17/08/2009 - 09:13h Pesquisa Datafolha para governo de São Paulo
A nova pesquisa Datafolha trabalhou com cenários novos. Porque colocar o nome de Serra em disputa estadual, se ele é virtual candidato a presidente, salvo para alimentar a sua suposta dúvida sobre disputar a releição em São Paulo? Qual é o sentido de manter o nome de Erundina que já afirmou várias vezes não ser candidata ao governo e não pesquisar um cenário com o nome de Ciro e de Marta? Porque só colocar o nome da Marta, no caso dos candidatos do PT, quando todos sabem que Palocci e Emídio estão cogitados?
Independentemente das suas motivações, a nova pesquisa mostra alguns resultados interessantes. O favorito, Alckmin perdeu alguns pontos, mas ele tem mais intenções de voto que se José serra fosse candidato à releição. Como a aprovação de Serra é alta e os seus índices para presidente são elevados no seu Estado, o resultado é curioso. Marta na frente de Kassab em um dos cenários (em empate técnico) pode significar um descontentamento maior com a administração do prefeito? Só uma pesquisa específica de avaliação da administração municipal poderá entender isto melhor.
Como ainda estamos muito longe da disputa eleitoral, a pesquisa serve mais para o debate interno nos partidos para a escolha de seus candidatos. A maior liderança do PSDB na pesquisa, Alckmin, já esteve nessa situação folgada na dianteira quando das eleições para a prefeitura de São Paulo e nem sequer foi para o segundo turno. Já Kassab, mesmo empatado com Marta, aparece com um percentual bem superior ao que ele tinha no começo da disputa municipal que acabou ganhando. Ou seja, Kassab encontra nos resultados base solida para querer ser candidato ao governo estadual e Alckmin, mesmo com seu favoritismo pode ser preterido pelo Serra que comandara a escolha no PSDB.
Os resultados da Marta e de Ciro são expressivos no Estado. A primeira já foi candidata a governadora e prefeita, sendo sua liderança no Estado hoje a maior eleitoralmente da oposição. Ciro não tem implantação no Estado e por isso mesmo seu resultado é ainda mais expressivo e surpreendente. Em parte é um desdobramento de seu recall como candidato a presidente e em parte recupera uma parte do voto do próprio PT e da oposição aos tucanos. LF
Alckmin lidera com folga; Ciro tem de 12% a 18% em SP
Marta fica com 16% a 22%; se Kassab for o nome de Serra, disputa é acirrada
Tucano perdeu 4 pontos no único cenário que permite comparação com pesquisa anterior do Datafolha, mas tem de 43% a 46% dos votos
PEDRO DIAS LEITE – Folha SP
DA REPORTAGEM LOCAL
Principal novidade no cenário político paulista para 2010, a possível candidatura de Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo de São Paulo atinge de 12% a 18%, a depender do adversário, mas os tucanos Geraldo Alckmin ou José Serra ainda lideram com folga.
Na disputa paulista, quando o nome do PSDB é o do ex-governador Geraldo Alckmin, Ciro tem 12%, contra 46% do tucano. O desempenho do deputado federal pelo Ceará é pior que o da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), que chega a 16% contra Alckmin, que fica com 43% com ela na disputa.
“O Ciro tem um percentual considerável como ponto de partida, mas isso não significa que ameace a liderança do Alckmin”, avalia o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino. “Não é um percentual desprezível”, afirma. É a primeira vez que o Datafolha inclui o nome de Ciro nos levantamentos sobre o governo paulista.
O quadro para a eleição ao governo de São Paulo ainda está indefinido, tanto no campo governista quanto na oposição, com vários nomes numa dura disputa de bastidores para conseguir a vaga.
Atual secretário de Desenvolvimento de São Paulo, Alckmin luta pela indicação do governo com nomes com desempenho mais fraco nas pesquisas -como o secretário estadual da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM)-, mas com apoio nos bastidores.
Na oposição, Ciro é o candidato preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas o próprio deputado federal pelo Ceará ainda tenta se viabilizar para a disputa à Presidência. Além disso, parte do PT paulista resiste a essa ideia, especialmente a ala ligada a Marta.
O resultado de Ciro no Estado é mais fraco do que no plano nacional, onde ele tem de 14% a 23% das intenções de voto na disputa pela Presidência, como publicou a Folha ontem.
No único cenário que permite comparação com pesquisas anteriores, Alckmin perdeu quatro pontos e está com 43% das intenções de voto, mas ainda permanece bem à frente da segunda colocada, Marta, com 16%. Nesse quadro, o ex-prefeito Paulo Maluf (PP) oscila de 9% para 11%.
Sem Alckmin na disputa, tanto Marta quanto Ciro sobem. A petista tem 22% quando o candidato governista é o prefeito Kassab, que fica com 20% -um empate técnico, já que a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Kassab lidera com 22% sem Alckmin e sem Marta, situação em que Ciro tem 18%. O resultado é no limite da margem de erro. Num cenário muito pouco provável, com Ciro no limite para cima e Kassab no limite para baixo, ambos ficariam com 20% das intenções.
Alckmin tem desempenho superior ao de seu chefe, nome mais cotado dos tucanos para concorrer à Presidência da República -mas disputa com Aécio Neves (PSDB-MG) a indicação tucana e ainda tem a opção de escolher concorrer à reeleição em São Paulo.
Serra tem 36% contra Marta, que fica com 17%, e 38% contra Ciro, que nesse cenário tem 12%. O diretor do Datafolha atribuiu o fato de o governador ter índices menores do que o ex à vinculação de sua imagem à disputa nacional. “O Serra já está muito marcado como candidato a presidente”, afirma.
O percentual de Serra em São Paulo é semelhante à sua performance nacional, quando lidera com vantagem tranquila sobre os oponentes.
Maluf e Soninha
Paulo Maluf, nome recorrente na política paulista, varia de 11% a 14%. Seu melhor momento é numa disputa com Ciro e Kassab. A subprefeita da Lapa, Soninha Francine (PPS), que teve 4,2% dos votos na disputa pela prefeitura no ano passado, varia de 4% a 7%.
A ex-prefeita e hoje deputada federal Luiza Erundina, do mesmo PSB de Ciro, tem de 4% a 5%, dependendo dos concorrentes. Paulinho (PDT), Campos Machado (PTB), Ivan Valente (PSOL) e Paulo Skaf (sem partido) não passam de 3% em nenhum dos cenários.
02/07/2009 - 12:32h Marta em São Bernardo
Marta leva apoio a Marinho e prossegue esforço pro-Dilma no Estado.
O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, enfrenta uma oposição virulenta na câmara municipal– PSB, PMDB e PSDB são alinhados, em São Bernardo, à pré-candidatura de José Serra (PSDB) — mas isso não abala a confiança de Marta no bom desempenho do prefeito. “A população, em determinado momento, vai confrontar os vereadores e eles vão ter que pensar que estão lá para fazer oposição, porque é uma oposição necessária, mas que têm de deixar o prefeito governar. Tem de haver consenso, não prejuízo para a população”, pondera.
“O ABCD é uma região muito importante para o desenvolvimento do Estado de São Paulo. São sempre cidades importantes de se visitar. E aqui tenho um colega de ministério, que esteve no governo federal comigo”, afirmou sobre a vinda a São Bernardo. A visita faz parte do périplo começado por Marta que na semana retrasada esteve em Mauá, também administrada pelo PT. Junto com sua participação nas Caravanas organizadas no interior pelo partido, elas visam na visão da Marta a alavancar o nome da Dilma em 2010.
Segundo as informações do jornal ADCD Maior que reproduz as informações acima, Marta também defende, como Lula, o nome de Palocci para disputar o governo de Estado e ainda não definiu qual cargo disputará nas próximas eleições. Para ela o ex-ministro da fazenda ” É uma pessoa com uma grande visão de desenvolvimento aliado à questão social”.
LF com noticias do ABCD Maior
22/06/2009 - 09:55h ABCD Maior e Diário do Grande ABC entrevistam Marta
Marta: ‘Dilma conhece o Brasil, é sensível e não fala só de PAC’
Por: Walter Venturini - ABCD Maior

Marta Suplicy deve ser candidata nas eleições de 2010; o cargo não está definido. Foto: Amanda Perobelli
Ex-prefeita da Capital diz que Região ainda sofre bastante por não ter autonomia em relação ao Estado
A ex-ministra do Turismo Marta Suplicy é talvez a mais ardorosa defensora da eventual candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República. Semanas atrás, organizou em sua casa um encontro da ministra com um grupo de mulheres com projeção nacional. Marta garante que Dilma conseguiu seduzir toda a plateia com suas propostas e, principalmente, pela sensibilidade feminina que expôs no bate-papo informal que ganhou as páginas dos jornais de todo o País. Nesta entrevista exclusiva ao ABCD MAIOR, Marta fala sobre a reunião, as eleições e a Região. Veja abaixo os principais trechos da entrevista.
ABCD MAIOR – Qual a razão de sua visita ao ABCD?
MARTA SUPLICY – Estou “campanhando”. Não pessoalmente, porque a única decisão que tenho, de que vou ser candidata, mas o cargo ainda não está estabelecido. Mas estou levando o nome da Dilma pela importância da continuação de um projeto de tudo que Lula conseguiu fazer nesses oito anos e que temos de preservar. O nome da Dilma é o que vai permitir a manutenção da expansão, do aumento do salário mínimo. Permitirá também o aumento do emprego, porque no próprio ABCD, se a gente for lembrar na época do Fernando Henrique Cardoso, tínhamos três cidades do ABCD de desempregados, isto é, se somássemos todos os desempregados. Agora temos duas. Ainda tem muita gente desempregada, mas em um governo que se preocupou em gerar emprego. São 10 milhões de empregos novos no Brasil todo, com carteira assinada e tudo o mais. Acreditamos também no (papel positivo) Bolsa Família, as conquistas do crédito para todas as classes sociais. Não adianta os partidos de oposição (protestarem), a gente sabe que eles acham horrível, que eles criticam, que acham esmola.
ABCD – É o confronto de dois projetos, que a atual crise internacional atualizou?
MARTA – Acho que não só atualizou, mas mostrou como cada partido lida com a crise. O que fez o Lula com a crise? Aumentou recursos para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que é infraestrutura e gera emprego para mão-de-obra com pouca qualificação. Aumentou o número de usuários do Bolsa Família e também o valor do Bolsa Família. Por que? Porque são pessoas que não vão colocar o dinheiro no banco. Vão comprar comida e um tênis novo para a criança. Isso é a economia girando e o emprego mantido. Lula diminuiu o IPI (Imposto sobre Produção Industrial), para os veículos. Para cá teve uma repercussão muito boa, mas também para o Brasil todo. Reduziu o IPI para a linha branca (geladeiras, fogões e máquinas de lavar) e agora o (programa) Minha Casa, Minha Vida. São ações muito concretas, que permitiram que a economia mantivesse o giro. Ao mesmo tempo, vemos o que o governo do Estado de São Paulo fez. Contingenciou (reteve os recursos) todos os projetos sociais. Em relação aos carros, só agora reduziu o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço). Demorou! Só deu resposta por causa da pressão. Fico perguntando: onde estão os investimentos da Nossa Caixa, os investimentos do governo de São Paulo? São Paulo é o Estado mais rico do Brasil. O que poderia estar fazendo? Na Educação você só vê esse vexame que nós paulistas temos de enfrentar, de estarmos em uma posição horrorosa no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Na Saúde, só vemos escândalos, de falta de atendimento. O Transporte, não vou nem falar. São 16 anos de tucanato em São Paulo. O metrô começou, no final dos anos 1960, junto com o da Cidade do México, que hoje tem uma rede com 240 quilômetros, enquanto o de São Paulo tem apenas 60. E isso foi construído antes de os tucanos entrarem.
ABCD – Inclusive o metrô não chegou até agora no ABCD. O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, está defendendo a vinda do metrô para a Região.
MARTA – É uma atitude muito importante que o prefeito assuma a liderança nisso. Porque o governo do Estado precisa ter a percepção da importância que é o Consórcio Intermunicipal.
ABCD – Entre 2001 e 2004, a senhora governou a cidade de São Paulo e trabalhou com o então prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), que foi o idealizador do Consórcio Intermunicipal. Como a senhora vê essa experiência de integrar as sete cidades?
MARTA – Sempre disse que o Consórcio Intermunicipal foi uma coisa pioneira. A Região deve isso, ao menos, a ele. Aqui teve um prejuízo grande com falta de autonomia e de recursos alocados pelo governo do Estado, que sempre foi muito centralizador em relação ao ABCD. Isso acabou diminuindo a importância que o Consórcio poderia vir a ter. Fiquei muito triste quando soube sobre o recurso que enviei à Região, quando era ministra, em 2007, R$ 400 mil para fazer um projeto para o turismo para o ABCD. Por não fazerem o projeto, deixaram de receber os R$ 2 milhões que estavam liberados.
ABCD – Como avalia a reunião de mulheres que a senhora organizou semanas atrás com a ministra Dilma Rousseff, para começar a conversar a proposta de a ministra disputar no ano que vem a Presidência da República?
MARTA – Ela convenceu as mulheres. Quando se tem a possibilidade de um contato com a Dilma percebe-se uma mulher com preocupações que nós mulheres temos, que são diferentes das dos homens. Não somos melhores nem piores. Somos diferentes e pagamos um preço muito alto por isso que foi de termos ficado alijadas do poder. Nos mantivemos centenas de anos cuidando de crianças, de doentes, dos idosos, com a capacidade de “costura” que uma mulher tem dentro de casa, de articular, de conversar, de ser a intermediária, características muito femininas. Mas nos custaram um preço, que foi ficar dentro de casa. Quando fomos para a rua, tivemos de mudar um pouco o jeito. Mas a maioria tem isso ainda porque ainda sobrou muita coisa nas costas da mulher. Essa delicadeza e sensibilidade, a Dilma tem. Ela cativou muito pela competência e conhece muito o Brasil. Ao mesmo tempo, elas perceberam que pode ser uma pessoa muito sensível. Isso no jornal, não aparece. Aparece ela falando do PAC.
ABCD – Seu nome é apontado como um dos prováveis para disputar o governo do Estado. Agora surge a proposta de lançar o nome do ex-ministro e deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). Como a senhora vê essa chegada do Ciro em São Paulo?
