20/11/2009 - 12:03h PT vai às urnas

estrela_sobePartidos: Eleição do PT tenta manter hegemonia em 2010 com estratégia para fortalecer bancada federal

PT vai às urnas na tentativa de sobreviver a Lula

Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

Os filiados que o PT convoca para a eleição interna neste domingo vão, mais do que escolher a direção que conduzirá o partido na disputa de 2010, dar início à retomada do protagonismo petista num horizonte em que, pela primeira vez, Luiz Inácio Lula da Silva não é presidente ou candidato. A tentativa do PT é agregar a popularidade lulista e retomar a autonomia na relação com o Palácio do Planalto, que o partido pretende continuar ocupando a partir de 2011.

Sob o governo Lula, o partido cresceu. Passou de 828,7 mil filiados em 2002 para 1,35 milhão no Processo de Eleições Diretas (PED) deste domingo. No Executivo, passou de 174 prefeitos para 545 e de 3 governadores para 5. No Senado, de 7 para 10, mas minguou na Câmara Federal. Elegeu em 2006 seis deputados a menos do que em 2002.

O desafio de imediato é, a partir da candidatura da ministra Dilma Rousseff, impor a hegemonia do partido frente à aliança partidária que lhe dará sustentação.

A aliança com o PMDB e com outros partidos que não os históricos aliados à esquerda (PCdoB, PSB e PDT) é amplamente defendida pelos candidatos no PED, em diferentes escalas de maior ou menor simpatia. Nenhum deles, porém, abre mão das rédeas da elaboração do programa de governo de Dilma.

A mais do que provável eleição já em primeiro turno do ex-presidente da Petrobras e da BR Distribuidora José Eduardo Dutra é o retrato mais acabado desse momento do partido. Carioca de nascimento, foi senador por Sergipe entre 1995 e 2002, mas nunca teve grande atuação na máquina partidária petista. Os cargos que desempenhou no governo o aproximaram de Dilma e o PT conta com isso para que sua relação com ela difira da relação submissa que tem com Lula.

“Não adianta querer ser protagonista se não tiver voto, por isso a prioridade também é aumentar as bancadas”, afirma Dutra, que não acredita em grandes alterações na relação do partido com o Planalto no pós-Lula. “Será um governo de coalizão, assim como este”.

A ausência de Lula, porém, tem sido ventilada pelas hostes petistas. “É um cenário novo porque coloca em prova o que sempre defendemos: ter várias lideranças. Todo partido quer sempre ter mais presença, mas não há uma obsessão em crescer no governo”, afirma o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini.

O fato de a eleição ser dada como certa em 1º turno – a primeira desde José Dirceu em 2001 – explica-se por uma reaproximação de forças que não se compunham desde o mensalão, em 2005, e deixou em alerta as correntes adversárias.

O que ficou conhecido como Campo Majoritário, cujo núcleo de poder esteve na cúpula do governo e do partido no primeiro mandato de Lula – Antonio Palocci, Luiz Gushiken, José Genoino, Delúbio Soares e Dirceu -, hoje está rebatizado de Construindo um Novo Brasil (CNB) e lança Dutra presidente com o apoio de antigos integrantes: a corrente Novo Rumo, de Marta Suplicy, e a PT de Lutas e de Massas, de Jilmar Tatto. Juntos, os mais otimistas falam que o grupo pode chegar a 60% dos votos.

Para esses grupos, a aliança pró-Dutra é uma convergência em nome do projeto Dilma. Para as outras candidaturas, é mais uma tática eleitoral para manter a maioria que sempre deu as cartas no partido no momento em que se configura um futuro incerto sem a presença de Lula.

“Ninguém sabe qual será o impacto de Dilma presidente sobre a vida interna do PT. É evidente que os ex-integrantes do Campo Majoritário pensaram nisto quando buscaram montar uma chapa única para o PED: querem se fortalecer para atuar num ambiente desconhecido”, afirma o secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar.

Para ele, a melhor mostra de que se trata de uma tática eleitoral, e não de unidade, é a diferença entre os partidários de Dutra quanto a apoiar ou não a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo paulista. Pomar integra a corrente Articulação de Esquerda, cuja candidata a presidente é a deputada Iriny Lopes (ES). A previsão é de que ela tenha 15% dos votos.

A vitória no 1º turno dependerá da mobilização dos filiados nos principais colégios eleitorais: SP, RJ, MG, BA, RS e BA. São nesses locais que a CNB tem mais força. Em se mantendo o patamar de votação de 30% das últimas eleições, a vitória é tida como certa. Mas o otimismo em demasia preocupa dirigentes. Muitos filiados, por acreditarem nisso, não vão votar.

Candidato pela segunda vez, o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP), da corrente Mensagem ao Partido -uma dissidência do antigo Campo Majoritário- avalia que há chances reais de 2º turno. “Estamos confiantes. E se houver, pode ter mudanças profundas no quadro”, diz.

Ao lado do deputado federal pelo DF e candidato pela corrente Movimento PT, Geraldo Magela, Cardoso concentra-se na crítica à forma como a CNB conduz o partido. As duas correntes avaliam que, em geral, a hegemonia do ex-Campo permanece, embora com “cara e jeito diferentes”. Integrantes do Movimento acreditam na possibilidade de chegar a 14% dos votos.

Havendo segundo turno, as chances de as correntes minoritárias terem maior participação interna aumentaria, embora a atual direção garanta que isso já ocorra. A candidata da AE, deputada Iriny Lopes (ES), aposta que o PT, qualquer que seja o resultado de sua disputa interna, deve focar a busca pelo protagonismo não apenas pelo poder, mas para comandar uma efetiva discussão programática.

“A importância do PT não será medida pelos ministérios, mas na articulação no Congresso e sobretudo na condução do programa de governo. O PT será fortalecido na medida em que tiver participação na construção do projeto vencedor numa terceira etapa”, diz.

Berzoini garante que essa terceira etapa terá a participação de todas as correntes. “É pouco relevante fazer mais de 50% dos votos. O que importa é valorizar todas as chapas”. Pode ser o prenúncio de uma nova fase do PT. Se Dilma vencer as eleições.


