12/01/2009 - 16:34h Maysa: duas biografias são relançadas na esteira do programa

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Lauro Lisboa Garcia – O Estado SP

Além de material de arquivo pessoal (cartas, diários, bilhetes etc.), a minissérie Maysa – Quando Fala o Coração, de Manoel Carlos, tem como base de consulta a biografia de Lira Neto, Maysa – Só Numa Multidão de Amores. Na esteira do programa, outros dois livros sobre a cantora acabam de ser relançados: Maysa (edição independente, 202 págs., R$ 35), de José Roberto Santos Neves, e Meu Mundo Caiu – A Bossa e a Fossa de Maysa, de Eduardo Logullo (Novo Século Editora, 248 págs., R$ 29,90).

Publicado pela primeira vez em 2005, o livro do capixaba Santos Neves foi pautado pela ligação de Maysa (1936-1977) com o Espírito Santo, por causa da família. Mas como ela “transcendeu todos os limites artísticos e territoriais”, o autor ampliou seu enfoque para o Brasil e o mundo. Além dos familiares, entrevistou gente importante da música próxima a ela, como Roberto Menescal, Tito Madi e Ricardo Cravo Albin. O livro tem belas fotos da cantora na infância, no casamento com André Matarazzo, no palco e num encontro com Edith Piaf (1915-1963), entre outras.

A biografia de Logullo também reúne imagens raras e procura fazer “um retrato onírico” da cantora, contextualizando a trajetória da grande cantora e compositora na história do País durante cinco décadas. São duas boas fontes de informações para quem quer se aprofundar no entendimento dessa personalidade fascinante, diante da qual ninguém fica indiferente.

19/12/2008 - 12:37h Subprefeitura livra 11 servidores

Para órgão, camelôs é que assediavam funcionários. Caso segue na Justiça e na polícia

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Gilberto Kassab recebeu sua diplomação ontem e na Mooca prefeitura abafa o caso que levou Marcelo Eiviazian (DEM), assessor politico do subprefeito do Brás, a ser preso na operação Rapa que investiga a Máfia dos Fiscais

DANIEL GONZALES, Jornal da Tarde

daniel.gonzales@grupoestado.com.br

Um relatório de 210 páginas, produzido pela Subprefeitura da Mooca, inocentou 11 pessoas – entre elas três ex-funcionários públicos de carreira e três ex-funcionários de confiança – de envolvimento com um esquema de cobrança de propinas de camelôs ilegais da região do Brás, conhecido como a “máfia dos fiscais 2”.

O esquema veio à tona em julho deste ano e, na época, provocou a prisão de 11 pessoas. Elas são acusadas pelo Ministério Público de, durante 15 meses, terem arrecadado até R$ 1 milhão por mês com o recolhimento de propinas.

Na denúncia acatada pela Justiça, a Promotoria afirma que 7 mil ambulantes da região, que atuavam durante o dia, eram extorquidos em R$ 10 a R$ 20 por dia para poder trabalhar. Também pagavam propina 500 vendedores de alimentos da região. O esquema era esquema semelhante ao da “máfia dos fiscais” de 1998, que naquele ano causou a prisão de servidores e vereadores.

Dois dias depois de a Polícia Civil ter desarticulado o esquema, durante a operação “O Rapa”, a subprefeitura exonerou os suspeitos – entre eles o agente de fiscalização Edson Alves Mosquera e o então assessor do subprefeito Eduardo Odloak, Georges Eivazian, e abriu sindicância interna, que durou um mês e ouviu cerca de 20 pessoas.

Foi essa sindicância que gerou o relatório, assinado por Odloak, que apontou “não existirem indícios de responsabilidade” dos ex-funcionários. O subprefeito – que ontem informou que a investigação interna serviu apenas para apurar a possível participação de mais servidores no esquema – arquivou a sindicância em agosto, época em que a Prefeitura já fazia outra investigação, mais detalhada, por meio da Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos. Por esse motivo, a exoneração desses ex-funcionários será mantida.

Ainda de acordo com o documento da Subprefeitura da Mooca, seriam os próprios camelôs irregulares da região os responsáveis por assediar os fiscais com ofertas de propina para poder trabalhar. “Essa investigação foi apenas uma das feitas sobre o assunto”, afirma o secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo.

Investigações

Apesar de o relatório da subprefeitura não ter responsabilizado ninguém, as investigações sobre a máfia dos fiscais continuam em andamento na Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos, na Polícia Civil, no Ministério Público e na Justiça.

No início de setembro, a juíza Maria dos Anjos Garcia de Alcaraz da Fonseca, 22ª Vara Criminal Central do Tribunal de Justiça, acatou a denúncia do Ministério Público por formação de quadrilha e concussão (crime de extorsão praticado por funcionário público) contra 13 servidores suspeitos dos crimes.

‘SEM LÓGICA’

O promotor responsável pelas investigações sobre a “máfia dos fiscais”, José Reinaldo Carneiro, afirmou ontem, em entrevista à TV Globo, que o resultado da sindicância feita pela Subprefeitura da Mooca “não tem lógica”.

Segundo Carneiro, “a responsabilidade é exclusivamente dos funcionários públicos”. “Eles montaram o esquema, eles intimidavam os camelôs, eles cobravam e extorquiam essas pessoas”, afirmou. O promotor disse ainda que a conclusão da subprefeitura “em nada corresponde” ao apurado pelo MP.

14/11/2008 - 13:01h O chefe mandou

Serra pede e Kassab deixa Matarazzo na Prefeitura

Secretário e Feldman querem espaço para viabilizar futuras candidaturas

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Diego Zanchetta – O Estado SP

O secretário municipal de Coordenação de Subprefeituras, Andrea Matarazzo, de 52 anos, deve permanecer à frente da pasta na segunda gestão de Gilberto Kassab (DEM). A continuidade do secretário foi um pedido do governador José Serra (PSDB) ao prefeito, que antes estudava colocar no cargo um político do seu partido ou o secretário municipal de Esportes, Walter Feldmann, que já foi o titular da pasta.

Tanto Feldmann quanto Matarazzo, ambos tucanos, alimentam o sonho de viabilizar suas candidaturas ao Executivo em 2012. Para pavimentar o caminho rumo à Prefeitura, a Subprefeituras é vista como “jóia da coroa” pelos tucanos. É nesta secretaria, turbinada em 2009 com verba de R$ 1,17 bilhão, que será desenvolvido o projeto considerado vitrine do segundo mandato kassabista: o Nova Luz, plano de revitalização da região central.

A subprefeitos aliados, Matarazzo teria comentado que sua família, responsável por erguer um império de indústrias em São Paulo no século passado, merecia ter um integrante como governante da cidade. Procurado nos últimos dois dias, o secretário não quis se manifestar. A assessoria de Andrea informou que ele nunca falou em ser prefeito.

Kassab confirmou à reportagem que Matarazzo segue no cargo em 2009. O bom trânsito do secretário das Subprefeituras entre o empresariado paulistano e na mídia também pesou na decisão da permanência. Alguns assessores do Executivo ainda avaliam que o potencial político de Matarazzo foi demonstrado com os 79.912 votos obtidos pela vereadora Mara Gabrilli, a quinta mais votada. O secretário foi um dos principais articuladores da campanha da parlamentar, reeleita pela primeira vez.

As mudanças nas subprefeituras com indicações de Matarazzo, contudo, devem ser ratificadas até o fim do ano nas regiões de Ipiranga, Vila Mariana e Cidade Tiradentes. A intenção do governo é trocar subprefeitos tucanos que apoiaram o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) por políticos do próprio DEM.

SONHO

Já Feldmann admitiu alimentar o sonho de ser prefeito e disse ter certeza de que Matarazzo tem o mesmo desejo. O tucano caiu nas graças do prefeito ao brigar dentro do partido contra a candidatura de Alckmin.