MARTA – Não temos de começar a discutir nomes, mas partidos. Nesse sentido, o PSB, em especial, em São Paulo, apoia o Serra. Aqui no ABCD, o (William) Dib apoia o Serra com tudo, não tem subterfúgio. Então, você põe o Ciro, que é uma pessoa interessante, como candidato, mas como é que faz com o partido? Fora que o PT tem candidatos muito bons. Não descarto, mas acho que temos de considerar a força que o PT tem no Estado e, mais que tudo, os partidos. Como é que fica o PSB? Fazemos o que com o Dib e os outros que apoiam o Serra?
Marta Suplicy ‘light’, mas ainda Marta
Beto Silva do Diário do Grande ABC
A ex-ministra e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy vive uma fase tranquila. Em suas próprias palavras, está num momento “light”. Mas esse período “à vontade”, “leve”, “sem tensão”, não evita que mantenha sua característica de frases polêmicas e de críticas aos adversários. Ela ainda é Marta.Os principais alvos da petista são o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), virtual candidato tucano à presidência em 2010, e o prefeito paulistano, Gilberto Kassab (DEM), adversário na corrida pelo Paço da Capital no ano passado. Sobre Serra e PSDB, é taxativa: “São maus administradores.” Quando analisa a gestão do democrata, é categórica: “Não faz nenhum enfrentamento.” Em campanha declarada em prol da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), à sucessão do presidente Lula, Marta afirma que tentará um cargo eletivo no ano que vem, mas ainda não decidiu se ao Senado ou à Câmara Federal. Ao mesmo tempo, diz não estar “nem aí” para sua candidatura.”Não tenho de ter preocupação em ser conhecida”, observa a famosa petista. Entretanto, ao contrário de Marta, Dilma precisa expor sua imagem ao eleitorado brasileiro. Essa é uma das missões da ex-prefeita, que terá o papel de disseminar “a fibra da nossa candidata”.
Em entrevista exclusiva ao Diário, Marta Suplicy fala também dos desafios do País para os próximos anos, nos acordos políticos para garantir a continuidade do PT no governo federal e da receita para que seu partido conquiste pela primeira vez na história o comando do Palácio dos Bandeirantes em 2010.
DIÁRIO – Já decidiu se disputará a eleição do ano que vem?
MARTA SUPLICY – Vou disputar, só não sei para qual cargo: senadora ou deputada federal. Para o governo do Estado apoio o (deputado federal Antônio) Palocci (PT-SP). Vai depender da conjuntura, do partido e da candidatura majoritária (à presidência), que é a que estou mais interessada, pois a prioridade é a Dilma. Acho que nunca tive isso na vida, ter a oportunidade de escolher.
DIÁRIO – Mas essa indefinição é melhor ou pior?
MARTA – Não penso assim. Na verdade estou me sentindo tão light. Estou me dedicando a fazer a campanha da Dilma no Interior (de São Paulo). Tem certas coisas que uma mulher expõe melhor do que os homens. Estou me sentindo confortável em fazer isso. A maioria aos companheiros partidários falam mais em conjuntura econômica, projetos estruturantes, eu falo em continuação do projeto Lula por meio de uma mulher diferente como a Dilma. O presidente sabe que teve uma questão peculiar, de entender que é uma mulher com perfil totalmente diferente que pode fazer a diferença no Brasil de hoje. Ela tem uma história, lutou contra a ditadura, tem uma vida pessoal interessante, uma mulher que tem posição de luta, é de esquerda. E ao mesmo tempo é completamente diferente dele, porque é mulher, tem outra formação, outra cultura, outro preparo. Está preparada para o futuro, para o século 21. Porque daqui a 30 anos não estaremos mais trabalhamos do jeito que a gente trabalha. A Dilma tem a competência de vislumbrar esse novo rumo.
DIÁRIO – A sra. parece estar mais à vontade trabalhando em bastidores do que na linha de frente, como executora…
MARTA – Estou mais à vontade, não estou tensa. Não sou candidata, não estou sob pressão. Estou leve, não tenho greve para resolver, não tenho de solucionar o trânsito, não estou respondendo por um cargo. Estou do jeito que sou. Espero que isso dure até março, porque depois vai haver dedicação maior à política.
DIÁRIO – Como ‘vender” Dilma à população no pleito?
MARTA – Qualquer candidato teria o problema de comparação com Lula, que tem uma popularidade enorme. E é o mesmo problema que a oposição enfrenta. Se ela apoia o Lula, o eleitor vai dizer: ‘por que é que vou votar num grupo que apoia o Lula? Vou votar no candidato dele”. Se não apoia o Lula, não ganha a eleição. A posição da oposição é muito difícil. Uma mulher como a Dilma tem espertezas. Quando saiu do hospital e foi indagada sobre a peruca (a ministra passa por tratamento de um câncer linfático), ela disse: ‘uma peruquinha básica!”. Essa é a fibra da nossa candidata que tem de ser mostrada. Meu papel é disseminar isso. Tenho de mostrar outra Dilma que o Brasil pode ter como presidente, que é fantástica. Temos de chegar com uma competência dessas, mas com a sensibilidade para sofrimento, para dor, e a Dilma tem isso.
DIÁRIO – Esse esforço pessoal para eleger Dilma presidente pode atrapalhar sua candidatura?
MARTA – Não estou nem aí com a minha candidatura (risos). Não tenho de ter preocupação de ser conhecida. Tenho de decidir a que cargo concorrerei. A partir daí, vou para televisão e quem vota em mim vota e quem não vota, não vota. Mas se for ma governadora é diferente.
DIÁRIO – Para o governo do estado, o Lula já falou em Palocci, agora Zé Dirceu fala em apoiar o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). O PT está sem rumo nesse momento?
MARTA – Não. Temos de aguardar o Palocci ser uma questão concreta. Depois temos de aguardar a posição pessoal dele e acatar a mudança de conjuntura. A candidatura do Ciro apareceu do nada. A gente está falando de um nome e esquecemos do partido PSB, que em São Paulo apoia o Serra. Como teremos candidato nessas condições? Se conseguir que o PSB seja enquadrado por uma candidatura da Dilma, agregando outras forças, acho que o PT pode até considerar. Mas me parece distante.
DIÁRIO – O que tem de ser feIto para ganhar o governo do Estado?
MARTA – Uma coisa que o Ciro faria bem (risos). Desconstruir o mito de bom gestor do PSDB, que é muito mau administrador. Se formos ver o transporte, não evoluiu do jeito que poderia. Na Habitação, com o poderio econômico do Estado não houve avanço. Em menos de dois anos o Serra teve três secretários de Educação. No desenvolvimento da indústria, não houve nenhuma ação contundente para incentivar a permanência o setor produtivo no Estado. O Rodoanel, uma bela proposta, só saiu do papel quando o governo federal entrou com recursos. Em São Paulo tem de fazer as melhorias.
DIÁRIO – Divulgar cargos e salários na internet tem de fazer?
MARTA – Não sou contra isso. Acho que saber quanto as pessoas ganham é um serviço público. No Senado seria melhor ainda.
DIÁRIO – O PMDB pode ser o grande fiel da balança, tanto na eleição de âmbito federal quanto a estadual?
MARTA – Pode. O peso do PMDB é fundamental. Temos de mantê-lo como aliado nacional. Já em São Paulo, é ruim não termos o PMDB. Aqui o PT é mais fechado e essa permanência de poder do PSDB, aliada à Prefeitura paulistana, coloca mais dificuldade ainda para termos esse partido conosco.
DIÁRIO – Qual sua análise do governo Kassab?
MARTA – Na primeira gestão Serra-Kassab (prefeito e vice da Capital, 2007- 2008), poderia ter organizado muita coisa, principalmente na área de transporte. E quando vejo o nada que foi feito e o trânsito que o cidadão enfrenta, fico muito triste. Fizemos corredor de ônibus, chegamos ao bilhete único e agora regredimos. Não há gestão, o trânsito não flui, a CET não conversa com a SP Trans e não há controle. É uma incompetência muito grande, porque há recurso. É um governo que não faz enfrentamento. Quando se faz corredor de ônibus, existe dificuldade. O comércio reclama, causa transtorno. E aí, para eles, é melhor não fazer.
DIÁRIO – E sobre a atual situação do Senado, que apresenta uma polêmica atrás da outra?
MARTA – Acho muito triste, porque vai criando um desapontamento da população em relação à instituição. Que é muito mais grave se fosse contra as pessoas. Hoje vemos os cidadãos desiludidos com a política, sentido-se impotentes, com raiva. As ações de transparência ajudam a diminuir os erros. A rotatividade de cargos importantes, como diretor-geral por exemplo, já evitaria a formação de relações escusas. Com mudanças podemos ter esperança de um Senado melhor.
DIÁRIO – A sra. teme a candidatura de Dilma fracasse e o adversário assuma Brasília?
MARTA – Tenho a percepção que o Brasil pode ir para trás se isso ocorrer. Se analisar o que o Serra discursa, é sempre a mesma coisa: vamos melhorar o que já existe. Como ele não fala. As diferenças de atuação do PT e do PSDB diante da crise também têm de ser mostrada. O Lula manteve os investimento do PAC, aumentou o número de beneficiados e o valor do bolsa-família, tirou o IPI dos carros e da linha branca de eletrodomésticos, aumentou a massa salarial por meio do aumento do salário mínimo e agora lançou o programa Minha Casa Minha Vida. O que o PSDB fez? Contingenciou o social e disse que continuou a aplicação dos recursos do Metrô. A redução do ICMS que lhe competia só ocorreu há pouco tempo. Foram duas propostas para enfrentar a crise muito claras.
22/03/2009 - 12:18h Datafolha: aguardando segunda-feira
Domingo é o dia em que os jornais vendem mais. A Folha de hoje traz pesquisa Datafolha sobre intenção de voto em alguns Estados, a 19 meses das eleições. Não tem qualquer sorte de importância, como prova entre outros exemplos, o fato de Geraldo Alckmin liderar com mais de 50% das intenções de voto a 8 meses das eleições municipais em São Paulo e acabou fora do segundo turno.
A escolha dos nomes para configurar os cenários eventuais deixou de lado o nome de Gilberto Kassab, que os demos gostariam de ver como candidato a governador em 2010, assim como o nome de Aloizio Mercadante que foi candidato a governador pelo PT nas últimas eleições. No caso de Kassab, a sua ausência da pesquisa permite a Alckmin atingir um patamar de intenção de voto superior, pois é o único candidato do campo demo-tucano. Já no campo da oposição de centro-esquerda o Datafolha incluiu em todas as simulações o nome de Luiza Erundina e a dos eventuais nomes do PT, com a consequente divisão das intenções de voto do eleitorado. Na última eleição na capital paulista, Luiza Erundina não foi candidata e apoiou Marta Suplicy. Para dar um exemplo do significado da eliminação do nome de Kassab e a de manter Erundina, basta olhar as intenções de voto na capital, onde Alckmin aparece com 34%, Marta com 20% e Erundina com 10%.
Em fim, como já escrevi pesquisa eleitoral com 19 meses de antecipação serve só para alimentar a projeção de nomes e as disputas internas nos partidos. Carece de qualquer outro valor ou interesse. Bem diferente de avaliar a situação dos governantes, particularmente em momentos delicados como os de hoje com o impacto da crise econômica. Teria sido interessante sim, a Folha publicar hoje os resultados da avaliação do governo estadual e do prefeito de São Paulo, que seguramente o Datafolha fez. A questão é de atualidade e permitiria comparar com a avaliação feita sobre o governo Lula.
Provavelmente ficará para segunda-feira, dia em que os jornais vendem menos. LF

DATAFOLHA
Alckmin lidera com folga e opositor está indefinido
Tucano obtém de 41% a 46% das intenções de voto para o governo de SP em 2010
Ex-governador obtém pior resultado em confronto com Marta; Datafolha diz que favoritismo de Alckmin está ligado a “recall” de eleições
JOSÉ ALBERTO BOMBIG- Folha SP
DA REPORTAGEM LOCAL
O tucano Geraldo Alckmin, derrotado ainda no primeiro turno da eleição do ano passado para prefeito de São Paulo, é o preferido dos paulistas na corrida para governador, segundo o Datafolha. Trata-se da primeira pesquisa de intenção de voto nas eleições de 2010 para governos estaduais.
Atual secretário de Desenvolvimento do governador José Serra (PSDB), ele obtém entre 41% e 46% das intenções de voto -sempre na liderança- em todos os cenários em que ele foi citado.
Serra, nome mais cotado entre os tucanos para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também em 2010 e líder nas pesquisas, não aparece em nenhum deles.
A 19 meses da eleição, nenhum dos adversários de Alckmin atinge sequer a metade de suas intenções de voto nos cenários em que ele é apresentado. Os mais bem posicionados são os ex-prefeitos Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PP).
O melhor desempenho do tucano (46%), que governou São Paulo de 2001 a 2006, ocorre quando o candidato do PT é o ministro da Educação de Lula, Fernando Haddad. Contra Marta, o tucano obtém seu pior resultado (41%).
Na hipótese de o deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci concorrer pelo PT, Alckmin chega a 45%.
O outro nome tucano apresentado pelo Datafolha, o do secretário da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira, oscila de 2% a 3% das intenções. Ele e Alckmin já travam uma batalha dentro do partido e do Palácio dos Bandeirantes pelo direito de concorrer em 2010.
A pesquisa foi realizada entre 16 e 19 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
“Recall”
O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, diz que o levantamento mostra “amplo favoritismo de Alckmin”. Mas ele ressalva que Aloysio, Haddad e o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf -também testado em todos os cenários-, ainda são pouco conhecidos.
“Os demais já concorreram nas urnas muitas vezes e recentemente. A campanha para o governo costuma ficar escondida por conta da disputa pela Presidência, e o eleitor, por causa disso, só se lembra dela mais adiante”, afirma Paulino.
Como exemplo, ele cita o desempenho de Paulo Maluf (PP), que chega a liderar com 20% quando Alckmin sai da disputa. Também sem o ex-governador tucano, a ex-prefeita Luiza Erundina (PSB) atinge 14%, seu melhor índice.
O resultado da pesquisa deve servir de combustível para Marta na disputa interna do PT. Derrotada por Gilberto Kassab (DEM) no segundo turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo, ela chegou a ser apontada como nome descartado do processo.
