08/03/2009 - 13:00h Metalúrgicos festejam volta à vida normal

Empresas que haviam cortado salários e jornada já suspenderam medida

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Cleide Silva – O Estado SP

Casado e pai de cinco filhos com idades de dois a 18 anos, o metalúrgico Humberto Pereira de Santana passou a controlar a compra mensal no supermercado. “Se passasse de R$ 220, eu tirava os produtos do carrinho”, conta ele. O controle rígido das despesas foi adotado em janeiro e fevereiro, período em que a empresa onde trabalha, a autopeça Polistampo, de Diadema, no ABC paulista, reduziu a jornada de cinco para três dias semanais, com corte também nos salários.

A medida iria até o fim de março. Ao ser avisado da volta da jornada normal, um mês e meio antes do previsto, Santana sentiu um alívio. “Voltamos à vida normal”, dizia ele na sexta-feira, num intervalo da tarefa de montar suportes de baterias. Com 40 anos e funcionário da Polistampo há 4,5 anos, ele conta que nos dias de folga forçada na fábrica ajudava a esposa e um dos filhos no atendimento de um pequeno bar pertencente à família.

As autopeças também precisam acompanhar o ritmo mais acelerado das montadoras em relação aos últimos meses de 2008. Várias fábricas que fizeram acordos de redução de jornada e salários estão voltando atrás antes do prazo previsto.

No ABC, além da Polistampo, já voltaram a operar em semana cheia a fabricante de buzinas Fiamm e a Proxyon, que produz chapas e outras peças. A Kostal fez acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos para redução de jornada a partir da semana passada, mas cancelou a medida antes mesmo de aplicá-la.

“Vimos uma luz no fundo do túnel já no início de fevereiro. Desconfiados, temíamos que fosse um trem vindo em posição contrária, mas logo depois confirmamos que as encomendas estavam aumentando”, conta Nelson Garcia, supervisor de Recursos Humanos da Polistampo.

A empresa foi fundada há 30 anos e hoje fornece diversos componentes para veículos da Volkswagen, Fiat, Renault, General Motors e Mercedes-Benz e para motocicletas da Honda. Foi a primeira vez que a autopeça precisou reduzir a semana de trabalho.

Em Taubaté, interior de São Paulo, a Thyssenkrupp KMAB, que produz eixos, vai recontratar 38 dos 70 trabalhadores demitidos em dezembro. O motivo é o aumento de pedidos por parte da Volkswagen.

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, Isaac do Carmo, “as empresas demitiram sem ter conhecimento do tamanho do impacto da crise na economia brasileira. Passado o susto inicial, estão recontratando para manter o nível da produção”.

Sueli Aparecida Souza de Oliveira, de 26 anos e há dois na Polistampo, chegou a trancar a matrícula em um curso técnico de química iniciado há três meses. “Por causa da crise, meu marido está desempregado desde janeiro e, com o salário menor, não daria para pagar o curso”, conta ela. Com o chamado para voltar a trabalhar cinco dias por semana no fim de fevereiro e o pagamento do salário integral, ela pretende retomar as aulas na próxima semana.

O operador de máquinas Kleuson dos Santos Vieira, de 31 anos e solteiro, suspendeu atividades de lazer, como ir ao shopping center e bares. Também cortou a compra de roupas. Nas semanas em que ficava em casa dois dias a mais, aproveitou para realizar serviços de pintura e manutenção da casa alugada em Diadema.

Na base do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, onde foram feitos 24 acordos de redução de jornada e salário, a maioria em autopeças, até agora apenas uma – a Thyssenkrupp – desistiu de aplicar a norma.

RETOMADA

Fiamm: Voltou à jornada de 5 dias na segunda-feira, suspendendo acordo que previa semana de 4 dias até maio na unidade de São Bernardo, com 168 empregados

Fiat: Chamou 12 mil funcionários (de um total de 14 mil) para repor produção em três sábados de março e tem feito diariamente 45 minutos de trabalho extra

GM: Suspendeu as férias coletivas de todos os 5,2 mil funcionários previstas para 26 de janeiro a 8 de fevereiro em Gravataí (RS)

Polistampo: Após adotarem semana de 3 dias, os 140 funcionários voltaram aos 5 dias em fevereiro, 1,5 mês antes do previsto

Proxyon: Suspendeu semana de 4 dias adotada em janeiro para os 228 trabalhadores em São Bernardo e voltou a operar em 5 dias na última quinta-feira

Renault:
500 funcionários com contratos suspensos até maio voltarão ao trabalho no dia 23 em São José dos Pinhais (PR), onde trabalham 4,5 mil pessoas

Thyssenkrupp KMAP: Empresa de Taubaté com 400 funcionários recontratou 38 demitidos

Volkswagen: Convocou 7 mil trabalhadores para horas extras nos próximos 3 sábados na Anchieta e 5 mil em Taubaté. As duas empregam 17,3 mil pessoas

