21/09/2008 - 12:21h Companheiro Eleno Bezerra, presente!

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O Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de SP, Eleno José Bezerra, 52 anos,  morreu ontem em um acidente de carro.

Horas antes tinha participado do comício na zona norte, com Lula e Marta.

O companheiro Eleno assumia também a prêsidencia da Confederação dos Metalurgicos e era um dos principais dirigentes da Força Sindical.

Eleno se engajou de corpo e alma na campanha de Marta. Esteve com ela no Sindicato das Costureiras, na porta da fábrica MWM e em inumeras atividades de campanha.

Uma relação de amizade e companheirismo existia entre Marta e Eleno.

O choque foi imenso e a dor também. Eleno era pernambucano, casado pela segunda vez e tinha dos filhos. Um deles estava junto com ele no acidente, mas saiu com poucos ferimentos.

A perda é grande para os trabalhadores metalúrgicos, para a Força Sindical e para a família.

Para nós também.

Luis Favre

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Nota da Força Sindical

É com imenso pesar que as Diretorias da CNTM - Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, entidades filiadas à Força Sindical, comunicam o falecimento do companheiro Eleno Bezerra, presidente da CNTM e do Sindicato, na tarde deste sábado (20 de setembro).

O velório será realizado no Palácio do Trabalhador, rua Galvão Bueno, 782, Bairro Liberdade, em São Paulo.

Lamentamos o ocorrido e oferecemos aos familiares nossas condolências, bem como nossos mais estimados préstimos.

Biografia

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, e da CNTM (Confederação nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos), Eleno José Bezerra nasceu em 17 de julho de 1956 em Caetés, agreste de Pernambuco, na época município de Garanhuns. É casado pela segunda vez e tem um casal de filhos. Filho de trabalhadores rurais, concluiu o curso primário em Caetés. Junto com três irmãos trabalhou com os pais nas lavouras de feijão e milho e com pecuária. Aos 18 anos veio para São Paulo em busca de capacitação profissional e para continuar os estudos.

Primeiro emprego: Metalúrgica Deca, em 1975, de onde foi demitido em 1979 por participar de greve da categoria. Iniciou sua militância sindical e política em 1978, quando ainda estava na empresa. Já trabalhando na Metalúrgica Rio, nos anos seguintes, participa, como ativista do Sindicato, das lutas políticas pela redemocratização do Brasil, dos movimentos por melhores condições de vida, e começa a se destacar por sua capacidade de liderança nas lutas dos metalúrgicos.

Combativo na defesa de suas idéias, aberto ao diálogo e considerado um bom negociador, é eleito pela primeira vez para a Diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo em 1987, na chapa de Luiz Antonio de Medeiros. Aliado a Paulinho, ajuda a formular e a implementar a política conhecida como Sindicalismo de Resultados e mudanças provocadas pela globalização, que dá grandes vitórias e projeção nacional ao Sindicato. Participou de várias greves pelos direitos trabalhistas, inclusive na ação dos 147% para os aposentados.

Destacou-se como um dos representantes mais ativos do Sindicato, motivo pelo qual é um dos sindicalistas mais procurados para participar de debates sobre temas como Previdência Social, redução da jornada de trabalho, legislação trabalhista, PLR (Participação nos Lucros ou Resultados), mudanças no sindicalismo, geração de empregos, entre outros temas. Em fevereiro de 1996, assumiu a Secretaria-Geral do Sindicato. Conhecendo a fundo a estrutura social, e com sua experiência de lutas nas fábricas, Eleno dá continuidade à política formulada por Paulinho, presidente da Força Sindical, de luta e negociação, firmeza de princípios e diálogo responsável com os empresários e com o governo, no caminho permanente que possibilite a conquista de melhores condições de vida, trabalho, dignidade e bem-estar dos trabalhadores e suas famílias.

Em 1998, foi coordenador da campanha eleitoral que elegeu o diretor do Sindicato Cícero de Freitas a deputado estadual, e Luiz Antonio de Medeiros, então presidente da Força Sindical, a deputado federal. Em 2000, foi um dos coordenadores da vitoriosa campanha eleitoral dos vereadores Raul Cortez e Toninho Campanha. Em 2002, participou da campanha que reelegeu Medeiros a deputado federal e também foi um dos coordenadores da Campanha Salarial que resultou em um dos melhores acordos salariais em relação a outras categorias.

Em 2003, Eleno assumiu a Presidência do Sindicato com o afastamento de Paulinho, que passou a se dedicar mais exclusivamente à atividade política e à Força Sindical. Promoveu a Campanha Salarial Emergencial, deu início aos Ciclos de Debates voltados aos trabalhadores da categoria, Cursos de Formação Delegados Sindicais e o 10º Congresso dos Metalúrgicos, entre outras ações, visando uma maior aproximação com a base e o fortalecimento do Sindicato.

Em 2004, foi coordenador da Campanha Salarial que garantiu a reposição integral da inflação aos salários e um aumento real de 4% para os trabalhadores, bem como da eleição do diretor do Sindicato, Cláudio Prado, a vereador de São Paulo. Em dezembro do mesmo ano, nas eleições sindicais, foi eleito presidente do Sindicato, com 96,2% dos votos.

Em 2005, coordenou novamente a campanha salarial que levou à conquista de mais aumento real de salário para a categoria. Nos dois anos de mandato como presidente do Sindicato, as duas campanhas salariais que conduziu conquistou um aumento real global (acima da inflação) de 7%.

Por sua militância e ações políticas, em 27 de outubro de 2005, Eleno foi eleito, por unanimidade, presidente da CNTM, confederação filiada à Força Sindical que reúne 150 sindicatos e federações de metalúrgicos, que representam 1,2 milhão de trabalhadores no País. À frente da entidade, vinha promovendo diversas ações, entre elas, seminários, encontros, cursos de formação de dirigentes visando a unificação da categoria metalúrgica em âmbito nacional e o fortalecimento das entidades.

09/09/2008 - 09:30h Metalúrgico estimula bancário a obter reajuste real elevado

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A negociação de data-base dos metalúrgicos, que no fim de semana garantiu à trabalhadores de montadoras do ABC reajuste salarial de 11,01%, sendo 3,6 pontos percentuais de ganho real, trouxe ânimo extra aos bancários, que iniciam na próxima semana as negociações de reajustes para a categoria. “Sem dúvida, a conquista dos metalúrgicos reforça nosso argumento”, diz o presidente da Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e coordenador do comando nacional que negocia os reajustes salariais dos bancários, Wagner Freitas.

A categoria, que iniciou ontem a rodada de negociações de cláusulas sociais com os bancos, reivindica um ganho sobre a inflação de 5 pontos percentuais. A proposta será colocada em debate na reunião marcada para o dia 16. A partir daí, as instituições financeiras terão até a data da plenária nacional dos bancários (marcada para 25 de setembro) para aprovar a proposta ou fazer uma contra-oferta. “Caso não haja acordo, também estamos dispostos a deflagrar greve a partir da data da plenária”, diz Freitas. Para o sindicalista, o momento de negociar ganhos reais é este, em que a economia brasileira se expande e dá sinais de que crescerá de forma sustentada. “Essa crença é o que levou as montadoras a aceitarem o repasse.”

A Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar) também trabalha com o objetivo de obter ganhos mais robustos na negociação, que se inicia no dia 19. A categoria, que reúne profissionais das indústrias química, cosmética e de fertilizantes, exige reajuste de 15%, sendo 7% de reposição da inflação, afirmou o presidente da Fequimfar, Danilo Pereira. “As indústrias do setor, como o setor automotivo, tiveram ganhos de produtividade e a idéia é que dividam os ganhos.”

O coordenador da campanha salarial da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antonio de Moraes, também vai exigir da Petrobras, na primeira rodada de negociações que ocorre no dia 16, aumento real de 5%, apoiando-se nas negociações realizadas por outras categorias ao longo do ano. Para o supervisor do escritório regional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), José Silvestre Prado de Oliveira, o reajuste aos metalúrgicos - certamente um dos maiores registrados no ano - reforça o poder de negociação de outras categorias que têm data-base no segundo semestre. “Os metalúrgicos são uma categoria que serve como referência para as negociações de outros grupos”, afirmou.

