no PT, e a proposta originada na esfera federal é hoje aceita pelo PT estadual como base para uma possivel aliança no Estado. A pré-condição para esta aliança se concretizar é que Ciro deseje ser candidato, abandonando sua candidatura a presidente e que seu partido, o PSB o apresente como nome para o cargo, rompendo com sua participação e apoio ao PSDB no Estado, para assim formar uma aliança com os partidos da base do governo Lula.

Caso esta aliança não se materializar, o PT tem nomes de peso para disputar, além de implantação e força eleitoral para disputar contra os tucanos o comando do Estado.

Até março a situação ficará aparentemente definida, até porque uma campanha exige um tempo de preparação, e durante este período muita fofoca, especulação e intriga continuará a ser publicada. LF

Ver também

Aliado a Serra, PSB paulista resiste a aceitar candidatura de Ciro

Lula: Dilma lá e Ciro aqui

Os desdobramentos do Dilma lá e Ciro aqui

Acordo deve deixar Ciro fora da corrida pelo Planalto. Projeto para 2010, com apoio de Lula, seria concorrer à sucessão de Serra

A seguir o artigo do jornal VALOR

Lúcio Távora / Ag. A Tarde / Folhapress
Foto Destaque
Ciro e Dilma: até a decisão oficial em fevereiro, deputado vai manter viagens nacionais como a que o reuniu à ministra no S.Francisco


2010: Resistência à entrada de deputado na disputa paulista está concentrada no grupo de Marta Suplicy
Aproximação entre Dilma e aliados isola candidatura Ciro

Paulo de Tarso Lyra, de Brasília

As conversas da candidata do PT à Presidência, ministra Dilma Rousseff, com os partidos aliados, desidrataram a candidatura presidencial do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), avaliam coordenadores políticos da campanha petista, o que apressa a definição de sua candidatura ao governo de São Paulo, em aliança com o PT. Este foi o caminho traçado desde o início pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estratégia que não excluía a insistência do deputado em manter-se na corrida ao Palácio do Planalto, para expor-se nacionalmente. Lula argumentou com auxiliares que Ciro deveria continuar em campanha nacional, até o quadro ficar mais claro. Um dos problemas era enquadrar o PT de São Paulo para aceitar o PSB na liderança da chapa, o que começou a ser uma realidade desde sexta-feira.

“Lula espera que a ‘resposta’ oficial do PSB seja dada apenas em fevereiro de 2010″, disse um aliado da candidatura de Dilma, dando sinais de que Ciro pode continuar, até lá, expondo-se nacionalmente.

A data remete ao 4º Congresso Nacional do PT, que ratificará a candidatura de Dilma a presidente e definirá também as políticas de alianças estaduais. Lula defende a candidatura de Ciro ao governo de São Paulo para transformar a eleição nacional em uma disputa plebiscitária entre Dilma e um candidato do PSDB, de preferência o governador paulista, José Serra. Ciro transferiu o domicílio eleitoral para São Paulo, mas, por enquanto, tanto ele quanto seu partido não admitem ainda que desistirão da disputa presidencial. “Vamos ver como estarão as coisas em fevereiro do ano que vem, não temos pressa nenhuma”, disse um dirigente do PSB.

A estratégia do PT de antecipar as conversas com os demais partidos da coalizão – a aliança com o PMDB é preliminar mas é uma indicação para a Convenção Nacional em junho de 2010. Falta um encontro com o PP, os demais partidos da aliança de Lula estão no arco de apoio a Dilma. Isto deixou o PSB sem margem para composições políticas futuras. “Pouco a pouco, a candidatura presidencial de Ciro vai ficando isolada e perde viabilidade eleitoral”, afirmou um aliado de Dilma, mostrando que o desenho traçado inicialmente pelo presidente Lula vem se completando. A ofensiva foi favorecida, na visão de petistas influentes no governo, também pelo estilo “pouco agregador” de Ciro Gomes.

O parlamentar cearense teria trânsito difícil na coalização devido a seus arroubos verbais. “Ciro tem um histórico político que o afasta de diversos aliados. Tome como exemplo as duras declarações que dá a respeito do PMDB”, lembrou um petista próximo do presidente. Na negociação de alianças para o governo de São Paulo, o universo de conversas é menor e enseja menos atrito.

Dilma realizou bem, nesta avaliação, os passos necessários a se tornar a candidata da polarização. Além de promover ampla pré-aliança e afastar Ciro da disputa presidencial, a ministra mudou radicalmente seu comportamento e desempenho na política. A ministra diminuiu a sisudez, passou a brincar nas reuniões com deputados e senadores e a ter contato mais afável com plateias. “Não estamos aqui para falar de PAC, pré-sal ou para mostrar PowerPoint. Estamos aqui para conversar sobre política e sobre o Brasil”, disse a ministra em encontro partidário segundo relato de um integrante da cúpula petista.

As avaliações entre petistas apontam dificuldades na formação de alianças para Ciro, mesmo em São Paulo, devido ao estilo pessoal do candidato e sua relação com políticos e eleitores. Numa candidatura presidencial, o PSB também teria pouco a oferecer aos demais partidos que viesse a convidar para a aliança. Seus únicos trunfos aparecem nos estados nos quais a legenda governa – Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Já o PT tem uma militância forte espalhada em todo o país e uma média de 10% a 15% de intenção de voto em praticamente todos os estados.

“É um percentual suficiente para decidir uma eleição, especialmente nos locais onde o PT abrirá mão da cabeça de chapa”, confirma um ministro petista.

Em outras unidades da federação, haveria até mesmo a impossibilidade de o PSB oferecer um palanque forte para Dilma e os aliados nacionais. “O PDT nos apoia no plano nacional mas pediu contrapartida no Paraná, onde o candidato deles é o senador Osmar Dias. Como o PSB é vice do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), a tendência é que eles apoiem os tucanos caso Richa seja candidato ao governo”, completou um petista em ascensão no cenário político nacional.

Se o PT nacional queria há tempos minar as chances de Ciro no pleito nacional, o PT paulista começou, no fim de semana, a intensificar os acenos para que ele declare logo a candidatura ao governo estadual. Na última quinta, o grupo petista ligado ao ex-ministro José Dirceu sugeriu os nomes de Emídio de Souza (prefeito de Osasco) e Edinho Silva (presidente estadual do PT e ex-prefeito de Araraquara) como possíveis vices numa chapa PT-PSB.

No dia seguinte, Emídio soltou nota à militância petista defendendo a abertura do diálogo com os demais partidos que compõem a aliança nacional. “Não ajuda nada ficarmos chutando o PSB e o Ciro. A eleição paulista terá papel estratégico na eleição presidencial”, afirmou Emídio.

Como o PSB não definirá agora sua posição, a tendência é que o PT lance Emídio como pré-candidato, para facilitar uma aliança futura. “A intenção é evitar que nomes como Marta Suplicy e Aloizio Mercadante resolvam apresentar-se como pré-candidatos ao governo estadual”, afirmou um líder petista. No momento, só Marta ainda resiste a abandonar a candidatura próprio do PT ao governo de SP.

22/10/2009 - 11:03h Caciques do PT paulista dão sinal verde para ”projeto Ciro”


Grupo petista avisa que não se oporá à sua candidatura a governador

Lula_Dilma_Ciro


Clarissa Oliveira – O Estado SP

Apesar das queixas sobre a possibilidade de o PT não ter candidato próprio no maior colégio eleitoral do País, um grupo de caciques do partido em São Paulo já decidiu que não vai criar nenhum tipo de obstáculo aos planos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tirar o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) da corrida presidencial. Reunidos no início desta semana na capital paulista, dirigentes da corrente petista Construindo um Novo Brasil, entre eles o ex-ministro José Dirceu e os deputados Antonio Palocci e João Paulo Cunha, acertaram que não vão se opor à candidatura de Ciro ao Palácio dos Bandeirantes em 2010.

Ao mesmo tempo em que ajuda a pavimentar a aliança nacional entre PT e PSB, o acerto foi pensado com o objetivo de enquadrar o grupo da ex-ministra Marta Suplicy, que assumiu nas últimas semanas a dianteira na defesa da candidatura própria do PT ao governo paulista. Ela chegou a afirmar publicamente que a candidatura de Ciro “não tem a ver com São Paulo” e que o PSB “nunca fez um caminho de flores” para o PT no Estado.

Marta tem dito a aliados que não vê motivos para um partido com a dimensão do PT deixar de lançar um nome próprio em São Paulo. Ainda assim, é consenso no grupo da ex-ministra que a decisão final caberá ao presidente Lula.

RECUO

Na prática, o acerto feito pelos líderes petistas na segunda-feira determina que os principais nomes ventilados como possíveis candidatos ao governo estadual se retirem da disputa para apoiar Ciro, caso o deputado decida concorrer no Estado. Além de Palocci, nome endossado por Marta para o Palácio dos Bandeirantes, o prefeito de Osasco, Emidio de Souza, também aderiu ao acerto.

Na segunda-feira, algumas horas depois de participar da conversa com membros da Construindo um Novo Brasil, Emidio reuniu seus aliados para tratar do assunto. Ele pretende divulgar um documento para reafirmar que seu nome está à disposição do partido. Mas o texto dirá também que ele se dispõe a abrir mão da vaga, em prol de uma aliança forte em torno da candidatura de Dilma. “Meu nome continua à disposição, mas não vamos nos opor à montagem de uma aliança como essa”, afirmou Emidio. “Se a conjuntura nacional caminhar para um lado, não vai adiantar caminharmos para outro.”

No grupo de Marta, ainda persiste o discurso de que Ciro pode optar por não concorrer em São Paulo, dependendo dos desdobramentos dos próximos meses. Há até defensores da tese de que o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que há algumas semanas colocou seu nome à disposição para concorrer ao governo paulista, pode surpreender no resultado das articulações. Defensor da candidatura própria, o líder do PT na Assembleia, deputado Rui Falcão, diz que o quadro no partido continua indefinido. “O PT só vai decidir essas questões no início do ano que vem.”

Ver também aqui no blog

Lula: Dilma lá e Ciro aqui

Os desdobramentos do Dilma lá e Ciro aqui

21/10/2009 - 15:49h Os desdobramentos do Dilma lá e Ciro aqui

A candidatura Ciro Gomes ao governo de São Paulo (ver Lula: Dilma lá e Ciro aqui) teria como primeiro resultado a unificação de uma boa parte da base do governo Lula, arrancando o PSB estadual da base de apoio de Serra.

Persistindo Ciro no seu legítimo desejo de ser candidato à presidente em 2010, o PSB estadual estaria embarcado na candidatura do presidente da Fiesp ao governo de Estado -candidatura que dificilmente poderá alavancar a campanha Dilma em São Paulo, ou fechar uma aliança com o PT-, ou no apoio diretamente ao candidato tucano (ambas posturas estão longe de serem incompatíveis e podem se complementar).

