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	<title>Blog do Favre &#187; moeda</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>EUA decaem, mas China ainda não é páreo</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 16:15:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Nova ordem: Analistas creem na emergência de um mundo multipolar, mas não na débâcle total americana


John Plender, Financial Times &#8211; VALOR
Com o presidente Barack Obama iniciando uma viagem por capitais asiáticas, a suposição corrente no Ocidente é de que ele vai se encontrar com líderes de países tidos como parceiros inferiores aos EUA. Mas, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nova ordem: Analistas creem na emergência de um mundo multipolar, mas não na débâcle total americana</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="cursor: -moz-zoom-out;" src="http://www.galizacig.com/avantar/files/images/20080723_sonho-americano.JPG" alt="http://www.galizacig.com/avantar/files/images/20080723_sonho-americano.JPG" width="555" height="443" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><span style="background-color: #ffff99;">John Plender, Financial Times &#8211; VALOR</span></h2>
<p>Com o presidente Barack Obama iniciando uma viagem por capitais asiáticas, a suposição corrente no Ocidente é de que ele vai se encontrar com líderes de países tidos como parceiros inferiores aos EUA. Mas, a realidade é mais complexa. Em meio aos escombros da crise financeira, a posição dos EUA de superpotência e líder da economia mundial parece cada vez mais ameaçada.</p>
<p>Em especial, quando ele chegar a Pequim, no domingo, nada conseguirá disfarçar o fato de que Obama estará fazendo uma visita ao maior credor de seu país.</p>
<p>Aqueles que ficam satisfeitos com o desconforto dos EUA observam que esse colosso econômico global carrega o maior endividamento internacional do mundo e vem sendo abalado por uma moeda em desvalorização. É consenso geral que a China é a principal beneficiária de uma débâcle financeira e uma séria desafiante à hegemonia dos EUA.</p>
<p>Como o poder econômico frequentemente anda de mãos dadas com o poderio militar, essa mudança no poder econômico, juntamente com a fraqueza recente do dólar, vem sendo proclamada como um prenúncio do declínio americano. Esse clima é descrito de maneira primorosa por Fareed Zakaria em seu mais recente livro de sucesso, &#8220;The Post-American World And The Rise Of The Rest&#8221; (&#8221;O Mundo Pós-Americano&#8221;, Companhia das Letras). Assim veio a referência de Obama, em seu discurso de posse, de &#8220;um enfraquecimento da confiança em nosso país; um temor incômodo de que o declínio da América é inevitável, de que a próxima geração terá que reduzir suas esperanças&#8221;.</p>
<p>Paul Volcker, ex-presidente do Federal Reserve (Fed) e conselheiro do presidente, declarou em uma entrevista recente à PBS, a rede de televisão pública dos EUA, que a ascensão dos mercados emergentes é &#8220;simbólica da menor posição dominante relativa dos EUA, não só na economia, mas também na liderança intelectual e de outras formas&#8221;.</p>
<p>Os bancos centrais dos países em desenvolvimento estão esfregando sal nas feridas do gigante enfermo. O Reserve Bank da Índia juntou-se, na semana passada, aos bancos centrais de China, Rússia, México e Filipinas na decisão de aumentar suas reservas em ouro, em detrimento dos títulos denominados em dólar. Um verdadeiro coro de formuladores de políticas de países que estão com superávit em conta corrente declarou que a posição do dólar como moeda de reserva é insustentável.</p>
<p>A essa altura, é importante lembrar que já estivemos aí antes. No fim da década de 80, Paul Kennedy, da Yale University, chocou o mundo com sua afirmação, em &#8220;The Rise And Fall Of The Great Powers&#8221; (&#8221;Ascensão e Queda das Grandes Potências&#8221;, Ed. Campus), de que &#8220;a única resposta à questão cada vez mais discutida da capacidade dos EUA de preservar ou não sua atual posição é &#8216;não&#8217;&#8221;.</p>
<p>Esse veredito pessimista surgiu na época do crash do mercado de ações, em 1987, quando houve uma preocupação contínua com os déficits gêmeos dos EUA e os déficits em conta corrente. O país havia se tornado um devedor internacional pela primeira vez e dependia crescentemente da entrada de capital europeu e japonês. Um Japão extremamente confiante estava em ascensão. O sentimento de decadência chegou perto da histeria nos EUA quando empresas japonesas compraram o Rockefeller Center, em Nova York, a Columbia Pictures, em Hollywood, e o campo de golfe de Pebble Beach, na Califórnia. &#8220;Quem é o dono da América?&#8221;, exigiu saber a ABC News.</p>
<p>De certa forma, a tese do professor Kennedy estava certa. Com a China, a Índia e os outros mercados emergentes alcançando o mundo desenvolvido, os EUA deverão sofrer um declínio econômico relativo, na forma de uma parcela menor do PIB mundial, mesmo com o país crescendo mais do que a maioria das grandes economias desenvolvidas e ainda sendo a maior economia do mundo em termos absolutos.</p>
<p>A globalização e a liberalização doméstica estão dando a esses países em desenvolvimento a chance de obter uma participação no PIB mundial proporcional ao seu tamanho na história. O desempenho econômico da China antes de 1978 era, afinal de contas, uma aberração vista a partir de uma perspectiva de séculos.</p>
<p>Em um estudo sobre as maiores economias, Angus Maddison, da Universidade de Groningen, calcula que a a participação da China no PIB mundial em 1820, antes de a Revolução Industrial na Europa ganhar força, era de mais de 30%, o que é bem mais do que a participação atual dos EUA. Assim, um retorno a algo mais normal pode estar a caminho.</p>
<p>Mas a tese de Kennedy parecia errada ao sugerir que os EUA talvez tivessem ampliado demais o seu império, ao ponto de não conseguirem mais administrá-lo, como aconteceu com a Espanha no século XVII e o Reino Unido no século XX. O caso mais óbvio de incapacidade de administração da década de 80 foi na verdade a União Soviética, que entrou em colapso, enquanto os EUA foram bem-sucedidos logo depois no restabelecimento de seu equilíbrio orçamentário, durante o governo Clinton, sem um recuo integral em seus compromissos internacionais.</p>
<p>Enquanto isso, o desafio econômico japonês perdeu o passo com o estouro das bolhas imobiliária e acionária, e o país se viu ameaçado pela deflação. O pânico da mídia americana com a invasão japonesa se mostrou um indicador perfeito, ainda que involuntário, de um ponto de virada.</p>
<p>A questão agora é se a tese da incapacidade de administração do império estava errada ou era simplesmente prematura. Mesmo assim, prever os períodos de ascensão e queda de nações e economias é uma coisa notoriamente difícil. Charles Kindleberger, o falecido historiador econômico, foi um dos muitos que acreditavam que a vitalidade nacional se movimentava em um ciclo de vida. Entre as causas internas do declínio identificadas por ele, estavam o aumento do consumo, a queda da poupança, a resistência à tributação, a desigualdade, a corrupção, grandes endividamentos e as finanças se tornarem mais dominantes na economia do que a indústria.</p>
<p>Mesmo que isso bata com as atuais circunstâncias, é preciso observar que muitas dessas coisas também estavam presentes nos EUA em 1929, quando a crise financeira coincidiu com a longa transição da hegemonia econômica do Reino Unido para os EUA. Quando Kindleberger escreveu &#8220;World Economic Primacy 1500-1990&#8243;, em 1996, ele acreditava que os EUA estavam decaindo. Mas ele não tinha ideia de qual país provavelmente surgiria como a próxima potência econômica mundial, e tinha a China apenas como &#8220;azarão&#8221; para o posto.</p>
<p>O argumento mais poderoso de apoio à hipótese da decadência envolve o que o professor Kennedy chamava de &#8220;tarefa antiga de relacionar as intenções nacionais às finalidades nacionais&#8221;. Como há uma correlação significativa de longo prazo entre a capacidade produtiva e a capacidade de aumentar as receitas, e o poderio militar, muita coisa depende da sustentabilidade da política fiscal. Aqui, os prognósticos não são bons para os EUA.</p>
