14/07/2009 - 11:26h “Na habitação, nossa perspectiva de expansão é infinita”

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Cenários: Produção cresceu 2% no 1º trimestre na comparação com 2008
Construção dribla crise em MG e atrai investimento

Katia Lombardi/Valor

O empresário Décio Gomes comprou 25% da Precon, fabricante de telhas que planeja diversificar a linha de produtos, ampliar a escala e já pensa em IPO

César Felício, de Pedro Leopoldo (MG) – VALOR

Relativamente preservada dos efeitos da crise econômica global, que afetam Minas Gerais de maneira mais dura que a média nacional, a indústria mineira de construção volta a captar investimentos. A demanda habitacional de baixa e média renda, incentivada em parte pelo programa governamental Minha Casa, Minha Vida, está blindando o setor contra a crise.

Em Pedro Leopoldo, na região metropolitana de Belo Horizonte, a Precon, dona de 4% do mercado brasileiro de telhas de amianto, com R$ 200 milhões de faturamento em 2008 e 800 funcionários, vendeu 25% de seu capital para o investidor Décio Gomes. O empresário vendeu, no ano passado, a indústria de tubos plásticos Plastubos. A transação na Precon representou uma injeção de capital de R$ 21 milhões. Os planos são ambiciosos: a empresa pretende diversificar sua linha de produtos e ampliar sua escala, de modo a que o negócio de telha de amianto crisotila, que hoje representa 40% do faturamento da empresa, perca espaço para a fabricação de concreto celular (blocos de cimento para construção) e pré-moldados para habitação. A Precon deverá investir mais R$ 50 milhões para atingir, em 2013, o faturamento de R$ 500 milhões, tido como piso mínimo para uma abertura de capital por oferta pública de ações (IPO).

No segmento de incorporação imobiliária, somente agora a Masb, empresa formada pela associação da empreiteira Santa Bárbara com os grupos Asamar e Tangará, informou que vendeu em outubro passado 20% de seu capital para o fundo de investimentos Neo, do economista Luiz Chrisostomo – o mesmo que comprou parte da livraria Cultura em janeiro – em uma transação de valores não divulgados. A nova formação societária dará suporte à meta de atingir R$ 1,2 bilhão em vendas dentro de quatro anos. “Decidimos não divulgar em outubro para que não dissessem que estávamos em dificuldades. Havia uma maré de notícias ruins e seríamos tragados pelo buraco negro”, disse o diretor da Masb, Luiz Renato Paim Fernandes.

A Masb, que somou R$ 426 milhões em vendas em 2008, diminuiu a quantidade de lançamentos este ano e deve registrar uma queda significativa na receita. Segundo a empresa, a comercialização não deverá ultrapassar os R$ 300 milhões porque houve uma troca de público. A empresa sai da renda alta para a média, que adquire apartamentos e casas, na planta, com valor entre R$ 100 mil e R$ 200 mil.

Segundo dados da Fundação João Pinheiro, órgão do governo do Estado, a indústria da construção civil é um dos raros segmentos da economia mineira que está na contramão da tendência de queda generalizada. No primeiro trimestre deste ano, a produção física no setor cresceu 2% ante o mesmo período no ano passado, enquanto a atividade econômica em Minas Gerais caiu 5,5% (o número nacional no primeiro trimestre foi de 1,8%) e a produção industrial mineira teve queda de 22,6% de janeiro a maio. Na geração de empregos formais, o número de empregados na construção civil em Minas Gerais subiu 4,4% no trimestre, perdendo apenas para o crescimento no número de empregados do comércio, de 4,8%. A média de aumento na geração de empregos formais no Estado foi de 2,1%.

O campo mais promissor no setor é o da construção industrializada. “Este setor sempre perdeu espaço porque não tinha escala. Isso fazia com que um prédio de apartamentos com pré-moldados, apesar da grande velocidade da construção, custasse 20% a mais. Agora, o programa governamental garante esta escala”, disse Paim Fernandes, que desenvolveu um projeto piloto de um prédio com 360 unidades pré-moldados em Buritis, zona sul de Belo Horizonte, em parceria com a fábrica de pré-moldados Premo. Estão sendo vendidos a R$ 100 mil, em média. “Nosso foco era o setor industrial, pouco promissor agora. O programa habitacional do governo, ao criar subsídios para a faixa salarial entre três e dez salários mínimos, nos abriu outra perspectiva”, afirmou o dono da Premo, Helio Dourado.

“Na habitação, nossa perspectiva de expansão é infinita”, comentou Décio Gomes, da Precon, ponderando que a troca de governo federal, no próximo ano, coloca um ponto de incerteza sobre o ímpeto que o programa terá. A Precon também começou a fazer experimentos na área de habitação. Montou um prédio piloto no bairro da Serra Verde, vizinho ao novo Centro Administrativo que concentrará a partir de 2010 a administração estadual. São dezesseis unidades de 42 metros quadrados, a R$ 90 mil. “Vamos diminuir a atuação em áreas onde temos fortes concorrentes, como a argamassa, com a Quartzolit, e a das telhas, com Eternit e Brasilit, para focar em mercados onde não há gigantes, como o habitacional e o de concreto celular”, disse Bruno Dias, um dos proprietários da Precon.

11/03/2009 - 13:33h Por que Aécio incomoda tanta gente?

Jota Dangelo – O Estado SP

Por seus próprios méritos José Serra é um bom candidato a presidente da República. Por isso mesmo é constrangedor ver defensores da sua candidatura abrirem mão dos legítimos argumentos de sua causa e abraçar lógicas baseadas na arrogância e no preconceito para defendê-la.

Um dos subprodutos desse novo e inusitado “serrismo” é a crescente tentativa de desqualificar o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, crucificado, ao que se percebe, pelo crime de ousar defender pontos de vista diferentes daqueles expressos pelo governador paulista. Se pensasse igual a Serra, Aécio talvez fosse saudado por esses críticos como um político de visão, e a Minas – e aos mineiros em particular – seria feita a concessão de ser considerada não pejorativamente uma terra de caipiras, mas uma parte do País merecedora, como qualquer outra, do respeito dos brasileiros.

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16/02/2009 - 10:23h A verdade sobre um mito tucano

Os que acompanham este blog sabem que em várias oportunidades tenho contestado o suposto mito tucano de “choque de gestão que abaixa impostos”. Mostrei a falácia com os dados não só do aumento da carga tributária durante os 8 anos de FHC, mas com a gestão do PSDB durante mais de 14 anos no principal Estado da federação, São Paulo.

