03/02/2009 - 14:47h China: menor apetite chinês vai tirar US$ 1,5 bi da exportação brasileira

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Menor apetite chinês vai tirar US$ 1,5 bi da exportação brasileira

Raquel Landim, de São Paulo – VALOR

Um dos países mais beneficiados pelo voraz apetite chinês por commodities, o Brasil vai sofrer com a desaceleração do gigante asiático. O país deve perder pelo menos US$ 1,5 bilhão em vendas de apenas três produtos – soja, minério de ferro e petróleo – para os chineses este ano. Especialistas em comércio exterior acreditam que a China está trocando os banquetes de commodities por uma dieta mais equilibrada. Por isso, além desta perda, investimentos futuros com alvo no mercado chinês devem ser bem estudados, dizem os analistas.

Conforme a estimativa do Conselho Brasil-China, as exportações para o país asiático de soja, minério de ferro e petróleo vão cair 12%, de US$ 12,7 bilhões em 2008 para US$ 11,2 bilhões em 2009. Essas commodities representam 77% da pauta de exportação do Brasil para a China. As projeções apontam queda de 19,4% nas vendas de soja para a China em 2009, 46,4% no petróleo, e alta de 13,7% no minério de ferro. O conselho parte da premissa que as exportações serão prejudicadas apenas pela queda de preços, porque os volumes de soja e petróleo vão se manter constantes, enquanto o do minério pode subir 10% graças ao pacote de estímulo fiscal chinês . A hipótese é considerada otimista por outros analistas, para quem a queda das exportações para a China pode ser ainda mais significativa.

“A corrente comercial entre os dois países inevitavelmente vai cair. Vamos enfrentar uma redução substancial em valor com a queda dos preços das commodities, mas o volume dificilmente será afetado”, disse Rodrigo Tavares Maciel, secretário-executivo do conselho. Maurício Moreira Mesquita, economista do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), discorda e avalia que a tendência é de queda para as exportações brasileiras para a China, não apenas em preço, mas também em volume. “Se a desaceleração da economia chinesa se aprofundar, o impacto para a América Latina vai ser severo”, ponderou.

Em seis anos, os chineses quintuplicaram a compra desses produtos no Brasil. As exportações brasileiras de soja para a China saltaram de US$ 1,3 bilhão em 2003 para US$ 5,3 bilhões em 2008. No minério de ferro, as vendas saíram de US$ 765 milhões para US$ 4,9 bilhões no período. O petróleo – que sequer aparecia entre os principais produtos de exportação para a China em 2003 – rendeu US$ 1,7 bilhão ao país em 2008.

Dois fatores aplacaram a sofreguidão dos chineses por commodities brasileiras: a desaceleração do crescimento da economia do país – provocada pela crise global e pela fraqueza das exportações – e a consolidação da sua indústria pesada. O ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China desacelerou de 13% em 2007 para 9% em 2008 e deve ficar em 8% em 2009 nas expectativas otimistas. A indústria pesada chinesa está contaminada pelo excesso de produção, o que vai exigir a consolidação em empresas maiores e mais competitivas e limitar a construção de novas plantas. A preocupação do país com a poluição também deve desestimular investimentos.

“A posição de exportadores de commodities como o Brasil é mais forte que uma década atrás, mas planos de expansão baseados no ritmo de crescimento dos últimos anos têm que ser revistos”, disse ao Valor Arthur Kroeber, diretor-executivo da Dragonomics, consultoria especializada em economia chinesa, sediada em Pequim. Kroeber avalia que a “chave” é que a demanda da China por commodities brasileiras vai seguir forte, mas a taxa de crescimento será bem menor, derrubando preços.

É o contrário do ciclo que levou as commodities às alturas. Entre 2003 e 2007, o crescimento da China saltou de 8% para 12% e a capacidade da indústria intensiva em recursos naturais aumentou muito. Como resultado, os preços de commodities como soja e petróleo saltaram 115% e 213%, respectivamente, entre 2003 e 2007, mas parte desses ganhos já foi devolvida. Desde 2008, as cotações da soja e do petróleo caíram 20,5% e 58,2%. No minério de ferro, que subiu mais de 70% só no ano passado, as siderúrgicas chinesas e a mineradora brasileira Vale estão travando uma queda-de-braço para definir o preço de 2009. A expectativa é de pelo menos 30% de queda.

O minério de ferro é bom exemplo das mudanças que estão ocorrendo na China e vão atingir o Brasil. Em 2000, a China produzia 100 milhões de toneladas de aço. Graças ao forte crescimento da economia local, chegou a um ritmo anualizado de 570 milhões de toneladas no início de 2008, quatro vezes mais do que em 2000. Preocupado com a inflação, o governo chinês introduziu medidas para desacelerar a economia. Em conjunto com a crise global, as medidas derrubaram a produção de aço para 420 milhões de toneladas no fim de 2008. Os analistas estimam que a China vai seguir produzindo entre 420 milhões e 450 milhões de toneladas de aço por ano, volume acima do de 2000, mas praticamente estável na comparação com o fim de 2008.

A demanda chinesa por soja – outro importante item da pauta de exportação do Brasil pela China – deve ser menos afetada. Para Trevor Houser, pesquisador do Instituto Peterson para Economia Internacional, o consumo de commodities agrícolas não sofre como as metálicas, já que a dieta alimentar da população varia muito menos que os ciclos de investimento. A soja é um produto importante na alimentação chinesa e sua substituição por outros alimentos é complicada. Os preços do grão, porém, devem permanecer baixos por conta da crise financeira, que reduziu a liquidez dos mercados.