“O prefeito, muito elegantemente, diz que eu posso fazer o que eu quero (na segunda gestão). Mas como eu posso escolher alguma coisa se todas as pastas estão ocupadas? É ele quem tem que dizer (o que devo fazer)”, afirmou o secretário. “Mas eu estou tranqüilo na pasta de Esportes, temos importantes projetos, como o clube-escola. O Eduardo Paes também era secretário de Esportes e virou prefeito (do Rio).”

COLABORARAM BRUNO TAVARES, RODRIGO BRANCATELLI, PEDRO VENCESLAU E ROBERTO FONSECA

07/11/2008 - 16:16h Gotas

Pre-sal

lula_petroleo2.jpgO diretor-geral da ANP (Agência Nacional de Petróleo), Haroldo Lima, estimou nesta sexta-feira que as reservas dos blocos já leiloados na área do pré-sal têm, no mínimo, 50 bilhões de barris de petróleo e gás, podendo chegar a 80 bilhões. As reservas conhecidas atualmente no Brasil somam cerca de 14 bilhões de barris de petróleo e gás.

O custo da exploração também é salgado, mas compensa de longe; passada a crise atual a demanda por energia levará novamente os preços para as alturas.

“Sair das reservas atuais, que passam dos 14 bilhões de barris, para este volume, é uma mudança tão grande e tão profunda que não só modifica o panorama da geopolítica mundial do petróleo como coloca o Brasil numa perspectiva completamente nova do ponto de vista de serviço e de base industrial”, afirmou Haroldo Lima. (Fonte Folha Online).

Desafios

obama_caricatura.gifA eleição de Obama alavancou uma grande representação do seu partido, os Democratas, que agora controlam o Senado e a Câmara de Representantes. Ou seja o enfrentamento à crise poderá contar com o apoio do Congresso o que facilitará a tarefa do futuro presidente.

Obama deverá responder de imediato ao desafio de evitar uma depressão, estabilizar o sistema financeiro, estabelecer as bases para uma retomada da economia hoje em recessão e confortar as famílias que perderam suas casas na crise do “subprime” e que estão também perdendo o emprego.

Como se isto fosse pouco, ao mesmo tempo Obama deverá tomar iniciativas importante na questão do Iraque e do Médio-oriente, sem afetar a indústria bélica que é um dos principais motores da atividade econômica americana.

Apesar de “inexperiente” Obama conta com quadros formados na administração Clinton e que acumularam bagagem importante nas questões da economia, o governo Clinton foi bem nesse quesito.


A união é um combate

sarney_caricatura.jpgComo Lula não teve, como Obama, uma maioria no Congresso para seu partido e teve que assegurar a governabilidade costurando uma ampla aliança com forças diversas, não adianta invocar princípios ou equilíbrio quando as escolhas não deixam maiores alternativas. No PMDB existem lideranças provadas no apoio ao presidente que podem assumir responsabilidades nas mais diversas esferas do poder público, sem implicar em desprezo para os demais partidos, incluso o partido do presidente.

Mas quando se invoca o crescimento eleitoral verificado nas eleições municipais, convém não esquecer que o PT foi o partido que obteve maior número de votos, assim como em crescimento de prefeituras conquistadas.

Mexidas

http://vejasaopaulo.abril.com.br/arquivos/capas/2043m.jpgParecem contados os dias do xerife Matarazzo na prefeitura de São Paulo. Mesmo com o apoio entusiasta da Veja ou da invocação do “padrinho” poderoso, o apetite pelo cargo e pelos “carguinhos” nas subprefeituras parece que pesa mais.

O subprefeito da Mooca, onde a Máfia dos fiscais foi descoberta, vai acompanhar o xerife a caminho dos vestiários, com uma diferença. O governador Serra não pode deixar Matarazzo ao sereno, onde sapos e lobos cantam quando é lua cheia.

Cinema

baby_love.jpgAssisti ao filme Baby Love (Comme les autres) (agora só no cine Gemini). Uma deliciosa comédia francesa sobre um casal gay em que um dos parceiros decide adotar uma criança. O filme acerta ao equilibrar o bom humor e o tom justo da problemática provocada pelo desejo paterno de um homossexual feliz da vida. Bons atores, boa direção e um filme francês muito pertinente.

fatal_elegy.jpgAproveito para voltar a aconselhar Fatal (Elegy). O trailer já foi postado aqui na semana passada. Os atores, Ben Kingsley e Penelope Cruz. A temática: o amor, o desejo, a juventude e a velhice. Eu adorei, mas você pode não gostar, quem sou eu para dar dicas de cinema? Só que para você saber, vai ter que ver.

 

 

 

Gotas, por Luis Favre

28/10/2008 - 15:30h Quércia espera apoio de Serra para disputar Senado

http://g1.globo.com/Noticias/Politica/foto/0,,14506507-EX,00.jpg
Quercia, Kassab e Bornhausen – Foto: José Luiz Conceição / Agência Estado

Cristiane Agostine, VALOR

O PMDB de São Paulo, controlado pelo ex-governador Orestes Quércia, espera um aceno do governador José Serra (PSDB) à sua candidatura ao Senado, em 2010, para depois negociar a participação do partido no governo do prefeito reeleito Gilberto Kassab (DEM). Os pemedebistas esperam também ampliar sua presença no governo estadual, articulada pelo governador tucano.

Na negociação feita pelo PMDB com o DEM, com aval de Serra, Quércia colocou sua candidatura ao Senado, com apoio dos tucanos, como condição. “Fizemos um acordo mais político do que administrativo com Kassab, visando 2010″, comentou Quércia. Segundo o pemedebista, a garantia de apoio na próxima eleição pesará mais do que os cargos que Kassab deverá abrir para participação. “Nós já temos a vice de Kassab e não vamos reivindicar muitos cargos. Mas a participação no governo estadual é uma questão a ser analisada”, disse Quércia.

Kassab anunciou que manterá os secretários de Governo, Saúde, Educação e Finanças. Ontem, disse que fará poucos ajustes na equipe e o coordenador da campanha de Kassab, Guilherme Afif Domingos, disse que o governo abrirá espaço aos aliados: PMDB, PR, PV, PPS e PSC. “A participação do DEM não muda. A vitória consolidou não o partido, mas a aliança”, afirmou.

O PMDB deve ficar com Assistência Social ou Trabalho, com a indicação da vice, Alda Marco Antônio. Enquanto o PR e o PPS tentam garantir uma maior participação nas secretarias e nas subprefeituras, o DEM deverá abrir espaço maior para a participação de aliados tucanos, como o secretário municipal Walter Feldman e o vereador Gilberto Natalini. Feldman deve ir para a secretaria de Subprefeituras, que ocupou no início da gestão José Serra/ Gilberto Kassab, no lugar de Andrea Matarazzo. O PPS deve ficar com uma secretaria, de Cultura, e cogita a candidata do partido derrotada no primeiro turno, vereadora Soninha.

A perspectiva de Kassab é de ter uma relação ainda mais fácil com os vereadores. A oposição, na próxima legislatura, será menor. Hoje, o PT tem 13 vereadores e na próxima legislatura terá 11.