<p>Sob as pressões gêmeas da crise financeira e do problema de longo prazo do envelhecimento dos &#8220;baby boomers&#8221;, as projeções oficiais apontam para déficits orçamentários numa escala sem precedentes. O Peterson Institute for International Economics, de Washington, estima que, depois de chegar perto de US$ 1,5 trilhão no ano fiscal corrente &#8211; mais de três vezes o recorde anterior -, o déficit provavelmente ficará perto de US$ 1 trilhão ao ano até 2020 ou além.</p>
<p>Da perspectiva do fluxo de recursos que entra na economia, a contrapartida desses déficits será em grande parte encontrada na conta corrente do balanço de pagamentos. Aqui, o instituto calcula que o déficit em conta corrente poderá subir de um recorde anterior de 6% do PIB para surpreendentes 15% ou mais até 2030, o equivalente a mais de US$ 5 trilhões por ano. Ele avalia que a dívida externa subirá dos atuais US$ 3,5 trilhões para até US$ 50 trilhões, ou 140% do PIB, no mesmo período.</p>
<p>Esses números representam um desafio assustador para o governo Obama e uma ameaça evidente ao dólar, uma vez que há um volume muito grande de reservas em dólares em mãos estrangeiras. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que, do fim de 2000 até metade de 2009, as reservas internacionais subiram de US$ 1,9 trilhão para US$ 6,8 trilhões, dos quais US$ 2,3 trilhões estão sendo mantidos pela China. Mais de 60% dessas reservas estão em dólares.</p>
<p>A retórica chinesa recente, que inclui um pedido para a substituição do dólar como principal moeda de reserva do mundo por direitos especiais de saque (uma unidade contábil usada pelo FMI no trato com seus membros), sugere uma perda preocupante de confiança nas políticas monetária e fiscal dos EUA. Ao mesmo tempo, Fred Bergsten, diretor do Peterson Institute, afirma que agora é interesse dos EUA reduzir o papel do dólar e encorajar um fluxo maior de reservas para o euro, o yuan e os direitos especiais de saque (SDR, na sigla em inglês).</p>
<p>Mesmo assim, a ameaça ao dólar pode estar sendo exagerada. A China está sacudindo as barras da gaiola que ela mesma fez, uma vez que as reservas são uma consequência da intervenção colossal para impedir a valorização de sua moeda. Na verdade, ela está presa ao equivalente econômico da aniquilação mútua descrita pelos teóricos da guerra nuclear durante Guerra Fria. Com as exportações chegando a dois quintos do PIB, convém à China ter os EUA como tomador e gastador de último instância na economia mundial. E ela não pode abandonar o dólar sem reduzir o valor de suas próprias reservas em dólar.</p>
<p>Quanto ao potencial da moeda chinesa de desafiar o papel do dólar de moeda de reserva, isso poderá existir no longuíssimo prazo, mas na ausência de mercados financeiros desenvolvidos e um compromisso muito mais forte de internacionalização do yuan, isso continua sendo muito remoto.</p>
<p>Na verdade, o elemento mais fraco do ponto de vista do declínio dos EUA pode ser as atuais estimativas elevadas da força do desafio chinês. Elas foram elegantemente apontados em um ensaio recente sobre assuntos externos de Josef Joffe, editor adjunto do jornal alemão &#8220;Die Zeit&#8221;. A China, diz ele, é um lugar onde o resto do mundo essencialmente aluga trabalhadores e espaço de trabalho a preços muito baixos e taxas de câmbio distorcidas. Sua dependência das exportações, além de ser um calcanhar-de-aquiles econômico, tem consequências políticas. Estas incluem 70 mil casos de distúrbio social todos os anos, que não são computados nas previsões lineares de crescimento de que os banqueiros de investimento tanto gostam.</p>
<p>A demografia da China não ajuda: Joffe afirma que a população vai crescer antes de começar a enriquecer. Pelos números do Goldman Sachs, a China terá em 2050 superado os EUA, com um PIB de US$ 45 trilhões, contra os US$ 35 trilhões dos EUA. A idade média nos EUA será, então, a menor entre todas as grandes potências mundiais com exceção da Índia. Na verdade, a população economicamente ativa dos EUA terá crescido cerca de 30%, enquanto que na China haverá queda de 3%.</p>
<p>Junto com a dependência das exportações, isso representa um grande desafio para as autoridades chinesas, num país que é muito pobre. Enquanto isso, os EUA ainda possuem um sistema de ensino superior e de pesquisas sem paralelos. E, em 2008, seu orçamento militar foi de US$ 607 bilhões, representando quase metade dos gastos militares totais no mundo. O orçamento militar da China, frequentemente alardeada como a próxima superpotência, é de menos de um sétimo disso.</p>
<p>Ninguém pode negar as conquistas extraordinárias da China na mais acelerada revolução industrial da história humana. Estamos claramente nos movimentando para um mundo multipolar e um sistema de reserva multimoedas, no qual o poder dos EUA será mais restrito. Mesmo assim, os EUA continuam sendo de longe a mais flexível das grandes economias. A história não se move sobre trilhos &#8211; exceto para os marxistas. Se as autoridades dos EUA se mostrarem à altura do desafio fiscal e se os americanos passarem e poupar mais, há todas as chances do país escapar de um declínio significativo e continuar sendo a principal economia e potência militar do mundo por muito tempo ainda.</p>
<p>Isso é um &#8220;se&#8221; enorme. Mas, para o prazer de muitos, a próxima geração de americanos não vai reduzir suas esperanças e ambições no curto prazo.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.danielsansao.com.br/motocontinuo/arquivos/images/xian.jpg" alt="http://www.danielsansao.com.br/motocontinuo/arquivos/images/xian.jpg" /></p>
<p><strong><em>Retranca</em></strong><br />
<span style="font-size: xx-large;"><strong><br />
China já viveu uma decadência como império</strong></span></p>
<p><span style="font-size: xx-large;"><strong><br />
</strong></span></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Financial Times &#8211; VALOR</span></h2>
<p>A teoria da expansão excessiva dos impérios, lançada por Paul Kennedy em &#8220;The Rise And Fall of The Great Powers&#8221;, afirma que, se uma proporção grande demais dos recursos do Estado é desviada da criação de riqueza para os gastos militares, o poder nacional vai se enfraquecer no longo prazo. A questão é se um determinado Estado pode conseguir um equilíbrio razoável entre as necessidades básicas de defesa e os recursos econômicos.</p>
<p>A tarefa fica ainda mais difícil quando uma nação está sofrendo um declínio econômico relativo. O professor Kennedy afirmava também que os EUA não conseguiriam preservar sua posição relativa porque &#8220;simplesmente a nenhuma sociedade é conferido o direito de continuar permanentemente à frente das outras, uma vez que isso implicaria num congelamento dos padrões diferenciados das taxas de crescimento, dos desenvolvimentos tecnológico e militar, que existem desde tempos imemoriais&#8221;.</p>
<p>Ele concluiu que era dever dos estadistas americanos reconhecer essa ampla tendência e administrar o país, de modo que a corrosão relativa da supremacia ocorresse lentamente e tranquilamente, em vez de implementar políticas vantajosas no curto prazo, mas que seriam prejudiciais no longo prazo.</p>
<p>Isso carrega um reflexo notável da observação feita por Robert Temple Armstrong, o ilustre servidor público britânico, que disse na década de 70 que &#8220;o negócio do serviço civil é a administração ordeira do declínio&#8221;.</p>
<p>A China, embora vista por muitos como a principal beneficiária da potencial exaustão dos EUA, já passou por uma experiência própria de declínio. Até a meta de milênio anterior, ela era tecnologicamente mais avançada que a Europa, com uma agricultura mais eficiente, e a classe dos mandarins não tinha rivais em seu profissionalismo. Mesmo depois que o Ocidente a superou, economica e tecnologicamente, entre os séculos XVI e XVIII, a economia da China ainda era a maior do mundo quando a revolução industrial começou.</p>
<p>No entanto, entre 1820 e 1952, quando a Europa experimentou taxas de crescimento econômico sem precedentes na história, a produtividade per capita da China caiu, enquanto sua participação no PIB mundial despencou de um terço para um vigésimo. A renda per capital caiu de um nível igual ao mundial, para um quarto de média mundial no período*.</p>