Minas e Rio terão as disputas mais decisivas da legenda

César Felício e Paola de Moura, de Belo Horizonte e do Rio – VALOR

É em Minas Gerais e no Rio que o PT terá as disputas mais decisivas do Processo de Eleições Diretas deste domingo. A divisão entre os cerca de 40 mil filiados do PT mineiro aptos a votar é menor do que aparenta a inscrição de cinco candidatos a presidente do diretório estadual e 12 chapas locais. Em maior ou menor grau, todas as alas do partido defendem a candidatura própria ao governo estadual nas eleições do próximo ano e não há dissidência em relação ao apoio à candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. A única disputa real é entre as candidaturas ao governo estadual do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. Os aliados de Pimentel são os favoritos para vencer as eleições de domingo.

Pimentel já conta com o apoio do deputado federal Reginaldo Lopes, presidente do diretório estadual, e do dirigente Aluisio Marques, presidente do diretório municipal. Lopes deve ser reeleito e o vice-prefeito de Belo Horizonte, Roberto de Carvalho, um aliado de Pimentel, deve ganhar a eleição municipal. A vitória dos aliados do ex-prefeito é tão provável que sua estratégia é tentar converter a eleição de domingo em uma prévia da escolha do futuro candidato ao governo.

Em todos os últimos embates internos, ficou nítido que Patrus e seus principais aliados, como o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, contam com mais sustentação na cúpula nacional petista, enquanto Pimentel é hegemônico em Minas.

A eleição direta do PT em Minas não deverá impedir a realização de prévias no próximo ano. Os aliados de Patrus já sinalizaram que o ministro permanecerá candidato independente do resultado da disputa interna. “Os colégios eleitorais da eleição interna e da primária não são idênticos”, afirmou o secretário nacional de Comunicação do PT, Gleber Naime, que concorre com o apoio de Patrus à presidência estadual da sigla. Um trunfo do ministro é o maior apoio entre os detentores de cargo eletivos, em movimentos sociais e em partidos aliados.

Patrus e Dulci estão em um grupo que conta ainda com o ex-secretário nacional de Direitos Humanos Nilmário Miranda, dois deputados federais, cinco estaduais e os prefeitos de Betim, Governador Valadares e Teófilo Otoni. Patrus ainda conta com a CUT regional. O ministro participa da mesma chapa nacional dos ex-deputados federais José Dirceu e Marta Suplicy, do secretário particular da Presidência, Gilberto Carvalho, e do deputado federal José Genoino.

O ministro tem a simpatia de lideranças de todos os possíveis aliados em 2010 em Minas, com a exceção do PSB, que prefere Pimentel. Mas o ex-prefeito tem cerca do dobro das intenções de voto a Patrus nas pesquisas. E conta com quatro deputados federais e três estaduais, entre eles Cecília Ferramenta que ao lado do marido Chico, comanda as bases de Ipatinga, cidade com o maior número de petistas.

No Rio, o PED reedita disputas históricas com a direção nacional. Parte do PT do Rio tenta novamente se insurgir e lançar candidatura própria ao governo do Estado. O prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, lançou-se como um dos concorrentes do atual governador Sérgio Cabral e é apoiado por Vladimir Palmeira e pelo deputado Carlos Santanna. No entanto, o destino é quase certo: “Se a direção do PT não concordar, acabou”, afirma o líder do PT na Câmara, o deputado Cândido Vaccarezza (SP), que acrescenta que não existe PT do Rio ou de São Paulo, “só existe o PT nacional”.

No PED do domingo, dos cinco candidatos a presidente estadual, dois apoiam a proposta de Lindberg e um a da aliança com Garotinho. O prefeito alega que, para Dilma, uma candidatura independente seria o melhor dos mundos, já que, teoricamente, ela teria três palanques no Estado: PT, PMDB e PR de Garotinho. Com entusiasmo, Lindberg diz já ter o apoio do PDT, do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) e do PSC. “O PT está muito submisso, mendigando no pé do PMDB”, afirmou o prefeito.

Lindberg garante que ainda não foi pressionado pela direção nacional. “Lula até hoje não falou nada”. Mas admite já ter tido conversas com o deputado federal Ricardo Berzoini (SP) e com o ex-ministro José Dirceu. “Mas eles não me pressionam porque sabem que não adianta”. Aliado do prefeito na luta pela candidatura, Vladimir Palmeira, que, em 1998, após vencer a candidatura regional para governador, teve que abandonar o projeto e engolir uma aliança com o PDT de Brizola e Garotinho, acredita no projeto de Lindberg. “O Cabral não cumpriu nenhuma das cinco promessas que nos fez”, reclama Palmeira. Entre elas a de dar acesso ao núcleo do poder e de não fazer indicações na secretaria dada ao partido. Palmeira também acredita que o PT nacional desta vez não vai se intrometer. “Eles vão ter que brigar com o PT de Minas, do Rio Grande do Sul e da Bahia”.

Carlos Santanna, deputado federal mais antigo do PT no Rio, com cinco mandatos é mais radical: “O PT do Rio é um partido de cartório, que não participa da luta da sociedade. Temos que ter posição”. Santanna está otimista quanto à vitória do grupo que apoia Lindberg. “Nós vencemos duas vezes nas eleições para o tempo de TV”, referindo-se às votações na executiva e no diretório que deu ao prefeito direito a 30 das 40 inserções que o PT do Rio terá na programação dos canais abertos de TV a partir de quarta-feira.

Há, no entanto, quem discorde de Lindberg. O deputado federal Antonio Carlos Biscaia é a favor da aliança com o governador Cabral. “Vejo aspectos positivos no governo, mas não gosto do lado impositivo que não negocia a candidatura e diz que a chapa será Cabral, Pesão e Picciani”. No entanto, o deputado acredita que a aliança é melhor para o partido. Biscaia ainda levanta dúvidas sobre o projeto de Lindberg. “Mesmo que o grupo dele vença, temos que ver qual a real intenção. Pode ser que depois, queira negociar”, questionou. Biscaia, no entanto, afirma que a decisão do PT do Rio deve ser respeitada – “Não admito intervenção nacional”.

Vaccarezza, acredita que esta intevenção não vai ser necessária . “É apenas uma vontade do Lindberg. Tenho a sensação de que a aliança com Cabral sairá vitoriosa no domingo”, diz o deputado.

05/07/2009 - 10:55h Base petista segue discurso de Lula pela manutenção de Sarney

Não faço parte da corrente petista Mensagem, de Tarso Genro e José Eduardo Cardoso, mas apoio a postura deles em relação a crise no Senado (ver embaixo).