No entanto, Palocci e Haddad, que seriam os preferidos de Lula, ainda mostram pouca viabilidade. O ex-ministro da Fazenda oscila de 3% a 5%.
O ministro da Educação não passa de 2%. Já Marta chega a liderar com 19% no cenário sem Alckmin e com Aloysio.
Além de Skaf (sem partido), também foram apresentados em todos os cenários Campos Machado (PTB), Ivan Valente (PSOL), Paulinho (PDT) e Soninha (PPS).
12/03/2009 - 12:08h Marta em Presidente Venceslau


17/02/2009 - 11:05h Fumaça branca na chaminé do PT
Raymundo Costa – VALOR
Lula e o PT têm Plano A, Plano B e Plano C para a sucessão de 2010. O primeiro é público e notório e já não provoca divergência significativa no partido: Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil e “Mãe do PAC”. O segundo é Aécio Neves, governador tucano de Minas Gerais, cada vez mais uma carta fora do baralho do PSDB. O Plano C – mas só na hipótese de os dois primeiros falharem – é a prorrogação ou a instituição do terceiro mandato presidencial.
O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel cumpre tarefa ao dizer que não existe um Plano B a Dilma. É natural que o faça. O Plano A de Lula – que o PT assumiu integralmente — já foi posto em movimento. Começou quando Lula disse ao PT que era Dilma e o PT, na última reunião do Diretório Nacional, descascou a cebola sem chorar, camada por camada.
“É Dilma ou não é Dilma”? Até agora a ministra era uma indicação bancada apenas pelo presidente. Resposta dos petistas: “É Dilma”. O PT assumiu a candidatura da ministra e logo vai receber a indicação de Lula para ela ser a candidata.
O PT então vai responder que o presidente da República é quem tem mais condições para dizer quem é melhor para sucedê-lo, dentre aqueles que integram sua equipe de governo, e em seguida homologa a indicação de Lula . Este é o ritual programado. Quando vai acontecer?
A ideia era fazer a indicação no ano que vem. Mas o Diretório Nacional concluiu que os fatos se precipitaram rapidamente. Todas as movimentações de José Serra, o provável candidato tucano, dizem respeito à sua sucessão, na visão do PT (o PSDB vê exatamente a mesma coisa em relação a Lula e Dilma) e o governo e o partido vão começar a mexer nisso também. Assim sendo, a formalização da candidatura da Dilma será feita o mais rapidamente possível.
O que é que se pode entender com o mais rapidamente possível, afinal, já que havia no Palácio quem disse que o nome da ministra seria anunciado no segundo semestre de 2008? Pelo roteiro traçado no Diretório Nacional é depois de ela concluir um ‘circuito de agendas’ em diversos Estados, juntando os movimentos sociais do campo e da cidade, mais o PT e a base de sustentação política do governo no Congresso. Depois desse périplo, o PT formaliza a candidatura.
Trata-se de uma agenda importante, pois não se destina apenas a fazer Dilma mais conhecida do eleitorado, algo que os marqueteiros acham fácil de fazer no mundo conectado em rede dos dias de hoje. O que há por trás da ideia é que Dilma seja não só a favorita do presidente Lula, mas também a candidata dos movimentos sociais, do PT e dos aliados nos quais se assentaram as bases do atual governo.
Sem densidade política, não bastará à ministra se tornar conhecida. Mas como fazer isso (literalmente, uma campanha antecipada), se Dilma é ministra de Estado, gerente do PAC e agora a ministra encarregada de evitar que a crise econômica mundial ataque o Programa de Aceleração do Crescimento, ainda hoje o carro-chefe da campanha da ministra. Há aspectos legais que limitam os movimentos de ação de Dilma como pré-candidata (só uma convenção do PT, em junho de 2010, oficializará a candidatura).
A proposta é que segunda, terça, quarta, quinta e sexta-feira ela se dedique à agenda de governo. E de sexta à noite até domingo à noite faça o ‘circuito de agendas.’ Assim como fez no último fim de semana, quando participou de um jantar na casa da ex-prefeita Marta Suplicy, em São Paulo. Apesar de todo o cuidado que ela tomou ao tratar do assunto, ficou claro que Dilma quer ser candidata e no PT já não há oposição – a não ser residual – a seu nome. Na realidade, saiu fumaça branca da chaminé do PT.
As principais personalidades do PT estiveram presentes, fizeram discursos. Dilma muito habilmente não se colocou como candidata. Disse que isso vai seguir o calendário do partido, que para ela já basta a honraria de ter sido indicada pelo presidente Lula. Realista, destacou que sua candidatura dependeria da conjuntura, da base aliada – “dos astros”, brincou um companheiro afinado com o projeto.
O resto dos convivas fez discurso “já de beija-mãos”, contou um dos presentes: ‘É você mesmo, nós estamos aqui para ajudar, queremos fazer, o presidente falou’. Dilma, modestamente, voltou a insistir que para ela já bastaria a glória de ter sido indicada por Lula. Mas que ela sabe bem o que é que é ser candidata do PT, que quer respeitar o cronograma do partido, a base aliada, os movimentos sociais, que o que a preocupa no momento é por o PAC pra frente.
Jura-se no PT que não existe uma meta a ser cumprida por Dilma em determinado prazo. Por exemplo: 25% das pesquisas de opinião, até o final deste ano.
Isso seria “chute de campanhólogo” Os problemas reais seriam a candidatura não decolar, a crise externa, uma eventual paralisação do PAC ou até uma crise do tipo ‘ mensalão’. que, evidentemente, ninguém espera no partido que aconteça, mas, diante dos antecedentes… Só então o governo recorreria aos dois outros planos na gaveta.
O Plano B prevê a filiação de Aécio Neves ao PMDB até setembro. A insistência do governador mineiro na realização de prévias para a escolha do candidato do PSDB às eleições de 2010 seria o pretexto para o rompimento do tucano, uma vez que o partido definitivamente não parece disposto a fazer uma eleição primária e está cada vez mais sob o controle de José Serra, governador de São Paulo.
A última saída é a prorrogação com a aprovação do terceiro mandato. Assunto que vai ser discutido na comissão que tratata do fim da reeleição e da aprovação do mandato de cinco anos, posta em movimento no final do ano passado pelo fiel escudeiro João Paulo Cunha, (PT-SP). Em resumo, se uma alternativa não der certo, haverá outra sempre à mão.
Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras
E-mail raymundo.costa@valor.com.br
17/02/2009 - 10:25h Todo organismo vivo produz seus excrementos
Josias de Souza, da Folha de São Paulo
A infâmia de Josias de Souza no seu blog, na Folha Online, provocou uma legitima onda de indignação na blogosfera. Vários leitores deste blog manifestaram sua reprovação.
Luiz Nassif o definiu assim:
Do Blog do Josias
Ou, as prévias do que será o jornalismo em 2010.”
No seu Blog, Cidadania.com, Eduardo Guimarães exclamou sua indignação (ver embaixo a nota “Um filho de chocadeira”).
A Folha por enquanto não se manifestou, mas duvido que na sua redação a reprovação da abjeção não seja unanime. É que uma coisa é a divergência política, muitas vezes impregnada de má fé, e outra é a manifestação do esgoto machista e revulsivo.
Muitas vezes se pondera que internet permite esse tipo de imundícia, pois não existe mecanismos de controle ou de preservação da ética. Mas é da natureza que todo organismo vivo, -e internet é um instrumento de intensa vida e de conhecimento- produza seus excrementos.
Com a particularidade que não basta apertar a descarga para sumir com os dejetos.
Na internet não tem privada, mas alguns “jornalistas” transformam seus blogs em um sucedâneo.
Eles expõem assim sua alma.
Luis Favre
Cidadania.com
Denúncia
Um filho de chocadeira

Sou casado e tenho quatro filhos, sendo três mulheres. Tenho também uma neta. Além disso, tenho mãe, o que não parece ser o caso desse infeliz desse blog abjeto que aparece na imagem acima, desse empregadinho da mídia golpista, desse sujeitinho à-toa que acha que a escolha dessa manchete para uma matéria relativa a foto mostrando a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a ex-prefeita Marta Suplicy, é coisa de homem. Eu não acho. Como filho, esposo, pai e avô, tenho, ao todo, seis bons motivos para não descer a esse ponto na guerra política, ao ponto a que desceu esse degenerado sem mãe.
Eduardo Guimarães
16/02/2009 - 11:01h Amadurecimento político II

Dilma não vai a encontro organizado pelo PT mineiro
César Felício e Sérgio Bueno, de Belo Horizonte e Porto Alegre – VALOR
Nascida em Minas Gerais, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, deixou de comparecer ao encontro do PT mineiro com os prefeitos eleitos pela sigla no Estado, neste sábado. Deste modo, Dilma evitou entrar em um território onde o partido está dividido. Antes de uma entrevista do ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, à revista ” Veja ” , que acirrou a sua disputa pela candidatura a governador com o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, a ministra havia confirmado presença.
Os participantes do encontro assistiram apenas a uma breve mensagem gravada da ministra, em que ela destaca a importância de se estabelecer ” parcerias e alianças com outros partidos para melhorar o nosso país ” . As duas alas do PT mineiro colocaram a disputa interna em segundo plano em seus discursos e prometeram empenho para abrir espaço para a ministra na disputa presidencial em 2010. ” Vamos baixar a bola. Temos que reproduzir em Minas uma grande aliança ” , disse em discurso o deputado estadual André Quintão, um aliado de Patrus.
Na noite anterior Dilma participou de um jantar oferecido em São Paulo pela ex-prefeita Marta Suplicy com o objetivo de aproximar a ministra da sigla. Durante o encontrou ela condicionou sua candidatura ao PT, mas descartou que seja objeto de restrição. “Não vejo nenhuma resistência, o PT tem me recebido de forma muito fraterna”, disse ela.
A ministra afirmou que sua candidatura dependeria de uma conversa com o presidente Lula e de avaliação do PT. “Como as duas coisas não estão dadas, não posso dizer que sou candidata, ainda”, disse ela. Antes do início do encontro que reuniu as bancadas federal e estadual do PT, além de prefeitos e vereadores da Grande São Paulo, Dilma admitiu o desejo de ser candidata. “As coisas tem sua hora, a minha ainda não chegou, mas minha grande ambição é dar continuidade ao governo do presidente Lula”, disse
Mais cedo, também na sexta-feira, a ministra cumpriu mais uma etapa na sua maratona de anúncios e inaugurações de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), dessa vez na região metropolitana de Porto Alegre. Ela aproveitou para responder às acusações da oposição de que o governo estaria fazendo campanha antecipada.
Segundo Dilma, o que incomoda a oposição é o fato de que o governo “está trabalhando” e que tem “um projeto para o Brasil”. Ela afirmou que os oposicionistas têm o direito de fazer críticas, mas disse que “não parece que eles tenham um projeto”. Mesmo assim, elogiou o pacote de estímulo à economia anunciado semana passada pelo governador tucano José Serra, outro pré-candidato à eleição de 2010. “O governo federal vai contribuir no que puder”. (Com a FolhaPress)
15/02/2009 - 11:44h Todos juntos: PT paulista demonstra unidade com Dilma
Ricardo Galhardo, Flávio Freire e Adauri Antunes Barbosa – O Globo; Marciele Brum – Agência RBS
SÃO PAULO – Em uma ponta do piano que decora a sala de estar de Marta Suplicy estava o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), visto como desafeto da ex-prefeita; na outra ponta, o deputado José Mentor (PT-SP), aliado de Marta absolvido no caso do mensalão. A cena dos dois deputados – rivais na disputa interna do PT – tocando piano a quatro mãos no jantar em homenagem à chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sexta-feira à noite, é usada pelos participantes do encontro para explicar o clima de união do PT paulista em torno da virtual candidata à Presidência. (Para você, Dilma está em campanha?)
- O PT de São Paulo entendeu direitinho o recado do presidente Lula. Se havia alguma resistência de paulistas a Dilma, acabou ontem (sexta) – disse um dos participantes, pedindo sigilo.
“ O PT de São Paulo entendeu direitinho o recado do presidente Lula. Se havia alguma resistência de paulistas a Dilma, acabou “
Dos mais de sessenta convidados, apenas o deputado José Genoino (PT-SP), que comemorava os 90 anos do pai no Ceará, não compareceu. As bancadas municipal, estadual e federal do PT paulista, prefeitos da região metropolitana e dirigentes partidários de diversas tendências se reuniram para beijar a mão de Dilma. (Leia mais: PPS se propõe a apoiar qualquer candidato do PSDB)
Marta e os presidentes nacional, estadual e municipal do PT paulista, Ricardo Berzoini, Edinho Silva e José Américo, deixaram o jantar com a incumbência de elaborar uma agenda para alavancar a campanha de Dilma no estado mais populoso do país.
- Uma agenda política, nos fins de semana, desvinculada do trabalho – detalhou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), um dos participantes.
Casa de Marta é palco de sorrisos entre rivais
A ordem – que partiu do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva – era dar uma demonstração de unidade, abrir as portas do PT paulista – principal núcleo de poder do partido – a Dilma e dirimir dúvidas sobre possíveis resistências à sua candidatura à Presidência em 2010.
Coube a Marta Suplicy apresentar Dilma – mineira com carreira construída entre Porto Alegre e Brasília – ao PT paulista.
Marta abriu a noite exaltando a união do partido em um curto discurso ao lado da lareira. Dilma falou em seguida, destacando a necessidade de dar continuidade aos programas de Lula.
- Só uma candidatura do PT pode garantir esta continuidade – afirmou a ministra chefe da Casa Civil.
A própria Dilma Rousseff admitiu, antes do jantar, que precisa submeter ao partido a sua candidatura, mas deixou clara a intenção de disputar, dizendo que o Brasil já está maduro o suficiente para ter uma mulher presidente, e que ‘ainda’ não é candidata.
Outra demonstração de unidade foi a presença dos principais pré-candidatos do partido ao governo paulista: Arlindo Chinaglia, Antonio Palocci e a própria Marta.
“ Estou gordo, vou ocupar muito espaço “
Nomes que correm por fora, como o prefeito de Osasco, Emídio Souza (apadrinhado por João Paulo Cunha), Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy, também compareceram.
O marido de Marta, Luís Favre, fez as vezes de fotógrafo. Dilma, paciente, posou ao lado das bancadas, com prefeitos e dirigentes. Na hora da foto com a numerosa bancada federal, surgiu uma indicação de que Palocci largou na frente na disputa pela candidatura petista ao governo do estado.