Mesmo entre os metalúrgicos, a negociação fechada no sábado pelos trabalhadores do ABC serviu de referência para que os trabalhadores da Volkswagen do Paraná endurecessem o discurso. Na semana passada, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba obteve reajuste de 10,1%, sendo 2,6% de ganho real, mas a proposta foi rejeitada pelos trabalhadores da Volks, que querem o mesmo reajuste obtido pelos metalúrgicos do ABC, abono superior aos R$ 1,45 mil oferecidos pela montadora e pagamento dos dias parados, afirmou Sérgio Butka, presidente do sindicato. Em São Paulo, os metalúrgicos do setor de autopeças, funilaria e forjaria também recusaram a proposta das indústrias (8,8% de reajuste, sendo 1,5% de aumento real) para exigir ganho acima da inflação de 3,6%. (CB)

07/09/2008 - 10:58h Lula y su “momento mágico”

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Por: Ricardo Kirschbaum
Fuente: EDITOR GENERAL DE CLARIN

Está convencido del “momento mágico” que vive Brasil. Más que eso, está embelesado de que ese “momento mágico” ocurra en su tiempo y, aunque lo intenta esconder en un tono modesto, que haya sido obra de “este tornero metalúrgico” como él se describe a sí mismo. Lula da Silva está encendido, entusiasmado con el Brasil contemporáneo. Pero, por sobre todo, está decididamente seguro que el futuro próximo mostrará un país distinto, moderno y mucho más justo que el actual. Hasta parece convencido cuando incluye a la Argentina en esos tiempos venturosos que espera ver antes de partir.No es un cumplido la inclusión de Argentina, como no lo fue la elección de un detalle, como su corbata celeste y blanca, que exhibía descuidadamente para que los cronistas tomaran nota, ni la referencia crítica al entrenador brasileño de fútbol, Dunga, por la pobre actuación de su equipo en las Olimpíadas que ganó la Argentina.

Educado, también felicita por eso. En el extenso reportaje que concedió a Clarín, que reproducimos en esta edición y en la de mañana, Lula habló como un hombre siente que puede trascender como la bisagra histórica que puso a su país como una potencia mundial. Habla de los planes, del volumen de la inversión (900 mil millones de dólares), de los pasos que hay que dar para no perder el tren de la Historia. Parece un hombre que se ha desprendido del pasado, de su pasado, pero que no olvida sus orígenes metalúrgicos y de sindicalista.Recuerda que estuvo treinta años en la trinchera de la oposición y de la izquierda. Y que en el poder se dio cuenta que la negociación y la búsqueda radical de acuerdos ha sido más valioso que la crispación y el enfrentamiento, quizás un mensaje al gobierno de un país limítrofe al que no se cansa de llamar socio, aliado. No hay otro camino para Brasil y la Argentina, dice este pernambucano, con un discurso sólido, cuando explica que hay que pensar en la región, más que en agradar a los Estados Unidos o a los europeos.
Cree que si somos internamente fuertes y desarrollados, si estimulamos nuestro potencial sin prejuicio, si trabajamos todos los días como lo hace un tornero o un vendedor ambulante para ganarse el pan, seremos respetados y considerados en el mundo.

Hay voces, sin embargo, más crudas y más duras: Brasil no quiere asociarse con la Argentina; quiere comprarla, dicen otros.Lula recibió a Clarín horas después de haberse reunido con un grupo de cartoneros en Belo Horizonte. Y confiesa en ese ambiente se siente cómodo, con ellos sigue siendo Lula. Es más: planea una gran concentración de los sectores más pobres y desfavorecidos para agradecerles el apoyo y su paciencia en la redistribución de la riqueza que no llega a la velocidad que desearía. No le preocupa la oposición porque, explica, ésta tiene una tarea: evitar que el gobierno tenga éxito. Dice que es comprensible, es la naturaleza de la política: un combate de opuestos que debe resolverse con racionalidad e inteligencia.

Cristina Kirchner estará hoy en Brasilia, en los fastos por la independencia de ese país. Mañana se encontrará con Lula para firmar acuerdos y para mostrarse en un ambiente internacional amistoso, algo que no es frecuente para la Presidenta argentina. Argentina debe decidir qué quiere hacer por sí misma, si convertirse en Canadá agropecuario de su poderoso vecino o buscar un destino de autonomía inteligente, en un mundo y en una región en que las oportunidades se abren muy ocasionalmente.

07/09/2008 - 10:44h Metalúrgicos do ABC fecham acordo e suspendem greve

Sindicalistas aprovam proposta das montadoras
Ernesto Rodrigues/AE

Sindicalistas aceitam reajuste salarial de 11,01% proposto pelas montadores; aumento real é de 3,6%

Rodrigo Petry, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Os metalúrgicos do ABC aprovaram neste sábado em assembléia a proposta das montadoras de reajuste salarial de 11,01%, o que representa um aumento real de 3,6%. “Foi um valor bastante significativo”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre. A categoria ameaçava entrar em greve por tempo indeterminado caso um índice satisfatório de reajuste não fosse atingido.

Além do reajuste, Nobre afirmou que foi acertada ainda a elevação do piso da categoria em 12,6%, que passará de R$ 1.110,00 para R$ 1.250,00. Os metalúrgicos receberão abono em setembro de R$ 1.450,00. “Com o abono, a reposição real chegará a 5%”, afirmou Nobre.

As bancadas patronal e sindical ficaram 18 horas em reunião, até as 4h30 deste sábado. Participaram junto dos metalúrgicos do ABC, os de Taubaté, São Carlos e Tatuí. A proposta foi aceita também pelos trabalhadores do chamado grupo 8, das áreas de metais não-ferrosos, balanças e laminação.

“A expansão da indústria automobilística no último ano nos colocou em condições de buscar esse aumento dos salários”, disse Nobre. Em 2 de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia de posse da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e, em seu discurso, disse aos metalúrgicos que a hora de se lutar por aumentos reais de salário é justamente quando a economia está em crescimento, o que vem acontecendo com o País.

Na segunda-feira, os trabalhadores do setor de autopeças vão se reunir para negociar o reajuste salarial. Essa categoria sempre espera as montadoras para definir seus reajustes.

05/09/2008 - 10:11h Volvo reajusta salário em 10%. No ABC, impasse

Assembléia de metalúrgicos da Teksid do Brasil e da Nemak, em Betim (MG)http://portalctb.org.br/site/images/stories/Imagens/di_greve_mg_metal_teksid_nemak_betim.jpg

Continuam em greve no Paraná trabalhadores de Volks, Renault e Nissan.

Em SP, funcionários pararam por 2 horas

Lino Rodrigues - O Globo

SÃO PAULO e RIO. A onda de paralisações de trabalhadores das montadoras produziu ontem um primeiro resultado. A Volvo aceitou conceder 10% de reajuste linear a seus empregados, a ser pago a partir deste mês, mais abono de R$ 1.500. As duas partes cederam: os metalúrgicos, que pediam 5% só de reajuste real (acima da inflação), e a empresa, que reviu sua oferta de 1,25% para 2,5%. A fábrica da Volvo, na Região Metropolitana de Curitiba, estava parada há três dias. Continuam parados na região os 8 mil trabalhadores de Volkswagen, Renault e Nissan. Ao contrário da Volvo, as três querem que o reajuste seja apenas a partir de dezembro.

O impasse também perdura no ABC paulista, onde paralisações de uma a duas horas interromperam ontem a produção na Ford, na Volks e na Scania. Até as 21h de ontem, representantes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e do Sinfavea (das empresas) continuavam reunidos em São Paulo para tentar um entendimento. De manhã, em assembléias, os trabalhadores decidiram suspender a produção extra para este fim de semana. Eles ameaçam entrar em greve por tempo indeterminado na segundafeira, caso as montadoras não apresentem nova proposta.

A entidade não revela a proposta feita aos empresários. — Acreditamos que as empresas vão oferecer proposta razoável para evitar uma greve que não interessa a ninguém — disse o presidente do sindicato, Sérgio Nobre, antes da reunião.

Os metalúrgicos da Força Sindical (mais de 700 mil no estado de São Paulo) devem engrossar o movimento na próxima semana. Ontem, eles fizeram passeata na Avenida Paulista para entregar a pauta de reivindicações à Fiesp. A campanha envolve 54 sindicatos com data-base em 1ode novembro, e reivindica 20% de aumento salarial e jornada de 40 horas semanais.