O que está em jogo passa bem longe da ética ou da necessária luta contra os privilégios. Os que exigem o afastamento de Sarney em nome dos princípios republicanos só poderiam ser credíveis se exigissem Comissão de Ética para Arthur Virgílo e todos os outros senadores que como ele, mamaram conscientemente nas tetas irregulares desses privilégios.

Não o fazem porque o que os motiva é outra coisa. Bastaria José Sarney ingressar na ala do PMDB hoje alinhada com José Serra, para que cesse imediatamente a campanha contra ele. Se José Sarney proclamasse uma aliança com seus colegas, o senador Pedro Simon e o ex-governador Orestes Quercia, declarasse com força sua oposição a qualquer CPI do governo gaúcho e denunciasse como “eleitoreiras” as denuncias contra Beto Richa, os jornais passariam novamente a reverenciar o autor de Saraminda, considerando um prestigio contar com ele como articulista nas suas páginas.

Curioso é que os desmandos no senado perdurarem durante 14 anos e só agora à existência dos mesmos e os privilégios da sua burocracia mancomunada com uma parte dos senadores, apareçam a luz do dia. É que procuram cargar nas costas de Sarney, já bastante cargadas pela sua própria história, os desmandos que preexistiam a sua eleição como presidente.

Contrariamente as acusações que agora são lançadas contra Lula e o PT -a de determinar sua postura pelos interesses de Dilma e de 2010-, é precisamente porque os que visam Sarney o fazem exclusivamente pensando em derrotar Dilma e o PT em 2010 e não por ética alguma, que defendo a posição assumida pela corrente de José Eduardo Cardozo e por todo o PT. Trata-se de aproveitar está crise para passar a limpo a instituição, corrigir os desvios, aprimorar os mecanismos de controle e de transparência e acabar com os privilégios.

A tentativa de desbancar Sarney e debilitar o PMDB que governa com Lula, para depois manter toda essa podridão, mudando de foco para o próximo escândalo, não pode contar com o aval de nenhum militante honesto de qualquer partido.

Uma filiada ao PSDB fez circular um e-mail que dizia, grosso modo, como vou atacar os outros se “os nossos” agem igual (em referência a conduta escandalosa, irregular e vergonhosa do líder do PSDB no senado). A resposta me parece ser dupla: atuar politicamente em favor do fim das irregularidades no funcionamento do Senado e não reeleger Senadores como Arthur Virgílio. Pode juntar ao nome dele a de vários outros preeminentes líderes do seu próprio partido e aí sim, acrescentar o de Sarney e outros que ela considerar igualmente nefastos ao sistema democrático e republicano.

Perceberá rapidamente que, contrariando um certo niilismo alimentado por uma certa imprensa, encontrará sim no PT, PSDB, PMDB e outros partidos políticos, suficientes nomes para escolher. Pois, contrariamente ao udenismo rasteiro que ocupa o noticiário, a democracia brasileira e seus partidos -assim como as instituições republicanas- estão compostas em sua imensa maioria por homens e mulheres honestos e que agem nos partidos por paixão pela política e os destinos da nação. LF


http://2.bp.blogspot.com/_ywSvQZuuiEw/SH3m4eo108I/AAAAAAAAEJs/N9rnXh-k7wE/s400/cardozo.jpg
Deputado, José Eduardo Cardoso, dirigente da corrente Mensagem “Não acho que a saída dele (Sarney) neste momento possa resolver o problema”

Importância de aliança com PMDB é destacada em reunião de corrente de Tarso Genro

Silvia Amorim – O Estado SP

O recado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos senadores petistas para que apoiem a permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado, em defesa de um projeto vitorioso do PT em 2010, já surtiu efeitos na base do partido. Ontem, em encontro de uma das correntes do PT – a Mensagem ao Partido – , em São Paulo, o discurso dominante foi a favor da manutenção de Sarney no cargo.

Lançado oficialmente no fim da manhã como candidato da Mensagem ao Partido à presidência do PT, o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP) pediu uma apuração rigorosa das denúncias envolvendo Sarney e o Senado, mas defendeu a tese de que a crise – iniciada com o caso dos atos secretos – não é de uma pessoa, mas da instituição. “O PT deve ter posição firme para que se apure e puna quem quer que seja. Isso não se discute”, disse, em entrevista antes da abertura da reunião. “O que também não se pode imaginar é que a saída pura e simples de quem preside o Senado resolva todo o problema ético. Não acho que a saída dele neste momento possa resolver o problema.”

O ex-prefeito do Recife João Paulo, uma das lideranças da Mensagem ao Partido, corrente que tem entre seus líderes o ministro da Justiça, Tarso Genro – que não participou da reunião – , foi ainda mais enfático. Em discurso, ele disse que o PT não pode trocar “o acessório pelo essencial”. “A manutenção de Sarney (na presidência), pela importância que tem para uma candidatura da ministra Dilma (Rousseff, da Casa Civil), é o essencial. Estamos pagando um preço altíssimo e caríssimo, mas é em função do estratégico”, afirmou.

Os discursos indicam que o pedido de Lula deverá ser atendido no Senado e, mais importante, que já encontra apoio na militância. A Mensagem ao Partido nem é a ala petista mais ligada a Lula.

Na quinta-feira à noite, o presidente fez em um jantar com os senadores petistas e pediu apoio a Sarney, alegando que a aliança entre PT e PMDB não poderia se romper, sob a ameaça de desestabilizar a candidatura de Dilma ao Planalto em 2010. No dia anterior, parte dos senadores do PT havia se colocado publicamente favorável à saída do peemedebista da presidência.

Na próxima terça-feira, a bancada do PT no Senado fará uma reunião para fechar uma posição em relação a Sarney.

ELEIÇÕES INTERNAS

Se não houver surpresas até o dia 25 de julho, data final para o registro das chapas, cinco candidatos disputarão a presidência do PT. As eleição estão marcadas para novembro.

O favorito é o ex-senador e atual presidente da BR Distribuidora José Eduardo Dutra, nome da corrente Construindo um Novo Brasil, grupo de Lula e do atual presidente Ricardo Berzoini.

Com a bandeira da renovação do partido, Cardozo, hoje secretário-geral do PT, disse que o objetivo da disputa interna não é aprofundar as diferenças. “A ideia não é fazer uma disputa que desagregue o partido É fazer uma disputa que agregue. Precisamos estar muito coesos para eleger Dilma em 2010.”