Atendendo a pedidos gerais, o ex-ministro da Fazenda sentou-se no centro do sofá, entre Dilma e Marta. Palocci, que depende de uma absolvição no processo sobre a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa – ainda tentou se esquivar:
- Estou gordo, vou ocupar muito espaço – argumentou.
Chinaglia sentou-se à esquerda de Marta. Atrás ficaram os mensaleiros João Paulo e Mentor.
Dirceu, tido como contrário a Dilma, não apareceA ausência mais comentada foi a do ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, tido como um dos principais lideres da resistência paulista ao nome de Dilma como candidata a presidente.
Dilma informou que viajará toda sexta-feira, com o presidente Lula, para fiscalizar o andamento de projetos. Sobre a decisão do DEM de denunciá-la ao Tribunal Superior Eleitoral por campanha eleitoral antecipada, ela disse que a oposição está incomodada com os investimentos do governo:
- Por que o presidente chegou a dizer que cortará o meu batom e não cortará uma obra do PAC? É porque saímos com investimentos pesados agora. Essa crise vai passar, e o Brasil estará em melhores condições – disse a ministra, que cumprimentou operários, pôs um capacete e acionou uma máquina.
O discurso de Dilma nesta sexta foi semelhante ao que fez durante o Fórum Social Mundial. Dilma tem intensificado nos últimos dias os compromissos públicos, que garantem maior visibilidade a ela, seja na festa do PT , seja em inaugurações ao lado de Lula , seja no Encontro Nacional de Prefeitos.
Nesta sexta, em Recife, Lula também reagiu à oposição. Segundo ele, a acusação de campanha antecipada é ‘absurda’ e ‘pequena’, e a ministra vai continuar viajando para inaugurar obras do PAC.
14/02/2009 - 07:52h ”O Brasil está maduro para ter uma mulher presidente”, afirma Dilma

Ministra diz que não tem encontrado resistências a seu nome no PT, mas ainda evita se declarar candidata
Julia Duailibi – O Estado SP
Ao chegar à casa da ex-prefeita Marta Suplicy para ser “apresentada” ao PT paulista, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que o Brasil está pronto para ter uma mulher no comando do País.
“Acho que o Brasil está maduro para ter uma mulher presidente. Acho que esse século é o das mulheres. Não só no Brasil, como na América Latina”, declarou a ministra, citando as presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e do Chile, Michele Bachelet. Cotada para ser a presidenciável petista em 2010, a ministra completou: “Aliás nós somos maioria no Brasil. Não vejo por que uma mulher não tenha todas as condições”.
Marta organizou o jantar a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para quem a candidatura de Dilma precisa ganhar respaldo partidário.
“O time de São Paulo está unido para apoiar a sua candidatura à Presidência da República: a primeira mulher presidente deste País”, disse a ex-prefeita, ao saudar a ministra.
RESISTÊNCIAS
Questionada sobre eventuais resistências a seu nome no partido, Dilma disse que o PT a recebeu de forma “fraterna” e que ela representa o que há de mais “vívido” na legenda. “Não vejo nenhuma resistência. O PT tem me recebido de uma forma muito fraterna em todas as reuniões. Não só porque eu represento o que tem de mais vívido”, afirmou a ministra, ao citar o PT como um partido que nasceu de “lutas” e dos “movimentos sociais”. Dilma atuou em movimentos de esquerda durante o regime militar, nos anos 70.
Foi o terceiro evento com petistas na semana – a ministra já havia sido a estrela da reunião do Diretório Nacional e da festa dos 29 anos do partido.
Ontem, apesar de todo o contexto óbvio a favor de seu lançamento para a eleição de 2010, Dilma negou ser candidata. “Eu não estou e também não sou candidata. Para isso teria que ter debatido com o presidente, o que não fiz, e teria de ter o apoio do partido. As duas coisas não estão dadas ainda”, disse. “As coisa têm a sua hora. A minha não chegou ainda.”
Antes de entrar na casa de Marta, a ministra recebeu flores de um grupo humorístico. No jantar eram esperados cerca de 60 petistas, entre eles prefeitos e parlamentares. No menu, ravióli de abóbora e picadinho ao molho de vinho.
UNIDADE
Durante o encontro, Marta empenhou-se pessoalmente em circular com Dilma pelas diferentes “rodinhas” do PT paulista, para apresentá-la formalmente a cada um dos líderes do partido no Estado.
A chefe da Casa Civil, segundo relato de participantes do evento, fez um rápido discurso por volta das 21h30. Mas evitou se aprofundar em qualquer tipo de polêmica, como, por exemplo, as críticas da oposição de que o presidente Lula ignora a legislação e antecipa a campanha eleitoral de 2010 ao promovê-la pelo País.
No discurso, Dilma falou, por exemplo, sobre o empenho do governo federal em combater a crise financeira internacional e evitar que os sintomas da recessão se aprofundem no mercado doméstico. Disse ainda que espera ver o PT unido daqui para a frente, para assegurar a continuidade do projeto em execução pelo presidente Lula.
Dilma, segundo petistas, encerrou sua intervenção alegando que estava presente no jantar principalmente para escutar e passou a palavra aos colegas de partido.
14/02/2009 - 07:36h “O PT já está resolvido, a Dilma é nossa candidata”

Ministra diz ser o que PT tem de mais “vívido”
CATIA SEABRA – FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL
Ainda alvo de restrições de parcela do partido, Dilma Rousseff negou ontem que sofra resistência de petistas e chegou a dizer que representa o que tem de “mais vívido” no PT. À entrada de um jantar oferecido em São Paulo pela ex-prefeita Marta Suplicy com o objetivo de aproximar a ministra da sigla, ela condicionou sua candidatura ao PT, mas descartou que seja objeto de restrição.
“Não vejo nenhuma resistência, pelo contrário. O PT tem me recebido de forma muito fraterna em todos os lugares a que vou”, disse ela, lembrando que parte substantiva de quem resistiu à ditadura desaguou no PT. “Tenho identificação com o cerne do PT, não é um partido qualquer”, disse.
Pouco antes, ela havia afirmado que sua candidatura dependeria de uma conversa com o presidente Lula e de avaliação do PT. “Como as duas coisas não estão dadas, não posso dizer que sou candidata, ainda.” “Lançada” por Marta como candidata, Dilma lembrou que as mulheres são maioria no país: “Não vejo por que uma mulher não tenha todas as condições [de ser presidente]“.
Apesar de negar a candidatura -”as coisas têm sua hora, a minha não chegou ainda”-, ela reconheceu que essa é sua pretensão. “Minha grande ambição é dar continuidade ao governo do presidente Lula”. O líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), disse que “o PT já está resolvido, a Dilma é nossa candidata”. Ao receber a ministra, Marta disse que o “time de São Paulo está unido para apoiar sua candidatura à Presidência”.
Durante o jantar, segundo o deputado Vicentinho, a ministra disse que se submete ao que o PT decidir e defendeu que o partido tem que se unir porque vai disputar sua primeira eleição presidencial sem Lula. Mais cedo, no Rio Grande do Sul, seu berço político, Dilma atacou a “falta de projeto” da oposição, ao lançar obras do PAC, em resposta às críticas de PSDB e DEM de que Lula estaria usando a máquina do governo para projetá-la à sucessão. “Eles podem falar o que quiserem, mas não me parece que tenham um projeto.”
Dilma chamou de “PAC do Serra” o pacote de R$ 20,6 bilhões anunciados anteontem pelo governador. “Somos a favor de investimento neste momento.”
Ontem, a ministra inaugurou duplicação de avenida, prometeu R$ 1,2 bilhão em obras no Estado e posou para fotos em máquina de perfurar solos em cerimônia do início de ampliação de linha de metrô. Inaugurações, disse ela, são forma de “prestar contas” à população.
Colaborou GRACILIANO ROCHA , da Agência Folha, em São Leopoldo e Novo Hamburgo
12/02/2009 - 10:35h De volta à cena o ex-Campo Majoritário
Maria Inês Nassif – VALOR
O ex-Campo Majoritário do PT paulista está se articulando rapidamente em torno da candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência da República e de um único nome na disputa para o governo de São Paulo em 2010. Com isso, procura retomar a hegemonia na estrutura nacional do partido e o poder de barganha que tinha no passado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A tentativa do ex-Campo Majoritário, agora distribuído em mais de uma tendência, é para que essa articulação recomponha o equilíbrio de poder interno do PT que deu a vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. A partir de 1998, e até 2002, prevaleceu um pacto de convivência entre um líder carismático conhecido nacionalmente e uma estrutura burocrática que era forte e capilarizada. Lula usava da estrutura para disputar eleições e sua popularidade contribuia para o crescimento da legenda. Recompor agora com Lula significa proporcionar à Dilma o uso de uma máquina partidária grande – e muito organizada no Estado mais rico da Federação – e capitalizar a excepcional popularidade de Lula. De quebra, a tendência pode ganhar mais densidade num futuro governo Dilma, se ela vencer as eleições.
Foram os integrantes do ex-grupo chamados por Lula no Palácio do Planalto, no começo do ano, e encarregados de transitar internamente o nome da ministra Dilma Rousseff como candidata à sua sucessão, em 2010. Os ex-prefeitos Marta Suplicy (SP) e Fernando Pimentel (MG) e o deputado João Paulo (SP) foram os encarregados da tarefa. Os paulistas articularam-se rapidamente. Venceram a resistência de José Dirceu. O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, já deu uma declaração pública em favor da ministra – com a ressalva implícita de que a candidatura tem que obrigatoriamente passar pelo partido. Amanhã, haverá uma reunião de Dilma com os petistas paulistas, na casa da ex-prefeita. Simultaneamente, fecharam um acordo entre os três postulantes ao governo – Marta Suplicy, o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia e o ex-ministro Antonio Palocci – e vão se entender em torno de um único candidato. Isso levará um grupo grande e coeso para a candidatura de Dilma e fortalecerá a sua posição no Diretório Nacional.
No período que antecedeu ao escândalo do mensalão, o Campo Majoritário paulista era hegemônico, tanto na tendência como no partido. Enfraqueceu-se devido ao envolvimento de vários de seus integrantes no escândalo do mensalão, em 2005, e dividiu-se. O grupo perdeu posições no partido – apesar da eleição para a presidência nacional do deputado Ricardo Berzoini – e no governo, com a queda dos dois ministros mais poderosos do primeiro mandato de Lula: José Dirceu, da Casa Civil, e Antonio Palocci, da Fazenda. São Paulo perdeu espaço para outros líderes que cresceram na contramão das agruras sofridas principalmente por líderes que irradiavam do Estado a sua influência para o resto do país. O presidente Lula distanciou-se da legenda e garantiu uma reeleição quase que apenas contando com a sua popularidade. É certo, usou a estrutura partidária, mas sem estabelecer uma relação orgânica com o seu partido.
Dilma, no pontapé inicial de sua candidatura, conta com a popularidade de Lula, mas não conseguirá se viabilizar sem uma relação estreita com o PT, que continua grande e capilarizado mesmo depois de passar pelos revezes de 2005. Vai definir suas relações com o PT pelas mãos do ex-Campo Majoritário. O grupo que tenta se reunificar conta com a sua experiência de articulação interna, que lhe dá rapidez, e com a concordância tácita das outras tendências de que a candidatura deve ser a da ministra. Segundo um dos petistas envolvidos na articulação, para qualquer dos grupos é vantajoso que o partido capitalize a popularidade de Lula. Como é importante que o partido continue sendo governo, onde todos estão representados na estrutura ministerial.
Ao que parece, o ex-Campo retoma suas articulações com a força que tinha antes. Mostra-se capaz de passar como um trator por interesses que contrariem a sua estratégia. A vitória de dois peemedebistas para a presidência da Câmara e do Senado passa por uma articulação já em andamento para negociar, com cada diretório regional do PMDB, a aliança com Dilma. Na Câmara, o grupo lutou até o último minuto para conseguir a vitória do deputado Cândido Vaccarezza (SP) como líder. O outro candidato, Paulo Teixeira (SP), era aliado do ministro da Justiça, Tarso Genro (RS), que vê a sua postulação à Presidência da República reduzir-se a pó.
Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras
E-mail maria.inesnassif@valor.com.br
12/02/2009 - 10:03h Refrão de campanha dá início à aproximação com militância petista

Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR
Pré-candidata do PT à presidência, nome preferido de Luiz Inácio Lula da Silva à sua sucessão, executora do principal programa de investimentos do governo federal, a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, teve integral agenda de candidata nos eventos partidários ao longo desta semana, em Brasília. Inclusive com direito a, no jantar comemorativo de 29 anos do PT, ver o seu nome incorporado ao grito de guerra da militância petista na campanha presidencial de 1989. Ao ser chamada ao palco para discursar como maior estrela do evento, Dilma foi recepcionada efusivamente: “Olê, olê, olá, olá. Dilma, Dilma”.
A frase é emblemática para o PT, já que sempre impulsionou as aparições de Lula em eventos públicos desde que ele se lançou candidato a presidente pela primeira vez, há quase 20 anos. Ter seu nome incluído em um jingle histórico é, na opinião de um petista com cargo estratégico no Planalto, sinal de que a base petista incorporou o nome da ministra como a candidata petista em 2010. E Dilma começa, cada vez mais, a se sentir à vontade no figurino de presidenciável. Em uma fala rápida, de quase dez minutos, fez questão de elogiar a militância do partido.
Segundo a ministra, que chegou a ser criticada até pelo ministro Tarso Genro (Justiça) de não ter vida partidária, os militantes petistas foram fundamentais para que a legenda chegasse ao poder. E foram vitais para que o governo Lula atingisse as marcas e conquistasse as vitórias que alçaram o presidente a uma aprovação pessoal recorde. Em rápidas palavras, enumerou alguns feitos da gestão petista. Nada muito longo, para não entendiar a plateia. “Discurso de meia hora é só para o Lula”, brincou um petista com gabinete no quarto andar.
Dilma sabe muito bem das diferenças em relação ao seu mentor político. Mas vem treinando para melhorar. Segundo uma pessoa próxima, ela tem recebido aulas de retórica, para que seus discursos, que carregam sempre um teor administrativo e professoral, penetrem no “imaginário das pessoas”. Só assim, reconhecem os petistas, ela poderá ter sucesso em uma campanha eleitoral. “Não podemos compará-la com o presidente. Isso seria mortal. Aliás, essa comparação é mortal para qualquer político”, declarou um petista ligado à cúpula partidária.
