19/09/2009 - 11:14h 30 empresas cedem aos metalúrgicos

Empresas do ABC procuram sindicato e se comprometem a atender às reivindicações; produção é retomada

 http://3.bp.blogspot.com/_fVwrsoHb2Kc/SoQgSlxmo_I/AAAAAAAAAMM/wtPvrSZIgb8/s320/greve+-+metalurgicos+ABC.jpg

Marcelo Rehder e Evandro Fadel – O Estado SP

No primeiro dia de greve por tempo indeterminado dos metalúrgicos da região do ABC paulista, 30 empresas, que empregam quase 21% dos grevistas, procuraram ontem o sindicato e se comprometeram, por escrito, a atender às reivindicações da categoria. Nessas fábricas, os metalúrgicos decidiram voltara ao trabalho. Nas demais empresas da região, a greve continua.

As empresas que aderiram à proposta do sindicato empregam 12,5 mil metalúrgicos. Os sindicalistas dizem que mais de 60 mil trabalhadores iniciaram o movimento. Entre as empresas que não aderiram ao acordo e seguem com a produção paralisada estão as fabricantes de autopeças Mahle Metal Leve e Sachs, ambas em São Bernardo do Campo, Detroit (Diadema) e Faparmas (Ribeirão Pires).

A categoria reivindica reajuste de 6,53%, dos quais 2% de aumento real , mais abono equivalente a um terço do salário médio, o que, segundo o sindicato, equivale a mais 2% de aumento real. Os índices são os mesmos obtidos pelo sindicato na negociação com o Sindicato Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotivos (Sinfavea), na semana passada, e aprovados pelos trabalhadores da Ford, Scania, Mercedes-Benz, Volkswagen e Toyota.

A estratégia de comprometer as empresas foi definida em assembleia, quinta-feira, como forma de levar as fábricas a pressionar as bancadas patronais a fecharem um acordo coletivo com a categoria. O sindicato não divulgou quantas empresas foram paralisadas ontem.

Já os metalúrgicos da General Motors (GM) de São José dos Campos e de São Caetano do Sul decidiram ontem entrar em greve por tempo indeterminado. A fábrica da GM em São Caetano do Sul emprega 10,5 mil trabalhadores e a de São José dos Campos, outros 8,5 mil. Em São Caetano, segundo o sindicato, que é ligado à Força Sindical, são produzidos os modelos Astra, Vectra e a família Cosa, a uma média diária de 852 veículos. Os trabalhadores querem 10% de reajuste salarial mais R$ 2 mil de abono.

Já os metalúrgicos de São José dos Campos, cujo sindicato é ligado à Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), pedem 14,65% de reajuste. A GM produz na região os modelos Corsa, Zafira, Blazer, picapes S10 e Montana, além de veículos desmontados para exportação (CKDs). A cada dia de paralisação deixam de ser produzidos cerca de mil veículos.

Em audiência de conciliação entre a GM e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) propôs ontem que a empresa conceda 8,3% de reajuste salarial mais abono de R$ 1.950. A GM se comprometeu a dar uma resposta ao sindicato até amanhã. Na segunda-feira, os trabalhadores realizarão nova assembleia para votar a proposta.

A Volkswagen-Audi pediu ontem que o TRT faça o julgamento da greve que paralisa a fábrica de São José dos Pinhais (PR) desde o dia 3. O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba terá cinco dias para expor os argumentos favoráveis às reivindicações da categoria. Depois, a Volkswagen tem o mesmo prazo para colocar seu ponto de vista. Posteriormente, o TRT marcará a data de julgamento e emite a sentença.

12/05/2009 - 13:29h “E graças à teimosia de vocês eu fui eleito presidente da República”

Sindicato do ABC faz 50 anos com bandeiras trabalhistas e políticas

abc_79_greve.jpg

KAREN CAMACHO Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC completa 50 anos nesta terça-feira com uma trajetória de luta pelos trabalhadores, mas também de palanque para as ambiciosas carreiras políticas que se iniciariam ali. Para o futuro, a entidade diz querer ampliar os direitos trabalhistas, mas também faz planos para a programação de TV que terá no canal concedido pelo governo.

Veja a galeria de imagens do Sindicato dos Metalúrgicos

O mais famoso representante da entidade é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que começou como dirigente, passou pela presidência do sindicato e depois alçou voo político –ajudou a fundar o PT, em 1980, para em 2002 chegar ao mais alto cargo eletivo do país, sendo reeleito em 2006.

Em seu formato atual, o sindicato surgiu em 12 de maio de 1959, junto com a indústria automotiva, muito forte no ABC. Antes disso, os metalúrgicos já tinham alguma representação, desde 1933, quando o primeiro sindicato da categoria fora fundado na região.

Ao longo dessas cinco décadas, o sindicato levantou bandeiras e faixas, engrossou o coro contra a ditadura militar, defendeu direitos trabalhistas, redução de jornada, combateu demissões e ajudou a formar grupos que atuam dentro das fábricas.

A entidade representa atualmente 98.300 trabalhadores (de São Bernardo do Campo, Diadema, Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires), mas o número já teria chegado a 150 mil no início dos anos 1980, apesar de não haver documento com comprovação. Antes do agravamento da crise, em setembro, eram cerca de 105 mil.

O atual presidente, Sérgio Nobre, afirma que o sindicato sempre esteve em defesa da democracia e que ainda tem desafios a enfrentar. “Avançamos muito na democracia política, mas ainda falta ampliar os direitos trabalhistas, como as organizações nos locais de trabalho”, afirmou. Nobre afirma que defende o fim da limitação geográfica para atuação do sindicato.

O dirigente também diz acreditar que o sindicalismo e a política sempre andarão juntos. “Não dá para fazer sindicalismo sem política. A jornada de trabalho, por exemplo, conseguimos reduzir em algumas fábricas para 40 horas semanais, mas não em todas. Por isso precisamos de mudança na lei.”

Nobre defende que os trabalhadores tenham cada vez mais representantes no Legislativo e no executivo, em todas as esferas, “assim como o empresariado”.

Canal de TV

A ampliação do sindicato também envolveu outros caminhos além da defesa dos diretos trabalhistas e da manutenção do emprego. A entidade mantêm hoje a Fundação Comunicação, Cultura e Trabalho, que por sua vez recebeu concessão de um canal de TV educativo em Mogi das Cruzes, em 2007. Ainda não há programação.

O sindicato possui ainda gráfica, jornal, uma produtora de vídeos e documentários e uma cooperativa de crédito, além de outros serviços e convênios.

Lula

No evento de 1º de Maio de 2003 (primeiro ano de mandato), o presidente Lula discursou em São Bernardo, e lembrou alguns eventos da época de sindicalista. “No 1º de Maio de 80 eu não pude vir aqui, à missa, porque estava preso. Mas vocês fizeram a primeira missa, dentro desta igreja [Matriz]“, afirmou.

O presidente também reconheceu que sua atuação à frente do sindicato (de 1975 a 1981) foi o impulso para ingressar na vida política.

“É importante lembrar que, em 1978, eu dizia para quem quisesse ouvir, que eu não gostava de política e tinha ódio de quem gostava de política. Isso, em 1978. Em 80 eu já estava fundando o PT, em 82 fui candidato a governador, em 89 a presidente, em 94 a presidente, em 98 a presidente. E graças à teimosia de vocês eu fui eleito presidente da República e cá estou”, lembrou Lula em 2003.

14/04/2009 - 12:31h Vendas do setor automotivo em março é o melhor resultado para o mês em todos os tempos

Montadoras retomam nível pré-crise

http://www.correiolageano.com.br/galeria/01210.jpg

Unidades da GM e da Volks ampliam horas extras e trabalham em ritmo acelerado para atender a demanda gerada pela redução de IPI

Vendas do setor automotivo em março chegaram a 271 mil unidades, melhor resultado para o mês em todos os tempos

FÁBIO AMATO DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS DIMITRI DO VALLE DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA

Pouco mais de seis meses após o agravamento da crise financeira, que derrubou as vendas e a produção de carros no Brasil, funcionários de montadoras já fazem horas extras para atender à demanda por automóveis, aquecida pela redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
Entre janeiro e março, a indústria automotiva registrou forte crescimento e, em pelo menos duas fábricas -uma da Volkswagen e outra da GM-, o ritmo de produção já é igual ao do período pré-crise. O número de empregos no setor, entretanto, continuou caindo no período (veja texto na Folha).
Em março, o setor automotivo registrou o melhor resultado de vendas para um mês de março. Foram 271.494 veículos vendidos -incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus-, 17% a mais que em igual período de 2008. O primeiro trimestre também foi o melhor da história para a indústria, com o emplacamento de 668.314 veículos.
Na fábrica da Volkswagen em Taubaté (SP), de onde saem os modelos Gol e Voyage, a produção já retomou o ritmo do período anterior à crise -cerca de 1.050 carros por dia. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Isaac do Carmo, disse que, de janeiro a março, os funcionários da planta trabalharam nove sábados (a jornada normal é de segunda a sexta).
Para este mês, foi assinado acordo entre o sindicato e a empresa que prevê o funcionamento da fábrica em três sábados e dois feriados. Carmo disse que, em março, 280 trabalhadores foram efetivados ou tiverem o contrato renovado.
Situação semelhante vive a fábrica da GM em Gravataí (RS), onde são produzidos os modelos Celta e Prisma. Segundo o presidente do sindicato dos metalúrgicos local, Valcir Ascari, os cerca de 4.500 empregados estão fazendo 22 minutos de hora extra por dia, além de trabalharem dois sábados por mês, jornada igual ao do período pré-crise.
A produção na unidade, disse Ascari, também voltou aos níveis de setembro, com cerca de 880 carros por dia. “A produção aqui está bombando. Temos a informação de que já tem até fila de espera para comprar Celta e Prisma”, afirmou ele. “Acho que o governo deve estender a redução do IPI enquanto tiver rumores de crise.”
Nas fábricas da GM em São José dos Campos e São Caetano do Sul (ambas em SP), a produção já atinge os níveis de 2007 e também há setores em que os funcionários fazem horas extras, informam os sindicatos dos metalúrgicos.
Na unidade de São José dos Campos, onde em janeiro a GM fez um corte de 744 funcionários, a produção, que no auge da crise caiu a 500 carros por dia, está agora em cerca de 780.
A direção do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim (MG) diz que a fábrica da Fiat vem dando expediente também aos sábados para aumentar a produção, o que motivou uma denúncia na Delegacia Regional do Trabalho. Segundo o presidente do sindicato, Marcelino da Rocha, a inclusão dos sábados não estava prevista em acordo e os trabalhadores não estão recebendo pelas horas a mais. O dirigente disse que em 2009 a montadora já acionou os funcionários para cumprir jornada extra em nove sábados.
A assessoria da Fiat diz que foram trabalhados quatro sábados e que “há um saldo de horas não trabalhadas a compensar”.
A Fiat tem produção de 2.700 unidades por dia, segundo o sindicato dos trabalhadores, ante a média de 3.100 veículos fabricados até outubro.
Na unidade da Ford em Camaçari (BA), a produção está em 800 carros por dia, segundo o sindicato dos metalúrgicos. O pico diário da produção, antes da crise, foi de 912 carros.

08/03/2009 - 13:00h Metalúrgicos festejam volta à vida normal

Empresas que haviam cortado salários e jornada já suspenderam medida

http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/07/operarios_abc.jpg

Cleide Silva – O Estado SP

Casado e pai de cinco filhos com idades de dois a 18 anos, o metalúrgico Humberto Pereira de Santana passou a controlar a compra mensal no supermercado. “Se passasse de R$ 220, eu tirava os produtos do carrinho”, conta ele. O controle rígido das despesas foi adotado em janeiro e fevereiro, período em que a empresa onde trabalha, a autopeça Polistampo, de Diadema, no ABC paulista, reduziu a jornada de cinco para três dias semanais, com corte também nos salários.

A medida iria até o fim de março. Ao ser avisado da volta da jornada normal, um mês e meio antes do previsto, Santana sentiu um alívio. “Voltamos à vida normal”, dizia ele na sexta-feira, num intervalo da tarefa de montar suportes de baterias. Com 40 anos e funcionário da Polistampo há 4,5 anos, ele conta que nos dias de folga forçada na fábrica ajudava a esposa e um dos filhos no atendimento de um pequeno bar pertencente à família.

As autopeças também precisam acompanhar o ritmo mais acelerado das montadoras em relação aos últimos meses de 2008. Várias fábricas que fizeram acordos de redução de jornada e salários estão voltando atrás antes do prazo previsto.

No ABC, além da Polistampo, já voltaram a operar em semana cheia a fabricante de buzinas Fiamm e a Proxyon, que produz chapas e outras peças. A Kostal fez acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos para redução de jornada a partir da semana passada, mas cancelou a medida antes mesmo de aplicá-la.

“Vimos uma luz no fundo do túnel já no início de fevereiro. Desconfiados, temíamos que fosse um trem vindo em posição contrária, mas logo depois confirmamos que as encomendas estavam aumentando”, conta Nelson Garcia, supervisor de Recursos Humanos da Polistampo.