Ao contrário, a candidatura Ciro ao governo estadual, afasta Skalf da disputa e reduz o peso dos serristas no PSB. A aliança PT-PSB poderá incorporar sem maiores dificuldades o PC do B e o PDT, assegurando essa frente à candidatura Ciro com um perfil opositor aos demo-tucanos e atraindo apoios a própria campanha da Dilma no bastião tucano.

Mas para isso é necessário convencer Ciro a desistir de sua candidatura nacional, o que exige também uma clara disposição do PT-SP -e não só de Lula- para pressionar o candidato socialista a aceitar esta mudança.

Como ficaria, nesse contexto, a legítima preocupação dos petistas com a eleição de deputados e senadores, na ausência do 13 na disputa do executivo paulista?

Este problema é bem menor na eleição dos deputados federais, que na disputa ao senado, por razões que dificultam objetivamente a disputa dos cargos ao Senado, para o PT.

A candidatura Ciro ao governo do Estado pode pesar na decisão de Serra de pleitear a reeleição, perante as crescentes incertezas do desfecho da disputa presidencial. Isto puxaria Alckmin para o Senado, além da candidatura Quercia garantida pelo PSDB, para manter o apoio do PMDB aqui (mesmo sem este cenário, setores do DEM, do PMDB e do PSDB querem descartar Alckmin para governador, em favor de Aluisio Nunes ou Kassab).

No campo do centro-esquerda as candidaturas ao Senado incluem, além de Mercadante que só poderá disputar, nesse contexto, sua reeleição; a candidatura Chalita pelo PSB (eventualmente a do próprio Skalf) e o candidato do PC do B (com Netinho ou o próprio Aldo Rebelo). Como se vê, uma profusão de candidatos mais ou menos fortes. Para Mercadante e para o PT, uma verdadeira dificuldade a enfrentar, mas que não é insuperável. A condição sine qua non para Mercadante conseguir sua reeleição é o PT não apresentar nenhum outro nome próprio e de peso para o cargo e se mobilizar unido em favor do seu senador. Se for verdadeira a afirmação da jornalista Maria Inês Nassif que “O recuo do líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), quando, em plena crise no Senado, deixou a liderança, é atribuído à pressão de Lula – que teria deixado claro ao senador que não faria nenhum empenho por sua candidatura à reeleição se ele expusesse o governo com sua renúncia ao cargo.” (ver Resistência a Ciro só será superada com intervenção de Lula), Mercadante poderá contar a seu lado agora, e novamente, com o apoio de Lula para sua própria reeleição.

A disposição da ex-prefeita Marta Suplicy em disputar algum cargo em 2010, e tendo em conta as implicações que provocaria uma eventual candidatura Ciro a governador e de Chalita ao Senado, a levarão provavelmente a disputar para deputada federal -salvo a deslanchar uma guerra fratricida no PT, hoje com resultado mais que incerto- e permitirá ao PT obter uma expressiva bancada federal, diminuindo, para os atuais deputados candidatos à reeleição, o peso de não ter o 13 na disputa para governador. A ex-prefeita será assim o alicerce do crescimento do número de deputados federais do PT de São Paulo, ajudando a seu fortalecimento após os escândalos que o atingiram particularmente.

Os beneficios e os riscos da candidatura Ciro Gomes se deslocar para São Paulo justificam plenamente a atitude de Lula, tanto para a campanha da Dilma como para seu desdobramento no plano estadual. Mas, diferentemente do PT onde a voz de Lula será prevalecente e preponderante, a decisão de Ciro depende dele próprio.

A lógica da articulação de Lula é que a candidatura Ciro à presidência, sem espaço político na polarização, sem alianças substanciais e sem tempo de TV, será desidratada. Ele conta, no momento oportuno, com a boa disposição do governador de Pernambuco do PSB, Eduardo Campos, para dar uma mãozinha no convencimento do Ciro. Ela requer que o Ciro não possa invocar pretextos para persistir na sua empreitada nacional. Lula espera que o PT-SP não forneça esse pretexto.

Tudo indica que será ouvido pelo PT de São Paulo.

A única incógnita será a resposta final do próprio Ciro… que chegará com as águas de março.

Luis Favre

Ver também artigo do Estadão de hoje

Acordo deve deixar Ciro fora da corrida pelo Planalto. Projeto para 2010, com apoio de Lula, seria concorrer à sucessão de Serra

21/10/2009 - 09:34h Acordo deve deixar Ciro fora da corrida pelo Planalto. Projeto para 2010, com apoio de Lula, seria concorrer à sucessão de Serra

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Marcelo de Moraes, Vera Rosa e João Domingos, BRASÍLIA – O Estado SP

Dentro do Palácio do Planalto já existe uma certeza – o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) não disputará a corrida presidencial contra a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Oficialmente, Ciro manterá a candidatura à Presidência até os primeiros meses do próximo ano, mas seu destino eleitoral já está definido e será a disputa pelo governo de São Paulo, com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT.

A retirada da candidatura não será feita com antecedência por razões estratégicas. Primeiro, o próprio Lula quer esperar pela consolidação do nome de Dilma. A expectativa é de que as viagens da ministra, como a feita ao lado de Lula e de Ciro por cidades do Rio São Francisco, já comecem a produzir efeito, refletindo nas pesquisas eleitorais.

Além disso, o governo entende que a presença momentânea de Ciro como fator favorável, pois tem disputado intenção de voto nos mesmos segmentos que o governador de São Paulo, José Serra, (PSDB), principal pré-candidato da oposição. Ele também tem assumido o debate crítico contra o tucano, o que ajuda na campanha governista.

Existe, no entanto, uma condição clara para que esse movimento se concretize. Dilma precisa ultrapassar Ciro nas pesquisas. “Se ela não decolar, ele disputa a Presidência”, avisa um dirigente do PSB.

Outro claro sinal da sintonia com o Planalto é que Ciro e os dirigentes do PSB nem sequer têm se movimentado para atrair o apoio de outros partidos. Sem alianças, terá pouco tempo de propaganda eleitoral. Na prática, Ciro e seu partido têm acompanhado com serenidade o movimento de Lula e Dilma para fecharem acordo com todas as outras legendas da base governista, sem se apresentarem como alternativa.

BLOQUINHO

PDT e PC do B, que se aliaram ao PSB para formar o chamado “bloquinho” na Câmara, também apostam na desistência de Ciro da corrida presidencial.

“Em poucos dias, boa parte dos partidos mais à esquerda deve anunciar o apoio à candidatura de Dilma”, afirmou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, que foi candidato a vice na chapa presidencial encabeçada por Ciro em 2002. “Nesse cenário, ficará somente com o PSB e a tendência é de que seja candidato em São Paulo.”

Na avaliação de Paulinho, que conversou com dirigentes do PT e do PSB nos últimos dias, tudo indica que Ciro fará a vontade de Lula e concorrerá para governador, deixando caminho livre para Dilma. “Se ele entrar na disputa em São Paulo, nós o apoiaremos e poderemos montar uma chapa conjunta com PT e PSB.”

Lula conversou com Ciro na viagem que fez pelo São Francisco, na semana passada. O presidente, que levou Dilma a tiracolo, foi taxativo, dizendo que a base aliada deve lançar um único candidato à sua sucessão para tornar a disputa plebiscitária entre o PT e o PSDB.

“SACRILÉGIO”

Na seara petista, a desistência de candidatura própria em São Paulo é vista como uma espécie de sacrilégio por boa parte da legenda. A provável entrada de Ciro no páreo paulista divide o PT e até integrantes do grupo.

Enquanto o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), e o líder do partido na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), apoiam a candidatura de Ciro ao Palácio dos Bandeirantes, a ex-prefeita Marta Suplicy diz que o deputado “não tem ligação” com o Estado.

A ex-prefeita quer que o PT lance o deputado Antonio Palocci (SP), ex-ministro da Fazenda, à sucessão de Serra. Palocci é hoje o curinga do Planalto, pois tanto pode concorrer em São Paulo, caso Ciro não entre na briga, como ser o coordenador da campanha de Dilma.

A saída de Ciro da corrida presidencial facilita a montagem de campanhas regionais consideradas fundamentais pelo PSB. Com ele ao lado de Dilma, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), já avisou que fecha o seu apoio à reeleição do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), irmão do deputado, e não se lançará na disputa pelo governo.

Uma candidatura da prefeita seria um problema grave para a reeleição de Cid, já que o PT administra três das maiores cidades cearenses – Fortaleza, Juazeiro do Norte e Quixadá.

Em Pernambuco, o governador Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, busca a reeleição. Com Ciro apoiando a campanha de Dilma, o PT local deverá reforçar o palanque de Campos. Nessa parceria, o PT poderia ainda apoiar o PSB em Mato Grosso e no Amapá.

20/10/2009 - 11:21h Resistência a Ciro só será superada com intervenção de Lula

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Maria Inês Nassif, de São Paulo – VALOR

O PT paulista tem a tradição da divisão – mas mantém um padrão de, no fim, submeter as disputas internas ao projeto nacional do partido. O projeto de 2006 é eleger a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia principal é a de fazer do presidente Lula não apenas o grande eleitor dessas eleições mas, mais do que isso, um eleitor muito qualificado. O PT nacional – que é basicamente paulista – assumiu que, num processo eleitoral com essas características, Lula é a palavra final nas decisões de alianças estaduais. O empenho pessoal de Lula, entendem os petistas que articulam próximos ao presidente, será maior ou menor a depender do seu poder de decisão sobre as políticas estaduais.

Os grupos partidários resistem ao projeto de retirar o candidato do PSB, deputado Ciro Gomes (CE), da disputa para a Presidência, acenando para ele com a candidatura ao governo de São Paulo. Mas existe o consenso de que o partido se submeterá a isso, se Lula assim o quiser.

“Se Lula decidir, Ciro vai ser o candidato” – esta é a premissa das conversas com integrantes do PT paulista. As críticas ao deputado, no entanto, são profusas, inclusive pela sua insistência em dizer que “o PSB não é sublegenda do PT”, quando todo o processo de escolha de candidatos do PT de São Paulo praticamente está paralisado esperando a decisão de sua candidatura ao governo.

Manter disponível para Ciro a possibilidade de ser candidato ao governo paulista, em vez de ser candidato a presidente, foi uma decisão de Lula, para a qual ele chamou o aval do presidente nacional do PT, o deputado Ricardo Berzoini (SP), “Ciro, você transfere o título eleitoral para São Paulo e depois a gente conversa – não é, Berzoini?” Foi com essa conversa aparentemente casual que o presidente Lula colocou Ciro no cenário eleitoral paulista, pouco antes de 2 de outubro, fim do prazo de domicílio eleitoral e filiação partidária para quem quer disputar as eleições do próximo ano.

Era uma reunião pequena, mas tinha os elementos que Lula precisava para manter aberta a possibilidade de Ciro se candidatar ao governo do Estado de São Paulo: de um lado, o próprio Ciro; de outro, Berzoini, capaz de dar aparência partidária à sua articulação. A proposta embutiu o compromisso de que terá ao seu lado o PT, se quiser ser candidato ao governo de São Paulo – o partido está amarrado a ele.