<p>Esse desempenho terrível tem sido atribuído a várias causas, incluindo a intervenção colonial estrangeira, distúrbios internos e a inflexibilidade da burocracia diante dos desafios apresentados pelo renascimento do Ocidente.</p>
<p><strong>Todos os números foram extraídos de &#8220;Chinese Economic Performance In The Long Run&#8221;, de Angus Maddison </strong></p>
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		<item>
		<title>&#8221;Não há previsão para taxar capital externo&#8221;, diz Lula</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/10/nao-ha-previsao-para-taxar-capital-externo-diz-lula/</link>
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		<pubDate>Sat, 17 Oct 2009 11:36:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em viagem ao Nordeste, presidente diz que o governo não estuda retorno do IOF para investimento estrangeiro
 

Leonencio Nossa, Adriana Fernandes Fabio Graner e Renata Veríssimo, CABROBÓ, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem em Cabrobó (PE) que o governo não estuda a renovação do Imposto sobre Operações Financeiras [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Em viagem ao Nordeste, presidente diz que o governo não estuda retorno do IOF para investimento estrangeiro</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong> </strong><img class="aligncenter" style="cursor: -moz-zoom-in;" src="http://economiaclara.files.wordpress.com/2009/05/dolares1.jpg" alt="http://economiaclara.files.wordpress.com/2009/05/dolares1.jpg" width="554" height="354" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Leonencio Nossa, Adriana Fernandes Fabio Graner e Renata Veríssimo, CABROBÓ, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem em Cabrobó (PE) que o governo não estuda a renovação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para entrada de capital estrangeiro no País.</p>
<p>&#8220;Essa coisa de economia a gente não pode falar. Estou há três dias viajando. E não tem nenhuma previsão de fazer taxação alguma&#8221;, disse. Ante a insistência de repórteres, Lula disse que é &#8220;muito cuidadoso&#8221; em relação a assuntos econômicos e que o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, &#8220;é muito responsável&#8221;.</p>
<p>&#8220;Quando sai uma notícia errada, quem perde é o Brasil, é o povo brasileiro&#8221;, afirmou o presidente. Ele disse que não costumar &#8220;dar palpites em economia&#8221;. Citou como exemplo o processo de definição da alíquota da taxa básica (Selic) de juros. E comentou que, recentemente, saiu uma notícia segundo a qual ele e Henrique Meirelles haviam acertado entre si a taxa, às vésperas de uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), colegiado do BC encarregado de definir a taxa. &#8220;Isso nunca existiu. Eu não discuto taxa básica de juros&#8221;, disse.</p>
<p>A informação de que o governo discute taxar a entrada de capital estrangeiro causou preocupação em parte do empresariado, diante do aumento do custo do dinheiro a tomar junto ao mercado de capitais. A Agência Estado apurou que alguns empresários procuraram ontem o governo querendo informações detalhadas sobre o assunto. Alguns economistas e administradores também ligaram, mas para apoiar a ideia da taxação, que pode ser anunciada na próxima semana.</p>
<p>A taxação é uma das alternativas seriamente consideradas na equipe econômica para conter a valorização do real ante o dólar. A decisão sobre a medida pode sair &#8220;em breve&#8221;, segundo revelou ontem uma fonte. Integrantes do governo vinham defendendo que a medida fosse adotada já na segunda-feira.</p>
<p>Outra alternativa em discussão, e cuja chance de efetivação pela equipe econômica tem aumentado nos últimos dias, é a de o Tesouro Nacional entrar no processo de compra de dólares por meio do Fundo Soberano do Brasil (FSB). O governo já tem uma fórmula pronta para que isso seja feito sem impacto no superávit primário das contas públicas, mas depende da regulamentação do FSB. Há quem defenda que o dinheiro já depositado no FSB seja utilizado de imediato para comprar dólares.</p>
<p>Depois, o fundo seria reforçado com novos títulos.</p>
<p>A medida seria menos &#8220;heterodoxa&#8221; do que a tributação, argumenta uma fonte, já que o mercado ainda se ressente de capital externo para investimentos.</p>
<p>O fato é que o Ministério da Fazenda procura alternativas urgentes porque considera pouco o que o BC está fazendo, que é comprar somente o fluxo de dólares que entra no País. A visão é que o BC precisa ser mais agressiva não só na quantidade, mas também no preço, atuando de forma menos previsível.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>A doença do sucesso</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/10/a-doenca-do-sucesso/</link>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 13:56:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[BC]]></category>
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		<category><![CDATA[Reservas]]></category>

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		<description><![CDATA[


&#8221;Rali&#8221; do real preocupa governo


Equipe econômica teme formação de mini-bolha no câmbio, com entrada de US$ 20 bi a US$ 30 bi até o fim do ano


Adriana Fernandes e Fabio Graner, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP
O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, admitiu ontem que o atual &#8220;rali&#8221; do real traz preocupação com o risco [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="cursor: -moz-zoom-out;" src="http://2.bp.blogspot.com/_CU4TkW-WJKo/SjGiYdjB6QI/AAAAAAAAAg0/woU5sqCp3c4/s400/real+forte.bmp" alt="http://2.bp.blogspot.com/_CU4TkW-WJKo/SjGiYdjB6QI/AAAAAAAAAg0/woU5sqCp3c4/s400/real+forte.bmp" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p><strong><img class="size-full wp-image-14498 alignleft" title="Dinheiro_sacos" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/Dinheiro_sacos.gif" alt="Dinheiro_sacos" width="181" height="241" /></strong></p>
<p><span style="font-size: large;"><strong>&#8221;Rali&#8221; do real preocupa governo</strong></span></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><span style="font-size: large;"><strong>Equipe econômica teme formação de mini-bolha no câmbio, com entrada de US$ 20 bi a US$ 30 bi até o fim do ano</strong></span></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Adriana Fernandes e Fabio Graner, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, admitiu ontem que o atual &#8220;rali&#8221; do real traz preocupação com o risco de que uma entrada maior de dólares provoque maior desvalorização da moeda americana e prejudique a economia. O governo, disse Augustin, está atento para que esse movimento não traga dificuldades adicionais às exportações. Com o dólar mais baixo, os exportadores recebem menos por suas vendas e o produto nacional perde competitividade em relação aos importados.</p>
<p>Augustin disse que o Banco Central monitora diariamente o mercado para evitar distorções na taxa de câmbio. Ontem o dólar interrompeu o processo de queda quase contínua que vem sofrendo e subiu 0,19%, fechando a R$ 1,75. Como tem feito desde 4 de maio, o BC comprou dólares.</p>
<p>&#8220;O BC está monitorando no sentido de manter os fluxos compatíveis. Isso é feito diariamente e continuará sendo feito&#8221;, disse.</p>
<p>Segundo analistas de mercado, o BC já havia comprado US$ 4,5 bilhões na terça-feira, evitando que a entrada de investimentos estrangeiros na oferta de ações do Santander pressionasse ainda mais o câmbio.</p>
<p>Para Augustin, o aumento do fluxo de dólares é resultado do &#8220;sucesso&#8221; da economia. &#8220;Com o nosso terceiro grau de investimento, isso se fortaleceu. É natural que haja um efeito de mercado financeiro.&#8221;</p>
<p>Segundo fontes, a equipe econômica contabiliza que nos próximos três meses devem ingressar no País pelo menos US$ 20 bilhões com captações de recursos externos realizadas por instituições financeiras e as emissões de IPO (oferta inicial de ações por empresas). Mas há avaliações que os investimentos podem ultrapassar US$ 30 bilhões.</p>
<p>Com poucas alternativas para estancar a enxurrada de capital, a equipe econômica tenta armar uma rede de proteção no curto prazo. O problema será levado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Ministério da Fazenda, espera-se uma atuação mais agressiva do BC na tarefa de conter a excessiva valorização do real frente ao dólar.</p>