O pacote de estímulo fiscal da China e a recuperação do mercado imobiliário local podem ajudar a sustentar o consumo de aço, cimento e cobre em 2009, evitando uma queda mais brusca da demanda pelo minério de ferro brasileiro. Mas o tamanho do impacto depende da eficácia do pacote, o que divide os analistas. O governo chinês anunciou US$ 586 bilhões em gastos para estimular a economia. Boa parte do investimento será destinado à infraestrutura, à recuperação das áreas afetadas pelo terremoto de Sichuan e à construção de casas populares.

“O declínio da demanda chinesa não será tão forte quanto alguns especulam, mas não é razoável esperar que os preços permaneçam no mesmo patamar dos últimos anos, porque os fundos de investimento inflaram as commodities”, disse Li Gang Liu, economista-chefe do BBVA do departamento de pesquisa econômica da China e ex-funcionário do Banco Central de Hong Kong. Para Houser, o Brasil deve se preocupar mais com o colapso dos preços nos últimos seis meses do que com uma eventual queda de demanda, que levaria à redução do volume exportado. “Os preços devem continuar fracos até que o apetite chinês se recupere, o que ainda pode demorar um ano.”

19/01/2009 - 11:00h Energia deve opor Obama a empresas

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Ricardo Balthazar, de Washington – VALOR

Os esforços que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, promete fazer para combater o aquecimento global e diminuir a dependência americana de petróleo e carvão enfrentarão nos próximos meses enorme resistência de grupos empresariais assustados com os custos elevados que podem advir dos planos do novo governo.

Obama e seus aliados no Partido Democrata querem criar um sistema para controlar a emissão dos gases que contribuem para as mudanças climáticas. Companhias de energia elétrica, refinarias de petróleo e outras indústrias seriam forçadas a adquirir licenças do governo para continuar poluindo, o que obrigaria as empresas a reduzir suas emissões significativamente nas próximas décadas.

Estima-se que o governo poderia arrecadar US$ 100 bilhões por ano com os leilões em que essas licenças seriam vendidas, dinheiro que Obama quer usar para investir em biocombustíveis, painéis de energia solar e turbinas de energia eólica. Metade da eletricidade consumida nos EUA é gerada em usinas que queimam carvão e são responsáveis por quase um terço das emissões de gás carbônico do país.

Um plano semelhante ao proposto por Obama foi engavetado pelo Senado americano em 2008, mas há em tramitação no Congresso outras propostas com o mesmo espírito. Grupos ambientalistas com simpatizantes em posições-chave do futuro governo e associações empresariais preocupadas com os rumos da discussão têm ampliado as pressões sobre os congressistas e a equipe de Obama.

Na semana passada, representantes de grupos poderosos, como a gigante do petróleo Conoco Philips, a Duke Energy e a mineradora Rio Tinto foram ao Congresso propor um sistema diferente. Elas aceitam que o governo imponha limites às emissões, mas sugerem que no início algumas licenças sejam distribuídas de graça. Isso ajudaria indústrias afetadas a se adaptarem gradualmente à mudança.

Muitos ambientalistas são contra a idéia, por considerá-la um presente indevido para grandes poluidores. Na campanha do ano passado, Obama também se manifestou contra a proposta, mas seu plano sugere que parte do dinheiro recolhido nos leilões do governo poderia ser usado para ajudar empresas e consumidores, que tendem a sofrer com o impacto do novo sistema sobre o preço da energia elétrica e de combustíveis.

O deputado democrata Henry Waxman, que preside a Comissão de Energia da Câmara e é um das principais envolvidos nessa discussão no Congresso, disse na semana passada que gostaria de ver o sistema proposto por Obama aprovado em maio. Mas ninguém acha que isso será possível. O tema é muito complexo e os esforços para tirar o país da recessão terão a prioridade de Obama neste ano.

Os democratas apresentaram na semana passada um plano de estímulo econômico com US$ 825 bilhões em cortes de impostos e em investimentos do governo em várias áreas. O pacote inclui US$ 20 bilhões em incentivos fiscais para estimular a produção de energia de fontes renováveis, e Obama anunciou este mês que deseja dobrar a capacidade de geração dessa energia nos próximos três anos.

A meta é considerada inviável por críticos como o presidente de outra grande petroleira, a Exxon Mobil, Rex Tillerson. “Vamos ser realistas”, disse ele a repórteres em Washington há duas semanas, no mesmo dia em que Obama fez um discurso eloqüente em defesa do seu plano econômico. “Não vamos nos enganar.” Ele é contra os sistemas de controle de emissões em debate no Congresso atualmente.

A crise econômica e a queda acentuada dos preços do petróleo nos últimos meses esfriaram o ânimo de muitos investidores que apostaram no desenvolvimento de fontes de energia mais limpas. A eletricidade gerada por turbinas movidas pelo vento é mais cara do que a produzida com o uso de fontes tradicionais e, por isso, as empresas do setor precisam de subsídios para serem competitivas.

Muitos especialistas acham que uma solução mais simples para forçar as indústrias a reduzirem emissões e ao mesmo tempo estimular o desenvolvimento de novas tecnologias seria criar um imposto, que incidiria sobre a venda de gasolina, gás natural e outros combustíveis fósseis. Os defensores da idéia acham possível realizar assim os mesmos objetivos que Obama espera alcançar com seu sistema de controle de emissões.

Ambientalistas não gostam dessa opção, pois a indústria não seria obrigada a cortar suas emissões. E políticos acham difícil aprovar a criação de um imposto como esse, ainda mais agora, com a economia tão frágil. Mas pessoas próximas a Obama, como o futuro diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Lawrence Summers, simpatizam com a idéia.