21/01/2009 - 10:23h No ABC, 12 mil fazem ato em defesa do emprego

Jornal Nacional (JN) – TV Globo

Joaquim Alessi, São Bernardo – O Estado SP

Sob a liderança do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, cerca de 12 mil trabalhadores, segundo a entidade, e 8 mil pelas contas da Polícia Militar, manifestaram-se na manhã de ontem “em defesa do emprego e pela superação da crise econômica sem demissões nem corte de salários”. Os atos concentraram-se no bairro Pauliceia, em São Bernardo, próximo à Mercedes-Benz, palco das manifestações lideradas nos anos 70 e 80 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No caminhão de som revezaram-se o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, e outros sindicalistas. O prefeito Luiz Marinho (PT), que já presidiu a entidade e a CUT, foi anunciado várias vezes, mas por causa de vistorias agendadas anteriormente não apareceu. A concentração começou às 5h45 no estacionamento da Mercedes.

Arthur Henrique fez questão de destacar as reivindicações levadas na véspera ao presidente Lula, entre elas a de redução de juros para a compra de veículos usados.

Outros protestos menores foram realizados no pátio da Volkswagen e na portaria da Scania, como parte do Dia de Luta lançado pela categoria.

04/09/2008 - 10:52h Greve por salário paralisa montadoras

Trabalhadores aprovando estado de greve no pátio da Ford

Cibelle Bouças – VALOR

Na segunda-feira, 8 mil metalúrgicos do Paraná que trabalham nas montadoras Volkswagen, Renault e Nissan fizeram uma paralisação de 24 horas em resposta à falta de uma nova contraproposta de reajuste salarial pelas empresas, prazo que foi estendido em 48 horas e, na ausência de uma nova oferta das montadoras, será convertida em greve por tempo indeterminado. Ontem, no Estado de São Paulo, 14,2 mil metalúrgicos fizeram paralisação de 24 horas em cinco fábricas, para forçar as indústrias a reverem suas propostas de reajuste salarial, cuja data-base é setembro – em um dos casos, com ameaça de greve por tempo indeterminado, dependendo da proposta feita pelas indústrias.

O risco de greve de cunho nacional – estratégia adotada pela última vez pela categoria em 2001 e substituída em anos recentes pelas chamadas greves-pipoca, localizadas e de curta duração – parece ter voltado a rondar as montadoras. Não existe um acordo entre Conlutas, Intersindical, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical para criar um movimento de paralisação unificado mas, individualmente, essas lideranças sindicais seguem a mesma estratégia. E um ponto que deve preocupar as montadoras: a paralisação feita ontem na Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo (SP) por 3 mil metalúrgicos com indicativo de greve por tempo indeterminado pode estimular a disseminação do movimento no ABC Paulista, que não passa por uma greve por reajuste salarial desde 2003.

“Com a paralisação, os trabalhadores estão mandando um recado. A intensidade dos protestos só vai aumentar se não houver avanço nas negociações”, disse Moisés Selerges, diretor-executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A paralisação na Mercedes foi feita em desagravo à proposta do Sindicato dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea) de aumento de 1,25 ponto percentual sobre a inflação – menos da metade do reajuste acordado em 2007 e aquém do pedido dos metalúrgicos neste ano, de 5% de ganho real.

Na manhã de hoje, sindicalistas realizam assembléias na porta das fábricas da Volkswagen, Ford e Scania para discutir a possibilidade de paralisações nessas montadoras. Ontem, a Mercedes deixou de produzir 150 veículos e, no fim de semana, outros 400 deixarão de ser fabricados, já que os trabalhadores decidiram paralisar os três turnos extras implantados no fim de semana, para a acelerar a produção das linhas 2009. No fim de semana, 9 mil metalúrgicos da montadora deixarão de trabalhar em São Bernardo do Campo.

As greves ocorrem no primeiro momento do ano em que a euforia crescente trouxe sinais de acomodação. De janeiro a julho, as montadoras produziram 2,01 milhões de veículos, volume 21,8% superior ao de igual período do ano passado. Em licenciamentos (vendas internas), o aumento chegou a 30%, também na comparação com os primeiros oito meses de 2007. Depois desse forte avanço, contudo, as vendas de agosto mostraram um crescimento mais tímido em comparação com o mesmo mês de 2007, de 4,05%. A indústria já esperava índices menores (por causa da base de comparação mais forte), mas o resultado veio abaixo do esperado e, junto com o aumento de estoques (com a média de veículos disponíveis para venda passando de 216 mil para 250 mil unidades), acendeu sinais de alerta no setor.

Enquanto os metalúrgicos miram os resultados até julho para ancorar seu pedido de aumento real de 5%, as montadoras usam agosto e as recorrentes notícias de que o governo pode adotar medidas para conter o financiamento de automóveis para justificar a cautela e oferecer 0,5% de aumento real. Neste ano, ao contrário de outros momentos, os metalúrgicos têm a seu favor a recuperação do emprego. Dados da Anfavea mostram que, em julho, as montadoras estavam empregando 129,4 mil metalúrgicos, número 13% superior ao de igual mês de 2007.