“Berzoini acabou avalizando a proposta porque foi colocado numa situação desconfortável”, afirma um petista de São Paulo que foi um dos responsáveis pela reação pública do PT à opção Ciro – a apresentação de seis pré-candidatos do partido ao governo, no dia 6: o o senador Eduardo Suplicy, a ex-ministra e ex-prefeita Marta Suplicy, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, os deputados federais Arlindo Chinaglia e Antonio Palocci, e o ministro da Educação, Fernando Haddad. Ainda assim, a demonstração pública de contrariedade com o desembarque de Ciro em São Paulo escondeu o único elemento de unidade de todos os grupos internos do PT do Estado: a concordância de que é de Lula a palavra final.

A única declaração pública de contrariedade ao estilo Ciro de chegar a São Paulo foi de Marta. “Ele chegou atacando o meu partido”, justificou-se a ex-prefeita, que também manifestou publicamente o seu apoio à candidatura do ex-ministro Antonio Palocci ao governo. “Palocci tem o perfil do eleitor paulista”, disse. Mesmo ela também faz a ressalva de que se submeterá à decisão de Lula no caso paulista.

Para um dos paulistas que articula nacionalmente a decisão de Lula, mais vale uma aliança na mão do que um governo voando, mesmo num Estado como São Paulo. Para os petistas que atuam localmente, embora Lula tenha perdido em 2006 nos dois turnos das eleições paulistas e o PSDB mantenha a hegemonia da disputa estadual, as chances de o partido vencer no Estado são menores ainda sem o empenho pessoal do presidente na campanha paulista. “Se ele bancar a eleição, está bom para nós”, diz um parlamentar petista.

A disputa pelo Senado é um elemento importante. O recuo do líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), quando, em plena crise no Senado, deixou a liderança, é atribuído à pressão de Lula – que teria deixado claro ao senador que não faria nenhum empenho por sua candidatura à reeleição se ele expusesse o governo com sua renúncia ao cargo. O senador também contrariou parcelas importantes do partido regional quando expressou uma grande oposição à candidatura de Ciro Gomes ao governo internamente, e saiu da reunião dizendo, para jornalistas, que estava de acordo com a ideia.

Marta Suplicy é candidata ao Senado. E a segunda vaga está sendo negociada com o PCdoB no Estado. Se a eleição para o governo paulista mostrar-se muito difícil e Ciro resolver mesmo ser candidato a presidente, Mercadante pode ser empurrado para a disputa ao Palácio dos Bandeirantes para desocupar a sua vaga.

19/10/2009 - 20:23h Palocci diz que site de Marta abordará temas ignorados por mídia tradicional

da Folha Online

O site idealizado pela ex-ministra Marta Suplicy entrou no ar por volta das 19h de hoje. É o M Post, inspirado na experiência da norte-americana Arianna Huffington, democrata que ajudou a alavancar a eleição do presidente Barack Obama.
Na estreia, o site traz um depoimento em vídeo do deputado Antonio Palocci (PT-SP). No vídeo, Palocci diz que o site de Marta abordará temas que são ignorados por mídia tradicional.

“Marta sempre esteve à frente do seu tempo.[...] Na política, surpreendeu ao fazer o Congresso discutir os direitos de pessoas do mesmo sexo. [...] Como prefeita, provou sua coragem ao enfrentar a máfiaa do transporte. [...] Agora, na onda da internet, propõe um novo avanço: um espaço digital, interativo, de inforamção e pluralista, de debates ignorados por mídia tradicional”, diz ele.

Também em vídeo, Marta fala do site. “Sem a intenção de competir com outras mídias e pluralista na produção de conteúdo, o M Post será um veículo centrado em notícias, debater e propor reflexões”, diz a petista em vídeo no YouTube.

19/10/2009 - 11:00h Enrolados

O Globo

Panorama_2010

19/10/2009 - 09:28h Nos encontros com partidos aliados, Dilma surpreende parlamentares com humor e descontração

http://fernaslm.files.wordpress.com/2009/09/lulidilma.jpg

Pré-candidata do PT quer temperar o perfil de ”gerentona” com estilo ”ternurinha”

Christiane Samarco, BRASÍLIA – O Estado SP

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, vem aos poucos deixando de lado o figurino da “gerentona” do governo e do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e assumindo o estilo “candidata ternura”.

Em encontro com as bancadas do PDT e do PR, no início do mês, a pré-candidata surpreendeu os parlamentares por seu nível de bom humor e descontração. Acostumados a uma ministra sisuda e cerimoniosa, os parlamentares se depararam com uma anfitriã sem formalismos. “O mais surpreendente foi o estado de espírito dela, em alto astral”, descreveu o deputado Mário Heringer (PDT-MG). “Tem outra Dilma no cenário. Ela está mudando a imagem”, reforçou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).

Depois de conversar também com parlamentares do PT, do PRB e do PC do B, Dilma agendou encontro com o PP do deputado Paulo Maluf (SP) e do ministro das Cidades, Márcio Fortes. A reunião será no próximo dia 27, em Brasília.

Além disso, o PMDB deve declarar apoio formal à candidatura de Dilma ainda nesta semana. A ministra desencadeou forte ofensiva para atrair os partidos da base de sustentação do governo. Quer evitar que eles apoiem a provável campanha presidencial do deputado Ciro Gomes (PSB-CE).

No encontro com o PDT e o PR, a ministra deixou claro que é candidata para valer e que, nessa condição, rejeita o figurino de “gerentona” porque ele reforça a ideia de uma pessoa desprovida do jogo de cintura, que os políticos consideram essencial em uma campanha eleitoral. Para Dilma, a oposição quer reforçar a imagem de “gerente” como forma de desqualificá-la. Ao argumentar que não é apenas executora, mas formuladora de políticas, a ministra destacou que elaborou todos os projetos relacionados ao pré-sal enviados ao Congresso.

“Agora vai aparecer uma moça simpática, humana, uma bailarina”, ironizou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). “Acredite quem quiser. Quem trabalha com ela tem um medo que se pela.”

Para a oposição, a ministra está renegando o título de “gerentona” porque o PAC “empacou”. Sérgio Guerra diz que a ministra só está criando a ” versão simpatia” porque a primeira não deu certo. “Se ela fosse gerente da Vale do Rio Doce, poderia montar uma campanha dizendo isso. Mas gerente do PAC não recomenda ninguém.”

SÃO PAULO

O PT trabalha para desidratar a candidatura de Ciro ao Palácio do Planalto e empurrá-lo para a disputa pelo governo de São Paulo, onde os petistas não têm candidato natural. Recém-filiado ao PSB e interessado na disputa pela sucessão de José Serra, o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, foi vetado pelo PT como candidato em uma eventual coligação.

Na avaliação de lideranças nacionais do PT, o apoio formal do PDT e do PC do B a Dilma acabará asfixiando as movimentações de Ciro.

Representantes do PT paulista, entre os quais a ex-prefeita Marta Suplicy, já criticaram a estratégia de Lula de unificar a base aliada em São Paulo em torno de Ciro. Mas petistas da direção nacional disparam telefonemas a aliados, dizendo que a opinião de Marta não tinha respaldo oficial.

COLABOROU JULIA DUAILIBI

16/10/2009 - 12:01h De olho em 2010, Marta lança site multimídia

marta suplicy lança novo site na segunda-feira - anderson prado/diário de s.paulo

Soraya Aggege – O Globo

SÃO PAULO – Na esteira da liberação da internet nas eleições de 2010 e do marketing que elegeu barack obama presidente dos estados unidos , a ex-ministra Marta Suplicy (PT) lança segunda-feira o MPost, um site de conteúdo online, nos moldes do fenômeno The Huffington Post, da empresária e democrata Arianna Huffington, considerado o mais acessado dos Estados Unidos. Marta incluiu o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT) no conselho editorial, e afirmou que o projeto é desvinculado do partido:

- É uma plataforma contemporânea. Haverá leitura dinâmica da mídia, espaço para blogs, postagens de vídeos, imagens e também jornalismo. A ideia é dar a maior pluralidade possível. Vai ter uma linha editorial, como os jornais.

Ela reafirmou que pretende se candidatar em 2010, possivelmente à Câmara dos Deputados, e que continua defendendo a escolha de Palocci como candidato do PT ao governo de São Paulo. Mas afirmou que se esforçará para não transformar o espaço em uma tribuna eleitoral.

O The Huffington Post era um agregador de blogs que cobria política e outras áreas desde 2005. No fim de 2008, passou a investir em jornalismo, com versões locais do portal para as cidades de Chicago, Nova York e Denver.

marta suplicy lança novo site na segunda-feira - anderson prado/diário de s.paulo

Candidata, Marta lança portal na web

Petista diz querer se ”comunicar mais” e promete ir além do blog

Clarissa Oliveira – O Estado SP


Candidata declarada para a eleição de 2010, a ex-ministra Marta Suplicy (PT) aderiu à recente onda de ingresso dos políticos na internet. Dizendo querer ir além de um simples blog ou de redes sociais como o Twitter, a petista vai lançar na próxima segunda-feira um portal na web, que classifica como um “empreendimento empresarial”.

O projeto levará o nome de MPost e foi inspirado no Huffington Post, criado nos Estados Unidos, por Arianna Huffington. O site americano nasceu como um blog, mas se transformou progressivamente em portal de notícias, com colunas, conteúdo multimídia e blogs. Marta não revelou o investimento no projeto, mas não rejeitou o rótulo de “empresária da comunicação”. Considerou a possibilidade de gerar receita com o portal e disse que planeja, por exemplo, atrair anunciantes.

A petista costuma dizer que será candidata em 2010, faltando definir apenas a que cargo. Ela garantiu, entretanto, que o portal não foi pensado de olho na eleição. “Vi que precisava me comunicar mais.” Suas posições, explicou, serão manifestadas “com cuidado”, em espaços opinativos. “Claro que tenho posições, mas todos os jornais têm posições”, disse, lembrando que não tratará apenas de política. Na lista de articulistas, está confirmado o deputado Antonio Palocci (PT-SP). Apoiado por Marta para o governo paulista, ele estará no conselho editorial, ao lado do escritor Marcelo Carneiro da Cunha.

EFEITO OBAMA

O lançamento ocorre em meio à adesão crescente de políticos à internet. Ontem, o assunto foi destaque de seminário que trouxe a São Paulo o estrategista americano Ben Self. Autor da campanha online que ajudou a eleger Barack Obama, ele firmou um contrato com o marqueteiro João Santana para atuar na campanha da ministra Dilma Rousseff. A consultoria custará menos de US$ 100 mil, segundo petistas.

