08/03/2009 - 14:32h Salas paulistanas exibem “Lúcia de Lammermoor”, ópera do Metropolitan

A soprano Anna Nebtreko em cena de “Lúcia de Lammermoor’, ópera do Metropolitan de NY

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA SP

Depois de “La Rondine” e “Orfeu e Eurídice”, óperas do Metropolitan de Nova York exibidas em cinemas de São Paulo, Rio e Porto Alegre, chega a vez de “Lúcia de Lammermoor”, montagem no Met da obra de Gaetano Donizetti, que estreia hoje em nove cidades, com reexibição em cinco delas, incluindo SP, nesta terça.
É a chance de ver no país, em alta definição, a ópera conduzida pelo maestro Marco Amiliato, que traz, nos papéis principais, a soprano Anna Netrebko (Lúcia), o tenor Piotr Beczala (Edgardo) e o barítono Mariusz Kwiecien (Enrico).
Em São Paulo, as sessões acontecem hoje, às 17h, e terça, às 20h, no Cine Bombril, no Espaço Unibanco Pompeia e no Frei Caneca Unibanco Arteplex. Ingressos custam R$ 25 no Cine Bombril e R$ 30 nas demais salas da cidade.
As próximas sessões de óperas do Met exibidas nos cinemas do país são: “Madame Butterfly”, de Puccini, em 22 de março; “La Sonnambula”, de Bellini, em 5 de abril; e “La Cenerentola”, de Rossini, em 24 de maio.

07/03/2009 - 14:00h ”Queremos a ópera inserida na cultura contemporânea”

Diretor do Metropolitan, Peter Gelb fala do cinema como meio de atingir novas plateias e prevê dificuldades por causa da crise

Em São Paulo, Lucia de Lammermoor será exibida no Cine Bombril, no Unibanco Arteplex e no Unibanco Pompéia amanhã, às 17 h, e terça, às 20h.

João Luiz Sampaio – O Estado SP

Em setembro de 2008, o todo poderoso chefe do Metropolitan Opera House de Nova York, Peter Gelb, deu uma entrevista ao site Time Out. A certa altura, o repórter lhe pergunta como vê o futuro de Nova York. “Se não houver outro ataque terrorista, uma crise econômica e se o aquecimento global não fizer o Rio Hudson inundar a cidade, imagino que seja um grande futuro”, disse. Pouco mais de seis meses depois, uma das maiores crises econômicas da história virou do avesso a vida dos norte-americanos. “Para instituições culturais sem fins lucrativos, como o Metropolitan, o quadro ainda é incerto, não se sabe como seremos afetados”, diz Gelb ao Estado. Ele foi contratado há três anos para modernizar e devolver ao Met o posto de maior teatro de ópera do mundo. E agora? “Vamos devagar. Mas iniciativas como a transmissão de óperas pelo cinema são promissoras.” O projeto começou há dois anos e consiste na exibição em cinemas das óperas apresentadas no teatro; há duas semanas, chegou ao Brasil, onde continua amanhã com Lucia di Lammermoor, de Donizetti.

“Ao todo, 1,25 milhão de pessoas já assistiram às exibições. Para este sábado (hoje), nos EUA, já há 150 mil ingressos vendidos. É claro que a receita que temos com as bilheterias não pagam as produções em si, mas ao menos tem pago todas as despesas de filmagem e transmissão dos espetáculos. É um caso único de projeto autossuficiente em instituições culturais norte-americanas. E mais: é um bom veículo para vender a imagem do Met em todo o mundo, para não falar da sensação boa que temos ao perceber que aquilo com que trabalhamos, no caso a ópera, não perdeu a capacidade de emocionar e mobilizar as pessoas. É engraçado: em algumas sessões, o público aplaude entre as árias. Eles estão aplaudindo quem? Acho que estão aplaudindo a ópera como gênero e a possibilidade de estar ali, em comunidade, tendo acesso a ela. Em uma época na qual a tecnologia isola as pessoas dentro de casa, o que acontece aqui é justamente o inverso. Esse é um fenômeno social que em nenhum momento antecipamos. Foi de fato surpreendente”, diz.