Vale a pena relembrar também os inumeros artigos elogiosos de setores da mídia às privatizações tucanas no Estado, venda de patrimônio que não se soldou com diminuição do endividamento e continuação do aumento da carga impositiva como mecanismo de “equilibro” das contas.

Pois bem, leiam o artigo a seguir, publicado no jornal O Estado de São Paulo, sobre o aumento dos impostos e vejam a evolução dos dados nos governos do PSDB.

A taxa média do crescimento das despesas correntes, descontada a inflação, aumentou em 1,2% entre 1999 e 2002, pulando esse crescimento para 3,6% de 2003 a 2006, no Estado de São Paulo. As despesas correntes são aquelas de custeio da máquina, dos salários. Para financiar este crescimento das despesas correntes os Estados recorreram ao aumento dos impostos e da arrecadação. Para São Paulo, esse aumento das Receitas correntes (principalmente ICMS, mas não só) foi de 2% entre 1999-2002 e depois cresceu ainda de 3.5% entre 2003-2007.

Fenômeno semelhante registra Minas Gerais, onde o aumento das Receitas correntes no período 2003/2006 foi de 8,4%.

Mas os tucanos não vão fazer mea culpa, não. Eles dirão que os impostos não aumentaram e que foi a eficiência na arrecadação que permitiu o aumento das receitas correntes. Foi o que Kassab diz em São Paulo e a mídia reproduziu sem dar um pio e foi o que Alckmin pretendeu durante a campanha presidencial com o famoso “choque de gestão”.

Não é essa a crítica que o governador Serra faz ao governo Lula, de aumentar o gasto ruim, as despesas correntes e não os investimentos? Não é o que os tucanos entoam regularmente sobre o aumento dos impostos federais acompanhado de gastos descontrolados?
Na verdade podemos aplicar aos tucanos com propriedade
De te fabula narratur!
(essa história é a de vocês!).
Luis Favre

*Na versão eletronica não aparece o quadro com os dados de São Paulo, Minas e Brasil, que sim estão no jornal impresso. Os dados citados aqui são do quadro publicado na versão em papel.

 

Imposto subiu para bancar gastos

Estudo mostra que Estados elevaram receitas para cobrir despesas e cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal

Renée Pereira – O Estado de São Paulo

O contribuinte brasileiro bancou, praticamente sozinho, o ajuste fiscal promovido pelos Estados ao longo dos últimos dez anos. Iniciado na década de 90 e reforçado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), em 2000, o programa de saneamento financeiro tinha o objetivo de colocar os gastos dos governos estaduais dentro dos limites de arrecadação, eliminando o déficit nas contas públicas. Mas o resultado foi inverso. Em vez de reduzir as despesas, os Estados elevaram as receitas.

Na prática, isso foi traduzido em aumento da carga tributária, que saiu de 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no fim da década de 90 e chegou a 9% em 2006. De acordo com estimativas do mercado, esse número atingiu 9,2% no ano passado.

Os dados constam de amplo estudo feito pelo professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fernando Dall Acqua, ex-secretário da Fazenda de São Paulo.

“A contribuição do controle das despesas foi bastante limitada nos Estados, o que resultou em um padrão de ajuste fiscal de má qualidade”, avalia Dall Acqua em seu trabalho de mais de 40 páginas. Ele pondera, no entanto, que é inegável o avanço no processo de ajuste fiscal dos Estados nos últimos anos.

Os programas implementados com a Lei 9.496/97, de renegociação das dívidas estaduais, e a LRF ajudaram a reverter o quadro de deterioração fiscal que abalou os Estados entre 1995 e 1998. Com metas fiscais estabelecidas e supervisionadas pelo Tesouro Federal, o plano criou um compromisso permanente dos Estados com os indicadores fiscais e, especialmente, com a geração de superávits primários para honrar o refinanciamento das dívidas.

MUDANÇA ESTRUTURAL

Outro ponto importante é que a poupança dos Estados, que antes financiava apenas 20% dos investimentos, atingiu a marca de 98% em 2007. Ou seja, quase todo investimento estadual passou a ser feito com receitas próprias, diz o estudo.

O grande problema é que o ajuste não promoveu nenhuma mudança estrutural nos gastos públicos. Entre 1999 e 2006, as despesas correntes, que incluem gastos de pessoal e custeio, tiveram crescimento médio anual (descontada a inflação) de 3,8%. Uma das justificativas dos governos é que gastos com inativos, folha de pagamento e gastos nas áreas de educação e saúde – que representam a maior parte das despesas correntes – permitem pequena margem de manobra.

Nesse mesmo período, as receitas correntes registraram alta de 4,9% ao ano. O estudo mostra que esse aumento é decorrente especialmente da elevação de alíquotas do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em atividades como energia, serviços de comunicação e combustíveis.

Segundo o tributarista da CP Consultores, Clóvis Panzarini, esses setores respondem por 50% da arrecadação dos Estados. “É muito fácil arrecadar nesses segmentos. Qualquer ponto porcentual de aumento representa incremento grande na arrecadação.” No setor de energia elétrica, por exemplo, as alíquotas de ICMS chegam a 30% do valor da conta. “Quem está pagando o aumento das receitas e o ajuste fiscal são os consumidores de energia, telefonia e combustível”, diz.

Ele pondera, entretanto, que também houve maior eficácia na arrecadação tributária, com informatização dos processos e combate à sonegação. “Mas de nada adianta tudo isso se os governos não conseguem reduzir as despesas correntes e melhorar a qualidade de serviços para a população”, destaca o professor da Fundação Dom Cabral, Caio Marini, diretor do Instituto Publix.

O economista Amir Khair, especialista em finanças públicas e ex-secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo, destaca que o peso dos impostos dos Estados continuará se expandindo em 2009 por causa da substituição tributária, em que a tributação ocorre no atacado e não mais no varejo. Na opinião dele, a única forma de reduzir as despesas é reduzir as receitas. Isso porque, segundo ele, normalmente, os gastos acompanham o ritmo das receitas.

05/01/2009 - 14:13h Falha em ambulância leva contribuinte a formar ONG

Após perder pai, Oliva ajudou a afastar seis prefeitos

Roberto Almeida – O Estado SP

Um acidente vascular cerebral tirou a vida do pai de Fábio Oliva. Foi na estrada até Montes Claros, no norte mineiro, que a ambulância da Prefeitura de Januária ficou sem gasolina. Depois, o balão de oxigênio é que acabou.