No Paraná, por conta da paralisação iniciada segunda-feira, a Volkswagen-Audi deixou de produzir cerca de 1,7 mil automóveis. Na Renault, a perda foi de 1,6 mil veículos, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. Uma unidade da Volvo ficou parada por 24 horas e voltou a operar terça-feira, à espera de uma nova proposta até hoje. “Se não houver proposta, o movimento vai se encaminhar para a greve por tempo indeterminado a partir de quinta-feira [hoje]“, afirmou Sérgio Butka, presidente do sindicato.

No interior paulista, a estratégia dos sindicatos está concentrada nas greves-pipoca. Ontem, na região de Campinas, metalúrgicos das montadoras Honda (3.500), Toyota (1.900) e Mercedes Benz (800) realizaram paralisação de 24 horas. “Nos últimos anos, adotamos a greve-pipoca como estratégia. Estoura aqui e ali e logo todos voltam a trabalhar. Mas passou a ser importante ampliar esse movimento porque os empresários estão muito resistentes a aceitar as propostas dos metalúrgicos”, afirmou Eliezer Mariano da Cunha, diretor do sindicato de Campinas.

Na segunda-feira, a metalúrgica Wirex Cable, do setor de eletroeletrônicos, ficou parada. Ontem, foi a vez dos 5 mil metalúrgicos da General Motors. A paralisação afetou a produção de 950 a 1 mil veículos. Hoje, disse Vivaldo Moreira Araújo, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, outras empresas terão sua atividade parada sem aviso prévio. “Cada dia será uma fábrica. E se o patronato não melhorar a proposta, não vamos ter outra opção que não seja a greve por tempo indeterminado”, afirmou Moreira. Os metalúrgicos do interior de São Paulo pedem aumento real de 9,17% e garantia de gatilho salarial quando a inflação atingir 3% em 12 meses. A última proposta feita pelo Sinfavea foi de 1,25% de aumento real. Procurada, a assessoria de imprensa da entidade informou que não comenta detalhes das discussões com os trabalhadores.

28/08/2008 - 10:42h Mauá e Santo André: Dias e Siraque continuam campanha conjunta

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Da Redação Repórter Diário

Os candidatos a prefeito de Santo André, Vanderlei Siraque, e de Mauá, Oswaldo Dias, ambos do PT, foram à porta da Firestone, em Santo André, para conversar com os trabalhadores dos turnos da manhã e da tarde nesta quarta-feira (27). Os candidatos expuseram os projetos conjuntos para as cidades que pretendem implementar caso sejam eleitos e receberam o apoio dos trabalhadores.

Nesta quinta-feira (28), os candidatos voltam a se encontrar para fazer campanha conjunta, mas desta vez acompanhados de todos os candidato a prefeito pelo PT no ABC e de Marta Suplicy, durante uma assembléia com os trabalhadores da Mercedes-Benz, em São Bernardo.

12/08/2008 - 09:04h Mercedes diz que investirá R$ 1,5 bi em 3 anos no ABC

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Empresa elevará produção de veículos comerciais em 25% em São Bernardo

Produção atual, de cerca de 160/290 unidades por dia, subirá para 303/340 após investimento, além de gerar empregos a partir de 2009

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA – Folha SP

O presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Gero Herrmann, anunciou ontem aumento de R$ 1,5 bilhão nos investimentos da companhia em São Bernardo do Campo (SP) nos próximos três anos. O valor, segundo ele, permitirá o incremento de 25% na produção diária da empresa e gerará novos empregos.
Herrmann foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, no início da tarde. “Esses investimentos servirão ao aumento da capacidade, à modernização da fábrica e de nossos produtos”, informou Herrmann em rápida entrevista. Logo depois, o executivo viajou a São Paulo para encontro com o governador José Serra (PSDB).
Herrmann disse que, “seguramente” haverá novos empregos a partir de 2009, quando a primeira etapa do projeto de ampliação for cumprida, mas não soube precisar quantos. Hoje, 12 mil funcionários trabalham na fábrica de caminhões e ônibus da Mercedes em São Bernardo -a maior da América Latina.
Segundo o executivo, hoje a unidade de São Bernardo produz entre 160 e 290 unidades por dia, número que deverá ficar entre 303 e 340 unidades com os novos investimentos.
A ampliação da produção da empresa é reflexo da crescente demanda por veículos comerciais. De janeiro a julho deste ano, a Mercedes comercializou 22.778 caminhões e 9.211 ônibus. A empresa é a maior exportadora de veículos comerciais da América Latina, com venda para mais de 50 países.
Ao deixar o Planalto, Herrmann disse que a empresa tem grande expectativa em relação ao mercado interno. Hoje, parte da produção da Mercedes em São Bernardo do Campo é destinada à exportação.
O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, que participou da reunião com Lula, salientou que o Brasil, hoje, já tem a sexta maior produção de veículos do mundo. “E acreditamos que pode crescer.”