Para Gelb, porém, o mais importante é que tudo isso está sendo feito sem que se perca o respeito pela ópera e sua produção. “A nossa única preocupação é que a ópera coloque um pé na cultura contemporânea, que abrace as possibilidades oferecidas pela tecnologia. Como gênero, ela á ainda profundamente atraente, precisa apenas quebrar essa barreira que se colocou entre ela e a sociedade. É o que tentamos fazer, mas com um respeito profundo pela forma de arte que ela é. E, claro, sem expectativas irreais. A ópera requer um público inteligente e sensível, interessado em compreendê-la. Ela não vai ser pop, mas precisamos torná-la disponível ao maior número de pessoas possíveis. O cinema é um excelente caminho para isso.”

COMO NOS ESPORTES

E em que medida ter em mente a exibição no cinema interfere no processo de criação das montagens? Gelb diz que isso não ocorre. “É tão difícil colocar uma ópera de pé, é uma tarefa que envolve tantos detalhes, dos cantores aos técnicos, que seria uma enorme irresponsabilidade colocar ainda mais essa pressão sobre a equipe”, diz. “Temos em mente que não estamos fazendo nem cinema nem televisão, mas, sim, teatro. É claro que a exigência por cantores que saibam atuar existe, mas isso não é exatamente novo. O cantor de ópera completo, hoje, é aquele que sabe cantar e atuar; e quando alguém assim aparece, nossa, é maravilhoso. Mas tem que ser maravilhoso no palco, esse é o critério. É por isso que não filmamos a estreia de uma produção. Esperamos algumas récitas e, a cada uma delas, vamos estudando a melhor maneira de filmá-la. Só então fazemos a transmissão.”

Um dos aspectos mais interessantes das exibições é justamente o modo de filmar, a posição das câmeras. Antes de cada apresentação, artistas do teatro entrevistam o elenco e o maestro, que falam de suas concepções para o espetáculo que será exibido. E, durante a apresentação, há câmeras pegando a movimentação nos bastidores e até mesmo na cabine da direção de imagens. “Queremos deixar claro que o que temos ali é teatro filmado. Esses olhares sobre os bastidores permitem isso, além de saciar a curiosidade do público. É como se estivéssemos transmitindo um evento de esportes, um campeonato do tênis ou futebol. Todos os aspectos da produção são mostrados, dando ao público o máximo possível da sensação de se estar perto do teatro.”

DE VOLTA À CRISE

Segundo Gelb, as transmissões, se continuarem a atrair o público atual (no Brasil, por exemplo, a primeira exibição do projeto, há duas semanas, teve 90% de ocupação), não devem sofrer com falta de verbas, uma vez que se tornaram autossuficientes. O mesmo, no entanto, não vale para o cotidiano do Metropolitan. “O fato é que não temos como saber exatamente o que vai acontecer. Nos EUA, dependemos quase que exclusivamente do patronato. E, se as pessoas começarem a perder muito dinheiro, vão investir menos em artes, isso é fato. Quanto ao público, ainda não sofremos quedas na venda de ingressos. Mas a ópera é um tipo de espetáculo no qual manter o teatro sempre cheio não significa vida financeira saudável. Temos alguma seguranças em nosso fundo de investimentos, mas estamos de olho para ver o que vai acontecer.”