Self esquivou-se do tema. “Nós respeitamos a privacidade dos nossos clientes.” Mas afirmou ver no Brasil condições para uma campanha online vitoriosa. “Dizem que as pessoas aqui não gostam de ser voluntárias, não gostam de fazer doações, que não é como nos EUA. Não é que as pessoas aqui sejam menos generosas ou menos interessadas. Não lhes foi dada a oportunidade correta.”

marta suplicy lança novo site na segunda-feira - anderson prado/diário de s.paulo

Marta lança seu novo site inspirada em democratas

DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA SP

Sem se definir sobre a qual cargo concorrerá nas eleições de 2010, a ex-ministra Marta Suplicy (PT-SP) lança na próxima segunda-feira seu site na internet, inspirado na experiência da norte-americana Arianna Huffington, democrata que ajudou a alavancar a eleição do presidente Barack Obama.
O Huffington Post, sucesso na rede mundial de computadores, é uma espécie de blog ampliado -tem colunistas e trata de assuntos que vão além da política.
“Vi que não havia nada semelhante no Brasil. Quero tratar de esporte a política. É claro que terá uma posição, um lado, mas pretendo ir além do partido”, diz Marta.
O nome do site será M Post (www.sigampost.com.br) e o único petista com vaga no conselho editorial será o ex-ministro Antonio Palocci, pré-candidato ao governo paulista com o apoio da ex-prefeita.
Marta disse estar bancando financeiramente o projeto, mas não revelou valores. Sua meta é buscar apoio privado. (JOSÉ ALBERTO BOMBIG)

15/10/2009 - 19:21h Marta Suplicy se inspira em Huffington Post para criar seu MPost

Por Guilherme Felitti, do IDG Now!

Blog mais popular do mundo, segundo ranking do Technorati, inspira site com cobertura generalizada e apartidária, promete sexóloga.

A sexóloga e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy lança na próxima segunda-feira (19/10) o MPost, site de conteúdo online inspirado no The Huffington Post, nascido como um blog pelas mãos da empresária Arianna Huffington em 2005.

“Aquilo é jornalismo que interessa na internet. Comecei a pesquisar para ver se havia iniciativa parecida no Brasil. Se não tem, então resolvi fazer”, explica Marta em encontro com a imprensa na qual o IDG Now! esteve presente na tarde desta quinta-feira (15/10).

Construído na plataforma para redes sociais Ning, o MPost inicialmente terá foco livre para cobertura de notícias e misturará tanto referências a conteúdos alheios como colunas e blogs publicados por colaboradores – todos amigos seus, afirma Marta.

A publicação eletrônica terá um conselho, formado pelo diretor de programação da Rede Globo Antônio Zimmerle, pelo economista e ex-Ministro da Fazenda Antônio Palocci e pelo escritor Marcelo Carneiro da Cunha, além da própria Marta.

Além dos blogueiros e colunistas convidados, o MPost, segundo Marta, incentivará que leitores enviem conteúdos, como fotos, textos e vídeos, com comentários ou notícias acontecendo naquele momento. No caso do recente incêndio na favela Diogo Pires, em São Paulo, envolvidos na tragédia, como moradores ou policiais, poderiam enviar relatos para o site, segundo ela.

Ainda que tenha sido criado e custeado pela sexóloga, filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 1983, o MPost, defende ela, terá cobertura apartidária e pretende “abrir um diálogo permanente” com a sociedade e “acelerar a capacidade de multiplicação de notícias pluralistas”.

“Vamos agregando colaboradores. Ainda está tudo em construção. Só não colocaremos o óbvio de sempre, como (conteúdo que incite) racismo, xingamentos e outros crimes”, afirma. O site, no entanto, terá posicionamento. “Claro (que terá posição política). Todo jornal tem posição. Mas vamos abrigar pessoas que pensem diferente de mim”.

Criado em maio de 2005 por parceria entre Arianna e os empresários Jonah Peretti e Kenneth Lerrer, o The Huffington Post passou de repositório de colunistas e agregador de blogs liberais para uma cobertura mais ampla que ultrapassava apenas política.

Nomes como Barack Obama, Norman Mailer, Hillary Clinton e Larry David já contribuíram para o portal, que começou a apostar em jornalismo regional no segundo semestre de 2008 com versões locais do portal para as cidades de Chicago, Nova York e Denver.

Segundo o CrunchBase, o The Huffington Post soma 37 milhões de dólares após três investimentos. De acordo com o ranking do buscador de blogs Technorati, o blog que leva o nome de Arianna é líder em popularidade online, com autoridade de 947. Segundo colocado, o Gizmodo, blog de gadgets do conglomerado Gawker, tem autoridade 895, segundo o serviço.

07/10/2009 - 14:54h A opção do PT paulista por candidatura própria

Blog do Zé Dirceu

Algumas lideranças do PT de São Paulo…

ImageAlgumas lideranças do PT de São Paulo, apesar da resolução do seu diretório regional de não excluir o apoio a candidato de partido aliado – no caso, Ciro Gomes, do PSB – e exatamente quando o deputado cearense transferiu seu domicilio eleitoral para a capital paulista, acreditaram ser necessário  reafirmar a disposição de lançar candidatura própria e apresentá-la às legendas aliadas.

Com a decisão, anunciada após reunião da Executiva regional na 2ª feira (05.10), acreditam estar expressando a vontade amplamente majoritária da militância, um universo bem diferente do eleitorado e base social do PT, nada desprezíveis em São Paulo, onde o partido já capitaliza 1/3 desse que é o maior colégio eleitoral do país.

Assim, quando se esperava um aceno ou mesmo um movimento do PT em direção ao PSB e a Ciro, o que aconteceu foi a reafirmação da candidatura própria. Pelo menos é o que se pode concluir das entrevistas de lideranças como a ex-prefeita Marta Suplicy.

O fato é que a situação no Estado não é nada boa em se tratando da base do governo Lula. O  PSB,  PMDB, PV e PTB,  além do PPS e do DEM, apóiam o governo Serra. O PSB e o PTB, aliás, tem uma longa tradição de apoio aos tucanos, iniciada com o governo Mário Covas, passando pelo de Geraldo Alckmin e agora com José Serra.

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Petistas não aceitam PSB-SP, diz Marta

No PT paulista não faltam nomes…

No PT paulista não faltam nomes para disputar o governo do Estado,  começando pelo prefeito reeleito de Osasco, Emídio de Souza e pelo deputado Antonio Palocci (SP). A ex-ministra e prefeita Marta Suplicy também é uma opção, mas hoje apóia Palocci.

Se tomarmos suas declarações como posição da direção estadual e o resultado da reunião a que me referi (leia nota acima), o partido em São Paulo não aceita a hipótese da candidatura Ciro a governador, uma possibilidade concretizada com a transferência de seu domicilio eleitoral para São Paulo.

Na prática, se as declarações de Marta expressam a posição da maioria dos dirigentes – não importam suas boas intenções ou manifestações de faz de conta – o PT de São Paulo descarta o apoio a uma provável candidatura Ciro no Estado e fortalece a tendência do deputado de optar pela disputa do Palácio do Planalto.

O PSB vive uma contradição

O partido já teve candidato à presidência da República uma vez (Anthony Garotinho, em 2002) e o deputado Ciro foi candidato ao Planalto duas vezes, em 1998 e 2002, pelo PPS, partido que trocaria pela legenda socialista em 2003.  Agora, a legenda socialista tende a apoiar a decisão de Ciro de ser candidato a presidente em 2010, mas tem que compatibilizá-la com os palanques estaduais, com a eleição e reeleição de governadores que dependem da aliança com o PT e do apoio de Lula.

A opção do PSB por uma candidatura própria contraria a avaliação do presidente Lula e da direção nacional do PT que defendem uma eleição plebiscitária já no 1º  turno. Mais do que isso: de acordo com a avaliação de alguns líderes petistas de São Paulo, Ciro no páreo ajudará inevitavelmente a levar o pleito presidencial para um 2º turno.

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07/10/2009 11:54

Duas táticas nunca deram certo

Como tenho escrito e repetido…Como tenho escrito e repetido o problema da candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), insisto, são os palanques estaduais e a campanha. Até quando Ciro manterá um discurso só de oposição a José Serra e como se comportará o PSB nos Estados – em vários, como SP, PB, PR, AM, AL e MA – nos quais já se aliou ou pode se aliar ao PSDB?

Ou o PT caminha para uma eleição plebiscitária ou aceita a candidatura Ciro a presidente e trabalha para resolver suas conseqüências, que serão graves. Examine-se SP, por exemplo, onde Ciro poderá ter um palanque com o presidente da FIESP, Paulo Skaf, para governador; e o vereador Gabriel Chalita (PSB) para senador.

Citei SP,  mas as consequências serão ruins em toda parte. Basta ler o mapa dos palanques estaduais começando pelo CE, PE, RN, BA, SE e PI que governamos juntos (PSB-PT)

Concretizada a candidatura Ciro, o PT deve se preparar, então, para disputar o 1º turno em três frentes: contra Serra, a senadora Marina Silva (PV-AC) e Ciro. Sem ilusões, é certo que, em busca de um lugar no 2º  turno, todos estarão contra Dilma e o PT.

Ciro terá, ainda, a vantagem de se apresentar – com legitimidade e razão – como governo,  mesmo que não conte com o apoio do presidente Lula. Esse é o grande diferencial, mas não o impede de se apresentar como tal.

Outra tática que o PT poderia seguir, e à qual sou favorável,  é disputar o apoio do PSB e convencê-lo a fechar com Dilma  e a lançar Ciro candidato a governador de São Paulo. Essa é uma estratégia que exigiria uma ação conjunta das direções do PT paulista e nacional, coordenada pelo presidente Lula e pela nossa candidata, Dilma Rousseff.

Em ação, Dilma reforça seu cacife

Enquanto observamos o panorama…
Image
Dilma Rousseff

Enquanto observamos o panorama e alternativas (leia as três nota acima), a pré-candidata do PT e ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, jantou com a direção nacional do PDT, cujo presidente, Carlos Lupi (ministro do Trabalho) reafirmou a decisão de apoiar a candidatura do PT. E mais do que isso: reiterou o apoio a uma candidatura única na base do governo para uma disputa plebiscitária no 1º turno.

O PDT encampa, assim, uma posição exatamente oposta à expressada por lideranças do PT de São Paulo após a reunião de sua direção estadual na última 2ª feira (05.10).

Já o presidente Lula reforçou sua decisão de priorizar a união com o PMDB para compor uma ampla coalizão de apoio a Dilma, sua candidata. Esta, por sua vez, iniciou uma série de reuniões e o cumprimento de agendas para consolidação de seu nome e formalização de alianças.

Nesse esforço, além da direção nacional do PDT, Dilma recebeu deputados do PRB; esteve no Rio comemorando nossa vitória como país-sede das Olimpíadas de 2016; e esteve, também, no Paraná (Londrina) e São Paulo. Uma movimentação de pré-campanha que vai a pleno vapor.Foto: Fábrio Rodrigues Pozzebom/ABr

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07/10/2009 10:38

Tucanato está com medo de Ciro Gomes

Faz tempo que o tucanato paulista…Faz tempo que o tucanato paulista está com medo do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), porque ele os conhece bem. O parlamentar foi durante muito tempo filiado ao PSDB, partido pelo qual se elegeu governador do Ceará (1991-1994). Aliás, foi o único, dentre os 27 governadores, eleito pelo PSDB em 1990.

Agora os tucanos paulistas estão apelando, levantando a tese absurda de que a transferência de domicílio eleitoral (de Fortaleza para SP) pode acarretar a perda do seu mandato de deputado porque o Ceará, com 22 representantes na Câmara ficará com 21.

