15/10/2008 - 09:08h Como reagiu a mídia e Clovis Rossi em 2004?

Como a mídia reagiu a esta acusação caluniosa, ofensiva, escrota?

O que Clovis Rossi comentou? e Eliane Cantânhede?

O documento oficial dos tucanos (ver artigo da Folha a seguir) não fazia nenhuma pergunta, não insinuava nada. Afirmava em alto e bom som calúnia, grosseria, invasão de vida privada. Qual foi a reação da Folha, fora registrar o fato? Algum tucano tinha jogado sua biografia na sarjeta, por isto?

O Goldman diz em algum lugar que “errou”? O candidato Serra mentiu quando diz que não sabia?

Fariseus e hipócritas de plantão pensam que contra o PT todo pode e fica por isso mesmo?

Acabou essa história dos militantes do PT ajoelhar no milho, enquanto somos insultados, caluniados, atacados na nossa vida privada e procuram atingir nossa honra.

Chega desses tartufos da direita que quando a esquerda é caluniada, olham para outro lado e permanentemente invocam a ética para encobrir as falcatruas dos seus protegidos.

Luis Favre

A seguir artigo da Folha de São Paulo 31 de julho de 2004

ELEIÇÕES 2004/CAMPANHA

Na internet, partido diz que prefeita tem “dois maridos’; PT reage e distribui cópias do documento a jornalistas em evento oficial

PSDB volta a atacar vida pessoal de Marta

CHICO DE GOIS
ANDRÉ NICOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL

O PSDB voltou a atacar a vida pessoal da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), vinte dias depois que deputados do partido fizeram insinuações contra ela e seu marido, Luis Favre.
Anteontem, o site do Diretório Nacional do PSDB divulgou uma nota intitulada “Dona Marta e seus “dois maridos’”, na qual fazia referência à participação do senador e ex-marido de Marta, Eduardo Suplicy, na campanha da prefeita à reeleição.
Ontem, os tucanos tiraram o texto do ar. O PT informou que irá entrar na Justiça com uma ação contra o PSDB. A prefeita afirmou que ainda não sabia se ela, pessoalmente, faria o mesmo. E o senador Eduardo Suplicy classificou de “bobagem” as afirmações feitas pelo PSDB. “Sou senador por São Paulo e a prefeita me convidou para visitar uma obra.”
Ontem à noite, o senador acompanhou a prefeita no lançamento de um comitê de campanha de Marta na Penha, zona leste.
Como divulgado anteontem pela Folha na coluna “Toda Mídia”, do jornalista Nelson de Sá, a nota dizia que “a participação do senador na campanha da ex-mulher é uma das estratégias da direção petista para enfrentar o desgaste sofrido por ela por conta da separação dos dois”.
O texto concluía que “dona Marta tem “dois maridos”. Cá entre nós: que papelzinho ridículo o senador Suplicy se prestou ao sair em “campanha” para mitigar a imagem que a sra. Marta construiu para si mesma”.
Cópias da página do PSDB foram distribuídas para os jornalistas na manhã de ontem por assessores da campanha de Marta durante evento para sancionar lei de criação dos conselhos de representantes de subprefeituras.
A assessoria de imprensa do Diretório Nacional do PSDB informou que “a orientação do partido é para não entrar nesse tipo de debate”. A assessoria admitiu que “foi um erro” a edição da nota e informou que, ao perceber o erro, retirou o texto do ar.
Ontem o candidato a prefeito do PSDB, José Serra, afirmou desconhecer a nota, mas disse não apoiar esse tipo de ataque.
De acordo com o coordenador-geral da campanha petista, deputado estadual Ítalo Cardoso, o departamento jurídico do PT entraria com uma ação na Justiça, mas ainda não estava definido se seria apenas civil ou também criminal.
O candidato a vice de Marta, Rui Falcão, disse, no lançamento de um comitê em Aricanduva, zona leste, que “pela segunda vez, adversários que se dizem detentores da ética e do trabalho agridem o PT e a prefeita”. Falcão disse que “não vamos aceitar provocações, mas também não vamos aceitar nenhum tipo de intimidação”.
Ele se referia às afirmações do deputado federal Alberto Goldman e do deputado estadual Celino Cardoso em um comício no dia 11 de julho. Na ocasião, Goldman disse: “Quero saber cadê o dinheiro. De um deles, a gente sabe onde está: na Suíça. E o da Marta? Vamos perguntar para ela ou para o marido dela onde está o dinheiro de São Paulo”.

15/10/2008 - 08:46h PT mostrará tudo de Kassab, diz Carvalho

http://www.videversus.com.br/imagens/GilbertoCarvalho.jpg“Contra nós vale tudo; quando ousamos levantar uma pergunta, se faz esse escarcéu”, afirma chefe-de-gabinete de Lula

Carvalho diz que Marta já teve separação explorada à saciedade e que PT quer que eleitor conheça candidatos em todas as suas dimensões

RANIER BRAGON - FOLHA SP

EM SÃO PAULO

Mais novo reforço da campanha de Marta Suplicy (PT), o chefe-de-gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, disse à Folha que o PT continuará a mostrar a história do prefeito Gilberto Kassab “em todas as suas dimensões, pessoais e políticas”.
Já despachando no comitê de Marta, Carvalho afirma ter considerado “absurda” a repercussão na imprensa sobre o comercial do PT e questiona a declaração de Kassab (DEM) insinuando ligação de Marta com o mensalão, já que ela trabalhou com a mulher de Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT), Mônica Valente.
“Isso é que é preconceito.” Carvalho confirmou a última participação de Lula na campanha de Marta -uma reunião com movimentos sociais na Casa de Portugal (centro), no sábado.

FOLHA - O comercial com indagações sobre a vida privada de Gilberto Kassab foi um deslize?
GILBERTO CARVALHO - Eu não chego a achar que é um deslize não. Na verdade, acho que houve um superdimensionamento na interpretação. Nós sabemos muito bem o que que é a devassa da vida privada. Nada a ver com o que aconteceu com o Kassab, ninguém fez nenhuma acusação a ele. É muito pior a atitude que o Kassab teve no debate, em que ele acusa a Marta falando da Mônica Valente. Quem é Mônica Valente? É uma cidadã contra a qual não há uma única acusação, salvo o fato de ser esposa do Delúbio [Soares]. Isso é que é preconceito. Verbal, nem é da propaganda, é dita pelo candidato. Acho estranho que a imprensa não ter registrado isso. Contra nós vale tudo. E quando ousamos levantar uma pergunta, que é uma pergunta natural, se faz esse escarcéu.

FOLHA - Há exagero então?
CARVALHO - Absoluto, absurdo. Absurdo. Tanto que as pessoas com quem tenho conversado, do povo, nem sequer se dão conta de que tem alguma a ver com o Kassab.