30/07/2008 - 09:14h Após e-mail vazado, prefeito questiona lealdade tucana


Aliados de Kassab acusam alckmistas que têm cargo no governo de sabotagem

Tucanos mais moderados se queixam da pressão de outros secretários, até do PSDB, para que abracem a candidatura do democrata

CATIA SEABRA – FERNANDO BARROS DE MELLO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

 

Gilberto Kassab e Andrea Matarazzo
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O vazamento do e-mail enviado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) a 26 subprefeitos trouxe à tona o racha que hoje assola a Prefeitura de São Paulo. O clima é de suspeição.
Em recentes conversas, Kassab lança dúvidas sobre a lealdade de tucanos com cargo no governo, dizendo-se até traído.
A Folha revelou que Kassab enviou e-mail para subprefeitos pedindo uma “ação” de modo a tentar influir na última pesquisa Datafolha. A mensagem foi enviada em 23 de julho, o primeiro dos dois dias de campo da pesquisa. Kassab (11%) está em terceiro lugar.
Numa reunião com pouco mais de dez pessoas, conta um dos interlocutores, Kassab chegou a listar os subprefeitos, pondo uma interrogação ao lado dos suspeitos de vazamento.
Incentivado a demiti-los, o prefeito não só lembra seu compromisso com o governador José Serra (PSDB) pela manutenção da equipe como diz que os tucanos têm obrigação de defender até o final a gestão da qual participam.
Enquanto democratas acusam alckmistas de sabotagem no governo, tucanos mais moderados se queixam da pressão de outros secretários, até do PSDB, para que abracem a candidatura Kassab. Eles reclamaram da exposição que sofreram com a convocação de um almoço de equipe.
Reproduzindo uma ponderação já feita pelo próprio Serra, o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, tem recomendado que os subprefeitos não façam política. “O melhor que os subprefeitos podem fazer é manter a cidade limpa e em ordem. Não falar de política, nem fazer política. É essa a determinação de Kassab. Sigo à risca”, disse.

“Bem capaz”
Nas conversas, Kassab reconhece que errou ao confiar em 26 destinatários. Ele disse ontem ser “bem capaz” que os subprefeitos tenham visto o e-mail só depois da divulgação.
“Essa é uma questão tão rotineira com os subprefeitos que é bem capaz mesmo que alguns tenham recebido depois”, disse o prefeito, afirmando que o envio de e-mail “foi feito com uma transparência total buscando o melhor para a cidade”.
Kassab negou que haja um distanciamento entre ele e o governador tucano.
“Ainda na semana passada tive quatro encontros com ele”, afirmou. “É evidente que a partir do dia 5 de julho não podemos mais nos encontrar em inaugurações”, acrescentou o democrata.

25/07/2008 - 16:08h Cidade Limpa = Faxina Social

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por Nirlando Beirão – Carta Capital – 22/07/2008 – Nº 505

Sujeira? Ou Arte?

Na ansiedade promocional da Operação Cidade Limpa, em ano de eleição, a prefeitura de São Paulo higienizou um painel colorido pelo qual cidades cosmopolitas e democráticas estariam dispostas a pagar milhares de dólares.

Na confluência da avenida 23 de Maio com a malfadada Ligação Leste-Oeste, sumiu do mapa, quer dizer, do muro, o painel de quase 500 metros quadrados criado por um time de grafiteiros. Entre eles, aqueles Os Gêmeos que neste momento enfeitam, num mural de 20 metros de altura, a fachada da Tate Modern de Londres. Lá na Inglaterra, o mural da dupla brasileira é cultura; aqui, é sujeira.

Os Gêmeos – Otávio e Gustavo Pandolfo, de 34 anos, paulistanos do Cambuci – são cartão-postal na folclórica Coney Island, vizinha a Nova York, vestiram de cores o mais antigo castelo da Escócia, o de Kelburn, e foram badaladíssimos na última Art Basel de Miami. Uma tela deles, vendida em galeria, não sai por menos de 30 mil dólares. Aqui são confundidos com vândalos da periferia.

Cidade Limpa é a bandeira eleitoral do prefeito Gilberto Kassab, daquele PFL que, envergonhado, mudou de nome. Trata-se de intervenção de forte apelo publicitário. Ocupa o espaço cênico de um vazio de ações e idéias. O atentado não teria acontecido sem o aval do übersecretário Andréa Matarazzo, incansável em sua faina saneadora. Na Itália da pré-Renascença, teria mandado limpar os painéis de Giotto.

A tão elogiada Cidade Limpa é, portanto, mais do que mera maquiagem para a metrópole maltrapilha – é política cultural. Ninguém discorda da idéia de disciplinar a poluição visual de fachadas caóticas, mas, quando você começa a perseguir essa expressão tão contemporânea que é a street art, o que você está apagando é tudo o que for diferente do medíocre padrão da elite à qual você serve. Mesmo quando concebida por meninos brancos da classe média, como Os Gêmeos, street art ressoa a hip-hop, a linguagem de pobre, a protesto de excluído (de mais a mais, quem cedeu o espaço foi Marta Suplicy).

Show off para a turma do pedigree, promove-se uma faxina estética que, no fundo, é profilaxia social, homogeneizando muros e fachadas mesmo que tenha de passar uma demão por cima do talento de artistas como Os Gêmeos, Kobra, Nunca, Herbert.

A graça das metrópoles é a sua diversidade pulsante. Nova York, Times Square, por exemplo. Com sua frenética efusão de néons, não tem nenhum pudor em parecer – como escreveu o filósofo Marshall Berman (em On the Town) – “a luminosa encruzilhada do mundo”. Se Times Square estivesse em São Paulo, a Cidade Limpa iria apagar todas as suas luzes e toda a sua alegria. Os Gêmeos são apenas involuntárias testemunhas das trevas.

Os Gemeos - Radial Leste / Rua Jaceguai by [fran], on Flickr

Na semana passada tivemos o episódio em São Paulo, onde a prefeitura pintou “sem querer” por cima de uma das maiores obras de arte a céu aberto que temos.
Os graffiteiros Os Gêmeos, Nina Pandolfo e Nunca tiveram seus graffitis apagados no muro da alça de acesso à Avenida 23 de Maio.

16/07/2008 - 09:51h Máfia dos Fiscais: Andrea Matarazzo nega ter dado aval para nomeação do demo preso

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Marcelo Eiviazian (DEM), assessor politico do subprefeito do Brás, preso na operação Rapa que investiga a Máfia dos Fiscais na gestão Kassab

9 dos 11 acusados têm prisão preventiva decretada


Suspeitos de extorsão a camelôs do Brás, na zona leste de São Paulo, estão detidos desde sexta-feira, quando ocorreu a Operação O Rapa

Bruno Tavares – O Estado de São Paulo

A Justiça decretou ontem a prisão preventiva de 9 de 11 acusados de extorquir dinheiro de ambulantes do Brás, na zona leste de São Paulo. Eles foram detidos na semana passada, na Operação O Rapa. Embora tivesse indícios da participação dos outros dois indiciados no esquema de arrecadação de propina, a polícia disse não ver necessidade de mantê-los presos. A partir de agora, o principal foco da investigação conduzida pela Unidade de Inteligência Policial (UIP) será o destino de mais de R$ 1 milhão amealhado por mês pelas duas quadrilhas que agiam dentro da Subprefeitura da Mooca.

Foi decretada a prisão preventiva dos irmãos Marcelo e Felipe Eivazian – respectivamente o assessor político e o chefe da Unidade de Fiscalização -, dos fiscais Edson Mosquera, apontado como líder de uma das supostas quadrilhas, Ronaldo Correa dos Santos e Nilson Alves de Abreu, do advogado Leandro Giannasi Severino Ferreira, do ambulante João Jorge da Cunha e dos camelôs Juvemar dos Santos e Ademir Batista, que estão foragidos.

Ontem, o promotor José Carlos Blat se reuniu com o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, e com o corregedor-geral do município, Benedito Nicotero Filho, para definir a atuação da força-tarefa que vai apurar suspeitas de corrupção em outras subprefeituras. As denúncias, segundo Blat, recaem sobre Vila Prudente, Lapa, Pinheiros e Sé. “É difícil coibir esse tipo de ação (de corrupção) dentro da Prefeitura, por isso montamos essa força-tarefa com o Ministério Público e a Polícia Civil”, disse Matarazzo. O secretário negou ter sido o responsável pela indicação de Marcelo, apontado como um dos líderes da máfia dos fiscais, para a chefia de gabinete da Subprefeitura da Vila Prudente. “Não conheço, nunca vi e não sabia que cara tinha”, afirmou. Escutas telefônicas feitas pela Operação O Rapa sugerem que a indicação de Eivazian para o cargo teve o aval de Matarazzo.