A empresa foi fundada há 30 anos e hoje fornece diversos componentes para veículos da Volkswagen, Fiat, Renault, General Motors e Mercedes-Benz e para motocicletas da Honda. Foi a primeira vez que a autopeça precisou reduzir a semana de trabalho.

Em Taubaté, interior de São Paulo, a Thyssenkrupp KMAB, que produz eixos, vai recontratar 38 dos 70 trabalhadores demitidos em dezembro. O motivo é o aumento de pedidos por parte da Volkswagen.

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, Isaac do Carmo, “as empresas demitiram sem ter conhecimento do tamanho do impacto da crise na economia brasileira. Passado o susto inicial, estão recontratando para manter o nível da produção”.

Sueli Aparecida Souza de Oliveira, de 26 anos e há dois na Polistampo, chegou a trancar a matrícula em um curso técnico de química iniciado há três meses. “Por causa da crise, meu marido está desempregado desde janeiro e, com o salário menor, não daria para pagar o curso”, conta ela. Com o chamado para voltar a trabalhar cinco dias por semana no fim de fevereiro e o pagamento do salário integral, ela pretende retomar as aulas na próxima semana.

O operador de máquinas Kleuson dos Santos Vieira, de 31 anos e solteiro, suspendeu atividades de lazer, como ir ao shopping center e bares. Também cortou a compra de roupas. Nas semanas em que ficava em casa dois dias a mais, aproveitou para realizar serviços de pintura e manutenção da casa alugada em Diadema.

Na base do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, onde foram feitos 24 acordos de redução de jornada e salário, a maioria em autopeças, até agora apenas uma – a Thyssenkrupp – desistiu de aplicar a norma.

RETOMADA

Fiamm: Voltou à jornada de 5 dias na segunda-feira, suspendendo acordo que previa semana de 4 dias até maio na unidade de São Bernardo, com 168 empregados

Fiat: Chamou 12 mil funcionários (de um total de 14 mil) para repor produção em três sábados de março e tem feito diariamente 45 minutos de trabalho extra

GM: Suspendeu as férias coletivas de todos os 5,2 mil funcionários previstas para 26 de janeiro a 8 de fevereiro em Gravataí (RS)

Polistampo: Após adotarem semana de 3 dias, os 140 funcionários voltaram aos 5 dias em fevereiro, 1,5 mês antes do previsto

Proxyon: Suspendeu semana de 4 dias adotada em janeiro para os 228 trabalhadores em São Bernardo e voltou a operar em 5 dias na última quinta-feira

Renault:
500 funcionários com contratos suspensos até maio voltarão ao trabalho no dia 23 em São José dos Pinhais (PR), onde trabalham 4,5 mil pessoas

Thyssenkrupp KMAP: Empresa de Taubaté com 400 funcionários recontratou 38 demitidos

Volkswagen: Convocou 7 mil trabalhadores para horas extras nos próximos 3 sábados na Anchieta e 5 mil em Taubaté. As duas empregam 17,3 mil pessoas

05/03/2009 - 12:09h Autopeça recontrata demitidos em Taubaté

http://outroladodanoticia.files.wordpress.com/2009/02/aaaaautopecas.jpg

Cibelle Bouças, de São Paulo – VALOR

A recuperação nas vendas de veículos ocorrida em janeiro e fevereiro provoca uma lenta retomada da atividade no setor de autopeças. Empresas de Taubaté e do ABC Paulista reconvocam funcionários, estimuladas sobretudo pelo aumento das encomendas pela Volkswagen. Em janeiro, as vendas de automóveis e veículos leves cresceram 5,11% sobre dezembro e, em fevereiro, 0,85% sobre o mês anterior, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). No ano, a Volkswagen liderou as vendas de veículos do país, com 23,34% dos emplacamentos.

Ontem, a Thyssenkrupp KMAB, que fornece autopeças para a montadora alemã e possui 400 funcionários em Taubaté (SP), recontratou 38 funcionários dos 70 que havia demitido desde que a crise internacional se agravou, em meados de setembro de 2008. De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do município, Isaac do Carmo, por enquanto, as empresas que têm a Volkswagen como principal cliente estão retomando mais rapidamente o ritmo de produção. “Outras empresas de autopeças que também demitiram já estão aumentando o pagamento de horas extras. Nesses casos o sindicato tem orientado as empresas a recontratar”, afirmou.

Carmo observou que a decisão da Volkswagen de convocar os 5,3 mil empregados da unidade de Taubaté para horas-extras aos sábados injetou na economia local R$ 8 milhões no primeiro bimestre deste ano. No ano todo de 2008, o pagamento de adicionais pela empresa no município totalizou R$ 50 milhões. A empresa também renovou os contratos de 650 temporários em janeiro para garantir o ritmo de produção. “Existe também uma expectativa de que a Fiat normalize a produção até o mês que vem, o que também dará impulso às empresas locais”, disse.

Em São Bernardo do Campo, a Kostal, que havia negociado com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC a redução da jornada, voltou atrás, também devido ao aumento da demanda. Em fevereiro, outras duas empresas de autopeças da região cancelaram a redução de jornada, a Fiamm e a Polistampo. “As empresas estão aos poucos cancelando a redução da jornada, mas é preciso confirmar se há mesmo uma tendência”, afirmou o presidente do sindicato, Sérgio Nobre.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Miguel Torres, também confirmou a mudança nas indústrias de autopeças, mas salientou que a retomada do emprego é sempre muito mais lenta que o ritmo das demissões. Torres e Nobre citam como fonte de preocupação atual as empresas de máquinas e equipamentos, que têm procurado os sindicatos com o temor de que a redução do imposto de importação sobre máquinas usadas provoque mais quedas na demanda e as obrigue a demitir. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) estuda um plano de ações para evitar demissões nesse setor.

04/03/2009 - 08:57h Resumo

Capa do jornal O Estado de São Paulo: um resumo significativo sobre o impacto da crise econômica
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090304/img/capadodia.jpgcarros_eua_brasil_estado.jpg

No Brasil, vendas reagem e fábricas adotam hora extra

Queda de 4,5% no número de unidades vendidas foi menor do que analistas e empresas esperavam

Ao contrário de mercados internacionais, as vendas de veículos no Brasil apresentaram pequena recuperação em fevereiro e, no bimestre, a queda é de 4,5% em relação ao mesmo período do ano passado, com 396,8 mil unidades vendidas. Diante de resultados menos pessimistas do que os previstos, as montadoras estão tendo de recorrer a horas extras e suspensão de dispensas temporárias para dar conta da demanda.

A Volkswagen convocou 7 mil funcionários – quase a totalidade do quadro da produção – para jornada extra neste sábado na fábrica de São Bernardo do Campo (SP). Na Fiat em Betim (MG), 12 mil funcionários vão trabalhar nos próximos três sábados para repor feriados. Cerca de 440 funcionários da Renault em São José dos Pinhais (PR)voltarão ao trabalho dia 23. Eles fazem parte do grupo de 844 pessoas com contratos suspensos até maio.

Com a necessidade de produzir mais, até para evitar filas de espera de alguns modelos, a ação das montadoras puxa a das autopeças. Nos últimos meses, várias fabricantes fizeram acordos de redução de jornada e agora estão voltando atrás.

Na região do ABC paulista, a Fiamm, fabricante de buzinas, cancelou a semana reduzida de trabalho três meses antes do previsto. Os 168 trabalhadores retomaram a jornada normal de cinco dias na segunda-feira. A medida visa a normalizar a produção, segundo informou a empresa ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Os 160 trabalhadores da Polistampo, que faz peças para portas, voltaram uma semana antes do previsto à jornada normal de trabalho.

A Volkswagen não comentou a razão das horas extras. A Fiat informou que pretende ampliar a produção diária de 2,6 mil para 3 mil veículos.

Marcelo Cioffi, da consultoria PricewaterhouseCoopers, avalia que o mercado brasileiro “não está tão ruim quanto se esperava”. Mas acha também que pode ser um movimento por parte das montadoras de garantir estoques para as vendas de março, último mês de redução do IPI. É provável que haja uma correria às lojas, “uma antecipação de compras”. As empresas, nos bastidores, tentam convencer o governo a manter o benefício.


NÚMEROS

396,8 mil
unidades foram vendidas em janeiro e fevereiro

7 mil
funcionários da Volkswagen foram convocados para trabalhar sábado. Na Fiat, 12 mil vão trabalhar nos próximos 3 sábados

Venda de carros cai até 53% nos EUA, o nível mais baixo em 30 anos

Especialistas falam em ‘depressão automotiva’ nos EUA; na Europa, a GM diz que pode ficar sem caixa em abril

Agências internacionais, NOVA YORK


A venda de automóveis das principais montadoras nos Estados Unidos em fevereiro caiu mais de 40% na comparação com igual período do ano passado. Apesar de oferecerem descontos bastante agressivos, o desempenho das montadoras registraram o nível mais baixo em quase 30 anos.

Na General Motors, que vem sobrevivendo graças a uma ajuda governamental de US$ 13,4 bilhões, a queda nas vendas foi de 52,9%. A Ford teve redução de 48% e a Chrysler, que também ganhou uma sobrevida com uma ajuda de US$ 4 bilhões em dezembro, viu suas vendas caírem 44%.

Maior montadora do mundo em vendas, a japonesa Toyota vendeu 37,3% a menos. Honda e Nissan anunciaram queda de 38% e 37%, respectivamente, enquanto a alemã BMW informou uma redução de 34,7%.

“Estamos vivendo uma depressão automotiva”, afirmou o analista da Standard & Poor?s Efraim Levy. “Consumidores temerosos de perder o emprego e assistindo a uma queda no valor de suas casas e de seus ativos em bolsa estão muito receosos de fazer compras grandes e não essenciais.”

Na Europa, o cenário também não é animador. Na Espanha, o número de registros de veículos caiu 48,8%, o pior desempenho para um mês de fevereiro na história do país. Na França – um dos países que havia resistido melhor à crise do setor em 2008 -, o recuo foi de 13,1%.

A retração da demanda na Europa já ameaça as subsidiárias da GM, que empregam 300 mil pessoas. “A GM Europa poderá ficar sem caixa lá para abril ou maio. Só uma ajuda governamental poderia evitar a perda de 300 mil postos de trabalho”, alertou o vice-presidente mundial de operações da GM, Fritz Henderson. O executivo pleiteia uma ajuda de US$ 4,2 bilhões, que seria usada para financiar a separação das subsidiárias Opel e Vauxhall.

No entanto, o apelo não parece sensibilizar os líderes europeus. Depois de uma reunião com o presidente executivo da GM Europa, Carl-Peter Forster, o ministro das Finanças da Alemanha, Peer Steinbrueck, declarou que ainda não está convencido de que a Opel tenha pela frente um “futuro sustentável”. Os governos da Suécia e da Grã-Bretanha, sede das subsidiárias Saab e Vauxhall, estão igualmente relutantes.

Os números negativos divulgados ontem alimentam os temores de que as montadoras não conseguirão obter a recuperação esperada para o segundo semestre deste ano nos EUA, com a qual as companhias vinham contando para desacelerar sua erosão financeira.

Para se qualificarem a receber mais US$ 21,6 bilhões do governo, além dos US$ 17,4 bilhões que já receberam, GM e Chrysler têm até o fim deste mês para demonstrar que estão tendo sucesso nos planos de reestruturação. Caso elas não sejam convincentes, não apenas não receberão mais recursos do governo como terão de devolver aquilo que receberam.

As duas montadoras insistem que terão condições de recuperar a lucratividade e, a partir de 2012, poderão começar a pagar os empréstimos recebidos. Entretanto, para isso, precisam aumentar consideravelmente as vendas este ano.

As empresas também tentam estabilizar suas operações com a queda da produção. A GM e a Ford, que ainda não precisou de ajuda financeira, já declararam que a produção no segundo trimestre deve ser reduzida em mais de 30%, ante o mesmo período de 2008.

“Diante de um cenário econômico frágil, temos de ficar atentos para perceber os indícios de que as condições estão se deteriorando”, afirmou a economista sênior da Ford nos EUA, Emily Kolinski Morris. “Isso quer dizer que não atingimos ainda o fundo do poço. Pode ser que o fundo tenha sido atingido em fevereiro, mas não há nenhuma âncora no horizonte econômico que nos permita ser conclusivos em relação a isso.”

Nem mesmo descontos de mais de US$ 5 mil, que se tornaram comuns nas últimas semanas, estão atraindo os consumidores americanos. E os poucos que ainda estão em busca de um carro novo esbarram na falta de crédito. Pensando nesse tipo de cliente, a Toyota pediu ontem em Tóquio um empréstimo emergencial de US$ 2 bilhões do governo japonês para financiar a compra de carros nos EUA.