É a segunda vez que o deputado lança uma candidatura à presidência do PT. Na anterior foi derrotado pelo atual presidente, Berzoini.

21/06/2009 - 10:21h União em torno de Dilma une o PT em favor de José Dutra como presidente da sigla

estrela_sobe3.jpg

Lula atua para reconstruir PT pré-mensalão

Ressurgimento do antigo Campo Majoritário antes da eleição interna do partido, marcada para dezembro, visa fortalecer Dilma

Planalto tenta convencer a corrente Mensagem ao Partido a não lançar José Eduardo Cardozo para apoiar José Eduardo Dutra

JOSÉ ALBERTO BOMBIG – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

http://www.paginadoe.com.br/post/imagem/3121/4zbscf/jose_eduardo_dutra_pt.jpg

José Dutra, ex-presidente da petrobras, candidato a presidente nacional do PT

O extinto Campo Majoritário do PT, que comandou o partido com mão-de-ferro no início da gestão Lula e esteve no epicentro do escândalo do mensalão, está próximo de ser recomposto para a disputa das eleições internas da sigla.
O renascimento ocasional teria como principal objetivo fortalecer a pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Palácio do Planalto.
O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus assessores diretos, em conversas reservadas, têm demonstrado seu apoio à união da antiga força em prol de Dilma na corrida pela sucessão dele em 2010.
Para que isso aconteça, será preciso convencer a corrente Mensagem ao Partido, dissidência do antigo Campo Majoritário, a apoiar José Eduardo Dutra, o nome de Lula e de Dilma, a presidente do PT nas eleições de dezembro.
A inscrição das chapas termina em meados de julho, e a Mensagem está dividida entre lançar novamente o deputado federal José Eduardo Cardozo (SP) ou apoiar Dutra, como defende a ala mais afinada com o governo federal.
Lula, em conversa com o ministro Tarso Genro (Justiça), líder da Mensagem, ressaltou a importância da união do partido já neste ano e sugeriu que ele trabalhasse por ela.
Dutra, ex-senador por SE e presidente da BR Distribuidora, um braço da Petrobras, faz parte da CNB (Construindo Um Novo Brasil), a corrente hegemônica do PT e que venceu a eleição anterior, em 2007.

Diáspora petista
Em 2005, por conta do escândalo do mensalão, Tarso liderou uma ruidosa ruptura no Campo Majoritário petista e chegou a defender a “refundação” do partido.
Faziam parte do grupo o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o deputado federal José Genoino (SP), todos abrigados hoje na CNB e envolvidos no mensalão.
Mais um passo em direção à reconstrução da antiga hegemonia foi dado anteontem pela corrente Novo Rumo, outra dissidência do Campo Majoritário e que oficializou seu apoio a José Eduardo Dutra.
Nas eleições internas do PT em 2007, a divisão ocasionou uma disputa acirrada, a exemplo do que ocorrera em 2005: o deputado federal Ricardo Berzoini (SP), da CNB, foi eleito presidente do partido derrotando Cardozo, pela Mensagem, e Jilmar Tatto, pela corrente PT de Lutas e Massas, que teve apoio da Novo Rumo (veja quadro nesta página).
“Nós temos a compreensão de que hoje é possível ter uma unidade maior no partido, com uma direção forte, em torno da campanha de Dilma”, disse o deputado federal Carlos Zaratini (SP), membro do Diretório Nacional do partido e integrante da Novo Rumo.
“Queremos recompor o PT com a preocupação de eleger Dilma”, disse o também deputado federal José Mentor (SP), integrante da novo Rumo .
Segundo eles, a PT de Luta e Massas deverá seguir a mesma linha e fechar com Dutra.

Resistência
Dentro da Mensagem, no entanto, o consenso está longe. “Temos que debater melhor o assunto. O temor é nos transformarmos em linha auxiliar da CNB”, disse o deputado estadual paulista Simão Pedro.
Uma das correntes à esquerda da direção partidária e que não fazia parte do Campo, a Movimento PT lançou o deputado federal Geraldo Magela (MG) a presidente do PT. “Mas ainda vamos trabalhar para convencê-los a desistir da ideia e apoiar Dutra”, disse Zaratini.

04/06/2008 - 12:58h Tarso nega conspiração de petistas anti-Dilma

 

 

Na volta das férias, ministro da Justiça se esforça para contornar crise política provocada por entrevista na qual disse que a colega da Casa Civil não tinha militância no PT. Mas afirma que há outras opções para 2010

Cadu Gomes/CB/D.A Press

Ministro quer mais força do PT
para definir sucessão de Lula

Gustavo Krieger – Correio Braziliense

O ministro da Justiça, Tarso Genro, teve um agitado retorno de férias. Ele passou as duas últimas semanas na Argentina e no Rio Grande do Sul, administrando uma crise política que gerou antes de viajar. Tarso deu uma entrevista ao jornal Zero Hora, na qual anunciou a formação de um novo núcleo dirigente no PT, que além dele incluía o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o assessor especial do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia. Na mesma entrevista, defendeu que a escolha do candidato à sucessão presidencial em 2010 passe pelo comando petista e disse que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não tem militância partidária. Ontem, antes mesmo de reassumir o gabinete e voltar a usar gravata, ele se esforçou para apagar o incêndio causado por suas declarações.

O problema foi que a entrevista foi interpretada como se Tarso estivesse anunciando que o grupo de ministros trabalhava contra a candidatura de Dilma, até aqui o nome preferido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso estremeceu as relações dentro do Palácio do Planalto e na cúpula do governo. O ministro da Justiça esforçou-se ontem para retirar qualquer suspeita de conspiração contra a chefe da Casa Civil. “As posições que assumi são pessoais e não envolvem Dulci, Marco Aurélio ou Patrus”, diz o ministro da Justiça. Para ele, houve uma confusão de papéis. “Eu não soube precisar a distinção sobre a formação de um novo grupo dirigente, que envolve pessoas de várias origens dentro do partido e isso foi confundido com articulações entre ministros.”


Lula

Tarso diz que a escolha do candidato governista será presidida por Lula. “O presidente será o grande eleitor do Brasil. Nós todos que estamos no governo vamos seguir a orientação dele. Eu farei isso mesmo se não for a minha posição.” Mas argumenta que “isso não significa que os dirigentes partidários não devam ter opinião. Podemos e devemos ter opinião”.