A pressão dos metalúrgicos pegou as montadoras com estoques em alta, diz a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O volume de veículos nas concessionárias e na indústria subiu 30% entre julho e agosto, de 23 para 30 dias. Para o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, a alta reflete a acomodação do mercado de carros no país, após sucessivos recordes. As vendas de veículos caíram 15,1% em agosto sobre julho, mas subiram 4% contra igual mês de 2007, atingindo 244,8 mil unidades. Já a produção recuou 1% na comparação mensal e avançou 12,6% na anual. — Você não pode crescer sempre 25% — disse Schneider. Sobre as negociações com os metalúrgicos, ele afirmou: — Acredito na maturidade dos atores (sindicalistas e empresários) e que chegaremos a um ponto de equilíbrio com a expectativas dos trabalhadores.

Protesto no Rio deu um nó no trânsito do Centro

No Rio, metalúrgicos da capital, de Niterói e Angra fizeram manifestação em frente à sede da Petrobras, no Centro, pela construção da plataforma P-62 no estaleiro Mauá, de Niterói. Cerca de 3 mil manifestantes iniciaram a caminhada na Praça XV, dando um nó no trânsito. Segundo sindicalistas, a construção da plataforma pode gerar 2.500 empregos no Rio, mas corre o risco de ser levada para outro estado.

05/09/2008 - 09:14h Sem acordo, metalúrgico ameaça greve geral na 2ª. Inflação pesa nas negociações salariais

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CLAUDIA ROLLI - Folha de São Paulo


DIMITRI DO VALLE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA

Sem chegar a um acordo salarial com as montadoras, os metalúrgicos de Volkswagen, Ford, Scania e Mercedes-Benz decidiram suspender a realização de horas extras e a produção no final de semana para pressionar os fabricantes de veículos a negociarem um aumento real “razoável”. Se não houver acordo até amanhã, a categoria pode fazer greve geral a partir de segunda-feira.

A medida vale para os trabalhadores do ABC de outras empresas que também estão em campanha salarial, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (CUT). Ao menos 10 mil empregados da Volkswagen, Ford, Scania e autopeças de Diadema paralisaram em até duas horas as atividades ontem.

As paralisações, concentradas na entrada dos turnos da manhã, não afetaram a produção, segundo as montadoras.

No Paraná, base da Força Sindical, cerca de 8.000 metalúrgicos da Renault/Nissan e Volkswagen/Audi decidiram ontem manter a greve em São José dos Pinhais. A paralisação completa hoje cinco dias.

Até a noite de ontem, representantes das montadoras do ABC e dos trabalhadores estavam reunidos na sede do Sinfavea (sindicato dos fabricantes de veículos) para tentar chegar a um acordo.

“As montadoras têm até sábado [amanhã] para apresentar um proposta decente, caso contrário a greve será por tempo indeterminado a partir de segunda-feira. O que foi oferecido está longe do razoável”, afirma Sérgio Nobre, presidente do sindicato da categoria no ABC.
“Na negociação, pensamos a longo prazo e não apenas no atual momento da indústria, assim como as decisões sobre investimento. Temos de pesar também as condições competitivas da indústria no cenário internacional e nos impactos de qualquer aumento de custo”, diz Jackson Schneider, presidente da Anfavea (fabricantes). “Estamos abertos à negociação e acredito na maturidade dos atores nesse diálogo.”
Os sindicalistas não divulgam o índice de reajuste pretendido no ABC, mas já descartaram a proposta feita anteriormente de 1,25 ponto percentual de aumento acima da inflação.

No ano passado, o aumento real nos salários chegou a 2,5 pontos acima da inflação. A indústria automobilística encerrou o ano com 2,34 milhões de automóveis e comerciais leves emplacados -melhor resultado dos últimos dez anos. Nos oito primeiros meses deste ano, os licenciamentos já alcançaram 1,94 milhão de unidades -26,4% de aumento sobre mesmo período de 2007.

“Uma parcela do crescimento do setor tem de ir para o bolso do trabalhador. Não estamos pedindo 20% de aumento real.

Sem acordo, vamos cortar as horas extras”, diz Moisés Selerges, diretor do sindicato.

Na Mercedes-Benz, os metalúrgicos estimam que 400 caminhões e ônibus deixarão de ser produzidos no final de semana. Anteontem, outros cem já deixaram de ser fabricados com uma paralisação.

Os metalúrgicos ligados à Força Sindical fizeram passeata e manifestação ontem pela manhã em frente ao prédio da Fiesp (federação das indústrias), na avenida Paulista. Para a central, a adesão foi de 5.000 trabalhadores representados por 54 sindicatos paulistas. Para a PM, foram cerca de 1.500.

“Os 20% de reajuste que pedimos foi calculado com base na produtividade que o setor teve e na inflação que tem de ser reposta”, diz Eleno Bezerra, presidente do sindicato da categoria em São Paulo e da confederação nacional da Força.

No Paraná, os trabalhadores rejeitaram contraproposta das empresas de reajustar os salários em 10% -sendo 2,5 pontos percentuais de aumento real.

Os grevistas pedem o dobro.

Já os 2.700 funcionários da Volvo (Curitiba) aceitaram a proposta patronal e receberão 10% mais abono de R$ 1.500. O sindicato da região informa que cerca de 6.600 veículos deixaram de ser fabricados desde o início da paralisação. Colaborou KAREN CAMACHO, da Folha Online

 

 

Cai o número de acordos salariais que não têm perdas

Marcelo Rehder - O Estado de São Paulo

A escalada da inflação atrapalhou a campanha salarial das categorias com data-base no primeiro semestre. O resultado das negociações foi o pior dos últimos três anos, segundo levantamento divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

De um total de 309 acordos analisados pela entidade, 86% conseguiram zerar as perdas com a inflação ou garantir aumento real de salário na primeira metade do ano. O número é menor que os apurados nos acordos fechados em igual período de 2006 e de 2007 , que ficaram próximos de 97%.

“O repique na inflação dificultou as negociações, principalmente em setores que sofrem a concorrência das importações, que ficaram mais baratas por causa da valorização do real em relação ao dólar”, disse Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Dieese.

Segundo ele, as empresas continuam a obter ganhos expressivos de produtividade, mas o aumento da inflação reduz a margem de manobra para alguns setores concederem aumentos reais sem repasse para os preços. “Os trabalhadores são os que mais perdem com a inflação, pois sofrem arrocho salarial e têm o poder aquisitivo corroído ainda mais pela inflação futura”.

Apesar de inferior ao dos últimos dois anos, o resultado das campanhas salariais de 2008 foi o terceiro melhor para um primeiro semestre desde 1996, quando a pesquisa passou a ser feita.

De acordo com o Dieese, 74% dos acordos firmados na primeira metade deste ano garantiram aumento real de salários. O porcentual é menor que o verificado nos últimos dois anos: 84% e 87%, pela ordem. A proporção de acordos que não conseguiram sequer repor as perdas com a inflação aumentou de 3%, em 2007, para 14%, agora.

As empresas do setor industrial foram as que concederam maior número de aumento de salários acima da inflação, com 81% das negociações. Em seguida ficou o comércio, com 80%, e os serviços, com 64%.

04/09/2008 - 10:52h Greve por salário paralisa montadoras

Trabalhadores aprovando estado de greve no pátio da Ford

Cibelle Bouças - VALOR

Na segunda-feira, 8 mil metalúrgicos do Paraná que trabalham nas montadoras Volkswagen, Renault e Nissan fizeram uma paralisação de 24 horas em resposta à falta de uma nova contraproposta de reajuste salarial pelas empresas, prazo que foi estendido em 48 horas e, na ausência de uma nova oferta das montadoras, será convertida em greve por tempo indeterminado. Ontem, no Estado de São Paulo, 14,2 mil metalúrgicos fizeram paralisação de 24 horas em cinco fábricas, para forçar as indústrias a reverem suas propostas de reajuste salarial, cuja data-base é setembro - em um dos casos, com ameaça de greve por tempo indeterminado, dependendo da proposta feita pelas indústrias.