Fábio Oliva perdeu o pai quando tinha 28 anos, e quando superou a dor resolveu transformá-la em combustível para cassações. Hoje aos 44, pai de quatro filhos, ele tem no currículo a participação direta no afastamento de seis prefeitos de Januária. Todos por improbidade administrativa.

Mineiro de bom papo, presidente da Associação dos Amigos de Januária (Asajan), ele conta como eles foram caindo, um a um. “Só em 2004 nós tivemos quatro prefeitos. O primeiro foi afastado em julho, o segundo ficou só por 34 dias. O presidente da Câmara assumiu, ficou 60 dias, flagramos licitação fraudulenta. O último ficou 32 dias”, resumiu, quase sem respirar. “Entre 2005 e 2006 tivemos ainda mais dois casos. Um ainda está pendente.”

´Tanta instabilidade assim não significa que Januária é mais corrupta que as outras cidades, garante Oliva. Aponta, sim, eficiência da Asajan e do Judiciário local. “A gente entrega as denúncias bem mastigadas para promotores jovens, recém-formados. E aí temos juízes bons de caneta e um delegado da Polícia Federal que nos ajuda de maneira fantástica”, explica.

O resultado é uma movimentação na cidade como nunca se viu. Em vez de reclamar da política nas rodas de conversa de fim de tarde, uma parte dos 100 mil moradores também partiu para a ação. Agora eles enviam denúncias anônimas à Asajan por telefone e e-mail, que as encaminha à Justiça. Hoje Januária já conta até com panelaço nas ruas.

“Ganhamos a confiança do povo”, comemora Oliva, que se mostra satisfeito pelo sentimento de dever cumprido. O que o preocupa, porém, são as retaliações. Ele já sofreu 23 processos judiciais. Dos 21 julgados, foi absolvido em todos, “mas sempre dá aquela dorzinha de cabeça”.

Além disso, foi obrigado a mudar sua rotina completamente.Saiu de Januária e foi morar em Montes Claros, a 75 quilômetros dali. Quando vai à cidade onde atua tão fortemente, adota um comportamento padrão: vai sempre acompanhado, não sai à noite, presta atenção no movimento. “Tem horas que bate um baixo astral danado”, lembra.

Pai de quatro filhos, Oliva teme que alguma coisa possa acontecer. “Hoje em dia qualquer um pode pagar a alguém duas pedras de crack e ele faz o serviço. Não tem nada a perder”, acredita.

Mesmo assim, vai levando sua nova empreitada: a faculdade de Direito. Está no quarto período. Mantém ainda sua “empresinha” funcionando – Oliva trabalha com cobranças, fonte do seu sustento. “Meu negócio é cobrar”, diverte-se.

O único interesse de Oliva parece mesmo ser o de cobrar em todo o Norte mineiro. Ele já tem parceiros em Montalvânia, Mirabela, Itacanambi e Santa Cruz de Salinas. Mais duas cidades estão na mira. “Levo meu ?kit ONG?, com ata, modelo de estatuto e digo: assinem aqui. Só saio do município com a ONG criada”, avisa.

18/11/2008 - 13:45h Encontro sela divisão de petistas em campanha ao governo de Minas

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Fernando Pimentel e Patrus Ananias

Ivana Moreira, de Belo Horizonte – VALOR

Abrigado na tendência majoritária Construindo um Novo Brasil, o grupo petista que não apoiou a aliança informal com o PSDB para a eleição de Márcio Lacerda (PSB) como prefeito de Belo Horizonte, já entrou em campanha para 2010, lançando o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, como candidato ao governo do Estado. Embora as principais lideranças do PT de Minas falem em reunificação da legenda, o que o encontro do grupo mostrou, no último fim de semana, em Contagem, foi um distanciamento cada vez maior entre os aliados de Patrus e do atual prefeito da capital, Fernando Pimentel.

Para os membros do grupo, como o ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência, o PT mineiro precisa liderar uma aliança com partidos da base do presidente Lula, oferecendo à população mineira uma alternativa “antineoliberal”. É o oposto do que vem propondo o prefeito Pimentel, um aliado do governador tucano Aécio Neves na tese da convergência entre PT e PSDB.

O apoio de Aécio Neves a uma eventual candidatura de Pimentel ao governo do Estado sempre foi o pano de fundo das discussões que levaram à aliança para eleição do socialista Márcio Lacerda. A avaliação do grupo próximo a Pimentel é que Aécio, um governador com altos indíces de aprovação, tem tudo para fazer seu sucessor. Dificilmente o PT conseguiria chegar ao Palácio da Liberdade com uma candidatura de confronto.

Em Contagem, durante o encontro da Articulação, Patrus Ananias procurou ser cauteloso ao falar de uma possível candidatura ao governo. Mas deixou claro que está “disponível” e “preparado” para ser o candidato se esta for uma construção coletiva. “Estou me colocando sim para construirmos um projeto político alternativo e de desenvolvimento econômico vinculado a um projeto democrático popular para Minas.”

Sobre as rugas que ficaram do polêmico processo eleitoral na capital, que acabou por rachar a legenda, o ministro afirmou que é assunto encerrado. É momento de “passar a borracha”. Segundo ele, não cabem punições a nenhum dos lados. Nem ao grupo de Pimentel que teria desrespeitado uma determinação da executiva nacional contra alianças com o PSDB, nem ao grupo ligado ao Construindo um Novo Brasil que se envolveu com a campanha do pemedebista Leonardo Quintão, contra Márcio Lacerda. “Um bom ponto de partida para a unificaçao do PT em Minas é zerarmos esse processo difícil, equivocado”, declarou Patrus.

Enquanto o ministro do Desenvolvimento Social era lançado candidato em Contagem, Fernando Pimentel acompanhava Aécio Neves em agenda na França, onde o Estado celebra convênios para as comemorações do ano da França no Brasil, em 2009. O governador já disse publicamente que gostaria de ter Pimentel em sua equipe de secretários, o que serviu para alimentar boatos sobre o prefeito ter intenção de deixar o Partido dos Trabalhadores. Fontes próximas ao prefeito duvidam dessa possibilidade e acham que a fala de Aécio serviu apenas para colocar o nome de Pimentel, em destaque, na mídia. O nome do prefeito continua cotado para assumir uma pasta na reforma ministerial.