<p>Técnicos do governo já enxergam a formação de uma mini-bolha de valorização do real.</p>
<p>A avaliação é de que é possível conter parte da alta do real com compras mais intensas de dólares no mercado. O BC já disse que compra o excesso de dólares para evitar fortes oscilações nas cotações.</p>
<p>Para a Fazenda, o BC poderia ser mais agressivo não só em quantidade, mas também na definição das taxas de compra, de modo a tornar mais arriscadas especulações no câmbio.</p>
<p>O problema é que nem o Brasil nem outro país tem capacidade de mudar uma tendência mundial, lembra outra fonte do governo. A queda do dólar, resultante dos desequilíbrios econômicos dos EUA, é o argumento usado para relativizar a preocupação com a valorização do real . A fonte lembra que, na comparação com uma cesta de moedas, a valorização do real é bem menos acentuada.</p>
<p>Por isso, também há avaliações no governo que os impactos da desvalorização do dólar no comércio exterior podem ser diluídos por meio de negócios com moedas locais. O Brasil fechou acordo com a Argentina, negocia com o Uruguai e tenta avançar com nas trocas com seus parceiros dos Brics: Rússia, Índia e China.</p>
<p>Essa estratégia, embora ainda tímida, é considerada uma alternativa à alta volatilidade do dólar. Apesar de considerar natural a busca de alternativas ao dólar, a fonte reconhece que dificilmente a divisa americana deixará de ser a reserva de valor mundial em um horizonte de médio prazo. &#8220;Não existe quantidade suficiente de outra moeda para substituir o dólar como moeda de reserva.&#8221;</p>
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		<title>Capital externo no País vai crescer 21%</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 15:25:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estimativa é da entidade mundial de banqueiros que prevê ainda queda de 24% desse fluxo nos outros países da AL
Patrícia Campos Mello &#8211; O Estado SP
Brasil terá aumento de 21% nos fluxos de capital estrangeiro neste ano, um desempenho muito melhor do que os outros países da América Latina, que terão queda de 24% nos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-14271 alignleft" title="dinheirocorrendo" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/dinheirocorrendo.gif" alt="dinheirocorrendo" width="84" height="68" /><strong>Estimativa é da entidade mundial de banqueiros que prevê ainda queda de 24% desse fluxo nos outros países da AL</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Patrícia Campos Mello &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Brasil terá aumento de 21% nos fluxos de capital estrangeiro neste ano, um desempenho muito melhor do que os outros países da América Latina, que terão queda de 24% nos investimentos, segundo o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), espécie de Febraban mundial que reúne 375 bancos do mundo.</p>
<p>Em 2009, o País vai receber US$ 42,7 bilhões em fluxos de capital estrangeiro privado, diante de US$ 34,7 bilhões em 2008. O Brasil havia sofrido queda de 63% nos fluxos de 2007 para 2008. Em 2010, o desempenho será ainda melhor, com fluxo de US$ 63,798 bilhões. &#8220;É simples: o Brasil está ajudando a tirar a região da crise&#8221;, disse ao Estado Phil Suttle, economista-chefe do instituto. &#8220;A maioria dos países só tem aumento nos fluxos de capital em 2010, e o Brasil já tem crescimento em 2009.&#8221;</p>
<p>O desempenho brasileiro é bem melhor do que o registrado nos emergentes como um todo. Nos países emergentes em geral, os fluxos serão de US$ 349 bilhões em 2009, uma queda de 46,3% em relação a 2008, e US$ 672 bilhões em 2010. Para a América Latina, os fluxos de capital vão cair de US$ 132,4 bilhões em 2008 para US$ 99,8 bilhões em 2009, e depois sobem para US$ 150,9 bilhões em em 2010. A principal razão para o bom desempenho do Brasil são os investimentos em carteira (ações e títulos), que passaram de US$ 8,89 bilhões em 2008 para US$ 29 bilhões líquidos em 2009. Serão de US$ 30 bilhões em 2010.</p>
<p>&#8220;O Brasil está em uma posição privilegiada&#8221;, disse Bill Rhodes, vice-diretor do conselho do Citibank e do IIF. &#8220;Eu nunca vi o setor bancário brasileiro em tão boa forma, muito líquido e capitalizado, e olha que eu acompanho o Brasil há décadas.&#8221;</p>
<p>O México, na América Latina, foi considerado um dos &#8220;atrasados&#8221; para sair da crise. E Argentina, Venezuela e Equador sofreram por causa de suas políticas &#8220;pouco amigáveis a investidores&#8221;, segundo o IIF.</p>
<p><strong>CAPITAL ESPECULATIVO</strong></p>
<p>Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco e vice-presidente do conselho do IIF, afirmou que a economia do Brasil está em um &#8220;excelente momento&#8221;. &#8220;O Brasil é uma das economias que cresce mais rapidamente no mundo ocidental&#8221;, disse Setubal.</p>
<p>Mas o relatório de fluxos do IIF alerta para a possibilidade de fluxos especulativos para países emergentes. &#8220;A perspectiva de maior crescimento e maiores taxas de juros em países emergentes deve atrair fluxos significativos de capital especulativo para muitas (mas não todas) economias, apresentado desafios para os formuladores de políticas&#8221;, adverte o IIF. Setubal não acredita que o Brasil esteja sujeito a fluxos de capital especulativo e sobrevalorização do capital. &#8220;Este não é um problema para o Brasil, temos muito investimento direto.&#8221;</p>
<p>Segundo Charles Dallara, diretor-gerente do IIF, o Brasil tem demonstrado &#8220;resiliência notável&#8221; na recessão e se disse confortável &#8220;com a taxa de câmbio flutuante&#8221; para lidar com os fluxos de capital.</p>
<p>O IIF diz que o provável aumento na regulamentação bancárias pode levar os bancos a se afastarem de países emergentes, dificultando acesso a crédito, principalmente para os países mais enfraquecidos.</p>
<p>Os banqueiros apontam para o aumento de fluxos de capital entre economias emergentes, diante do enfraquecimento dos países ricos. &#8220;Esses países estão se tornando cada vez mais exportadores de capital&#8221;, diz o Instituto. &#8220;E para aqueles que já têm uma exposição significativa em economias maduras como os EUA, investir em outros emergentes, tanto com empréstimos como em ações, é cada vez mais atraente. A China deve se tornar grande investidor em outros emergentes.&#8221;</p>
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		<title>&#8221;Lula vai deixar o BC segurar a inflação&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 14:58:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Fernando Dantas &#8211; O Estado SP


Recuperando-se de uma cirurgia de coluna, mas já mergulhado nos números da economia brasileira, o economista Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central (BC), dá um voto de confiança ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Para Pastore, Lula é pragmático, sabe que a inflação prejudica a sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;"> </span></h2>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080602/img/4.12.imagem_pastore.jpg" alt="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080602/img/4.12.imagem_pastore.jpg" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Fernando Dantas &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p><span style="background-color: #ffff99;"><br />
</span></p>
<p>Recuperando-se de uma cirurgia de coluna, mas já mergulhado nos números da economia brasileira, o economista Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central (BC), dá um voto de confiança ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Para Pastore, Lula é pragmático, sabe que a inflação prejudica a sua popularidade e não vai impedir o BC de fazer o seu trabalho, mesmo num ano eleitoral. &#8220;Estou assumindo que o governo tenha responsabilidade.&#8221; O economista se alinha ao mercado ao prever que o surpreendente ritmo de reaquecimento da economia brasileira deve levar o BC a aumentar a Selic, a taxa básica de juros, em 2010. Pastore observa também que, como o impulso fiscal do governo que ajudou a tirar o País da crise foi realizado em grande parte com despesas permanentes, como salários e aposentadorias, não há como ajudar o BC agora, reduzindo aqueles gastos. A seguir, a entrevista:</p>