Aliados dos ambientalistas, como Carol Browner, que trabalhará com Obama na Casa Branca e terá como missão coordenar as políticas do governo na área energética, terão grande influência nesse debate. Além disso, os democratas parecem dispostos a usar o poder da Agência de Proteção Ambiental americana (EPA, na sigla em inglês) para pressionar os políticos se eles derem sinais de hesitação.

O temor de muitas indústrias é que a EPA as force a cortar emissões explorando brechas na lei atual e baixando normas sem pedir autorização ao Congresso. “Um aparato regulatório imposto de cima para baixo, que pode interromper a recuperação da economia, não é algo de que o país precise”, disse Thomas Donohue, presidente da Câmara de Comércio.

Mas alguns observadores acreditam que os riscos que esse caminho apresentaria para Obama seriam enormes. “Seja lá o que for feito, o preço da energia irá subir e isso terá um custo político para o governo”, diz Divya Reddy, analista da consultoria Eurasia Group. “Se eles negociarem uma solução com todos os interessados no Congresso, esse custo ficará bem menor.”

16/12/2008 - 09:29h Centrais sindicais repudiam flexibilização

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Ana Paula Lacerda e Paulo Justus – O Estado SP

As centrais sindicais repudiaram a idéia de flexibilização temporária das leis trabalhistas, mencionada pelo presidente da Vale, Roger Agnelli, em entrevista publicada pelo Estado, no domingo. Os sindicalistas dizem que a mineradora tem condições de manter os empregos e está usando a crise como desculpa para fazer demissões.

Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique da Silva Santos, o momento é de garantir o emprego. Ele diz que parte dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador vai para o BNDES. “Esse dinheiro beneficia tanto a Vale quanto outras empresas e, por isso, elas deveriam diminuir os lucros e manter os empregos”.

Santos diz que os sindicatos ligados à CUT estão orientados a fazer mobilização e greve em caso de propostas de suspensão de contrato de trabalho e redução de jornada e de salário, ambas previstas em lei e defendidas por Agnelli.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira dos Santos, o Paulinho, criticou a idéia de mudança temporária nas leis trabalhistas. “Essa medida pode se tornar definitiva depois da crise, por isso não podemos mexer nas garantias dos trabalhadores”, diz. Paulinho admite a possibilidade de utilização dos instrumentos previstos na lei para garantir os empregos. “A suspensão do contrato e a redução de jornada com redução do salário devem se tornar mais freqüentes no ano que vem, com o agravamento da crise.”

A Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) condena toda mudança nas leis trabalhistas . “A choradeira dos empresários não tem nenhuma justificativa. Eles lucraram muito e agora querem descontar nas costas dos trabalhadores no primeiro momento de dificuldade”, diz o coordenador da entidade, José Maria de Almeida.

Apesar da contra-indicação das centrais, a suspensão de contrato de trabalho já ocorre em vários sindicatos. O Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas sugeriu a medida como forma de garantir o emprego nas indústrias de eletroeletrônicos, motos e autopeças. “Durante a suspensão, o funcionário recebe seguro-desemprego, depois volta ao trabalho”, diz o secretário do sindicato, Sidnei Malaquias.

A suspensão do contrato também é defendida pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Antonio Ramalho. “Não é o ideal, mas é melhor do que a demissão. Nesse meio tempo, o trabalhador poderia fazer algum curso, custeado pela empresa ou pelo governo.”

Na Vale, o Grupo Renovação, que representa oito sindicatos de trabalhadores da mineradora, assinou um acordo para a suspensão temporária do contrato de trabalho. “Essa medida será usada se necessário”, afirma o coordenador do grupo, Sebastião Alves Oliveira. Segundo ele, a medida pode atingir até quatro mil funcionários da empresa.

14/12/2008 - 11:35h ”É hora de medidas de exceção”

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David Friedlander – O Estado SP

 


http://decio.globolog.com.br/vale%20roger%20agnelli.jpgO presidente da Vale, Roger Agnelli, defende medidas de exceção para enfrentar a crise econômica global. Agnelli tem discutido o assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem é um interlocutor privilegiado. Ele sugeriu a Lula a flexibilização temporária das leis trabalhistas, “para ganhar tempo até que a situação melhore”, e afirma que aceita abrir mão do próprio salário. Segundo ele, a proposta já foi apresentada também a alguns sindicatos.

Um dos executivos mais bem-sucedidos do País, Agnelli está no comando da Vale desde 2001. Segunda maior mineradora do mundo, a Vale tem faturamento superior a US$ 30 bilhões por ano, emprega mais de 60 mil pessoas e está presente em mais de 30 países. Observador privilegiado do cenário global, nesta entrevista Agnelli fala das dificuldades e dos planos da Vale para 2009, e brinca ao falar da própria sorte: “Eu pedi a Nossa Senhora, de quem sou devoto, e ela ajudou. Mas eu também corri muito atrás dos meus objetivos.” A seguir, os principais trechos da entrevista concedida na quarta-feira, horas antes de sua viagem para visitar clientes na Ásia.

Uma crise dramática como essa provoca nas pessoas medo de perder o emprego. Executivos do primeiro time como o sr. também têm esse tipo de preocupação? Isso passa pela sua cabeça?

Não, isso não passa pela minha cabeça. Estou tocando minhas coisas, fazendo o que precisa ser feito. Até porque já fiz bastante, não é? Quando cheguei à Vale, ela era a oitava empresa do mundo no setor de mineração. Hoje, é a segunda. Eu acho que ainda tenho muito para fazer.