MONTAGEM DE ‘LUCIA’ TEM BOM ELENCO E DIREÇÃO CÊNICA

MODERNIDADE: A notícia vem logo no início da transmissão, dada pela soprano Natalie Dessay, mestre-de-cerimônias da noite: doente, o tenor mexicano Rolando Villazón não poderia se apresentar no papel de Edgardo, ao lado da soprano russa Anna Netrebko, como Lucia. “Mas quem sabe essa não é uma noite histórica, que vai fazer despontar para o sucesso um jovem tenor, chamado para substituir o colega?” Talvez seja um pouco de exagero, mas Peter Beczala dá – e bem – conta do papel. É uma voz que corre fácil, ágil, com graves levemente escuros. Entre os homens, no entanto, o destaque mesmo da produção de Lucia di Lammermoor que será exibida nos cinemas brasileiros amanhã e terça é o barítono polonês Marius Kwiecien. Ele, curioso, já esteve no Brasil, onde cantou em 2001 uma Lucia no Municipal de São Paulo. A impressão tinha sido das melhores e agora se confirma. E Lucia? Anna Netrebko é a grande sensação da ópera mundo afora. Sua Lucia é vocalmente precisa, mas a Cena da Loucura deixa um pouco a desejar em atuação cênica. A produção de Mary Zimmerman, por sua vez, é excelente, recria as colinas escocesas do romance de Walter C. Scott (que inspira a obra) e consegue ser moderna plasticamente dentro das possibilidades sugeridas pelo libreto e pela música. Em resumo, um grande espetáculo. Em São Paulo, Lucia será exibida no Cine Bombril, no Unibanco Arteplex e no Unibanco Pompéia amanhã, às 17 h, e terça, às 20 h. R$ 25.

17/02/2009 - 08:52h Cine-ópera

Projeção de “Orfeu e Eurídice”, do Metropolitan de NY, é sucesso de público em SP; preço do ingresso é questionado por espectadores


Cena de ‘Orfeu e Eurídice’, exibida anteontem em cinemas de sete cidades brasileiras

LUCAS NEVES – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Ao fim da projeção, enquanto sobem os créditos, aplausos efusivos ecoam das caixas de som: é o público do Metropolitan Opera, de Nova York, que saúda elenco e músicos da ópera “Orfeu e Eurídice”, de Christoph Gluck (1714-1787). Em uma das três salas de cinema paulistanas que exibem o registro do espetáculo, a psicóloga aposentada Elizabeth Fadel, 60, é uma das poucas a imitar o cumprimento da plateia americana. “Fiquei emocionada. Acho um absurdo a gente não aplaudir. As pessoas ficam inibidas”, diz. Anteontem, além de São Paulo, outras seis cidades brasileiras assistiram na tela grande à produção da tradicional casa de ópera nova-iorquina.
Com exceção de Santos, todas terão repeteco hoje. No mundo, as récitas do Metropolitan estão atualmente em cartaz nos cinemas de 30 países -em boa parte deles, em tempo real. Nos dois locais de exibição que a reportagem visitou no domingo, na capital paulista, o público se assemelhava, nos trajes e na faixa etária, àquele habitualmente visto nas óperas do Teatro Municipal. Grupos de senhoras e casais de idosos respondiam pelo grosso da audiência -no Cine Bombril, a taxa de ocupação foi de 88%, e, no Unibanco Arteplex, de 82%.
Uma das exceções era a estudante Anaïs Fernandes, 16, que assistiu à projeção com os pais, Marcos Luiz, 52, e Bruna Pauletti, 56, e costuma acompanhá-los nas récitas do Municipal. “Uma das vantagens de estar aqui é a possibilidade de observar cantores que não vemos sempre”, afirmou. “A desvantagem é que aqui você não interage com a montagem, não influencia o desempenho dos artistas. Mas vamos ver um produto mais bem acabado”, emendou o pai. Marcos Luiz também apontou o conforto como um ganho da “cine-ópera” em relação ao espetáculo ao vivo. Mas que não se incluam nessa ideia de comodidade combos de pipoca e refresco. “Espero que ninguém faça isso”, repudiou ele, sem perceber que um senhor sentado na fila à frente empunhava um balde da iguaria.