FOLHA - Mas não há uma alusão a homossexualismo?
CARVALHO - Eu não conversei com o João Santana [marqueteiro da campanha] sobre isso. Não tenho como te dizer. Primeiro, li na imprensa. Chegando aqui fui ver o comercial. E fiquei assustado com a interpretação que se deu na imprensa, fiquei meio que impressionado. Quando se bisbilhotou a vida da Marta do jeito que se fez, nunca vi a indignação que se viu hoje, inclusive em seu jornal. Mas, no que depender da coordenação da campanha, hoje que estou me inteirando, esse assunto é página virada. O comercial tinha sido programado para ter dois dias de duração. Teve. Hoje [ontem] entraram outros. Agora, nós vamos sim continuar na campanha convidando a população a conhecer melhor os dois candidatos. Em todas as suas dimensões, pessoais e políticas. Entendemos que quando você entra na vida pública sua vida fica exposta, evidente, é muito difícil a distinção entre o privado e o público. Eu trabalho ao lado de uma pessoa cuja vida é devassada diariamente, que é o presidente Lula.

FOLHA - O sr. fala em dimensão pessoal e política.
CARVALHO - Claro, é natural. É natural que você saiba o que a Marta faz, com quem ela… com quem ela… Está exposta a vida da Marta. Foi importante, aparentemente, na última eleição.

FOLHA - O fato de ela ter se separado, casado de novo?
CARVALHO - Isso foi explorado à saciedade, e nós nunca nos insurgimos. Quando você entra na vida política, pública, você sabe que está sujeito a isso. A gente não apóia a exploração, mas é um pouco do ônus nosso.

14/10/2008 - 23:14h Site de Kassab reproduz ofensas pessoais contra Marta e sua família


NOTA

 

 

A Coligação Uma Nova Atitude por São Paulo representou na Justiça Eleitoral contra Gilberto Kassab e a Coligação São Paulo no Rumo Certo devido a ofensas pessoais contra Marta Suplicy no site oficial do candidato.

 

Os ataques contra a candidata petista e seus familiares deixam claro o jogo de duas caras que tem marcado a campanha de Gilberto Kassab. Ao mesmo tempo em aparece como vítima de um questionamento político sobre sua trajetória, patrocina baixarias em seu site oficial, estimulando o mais sórdido preconceito contra Marta. Tenhamos claro: o verdadeiro Kassab se revela quando pressionado pelos fatos e pelo debate, agindo como foi treinado por seus antigos chefes, Maluf e Pitta.

 

A Coligação Uma Nova Atitude por São Paulo pede à Justiça Eleitoral a determinação de imediata retirada do conteúdo calunioso contra Marta a e apuração de crime eleitoral cometido contra a candidata.

 

 

Carlos Zarattini

Coordenador-geral

14/10/2008 - 13:59h A mídia amanheceu virgem

COMERCIAL 30”
QUEM É O KASSAB?

“- Você sabe mesmo quem é o Kassab?
Sabe de onde ele veio?
Qual a história do seu partido?
De quem foi secretário e braço direito?
De quem esteve sempre ao lado, desde que começou na política?
Se já teve problemas com a justiça?
Se melhorou de vida depois da política?
É casado? Tem filhos?
Já que ele não informa nada, não é mais prudente se informar melhor sobre ele?

Pra decidir certo,
é preciso conhecer bem.”

Este comercial provocou a maior campanha da mídia brasileira em favor do respeito a vida privada dos políticos e a maior campanha em favor da tolerância e contra o preconceito.

Nunca antes na história do Brasil a mídia reagiu com tanta ênfase para evitar que um figura pública, no caso Kassab, tivesse sua vida pessoal e sua opção sexual, respeitada.

A mídia fez bem. Mas, porque ela só faz bem quando se trata de políticos que ela defende?

Vocês imaginaram se essa mesma reação tivesse se manifestado quando os ataques violentos e diretos a vida privada, a família, aos filhos e aos irmãos, assim como contra ele mesmo, foram lançados nessa mesma mídia, contra Lula? Como o ar da política estaria mais puro.

Vocês imaginam qual seria a “rejeição” da Marta se a mídia, com o mesmo vigor e a mesma energia, tivesse defendido o respeito a nossa vida privada?

Mas, no nosso caso, foi a mídia que durante 8 anos invadiu permanentemente nossa vida privada e nossas opções pessoais.

Será que a mídia está arrependida e procura corrigir a injustiça feita com a Marta, evitando uma injustiça com Kassab?

Não. Toda a experiência do comportamento da mídia nos últimos anos mostra que as únicas vidas privadas que ela sempre “respeitou”, que sempre protegeu e que nunca explorou são a vida pessoal e privada dos representantes da direita.

A vida pessoal de Lula foi massacrada pela mídia, a de FHC não. A da Marta foi jogada as feras do preconceito, do machismo e da xenofobia, a dos “coronéis” do nordeste não. Ilustres personagens da tucanagem tem suas vidas pessoais resguardadas, enquanto outros tem as suas permanentemente expostas para explorar o ódio.

Na minha opinião o motivo pela qual a mídia decidiu falar da opção sexual, em relação ao comercial, foi para evitar que a trajetória de Kassab no que ela importa ao povo de São Paulo, fique oculta até o segundo turno da eleição.

Eles querem evitar que o povo de São Paulo se pergunte: quem é Kassab? o que ele fez por São Paulo? quais são suas idéias, seu partido, sua história?

O barulho feito sobre a vida pessoal visa a evitar que este questionamento prossiga. Por isso eles ficam repetindo uma única pergunta: no que, que ele seja casado ou tenha filhos muda o político? Para responder: “Olha a baixaria”.

E todas as outras perguntas? interferem? o povo de São Paulo deveria prestar atenção? Ou só deveria se ater ao que a propaganda diz que o homem fez? Quem ele é, não conta?

O fato da Marta ser uma pessoa transparente, não importa? É uma qualidade, quando comparada a dissimulação, ou é um defeito?

Ou essa transparência só serve para poder, sem escrúpulos, invadir em permanência sua vida privada, atacar sua imagem e a da sua família?

Eu teria preferido o comercial assim, para evitar a manipulação que a mídia tem feito.
“- Você sabe mesmo quem é o Kassab?
Sabe de onde ele veio?
Qual a história do seu partido?
De quem foi secretário e braço direito?
De quem esteve sempre ao lado, desde que começou na política?
Se já teve problemas com a justiça?
Se melhorou de vida depois da política?

Já que ele não informa nada, não é mais prudente se informar melhor sobre ele?”

Eu sempre me insurgi contra a campanha que os jornais Folha e Estadão fizeram e fazem da vida familiar, pessoal e privada de Marta. Por isso também sou contra da mídia aproveitar a pergunta sobre se Kassab é casado, tem filhos, para propagar insinuações sobre a vida privada de Kassab. Como sempre, para a mídia, o “gancho” que ela utiliza como escudo para expor a vida privada, é o erro ou a ma fé de outros. Mas a campanha é ela que faz, com a hipocrisia que a caracteriza e sua identificação política notória.

Luis Favre

Leia a seguir os argumentos que o jornal O Globo, em editorial, apresentou para tratar destas questões de vida pública e vida privada, em 1989, reproduzido pelo Blog de Azenha

O DIREITO DE SABER

 

O povo brasileiro não está acostumado a ver desnudar-se a seus olhos a vida particular dos homens públicos.

O povo brasileiro também não está acostumado à prática da Democracia.

A prática da Democracia recomenda que o povo saiba tudo o que for possível saber sobre seus homens públicos, para poder julgar melhor na hora de elegê-los.