Nesse tempo todo, o sr. teve a sorte de pegar um ciclo de prosperidade global. Agora, o sr. vai ter que se movimentar num ambiente muito desfavorável…

Para tirar proveito da sorte é preciso estar bem preparado. O crescimento da economia global ajudou todo mundo, mas ninguém aproveitou tão bem esse movimento quanto a Vale. Na indústria mundial de mineração, a Vale é a empresa que tem o maior volume de projetos para desenvolver, tem os melhores ativos e o maior caixa do setor. Apenas sorte não basta. Meu pai sempre dizia: ?Peça para Nossa Senhora e não corra atrás para ver o que acontece?. Eu pedi a Nossa Senhora, de quem sou devoto, e ela ajudou. Mas eu também corri muito atrás dos meus objetivos.

Como enfrentar a crise?

A Vale já vinha se preparando há muito tempo para o dia em que a situação virasse. Nos últimos anos, investimos em automação, em plataformas de informática, em novos processos industriais, no treinamento de pessoal. No começo do ano, sentimos que a euforia nos preços e na demanda não era sustentável. A partir de junho, tomamos algumas decisões duras. Uma foi a redução dos contratos com terceiros, que ficaram caros demais. Outra foi o aumento de capital de US$ 12,5 bilhões. Pusemos dinheiro para dentro de casa porque a gente não sabia quanto iriam custar os investimentos em 2009 e 2010. Não pretendemos desacelerar investimentos. O projeto é investir US$ 14 bilhões em 2009.

Mas a Vale acaba de demitir 1,3 mil pessoas, desativou minas…

Algumas minas voltarão a operar quando o mercado melhorar. Outras, nunca mais. São minas caras e de escala pequena. Elas só faziam sentido porque o preço do minério estava muito alto e a demanda era maluca. Quanto às demissões, elas não aconteceram só em razão da crise. As mudanças nos processos criaram sinergias e eliminaram funções. Até agora, graças ao crescimento acelerado, em vez de mandar embora, a gente contratava menos. Mas 2009 terá o crescimento limitado e tivemos de fazer o ajuste que até agora pudemos contornar. A maior parte dos demitidos era da área administrativa. Pena ninguém lembrar que a Vale contratou milhares de pessoas nos últimos anos. Entre demitidos e contratados, terminaremos 2008 com um saldo de 5 mil contratações.

A empresa vai continuar demitindo? E quando os 5,5 mil funcionários colocados em férias coletivas voltarem?

A gente coloca uma outra turma em férias coletivas. Depois outra. A gente pode levar isso por um certo tempo, mas tem limite. O que faremos quando todo mundo já tiver tirado férias? Isso tem limite. Eu tenho de manter a empresa saudável para que possa cumprir seus compromissos. O executivo que numa hora dessas for leniente com o ajuste, deixar de fazer o que precisa ser feito, vai comprometer o futuro da empresa. Se houver problemas para os quais a gente não tenha solução, vamos ter de demitir. Olha, estamos vivendo uma situação de exceção. Para lidar com ela, precisamos tomar medidas de exceção.

Que medida de exceção?

Eu tenho conversado com o presidente Lula no sentido de flexibilizar um pouco as leis trabalhistas. Seria algo temporário, para ajudar a ganhar tempo enquanto essa fase difícil não passa.

Quando o sr. conversou sobre isso com o presidente?

Falei disso na semana passada, ontem falei de novo. Estamos conversando com os sindicatos também. O governo e os sindicatos precisam se convencer da necessidade de flexibilizar um pouco as leis trabalhistas: suspensão de contrato de trabalho, redução da jornada com redução de salário, coisas assim, em caráter temporário.

Qual foi a reação do presidente?

Ele só ouviu. Sei que estamos propondo algo muito difícil. Mas é preciso entender que esta não é uma situação normal. É uma situação de exceção, e para lidar com ela precisamos tomar medidas de exceção. Imagine uma empresa exportadora, de qualquer setor. De repente, o mercado sumiu. Se a empresa for intensiva em mão-de-obra e a crise durar muito tempo, ela terá de demitir. Se puder flexibilizar de alguma maneira, você reparte um pouco o prejuízo e o impacto será menor.

E o sr.? Aceitaria reduzir seu salário e seu bônus?

Defendo isso para todos os níveis, eu inclusive. Aceitaria temporariamente, até a situação melhorar.

O sr. fala em dividir o prejuízo, mas a Vale captou US$ 12,5 bilhões antes da crise estourar. Já que está tão capitalizada, a empresa não poderia usar parte desse dinheiro para segurar as pessoas?

A Vale precisa gerar mais emprego, crescer, continuar se posicionando no mercado mundial,continuar sendo lucrativa para sobreviver no longo prazo. A Vale não está fazendo ajustes por ganância ou porque é malvada. É uma questão de necessidade. Nesses últimos dois meses, e provavelmente pelos próximos dois, a indústria siderúrgica vai trabalhar com 50% da capacidade de produção. Se ela não compra, o que vamos fazer com o minério? A mineradora Rio Tinto (da Austrália), nossa concorrente, anunciou a demissão de 14 mil pessoas. Todo mundo que depende do mercado internacional teve impacto.

Quais as prioridades do plano de investimentos para 2009?

Dos US$ 14 bilhões previstos, cerca de 80% serão investidos no Brasil. Em minério de ferro, fertilizantes, cobre, carvão e, principalmente, em logística. Nossos planos de longo prazo não foram alterados, porque acreditamos que os fundamentos da economia não mudaram. O mundo cresceu nos últimos anos por causa da entrada de milhões de pessoas no mercado de consumo. Isso aconteceu na China, na Índia, no Brasil. No curto prazo, a crise financeira vai nos forçar a um ajuste, mas isso não será suficiente para anular as conquistas que o mundo alcançou.

A Vale pode comprar uma empresa?

A verdade é que tem muita gente à venda neste momento. Muita, muita gente. E pouco comprador. Quase não tem comprador. Mas a prioridade é crescimento orgânico, é tocar nossos projetos.

Quanto tempo vamos esperar até que a situação melhore?