Atrasos e celulares
Para a aposentada Geid Tremante, 69, que esteve na sessão do Cine Bombril, piores do que os gulosos eram os retardatários e ansiosos. “Teve gente entrando depois das 17h [horário de início da exibição] e que ficava acendendo a luz do celular para ver mensagem. Se não tem tempo para ver ópera, fique em casa!”, disse. Já tendo conferido a programação do Metropolitan in loco, ela disse que assistir à ópera no cinema “corresponde a 80% da emoção de acompanhar ao vivo”.
“Mas lá [em NY] você nem sempre encontra ingresso.” A recepção positiva à projeção foi unânime entre os espectadores ouvidos pela Folha. O preço do ingresso (entre R$ 25 e R$ 30, dependendo da sala) não teve a mesma acolhida.
“Poderia ser mais barato, já que é uma maneira de chamar público para a ópera, apresentar um gênero que muita gente acha chato por desconhecer”, disse a professora Suzana Smith, 60. A psicóloga Edna Fernandes, 48, questionou essa possibilidade de formação de plateia. “Acho que quem esteve hoje aqui é quem já vai costumeiramente à ópera.” E quem é habitué das récitas do Municipal é o casal de professores aposentados Erella Opher, 72, e Reuven Opher, 77.
“Ao vivo, você sente que é parte da emoção. Em um cinema, nem com cem alto-falantes é a mesma coisa. Mas, já que não podemos ter cantores do primeiro escalão no Municipal, vale a pena ver os do Metropolitan, mesmo que numa tela”, conformava-se Reuven. “Lucia di Lammermoor” (em 1º/3) e “Madame Butterfly” (em 22/3) serão as próximas óperas a ganhar a telona.


ORFEU E EURÍDICEQuando: reapresentação hoje, às 19h30, no Cine Bombril (av. Paulista, 2.073, tel. 0/xx/11/3285-3696), e às 20h, no Unibanco Arteplex (r. Frei Caneca, 569, tel. 0/xx/11/ 3472-2365)
Quanto: R$ 25 (Cine Bombril) e R$ 30 (Unibanco Arteplex)
Classificação: livre

Vale a pena ir ao cinema, mas sem mistificar

JOÃO BATISTA NATALI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Em definitivo, não é a mesma coisa assistir a uma ópera numa das 3.800 poltronas do Met, em Nova York, ou acompanhá-la em São Paulo em projeção de cinema. A primeira experiência, anteontem, ofereceu um “Orfeu e Eurídice”, do alemão Christoph Willibald Gluck. Uma produção incrivelmente bela. Mas que, para os paulistanos, foi apenas um filme em cinemascope e som estereofônico.
Qualquer grande teatro de ópera é um espaço em que reverberam as vozes dos cantores e as ênfases da orquestra. A mezzo-soprano americana Stephanie Blythe, 39, interpretou um Orfeu mais para “pesado”, quase como uma das heroínas de Verdi. Tais efeitos não eram integralmente ouvidos. Eram apenas imaginados.
A encenação de Mark Morris é instigante. Orfeu é um personagem da mitologia grega. O apego à verossimilhança traria a cantora (é um papel travesti, desde a primeira versão de 1787) de bata branca. Mas a produção dá à ação uma concepção contemporânea. Orfeu veste um terno negro.
Os 90 cantores do coro permanecem em três andaimes ao fundo da cena. Cada um representava um personagem histórico já morto (a morte é fundamental, já que Eurídice morre, e Orfeu a traz de volta ao mundo dos vivos). Com a pouca iluminação, era impossível identificar os “mortos” em São Paulo, já que a alta definição não era lá tão alta assim.
Espetáculos são concebidos para quem os assistem da plateia. O Met tem uma longa e sólida experiência em transmissões (a de anteontem foi gravada em 24 de janeiro). As de TV começaram em 1948. A edição das imagens captadas é de uma precisão absoluta, sobretudo durante a abertura sinfônica.
Vale a pena assistir às próximas produções, com superlativas qualidades musicais e cênicas. Mas sem mistificar. São apenas filmes.