15/05/2008 - 18:31h A arte do queijo em risco

Feito de leite cru em quatro microrregiões mineiras e de acordo com tradição secular, queijo artesanal corre risco de desaparecer

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JANAINA FIDALGO – FOLHA DE SÃO PAULO

ENVIADA ESPECIAL À SERRA DA CANASTRA (MG)

O dia nem bem clareou quando a labuta começa. É preciso levar o rebanho ao estábulo, abastecer os cochos com silagem e ir chamando, pelo nome, vaca por vaca à sala de ordenha.

Aí, vêm os bezerros, que não só atendem pelo nome da mãe como ainda acham a teta certa. Mamam o primeiro jorro de leite do dia, o mesmo líquido rico que há mais de dois séculos é empregado, da maneira como é ordenhado -cru e morno-, na fabricação de um queijo artesanal que, de orgulho mineiro, corre o risco de morrer.

O queijo curado, robusto, feito para aproveitar o excesso de leite e resistir ao sacolejo, no lombo dos burros, pelas serras mineiras, existe ainda hoje e é produzido praticamente da mesma maneira, embora não seja tão fácil encontrá-lo maturado como costumava ser.

“Queijo bom é queijo curado”, ouve-se, a todo momento, de um e de outro. Todos ali, nas regiões produtoras, herdeiros ou não da tradição atribuída aos colonizadores portugueses, guardam alguma relação com o queijo e, ao menor assentimento, discorrem, sem pressa, sobre o tema. Fica mais clara a ligação mineira com o queijo de leite cru quando se descobre que há cerca de 27 mil famílias envolvidas na produção em todo o Estado, segundo a Emater-MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural).

“Por que temos a tradição da indústria do laticínio? Porque ela nasceu nessa origem, na produção do queijo artesanal”, diz o historiador José Newton Coelho Meneses, 51, professor da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais e autor do dossiê de instrução do processo de pesquisa feito para o Iphan.

Por queijo artesanal, entende-se aquele feito de leite cru, que expressa a cultura e a tradição de determinadas regiões, e que em nada lembra o difundido “queijo minas”, mirrado e pobre de gosto, produzido com leite pasteurizado, encontrado (e fabricado) de norte a sul.

E não só. Ao leite cru ordenhado hoje, acrescenta-se o “pingo” de ontem -um fermento natural, repleto de bactérias lácticas, colhido do soro drenado dos queijos moldados no dia anterior. É o “pingo” que dá identidade ao queijo, sabor, textura e cor que diferencia um do Serro de um da Canastra; um de Araxá de um do Alto Paranaíba/Cerrado -microrregiões tradicionais e demarcadas pela Emater-MG.

No Serro, o queijo é menor, consumido mais fresco, tem maior acidez, coloração mais clara e consistência macia. Na Canastra, é maior e amarelado, além de ser consumido mais maturado. O do Alto Paranaíba/Cerrado e o de Araxá são parecidos com o da Canastra, porém mais suaves.


A concorrência do leite

Num cenário com tantos produtores, em geral organizados em pequenas propriedades e com produção fundamentada no trabalho familiar, parece improvável que a tradição possa definhar. Mas muitos a têm trocado por outras mais lucrativas e menos trabalhosas, como a venda direta do leite.

Nascido em Vargem Bonita, Antônio Teixeira de Souza, 67, o Antônio da Estelita, como é conhecido em São Roque de Minas, onde vive e trabalha, deixou de fabricar queijo, apesar de ser um dos poucos registrados pelo IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária). O órgão fiscaliza se os produtores atendem às exigências da lei estadual, como o uso de água clorada e filtrada, exames de brucelose e tuberculose e normas de higiene, entre outras. “Fui lutando, fiz empréstimo para construir a casinha [queijaria] e arrumá-la conforme a lei. Pelejei, mas não consegui um preço bom”, conta Souza.

O valor recebido pelo quilo do queijo artesanal oscila o ano todo. Na última semana, quando a Folha visitou São Roque de Minas e Medeiros, havia produtores cobrando de R$ 6,30 a R$ 12, de acordo com o tempo de cura e de fatores como a dificuldade de escoar o alimento. É aí que entram em cena os “queijeiros”, como são chamados os atravessadores que levam o queijo, nem sempre em boas condições, para outros Estados. A legislação federal permitir o comércio fora de Minas desde que os queijos passem por entrepostos cifados, onde devem ficar em maturação durante 60 dias.

“É um comércio que não remunera o produtor de forma adequada pelos investimentos que ele tem de fazer para construir a queijaria e se adequar à legislação. Esse é o principal entrave, que se traduz em falta de marketing, de profissionalismo, numa logística defeituosa e até na falta de informação do consumidor. Não tem como melhorar o preço de um produto sem comprovar porque ele vale mais”, avalia o veterinário Gilson Assis Sales, 27, da Aprocan (Associação dos Produtores de Queijo Canastra).

O produtor e presidente da associação, João Carlos Leite, 43, diz que essa é uma tradição secular que tende a acabar.

“Meu tataravô, meu bisavô, meu avô e meu pai faziam queijo artesanal. Dos meus cinco irmãos, só eu faço. Os outros abandonaram, porque é uma atividade que não tem mais rentabilidade. Fiquei porque dá prazer pensar que naquilo vai uma cultura familiar”, diz Leite. “Mas tem uns que dizem que não voltam mais para o queijo. Entre defender uma cultura e dar uma condição de vida melhor para a família, vão escolher a segunda opção.”

Um dos caminhos para valorizar o produto é a indicação geográfica das microrregiões, já que cada uma tem especificidades em razão do clima, da vegetação, da topografia e da flora microbiana do ambiente. O processo está tramitando e deve ser encaminhado, em breve, ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial).

“A indicação geográfica fará com que somente os produtores locados na região possam usar o nome dela em seus queijos, o que não acontece hoje. Quase todo o Estado “produz” queijo Canastra”, diz Sales.


Entre a fartura e o orgulho

Não raro a produção do queijo é associada à idéia de fartura, já que nada se perde. Até o soro é usado para a alimentação de porcos e animais domésticos.
“Tem um ditado que fala que, em fazenda que vende leite, até o cachorro é magro”, diz Luciano Carvalho Machado, 43, produtor de Medeiros que há três anos tem o registro do IMA e divide com a mulher, Helena, e os filhos as tarefas do fabrico.

