10/11/2009 - 09:27h Partidos da base lulista fecham acordo por Ciro

São Paulo: Candidatura de deputado cearenese ao governo paulista une PT, PDT, PSB, PSL, PSC, PRB, PTN e PCdoB

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Vandson Lima, de São Paulo – VALOR

Reunidos na sede do PDT em São Paulo, a convite do deputado federal Paulo Ferreira da Silva, o Paulinho da Força, os líderes de oito partidos da base governista de Luiz Inácio Lula da Silva fecharam acordo para elaborar uma agenda política em comum, seguindo também unidos na disputa pelo governo de São Paulo.

E o candidato deverá ser o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). Único nome a unir boa colocação nas pesquisas de opinião e aceitação de todos os partidos envolvidos (PT, PDT, PSB, PSL, PSC, PRB, PTN, PPL e PCdoB), Ciro contaria ainda com o apoio declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O grupo ainda buscará o apoio do PR, do PP e do PTB.

O acordo praticamente tira da disputa o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que não conta com apoio do PT e do PDT. Outra possibilidade seria a aliança apoiar um candidato petista, o que só ocorrerá caso Ciro Gomes se candidate à Presidência.

Para o deputado federal e líder do PSB, Márcio França, “Ciro tentará à Presidência caso se mantenha crescendo nas pesquisas, à frente de Dilma, até março. Mas Ciro está ciente de que, cada vez mais, o cenário se torna favorável à sua candidatura em São Paulo”. Márcio calcula que, com a atual configuração, o candidato da aliança recém formada terá 9 minutos na propaganda eleitoral, enquanto o candidato da coligação PSDB-DEM-PMDB terá cerca de 10 minutos.

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) acredita que o acordo muda a qualidade da disputa em São Paulo, na medida em que propõe um novo projeto de oposição, com viabilidade eleitoral e em sintonia com o governo federal. Ao final de sua fala, ouviu do anfitrião, Paulinho: “Esse é um bom discurso para ser candidato a governador”, deixando o senador encabulado e provocando riso nos presentes.

O PT foi o partido que enviou mais nomes de peso para a reunião. Além de Mercadante, compareceram o deputado federal e presidente do PT, Ricardo Berzoini, o presidente estadual Edinho Silva, o líder do PT na Assembleia Legislativa e deputado estadual Rui Falcão, além da vice-prefeita de Bauru, Estela Almagro.

A aliança formará três grupos de trabalho: de deputados, presidentes dos partidos e lideranças. Esses grupos avaliarão as condições de se eleger uma bancada forte na Assembleia e elaborarão uma agenda política comum, com encontros para apresentação de propostas, criando uma plataforma alternativa para o governo de São Paulo.

No encontro nacional do PT, realizado no sábado, em Guarulhos (SP), nomes antes cogitados para a disputa, como o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, e a ex-prefeita da capital, Marta Suplicy, relativizaram o discurso pela candidatura própria, mostrando que o partido está resignado à ideia de concentrar forças na disputa presidencial e, como é do desejo do presidente Lula, compor chapa com Ciro em São Paulo.

Emidio disse ontem no Twitter (microblog) que mantém sua candidatura. ” Acabei de sair da reunião com a executiva estadual do PT. Oficializei minha disposição para ser candidato ao governo de São Paulo.

09/11/2009 - 18:37h Um bom começo

Bloco de apoio a Lula se une em SP em torno de candidato único e amplia oposição a Serra

REGIANE SOARES da Folha Online

Dirigentes e parlamentares PDT, PT, PC do B, PSB PSL, PSC, PRB, PTN e PPL (ainda em formação) se reuniram hoje em São Paulo para definir as estratégias para a construção de uma candidatura única ao governo do Estado.

No plano nacional, esses partidos fazem parte da base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em São Paulo, entretanto, algumas dessas legendas –como PDT e PSB– são aliados do governador José Serra (PSDB), que faz oposição a Lula.

Na reunião, os partidos formaram grupos de trabalho para elaborar uma agenda política comum. Os grupos serão divididos entre os dirigentes estaduais dos partidos, os parlamentares na Assembleia Legislativa, na Câmara e no Senado, que farão um diagnósticos dos problemas do Estado, a elaboração de propostas para um programa de governo, além da elaboração de seminários para discutir o assunto. Serão agendada pelo menos mais três ou quatro reuniões até o fim do ano.

A reunião foi realizada a convite do presidente estadual do PDT em São Paulo, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, e reuniu os principais líderes dos partidos no Estado, como o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, o presidente nacional do PSB, Márcio França, entre outros.

“Nosso objetivo é a construção de uma candidatura única do campo popular progressista em São Paulo”, afirmou Paulinho, que não informou quando será definido ou anunciado o nome do candidato da oposição. “Quem sabe em junho [de 2010], nas convenções dos partidos”, disse.

Berzoini disse que o PT está aberto a discutir as indicações e ressaltou que a reunião de hoje não era para falar em nomes. “Estamos abertos para disputar qualquer arranjo”, afirmou.

A candidatura dessa frente em São Paulo está indefinida. O PT, por exemplo, tem pelo menos seis pré-candidatos a governador, entre eles o deputado Antonio Palocci e o senador Eduardo Suplicy. Outro nome que ganhou força entre os aliados é o do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) –defendido hoje por Paulinho.

“Esse é um bom discurso para ser candidato ao governo”, afirmou Paulinho depois que Mercadante defendeu a mudança no comando do Estado –que há mais de 16 anos é administrado pelo PSDB.

O PSB também não definiu se lançará o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo paulista, como deseja o presidente Lula, ou à Presidência da República. A definição deve sair em 2010.

Independentemente de quem seja o candidato, o presidente estadual do PT em São Paulo, Edinho Silva, acredita que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT à Presidência, terá um palanque forte em São Paulo. “Não será um palanque frágil”, afirmou o petista, que pretende atrair ainda partidos como o PTB, PP, PR, PTB e PMDB, que está rachado e em São Paulo defende a candidatura do governador José Serra (PSDB) à Presidência.

Assembleia Legislativa

Além da discussão de uma candidatura única, a reunião de hoje também deve ter consequências na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A ideia é que os partidos que se reuniram hoje comecem a fazer parte da bancada de oposição a Serra, que atualmente reúne apenas o PSOL, PC do B e o PT.

17/10/2009 - 10:40h PT e PSDB buscam aliados para fortalecer candidatura presidencial

Senado vira moeda de troca em alianças

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Orestes Quercia, candidato de Serra ao senado. A segunda vaga está em disputa no PSDB

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Chalita e Mercadante, uma das alternativas cogitadas no PT

Clarissa Oliveira – O Estado SP

Palco da principal crise política deste ano, o Senado foi transformado em moeda de troca para a negociação de alianças no maior colégio eleitoral do País. Para assegurar um palanque forte na corrida presidencial de 2010, os partidos que tendem a polarizar a eleição decidiram empurrar seus integrantes para o sacrifício e apoiar potenciais aliados para uma das vagas que serão abertas na Casa no ano que vem.

Em 2010, entram em jogo duas das três cadeiras a que cada Estado tem direito no Senado. A renovação ocorrerá pouco mais de um ano após o Estado revelar o escândalo dos atos secretos, que colocou na mira o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Em São Paulo, serão disputadas as posições de Aloizio Mercadante (PT) e Romeu Tuma (PTB). Candidato à reeleição, Mercadante é tido como presença certa na disputa. Mas o PT já definiu que a segunda vaga servirá apenas para atrair apoiadores para a candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

A ex-prefeita Marta Suplicy (PT) estava de olho na vaga, mas isso não impediu o PT de apresentar ao vereador Gabriel Chalita, ex-tucano recém-filiado ao PSB, uma proposta de composição. O PT vê a oportunidade de ganhar um puxador de votos tradicionalmente dirigidos ao PSDB. Também quer fortalecer o palanque religioso de Dilma, graças à relação de Chalita com a Renovação Carismática Católica.

Evitando bater de frente com o PSB, Mercadante vem defendendo internamente que o PT dê atenção ao PC do B, que ventila os nomes do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) e do vereador Netinho de Paula (PC do B-SP). Ele investe ainda na tese de que o melhor é apostar em quadros experientes. “Precisamos de senadores com competência e, de preferência, boa experiência legislativa”, diz.

O PDT também cobra apoio para o Senado, numa manobra para aumentar seu passe. “Meu nome está colocado e nós queremos ser contemplados”, diz o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força, avisando que é candidato.

ANTECIPAÇÃO

Entre os tucanos, a decisão de abrir mão de uma das vagas foi tomada ainda em 2008. Com a chancela do governador José Serra, potencial candidato tucano à Presidência, o bloco PSDB-DEM prometeu apoio ao ex-governador Orestes Quércia (PMDB), numa manobra para trazer o PMDB paulista para a aliança que reelegeu o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e pavimentar um acordo para 2010.

Quércia ficou com a cadeira que caberia ao DEM na aliança. Mas a sigla já tinha ao menos um interessado na vaga, o secretário do Trabalho, Guilherme Afif Domingos (DEM). Em 2006, Afif perdeu para Eduardo Suplicy (PT) por apenas 770 mil votos. O acerto com Quércia deixou livre a segunda vaga da aliança PSDB-DEM-PMDB, que, até segunda ordem, ficará com o tucanato. Na lista dos cotados, estão os deputados José Aníbal (PSDB-SP) e Mendes Thame (PSDB), além do secretário da Educação de Serra, Paulo Renato de Souza (PSDB).

Na prática, a vaga pode acabar com o ex-governador e secretário do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, caso ele não consiga se viabilizar para o Palácio dos Bandeirantes. Dizendo ter “muito interesse” em concorrer, Aníbal admite que a negociação será decidida para facilitar a composição federal. “Não é sacrificar o partido, mas temos consciência de que o mais importante é dar densidade à candidatura presidencial.”

O tucanato ligado a Alckmin provavelmente ouvirá cobranças do PTB. A sigla, que apoiou o ex-governador em 2008, diz querer ajuda para reeleger Romeu Tuma (PTB). “É no mínimo justo, considerando a relação de lealdade que temos há anos com o PSDB”, diz o presidente do PTB paulista, deputado estadual Campos Machado (PTB). Já o PV da senadora Marina Silva (AC) ainda não definiu quem vai lançar. Mas, reservadamente, dirigentes dizem já ter decidido o ex-deputado Fábio Feldmann (PV) como alvo das investidas.


FRASES

Aloizio Mercadante
Senador (PT)

“Precisamos de senadores com competência e, de preferência, boa experiência legislativa”

Paulinho Pereira da Silva
Deputado (PDT)

“Meu nome está colocado e nós queremos ser contemplados”

José Aníbal
Deputado (PSDB)

“Não é sacrificar o partido, mas temos consciência
de que o mais importante é dar densidade à candidatura presidencial”

29/08/2009 - 09:41h Palocci candidato? a última palavra será de Lula

Composição da chapa ao governo paulista depende do presidente Lula

Clarissa Oliveira – O Estado SP

Se optar de fato por se lançar na disputa pelo governo paulista, o deputado Antonio Palocci (SP) terá de acalmar alguns ânimos dentro do PT. Um dia após o ex-ministro da Fazenda se livrar no Supremo Tribunal Federal (STF) da denúncia pela quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, parte dos potenciais candidatos à vaga correu para desmontar a versão de que a chapa petista para o Palácio dos Bandeirantes está automaticamente definida.

Único petista a se colocar formalmente como alternativa para a corrida estadual, o prefeito de Osasco, Emidio de Souza, mudou o discurso que vinha fazendo nos últimos meses. Deixando de lado a tese de que abandonaria a candidatura em benefício de Palocci, ontem ele preferiu argumentar que vai buscar um entendimento. “Eu concordo que a decisão do Supremo recoloca o ministro Palocci no debate. Ele está novamente à disposição do partido. Mas isso não o torna automaticamente candidato”, disse Emidio. “Eu considero possível um entendimento, para evitar uma disputa. Mas não significa que meu apoio seja automático.”

Ontem, no círculo próximo ao senador Aloizio Mercadante (PT-SP), o discurso também era de que a candidatura de Palocci não é certa. Nesse caso, a tese predominante era a de que o próprio Palocci não teria decidido seu futuro. Ele poderia, por exemplo, coordenar a campanha presidencial da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ou voltar a integrar o time de ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mercadante tem dito internamente que sua prioridade absoluta é se reeleger senador. Mas setores do PT têm defendido sua candidatura ao governo. Essa ideia, entretanto, é vista principalmente como forma de abrir espaço para que a ex-ministra Marta Suplicy se viabilize para o Senado.