16/02/2009 - 15:43h Ópera nos cinemas

A primeira das óperas no cinema, domingo passado nas salas de São Paulo, foi um êxito de público. Sala lotada para a transmissão de Orfeu e Eurídice, de Gluck sob a batuta de James Levine, no MET de New York. (nova apresentação prevista terça-feira).

Até maio, outros quatro espetáculos têm exibições digitais previstas em sete cidades brasileiras, sempre aos domingos, com reprise nas terças.
Rio, Santos, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e Porto Alegre são as outras cidades que participam.

A próxima será Lucia de Lammermoor, de Donizetti. Domingo 1 de março. Vale a pena reservar, pois domingo passado a sala estava cheia. A qualidade tecnológica permite uma sonoridade e um visual quase perfeito, alem de ser legendada em português. Reproduzo a seguir algumas informações sobre Orfeu e Eurídice, assim como um resumo da ópera. Espero encorajá-los a assistir, vale a pena. No final encontrarão uma ária da ópera, alem das já publicadas neste blog no domingo.

No dia 15 de fevereiro, a MovieMobz leva aos cinemas de São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Rio a ópera “Orfeu e Eurídice”, de Gluck, conduzida pelo maestro James Levine e interpretada por Stephanie Blythe e Danielle de Niese .

Os 584 espectadores que lotaram a sessão única da ópera “La Rondine”, de Puccini, na abertura da temporada brasileira do Metropolitan Opera de NY, em 1º de fevereiro, no Cine Odeon Petrobras, no Rio, mostraram que a fórmula de sucesso responsável por levar mais de um milhão de pessoas aos cinemas de 30 países e 850 salas do mundo pode dar certo por aqui também.

No dia 15 de fevereiro, por intermédio da distribuidora MovieMobz e com patrocínio da Ford, os espetáculos em alta definição e som 5.1 estreiam nas telonas de São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e Porto Alegre.

Juntamente com os cinemas do Rio, as cinco capitais exibem a segunda ópera da programação, “Orfeu e Eurídice”, de Christoph Willibald Gluck, conduzida pelo diretor artístico do Met Opera, o maestro James Levine. As vozes principais são da mezzo-soprano Stephanie Blythe, no papel de Orfeu, e a soprano Danielle de Niese, interpretando Eurídice. O espetáculo terá reprise nas seis cidades no dia 17 de de fevereiro.

“A sessão de La Rondine no Odeon, num domingo de sol a pino, comprovou que existe um público fiel e apaixonado por ópera no Rio”, constata Marco Aurélio Marcondes, sócio-diretor da MovieMobz. “Vamos aumentar o número de salas em cada cidade e vamos torcer para que as próximas sessões obtenham o mesmo êxito”, aposta Marcondes.

Mais quatro espetáculos, com exibição sempre aos domingos e reapresentações nas terças-feiras seguintes, compõem a programação da primeira temporada brasileira do Met Opera, que termina em maio: “Lúcia de Lamermoor”, de Donizetti, dia 1/3; “Madame Butterfly”, de Puccini, 22/03; “La Sonnambula”, de Bellinni, 5/4; e “La Cenerentola”, de Rossini, 24/5.

SOBRE ORFEU E EURÍDICE

De Christoph Willibald Gluck
Libreto de Ranieri de Calzabigi
Première mundial: Viena, Burgtheater, 5 de outubro de 1762

Orfeu: Stephanie Blythe
Eurídice: Danielle de Niese
Eros: Heidi Grant Murphy

Condutor: James Levine
Produção: Mark Morris
Set Designer: Allen Moyer
Figurino: Isaac Mizrahi
Iluminação: James F. Ingalls
Coreografia: Mark Morris

O mito do músico Orfeu, que viaja ao mundo inferior para resgatar sua esposa morta, Eurídice, explora as questões mais profundas do desejo, da angústia e do poder (e limites) da arte. Sua história é tema da trilha para ópera mais antiga registrada (Euridice, de Jacopo Peri, 1600) e a ópera mais antiga ainda sendo apresentada (Orfeu, de Monteverdi).