Nos Estados Unidos, por exemplo, com freqüência homens públicos vêem truncada a carreira pela revelação de fatos desabonadores do seu comportamento privado. Não raro, a simples divulgação de tais fatos os dissuade de continuarem a pleitear a preferência do eleitor. Um nebuloso acidente de carro em que morreu uma secretária que o acompanhava barrou, provavelmente para sempre, a brilhante caminhada do senador Ted Kennedy para a Casa Branca - para lembrar apenas o mais escandaloso desses tropeços. Coisa parecida aconteceu com o senador Gary Hart; por divulgar-se uma relação que comprometia o seu casamento, ele nem sequer pôde apresentar-se à Convenção do Partido Democrata, na última eleição americana.

Na presente campanha, ninguém negará que, em todo o seu desenrolar, houve uma obsessiva preocupação dos responsáveis pelo programa do horário eleitoral gratuito da Frente Brasil Popular de esquadrinhar o passado do candidato Fernando Collor de Mello. Não apenas a sua atividade anterior em cargos públicos, mas sua infância e adolescência, suas relações de família, seus casamentos, suas amizades. Presume-se que tenham divulgado tudo de que dispunham a respeito.

O adversário vinha agindo de modo diferente. A estratégia dos propagandistas de Collor não incluía a intromissão no passado de Luís Inácio Lula da Silva nem como líder sindical nem muito menos remontou aos seus tempos de operário-torneiro, tão insistentemente lembrados pelo candidato do PT.

Até que anteontem à noite surgiu nas telas, no horário do PRN, a figura da ex-mulher de Lula, Miriam Cordeiro, acusando o candidato de ter tentado induzi-la a abortar uma  criança filha de ambos, para isso oferecendo-lhe dinheiro, e também de alimentar preconceitos contra a raça negra.

A primeira reação do público terá sido de choque, a segunda é a discussão do direito de trazer-se a público o que, quase por toda parte, se classificava imediatamente de ‘baixaria’.

É chocante mesmo, lamentável que o confronto desça a esse nível, mas nem por isso deve-se deixar de perguntar se é verdadeiro. E se for verdadeiro, cabe indagar se o eleitor deve ou não receber um testemunho que concorre para aprofundar o seu conhecimento sobre aquela personalidade que lhe pede o voto para eleger-se Presidente da República, o mais alto posto da Nação.

É de esperar que o debate desta noite não se macule por excessos no confronto democrático, e que se concentre na discussão dos problemas nacionais.

Mas a acusação está no ar. Houve distorção? Ou aconteceu tal como narra a personagem apresentada no vídeo? Não cabe submeter o caso a inquérito. A sensibilidade do eleitor poderá ajudá-lo a discernir onde está a verdade - e se ela deve influenciar-lhe o voto, domingo próximo, quando estiver consultando apenas a sua consciência.

EDITORIAL PUBLICADO EM O GLOBO NO DIA 14 DE DEZEMBRO DE 1989, QUINTA-FEIRA, DATA EM QUE LULA E COLLOR TRAVARAM O DEBATE FINAL ANTES DO SEGUNDO TURNO, EM 17/12/89

13/10/2008 - 22:14h Marta nega invasão de privacidade em propaganda sobre Kassab

REUTERS - Agencia Estado

SÃO PAULO - A candidata do PT à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, defendeu nesta segunda-feira a veiculação em sua campanha eleitoral na TV de mensagem que questiona a vida pessoal de seu rival, o prefeito Gilberto Kassab (DEM). Ela negou que se trate de invasão de privacidade.

O texto narrado por um locutor na TV pergunta ao eleitor se ele sabe quem é Kassab, se sabe se ele é casado e se tem filhos.

Marta, que afastou insinuações sobre a vida pessoal do prefeito, alegou que a população tem o direito de conhecer “o DNA do candidato”, mas se eximiu de responsabilidade pela veiculação, atribuindo a exibição à equipe de marketing da campanha.

“Eu acredito que é muito importante quando você tem um candidato a um cargo de tanta responsabilidade saber da sua biografia e da sua trajetória. Eu tenho uma vida transparente e é importante que as pessoas conheçam todo este DNA do Gilberto Kassab”, afirmou durante sabatina realizada pelo jornal Folha de S.Paulo.

Ao mesmo tempo, ela afirmou que “para mim, tanto importa ele ser casado, viúvo ou solteiro. As pessoas têm que saber”.

Questionada por um dos entrevistadores do jornal se havia por trás da campanha insinuação de homossexualismo em relação ao prefeito, Marta foi lacônica. “Não, por quê?”

Apesar do cunho pessoal da pergunta sobre Kassab em sua campanha, Marta procurou dar sempre respostas políticas quando indagada sobre o caso.

“Estamos quase cometendo o erro que cometemos com o (ex-prefeito Celso) Pitta há 12 anos. A gente não sabia nada dele, mas tinha uma propaganda bonita. Depois, o pessoal acordou para o Pitta e deu no que deu”, disse Marta, referindo-se ao ex-prefeito de São Paulo, apadrinhado pelo então prefeito Paulo Maluf (PP, 1993-1997) e que deixou a prefeitura envolvido em escândalo.

Kassab foi secretário de Planejamento de Pitta (1997-2000) e desde o início do segundo turno a campanha de Marta vem tentando associar o democrata ao ex-prefeito. Ela tem usado sua experiência à frente da prefeitura, entre 2001 e 2004, para criticar a herança deixada por Pitta.

NOTA

Marta afirmou também que teve sua privacidade invadida pela imprensa durante sua trajetória política e que não teria a mesma postura em relação a um adversário. Apesar de defender a propaganda, afirmou que não assistiu a campanha e que lhe contaram o teor.

Sobre a retirada da mensagem do ar, disse que a decisão compete apenas ao seu marqueteiro, João Santana, o mesmo que fez a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006.

O coordenador da campanha petista, deputado Carlos Zarattini, enviou nota à imprensa sobre o caso em que repudia o que chama de “insinuações” da mídia.

“As insinuações absurdas e cínicas sobre invasão de privacidade do outro candidato são inaceitáveis”, diz o coordenador. “O candidato Gilberto Kassab dedica-se, em sua campanha, a esconder sua trajetória e companhias, seus compromissos e lealdades, vendendo gato por lebre ao eleitor.”

O prefeito afirmou mais cedo que a campanha de Marta comete “equívoco” ao questionar sua vida pessoal.

No final da tarde, a campanha de Kassab ingressou com sete ações na Justiça eleitoral, mas nenhuma relacionada ao questionamento da vida pessoal do prefeito.

São “graves insinuações” veiculadas na campanha de Marta, segundo um integrante da campanha. Em uma das propagandas, um locutor questiona se o prefeito melhorou de vida depois que entrou na vida pública. A campanha do DEM pede direito de resposta.

(Reportagem de Carmen Munari)

13/10/2008 - 08:33h Vale a pena ler de novo (I)

05/10/2008 - 12:17h Trajetórias

 

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Folha e “imprensa marrom”: trajetórias convergentes

 

A Folha de hoje, dia da eleição, traz a “trajetória” dos candidatos à prefeitura de São Paulo. A dupla página contém iconografia ilustrando o resumo da trajetória dos mesmos.