03/03/2009 - 08:45h Volkswagen convoca hora extra no ABC

http://200.98.194.26/i/dest_img/2007/09/18/I_20070918_114448_1.jpg

Marli Olmos, de São Paulo – VALOR

O aumento no ritmo das vendas de veículos levou a Volkswagen a convocar praticamente todos os empregados da linha de produção da sua maior fábrica, em São Bernardo do Campo, no ABC, para fazer hora extra no sábado.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, apenas as áreas de motores e transmissões não funcionarão no período extraordinário. O trabalho no sábado visa atender ao aumento de demanda, segundo teria informado a empresa ao comitê dos empregados. A empresa não pôde ser contatada para confirmar as informações.

A Volks recomeçou a convocar os funcionários para hora extra logo depois das férias coletivas, em dezembro. Segundo os sindicalistas, os operários já foram para a fábrica em seis sábados. Metade foi para compensar folgas de fim de ano e o restante para acompanhar o reaquecimento do mercado.

Além do crescimento das vendas, impulsionadas pela decisão do governo de reduzir o IPI dos automóveis para combater a crise no crédito, a Volks também acelerou a produção porque assumiu a liderança do mercado, passando à frente da Fiat este ano.

21/01/2009 - 11:09h Metalúrgicos vão pedir volta das câmaras setoriais a Lula

Silvia Costanti / Valor

Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC: “Os atores estão se acusando ao invés de se unir”

Cibelle Bouças, de São Paulo – VALOR

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, negocia hoje em Brasília com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, um pacote de medidas específico para a cadeia automotiva. A principal proposta consiste em repetir a fórmula da Câmara Setorial Automotiva, criada em março de 1992, que reuniu governo, montadoras, autopeças, distribuidores e representantes dos trabalhadores para definir ações contra a crise que o setor vivia na época.

A proximidade do presidente Lula com o sindicato, que presidiu entre 1975 e 1980, rendeu a Nobre uma conversa privada com o presidente, à parte das discussões que vêm sendo feitas com as centrais sindicais. “Lula tem o sindicato como uma referência, até para seus discursos. E ele me deve isso, já que estou sem sala por causa dele”, brinca Nobre, fazendo referência à produção do filme de Fábio Barreto “Lula, o Filho do Brasil”. A produção do filme está reformando a sede do sindicato para que o local tenha a aparência da década de 70, quando Lula era presidente da entidade, e a sala de Nobre está entre os locais em reforma.

Em sua reunião com o presidente, Nobre vai apresentar dados recentes sobre o desempenho do setor automotivo e propostas para reaquecer a produção e as vendas de veículos, garantindo dessa forma a manutenção do nível de emprego. Entre as informações estão dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), baseado nas estatística do Ministério do Trabalho. O levantamento do Dieese revela que, de janeiro a novembro de 2008 (último mês de divulgação pelo ministério dos dados municipais de emprego e desemprego), os sete municípios do ABC que reúnem as montadoras e autopeças registraram taxa de rotatividade de 2,7% para montadoras e de 24,2% para autopeças. Ao longo de 23 meses, iniciados em janeiro de 2007, esse índice foi maior, de 7,1% nas montadoras e de 42,7% nas autopeças. “Quero chamar a atenção para o presidente de que o alto nível de demissões não é só crise externa. A multa sobre o FGTS já foi incorporada no custo das empresas e por isso a rotatividade continua sendo extremamente alta. A manutenção do emprego e da renda garante o consumo e a produção. É preciso definir uma estratégia em conjunto para que o nível de emprego seja mantido”, afirma.

Na avaliação do sindicalista, a crise tem afetado sobretudo a oferta de crédito, elemento que contribuiu fortemente para o salto nas vendas de veículos dos últimos anos. “A crise está desagregando, os atores estão se acusando ao invés de se unir”, afirma Nobre, justificando o pedido de retomada da Câmara Setorial Automotiva. Ele observa que, na experiência de 1992 e 1993, governo, indústrias e sindicatos reuniram-se e estabeleceram metas de produção e vendas. O governo baixou alíquotas de impostos e o nível de emprego foi mantido. As medidas tiveram êxito e as vendas do setor voltaram a crescer. “É preciso criar uma agenda positiva, definir metas de produção e vendas e isso implica mexer no spread bancário, na taxa de juros e na tributação”, afirma. Além desses itens contidos na pauta da reunião com o presidente Lula, Nobre também pretende prospectar recursos para projetos do sindicato na área cultural, entre eles, o de colocar no ar, até 2011, uma emissora de tevê educativa.

21/01/2009 - 10:23h No ABC, 12 mil fazem ato em defesa do emprego

Jornal Nacional (JN) – TV Globo

Joaquim Alessi, São Bernardo – O Estado SP

Sob a liderança do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, cerca de 12 mil trabalhadores, segundo a entidade, e 8 mil pelas contas da Polícia Militar, manifestaram-se na manhã de ontem “em defesa do emprego e pela superação da crise econômica sem demissões nem corte de salários”. Os atos concentraram-se no bairro Pauliceia, em São Bernardo, próximo à Mercedes-Benz, palco das manifestações lideradas nos anos 70 e 80 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No caminhão de som revezaram-se o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, e outros sindicalistas. O prefeito Luiz Marinho (PT), que já presidiu a entidade e a CUT, foi anunciado várias vezes, mas por causa de vistorias agendadas anteriormente não apareceu. A concentração começou às 5h45 no estacionamento da Mercedes.

Arthur Henrique fez questão de destacar as reivindicações levadas na véspera ao presidente Lula, entre elas a de redução de juros para a compra de veículos usados.

Outros protestos menores foram realizados no pátio da Volkswagen e na portaria da Scania, como parte do Dia de Luta lançado pela categoria.

17/01/2009 - 11:56h Greve para Magneti, que demitiu no ABC

Greve foi aprovada pelos 670 funcionários da empresa. Foto: Antonio Ledes

Corte de 400 causa paralisação de 2,6 mil metalúrgicos por 24 horas

Joaquim Alessi – O Estado SP

Os cerca de 1,6 mil funcionários das unidades de Santo André e Mauá da fabricante de autopeças Magneti Marelli Cofap iniciaram às 6h da manhã de ontem uma greve de advertência de 24 horas contra a demissão de aproximadamente 400 companheiros. “Todas as demissões vamos responder com greve”, discursou em frente ao portão principal da unidade o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, Cícero Firmino da Silva, o Martinha, que cobrou intervenção direta do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. “Ele tem de usar o peso político do seu cargo para promover um grande pacto nacional contra a crise”, disse o sindicalista.

Também em São Bernardo, onde as demissões na Magneti Marelli Cofap atingiram cerca de 150 operários, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC promoveu manifestação. Os sindicalistas não têm o número exato de demissões na empresa, até porque grande parte deles foi contratada há menos de um ano, período em que não há necessidade de a homologação ser feita no sindicato. A empresa foi procurada, mas não retornou as ligações para comentar as demissões.

Martinha afirmou que o quadro em Santo André e Mauá é preocupante porque entre oito a dez empresas de médio porte já manifestaram ao sindicato o desejo de cortar pessoal. Essas indústrias empregam cerca de 3 mil trabalhadores e as demissões atingiriam entre 250 e 300 funcionários. Já foram demitidos 34 na Borlem Alumínio e outros 31 na GT do Brasil (do Grupo Italiano Gammastamp), fabricante de peças automotivas.

O sindicalista afirmou que, se as paralisações de advertência não surtirem efeito, serão adotadas novas ações. “Vamos chamar todos os desempregados e fazer atividades populares em frente às Prefeituras, Câmaras Municipais, Palácio dos Bandeirantes, se preciso vamos a Brasília e vamos cobrar ação das autoridades”, disse Martinha.

Ao cobrar uma posição mais firme de Lula, Martinha defendeu uma “agenda positiva” para o País. “O presidente Lula tem de ligar para o Serra, para o Aécio e dizer: vamos esquecer as eleições de 2010, deixar a disputa política de lado e pensar na população.”

A CUT deflagra na próxima segunda-feira o movimento “Os trabalhadores e trabalhadoras não pagarão pela crise”. A campanha vai reivindicar garantia de emprego, manutenção dos direitos dos trabalhadores, queda imediata dos juros e a contrapartida das empresas que receberem incentivos do governo.

Serão feitas manifestações de rua, passeatas, protestos diante de empresas e todas as formas possíveis de luta, segundo os sindicalistas. CUTs estaduais, confederações e federações cutistas por ramo de atividade econômica e sindicatos já estão envolvidos no movimento, que também distribuirá para a população panfletos explicativos com as propostas dos trabalhadores e as declarações que, segundo eles, o empresariado e parte da mídia usam para confundir a opinião pública.

APELO AO BISPO

As 744 demissões na GM no início da semana levaram o Sindicato dos Metalúrgicos de São Jose dos Campos a pedir ajuda para a Igreja Católica. Na manhã de ontem, diretores sindicais se reuniram com o representante da diocese de São José dos Campos, padre Paulo Renato, para discutir a situação dos temporários dispensados. A entidade quer o apoio e a participação dos padres e da comunidade católica na campanha contra as demissões.

De acordo com o presidente do sindicato, Adilson dos Santos, eles entregaram ao padre uma carta endereçada ao bispo dom Moacir Silva. “Existe a necessidade de unificar a cidade e a região na luta pelo emprego e contra a ameaça aos poucos direitos trabalhistas que dispomos. Precisamos da igreja e da comunidade católica.”

Ontem foi um dia pacífico na frente da fábrica da GM de São José dos Campos, sem protestos ou paralisações na produção. Entretanto, ficou definido que no dia 24 de janeiro haverá um grande ato na praça central da cidade, na tentativa de reverter os cortes.

16/01/2009 - 10:17h Centrais sindicais ameaçam parar empresas que demitirem

Decisão, anunciada ontem, contou com a Força Sindical, que se afastou das negociações com a Fiesp

Paula Pacheco – O Estado SP

As centrais sindicais definiram ontem que vão reagir às demissões com uma onda de paralisações nas empresas de todo o País. Participaram da reunião, organizada pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Força Sindical, Nova Central, União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). Faltou a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que ficou de fora da discussão porque terá na segunda-feira um encontro com todas as suas centrais estaduais e maiores sindicatos.

“Não podemos ficar assistindo às demissões. O próprio governo já percebeu que a marolinha vai ser uma onda grande de demissões. Será preciso uma injeção de dinheiro para evitar esses cortes”, avaliou Wagner Gomes, presidente da CTB. Uma das surpresas do encontro foi o anúncio do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, de que só voltará a negociar com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) daqui a 10 dias. Ele era voz isolada entre as centrais ao concordar com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, sobre a redução de salários e da jornada de trabalho.

Ontem, Paulinho preferiu se unir às outras centrais, que assinaram uma proposta para começar uma negociação governamental nas esferas federal, estadual e municipal. Ontem mesmo já começaram as costuras para reuniões com os ministros Carlos Lupi, do Trabalho, Guido Mantega, da Fazenda, e com o presidente Lula.

Skaf, agora apoiado apenas por um grupo de grandes empresários e parte dos sindicatos patronais , disse não se sentir isolado com a decisão. “Achei ótima a ideia do Paulinho de adiar o encontro. Semana que vem será o momento de unirmos forças pela redução da Selic e do spread bancário.”

O presidente da CUT nacional, Artur Henrique, também é favorável às paralisações. “A orientação é para que sejam feitas paralisações e greves no caso de cortes. É a forma de resistirmos.” O líder sindical tenta uma aproximação com o governo para avaliar maneiras de manter os atuais níveis de emprego do País.

Antes da decisão das centrais, as paralisações já vinham ocorrendo. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, onde a GM desligou 802 temporários, conseguiu parar a produção por dois dias, num total de quatro horas. Ontem participaram da manifestação cerca de 5 mil trabalhadores.

Os presidentes dos três sindicatos dos metalúrgicos do ABC, que representam aproximadamente 140 mil trabalhadores, defenderam ontem a união das bases, passando por cima das divergências entre CUT e Força Sindical, para enfrentar o processo de demissões já desencadeado nas indústrias e a proposta do empresariado de redução da jornada com corte de salários. Como primeira atividade conjunta, representantes de São Bernardo estarão hoje , às 13h30, em frente à Magneti Marelli Cofap, em ato promovido pelos metalúrgicos de Santo André contra a ameaça de demissão de 150 operários.

O grupo de sindicalistas do ABC defende estabilidade de emprego de seis meses, por decreto-lei, no caso de empresas que recebem ajuda financeira pública.As demissões no ABC desde outubro até o momento, segundo os presidentes dos sindicatos, atingiram cerca de 2,2 mil operários.

Ontem, representantes do Sindicato Metabase de Itabira (MG) reuniram-se com a rede CUT Vale, que representa os sindicatos ligados à Vale, para organizar um ato em frente à sede da empresa no Rio de Janeiro, em 11 de fevereiro. A mobilização vai repudiar as demissões e as propostas de flexibilização de direitos trabalhistas. Mesmo os sindicatos que aceitaram acordos com a suspensão temporária do contrato de trabalho, como o Metabase de Corumbá (MS), apoiam a manifestação. “Negociamos suspensão por dois meses para 95 trabalhadores em troca da estabilidade, mas tivemos demissões”, disse o sindicalista Cassiano de Oliveira.