Marta, por sua vez, preferiu se manter firme no apoio a Palocci. “Apoio sua candidatura ao governo do Estado, desde o primeiro momento”, afirmou a ex-ministra do Turismo. Segundo ela, Palocci tem um perfil capaz de “levar São Paulo a outro patamar de desenvolvimento e atração de investimentos”.

Ainda assim, Marta preferiu jogar para frente qualquer discussão sobre a formalização da candidatura. “Não vejo necessidade de uma decisão até fevereiro e março, pois nem sabemos ainda quem serão os adversários. Da minha parte, serei candidata à posição que mais ajudar a eleição da ministra Dilma à Presidência da República.”

Apesar das manifestações, é consenso no PT que a composição da chapa ao governo paulista só depende de Lula e de Palocci. Se o ex-ministro quiser ser candidato, dificilmente outro nome criará obstáculos. De qualquer forma, dizem petistas, a expectativa é de que Palocci adie a definição pelo menos até o início do ano que vem.

18/08/2009 - 15:01h Mercadante diz que currículo de Serra também está errado

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foto Flavio Florido

Publicada em 18/08/2009 às 13h48m Portal O Globo

O Globo

RIO – O líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), saiu em defesa da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante depoimento da ex-secretária da Receita Lina Vieira na CCJ do Senado, e minimizou a polêmica em torno do seu currículo. Mercadante disse que também já cometeu equívocos e citou como exemplo o caso do governador José Serra (SP), que, segundo ele, tem o título de engenheiro no currículo, sem ter concluído o curso.

- Serra colocou engenheiro e economista. Ele não é engenheiro, porque não se formou na graduação. E no Chile, não concluiu o mestrado na escola latina – afirmou Mercadante.

Recentemente, foi divulgado que, diferentemente do que afirmava em seu currículo, Dilma não tem o título de mestre nem estava fazendo doutorado.

03/08/2009 - 10:26h Mercadante teme dano eleitoral

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Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR

Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a insistência do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) em marcar posição firme contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), vai além da necessidade de dar satisfações ao eleitorado petista de São Paulo. Seria uma tentativa do senador de angariar votos também entre os eleitores tucanos , já que o PSDB assumiu com firmeza uma postura contra Sarney.

Segundo estas autoridades do Palácio do Planalto, Mercadante terá uma eleição difícil em 2010 quando os Estados escolhem dois senadores -, por conta de episódios recentes, como o escândalo do dossiê dos aloprados e as pressões feitas por Lula para enquadrar a bancada do PT.

Segundo apurou o Valor, este cenário justifica a postura incisiva de Mercadante. Se a nota divulgada na semana passada, depois da publicação de grampos ligando Sarney aos atos secretos, reflete a mesma posição tomada pela bancada petista antes do recesso – como alega o próprio Mercadante – não haveria necessidade de novo pronunciamento em plenas férias parlamentares. Mas como o PSDB resolveu entrar contra Sarney no Conselho de Ética, Mercadante foi obrigado também a elevar o tom, para não deixar os tucanos sozinhos a bandeira da ética.

Dirigentes do PT paulista dizem que a situação de Mercadante no Estado é confortável. Amparam-se em duas pesquisas qualitativas recentes, feitas pelo Vox Populi e por técnicos da Fundação Perseu Abramo, mostrando que o senador petista tem baixa rejeição e é bem conhecido, tanto no interior quanto na capital. Poderia, inclusive, disputar o governo estadual. “Mercadante se elege com o primeiro voto”, aposta um dirigente petista. Ele acha que a polarização entre PSDB e PT na eleição estadual é tão grande que, se algum petista montar a estratégia baseado no segundo voto tucano, corre o risco de perder a disputa.

Mas isto não significa, necessariamente, campanha fácil para Mercadante. O senador tem “telhados de vidro e contas a serem prestadas ao eleitorado”, na avaliação de correligionários. E a principal cobrança não seria apoio ou não a Sarney e ao PMDB do Senado. “A oposição vai usar o dossiê dos aloprados contra o Mercadante. É isto que ele terá que explicar para angariar votos”, afirmou um petista da direção. O episódio envolveu petistas ligados à campanha de Mercadante, ao governo do Estado, e à reeleição de Lula, em 2006, na compra de um dossiê falso que implicava tucanos em irregularidades no Ministério da Saúde.

Não é só no governo que a postura de Mercadante tem causado incômodo. Líderanças do partido, como o presidente Ricardo Berzoini e o ex-ministro José Dirceu, o criticaram publicamente. Mas o senador Eduardo Suplicy (SP)disse que oito integrantes da bancada acompanharam Mercadante, portanto ela seria representativa.

Um integrante do diretório nacional afirma que “defender Sarney” traz desgastes tão fortes para Mercadante como para a líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti (PT-SC). Ideli é candidata ao governo de Santa Catarina, mas assumiu o discurso da governabilidade, de interesse do Planalto, portanto a favor de Sarney.

Um deputado do partido com bom trânsito no parlamento e no executivo acha que a postura de Mercadante acaba sendo inútil. “Ele não consegue convencer como alguém que deseja o afastamento do Sarney e ainda atrai a ira do governo, porque complica a unificação da base aliada no Senado”, disse o petista.

Mercadante segue no interior do Estado, descansando e tratando de assuntos pessoais. Não foi encontrado pelo Valor, mas aliados do senador lembram que a nota divulgada na semana passada, embora reiterasse posição anterior dos senadores, era importante diante dos novos e graves fatos surgidos – a descoberta de um grampo no qual Fernando Sarney entra em contato com o pai para pedir emprego para o genro. Este seria nomeado por ato secreto. “Além disso, anti-nepotismo é uma posição histórica do PT e atos secretos ferem o artigo 37 da Constituição Federal”, disse um aliado.

Mercadante também angariou apoio da bancada com o ataque sofrido pelo ministro da coordenação política, José Múcio Monteiro, que o desautorizou em público. Múcio percebeu a falha e ligou para Mercadante, pedindo desculpas.

30/07/2009 - 10:48h PT teme desgaste em 2010 e contém racha interno

Congresso: Reprimenda de Berzoini anima PMDB a retribuir evitando investigações contra Petrobras na CPI

Leo Pinheiro / Valor RJ Foto Destaque
Foto Destaque
Mercadante: senador ameaçou ir à imprensa para rebater declarações do presidente do PT mas foi contido

 

Yan Boechat e Cristiane Agostine, de São Paulo e Brasília – VALOR

Dirigentes petistas contiveram os ânimos do senador Aloizio Mercadante (SP) que, chamado de infantil, precipitado e ansioso pelo presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini, em reportagem no Valor, estava disposto a revidar, aumentando o racha interno do partido sobre o licenciamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Lideranças do partido em São Paulo, base eleitoral dos dois parlamentares, ligaram para Mercadante e Berzoini pedindo que as divergências não continuassem a ser expostas na imprensa. Os líderes temem os efeitos dessa disputa sobre a eleição da bancada petista ao Senado, uma das prioridades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010.

Interlocutores foram escalados para apagar o incêndio que ameaçava se espalhar por outras esferas do PT. “Tivemos uma conversa de 40 minutos. Na primeira meia hora quase não falei, só ouvi reclamações furiosas e ameaças de responder às críticas no mesmo tom”, afirma um parlamentar do partido em contato com o senador, que passou o dia em seu sítio no interior de São Paulo preparando os detalhes do casamento de seu filho, que acontece no início de agosto.

Após o contato com diversos dirigentes do partido Mercadante teria aceitado não ampliar, ao menos publicamente, a crise que teve início na sexta-feira e atingiu seu ponto alto ontem. A colegas petistas, o senador prometeu que não daria declarações à imprensa, mas teria exigido que uma reunião da bancada no Senado com a Executiva Nacional do PT fosse agendada para breve. Além de não se pronunciar oficialmente, o senador também deixou de publicar pequenas notas sobre o assunto na comunidade virtual Twitter

Nem todos atuaram como bombeiros. Em seu blog, o ex-deputado José Dirceu engrossou o coro ao lado de Berzoini na censura a Mercadante. Para o ex-deputado, “é claro que o pedido é do líder e não da bancada petista”, e que “o PT não assinará representação” contra Sarney. Dirceu, que atuará na articulação da campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência, negocia alianças estaduais com o PMDB e deve voltar à direção do partido com a eleição interna do PT, no fim do ano.

O líder do PT do Senado foi procurado nos últimos três dias para comentar as divergências internas do partido, mas não quis se manifestar. Segundo sua assessoria, Mercadante se pronunciará depois da reunião da bancada, na próxima semana, mas reiterou que o teor da nota divulgada pelo petista segue o que foi debatido, aprovado e defendido pela bancada no início do mês.

Berzoini, por sua vez, teria concordado em manter o silêncio sobre o caso. O presidente do partido também foi procurado por lideranças pedindo que não ampliasse, ainda mais, o desconforto criado por suas declarações. De acordo com dirigentes do partido, ambos haviam concordado em conversar por telefone ainda ontem em busca de um caminho para que as divergências fossem resolvidas internamente.

Apesar de as críticas duras do presidente do PT a um senador paulista com ampla história no partido terem causado mal estar na cúpula da sigla, Aloizio Mercadante sai mais enfraquecido do que Berzoini nesse embate. O entendimento de dirigentes petistas é de que a nota divulgada na sexta-feira por Mercadante foi precipitada e atendia a interesses quase que exclusivos do senador. “É óbvio que foi um movimento ligado às preocupações eleitorais dele, não pensando no partido”, afirma um dirigente paulista. “A governabilidade tem um preço e ele não poderia ter tomado uma posição política como essa sem consultar as lideranças”. Aloizio Mercadante será candidato à reeleição no Senado em 2010.

A reprimenda de Berzoini foi suficiente para levar o PMDB a contabilizar apoio petista e traçar estratégia para esvaziar o início dos trabalhos da CPI da Petrobras a partir da próxima semana. Aliados de Sarney analisam que o aceno da cúpula petista e do presidente Lula é suficiente, a princípio, para que o PMDB impeça o aprofundamento das investigações sobre a estatal.

A base governista tem oito dos onze integrantes da comissão e o PMDB é o partido com mais senadores na CPI, três parlamentares. As investigações sobre a Petrobras começarão no mesmo período em que o Conselho de Ética – também com controle do PMDB- analisará representações e denúncias contra Sarney. Pemedebistas contam com o apoio do PT e do governo para dar sustentação política ao presidente do Senado. Com a manutenção desse respaldo, aliados de Sarney evitariam uma nova crise na Casa, esvaziando a CPI da Petrobras. “Para o governo, interessa tirar o foco da Petrobras”, comentou Wellington Salgado (PMDB-MG). “E o PT já mostrou que está do nosso lado. É natural essa posição da bancada, mas o partido está com a gente.”

Ontem mais uma representação foi protocolada para análise do Conselho de Ética contra o presidente do Senado. O P-SOL entregou sua segunda representação, acusando-o de quebra de quebra de decoro parlamentar. O partido questiona a omissão à Justiça Eleitoral de uma propriedade de R$ 4 milhões, o desvio de R$ 500 mil da Fundação Sarney e o fato de o senador ter afirmado que não teria responsabilidade sobre a Fundação. O PSDB já protocolou três representações e o líder tucano, Arthur Virgílio (AM), anunciou que entregará duas outras denúncias contra Sarney, assinada também pelo senador Cristovam Barque (PDT-DF).

28/07/2009 - 13:12h Não é facil

Não é fácil a situação dos senadores do PT, como mostra o desencontro entre as posições assumidas pelo líder Aloizio Mercadante e a executiva nacional do partido e do próprio Lula.

Certamente o que está em jogo na campanha da oposição e da mídia contra Sarney é debilitar o governo, rachar sua base de sustentação e enfraquecer o PMDB para inviabilizar o apoio a Dilma em 2010.

Nada disto tem a ver com ética, maracutaias ou privilégios e sim com ação sórdida que visa paralisar o governo e afastar a opinião pública das discussões sobre as escolhas essenciais para o país. É que nesse debate a oposição não tem nada a dizer e a ideologia neoliberal encontra maiores dificuldades para ser defendida pela mídia, seus argumentos não resistiram à crise.

Mas isto não significa que as maracutaias sejam inexistentes e que a opinião pública esteja errada em exigir o estabelecimento de padrões republicanos no funcionamento das instituições.

Os senadores do PT devem levar em conta essa opinião pública e encontrar mecanismos para desmontar a hipocrisia mediático-oposicionista, sem desencorajar a vontade ética que sensibiliza setores importantes da sociedade.

Esta tarefa parece fácil para os que recorrem ao “realismo” político, mesmo soando cinicamente aos ouvidos dos cidadãos, quando seus defensores não devem contas aos eleitores. Já quando se trata de senadores como Mercadante e Suplicy, todo cuidado é pouco e isto explica a atitude que eles assumem.