A Folha inicia a ilustração da trajetória da Marta com uma foto de seu primeiro casamento com Eduardo Suplicy e conclui com uma foto de nosso casamento, em 2003.

Tanto Kassab, como Alckmin, comportam inicialmente fotos quando crianças e concluem, a de Kassab junto com Serra após ganhar a prefeitura em 2004, e a de Alckmin no velório de Mário Covas.

Vale uma pergunta: Trata-se só de uma manifestação de sexismo, considerar que a trajetória de uma mulher começa e conclui no seu casamento?

Não só. Marta ficou conhecida como feminista, defensora dos direitos das mulheres e da igualdade. Ícone dos precursores da libertação das mulheres da hipocrisia “moral”, foi e é defensora dos direitos das minorías. Deputada federal, autora da lei que garante 30% de vagas para as mulheres nas candidaturas nas listas eleitorais; foi candidata a governadora, prefeita da maior cidade de América Latina e Ministra de Turismo. Hoje é candidata e líder em todas as pesquisas eleitorais.

Na legenda que ilustra a foto de nosso casamento, a Folha escreve: “Casa-se com Luis Favre, tendo Lula e Marisa Letícia como padrinhos. Em seu livro, Marta relata o que disse para a mãe em 2001: ‘Estou apaixonada e pensando em me separar’. Seu casamento de 36 anos com Suplicy terminara em 2002.”

O texto comporta um “erro”. “Erro” escolhido para alimentar a cloaca que a Folha incentiva contra Marta. A conversa de Marta com sua mãe precedeu de poucos dias o anuncio público do fim do casamento com Eduardo, publicado na Folha no final de abril de 2001.

Tem uma diferença entre a Folha e a chamada “imprensa marrom”, como por exemplo os tablóides ingleses. A “imprensa marrom” inglesa não insinua, mas proclama abertamente a sua utilização caricatural e escandalosa da vida privada das personalidades públicas. Ela é independente e age inescupulosamente, incitando as piores baixezas escondidas na alma da “massa”, sem partidarismos. Ela é nojenta contra todos, sem discriminação.

A Folha ganharia se incorporasse também esse lado da imprensa marrom. A Folha ficaria mais isenta.

Luis Favre

12/10/2008 - 13:20h As razões dos eleitores

O ‘motor’ do voto para prefeito

Fábio Leite e Fernanda Aranda - Jornal da Tarde

Os contrastes de São Paulo fizeram da disputa eleitoral uma balança com dois pesos e duas medidas. Enquanto o prefeito e candidato à reeleição Gilberto Kassab (DEM) “sobrou” nas regiões mais ricas da cidade e Marta Suplicy (PT) dominou o eleitorado nos extremos periféricos, o equilíbrio nas urnas marcou as regiões onde desigualdades sociais “dividem parede”. Segundo especialistas, são locais onde a tônica do segundo turno foi antecipada porque já houve migração de votos.

São quatro regiões da cidade onde características antagônicas “convivem” e um voto pode fazer diferença na eleição do dia 26. Na primeira etapa, Kassab e Marta terminaram quase empatados em Ermelino Matarazzo, Sapopemba (ambos na zona leste), Rio Pequeno e Pirituba (os dois zona oeste) - veja números ao lado -, reproduzindo a diferença de apenas 0,8 ponto na média geral da cidade: 33,6% dos votos válidos para ele e 32,8% para ela.

A primeira pesquisa do Datafolha para o segundo turno, apesar de mostrar uma vantagem de 17 pontos para Kassab (54% contra 37% para Marta), confirma que a disputa continua acirrada nessas áreas.

“Bairros como Ermelino e Pirituba estão em plena ascensão econômica”, diz o cientista político Rui Tavares Maluf. “E os extremos também prevalecem nas periferias, o que torna a divisão de votos entre Kassab e Marta mais polarizada.”

Barracos de madeira vizinhos de sobrados de três dormitórios compõem o cenário desses distritos. Mas, além da discrepância financeira, uma antecipação do segundo turno já na primeira etapa da eleição é outra explicação para o emparelhamento numérico nessas regiões, trazida por Fernando Abrúcio, pesquisador político da FGV. “Pessoas que votariam em Geraldo Alckmin (PSDB) ou Paulo Maluf (PP) migraram seus votos para os candidatos que acreditavam ter mais chances.”

Em busca de saber quais são os critérios de desempate, o JT foi até essas regiões e encontrou justificativas - e esperanças - em Jaqueline Hipólita, de 22 anos, Cintia Oliveira, de 21, Camilo Olalla, de 19, e Arlete Gomes, de 41. A bordo de ônibus, metrô, trem ou carro, esses paulistanos travam peregrinações diárias pela cidade. Para eles, o “combustível” do voto está no transporte público.

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12/10/2008 - 13:04h A Folha em campanha

Na Folha de hoje uma manchete diz, “estatísticamente”,  que “nunca” em São Paulo alguém ganhou a eleição tendo começado o segundo turno em segundo lugar nas pesquisas.

Vejam quanto pensamento sofisticado: A) a pesquisa define quem é o primeiro, B) o primeiro nas pesquisas no segundo turno sempre ganhou a eleição em São Paulo.

A mensagem é: fiquem em casa, a questão foi resolvida. A missa foi dita.

A afirmação se baseia em apenas 4 eleições, desde 1992, nas quais o segundo turno foi adotado. 4 eleições não constituem base estatística para nada. A Folha poderia de igual maneira proclamar: Nunca o prefeito em exercício foi reeleito em São Paulo, desde que a reeleição foi aprovada.

Como se vê, a escolha do artigo do jornal faz parte da campanha eleitoral da Folha em favor de Kassab e não de uma constatação ou de qualquer curiosidade estatísticamente significativa. Até porque, a Marta ganhando a eleição, a Folha poderá sempre proclamar: pela primeira vez em São Paulo, o segundo na pesquisa, vence a eleição. Confirmando as estatísticas, nunca um prefeito conseguiu se reeleger na cidade. LF

12/10/2008 - 12:42h Os motivos de uns e outros

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10/10/2008 - 18:22h A realidade está nos números

Nada mais “chato” que os números e porem, nada mais esclarecedor. O balanço da gestão demo-tucana em São Paulo está retratado nas finanças municipais.

Já no primeiro mês de sua administração, trinta dias depois da posse, a atual administração tinha um excedente de caixa de mais de R$ 1,1 bilhão. Inexplicavelmente,  a maior parte deste dinheiro foi para aplicações financeiras e não para pagar os fornecedores que eles apresentavam em TVs e jornais como “caloteados” por Marta Suplicy.

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Balancete Patrimonial de Janeiro /2005

 

 

Hoje, Gilberto Kassab gosta de dizer que, na época, seu governo foi “prevenido” e “responsável”, por isso não contou com a receita excedente de janeiro…. Então, tá: mas como explicar que, ao fim do primeiro trimestre, esse valor de superávit já passasse de R$2 bilhões e, desse dinheiro, 90% engordasse os lucros dos bancos onde eles aplicaram os recursos da Prefeitura?

 

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 Balancete Patrimonial de Março /2005

 

E o imobilismo desses “gestores modernos” continuou. Ao final do primeiro semestre de 2005, o dinheiro sobrando no caixa da Prefeitura somava quase R$ 2,3 bilhões. E mais de R$ 2 bilhões continuavam nas aplicações financeiras.