COLABORARAM PAULO JUSTUS e JOAQUIM ALESSI


Propostas para a crise

Fiesp:

- Redução da taxa básica de juros – Redução da jornada e do salário

- Desoneração da carga tributária CUT, CTB, CGTB, Nova Central e UGT:

- Empresas que receberem recurso público garantem os empregos

- Eliminação do banco de horas

- Aumento do seguro-desemprego

- Mais dinheiro do FAT para qualificação de mão de obra

- Queda da Selic e do spread bancário Força Sindical:

- Concorda com as propostas das outras centrais, mas aceita a redução dos salários

Ministério do Trabalho:

- Empréstimos com recursos do FGTS e Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) para a empresa que não demitir.

Ministério da Fazenda:

- É contra a garantia de emprego pela dificuldade de separar as demissões rotineiras da causadas pela crise

16/12/2008 - 09:29h Centrais sindicais repudiam flexibilização

http://www.sergeicartoons.com/Cartoons/imagens/Desemprego.jpg

Ana Paula Lacerda e Paulo Justus – O Estado SP

As centrais sindicais repudiaram a idéia de flexibilização temporária das leis trabalhistas, mencionada pelo presidente da Vale, Roger Agnelli, em entrevista publicada pelo Estado, no domingo. Os sindicalistas dizem que a mineradora tem condições de manter os empregos e está usando a crise como desculpa para fazer demissões.

Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique da Silva Santos, o momento é de garantir o emprego. Ele diz que parte dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador vai para o BNDES. “Esse dinheiro beneficia tanto a Vale quanto outras empresas e, por isso, elas deveriam diminuir os lucros e manter os empregos”.

Santos diz que os sindicatos ligados à CUT estão orientados a fazer mobilização e greve em caso de propostas de suspensão de contrato de trabalho e redução de jornada e de salário, ambas previstas em lei e defendidas por Agnelli.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira dos Santos, o Paulinho, criticou a idéia de mudança temporária nas leis trabalhistas. “Essa medida pode se tornar definitiva depois da crise, por isso não podemos mexer nas garantias dos trabalhadores”, diz. Paulinho admite a possibilidade de utilização dos instrumentos previstos na lei para garantir os empregos. “A suspensão do contrato e a redução de jornada com redução do salário devem se tornar mais freqüentes no ano que vem, com o agravamento da crise.”

A Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) condena toda mudança nas leis trabalhistas . “A choradeira dos empresários não tem nenhuma justificativa. Eles lucraram muito e agora querem descontar nas costas dos trabalhadores no primeiro momento de dificuldade”, diz o coordenador da entidade, José Maria de Almeida.

Apesar da contra-indicação das centrais, a suspensão de contrato de trabalho já ocorre em vários sindicatos. O Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas sugeriu a medida como forma de garantir o emprego nas indústrias de eletroeletrônicos, motos e autopeças. “Durante a suspensão, o funcionário recebe seguro-desemprego, depois volta ao trabalho”, diz o secretário do sindicato, Sidnei Malaquias.

A suspensão do contrato também é defendida pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Antonio Ramalho. “Não é o ideal, mas é melhor do que a demissão. Nesse meio tempo, o trabalhador poderia fazer algum curso, custeado pela empresa ou pelo governo.”

Na Vale, o Grupo Renovação, que representa oito sindicatos de trabalhadores da mineradora, assinou um acordo para a suspensão temporária do contrato de trabalho. “Essa medida será usada se necessário”, afirma o coordenador do grupo, Sebastião Alves Oliveira. Segundo ele, a medida pode atingir até quatro mil funcionários da empresa.

28/11/2008 - 14:46h Gotas

Loteamento

Gilberto Kassab está trabalhando em dobro para seus correligionários. Como não tem cargos para todos, novas pastas são criadas com um único objetivo: abrigar sua turma. O problema começa na definição de “sua turma”. Os demos ganham espaço, os tucanos perdem plumas.

Secretárias são divididas para tentar acolher a todos, novas pastas são criadas e mesmo assim a gritaria continua. Todos aguardavam a aplicação do princípio “é dando que se recebe”. Muitos deram e agora querem receber. Vereadores da base do governo estão revoltados com as “injustiças”. O PPS quer a Soninha, mas não na cota deles.

Uma parte do PSDB quer aproveitar para tirar Andrea Mattarazzo ou reduzir seu poder. A “turma do holerite” quer reconhecimento pelos serviços prestados.

A mídia trata com objetividade a necessária articulação das forças políticas da base do governo municipal (quanta diferença com o tratamento dado, por exemplo, a Eduardo Paes no Rio atacado por nomear Jandira na Cultura. No Rio era loteamento e falta de curriculum, aqui, nada. Em se tratando de Kassab -e de seu padrinho- a mídia não põe sua boquinha no trombone).

 

Dilma

http://www.bid.mg.gov.br/gera_noticias.asp?id=1027O DEM vai entrar com representação contra Dilma, pelo apoio que alguns oradores deram a sua candidatura à presidencia em ato no planalto. O DEM é aquele que em plena campanha eleitoral assinou um checão publicitário, após ter tentado utilizar os subprefeitos para influenciar uma pesquisa Datafolha.

A representação contra Dilma é por uso da máquina. A oposição não percebeu que quanto mais bate na Dilma mais ela cresce nas pesquisas o que é uma boa coisa para os que defendemos sua candidatura.

 

DÍVIDA/PIB

A relação dívida/PIB do Brasil  atingiu um dos menores patamares dos últimos 10 anos:  36,6% . Uma vitória e tanto para o governo Lula e fator essencial da força que o Brasil mostra para resistir aos efeitos da crise internacional. Para se ter uma idéia, segundo a OCDE,  em 2010, a dívida pública da França passará do 70% em relação ao PIB e está previsto subir acima de 60% na Inglaterra. Para a União Européia está relação não deveria superar os 60%.

A S&P estimava, numa simulação velha de 3 anos, que se nada for feito entretanto, a dívida do governo dos EUA vá ser de 239% do PIB em 2050, ante 70% hoje. Na mesma data, a relação dívida/ PIB da França será de 235%, ante 66% hoje. Já a relação dívida/PIB da Alemanha em 2050 será de 221%, ante 68% hoje, e a do Reino Unido, de 160%, ante 42% hoje. Depois a realidade está levando os países ricos a jogar trilhões para evitar o colapso, ou seja um endividamento ainda maior, enquanto o PIB vai para o chão.

A relação dívida/PIB mostra se um país é solvável e tem capacidade a pagar suas dívidas. Os EUA concentram a maior dívida do planeta que atinge hoje mais de 70% do seu PIB.

Mesmo assim, nesta fase da crise planetária, o pânico que tomo conta do mercado de capitais precipita uma fuga em direção aos papeis dos… Estados-Unidos.

Uma prova a mais que a economia mundial gira entorno da economia americana. Mesmo doente. É que os EUA tem o maior PIB do planeta também e uma coisa explica a outra.

 

Tout et n’emporte quoi

sarko_hope.jpgEm Paris uma campanha do partido do presidente de direita, Sarkozy, o compara a Obama. Seria mais apropiado compará-lo a uma girueta.

Sarkozy foi eleito proclamando com orgulho que o liberalismo praticado por Bush nos EUA era um bom exemplo para França. Que o Estado devia reduzir seu papel e que o caixa estava vazio para continuar gastando com o serviço público.

Hoje ele se ve como Obama e não pára de reivindicar o papel do Estado, especialmente para dar dinheiro ao setor privado em crise.

Neste momento, em Paris, está passando um filme comico com Valerie Lemercie, conhecida atriz francesa. O personagem que ela representa é racista e reacionária, mas vira negra da noite para o dia. Deve ser o mesmo fenomeno que atingiu o presidente francês.

 

ArcelorMittal demite

A ArcelorMittal, maior grupo siderúrgico do mundo, anunciou ontem o lançamento de um programa global de desligamento voluntário que poderá envolver até 9 mil funcionários, ou cerca de 3% da força de trabalho mundial do grupo. De acordo com a empresa, os cortes se concentrarão primeiramente em empregos não ligados à produção e sobretudo nas áreas de vendas, geral e administrativa.

No Brasil, a empresa começa a intensificar os ajustes. O grupo já deu férias coletivas a 1,105 mil funcionários nas unidades de aços longos de João Monlevade e Juiz de Fora, em Minas Gerais, segundo informações dos sindicatos locais, que foram confirmadas pela companhia. A empresa tem, no total, 15,97 mil empregados no País, sem incluir a operação de aço inox.  Fonte O Estado SP

 

Soneto do cativo

casalnupaulofranco.jpg

Se é sem duvida Amor esta explosão
de tantas sensações contraditórias;
a sórdida mistura das memórias,
tão longe da verdade e da invenção;

o espelho deformante; a profusão
de frases insensatas, incensórias;
a cúmplice partilha nas histórias
do que os outros dirão ou não dirão;

se é sem dúvida Amor a cobardia
de buscar nos lençóis a mais sombria
razão de encantamento e de desprezo;

não há dúvida, Amor, que te não fujo
e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
tenho vivido eternamente preso!

David Mourão-Ferreira (Poeta português, 1927-1996).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotos: Paulo Franco e Paulo César

 

Gotas, por Luis Favre

19/11/2008 - 09:15h Para metalúrgicos, crise é passageira

 
Jefferson Dias/Valor
Benigno José Domingues, metalúrgico do ABC: pescaria, mas perto de casa

 

 

 

De São Bernardo do Campo – VALOR  

A chuva forte da manhã, substituiu o fim de semana ensolarado na grande São Paulo, e cedeu lugar à velha garoa, fina e constante. A instabilidade do clima, semelhante a dos mercados financeiros, fez companhia aos humores dos metalúrgicos da base sindical de São Bernardo do Campo na noite de segunda-feira. Aos poucos, alguns prevenidos chegavam com seus guarda-chuvas e jaquetas, outros não ligavam para a mudança do clima e uma camiseta já era suficiente para ficar a vontade.

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo foi falar sobre a crise financeira e seus impactos sobre o Brasil. Metalúrgicos das grandes montadoras (Ford, Volkswagen, Mercedes Benz) e das autopeças lotaram a sala reservada para o evento. Na platéia, muitos estão com férias coletivas marcadas, mas a maioria apenas para o fim do ano, como é tradicional na base do sindicato. Os semblantes eram menos nublados do que se poderia esperar. E as preocupações também. Nas autopeças, o temor de demissões é maior; nas montadoras, os trabalhadores mantém os planos de consumo para o Natal, esperando que os brasileiros também continuem comprando carros novos.

De camisa pólo branca, Benigno José Domingues, conhecido como “Maluf” por conta de algumas semelhanças com o político, chegou com 20 minutos de antecedência. Aos 53 anos, trabalha no setor metalúrgico desde 1977, quando começou na Volkswagen. Desde 1996, está na Delga Indústria e Comércio, empresa de autopeças, como operador de empilhadeira.

Domingues conta que há vários anos não ouvia falar em férias coletivas, medida anunciada nos últimos dias na empresa em que trabalha. Ele diz que ficará parado por duas semanas (a partir de 22 de dezembro), mas não vê riscos de que a crise afete a fábrica onde está empregado, pois espera que a partir de janeiro a situação melhore. Para o período que ficará parado planeja a pescaria. “A gente tem chumaço (isca), vamos descer até o riacho e pescar um pouquinho” brinca o operário. Apesar da tranqüilidade que manifesta, está atento. “Não dá para ir para muito longe, a gente fica preocupado, o dinheiro que a gente pega é preciso guardar e segurar, a gente não sabe, né?”, pondera o metalúrgico.

Objetivo e com um bloquinho de anotações, ele foi à palestra à procura de uma “orientação”. “É muito importante participar desses debates para o nosso dia a dia, temos que fazer tudo com o pé no chão” observa Domingues. Ele admite estar preocupado com o cenário para as autopeças. Sempre atento ao que acontece com as montadoras, ele descreve que o clima entre os funcionários na empresa é de preocupação, principalmente por conta de demissões noticiadas em outras autopeças de Diadema, na base do sindicato. Ontem, em Campinas, novas demissões foram anunciadas na Foxconn, de eletroeletrônicos.

Outro operário do setor de autopeças que apareceu para conferir as análises da crise, foi José Augusto, de 38 anos. Na Welcon Fasteel, fábrica em que trabalha há cinco anos e sete meses como operador de máquina no departamento de estamparia, Augusto faz parte da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e do Comitê Sindical da Empresa (CSE).

Na empresa foram anunciadas férias coletivas para o início de dezembro para acompanhar o calendário das montadoras, o que reforçou, no início, o clima de preocupação entre os trabalhadores, conta Augusto. “O pessoal ficou meio surpreso no começo, mas agora já estão assimilando melhor o fato, embora a maioria tema demissões”, acrescenta.

Se para os trabalhadores das autopeças as dúvidas pairam e criam nebulosidades, para os jovens colegas de trabalho e ponteadores da Ford, Sandro Randal Alves, 31 anos, e Jairo de Souza Franco, de 25, o céu cinzento da mudança não provocará diferenças.