Também ontem, o subprefeito da Mooca, Eduardo Odloak, anunciou os nomes dos dois substitutos dos irmãos Eivazian. Para a assessoria política, Odloak convidou Sandra Regina Russo, que trabalha na Associação de Lojistas do Brás. O novo chefe da Unidade de Fiscalização será o coronel da reserva da PM Airton Nobre de Mello, atual chefe do Centro de Coordenação de Operações (CCO) da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras. “Optamos por ele por ser preparado para lidar com situações de confronto e gerenciamento de riscos”, argumentou Odloak. O chefe de gabinete substituto será o também coronel da reserva da PM Rubens Casado, ex-comandante do policiamento da capital e ex-comandante-geral da Guarda Civil Metropolitana. O subprefeito disse estudar ampla reformulação nos quadros de agentes de fiscalização e afirmou que as ações contra o comércio irregular continuarão.

14/07/2008 - 18:04h O demo Kassab se proclama candidato do PSDB

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Secretários tucanos declaram apoio a Kassab em reunião eleitoral

REUTERS – Agencia Estado

SÃO PAULO – Em reunião nesta segunda-feira com o secretariado para marcar os limites de participação da equipe na campanha, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (DEM) recebeu manifestação de apoio dos secretários tucanos à sua eleição.

Mais enfático secretário municipal do PSDB, o deputado federal Walter Feldman (Esportes) chegou a falar que foi ultrapassado um período extremamente difícil, citando indiretamente a disputa dentro do partido, que acabou escolhendo o ex-governador Geraldo Alckmin como candidato e deixando os integrantes da sigla na equipe de Kassab em situação delicada.

“Nós do PSDB temos muito orgulho de participar deste governo, seja na fase inicial, sob o comando de (José) Serra, seja na continuidade com o Kassab. Nenhum milímetro foi alterado e temos compromisso com este governo até 31 de dezembro”, disse Feldman.

Das 22 secretarias municipais, nove são ocupadas por tucanos e dos 31 subprefeitos, cerca de 20 são do PSDB. Em um encontro que poderia ser interpretado como pressão sobre o engajamento tucano, Kassab procurou afastar a atitude.

“Em nenhum momento nenhum companheiro de prefeitura terá de nossa parte qualquer imposição para participar de campanha”, disse o prefeito, para em seguida classificar de “peculiar” o fato de o PSDB ter dois candidatos em disputa pela prefeitura de São Paulo.

Outros secretários tucanos presentes ao encontro, que teve a presença de subprefeitos, também deixaram claro sua adesão a Kassab, como Clóvis Carvalho (Governo) e Andrea Matarazzo (Subprefeituras).

Coube ao jornalista Luiz Gonzalez, “comandante” da comunicação da campanha, como definiu Kassab, dar o recado sobre a atuação de secretários e subprefeitos na eleição.

“Um dos desafios é estabelecer uma ‘muralha da China’ entre a administração e a campanha”, disse Gonzalez, ex-marqueteiro de Alckmin por três campanhas, entre elas a presidencial de 2006.

Além de Gonzalez, também vai atuar na campanha de Kassab o jornalista Roger Ferreira, que trabalhou com Alckmin no governo paulista.

A equipe terá de dividir sua atuação, como o prefeito já vem fazendo, deixando os horários do almoço, da noite e pela manhã bem cedo para atividades de campanha e analisando se suas decisões no dia-a-dia não se chocam com a lei eleitoral. (Reportagem de Carmen Munari)

12/07/2008 - 08:57h Cheiro de podre na Prefeitura de São Paulo

Cadê o xerife?

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“Sem deixar a subprefeitura da Sé, passou a acumular a gigantesca Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, na qual comanda um orçamento anual de 1,4 bilhão de reais. “Somos amigos há anos e sempre soube que ele tem uma capacidade de trabalho muito grande”, declara o prefeito Gilberto Kassab. Matarazzo logo se tornou a estrela da administração municipal. “No atual organograma da prefeitura, quem tem a função de coordenar os subprefeitos vira uma espécie de primeiro-ministro”, afirma o cientista político Rui Tavares Maluf, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. O secretário aproveita essa visibilidade para, ao menos, fazer barulho. Acredita que, ao ser duro com quem está irregular, dá exemplo aos demais. Só no ano passado, interditou 135 casas noturnas, 166 ferros-velhos, 178 restaurantes e 816 bares. Ao todo, foram 1·793 fechamentos (uma média de quase cinco por dia). Retirou mais de 7.000 camelôs não cadastrados de pontos como o Largo Treze de Maio, em Santo Amaro, o Largo da Concórdia, no Brás, e o centro de São Miguel Paulista. No Largo Treze, a simples expulsão dos ambulantes levou o número de roubos e furtos na região a cair cerca de 20%.” Veja SP 16/1/2008

Promotoria diz investigar outras duas subprefeituras

Apuração do Ministério Público atinge subprefeituras da Sé e de Pinheiros

Funcionários dos dois órgãos são suspeitos de vender alvará para estabelecimentos que funcionariam como casas de prostituição

DA REPORTAGEM LOCAL

Além da Subprefeitura da Mooca, na zona leste de São Paulo, o Ministério Público Estadual informou ontem que também investiga irregularidades envolvendo funcionários de pelo menos outras duas subprefeituras.
De acordo com o promotor José Carlos Blat, há denúncias de que alguns funcionários das subprefeituras da Sé, na região central da cidade, e de Pinheiros, na zona oeste da capital, vendem alvarás para o funcionamento irregular de estabelecimentos que, na verdade, são casas de prostituição.
“Há vários problemas envolvendo subprefeituras. Além dessas [Sé e Pinheiros], há outras [com suspeitas de irregularidades]. São questões de corrupção, emissão de alvarás ilegais para casas que não podem ter qualquer tipo de funcionamento, além da ausência de fiscalização em relação aos ambulantes ilegais”, afirmou Blat.
Amauri Luiz Pastorello, subprefeito da Sé, e Nilton Nachle, subprefeito de Pinheiros, não foram localizados ontem para comentar a informação.
Procurado pela Folha, ontem à noite, para falar a respeito do caso, o secretário das Subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo, informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que “qualquer irregularidade deve ser investigada, apurada e punida”.
Blat informou que mais pessoas podem estar envolvidas na quadrilha da Subprefeitura da Mooca. Ele disse também que foi encaminhado um ofício à Promotoria da Cidadania, para que sejam apurados indícios de irregularidades nas outras subprefeituras.
Blat é o mesmo promotor que atuou no caso que ficou conhecido como a Máfia dos Fiscais em 1998, durante a gestão do então prefeito de São Paulo, Celso Pitta (1997-2000).
Naquela oportunidade, mais de cem pessoas foram indiciadas, entre elas alguns políticos. Indagado se a investigação da quadrilha presa ontem irá respingar em algum político também, Blat afirmou que ainda é cedo para afirmar isso.
“No momento, a investigação não detectou isso. Essa quadrilha age no segundo e terceiro escalões da Subprefeitura da Mooca”, disse Blat, que, no entanto, pretende ouvir o depoimento de Eduardo Odloak, subprefeito da Mooca.
“Ele precisa ser ouvido porque todo o esquema acontecia dentro da subprefeitura que ele comanda”, afirmou o promotor à Folha.
(KLEBER TOMAZ E ANDRÉ CARAMANTE)

12/07/2008 - 08:43h Demo chefe da quadrilha tinha boas relações

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Marcelo Eivazian chega à delegacia
Márcio Fernandes/AE

Líder do esquema queria ser subprefeito

Político em ascensão no DEM estava prestes a assumir chefia de gabinete

Bruno Tavares e Rodrigo Brancatelli – O Estado de São Paulo

O nome Georges Marcelo Eivazian evoca diversos significados na região leste da cidade de São Paulo. Estrela em ascensão dentro do Democratas (DEM), coordenador-geral da ala jovem do partido na zona leste e assessor político da Subprefeitura da Mooca, o político de 29 anos estava prestes a ser nomeado chefe de gabinete da Subprefeitura da Vila Prudente. A indicação, conforme mostra a investigação da Polícia Civil e fontes ligadas ao governo municipal ouvidas pelo Estado, teria partido do secretário de Subprefeituras, Andrea Matarazzo. O secretário nega a informação, mas confirma que ele era um dos nomes “aventados” para o cargo. Marcelo Eivazian, no entanto, queria mais. Ao mesmo tempo que ajudaria candidatos do DEM nas eleições de outubro, já fazia contatos para tentar chegar ao posto de subprefeito.