A situação é a seguinte: nosso problema hoje não é preço, é a falta de demanda. Nossos clientes não querem comprar, querem primeiro gastar seus estoques. Eles entendem que daqui a pouco os preços vão cair. Eu acho que esse processo dura mais três, quatro meses. Em março ou abril, a situação deixa de piorar, porque as empresas precisarão recompor os estoques. Assim, acho que ainda no primeiro semestre as coisas começam a voltar ao normal. É claro que posso estar errado. Pode ser que continue tudo ruim. Se isso acontecer, vamos ter de rever tudo. Mas acho que melhora. Teremos fatores novos ajudando.

De onde o sr. espera essa ajuda?

Tenho a impressão de que a partir de janeiro a Europa deve parar de piorar, a posse de Barack Obama nos EUA dará uma cortada na onda de pessimismo e a China começa a reagir. A China entrou num processo de retração forte, mas os fundamentos não mudaram e o governo de lá tem todas as opções para revigorar a economia: dinheiro, reserva cambial, mercado interno.

Um episódio muito comentado no meio empresarial este ano foi a queda-de-braço entre a Vale e as siderúrgicas chinesas. A empresa não errou ao forçar um aumento no preço do minério exportado para a China apesar da crise?

Foi antes da crise. No começo do ano, acertamos com os clientes um reajuste de 71% no preço do minério de ferro. Era contrato de um ano, mas dissemos que, se o preço a ser fechado com as siderúrgicas australianas (concorrentes da Vale) fosse muito maior que o nosso, a gente queria ter o direito de reavaliar. Como aconteceu isso, resolvemos fazer uma mudança: igualar o preço cobrado das usinas asiáticas com o das usinas européias – tradicionalmente maior. Ou seja, cobrar dos asiáticos o mesmo que pagam os europeus. Os japoneses, os coreanos, os taiwaneses e as grandes siderúrgicas chinesas concordaram. Começamos a assinar os contratos. Quando chegou a vez dos chineses, já em agosto, o mercado começou a mudar. As pequenas usinas chinesas passaram a fazer barulho porque estavam altamente estocadas e não concordavam com a unificação de preço. Em setembro, explodiu a crise na China, a produção começou a cair e os chineses voltaram atrás.

Qual é a situação hoje?

Os japoneses, os coreanos e os taiwaneses pagaram o preço novo três meses. Depois voltamos ao valor antigo, para não criar diferença com a China. Agora, os japoneses, os coreanos e os taiwaneses continuam honrando seus contratos. Os europeus, com exceção do Mittal (a siderúrgica Arcelor Mittal), continuam comprando a quantidade de minério prevista em contrato. Os chineses não estão retirando o minério, querem negociar preço, a visão deles é mais de curto prazo. Eles romperam contratos com armadores, com produtores de carvão, com mineradoras, com produtores de níquel.

E agora eles querem reduzir o preço do minério em mais de 80%…

Eles querem tirar 82% não do preço, mas do aumento concedido nos últimos dois anos. Querem voltar aos valores de 2006, o que significaria queda de 40% no preço. Não tem o menor cabimento. E tem mais: temos contratos até abril com as siderúrgicas chinesas. Quando terminarem os estoques, eles vão tentar, mas acho que dificilmente vão conseguir se abastecer em outros mercados. Estamos fazendo um esforço para sair dessa situação. É preciso pensar a longo prazo. Se você pensar muito no curto prazo, acontece o que aconteceu recentemente com vários bancos de investimento: eles se arrebentaram.

Os preços das commodities subirão novamente?

Elas não voltam ao nível de antes da crise. Aquilo não era sustentável, aconteceu em razão do excesso de liquidez e isso acabou. Também não podem ficar no nível atual. Não pode sair do forno e ir direto para o freezer: nessas condições, qualquer pirex pode quebrar.

Com a proximidade da sucessão na presidência do Bradesco (marcada para março do ano que vem) surgiu o rumor de que talvez o sr. voltasse para o banco para suceder Márcio Cypriano…

Voltar ao Bradesco? Só se for para assistir à posse do próximo presidente. Vou lá bater palmas para ele. Eu deixei o Bradesco em 2000, não tenho nada a ver com a sucessão no banco. Estou feliz aqui na Vale. E acho que os acionistas também estão.

27/11/2008 - 08:54h Queda do consumo de aço na China provoca calafrios globais

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Andrew Batson, The Wall Street Journal – VALOR

A indústria chinesa do aço, que na fase de alta dos últimos anos se tornou a maior do mundo, enfrenta agora um longo e tenebroso inverno.

A demanda está caindo tanto no mercado doméstico quanto no externo. As exportações de aço do país, que vinham aumentando a um ritmo extraordinário de 60% ao ano, estão em queda. O declínio das exportações chinesas de aparelhos domésticos e maquinário reduziu a demanda pelo aço. O esfriamento no mercado imobiliário levou a uma forte queda na construção, deprimindo ainda mais a demanda de aço.

A atual baixa na siderurgia chinesa é a mais acentuada e mais profunda em pelo menos uma década, com uma queda de 17% na produção em outubro. Alguns executivos acreditam que os bons tempos do setor nunca mais vai voltar.

“Acreditamos que a época de altos lucros para as produtoras de aço já chegou ao fim”, disse Yang Siming, presidente do conselho da Nanjing Iron & Steel Group, uma siderúrgica de tamanho médio.

Com o rápido crescimento da indústria do aço no país nos últimos anos – hoje ela é cinco vezes maior do que na última contração do mercado e produz mais de um terço do aço consumido no mundo – a atual queda está causando impacto no país e no mundo.