Alves completou o ensino médio e decidiu investir em cursos do departamento de Formação Sindical. Fez dois, um de Ergonomia e outro de Formação para Formadores. Orgulha-se das oportunidades e empenha-se em acompanhar de perto tudo o que está ligado às questões trabalhistas.

A Ford informou que as férias coletivas começarão a partir de 15 de dezembro. Para Alves, a parada representa uma pequena diferença na programação dos anos anteriores, mas não implica na desaceleração na produção, e pode ser explicada como uma necessidade de adaptação dos estoques.

Para os seus companheiros de produção, contudo, a notícia não foi recebida com tanta frieza. Alves conta que há muitos trabalhadores apreensivos, mas responsabiliza a mídia pelo clima de desconfiança. Para o Natal, com sua esposa e as duas filhas, ele não pretende alterar os hábitos em comparação com outras festas. Nas férias coletivas, vai aproveitar para descansar e estudar.

Com voz de locutor de rádio e poucas palavras bem cuidadas, o companheiro de trabalho de Alves, o tímido mineiro Jairo concorda com a análise de que o setor não sofrerá grandes adaptações. Em São Paulo desde os 12 anos, quando veio morar com a tia para estudar e depois trabalhar, Jairo planeja uma visita à mãe em Minas Gerais nas férias coletivas. E não teme perder o emprego na volta.

Na Volkswagen, o clima é um pouco mais apreensivo entre os funcionários, segundo o coordenador do comitê sindical, Reinaldo Marques. As notícias de carros parados nos pátios trazem preocupação e levam os operários a questionar as medidas que a empresa pode tomar nos próximos dias.

 

07/11/2008 - 11:19h Têxteis e calçadistas reduzem férias

Davilym Dourado / valor

Com estoques altos, Buettner concede férias coletivas a todos os funcionários, afirma o presidente da empresa, João Henrique Marchewsky

VALOR de São Paulo. Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis e Recife

http://www.assintecal.org.br/assintecal/images/conteudofoto/conteudo_14731_foto_1_calcadistas.jpgNos setores têxtil e calçadista, as férias de fim de ano foram mantidas e, alguns casos, até reduzidas. Um dos principais pólos calçadistas do Rio Grande do Sul, Sapiranga está registrando reduções nos períodos de férias coletivas devido ao mercado aquecido para as indústrias do setor, disse o diretor do sindicato dos trabalhadores local, Leandro dos Santos. A Paquetá, que opera nos mercados interno e externo e emprega 3 mil pessoas na cidade, decidiu substituir o período tradicional de 15 a 20 dias de férias pelo período entre o Natal e o Ano Novo que totaliza nove dias.

O quadro é semelhante na Daibi, com 600 funcionários. Focada no mercado externo, a empresa vai conceder 15 dias de férias, contra os 20 dias nos anos anteriores, mas o período exato não foi comunicado ao sindicato, disse Santos. A Beira-Rio já informou que vai parar do dia 22 de dezembro a 10 de janeiro, repetindo os 20 dias de férias concedidos no ano passado.

Em Parobé, também no Rio Grande do Sul, a Azaléia, com 5,3 mil funcionários, deve manter, “em princípio”, os 20 dias de férias tradicionais, comentou o presidente da entidade, João Pires. A maior preocupação na cidade é com os mais de 400 pequenos “ateliês”, que empregam 4 mil pessoas e produzem como terceirizadas para empresas exportadoras, diz. Conforme Pires, com a retração de consumo nos Estados Unidos, maior importador de calçados brasileiros, e com as alegadas perdas provocadas pelas operações de derivativos, as empresas contratantes estão reduzindo as encomendas e nos últimos meses pelo menos 100 pessoas perderam o emprego nos ateliês.

Em Santa Catarina, Malwee e Marisol, darão férias coletivas a todos os seus funcionários entre novembro e dezembro, informou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Têxteis de Jaraguá do Sul, Gildo Antônio Alves. O período de 20 dias será o mais comum entre as empresas da região, que somam 450 indústrias. Com encomendas fortes, a Marisol será uma exceção. Neste ano, a empresa reduziu as férias coletivas de 20 para 13 dias.

Em Brusque (SC), a Buettner pretende dar 14 dias de férias coletivas, começando no dia 22 de dezembro. O presidente da empresa, João Henrique Marchewsky, observa que as férias em 2007 foram de dez dias e a empresa não ficou totalmente sem produzir no período. Dessa vez, a parada será de 100% dos funcionários. O período será maior por conta do aumento dos estoques e pelas perspectivas de um primeiro trimestre mais fraca de encomendas em 2009, em razão da crise econômica mundial. A empresa tem 1,4 mil empregados.

De acordo com o Sindicato dos trabalhadores das Indústrias Têxteis de Blumenau, que representa funcionários de 211 indústrias, ainda não foram comunicadas as férias coletivas de grandes empresas como Teka, Hering e Coteminas. Vivian Bertoldi, presidente do sindicato, acredita que as empresas concederão de 10 a 20 dias. A Teka informou que fará uma parada entre 22 de dezembro e 11 de janeiro. A expectativa é de férias de 10 dias na Hering e de 20 dias na Coteminas. Caso venha a conceder, será a primeira vez que a Coteminas, com uma fábrica em Blumenau, terá férias coletivas na cidade.

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Calçados e Vestuário de Crato e Juazeiro do Norte, no Ceará, não recebeu nenhum aviso de férias coletivas. No ano passado, nesta mesma época, algumas firmas já tinham comunicado que dariam férias. O Sindicato dos Metalúrgicos (Sindimetal) também informou não ter recebido avisos de férias coletivas.

A Baterias Moura, de Pernambuco, optou por iniciar as férias coletivas em outubro para cerca de 10% do quadro de funcionários. O sistema funcionará assim até dezembro, segundo Sérgio Moura, vice-presidente da companhia. Em outubro, as vendas para as fabricantes de automóveis caíram 5%, e as exportações, 20%. Por causa disso, o executivo estima que as vendas do último trimestre de 2008 serão 10% menores em relação ao mesmo período de 2007.

Para o próximo ano, entretanto, a expectativa de Moura é de melhora na demanda. “Ainda são sabemos muito bem quanto, mas trabalhamos com crescimento para 2009. Por isso optamos por não demitir os trabalhadores.” O vice-presidente prevê alta de 20% nas exportações de 2009 e de 5% na venda para montadoras. Para ele, o câmbio está mais favorável às vendas externas. “E creio que os bancos das montadoras vão financiar mais os carros.”

Mesmo no segmento de autopeças, o período de férias coletivas foi mantido em algumas praças. Em Caxias do Sul (RS), apenas algumas empresas de pequeno e médio porte da cadeia de produção de autopeças, com até 200 funcionários, encaminharam os programas de férias coletivas, informou o diretor do sindicato dos metalúrgicos local, Antônio Homem. Em geral as férias vão de 22 de dezembro a 4 de janeiro. “Normalmente esse é o período concedido pelas empresas da região”, afirmou.

O grupo Randon, um dos maiores do município, também concederá férias do dia 19 de dezembro a 4 de janeiro, mantendo uma “tradição histórica” da companhia, informou o diretor corporativo de relações com investidores, Astor Schmitt. No período 2007/08, a parada foi de 22 de dezembro a 6 de janeiro. Segundo o diretor do sindicato dos metalúrgicos, a base de atuação da entidade, que inclui Caxias do Sul e oito pequenos municípios vizinhos, reúne cerca de 40 mil trabalhadores do setor.

A situação se repete em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, onde trabalham em torno de 11 mil metalúrgicos, disse o presidente do sindicato local, Nelson Luiz da Silva. A entidade ainda não recebeu nenhum comunicado formal das empresas, mas as informações disponíveis são de que elas vão conceder 20 dias de férias entre o Natal e o Ano Novo.

21/09/2008 - 12:21h Companheiro Eleno Bezerra, presente!

eleno_marta.jpg

O Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de SP, Eleno José Bezerra, 52 anos,  morreu ontem em um acidente de carro.

Horas antes tinha participado do comício na zona norte, com Lula e Marta.

O companheiro Eleno assumia também a prêsidencia da Confederação dos Metalurgicos e era um dos principais dirigentes da Força Sindical.

Eleno se engajou de corpo e alma na campanha de Marta. Esteve com ela no Sindicato das Costureiras, na porta da fábrica MWM e em inumeras atividades de campanha.

Uma relação de amizade e companheirismo existia entre Marta e Eleno.

O choque foi imenso e a dor também. Eleno era pernambucano, casado pela segunda vez e tinha dos filhos. Um deles estava junto com ele no acidente, mas saiu com poucos ferimentos.

A perda é grande para os trabalhadores metalúrgicos, para a Força Sindical e para a família.

Para nós também.

Luis Favre

http://www.fsindical.org.br/fs/images/stories/noticias/nota_falecimento_eleno.jpg

Nota da Força Sindical

É com imenso pesar que as Diretorias da CNTM – Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, entidades filiadas à Força Sindical, comunicam o falecimento do companheiro Eleno Bezerra, presidente da CNTM e do Sindicato, na tarde deste sábado (20 de setembro).

O velório será realizado no Palácio do Trabalhador, rua Galvão Bueno, 782, Bairro Liberdade, em São Paulo.

Lamentamos o ocorrido e oferecemos aos familiares nossas condolências, bem como nossos mais estimados préstimos.

Biografia

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, e da CNTM (Confederação nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos), Eleno José Bezerra nasceu em 17 de julho de 1956 em Caetés, agreste de Pernambuco, na época município de Garanhuns. É casado pela segunda vez e tem um casal de filhos. Filho de trabalhadores rurais, concluiu o curso primário em Caetés. Junto com três irmãos trabalhou com os pais nas lavouras de feijão e milho e com pecuária. Aos 18 anos veio para São Paulo em busca de capacitação profissional e para continuar os estudos.

Primeiro emprego: Metalúrgica Deca, em 1975, de onde foi demitido em 1979 por participar de greve da categoria. Iniciou sua militância sindical e política em 1978, quando ainda estava na empresa. Já trabalhando na Metalúrgica Rio, nos anos seguintes, participa, como ativista do Sindicato, das lutas políticas pela redemocratização do Brasil, dos movimentos por melhores condições de vida, e começa a se destacar por sua capacidade de liderança nas lutas dos metalúrgicos.

Combativo na defesa de suas idéias, aberto ao diálogo e considerado um bom negociador, é eleito pela primeira vez para a Diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo em 1987, na chapa de Luiz Antonio de Medeiros. Aliado a Paulinho, ajuda a formular e a implementar a política conhecida como Sindicalismo de Resultados e mudanças provocadas pela globalização, que dá grandes vitórias e projeção nacional ao Sindicato. Participou de várias greves pelos direitos trabalhistas, inclusive na ação dos 147% para os aposentados.

Destacou-se como um dos representantes mais ativos do Sindicato, motivo pelo qual é um dos sindicalistas mais procurados para participar de debates sobre temas como Previdência Social, redução da jornada de trabalho, legislação trabalhista, PLR (Participação nos Lucros ou Resultados), mudanças no sindicalismo, geração de empregos, entre outros temas. Em fevereiro de 1996, assumiu a Secretaria-Geral do Sindicato. Conhecendo a fundo a estrutura social, e com sua experiência de lutas nas fábricas, Eleno dá continuidade à política formulada por Paulinho, presidente da Força Sindical, de luta e negociação, firmeza de princípios e diálogo responsável com os empresários e com o governo, no caminho permanente que possibilite a conquista de melhores condições de vida, trabalho, dignidade e bem-estar dos trabalhadores e suas famílias.

Em 1998, foi coordenador da campanha eleitoral que elegeu o diretor do Sindicato Cícero de Freitas a deputado estadual, e Luiz Antonio de Medeiros, então presidente da Força Sindical, a deputado federal. Em 2000, foi um dos coordenadores da vitoriosa campanha eleitoral dos vereadores Raul Cortez e Toninho Campanha. Em 2002, participou da campanha que reelegeu Medeiros a deputado federal e também foi um dos coordenadores da Campanha Salarial que resultou em um dos melhores acordos salariais em relação a outras categorias.

Em 2003, Eleno assumiu a Presidência do Sindicato com o afastamento de Paulinho, que passou a se dedicar mais exclusivamente à atividade política e à Força Sindical. Promoveu a Campanha Salarial Emergencial, deu início aos Ciclos de Debates voltados aos trabalhadores da categoria, Cursos de Formação Delegados Sindicais e o 10º Congresso dos Metalúrgicos, entre outras ações, visando uma maior aproximação com a base e o fortalecimento do Sindicato.

Em 2004, foi coordenador da Campanha Salarial que garantiu a reposição integral da inflação aos salários e um aumento real de 4% para os trabalhadores, bem como da eleição do diretor do Sindicato, Cláudio Prado, a vereador de São Paulo. Em dezembro do mesmo ano, nas eleições sindicais, foi eleito presidente do Sindicato, com 96,2% dos votos.

Em 2005, coordenou novamente a campanha salarial que levou à conquista de mais aumento real de salário para a categoria. Nos dois anos de mandato como presidente do Sindicato, as duas campanhas salariais que conduziu conquistou um aumento real global (acima da inflação) de 7%.