O risco de greve de cunho nacional - estratégia adotada pela última vez pela categoria em 2001 e substituída em anos recentes pelas chamadas greves-pipoca, localizadas e de curta duração - parece ter voltado a rondar as montadoras. Não existe um acordo entre Conlutas, Intersindical, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical para criar um movimento de paralisação unificado mas, individualmente, essas lideranças sindicais seguem a mesma estratégia. E um ponto que deve preocupar as montadoras: a paralisação feita ontem na Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo (SP) por 3 mil metalúrgicos com indicativo de greve por tempo indeterminado pode estimular a disseminação do movimento no ABC Paulista, que não passa por uma greve por reajuste salarial desde 2003.

“Com a paralisação, os trabalhadores estão mandando um recado. A intensidade dos protestos só vai aumentar se não houver avanço nas negociações”, disse Moisés Selerges, diretor-executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A paralisação na Mercedes foi feita em desagravo à proposta do Sindicato dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea) de aumento de 1,25 ponto percentual sobre a inflação - menos da metade do reajuste acordado em 2007 e aquém do pedido dos metalúrgicos neste ano, de 5% de ganho real.

Na manhã de hoje, sindicalistas realizam assembléias na porta das fábricas da Volkswagen, Ford e Scania para discutir a possibilidade de paralisações nessas montadoras. Ontem, a Mercedes deixou de produzir 150 veículos e, no fim de semana, outros 400 deixarão de ser fabricados, já que os trabalhadores decidiram paralisar os três turnos extras implantados no fim de semana, para a acelerar a produção das linhas 2009. No fim de semana, 9 mil metalúrgicos da montadora deixarão de trabalhar em São Bernardo do Campo.

As greves ocorrem no primeiro momento do ano em que a euforia crescente trouxe sinais de acomodação. De janeiro a julho, as montadoras produziram 2,01 milhões de veículos, volume 21,8% superior ao de igual período do ano passado. Em licenciamentos (vendas internas), o aumento chegou a 30%, também na comparação com os primeiros oito meses de 2007. Depois desse forte avanço, contudo, as vendas de agosto mostraram um crescimento mais tímido em comparação com o mesmo mês de 2007, de 4,05%. A indústria já esperava índices menores (por causa da base de comparação mais forte), mas o resultado veio abaixo do esperado e, junto com o aumento de estoques (com a média de veículos disponíveis para venda passando de 216 mil para 250 mil unidades), acendeu sinais de alerta no setor.

Enquanto os metalúrgicos miram os resultados até julho para ancorar seu pedido de aumento real de 5%, as montadoras usam agosto e as recorrentes notícias de que o governo pode adotar medidas para conter o financiamento de automóveis para justificar a cautela e oferecer 0,5% de aumento real. Neste ano, ao contrário de outros momentos, os metalúrgicos têm a seu favor a recuperação do emprego. Dados da Anfavea mostram que, em julho, as montadoras estavam empregando 129,4 mil metalúrgicos, número 13% superior ao de igual mês de 2007.

No Paraná, por conta da paralisação iniciada segunda-feira, a Volkswagen-Audi deixou de produzir cerca de 1,7 mil automóveis. Na Renault, a perda foi de 1,6 mil veículos, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. Uma unidade da Volvo ficou parada por 24 horas e voltou a operar terça-feira, à espera de uma nova proposta até hoje. “Se não houver proposta, o movimento vai se encaminhar para a greve por tempo indeterminado a partir de quinta-feira [hoje]”, afirmou Sérgio Butka, presidente do sindicato.

No interior paulista, a estratégia dos sindicatos está concentrada nas greves-pipoca. Ontem, na região de Campinas, metalúrgicos das montadoras Honda (3.500), Toyota (1.900) e Mercedes Benz (800) realizaram paralisação de 24 horas. “Nos últimos anos, adotamos a greve-pipoca como estratégia. Estoura aqui e ali e logo todos voltam a trabalhar. Mas passou a ser importante ampliar esse movimento porque os empresários estão muito resistentes a aceitar as propostas dos metalúrgicos”, afirmou Eliezer Mariano da Cunha, diretor do sindicato de Campinas.

Na segunda-feira, a metalúrgica Wirex Cable, do setor de eletroeletrônicos, ficou parada. Ontem, foi a vez dos 5 mil metalúrgicos da General Motors. A paralisação afetou a produção de 950 a 1 mil veículos. Hoje, disse Vivaldo Moreira Araújo, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, outras empresas terão sua atividade parada sem aviso prévio. “Cada dia será uma fábrica. E se o patronato não melhorar a proposta, não vamos ter outra opção que não seja a greve por tempo indeterminado”, afirmou Moreira. Os metalúrgicos do interior de São Paulo pedem aumento real de 9,17% e garantia de gatilho salarial quando a inflação atingir 3% em 12 meses. A última proposta feita pelo Sinfavea foi de 1,25% de aumento real. Procurada, a assessoria de imprensa da entidade informou que não comenta detalhes das discussões com os trabalhadores.

13/08/2008 - 17:43h Fundador do PT volta ao partido e reforça campanha de Marinho em São Bernardo

03.mar.2003/Folha Imagem
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Soares disse que lamenta saída do PSB mas volta contente ao PT após 14 anos

 

REGIANE SOARES da Folha Online

Ex-prefeito de São Bernardo (Grande São Paulo) por três vezes e um dos fundadores do PT, o advogado Maurício Soares volta nesta quarta-feira para os quadros petistas após romper com o comando do PSB na cidade. Agora oficializa seu apoio para o ex-ministro Luiz Marinho (Previdência), que disputa a prefeitura pelo PT.

O ex-prefeito será recebido em uma festa hoje à noite em um dos mais tradicionais restaurantes da cidade que contará com a presença de Marinho. A filiação será um dos atos da campanha petista.

“Volto ao PT depois de 14 anos e ajudando o Marinho. Estou contente em poder ajudar”, disse o ex-prefeito, que saiu do PT 1994 acusado de ter traído o partido por não ter apoiado o candidato a prefeito indicado pela Executiva Municipal.

Soares já trabalhava extra-oficialmente na campanha de Marinho há pelo três meses, quando começou a disputa interna pela indicação do sucessor do prefeito William Dib (PSB). O ex-prefeito havia recebido a promessa de Dib de ser indicado para a disputa tendo o deputado Orlando Morando (PSDB) como vice. Mas depois o tucano decidiu se candidatar e Soares perdeu o apoio de Dib.

“Houve uma encrenca grande com o Dib, que me designou como seu sucessor e o Orlando como vice. No fim, o Orlando decidiu se candidatar e, embora o Dib fosse do meu partido, apoiou o Orlando e eu fiquei sozinho”, disse Soares.

A briga em São Bernardo foi parar na Executiva Nacional do PSB. Soares entrou com recurso questionando o fato de o PSB, que faz parte da base de apoio do governo federal, ter se coligado com o PSDB, que faz oposição. “Até hoje ninguém me respondeu”, afirmou.

Soares assumiu seu primeiro mandato em 1989 pelo PT. Ao deixar o governo, em 1992, reassumiu o cargo de advogado do Sindicato dos Metalúrgicos e fui surpreendido com uma carta de demissão, entregue por Luiz Marinho. Já no PSDB, voltou a administrar a cidade de 1997 a 2000, quando foi reeleito.

O ex-prefeito disse que lamenta a disputa com o PSB e com Dib, que foi seu vice quando administrou São Bernardo entre 2001 e 2003. Na ocasião, Soares alegou problemas de saúde e renunciou ao mandato, deixando o cargo para o socialista.

“Brigas não fazem bem pra alma da gente, Fico magoado, mas são águas passadas”, disse o agora petista, que pretende transferir seu prestígio político para Marinho.

“Não sei o quanto eu posso transferir o meu patrimônio político. Talvez não consiga transferir tudo, porque voto é muito pessoal. Mas vou trabalhar para isso”, afirmou.

William Dib disse por meio de sua assessoria que não vai comentar a saída de Soares do PSB porque foi uma decisão pessoal.

Marinho disse que Soares é um líder histórico em São Bernardo que vai agregar valor à sua campanha. “Pra mim é um motivo de grande alegria [ter o Maurício no PT]. É como um filho que andou por outros partidos. Creio que ele pode ajudar muito, porque é uma grande referência na cidade”, afirmou o petista.