A tendência ainda pode se inverter, claro, se a economia chinesa recuperar o recente furor. O governo está tomando medidas nesse sentido. Além de um enorme pacote de estímulo anunciado este mês, ontem o banco central chinês cortou juros, em mais uma tentativa de estimular a economia.

Mas o fim do túnel ainda parece longe, para desespero de grandes mineradoras como a Companhia Vale do Rio Doce, a BHP Billiton Plc. e a Rio Tinto Plc. Elas foram prejudicadas pelo colapso na demanda chinesa por minério de ferro e outros minerais utilizados na fabricação do aço. Produtores de carvão, que é consumido em grandes quantidades na indústria siderúrgica, também perderam um grande mercado com o esfriamento chinês. Com o declínio nos preços e fraqueza na demanda, a BHP está se concentrando agora em preservar suas finanças. Na terça-feira, a empresa abandonou sua proposta de comprar a Rio Tinto.

A queda na demanda também obrigou os fabricantes de aço de outros países asiáticos a cortar a produção e baixar os preços.

A japonesa Nippon Steel Corp., maior produtora mundial de aço depois da ArcelorMittal e dona de 24% da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais SA (Usiminas), informou que aumentará os cortes na produção de 1 milhão para mais de 2 milhões de toneladas no segundo semestre fiscal que termina em março e não exclui a possibilidade de mais cortes no futuro.

A China Steel Corp., de Taiwan, informou que no primeiro trimestre de 2009 vai cortar os preços dos produtos de aço numa média de 22,56% para o mercado doméstico, que consome 75% de sua produção. Trata-se do primeiro corte em quase três anos. Essa medida se segue a onze trimestres consecutivos de alta de preços.

A China Steel também informa que sua produção em 2008 deve ficar cerca de 10% abaixo do patamar do ano passado, de 10,2 toneladas. A empresa também comunicou que no primeiro trimestre planeja fechar uma de suas fornalhas para manutenção, o que significa outro corte de 25% na produção.

Na Índia, os preços do aço baixaram em cerca de um terço desde julho, e caíram pela metade desde o início do ano.

As fábricas de aço indianas, incluindo a estatal Steel Authority of India, cortaram os preços entre 15% e 20% este mês, e muitos analistas acreditam que haverá outros cortes em breve.

Enquanto isso, as importações de aço em outubro diminuíram em um terço em relação ao mês anterior, segundo dados do governo indiano. Analistas dizem que o aço importado ainda é 5% a 10 % mais barato, em vista da queda nos preços do aço chinês.

A atual baixa também significa menos negócios para os portos, ferrovias e empresas marítimas que transportam commodities como carvão e minério de ferro. O Índice Báltico de Cargas Secas, ou Baltic Dry, que mede o preço do transporte marítimo de produtos a granel, já caiu mais de 90% em relação a junho deste ano, em grande parte devido à expectativa de menor demanda na China.

Uma retração na indústria do aço poderia ajudar a mudar o perfil da economia chinesa, que nos últimos anos tem se concentrado em indústrias pesadas, grandes consumidoras de energia. A expansão da produção de aço foi a base para a transformação da China em um gigante industrial, mas também contribuiu muito para o explosivo aumento no consumo de carvão e petróleo no país e suas emissões de poluentes e gases de efeito estufa. Uma indústria do aço de menor envergadura poderia significar uma China mais limpa, mais eficiente e que exerça menos pressão sobre os recursos mundiais.

“Se o crescimento da produção do aço se reduzir, conforme a tendências recente, para menos de 10%, e houver uma saudável consolidação do setor, até 2012 a China terá economizado mais de um bilhão de toneladas de carvão, fazendo um corte do tamanho da França no seu total anual de emissões de dióxido de carbono”, disse Trevor Houser, analista de energia do Rhodium Group.

(Colaboraram Yuzo Yamaguchi, Alex Pevzner, Arpan Mukherjee e Miho Inada)

04/11/2008 - 13:27h Aumenta pressão sobre o minério de ferro

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Robert Guy Matthews, The Wall Street Journal – VALOR

As grandes mineradoras, numa súbita reviravolta, estão se preparando discretamente para cortes significativos nas próximas negociações de preço com as siderúrgicas mundiais, devido ao enfraquecimento da demanda do setor automotivo, de construção civil, infra-estrutura e eletrodomésticos.

Embora os contratos só devam ser assinados ano que vem, há indícios de que as siderúrgicas vão barganhar por um corte de 20% a 40% em relação ao preço fechado este ano com a BHP Billiton, a Rio Tinto e a Companhia Vale do Rio Doce, que juntas têm 75% do minério de ferro do mundo. Isso representaria uma virada dramática em comparação a este ano, em que as mineradoras conquistaram reajuste de 85% e os preços à vista mais do que triplicaram, para US$ 200 a tonelada.

Numa tentativa de evitar que os preços desabem, as mineradoras estão cortando rapidamente a produção. No fim de semana, a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, começou a cortar 30 milhões de toneladas anuais, o que resultará em demissões e fechamento de minas. Diante da incerteza sobre quanto durará o esfriamento, a Vale não quis informar quando ou se pretende reiniciar a extração nessas minas.

“Acreditamos que esta decisão, neste momento, contribuirá para minimizar riscos de maiores danos no futuro, sobretudo no que diz respeito aos nossos empregados e às comunidades onde possuímos operações”, informou a Vale em comunicado.

Por enquanto, a BHP e a Rio Tinto já informaram que pretendem continuar com a produção atual, mas não está claro se continuarão resistindo caso as vendas e os preços das siderúrgicas continuem caindo.

“Não temos planos de cortar”, disse Alberto Calderon, diretor comercial da BHP. “Até o momento estamos entregando todos os nossos contratos.”