<p><strong>Por que o Brasil está saindo tão rápido da crise?</strong></p>
<p>A crise pegou o Brasil pela indústria. Teve uma queda um pouco menor na agricultura, mas a queda grande foi na produção industrial. No setor dos serviços, não caiu praticamente nada. Esse quadro é corroborado pelo emprego, que caiu na indústria, na agricultura, mas praticamente não caiu no setor de serviços. O grande setor da economia brasileira é o de serviços, empregando quatro vezes mais do que a indústria. Isso explica por que a recessão fez subir o desemprego no mundo inteiro, mas praticamente não fez subir o desemprego no Brasil.</p>
<p><strong>E por que foi desse jeito?</strong></p>
<p>Pode ter várias explicações, mas uma que ficou clara é que nós fomos pegos pelo lado dos &#8220;tradables&#8221; (produtos comercializáveis internacionalmente). A indústria é um setor muito aberto em relação ao comércio internacional, a exportação de manufaturas é mais ou menos 50% do PIB da indústria. Quando a crise jogou para baixo as exportações, jogou para baixo a produção industrial. Mas não jogou para baixo, por exemplo, setores de serviços como o setor bancário, que estava sólido, o comércio varejista, que foi rapidamente ajudado com medidas de isenção fiscal, ou as telecomunicações.</p>
<p><strong>Qual o papel da política econômica em preservar o Brasil dos piores efeitos da crise?</strong></p>
<p>A primeira reação que tinha de ter e teve foi a baixa agressiva de taxa de juros. O Banco Central teve de trazê-la a um nível mínimo histórico, abaixo da taxa de juros neutra. A segunda reação foi a política fiscal, em parte deliberada em reação à crise, como a isenção de impostos para automóveis, geladeiras e material de construção. Outra parte teve efeitos contracíclicos, mas já havia sido tomada antes, como aumentar salário de funcionários, benefícios da Previdência, Bolsa-Família, etc. Essas transferências, no fundo, são renda real que o governo está distribuindo a camadas da sociedade. Não é o único fator, mas explica um bom pedaço do movimento da recuperação da produção industrial de bens de consumo.</p>
<p><strong>Então acabaram sendo corretos esses aumentos?</strong></p>
<p>Esses são aumentos permanentes dos gastos públicos, que tiveram o lado benéfico de criar consumo e estão ajudando a sair rapidamente da crise. Mas tem outro lado: como esses aumentos de salário, de benefícios, são permanentes, você não consegue fazer uma redução gradual disso. E, assim, gera-se um episódio de aceleração da recuperação da atividade, que se soma ao estímulo que vem da política monetária.</p>
<p><strong>E quais as implicações disso?</strong></p>
<p>Eu mencionei que o setor de serviços está mais próximo do pleno emprego. Se você olhar para a indústria, há um hiato do produto (diferença entre o produto potencial e a produção atual) ainda muito grande. Mas, quando se olha para o PIB como um todo, no qual o setor de serviços é maior que o industrial, o hiato fica um pouco menor. Se ele é um pouco menor, isso significa que ele vai fechar um pouco mais depressa. E o risco é de que se tenha de começar o ajuste de taxa de juros antes do que o mercado julgava há três ou quatro semanas. Antes de alguns dados que saíram e mostram a velocidade com a qual a economia vem se recuperando, como o PIB do segundo trimestre e a produção industrial.</p>
<p><strong>Quando deve haver o fechamento do hiato?</strong></p>
<p>Há muita controvérsia, com algumas instituições prevendo já para o fim do primeiro trimestre de 2010, e outra para mais adiante. Na minha visão, independentemente da posição de cada um hoje, todos estão reconhecendo que o fechamento está um pouco mais rápido do que achavam que seria há alguns meses. O mercado está hoje avaliando como uma possibilidade mais alta que a Selic tenha de subir no começo do ano que vem. Em algum ponto do primeiro trimestre.</p>
<p><strong>De quanto precisará ser a alta da Selic?</strong></p>
<p>Se olhar a curva de juros, o mercado está colocando um ciclo total de 400 pontos, 450 pontos de subida de taxa de juros. Aí tem uma segunda controvérsia. Precisa tudo isso? Vai para mais de 12% a taxa de juros de novo, saindo de 8,75%? Ou vai se resolver com menos? É aí entra uma questão simples: se pudesse tirar um pedaço do estímulo fiscal, esse ajuste seria feito com taxa de juros menor. Acontece que estímulos fiscais contracíclicos, para que se possa tirá-los, têm de ser transitórios. No momento em que você não precisa mais deles, você tira. Esse estímulo fiscal tem um pedaço transitório, pequeno, que é a desoneração tributária. Mas tem a faceta permanente, do aumento das transferências. É um aumento dos gastos que você só resolveria se a inflação fosse maior para erodir o salário real dos funcionários. Porque ninguém vai politicamente chegar e baixar salário, não é? Essa componente é grande e permanente, não tem como tirar. Se não sai, se tiver de fazer o ajuste, será feito inteiro em cima de taxa de juros.</p>
<p><strong>O que não é a situação ideal&#8230;</strong></p>
<p>Certamente, não. Ela pode ser positiva para quem olha política de distribuição de renda, ou para quem olha o benefício eleitoral que deriva de uma estratégia como essa. Mas não é positiva como política econômica ótima, porque implica uma taxa de juro maior.</p>
<p><strong>E a expansão de crédito pelos bancos públicos, não é um estímulo que poderia ser controlado?</strong></p>
<p>No meu modelo, coloco o crédito e a parte fiscal juntos, como explicativos de um pedaço da recuperação dos bens de consumo. Quando se olha o crédito, os bancos privados não estão aumentando, a não ser algo em crédito ao consumo. O grosso do aumento de crédito está nos bancos oficiais. Nisso, o governo poderia voltar atrás. Se ele quiser reduzir a taxa de expansão de crédito para o setor privado, ele abre espaço para a taxa de juros ficar mais baixa. Mas não me parece que é essa a determinação do governo. Me parece que a determinação é a de continuar a expansão de crédito dos bancos oficiais.</p>
<p><strong>Quanto o Brasil pode crescer sem risco inflacionário? </strong></p>
<p>Depende de crescimento de produto potencial. Com a taxa de investimento ainda baixa, acho que o produto potencial vai crescer, no máximo, 4,5%. Se estamos indo para 5% de crescimento, isso apressa o fechamento do hiato do produto.</p>
<p><strong>E quanto o sr. acha que o Brasil vai, de fato, crescer em 2010?</strong></p>
<p>Eu já estive no 4,5%, já passei para o 4,7%. Acho que é possivelmente entre 4,5% e 5%. Tem gente com mais do que isso no mercado. Tem gente com 6%. Depende do governo. Se o governo não fizer nada, vai dar 6%. É que eu sou um otimista inveterado, e acho que o governo vai tomar cuidado, não vai deixar ir para 6%. Enfim, cada previsão dessas depende do que pensamos sobre a reação do governo. O cara que acha que cresce 6% acha que o governo vai deixar o pau comer solto e não vai fazer nada. Não acho que o governo vai deixar o pau comer solto. Ele vai ser mais comedido, se precisar subir o juro vai subir o que tiver de subir. Se der para dar uma acertada, dentro do limite do possível, na política fiscal, vai dar. E aí vai ficar com o crescimento mais na faixa do 4,5% a 5%. Estou assumindo que o governo tenha responsabilidade. E que não está olhando só para a eleição.<br />
<strong><br />
O que o sr. pensa da possível saída do Henrique Meirelles do BC?</strong></p>
<p>O Meirelles vai decidir a vida dele, e tem todo o direito de fazer o que ele quiser &#8211; isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que, se o Brasil estiver crescendo 5%, e se tiver de subir taxa de juros, acho que o dano é muito pequeno. Raciocine um pouco com a cabeça de um homem pragmático que se chama Luiz Inácio Lula da Silva, que viveu a vida inteira como sindicalista, antes de ser presidente e político, e sabe que o custo da inflação é tirar a popularidade de qualquer governo. E que sabe também que, se você tiver desemprego aberto, a sua popularidade vai embora. Um crescimento de 4,5% ou de 5% não vai gerar desemprego. Mas, se gerar inflação, tem o custo. Se o governo elevar os juros caso tenha de fazê-lo, a Fiesp pode gritar, alguns empresários podem ficar irritados, achando que estão destruindo o País, mas o Brasil estará melhor, com uma inflação contida e com o crescimento mais próximo do PIB potencial. Acho que, no plano do puro pragmatismo, o BC estaria tão livre para subir taxa de juros como jamais foi.<br />