02/08/2008 - 21:06h Lula diz que fará campanha para Marta e Luiz Marinho

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Lula diz que fará campanha de candidatos do PT

Plantão | Publicada em 02/08/2008 às 19h24m

Adauri Antunes Barbosa - O Globo

SÃO BERNARDO DO CAMPO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste sábado, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, que vai participar da campanha dos candidatos a prefeito do PT da região e também dos comícios em favor da candidata petista em São Paulo, Marta Suplicy.

- Quero dizer para vocês que terei imenso prazer de estar com a imprensa nos comícios que eu vou fazer para os candidatos do PT aqui na região, nos comícios que eu vou fazer para a companheira Marta em São Paulo. Não pensem que eu não vou fazer, porque eu vou fazer. Não hoje, porque hoje o rei da festa é o Sérgio Nobre, que está tomando posse - disse ele, durante a posse da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Marta Suplicy e o ex-ministro da Previdência Luiz Marinho, candidato a prefeito de São Bernardo pelo PT, participaram do evento ao lado de Lula.

Em seu discurso, o presidente reafirmou ainda que fará seu sucessor:

- Estejam certos, da mesma forma que eu quero eleger meus companheiros prefeitos daqui, pessoas com quem eu tenho história, afinidades, compromisso ideológico, quero dizer para vocês, escrevam: eu vou fazer a

minha sucessão nesse país e vamos eleger uma pessoa da nossa confiança para dar seqüência a tudo o que nós fizemos, para criar mais empregos do que eu, para tratar dos pobres melhor que eu, para tratar os trabalhadores

melhor que eu - afirmou.

Durante o discurso de meia hora, realizado em um ginásio de esportes da Ford, Lula lembrou que havia dito, em seu discurso de posse, de 2003, que não poderia errar.

- Quando tomei posse em 2003 eu dizia; ‘eu não posso errar’. Qualquer presidente pode errar. O cara erra, fica quatro anos, vai embora para o exterior dar aula. (…) Eu não posso errar. Se o rico erra é normal, se o intelectual erra é normal, mas se o peão erra eles vão dizer que o peão não está preparado. E vai levar mais 500 anos para a gente fazer outro peão presidente da República desse país. E nós não temos o direito de permitir que isso aconteça - disse ele, que não fez menção a nomes de outros presidentes.

Lula fez ainda criticas à imprensa, tomando como exemplo a notícia de que o

crescimento da produção da indústria foi de 6,3% no primeiro semestre, o melhor resultado para o período em quatro anos.

- A indústria cresceu 6,3%. É um número muito significativo. Hoje eu peguei os quatro jornais mais importantes do país, só um deu na primeira página. Só um. Se fosse matéria negativa, todos teriam dado. Todos. Mas não tem problema. Eu confio no leitor brasileiro. Confio nas pessoas que compram jornais, que compram revistas, que vêem televisão, que vêem comentaristas. Acredito na capacidade de discernimento das pessoas. Quando é verdade as pessoas sabem que é verdade. Quando é mentira as pessoas sabem que é mentira. Quando é má-fé as pessoas sabem que é má-fé - disse o presidente.

22/07/2008 - 10:03h ABC e D: 40% dos postos de trabalho recuperados e novos horizontes para a região

ABC recupera vigor, mas perde poder sindical

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Marli Olmos e Raquel Landim, de São Paulo, São Bernardo do Campo e Diadema - VALOR

Regiane Maria da Silva, 22 anos, casada, trocou de emprego no começo do ano e está trabalhando na linha de montagem da Federal Mogul, em Diadema. Passam por sua mãos 220 faróis de moto por hora. O trabalho é corrido, mas ela não reclama. Regiane aproveitou as contratações da indústria automotiva para ganhar mais. Com a mudança, o salário aumentou 25%, para R$ 926. Ela conta que utiliza o dinheiro extra para pagar dívidas, comprar roupas e passear com o filho, Gustavo - um luxo praticamente impossível antes.

A operária ocupa uma das mais de 22 mil vagas abertas na base metalúrgica que abrange São Bernardo do Campo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra nos últimos cinco anos, período em que o nível de emprego nesse setor industrial na região do ABC paulista voltou a crescer.

Desde 2003 a categoria metalúrgica dessas cidades recuperou em torno de 37% dos postos de trabalho perdidos na década de 90. Os números oficiais serão divulgados pelo sindicato hoje. O último dado oficial da entidade mostrava 97,6 mil trabalhadores em março. Como a média de abertura de novas vagas está em mil empregos por mês, a categoria dessa base já passa de 100 mil.

A capacidade de o ABC voltar a criar empregos e atrair investimentos, inclusive como berço de novos projetos de veículos, coincide, porém, com um momento de enfraquecimento político daquele que já foi o principal sindicato do país e onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou a atividade de líder sindical.

Disputas de poder moldaram um novo mapa na representação dos trabalhadores. O grupo de São Bernardo, onde nasceu o Partido dos Trabalhadores (PT) e seu braço sindical, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), perdeu em agosto do ano passado uma parte importante da base. Depois de uma disputa na Justiça, que se estendeu de 1996 a agosto do ano passado, a Força Sindical tomou o controle da base de Santo André.

Para evitar que o impasse se arrastasse ainda mais na Justiça, os sindicalistas resolveram fazer uma partilha da base de forma consensual. O grupo de São Bernardo continuou com Diadema e levou mais dois pequenos municípios: Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. A turma de Santo André ficou com Mauá e mais um prédio de treinamento que também estava na disputa.

A Força Sindical comanda também o Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, que há anos está totalmente descolado do resto do movimento sindical da região. Outro ponto de enfraquecimento é que, uma vez feita essa divisão de grupos, surgiram três datas-base na região: agosto, setembro e novembro, o que, por si só já contrapõe com as históricas mobilizações que reuniam milhares dentro de um estádio durante as negociações trabalhistas dos tempos de Lula.

Dessa forma, a entidade que leva o nome Sindicato dos Metalúrgicos do ABC representa cada vez menos o ABC, apesar de ser a maior entidade, a mais estruturada e a mais afinada com as poderosas comissões de fábrica, especialmente das montadoras.

Os sete municípios que compõem o ABC têm, juntos, mais de 140 mil trabalhadores. O atual presidente do Sindicato do ABC, José López Feijóo, argumenta que a sua base é a maior. De fato, essa entidade é dona de 72% da categoria na região, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), subseção ABC. Santo André e Mauá, a segunda maior base, reúne 23 mil.

No próximo dia 2, Feijóo será substituído por um novo presidente, Sérgio Nobre, um empregado da Mercedes-Benz. Nobre tem a própria história ligada aos momentos de crise na região. Seu pai trabalhou na Brastemp , uma das empresas que desistiram da região na década de 90 e ele, aprendiz do Senai, começou a trabalhar na indústria automobilística quando só se falava em demissões .

As empresas que não desistiram do ABC hoje crescem junto com a região. José Carlos Ferreira Catib, diretor geral da ZF Sachs, uma multinacional do setor de autopeças, conta que a empresa chegou a cogitar a possibilidade de sair da região 15 anos atrás. Na época, pesavam a ação sindical e os custos, afirma Catib. “Mas a mudança nessa postura sindical nos levou a ficar”, destaca. “Os sindicalistas perceberam que tinham que atuar em conjunto com as empresas”, destaca.

Do seu lado, os sindicalistas dizem que as empresas também mudaram. “Antigamente as empresas não aceitavam sequer receber uma pauta de reivindicações e, por isso, tínhamos que partir logo para a greve”, destaca Adilson Torres dos Santos, diretor do Sindicato de Santo André.

Catib lembra que a região tem mão-de-obra qualificada e proximidade do porto de Santos. Mas o que freia um pouco esse crescimento é o esgotamento da capacidade. A própria ZF instalou uma nova unidade em Araraquara, no interior paulista, porque precisava ampliar a produção.

Em São Bernardo, a ZF faz componentes de embreagem , que são, posteriormente montados em Araraquara. Dali, as peças seguem para as montadoras do Brasil e do exterior. Qualquer paralisação pode pôr a perder essa sintonia.

“O setor automotivo é a porta na nossa cadeia produtiva. Ainda é o alicerce da economia”, diz Fernando Longo, secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de São Bernardo. Ele recebe solicitações diárias de empresas procurando área livre para se instalar na cidade, mas ressalta que é bastante complicado.