Isto não significa ceder à campanha oposicionista, nem vocação para ficar acima do muro e deixando para outros o “trabalho sujo”.

Mas é difícil ser ouvido no clima de radicalização, exagero e tartufaria que reina em Brasília e na mídia.

A postura de Mercadante risca de ser incompreendida. Não será aqui que receberá pedras. LF

01/06/2009 - 09:56h Mais pesquisas

Pesquisa eleitoral com mais de um ano de antecedência ao pleito não tem função eleitoral e sim política. Ela serve para os debates internos aos partidos ou para avaliações sobre a viabilidade de tal o qual candidatura.

Por isso chama a atenção os diferentes cenários escolhidos para realizar as pesquisas, que não se basam nos candidatos efetivamente definidos, e sim em escolhas arbitrariamente decididas pelos que encomendam as pesquisas, no caso a Folha de São Paulo e o Datafolha.

Por exemplo, porque não incluir entre os eventuais candidatos o nome de Kassab? Porque não testar o efeito eleitoral da repetição de duas candidaturas do espetro demo-tucano (Alckmin e Kassab ou Kassab e Aloysio)? Vários setores do DEM defendem sua candidatura ao governo estadual em 2010 e não aceitam a do Alckmin.

Porque não incluir o nome do senador Aloizio Mercadante, que já foi candidato ao cargo de governador em 2006, mesmo que ele afirme que prefere ser candidato a releição de senador? Porque manter em todos os cenários várias candidaturas da oposição e só uma da situação?

Nos cenários escolhidos pelo Datafolha, chama a atenção os resultados obtidos por alguns nomes, como Alckmin e Marta, mas também Palocci com 7% em um dos cenários. Enquanto Alckmin dispõe da visibilidade de seu cargo, Marta está fora do noticiário e mais inclinada a disputar um cargo ao senado e Palocci só aparece raramente.

Em todo caso, a pesquisa eleitoral mostra consonância com a avaliação positiva do governo tucano em São Paulo, fazendo do candidato da situação o favorito da disputa.

Mas ainda muita água vai correr por baixo da ponte…

LF

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Alckmin amplia vantagem na corrida pelo governo de SP

Ex-governador obtém de 47% a 50% dos votos; sem tucano, Marta se isola na liderança e o atual secretário de Serra subiu de 28 para 32 pontos; no interior, tucano atinge 53%, contra 10% de petista

JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL

Quatro meses após ter assumido um cargo de primeiro escalão no governo de José Serra (PSDB) em São Paulo, Geraldo Alckmin ampliou ainda mais sua dianteira na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.
O ex-governador tucano obtém de 47% a 50% das intenções de voto, revela pesquisa Datafolha realizada entre os dias 26 e 28 de maio. O melhor segundo colocado nos cenários em que Alckmin é apresentado ao eleitor, a ex-prefeita Marta Suplicy (PT),chega a15%.
Sem Alckmin na disputa, Marta Suplicy se isola na liderança e alcança 25%, seguida por Paulo Maluf (PP), com 15%. Em março deste ano, quando o Datafolha realizou o primeiro levantamento para a sucessão ao governo do Estado, o atual secretário de Desenvolvimento de Serra variava de 41% a 46% das intenções de voto, e a petista atingia 13% no principal cenário (os dois apresentados ao eleitor) -portanto, a diferença entre eles era de 28 pontos percentuais e agora está em 32.
Também no levantamento anterior, Marta tinha 19% sem Alckmin na disputa e estava empatada tecnicamente com Paulo Maluf, então com 17%. A mais recente pesquisa, que tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos (intervalo de confiança de 95%), apresentou seis cenários ao eleitor. Nenhum deles tem o governador José Serra, líder na corrida pela sucessão do presidente Lula. No cenário sem Alckmin e com Marta, o secretário da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira, aparece como candidato do PSDB e atinge 2%.
Os outros nomes petistas foram o do ministro da Educação, Fernando Haddad, o do deputado federal Antonio Palocci e o do prefeito de Osasco, Emídio de Souza. O primeiro tem 1% das intenções, e o segundo, 7% no seu melhor desempenho. Emídio não pontuou. Nenhum dos adversários de Alckmin atinge sequer a metade suas intenções de voto, o que indica que ele teria grandes chances de vencer no primeiro turno se a eleição fosse hoje.
São nos cenários sem Marta que Alckmin atinge, respectivamente, 48% e 50% das preferências dos eleitores. A pesquisa do Datafolha é um levantamento por amostragem estratificada por sexo e idade com sorteio aleatório dos entrevistados -acima de 16 anos.
Foram realizadas 2.058 entrevistas em 56 municípios. Desde que assumiu a secretaria de Estado do Desenvolvimento em janeiro, após não ter chegado nem sequer ao segundo turno da eleição para prefeito de São Paulo em 2008, Alckmin tem concentrado sua agenda de viagens e inaugurações no interior do Estado, onde ganhou sete pontos percentuais com Marta na disputa e chegou a 53% das intenções de voto.
Em março, o ex-governador tinha 46% no interior no cenário com a petista, e 34% na capital, onde alcançou agora 38%.
Marta permaneceu com 10% no interior e oscilou dois para cima na cidade de São Paulo, chegando a 22%. No principal cenário da pesquisa, Maluf tem 9% na terceira posição, seguido por Luiza Erundina (PSB), com 6%, por Soninha (PPS), com 5% e Paulinho (PDT) e Campos Machado (PTB), ambos com 2% cada. Ivan Valente (PSOL) e o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf (sem partido), aparecem com 1% cada um.

12/04/2009 - 14:03h PT inicia caravanas pro-Dilma em São Paulo

http://oglobo.globo.com/fotos/2009/02/10/10_MHG_pais_dilma_rousseff.jpg

Petistas criam força-tarefa para ”vender” Dilma em SP

Ideia é fazer um contraponto às articulações do PSDB pela candidatura presidencial de Serra e ao domínio tucano em território paulista

Julia Duailibi e Clarissa Oliveira – O Estado SP

A fim de fortalecer em São Paulo a pré-candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o PT organizou uma força-tarefa no Estado para tornar o nome da petista mais conhecido entre os eleitores e militantes no maior colégio eleitoral do País. A ideia é fazer um contraponto às articulações do PSDB em prol da candidatura do governador José Serra e ao domínio tucano em território paulista, onde o partido governa desde 1995.

O PT acabou de fechar um calendário com caravanas que vão percorrer 19 cidades até 27 de junho. A meta é que os principais nomes do partido em São Paulo, como a ex-ministra do Turismo Marta Suplicy, o deputado Antonio Palocci (SP) e o senador Aloizio Mercadante (SP) ajudem a divulgar o nome da ministra e a relacioná-la com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

De quebra, o PT vê a chance de alinhar o discurso para a corrida estadual e testar a reação da militância a alguns possíveis candidatos, como é o caso de Palocci. Há preocupação na legenda com a visibilidade dos nomes tucanos na disputa, como o ex-governador Geraldo Alckmin, cuja força eleitoral vem principalmente do interior, e o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, que, apesar do desempenho ainda fraco nas pesquisas, tem bom trânsito com prefeitos paulistas.

“É uma ótima iniciativa porque permite ao partido ir se aglutinando, trocando ideias e propostas. Fortalece as nossas candidaturas de 2010″, declarou Marta, que já confirmou ao PT sua presença na série de eventos. Enfraquecida desde a derrota na eleição do ano passado, Marta foi recrutada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ajudar no trabalho de apoio a Dilma, numa manobra para acalmar a pressão de seu grupo para que fosse realocada no governo.

Nas caravanas, também serão abordados a crise econômica e o papel do PAC na reativação da economia. Uma das propostas em pauta é que o diagnóstico regional feito nos encontros embase uma série de demandas para serem levadas até Serra no fim do ano, em marcha ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Além da articulação interna, o PT diz ver a necessidade de se contrapor diretamente à movimentação de aliados de Serra. Petistas avaliam que secretários do tucano têm tido a oportunidade de rodar o Estado em atividades de governo, onde aproveitam para promover o nome do governador. “Vamos preparar o partido para o enfrentamento de 2010″, justificou o presidente estadual do PT, Edinho Silva. Marta, por exemplo, já ensaia o discurso com os ataques ao governador. “Enquanto Lula anunciou o aumento do número dos que recebem Bolsa-Família e de valores pagos, o governo do Estado contingenciou o social”, afirmou a ex-ministra.

“É fundamental e muito importante que aqueles (no PT) que têm experiência de governo ouçam as pessoas para elaborar um projeto para o futuro”, completou o secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP).

DESVANTAGEM

Há 14 anos no poder, o PSDB aumentou sua presença eleitoral no Estado, o que deixa o PT em posição desconfortável. Em 2002, Lula venceu em São Paulo com 55,4% dos votos válidos, ante 44,6% de Serra. Os candidatos petistas e a própria legenda tiveram, juntos, mais de 35 milhões de votos no primeiro turno, contra 25 milhões de votos obtidos pelos tucanos em São Paulo. Uma diferença de 10 milhões de votos.

Em 2006, o sinal inverteu. O então candidato tucano, Geraldo Alckmin, ganhou no Estado, apesar de ter sido derrotado por Lula – teve 1 milhão de votos a mais no segundo turno. No primeiro, os tucanos levaram 33 milhões de votos, ultrapassando os 31 milhões dos petistas.

 

 

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Prefeitos do PT da região metropolitana em jantar pro-Dilma – 14/02/2009

 

 

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Deputados estaduais do PT – SP

 

 

 

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Senadores e Deputados federais do PT-SP


 

Largada será na Baixada Santista e no Vale do Ribeira

 

Julia Duailibi e Clarissa Oliveira – O Estado SP

 


A série de caravanas organizadas pelo PT para alinhar o discurso da militância para 2010 e fortalecer a candidatura da ministra da Casa Civil , Dilma Rousseff, será aberta no fim deste mês, na Baixada Santista.

A ideia é abrir os trabalhos no dia 24, com uma reunião do Diretório Estadual do partido em Santos (SP). Os debates continuam até o dia seguinte, quando outra caravana ocorrerá no Vale do Ribeira.

No último dia 4, o PT fez um “teste” em Guarulhos, onde lançou internamente o projeto das caravanas.

24/03/2009 - 10:02h Mercadante: “PT está unificado com Dilma”



TV Estadão | 23.3.2009

Em entrevista aos jornalistas Roberto Godoy e Clarissa Oliveira, o senador falou sobre a eventual candidatura de Palocci ao Governo de SP e o plano para reverter royalties do pré-sal para a educação

22/03/2009 - 12:18h Datafolha: aguardando segunda-feira

Domingo é o dia em que os jornais vendem mais. A Folha de hoje traz pesquisa Datafolha sobre intenção de voto em alguns Estados, a 19 meses das eleições. Não tem qualquer sorte de importância, como prova entre outros exemplos, o fato de Geraldo Alckmin liderar com mais de 50% das intenções de voto a 8 meses das eleições municipais em São Paulo e acabou fora do segundo turno.

A escolha dos nomes para configurar os cenários eventuais deixou de lado o nome de Gilberto Kassab, que os demos gostariam de ver como candidato a governador em 2010, assim como o nome de Aloizio Mercadante que foi candidato a governador pelo PT nas últimas eleições. No caso de Kassab, a sua ausência da pesquisa permite a Alckmin atingir um patamar de intenção de voto superior, pois é o único candidato do campo demo-tucano. Já no campo da oposição de centro-esquerda o Datafolha incluiu em todas as simulações o nome de Luiza Erundina e a dos eventuais nomes do PT, com a consequente divisão das intenções de voto do eleitorado. Na última eleição na capital paulista, Luiza Erundina não foi candidata e apoiou Marta Suplicy. Para dar um exemplo do significado da eliminação do nome de Kassab e a de manter Erundina, basta olhar as intenções de voto na capital, onde Alckmin aparece com 34%, Marta com 20% e Erundina com 10%.

Em fim, como já escrevi pesquisa eleitoral com 19 meses de antecipação serve só para alimentar a projeção de nomes e as disputas internas nos partidos. Carece de qualquer outro valor ou interesse. Bem diferente de avaliar a situação dos governantes, particularmente em momentos delicados como os de hoje com o impacto da crise econômica. Teria sido interessante sim, a Folha publicar hoje os resultados da avaliação do governo estadual e do prefeito de São Paulo, que seguramente o Datafolha fez. A questão é de atualidade e permitiria comparar com a avaliação feita sobre o governo Lula.