Segundo o ministro, o fato de Lula não poder disputar as eleições de 2010 fortalece a importância do PT. “A relação do partido com o governo, que hoje se baseia na figura de Lula, terá de ser reconstruída sobre novas bases.”

Veja o vídeo: da entrevista no Blog do Krieger

“Não há uma candidatura”

Na entrevista ao Correio, Tarso Genro esforçou-se para não parecer um adversário da ministra da Casa Civil. Elogiou Dilma Rousseff e disse estar disposto a apoiá-la se ela for a candidata à sucessão de Lula. Mas o ministro da Justiça deixou claro que não considera resolvida a questão da candidatura governista. “Não há porque dizer que não existem outras possibilidades além da ministra Dilma”, diz.

Ao mesmo tempo em que promete seguir as orientações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Tarso diz que não há nenhuma indicação de que ele já tenha optado por Dilma. “Até hoje, não há nenhuma manifestação do presidente em relação a isso. As pessoas dão como certo que há uma candidatura em movimento. Não há. O que existe é uma pessoa que se destaca (Dilma), tem o acolhimento de todos nós e é uma das possibilidades. No momento adequado, o presidente vai nos dar uma orientação. Nós vamos seguir, mas isso não significa que não podemos opinar sobre o processo.”

Articulações

O ministro nega que tente “blindar” o PT contra a pré-candidatura de Dilma Rousseff. Argumenta, no entanto, que o partido precisa participar das articulações. “A candidatura Dilma sequer foi colocada de maneira formal dentro do partido ou dentro do governo.”

Embora freqüente as listas de presidenciáveis petistas, Tarso descarta. “Não me considero uma possibilidade como candidato”, diz. Ele avalia que comprou brigas internas demais ao liderar a formação da corrente Mensagem ao Partido, que disputou a direção petista.

03/06/2008 - 12:08h “Não há grupo algum”, diz Dulci

L'image “http://www.pt.org.br/portalpt/images/stories/easygallery/thumbs/227/1196183697_congresso-06.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.Ministro Tarso Genrohttp://www.pt.org.br/portalpt/images/stories/easygallery/thumbs/227/1196183478_congresso-04.jpg

VALOR

Ao contrário do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento) não distingue uma “era pós-Lula” ao final do segundo mandato do presidente. O que o PT deve discutir, em sua opinião, é como consolidar e ampliar as conquistas sociais do governo, que ainda tem dois anos e meio pela frente.

Um problema com o avião que o traria de volta de El Salvador, onde esteve com Lula na semana passada, impediu Patrus de participar da reunião do Diretório Nacional do PT que discutiu a situação da eleição para prefeito de Belo Horizonte. O ministro é contrário à aliança que o prefeito Fernando Pimentel negociou com o PSDB de Aécio.

Como Pimentel é correligionário declarado da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) a presidente, os petistas que se opõem à aliança tucano-petista em Belo Horizonte foram logo carimbados de “anti-Dilma”. E relacionado ao grupo que Tarso Genro (Justiça) tenta articular para construir um novo campo hegemônico no PT.

Além de Patrus, o ministro Tarso Genro incluiu dois outros palacianos no grupo: Luiz Dulci (Secretaria Geral) e Marco Aurélio Garcia, o assessor de assuntos internacionais de Lula. Genro estava em férias, andou por Porto Alegre, Buenos Aires e hoje deve estar em Brasília. Vai se deparar com o olhar enviesado de ministros. Se for o caso, Dulci talvez faça uma cobrança pública sobre o tal grupo: “Não há grupo algum”, diz.

Os petistas estão intrigados com o anúncio feito por Genro da criação de um novo campo hegemônico no PT, do qual participariam os ministros mencionados, e com o desdém com que tratou a eventual candidatura de Dilma.

Das duas, uma: ou Genro quer chamar a atenção de Dilma para alguma questão estadual ou se convenceu de que a união de interesses temporária dos grupos a Mensagem e Construindo um novo Brasil, na eleição do Diretório Nacional, sirva para assentar as bases de uma nova maioria no PT.

Patrus tem boa relação com Dilma, e pode apoiar sua candidata em 2010. O ministro também é lembrado para a disputa presidencial, especialmente por comandar o maior programa social do governo, o Bolsa Família, mas tem no governo de Minas Gerais o desdobramento mais provável de sua carreira política. Nisso, Pimentel é seu concorrente direto.

Olhares enviesados esperam Tarso Genro

http://carosamigos.terra.com.br/da_revista/edicoes/ed81/images/debate005.jpgO que Patrus considera muito prematura é a discussão sobre a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, quando faltam ainda dois anos e meio de mandato.

“Estamos olhando muito para 2010 e esquecendo o município”, dizia o ministro na sexta-feira, ainda em El Salvador enquanto refazia seu roteiro de viagem para ir se encontrar com Lula em Roma. O ministro reconhece que tem discutido questões partidárias, ido a fundo na questão de Belo Horizonte, mas decididamente não acha hora de falar de 2010.

Segundo Patrus Ananias, “os temas devem ser discutidos no seu tempo próprio”, como a “integração do econômico com o social, consolidando um mercado interno no pais. A integração das políticas sociais, o controle da inflação para nós é essencial. Essa é a discussão nos encontros que temos tido”, afirma o ministro do Desenvolvimento. A sucessão presidencial é definitivamente um assunto prematuro”.

Patrus conta que o seu “compromisso com o presidente da República é o da integração positiva, em como consolidar e ampliar conquistas sociais do governo Lula”.

“O PT não é um fim em si mesmo, mas um instrumento a serviço do povo brasileiro, muito importante para a consolidação de um projeto nacional”, argumenta. “É preciso discutir a sua responsabilidade no momento em que estamos vivendo. Não vejo uma era pós-Lula, mas de consolidação progressiva de um governo histórico”.

A ligação normal de Dulci seria com o conterrâneo Patrus , mas na hipótese de não haver nenhum candidato natural, tende a optar pelo que chama de “perfil novo”, ou seja, Dilma Rousseff. Na falta do “candidato natural”, Dulci acha que Lula deve assumir a coordenação da própria sucessão, no que está de acordo Ananias.