Na propriedade, os queijos levam, em baixo relevo, a marca “LH” -iniciais dos nomes do casal-, que denota certo orgulho. “Acaba sendo uma tradição, você não consegue ficar sem fazer queijo. Ninguém ensina para ninguém. Parece que todo mundo já nasce sabendo.”

A jornalista JANAINA FIDALGO viajou a convite da ONG SerTãoBras

12/05/2008 - 18:34h Longe dos grandes centros…

Prefeito ameaça fechar rádio comunitária em Salinas

Fábio Oliva
Registro Profissional nº. MTB 09423-JP/MG

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A liberdade de imprensa está ameaçada em Salinas, município de 37 mil habitantes, no Norte de Minas, a 674 km de Belo Horizonte, famoso pela produção de cachaça. A divulgação de uma notícia sobre notas fiscais superfaturadas em 355%, encontradas na prestação de contas de 2007, denunciada por um professor local à Câmara Municipal, levou o prefeito José Antônio Prates (PTB) a protagonizar sexta-feira (09/05) um violento ataque à liberdade de expressão e de informação contra a Rádio Sal FM.

Acompanhado da advogada Cristiane Maria Ribeiro; do secretário de Obras, João Elísio; de três policiais militares e do delegado Jaime Gomes da Costa, da Polícia Civil, o prefeito “Zé Prates”, como é mais conhecido, foi até a emissora. Durante a investida, o prefeito quis fazer com que, na marra, os microfones da rádio fossem abertos para que ele pudesse dar explicações à população sobre as acusações que lhe são imputadas e que deram causa à abertura de processo de cassação do seu mandato pela Câmara Municipal. Caso contrário, ameaçou processar os responsáveis pela rádio e até fechar a emissora.

O presidente da rádio, Miguel Bernabé Freire, informou que vai denunciar o caso ao Ministério Público. Segundo ele, tanto a Polícia Militar quanto a Polícia Civil se recusaram a lavrar boletim de ocorrência solicitado pela emissora sobre o acontecido, alegando que dependem da Prefeitura de Salinas para funcionar. É a Prefeitura que paga as despesas de manutenção de veículos das duas corporações no município, fornece combustível e custeia materiais de higiene e limpeza da delegacia e do quartel.

A ira do prefeito Zé Prates se deve a uma entrevista que a emissora divulgou no dia 6 de maio com o professor Welshman Gustavo Pinheiro, autor da denúncia encaminhada à Câmara Municipal de Salinas, sobre o uso de notas superfaturadas. A denúncia, acompanhada de vários documentos, foi aceita por oito votos a zero e uma Comissão Processante foi formada para dar início ao processo de cassação do prefeito.

O professor, autor da denúncia, também maneja na Justiça de Salinas uma Ação Popular, através do advogado Geraldo Flávio de Macedo Soares, destinada a anular a suposta aquisição de 50 banners (faixas) feita pela Prefeitura junto à empresa Grafimoc, de Montes Claros, pelo preço de R$ 6.750,00. Orçamentos feitos junto a diversas empresas do ramo indicam que os banners podiam ter sido adquiridos por R$ 1.500,00 a R$ 1.900,00. De acordo com a nota fiscal encontrada na contabilidade da prefeitura, cada banner saiu para a Prefeitura de Salinas por R$ 135,00, quando o custo unitário normalmente seria de R$ 30,00 a R$ 38,00, de acordo orçamentos realizados em outras empresas.

A Rádio Sal FM estava trabalhando com as portas fechadas no dia 9 de maio, quando o Cabo Edison, da Polícia Militar, chegou a uma janela da emissora que dá para a Avenida Floripes Crispim, no bairro Panorama, chamando pelo nome o presidente da emissora. Quando abriu a porta para o Cabo, Bernabé Freire se deparou com o prefeito Zé Prates, acompanhado da advogada Cristiane Maria Ribeiro; do secretário de Obras, João Elísio, três policiais militares e o delegado de Polícia Civil, Jaime Gomes Costa.

Bernabé conta que, já no interior da emissora, onde adentrou sem autorização judicial, o prefeito partiu para a ameaça. Acusou a emissora de tê-lo caluniado e afirmou que se a rádio quisesse continuar funcionando, teria que deixá-lo falar aos moradores naquele exato instante, caso contrário faria tudo para fechá-la.

Maurília Alves Ramires, diretora da Rádio Sal FM conta que esta foi a quarta investida do prefeito Zé Prates contra a emissora, mas a primeira em que ele utilizou-se das Polícias Civil e Militar como e escudo e forma de pressão. “Das outras vezes ele veio com seis advogados da Prefeitura e todo o secretariado”, ela diz.

O OUTRO LADO – O delegado Jaime Gomes da Costa confirma que esteve na emissora de rádio, mas diz que só compareceu ao local porque foi enganado pelo prefeito. “Recebi um telefonema dele (prefeito) dizendo que estava sendo ameaçado pelo pessoal da rádio, daí fui até lá”, explicou. Quando chegou ao local o delegado percebeu que não era isso o que de fato estava ocorrendo. “Fui usado por ele”, afirmou a autoridade policial, para quem o entrevero só ocorreu porque “ele é ditador”, sempre se referindo ao prefeito Zé Prates.

Por ordem do prefeito, a Polícia Militar lavrou um boletim de ocorrência contendo apenas a versão dele sobre os fatos. Porém, se recusou a lavrar outro boletim sobre a investida e as ameaças de Zé Prates contra a emissora e seus responsáveis. A confusão só se dissipou porque uma aglomeração de populares começou a se formar para ver o que estava acontecendo. Ao perceber que os responsáveis pela rádio chamaram um fotógrafo para registrar o fato, o prefeito bateu em retirada com a advogada e o secretário que o acompanhavam.

Apesar dos recados deixados com a atendente da Prefeitura de Salinas, o prefeito Zé Prates não retornou as ligações para falar sobre o assunto.

11/05/2008 - 09:51h ‘Aécio não é obcecado pela idéia de ser candidato como Serra’

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Vera Rosa – O Estado de São Paulo

Disposto a selar uma aliança com o PSDB do governador Aécio Neves para a eleição, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), desistiu de brigar com a Executiva Nacional do PT, que vetou a coligação. Trocou a luva de boxe pelo tom conciliador e garantiu que a parceria com Aécio, criticado um dia sim e outro também pelo PT, não tem impacto na sucessão do presidente Lula, em 2010.