Provavelmente ficará para segunda-feira, dia em que os jornais vendem menos. LF

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DATAFOLHA

Alckmin lidera com folga e opositor está indefinido

Tucano obtém de 41% a 46% das intenções de voto para o governo de SP em 2010

Ex-governador obtém pior resultado em confronto com Marta; Datafolha diz que favoritismo de Alckmin está ligado a “recall” de eleições

JOSÉ ALBERTO BOMBIG- Folha SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O tucano Geraldo Alckmin, derrotado ainda no primeiro turno da eleição do ano passado para prefeito de São Paulo, é o preferido dos paulistas na corrida para governador, segundo o Datafolha. Trata-se da primeira pesquisa de intenção de voto nas eleições de 2010 para governos estaduais.
Atual secretário de Desenvolvimento do governador José Serra (PSDB), ele obtém entre 41% e 46% das intenções de voto -sempre na liderança- em todos os cenários em que ele foi citado.
Serra, nome mais cotado entre os tucanos para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também em 2010 e líder nas pesquisas, não aparece em nenhum deles.
A 19 meses da eleição, nenhum dos adversários de Alckmin atinge sequer a metade de suas intenções de voto nos cenários em que ele é apresentado. Os mais bem posicionados são os ex-prefeitos Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PP).
O melhor desempenho do tucano (46%), que governou São Paulo de 2001 a 2006, ocorre quando o candidato do PT é o ministro da Educação de Lula, Fernando Haddad. Contra Marta, o tucano obtém seu pior resultado (41%).
Na hipótese de o deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci concorrer pelo PT, Alckmin chega a 45%.
O outro nome tucano apresentado pelo Datafolha, o do secretário da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira, oscila de 2% a 3% das intenções. Ele e Alckmin já travam uma batalha dentro do partido e do Palácio dos Bandeirantes pelo direito de concorrer em 2010.
A pesquisa foi realizada entre 16 e 19 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

“Recall”
O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, diz que o levantamento mostra “amplo favoritismo de Alckmin”. Mas ele ressalva que Aloysio, Haddad e o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf -também testado em todos os cenários-, ainda são pouco conhecidos.
“Os demais já concorreram nas urnas muitas vezes e recentemente. A campanha para o governo costuma ficar escondida por conta da disputa pela Presidência, e o eleitor, por causa disso, só se lembra dela mais adiante”, afirma Paulino.
Como exemplo, ele cita o desempenho de Paulo Maluf (PP), que chega a liderar com 20% quando Alckmin sai da disputa. Também sem o ex-governador tucano, a ex-prefeita Luiza Erundina (PSB) atinge 14%, seu melhor índice.
O resultado da pesquisa deve servir de combustível para Marta na disputa interna do PT. Derrotada por Gilberto Kassab (DEM) no segundo turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo, ela chegou a ser apontada como nome descartado do processo.
No entanto, Palocci e Haddad, que seriam os preferidos de Lula, ainda mostram pouca viabilidade. O ex-ministro da Fazenda oscila de 3% a 5%.
O ministro da Educação não passa de 2%. Já Marta chega a liderar com 19% no cenário sem Alckmin e com Aloysio.
Além de Skaf (sem partido), também foram apresentados em todos os cenários Campos Machado (PTB), Ivan Valente (PSOL), Paulinho (PDT) e Soninha (PPS).

07/03/2009 - 17:59h Petistas articulam candidaturas de Dilma e Palocci para 2010

Grupo Um novo rumo para o PT realiza encontro em São Paulo neste sábado
Grupo “Um novo rumo para o PT” realiza encontro em São Paulo neste sábado
Raphael Falavigna/Terra

Vagner Magalhães

Direto de São Paulo

O Grupo “Um novo rumo para o PT”, que concentra os principais nomes da legenda no Estado de São Paulo, reúne-se neste sábado para apoiar a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, como representante do partido nas eleições presidenciais de 2010. O nome do ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, também é apontado como o favorito para a sucessão do governador de São Paulo, José Serra (PSDB-SP).

O deputado federal Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT, afirmou que Palocci é capacitado e tem currículo para ser candidato petista nas eleições estaduais. “O importante para o PT de São Paulo é fazer um bom diagnóstico de governo nas áreas de educação, saúde e logística de desenvolvimento, para em seguida abrir o debate sobre nomes. No entanto, acredito que a opinião do presidente Lula é legítima. Não quero entrar no debate de nomes, mas, sem dúvida, todos reconhecem que o Palocci é um nome gabaritado”, disse.

A ex-ministra do Turismo e candidata derrotada nas eleições municipais de São Paulo no ano passado, Marta Suplicy, também afirma que Palocci é um bom candidato. “Entre os possíveis candidatos, ele é o mais interessante”, disse.

Marta, que tem o seu nome entre os possíveis candidatos a legenda do partido em 2010 para o Estado de São Paulo, ainda afirmou que não há nenhum constrangimento em apoiar o colega. “Apóio o Palocci de maneira condicional. Somente se ele não for candidato nós iremos avaliar a questão da minha candidatura. Em relação a qualquer outro, Palocci é um nome unânime. Se for candidato, tem o meu apoio”.

Candidato petista nas últimas eleições estaduais em São Paulo, o senador Aluízio Mercadante disse no encontro que Palocci tem experiência para pleitear esse cargo. “Meu nome está à disposição do partido para distribuir panfletos e concorrer ao Senado. Eu já havia dito que a minha preferência é disputar uma vaga ao Senado em 2010″.

Quanto a preferência de Lula ao nome de Palocci, revelada neste sábado por uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, Mercadante afirmou que o presidente tem muito carinho pelo ex-ministro, porém não declarou que Palocci deva ser o nome do PT. “Essa discussão será levada adiante pelo PT paulista, mas ele é um nome muito forte, sem dúvida”.

O grupo “Um novo para o PT” declarou em documento que estará no palanque de Dilma Rousseff em 2010. “Esse é o palanque do Lula, do ProUni, do Bolsa Família, que resgatou milhões de brasileiros da miséria absoluta. É o palanque do PAC, da reconstrução da infra-estrutura, do Luz Para Todos e, acima de tudo, do respeito internacional… O palanque da Dilma é o do desenvolvimento com inclusão social, que promoveu 20 milhões de brasileiros para a classe média. No palanque da Dilma, estarão todos aqueles que sabem o que e quem é melhor para o presente e para o futuro do Brasil”.

Redação Terra

07/03/2009 - 17:16h Palocci vai a evento do PT, mas não fala em candidatura

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Palocci seria o candidato indicado de Lula para disputar o governo do estado de São Paulo (Foto: G1) 

CELIA FROUFE – Agencia Estado

SÃO PAULO – O deputado federal e ex-ministro Antonio Palocci se esquivou da imprensa paulista hoje em evento realizado pelo PT em São Paulo, no dia em que o jornal O Estado de S. Paulo traz a informação de que ele seria o candidato preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar o governo paulista. Mesmo assim, Palocci foi a figura de destaque do evento, que foi organizado, entre outros motivos, para dar apoio oficial à candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência da República nas eleições de 2010.

Previsto para discursar sobre a crise econômica, às 11 horas, durante o seminário “Um Novo Rumo para o PT”, organizado na Câmara Municipal de São Paulo pelo grupo homônimo, uma corrente dentro do partido, Palocci chegou ao local pouco antes do meio-dia. A imprensa, que circulava tranquilamente pelos corredores da Câmara, passou a ser orientada a desobstruir a porta do evento. Houve, inclusive, a tentativa de evitar que alguns jornalistas abordassem o ex-ministro enquanto este seguia até o palco. Nenhum contato acabou por ser feito. Depois de discursar, Palocci saiu por trás do palco, local sem acesso a jornalistas.

No seminário, o ex-ministro fez uma análise da crise financeira internacional e os seus efeitos no País. E só no final do discurso é que falou, de maneira geral, sobre as eleições de 2010. Palocci afirmou que o debate do pleito de 2010 será um dos mais importantes da história do País porque o governo Lula, segundo ele, mudou os paradigmas brasileiros. “O desafio para o Brasil não é mais a estabilidade. A crise mostrou que isso é coisa do passado e devemos recusar, portanto, um debate rebaixado”, defendeu.

Crise

“Não se trata apenas de um esfriamento. É o fim de um grande ciclo de crescimento econômico, que pode durar um período importante”, constatou Palocci no seminário. Para ele, há uma diferença significativa, no entanto, entre a ação do governo hoje e no passado no enfrentamento de crises. Palocci salientou que a estabilidade econômica atual é fruto do esforço de diferentes governos, mas que o novo projeto para o País é algo que está relacionado diretamente ao governo Lula.

Um episódio lembrado pelo ex-ministro da Fazenda foi a necessidade de aumento dos juros, em 2003, para se combater a inflação. Quando a equipe econômica levou a circunstância ao presidente ele teria aceitado a proposta, de acordo com Palocci, mas desde que a equipe econômica encontrasse uma maneira de a população pagar um juro menor. “Assim nasceu o crédito consignado”, lembrou Palocci. Até então, segundo o ex-ministro, o povo tinha como hábito apenas receber frases de efeito e que acabavam por não surtir melhora em sua qualidade de vida. “Tentaram convencer o povo de que não adiantava repartir o bolo sem que ele crescesse antes”, criticou. “O País chegou ao absurdo de passar por uma fase de maior crescimento econômico com pior divisão de renda.”

Palocci salientou ainda que as empresas brasileiras que passam por mais dificuldade hoje são as que têm o mercado externo como negócio e defendeu o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como uma forma de enfrentamento da crise. “Estamos no caminho certo”, considerou. Sobre o mundo, ele se mostrou preocupado em relação à deterioração das expectativas para o crescimento da Europa, Estados Unidos e Japão. “As más notícias ainda não acabaram. Ainda teremos um ano de dificuldades.”

Berzoini e Marta em seminário do PT
Nilton Fukuda/AE –
Berzoini e Marta em seminário do PT

 

Marta diz apoiar Palocci, mas não descarta candidatura

CÉLIA FROUFE – Agencia Estado

SÃO PAULO – A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) manifestou hoje seu total apoio a uma eventual candidatura do ex-ministro da Fazenda e deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) ao governo do Estado de São Paulo, nas eleições gerais de 2010. Caso haja qualquer impedimento dessa candidatura, no entanto, Marta disse que poderá estudar várias possibilidades e não descartou a hipótese de ela mesmo concorrer ao cargo. As considerações da ex-prefeita foram feitas a jornalistas durante o seminário “Um Novo Rumo para o PT”, organizado na Câmara Municipal de São Paulo, hoje, por essa corrente petista.

A ex-prefeita não considera que o assunto, neste momento, possa trazer constrangimento a outros potenciais candidatos. O tema veio à tona hoje com a informação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem preferência pelo nome de Palocci para a cabeça de chapa da legenda nas eleições ao governo paulista, publicada hoje com exclusividade pelo jornal O Estado de S.Paulo. “Não estou constrangida porque também sou uma das que acham que o Palocci seria um bom candidato. Existe um certo consenso do PT entre os nomes que poderiam ser candidatos mais fortes e o Palocci, neste momento, parece ser o nome mais interessante para todos nós”, alegou.

No seminário promovido pelo PT paulista, Marta foi questionada sobre a possibilidade de abrir mão de concorrer ao cargo, em prol do ex-ministro da Fazenda. “Eu não disse isso (que não vai sair candidata pelo PT). Eu disse que apoio a candidatura de Palocci. Se o Palocci não for candidato, aí vamos ver. Na (candidatura) do Palocci, eu estou junto. Se ele não for candidato, vou pensar. Não é que eu vá ser candidata, mas vou avaliar a questão”, argumentou.

Para Marta, Palocci seria um bom nome do PT nessa disputa porque ele tem muita experiência, é uma pessoa muito querida dentro do partido e possui condições de fazer uma campanha muito boa como candidato. Sobre a possibilidade de a candidatura de Palocci não ser confirmada, em função de processos que ainda estão sendo julgados na Justiça envolvendo o ex-ministro, Marta defendeu que esta não é a hora de “botar a carroça na frente dos bois”. E avaliou: “No momento, ele tem que superar esses problemas para ser candidato. Isso na avaliação do Lula e da nossa também. Se for superado, eu o apoio. Se os problemas não forem superados, está tudo em aberto.”

Indagada sobre se o seu futuro político dependeria da definição de Palocci, Marta tergiversou: “Sim e não”. E disse que ela terá de pensar um pouco mais sobre o assunto, pois considera que ainda é cedo para tomar qualquer decisão. E evitou comentar uma possível dobradinha com Palocci na chapa para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes, como vice-governadora. “Está muito longe qualquer consideração. Ainda tem muitos ‘’se”. Vamos esperar um pouco”, sugeriu.