Galgando degrau por degrau dentro da organização do partido, Eivazian também é conhecido na zona leste como o “playboy” da Mooca. Estava sempre em festas – grampos da polícia, que fazem parte da Operação O Rapa, mostram que ele comprava e levava drogas para amigos mais próximos. Eivazian também é apontado como líder de uma suposta organização criminosa que extorquia os camelôs do Brás. Preso ontem às 11 horas em um motel , cobrava no mínimo R$ 1 mil por semana de cada um dos 500 trailers e carrinhos de comida que atuam no bairro. Tirava, ao todo, R$ 500 mil por mês dos ambulantes.

Nos grampos, ainda aparece falando que na próxima legislatura vai fazer dois braços mecânicos, um para “dar a mão para pobre e outro para carregar a maleta de dinheiro”. Marcelo Eivazian tentou se eleger deputado estadual em 2006, mas obteve apenas 4.891 votos (0,02%). Na próxima legislatura, tinha planos de virar subprefeito.

No dia 22 de maio, Eivazian ligou para Jorge Tadeu Mudalen, deputado federal pelo DEM de São Paulo. Mudalen afirmou que estava almoçando com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e pediu para que Eivazian ajudasse sua mulher, Sandra Mudalen, a se eleger vereadora nas eleições de outubro. “Eu tô com você até a morte”, diz Eivazian. “Eu quero que você me indique para subprefeito depois.”

GRAMPOS

No dia 22 de maio, às 14h27, Marcelo Eivazian, assessor da Subprefeitura da Mooca, liga para o deputado federal Jorge Tadeu Mudalen (DEM), que afirma estar almoçando com o prefeito Gilberto Kassab.

Jorge Tadeu Mudalen: Ó, você vai ajudar a Sandra (mulher de Jorge Tadeu, candidata a vereadora), hein, cara?

Georges Marcelo: Eu tô com você até a morte. O que você falar, fala com o prefeito, o que vocês decidirem…

Jorge Tadeu Mudalen: Você vai ajudar a Sandra, pelo seguinte: ela vai ser vereadora e depois você não vai ficar no sol.

Georges Marcelo: Eu quero que você me indique pra subprefeito, depois.

Jorge Tadeu Mudalen: Então, tá bom.

Em 24 de maio, às 20h36, uma garota não identificada conversa com Eivazian sobre “doce” (gíria para LSD) e pede para ele pegar um “produto natural” (gíria para maconha).

Garota não identificada: E aí, amore? Deixa eu te falar, tá levando alguma coisa?

Eivazian: Doce.

Garota não identificada: Ah, então, tá.

Eivazian: Serve?

Garota não identificada: Ah, pra caramba, uiuiui… Claro… Leva muito chocolate, muito!

Eivazian: Eu vou sair aqui de São Paulo daqui a uma hora.

Garota não identificada: Você não quer ir com a gente, tipo, um seguindo o outro?

Eivazian: Vocês vão em que estrada?

Garota não identificada:

Ayrton Senna e Carvalho Pinto.Eivazian: A hora que vocês tiverem ido, pegando a Marginal, me dá um toque e a gente se tromba. (fala baixo). Eu vou passar para pegar os negócios.

Garota não identificada: Ah, tá, demorou. Ô, nego, pega pra mim o produto natural…

Eivazian: Tá bom, vou ver. Dá uma ligada pra mim.

Também em 24 de maio, às 21h50, Eivazian fala com um homem não identificado sobre cobrança de propina.

Eivazian: Olha, eu tentei falar e não consegui… Faz um favor, liga para o Ceará e fala: “O recado que mandaram dar é o seguinte: se esta semana não vier mil e a outra, o dobro… O acerto é esse, todos os dias o dobro de mil.” Se não vier, acabou, velho. Vai f… todo mundo. Ninguém mais trabalha. É esse o recado.

Homem não identificado: Beleza, eu vou passar para ele.

04/07/2008 - 12:32h Caixa 2 de FHC citava empresas da Alstom

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Cegelec e ABB estavam em planilhas do PSDB que foram tornadas públicas em 2000; não há menção a valores no documento

Planilhas atribuem a Andrea Matarazzo, então secretário de Energia de São Paulo, a missão de buscar recursos junto a empresas; ele nega

Andrea matarazzo (esq.) junto com Kassabkassab_andrea.jpg

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA DE SÃO PAULO

ANDREA MICHAEL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Duas empresas do grupo francês Alstom são citadas nas planilhas eletrônicas do comitê financeiro do PSDB que deveriam abastecer o caixa dois da campanha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição, em 1998. As empresas são a Cegelec e a ABB.
As planilhas, tornadas públicas em 2000, atribuem ao atual secretário de Subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo (PSDB), então secretário de Energia do Estado, a missão de buscar recursos junto a empresas. As estatais de energia eram os principais clientes da Alstom no governo de São Paulo.
Porém, não era atribuída à Cegelec e à ABB nenhuma meta de arrecadação. A planilha também não informa se elas deram dinheiro ao PSDB. Em 1998, Matarazzo acumulou o cargo de secretário com o de presidente da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), justamente uma das principais clientes da Alstom.
Memorandos internos trocados em 1997 entre diretores da Alstom, na França, apreendidos por promotores da Suíça, dizem que seriam pagas “comissões” para obter negócios com o governo paulista.
Num desses memorandos, um diretor da Cegelec em Paris diz estar disposto a pagar 7,5% para obter um contrato de R$ 110 milhões da Eletropaulo.
A Alstom comprou a Cegelec justamente naquele ano.
Os papéis citam que a comissão seria dividida entre “as finanças do partido”, “o tribunal de contas” e “a Secretaria de Energia”. A Eletropaulo era subordinada até abril de 1998 à pasta dirigida por Matarazzo.