A transferência de domicílio eleitoral, da mesma forma que a mudança de partido para quem não tem mandato, segundo a lei, é legal desde que feita um ano antes das eleições.

Haja casuísmo! Essa tese tucana é pura apelação! Mas, como eles não tem coragem de pedir (à Justiça eleitoral a cassação do mandato de Ciro), plantaram a notícia – e a mídia engoliu – para ver, como eles mesmo dizem, se algum eleitor do Ceará pede.

Sugestão: por que Tasso não pede a cassação?

Dou uma sugestão: a direção do PSDB pode pedir para seu senador, Tasso Jereissati (CE) pedir a cassação do mandato de Ciro. Como senador, ex-governador do Ceará e ex-presidente nacional do partido, Tasso tem todos os títulos para isso. Baixaria pura! O fato é que os tucanos começaram mal.

Pior foi o que escreveu o deputado e chefe da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira Filho, pré-candidato a governador de São Paulo, no seu Twitter: “Imagine se o presidente da República resolve mudar para o Paraguai”. Uma grosseria sem tamanho!.

Temos aí os mesmos que aplaudiram a mudança de partido da senadora Marina Silva (PV-AC) e receberam de volta, de braços abertos, o tucano Flávio Arns (PR), eleito senador pelo PT em 2002 graças ao apoio de Lula e de nossa militância.

07/10/2009 - 13:33h Ciro diz que mudou domicílio eleitoral para São Paulo ‘a contragosto’

Gerson Camarotti – O Globo

Ciro diz que mudou o título eleitoral a contragosto - Ailton de Freitas

BRASÍLIA – O deputado Ciro Gomes (PSB), que trocou seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo por pressão do presidente Lula, reagiu nesta terça-feira às críticas dos petistas paulistas à possibilidade de ele disputar o governo do estado . Lula tenta tirar Ciro da disputa presidencial, para deixar o caminho aberto para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas os petistas de São Paulo disseram não abrir mão de ter candidato próprio no estado.

- Mudei a contragosto (o título eleitoral). Falei que não queria. Isso faz parte de uma estratégia conversada com o presidente Lula. Só estou executando isso. Reafirmo minha disposição de ser candidato à Presidência da República – disse Ciro.

” Isso faz parte de uma estratégia conversada com o presidente Lula. Só estou executando isso “


Na segunda-feira, após reunião do PT, a ex-prefeita Marta Suplicy disse que a candidatura do aliado do PSB não tem a ver com São Paulo e defendeu o nome do deputado Antonio Palocci (PT) para a disputa.

Planalto não gostou da declaração de Marta

Diante da hostilidade do PT paulista, a cúpula do PSB decidiu reforçar o projeto presidencial do partido para 2010. Isso deve criar novas dificuldades aos planos do presidente Lula de tirar Ciro da disputa nacional. Por isso, causou forte contrariedade ao núcleo do governo, em Brasília, a declaração de Marta Suplicy.

” Isso mostra que a candidatura presidencial de Ciro é irreversível “


Interlocutores de Lula lembraram que ele trabalhou até o último momento – mesmo quando ainda estava no exterior – para garantir a mudança de domicílio eleitoral do deputado cearense.

- Essa hostilidade e esse ataque gratuito da Marta deixam claro o caminho que o PSB tem que seguir. Isso mostra que a candidatura presidencial de Ciro é irreversível – afirmou o vice-líder do governo, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS).

- Isso é muito deselegante. É natural da Marta. Mas estamos preocupados é com a grande política e com a candidatura presidencial de Ciro – reforçou o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral.

Apesar de evitar comentar as declarações de Marta, Ciro reafirmou sua disposição de disputar a Presidência:

- Sobre isso eu não comento. Agora, o quadro político é hostil e favorece o candidato de oposição. Para ganhar, achamos necessária a tática de duas candidaturas da base. Essa eleição não será um plebiscito como ocorre na democracia norte-americana. Nós temos que acumular muito.

07/10/2009 - 11:01h O que é melhor para o Lula? O que é melhor para o PT?

Marta e Ciro medem forças


ColunistaRosângela Bittar – VALOR

A declaração de Marta Suplicy após reunião do Diretório Estadual do PT, na segunda-feira, em São Paulo, deve ser posta em perspectiva na disputa que ali se esboça. “Há uma percepção de que a candidatura Ciro não tem a ver com São Paulo”, disse a ex-prefeita e líder de um grupo do PT, referindo-se à transferência de domicílio eleitoral do deputado cearense para São Paulo com o objetivo, seguindo planos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de candidatar-se a governador do Estado.

Marta sempre poderá dizer, no momento em que for conveniente, que não falava no desconforto para o eleitor paulista em receber um forasteiro, mas que está falando, como o fizeram Ricardo Berzoini e Antonio Palocci, que a candidatura Ciro já lançada tem a ver com a Presidência da República e não com o governo estadual. Mas já se passaram 24 horas e ela ainda não renegou a interpretação de que o ataque foi intencional e direto, atingindo muito fortemente o deputado do PSB.

Como não há possibilidade de resolverem tão cedo esta disputa entre dois PTs (o de Marta e o de Ciro, que tem em Lula seu único e fortíssimo padrinho) a respeito da candidatura ao governo de São Paulo, a posição inequívoca expressada por Marta Suplicy pode ser tomada como tentativa de equilíbrio de forças que estavam, até o momento, pendendo para Ciro.

O que está em discussão é uma resposta a duas perguntas: O que é melhor para o Lula? O que é melhor para o PT? O presidente da República já deixou claro que, para seus planos, o melhor é uma eleição presidencial plebiscitária entre Dilma Rousseff e José Serra, o PT contra o PSDB, cada um com seus aliados. Sua estratégia é isolar Serra e enfraquecê-lo ao máximo, afastando tudo o que pode adensar esta candidatura e até apostar na sua desistência. “Bastaria, na campanha, compararmos os oito anos do Fernando Henrique com os nossos oito anos de governo e não teria para mais ninguém”, resume um frequentador dessas reuniões preliminares a linha de campanha em preparação.

Para chegar a este cenário polarizado, uma providência preliminar era resolver os problemas dos aliados, e o principal deles o Ciro, que já foi candidato, tem uma base eleitoral e projeto pessoal. Lula recomendou que transferisse seu título para São Paulo, disputasse o governo do Estado, se ganhasse seria governador se perdesse seria ministro da Dilma. O presidente vislumbrou neste cenário não só uma solução para depurar a campanha presidencial como para fazer uma radical disputa com o PSDB, capaz de sangrar não só a candidatura tucana ao governo do Estado como a candidatura Serra à Presidência, na sua base eleitoral mais ampla.

A descrição feita por um aliado fiel que Lula tem no PT mostra o efeito esperado: “Ciro seria um bom candidato a governador, já foi candidato a presidente, na crise ele cresce muito, seria um ótimo adversário para o PSDB, não tem medo do Serra, não tem medo do Alckmin, fala as coisas, chuta acima da canela, é um candidato rompedor que estamos precisando em São Paulo”. Ciro, neste raciocínio, fez sua parte: transferiu o domicílio eleitoral no fim do prazo, não dando tempo à reação do PT, fez tudo como recomendado pelo presidente e, se não der certo o plano, será candidato a presidente da República pelo PSB.

A partir da análise de que o PT não poderia deixar de ter candidato próprio em São Paulo por uma série de razões – satisfação à militância, manutenção dos 30% de votos cativos do partido, não entregar de graça seu trabalho eleitoral a mais um concorrente, entre outras – o Partido dos Trabalhadores viu consolidar-se um outro cenário com a entrada de Marina Silva na disputa. Ganhou força, dentro do PT, a tese de que “quanto mais candidato melhor”, porque isto leva ao segundo turno. E, no segundo turno, os aliados se uniriam contra o PSDB. Nesta hipótese, a candidatura Ciro ao governo de São Paulo perde relevância. Ele seria mais um candidato da base à Presidência e o PT concorreria em São Paulo com um dos cinco ou seis nomes colocados à discussão sendo que, no momento, o principal é Antonio Palocci. Todos os pré-candidatos querem que o PT tenha candidato: o próprio Palocci, Emídio de Souza, Elói Pietá, Arlindo Chinaglia, Eduardo Suplicy, Marta Suplicy, cada um com seus apoiadores.

As duas concepções estão, no momento, convivendo litigiosamente, e assim continuarão provavelmente até o ano que vem. Nada será decidido agora, as posições estão colocadas e o presidente Lula entrará em campo, certamente, para fazer valer a sua vontade, compatibilizando interesses. O mais provável é que consiga o que quer mas é possível que o instinto de autopreservação leve o grupo de Marta Suplicy à disputa. Segundo um dos participantes do encontro de segunda-feira, há mais petistas do que se imagina achando que Lula está centralizando demais o PT, que ainda vê Dilma Rousseff como candidata dele e não do partido, e que mantêm acesa a irritação com os sapos que a popularidade amazônica do presidente os faz engolir todos os dias. Mas o clima é de tensão. Ao bater de frente com Ciro, Marta bateu de frente com Lula.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail: rosangela.bittar@valor.com.br

06/10/2009 - 08:27h PT reage a Ciro com 6 postulantes em São Paulo

Partidos: Para Marta, deputado do PSB “não tem nada a ver com SP”

Eduardo Knapp / Folha Imagem
Foto Destaque
Palocci, Edinho e Berzoini: sob pressão do presidente Lula, estratégia petista é viabilizar um nome para a hipótese de Ciro não vingar como candidato


Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

O PT paulista começou ontem a se articular para construir uma candidatura própria ao governo do Estado de São Paulo. A ideia é ter ainda este ano um nome para ser colocado na mesa de negociação com os aliados no início de 2010. Por enquanto, os pretendentes são o senador Eduardo Suplicy, a ex-ministra Marta Suplicy, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, os deputados federais Arlindo Chinaglia e Antonio Palocci, e o ministro da Educação, Fernando Haddad.

O encontro foi uma resposta imediata às movimentações do PSB estadual, que promoveu uma agressiva campanha de filiação de personalidades para alavancar uma candidatura ao Palácio dos Bandeirantes. No saldo final, o partido trabalha com três nomes: o deputado federal Ciro Gomes, o vereador paulistano Gabriel Chalita e o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. “Não dá para lideranças do PSB afirmarem que o partido terá candidato independentemente do PT. É uma postura inábil”, disse o presidente do PT-SP, Edinho Silva.

Os petistas avaliam que é necessário construir um nome na legenda sem fechar as portas para qualquer aliado. O receio é de que se Ciro se lançar à Presidência da República no próximo ano, o partido não tenha um nome viável a quem apoiar tampouco para lançar à sucessão paulista. Até mesmo o apoio a Ciro no Estado é dúvida.