“Aécio não é obcecado pela idéia de ser candidato a presidente, como José Serra”, diz Pimentel, referindo-se ao governador de São Paulo. Com fala mansa e discurso sob medida para convencer a cúpula do PT a voltar atrás na decisão de proibir o casamento com os tucanos em Belo Horizonte, ele não desiste. “Não podemos transformar a política num eterno Fla-Flu, numa disputa do bem contra o mal”, insiste. “Aécio é um adversário político, mas não é um inimigo.”

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Ex-guerrilheiro que militou em organizações de esquerda com Dilma Rousseff, hoje ministra da Casa Civil, o prefeito defende a amiga de juventude do escândalo do dossiê com gastos do governo FHC: “Com todo respeito à oposição, o dossiê é um episódio secundário.”
Para arrepio dos que o consideram o mais tucano dos petistas, Pimentel diz que Dilma – a favorita de Lula na corrida ao Planalto – é tão qualificada para ser presidente quanto Aécio e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Não falta a ela jogo de cintura política? “Eu acho que Dilma tem treinado com aquele bambolê que o PMDB deu para ela de presente”, diverte-se. E, mesmo com todas as divergências no PT, Pimentel jura que não fará as malas para deixá-lo. “Se eu sair do PT, é só para ir para casa”, garante.

Por que o sr. defende uma coligação do PT com o PSDB para a Prefeitura de Belo Horizonte?

Precisávamos buscar uma solução eleitoral que contemplasse aquilo que a cidade quer. Belo Horizonte quer esse modelo de governança, de gestão compartilhada, que tem obtido resultados excepcionais porque criamos um clima político-administrativo de bom entendimento com os governos estadual e federal. As pesquisas indicam que até 85% da população vê com absoluta naturalidade uma candidatura que ponha na mesma campanha o prefeito e o governador. Não acha isso nenhuma aberração.

A Executiva do PT diz que a gestão Aécio é comprometida com políticas distintas das que estão no ideário petista e no programa de governo. Em que o sr. diverge disso?

Eu respeito a posição da Executiva, mas não concordo.O governador Aécio Neves é um adversário político nosso, mas não é um inimigo. Não temos nenhuma grande divergência de fundo. Estou mencionando Aécio, e não o PSDB. Eu acho que o PSDB é, sim, em âmbito nacional, um adversário incontornável do PT. E daqui até 2010 isso não vai mudar.

Qual é a saída para o impasse na eleição em Belo Horizonte?

Agora é o momento de decantação das paixões. Reconhecemos que a Executiva Nacional tem obrigação de acomodar num grande eixo de políticas todas as realidades do Brasil, o que não é tarefa fácil e merece o nosso respeito. Mas é preciso haver alguma flexibilização, tanto da nossa parte quanto da parte dos nossos companheiros da Executiva. Nós também não vamos recorrer à Justiça de nenhuma decisão. É um episódio que devemos superar sem que haja vencidos nem vencedores.

Para a aliança em Belo Horizonte vingar é preciso que o PSB apóie a candidatura da ministra do Turismo, Marta Suplicy, em São Paulo?

Eu quero crer que há interesse do PSB em abrir com o PT um campo de entendimento que contemple várias cidades. Isso pode incluir São Paulo, Belo Horizonte, Rio, Natal, Manaus.pimentel.jpg

O presidente Lula vai ajudar?

Ele já tem problemas demais. Eu vi com muita alegria as declarações que ele deu, dizendo que vê com naturalidade o que estamos fazendo em Minas. Por dever de lealdade, sempre dei ciência ao presidente de todos os meus movimentos. Mas nunca usei o nome dele para endossar nada.

Se o sr. for derrotado, vai sair do PT? Integrantes do PSB disseram que será bem recebido se sua situação ficar insustentável no PT.

Eu não tenho para onde ir se eu sair do PT. Sou militante do PT desde a fundação do partido e sempre busquei resolver as questões pela via do entendimento. Se eu sair do PT é só para ir para casa. Tenho respeito pelo PSB, mas não cogito deixar o meu partido.

A aliança em Belo Horizonte não fortalece a candidatura de Aécio para a Presidência em 2010, como alega o PT?

Em primeiro lugar, 2010 está muito longe e não devemos trabalhar com essas ilações. É um erro porque sequer sabemos se o governador Aécio vai ser candidato a presidente ou não. É uma superestimação do papel que esse episódio tem. Aécio é um homem público qualificado para ser presidente da República. É capaz, honrado, um bom gestor. Mas está num partido adversário, o que significa que, se for candidato, nós não poderemos marchar juntos. Serei fiel ao meu partido.

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A coligação em Minas poderia ser eficaz para se contrapor à candidatura de Serra ao Planalto?

O governador Aécio nunca mencionou que essa construção nossa faça parte de uma grande estratégia para fortalecê-lo ou enfraquecer Serra. Não quero cometer inconfidências, mas percebo que Aécio trabalha a questão da candidatura num diapasão um pouco diferente de Serra.

Por quê?

Ele não vê essa candidatura como uma coisa inevitável. Não vai forçar o destino. O governador Aécio não é obcecado pela idéia de ser candidato a presidente, como o governador Serra. Acho que Serra, com quem também tenho boas relações, trabalha com mais determinação. Tem uma boa obsessão. Ele, sim, está determinado a ser candidato a presidente e trabalha 24 horas por dia para isso. São posturas diferentes.

No PT, os comentários são de que o sr. atropelou o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, ao fechar acordo com Aécio que pressupõe o apoio tucano à sua candidatura ao governo de Minas. Em troca, o sr. seria cabo eleitoral de Aécio para a Presidência ou para o Senado…

Não atropelei ninguém, muito menos Patrus, que é meu amigo dileto. Patrus seria o nosso candidato natural a prefeito se esse tivesse sido o seu desejo. E não foi. Por isso começamos a construir esse outro caminho, que é a candidatura do Márcio Lacerda, do PSB, com um vice do PT, o deputado Roberto Carvalho.

Mas o senhor é candidato a governador de Minas…

Está cedo para a gente dizer isso. Se na ocasião houver um conjunto de forças organizadas em torno dessa idéia, não vou ser hipócrita de dizer que não aceito. Mas não existe acordo com o governador Aécio. Existe, sim, um entendimento comum sobre como conduzir a administração pública. Nós achamos que a política é para construir convergências e não para aprofundar divergências. Mas é um entendimento pragmático. O PT vai ter candidato à Presidência em 2010, e eu certamente estarei na campanha desse candidato.