Um dos escalados para ajudar na campanha presidencial de Dilma, o ex-governador do Acre, Jorge Viana, acha que a ministra tem que viajar mais e, nessas viagens, dialogar mais com os movimentos sociais e com a base petista. “Diferente de outros colegas, não acho que esta eleição será mais difícil para o PT. Temos um governo para mostrar, um governo que deu certo. Mas Dilma precisa se embrenhar pelos rincões deste país”, defendeu ele.
Viana sugere algo que reconhece ser muito difícil neste momento: separar a agenda da Dilma ministra e da Dilma candidata. “Eu sei que é complicado, mas ela tem que dar um jeito. Até o final do ano vamos conseguir isto”. Um dirigente petista disse que, mesmo que a agenda “maluca” da ministra não permita, é preciso aproveitar cada brecha para que ela interaja com os movimentos sociais e com os partidos aliados.
Na noite desta sexta-feira Dilma vai aproveitar uma dessas brechas para se encontrar com um dos grupos mais importantes para que sua campanha presidencial deslanche de fato: os representantes do PT paulista. A ministra da Casa Civil será recebida por Marta Suplicy em um jantar que vai reunir a cúpula do partido no Estado. Estão convidados para o encontro toda a bancada federal e estadual do partido, prefeitos petistas da Grande São Paulo, além dos vereadores da capital. “É um encontro de aproximação com o PT de São Paulo”, afirma o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), um dos convidados do jantar.
Um outro caminho a ser percorrido pela ministra é retomar a química com os integrantes do chamado bloquinho de esquerda: PCdoB, PSB e PDT. Para isto, Dilma delineou a estratégia ao declarar, no jantar de aniversário do PT, que o partido tem uma diretriz socialista. Isto aproxima sua candidatura de aliados históricos, não descarta a ala progressista do PMDB e estabelece uma diferenciação clara de outros aliados que sempre provocaram ojeriza a alas petistas: PTB, PR e PP. “Ela também deve aproveitar seu histórico político de combate à pobreza e à ditadura. Ela dedicou sua vida a isto”, disse um influente parlamentar petista. (Colaborou Yan Boechat, de São Paulo)
10/02/2009 - 22:50h Dilma janta na casa de Marta para reduzir resistência do PT paulista
Ricardo Galhardo – O Globo
SÃO PAULO – A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, inicia na próxima sexta-feira, com um jantar na casa da ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy, a tarefa de consolidar dentro do PT sua candidatura à Presidência da República em 2010. O objetivo do jantar é dirimir eventuais resistências ao nome de Dilma no PT paulista, principal pólo de poder do partido, no qual a ministra – mineira que construiu a carreira no Rio Grande do Sul – tem pouco trânsito.
- Há um burburinho sobre supostas resistências do PT paulista ao nome de Dilma. O objetivo do jantar é mostrar que, ao contrário do que dizem os boatos, o partido está unido em torno dela. Depois disso, ninguém mais vai poder dizer que o PT de São Paulo resiste a Dilma – disse um petista próximo a Marta.
O jantar marca também o retorno de Marta ao cenário político depois da derrota na eleição municipal e o início das atividades do núcleo de coordenação pré-eleitoral de Dilma, criado pelo próprio presidente Luiz Inácio da Silva. No início do ano, Lula se reuniu com Marta e os ex-prefeitos de Belo Horizonte e Recife, Fernando Pimentel e João Paulo, e os incumbiu de uma série de tarefas para pavimentar a candidatura de Dilma.
Em breve o grupo será reforçado pelo ex-governador do Acre, Jorge Viana. Em comum, os quatro têm a experiência administrativa e o fato de não ocuparem cargos públicos, o que os libera para atividades políticas.
A primeira tarefa estabelecida por Lula foi apresentar Dilma ao PT de São Paulo.
- A idéia é criar uma empatia entre Dilma e o PT paulista. Muita gente ainda não a conhece – disse o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP).
Foram convidados todos os senadores, deputados federais, estaduais, vereadores, prefeitos da região metropolitana e alguns dirigentes estaduais e muinicipais.
A idéia é sair do jantar com um esboço de agenda de visitas e encontros políticos de Dilma em São Paulo.
- Vamos elaborar uma agenda de interlocutores, reuniões e atividades. Por outro lado, Dilma terá elementos de reflexão sobre a política paulista que talvez ela não conheça. São Paulo é o estado onde a oposição ao PT é mais forte e daqui deve sair o adversário dela em 2010 – disse um petista ligado a Marta.
Uma das preocupações dos organizadores do jantar é evitar que a disputa interna pela candidatura ao governo paulista contamine o encontro. Por isso, foram convidados os deputados Antônio Palocci e Arlindo Chinaglia, que surgem como principais nomes do PT para a sucessão de José Serra (PSDB) ao lado da própria Marta.
Nomes que correm por fora como os prefeitos de Osasco, Emídio de Souza, e São Bernardo, Luiz Marinho, e os senadores Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy também foram convidados.
Dirigentes de grupos hostis a Marta e da esquerda petista não haviam recebido convite até a noite de terça-feira.
06/12/2008 - 09:40h Kassab encerra 1º mandato com 56% de aprovação, segundo Datafolha
Resultado é só 1 ponto percentual abaixo do de Maluf, o melhor já registrado por um prefeito ao deixar o governo, diz Datafolha
O prefeito com pior avaliação ao deixar administração foi, segundo o Datafolha, Celso Pitta, com 81% de reprovação

O prefeito Gilberto Kassab posa para fotos no viaduto do Chá
EVANDRO SPINELLI – FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL
Um mês após a reeleição para prefeito de São Paulo, a aprovação à gestão de Gilberto Kassab (DEM) atinge 56% na última pesquisa Datafolha do ano.
É um índice positivo, pois representa uma estabilidade em relação ao que ele vinha apresentando na campanha eleitoral, mas fica um ponto percentual abaixo do melhor índice registrado por um prefeito ao deixar o governo: Paulo Maluf (PP), em 1996.
Para o Datafolha, a aprovação de ambos está em empate técnico, mas Kassab tem maior rejeição (17% contra 11% de Maluf), o que desempata o jogo em favor do ex-prefeito.
Maluf disputou a prefeitura e foi o quarto colocado na eleição, com 6% dos votos. Já Kassab tornou-se o primeiro prefeito reeleito da história da cidade, com 34% no primeiro turno e 61% no segundo.
O Datafolha completa 25 anos em 2008 e mede a avaliação dos governos municipais desde a volta da eleição direta para prefeito da capital, em 1985. O primeiro avaliado foi Jânio Quadros, prefeito de 1986 a 1988, que deixou o governo com 30% de aprovação.
O pior prefeito desse período, segundo o Datafolha, foi Celso Pitta, que deixou o governo em 2000 com 81% de reprovação e aprovação de apenas 4% dos eleitores.
Estabilidade
A avaliação da gestão Kassab se estabilizou no mesmo patamar do segundo turno da campanha eleitoral. O prefeito fechou a eleição com 59% de aprovação à sua gestão e 15% de rejeição. Chegou agora a 56% e 17%, respectivamente.
Nos dois casos, há uma variação dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. O levantamento foi feito entre os dias 25 e 28 de novembro com 1.103 eleitores da capital.
Kassab tinha 49% de aprovação na semana que antecedeu o primeiro turno, no qual ele surpreendeu e apareceu na frente da então favorita Marta Suplicy (PT). Começou o segundo turno com 61% de ótimo ou bom, o maior índice registrado em todo o seu governo, e registrou 59% nas duas outras pesquisas anteriores à eleição.
A nota média do governo também apresenta estabilidade. Kassab tinha nota 6,6 logo após o primeiro turno, manteve a nota na pesquisa seguinte e fechou a campanha com 6,5. Agora, chega a 6,4.
Doze por cento dos entrevistados deram nota dez ao prefeito e 8% disseram que ele merece nota zero.
Para Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, o resultado é positivo para Kassab. Segundo ele, terminada a campanha há uma tendência natural de que o prefeito tenha queda em sua avaliação devido ao fim da exposição de mídia. Com Kassab não foi assim.
“Kassab foi o grande personagem da eleição. Ele tinha o maior tempo de TV e muita mídia. É comum a avaliação dos prefeitos caírem depois da eleição, mas Kassab conseguiu manter, o que é positivo para ele”, afirmou Paulino.
Mulheres
A estabilidade, no entanto, não vale para todas as camadas sociais. A reprovação do governo subiu seis pontos percentuais entre as mulheres (de 13% para 19%) e dez pontos na faixa etária de 35 a 44 anos (passou de 14% para 24%), para citar apenas dois exemplos.
A aprovação também caiu em algumas áreas, como entre os eleitores de nível superior (cinco pontos percentuais, de 68% para 63%) e aqueles com renda de 5 a 10 salários mínimos (dez pontos, de 65% para 55%).
28/11/2008 - 12:20h Marinho defende aliança mais ampla em SP
César Felício, de São Bernardo do Campo – VALOR
Principal prefeito eleito pelo PT no Estado de São Paulo, o ex-ministro do Trabalho e da Previdência Luiz Marinho já sinaliza que a correlação de forças dentro da sigla poderá mudar.
Com o enfraquecimento do PT no interior do Estado e a nova derrota na capital, o partido se fortaleceu em seu berço e domicílio eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E pela primeira vez São Bernardo, e não Santo André, torna-se a principal referência petista no cordão industrial que circunda a capital. Marinho exclui a própria candidatura ao governo estadual, mas deixa claro que irá atuar para aumentar o grau de pragmatismo do PT estadual de modo ao partido estabelecer um amplo arco de alianças partidárias para as próximas eleições estaduais.
O prefeito eleito lembra que em 2006 a disputa interna entre o senador Aloizio Mercadante e a ex-ministra do Turismo Marta Suplicy impediu que o partido conseguisse uma coligação de grande porte para enfrentar o tucano José Serra, que se elegeu no primeiro turno. Em 2002, quando Marinho foi candidato a vice na chapa de José Genoino, a perspectiva era apenas garantir um palanque para Lula no segundo turno da eleição presidencial. Nas eleições anteriores nunca foram tentadas alianças fora dos partidos da esquerda.
Para Marinho, o PT tem que seguir a estratégia de José Serra, que usou a eleição municipal para tentar cimentar uma aliança com o PMDB e o DEM para 2010, em torno não só da sua candidatura presidencial, mas das eleições locais, ainda que não estejam definidos os nomes dos candidatos ao governo do Estado e ao Senado. O prefeito eleito citou quatro possíveis candidatos a governador no PT: o ministro da Educação Fernando Haddad, o deputado Antonio Palocci, o senador Aloizio Mercadante e a ex-ministra Marta Suplicy.
Sua candidatura é descartada face à dificuldade de a administração de Marinho mostrar resultados no curto prazo. Entre os colaboradores de Marinho, há bastante pessimismo não só em relação aos efeitos da crise econômica sobre o setor industrial, responsável por quase 40% dos empregos na cidade, como em relação às contas municipais. “Marinho não pode fazer um governo pífio se quiser manter ambições políticas, e as condições que irá encontrar não são nada animadoras. Ele terá que contar com muita ajuda do governo federal”, comenta o coordenador político da campanha, o ex-prefeito Maurício Soares. Os petistas esperam que os investimentos federais do PAC compensem uma eventual perda de receita. A cidade está 9 projetos de saneamento e 4 de habitação que somam R$ 167 milhões.
Cidade com o segundo maior orçamento do país entre municípios do interior (atrás apenas de Campinas), São Bernardo não conta com uma grande dívida fundada, mas tem uma tradição de problemas de dívidas de curto prazo, segundo Soares. Prefeito da cidade entre 1989 e 1992 e entre 1997 e 2002, Soares afirma que assumiu a administração municipal com pagamentos vencidos a fornecedores e prestadores de serviço nas duas ocasiões. “Já há reclamações de atrasos. A gente sabe que existem algumas táticas como o empenho e o posterior cancelamento do empenho. É algo que só ficará claro quando o novo governo assumir”, diz Soares.
A equipe econômica do prefeito Dib contesta a assessoria de Marinho. Segundo dados da secretaria de Finanças, há R$ 248,78 milhões em empenhos a serem liquidados até 31 de dezembro. A receita corrente realizada até 31 de outubro foi de R$ 1,434 bilhão. A previsão é que entrem em novembro e dezembro mais R$ 272,1 milhões, valor suficiente para cobrir os empenhos.
A equipe de transição é comandada por Miriam Belchior, que foi casada com o prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado em 2001 quando era coordenador de programa de governo da candidatura presidencial de Lula em 2002.
A participação do presidente Lula na campanha de São Bernardo do Campo deu-se em duas etapas. A mais importante foi a das alianças. Passou pelo gabinete presidencial o acordo para que o deputado e cantor Frank Aguiar (PTB-SP), cuja seção local do partido é controlada pelo deputado estadual Campos Machado, ligado aos tucanos, se tornasse vice na chapa de Marinho. E também foi um encontro com Lula que sacramentou o reingresso de Maurício Soares no PT, rompendo a aliança de 20 anos com o prefeito William Dib, do PSB, mas solidamente alinhado ao PSDB e ao DEM.
Por meio de Soares, coordenador político da campanha, Marinho montou uma aliança com 11 partidos, muitos dos quais reunindo a elite política da cidade, formada por um grupo de famílias de origem italiana estabelecidas em São Bernardo desde o início do século passado e cujos sobrenomes batizam vários bairros nos municípios. Com isso, o isolamento petista – que levou o deputado Vicentinho a concorrer sozinho em 2004 e ter apenas 23% dos votos válidos – foi definitivamente para o passado.
Seja em atos públicos de governo ou de campanha, Lula participou cinco vezes de concentrações populares na cidade onde reside, durante a campanha. Criticou tanto ao prefeito William Dib (PSB) quanto o candidato tucano Orlando Morando, chamado de “sujeitinho” pelo presidente em palanque. “Ficou nítido que Lula tem um projeto pessoal que passa por ter nas mãos do PT a Prefeitura de São Bernardo”, comentou Morando, que atribui ao presidente uma das principais razões de sua derrota. Dentro do grupo derrotado, o palpite é que o presidente bancou Marinho porque apostaria em seu ex-ministro do Trabalho e da Previdência como opção para disputar o governo estadual em 2010. Entre os aliados do prefeito eleito, a candidatura na próxima eleição é descartada e razões de ordem pessoal são lembradas. Mas deixam claro que Marinho pode estar sendo preparado como uma espécie de herdeiro para vôos futuros.