Por sua militância e ações políticas, em 27 de outubro de 2005, Eleno foi eleito, por unanimidade, presidente da CNTM, confederação filiada à Força Sindical que reúne 150 sindicatos e federações de metalúrgicos, que representam 1,2 milhão de trabalhadores no País. À frente da entidade, vinha promovendo diversas ações, entre elas, seminários, encontros, cursos de formação de dirigentes visando a unificação da categoria metalúrgica em âmbito nacional e o fortalecimento das entidades.

09/09/2008 - 09:30h Metalúrgico estimula bancário a obter reajuste real elevado

http://laurobarbosa.com/wp-content/uploads/2007/09/megafone.gifVALOR

A negociação de data-base dos metalúrgicos, que no fim de semana garantiu à trabalhadores de montadoras do ABC reajuste salarial de 11,01%, sendo 3,6 pontos percentuais de ganho real, trouxe ânimo extra aos bancários, que iniciam na próxima semana as negociações de reajustes para a categoria. “Sem dúvida, a conquista dos metalúrgicos reforça nosso argumento”, diz o presidente da Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e coordenador do comando nacional que negocia os reajustes salariais dos bancários, Wagner Freitas.

A categoria, que iniciou ontem a rodada de negociações de cláusulas sociais com os bancos, reivindica um ganho sobre a inflação de 5 pontos percentuais. A proposta será colocada em debate na reunião marcada para o dia 16. A partir daí, as instituições financeiras terão até a data da plenária nacional dos bancários (marcada para 25 de setembro) para aprovar a proposta ou fazer uma contra-oferta. “Caso não haja acordo, também estamos dispostos a deflagrar greve a partir da data da plenária”, diz Freitas. Para o sindicalista, o momento de negociar ganhos reais é este, em que a economia brasileira se expande e dá sinais de que crescerá de forma sustentada. “Essa crença é o que levou as montadoras a aceitarem o repasse.”

A Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar) também trabalha com o objetivo de obter ganhos mais robustos na negociação, que se inicia no dia 19. A categoria, que reúne profissionais das indústrias química, cosmética e de fertilizantes, exige reajuste de 15%, sendo 7% de reposição da inflação, afirmou o presidente da Fequimfar, Danilo Pereira. “As indústrias do setor, como o setor automotivo, tiveram ganhos de produtividade e a idéia é que dividam os ganhos.”

O coordenador da campanha salarial da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antonio de Moraes, também vai exigir da Petrobras, na primeira rodada de negociações que ocorre no dia 16, aumento real de 5%, apoiando-se nas negociações realizadas por outras categorias ao longo do ano. Para o supervisor do escritório regional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), José Silvestre Prado de Oliveira, o reajuste aos metalúrgicos – certamente um dos maiores registrados no ano – reforça o poder de negociação de outras categorias que têm data-base no segundo semestre. “Os metalúrgicos são uma categoria que serve como referência para as negociações de outros grupos”, afirmou.

Mesmo entre os metalúrgicos, a negociação fechada no sábado pelos trabalhadores do ABC serviu de referência para que os trabalhadores da Volkswagen do Paraná endurecessem o discurso. Na semana passada, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba obteve reajuste de 10,1%, sendo 2,6% de ganho real, mas a proposta foi rejeitada pelos trabalhadores da Volks, que querem o mesmo reajuste obtido pelos metalúrgicos do ABC, abono superior aos R$ 1,45 mil oferecidos pela montadora e pagamento dos dias parados, afirmou Sérgio Butka, presidente do sindicato. Em São Paulo, os metalúrgicos do setor de autopeças, funilaria e forjaria também recusaram a proposta das indústrias (8,8% de reajuste, sendo 1,5% de aumento real) para exigir ganho acima da inflação de 3,6%. (CB)

07/09/2008 - 10:58h Lula y su “momento mágico”

http://www.clarin.com/suplementos/zona/2008/09/07/thumb/tapa_zona.jpg
Por: Ricardo Kirschbaum
Fuente: EDITOR GENERAL DE CLARIN

Está convencido del “momento mágico” que vive Brasil. Más que eso, está embelesado de que ese “momento mágico” ocurra en su tiempo y, aunque lo intenta esconder en un tono modesto, que haya sido obra de “este tornero metalúrgico” como él se describe a sí mismo. Lula da Silva está encendido, entusiasmado con el Brasil contemporáneo. Pero, por sobre todo, está decididamente seguro que el futuro próximo mostrará un país distinto, moderno y mucho más justo que el actual. Hasta parece convencido cuando incluye a la Argentina en esos tiempos venturosos que espera ver antes de partir.No es un cumplido la inclusión de Argentina, como no lo fue la elección de un detalle, como su corbata celeste y blanca, que exhibía descuidadamente para que los cronistas tomaran nota, ni la referencia crítica al entrenador brasileño de fútbol, Dunga, por la pobre actuación de su equipo en las Olimpíadas que ganó la Argentina.

Educado, también felicita por eso. En el extenso reportaje que concedió a Clarín, que reproducimos en esta edición y en la de mañana, Lula habló como un hombre siente que puede trascender como la bisagra histórica que puso a su país como una potencia mundial. Habla de los planes, del volumen de la inversión (900 mil millones de dólares), de los pasos que hay que dar para no perder el tren de la Historia. Parece un hombre que se ha desprendido del pasado, de su pasado, pero que no olvida sus orígenes metalúrgicos y de sindicalista.Recuerda que estuvo treinta años en la trinchera de la oposición y de la izquierda. Y que en el poder se dio cuenta que la negociación y la búsqueda radical de acuerdos ha sido más valioso que la crispación y el enfrentamiento, quizás un mensaje al gobierno de un país limítrofe al que no se cansa de llamar socio, aliado. No hay otro camino para Brasil y la Argentina, dice este pernambucano, con un discurso sólido, cuando explica que hay que pensar en la región, más que en agradar a los Estados Unidos o a los europeos.
Cree que si somos internamente fuertes y desarrollados, si estimulamos nuestro potencial sin prejuicio, si trabajamos todos los días como lo hace un tornero o un vendedor ambulante para ganarse el pan, seremos respetados y considerados en el mundo.

Hay voces, sin embargo, más crudas y más duras: Brasil no quiere asociarse con la Argentina; quiere comprarla, dicen otros.Lula recibió a Clarín horas después de haberse reunido con un grupo de cartoneros en Belo Horizonte. Y confiesa en ese ambiente se siente cómodo, con ellos sigue siendo Lula. Es más: planea una gran concentración de los sectores más pobres y desfavorecidos para agradecerles el apoyo y su paciencia en la redistribución de la riqueza que no llega a la velocidad que desearía. No le preocupa la oposición porque, explica, ésta tiene una tarea: evitar que el gobierno tenga éxito. Dice que es comprensible, es la naturaleza de la política: un combate de opuestos que debe resolverse con racionalidad e inteligencia.

Cristina Kirchner estará hoy en Brasilia, en los fastos por la independencia de ese país. Mañana se encontrará con Lula para firmar acuerdos y para mostrarse en un ambiente internacional amistoso, algo que no es frecuente para la Presidenta argentina. Argentina debe decidir qué quiere hacer por sí misma, si convertirse en Canadá agropecuario de su poderoso vecino o buscar un destino de autonomía inteligente, en un mundo y en una región en que las oportunidades se abren muy ocasionalmente.

07/09/2008 - 10:44h Metalúrgicos do ABC fecham acordo e suspendem greve

Sindicalistas aprovam proposta das montadoras
Ernesto Rodrigues/AE

Sindicalistas aceitam reajuste salarial de 11,01% proposto pelas montadores; aumento real é de 3,6%

Rodrigo Petry, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – Os metalúrgicos do ABC aprovaram neste sábado em assembléia a proposta das montadoras de reajuste salarial de 11,01%, o que representa um aumento real de 3,6%. “Foi um valor bastante significativo”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre. A categoria ameaçava entrar em greve por tempo indeterminado caso um índice satisfatório de reajuste não fosse atingido.

Além do reajuste, Nobre afirmou que foi acertada ainda a elevação do piso da categoria em 12,6%, que passará de R$ 1.110,00 para R$ 1.250,00. Os metalúrgicos receberão abono em setembro de R$ 1.450,00. “Com o abono, a reposição real chegará a 5%”, afirmou Nobre.

As bancadas patronal e sindical ficaram 18 horas em reunião, até as 4h30 deste sábado. Participaram junto dos metalúrgicos do ABC, os de Taubaté, São Carlos e Tatuí. A proposta foi aceita também pelos trabalhadores do chamado grupo 8, das áreas de metais não-ferrosos, balanças e laminação.

“A expansão da indústria automobilística no último ano nos colocou em condições de buscar esse aumento dos salários”, disse Nobre. Em 2 de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia de posse da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e, em seu discurso, disse aos metalúrgicos que a hora de se lutar por aumentos reais de salário é justamente quando a economia está em crescimento, o que vem acontecendo com o País.

Na segunda-feira, os trabalhadores do setor de autopeças vão se reunir para negociar o reajuste salarial. Essa categoria sempre espera as montadoras para definir seus reajustes.

05/09/2008 - 10:11h Volvo reajusta salário em 10%. No ABC, impasse

Assembléia de metalúrgicos da Teksid do Brasil e da Nemak, em Betim (MG)http://portalctb.org.br/site/images/stories/Imagens/di_greve_mg_metal_teksid_nemak_betim.jpg

Continuam em greve no Paraná trabalhadores de Volks, Renault e Nissan.

Em SP, funcionários pararam por 2 horas

Lino Rodrigues – O Globo

SÃO PAULO e RIO. A onda de paralisações de trabalhadores das montadoras produziu ontem um primeiro resultado. A Volvo aceitou conceder 10% de reajuste linear a seus empregados, a ser pago a partir deste mês, mais abono de R$ 1.500. As duas partes cederam: os metalúrgicos, que pediam 5% só de reajuste real (acima da inflação), e a empresa, que reviu sua oferta de 1,25% para 2,5%. A fábrica da Volvo, na Região Metropolitana de Curitiba, estava parada há três dias. Continuam parados na região os 8 mil trabalhadores de Volkswagen, Renault e Nissan. Ao contrário da Volvo, as três querem que o reajuste seja apenas a partir de dezembro.

O impasse também perdura no ABC paulista, onde paralisações de uma a duas horas interromperam ontem a produção na Ford, na Volks e na Scania. Até as 21h de ontem, representantes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e do Sinfavea (das empresas) continuavam reunidos em São Paulo para tentar um entendimento. De manhã, em assembléias, os trabalhadores decidiram suspender a produção extra para este fim de semana. Eles ameaçam entrar em greve por tempo indeterminado na segundafeira, caso as montadoras não apresentem nova proposta.

A entidade não revela a proposta feita aos empresários. — Acreditamos que as empresas vão oferecer proposta razoável para evitar uma greve que não interessa a ninguém — disse o presidente do sindicato, Sérgio Nobre, antes da reunião.

Os metalúrgicos da Força Sindical (mais de 700 mil no estado de São Paulo) devem engrossar o movimento na próxima semana. Ontem, eles fizeram passeata na Avenida Paulista para entregar a pauta de reivindicações à Fiesp. A campanha envolve 54 sindicatos com data-base em 1ode novembro, e reivindica 20% de aumento salarial e jornada de 40 horas semanais.

A pressão dos metalúrgicos pegou as montadoras com estoques em alta, diz a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O volume de veículos nas concessionárias e na indústria subiu 30% entre julho e agosto, de 23 para 30 dias. Para o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, a alta reflete a acomodação do mercado de carros no país, após sucessivos recordes. As vendas de veículos caíram 15,1% em agosto sobre julho, mas subiram 4% contra igual mês de 2007, atingindo 244,8 mil unidades. Já a produção recuou 1% na comparação mensal e avançou 12,6% na anual. — Você não pode crescer sempre 25% — disse Schneider. Sobre as negociações com os metalúrgicos, ele afirmou: — Acredito na maturidade dos atores (sindicalistas e empresários) e que chegaremos a um ponto de equilíbrio com a expectativas dos trabalhadores.

Protesto no Rio deu um nó no trânsito do Centro

No Rio, metalúrgicos da capital, de Niterói e Angra fizeram manifestação em frente à sede da Petrobras, no Centro, pela construção da plataforma P-62 no estaleiro Mauá, de Niterói. Cerca de 3 mil manifestantes iniciaram a caminhada na Praça XV, dando um nó no trânsito. Segundo sindicalistas, a construção da plataforma pode gerar 2.500 empregos no Rio, mas corre o risco de ser levada para outro estado.