“O Ciro mudou o domicílio eleitoral para São Paulo mas declara que prefere a candidatura a presidente. Precisamos nos preparar desde já, construir um calendário sem fechar as portas para os aliados”, afirma o presidente nacional da sigla, deputado Ricardo Berzoini, que colocou algumas ressalvas a serem observadas em uma possível aliança com o PSB: “Tem muitos setores do PSB aliados ao governo do Estado aqui”.

Outras lideranças, como Marta Suplicy, foram mais contundentes. “Estamos chegando a percepção de que a candidatura Ciro não tem nada a ver com São Paulo. O PSB nunca fez caminho das flores para o PT aqui”, disse a ex-ministra, que defende a candidatura Palocci. “Para aprovar o Ciro temos que saber como o PSB vai estar em nível nacional. Nas últimas eleições eles não se coligaram formalmente conosco”, disse Edinho.

Os principais defensores da aliança com Ciro Gomes foram os emissários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, autor da idéia: o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante, e na Câmara, Candido Vaccarezza. Palocci defendeu que o nome de Ciro deve ser considerado em se tratando de uma aliança com o PSB.

Embora haja dúvida, a aliança com o PSB para enfrentar os 16 anos de gestão tucana no Estado só teria chances de ocorrer se Ciro fosse candidato. Paulo Skaf está informalmente descartado pelo PT. “Não podemos vetar nenhum nome, mas o Ciro tem mais sensibilidade dentro de setores do PT. Ninguém falou em abrir diálogo com o PSB sendo o Skaf candidato”, disse Edinho.

De acordo com ele, a atuação pró-ativa de Skaf pela derrubada da CPMF em dezembro de 2007, percorrendo gabinetes no Senado e organizando manifestações, é o principal motivo. Sua atuação como estimulador do movimento “Cansei”, em julho de 2007, oficialmente “Movimento Cívico pelos Direitos dos Brasileiros”, reforça a rejeição interna. “Ele teve posições políticas que se traduzem hoje em resistências ao seu nome. Suas posições geraram descontentamento no PT e no governo”, afirmou Edinho.

05/10/2009 - 18:44h PT começa a definir pré-candidato para SP em novembro

Nomes serão apresentados por grupos do partido, sem a necessidade de o pré-candidato se apresentar

Edinho_PT
Edinho, presidente do PT estadual


Anne Warth, da Agência Estado

SÃO PAULO – O Partido dos Trabalhadores (PT) vai iniciar no dia 1º de novembro o processo para a escolha dos pré-candidatos ao governo de São Paulo nas eleições de 2010. A informação foi confirmada pelo presidente estadual da sigla, Edinho Silva, que se reuniu com líderes da legenda nesta segunda-feira, 5, na capital paulista.

O PT decidiu também que não será necessário que o próprio pré-candidato se apresente como alternativa. Bastará que grupos apresentem nomes que consideram bons candidatos, resolução que facilita o caminho do ex-ministro da Fazenda e deputado federal Antônio Palocci (PT-SP) que, publicamente, não admite o desejo de concorrer ao governo de São Paulo, pretendendo ser aclamado como uma escolha da maioria da legenda.

Segundo Edinho, há consenso dentro do partido de que o PT deve escolher um nome para apresentar às siglas aliadas como uma das alternativas para o cargo de governador do Estado. A decisão ocorre logo após o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) transferir o seu domicílio eleitoral para São Paulo, o que abre a possibilidade para que ele concorra ao governo do Estado em 2010. A transferência de Ciro, segundo Edinho, ocorreu a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defensor do nome para o cargo.

O ato foi encarado como uma forma de pressão do PSB sobre o PT, o que levou os petistas a voltarem a defender a candidatura própria de forma enfática. A ex-prefeita de São Paulo e ex-ministra do Turismo Marta Suplicy foi quem fez a manifestação mais contundente. Depois de deixar a sede do diretório estadual do PT, ela afirmou que a eventual candidatura de Ciro “não tem a ver com São Paulo”.

Edinho ressalta ainda que mesmo as lideranças do partido que se colocam a favor da eventual candidatura de Ciro admitem que o PT precisa apresentar um nome da legenda no âmbito estadual. “Mesmo aqueles que são pró-Ciro entendem que o PT não pode deixar de ter um nome, mesmo que seja para negociar com o PSB”, disse ele. “O PT precisa de uma liderança, não é possível que o partido entre de forma fragilizada na negociação”, reafirmou. Edinho insistiu que o PT não vete o nome de Ciro para o governo de São Paulo, mas reconheceu que há grande resistência ao presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que acaba de se filiar ao PSB e tem pretensões de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes.

“Todos defenderam que temos de consultar o PSB. Mas não dá também para que lideranças do PSB falem o tempo todo na imprensa que o partido terá candidatura própria em São Paulo, independente do PT. Isso é uma postura inábil do PSB”, afirmou. “Não podemos chegar a uma negociação vetando nenhuma liderança de nenhum partido. O Ciro Gomes tem mais sensibilidade de alguns petistas, mas o nome de Skaf, neste momento, ninguém falou favoravelmente”, ressaltou.

Segundo Edinho, grande parte da base do PT e de lideranças do partido não aprova o nome de Skaf, que liderou movimento que culminou no fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), derrubada no Senado, e promoveu o ato “Cansei”, em que entidades empresariais e representativas da sociedade civil se colocaram contra o governo Lula. “Mesmo o governo tendo tentado dialogar na questão da CPMF, naquele momento o movimento puxado por Skaf foi arredio ao diálogo”, afirmou o petista. “E o movimento ‘Cansei’ foi de partidarização da sociedade civil, que não deveria ter posições partidárias. Era claramente contra o partido, contra o PT”, frisou.


Consultas

O PT vai iniciar um processo de consultas formais ao nomes que se colocam como pré-candidatos ao governo de São Paulo ainda neste mês. Entre os cotados, há Antônio Palocci, Marta Suplicy, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, o ministro da Educação, Fernando Haddad, o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que, segundo Edinho, manifestou o desejo de concorrer ao governo em reunião desta segunda.

Embora as inscrições para pré-candidatos já tenham data marcada, a partir do dia 1º de novembro, o prazo para a escolha final ainda não está decidido e poderá ocorrer até dezembro, como defendem alguns grupos petistas, ou somente em março, como desejam outras lideranças. Segundo Edinho, o pré-candidato será escolhido por consenso. “Não há ambiente para a realização de prévias no PT”, garantiu.

Apesar da quantidade de pré-candidatos ao governo de São Paulo, o nome mais forte dentro do PT é o de Palocci. Ele deixou a reunião sem falar com os jornalistas. Mas, de acordo com Edinho, o deputado defendeu o diálogo com o PSB e demais partidos aliados (PDT, PR, PCdoB, PTB, PP) e afirmou que a candidatura de Ciro Gomes deve ser considerada pelo PT. “Ninguém foi contra dialogar com os aliados.” Mas segundo outros membros do partido, Palocci acredita que o PT precisa defender um nome para não se tornar refém de Ciro ou de Skaf.

Outro pré-candidato, o prefeito de Osasco, Emídio Sousa, confirmou que lançará o seu nome na disputa. “Pode ser que eu apresente (a candidatura) ou um grupo o faça, mas meu nome vai ser colocado.” Ele também admitiu que há uma preocupação dentro do PT de não se tornar refém do PSB e de Ciro. “Há uma preocupação porque todas as declarações que Ciro fez até hoje negavam a intenção de ser candidato ao governo de São Paulo. Ele dizia querer ser candidato a presidente. Então, porque vamos ficar aguardando que esse cenário mude? O PT tem força suficiente para se movimentar, independente do que o Ciro acha”, declarou. “Além disso, o PSB tem outros pré-candidatos, como o Skaf e o vereador Gabriel Chalita. Não há motivo para ficarmos parados”, acrescentou.

Para o presidente nacional do PT, deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP), a legenda precisa se preparar para as eleições de 2010, independente da transferência do domicílio eleitoral de Ciro para São Paulo. “Vamos construir uma candidatura a partir dos vários nomes que estão sendo ventilados, levantados pela militância e lideranças”, disse. “Nós não estamos fixando uma posição de que o PT será obrigatoriamente candidato, mas não podemos ficar esperando as definições de o PSB e dos demais partidos sem preparar a nossa candidatura. Se o PT desejar ter candidato, terá de construir isso.”

03/10/2009 - 12:23h Em dia de Ciro, Palocci admite disputar SP

Na mesma data em que o deputado do PSB transferiu domicílio para o Estado, petista diz que aceita debater candidatura ao governo

Conforme acordo entre os partidos aliados, decisão sobre candidaturas ocorrerá apenas após definição de nomes para a Presidência

Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem

Ciro Gomes e seu título eleitoral, que foi transferido para SP


JOSÉ ALBERTO BOMBIG E FERNANDO BARROS DE MELLO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

No dia em que o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo e manteve aberta a alternativa legal para disputar o governo do Estado, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT) admitiu pela primeira vez a possibilidade de também concorrer à sucessão do tucano José Serra no Palácio dos Bandeirantes em 2010.
A decisão, no entanto, conforme acordo entre os dois partidos, só deverá acontecer no início do ano que vem. Até lá, as duas siglas têm como objetivo comum a “desconstrução” da atual gestão tucana no Estado.
O anúncio de Palocci é uma forma de os defensores da candidatura própria petista ao Palácio dos Bandeirantes se contraporem aos setores do partido que apoiam Ciro e que até comemoraram a transferência de seu domicílio eleitoral.
“A agenda dada pelo Diretório Nacional de discutir esse assunto [candidato da eleição estadual] em fevereiro ou março é a mais adequada. Eu tenho toda a disposição de fazer essa discussão na hora certa”, afirmou Palocci, que também é deputado federal e um dos principais nomes do PT no Estado.
Desde que foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal, no mês passado, da acusação de ter violado o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, Palocci passou a ser o principal nome do PT na corrida pelo Bandeirantes. Ele conta inclusive com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caso Ciro não aceite retirar sua candidatura a presidente da República para ajudar a petista Dilma Rousseff [ministra da Casa Civil].
Mas, até ontem, Palocci se recusava a comentar publicamente o assunto. O ex-ministro da Fazenda justificou a iniciativa de aguardar o início de 2010 afirmando que é preciso esperar a definição das candidaturas ao Planalto.
Palocci foi o centro das atenção da festa feita pelo PT, em São Paulo, no início da tarde, para filiar o empresário Ivo Rosset, presidente da empresa têxtil Valisère, e sua mulher, a psicanalista Eleonora Mendes Caldeira, ao partido.
Assim que a festa petista acabou na Câmara Municipal, Ciro reuniu correligionários e jornalistas para assinar a mudança de seu domicílio eleitoral.
Ciro admitiu a possibilidade de concorrer na sucessão estadual, apesar de reafirmar sua intenção de disputar a Presidência e dizer que seu partido tem um forte nome, o recém-filiado presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf.
Ele disse ter atendido a considerações de seu partido e “de parceiros de grande relevância”, citando “muitos militantes queridos do PT”.
“Eu venho para ajudar.Confesso minha vontade de reafirmar uma candidatura à Presidência. Porém, agora com a legitimidade formal de ajudar a construir também aqui a agenda de São Paulo”, disse Ciro.
Conforme a lei, o candidato precisa ter o título eleitoral registrado na cidade e, consequentemente, no Estado pelo qual irá concorrer, pelo menos um ano antes da eleição.
Na segunda-feira, a direção estadual do PT-SP tem programado um extenso debate sobre a sucessão de Serra. A ala mais próxima da ex-ministra Marta Suplicy defende, internamente, a candidatura própria com Palocci à frente da chapa. Outra, afinada com o Planalto, sonha em ter Ciro Gomes na chapa.
“O mais importante é nós juntarmos os partidos da base aliada ao presidente Lula para definirmos um único nome. Se for o do Ciro, ótimo”, disse Cândido Vaccarezza, líder do PT na Câmara dos Deputados.
O próprio Palocci, por sua vez, comemorou a decisão do deputado do PSB: “O Ciro é muito bem-vindo ao debate em São Paulo. Vai ser muito considerado por nós”.
Ciro voltou a fazer críticas ao governador Serra e ao PSDB. “O governo do [ex-presidente] Fernando Henrique, com Serra ministro durante oito anos, foi um desastre”, disse. Apesar de afirmar que tem um diálogo permanente com o PT, Ciro também fez críticas ao partido, especialmente ao desejo petista de encabeçar as chapas.