“Lula gosta muito de São Bernardo e se incomoda de morar em uma cidade onde o partido não ganhava há muitos anos. Mas acima de qualquer outra coisa, Lula gosta muito de Luiz Marinho. Talvez mais do que qualquer outro político no PT paulista”, comentou um correligionário do prefeito eleito.
A campanha de Marinho também foi vigorosa do ponto de vista financeiro. O candidato petista arrecadou R$ 11,469 milhões para cabalar o voto dos 539 mil eleitores da cidade. Fez um investimento médio de R$ 21,28 por voto da cidade. Em São Paulo, o prefeito reeleito da capital, Gilberto Kassab (DEM), arrecadou por meio de seu comitê financeiro R$ 34,3 milhões, o que significaria um gasto médio por eleitor de R$ 4,19. ” Isso foi produto da pressão sindical. Com o controle que a CUT tem sobre as bases dos trabalhadores, as empresas abriram os cofres para o PT, não só por amor, mas por temor”, diz Morando.
28/11/2008 - 11:55h “Partido terá que buscar os aliados do PSDB no Estado”
Davilym dourado/valor

Marinho: “Não excluiria Marta, Palocci, Mercadante ou Haddad, mas o mais importante agora é definir o arco de alianças e falta ousadia no PT para isso”
De São Bernardo do Campo – VALOR
Eis os principais trechos da entrevista do prefeito eleito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, ao Valor, concedida em seu escritório de campanha:
Valor: A Prefeitura de São Bernardo do Campo terminou sendo a principal vitória do PT em São Paulo, em uma eleição em que o partido não teve grande sucesso no Estado. Que papel o senhor jogará na eleição em 2010?
Luiz Marinho: A chance de eu ser candidato é zero, porque não faço milagre em dois anos. Não tenho como assumir uma prefeitura em 2009 e arrumá-la em 2010. Minha candidatura é impossível. Já avisei ao partido que não serei candidato. Este debate já foi feito. Se fosse para eu disputar o governo do Estado, teria continuado ministro. Discordo ainda que o PT tenha tido um resultado ruim em uma eleição em que cresceu 10% no número de prefeitos em São Paulo.
Valor: Ainda que o senhor não seja candidato ao governo estadual, será um grande eleitor. Por onde o senhor acha que o partido deve seguir em São Paulo?
Marinho: O importante agora é definir alianças. O PT já perdeu eleições passadas em São Paulo por falta de ousadia em estabelecer alianças. Deixou escapar algumas eleições pelos dedos. Isto é muito mais importante do que definir o candidato agora. Em algum momento vamos ter que trabalhar para romper o amplo arco de alianças que o PSDB montou aqui, que vai do DEM ao PMDB, ao PTB.
Valor: Então o PT teria que procurar fazer o que Serra fez este ano: armou uma aliança PSDB-DEM-PMDB antes de definir o candidato ao governo estadual?
Marinho: Mais ou menos. E como candidato não excluiria ninguém: a ex-ministra Marta Suplicy, o senador Aloizio Mercadante, o deputado Antonio Palocci ou o ministro da Educação, Fernando Haddad. Importante é ter aliança.
Valor: Em 2006, o partido definiu o candidato em prévias e depois buscou alianças. Isto é o que não pode se repetir?
Marinho: Se o partido entra em disputa de prévias, fica discutindo nomes, para depois fazer alianças, faltando três meses para a eleição, a gente já sabe o que acontece. É a derrota. Se partir para disputa interna, não se constroem as alianças.
Valor: São Bernardo tende a sofrer o maior impacto da crise econômico, pelo peso do setor automotivo nas finanças do município. A ajuda do governo federal tende a ser uma válvula de escape de sua administração, diante da expectativa de frustração de receita?
Marinho: Há um certo alarmismo na avaliação da crise. Não há descontinuidade nas decisões de investimento. Cortes de investimentos não podem ser confundidos com ajustes de produção, com calibragem do mercado interno diante da queda de exportações. Agora, com certeza virão muito mais recursos federais para a cidade, já que a administração atual não se esforçou para apresentar projetos. Já estamos tentando carrear recursos federais por meio do Orçamento da União. Uma das emendas articuladas pelo PT destina R$ 70 milhões a um hospital municipal. Vamos tentar assegurar a liberação deste valor. Este é apenas um exemplo. Também espero estabelecer uma ponte com o governador José Serra. Ele ligou para me cumprimentar após o resultado eleitoral e prometeu uma relação “republicana”.
Valor: O fato dele ser o principal presidenciável da oposição não pode prejudicar este relacionamento?
Marinho: O primeiro gesto dele apontou na direção contrária. Estive recentemente com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para começar a tratar disso. Falei que os prefeitos da região metropolitana precisavam colocar para o governador a necessidade de um planejamento estratégico na área de transportes. O governo estadual está investindo nos municípios que já são servidos por trilhos dos trens metropolitanos, o que não é o caso de São Bernardo do Campo e de Diadema.
Valor: E porque Kassab precisa ser o intermediário desta demanda? Por que o senhor não tratou do tema diretamente com o governador?
Marinho: Porque ele é o prefeito da capital e deve comandar este processo.
Valor: O senhor saiu do ministério para uma disputa eleitoral em São Bernardo do Campo, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em seu palanque por várias vezes. Por que o presidente se empenhou tanto assim nesta eleição?
Marinho: Não se trata de um projeto vertical. Ser candidato a prefeito aqui estava em meu planejamento desde 2003. O partido reivindicava minha candidatura agora. O Lula disse que, no meu lugar, não seria candidato. Mas muitos viam em mim uma liderança que permitiria desconstruir as alianças do outro grupo, que comandava a cidade há duas décadas. Este grupo em 2004 montou uma aliança de 21 partidos. Agora, conseguiram o apoio de sete.
Valor: O senhor fez uma campanha extremamente bem sucedida do ponto de vista financeiro, conseguindo uma arrecadação milionária. Porque sua campanha atraiu tantos doadores?
Marinho: O apoio financeiro que recebi é produto de minha trajetória. Eu nunca fiz negócios enquanto estive nos ministérios que ocupei ou nos cargos sindicais que exerci, e isto me deu um certo reconhecimento natural. Nesta campanha, me surpreendeu o fato de as pessoas me procurarem para oferecer colaborações, não precisou ir atrás. A campanha foi toda montada com recursos captados aqui, não veio dinheiro de fora, da direção nacional do partido. Esta história de que eu fiz a campanha mais cara do país precisa de pingos nos is. A campanha do meu adversário declarou gastos muito menores do que o meu, mas tinha um volume de mobilização e de presença física nas ruas absolutamente igual. (CF)
09/11/2008 - 14:46h As preocupações do Estadão
Um artigo no jornal O Estado de São Paulo me incita a fazer um comentário.
Uma página com grandes mapas e um título destacado proclama:
“Recuo nas capitais preocupa petistas”
“Sigla teve 1 milhão a menos de votos este ano em relação a 2004″
Como teve um aumento no número de brasileiros aptos a votar, essa cifra é um pouco maior, disse o artigo, mostrando a preocupação dos petistas com o fenômeno.
Mas, quando se lê o artigo, percebe-se que em Belo Horizonte o PT não apresentou candidato em 2008, onde em 2004 tinha obtido quase 900 mil votos. O PT tampouco apresentou candidato desta vez em Aracaju, o que deve cobrir o suposto milhão perdido e que “preocupa” o Estadão.
Em verdade, o PT recuou nas votações de São Paulo e Porto Alegre, proporcionalmente bem mais nesta última (Marta teve no primeiro turno 120 mil votos a menos que em 2004 e o PT de Porto Alegre com Maria do Rosário 124 mil a menos).
Não deixa de ser preocupante, mas em ambos os casos a prefeitura já estava nas mãos dos que acabaram reeleitos, ou seja o PT não ganhou, mas não perdeu nenhuma dessas prefeituras.
A situação é preocupante para além das cifras e concerne os problemas políticos encontrados junto a setores do eleitorado no Sudeste.
Quem não parece manifestar preocupação, e o Estadão aparentemente não vê motivo para preocupação mesmo, são os demo-tucanos. Porém, poucos dias atrás o quadro a seguir publicado pelo próprio Estadão deveria motivar alguma reflexão.
Mas, ninguém pergunta nada para os que são tratados pela mídia unânime como os “vitoriosos” do pleito municipal. Veja se alguma preocupação se justifica:
Este outro quadro é da Folha (clique na imagem para ampliar e ler)
Evidentemente que o drama de uns, não implica a felicidade de outros. Cada um deverá aportar respostas aos problemas encontrados e nada seria pior para o PT que ignorar as dificuldades encontradas. Mas é conveniente fazer isto a partir da realidade e não da fantasia que a mídia procura vender: a vitória de José Serra e a derrota de Lula, como balanço das eleições municipais.
LF
29/10/2008 - 18:17h O Metrô e a cidade
TENDÊNCIAS/DEBATES
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

JORGE WILHEIM
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Não se pode imaginar que um transporte de massa tão vital para os cidadãos quanto o metrô seja implantado sem diálogo |
APÓS O período eleitoral, em que não houve espaço para esclarecimentos suficientes sobre propostas para a rede de metrô em São Paulo, volto ao tema, urgente diante do grau de congestionamento de tráfego que prejudica todos.
Para a circulação de pessoas, há dois paradigmas a considerar: a) transporte é um sistema, do qual participam o pedestre, a bicicleta, o automóvel, o veículo coletivo, o trem -donde a importância de considerar em conjunto as vias por que cada um transita e os estacionamentos em estações e terminais; b) o desenho do transporte de massa deve constituir uma rede, uma malha em que se busca maximizar o número de nós, isto é, das estações de transbordo entre uma linha e outra, pois somente assim cada um escolherá seu itinerário e o total de usuários se distribuirá, diluindo a concentração por linha que ocorre quando a rede ainda não se encontra estabelecida.
A rede de metrô, um verdadeiro reticulado, deveria cobrir toda a cidade e estender-se para municípios vizinhos: Guarulhos, São Bernardo, Taboão, Osasco. Esse desenho tem sido debatido pelos técnicos do Metrô, ocorrendo por vezes legítima divisão de opiniões.
Assim é que, enquanto um grupo, que prevaleceu quando o engenheiro Claudio de Senna era secretário estadual de Transportes Metropolitanos, defendia uma rede aberta, como a acima descrita, denominada Pitu – 2020, outros técnicos, em data mais recente, defendem a implantação de uma rede mais concentrada, no centro expandido, não chegando a constituir claramente uma rede nem tendo um alcance metropolitano, à qual se deu o nome de rede essencial, parcialmente coincidente com um Pitu – 2025.
Essa era, e é, a divergência entre as teses enunciadas durante a recente campanha eleitoral. Enquanto Marta Suplicy defendia a rede aberta, de caráter metropolitano, Kassab a acusava de ter “inventado” uma malha diferente da que se estava implantando, defendendo implicitamente outra tese, a da rede essencial.
Há, contudo, algumas modificações em ambos os esquemas gerados pelos técnicos do Metrô. A candidata Marta propunha algumas extensões a fim de alcançar Freguesia do Ó, Cerro Corá, Taboão, Vila Maria e Sapopemba a partir de linhas existentes ou em construção. Enquanto à rede essencial o governo do Estado está acrescentando uma linha nova, ligando Freguesia do Ó à estação São Joaquim (da linha norte-sul), paralela e próxima a duas linhas existentes (a leste-oeste e a que passa pela av. Paulista).
Uma divergência técnica seria normal, porém, conviria que o debate fosse ampliado, incluindo de algum modo a opinião dos usuários, além de ser imprescindível o diálogo entre a secretaria estadual e o Metrô com os responsáveis pela cidade de São Paulo e pelos municípios contíguos.
Não se pode imaginar que um transporte de massa tão vital para os cidadãos seja implantado sem diálogo com a prefeitura, sem contemplar o Plano Diretor, as operações urbanas, a política de uso do solo, o planejamento, as ações estratégicas previstas e sem debate público.
Para definir o desenho final das linhas, além do conceito de rede, deve-se considerar tanto a população que demanda o transporte quanto a força de indução que o metrô acarreta, adensando e diversificando o uso do solo.
Por isso, uma pesquisa de origem e destino, retratando as demandas atuais, não é suficiente para a determinação da malha. Essa pesquisa resulta numa redundância das tendências atuais, recaindo na articulação no centro e em sua rótula, e exclui a função indutora do metrô, bem conhecida e valorizada pelo setor imobiliário.
Embora com décadas de atraso, é urgente definir o desenho final da rede de metrô. Essa definição terá que resultar de franco e transparente debate técnico entre especialistas do Metrô e urbanistas das prefeituras pertinentes e terá que ser convalidada por uma consulta aos usuários.
Finalmente, em nível político-administrativo, o desenho da malha final e o resultante cronograma de elaboração de projetos, assim como de investimentos, deverão constituir a pauta de um acordo entre os três níveis de governo, cada um assumindo suas responsabilidades, à semelhança da divisão de encargos financeiros proposta pela então ministra do Turismo destinada a fazer face ao aumento de turistas durante o ano de 2014, ano da Copa.
O metrô de São Paulo é tão vital para a cidade e para o país que nenhum governante se furtará de buscar tal acordo, ansiosamente aguardado pela população metropolitana.
JORGE WILHEIM, 80, é arquiteto e urbanista. Foi secretário de Planejamento Urbano do município de São Paulo (gestão Marta Suplicy).
29/10/2008 - 09:20h “A direita tem um enraizamento muito forte na cidade”, diz Gilberto Carvalho em entrevista ao Valor
“Kassab teve a competência de exibir bem os repasses de Lula”, diz Carvalho
César Felício, VALOR
Para Gilberto Carvalho, chefe de gabinete pessoal de Lula,
Marta mantém-se forte:
“Politicamente, passei a admirá-la mais”
Foto Lula Marques/Folha Imagem

Chefe de gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho sempre foi um dos dirigentes petistas mais próximos do presidente. Este mês, afastou-se de Brasília por dez dias para participar da reta final da campanha de Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo, no segundo turno. O gesto foi interpretado por aliados e adversários da ex-ministra como um sinal de que Carvalho está escalado pelo próprio presidente para concorrer à presidência nacional do PT em novembro do próximo ano, assumindo assim a coordenação das alianças do partido para 2010. E, pela sua identificação com Lula, entraria na disputa com uma gama de apoios muito maior do que a corrente do antigo Campo Majoritário, desde 2005 denominado “Construindo um Novo Brasil”.