 

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Balancete Patrimonial de Junho /2005

A falácia da “crise de endividamento” simulada no começo daquele ano se mostraria por inteiro quando da publicação dos resultados econômicos e financeiros ao final de 2005. O superávit era quase quatro vezes maior do que a soma dos investimentos feitos naquele período, de pouco mais de R$ 680 milhões!

 

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Balancete Patrimonial de DEZEMBRO /2005

Esse desempenho se repetiria por toda a gestão “demo-tucana”. Ao final do segundo ano de governo, em 2006, o superávit passava de R$ 4 bilhões, dos quais R$ 3,3 bilhões ainda dormiam nas aplicações financeiras da Prefeitura de São Paulo.

 

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Balancete Patrimonial de DEZEMBRO /2006

O ápice desta maneira “pouco ortodoxa” de governar chegaria no final do primeiro ano em que Kassab foi responsável direto pela administração da cidade. No final de 2007, o excedente de caixa já chegava perto dos R$ 5,2 bilhões e as aplicações financeiras viravam a marca dos R$ 4 bilhões!

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Balancete Patrimonial de DEZEMBRO /2007

A Prefeitura de uma cidade não é uma empresa, portanto, não visa lucro nem acumulação de capital. Mas, mesmo que fosse como é no conceito do “Estado mínimo”, porque não distribuir então os “dividendos” entre os acionistas”? Porque não proceder a uma redução dos impostos e da carga tributária, já que o dinheiro arrecadado não é gasto?

Uma administração pública deve, sem dúvida, manter equilíbrio entre receitas e despesas - seja por responsabilidade moral, seja por responsabilidade legal – como Marta, aliás, fez em todo seu governo. Mas as contas devem fechar em “zero”, ou seja, deve-se gastar tudo o que foi arrecadado em prol da cidade. Dinheiro aplicado em bancos é coisa de especulador, não de administrador público comprometido com sua cidade.

Os recursos das Prefeituras têm que ser aplicados em ações de ampliação e melhoria dos atendimentos prestados em saúde, educação, assistência social, transportes, habitação, cultura – enfim, em todas as frentes em que a população, sobretudo a mais pobre, é mais dependente das ações governamentais.

Tentando patética e desesperadamente caracterizar sua inação como “responsabilidade” e “equilíbrio gerencial”, o que Kassab faz, na verdade, é escancarar sua profunda incompetência e falta de projetos para a cidade.

O gráfico abaixo não deixa dúvidas a esse respeito. Veja a enorme distância que o governo “demo-tucano” vai abrindo, a partir de 2005, ano a ano, entre o saldo do dinheiro que sobrava nas suas contas e era aplicado em bancos no mercado financeiro (cada vez maior, em verde) e os investimentos feitos em São Paulo (cada vez menores, em vermelho).

 

 

Aplicações Financeiras x Investimentos

PMSP – 2005 / 2008 (R$ mil – valores nominais)

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Em verde as aplicações financeiras e em vermelho os investimentos

* Últimos dados disponíveis, publicados em setembro / 2008

 

Por isso a propaganda e a realidade mostram tamanha disparidade. Como no exemplo do cheque de R$1 bilhão para o metrô ilustrado nesta reportagem do Jornal da Tarde. Ou no anuncio repetido de novas licitações e obras nas vésperas das eleições. A intenção é a manipulação eleitoral e não um projeto de verdade para melhorar a vida das pessoas, nem para diminuir a desigualdade social.

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10/10/2008 - 15:55h A palavra de Marta

Candidata estabelece seu compromisso com São Paulo

foto: Luciano Andrade.  Marta, Dilma Rousseff, Carlos Luppi e Luiz Dulci

Quero agradecer de todo o coração a cada um dos mais de dois milhões de paulistanos que me deram sua confiança no primeiro turno destas eleições. E de tudo vou fazer para estar à altura deste apoio firme e caloroso.

Tenho certeza de que cada um desses votos vai se confirmar no próximo dia 26. Mas peço ainda um pouco mais a todos vocês: vamos trabalhar juntos, com garra e vitalidade, para que novos votos venham se somar aos nossos, no caminho para a vitória.

Nesses poucos dias que faltam para o momento decisivo, quero me comprometer com a população de São Paulo de que continuarei a fazer uma campanha sem ataques pessoais. Meu propósito é apresentar e debater propostas capazes de melhorar a vida de nosso povo.

Minha agenda vem desde o meu primeiro mandato. Com as coisas boas que fizemos na educação, nos transportes, na habitação, na saúde, na cultura e em nossas demais áreas de atuação. Até mesmo nossos tropeços, que reconheço com humildade, nos deram ensinamentos.

Depois da desastrosa experiência que atormentou São Paulo, ao longo da gestão de Celso Pitta, entendi que, para enfrentar o imenso desafio de reconstruir São Paulo, era necessária a união de todas as forças vivas da cidade. O apoio que recebi de Mário Covas e do PSDB, no segundo turno das eleições municipais de 2000, me fez ver que a união era possível e que poderíamos realizar um governo de reconstrução com a participação de todos. Isso só não se concretizou, na dimensão pretendida, por atropelos do processo das eleições presidenciais que se avizinhavam.

Mas em 2002, em sua Carta ao Povo Brasileiro, o então candidato Lula convocou o espírito da parceria e do consenso, assumindo compromissos que respondiam com clareza à vontade de união e mudança. Espírito e compromissos que dariam, em seguida, a marca de sua ação governamental. De que foi exemplo maior, desde logo, a criação do Conselho Econômico e Social, reunindo representantes de todos os setores sociais – para começarem juntos, sob a presidência de Lula, a construção de um novo caminho nacional.

Por esse caminho, o Brasil reencontrou o rumo do crescimento, da superação da dependência do FMI, da diminuição da pobreza, da geração de emprego e renda, da promoção da ascensão social e da ampliação de oportunidades educacionais para jovens de baixa renda. O avanço foi possível – e sensível – porque a disposição do presidente, no combate à desigualdade, se firmou na convergência do esforço de todos.

Não estou na disputa política para dividir. Mas, sim, para unir e construir. Não virão de mim apelos ao ódio, à destruição ou à rejeição de adversários. O que farei será mostrar com firmeza, ao povo de São Paulo, a alternativa que represento para a cidade. Seu voto indicará o destino que se deseja. E vou me empenhar para que tal destino coincida com o caminho que o presidente Lula traçou para o país.

Como primeiro passo no sentido da união de São Paulo, assumo aqui o compromisso de, se eleita, constituir um Conselho da Cidade. Um conselho de representantes de todos os segmentos da população. Das entidades representativas da sociedade civil, dos empresários e dos sindicalistas, do comércio e da universidade, das igrejas, da cultura, do esporte e dos usuários dos serviços públicos. Com um só objetivo: realizar uma cruzada – e canalizar o esforço de todos, a fim de enfrentar as questões mais cruciais do município, a começar pelo transporte coletivo.