Graças aos novos empregos, a região voltou a crescer e atrair investimentos imobiliários e do comércio. Dimitrios Markakis, presidente da Dicico, está investindo na região do ABC paulista. Ele instalou uma loja em Diadema em 2007 e vai abrir outra em São Bernardo este ano. Em 2009, será a vez de Santo André. O executivo encomendou pesquisas sobre a região e, apesar do alto custo dos imóveis, a indicação é de retorno positivo, porque o potencial econômico é promissor.

“Quando abrimos uma loja, não podemos errar, porque o custo chega a R$ 12 milhões”, diz. Markakis avalia que, com o boom do setor automotivo, a tendência é de melhora do poder aquisitivo. Ele não duvida de que será seguido pelos concorrentes em breve. “Provavelmente todos os grandes varejistas de material de construção estarão em todas as cidades do ABC”.

Com 100% de ocupação nas lojas e alta de 14% nas vendas em 2007, o ABC Plaza Shopping, em Santo André, faz planos de ampliação. Segundo Márcia Pacheco, gerente de marketing do shopping, serão construídas mais 86 lojas - quase um terço das atuais 305. A incorporadora Cyrella vai investir R$ 30 milhões no projeto. “Com o boom imobiliário, as pesquisas detectaram a necessidade de novas lojas”, diz Márcia. Ela explica que o objetivo não é elitizar o shopping, cujo público majoritário é das classes B e C, mas atender à sofisticação nos hábitos de consumo.

Augusto Toldo, diretor e um dos donos da Super Mad, varejista de madeiras, está em São Bernardo desde 1951. Hoje a rede possui sete lojas no Estado. “O ABC sempre foi o carro-chefe, porque temos tradição aqui”, diz. Toldo se lembra das crises econômicas, mas afirma que sempre acreditou na região e agora está mais animado com o crescimento da construção civil nas cidades do ABC paulista.

O carinho com o ABC não impede que o empresário tente a sorte em outros lugares, mas sempre atento à movimentação das montadoras. Toldo tira da gaveta uma matéria de jornal recortada sobre a fábrica da Toyota em Sorocaba. “Veja isso. Vai gerar muito emprego. Nós vamos para lá no ano que vem”, diz.

Uma conseqüência do crescimento econômico é o aumento de arrecadação e folga no caixa das prefeituras do ABC para investir. Entre 2000 e 2007, o repasse estadual de ICMS aumentou 85% para Santo André, 53% para São Bernardo, 119% para São Caetano e 72% para Diadema, conforme dados da secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

Fábio Piangentini, secretário de Desenvolvimento Econômico de Santo André, afirma que a prefeitura investiu R$ 28 milhões em um complexo viário para reduzir o trânsito na cidade e facilitar a logística para as empresas. Além disso, a cidade vai inaugurar um novo hospital na periferia, voltado para a saúde da mulher.

22/07/2008 - 09:31h ABC e D: em expansão, região já dispensa o título de “Detroit brasileira”

Divulgação
A imagem “http://home.dgabc.com.br/quemequem2007/images/ford3.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

De São Paulo - VALOR

Houve um tempo em que todas as previsões seguiam na mesma direção: com características semelhantes às da cidade do Estado de Michigan onde nasceu a linha montagem, a região que abriga o pólo automotivo do ABC estaria igualmente fadada ao lento e doloroso processo de esvaziamento por que passa a cidade onde estão os fabricantes de veículos americanos. Seria, no entanto, injusto hoje chamar o ABC de “Detroit brasileira”.

Resultado ou não do fim da guerra fiscal ou da mudança da conduta sindical na região, uma significativa parcela dos investimentos da poderosa indústria automobilística se voltou para o lugar que a fez surgir, na década de 50. No último ano, Volkswagen, Ford e General Motors, três dos quatro maiores fabricantes de automóveis do país, reforçaram investimentos e anunciaram novos modelos de carros nas fábricas da região. No caso da Volks e da Ford, os anúncios vieram acompanhados de acordos com o sindicato de São Bernardo autorizando flexibilidade em benefícios trabalhistas e na carga horária para ajudar na redução dos custos.

Somente no ano passado, a Volks abriu 1.216 vagas em São Bernardo, pondo um ponto final no desgastante episódio que um ano antes quase levou a empresa a encerrar atividades naquela unidade. No início deste ano, a Mercedes-Benz, anunciou a contratação de 500 trabalhadores para sua fábrica de caminhões, também em São Bernardo, nos primeiros sete meses do ano. Desde maio de 2007, foram mil novas vagas somente nessa empresa.

No mês passado, foi a vez da Ford anunciar a contratação de 400 empregados, o que representa um crescimento de cerca de 50% na força produtiva da fábrica de caminhões, também em São Bernardo, para conseguir dar início ao segundo turno de produção a partir do início do próximo ano.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), 53% dos metalúrgicos da base que abrange São Bernardo, Diadema, Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires, trabalham em montadoras e empresas de autopeças.

O ABC chegou a ter 228,8 mil metalúrgicos, quase 40% mais do que hoje. E é certo dizer que a região quase seguiu mesmo o caminho de Detroit. Há uma década, bairros que no passado abrigavam uma pujante indústria de autopeças, exibiam galpões vazios.

No início da década de 90, tornou-se uma rotina comum na região a saída de fábricas de áreas que, na seqüência foram ocupadas por supermercados ou shopping centers, incluindo aí o espaço da unidade da Villares em que o presidente Lula trabalhou.

Os investimentos que montadoras e seus fornecedores fazem hoje na região ajudam a incrementar os níveis de emprego. Mas, ao mesmo tempo, há uma parcela significativa de filiais dessas mesmas empresas no interior paulista. Se no passado, o movimento do ABC para o interior acontecia como resultado de relações trabalhistas menos cordiais, hoje as expansões nas fábricas do interior decorrem da falta de espaço no ABC paulista.

Isso já se reflete nos números de emprego. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), a participação do interior paulista no efetivo do setor subiu de 25,5% há uma década para 34,7% no ano passado. Ainda assim, o cenário do ABC está muito distante do que se vê na sombria Detroit. (MO)

03/07/2008 - 20:04h Debate em Carta Maior

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Gilson Caroni Filho - Carta Maior

Fossem outros os tempos e esse lembrete talvez fosse totalmente desnecessário. A distorção vista nas primeiras páginas dos jornais de hoje, 1º de julho de 2008, sobre os dados da pesquisa CNI/IBOPE, é a repetição de um exaustivo exercício da imprensa brasileira. A avaliação do governo por área de atuação cai como luva para manchetes como a do Jornal do Commercio, de Pernambuco: “Inflação assusta 65% dos brasileiros”. O padrão de ocultamento é acintoso.

Recriando a realidade do seu jeito e de acordo com seus interesses político-partidários, o jornalismo reafirma, de forma inequívoca, sua instrumentalidade na luta das classes dominantes. Mostra que, tal como os partidos conservadores, os jornais procuram conduzir a sociedade de acordo com seus interesses históricos. E, nesse marco, operam toda sorte de deslocamentos semânticos possíveis. Ficar atentos a critérios interpretativos da grande imprensa, ao invés de endossá-los prontamente, é o mínimo que se pede a quem se supõe dotado de consciência crítica.

Um dos exemplos mais emblemáticos de descontextualização instrumental foi uma polêmica declaração de Lula, em 2006. Em uma entrevista, concedida no primeiro dia de campanha eleitoral, o presidente afirmou: ”eu nunca fui esquerdista. Quando alguns companheiros meus americanos, europeus, me chamavam de esquerdista, aqui no Brasil eu era chamado de agente da CIA pelo Partido Comunista Brasileiro e de a muleta da ditadura pelos trotskistas”.

Foi o bastante para que, sem qualquer mediação analítica, os detratores tanto à esquerda como à direita decretassem que aquelas palavras confirmavam o que já se sabia. Lula e o Partido dos Trabalhadores converteram-se após as eleições de 2002, respectivamente, numa liderança demagógica e em um partido conservador. Ações e retórica não deixavam dúvida: o país foi vítima de um escandaloso estelionato eleitoral.