<strong><br />
Preocupa a flexibilização da meta de superávit primário de 3,3% em 2010?</strong></p>
<p>Em primeiro lugar, a meta não é 3,3%. É 3,3% menos o Fundo Soberano, menos o PAC, menos isso, menos aquilo. A dinâmica da dívida pública não responde a essa definição do 3,3% menos o Fundo Soberano, etc. Porque o Fundo Soberano do qual se deduz o superávit é gasto que aumenta a dívida. O dinheiro que está se transferindo para o BNDES, para comprar empresas no exterior, está aumentando a dívida. O que se está deduzindo com o PAC &#8211; e não quero dizer que o PAC não seja uma coisa boa &#8211; está aumentando a dívida. Se a política fiscal é mais expansionista, se vão trabalhar com uma taxa real de juros mais alta, vai haver a necessidade de um superávit primário um pouco maior. Quer dizer, é preciso prestar atenção e se adaptar, e acho que possivelmente o governo está prestando atenção.</p>
<p><strong>Pode haver consequências negativas da redução do superávit?</strong></p>
<p>O temor de não sustentabilidade da dívida pública, que existia no começo do governo Lula, caiu a um mínimo. Isso ocorre em parte porque o Brasil está crescendo. Se o País crescer pouco, cresce 4,5%. Com isso, dá para ter até um superávit de 1,6% do PIB que estabiliza a relação dívida/PIB. Não há risco de o mercado achar que o Brasil vai entrar em &#8220;default&#8221;, fazendo um superávit primário menor. Esse risco desapareceu, o Brasil virou grau de investimento. Não é essa a discussão que interessa, mas sim se estamos fazendo o uso adequado das políticas monetária e fiscal para determinar o melhor balanço de crescimento do ponto de vista do impulso que você gera para o setor privado poder investir, ou do impulso que gera para o setor governamental crescer.</p>
<p><strong>Como o sr. vê as contas externas?</strong></p>
<p>O déficit na conta corrente este ano é muito pequeno, mas vai crescer bem no próximo. O BC, depois de hesitar muito, nesse último relatório de inflação já projeta um déficit na conta corrente para o ano que vem de 1,8% do PIB. Não é enorme, é financiável, porque você pode ter e deve ter fluxos de capital para financiar um déficit desse tamanho. Em primeiro lugar, o Brasil vai crescer mais do que o resto do mundo. Se ficar no intervalo mais baixo das projeções, temos de 4,5% a 5% em 2010 &#8211; é mais que os Estados Unidos, é mais que a Europa, é mais do que qualquer país latino-americano. O Brasil mudou muito a sua corrente de comércio, estamos muito mais integrados na Ásia, e a Ásia está crescendo muito mais depressa do que os Estados Unidos e as Américas. Quando se tem isso e um mercado interno deste tamanho, com sistema bancário sólido, com condições macroeconômicas estáveis, você atrai investimento estrangeiro direto, atrai portfólio de bolsa, tem fluxos de capitais que financiam facilmente o déficit em conta corrente de 1,8%. Agora, para que esse dinheiro entre, o mercado tem de perceber que esse é um crescimento sustentável, que não há nada artificial aqui dentro.</p>
<p><strong>O que o sr. quer dizer com isso?</strong></p>
<p>Suponha que nós podemos crescer 4,5% a 5%, mas o governo resolve crescer 6% para tentar ganhar uma eleição. Para crescer 6%, começa a exagerar no gasto público e &#8211; isto é puramente hipotético &#8211; põe o BC numa camisa de força, na qual ele é impedido de subir a taxa de juros, e deixa a inflação crescer temporariamente. Numa situação dessas, o mercado certamente perceberá que o crescimento é artificial. E o fluxo de capital não entra, e nesse caso deprecia o câmbio e tem inflação. Agora, para evitar correr o risco de deixar o crescimento ir para 6%, pode-se subir um pouco a taxa de juros, cortar um pouco o gasto público, trazer o crescimento de volta para 4,5% a 5%, evitando o custo inflacionário da depreciação cambial e financiando o déficit na conta corrente sem nenhum problema, com o câmbio de equilíbrio que tiver de ter. Nessas circunstâncias, que considero mais prováveis &#8211; porque acho que o governo vai ter juízo &#8211; penso que a tendência do câmbio é a de ficar estável, ou com uma pequena valorização. Mais para estável do que para pequena valorização.</p>
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		<title>&#8221;Chuva de dólares&#8221; vitamina o real</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 14:03:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Especialistas preveem entrada de bilhões de dólares em ofertas de ações e investimentos até o fim do ano
Leandro Modé &#8211; O Estado SP
As boas perspectivas para a economia brasileira vão atrair um &#8220;caminhão&#8221; de dólares para o País nos próximos meses e &#8211; provavelmente &#8211; anos. É isso que, segundo analistas, explica a forte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/09/chuva-de-dolares-vitamina-o-real/13464/" rel="attachment wp-att-13464" title="dinheiro_sacos.gif"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/dinheiro_sacos.gif" alt="dinheiro_sacos.gif" align="left" /></a></p>
<p><strong>Especialistas preveem entrada de bilhões de dólares em ofertas de ações e investimentos até o fim do ano</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Leandro Modé &#8211; O Estado SP</p>
<p>As boas perspectivas para a economia brasileira vão atrair um &#8220;caminhão&#8221; de dólares para o País nos próximos meses e &#8211; provavelmente &#8211; anos. É isso que, segundo analistas, explica a forte alta do real em 2009.</p>
<p>Com ganhos de quase 30%, o real é a moeda que apresenta a segunda maior valorização ante o dólar no mundo este ano, atrás apenas do rand da África do Sul. Na sexta-feira, o dólar subiu 0,11% e fechou cotado a R$ 1,809. Mas, como já havia ocorrido quarta a moeda chegou a ser negociada a R$ 1,79.</p>
<p>A valorização do real preocupa o governo, que já estuda medidas para estimular as exportações. Entre elas, estaria a desoneração de empresas exportadoras, além de financiamentos especiais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).</p>
<p>Para se ter uma ideia, daqui para o fim do ano, espera-se que operações como aberturas de capital (IPOs, na sigla em inglês) e emissões de empresas que já têm papéis em bolsa movimentem até R$ 20 bilhões. Como os investidores estrangeiros têm comprado, em média, de 60% a 70% dos ativos oferecidos, só por esse canal devem entrar no País mais de US$ 5 bilhões até dezembro. A conta é da diretora da Fator Gestão de Recursos, Roseli Machado.</p>
<p>Cientes do grande interesse por ativos brasileiros, várias empresas já anunciaram a intenção de captar no mercado de capitais nos próximos meses: Santander (que, segundo estimativas, pode chegar a R$ 8 bilhões), Cetip (R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões), Gol (R$ 1 bilhão) e Tivit (R$ 750 milhões).</p>
<p>O Investimento Estrangeiro Direito (IED) é outra fonte que tem contribuído para a valorização do real. Entre janeiro e julho, esses investimentos somaram US$ 14 bilhões. A expectativa do mercado, expressa no mais recente boletim Focus do Banco Central (BC), é de que, no ano, o IED alcance US$ 25 bilhões. Para 2010, as perspectivas são ainda mais positivas.</p>
<p>Por fim, as captações de empresas no exterior por meio de bônus dispararam nas últimas semanas. Segundo a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), essas emissões somavam quase US$ 8,4 bilhões até o fim de julho. Mas os números vão engordar bastante por causa de operações como a da Votorantim, que, sexta-feira, captou US$ 1 bilhão nos Estados Unidos. Segundo a companhia, a demanda foi seis vezes maior do que a oferta do papel.</p>
<p>Tanto o IED quanto os recursos para emissões de empresas são explicados pela situação privilegiada do País. &#8220;O Brasil é uma das primeiras economias a sair da crise, tem bons fundamentos e reservas internacionais elevadas. Isso favorece tanto o investimento direto quanto o de portfólio&#8221;, afirmou o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa.</p>