Tenho apoio do presidente Lula para, na articulação das três instâncias de governo, construir 228 km de corredores de ônibus e 47 km de metrô, nos próximos quatro anos. Para, assim, dar um salto de qualidade na vida paulistana, superando um problema crítico que vem prejudicando fortemente a economia urbana e a saúde da cidade e do cidadão. E assim como, para combater a segregação dos mais carentes, o metrô deve chegar a mais lugares da periferia, me comprometo a não criar qualquer pedágio urbano, que atingiria em cheio os menos privilegiados, sem resolver o problema do trânsito, como já ficou demonstrado em grandes cidades do mundo.

Quero também assumir uma nova atitude na questão tributária. Os níveis recordes de arrecadação da prefeitura permitem um amplo programa de incentivos à produção e ao empreendedorismo, tão forte em nossa capital, com desoneração dos impostos municipais e desburocratização dos procedimentos. E reafirmar meu compromisso de isentar os profissionais liberais autônomos do pagamento do ISS.

Com a união de todos os setores sociais, poderemos projetar São Paulo na era digital. Segmentos empresariais da área de informática já manifestaram interesse em participar do programa de acesso gratuito à internet banda larga em nossa cidade. O governo federal assinou convênio para equipar, com esse fim, 800 escolas municipais. E pretendo combinar esta ação com investimento em qualificação profissional no espaço dos CEUs, que, com a construção de mais 20 unidades, irão configurar a Rede-CEU.

Uma outra ofensiva do governo de união por São Paulo deverá se desenvolver no campo da saúde, diante da realidade da falta de médicos e de atendimento em especialidades. Venho propondo a criação de 31 policlínicas na cidade, uma em cada subprefeitura. E quero agora incorporar, ao desenho dessa rede, a proposta de criação de centros de atendimento aos idosos, apresentada pelo candidato Geraldo Alckmin.

Para finalizar, quero dizer que, para governar São Paulo e superar a crise que estamos vivendo, será fundamental a mobilização de nossas melhores energias. A coragem de ousar e inovar, combinando planejamento e imaginação. Generosidade e rigor.

São Paulo precisa crescer. Mas crescer com inclusão social. Crescer em benefício de todos. E é para isso que a todos convoco, no sentido da construção de um governo de união por São Paulo. Um governo voltado para construir uma cidade melhor, mais forte e mais justa.

10/10/2008 - 09:55h O voto paulistano de Piraporinha a Santana

Cristiane Agostine e Caio Junqueira, VALOR

Entre as senhoras de Santana e os jovens de Piraporinha localizam-se os extremos do eleitorado paulistano que surpreendeu neste domingo ao conferir ao prefeito Gilberto Kassab (DEM), já no primeiro turno, uma votação superior ao da ex-prefeita Marta Suplicy.

Reduto paulistano do moralismo que, na ditadura, clamou por censura, Santana foi uma das zonas eleitorais em que Marta mais perdeu votos. Em sua eleição como prefeita, em 2000, teve 34,6% dos votos lá. Na tentativa de reeleição, em 2004, 25,9%. Este ano, sua votação reduziu-se para 12,1%.

Piraporinha deu à petista o maior ganho de votos, proporcionalmente, em relação às últimas eleições: teve 43,1% em 2000, 52% em 2004 e 59,5% neste ano. Configurou-se, assim, como um dos poucos bastiões do município que resistiram ao avanço kassabista.

O Valor passou um dia em cada uma dessas regiões para tentar desvendar as razões desses comportamentos opostos. Em Piraporinha, a população predominantemente carente acha que Kassab apenas deu continuidade às iniciativas administrativas tomadas por Marta, que o precedeu no cargo. Até uma espécie de tribunal popular foi montado no local para julgar o atual prefeito, condenando-o por negligência e falta de investimentos no bairro nas áreas de educação, cultura e esporte.

Em Santana a situação é inversa e o anti-petismo é um sentimento alastrado entre as pessoas, em sua maioria integrante da classe média paulistana. A defesa da tradição, da família e da propriedade fundamentam os argumentos contrários a Marta Suplicy em um bairro com forte apelo de católicos conservadores, onde o vereador Gabriel Chalita (PSDB) colheu uma de suas mais expressivas votações

Em Piraporinha, corredores de ônibus, bilhete único e CEUs movem eleitor

Em uma travessa da estrada do M’Boi Mirim, uma das principais ruas de Piraporinha, na zona sul de São Paulo, Romualdo José da Silva, de 48 anos, protege-se em um pequeno salão de cabeleireiros da garoa que caía na manhã de quarta-feira. É só perguntar para ele para quem foi o seu voto e ele logo fala que é PT de coração. As ações do governo da ex-prefeita Marta Suplicy são enumeradas por ele como em uma propaganda política: Centros Educacionais Unificados (CEUs), corredores de ônibus, bilhete único, material escolar e uniforme. “Marta ajudou muito a população mais pobre e ninguém pensava em fazer isso”, resume.

Marisa Cauduro/Valor
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Antonio Jefferson: “Kassab é o prefeito dos ricos. Só veio para terminar as coisas da prefeita”

Perto de lá estão dois CEUs, entregues pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), semelhantes aos da gestão da ex-prefeita. Está também o Hospital do M’ Boi Mirim, projeto de Marta, que foi entregue pelo prefeito e as Amas, unidades de saúde, bandeiras da atual gestão. O investimento de Kassab no bairro não parece ter tido efeito sobre Romualdo. “Kassab fez muito, mas ele só deu continuidade às obras de Marta. Os projeto são dela e ninguém nunca vai tirar.”

Pedro Viano do Santo, de 52, pai de 11 filhos, interrompe a conversa: “Acho Kassab mais corajoso. Ele está há pouco tempo e já limpou a cidade”, disse, referindo-se ao Cidade Limpa . Pedro votou em Kassab no primeiro turno, por recomendação de sua igreja evangélica. Apesar dos elogios, diz que agora vai de Marta: “O pessoal da igreja fechou com ele e eu votei também. Mas agora o voto é meu, não adianta e vou de Marta.”

Piraporinha, onde mora Romualdo, é a zona eleitoral onde Marta mais ganhou votos, proporcionalmente, em relação à eleição de 2004. Neste ano, ela teve 59,5% dos votos e Kassab, 20,97%. Quatro anos atrás, teve 52% e José Serra (PSDB), 32,17% . Na zona eleitoral, que corresponde ao Jardim Ângela e Jardim São Luis, o PT sempre foi forte.

No CEU Guarapiranga, entregue por Kassab, Romildo Merces de Jesus, de 28 anos, deixa a filha de quatro anos enquanto comenta: “Isso aqui é coisa da Marta. ” Ele diz não gostar de Kassab porque a prefeitura o fez sair da favela onde vivia. “Me falaram: vai para o albergue ou para a rua. Não é assim que se trata.”

“Kassab é o prefeito dos ricos, está muito longe de se preocupar com os pobres”, opina Antonio Jefferson, de 21 anos, sobre o crescimento do PT no bairro. “Ele se preocupou mais com a imagem da cidade, em diminuir a poluição visual, do que com o povo. Do que adianta ter a cidade limpa se o povo está triste, sem saúde?”. Funcionário de supermercado, lembra que participou de manifestações para que a prefeitura construísse o hospital M’ Boi Mirim, ainda na gestão Marta. “O povo viu quem lutou por isso. Foi a mesma coisa com os CEUS. Foi a Marta que lutou pelo terreno. O Kassab só veio para terminar as coisas da prefeita.”