O diretor-presidente da Rio Tinto, Tom Albanese, disse mês passado que a empresa estava reavaliando as despesas de capital diante da desaceleração econômica mundial. A produção de ferro, entre outras coisas, pode ser reajustada.

O enfraquecimento da demanda por ferro pode colaborar com a oferta da BHP para comprar a Rio Tinto, que tem resistido. As autoridades da União Européia devem divulgar esta semana as condições para aprovarem a fusão, entre as quais a de que a BHP venda produção equivalente a cerca de 50 milhões de toneladas de ferro. As autoridades do mercado em todo o mundo estão preocupadas com um possível controle excessivo da BHP-Rio Tinto sobre a oferta mundial de minério de ferro e a insistência por preços mais altos. Diante do declínio na demanda e na cotação do ferro, não está claro se a BHP conseguirá se desfazer de tanta capacidade de produção.

O preço do ferro à vista ficou recentemente abaixo do preço dos contratos, revertendo uma tendência dos últimos anos. O ferro era vendido ontem a cerca de US$ 70 a tonelada no mercado à vista. Os preços de longo prazo estão na faixa dos US$ 80 a US$ 90 a tonelada. Um fator crucial nesse declínio é o enfraquecimento da demanda por aço, cujo preço do produto de referência, o laminado a quente, caiu cerca de um terço.

A associação de siderúrgicas da China informou que a produção será cortada em 20%. A ArcelorMittal, maior siderúrgica do mundo em produção, já começou a reduzir em 15% a produção de algumas de suas unidades. Amanhã, durante a divulgação de seus resultados, ela também deve anunciar novos cortes de produção diante do contínuo enfraquecimento mundial de setores como o automotivo e o de construção, entre outros.

Antes da crise de crédito, as siderúrgicas pressionavam por negociações antecipadas com as produtoras de minério de ferro, na esperança de fechar um preço menor e garantir o suprimento. Os contratos geralmente são assinados em abril. Agora os produtores querem esperar para o caso de a demanda se recuperar. Os analistas do setor, entretanto, não prevêem que os preços ou a demanda se recuperem antes de meados de 2009, o que fornece às siderúrgicas mais poder de negociação e melhores chances de obter preços menores.

“Nossa visão é que o preço do minério vai cair 20% no ano que vem”, disse Alex Hacking, analista do Citigroup Investment Research.

25/08/2008 - 10:13h Brasil lidera investimento entre países emergentes

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Brasil é o ”queridinho” entre as principais economias emergentes

 

 

País está a frente de China, Índia e Rússia

 

 

País registra a maior taxa de crescimento de investimento direto estrangeiro de 2006 para 2007, revela Unctad

 

 

 

Patrícia Cançado – O Estado de São Paulo

A mineradora sul-africana Anglo American viveu dois milagres econômicos no Brasil. Mas foram necessários 24 anos para apostar de fato suas fichas no País, onde fincou sua base em 1973. Até o ano passado, a operação brasileira da Anglo era a lanterninha entre as dez subsidiárias. A entrada em minério de ferro, com a compra da MMX do empresário Eike Batista, colocou a filial em outro patamar.

Hoje aparece entre os três maiores destinos de investimentos do grupo, ao lado do Chile e da África do Sul. Só essa área vai receber US$ 10 bilhões até 2010, sendo 55% apenas neste ano, um recorde na história da multinacional e talvez o maior desembolso feito por estrangeiros neste ano de uma só vez. “O Brasil entrou no radar da Anglo. A companhia decidiu apostar alto porque quer participar desse crescimento”, diz o presidente da Anglo Ferrous Brazil, Alexandre Gomes.

O “radar” da Anglo dá a medida da importância que o Brasil ganhou no cenário internacional. Entre 2006 e 2007, o País teve o maior crescimento de investimentos diretos estrangeiros entre as economias emergentes, à frente de China, Índia e Rússia, segundo a Unctad, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. O volume dobrou – saiu de US$ 18,8 bilhões para US$ 37,4 bilhões. Até julho deste ano, encostou em US$ 20 bilhões, o que leva a acreditar que o País deve atingir neste ano o mesmo patamar de 2007, contrariando a tendência mundial, que aponta queda de 37% no fluxo de investimentos.

Quando a expressão Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) foi cunhada pelo banco Goldman Sachs, há sete anos, economistas do mundo inteiro questionaram a presença do Brasil. Até 2006, ainda não havia consenso se o País poderia ou não fazer parte do bloco que dominaria a economia em 40 anos. O banco revisou suas análises e o manteve na lista.

Ainda assim, para muitas multinacionais e fundos de participação estrangeiros, o Brasil só foi redescoberto mais recentemente. “O País está passando por novas fases de crescimento, diferente dos vôos de galinha de antes. Os investidores agora conseguem enxergar a longo prazo”, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luis Afonso Lima.

O avanço em alguns aspectos macroeconômicos é indiscutível. Com a inflação sob controle, os juros em queda, a melhora na renda e a maior oferta de crédito, o consumo disparou, fazendo a festa das montadoras, das construtoras, das empresas de alimentos, dos bancos, das fabricantes de eletroeletrônicos e do varejo de forma geral.

O Brasil ainda perde em termos de tamanho e custo de mão-de-obra, mas os estrangeiros estão sendo atraídos principalmente pelo crescimento do mercado local. Nesse quesito, o País já ganha da China, iguala-se à Índia e só perde para a Rússia, segundo levantamento da Unctad e elaborado pela Sobeet.

O acesso a recursos naturais e a mão-de-obra eficiente faz o Brasil ter preferência dentro dos Brics. Daí o espantoso interesse da Anglo American, da ArcelorMittal, que na semana passada pagou US$ 830 milhões por uma única mina de ferro em Minas Gerais, e das petrolíferas. Isso, sem falar no etanol, que fez uma legião de gringos construírem ou apenas visitarem usinas por aqui.