<p>Hoje, a projeção média do mercado para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2010 está entre 4% e 4,5%, mas já começa a convergir para 5% ou mais. Algumas casas, como a Quest Investimentos, já trabalham com um avanço do PIB de até 6% no ano que vem. &#8220;É uma expansão muito superior à média mundial&#8221;, observou Rosa.</p>
<p>O analista de mercados emergentes da corretora Icap Brasil, Felipe Brandão, explicou que, nesse cenário, os investidores &#8220;antecipam o fluxo (de dólares) esperado para o País&#8221;. A posição dos investidores estrangeiros na Bolsa de Mercadorias &amp; Futuros (BM&amp;F) dá uma dimensão do que fala Brandão.</p>
<p>No início do ano, os fundos estrangeiros apostavam fortemente na valorização do dólar &#8211; em janeiro, a posição líquida deles em contratos futuros de câmbio era de US$ 13,3 bilhões a favor do dólar. Essa posição começou a mudar em março e, na semana passada, chegou a US$ 900 milhões ainda a favor do dólar. Mesmo assim, nesse período, a mudança de posição envolveu mais de US$ 12 bilhões. Esse valor é duas vezes maior do que o fluxo físico de dólares.</p>
<p>Há, ainda, outro movimento que favorece o real neste momento: a alta das commodities. O Brasil é o maior exportador de soja, carne e minério de ferro do mundo. De janeiro até a última sexta-feira, o índice CRB (síntese da variação de preços de várias commodities) acumulava valorização de 13,2%. O petróleo, sozinho, subia quase 26% no mesmo período. Se tudo correr como se espera hoje, em alguns anos, o País se tornará também um dos maiores exportadores globais de petróleo.</p>
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		<title>Um ano depois, Brasil passa no teste e sai da crise maior do que entrou</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Aug 2009 19:12:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Para especialistas, avanço do País e de outros emergentes é uma das características do mundo pós-crise
Fernando Dantas &#8211; O Estado SP
 
O Brasil saiu da turbulência global maior do que entrou. Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise iniciada com a concordata do Lehman Brothers, em 15 de setembro, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Para especialistas, avanço do País e de outros emergentes é uma das características do mundo pós-crise</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Fernando Dantas &#8211; O Estado SP</p>
<p> <img src="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090830/img/4.1.imagem_lehman.jpg" align="left" /><br />
O Brasil saiu da turbulência global maior do que entrou. Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise iniciada com a concordata do Lehman Brothers, em 15 de setembro, o otimismo com o País tornou-se consensual. &#8220;O fato de que o Brasil passou tão bem pela crise tinha mesmo de instilar confiança&#8221;, diz Kenneth Rogoff, da Universidade Harvard, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para Jim O&#8217;Neill, do Goldman Sachs, e criador da expressão Bric (o grupo de grandes países emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China), &#8220;o Brasil passou por essa crise extremamente bem, e pode crescer a um ritmo de 5% nos próximos anos&#8221;.</p>
<p>O crescimento de importância do Brasil e de outras economias emergentes é uma das características do novo mundo surgido com a crise econômica. Para comentar essa e várias outras mudanças, o Estado ouviu oito grandes economistas estrangeiros e brasileiros: Rogoff; O&#8217;Neill; Barry Einchengreen, da Universidade de Berkeley; José Alexandre Scheinkman, de Princeton; Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio gestor do Gávea Investimentos; Edmar Bacha, consultor sênior do Itaú BBA e codiretor do Instituto de Estudo de Políticas Econômicas &#8211; Casa das Garças (Iepe/CdG); Affonso Celso Pastore, consultor e ex-presidente do BC; e Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco.</p>
<p>Pastore observa que a recessão no Brasil foi curta, de apenas dois trimestres, comparada a quatro em países como Estados Unidos, Alemanha e França. Goldfajn nota que há os países que estão saindo da recessão no segundo trimestre e os que estão saindo no terceiro &#8211; o Brasil está entre os primeiros, com várias nações asiáticas. &#8220;Mesmo no primeiro trimestre, se olhar mês contra mês, há números fortes de crescimento no Brasil&#8221;, acrescenta.</p>
<p>Para Goldfajn, a crise foi um teste de estresse para diversos países, no qual alguns passaram, outros não, alguns tiveram nota boa e outros nota ruim. &#8220;Acho que o Brasil tirou nota boa, e agora está todo mundo olhando e dizendo &#8216;esse cara é bom&#8217;&#8221;, diz Goldfajn.</p>
<p>Uma das principais razões para o sucesso do Brasil em enfrentar a crise, segundo Pastore, é que ela pegou o País com o regime macroeconômico adequado &#8211; câmbio flutuante, bom nível de reservas, inflação controlada, superávit primário, dívida pública desdolarizada e caindo em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB). Essa solidez combinou-se com o sistema financeiro capitalizado, pouco alavancado, que estava proibido pela regulação de operar com os ativos perigosos, como os títulos estruturados no mercado americano de hipotecas subprime. &#8220;Uma das lições da crise é que países que tinham uma abordagem equilibrada da regulação do mercado financeiro, como Brasil, Austrália, Canadá , não tiveram crise bancária&#8221;, diz O&#8217;Neill.</p>
<p>A política anticíclica, baseada em corte de impostos e ampliação de gastos públicos, também ajudou, embora esta segunda parte seja criticada pelos efeitos de médio prazo. Para Pastore, os aumentos do funcionalismo e do Bolsa-Família tiveram efeitos contracíclicos, mas &#8220;por coincidência&#8221;, já que foram decididos antes da crise. &#8220;O defeito é que, se fosse política contracíclica mesmo, teria de expandir gastos transitórios, e não permanentes.&#8221;</p>
<p>Para a maioria dos economistas, o aumento dos gastos públicos correntes reduz o espaço do investimento, e impede que o Brasil cresça a um ritmo ainda mais forte do que os 4% a 5% que estão sendo previstos. &#8220;Não é nem preciso dizer que há um monte de coisas que o Brasil poderia fazer para crescer mais rápido&#8221;, comenta Rogoff.</p>
<p>De qualquer forma, o sucesso diante da crise jogou o Brasil no radar dos investidores. &#8220;À medida que continuarmos a crescer mais que o mundo, é natural que o País receba um aporte muito grande de investimentos estrangeiros diretos&#8221;, diz Pastore, acrescentando que eles aumentaram, mesmo com recessão e queda de lucros nos países que sediam as empresas que investem no Brasil.</p>
<p>A contrapartida dos fluxos de capital é o câmbio valorizado e o déficit em conta corrente, o que significa que o mundo está financiando o Brasil para consumir muito (o que implica poupar pouco) e investir ao mesmo tempo. Segundo Goldfajn, os brasileiros serão um dos povos convocados, junto com os asiáticos, a preencher o espaço deixado pelo fim da exuberância do consumidor americano, atolado em dívidas e necessitado de reconstruir seu patrimônio.</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://raulmarinhog.files.wordpress.com/2008/10/lula-marolinha.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://raulmarinhog.files.wordpress.com/2008/10/lula-marolinha.jpg" height="444" width="497" /></div>
<p><font size="5"><strong>&#8221;Não foi o fim do mundo que se prenunciava em dezembro&#8221;</strong></font></p>
<p>Reação global de governos impede crise pior; papel da China se torna vital para retomada</p>
<p style="background-color: #ffff99">Fernando Dantas &#8211; O Estado SP</p>
<p>A crise global não foi tão ruim quanto parecia no pior momento, entre o fim do último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. &#8220;Não foi o fim do mundo que se prenunciava em janeiro e dezembro, porque a reação dos governos foi do tamanho da crise&#8221;, diz Edmar Bacha, consultor sênior do Itaú BBA, comentando os maciços pacotes fiscais e a política monetária expansionista convencional (corte de juros) e não convencional (injeção de dinheiro na economia pela compra de títulos em poder do mercado) das principais economias do mundo.</p>