Gluck e seu libretista, Calzabigi, transformaram essa lenda na base de uma obra que almejava mais do que servir apenas de entretenimento – era um novo ideal operístico. Desiludido com o formato inflexível da ópera em seu tempo, Gluck procurou reformular a encenação da ópera com uma visionária e consistente união de música, poesia e dança. Especificamente, ele planejou que os cantores servissem ao drama, e não o contrário. Não há como negar que Orfeu e Eurídice, com sua música de irresistível e transcendente beleza, ajudou a expandir a ideia do público sobre o potencial teatral de uma ópera. Mozart e Wagner estão entre os sucessores de Gluck que admitiram abertamente suas influências dessa visão.

Os criadores

Christoph Willibald Gluck (1714-1787) nasceu na Bavária e estudou música em Milão. Foi nessa cidade que ele se juntou a uma orquestra e aprendeu a arte da produção de uma ópera, inclusive compondo os seus primeiros trabalhos. Gluck viajou extensivamente pela Europa, atraindo estudantes e discípulos para sua filosofia de maior interação entre ópera e teatro.

Após notável sucesso em Londres, Praga, Dresden e especialmente Paris, Gluck realizou seus grandes êxitos em Viena, onde faleceu em 1787.

Seu libretista para Orfeu e Eurídice foi o extraordinário poeta italiano Ranieri de Calzabigi (1714-1795). Graças a uma longa estadia em Paris, Ranieri sofreu influência do teatro francês e compartilhou com Gluck seu ideal de teatro musical. O prefácio de Calzabigi contido no libreto da colaboração seguinte da dupla, Alceste, expressa o ideal dos criadores em reformular a ópera. Na verdade, sem o apoio de Calzabigi, muito do legado atual de Gluck permaneceria desconhecido ao público.

O cenário

A obra é ambientada no interior da Grécia e no mundo inferior mitológico. Na obra, esses ambientes são mais conceituais que geográficos, e a noção de como eles se parecem pode (e certamente irá) variar a cada época.

A música

Gluck conscientemente evitou vocais excessivamente delicados, por considerar que estes comprometiam a dramaticidade da ópera durante a época dos castrati – cantores que sofriam intervenções cirúrgicas antes da puberdade para assim preservarem suas vozes agudas. Os castrati dominavam a ópera de tal maneira que os compositores, segundo Gluck, se sentiam obrigados a comprometer seus talentos para evidenciar suas habilidades técnicas.

Originalmente, ele não dispensou os castrati, mas seus papéis em Orfeu tinham mais a finalidade de causar uma impressão mais dramática e refinada musicalmente (uma “simplicidade digna”, nas palavras de Calzabigi) do que servir de mero exibicionismo vocal. Esse efeito é bem aparente nos dois solos mais notáveis da obra, “Che puro ciel”, no segundo ato e “Che faro senza Eurídice?”, no terceiro. Ambos são árias emocionantes, sem apresentar nenhum momento de exagero. “Che puro ciel” tem como acompanhamento um oboé que é típico da elegância econômica da orquestra durante a trilha. Até mesmo a música dançante é convincentemente apresentada para causar certo efeito perturbador e original, ao mesmo tempo em que mantém uma notável simplicidade.

Orfeu e Eurídice no Met

Orfeu e Eurídice estreou cedo na história do Met: primeiro em uma única apresentação em turnê em Boston em 1885, e em seguida em oito performances na temporada de 1891-1892. Foi também a atração de abertura para a première de Pagliacci, em 11 de dezembro de 1893. Arturo Toscanini era um grande admirador da ópera e a apresentou por conta própria de 1909 a 1914, estrelando a grande contralto americana Louise Homer.