Os moradores de Piraporinha também se organizaram para pedir investimentos na região. A igreja e movimentos sociais fizeram dois tribunais populares para “julgar” a prefeitura e no último prepararam uma ação civil pública contra o governo por falta de investimentos em educação, cultura e esporte. O tribunal foi organizado pelo Fórum de Defesa da Vida, que reúne 250 entidades e representantes do Ministério Público. “A ausência do poder público é marcante aqui”, diz Lea Maria Chaves, integrante do fórum.

O Jardim Angela, que compõe Piraporinha, já foi considerada a área mais violenta do mundo pela ONU. Ainda hoje é classificada como uma das regiões onde os direitos humanos são menos respeitados. Cerca de 30% da população vivem em mais de 270 favelas. “Acredito que o partido PT é mais sensível ao social”, diz Lea Maria, apesar de reclamar de dificuldades para trabalhar com o governo de Marta. “Voto no PT, mas acho que lidar com Kassab é mais fácil.”

Nas ruas da região, a campanha petista predomina, mas as ações de Kassab no reduto petista reverteram-se em alguns votos. No CEU Vila do Sol, Maria Rosangela, 27 anos, dona de casa, diz ter mudado o voto depois do CEU, onde estuda sua filha. “Em 2004 votei na Marta, mas agora foi Kassab. Vamos ver se ele continua fazendo benfeitorias para cá.” No hospital M’Boi Mirim, Moacir Edson Costa, de 37 anos, trabalhador autônomo, comenta que “Marta foi boa” e que em 2004 votou nela. “Voto no Kassab para ele continuar o que está fazendo.”

A comerciante Ivone França, de 63 anos, afirma que votou em Kassab “por opção na hora.” Ela reclama que a ex-prefeita preocupou-se muito com os mais carentes. “Marta fez muita escola na periferia. Isso ajuda e atrapalha. Para quem tem lojinha de material escolar, como eu, foi ruim. Não vendo quase nada depois que a prefeitura passou a dar material escolar.” Sua irmã, Lucia Aparecida, de 53 anos, também escolheu o prefeito. Ela também reclama dos projetos de transferência de renda. “Tem muita gente carente que recebe essas bolsas, mas não precisa. Aqui falam que Marta vai dobrar asbolsas só pra votarem nela.”

Dona de um bar, reclama das taxas do lixo e da iluminação criadas na gestão Marta e não se conforma com um comentário sobre o caos aéreo de Marta, feito quando a petista era ministra do Turismo. “Eu até gravei da televisão ela falando o ‘relaxa e goza’. Queria mostrar para a minha filha, para não votar na Marta”. Do Jardim Angela, onde a comerciante mora com a família, o trajeto de ônibus até o centro a viagem dura mais de duas horas. Sua filha tem de fazê-lo de segunda a sexta. “Todo mundo tem carro, não podemos culpar o Kassab pelo trânsito. Acho que tem de fazer rodízio de dois dias. Pode por mais ônibus que for, se não tiver rodízio de dois dias, vai continuar do jeito que está.” (CA)

Em Santana, tradição religiosa, culto à família e aversão a taxas definem escolha

Nem a presença da Paróquia de São José Operário, Patrono dos Trabalhadores, é capaz de levar os eleitores do bairro de Santana a votar na candidata à prefeita de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores, Marta Suplicy. É neste bairro da classe média e alta paulistana, o primeiro ao norte do rio Tietê, que ela assiste , eleição após eleição, sua votação despencar. De 2000 a 2004, caiu 25%. Neste ano, 53%.

Leonardo Rodrigues/Valor
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Ariane Leonardi: “A família dela é muito desregrada. Político tem que ter regra. O que ela proporciona à minha família?”

Encontrar um eleitor petista nas tortuosas ruas deste bairro é tarefa árdua. Na melhor das hipóteses, o que se vê são ex-petistas (arrependidos) que, quando optaram pelo 13 nas urnas, o destinatário foi o presidente Lula. Bem antes de ele tentar ser presidente. “Só votei no Lula em 1986 porque eu trabalhava com metalúrgica. Depois nunca mais. Trabalhei com a Erundina. Para consertar um banheiro eles faziam reunião. Se Moisés fosse petista ainda estava no Egito consultando as bases pra ver se fugiam do Egito”, diz Ruth Guiness, 63, dona-de-casa, caminhando por uma das feiras livres do bairro na fria manhã de anteontem.

As opiniões expressadas, em geral, trazem consigo uma anedota, um termo pejorativo - como a referência à gestão Lula a um “governo de bebum” e a ojeriza a ele por uma “questão de pele”- e muitas referências a condutas pessoais tidas por inaceitáveis aos políticos. Mais do que ao presidente e ao partido, são esses julgamentos que embasam a maior parte das críticas a Marta, ainda que o bairro concentre o maior índice de divorciados da cidade.

“A família dela é muito desregrada. Político tem que ser como um juiz, tem que ter regra. O que ela proporciona para a minha família? Ligo a tevê e ela está na Parada Gay. O que tá indicando para meu filho? Para relaxar e gozar? E o filho dela? Cantor louco de rock, ‘zueiro’, o que proporciona de bom? Sem falar que para ser prefeita tem que ter marido”, afirma a advogada Ariane Leonardi, 32 anos. Atuante na área de direito de família para pessoas carentes, embora a bordo de um Dodge Journey da montadora Chrysler avaliado em cerca de R$ 100 mil, ela pede, no fim da conversa: “Frise a família e a sociedade. O que falta nela é o conceito de família”.

O discurso expõe um componente constante no bairro, a religiosidade. Desde sua fundação, a Igreja tem presença forte no local, a começar pela origem do seu nome: Santa Ana. Formado a partir da doação de uma sesmaria a Companhia de Jesus no século XVII, o crescimento veio no fim do século XIX, com a instalação de um colégio pela Irmãs de São José de Chambéry. Já no início da abertura política ainda durante o regime militar, ficaram famosas as “senhoras de Santana” que atuaram contra o despudor televisivo.

Hoje, a aversão ao PT e a Marta é questionada pelo padre Humberto, da Paróquia São José Operário. “A resposta para isso é uma constante busca minha. Mas acho que há um receio da classe média a aspectos religiosos, políticos e comportamentais que venham de setores progressistas da sociedade”, afirma. Ele conta também que verificou isso quando se instalou no bairro, há cinco anos, e muitas pessoas tinham aversão ao Concílio Vaticano II, documento papal que nos anos 60 modernizou e abriu a instituição para, segundo ele, “tantas realidades”.

Além da tradição e da família, a propriedade também permeia os argumentos contrários à petista. Bairro onde o pequeno e médio comércios compõem o visual das ruas, as taxas do lixo e da luz criadas na gestão Marta, entre 2001 e 2004, são pontos que elevam a rejeição à ex-prefeita. “Eu gostava tanto dela, votava nela, mas depois, com essas taxas não dá mais. Pesou bastante para a gente. Quando mexe no bolso fica ruim, né”, diz Ingrid, proprietária do Empório da Beleza, na avenida Alfredo Pujol, a principal do bairro.