Segundo Marta, há momentos de agir e há momentos de aguardar. “Este é um momento para mim de aguardar”, frisou. A ex-prefeita, que já esteve à frente da pasta do Turismo, também disse não acreditar na possibilidade de voltar a integrar o quadro de ministros. “Não creio que o presidente esteja com intenção de mudar ministérios neste momento, tão pertinho da eleição de 2010″, afirmou.

Nome de Palocci é só uma possibilidade, diz Mercadante

CÉLIA FROUFE - Agencia Estado

SÃO PAULO - O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ponderou, hoje, que o nome do ex-ministro Antonio Palocci foi mencionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva apenas como uma possibilidade e não como fato fechado para disputar a vaga ao governo do Estado de São Paulo nas eleições de 2010. “O presidente não disse que (Palocci) deve ser (candidato), mas que pode ser”, minimizou o petista, ao comentar a manchete de hoje do jornal O Estado de S.Paulo, antes de participar do seminário “Um Novo Rumo para o PT”, na capital.

O nome de Mercadante também é um dos que aparecem nas discussões à sucessão do governador José Serra.

De acordo com o jornal, o presidente teria mandado um recado para suas bases indicando a preferência por Palocci na disputa ao Palácio dos Bandeirantes. “Se ele tivesse definido o nome, não o comunicaria para mim. Ele chamaria o partido e diria: minha definição é essa”, argumentou Mercadante. E continuou: “Não será pela imprensa que a militância (do PT) saberá quem será o candidato”, disse o senador, depois, em discurso, no seminário, para uma plateia formada por aproximadamente 200 pessoas.Mercadante explicou que o presidente Lula tem um “carinho, um respeito, uma confiança” muito grandes por Palocci. “O presidente, como eu, acha que o ministro Palocci pode ser seu candidato para o governo de São Paulo”, afirmou, enumerando o que seriam as qualidades do ex-ministro: experiência, competência e história partidária para pleitear esse cargo. “O presidente jamais tomaria uma decisão como essa sem ouvir amplamente as lideranças do partido. Portanto, no momento em que ele achar oportuno, vai considerar as lideranças do partido e vai encaminhar esse processo.”

O senador petista explicou que o assunto surgiu entre ele e o presidente apenas porque os dois estão sempre conversando sobre as questões relativas a São Paulo. “E um dos nomes que o PT tem e que poderá disputar o governo paulista é o ministro Palocci”, disse. Ele afirmou que o partido ainda não abriu o processo formal de escolha do candidato.

Apesar de ter minimizado o fato de ter sido a pessoa para quem o presidente expôs sua preferência, Mercadante fez questão de mencionar que tem total sintonia com Lula: “Não conheço nenhum momento importante da história de 27 anos do PT que a opinião dele (Lula) fosse contrária à minha”. E mencionou outros virtuais nomes para disputar o governo paulista: a ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, e o prefeito de Osasco, Emídio de Souza. Questionado se também não seria um nome forte para essa disputa, já que concorreu ao cargo nas eleições passadas, Mercadante explicou que está à disposição do partido para “desde distribuir panfletos até ser candidato”. Porém, emendou: “Sou candidato ao Senado Federal. Todos sabem disso e o presidente também. Minha posição neste momento é essa, mas meu nome está à disposição do partido para qualquer tarefa.”

Sobre o envolvimento de Palocci em episódios que estão sendo analisados pela Justiça, Mercadante se mostrou confiante. “Não temos certeza de nada porque a Justiça é absolutamente soberana, mas temos confiança de que a decisão da Justiça será favorável a Palocci.” Para 2010, ele voltou a dizer que a ministra Dilma Rousseff é “a cara do governo”. “Não só por estar na chefia da Casa Civil, mas por articular o PAC, que é o programa mais estratégico neste momento”, argumentou.

15/02/2009 - 11:44h Todos juntos: PT paulista demonstra unidade com Dilma

Ricardo Galhardo, Flávio Freire e Adauri Antunes Barbosa – O Globo; Marciele Brum – Agência RBS

SÃO PAULO – Em uma ponta do piano que decora a sala de estar de Marta Suplicy estava o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), visto como desafeto da ex-prefeita; na outra ponta, o deputado José Mentor (PT-SP), aliado de Marta absolvido no caso do mensalão. A cena dos dois deputados – rivais na disputa interna do PT – tocando piano a quatro mãos no jantar em homenagem à chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sexta-feira à noite, é usada pelos participantes do encontro para explicar o clima de união do PT paulista em torno da virtual candidata à Presidência. (Para você, Dilma está em campanha?)

- O PT de São Paulo entendeu direitinho o recado do presidente Lula. Se havia alguma resistência de paulistas a Dilma, acabou ontem (sexta) – disse um dos participantes, pedindo sigilo.

O PT de São Paulo entendeu direitinho o recado do presidente Lula. Se havia alguma resistência de paulistas a Dilma, acabou


Dos mais de sessenta convidados, apenas o deputado José Genoino (PT-SP), que comemorava os 90 anos do pai no Ceará, não compareceu. As bancadas municipal, estadual e federal do PT paulista, prefeitos da região metropolitana e dirigentes partidários de diversas tendências se reuniram para beijar a mão de Dilma. (Leia mais: PPS se propõe a apoiar qualquer candidato do PSDB)

Marta e os presidentes nacional, estadual e municipal do PT paulista, Ricardo Berzoini, Edinho Silva e José Américo, deixaram o jantar com a incumbência de elaborar uma agenda para alavancar a campanha de Dilma no estado mais populoso do país.

- Uma agenda política, nos fins de semana, desvinculada do trabalho – detalhou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), um dos participantes.

Casa de Marta é palco de sorrisos entre rivais

A ordem – que partiu do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva – era dar uma demonstração de unidade, abrir as portas do PT paulista – principal núcleo de poder do partido – a Dilma e dirimir dúvidas sobre possíveis resistências à sua candidatura à Presidência em 2010.

Coube a Marta Suplicy apresentar Dilma – mineira com carreira construída entre Porto Alegre e Brasília – ao PT paulista.

Marta abriu a noite exaltando a união do partido em um curto discurso ao lado da lareira. Dilma falou em seguida, destacando a necessidade de dar continuidade aos programas de Lula.

- Só uma candidatura do PT pode garantir esta continuidade – afirmou a ministra chefe da Casa Civil.

A própria Dilma Rousseff admitiu, antes do jantar, que precisa submeter ao partido a sua candidatura, mas deixou clara a intenção de disputar, dizendo que o Brasil já está maduro o suficiente para ter uma mulher presidente, e que ‘ainda’ não é candidata.

Outra demonstração de unidade foi a presença dos principais pré-candidatos do partido ao governo paulista: Arlindo Chinaglia, Antonio Palocci e a própria Marta.

Estou gordo, vou ocupar muito espaço


Nomes que correm por fora, como o prefeito de Osasco, Emídio Souza (apadrinhado por João Paulo Cunha), Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy, também compareceram.

O marido de Marta, Luís Favre, fez as vezes de fotógrafo. Dilma, paciente, posou ao lado das bancadas, com prefeitos e dirigentes. Na hora da foto com a numerosa bancada federal, surgiu uma indicação de que Palocci largou na frente na disputa pela candidatura petista ao governo do estado.

Atendendo a pedidos gerais, o ex-ministro da Fazenda sentou-se no centro do sofá, entre Dilma e Marta. Palocci, que depende de uma absolvição no processo sobre a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa – ainda tentou se esquivar:

- Estou gordo, vou ocupar muito espaço – argumentou.

Chinaglia sentou-se à esquerda de Marta. Atrás ficaram os mensaleiros João Paulo e Mentor.

Dirceu, tido como contrário a Dilma, não apareceA ausência mais comentada foi a do ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, tido como um dos principais lideres da resistência paulista ao nome de Dilma como candidata a presidente.

Dilma informou que viajará toda sexta-feira, com o presidente Lula, para fiscalizar o andamento de projetos. Sobre a decisão do DEM de denunciá-la ao Tribunal Superior Eleitoral por campanha eleitoral antecipada, ela disse que a oposição está incomodada com os investimentos do governo:

- Por que o presidente chegou a dizer que cortará o meu batom e não cortará uma obra do PAC? É porque saímos com investimentos pesados agora. Essa crise vai passar, e o Brasil estará em melhores condições – disse a ministra, que cumprimentou operários, pôs um capacete e acionou uma máquina.

O discurso de Dilma nesta sexta foi semelhante ao que fez durante o Fórum Social Mundial. Dilma tem intensificado nos últimos dias os compromissos públicos, que garantem maior visibilidade a ela, seja na festa do PT , seja em inaugurações ao lado de Lula , seja no Encontro Nacional de Prefeitos.

Nesta sexta, em Recife, Lula também reagiu à oposição. Segundo ele, a acusação de campanha antecipada é ‘absurda’ e ‘pequena’, e a ministra vai continuar viajando para inaugurar obras do PAC.

19/12/2008 - 10:00h Em janeiro, juro vai cair

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http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081219/fotos/capa.jpg

Banco Central reduzirá taxa básica para combater a desaceleração econômica brasileira

Vicente Nunes – Correio Braziliense

A taxa básica de juros (Selic) deverá cair 0,5 ponto percentual em janeiro próximo, dos atuais 13,75% para 13,25% ao ano, como contribuição do Banco Central para minimizar os impactos da crise financeira internacional na economia brasileira. Foi essa a conclusão da maioria dos analistas depois da leitura da ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual os juros permaneceram inalterados. Divulgado ontem, o documento mostrou que no BC já vê a inflação de 2009 convergindo para o centro da meta, de 4,5%, em meio a um quadro que combina consumo em queda, produção industrial menor, desemprego em alta e crédito ainda restrito. “Somente um fato muito sério fará com que o Copom não corte os juros no mês que vem”, disse Flávio Serrano, economista-sênior do Banco BES Investimento.

A tendência, segundo Serrano, é de que o Copom promova três reduções consecutivas da Selic em 2009, sendo duas de 0,5 ponto e uma de 0,25. “A partir daí, os juros ficarão estacionados em 12,5%, permitindo ao BC uma visão mais clara da atividade econômica. Se realmente constatar que a desaceleração será forte, inviabilizando por completo o repasse da alta do dólar para os preços, o BC retomará o processo de corte dos juros”, acrescentou. A baixa da Selic em janeiro, segundo ele, será ditada por dados relevantes que estarão à disposição do Copom: a retração da indústria e do comércio em novembro e os indicativos de um novo tombo em dezembro. É com base nesse cenário, inclusive, que os analistas, endossados pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, falam em queda do Produto Interno Bruto (PIB) de até 1,5% no quarto trimestre do ano.

Movimento
Na avaliação do economista José Márcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos, em princípio, há espaço para que o Copom promova redução de até dois pontos percentuais no juros, para 11,75%, ao longo de 2009, movimento que poderá até ser acentuado se a inflação cair para um patamar abaixo de 4,5%. “O BC identificou que a economia está sofrendo dois choques, um inflacionário, outro, deflacionário”, disse. “De um lado, a significativa arrancada do dólar criou uma inflação potencial, que, em algum momento, pode ser repassada aos consumidores. De outro, a restrição do crédito fez o consumo e os investimentos desabarem. O problema é que não se sabe qual desses choques prevalecerá. Caso o choque deflacionário se sobreponha, os juros terão de cair mais”, frisou.

Para os diretores do BC, apesar da certeza de piora da economia em 2009, há muitas incertezas à frente. Por isso, mesmo com os integrantes do Copom tendo discutido a possibilidade de derrubarem a Selic em 0,25 ponto na semana passada, optou-se pela manutenção da taxa por pura cautela. No entender dos diretores do BC, criou-se um cenário mais benigno para a inflação, com o equilíbrio entre oferta e demanda, cujo descompasso vinha sendo o principal motivo para o arrocho na política monetária. Mas é preciso lembrar que a demanda interna se mantinha robusta até o terceiro trimestre, devido ao aumento da renda a da maior oferta de emprego e do crédito. Agora, com o crédito escasso, a economia será movida, basicamente, pelos rendimentos dos trabalhadores. Caso, porém, não sejam suficientes para sustentar um crescimento do PIB em um nível adequado, o estímulo adicional virá por meio dos juros, para deleite do presidente Lula.