George Balanchine criou uma versão com ênfase na coreografia em 1936, que fora rapidamente substituída por outra em 1938. Risë Stevens estrelou uma outra versão em 1955, que também incluía Hilde Gürden e Roberta Peters, e Richard Bonynge conduziu uma notável produção em 1970, com Grace Brumbry no papel de Orfeu. Quando a ópera foi remontada duas temporadas depois, Marilyn Horne cantou o papel. A produção atual é de Mark Morris, e teve sua estréia em maio de 2007 com James Levine conduzindo e Davis Daniels e Maija Kovalevska nos papéis principais.

Sinopse

Ato I

Cena 1 – Um bosque solitário – o túmulo de Eurídice. Ninfas e pastores lamentam a morte de Eurídice, mordida por uma cobra (Coro: “Ah, se intorno a quest” urna funesta”). Abandonado, Orfeu, marido de Eurídice, junta sua voz ao ritual (“Chiamo il mio ben così”), mas apenas a ninfa Eco responde. Orfeu promete resgatar Eurídice do reino de Hades, o mundo inferior (“Numi! barbari numi”).

Cena 2 – Eros, deus do amor, aparece com a palavra de Júpiter, que, por misericórdia de Orfeu, permitirá que ele desça ao mundo inferior para recuperar Eurídice. Para tornar a provação ainda mais arriscada, Orfeu não poderia olhar na direção de sua amada, ou mesmo explicar porque isso lhe era proibido. Do contrário, ele a perderia para sempre (“Gli sguardi trattieni”). Orfeu concorda e começa a sua jornada.

Ato II

Cena 1 – Os Portões de Hades. Fúrias e fantasmas tentam impedir a passagem de Orfeu para o mundo inferior (“Chi mai dell”Erebo”). Mas seu lamento comove e pacifica as entidades. Ele finalmente tem permissão de atravessar os Campos Elísios.

Cena 2 – Elísio. Orfeu se encanta com a beleza da paisagem (“Che puro ciel, che chiaro sol”). Heróis e heroínas trazem Eurídice para ele (“Torna, o bella, al tuo consorte”). Sem olhar para ela, Orfeu a leva embora.

Ato III

Cena 1 – Um labirinto sombrio. Orfeu conduz Eurídice em direção ao mundo superior, proibido de olhar para ela (“Vieni, segui i miei passi”). Ele não pode explicar o motivo (“Vieni, appaga il tuo consorte!”). Eurídice se desespera com a idéia de uma vida sem o amor de Orfeu (“Che fiero momento”). Aterrorizado, ele volta seu olhar para ela. Eurídice morre novamente. Aflito, Orfeu se questiona como poderá viver sem sua amada (“Che farò senza Euridice?”). Ele decide suicidar-se.

Cena 2

Eros reaparece e paira na mão de Orfeu. Em resposta ao seu amor devoto e profundo, Eros revive Eurídice novamente. Os três retornam à Terra.

Cena 3 – O Templo do Amor. Orfeu, Eurídice, Eros, as ninfas e os pastores celebram reunidos o poder do Amor com música e dança (“Trionfi Amore!”).

Trio “Tendre Amour” (1774 version) from act 3 of C. W. Gluck’s opera “Orphée et Eurydice”. Orphée: Magdalena Kožená Eurydice: Madeline Bender Amour: Patricia Petibon Châtelet, 2000

Orfeu e Eurídice
Anote os cinemas

Rio de Janeiro

Unibanco Arteplex – sala 3
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 21h.
Preço: R$ 30,00

Estação VIVO – Gávea – sala 4
Dia 15.02 às 17:50h.
Preço: R$ 30,00

Estação VIVO – Gávea – sala 1
Dia 17.02 às 21h.
Preço: R$ 30,00

Estação Ipanema
Dia 15.02
Preço: R$ 30,00
SALA 1 às 11h15
SALA 2 às 11h

São Paulo

Cine Bombril – sala 1
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 19h.
Preço: R$ 25,00

Espaço Unibanco de Cinema Pompéia – sala 5
Dia 15.02 às 17h.
Preço: R$ 30,00

Unibanco Arteplex – sala 3
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 20h.
Preço: R$ 30,00