05/09/2008 - 09:14h Sem acordo, metalúrgico ameaça greve geral na 2ª. Inflação pesa nas negociações salariais

http://byfiles.storage.live.com/y1pCSubwcsXGP45cYIfqT1EgtiUCDGugDMpTGSMbADhVzsJyP7DSALcsHZ8zfdLbFKyW-IucXcbhT8

CLAUDIA ROLLI – Folha de São Paulo


DIMITRI DO VALLE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA

Sem chegar a um acordo salarial com as montadoras, os metalúrgicos de Volkswagen, Ford, Scania e Mercedes-Benz decidiram suspender a realização de horas extras e a produção no final de semana para pressionar os fabricantes de veículos a negociarem um aumento real “razoável”. Se não houver acordo até amanhã, a categoria pode fazer greve geral a partir de segunda-feira.

A medida vale para os trabalhadores do ABC de outras empresas que também estão em campanha salarial, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (CUT). Ao menos 10 mil empregados da Volkswagen, Ford, Scania e autopeças de Diadema paralisaram em até duas horas as atividades ontem.

As paralisações, concentradas na entrada dos turnos da manhã, não afetaram a produção, segundo as montadoras.

No Paraná, base da Força Sindical, cerca de 8.000 metalúrgicos da Renault/Nissan e Volkswagen/Audi decidiram ontem manter a greve em São José dos Pinhais. A paralisação completa hoje cinco dias.

Até a noite de ontem, representantes das montadoras do ABC e dos trabalhadores estavam reunidos na sede do Sinfavea (sindicato dos fabricantes de veículos) para tentar chegar a um acordo.

“As montadoras têm até sábado [amanhã] para apresentar um proposta decente, caso contrário a greve será por tempo indeterminado a partir de segunda-feira. O que foi oferecido está longe do razoável”, afirma Sérgio Nobre, presidente do sindicato da categoria no ABC.
“Na negociação, pensamos a longo prazo e não apenas no atual momento da indústria, assim como as decisões sobre investimento. Temos de pesar também as condições competitivas da indústria no cenário internacional e nos impactos de qualquer aumento de custo”, diz Jackson Schneider, presidente da Anfavea (fabricantes). “Estamos abertos à negociação e acredito na maturidade dos atores nesse diálogo.”
Os sindicalistas não divulgam o índice de reajuste pretendido no ABC, mas já descartaram a proposta feita anteriormente de 1,25 ponto percentual de aumento acima da inflação.

No ano passado, o aumento real nos salários chegou a 2,5 pontos acima da inflação. A indústria automobilística encerrou o ano com 2,34 milhões de automóveis e comerciais leves emplacados -melhor resultado dos últimos dez anos. Nos oito primeiros meses deste ano, os licenciamentos já alcançaram 1,94 milhão de unidades -26,4% de aumento sobre mesmo período de 2007.

“Uma parcela do crescimento do setor tem de ir para o bolso do trabalhador. Não estamos pedindo 20% de aumento real.

Sem acordo, vamos cortar as horas extras”, diz Moisés Selerges, diretor do sindicato.

Na Mercedes-Benz, os metalúrgicos estimam que 400 caminhões e ônibus deixarão de ser produzidos no final de semana. Anteontem, outros cem já deixaram de ser fabricados com uma paralisação.

Os metalúrgicos ligados à Força Sindical fizeram passeata e manifestação ontem pela manhã em frente ao prédio da Fiesp (federação das indústrias), na avenida Paulista. Para a central, a adesão foi de 5.000 trabalhadores representados por 54 sindicatos paulistas. Para a PM, foram cerca de 1.500.

“Os 20% de reajuste que pedimos foi calculado com base na produtividade que o setor teve e na inflação que tem de ser reposta”, diz Eleno Bezerra, presidente do sindicato da categoria em São Paulo e da confederação nacional da Força.

No Paraná, os trabalhadores rejeitaram contraproposta das empresas de reajustar os salários em 10% -sendo 2,5 pontos percentuais de aumento real.

Os grevistas pedem o dobro.

Já os 2.700 funcionários da Volvo (Curitiba) aceitaram a proposta patronal e receberão 10% mais abono de R$ 1.500. O sindicato da região informa que cerca de 6.600 veículos deixaram de ser fabricados desde o início da paralisação. Colaborou KAREN CAMACHO, da Folha Online

 

 

Cai o número de acordos salariais que não têm perdas

Marcelo Rehder – O Estado de São Paulo

A escalada da inflação atrapalhou a campanha salarial das categorias com data-base no primeiro semestre. O resultado das negociações foi o pior dos últimos três anos, segundo levantamento divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

De um total de 309 acordos analisados pela entidade, 86% conseguiram zerar as perdas com a inflação ou garantir aumento real de salário na primeira metade do ano. O número é menor que os apurados nos acordos fechados em igual período de 2006 e de 2007 , que ficaram próximos de 97%.

“O repique na inflação dificultou as negociações, principalmente em setores que sofrem a concorrência das importações, que ficaram mais baratas por causa da valorização do real em relação ao dólar”, disse Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Dieese.

Segundo ele, as empresas continuam a obter ganhos expressivos de produtividade, mas o aumento da inflação reduz a margem de manobra para alguns setores concederem aumentos reais sem repasse para os preços. “Os trabalhadores são os que mais perdem com a inflação, pois sofrem arrocho salarial e têm o poder aquisitivo corroído ainda mais pela inflação futura”.

Apesar de inferior ao dos últimos dois anos, o resultado das campanhas salariais de 2008 foi o terceiro melhor para um primeiro semestre desde 1996, quando a pesquisa passou a ser feita.

De acordo com o Dieese, 74% dos acordos firmados na primeira metade deste ano garantiram aumento real de salários. O porcentual é menor que o verificado nos últimos dois anos: 84% e 87%, pela ordem. A proporção de acordos que não conseguiram sequer repor as perdas com a inflação aumentou de 3%, em 2007, para 14%, agora.

As empresas do setor industrial foram as que concederam maior número de aumento de salários acima da inflação, com 81% das negociações. Em seguida ficou o comércio, com 80%, e os serviços, com 64%.

04/09/2008 - 10:52h Greve por salário paralisa montadoras

Trabalhadores aprovando estado de greve no pátio da Ford

Cibelle Bouças – VALOR

Na segunda-feira, 8 mil metalúrgicos do Paraná que trabalham nas montadoras Volkswagen, Renault e Nissan fizeram uma paralisação de 24 horas em resposta à falta de uma nova contraproposta de reajuste salarial pelas empresas, prazo que foi estendido em 48 horas e, na ausência de uma nova oferta das montadoras, será convertida em greve por tempo indeterminado. Ontem, no Estado de São Paulo, 14,2 mil metalúrgicos fizeram paralisação de 24 horas em cinco fábricas, para forçar as indústrias a reverem suas propostas de reajuste salarial, cuja data-base é setembro – em um dos casos, com ameaça de greve por tempo indeterminado, dependendo da proposta feita pelas indústrias.

O risco de greve de cunho nacional – estratégia adotada pela última vez pela categoria em 2001 e substituída em anos recentes pelas chamadas greves-pipoca, localizadas e de curta duração – parece ter voltado a rondar as montadoras. Não existe um acordo entre Conlutas, Intersindical, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical para criar um movimento de paralisação unificado mas, individualmente, essas lideranças sindicais seguem a mesma estratégia. E um ponto que deve preocupar as montadoras: a paralisação feita ontem na Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo (SP) por 3 mil metalúrgicos com indicativo de greve por tempo indeterminado pode estimular a disseminação do movimento no ABC Paulista, que não passa por uma greve por reajuste salarial desde 2003.

“Com a paralisação, os trabalhadores estão mandando um recado. A intensidade dos protestos só vai aumentar se não houver avanço nas negociações”, disse Moisés Selerges, diretor-executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A paralisação na Mercedes foi feita em desagravo à proposta do Sindicato dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea) de aumento de 1,25 ponto percentual sobre a inflação – menos da metade do reajuste acordado em 2007 e aquém do pedido dos metalúrgicos neste ano, de 5% de ganho real.

Na manhã de hoje, sindicalistas realizam assembléias na porta das fábricas da Volkswagen, Ford e Scania para discutir a possibilidade de paralisações nessas montadoras. Ontem, a Mercedes deixou de produzir 150 veículos e, no fim de semana, outros 400 deixarão de ser fabricados, já que os trabalhadores decidiram paralisar os três turnos extras implantados no fim de semana, para a acelerar a produção das linhas 2009. No fim de semana, 9 mil metalúrgicos da montadora deixarão de trabalhar em São Bernardo do Campo.

As greves ocorrem no primeiro momento do ano em que a euforia crescente trouxe sinais de acomodação. De janeiro a julho, as montadoras produziram 2,01 milhões de veículos, volume 21,8% superior ao de igual período do ano passado. Em licenciamentos (vendas internas), o aumento chegou a 30%, também na comparação com os primeiros oito meses de 2007. Depois desse forte avanço, contudo, as vendas de agosto mostraram um crescimento mais tímido em comparação com o mesmo mês de 2007, de 4,05%. A indústria já esperava índices menores (por causa da base de comparação mais forte), mas o resultado veio abaixo do esperado e, junto com o aumento de estoques (com a média de veículos disponíveis para venda passando de 216 mil para 250 mil unidades), acendeu sinais de alerta no setor.

Enquanto os metalúrgicos miram os resultados até julho para ancorar seu pedido de aumento real de 5%, as montadoras usam agosto e as recorrentes notícias de que o governo pode adotar medidas para conter o financiamento de automóveis para justificar a cautela e oferecer 0,5% de aumento real. Neste ano, ao contrário de outros momentos, os metalúrgicos têm a seu favor a recuperação do emprego. Dados da Anfavea mostram que, em julho, as montadoras estavam empregando 129,4 mil metalúrgicos, número 13% superior ao de igual mês de 2007.

No Paraná, por conta da paralisação iniciada segunda-feira, a Volkswagen-Audi deixou de produzir cerca de 1,7 mil automóveis. Na Renault, a perda foi de 1,6 mil veículos, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. Uma unidade da Volvo ficou parada por 24 horas e voltou a operar terça-feira, à espera de uma nova proposta até hoje. “Se não houver proposta, o movimento vai se encaminhar para a greve por tempo indeterminado a partir de quinta-feira [hoje]“, afirmou Sérgio Butka, presidente do sindicato.

No interior paulista, a estratégia dos sindicatos está concentrada nas greves-pipoca. Ontem, na região de Campinas, metalúrgicos das montadoras Honda (3.500), Toyota (1.900) e Mercedes Benz (800) realizaram paralisação de 24 horas. “Nos últimos anos, adotamos a greve-pipoca como estratégia. Estoura aqui e ali e logo todos voltam a trabalhar. Mas passou a ser importante ampliar esse movimento porque os empresários estão muito resistentes a aceitar as propostas dos metalúrgicos”, afirmou Eliezer Mariano da Cunha, diretor do sindicato de Campinas.

Na segunda-feira, a metalúrgica Wirex Cable, do setor de eletroeletrônicos, ficou parada. Ontem, foi a vez dos 5 mil metalúrgicos da General Motors. A paralisação afetou a produção de 950 a 1 mil veículos. Hoje, disse Vivaldo Moreira Araújo, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, outras empresas terão sua atividade parada sem aviso prévio. “Cada dia será uma fábrica. E se o patronato não melhorar a proposta, não vamos ter outra opção que não seja a greve por tempo indeterminado”, afirmou Moreira. Os metalúrgicos do interior de São Paulo pedem aumento real de 9,17% e garantia de gatilho salarial quando a inflação atingir 3% em 12 meses. A última proposta feita pelo Sinfavea foi de 1,25% de aumento real. Procurada, a assessoria de imprensa da entidade informou que não comenta detalhes das discussões com os trabalhadores.

13/08/2008 - 17:43h Fundador do PT volta ao partido e reforça campanha de Marinho em São Bernardo

03.mar.2003/Folha Imagem
mauricio_soares.jpg
Soares disse que lamenta saída do PSB mas volta contente ao PT após 14 anos

 

REGIANE SOARES da Folha Online

Ex-prefeito de São Bernardo (Grande São Paulo) por três vezes e um dos fundadores do PT, o advogado Maurício Soares volta nesta quarta-feira para os quadros petistas após romper com o comando do PSB na cidade. Agora oficializa seu apoio para o ex-ministro Luiz Marinho (Previdência), que disputa a prefeitura pelo PT.

O ex-prefeito será recebido em uma festa hoje à noite em um dos mais tradicionais restaurantes da cidade que contará com a presença de Marinho. A filiação será um dos atos da campanha petista.

“Volto ao PT depois de 14 anos e ajudando o Marinho. Estou contente em poder ajudar”, disse o ex-prefeito, que saiu do PT 1994 acusado de ter traído o partido por não ter apoiado o candidato a prefeito indicado pela Executiva Municipal.

Soares já trabalhava extra-oficialmente na campanha de Marinho há pelo três meses, quando começou a disputa interna pela indicação do sucessor do prefeito William Dib (PSB). O ex-prefeito havia recebido a promessa de Dib de ser indicado para a disputa tendo o deputado Orlando Morando (PSDB) como vice. Mas depois o tucano decidiu se candidatar e Soares perdeu o apoio de Dib.

“Houve uma encrenca grande com o Dib, que me designou como seu sucessor e o Orlando como vice. No fim, o Orlando decidiu se candidatar e, embora o Dib fosse do meu partido, apoiou o Orlando e eu fiquei sozinho”, disse Soares.