Carvalho não afasta a possibilidade de concorrer, mas frisa em entrevista por telefone ao Valorque as articulações pelo seu nome não partem do Palácio do Planalto. O chefe de gabinete pessoal de Lula lembra que transita dentro do partido uma proposta para que o mandato da atual Executiva nacional, chefiada pelo deputado Ricardo Berzoini (SP), seja prorrogado até 2011.
Natural de Londrina, Carvalho foi seminarista na juventude e teve no Paraná a sua única experiência eleitoral, ao concorrer sem sucesso à Câmara dos Deputados em 1986. Do time de primeiro escalão escolhido pelo presidente da República em 2003, para gravitar em torno de seu gabinete, Carvalho é o único que se mantém no Planalto.
A seguir, a entrevista ao Valor:
Valor: O senhor é citado por diversas alas do PT como um nome que poderia ser quase consensual para assumir a presidência do partido em 2009. Pode haver, pela 1ª vez, uma escolha sem disputa?
Gilberto Carvalho: Fui consultado por um grupo de deputados sobre a possibilidade de ser candidato. Tenho um compromisso com o presidente da República até o final de 2010. Esta história de presidir o partido surgiu agora e eu teria que deixar o governo, o que não está na minha perspectiva. Preciso falar com aquele rapaz que me paga o salário. Preciso levar o assunto ao presidente. Não vou postular a vaga, não é meu projeto. Agora, sou um filho do PT e não posso me furtar a contribuir com o partido.
Valor: Mas o nome do senhor seria uma forma de evitar disputas?
Carvalho: Seria arrogância de minha parte colocar que só aceitaria ser candidato se unisse o partido, isto é muito pretensioso. No PT nunca existiu unanimidade, o que é uma virtude do partido.
Valor: Alguns colocam que a adesão a seu nome decorre de o senhor ser o dirigente mais identificado com o presidente. Confere?
Carvalho: Ser próximo do presidente, como de fato sou, não é uma condição importante para ser presidente do PT, não credencia só por si. Pelo contrário: o eleito, quem quer que seja, tem que exercer uma autonomia em relação ao governo para representar o pensamento médio dentro do partido. E neste sentido entra às vezes em contradição com o presidente da República. O PT tem que ser a consciência crítica do governo. Presidir o PT neste sentido é honra enorme e dificuldade extraordinária.
Valor: Como o senhor avalia a derrota da candidata Marta Suplicy em São Paulo?
Carvalho: Atendi a uma demanda da coordenação de campanha da Marta no segundo turno, em um quadro que já era de muita dificuldade, em função do resultado no primeiro turno. Tirei dez dias de férias e o presidente assentiu, mas ninguém esperava que com minha vinda o quadro se revertesse. Todos tínhamos exata consciência da gravidade. O Kassab construiu este resultado com muita antecedência ao processo eleitoral. Deslocaram para ele a estrutura de marketing do José Serra e trabalharam bem os elementos que davam a ele rejeição alta, procurando melhorar a sua avaliação de governo. Ainda por cima houve uma onda de reeleição dos atuais prefeitos em todo o País. Ironicamente, o governo federal ajudou na eleição de Kassab.
Valor: Por que?
Carvalho: Porque o presidente não discriminou São Paulo, repassou muitos recursos e o Kassab teve competência de exibir bem a aplicação destes recursos. O cidadão em todo Brasil não vota por ideologia, vota pelas motivações de seu dia a dia. Mas no caso paulistana houve uma união de forças políticas em torno do prefeito. Eu sempre lembro que em 2006 o Lula perdeu em São Paulo para o Alckmin no primeiro e no segundo turno. A direita tem um enraizamento muito forte na cidade.
Valor: A rejeição à Marta e ao PT não colaborou para o resultado?
Carvalho: Esta rejeição foi construída há muitos anos, e trabalhada agora com habilidade pelos adversários e alguns erros nossos. A imagem negativa da Marta é trabalhada desde a separação dela de Eduardo Suplicy, em 2001. Quando chegou agora eles não precisaram abordar este tema nem subliminarmente, porque não era mais necessário. Mas não deixaram de realizar uma campanha negativa muito agressiva, com os comerciais no rádio sobre a “Dona Marta em Paris”. A campanha deles para aumentar a rejeição de Marta foi muito dura. Por todos estes fatores eu acho que a Marta teve um desempenho muito bom. Politicamente, passei a admirá-la mais.
Valor: O senhor não acha que ela sai enfraquecida no PT, em função das sucessivas derrotas?
Carvalho: Não. Cada eleição tem uma circunstância. Derrotas sucessivas não acontecem pela mesma razão. A Marta sai bastante forte no PT pela campanha que fez e vamos ver agora qual será o cenário para 2010. É bastante prematuro procurar imaginar qual será o papel que Marta jogará. Mas construir um quadro político e eleitoral não é fácil. Precisamos preservar o patrimônio que já temos.
Valor: É preciso pensar duas vezes antes de lançar nome novo em disputa majoritária?
Carvalho: Sem dúvida alguma. Duas vezes e mais duas. A construção de uma liderança eleitoral é difícil, é complexa.
Valor: O PT sofreu derrota surpreendente em Santo André, depois de ter quase vencido no primeiro turno. Como se explica este resultado?
Carvalho: Por um lado, houve fadiga de material. Com uma interrupção, o PT está no poder na cidade desde 1988. Do outro, evidentemente, as prévias que foram disputadas no ano passado, pelo seu grau de dureza, deixaram marcas. O secretariado do prefeito João Avamileno entregou os cargos. O partido se unificou depois, mas muitos foram para São Bernardo do Campo, trabalhar na eleição de Luiz Marinho. Figuras centrais para o partido na cidade, como Miriam Belchior, ficaram em Brasília. Além disso, o adversário Aidan Ravin (PTB) foi competente em conseguir apoio do governo de São Paulo, por meio do deputado estadual Campos Machado, e deu uma arrancada extraordinária na campanha, passando do terceiro lugar nas pesquisas para a vitória no segundo turno. Agora, é verdade que o Vanderlei Siraque praticamente ganhou no primeiro turno e a derrota deve-se, portanto, a acontecimentos da própria campanha e não a razões de fundo. Esta derrota em Santo André é um aprendizado que precisamos fazer.
28/10/2008 - 16:30h Torcedor com currículo
Blog de Nassif
Um dos estratagemas mais utilizados na disputa política é abrir espaço para torcedores alinhados com as teses do veículo, mas que venham montado em currículos acadêmicos. Aí, a torcida ganha ares de análise científica.
Faz parte desse estilo, a entrevista de Maria Vitória Benevides à Folha, tentando explicar “cientificamente” a derrota de Marta Suplicy em São Paulo.
“O problema é que a memória da imensa maioria dos eleitores, os mais pobres e os menos politizados, é mais curta. Marta devia ter um nível de aprovação altíssimo por causa dos CEUs, mas os CEUs foram apropriados pelos outros: ninguém diz que vai abandonar os CEUs. Deixou de ser algo exclusivo do PT. E a rejeição a Marta é muito forte porque juntou a rejeição ao PT, que piorou muito em razão do que aconteceu, à rejeição a Marta, que é grande por ela ser a Marta: ela agrega rejeição por ignorância, por preconceito, pelo grupo dela no PT”.
Se tem algo que caracteriza os mais desassistidos é justamente a gratidão. O que garantiu a longevidade política de Jânio, Brizolla, do mito Vargas?
Mas diria que, dos analistas-torcedores, poucos se igualam a Marco Antonio Villa na capacidade de tirar conclusões sociológicas de qualquer detalhe, por mais insignificante que seja.
Sua análise sobre o o site do Palácio do Planalto merece entrar em um compêndio sobre as grandes masturbações sociológicas desses tempos de radicalização.
Primeiro, fez análises sociológicas sobre a ferrovia que aparece no site:
• Ao abri-lo, o leitor verá um trem em alta velocidade, inclusive com som, simbolizando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), isto quando há mais de meio século as ferrovias foram consideradas símbolos do atraso e as rodovias a essência da modernidade.
Qualquer especialista em logística lhe dirá que, nesse ano da graça de 2008, ferrovias são a maior esperança de integração logística no país. Mas Villa vive de símbolos, não de análises.
Depois, avançou sobre os retratos de presidentes, ressaltando o fato da foto de Lula ser a única colorida:
A lista dos presidentes é muito estranha. Primeiro, na versão para crianças, as fotos foram “rejuvenescidas”, ou seja, o retrato de cada presidente ficou em forma de caricatura e com vários anos a menos. (…) Quando a criança clicar no “leia mais”, encontrará as fotos dos presidentes. A de Lula, estranhamente, é a única colorida.
Depois, de espalhar estranheza pela foto colorida, Villa questiona o fato de Lula se pretender o líder sindical que mudou a história do movimento no Brasil:
De acordo com a biografia, em 1975, Lula “deu uma nova direção ao movimento sindical”. As célebres greves de 1968, em Osasco (SP) e Contagem (MG), não devem ter ocorrido: “Em maio de 1978, aconteceu a primeira greve de operários metalúrgicos desde 1964, em São Bernardo do Campo, sob a liderança de Lula” (esta passagem está na biografia reservada a Ernesto Geisel). Em 1979, ele “começou a pensar na criação de um partido”.
É com base nessa isenção ampla e fundamentada que Villa é apresentado pelo Estadão como Professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade de São Carlos. E, do alto dessa titulação, poder proclamar com base apenas em análise científica isenta: “Lula e o PT foram derrotados no domingo.
Graças a essas análises, Villa, Demétrio Magnolli e outros se tornaram expoentes de suas respectivas áreas de conhecimento sendo julgados não por seus pares, mas pela demanda dos jornais por opiniões que embasem as suas próprias opiniões de “modo científico”.
Luis Nassif
28/10/2008 - 14:00h Derrota ameaça hegemonia de grupo martista em São Paulo
Cristiane Agostine e Raquel Ulhôa, VALOR de São Paulo e Brasília
A derrota de Marta Suplicy na disputa pela Prefeitura de São Paulo em São Paulo levou à divisão os grupos que a apoiaram, o que pode comprometer sua volta ao governo federal e até mesmo sua pré-candidatura ao governo do Estado, em 2010.
O resultado da eleição gerou um rearranjo de forças entre as tendências que controlam os diretórios estadual e municipal do PT, com influência majoritária dos martistas. Grupos não ligados à ex-prefeita apostam na divisão dos apoiadores de Marta para tentar enfraquecê-los. Com a crise interna deflagrada a partir da derrota, os dissidentes articulam um movimento para antecipar a troca da direção partidária, prevista para o fim de 2009. “O grupo da Marta vai se dividir ainda mais depois desta derrota”, comentou um dirigente dissidente do estadual. “Eles já não estão marchando unidos”, comentou. A antecipação da eleição interna, entretanto, é descartada pelas Executivas municipal e estadual do partido.
O grupo de Marta é hegemônico no PT municipal e elegeu 9 dos 11 vereadores. Os martistas também têm forte influência no estadual. As críticas ao comando da campanha de Marta, entretanto, não são poucas nos diretórios de São Paulo e a atuação do coordenador, deputado Carlos Zarattini, gerou divergências até mesmo entre os martistas que o indicaram. “A comunicação com a população de São Paulo foi péssima. Não tivemos problemas só com a classe média, mas também com o eleitorado tradicional do PT”, comentou um dirigente da campanha. “Perdemos em toda a cidade.”
Sem acordo até mesmo entre eles, os aliados da ex-prefeita ainda têm dúvidas sobre o futuro político dela. Dizem que Marta espera um aceno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para voltar ao Planalto, provavelmente no Ministério do Turismo, onde estava antes de disputar a prefeitura. Com poder de pressão diminuído, eles têm dúvidas em relação à vontade de Lula levar novamente Marta ao primeiro escalão do governo.
Petistas de tendências mais distantes de Marta prevêem o enfraquecimento da pré-candidatura da ex-prefeita em 2010. “Ela não está morta politicamente”, contrapõe o vereador Donato, aliado de Marta e dirigente estadual do PT. “É um grande nome para disputar o governo do Estado. Quem tem mais voto é ela e no fim é isso o que pesa”, comentou Donato. “Mas temos de analisar, com profundidade, os problemas do PT. Não conseguimos dialogar com um conjunto amplo da sociedade.”
A preparação do partido para 2010 e a troca da direção partidária no próximo ano estarão na pauta do encontro que a direção do PT de São Paulo fará hoje. A bancada municipal dos vereadores, controlada pelo grupo martista, também se reúne hoje.
No balanço do resultado das eleições no Estado, os petistas analisarão além da derrota em São Paulo, a de Santo André, cidade considerada estratégica no ABC paulista. O PT ganhou em São Bernardo do Campo e é o partido com maior número de prefeituras na região metropolitana do Estado, que concentra mais de 47,8% da população.
Ontem, a Executiva Nacional do PT fez um balanço positivo do desempenho do partido nas eleições municipais, obtendo um crescimento de 35% em relação a 2004 e elegendo 556 prefeitos – segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral -, mas vai trabalhar com “mineirice” para superar arestas com aliados na tentativa de construir uma candidatura conjunta para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E não vai “varrer para debaixo do tapete” os problemas internos que o partido enfrentou.
Em entrevista concedida depois da reunião, ontem, em Brasília, o presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), negou que a pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência da República tenha saído enfraquecida das eleições municipais, que colocaram em xeque a capacidade de Lula transferir votos. Segundo Berzoini, Dilma saiu fortalecida “do ponto de vista partidário, pela disposição militante” de comparecer, após o horário trabalho, em compromissos políticos de candidatos aliados.
“O objetivo da eleição municipal não é enfraquecer ou fortalecer candidato a presidente da República”, disse Berzoini. Ele afirmou que a ministra também cresceu na opinião pública, à medida que se tornou mais conhecida, mas foi cauteloso ao falar dela como candidata. Segundo ele, 2010 está longe e qualquer previsão sobre nomes é mera especulação”.