Há, porém, quem estenda as críticas às questões administrativas e ao setor considerado ponto forte da candidata: educação. Presente na rede pública municipal de ensino desde os anos 80, a diretora de escola Jane Garcia, 52 anos, kassabista, teve como chefes em última instância uma seqüência de prefeitos com colorações partidárias diversas: Mário Covas, Jânio Quadros, Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pitta, Marta Suplicy, José Serra e Gilberto Kassab. E garante: o chefe atual é o maioral. “Ela fez os CEUs mas e o restante como é que fica? Estou em uma escola hoje que precisava de reformas elétricas, hidráulicas, pintura, ampliação. Só agora conseguimos. Só agora os professores são valorizados com aumentos”, diz, enquanto seu poodle Tara, protegido do frio com um vestidinho azul, descansa em seu colo. Depois da exposição técnica, cita, tal qual os outros entrevistados, os aspectos pessoais da candidata petista. “Ela é arrogante e tem toda a questão social-familiar”.

O anti-petismo de Santana acaba por contaminar a candidatura dos vereadores da legenda. O primeiro integrante da sigla a aparecer na lista dos mais votados é José Américo, na 33ª colocação, com 256 votos. Antes dele, predominam políticos do PSDB, DEM, PP e PTB. Quem lidera o ranking, com 3.095 votos, é o tucano Gabriel Chalita, o mais votado da capital paulista. Tendo por lema de campanha “São Paulo mais educada, sua família mais feliz”, descreve em seu site que “foi catequista, ministro da eucaristia e seminarista” e que “considera a família o alicerce da sociedade”. (CJ)

09/10/2008 - 18:44h Dia do Perdão

Judeus rezando na sinagoga, pintura de  Maurycy Gottlieb (1878)
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Tendo começado com a primeira estrela de ontem, concluiu agora com pôr do sol, o Dia do Perdão (Yom Kipur) . Por isso o blog ficou fora do ar, mas por erro meu não postei ontem o aviso previsto. Em todo caso, a data é a mais importante para toda a comunidade judaica, mesmo para os judeus não religiosos. Ela comporta um recolhimento e também a lembrança dos seres queridos desaparecidos. Como nos anos anteriores participei da cerimônia ontem e hoje, na sinagoga O shil da Av. Europa.

Hoje Marta fez um alto na campanha do dia, para marcar com sua presença o final de Yom Kipur. O rabino Yossi fez questão de dar de público a bem-vinda a Marta com palavras de agradecimento e de reconhecimento pelo trabalho de Marta como prefeita na redução do IPTU para todos os templos religiosos da cidade. Quero registrar aqui meu agradecimento pessoal.

06/10/2008 - 16:54h Curiosidade: 2004 e 2008

Em 2004, as pesquisas eleitorais, às vésperas do primeiro turno, indicavam que Marta e Serra iriam ao segundo turno empatados no resultado eleitoral do primeiro turno, elas erraram.

O que aconteceu quando as urnas foram abertas no primeiro turno de 2004, foi que José Serra foi para o segundo turno com 10 pontos a frente de Marta.

Agora, Marta e Kassab passaram para o segundo turno, quase empatados.

Kassab com 12 pontos a menos que Serra em 2004 e Marta com quase o mesmo resultado que em 2004. LF

06/10/2008 - 15:19h Resultados em São Paulo confirmam disputa acirrada no 2° turno

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Os resultados do primeiro turno das eleições em São Paulo comportam algumas surpresas, mas nada de muito diferente do previsível e que tenho explicado aqui ao longo destes últimos meses.

Marta e Kassab disputarão o segundo turno. A surpresa fica pelo resultado conseguido por Kassab, acima das pesquisas, e o da Marta, aquém das mesmas pesquisas. Considero esta diferença pouco significativa, produto da polarização de segundo turno, que começou nos últimos dias que precederam o primeiro turno e, em nada invalidam, as analises que tenho explicitado sobre a situação na cidade e a conjuntura eleitoral (tampouco penso que invalida o trabalho das pesquisas de opinião feita por institutos sérios, à condição de não atribuir às pesquisas a capacidade de ler o futuro, o que elas evidentemente não podem fazer e sim a de detetar tendências e movimentos).

Os resultados das eleições no Brasil e no Estado de São Paulo, assim como na cidade, mostram o descompasso existente no eleitorado do país, já presentes nas eleições presidenciais de 2006. Só que elas evoluíram no sentido de um avanço das forças do governo federal e do PT e de um recuo importante no país, porem ainda pequeno no Estado de São Paulo, das forças de oposição, DEM e PSDB. (ver Base aliada do presidente Lula dirigirá pelo menos 66 das 100 cidades com mais arrecadação; O PT foi o grande vencedor das eleições para prefeito das capitais; O PT e os partidos aliados do governo Lula ganham na maioria das capitais e nas principais cidades do Brasil).

O fato especifico das eleições na cidade foi a eliminação do inicialmente favorito, Geraldo Alckmin do PSDB, na disputa com o candidato de Serra, Gilberto Kassab do DEM. Este último obteve uma vitória indiscutível nessa disputa interna ao campo demo-tucano, mas ao preço de uma crise importante no PSDB, com desdobramentos que irão além do pleito municipal.

De uma situação de desvantagem (em 2006 na cidade de São Paulo, Serra foi eleito no primeiro turno governador e Alckmin venceu no primeiro e no segundo turno contra Lula), a campanha municipal mostrou uma evolução em favor de um maior equilibro entre os campos em disputa, mesmo se o campo conservador mantém uma força e um peso ainda majoritário no eleitorado.

O candidato mais forte do campo demo-tucano acabou derrotado e emerge como seu substituto Gilberto Kassab, um candidato mais frágil e vulnerável, porem apoiado numa poderosa máquina municipal e estadual, inserida com força na mídia e nas elites empresariais.  Para os admiradores da subida fulgurante de um candidato pouco conhecido, como Kassab e que babam extasiados, em particular nas páginas dos jornais paulistas;  é bom lembrar que São Paulo já passou por isso e pagou caro pela admiração pelo quase desconhecido Fernando Collor e depois por Celso Pitta.

Por sua vez a campanha de Marta conseguiu resistir ao rolo compressor, em parte graças a própria divisão dos adversários, é conseguiu agrupar no primeiro turno a totalidade do seu eleitorado (Lula teve 32,8% em São Paulo no primeiro turno de 2006). A luta do segundo turno determinará se esse eleitorado de Marta constitui, como em 2004 e 2006, o teto do voto PT (Lula teve 43,2% no segundo turno em 2006). Ou se configura a base para uma ampliação desse eleitorado que leve a vitória.

O resultado não está escrito antecipadamente e o primeiro turno deixou isto em aberto. Os campos que se enfrentam neste segundo turno são bastante equilibrados, porque apesar da hegemonia da direita ter sido uma constante, com duas exceções, desde 1982 na cidade, o crescimento do PT e do centro-esquerda tem progredido a cada eleição.

Volto a concluir como tenho concluído quase que todas minhas análises nestes últimos três meses, sobre as eleições municipais em São Paulo. A decisão será voto a voto no segundo turno e muito dependera do engajamento dos militantes, simpatizantes e eleitores da Marta para convencer e vencer em 26 de outubro.

Luis Favre