E se Aécio for para o PMDB, um partido da base aliada?

Acho isso muito difícil. Hoje nós temos quatro nomes colocados no cenário: a ministra Dilma Rousseff, do PT, o ex-ministro Ciro Gomes, do PSB, e os governadores Aécio Neves e José Serra, do PSDB.

Dilma saiu do depoimento no Senado fortalecida, mas o caso do dossiê não que pode prejudicar a candidatura dela mais à frente?

Não acho que haja dano maior. Esse assunto está sendo esclarecido de maneira adequada.Com todo respeito à oposição, esse é um episódio secundário, que não mereceria tanta dedicação dos parlamentares.

Mas o sr. não acha grave terem sido usados dados de gastos do governo FHC para municiar aliados na disputa na CPI dos Cartões?

É grave, mas não é suficientemente grave para paralisar a vida política em torno de um tema desses, porque nós temos instituições que funcionam, como a Polícia Federal. Eu não quero ser juiz moral de ninguém, mas, fosse eu um senador que tivesse recebido material sigiloso, teria imediatamente procurado a ministra, entregue os documentos a ela e pedido que abrisse investigação para saber quem vazou.

O sr. acha que o senador Álvaro Dias deveria agir assim? O PT, na oposição, nunca fez isso.

É o que eu faria fosse eu um senador. Felizmente eu não sou. Sou apenas prefeito e o senador sabe o que faz.

dilma.jpgNão falta jogo de cintura à ministra para ser candidata?

Acho que Dilma tem treinado com aquele bambolê que o PMDB deu para ela de presente (risos). Isso é um aprendizado. Eu também era um técnico quando fui para o governo do Patrus, como secretário da Fazenda. A vida vai ensinando. Temos sorte de ter uma pessoa qualificada como ela para ser candidata a presidente. Se vai ser mesmo ou não é outra história. Se for, fará bonito.

Desde quando o sr. a conhece?

Fomos companheiros de militância em 1968, 1969. Primeiro numa organização menor, em Minas, chamada Colina. Depois formou-se a VAR-Palmares. Passei alguns meses como militante da VAR e a Dilma também. Depois eu saí, fui para a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). Ela continuou na VAR. E depois fomos presos. Sou amigo da ministra desde essa época, ainda na luta contra a ditadura. Dilma talvez seja o melhor quadro que minha geração política produziu.

Ainda é possível uma aproximação entre o PT e o PSDB mais adiante, no plano nacional?

Nem no longo prazo consigo vislumbrar uma confluência entre PT e PSDB. Os dois têm identidades e características muito definidas e caminham paralelamente. Então, não vão se encontrar. Agora, tem de haver um território em que os homens públicos do PSDB e do PT conversem sobre uma agenda de temas para o Brasil.

Que pontos teria essa agenda?

Podemos trabalhar juntos na questão da reforma tributária. Não vejo por que a gente precise ter uma divergência com o PSDB nesse aspecto. Também acho que não há dificuldade em estabelecer identidades em torno da reforma política.

O PT é seu maior adversário?

É uma maldade dizer isso. O PT é minha casa. Às vezes você também tem incompreensões dentro de casa. Já me disseram que sou o mais tucano dos petistas. Não é verdade. Nem eu quero ser tucano nem estou querendo convencer nenhum tucano a virar petista. Mas não podemos transformar a política num eterno Fla-Flu, numa disputa do bem contra o mal. Tenho uma frase que eu mesmo cunhei e gosto muito: a política é o território onde a virtude paga tributo ao interesse para construir o bem comum. Em todos os partidos existem homens de bem, corretos, honestos.

O senhor é favorável a um terceiro mandato para o presidente Lula?

Não. Ele também não quer. A reeleição foi uma coisa boa. O ciclo hoje é de oito anos, dá estabilidade ao sistema político e ao horizonte econômico de investimento. Mais do que isso seria uma violência.

Quem é: Fernando Pimentel

Um dos fundadores do PT, elegeu-se prefeito de Belo Horizonte em 2004.

Foi secretário de Fazenda de Patrus Ananias (1993 a 1996).

Economista, chegou a ser sondado em 2006 para ocupar o Ministério da Fazenda na vaga de Antonio Palocci.

21/04/2008 - 22:53h Corrupção obriga alunos de Juvenília em Minas Gerais a estudar na Bahia

Fábio Oliva – MTB 09423 JP/MG – Folha do Norte

PORTO AGRÁRIO (JUVENÍLIA) – Todos os dias, dezenas de estudantes da comunidade rural de Porto Agrário, município de Juvenília, no extremo Norte de Minas, empreendem verdadeira aventura para concluir o segundo grau. A bordo de pequenas e desconfortáveis chalanas, eles descem o Rio São Francisco em direção à Bahia, para estudarem na Escola Estadual Coronel João Duque, no município de Carinhanha. A viagem descendo o rio dura cerca de uma hora. Na volta, navegando contra a correnteza, o tempo é maior, cerca de uma hora e meia a uma hora e quarenta minutos, de acordo com os estudantes.

Para chegarem a tempo, quem estuda na parte da manhã precisa acordar cedo, por volta das cinco horas. Já os que estudam à tarde muitas vezes não têm tempo de almoçar e levam a comida em marmitas para se alimentar durante o trajeto. “É muito sofrimento e muito cansativo”, diz a estudante Keila Ferreira Souza, 21 anos, aluna do segundo ano do segundo grau. Ela conta que por causa das dificuldades chegou a ficar quatro anos sem estudar.

Os estudantes de Porto Agrário não escondem sua indignação com as condições a que precisam se submeter em busca de um futuro melhor, através da conclusão dos estudos. A revolta é porque eles sabem que em 2003, o ex-prefeito de Juvenília, Professor Joaquim Gonçalves da Silva, assinou com a Secretaria de Estado da Educação um convênio que destinou cerca de R$ 180 mil para a construção da Escola Núcleo de Porto Agrário. O estabelecimento, com capacidade para atender 300 alunos, também contaria com uma quadra de esportes, para a qual foram destinados outros R$ 78,2 mil.