Berzoini não assumiu culpas nem fez críticas a campanhas. Sobre a derrota de Marta Suplicy em São Paulo, disse que o diretório estadual fará avaliação das razões e que seria “pretensão” do diretório nacional fazer análise de forma superficial. Lembrou, no entanto, que os votos que Marta recebeu correspondem ao “patamar histórico do PT” e que ela enfrentou partidos fortes em São Paulo, que se juntaram no segundo turno contra ela, inclusive o PMDB.
Berzoini mostrou-se especialmente preocupado em recompor a boa relação do PT com o PMDB, que se enfrentaram em Salvador e Porto Alegre. “Vamos trabalhar onde houve embate entre partidos base aliada com muito diálogo, principalmente entre PT e PMDB. Já conversei com o deputado Michel Temer (SP), presidente do PMDB, para termos diálogo permanente, superar problemas. Não vamos esconder que houve divergências e diferenças, mas vamos tratar politicamente”, afirmou Berzoini. A disposição, segundo ele, é “tratar dos problemas sem ânimo de guerra”.
Em Belo Horizonte, o PT saiu dividido, mas Berzoini também minimizou os problemas. Afirmou que “houve críticas de lado a lado” – tanto dos petistas que apoiaram a aliança com o PSDB do governador Aécio Neves, em torno da candidatura de Márcio Lacerda (PSB), quando daqueles que eram contra. Para esses, a presença de Aécio foi muito forte na campanha, disse Berzoini. Já a ala petista ligada ao prefeito Fernando Pimentel (PT), mentor da aliança com o PSDB ao lado de Aécio, criticou as lideranças do partido que torciam para outras candidaturas. “Devemos trabalhar com maturidade, grandeza”, disse o presidente do PT.
Mesmo analisando que é prematuro falar em nomes para a sucessão de Lula, Berzoini disse que o presidente e o PT trabalham para ter candidato e ser a cabeça-de-chapa em uma coligação com os aliados. Mas ele não descartou a candidatura de outro partido da base. “Seria prepotência”, afirmou. Avaliou, no entanto, que é legítimo o PT querer a vaga, pela liderança do presidente Lula.
A executiva recebeu também a proposta de realização de um ciclo de debates sobre a crise financeira e mesas redondas com economistas de diferentes correntes de pensamento. O PT convidará os demais partidos de sustentação do governo, para que tenham melhor compreensão dos problemas e das medidas adotadas para seu combate.
“A oposição está apresentando as alternativas dela. O PT precisa ter uma visão sobre a crise. É uma caixa preta. Ninguém sabe onde vai”, disse o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, vice-presidente do partido.
27/10/2008 - 09:56h Lula mantém crença em seu potencial de transferência de votos
Cristiano Romero, de Brasília – VALOR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sentiu o gosto da derrota nas eleições municipais. Não conseguiu transferir votos para seus candidatos, como Marta Suplicy (PT) em São Paulo, viu o provável candidato da oposição à sua sucessão, o governador José Serra (PSDB), se fortalecer e, por isso, já tomou uma decisão: vai participar ativamente da disputa de 2010, “subindo em palanque desde o primeiro momento”, segundo palavras de um assessor direto. Lula acredita que, ao contrário do que aconteceu no pleito municipal, conseguirá transferir, na corrida presidencial, popularidade e votos a seu candidato.
Sergio Alberti / Folha Imagem

Lula no momento do voto em São Bernardo do Campo:
‘Quando o governo federal está bem, ele transfere votos’
Na avaliação do presidente, a transferência de prestígio já começou, na medida em que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, possui hoje cerca de 9% das intenções de voto para 2010. “Ela partiu do zero, sem nunca ter disputado eleição. Seus 9% são 100% Lula”, disse ao Valor um ministro do núcleo do poder em Brasília.
O presidente, afiança esse ministro, atribui o infortúnio de petistas nas eleições municipais a fatores locais e não ao seu desempenho no governo, aprovado por 80% da população. Na disputa presidencial, daqui a dois anos, ele acredita que a história será diferente. Dessa vez, a disputa vai girar em torno do julgamento da sua gestão. Lula, assegura um assessor direto, quer fazer o sucessor de qualquer maneira. “O medo do Lula é chegar ao fim do mandato com os candidatos à sucessão fugindo dele, como aconteceu com Fernando Henrique”, diz um assessor.
Lula reconhece que Serra saiu fortalecido da eleição de ontem, mas “apenas em São Paulo”. “A oposição (o DEM, o PSDB e o PPS) diminuiu de tamanho”, observa um colaborador. O PT, na avaliação do presidente, reforçou a musculatura ao aumentar o número de prefeituras, principalmente, por ter vencido em cidades importantes nas duas maiores regiões metropolitanas do país – de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Apesar disso, Lula acha que é preciso “arregaçar as mangas” para eleger seu sucessor. O presidente já definiu a estratégia política para os dois anos de mandato que lhe restam. Dilma Rousseff continua sendo “a primeira da fila” nas suas preferências para 2010. Segundo um assessor, Lula ainda não tratou diretamente do tema sucessão com a ministra, mas diz que ela tem que se viabilizar para sair candidata. Mesmo sem ter conversado com Lula, Dilma teria captado a mensagem.
A ministra participou ativamente das eleições municipais, ao contrário do presidente. Subiu em palanques e gravou mensagens de apoio a candidatos da base aliada em todo o país. A militância, observa um ministro, é importante para diminuir resistências a seu nome dentro do PT e também em outros partidos da coalizão que apóia o governo. Siglas que historicamente acompanham Lula, como o PSB, têm ressalvas ao nome da ministra.
O PSB tem no deputado Ciro Gomes (CE) um candidato natural, mas assessores do Palácio do Planalto revelam que, se Lula não o fizer candidato em 2010, ele não disputará contra um nome escolhido pelo presidente. Restaria a Ciro, no caso de Dilma sair candidata, ser vice na sua chapa. Lula chegou a planejar a dobradinha Dilma-Ciro, mas nos últimos tempos mudou de idéia. Seu plano, agora, é sacramentar uma aliança com o PMDB já na formação da chapa que vai disputar a sucessão.
O PMDB, julga o presidente, saiu fortalecido das eleições municipais. Além disso, é um partido “crucial” para a governabilidade. O ideal, acredita Lula, é caminhar de braços dados com os pemedebistas desde o início. O presidente se arrepende de não ter incorporado o PMDB à coalizão que sustenta o governo já no início de seu primeiro mandato, em 2003.
O PMDB, por sua vez, não tem hoje, na avaliação de conselheiros de Lula, um nome forte para disputar a Presidência da República. Por essa razão, o presidente deseja convencer a sigla a indicar um nome para vice na chapa de Dilma. Seu predileto é o governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Lula acha que Cabral, por exercer o cargo político mais importante do PMDB, não teria dificuldade para ter o apoio do partido. O problema é que Cabral almeja disputar a reeleição. Além disso, sustentam fontes, não gostaria de concorrer com José Serra, de quem se diz amigo.
Curiosamente, um outro nome que teria crescido na cotação do presidente é o do ministro Geddel Vieira, seu ex-desafeto, hoje considerado um aliado “leal” que, na avaliação do Palácio do Planalto, transita por todo o PMDB e tem diálogo com setores do PT, apesar da disputa acalorada e desgastante que os dois partidos tiveram em Salvador. Outros nomes do PMDB são lembrados, mas com restrições – o do ministro da Defesa, Nelson Jobim, por representar o Rio Grande do Sul, como a ministra Dilma Rousseff; e os dos governadores do Espírito Santo, Paulo Hartung, e do Amazonas, Eduardo Braga, por comandarem Estados pequenos do ponto de vista eleitoral.
A estratégia de Lula para 2010 passa por mudanças no comando de seu partido, o PT. Assim como fez em 1995, quando operou para colocar o então deputado José Dirceu na liderança da sigla, com o propósito de reduzir a influência das correntes à esquerda e ampliar a política de alianças, o presidente quer seu partido unido em torno de Dilma. Ele aposta na ascensão do seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, à direção da legenda, em substituição ao deputado Ricardo Berzoini (SP), o atual presidente.
Assessor devoto de lealdade canina a Lula, Carvalho começou a costurar sua candidatura quando decidiu participar das duas últimas semanas da campanha de Marta Suplicy. O presidente vê nele, um católico fervoroso, a possibilidade de o PT “voltar a dialogar” com a sociedade, uma característica perdida desde a crise do mensalão. “Gilberto Carvalho fala com a sociedade. Berzoini é um dirigente de aparato. Só fala para dentro”, compara um assessor presidencial.
Apesar do desejo do presidente, Lula não considera fácil a eleição no PT. Lembra o caso de outro assessor da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que ele também cogitou ter no comando do PT, mas não obteve sucesso. A dificuldade está na fragmentação do poder entre vários grupos dentro do partido. Com a ajuda que deu à Marta, conseguindo inclusive que um relutante Lula participasse da reta final da campanha, Carvalho ganhou pontos com o grupo do PT paulista liderado pela ex-prefeita.
Em Brasília, o presidente quer governar os dois anos restantes de seu segundo mandato sem sobressaltos. Não pretende fazer mudanças profundas no ministério, apenas “pontuais”. Uma delas para abrigar o deputado Antonio Palocci (PT-SP), caso ele seja inocentado pelo Supremo Tribunal Federal da acusação de quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo. Embora não deva retornar ao comando do Ministério da Fazenda, Palocci, se virar ministro, integrará novamente o núcleo decisório do governo. O ex-ministro, que nunca deixou de ser um conselheiro privilegiado do presidente, tem falado freqüentemente com Lula por causa da crise internacional.
O presidente sabe que a crise afetará o desempenho da economia em 2009 e possivelmente em 2010. Seu plano é manter a inflação sob controle, política que ainda é considerada seu principal capital político, e preservar os investimentos do PAC e os programas sociais. Por causa da crise, cogita manter Henrique Meirelles na presidência do Banco Central além de outubro de 2009, prazo-limite de filiação partidária para quem deseja disputar as eleições de 2010. Deste modo, Meirelles, se desejar, poderá ficar no cargo até março de 2010, prazo definitivo para desincompatibilização. “Não há nada que proíba o presidente do BC de ser filiado a um partido”, sustenta um assessor der Lula.
25/10/2008 - 17:27h A dama de vermelho
Foi outra Marta Suplicy que debateu com Gilberto Kassab na Globo na última sexta-feira. Marta voltou a ser Marta. Vestiu vermelho e foi uma guerreira, resgatando o PT dos bons tempos, aquele PT que foi paixão de tantos e que infundia terror nos corações da elite.
Kassab, por sua vez, sentiu-se encurralado. Seu nervosismo saltava da telinha. A candidata do PT travou sua derradeira batalha com ele nesta campanha de uma forma que a fez sair daquele debate muito maior do que entrou.
Não foi por outra razão que até a Folha publicou texto opinativo de um tipo que não costuma publicar, isento. Foi do colunista Nelson de Sá, possivelmente o único colunista daquele jornal que, desde que começou a guerra do veículo com o PT há mais ou menos uns cinco anos, vem conseguindo se manter acima de paixões políticas e partidarismos.
Vejam trechos da avaliação de Nelson de Sá sobre o debate.
Marta adota estratégia de bate-estaca
NELSON DE SÁ
COLUNISTA DA FOLHA
Se Marta Suplicy se deixou abalar no debate anterior, na Record, ontem foi a vez de Gilberto Kassab. Embora tenha começado com agressividade acima do recomendável, sobretudo para quem tem rejeição tão alta, a ex-prefeita se estabilizou e atravessou o programa com aparente firmeza de argumentos. Com um questionamento constante, bate-estaca, mas que não feria o espectador.
(…) Talvez pelo impacto da propaganda com o “vagabundo” [a propaganda eleitoral de Marta transmitiu sexta-feira na tevê cenas em que Kassab agride fisicamente e xinga um munícipe que o questionou], Kassab tremeu.
Repetia as frases feitas, “cidade quebrada”, “cidade falida”, “Paris”, mas não soava especialmente atento ao que ele mesmo falava. Deixou que Marta tomasse a iniciativa, no primeiro e depois no correr dos outros três blocos. Nem as questões generalistas tiradas do nada pelo âncora conseguiam conter a ex-prefeita, que seguia deixando marcas no adversário.
Depois de não pouca confusão, o documento de despejo repisado por ela deixou nele uma imagem de insensibilidade e até desconhecimento. Sobre educação, “Kassab, você nunca entendeu os CEUs”. Sobre trânsito, “você não fez um corredor de ônibus”. Pior, “quando é que vai começar o pedágio?”. Sentia-se tão à vontade que tentou até “esclarecer” os túneis que ela fez.
Não faltaram acenos da ex-prefeita ao eleitorado feminino, aproveitando a desatenção kassabista. Ele falou em creches como tema “delicado”, ela reagiu que “creche é um assunto concreto para a mulher, isso é que você não entende” (…)
Enfim, Marta foi Marta – e foi PT. Seu traje escarlate e seu discurso humanista foram esquerda pura. Seu discurso, diferentemente do que tinha sido no decorrer da campanha, voltou-se para quem vota ou deveria votar sempre na esquerda, para os pobres. Foi altiva sem ser arrogante, indignada sem se descontrolar, precisa e minuciosa sem ser maçante.
O nervosismo de Kassab o fez até dizer que ela “esquecia de omitir” alguma coisa. Isso tudo, ao lado do comentário destacado de Nelson de Sá na Folha, não me sugere necessariamente uma virada na eleição, mas talvez uma votação de Marta neste segundo turno que pode se tornar um drama sobretudo para institutos de pesquisa, por mais que um eventual erro grave deles venha a ser censurado no debate pós eleitoral.
De qualquer forma, Marta resgatou a dignidade petista no último debate de uma campanha que, até aqui, eu vinha preferindo esquecer pelas razões que vocês já conhecem.
Minha candidata, enfim, deixou-me orgulhoso nesta campanha. Conseguiu fazer um adversário com enorme vantagem nas pesquisas – e com o apoio incondicional de toda grande mídia – tremer como uma vara verde diante de si. Nada mal para uma campanha desastrosa, da qual a ex-prefeita poderá – eu disse que apenas po-de-rá – sair bem maior do que pensávamos.
Eduardo Guimarães










