26/08/2010 - 17:57h Na média das pesquisas, Dilma abre 9 pontos sobre adversários somados

Jose Roberto de Toledo – Vox Pública

Na média das últimas três pesquisas divulgadas, Dilma Rousseff (PT) abriu 9 pontos porcentuais de vantagem sobre a soma de todos os adversários. Na média, ela tem 48%, contra 29% de José Serra (PSDB), 9% de Marina Silva (PV) e 1% dos nanicos somados. Se a eleição fosse hoje, ela seria eleita no primeiro turno com folga, mesmo descontada a margem de erro.

O primeiro gráfico mostra a evolução da petista considerando-se apenas os votos válidos. Para garantir a eleição em apenas um turno, o candidato precisa assegurar a maioria absoluta dos votos em candidatos, ou seja, 50% dos votos válidos mais um voto. No gráfico percebe-se que antes mesmo do início do horário eleitoral (17 de agosto), Dilma já havia chegado próxima disso.

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Mas a margem de erro, representada pela espessura da curva em vermelho, ainda produzia incerteza de vitória no primeiro turno. A superação dos 50% para além da margem de erro aconteceu a partir de 22 de agosto, após alguns programas de propaganda eleitoral serem exibidos no rádio e na TV. Foi o empurrão final para ela ultrapassar o sarrafo dos 50% com folga.

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O segundo gráfico mostra a evolução da média dos percentuais de intenção de voto de todos candidatos. Nota-se que ainda em julho, Dilma retomou o crescimento que havia apresentado de janeiro a maio. E, como de hábito, “roubando” eleitores de Serra.

Praticamente todo o crescimento da petista se deu à base da “conversão” de eleitores que antes citavam o tucano como seu candidato. Isso ocorreu por dois motivos: 1) boa parte da intenção de voto de Serra era na verdade um “efeito memória”, o chamado “recall”, não um voto convicto; 2) esses eleitores queriam votar no candidato de Lula, mas não sabiam que seu nome era Dilma.

A inclinação da curva de evolução da petista sugere que, embora ela já tenha atingido o patamar máximo que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou em 2006, esse talvez ainda não seja seu teto de crescimento. Segundo o Datafolha, ainda há eleitores que não sabem que Dilma é a candidata apoiada pelo presidente.

06/06/2010 - 07:43h IBOPE: Dilma agora é a “favorita” para vencer a eleição

Média das pesquisas mostra tendência de Dilma e Serra continuarem colados

por Jose Roberto de Toledo – VOX PÚBLICA – Estadão

(texto publicado na edição impressa de O Estado de S.Paulo)

O gráfico da média móvel das pesquisas desenvolvido pelo Estado mostra uma nova tendência: as linhas de intenção de voto de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) correram sobrepostas desde que eles empataram, há três semanas.

Até 14 de maio, as curvas de Serra e Dilma estavam espelhadas, o que o tucano perdia, a petista ganhava. Foram cinco meses de tendência convergente de Dilma em relação a Serra. O gráfico desenhou um alicate.

Mas desde que as hastes da ferramenta se encontraram não houve sinais de que a pré-candidata do PT tenha continuado cooptando eleitores do rival do PSDB. As projeções de ultrapassagem não se confirmaram, por enquanto.

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Desde que o empate se configurou, Serra ocupou a maior parte da propaganda do DEM em cadeia de rádio e TV, e isso pode tê-lo ajudado a frear o crescimento de Dilma. A maior exposição da petista ocorreu imediatamente antes de ela empatar com o tucano.

O calendário nas próximas semanas favorece Serra. Ele deverá ser o centro das propagandas de 10 minutos do PPS, do PSDB e do PTB que irão ao ar nos dias 10, 17 e 24 de junho, respectivamente.

Além disso, cada um dos três partidos terá 40 inserções de 30 segundos no horário nobre entre os dias 3 e 29 de junho. Muitas poderão ser aproveitadas por Serra para manter seu nome na cabeça do eleitor.

A média móvel considera as últimas três pesquisas divulgadas pelos principais institutos. Desta vez, entraram no cálculo as pesquisas Sensus, Datafolha e Ibope.

Dilma vira “favorita”, mas calendário é melhor para Serra

por Jose Roberto de Toledo

(texto publicado na edição impressa de O Estado de S.Paulo)

Alguns detalhes da pesquisa Ibope/Estado/Rede Globo são melhores para Dilma Rousseff (PT) do que para José Serra (PSDB): ela é favorita para a maior parte do eleitorado, seu voto está mais consolidado, e seu eleitor, mais confiante. Mas o calendário próximo favorece o tucano.

A maior mudança detectada pela pesquisa foi no favoritismo dos presidenciáveis aos olhos dos eleitores: agora, 40% apostam que Dilma será a sucessora do presidente Lula, contra 35% que jogam suas fichas em Serra. Em abril, a situação era inversa: 43% apostavam no tucano, e apenas 34% achavam que ela venceria.

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Essa virada reflete o aumento da confiança do eleitor de Dilma: 84% apostam na vitória de sua candidata. Embora também alto, o percentual de correligionários de Serra que acreditam na sua eleição é menor: 71%. E pior, 1 a cada 8 dos eleitores serristas crê na vitória de Dilma.

O aumento do otimismo petista é consequência do empate de Dilma com Serra há três semanas. Confiança é um combustível importante para animar a campanha, mas é também volátil: um tropeço nas pesquisas pode reverter a opinião de alguns desses otimistas.

Menos mutável é a intenção de voto espontânea. Dilma chegou a 19%, contra 15% de Serra. Ou seja, metade do eleitorado da petista têm seu nome na ponta da língua. É um voto mais difícil de perder. Para Serra, essa proporção é de 40%. Mas pode crescer com o aumento de sua exposição na mídia.

Serra pode ocupar até uma hora e meia da faixa nobre na TV e no rádio ao longo de junho. Desde que seja a principal atração dos programas de 10 minutos e inserções de 30 segundos que PSDB, PTB e PPS terão direito a veicular este mês. Seria uma repetição do que ocorreu com o horário de propaganda do DEM.

Dilma não tem nenhuma propaganda programada para este mês. Apenas a convenção do PT, que deve formalizar sua candidatura no dia 13. Mas o PSDB também fará a sua, para oficializar Serra, na véspera.

Para os tucanos, a pesquisa Ibope não foi tão ruim. Ao menos Dilma não cresceu nas últimas duas semanas, se comparados os resultados aos da Datafolha. Por isso que eles dizem que maio foi de Dilma e que junho será de Serra. Mas isso, só as pesquisas de julho poderão confirmar. Ou não.