No local onde deveria existir a escola, o que emerge do mato é o esqueleto de uma construção inacabada, carcomida pelo vandalismo e pela ferrugem. No local onde deveria existir a quadra de esportes, não há nada, a não ser animais pastando. O ex-prefeito é acusado de ter desviado a maior parte da verba, em conluio com empreiteiras, entre as quais a Construtora Proença Ltda, com sede em Montes Claros. Na Comarca de Montalvânia, estão em andamento duas Ações Civis Públicas, propostas em 28 de março e em 17 de abril contra o Professor Joaquim Gonçalves da Silva. Neles o Ministério Público pede a condenação do ex-prefeito à devolução de cerca de R$ 350 mil aos cofres públicos de Juvenília.

O atual prefeito de Juvenília, Antônio Marinho de Matos, o “Toninho Marinho”, informou que enfrenta dificuldades para conseguir a liberação de novas verbas para terminar a Escola Núcleo de Porto Agrário, porque seu antecessor prestou contas à Secretaria de Estado da Educação como se a obra tivesse sido concluída.

06/04/2008 - 13:38h Aécio cria em BH embrião de aliança para disputar Planalto

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KENNEDY ALENCAR
Colunista da Folha Online

O governador de São Paulo, José Serra, é o favorito nas pesquisas sobre a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acontecerá em outubro de 2010. Esse é o maior trunfo do tucano paulista.

Mas o governador de Minas, o tucano Aécio Neves, conseguiu uma façanha política que lhe dá um trunfo de peso para a corrida pelo Palácio do Planalto. Na articulação política, Aécio hoje tem franca vantagem em relação a Serra, que sofre com uma crise política na tradicional PSDB-DEM em São Paulo.

Alternando-se no poder federal desde 1994, PT e PSDB vivem às turras no cenário nacional. A principal jogada de Aécio foi demonstrar que essa guerra pode ser superada. E fechou com o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, uma aliança para apoiar Márcio Lacerda (PSB) na eleição municipal de outubro.

Houve reações contrárias no PT, partindo principalmente de dois ministros: Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretaria Geral). Derrotados na tentativa de minar a aliança, Patrus e Dulci tentaram patrocinar a mudança do candidato do PSB. Foram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não comprou a tese, apesar de versões terem sido vendidas para a impressa nesse sentido.

Em reunião no Palácio do Planalto, Lula cobrou de Pimentel gestos políticos para dar “conforto” a aliados federais que ficaram fora do acerto mineiro: o vice-presidente José Alencar, do PRB, e o ministro das Comunicações, Hélio Costa, do PMDB.

Aécio entrou em campo na hora. Alencar será o convidado de honra do 21 de Abril em Minas. E Hélio Costa já conversou com o governador a respeito da importância da união de políticos mineiros. No futuro, se a operação der certo, Costa será um dos homens fortes de uma eventual Presidência de Aécio.

Resultado: Patrus e Dulci ficaram isolados. A aliança para tentar eleger Márcio Lacerda deverá contar com PSB, PT, PSDB, PMDB e PRB, entre outras siglas. Aécio tem interesse em se viabilizar como candidato a presidente desse arco de forças daqui a dois anos.

Mas o PT apoiará um tucano em 2010? De jeito nenhum. O mais provável é que o partido lance um candidato no primeiro turno. Até agora, não há um nome forte do petismo para concorrer. Por isso, Aécio quer deixar aberta a possibilidade de um entendimento para a segunda etapa.

O Plano A do mineiro é ser candidato pelo PSDB, mas ele ainda não descartou um Plano B, que seria a migração para outro partido antes da eleição. Numa outra legenda, seria mais fácil ainda um eventual entendimento se Aécio fosse ao segundo turno de 2010.

Para vitaminar os planos do tucano mineiro, outro fator importante é a boa relação com Ciro Gomes, presidenciável do PSB e hoje o nome do campo lulista mais forte nas pesquisas. Ciro, porém, não descarta ser vice de Aécio se esse for o preço para inviabilizar a candidatura de Serra no PSDB e para criar uma chapa bem competitiva.

Lula tem interesse na boa relação com Aécio, que pode, sim, ser uma saída de emergência do petista. O presidente não vai embarcar na tese da re-reeleição, apesar da espuma que esse assunto produz e ainda produzirá. Sabe que será difícil emplacar um petista. Teme que, sozinho, Ciro perca força na hora em que o jogo começar. Daí ser conveniente a boa relação com Aécio, que já disse que será um candidato pós-Lula. Ou seja, vai olhar para frente.

Em conversa reservada, Lula tirou o chapéu para o tamanho da aliança que Aécio montou em Minas.

Kennedy Alencar, 40, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos. Também é comentarista do telejornal “RedeTVNews”, no ar de segunda a sábado às 21h10.

E-mail: kalencar@folhasp.com.br

26/09/2007 - 19:38h Minas receberá R$ 33 milhões do Programa de Desenvolvimento do Turismo do Nordeste

Sandra Silveira – O Globo Online

BELO HORIZONTE – O Ministério do Turismo vai destinar R$ 33 milhões para o Estado de Minas Gerais, dentro do Programa de Desenvolvimento do Turismo do Nordeste (Prodetur), o que deve beneficiar nove municípios. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pela ministra Marta Suplicy na abertura do Salão Mineiro de Turismo 2007, em Belo Horizonte.

Os recursos serão aplicados, entre outras coisas, na recuperação da estrada que liga Milho Verde a Diamantina e de monumentos históricos da região, assim como na qualificação do setor de turismo do norte do estado.

O Prodetur compreende nove estados nordestinos, além do norte de Minas e Espírito Santo, atuando por meio de financiamento de obras de infra-estrutura, projetos de proteção ambiental e do patrimônio histórico e cultural.

Marta afirmou ainda que entre os mais de 400 destinos turísticos do Brasil, 65 deles foram escolhidos pelo governo como prioritários e Minas Gerais tem quatro municípios incluídos nesse roteiro – Tiradentes, Belo Horizonte, Ouro Preto e Diamantina. Segundo ela, a Fundação Getúlio Vargas prepara um estudo técnico sobre os 65 destinos, identificando os principais problemas para que sejam capacitados a operar dentro de um padrão internacional.

A ministra informou ainda que o governo investirá, a partir de agora, na captação de visitantes de três grandes mercados turísticos, o argentino, americano e inglês. Em outubro, começará a ser veiculada nos EUA uma propaganda visando a atingir, principalmente, os afro-descendentes e os hispânicos. Apesar de apenas 1,9% dos turistas americanos que viajam elegerem o Brasil como destino, esse já é o segundo mercado para o setor.