O PT espera ser ouvido por Lula, os ministros dizem que é isso o que Lula quer fazer, e – todos – que Genro articule a maioria que puder, mas sem envolver artificialmente terceiros.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

22/05/2008 - 12:51h Mensagem a Dilma

VALDO CRUZ

http://diariodonordeste.globo.com/imagem.asp?Imagem=271394

BRASÍLIA - Dilma Rousseff, a chefe da Casa Civil e nome preferido de Lula para sucedê-lo, não gostou nada do que andou lendo nos últimos dias. Mais precisamente uma entrevista do colega Tarso Genro ao jornal “Zero Hora”, publicada no último domingo.

Nela, o ministro da Justiça dá declarações que, na visão de aliados de Dilma, revelam uma articulação contra a candidatura presidencial da gerente do PAC. Além de mostrar que grupos do PT não estariam satisfeitos com a forma como Lula vem conduzindo sua sucessão. Dilma largou na frente na preferência do presidente e deixou para trás o próprio Tarso e o ministro Patrus Ananias. Pelo menos por enquanto.

Em resumo, Tarso diz que o candidato petista à sucessão de Lula tem de ter “profundo vínculo partidário” com o PT. Questionado se Dilma terá de criar tal vínculo, responde que “esse é um enigma ainda não proposto para nós”.

Na entrevista, o ministro revela ainda que foi criado um grupo de 10 a 12 dirigentes para discutir o papel do PT num tempo sem Lula na Presidência. E que, pós-eleição municipal, esse grupo tratará do candidato do partido em 2010.

Vista como uma conspiração contra Dilma por seus aliados, a fala de Tarso ganha outra leitura entre os amigos do ministro. Primeiro, lembram que ele se expôs publicamente na defesa da ministra no episódio do dossiê contra os tucanos.

Segundo, o objetivo de Tarso teria sido enviar uma mensagem a Dilma, um recado para ela se aproximar mais do PT. Em outras palavras, tudo bem, ela é a preferida de Lula, mas precisa construir sua candidatura com o partido. Amigos de Tarso ressalvam apenas que ele exagerou um pouco na dose, mas acertou no conteúdo.

O fato é que o estilo independente de Dilma, sem militância partidária, não agrada a muita gente no PT. Vai que ela ganha e fica livre para montar o governo que desejar. Em suma, a disputa pelo ponto futuro petista esquentou.

28/10/2007 - 11:17h Entrevista do Deputado Federal José Eduardo Cardoso

José Eduardo Martins Cardozo
O ex-Presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo durante os dois primeiros anos da gestão Marta Suplicy e hoje Deputado Federal, explica o sentido de sua candidatura a Presidente do PT nacional

João Domingos, BRASÍLIA – O Estado de São Paulo


Por que o senhor decidiu ser candidato a presidente do PT?

Porque conto com o apoio de militantes que antes não costumavam se juntar, como o ministro Tarso Genro (Justiça), os governadores Marcelo Déda (Sergipe), Jaques Wagner (Bahia) e Ana Júlia Carepa (Pará), o senador Eduardo Suplicy. Isso dá à minha candidatura característica nacional.

Lula tem dito que em 2010 o candidato à sucessão dele não necessita ser do PT, mas da base aliada. O PT, no entanto, decidiu em seu último congresso que lançará um candidato. Como o senhor vê isso?

É legítimo que o PT pleiteie. Mas temos de respeitar as forças aliadas de forma a construir os nomes que são melhores para o momento. Seria um absurdo o PT dizer que não quer um candidato. É o principal partido do País, tem governadores, prefeituras importantes. Mas qualquer candidatura tem de ser construída com respeito aos adversários. Temos de abrir diálogos.

Quais devem ser os interlocutores? Os mesmos partidos da coalizão de agora?

Não devemos fazer o que ocorre hoje no PT, busca prioritária à direita e secundarização da importância de alianças à esquerda. O PT tem grande preocupação em se aliar com forças de centro-direita e não prioriza relações com os partidos de centro-esquerda. Temos de inverter isso. Não tem sentido o PT ignorar as relações de construção política com PSB, PC do B e PDT. Não tem sentido o PT, que é socialista, se aliar com forças que desejam matar o socialismo na origem. É um equívoco.

O senhor foi sub-relator da CPI dos Correios. Saiu de lá convencido de que houve o mensalão?

Às vezes, o tal do mensalão envolve uma discussão semântica que não leva a nada. Eu vou sair fora dessa palavra. É evidente que houve situações de recursos indevidamente repassados a partidos, a parlamentares. Chamem isso do que quiserem. Vamos falar da substância. Evidentemente que houve situações em que dirigentes petistas agiram como não deveriam. Temos de dizer isso com toda a clareza. É por isso que temos defendido a ética para o PT. Não se trata aqui de discutir casos individualizados. A ética é pressuposto da ação política. Não é possível pensar, como falaram em alguns encontros do PT, que a construção da democracia e do socialismo prescinde da ética. Nós defendemos um banho de ética. E que o PT seja mais rigoroso com as transgressões éticas de seus militantes do que até com seus adversários. Acho que sempre que houver denúncia de infração ética, antes de punir, o PT tem de investigar. Havendo provas, que haja punição. Não havendo, que o PT defenda o militante.

Como fazer para resgatar a credibilidade que o PT já teve?

Resgatando a democracia interna. O que tem acontecido no PT é que um pequeno grupo de pessoas decide o que o partido tem de fazer e isso é imposto para todo o conjunto, por intermédio do grupo majoritário. O militante vai num encontro e levanta crachás. Sabemos do resultado antes do encontro do PT. Isso é a negação do partido. É preciso retomar a democracia interna, o respeito à minoria. Porque um petista pensa diferente da maioria ele não tem de ser execrado. A questão da democracia interna é chave no resgate do PT. Ela traz de volta o petista à sua origem. O partido tem que ser militante. Vimos em algumas eleições militantes pagos. Isso é uma afronta ao que defendemos. Temos de ter militância ideológica.

Desde que o PT chegou ao governo, há um choque entre o partido e os meios de comunicação. Agora, vai ser criada a TV pública, como forma de pôr uma cunha na mídia. O que acha da TV pública?

Sou plenamente favorável. É correta, necessária. Não vai competir com ninguém.

E sobre a revisão das concessões de emissoras de rádio e de TV?