“Não houve contradição. O fato de discutir um assunto não quer dizer que houve decisão. Não vejo como a ata poderia ser mais clara”

Henrique Meirelles, presidente do Banco Central

“Não consigo entender o que aconteceu naquela sala. A maioria dos diretores defendia o corte de juros, mas foi pulverizada pela minoria. É incompreensível”

Aloizio Mercadante, deputado federal (PT-SP)

Gasolina mais barata

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central admite a possibilidade de a Petrobras reduzir os preços da gasolina e do diesel nos próximos meses, repassando aos consumidores parte da expressiva queda da cotação do petróleo no mercado internacional. A expectativa — e a torcida — é para que os preços caiam ao longo dos primeiros seis meses de 2009, como forma de aliviar a inflação e permitir cortes seguidos na taxa básica de juros (Selic) sem grandes traumas. Os analistas estimam que a gasolina esteja 52% mais cara no Brasil do que no exterior e o diesel, 19%.

Pelas contas de Flávio Serrano, economista-sênior do Banco BES Investimento, a cada 5% de baixa nos preços da gasolina nas bombas dos postos, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para o sistema de metas do governo, encolhe 0,2 ponto percentual. “Se realmente os combustíveis ficarem mais baratos, não será surpresa se a inflação fechar o ano que vem abaixo de 4,5%, o centro da meta perseguido pelo BC”, afirmou. Pelo governo, os preços da gasolina e o diesel já teriam caído. Mas a Petrobras alegou que precisa fazer caixa nesse momento de grande escassez de crédito.

Segundo o BC, ainda que os preços da gasolina e do diesel não tenham se alterado, o impacto da retração da cotação do petróleo de quase US$ 150 para US$ 40 o barril desde junho já se faz presente na economia brasileira, por meio da indústria petroquímica (resinas plásticas, por exemplo), base para as demais cadeias produtivas. O principal insumo da petroquímica, a nafta, ficou bem mais barato, assim como o querosene de aviação e o óleo combustível que move as fábricas de muitas empresas. “É por isso que os Índices Gerais de Preços (IGPs) estão desabando, ficando próximos de zero”, afirmou Serrano.

Os consumidores, no entanto, devem se preparar para pagar 2,6% a mais pelo gás de cozinha até o fim do ano e arcar com reajuste de 3,6% nas contas de telefonia fixa. Na média, estimou o Copom, os preços administrados pelo governo (tarifas públicas e serviços como planos de saúde e medicamentos) terão reajustes médios de 3,8% neste ano e de 5,5% em 2009. (VN)
Bate-boca no Senado

Ricardo Allan
Da equipe do Correio

Sob pesado tiroteio político por causa da manutenção dos juros em níveis altos, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, protagonizou ontem um bate-boca com o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). Na audiência pública trimestral para discutir a atuação do BC, o senador se mostrou inconformado com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de deixar a taxa básica de juros (Selic) inalterada em 13,75% na semana passada. Constrangido, Meirelles foi obrigado a defender veementemente a decisão. Para ele, ainda não era o momento de baixar a Selic, apesar dos nítidos indícios de forte desaceleração econômica no país.

Logo no início da sessão, Mercadante usou a ata do Copom, divulgada ontem, para basear o seu ataque. “Não consigo entender o que aconteceu naquela sala. A maioria dos diretores defendia o corte de juros, mas foi pulverizada pela minoria. É incompreensível”, disse. Na avaliação do senador, a recusa em amenizar a política monetária pode agravar a situação econômica. “Lendo a ata, fiquei ainda mais convencido de que havia espaço para uma redução dos juros em pelo menos 0,25 ponto.”

Meirelles tentou explicar. “Quando a ata diz que a maioria considerou cortar os juros já naquele momento, não diz que a maioria decidiu por isso. Houve uma discussão sobre essa possibilidade, mas se concluiu que esse não seria o movimento adequado naquele momento”, disse. Para ele, as razões para a manutenção da taxa estão “muito claras” na ata. Meirelles apelou para que os senadores não fizessem um “encontro pós-ata”, o que, a seu ver, seria “altamente inadequado” e poderia dar sinalizações indevidas ao mercado.

Mesmo com o apelo, Mercadante voltou à carga, afirmando que a manutenção dos juros altos no Brasil num momento em que os demais países do mundo estão cortando suas taxas, prejudica a competitividade dos produtos brasileiros. “Na ata, não fica claro porque os diretores mudaram de opinião”, disse. Mais uma vez, Meirelles rebateu: “Não houve contradição. O fato de discutir um assunto não quer dizer que houve decisão. Não vejo como a ata poderia ser mais clara.” Para o presidente do BC, se o órgão tivesse errado a mão ao calibrar os juros, a economia não estaria crescendo tanto e a inflação estaria abaixo da meta.

28/11/2008 - 11:55h “Partido terá que buscar os aliados do PSDB no Estado”


Davilym dourado/valor

Marinho: “Não excluiria Marta, Palocci, Mercadante ou Haddad, mas o mais importante agora é definir o arco de alianças e falta ousadia no PT para isso”

De São Bernardo do Campo – VALOR

Eis os principais trechos da entrevista do prefeito eleito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, ao Valor, concedida em seu escritório de campanha:

Valor: A Prefeitura de São Bernardo do Campo terminou sendo a principal vitória do PT em São Paulo, em uma eleição em que o partido não teve grande sucesso no Estado. Que papel o senhor jogará na eleição em 2010?

Luiz Marinho: A chance de eu ser candidato é zero, porque não faço milagre em dois anos. Não tenho como assumir uma prefeitura em 2009 e arrumá-la em 2010. Minha candidatura é impossível. Já avisei ao partido que não serei candidato. Este debate já foi feito. Se fosse para eu disputar o governo do Estado, teria continuado ministro. Discordo ainda que o PT tenha tido um resultado ruim em uma eleição em que cresceu 10% no número de prefeitos em São Paulo.

Valor: Ainda que o senhor não seja candidato ao governo estadual, será um grande eleitor. Por onde o senhor acha que o partido deve seguir em São Paulo?

Marinho: O importante agora é definir alianças. O PT já perdeu eleições passadas em São Paulo por falta de ousadia em estabelecer alianças. Deixou escapar algumas eleições pelos dedos. Isto é muito mais importante do que definir o candidato agora. Em algum momento vamos ter que trabalhar para romper o amplo arco de alianças que o PSDB montou aqui, que vai do DEM ao PMDB, ao PTB.

Valor: Então o PT teria que procurar fazer o que Serra fez este ano: armou uma aliança PSDB-DEM-PMDB antes de definir o candidato ao governo estadual?

Marinho: Mais ou menos. E como candidato não excluiria ninguém: a ex-ministra Marta Suplicy, o senador Aloizio Mercadante, o deputado Antonio Palocci ou o ministro da Educação, Fernando Haddad. Importante é ter aliança.

Valor: Em 2006, o partido definiu o candidato em prévias e depois buscou alianças. Isto é o que não pode se repetir?

Marinho: Se o partido entra em disputa de prévias, fica discutindo nomes, para depois fazer alianças, faltando três meses para a eleição, a gente já sabe o que acontece. É a derrota. Se partir para disputa interna, não se constroem as alianças.

Valor: São Bernardo tende a sofrer o maior impacto da crise econômico, pelo peso do setor automotivo nas finanças do município. A ajuda do governo federal tende a ser uma válvula de escape de sua administração, diante da expectativa de frustração de receita?

Marinho: Há um certo alarmismo na avaliação da crise. Não há descontinuidade nas decisões de investimento. Cortes de investimentos não podem ser confundidos com ajustes de produção, com calibragem do mercado interno diante da queda de exportações. Agora, com certeza virão muito mais recursos federais para a cidade, já que a administração atual não se esforçou para apresentar projetos. Já estamos tentando carrear recursos federais por meio do Orçamento da União. Uma das emendas articuladas pelo PT destina R$ 70 milhões a um hospital municipal. Vamos tentar assegurar a liberação deste valor. Este é apenas um exemplo. Também espero estabelecer uma ponte com o governador José Serra. Ele ligou para me cumprimentar após o resultado eleitoral e prometeu uma relação “republicana”.

Valor: O fato dele ser o principal presidenciável da oposição não pode prejudicar este relacionamento?

Marinho: O primeiro gesto dele apontou na direção contrária. Estive recentemente com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para começar a tratar disso. Falei que os prefeitos da região metropolitana precisavam colocar para o governador a necessidade de um planejamento estratégico na área de transportes. O governo estadual está investindo nos municípios que já são servidos por trilhos dos trens metropolitanos, o que não é o caso de São Bernardo do Campo e de Diadema.

Valor: E porque Kassab precisa ser o intermediário desta demanda? Por que o senhor não tratou do tema diretamente com o governador?

Marinho: Porque ele é o prefeito da capital e deve comandar este processo.

Valor: O senhor saiu do ministério para uma disputa eleitoral em São Bernardo do Campo, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em seu palanque por várias vezes. Por que o presidente se empenhou tanto assim nesta eleição?

Marinho: Não se trata de um projeto vertical. Ser candidato a prefeito aqui estava em meu planejamento desde 2003. O partido reivindicava minha candidatura agora. O Lula disse que, no meu lugar, não seria candidato. Mas muitos viam em mim uma liderança que permitiria desconstruir as alianças do outro grupo, que comandava a cidade há duas décadas. Este grupo em 2004 montou uma aliança de 21 partidos. Agora, conseguiram o apoio de sete.

Valor: O senhor fez uma campanha extremamente bem sucedida do ponto de vista financeiro, conseguindo uma arrecadação milionária. Porque sua campanha atraiu tantos doadores?

Marinho: O apoio financeiro que recebi é produto de minha trajetória. Eu nunca fiz negócios enquanto estive nos ministérios que ocupei ou nos cargos sindicais que exerci, e isto me deu um certo reconhecimento natural. Nesta campanha, me surpreendeu o fato de as pessoas me procurarem para oferecer colaborações, não precisou ir atrás. A campanha foi toda montada com recursos captados aqui, não veio dinheiro de fora, da direção nacional do partido. Esta história de que eu fiz a campanha mais cara do país precisa de pingos nos is. A campanha do meu adversário declarou gastos muito menores do que o meu, mas tinha um volume de mobilização e de presença física nas ruas absolutamente igual. (CF)

02/10/2008 - 12:37h “O PT vai ter a maior vitória política nas eleições municipais em toda a sua história”, diz Mercadante

Mercadante: disputa Alckmin-Kassab pode ajudar Marta

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TATIANA FÁVARO – Agencia Estado

CAMPINAS – O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) afirmou hoje, em visita a Campinas (a 95 quilômetros da capital paulista), que o discurso político do ex-governador e candidato à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), deve ajudar na atração de votos tucanos para a ex-prefeita e candidata do PT, Marta Suplicy, no segundo turno. “Acho mais provável ela estar no segundo turno, pelas pesquisas, com o Kassab (Gilberto Kassab, candidato à reeleição pelo DEM). A forma como o Kassab e o Alckmin estão disputando, os ataques pessoais, a natureza do discurso, as mágoas que estão sendo geradas, isso ajuda na nossa disputa no segundo turno”, disse Mercadante.

“O Alckmin tem dito que o Kassab era aliado do (Celso) Pitta, é aliado do (Orestes) Quércia, será aliado do (Paulo) Maluf, e com isso ele recompõe um pouco a origem do PSDB, que é pra onde ele tem recorrido para tentar manter sua candidatura. PSDB da época de Mário Covas, Franco Montoro, que apoiaram nossas candidaturas no segundo turno, historicamente e não as candidaturas de direita”, disse o senador, que completou: “Então esse discurso ajuda a possibilidade de disputarmos parte desse eleitorado (do PSDB), um eleitorado democrático, mais moderno, contemporâneo, e que sempre rechaçou as candidaturas de direita, o populismo de direita e em muitos momentos nos apoiou. Então acho que temos um cenário favorável”, analisou Mercadante.

O senador disse que o PT terá uma “vitória inédita e espetacular” na Grande São Paulo nas eleições municipais como um todo e que o resultado será importante na construção do projeto futuro – eleição ao governo paulista. Isso porque, segundo Mercadante, o partido aposta na possível eleição em primeiro turno de Emídio de Souza (Osasco), Luiz Marinho (São Bernardo do Campo), Mário Reali (Diadema) e Vanderlei Siraque (Santo André) e no primeiro lugar no segundo turno com os candidatos Oswaldo Dias (Mauá), Sebastião Almeida (Guarulhos) e Sérgio Ribeiro (Carapicuíba).

“O PT vai ter a maior vitória política nas eleições municipais em toda a sua história. Esse é meu sentimento, é um pouco do que as pesquisas anunciam, é o sentimento da militância, e acho que isso vai ser muito importante para o nosso projeto futuro no Estado de São Paulo”, afirmou.


Campinas

Mercadante caminhou pelo calçadão da rua 13 de Maio, no centro de Campinas, em apoio à candidatura do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT). Pesquisa Ibope divulgada na sexta-feira mostrou que o candidato à reeleição lidera a corrida eleitoral com 66% das intenções de voto, seguido de Carlos Sampaio (PSDB), com 9%; e Jonas Donizette (PSB), com 8%.