O Wal-Mart, no País desde 1995, não teria reservado um investimento de R$ 1,8 bilhão para o próximo ano se não confiasse num bom cenário. Neste ano, a classe média tornou-se maioria (51%). Desde 2004, a rede americana já aplicou R$ 3 bilhões na operação brasileira, sendo R$ 1,2 bilhão neste ano. Hoje a filial é referência para outros emergentes.

O último presidente, Vicente Trius, assumiu no ano passado a operação da cadeia de supermercados na Ásia. A expectativa em Bettonville, sede do Wal-Mart, é que ele repita do outro lado do mundo a experiência tida aqui. O Carrefour chegou a cogitar sair do Brasil por dificuldades em competir com o alto grau de informalidade no setor. Em 2007, deu o recado contrário ao pagar R$ 2,2 bilhões (à vista) pelo Atacadão.

DESTAQUES

US$ 37,4 bilhões
foi quanto o Brasil recebeu de investimento direto estrangeiro em 2007

US$ 18,8 bilhões
foi quanto o Brasil captou de investimento direto estrangeiro em 2006

99,3% foi a taxa
de crescimento no período

19/05/2008 - 14:44h Petrobras supera Microsoft e se torna 3ª maior das Américas em valor de mercado

http://www.seplan.ba.gov.br/bahiainvest/ingles/images/petrobras_g_ing.jpg

da Folha Online

A Petrobras passou a gigante da tecnologia Microsoft e se tornou a terceira maior empresa das Américas em valor de mercado (cotação das ações da companhia), estimada em US$ 287,17 bilhões (cerca de R$ 473,26 bilhões), segundo balanço da Economática que leva em conta números colhidos até 16 de maio.

À frente da petrolífera brasileira estão apenas a Exxon Mobil, que vale US$ 489,64 bilhões (R$ 806,92 bilhões), e a General Electric, estimada em US$ 320,25 bilhões (R$ 527,77 bilhões). A Microsoft, que até pouco tempo era a terceira maior empresas do continente americano, está na quarta posição em valor de mercado, estimada em US$ 279,3 bilhões (cerca de R$ 460,29 bilhões).

Entre as dez maiores (confira lista abaixo), outra brasileira aparece na lista, a mineradora Vale, com valor de US$ 196,49 bilhões (cerca de R$ 323,81 bilhões). Se considerado o ranking com as 50 maiores empresas, o Bradesco fica na 43ª posição, valendo US$ 67,247 bilhões (R$ 110,82 bilhões).

O valor de mercado da Petrobras, empresa que tem puxado as altas recordes da Bolsa de Valores de São Paulo, mais do que dobrou nos últimos 12 meses. A descoberta dos novos campos de petróleo e a alta do preço do barril ajudou na disparada.

Anunciado em outubro do ano passado, o campo de Tupi, na Bacia de Santos, pode ampliar as reservas brasileiras de petróleo em 60%. Outro campo, o Carioca, teria reservas estimadas em 33 bilhões de barris. Seria a maior descoberta feita no mundo nos últimos 30 anos e seria também o terceiro maior campo do mundo na atualidade.

Além disso, a menor valorização do real frente ao dólar no primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual período em 2007, gerou impacto positivo de R$ 1 bilhão nas despesas financeiras líquidas da Petrobras, contribuindo para reduzir os efeitos do câmbio sobre os resultados da companhia.

O lucro da Petrobras no primeiro trimestre atingiu R$ 6,925 bilhões, com alta de 68% sobre o mesmo período do ano anterior. O resultado ficou bem acima do esperado pelos analistas de mercado. Segundo a corretora Brascan, a expectativa era de lucro de R$ 5,589 bilhões. Trata-se do maior lucro trimestral da estatal petrolífera desde o segundo trimestre de 2006, quando obteve lucro de R$ 7,099 bilhões.

Confira a lista das dez maiores empresas das Américas:

1. Exxon Mobil – US$ 489,640 bilhões
2. General Electric – US$ 320,253 bilhões
3. Petrobras – US$ 287,171 bilhões
4. Microsoft Corp – US$ 279.306 bilhões
5. AT&T Telecomunicações – US$ 238.056 bilhões
6. Wal Mart Stores – US$ 225.562 bilhões
7. Chevron Texaco – US$ 207.625 bilhões
8. Procter & Gamble – US$ 203.787 bilhões
9. Vale R Doce – US$ 196.495 bilhões
10. Berkshire Hathaway – US$ 189.580 bilhões

31/05/2007 - 13:32h Duas notas da newsletter O Filtro

por Thomas Traumann

Enfim, uma decisão

Depois de quase seis anos de discussão, as licenças prévias para as duas hidrelétricas no Rio Madeira (Rondônia) poderão sair ainda hoje, prevê O Estado (acesso restrito). As usinas, com capacidade de meia Itaipu, são as obras mais polêmicas do governo Lula. Em artigo n’O Globo (acesso restrito), o jornalista Carlos Alberto Sardenberg reduz a questão sobre a construção das duas usinas à escolha entre ter mais energia elétrica ou proteger os bagres do rio Madeira. Ele é a favor da energia. No mesmo jornal, a colunista Miriam Leitão mostra a sua empatia com os bagres.

Índio quer royalties?

A polêmica ambiental sobre as usinas no rio Madeira ainda nem acabou e o governo inicia outra. Segundo o Valor (acesso restrito), está na fase final de elaboração um projeto que prevê a abertura de todas as terras indígenas para a exploração das mineradoras. As empresas pagariam royalties sobre o faturamento para as comunidades. Leia O Filtro no portal da revista Época