02/03/2009 - 19:55h A lição de tango
Musica: La Yumla
- Luis Favre
Portenhos veem renascimento da dança em vários pontos da capital
Ariel Palacios – O Estado de S.Paulo

BUENOS AIRES - Nada de rosa na boca ou malabarismos que fazem o tango parecer twist, como nos vários shows turísticos oferecidos com insistência na capital. Nas tradicionalíssimas milongas, dança-se comme il faut, de forma verdadeira e espontânea. Sem espaço para mão no peito e falsas lágrimas quando os músicos tocam os acordes de Evita.
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Nesses salões, os protagonistas são senhores de terno e gravata, que trançam as pernas indistintamente com senhoras de vestido ou adolescentes de jeans e tênis. Sim, adolescentes. Nos últimos anos, o tango vive um período de renascimento e hoje a cidade conta com mais de 150 milongas.
Antes de embarcar nessa jornada, saiba que o tango tem etiqueta própria. Primeiro conselho: evite conversar enquanto dança. “Somente um gringo pode fazer a palhaçada de aproveitar um tango para conversar e se divertir”, escreveu Ernesto Sábato, em seu livro de ensaios sobre a dança.
As tanguerías não são ambientes para paquera explícita. Logo, seja sutil. Para convidar alguém para dançar costuma-se fazer um cabeceo, movimento que consiste em uma leve sacudida da cabeça em direção à pista. Se a resposta visual for positiva, as duas pessoas se dirigem ao centro do salão. Confira alguns endereços com muita diversão e nada de estereótipos:
Niño Bien
Instalada no primeiro andar da associação cultural de uma comunidade espanhola, essa milonga embala a noite portenha com música gravada e orquestras. O público costuma ser majoritariamente de terceira idade e se divide entre aqueles que admitem a passagem do tempo e os que se rebelam contra ela. Bigodes tingidos, perucas e alguns espartilhos convivem com cabelos brancos.
O ambiente do Niño Bien é agradável. O único problema é que fica na região de Constitución, bairro não tão seguro assim. Chame um táxi e encare a jornada, pois vale a pena. Na saída, peça um radiotáxi. Não caminhe pelas redondezas à noite. Fica na Rua Humberto Primo, 1.462, Constituición. Informações: (00–54-11) 4483-2588.
Parakultutal
Nesta famosa milonga, orquestras embalam os dançarinos. O local também oferece aulas para diversos níveis de tangueiros – sempre às segundas, terças, quintas e sextas-feiras. Fica na Rua Scalabrini Ortiz, 1.331, em Palermo. Informações: www.parakultural.com.ar (o site inclui a programação do mês).
La Catedral
O ambiente não é tipicamente tangueiro – moderninha, a milonga mais se parece com um celeiro ou uma fábrica abandonada decorada com eventuais toques kitsch -, mas La Catedral é um lugar onde se dança o autêntico tango, com a alma. A presença maciça de jovens e adolescentes chama a atenção dos visitantes.
Argentinos se misturam a estrangeiros residentes na cidade e alguns poucos (poucos mesmo) turistas. Fica na Rua Sarmiento 4.006, Almagro. Informações: (00–54-11) 4342-4794.
Lo de Celia
Point de grandes e exigentes dançarinos de tango. Os habitués são bastante rigorosos com os novatos. Quando notam alguém diferente entrar no salão, ficam de olho para ver como a pessoa dança antes de convidá-la para, enfim, sacar viruta al piso (ou tirar lascas do chão). Fica na Rua Humberto Primo, 1.462, San Telmo. Mais informações: (00–54-11) 4304-2438.
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De olho na bolsa
Desde a crise de 2002, furtos viraram uma constante em Buenos Aires, principalmente em locais turísticos. Veja quais:
Rua Florida: sempre lotada – e cheia de visitantes distraídos -, é um prato cheio para os batedores de carteira. Algumas das paralelas também são pouco recomendáveis
Avenida 9 de Julio: a ampla avenida e seu policiamento precário permitem uma fuga rápida dos assaltantes
Caminito: o entorno da rua colorida, em La Boca, está cheio de batedores, que se escondem nos cortiços da área
Recoleta: o elegante bairro é alvo da ação dos moto-chorros, ou bandidos de moto. O motoqueiro passa em velocidade e seu comparsa, na garupa, rouba sacolas e relógios
Táxi: use um radiotáxi, pois há bandidos disfarçados de taxistas. E cuidado para não receber dinheiro falso. Outra estratégia é o motorista fingir que “esqueceu” de ligar o taxímetro e pedir um valor fixo pela corrida, bem maior do que você pagaria normalmente.
A companhia argentina No Bailarás vem pela primeira vez ao país para duas apresentações em São Paulo. Na sexta-feira (25) e sábado (26), os argentinos estréiam a coreografia “Grotesca Pasión Trasnochada” (”Paixão Grotesca de uma Noite sem Sono”, em tradução livre), no Teatro Municipal de São Paulo, às 21h.O espetáculo da coreógrafa e diretora Silvana Grill propõe um novo olhar sobre as relações entre os casais modernos que possuem vínculos cada vez mais flexíveis, mesmo sem abrir mão do compromisso. O enfoque é a maneira como estas relações se constroem especificamente nos salões de baile ou milongas (locais onde as pessoas se reúnem para dançar o tango).

No palco, três casais interpretam com sensualidade cada um dos 17 temas originais do programa, compostos em sua maioria por Ramiro Gallo e interpretados ao vivo no espetáculo pelo Ramiro Gallo Quinteto.Participam dos espetáculos os bailarinos Julieta Biscione, Mariano Bielak, Paula Gurini, Roberto Castillo, Gimena Aramburu e Juan Fossati.A companhia No Bailarás, fundada em 2004, em Buenos Aires, vem ao Brasil depois de apresentações bem recebidas pelo público na Itália, França e Tailândia.O nome da companhia foi escolhido com o propósito de soar como uma provocação. Segundo o grupo, quando alguém te diz para não fazer alguma coisa, essa é a primeira pessoa que vai fazer.Teatro Municipal – pça. Ramos de Azevedo, s/nº, Centro, centro, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/ 3222-8698. 80 min. Sex. (25) e sáb. (26).: às 21h. Ingr.: R$ 30 (setor 1), R$ 20 (setor 2) e R$ 10 (setor 3). www.ticketmaster.com.br.
Um tango a Paris, o metrô…
Entre dois e com Piazzola (Lautaro et Lucila)
Entre dois, A EVARISTO CARRIEGO (Carlos Gavito e Marcela Duran)
Entre dois também é milonga de Canaro, ORILLERA (Sebastian Arce e Mariana Montes)
Tita Merelo “La milonga y yo”