Eventos de 1998
O ano de 1998 foi marcado por eventos relacionados às investigações iniciadas na Suíça:
1) O contrato em que a Cegelec dizia estar disposta a pagar uma comissão de 7,5% foi firmado naquele ano;
2) Entre outubro e dezembro, houve duas transferências de dólares ordenadas pela Alstom francesa, que foram parar na conta da “offshore” MCA Uruguay Ltd., nas Ilhas Virgens Britânicas, controlada pelo brasileiro Romeu Pinto Jr. no valor de US$ 505 mil, que seriam usados na propina.
Com a privatização e a cisão da Eletropaulo, o contrato de R$ 110 milhões foi herdado pela EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia), outra estatal paulista.
Com a reeleição de FHC, Matarazzo assumiu no ano seguinte o cargo de ministro-chefe de Comunicação da Presidência.
A Alstom, um dos maiores grupos do mundo na área de energia e transportes, tinha contratos à época também com estatais da União, como Petrobras, Eletrobrás e Itaipu.
Reportagem da Folha de dezembro de 2000 revelou que Matarazzo teria obtido ao menos R$ 3 milhões para o caixa dois. Na planilha com as metas de arrecadação, aparece o nome “Andrea Matarazzo – MM”. Ele teria de arrecadar R$ 6,02 milhões. Ao menos R$ 10,12 milhões foram para o caixa dois de 1998.
Além da relação das empresas, a planilha menciona os nomes dos diretores ou contatos a serem procurados pelos arrecadadores de campanha.
A autoria das planilhas foi atribuída ao ex-ministro da Administração e Reforma do Estado Luiz Carlos Bresser Pereira, tesoureiro oficial das duas campanhas presidenciais de FHC. Atualmente, ele diz que elas podem ter sido montadas.
Procurado pela Folha na época, Matarazzo negou ter participado da arrecadação de recursos para FHC. “Vou te falar mais uma vez meu papel nisso daí [campanha]: fiz dois jantares, dos quais o presidente participou. Ele apresentou o programa de governo. O Luiz Carlos Bresser [Pereira] foi, e ponto”, dizia Matarazzo.
O hoje secretário de Gilberto Kassab (DEM) disse que somente coordenava a ação política da campanha de FHC no Estado de São Paulo.
O próprio Bresser, porém, confirmou à Folha em 2000 que Matarazzo participava da busca de recursos. “O Andrea também foi [arrecadador], no começo.” Ontem, em entrevista por telefone de Paris, Bresser reafirmou que Matarazzo ajudou na arrecadação da campanha da reeleição de FHC “no início”. Ele, no entanto, diz que só agora soube que existia uma empresa chamada Alstom.
O publicitário Luiz Fernando Furquim, que atuou na campanha, referendou em 2000 a declaração de Bresser: “Havia uma certa competição [entre Bresser e Matarazzo], talvez em função da vontade dele [Matarazzo] de ir para Brasília”. A investigação sobre as planilhas do caixa dois nunca foi adiante porque a Justiça não autorizou a quebra de sigilo dos comitês de campanha.

outro lado

Matarazzo nega ter feito arrecadação

DA REPORTAGEM LOCAL

O secretário de Subprefeituras, Andrea Matarazzo, afirmou via assessoria de imprensa que mantém a versão de que não participou do comitê arrecadador de campanha do ex-presidente FHC.
Em nota, ele afirma: “Conforme declarou à própria Folha na época, o secretário Andrea Matarazzo foi o coordenador da ação política da coligação de FHC no Estado”.
O texto prossegue: “Suas atividades, portanto, não incluíam arrecadação de fundos para a campanha nem contato com qualquer das empresas citadas, como pode ser constatado em declaração publicada por esta Folha, em 2000: “Vou te falar mais uma vez meu papel nisso daí (campanha): fiz dois jantares, dos quais o presidente participou. Ele apresentou o programa de governo. O Luiz Carlos Bresser [Pereira] foi, e ponto”.”
Bresser voltou a afirmar ontem que Matarazzo ajudou na arrecadação no começo da campanha. Após Bresser ser oficializado como tesoureiro, segundo o próprio, Matarazzo parou de ajudar.
A Alstom não quis comentar as planilhas.

17/06/2008 - 12:02h Silêncio nas fileiras, exige Lobo aos serristas, que se recusam a ser cordeiros

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Dificilmente voltaram a estar juntos no palanque

Silêncio nas fileiras. No ninho tucano está proibido piar contra o tucano mor.

A vida partidária no PSDB atingiu o patamar da impossibilidade da convivência. Numa decisão inusitada e profundamente antidemocrática a Executiva municipal do PSDB e seu presidente, José Henrique Reis Lobo, decidiu que para poder ser candidato a vereador pelo partido é necessário estar a favor da candidatura Alckmin. Quem discordar não poderá fazer parte da chapa tucana nas próximas eleições.

Imaginem se fosse no PT o que os jornais diriam!


Acontece que dez dos doze vereadores do PSDB não concordam em que Alckmin seja candidato. Ao mando de Serra e Goldman, governador e vice-governador tucano, os vereadores serristas defendem a candidatura do pefelista Kassab e querem debater e votar na convenção. Este direito deles é constrangido pela determinação draconiana da executiva. Eis a democracia tucana em ação!

Por sua vez Alckmin ameaçou deixar o PSDB caso os serristas continuassem apregoando o apoio a Kassab, alguns indicam que poderia migrar com seus apoiadores para o PSB após as eleições, mas isto é só um rumor. Em todo caso a conversa com Goldman deixou pairar a divisão do PSDB como ameaça alckminista.

O jogo de ambição pessoal, manobras e guerra suja esta permitindo que a verdadeira cara dos tucanos de São Paulo aflore a luz do dia. Intolerantes com as divergências, ausência de democracia partidária e ambição pelo poder são algumas das suas características. E a mídia não pode fazer nada para mascarar esta realidade. LF

A seguir o artigo da Folha

Bancada leva hoje chapa pró-Kassab a tucanos

Dez vereadores apresentam proposta contra a candidatura Geraldo Alckmin

Presidente municipal do partido, José Henrique Reis Lobo, negou ontem legenda aos vereadores que apóiam a manutenção de aliança

CATIA SEABRA
FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL

Sob forte pressão -que inclui a ameaça de perda da legenda-, 10 dos 12 vereadores do PSDB decidiram apresentar hoje chapa de oposição à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à prefeitura. Ontem mesmo, a Executiva Municipal do partido fixou as regras para o caso de disputa na convenção de domingo, com dez fiscais e dois apuradores de cada lado.

Mas, ainda assim, o comando estadual do PSDB faz, na manhã de hoje, uma última tentativa para demovê-los da briga.

Pela estratégia, traçada pelos vereadores ontem num almoço, a bancada terá que protocolar lista com assinatura de 20% dos convencionais do partido.

Só assim poderão submeter seus nomes à convenção para as próximas eleições. É que, em mais um lance da disputa interna do PSDB, o presidente municipal do partido, José Henrique Reis Lobo, negou ontem legenda aos vereadores que apóiam o prefeito Gilberto Kassab (DEM). Lobo condicionou a vaga dos vereadores ao apoio à candidatura Alckmin. Para autorizar a inscrição de seu nome na chapa do partido, os vereadores teriam de assinar documento de apoio a Alckmin.

“Essa é a chapa oficial da Executiva do PSDB, com Geraldo Alckmin e 82 candidatos a vereador. Se a bancada quer lançar outro candidato à prefeitura, vai ter que pagar o preço”, avisou Lobo. Até ontem, apenas dois vereadores tucanos tinham concordado: Tião Farias e Gilson Barreto. Os outros dez se recusaram a assinar.

Como hoje é o prazo final para apresentação de chapas para a convenção, os vereadores prometem apresentar duas listas. Uma -com 30% de assinatura dos convencionais do partido- proporia o apoio a Kassab. A outra -com 20%- garantiria espaço aos kassabistas na chapa para a Câmara.

Pelos cálculos dos vereadores, seriam necessários menos de 90 votos para a inscrição de seus nomes na chapa.

“Vamos bater chapa. O Lobo não pode usar desses expedientes capciosos. Isso é muito feio, é mal cheiroso”, atacou o líder do PSDB, Gilberto Natalini.

Hesitação

Segundo o vereador Juscelino Gadelha, “a tendência é ir até o fim”. Mas, preocupado com a pressão, o vereador José Rolim já demonstra hesitação: “Temos que ouvir os grandões”.
Hoje, os vereadores voltam a se reunir para discutir sua estratégia. Temendo prejuízos para o governador José Serra, o secretário municipal Andrea Matarazzo também vai procurar os vereadores. “Até 30 minutos antes, tudo é possível”, disse Adolfo Quintas.

Além da pressão da direção nacional, o presidente estadual do PSDB, o deputado federal Mendes Thame, voltou à carga contra os kassabistas. Numa reunião na tarde de ontem, Thame disse que será uma “hecatombe” o enfrentamento dos dois grupos na convenção.

Presente à reunião da Executiva estadual, o secretário Walter Feldman disse que a decisão da bancada “é irreversível”.