A briga em São Bernardo foi parar na Executiva Nacional do PSB. Soares entrou com recurso questionando o fato de o PSB, que faz parte da base de apoio do governo federal, ter se coligado com o PSDB, que faz oposição. “Até hoje ninguém me respondeu”, afirmou.

Soares assumiu seu primeiro mandato em 1989 pelo PT. Ao deixar o governo, em 1992, reassumiu o cargo de advogado do Sindicato dos Metalúrgicos e fui surpreendido com uma carta de demissão, entregue por Luiz Marinho. Já no PSDB, voltou a administrar a cidade de 1997 a 2000, quando foi reeleito.

O ex-prefeito disse que lamenta a disputa com o PSB e com Dib, que foi seu vice quando administrou São Bernardo entre 2001 e 2003. Na ocasião, Soares alegou problemas de saúde e renunciou ao mandato, deixando o cargo para o socialista.

“Brigas não fazem bem pra alma da gente, Fico magoado, mas são águas passadas”, disse o agora petista, que pretende transferir seu prestígio político para Marinho.

“Não sei o quanto eu posso transferir o meu patrimônio político. Talvez não consiga transferir tudo, porque voto é muito pessoal. Mas vou trabalhar para isso”, afirmou.

William Dib disse por meio de sua assessoria que não vai comentar a saída de Soares do PSB porque foi uma decisão pessoal.

Marinho disse que Soares é um líder histórico em São Bernardo que vai agregar valor à sua campanha. “Pra mim é um motivo de grande alegria [ter o Maurício no PT]. É como um filho que andou por outros partidos. Creio que ele pode ajudar muito, porque é uma grande referência na cidade”, afirmou o petista.

02/08/2008 - 21:06h Lula diz que fará campanha para Marta e Luiz Marinho

marta_lula_marisa.jpg

Lula diz que fará campanha de candidatos do PT

Plantão | Publicada em 02/08/2008 às 19h24m

Adauri Antunes Barbosa – O Globo

SÃO BERNARDO DO CAMPO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste sábado, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, que vai participar da campanha dos candidatos a prefeito do PT da região e também dos comícios em favor da candidata petista em São Paulo, Marta Suplicy.

- Quero dizer para vocês que terei imenso prazer de estar com a imprensa nos comícios que eu vou fazer para os candidatos do PT aqui na região, nos comícios que eu vou fazer para a companheira Marta em São Paulo. Não pensem que eu não vou fazer, porque eu vou fazer. Não hoje, porque hoje o rei da festa é o Sérgio Nobre, que está tomando posse – disse ele, durante a posse da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Marta Suplicy e o ex-ministro da Previdência Luiz Marinho, candidato a prefeito de São Bernardo pelo PT, participaram do evento ao lado de Lula.

Em seu discurso, o presidente reafirmou ainda que fará seu sucessor:

- Estejam certos, da mesma forma que eu quero eleger meus companheiros prefeitos daqui, pessoas com quem eu tenho história, afinidades, compromisso ideológico, quero dizer para vocês, escrevam: eu vou fazer a

minha sucessão nesse país e vamos eleger uma pessoa da nossa confiança para dar seqüência a tudo o que nós fizemos, para criar mais empregos do que eu, para tratar dos pobres melhor que eu, para tratar os trabalhadores

melhor que eu – afirmou.

Durante o discurso de meia hora, realizado em um ginásio de esportes da Ford, Lula lembrou que havia dito, em seu discurso de posse, de 2003, que não poderia errar.

- Quando tomei posse em 2003 eu dizia; ‘eu não posso errar’. Qualquer presidente pode errar. O cara erra, fica quatro anos, vai embora para o exterior dar aula. (…) Eu não posso errar. Se o rico erra é normal, se o intelectual erra é normal, mas se o peão erra eles vão dizer que o peão não está preparado. E vai levar mais 500 anos para a gente fazer outro peão presidente da República desse país. E nós não temos o direito de permitir que isso aconteça – disse ele, que não fez menção a nomes de outros presidentes.

Lula fez ainda criticas à imprensa, tomando como exemplo a notícia de que o

crescimento da produção da indústria foi de 6,3% no primeiro semestre, o melhor resultado para o período em quatro anos.

- A indústria cresceu 6,3%. É um número muito significativo. Hoje eu peguei os quatro jornais mais importantes do país, só um deu na primeira página. Só um. Se fosse matéria negativa, todos teriam dado. Todos. Mas não tem problema. Eu confio no leitor brasileiro. Confio nas pessoas que compram jornais, que compram revistas, que vêem televisão, que vêem comentaristas. Acredito na capacidade de discernimento das pessoas. Quando é verdade as pessoas sabem que é verdade. Quando é mentira as pessoas sabem que é mentira. Quando é má-fé as pessoas sabem que é má-fé – disse o presidente.

22/07/2008 - 10:03h ABC e D: 40% dos postos de trabalho recuperados e novos horizontes para a região

ABC recupera vigor, mas perde poder sindical

http://g1.globo.com/Carnaval2008/foto/0,,12449537-EX,00.jpghttp://g1.globo.com/Noticias/Concursos_Empregos/foto/0,,13817661-EX,00.jpg

Marli Olmos e Raquel Landim, de São Paulo, São Bernardo do Campo e Diadema – VALOR

Regiane Maria da Silva, 22 anos, casada, trocou de emprego no começo do ano e está trabalhando na linha de montagem da Federal Mogul, em Diadema. Passam por sua mãos 220 faróis de moto por hora. O trabalho é corrido, mas ela não reclama. Regiane aproveitou as contratações da indústria automotiva para ganhar mais. Com a mudança, o salário aumentou 25%, para R$ 926. Ela conta que utiliza o dinheiro extra para pagar dívidas, comprar roupas e passear com o filho, Gustavo – um luxo praticamente impossível antes.

A operária ocupa uma das mais de 22 mil vagas abertas na base metalúrgica que abrange São Bernardo do Campo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra nos últimos cinco anos, período em que o nível de emprego nesse setor industrial na região do ABC paulista voltou a crescer.

Desde 2003 a categoria metalúrgica dessas cidades recuperou em torno de 37% dos postos de trabalho perdidos na década de 90. Os números oficiais serão divulgados pelo sindicato hoje. O último dado oficial da entidade mostrava 97,6 mil trabalhadores em março. Como a média de abertura de novas vagas está em mil empregos por mês, a categoria dessa base já passa de 100 mil.

A capacidade de o ABC voltar a criar empregos e atrair investimentos, inclusive como berço de novos projetos de veículos, coincide, porém, com um momento de enfraquecimento político daquele que já foi o principal sindicato do país e onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou a atividade de líder sindical.

Disputas de poder moldaram um novo mapa na representação dos trabalhadores. O grupo de São Bernardo, onde nasceu o Partido dos Trabalhadores (PT) e seu braço sindical, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), perdeu em agosto do ano passado uma parte importante da base. Depois de uma disputa na Justiça, que se estendeu de 1996 a agosto do ano passado, a Força Sindical tomou o controle da base de Santo André.

Para evitar que o impasse se arrastasse ainda mais na Justiça, os sindicalistas resolveram fazer uma partilha da base de forma consensual. O grupo de São Bernardo continuou com Diadema e levou mais dois pequenos municípios: Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. A turma de Santo André ficou com Mauá e mais um prédio de treinamento que também estava na disputa.

A Força Sindical comanda também o Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, que há anos está totalmente descolado do resto do movimento sindical da região. Outro ponto de enfraquecimento é que, uma vez feita essa divisão de grupos, surgiram três datas-base na região: agosto, setembro e novembro, o que, por si só já contrapõe com as históricas mobilizações que reuniam milhares dentro de um estádio durante as negociações trabalhistas dos tempos de Lula.

Dessa forma, a entidade que leva o nome Sindicato dos Metalúrgicos do ABC representa cada vez menos o ABC, apesar de ser a maior entidade, a mais estruturada e a mais afinada com as poderosas comissões de fábrica, especialmente das montadoras.

Os sete municípios que compõem o ABC têm, juntos, mais de 140 mil trabalhadores. O atual presidente do Sindicato do ABC, José López Feijóo, argumenta que a sua base é a maior. De fato, essa entidade é dona de 72% da categoria na região, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), subseção ABC. Santo André e Mauá, a segunda maior base, reúne 23 mil.

No próximo dia 2, Feijóo será substituído por um novo presidente, Sérgio Nobre, um empregado da Mercedes-Benz. Nobre tem a própria história ligada aos momentos de crise na região. Seu pai trabalhou na Brastemp , uma das empresas que desistiram da região na década de 90 e ele, aprendiz do Senai, começou a trabalhar na indústria automobilística quando só se falava em demissões .

As empresas que não desistiram do ABC hoje crescem junto com a região. José Carlos Ferreira Catib, diretor geral da ZF Sachs, uma multinacional do setor de autopeças, conta que a empresa chegou a cogitar a possibilidade de sair da região 15 anos atrás. Na época, pesavam a ação sindical e os custos, afirma Catib. “Mas a mudança nessa postura sindical nos levou a ficar”, destaca. “Os sindicalistas perceberam que tinham que atuar em conjunto com as empresas”, destaca.

Do seu lado, os sindicalistas dizem que as empresas também mudaram. “Antigamente as empresas não aceitavam sequer receber uma pauta de reivindicações e, por isso, tínhamos que partir logo para a greve”, destaca Adilson Torres dos Santos, diretor do Sindicato de Santo André.

Catib lembra que a região tem mão-de-obra qualificada e proximidade do porto de Santos. Mas o que freia um pouco esse crescimento é o esgotamento da capacidade. A própria ZF instalou uma nova unidade em Araraquara, no interior paulista, porque precisava ampliar a produção.

Em São Bernardo, a ZF faz componentes de embreagem , que são, posteriormente montados em Araraquara. Dali, as peças seguem para as montadoras do Brasil e do exterior. Qualquer paralisação pode pôr a perder essa sintonia.

“O setor automotivo é a porta na nossa cadeia produtiva. Ainda é o alicerce da economia”, diz Fernando Longo, secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de São Bernardo. Ele recebe solicitações diárias de empresas procurando área livre para se instalar na cidade, mas ressalta que é bastante complicado.

Graças aos novos empregos, a região voltou a crescer e atrair investimentos imobiliários e do comércio. Dimitrios Markakis, presidente da Dicico, está investindo na região do ABC paulista. Ele instalou uma loja em Diadema em 2007 e vai abrir outra em São Bernardo este ano. Em 2009, será a vez de Santo André. O executivo encomendou pesquisas sobre a região e, apesar do alto custo dos imóveis, a indicação é de retorno positivo, porque o potencial econômico é promissor.

“Quando abrimos uma loja, não podemos errar, porque o custo chega a R$ 12 milhões”, diz. Markakis avalia que, com o boom do setor automotivo, a tendência é de melhora do poder aquisitivo. Ele não duvida de que será seguido pelos concorrentes em breve. “Provavelmente todos os grandes varejistas de material de construção estarão em todas as cidades do ABC”.

Com 100% de ocupação nas lojas e alta de 14% nas vendas em 2007, o ABC Plaza Shopping, em Santo André, faz planos de ampliação. Segundo Márcia Pacheco, gerente de marketing do shopping, serão construídas mais 86 lojas – quase um terço das atuais 305. A incorporadora Cyrella vai investir R$ 30 milhões no projeto. “Com o boom imobiliário, as pesquisas detectaram a necessidade de novas lojas”, diz Márcia. Ela explica que o objetivo não é elitizar o shopping, cujo público majoritário é das classes B e C, mas atender à sofisticação nos hábitos de consumo.

Augusto Toldo, diretor e um dos donos da Super Mad, varejista de madeiras, está em São Bernardo desde 1951. Hoje a rede possui sete lojas no Estado. “O ABC sempre foi o carro-chefe, porque temos tradição aqui”, diz. Toldo se lembra das crises econômicas, mas afirma que sempre acreditou na região e agora está mais animado com o crescimento da construção civil nas cidades do ABC paulista.

O carinho com o ABC não impede que o empresário tente a sorte em outros lugares, mas sempre atento à movimentação das montadoras. Toldo tira da gaveta uma matéria de jornal recortada sobre a fábrica da Toyota em Sorocaba. “Veja isso. Vai gerar muito emprego. Nós vamos para lá no ano que vem”, diz.

Uma conseqüência do crescimento econômico é o aumento de arrecadação e folga no caixa das prefeituras do ABC para investir. Entre 2000 e 2007, o repasse estadual de ICMS aumentou 85% para Santo André, 53% para São Bernardo, 119% para São Caetano e 72% para Diadema, conforme dados da secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

Fábio Piangentini, secretário de Desenvolvimento Econômico de Santo André, afirma que a prefeitura investiu R$ 28 milhões em um complexo viário para reduzir o trânsito na cidade e facilitar a logística para as empresas. Além disso, a cidade vai inaugurar um novo hospital na periferia, voltado para a saúde da mulher.