“Em Campinas também acho que a gente ganha em primeiro turno e com uma larga vantagem. Isso vai ser um reconhecimento histórico. Em aliança com o PT, Hélio fez um grande governo em parceria com o presidente Lula”, disse Mercadante. “Esse, eu diria, é o grande projeto vencedor das eleições no Estado de São Paulo. O PT e os aliados do governo do presidente Lula vencerão com larga vantagem nas prefeituras. Quando terminar a eleição, domingo, e somarmos os votos, vamos mostrar que foi a mais importante vitória em toda a história política da esquerda no Estado.”

15/09/2008 - 08:20h Siraque, Oswaldo e Marta prometem gestão integrada


Aline Bosio – Repórter Diário

Osvaldo Ventura
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Comício petista na região do Jardim Sônia Maria.

Os candidatos petistas a prefeito Vanderlei Siraque, de Santo André, Oswaldo Dias, de Mauá, e Marta Suplicy, de São Paulo, realizaram neste sábado (13) um comício em conjunto na região do Jardim Sônia Maria, onde as divisas dos três municípios se encontram. Na ocasião, os prefeituráveis reafirmaram o compromisso de implantarem uma gestão conjunta para toda a Região Metropolitana. Apesar da manhã chuvosa, cerca de 500 militantes acompanharam o evento.

“Vamos fazer uma gestão integrando as três cidades para resolver problemas em comum, como drenagem do solo nas áreas de enchente, problemas com o IPTU, saúde e vagas na creche”, lembrou Marta. A mesma opinião é dividida por Siraque, que afirmou ainda que a parceria será fundamental para a segurança pública. “Não podemos ficar espantando os bandidos para cidades vizinhas. Já que o governo do Estado não faz a parte dele, os prefeitos eleitos podem trabalhar para acabar com os ambientes propícios para o crime”, completa.

Já Oswaldo Dias quer fazer com que os trens da CPTM se tornem metrôs de superfície. “A Marta pode nos ajudar nesta reivindicação, já que esse seria um benefício para cinco das sete cidades do ABC, pois a linha férrea passa pela maioria delas”, acrescentou. Para a alegria de Dias, Marta assumiu o compromisso de completar a extensão da Jacu Pêssego até a cidade, interligando Guarulhos a Mauá, contribuindo para o desenvolvimento econômico da região a partir da chegada de novas empresas.

O comício serviu ainda para que os candidatos comemorassem a descoberta do pré-sal e do alto nível de aceitação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Com a descoberta do pré-sal vamos nos tornar um país rico, mas para que isso ocorra precisamos investir na tecnologia, assim como já vem sendo feito pelo atual presidente”, disse Marta. “Vamos conquistas as prefeituras para darmos força ao futuro candidato à presidência da República em 2010″, finalizou.

Também participaram do ato político o senador Aloizio Mercadante, o deputado federal José Genoíno e o deputado estadual Donisete Braga, além de candidatos ao Legislativo das três cidades.

13/09/2008 - 23:16h Sábado a tarde em São Mateus

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Mauá com Osvaldo Dias, Santo André com Vanderlei Siraque e São Paulo com Marta juntos em campanha, com a participação de Mercadante

30/08/2008 - 17:28h Lula: “Eu tenho lado, e meu lado é Marta”

Lula critica uso de sua imagem por candidatos da oposição

Em comício de Marta Suplicy, presidente afirma que candidata petista à Prefeitura é ’seu lado em São Paulo’

Alexandre Inácio, da Agência Estado e Andréia Sadi, do estadao.com.br

 


Marta e Lula durante comício em São Miguel
José Luís Conceição/AE

Marta e Lula durante comício em São Miguel

SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou neste sábado, 30, durante comício que marcou sua primeira participação na campanha da candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, em São Miguel Paulista, na zona leste da capital, a utilização de sua imagem por candidatos de partidos de oposição. “Como presidente, eu não tenho que apoiar ninguém, mas numa campanha política só tenho um lado, que é o lado da Marta aqui em São Paulo”, declarou. Antes do comício, Lula participou de carreata em carro aberto por cerca de dois quilômetros das ruas do bairro, acompanhado da candidata petista, dos senadores Eduardo Suplicy e Aloísio Mercadante, ambos do PT-SP, dos deputados federais Luíza Erundina (PSB-SP), Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT).Veja também:

linkLula participa de campanha ao lado de Marta Suplicy em SP

linkLula e Marta são ovacionados em carreata na zona leste de SP

linkAlckmin cai, Kassab sobe e reduz diferença para tucano

linkConfira o perfil dos candidatos à Prefeitura de São Paulo especial

Ao discursar para cerca de quatro mil pessoas, segundo a Polícia Militar, Lula ressaltou a força da mulher e disse que Marta foi vítima de preconceito quando prefeita de São Paulo, assim como Erundina quando esteve à frente da Prefeitura da capital. Segundo o Presidente, os quatro anos em que Marta ficou fora da Prefeitura foram importantes para a candidata ganhar sobriedade para o próximo mandato.

Lula confirmou a “parceria” com o governo federal que a candidata petista vem destacando em sua campanha, dizendo que vai haver maior afinidade entre a Presidência da República e a cidade de São Paulo se Marta Suplicy for eleita. Lula disse ainda que espera que o programa Farmácia Popular – que vende remédios mais baratos para a população de baixa renda – seja levado para todos os bairros da cidade. No comício, o presidente anunciou que irá assinar decreto na próxima semana estabelecendo a realização de exames oftalmológicos, dentários e de clínica geral em crianças nas escolas públicas de todo o País.

No comício, Marta ressaltou a importância dos CÉUs e lembrou que o primeiro inaugurado em seu mandato como prefeita foi na zona leste e teve presença de Lula. Além disso, Marta destacou que foi o governo de Lula que incluiu 51% da população na classe média. A candidata também fez críticas ao sistema de transportes da capital e disse que terá a parceria do presidente Lula para ampliar o metrô e estender a malha da zona leste.

25/08/2008 - 08:56h O bom exemplo da Noruega

VALOR

Desde a primeira vitória da seleção do Brasil, em 1958, quando jogadores como Didi e Garrincha deram um baile na seleção da Suécia e ainda confraternizaram alegremente com as liberadas moçoilas de Estocolmo, nunca na história do Brasil uma nação nórdica foi tão mencionada como a Noruega no debate sobre o futuro da exploração do petróleo no Brasil. Os que defendem o controle estatal para a produção de petróleo brasileiro anunciam a intenção de copiar o “modelo norueguês”; os que apostam no poder regulador das forças de mercado lembram que acima do Equador tudo funciona de maneira diferente.

O modelo da Noruega, de forte presença do Estado aliada à grande competição entre empresas privadas, é tão intraduzível para as condições nacionais quanto o são, para o português, os sofisticados romances do prêmio Nobel Knut Hamsun – que se inspirou em Dostoievski e era idolatrado por Henry Miller. Assim como o idioma de Hamsun traz armadilhas para os tradutores apressados, a experiência norueguesa com o petróleo, se mal entendida, pode motivar debates acalorados em torno dos temas errados, por falta de compreensão. Vale notar que as dificuldades lingüísticas não impedem que a literatura nórdica seja vertida para outros idiomas, e apreciada por suas qualidades.

O governo contribui para a confusão ao anunciar genericamente a intenção de copiar o modelo norueguês. Não parece que esteja em discussão, nem no Planalto, voltar atrás no que é considerado até pelos noruegueses um dos modelos mais transparentes de concessão de áreas para exploração de petróleo. Não há estudos em Brasília para tirar das companhias petrolíferas as concessões atuais, nem para transformar a Agência Nacional de Petróleo (ANP), de agência independente a simples órgão técnico de assessoria subordinado ao ministro da Energia, como é o NPD, na Noruega.

Do que, aparentemente, o senador Aloizio Mercadante e outras cabeças governistas falam ao citar o exemplo nórdico é da necessidade de assegurar, com intervenção estatal, o bom uso das reservas de petróleo recém-descobertas, que não deveriam ser apenas fonte de riqueza para quem as explorar, como tradicionalmente se fez com os recursos naturais na América Latina. A questão, dizem os defensores do mal explicado “modelo norueguês”, é destinar ao povo brasileiro os ganhos do petróleo, e isso não se faz apenas cobrando imposto das multinacionais petrolíferas. Esse argumento é senso comum norueguês.

“Você não produz, petróleo; extrai petróleo” , diz o professor Arne Jon Isachsen, doutorado em Stanford, ex-conselheiro do Ministério das Finanças norueguês no governo conservador e ex-pesquisador do Banco Central da Noruega. “É um ativo do país, e é preciso aplicar esse ativo de forma inteligente. Se o governo usa as receitas do petróleo apenas para financiar suas despesas correntes, de manutenção da máquina pública, age como quem destrói florestas para usar a madeira e pagar contas: terá riqueza em curto prazo, e problemas no futuro.”

Pré-sal demanda outra estrutura

Uma economia baseada fortemente em recursos naturais, como o petróleo, pode gerar excessiva entrada de moeda estrangeira, tornando os produtos fabricados localmente muito caros para o exterior, e incentivando as importações, que costumam sacrificar os fabricantes no país. É o que se chama de doença holandesa, devido à crise industrial na Holanda exportadora de gás no século passado. Um fundo criado na Noruega se destina também a evitar esse problema: as receitas do governo com o óleo têm de ser aplicadas majoritariamente no exterior.

Faz sentido, portanto, copiar os noruegueses e reservar parte da receita esperada com o petróleo encontrado na chamada camada pré-sal. Mas, assim como o presidente Lula quer usar o petróleo do pré-sal para financiar a saúde e educação, o governo norueguês usa, com moderação e êxito, dinheiro do petróleo em parte das despesas correntes.

País rico, com uma das três maiores rendas per capita do mundo, mais de US$ 53 mil (pelo critério de poder de compra local, que dá ao Brasil um PIB per capita pouco inferior a US$ 10 mil), a Noruega não precisa de mais despesas em atendimento básico. Reserva a maior parte do dinheiro do petróleo para suas crescentes necessidades de previdência social e criou um fundo com o dinheiro do petróleo para essa finalidade. Mas a receita petrolífera só é depositada nesse fundo depois de destacada uma parte para cobrir o déficit no orçamento fiscal.

Na Noruega, também se decidiu que a exploração desse petróleo era questão de excessiva importância estratégica para ser deixada apenas aos critérios do mercado e das empresas capitalistas (como as multinacionais, a Statoil norueguesa, ou a Petrobras brasileira). Criaram então uma estatal enxuta, a Petoro, mais uma administradora que uma companhia de óleo. É uma empresa de tão baixo perfil que a maioria dos noruegueses, inclusive no governo, desconhece sua existência. Tem participação em todos os campos de petróleo importantes do país, “confiscada”, em 2001, dos ativos da estatal Statoil, então sem ações negociadas em bolsa.

O Brasil necessita, de fato, de uma nova estrutura, para cuidar da riqueza descoberta no pré-sal. Não deve confiscar ativos da Petrobras – diferente da Statoil dos anos 90 por ser já empresa com sócios privados. Mas pode, sim, criar um novo modelo para explorar novos campos e poços. Um debate aberto, sem preconceitos contra “estatismos” e “privatismos”, é do interesse da sociedade brasileira.

“Fome”, a obra mais famosa de Knut Hamsun, foi a última obra traduzida do francês por Carlos Drummond de Andrade. Não sei se o poeta escapou das besteiras cometidas por tradutores ingleses e americanos, denunciadas por Sverre Lyngstad, autor da mais recente – e a única confiável – versão do livro para o inglês. No Brasil, ainda faltam bons conhecedores da Noruega, que traduzam a experiência do país com o petróleo, de forma isenta e desapaixonada, para aproveitá-la como tem de ser, em benefício do público brasileiro.

Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras

sergio.leo@valor.com.br

21/08/2008 - 10:00h Petrobras na berlinda

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Setor privado questiona unificação e concessão de áreas não licitadas à empresa

 

 

Gustavo Paul, Ramona Ordoñez e Cristiane Jungblut – O Globo

O setor privado poderá questionar a entrada da Petrobras nas áreas da União ainda não licitadas no pré-sal caso haja a unitização (termo técnico para unificação) das regiões onde estão os campos já anunciados, na Bacia de Santos. Segundo executivos do setor, se a Petrobras assumir a produção nessas áreas, haverá favorecimento indevido aos acionistas privados da estatal, já que 60% do capital da empresa estão no mercado financeiro.