Deixando-se levar pelo senso comum midiático, notórios acadêmicos e militantes conhecidos viram nas palavras do presidente o sinal de que antigas bandeiras tinham sido, definitivamente, jogadas ao chão. Uma necessidade de “requalificar a base” na ânsia de se livrar do próprio passado para ingressar no campo conservador estava em andamento.

Aos refinados críticos de esquerda faltou o essencial, a busca do nexo dialético que embasa o discurso de lideranças políticas. Sem isso, por deficiência ou má-fé, embica-se na direção da crítica política miúda, do dia-a-dia, desprovida de qualquer alcance histórico efetivo. Um convite às páginas amarelas da revista Veja.

Seria de bom tom, antes de acionar as metralhadoras giratórias contra Lula, ver o que ele concebia como “esquerdismo”, ainda mais que havia menção explícita a duas correntes políticas: o antigo Partidão e organizações trotskistas.

Se aceitarmos que a justificativa histórica do socialismo está balizada pela democracia, cumpre indagar, como fez Hebert de Souza, em artigo publicado nos anos no JB, nos anos 1990 quando “a esquerda fez uma crítica global da realidade brasileira sob o prisma da democracia?” A capacidade de compreensão do desenvolvimento do capitalismo periférico foi acompanhada de uma história política que tivesse na ampliação do regime democrático sua questão central? Ou, por atuar em formação social adversa, a esquerda não assimilou um caldo de cultura tão autoritário quanto o da direita que combatia?

Antes de fazer coro com quadros conservadores que reverberam os interesses da elite em conhecidas colunas, seria o caso de investigar se tivemos uma tradição, no campo da esquerda, de contemplar a democracia como valor permanente ou se a enxergamos como “momento tático” que precede à tomada do Palácio de Inverno?

Talvez seja o caso de recorrermos ao pensamento de Togliatti que sempre chamou a atenção para o perigo de compreendermos democracia progressiva ” como mera tática manipuladora, a ser abandonada no momento em que fossem criadas as condições para o “grande dia” .

Quem viveu sob o tacão do centralismo burocrático ou teve contato com organizações que, até hoje, acreditam que é possível uma transformação política levada a cabo por uma minoria, sem o apoio das grandes massas, há de entender o sentido preciso do “esquerdismo” a que aludia o presidente. Pois, se a democracia é atacada por uma elite que odeia o povo concreto, sua situação não é menos frágil quando a ação é comandada por uma esquerda que ama um povo idealizado, que só existe em velhos manuais.. Em ambos os casos, as possibilidades de superação são nulas.

Ao contrário do que afirmam seus críticos, Lula mantém profunda coerência com seu discurso da época em que era liderança sindical. Em depoimento concedido, em 1984, à revista Retrato do Brasil (Editora Brasil), o então metalúrgico afirmava textualmente:

“Embora eu ache que o socialismo seja a saída para os problemas do país, e não só do país, mas de todo o mundo, há uma questão que impede que eu me aprofunde mais nessa discussão: hoje há problemas mais prementes para serem resolvidos, hoje seria necessária uma política de amplo emprego, uma política salarial, uma reforma agrária ou assentamento das pessoas na terra para ter acesso ao trabalho, uma política de habitação, uma política educacional e muitas outras coisas que são necessárias para o povo continuar brigando. Com fome é muito mais difícil(…) Mas fazer esse povo discutir o socialismo é muito difícil ainda, porque o que acontece normalmente é que quem tem as idéias prontas na cabeça tenta enfiá-las pelas goelas dos trabalhadores, quando o necessário seria fazer com que as pessoas descobrissem a necessidade de ter essa reflexão sobre o novo projeto de sociedade”.

Passados 24 anos, em que momento Lula contradisse o discurso? Onde está o estelionato? Quem capitulou de fato? Atualizar reflexões não significa renúncia a princípios. Longe disso, é fundamental para incrementar a ação dentro do tempo histórico em que se pretende intervir.

As modificações moleculares da sociedade brasileira passam por mais gastos com saúde, educação e renda vitalícia. Como destaca Immanuel Wallerstein (O Declínio do Poder Americano, p.260), “isso não é apenas popular; tem utilidade na vida das pessoas. E aumenta a pressão sobre as possibilidades de acumulação contínua de capital. Estas exigências deveriam ser promovidas vigorosamente, conceitualmente em todos os lugares. Nunca são demais”

Será que não é perceptível que é contra isso que a grande imprensa luta? A afirmação de que a inflação decorre dos gastos públicos do governo não representa apenas um discurso de mercado. É um discurso anti-povo, contra a democracia. Uma sabotagem repetida diariamente em revistas, jornais e emissoras de televisão.

Precisamos, nós da esquerda, aprender de uma vez por todas que a história não está do lado de ninguém e muito menos há tribunal com leis objetivas. O resultado da luta política depende da capacidade que teremos para mobilizar, mas não é nem um pouco secundário analisar corretamente o que está ocorrendo. O que se busca é a hegemonia. Em jornais, televisões e revistas. Em cada manchete, em cada subtítulo.
Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

03/07/2008 - 09:27h Porta de fábrica no ABC regula as preocupações de Lula com inflação

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Raymundo Costa - VALOR

Mais que o ministro Guido Mantega (Fazenda), o termômetro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a inflação são os “peões do ABC”, segundo a expressão de dirigentes petistas com livre trânsito no Palácio do Planalto. A inflação preocupa mais o presidente, no momento, que o advogado Roberto Teixeira, a venda da VarigLog ou a compra da BrT pela Oi, de acordo com os mesmos informantes.

É o ABC paulista, especialmente os metalúrgicos de São Bernardo do Campo, que serve de parâmetro para Lula medir a repercussão da inflação no que o PT chama de “base social do presidente”. Seja por intermédio de líderes sindicais ou de candidatos até bem pouco tempo servindo ao governo, que Lula fica sabendo das preocupações com o aumento de preços manifestadas pelos “peões do ABC”.

Essas manifestações aumentaram nas últimas semanas. Um dia a reclamação é sobre o preço da carne, no outro, o aumento do preço do arroz. O mesmo arroz que já foi símbolo do acerto do governo na economia. Quando Lula tomou posse, em 2003, a saca de cinco quilos do arroz Tio João custava cerca de R$ 11, caiu ao longo do mandato para os R$ 7 de antes da eleição e agora já superou a barreira dos R$ 12.

Entre os interlocutores do presidente estão sindicalistas como José Lopez Feijóo, dos metalúrgicos do ABC, e o ex-presidente da CUT Luiz Marinho, que deixou o governo em em maio para concorrer à prefeitura de São Bernardo. Recentemente, Marinho fez chegar ao Planalto que fora “fazer porta de fábrica” e o assunto não era outro que a inflação do preço dos alimentos.

Esse é um dos motivos para as demonstrações de aborrecimento do presidente com o ministro da Fazenda: enquanto Guido Mantega transpira confiança, na base social dele, os sindicalistas estão reclamando. E o presidente, mais que que qualquer outro no Planalto, está convencido que é a inflação que pode corroer o governo dele.

“O assunto dele é inflação”, conta um desses petistas, corroborando a entrevista que o chefe de gabinete de Lula concedeu à edição desta semana da revista “Veja”. Na Fazenda, afirma-se que é mentira que Lula tenha se aborrecido porque Carvalho disse que o presidente se irritara com uma observação casual de Mantega sobre a inflação - que estaria restrita aos alimentos. Lula, de fato, ficou de início aborrecido. Mas pelo fato de Carvalho, sempre discreto, ter começado a dar entrevistas e não por ter deixado Mantega mal.

A voz rouca dos “peões do ABC” sempre foi ouvida por Lula no governo. Um caso típico é o do crédito consignado. Os metalúrgicos também sempre pressionaram em favor de medidas que aumentassem a venda de carros, o que aumentaria também a participação nos lucros (PLR) da categoria. No domingo, o presidente esteve numa fábrica em São Bernardo. Como sempre, tratado com veneração pelos metalúrgicos, que, no entanto, não deixam de registrar suas preocupações - como a inflação - via os líderes sindicais.

Quanto mais se incomoda e demonstra receio com a volta do processo inflacionário, mais Lula demonstra que sente a ausência do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que voltou para a Câmara dos Deputados, em março de 2006, depois que foi acusado de quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. No PT e em setores do Palácio do Planalto, a volta de Palocci ao governo é dada como certa, na hipótese de o Supremo Tribunal Federal não acatar a denúncia feita contra ele pelo Ministério Público.