05/06/2008 - 11:00h Vôo acima de um ninho de tucanos

http://estudioimpar.files.wordpress.com/2007/08/faca_8tratada.jpgParcial ou imparcial, o presidente do PSDB e Alckmin estão alertados: a convenção do PSDB vai ser palco da tentativa dos tucanos serristas de inviabilizar o candidato tucano em benefício do pefelista Kassab.

Secretário deixa cargo e diz que irá atuar por aliança

DA REPORTAGEM LOCAL – Folha SP

Com o aval do prefeito Gilberto Kassab, o tucano Ricardo Montoro deixa hoje a Secretaria municipal de Participação e Parceria, dizendo-se disposto a uma romaria pela manutenção da aliança PSDB/DEM na cidade. A cabeça de chapa, diz, caberia ao democrata.
Como hoje vence o prazo para saída os ocupantes de cargo que pretendam concorrer e os secretários Andrea Matarazzo (Coordenação das Subprefeituras) e Walter Feldman (Esportes) decidiram ficar, Montoro desponta como potencial candidato a vice numa remota aliança entre PSDB e DEM.
“Claro que não descarto. Mas o motivo é buscar apoio para a convenção. Não gostei da carta do [presidente do PSDB, José Henrique] Lobo. Como presidente, ele deveria ser parcial.”

http://www.photografos.com.br/users/fredalves/normal_77602_photo.jpgAlckmin percebeu que sua sorte depende de surfar no descontentamento com a administração Kassab – Serra. Iluminado pela percepção que será marginalizado pelo trator das maquinas estadual e municipal, vai semeando indicios de sua vocação “oposicionista”. Um dia é o trânsito, outro é a luz e assim vai… No final ele vai acabar reconhecendo que o PT está certo em considerar o governo Kassab medíocre. Veja está notinha na cóluna de Monica Bergamo, na Folha de hoje.

O CHOQUE
Já em campanha, Geraldo Alckmin (PSDB-SP) jantou anteontem no Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação. Disse aos empresários que SP está “escura” e precisando de um “choque de gestão”.

30/05/2008 - 14:09h “Propina a tucanos”

Blog da Folha Toda mídia por Nelson de Sá

Na capa, saiu com o título “Identificado esquema que pagou propinas da Alstom” e foram evitados os nomes e partidos dos envolvidos. São as informações que a Suíça enviou ao Ministério da Justiça, hoje no “Estado .

O “furo” saiu na página 9, em reportagem de Sonia Filgueiras e Eduardo Reina intitulada “Para Suíça, Alstom usou offshores em propina a tucanos” e, logo abaixo, “Pagamentos seriam feitos com base em consultorias de fachada” e “Valor das ‘comissões’ chega a R$ 13,5 milhões”.

Mais abaixo, no chamado outro lado, “Ex-secretários negam negociação de contratos”. Mais especificamente, “David Zylberstajn afirma desconhecer qualquer esquema e nega ter envolvimento”, “Andrea Matarazzo disse que não tem qualquer informação sobre esse assunto” e “Mauro Arce também disse desconhecer o caso”.

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Escrito por Nelson de Sá

18/03/2008 - 08:23h Tucanos em disputa: manifestações pro-Kassab são respondidas pelos alckministas com ameaças de expurgos

Painel

RENATA LO PRETEpainel@uol.com.br

“A cidade é nossa”

A bancada do PSDB na Câmara paulistana divulga hoje uma carta defendendo a aliança em torno da reeleição de Gilberto Kassab (DEM) e apontando os “êxitos” da parceria do prefeito com seu antecessor, o governador tucano José Serra. O título do manifesto dos vereadores é um balde de água fria lançado sobre a candidatura do correligionário Geraldo Alckmin: “A cidade é nossa, há 40 meses. Hoje, prefeitura e Estado dialogam e agem pelo bem da cidade”.
“Escrevi embalado pela solicitação da imensa maioria da bancada”, diz o líder, Gilberto Natalini. A reunião semanal dos vereadores, hoje, será realizada no diretório municipal do PSDB e deverá ter a presença do secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo.

Tô fora. Dos 12 vereadores do PSDB, 9 deram aval ao texto. Tião Farias, pró-Alckmin, tem evitado as reuniões da bancada sobre a eleição.

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PSDB ameaça punir tucanos “kassabistas”

Executiva Estadual do partido faz o alerta após secretários anunciarem apoio à reeleição de Gilberto Kassab, do DEM

Visivelmente irritado com correligionários, Alckmin diz que se partido decidir por candidatura em SP, “vai estar todo mundo junto”

CATIA SEABRA DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA DE SÃO PAULO

A Executiva Estadual do PSDB decidiu ontem advertir os tucanos para o risco de punição daqueles que declararem apoio a candidatos de outros partidos. O PSDB enviará uma circular a todas as instâncias do partido alertando para o teor do artigo 15º de seu estatuto, segundo o qual manifestações de voto em outra legenda serão submetidas à Comissão de Ética do partido.
A decisão se dá depois de uma semana de declarações de tucanos em favor da candidatura de Gilberto Kassab (DEM) à reeleição. Hoje no primeiro escalão da prefeitura, Walter Feldman (Esportes), Alexandre Schneider (Educação) e Antônio Carlos Malufe (assessoria especial do prefeito) expuseram simpatia pela candidatura de Kassab. Em entrevista à Folha, Schneider chegou a declarar seu voto no prefeito.
Ontem, mesmo dia da publicação da entrevista, a Executiva Estadual decidiu informar o partido sobre a existência do artigo do estatuto, redigido em novembro do ano passado.
Segundo presentes à reunião de ontem, o caso de Schneider não foi formalmente discutido, mas objeto de conversas.
Um dos articuladores da candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), o deputado Duarte Nogueira diz que o secretário não estaria hoje passível à sanção porque o partido ainda não formalizou decisão sobre a disputa pela prefeitura.
“Por enquanto, só está no campo ético”, disse Duarte, segundo quem a manifestação de Malufe, na semana passada, teria levado o tema à pauta da reunião.
No partido, as declarações de Schneider causaram desconforto. “Isso parece a guerra entre palestinos e judeus. Cada vez que os líderes se reúnem para tentar um acordo, alguém solta uma bomba para inviabilizar o entendimento”, reagiu o presidente municipal do PSDB, José Henrique Reis Lôbo.
Sempre contido, Alckmin deixou clara sua irritação. Após enfatizar que o partido é amplamente favorável à candidatura própria, disse que espera o respeito dos tucanos ao que chamou de “vontade partidária” e sentimento do partido.
“Sou um democrata. Acho que é bom que discuta, que haja posições que não são as mesmas. Agora, decidido, vai estar todo mundo junto”, afirmou ontem, após palestra na Faculdade de Direito Professor Damásio de Jesus, em São Paulo.
Alckmin disse não ter dúvida do apoio do partido a sua candidatura. “Da mesma forma que, se o partido decidir que o caminho é outro, eu vou ajudar. sou homem de partido. Se não, não precisa ter partido”.
Alckmin evocou a fidelidade partidária: “Conheço as pessoas que compõem o PSDB. São pessoas que têm fidelidade. Estarão juntas na decisão”.
Alckmin admitiu que elabora um programa de governo para a cidade. “Já estamos ajudando a construir um grande programa de governo, numa visão metropolitana”, disse Alckmin, antecipando que viajará para Colômbia no mês que vem atrás de “inspiração”.
Na semana que vem, seus apoiadores farão um manifesto de apoio à candidatura.
Sobre as manifestações de tucanos, afirmou: “As pessoas têm toda liberdade de expor sua opinião. Se a posição majoritária do partido for essa, nenhum problema. Mas entendo que a vontade do partido é pela candidatura própria”.
Na palestra, Alckmin afirmou que, com a fixação de um mínimo de oito deputados por Estado, o Senado “não teria muito benefício político”.
Mas citou Ulysses Guimarães para dimensionar as dificuldades de mudança na modelo de representatividade do Congresso. “Dr. Ulysses dizia, citando Goethe: mais difícil que matar o monstro é remover seus destroços”.