Aquelas que não atenderem à lei têm de ser revistas. O que for irregular exige intervenção imediata. Defendemos a liberdade de imprensa, mas existe a necessidade de que grupos econômicos não controlem a informação.

No Congresso recente do PT, foi aprovada a realização de plebiscito a respeito da privatização da Vale do Rio Doce. O que acha dessa decisão?

Temos postura crítica a todo processo de privatização feito pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. Algumas questionáveis no mérito; na forma, quase todas, porque levaram a situações de descalabro. Acho importante que cada questão seja discutida com cuidado, para verificar se é reversível o processo, os custos para a sociedade, os ganhos com a reversão. Por sua própria natureza, a Vale está distante do cidadão comum. Mas no caso da telefonia não há como negar que a sociedade se beneficiou.

O sr. poderia fazer uma análise de seus concorrentes?

São dois excelentes candidatos. Ricardo Berzoini (que concorre à reeleição) expressa o Campo Majoritário, responsável pela direção do PT já há muitos anos. Essa forma de gestão está totalmente superada. A direção tem um projeto exclusivamente de manutenção do poder. Em relação a Jilmar Tatto, há forças políticas que seguramente estarão conosco se chegarmos ao segundo turno. Mas seu arco de sustentação está centrado no Estado de São Paulo, há dificuldade de dialogar com o País.

Quem é:
José Eduardo Martins Cardozo

Deputado federal em segundo mandato. Professor de

Direito Administrativo e Filosofia do Direito da PUC-SP.

Secretário de Governo na administração de Luiza Erundina. Vereador mais votado da história do País, com 229 mil votos em 2000.

19/09/2007 - 10:12h Carta de Tarso Genro a militantes reacende crise interna do PT

Raymundo Costa

Além do problema Walfrido dos Mares Guia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está combatendo uma nova crise no PT. Sob o pretexto de avaliar o 3 Congresso Nacional do partido, o ministro Tarso Genro (Justiça) enviou uma carta aos militantes na qual faz duras críticas ao antigo comando partidário, minimiza seu papel nos avanços econômicos do primeiro mandato e diz – numa referência ao julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) – que não houve um julgamento “deste ou daquele indivíduo, tarefa que é responsabilidade da justiça penal após a instrução dos respectivos processos judiciais”.

A carta de Genro – cujo título é “Depois do Vendaval” – deixou particularmente aborrecidos os ex-ministros Antonio Palocci e José Dirceu, além do ex-presidente do PT José Genoino. Palocci acredita que o ministro da Justiça desmereceu o papel que ele exerceu no governo Lula, ao afirmar que, com a mudança de comando no PT, deu-se no segundo mandato “início à ‘transição’ em direção a um novo modelo de desenvolvimento, com maiores taxas de crescimento, emprego e distribuição de renda, superando o modelo neoliberal herdado de FHC, de baixas taxas de crescimento e sucateamento das funções públicas do Estado”.

Segundo Genro, a crise de 2005 “evidenciou a falência dos velhos paradigmas ideológicos vigentes no interior do partido, herdados da bipolarização URSS x EUA”, que se refletiam no PT “com um arcabouço conceitual e um modelo de organização de tendências, incapaz de dar conta das novas complexidades da luta social no mundo globalizado”. Este modelo, “impotente e primário, serviu apenas para consolidar relações de poder puramente contingentes para fortalecer interesses grupistas no partido, mas foi impotente para ajudar Lula a governar olhando para a frente, como o próprio presidente te o fez ao longo do primeiro mandato”. Este foi o trecho que mais deixou incomodados Dirceu e José Genoino.
A assessoria do ministro Tarso Genro confirmou ao Valor a autenticidade da carta, mas destacou que se tratava de uma correspondência particular aos militantes que não era para ser divulgada. No pé do texto, aliás, há um aviso entre parênteses: “Este texto é uma correspondência; não é permitida sua reprodução sem licença do autor”. Apesar da recomendação, a carta reabriu feridas que nunca foram inteiramente cicatrizadas no PT e voltou a radicalizar as posições em relação ao Processo de Eleição Direta (PED), em dezembro, que vai eleger o novo comando partidário.
O PT encaminhou a Lula uma lista com três nomes para presidir o partido: Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente, Luiz Dulci, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, e o do assessor para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia. O nome do atual presidente, Ricardo Berzoini, foi omitido porque ele disse que não queria mais permanecer no cargo, por sentir-se desprestigiado pelo presidente Lula.
Ao tomar conhecimento da lista do PT, Lula se recusou a abrir mão de dois dos três auxiliares: Gilberto Carvalho e Luiz Dulci. Especificamente em relação a Carvalho explicou que ele tem novas funções desde a reforma da chefia de gabinete da Presidência, a partir da qual Cezar Alvarez passou a cuidar especificamente da agenda presidencial e liberou Carvalho para outras tarefas . Entre elas, a interlocução do presidente com o próprio PT. Dulci também prefere ficar na Secretaria Geral. Restou Marco Aurélio Garcia, que já declarou publicamente não se sentir em condições de ocupar o cargo, depois que foi filmado fazendo um gesto obsceno.

Diante do impasse, os integrantes da executiva petista, que se encontram em viagem à China, decidiram antecipar a volta ao Brasil para este fim de semana. O grupo Articulação, que foi majoritário na eleição dos delegados ao 3º Congresso Nacional do PT, vai tentar convencer Ricardo Berzoini a voltar atrás e concorrer à reeleição para a presidência do PT. Há outras três alternativas – Paulo Frateschi (SP), Marcos Maia (RS) e André Vargas (PR). Mas um nome nem sequer pode ser mencionado no grupo: Tarso Genro.

18/09/2007 - 21:35h Pensata de Valdo Cruz da Folha online

O vendaval petista

A guerra pelo comando do PT ganhou uma nova apimentada. De autoria do ministro Tarso Genro (Justiça), um texto intitulado “Depois do Vendaval” e distribuído internamente no partido foi visto tanto como uma crítica aberta por alguns petistas como um chamamento ao entendimento por outros. Depende do gosto do cliente. Ou melhor, de que lado ele está.

Elaborado como análise do último congresso do partido, realizado no final de agosto em São Paulo, o documento não cita nominalmente nenhum petista. Mas na leitura feita por membros do Campo Majoritário, tendência que controla o partido, Tarso Genro disparou vários torpedos contra os ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci Filho, além de mirar no ex-presidente do partido José Genoino.