Santos

Espaço Unibanco Miramar – sala 1
Dia 15.02 às 17h.
Preço: R$ 25,00

Belo Horizonte

Espaço Unibanco Ponteio – sala 1
Dia 15.02 às 17h. e 17.02 às 19:30h.
Preço: R$ 25,00

Ubiminas Belas Artes – sala 2
Dia 15.02 às 17h.
Preço: R$ 25,00

Curitiba

Unibanco Arteplex – sala 1
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 19:30h.
Preço: R$ 30,00

Porto Alegre

Unibanco Arteplex – sala 2
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 20h.
Preço: R$ 30,00

Brasília

Cine Academia – sala 3
Dia 15.02 às 17h. e dia 17.02 às 20h.
Preço: R$ 30,00

Casa Park – salas 4 e 6
Dia 15.02 às 17h.
Preço: R$ 30,00

PROGRAMAÇÃO DO ÓPERA NO CINEMA

ORFEU e EURÍDICE
De Christoph Willibald Gluck

RIO DE JANEIRO, SÃO PAULO, BELO HORIZONTE, PORTO ALEGRE, CURITIBA, BRASÍLIA

- Dias 15 e 17 de fevereiro

Regência: James Levine
Estrelada por Stephanie Blythe e Danielle de Niese

LÚCIA DE LAMMERMOOR, de Gaetano Donizetti

- Dias 01 e 03 de março

RIO DE JANEIRO, SÃO PAULO, BELO HORIZONTE, PORTO ALEGRE, CURITIBA, BRASÍLIA E POSSIVELMENTE EM OUTRAS CIDADES

Regência: Marco Armiliato
Estrelada por Anna Netrebko e Rolando Villazón 

15/02/2009 - 13:19h Ópera nos cinemas

Jennifer Larmore canta a ária “Che faro senza Euridice”

Cinema/Sinopses

Com “Orfeu e Eurídice”, ópera nos cinemas chega hoje a três salas de SP

Divulgação
A soprano Danielle de Niese é Eurídice na ópera nova -iorquina

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA SP

Chega hoje a São Paulo o projeto que leva óperas do Metropolitan de Nova York a cinemas do mundo inteiro, que teve estreia brasileira bem-sucedida, no início deste mês, no Rio.
Às 17h, três salas exibem “Orfeu e Eurídice”, de Gluck, com regência de James Levine e Stephanie Blythe e Danielle de Niese no elenco (veja embaixo)).
Até maio, outros quatro espetáculos têm exibições digitais previstas em sete cidades brasileiras, sempre aos domingos.
Rio, Santos, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e Porto Alegre são as outras cidades que participam.
Apesar de a intenção do projeto ser levar os espetáculos ao vivo a mais de 30 países, elas chegarão com atraso de 15 dias ao Brasil, ao menos nesta primeira temporada.

Hoje, às 17h, no Cine Bombril 1, Espaço Unibanco, Pompeia 5 e Unibanco Arteplex. Reapresentação na terça, dia 17, às 20h, no cine Bombril 1 e Unibanco Arteplex 3

Preço: R$25 (Bombril) a R$30 (Pompeia e Arteplex)

09/06/2008 - 23:12h Va pensiero, da Ópera Nabucco de Verdi

METROPOLITAN OPERA HOUSE, MAESTRO JAMES LEVINE

Va, pensiero
Coro dos escravos hebraicos, da Ópera Nabucco de Verdi

Va, pensiero, sull’ali dorate;
Va, ti posa sui clivi, sui colli,
Ove olezzano tepide e molli
L’aure dolci del suolo natal!
Del Giordano le rive saluta,
Di Sïone le torri atterrate…
Oh mia patria s? bella e perduta!
Oh membranza s? cara e fatal!
Arpa d’ôr dei fatidici vati
Perchè muta dal salice pendi?
Le memorie nel petto raccendi,
Ci favella del tempo che fu!
O simile di Solima ai fati
Traggi un suono di crudo lamento,
O t’ispiri il Signore un concento