Numa das variações apresentadas para a eventual volta de Palocci, o ex-ministro recuperaria o antigo posto, o Ministério da Fazenda. Guido Mantega seria então deslocado ou para o Ministério do Turismo, atualmente ocupado pelo segundo de Marta Suplicy no posto, Luiz Barreto, ou para o Ministério do Planejamento, cargo que ocupou no início do governo. Neste caso, o atual ministro Paulo Bernardo é que seria deslocado para o Turismo. Mas no PT também circula outra variação do tema.

Por ela, Mantega ficaria na Fazenda e Palocci iria para o Turismo. É certo que Lula quer redimir Palocci, no caso de o deputado e ex-ministro não vir a ser processado pelo STF - argumenta-se em setores da direção partidária -, mas por outro lado Mantega não tem porque ser punido, de vez que não é responsável pelo pique inflacionário, resultado de uma inflação importada, segundo se argumenta na sigla.

Há uma certa desconfiança da real extensão da inflação, que segundo esses setores poderia estar sendo superdimensionada pela mídia com o objetivo de desgastar politicamente o governo Lula. “A inflação está dentro da meta e o consumo não se alterou muito, explica um deputado da cúpula petista, um dos que avaliam que o noticiário sobre a inflação está recebendo de parte da grande imprensa um tratamento mais político que econômico.

Não é certamente o que pensa o presidente da República, como tem deixado claro em reiteradas conversas com amigos e aliados políticos. Nessas conversas, Lula tem prometido que, se for detectado risco de volta da ciranda inflacionária, o governo recorrerá ao remédio que for necessário, por mais amargo que seja, mesmo que isso implique em alguma perda nas eleições para prefeito a serem realizadas em outubro.

No que se refere especificamente ao julgamento de Palocci no Supremo Tribunal Federal, nos últimos dias aumentou a confiança do PT num resultado favorável ao ex-ministro da Fazenda. Não que o STF vá declarar o deputado inocente da acusação. A aposta é que o tribunal não receberá a denúncia devido a erros processuais na peça remetida pelo Ministério Público Federal. De certo, só há uma coisa: está em curso a “Operação Volta Palocci”.

12/05/2008 - 19:35h Fidelidade

Lula acaba de chegar ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo

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Greve dos metalúrgicos
(28.mar.1979) foto Folha imagem

Flávio Freire - O Globo

SÃO BERNARDO DO CAMPO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de chegar à sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, para a festa de comemoração dos 30 anos da realização da greve na Scania, ocorrida em 1978 e que marcou o início de uma série de greves no setor automobilístico. Lula chegou acompanhado pelos ministros Franklin Martins, da Comunicação do Governo, e Marta Suplicy, do Turismo.

Lula foi um dos líderes da greve como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, que acabou com a invasão do refeitório da montadora de caminhões e ônibus.

A greve da Scania, realizada em 1978, foi a primeira desde a edição do AI-5, implatando pelo regime militar que deu golpe de estado em 1964.

05/05/2008 - 10:20h Aquecido, setor de construção civil lidera criação de vagas

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Trabalhadores atuam em obra da construção civil em Brasília (Foto: Roberto Fleury/UnB Agência)

VALOR

O setor de construção civil liderou a criação de vagas com carteira assinada no país no primeiro trimestre de 2008, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Do saldo de 554,4 mil postos de trabalho registrados no país entre janeiro e março, 99,6 mil foram no setor da construção. O número é 189% superior às vagas criadas no primeiro trimestre de 2007. Com o crescimento explosivo, o setor passou a responder por 18% da abertura de vagas de emprego formais no país, ante 8,6% no mesmo intervalo do ano passado.

“A indústria de construção pesada está muito aquecida. Só para as obras no Rio Madeira serão contratadas 9 mil pessoas”, diz Paulo Lacerda de Melo, vice-presidente de engenharia da Construtora Norberto Odebrecht, que atualmente conta com 51 mil funcionários. Antonio de Sousa Ramalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP) estima que no total as obras das duas hidrelétricas do Madeira exigirão a contratação de 31 mil profissionais da construção civil neste ano e em 2009. Para a construção do novo porto em Peruíbe (SP), serão necessários outros 30 mil operários. A expectativa é de que o setor registre um crescimento de 10,2% em 2008, considerando os investimentos já anunciados de R$ 180 bilhões em novos projetos, dos quais 45% são de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Existe uma falta de 200 mil profissionais qualificados para o setor de construção civil no país”, diz Ramalho.

Com a demanda por empregados aquecida, o setor da construção ultrapassa a área agrícola na criação de vagas no país. De janeiro a março, o saldo de criação de empregos formais no campo foi de 48,7 mil, 3,6% abaixo do registrado no primeiro trimestre do ano passado. O resultado está associado ao aumento do grau de mecanização da colheita e do fato de a safra de cana-de-açúcar não ter sido antecipada neste ano, como ocorreu em 2007. Até março, o setor agrícola respondeu por 8,8% do saldo de empregos criados no país, quase quatro pontos percentuais abaixo da participação que tinha no ano passado.

Entre os setores que registraram maior incremento na criação de postos de trabalho está a indústria de transformação, que apresentou um aumento de 32,8%, totalizando 153 mil novas vagas. No trimestre, o setor respondeu por 27,6% do saldo de vagas criadas no país, participação pouco inferior aos 28,8% verificados no mesmo intervalo de 2007. “Os setores metalúrgico, de tecnologia da informação, construção naval e siderurgia são os que mais buscam profissionais com formação no mercado. Muitos deles pedem diariamente ajuda ao governo para que qualifiquem os trabalhadores. Em alguns casos, pode-se dizer que se vive um apagão de mão-de-obra qualificada”, afirma Ezequiel Nascimento, secretário de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho e Emprego.

Ricardo Amorim, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), observa que a indústria havia perdido espaço enquanto empregadora nos anos 80 e 90, voltando a recuperar participação mais expressiva nesta década. “O que se percebe, de 2007 para cá, é que a demanda por trabalhadores cresceu rapidamente. No ano passado faltou mão-de-obra especializada para determinadas áreas e neste ano esse quadro ainda deve se manter”, afirma. De acordo com estimativas do Ipea, os setores que apresentam maior número de vagas em aberto são a indústria química e petroquímica (com um déficit de 25,4 mil trabalhadores), de produtos de transporte (23,9 mil), de produtos mecânicos (21,4 mil) e de minerais metálicos (15,8 mil).

“A maior demanda hoje não atendida pelo mercado é por trabalhadores com formação técnica, resultado da falta mesmo de cursos profissionalizantes na rede de ensino pública”, avalia Deyse Gomes, diretora de educação e desenvolvimento de pessoas da Vale. Segundo Deyse, faltam técnicos nos diversos segmentos que compõem a cadeia siderúrgica. Nos últimos três anos, a empresa investiu na formação de 18 mil profissionais de nível técnico, dos quais 5 mil foram incorporados à companhia e o restante foi absorvido por outras empresas ligadas à Vale. “Foi a maneira que a empresa encontrou de garantir oferta de mão-de-obra qualificada para os projetos que realiza”, diz Deyse. Até 2012, a Vale estima criar 62 mil empregos diretos e outros 152 mil indiretos no país para a realização de seus projetos de expansão, sendo 7 mil vagas dentro da empresa neste ano. Para isso, a Vale está destinando parte do orçamento de R$ 59 bilhões na realização de cursos em parceria com universidades, Senai e Cefets para qualificar a mão-de-obra disponível.

No primeiro trimestre deste ano, apenas dois setores reduziram a sua participação na criação de novas vagas. O segmento de serviços registrou um incremento de 26,6% no total de postos de trabalho gerados no país, o equivalente a 233,8 mil. No período, o setor respondeu por 42,2% das novas contratações, 4 pontos percentuais abaixo do registrado nos três primeiros meses do ano passado.

O comércio também arrefeceu o seu ritmo de contratações neste ano. No trimestre, o número de novas vagas ampliou-se em 30,7%, gerando um saldo de 19,3 mil postos. No período - um dos mais fracos para o comércio varejista - , o setor respondeu por 3,5% da geração de postos de trabalho, ante 3,7% em igual intervalo do ano passado. (CB)