O grupo do ministro da Justiça discorda. Diz que, se de um lado Tarso Genro não fez questão de “passar a mão na cabeça de ninguém”, por outro teve a preocupação de não personalizar sua análise, no desejo de não provocar rupturas dentro do partido e buscar uma conciliação.

Os dois lados têm lá sua razão. No texto, Tarso diz coisas do tipo: “A direção provisória, que assumiu o partido em julho de 2005, constituiu um novo ambiente político interno, que rompeu com uma defasada lógica de maioria e deu ao partido as condições para sair da letargia e da defensiva política, que se encontrava em razão da crise do mensalão”. Não citou Dirceu, Delúbio Soares nem Genoino, mas estava falando deles.

Não ficou nisso. Avaliou que foi essa mudança no comando do partido que deu início a uma “transição em direção a um novo modelo de desenvolvimento, com maiores taxas de crescimento, emprego e distribuição de renda, superando o modelo neoliberal herdado de FHC, de baixas taxas de crescimento e de sucateamento das funções públicas do Estado”. Uma referência a algo que já havia dito pós-reeleição do presidente Lula, de que a era-Palocci havia chegado ao fim.

O texto de Tarso Genro não pára por aí. Fala em “superação de erros e das limitações do partido” e daquilo que classifica de incapacidade da antiga direção partidária, aquela que ruiu com o mensalão, de realizar um “profundo debate sobre o modelo de desenvolvimento”.

Não deixa, contudo, de realmente acenar com o entendimento. O ministro diz que seu novo grupo –Mensagem– conseguiu apresentar propostas ao partido “sem a utilização de um discurso de condenação moral ou de acusação de indivíduos –como a grande mídia torcia”. E, já no final do artigo, afirma que o “Mensagem” não quer “rivalizar” com essa ou aquela corrente do partido, mas “dialogar com os militantes de todas as correntes”. Ou seja, se faz uma crítica contundente, como de costume, Tarso também busca uma conciliação. Dificilmente José Dirceu vai acreditar em suas intenções. Tem lá suas razões. Mas dentro do Palácio do Planalto o movimento do ministro da Justiça é bem visto. Inclusive pelo presidente.

Presidente

O Campo Majoritário, tendência interna do PT que adotou um novo nome –Construindo um Novo Brasil–, domina hoje quase 50% do partido. Tem em suas fileiras gente como José Dirceu, Ricardo Berzoini, Luiz Marinho, Marta Suplicy, Luiz Dulci, Patrus Ananias e Paulo Bernardo. Dentro desse grupo, boa parte quer evitar a estratégia do seu oponente Mensagem –cerca de 13% do partido– de eleger Marco Aurélio Garcia o novo presidente do PT. O atual comandante do partido, Ricardo Berzoini, tem dito que não deseja mais permanecer no posto, apesar de seus amigos ainda o pressionarem nesse sentido. No Mensagem, estão, além de Tarso, petistas como o governador Marcelo Déda, o ex-governador Olívio Dutra e o ministro Fernando Haddad (Educação). A eleição direta dos novos dirigentes acontece no final do ano. Até lá, mais artigos virão. Não só de Tarso Genro. Em jogo o comando do partido no período em que será escolhido o candidato petista à sucessão de Lula.

Mensalão mineiro

Depois de o STF acatar a denúncia da Procuradoria Geral da República contra os 40 homens do mensalão petista, a expectativa agora é sobre o destino que o procurador-geral Antonio Fernando de Souza dará ao que ele considera o “embrião do mensalão” surgido em Minas Gerais durante a campanha de reeleição do ex-governador tucano Eduardo Azeredo. Muito possivelmente vai propor denúncia contra Azeredo. A dúvida é se vai incluir o ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), o articulador político do presidente Lula.

Contra Mares Guia há a denúncia de que ele teria sido o coordenador da campanha de Azeredo e, nessa condição, operado um esquema de caixa dois envolvendo mais de R$ 24 bilhões. Só que o próprio Eduardo Azeredo já disse e repetiu que Mares Guia não foi seu coordenador de campanha. Gente que trabalhou na campanha diz que o ministro se restringiu a dar conselhos antes do início da eleição e a conseguir alguns apoios no segundo turno, mas não operou nem mexeu com o dinheiro arrecadado pelos tesoureiros do tucano. O próprio Mares Guia questiona como pode ser acusado de ter operado o dinheiro da campanha de Eduardo Azeredo, seu amigo, sem ter trabalhado nela.

Dentro do Palácio do Planalto, a avaliação é que não há provas contra o ministro. Assessores de Lula acreditam que ele não tenha nenhuma relação com o esquema montado à época, quando Marcos Valério começou a operar em campanhas políticas. Os próprios tucanos sabem disso. Só que, para eles, o melhor dos mundos seria Mares Guia também ser incluído na denúncia pelo procurador. Dividiria com o PSDB o desgaste político.

 

 

Valdo Cruz Valdo Cruz, 46, é repórter especial da Folha. Foi diretor-executivo da Sucursal de Brasília durante os dois mandatos de FHC e no primeiro de Lula. Ocupou a secretaria de redação da sucursal e atuou como repórter de economia. Escreve às terças.E-mail: valdo@folhasp.com.br

04/09/2007 - 10:16h 3º Congresso do PT: A dialética da candidatura para 2010 (2)

(…)

Petistas tentaram ontem desfazer a impressão de que a aprovação da candidatura própria para 2010 foi uma derrota. “A resolução deixa claro que vamos dialogar”, disse Rocha.

O texto, apesar de fazer acenos a aliados, deixa claro que o PT quer lançar candidato próprio. No segundo parágrafo, o partido diz que será “dirigente” da condução da sucessão. No terceiro, mais explícito, diz que “deve apresentar candidatura petista à sucessão de Lula”.

O último parágrafo, negociado por integrantes do ex-Campo Majoritário -ministros Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e pelo assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia, além de petistas ligados a Tarso- propõe o debate. “O PT apresentará uma candidatura a presidente a ser construída com outros partidos”, diz. A negociação foi costurada porque os petistas mais próximos a Lula temiam uma derrota se o texto fosse votado no plenário. (…)

Leia a integra do artigo Derrotas de direção atual abrem disputa no PT
no jornal Folha de São Paulo (para assinantes)