28/02/2008 - 15:39h Guerras Tucanas

aecioserra.jpgA seguir um apanhado de vários artigos dos jornais sobre a guerra intestina no PSDB. Nos dois primeiros o conflito Aécio – Serra toma a forma da disputa sobre o leilão da CESP. A intenção do governador José Serra é entregar a CESP ao capital privado. Ele decidiu vender a CESP para fazer caixa e por considerar que o Estado não deve ser proprietário de uma empresa de eletricidade. Mas outras empresas do mesmo ramo, que são estatais, querem participar do leilão. Serra não deixa, ou seja a questão não parece ser só quem paga mais pela CESP, mas impor que ela vai parar em mãos privadas mesmo. Aécio viu uma oportunidade para mostrar que o objetivo de Serra é esse mesmo, impedir a livre concorrência e não vender ao melhor preço, só privatizar e ponto. Estranha a determinação de Serra, pois várias estatais estrangeiras já participaram em privatizações tucanas sem problema. a EDF (estatal francêsa) que comprou a Light; a Telefonica (Estatal espanhola) etc.

Reproduzo também, no final dos dois artigos que tratam da privatização da CESP, duas notas sobre atores da disputa tucana na prefeitura de São Paulo. Uma sobre Alckmin e Floriano Pesaro, publicada no Estadão e a outra, sobre Andrea Matarazzo, publicada na Folha.

Boa leitura e reflexão. LF

PRIVATIZAÇÃO

Aécio critica decisão de SP de vetar Cemig em leilão da Cesp

DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA DE SÃO PAULO

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, criticou ontem a decisão do governo de São Paulo de impedir a participação da Cemig (Companhia Energética de Minas) no leilão da Cesp (Companhia Energética de São Paulo).
Chamando a restrição de equivocada, Aécio anunciou que, a exemplo do Paraná, o Estado de Minas questionará a proibição na Justiça.
“A Justiça é que irá decidir”, afirmou Aécio Neves à Rádio Bandeirantes.
Lembrando que o veto à participação das estatais de outros Estados nas privatizações de São Paulo foi fixado ainda no governo Mário Covas, Aécio usou o exemplo da Sabesp para chamar a medida de contraditória.
“A vedação a ela [Cemig] é um equívoco. E é algo também que deve ser visto de uma forma, talvez, contraditória. Há movimento grande na Sabesp, por exemplo, que é uma empresa estatal também de São Paulo na área de saneamento, de avançar em direção a outros Estados”, argumentou Aécio.
Dizendo que já manifestara interesse de a Cemig participar do consórcio para compra da Cesp numa conversa com o governador de São Paulo, o também tucano José Serra, Aécio criticou:
“Acho que mais do que esse rigor, essa visão protecionista, essa visão ideológica, de Estado pode, Estado não pode, se deve poder é eficiência. Se tem preço, se tem condições de gerir adequadamente a empresa, não deveria haver qualquer restrição”, afirmou Aécio.
O governador lembrou que a Cemig integra o consórcio controlador da Light.
Procurado pela Folha, o secretário da Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo Costa, disse, por intermédio da assessoria de imprensa, que não tem o que comentar sobre as críticas de Aécio.
Na semana passada, o secretário -que já trabalhou no governo Aécio- disse à Folha que essa era uma norma do governo Covas. “Se não, não seria privatização.”
(CATIA SEABRA)


Aécio critica veto à Cemig em leilão

Governador diz que restrição na venda da Cesp pode ir à Justiça

Raquel Massote, Wellington Bahnemann e Kelly Lima – OESP

O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), afirmou ontem em entrevista à Rádio Bandeirantes de São Paulo que o veto à participação da Cemig no leilão de privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) “é um equívoco” e que a questão poderá acabar sendo decidida pela Justiça. O leilão está previsto para 26 de março.

Aécio admite que a restrição à presença das estatais foi estabelecida no Programa Estadual de Desestatização (PED) do governo paulista, ainda sob a gestão de Mário Covas. “A participação de uma estatal com o know-how da Cemig, com capilaridade e a capacidade de gerir uma empresa de energia que tem a Cemig, a vedação a ela é um equívoco.”

Para o governador, a questão “vai realmente parar na Justiça em última instância”, já que também a Copel, do Paraná, pretende participar do leilão. “Se tem preço, se tem condições de gerir adequadamente a empresa e não tendo controle, não deveria haver qualquer restrição”, avaliou Aécio.

O tucano disse que já informou ao governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que a concessionária mineira tem interesse não em ser controladora da Cesp, mas em participar da geradora com um grupo de sócios privados. “Fizemos isso em relação à Light, onde a Cemig participou do consórcio vitorioso com resultados absolutamente extraordinários.”

Não é a primeira vez que Minas questiona a restrição. O sócio do escritório Azevedo Sette Advogados Gustavo Eugenio Rocha, especialista em licitações e privatizações, lembrou que o governador Itamar Franco ingressou com uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra a Lei Estadual nº 9.361/96, que criou o PED em São Paulo e estabeleceu a reorganização no setor elétrico do Estado. “Hoje, essa Adin corre no Supremo Tribunal Federal”, disse o advogado.

Para o especialista, vários argumentos demonstram a inconstitucionalidade da lei que criou o PED. Segundo Rocha, a legislação paulista fere o artigo 37, inciso 21, da Constituição Federal, que determina condições de igualdade a todos os concorrentes de um processo de licitação. “A lei exorbita a competência estadual e legisla sobre um tema que não é de sua competência. As concessões no setor elétrico são federais e não estaduais”, acrescentou.

Rocha afirmou que, apesar de estatais, a figura jurídica de empresas como Cemig e Copel é de caráter privado e, ao impedi-las de participar do leilão da Cesp, o governo de São Paulo discrimina as empresas apenas porque são de outros Estados.

NA DISPUTA

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Neoenergia, Erik Breyer, afirmou ontem que a empresa estuda a possibilidade de entrar com parceiros na disputa da Cesp. “Nosso interesse em entrar num negócio é como operador. Isso inviabiliza a participação no leilão da segunda usina da complexo do Rio Madeira. Mas nos permite disputar a Cesp e, possivelmente, a Brasiliana, controladora da Eletropaulo”, informou.

A empresa vai investir este ano R$ 1,8 bilhão – R$ 1,2 bilhão em distribuição e R$ 600 milhões em geração. “Estamos atentos a novos projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e certamente vamos disputar futuros leilões”, disse Breyer.

Chris Mello – O Estado de São Paulo (28/2/2008)

Puxa e estica

alckminclarao.jpgAlckmin praticamente acertou a participação do PTB para indicar o nome de vice em sua chapa para Prefeitura. O mais cotado nome para o cargo é o de Campos Machado, visto que o senador Romeu Tuma é muito novo no partido.

A máscara

Gilberto Kassab nunca fez críticas explícitas a nenhum de seus adversários, portanto as recentes feitas a seu secretário Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, estão sendo interpretadas como uma solicitação para que ele entregue seu cargo. Para refrescar: Pesaro era homem de confiança no Palácio dos Bandeirantes no governo Alckmin.

Monica Bergamo – Folha de São Paulo (27/2/2008)

ORIGEM

O tucano Andrea Matarazzo conversou com diplomatas italianos sobre a possibilidade de ser candidato ao Senado da Itália, na vaga reservada aos italianos que moram na América do Sul. Ele considera “difícil” participar da eleição -mas não descarta totalmente a idéia.

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JÁ ERA

A conversa com os diplomatas sinaliza que o PSDB de SP considera a candidatura de Geraldo Alckmin à prefeitura irreversível. É que Andrea era provável candidato a vice, pelo partido, caso Alckmin não concorresse e os tucanos fizessem aliança com Gilberto Kassab, do DEM, na cabeça de chapa.