03/10/2009 - 11:57h PT fica refém de Ciro em São Paulo


Lançamento de candidato petista ao governo depende agora do deputado

Vera Rosa e Clarissa Oliveira – O Estado SP

A iniciativa do deputado Ciro Gomes (PSB) de transferir o domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo agradou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas jogou o PT na encruzilhada e dividiu o partido. Embora a tática tenha sido combinada com o Planalto e Ciro diga que será candidato à Presidência – e não ao governo paulista, em 2010 -, o movimento já provocou efeito colateral. Na prática, o PT ficará refém de Ciro no maior colégio eleitoral do País enquanto o destino político do ex-ministro da Integração não for definido.

“A eleição está muito longe e não precisamos ter pressa para acertar nada antes de março”, amenizou o deputado Antonio Palocci (PT-SP). “Compreendo a ansiedade de muitos no PT, mas até agora não sabemos nem mesmo quem será nosso adversário no PSDB.” Ex-ministro da Fazenda, Palocci é hoje o nome mais cotado, nas fileiras do PT, para concorrer à sucessão do governador José Serra (PSDB), pré-candidato à Presidência. Tudo depende, porém, do jogo com Ciro.

Lula não quer a base aliada dividida na campanha e tenta atrair o apoio de Ciro à candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao Planalto. Sob a alegação de que uma eleição plebiscitária entre o PT e o PSDB é melhor para o governo, Lula insistirá com Ciro para que desista de disputar a Presidência e entre na briga pela cadeira de Serra. Nesse cenário, garante o aval do PT a ele.

Em conversas reservadas, porém, petistas se queixam da interferência de Lula, que obriga o PT a ficar em compasso de espera. Numa cerimônia realizada ontem na Câmara Municipal para filiação do empresário Ivo Rosset, dono da Valisère, e da psicanalista Eleonora Rosset ao PT, a variável Ciro dominou as conversas.

O argumento dos insatisfeitos é que o partido não pode abrir mão da candidatura própria em São Paulo. Alegam que o PT precisa começar a construir alianças e a fazer campanha, já que seus principais nomes, como Palocci e a ex-prefeita Marta Suplicy, têm alto índice de rejeição.

Na tentativa de manter as aparências e mostrar que o PT não está engessado, o presidente do partido em São Paulo, Edinho Silva, convocou reunião da Executiva Estadual e dos pré-candidatos petistas ao governo para a próxima segunda-feira.

Além de Palocci e Marta, foram convidados para o encontro o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, o deputado Arlindo Chinaglia (SP), o senador Aloízio Mercadante (SP) e o ministro da Educação, Fernando Haddad. “Existe um gesto concreto de Ciro ao mudar o título para São Paulo, mas nosso desafio é intensificar o diálogo com ele e com o PSB, PDT, PC do B e PMDB”, comentou o presidente do PT paulista. “Não podemos fazer desse momento um problema e mantemos a tática pela candidatura própria.”

Edinho e Marta são aliados de Palocci, mas procuram não criticar Ciro. Farão o que Lula mandar. “Estou na campanha para que Palocci seja nosso candidato, mas o cenário é muito nublado ainda”, afirmou Marta. Embora o grupo político da ex-prefeita queira lançá-la ao Senado, ela deve entrar na corrida por uma vaga na Câmara dos Deputados, em 2010.

No jantar com Ciro, em agosto, Lula combinou com o deputado que ele transferiria o domicílio eleitoral para São Paulo, mesmo sem ter decisão tomada sobre candidatura. Foi uma forma de ganhar tempo e convencê-lo a desistir do páreo presidencial. Se não conseguir, tem Palocci como curinga.

Apesar de atender ao apelo de Lula, Ciro não dá sinais de recuo em relação a seus planos. Para ele, o governo comete “grave erro” ao avaliar que uma campanha polarizada entre Dilma e Serra dará vitória ao PT.

Nos bastidores, petistas que torcem o nariz para Ciro juram que ele quer mesmo ser vice de Dilma e pôs a candidatura ao Planalto na roda para negociar. Lembram, porém, que o vice da chapa precisa ser do PMDB, por causa do tempo de TV e da estrutura do partido nos Estados. Até agora, o mais citado para vice é o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).

É em nome da eleição de Dilma que o tabuleiro do PT se ajeita, mesmo a contragosto de algumas alas. “Não estamos preocupados com essa história de amarrar o PT em São Paulo a Ciro”, disse o deputado José Genoíno (SP). “Vamos mexer todas as peças com o objetivo de eleger Dilma.”

Embora o caminho do PT em São Paulo esteja nas mãos de Ciro e Lula, o presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), adotou a cautela e jogou água no caldeirão petista. “No PT, os caciques não impõem à base nenhuma decisão”, insistiu. “Não temos nada contra Ciro, mas o PT tem vários nomes”, emendou o vereador Antonio Donato, secretário de Comunicação do partido em São Paulo. “Só o que não tem é candidato.”

Dono da Valisère vira petista de carteirinha

Em 2002, foi pioneiro no apoio a Lula

Na mesma semana em que o PSB anunciou a entrada do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, em suas fileiras, o PT demonstrou que não ficará atrás na hora de exibir empresários ricos e famosos no seu quadro de filiados. Pelas mãos da ex-ministra do Turismo Marta Suplicy, ingressaram ontem no partido o empresário Ivo Rosset e a psicanalista e socialite Eleonora Rosset (ex-Mendes Caldeira).

Dono da marca Valisère – que produz 1,5 milhão de peças de lingerie por mês -, Ivo garantiu que não tem pretensões eleitorais. Disse querer apenas “oficializar” sua posição. Mas, no ato organizado para a filiação, ficou claro que, se mudar de ideia, o slogan da campanha não será problema. “O primeiro apoio a gente nunca esquece”, disse Ivo, ao encerrar seu primeiro discurso como petista, no qual lembrou o aval dado ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e, já como presidente, na reeleição de 2006.

A frase remete a uma campanha publicitária idealizada pela W/Brasil para a Valisère, que embalou a adolescência das meninas na década de 80. “O primeiro Valisère, a gente nunca esquece”, dizia o filme. Antes mesmo do início do ato, o ex-ministro e deputado Antonio Palocci (PT-SP) inaugurou a série de declarações nostálgicas. “Vou dizer a eles que o primeiro partido a gente nunca esquece”, brincou. Já o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou que Ivo se tornou conhecido graças ao slogan: “Havia naquele anúncio uma criatividade e beleza muito especiais.”

Ivo Rosset foi um dos primeiros empresários a apoiarem publicamente Lula. Marta recebeu os dois num jantar organizado em sua casa, em 2002, para aproximar o então candidato do empresariado. “Fiquei encantado”, lembrou Ivo.

Eleonora, por sua vez, é descrita por petistas como uma “militante informal”. A psicanalista disse ter ouvido dos avós que política não é “coisa de gente séria”. Ainda assim, optou pela filiação. “Não é só o Celso Amorim que queria ser petista de carteirinha”, emendou, citando o ministro de Relações Exteriores, outro recém-filiado ao PT.

De carona no discurso da amiga, Marta afirmou que a filiação quebra o preconceito dos ricos contra a classe política. “Não existia muito essa aceitação, em parte da sociedade mais burguesa, de participar de política”, afirmou a ex-ministra, presença certa nas rodas da alta sociedade.

02/10/2009 - 20:39h Ciro em SP?: Berzoini diz que há espaço para socialista; Marta Suplicy, no entanto, defende candidatura de Antonio Palocci

Com transferência de título, PT já admite apoiar Ciro em SP

Carolina Freitas, da Agência Estado


Em sentido horário: Palocci, Ivo e Eleonora Rosset e Berzoini, durante ato na Câmara Municipal

HÉLVIO ROMERO/AE – Em sentido horário: Palocci, Ivo e Eleonora Rosset e Berzoini, durante ato na Câmara Municipal


SÃO PAULO - Em evento na Câmara Municipal de São Paulo, o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, admitiu nesta sexta-feira, 2, a possibilidade de o partido apoiar uma eventual candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB) ao governo de São Paulo em 2010. Sentada a poucos metros de Berzoini, a ex-prefeita Marta Suplicy, por sua vez, afirmou defender a candidatura do deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci ao governo.

A declaração de Berzoini, feita durante o evento de filiação dos empresários Ivo e Eleonora Rosset, da Valisère, ao PT, vem no mesmo dia em que Ciro transfere seu domicílio eleitoral para o Estado, abrindo a hipótese de lançar-se a governador. Apesar da transferência, Ciro tem deixado clara sua pretensão de concorrer à Presidência nas próximas eleições.

“Há espaço para Ciro ser candidato em São Paulo com o apoio do PT”, afirmou Berzoini, após participar, na Câmara Municipal, da cerimônia de filiação ao PT do empresário Ivo Rosset e da psicanalista Eleonora Rosset. “O PT é um partido democrático, onde os caciques não impõem à base nenhuma decisão. Pelo debate sobre o futuro do Brasil, há espaço para construir isso no PT.”

Apesar da disposição de Berzoini, o PT estadual trabalha prioritariamente com uma candidatura própria ao governo paulista. Para o presidente do PT-SP, Edinho Silva, a decisão de Ciro de transferir o título mostra a necessidade de “diálogo”. “A possibilidade de Ciro concorrer ao governo era uma especulação. Hoje é real, concreta”, disse o líder. “A decisão dele formaliza que o PT tem de dialogar com o PSB de uma forma efetiva.”

Edinho sugeriu que Ciro saia como vice da ministra Dilma Rousseff, possível candidata do PT à Presidência. “A prioridade é construir a vice-presidência com o PMDB, mas não se pode descartar uma liderança como Ciro Gomes.”