— O governo não pode conceder à Petrobras a prerrogativa de explorar as áreas que são só da União, pois estaria dando de bandeja um recurso público para sócios privados da empresa, sem licitação pública. Isso vale se a União tiver 40% da empresa ou 60% — diz um empresário do setor.
A solução desse impasse pode ocorrer até o fim do ano, quando a Agência Nacional do Petróleo (ANP) deve indicar as normas para a unitização em todas as bacias do pré-sal.
A idéia é fazer uma audiência pública para discutir as regras, previstas apenas em um artigo da Lei do Petróleo.
Ontem, o GLOBO publicou que a Petrobras vai sugerir ao governo unificar seus campos no pré-sal e as áreas contíguas, caso se crie uma nova estatal para gerir as reservas. Em nota a investidores, a Petrobras disse que não tem informação suficiente que prove que o pré-sal na Bacia de Santos precisará de unificação. Acrescentou que o marco regulatório obriga a unitização quando uma jazida se estende por blocos contíguos, cujos direitos pertencem a concessionários distintos.

— Sabe-se que no caso da unitização de áreas não concedidas com campos licitados, a ANP as assume para negociar a unitização. Mas não diz como isso será feito — diz o executivo de uma multinacional.
Internacionalmente, a unitização implica divisão de investimentos proporcional às reservas dos concessionários.
No caso da entrada da ANP, não se sabe como ela poderia investir, pois não tem dotação. Além disso, ressaltam especialistas, o processo é demorado. Há ainda tecnicalidades como a aplicação da regra do uso de equipamentos fabricados no Brasil na perfuração conjunta de um mesmo poço.
Para o diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, a proposta da Petrobras é bem-vinda. Ele concorda com a tese de que a unificação dos poços é inevitável, mas faz uma ressalva: — Nas reservas já anunciadas, a unitização pode ser uma obrigação, mas nas áreas contíguas é uma decisão política do governo.

Oposição critica nova empresa

Pinguelli diz que o governo deve investir no fortalecimento da Petrobras, opinião semelhante à do senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Segundo este, a discussão da unitização não pode se misturar à da nova estatal, que ele prefere chamar de “escritório de administração de reservas”: — A proposta feita pela Petrobras faz parte da solução, que vai levar à sua capitalização, o que é importante.
Não há melhor parceiro para a União operar o pré-sal do que a Petrobras.
Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo, Wagner Freire, a lei diz que os blocos só sejam concedidos por leilão e que a entrega à Petrobras não teria sustentação jurídica: — Por que conceder à Petrobras, e não a outra petrolífera? Isso é ilegal.
Ele ressalta que a estatal norueguesa Petoro, vista como modelo, nem entra em todas as concessões em parceria com as petrolíferas.
Já o analista de petróleo Luiz Octavio Broad, da Ágora, destaca que as incertezas já afetam as ações da Petrobras — que, no ano, caíram 22%, contra recuo de 13% do Ibovespa: Os principais partidos de oposição resistem à idéia de mudanças na lei do petróleo, mas admitem que a questão da nova estatal precisa ser estudada.
O líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), diz que o marco regulatório existente é suficiente para tratar as novas descobertas: — O que está lá embaixo já é do Estado, não da Petrobras. Mas mais uma empresa para substituir a ANP? Não é por aí que vamos avançar.
Em nota, o PSDB afirmou haver “propósitos eleitoreiros” na discussão sobre as reservas. O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), disse que o partido ainda não fechou posição, mas que a maioria é contra a nova estatal. Para o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), a destinação de recursos a educação e saúde não depende de nova empresa nem de fundo soberano: — Uma nova estatal do príncipe estaria à sanção do príncipe, o que vai ser um desastre.

21/08/2008 - 09:13h Lula quer nova divisão da riqueza do petróleo

“O que precisamos definir é como esse dinheiro do pré-sal vai ser apropriado”, diz líder no Senado

 

 

Ribamar Oliveira e Cida Fontes – O Estado de São Paulo


O governo quer mudar a forma de apropriação dos royalties e das participações especiais pagas pelas empresas petrolíferas, que hoje beneficiam principalmente Estados e municípios produtores e confrontantes com os poços em alto-mar. Para os campos de petróleo da camada do pré-sal, o governo quer outro esquema de distribuição dos recursos. “Esta é a questão central de toda essa discussão”, resumiu ontem o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

“O que precisamos definir é como esse dinheiro do pré-sal vai ser apropriado.” Jucá participou, junto com os outros líderes da base do governo, da reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na terça-feira, no Palácio do Planalto, quando foi abordada a questão.

O líder do governo disse que o novo modelo de exploração do pré-sal “ainda não está definido”, mas ressaltou que a orientação do presidente é de que o petróleo daquela área é um patrimônio da Nação. De acordo com Jucá, é necessário definir um modelo de apropriação da renda do petróleo que leve em conta essa orientação.

Jucá disse que o debate sobre os royalties e participações especiais do petróleo ganhou outra dimensão por causa do tamanho das reservas. “Antes, falava-se em R$ 2 bilhões que ficariam com o Rio de Janeiro. Isso era aceito pelos outros (Estados) como parte do jogo. Mas, agora, fala-se em receitas de R$ 50 bilhões. É muito dinheiro, que não pode ficar apenas com alguns Estados e municípios.”

O presidente Lula defendeu recentemente que os recursos sejam aplicados em educação e em programas para reduzir a pobreza. Também na terça-feira, a comissão especial do governo encarregada de estudar o modelo de exploração do pré-sal discutiu os vários fundos soberanos existentes no mundo, criados com as receitas do petróleo. A idéia em discussão é que as receitas do pré-sal também sejam direcionados a um fundo soberano.

Pela legislação atual, as receitas de royalties e participações especiais pagas pelas empresas petrolíferas beneficiam diretamente 10 Estados e 906 municípios, de um total de 5.563. No ano passado, o Estado do Rio recebeu R$ 4,36 bilhões, ou seja, 84,5% do total de royalties e participações especiais destinados aos demais Estados. Em 2007, apenas 11 prefeituras fluminenses ficaram com 60,5% do total das receitas destinadas a todos os municípios.

Além da concentração das receitas do petróleo em poucos Estados e municípios, não existem critérios para aplicação dos recursos. Os municípios beneficiados estão usando os recursos para aumentar as despesas com pessoal e com gastos correntes, em vez de investir em educação e saúde.

Em telefonema ao senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) propôs ontem a criação de uma comissão para elaborar um projeto de lei único de mudança dos critérios de apropriação dos royalties e participações especiais. Recentemente, Cristovam apresentou um projeto destinando as receitas do pré-sal à educação. O senador João Pedro (PT-AM) apresentou outro e Mercadante está elaborando a sua proposta. A idéia é tentar chegar a um projeto comum, suprapartidário, que consiga ser votado rapidamente. Na Câmara, há mais de uma dezena de projetos.

O Planalto começou também a receber avaliações, de integrantes da área econômica e de alas do próprio PT, de que não será possível usar todas as receitas do petróleo para financiar despesas públicas.

24/04/2008 - 09:18h Iminência de acordo entre PMDB e DEM pressiona por saída de Alckmin

querciameiorostoesta.jpegMarisa Cauduro/Valor

Quércia: em nota, classificou acordo com Kassab como “eventual” e sinalizou que insistirá com vice

Caio Junqueira, César Felício, Cristiane Agostine e Raquel Ulhôa – VALOR

A iminente aliança entre o PMDB e o DEM, que deverá ser anunciada hoje, levou ontem a um último esforço dos aliados do governador paulista, José Serra (PSDB), para fazer com que o ex-governador tucano Geraldo Alckmin desista da candidatura à Prefeitura de São Paulo e apóie a reeleição de Gilberto Kassab (DEM). Pela primeira vez, diante da ameaça de isolamento político, o grupo alckmista deu mostras de que poderá ceder à pressão. Um dos articuladores do ex-governador afirmou que a hipótese de não disputar este ano, em troca de concorrer a outro cargo em 2010, já é vista como “muito mais confortável”.

Por esta razão, os aliados de Serra no PSDB e o próprio Kassab resistem em aceitar a presença do PMDB na chapa majoritária. “Isto fecha a possibilidade de um acordo e quebra definitivamente a aliança entre PSDB e DEM”, disse um serrista no PSDB. A pedido de Kassab, o ex-governador Orestes Quércia adiou de ontem para hoje a reunião do diretório estadual paulista do PMDB, o qual preside, em que seria anunciada a aliança.

Pouco antes de Quércia adiar a reunião, Kassab havia feito um apelo para uma aliança que unisse os três partidos. “Todo meu esforço continua sendo no sentido de buscar, com energia, a manutenção da nossa aliança com o PSDB. Agora, de uma maneira bastante otimista, porque está se incorporando a esta aliança o PMDB”, disse o prefeito, após encontro com vereadores.

Depois de cancelar a reunião, Quércia divulgou uma nota em que demonstra que pretende insistir na presença do PMDB na chapa majoritária. “Na eventual composição DEM/PSDB, se ficar acordado que caberá ao PMDB apresentar o nome do candidato a vice-prefeito na chapa de Kassab, será indicado o nome de Alda Marco Antonio”, escreveu, referindo-se à engenheira que foi sua secretária estadual do Menor em sua gestão como governador.

A aliança PMDB/DEM, que contraria a tendência pemedebista de buscar um alinhamento com o PT, desagradou os dirigentes nacionais pemedebistas. Em conversas isoladas, pemedebistas estranhavam a opção de Quércia pelo que consideram “aliança para perder”. A avaliação era que Quércia não teria recebido do PT garantias de apoio à sua candidatura ao Senado em 2010, em troca de apoio à ministra do Turismo, Marta Suplicy, para prefeita. Para pemedebistas, o adiamento pode ter sido provocado pelo empenho de Kassab de buscar um acordo com o PSDB.

Apesar de articuladores de Alckmin sinalizarem com a possibilidade de desistência sob reserva, de forma pública o ex-governador ainda demonstra inflexibilidade. Um de seus aliados, o deputado Silvio Torres, divulgou uma nota em que afirmava que diante da aliança entre Kassab e o PMDB, a candidatura de Alckmin era irreversível. “O anúncio desta aliança é uma demonstração de que não há possibilidade de negociação entre o DEM e o PSDB fora do segundo turno. Trata-se de um tema vencido. Não há cogitação de Alckmin se retirar”, disse, acrescentando que o diretório municipal da sigla irá oficializar a candidatura própria “ainda este mês”. Por correio eletrônico, o presidente do Diretório, José Henrique Lobo, ligado a Serra, afirmou que “não há nada agendado até este momento”.

Os aliados de Alckmin acreditam que o vice-governador Alberto Goldman, e o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho, ambos tucanos e ex-aliados diretos de Quércia até o início dos anos 90, foram os principais artífices da aliança. Neste sentido, o acordo teria envolvido o apoio a sua candidatura ao Senado em 2010 e o apoio a prefeitos ligados a ele no interior paulista.

A iminente aliança irritou o PT, que ofereceu a vice na chapa e a vaga ao Senado em 2010. Quércia e o presidente estadual do PT, Edinho Silva, prefeito de Araraquara, conversaram na noite de terça sobre a aliança na capital, mas no mesmo dia, o ex-governador sinalizou que apoiaria Kassab. Ontem pela manhã o pemedebista e o petista conversaram novamente e segundo relato de Edinho, Quércia ainda falava em acordo. “Ele ainda não confirmou nenhuma posição”, disse ontem o dirigente petista. “Não vamos mudar nosso método de negociação, como o DEM e o PSDB mudaram”, disse.

Edinho reuniu-se no feriado de Tiradentes com o senador Aloizio Mercadante (PT) para discutir o apoio do PT à candidatura de Quércia ao Senado em 2010. “Havia muita especulação se Mercadante concordaria com isso e ele foi muito claro ao dizer que é homem de partido”, relatou o dirigente petista. O presidente do PT estadual disse ainda que em pelo menos 23 cidades de São Paulo o PMDB será cabeça de chapa e o PT será vice, na disputa eleitoral.

As mesmas ofertas teriam sido feitas pelo DEM ao PMDB: a vice na prefeitura e o Senado, em dois anos. A candidatura petista, com a ministra Marta Suplicy, seria mais atrativa ao PMDB, por ter maiores chances de vitória. Mas Kassab tem um diferencial: a retirada de um concorrente direto, o secretário estadual do Trabalho, Guilherme Afif Domingos (DEM).

Na avaliação dos petistas, a negociação com Quércia feita por interlocutores do PSDB passaria também por participar de uma composição da chapa de Serra à Presidência, em 2010. “Uma aliança entre os três partidos obviamente terá reflexo na sucessão presidencial. Alinha o PMDB com outro projeto de país e seria uma forma de Serra colocar esta eleição em outro patamar”, disse Edinho Silva.