Antonio Palocci

Nome forte para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes pelo PT, o deputado federal Antonio Palocci esforçou-se em mostrar cordialidade diante da decisão de Ciro. “Como liderança política e como companheiro nosso, Ciro é muito bem-vindo ao debate em São Paulo”, disse. “Ele vai ser muito considerado por nós.”

Sobre sua própria candidatura, no entanto, Palocci esquivou-se de falar. “Não tenho nada a esconder, mas a discussão não se coloca agora”, afirmou. “Primeiro decidiremos o cenário nacional, depois os Estados.”

A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy – também sondada para concorrer ao governo estadual – evitou fazer prognósticos sobre o destino de Ciro. “O cenário é muito nublado, não temos de fazer análises precipitadas.” A respeito da hipótese de concorrer ao Executivo paulista, Marta disse não estar entre suas preferências. “Governo não é a minha prioridade. Vou ser candidata em 2010, mas estou na campanha por Palocci em São Paulo.”

Palocci e Marta foram, cada um a seu tempo, saudados com gritos de “governador” e “governadora” por pessoas da plateia, formada por mais de 300 pessoas.

Ivo e Eleonora Rosset, donos da Valisère, assinam filiação ao PT

Empresário foi o primeiro importante membro do mundo dos negócios a expressar apoio público a Lula

estadao.com.br


O Partido dos Trabalhadores realizou nesta sexta-feira, 2, cerimônia para oficializar a filiação do casal  Ivo e Eleonora Rosset, donos da Valisère à sigla. Ivo foi o primeiro grande empresário a expressar apoio a candidatura de Lula nas eleições presidenciais de 2002.

Marta Suplicy, presente na cerimônia de filiação do casal Rosset, ressaltou a atitude do empresário. “Enquanto alguns empresários ficaram ciscando em diferentes partidos, o Ivo não foi bater em qualquer porta, foi no partido no qual ele acreditava há bastante tempo”, disse a ex-ministra. “Isso mostra, diferentemente dos outros, que não existe oportunismo nessa filiação.”

O líder do PT na Assembleia Legislativa, deputado Rui Falcão, aproveitou a oportunidade para alfinetar o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. O empresário filiou-se nesta semana ao PSB, após sondagens a vários partidos. “Hoje há na nossa cidade e no nosso Estado empresários à procura de partidos, já o Ivo fez essa decisão há muitos anos e agora a formaliza.”

Partido Verde

O PV também se movimentou no sentido de angariar empresários para o seus quadros. Na última quarta-feira, 30, Marina Silva conduziu uma cerimônia de filiações ao Partido Verde: das 17 pessoas que se juntaram à sigla, 11 eram empresários e entre eles Guilherme Leal, copresidente do Conselho da Administração da Natura, cotado para assumir o posto de vice na chapa de Marina.

Entre os novos membros do Partido Verde que compareceram à cerimônia estavam Fernando Tedesco Simões, do Moinho Brasil, Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, Ricardo Guimarães, sócio e diretor-presidente da Thymus Branding, e Fernando Garnero, do Grupo Brasilinvest.

Com informações de Carolina Freitas, da Agência Estado

01/10/2009 - 16:18h Matéria de 2002: Eleonora Mendes Caldeira, mulher do empresário Ivo Rosset, ela conta como ajudou a quebrar o preconceito da elite xiita contra Lula com dois jantares para o petista

Sociedade/Eleonora Mendes Caldeira – 11/11/2002


Mulher do empresário Ivo Rosset, ela conta como ajudou a quebrar o preconceito da elite xiita contra Lula com dois jantares para o petista

Juliana Lopes – ISTOÉ Gente

Arquivo Pessoal
Lula, Marisa, Eleonora e Ivo, dono da
Valisère, no jantar para 450 convidados

Um adesivo da campanha de Paulo Maluf à prefeitura colado na janela do carro causava arrepios a Eleonora Mendes Caldeira. Seu único filho, André, hoje com 25 anos, era então um pré-adolescente simpatizante do político símbolo da direita paulista. “Eu tinha que respeitar”, diz a psicóloga Eleonora, 56 anos. Doze anos depois, no dia 17 de outubro, André agradecia à mãe pelo inusitado presente de aniversário: um bolo do PT e um abraço de Luiz Inácio Lula da Silva. Embora o aniversário fosse de André, naquela data o homenageado era Lula. Eleonora e o marido, o empresário Ivo Rosset, dono da Valisère, haviam reunido no prédio onde moram 450 convidados da alta sociedade paulistana num jantar para o então candidato do PT à Presidência.

André é apenas um dos convertidos por Eleonora ao petismo. A locomotiva do PT que sacudiu a elite paulistana com dois jantares em prol de Lula na campanha conta, em seu consultório, em São Paulo, que teve agradáveis surpresas nessa eleição. O famoso bolo de três andares de pão-de-ló, doce-de-leite e morangos do jantar do dia 17 foi oferecido por Lali Mansur (mulher do empresário Carlos Alberto Mansur, dono da Vigor). “Pedi a Lali para fazer o bolo uma semana antes do jantar. Na véspera ele estava pronto, lindo, com estrelas do PT!”, conta ela, animada.

Empolgação mesmo aconteceu na residência dos Mansur. “As empregadas estão emocionadíssimas! Todas vão votar no Lula! Foram até o comitê do PT comprar as estrelinhas para fazerem a cobertura no mesmo formato!”, disse Lali a Eleonora. O bolo foi o primeiro assunto de Lula ao chegar para a festa em que estavam pesos pesados da indústria como Eugênio Staub, dono da Gradiente, Daniel Feffer, do Grupo Suzano, e Fernando Xavier, da Telefônica – evento muito mais grandioso do que o jantar para 126 pessoas do dia 4 de setembro. “Levamos o Lula até o bolo para contar a história. Ele achou o máximo”, lembra a anfitriã.

Antes da onda vermelha virar chiique, Eleonora sentia-se de escanteio em festas do high society quando o assunto era política. “A Regina Duarte acha que foi patrulhada. Patrulhada fui eu! Muito mais que ela!”, diz. “Muita gente da alta sociedade tinha preconceito. Agora melhorou muito.” Acostumada a lidar com quem não gosta do PT, Eleonora ficava cheia de dedos para convidar amigos para os eventos com Lula. Para a socialite Fátima Scarpa, ligou avisando logo que “ela não era obrigada a ir”. E também preveniu que ninguém ia pedir dinheiro. Ouviu de Fátima uma sonora risada: “Imagina! Vou votar no Lula!”.

Feliz com o que chama de “lulismo” – fenômeno que, segundo Eleonora, atingiu em cheio a elite paulistana agora bastante empolgada com o presidente eleito, ela conta que também converteu o marido, Ivo Rosset, um dos grandes empresários que apoiaram Lula. “Minha mulher é o maior cabo eleitoral do PT”, diz ele. “Acabei me tornando também”, afirma o dono da Valisère. “No meu caso ela não tem participação”, garante Rosset. A adesão do casal influenciou pessoas próximas. Além de amigos da comunidade judaica, os filhos de Ivo – três empresários entre 30 e 36 anos – também entraram na onda vermelha. “Esses votaram no Serra no primeiro turno”, segreda Eleonora. “Fiz tanta boca-de-urna que disseram que eu ia ser presa. Botei estrelinha em todo mundo.”

O bolo de pão-de-ló preparado para Lula

O envolvimento de Eleonora com a política começou cedo. Ela cursava Direito no começo dos anos 70 na Faculdade Mackenzie, região central de São Paulo, onde havia conflitos freqüentes entre polícia e estudantes. Amiga de Chico Buarque, com quem teve um namorico, ela não militou, mas
sempre esteve no meio do burburinho. Chegou ao PT por intermédio da prefeita de São Paulo Marta Suplicy, de
quem se tornou amiga na adolescência e até hoje é bem próxima. “Eu e meu marido, Luís Favre, temos convivido
muito com Ivo e Eleonora e nossas conversas certamente ajudaram Eleonora a levar Ivo para um partido pelo qual
ela tinha simpatia”, diz a prefeita. Favre fez a ponte entre Rosset e a cúpula do PT. “Os jantares foram importantes porque Ivo e Eleonora manifestaram de público apoio ao
Lula, o que muitos empresários fizeram depois”, diz Favre. “Foi uma atitude pioneira.”

O primeiro voto de Eleonora no PT foi na eleição de Luiza Erundina para a prefeitura de São Paulo em 1988. Para presidente, optou por Lula e não Collor um ano depois.
Depois escolheu duas vezes seguidas o tucano Fernando Henrique Cardoso porque o admirava como intelectual.
“Mas não votei em José Serra porque Lula é mais preparado como político e como pessoa”, diz.

Não era fácil ser petista em casa. Seu pai, Octávio Camillo Pereira de Almeida, de família quatrocentona do Vale do Paraíba, foi secretário de Obras e de Vias Públicas da prefeitura de São Paulo durante 12 anos. Entre os prefeitos, conviveu com Paulo Maluf, que era odiado pelos amigos da filha mais velha. “A briga maior que tivemos foi quando ele votou no Collor para presidente”, conta Eleonora, que não perdeu a piada quando o político alagoano sofreu impeachment. “Cheguei em casa dizendo: ‘Estão vendo como eu estava certa? Eu avisei, eu avisei!’”, disse. Octávio morreu em 1999. Depois de viver uma fase em que seus amigos eram de esquerda, Eleonora passou a estar cercada de socialites por todos os lados. Casou-se em 1972 com o banqueiro Victor Simonsen. Dois anos depois, uniu-se ao incorporador Wilson Mendes Caldeira, de quem herdou o sobrenome. O casamento durou 19 anos.

Por enquanto, Eleonora não pensa em outras festas para Lula. “Agora é hora de trabalhar, mas tenho certeza de que teremos muita coisa para comemorar nesses próximos quatro anos”, diz ela. “Espero que Lula faça um governo que dê dignidade para milhões de brasileiros, com emprego e educação. Que ele não pense em números, mas em gente.”

01/10/2009 - 14:29h O empresário Ivo Rosset e sua esposa, Eleonora Rosset, ingressam ao Partido dos Trabalhadores amanhã

Eleonora_ivo

Com a presença da Ex-Ministra do Turismo e Ex-Prefeita de São Paulo Marta Suplicy, dos presidentes do PT nacional, estadual e municipal e deputados e senadores petistas, o empresário Ivo Rosset e sua esposa, a psicanalista Eleonora Rosset, assinam sua filiação ao Partido dos Trabalhadores.

Amigos e apoiadores de Marta, Ivo Rosset é membro do Conselho Económico e Social, empresário têxtil, e um dos primeiros grandes empresários a apoiar a eleição de Lula em 2002, participando naquele ano do programa eleitoral do PT. Tendo apoiado as campanhas de Marta Suplicy em São Paulo desde sua eleição como prefeita da cidade.

Sua aproximação ao partido desde 2002 e seu apoio ao governo Lula permaneceram constantes durante todos estes anos, mesmo sem formalizar sua filiação até agora. Su esposa, a psicanalista Eleonora Rosset, foi presença constante nas atividades de apoio a Lula e também de Marta Suplicy, sua amiga de longa data. LF