<p>Hoje, mesmo um observador relativamente pessimista, como Kenneth Rogoff, de Harvard, prevê que o mundo deve se estabilizar num crescimento em torno 4%, menos que o ritmo próximo de 5% dos anos anteriores à crise, mas já claramente fora da recessão. Ele ressalva que a atual recuperação &#8220;não é normal, com o sistema todo na UTI, o sistema bancário bancado pelo governo, e o mercado residencial se estabilizando apenas por causa dos grandes subsídios às hipotecas.&#8221;</p>
<p>Barry Eichengreen, da Universidade Berkeley, é outro que mostra ceticismo quanto ao vigor da recuperação mundial. &#8220;A mudança mais importante na economia pós-crise é o grande endividamento nos países industriais avançados, que tornará as finanças públicas restritivas, criando um ambiente inamistoso para o investimento, e que não é bom para o crescimento.&#8221; Ele se refere à necessidade que os governos dos países ricos terão de aumentar impostos e cortar gastos para contrabalançar o enorme crescimento da dívida pública na esteira dos grandes déficits fiscais da política contracíclica.</p>
<p>Um ponto crucial para sustentar a recuperação global é a capacidade da China de insuflar a demanda global. Para Rogoff, &#8220;a mudança número um do mundo pós-crise é que o consumidor americano, o combustível da economia mundial no último quarto de século, provavelmente será menos energético nos próximos cinco a dez anos.&#8221;</p>
<p>A grande questão, hoje, é saber se o recuo do superendividado consumidor americano pode ser compensado pelo avanço do consumo na China e em outros países emergentes asiáticos, e até no Brasil.</p>
<p>Para Rogoff, &#8220;a demanda dos mercados emergentes vai substituir a dos EUA, mas isso não acontecerá de um dia para o outro.&#8221; Essa mudança, ele continua, exige uma grande reestruturação da economia chinesa, que ainda está voltada para as exportações, e não para expandir o consumo interno.</p>
<p>Jim O&#8217;Neill, do Goldman Sachs, discorda: &#8220;Essa crise talvez tenha sido necessária, porque forçou a China a fazer uma transição para o crescimento puxada pela demanda interna. Isso era exatamente o que o mundo precisava para evitar a crise, e é o que mundo precisa para sair da crise.&#8221;</p>
<p>Para O&#8217;Neill, os dados da expansão de consumo da China são muito claros. As vendas de varejo saltaram 15,2% em julho e, nos últimos dois anos, convertidas em dólares, apresentam um avanço maior do que o recuo no consumo americano. Em relação ao setor externo, o economista inglês diz que tentou apostar recentemente, com membros da equipe econômica do governo britânico, que a China terá déficit comercial nos próximos dois anos. &#8220;Mas agora nós achamos que é possível que isso aconteça nos próximos 12 meses. Desde abril, o crescimento das importações chinesas é muito mais forte que o das exportações.&#8221;</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.rnnoticias.com.br/SPN/bancoimagem/Cultura/lula-e-marolinha-surf-obama.bmp" alt="http://www.rnnoticias.com.br/SPN/bancoimagem/Cultura/lula-e-marolinha-surf-obama.bmp" /></div>
<p><font size="5"><strong>Crise mudou mapa da globalização</strong></font></p>
<p>Mudança ocorreu tanto no comércio quanto nos investimentos e nas relações de poder de órgãos internacionais</p>
<p style="background-color: #ffff99">Jamil Chade &#8211; O Estado SP</p>
<p>Os fluxos de investimentos mudaram de direção, a China se transformou no maior exportador do planeta e organizações consideradas como pilares das decisões internacionais hoje são questionadas e até substituídas. Em 12 meses, a crise acelerou processos de profunda mudança na geografia da globalização e uma incipiente nova relação de poder entre países.</p>
<p>No campo comercial, a maior novidade foi a transformação da China na maior exportadora do mundo. Por uma margem mínima, superou a Alemanha, que liderava desde 2003. A China exportou US$ 521,7 bilhões em seis meses, ante US$ 521,6 bilhões da Alemanha. Os americanos estão na terceira colocação.</p>
<p>A China já vinha subindo no ranking mundial. Mas a crise na Europa acelerou sua nova posição. Em 2002, a China era a quinta maior exportadora, com vendas anuais de US$ 325 bilhões, US$ 200 bilhões abaixo do que o país vendeu apenas nos últimos seis meses. Em 1997, a China era apenas a 16ª maior exportadora, com US$ 24,5 bilhões em vendas.</p>
<p>Nos últimos anos, dezenas de medidas foram adotadas contra os produtos chineses, que são hoje os mais afetados por medidas restritivas. Uma delas foi adotada pelo Brasil no início do ano para barrar a entrada de produtos siderúrgicos.</p>
<p>A crise ainda redesenhou o mapa dos principais destinos das exportações de vários países, inclusive o do Brasil. Neste ano, a China superou os EUA como o principal comprador de bens brasileiros. Além disso, passou a ser o maior fornecedor de produtos à Europa, acabando com 50 anos de relação comercial privilegiada entre europeus e americanos.</p>
<p>Em junho, as importações americanas estavam 34,5% abaixo dos níveis de junho de 2008. No ano passado, os Estados Unidos foram os maiores importadores do planeta, consumindo mais de 12% de tudo o que o mundo exporta.</p>
<p>No setor de investimentos, a crise também mudou a estratégia de multinacionais e coloca os países emergentes no centro da internacionalização. Levantamento com mais de 240 multinacionais elaborado pela ONU deixou claro que não há um risco de &#8220;desglobalização&#8221; da produção. O processo de internacionalização será retomado, mesmo mais lentamente. E será direcionado de forma cada vez mais clara aos emergentes.</p>
<p>A pesquisa mostrou que as multinacionais continuarão a investir no exterior para a internacionalização de suas vendas, produção e compra de ativos. Tanto em países emergentes como nos ricos, o levantamento indica que a crise está dando um incentivo extra para as empresas buscarem novos mercados, além de novos locais de produção para reduzir custos.</p>
<p>A tendência de uma maior atenção aos emergentes já vinha ocorrendo nos últimos dez anos. Em 1998, os países em desenvolvimento tinham 8% dos fluxos de investimentos, ante 13% em 2007. A tendência é de que a taxa aumente até 2011.</p>
<p>A preferência será pela Ásia, pelo tamanho do mercado e acesso a trabalhadores mais baratos. Cinco dos 15 maiores destinos de investimentos estarão na Ásia até 2011. Os países que formam o Bric &#8211; Brasil, Rússia, Índia e China &#8211; ocupam agora quatro dos cinco primeiros lugares preferidos para investimentos até 2011 e dividem as preferências com os americanos.</p>
<p>Em termos gerais, porém, o mundo ainda verá uma queda de investimentos em 2009 de cerca de 50%, ante 2008. Os mais afetados serão os países ricos, com redução de 60%. Mas os emergentes mostrarão certa resistência, com queda de apenas 25%. Em 2008, o mundo já sofreu queda de 15% nos investimentos, depois de atingir recorde de US$ 1,9 trilhão em 2007.</p>
<p>Outro sinal de mudança no mapa da globalização é a iniciativa de alguns países de reduzir sua dependência em relação ao dólar e acelerar a compra de papéis emitidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). A decisão de Brasil, China e Rússia de se tornarem credores do FMI promove uma pequena revolução no mercado. Parte da estratégia dos emergentes é mostrar que têm como ser credores e, portanto, têm direito a uma maior voz em entidades como o FMI e o Banco Mundial.</p>
<p>O debate sobre os grupos e instituições financeiras ainda deixa alguns na defensiva. É o caso de Angel Gurría, secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne os países ricos e por anos tentou atrair os emergentes. Para Gurría, o mundo passará a viver em nova relação entre instituições e diferentes grupos de países, como o G-8 ou o G-20. &#8220;Cada grupo precisa de seu espaço. Hoje, o mundo é das redes, do network. E assim é que podemos imaginar uma nova configuração de países.&#8221;</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://youpode.com.br/blog/liberati/files/2009/03/liberati.jpg" alt="http://youpode.com.br/blog/liberati/files/2009/03/liberati.jpg" /></div>
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		<title>Deficit salvou o mundo de cair em crise econômica pior</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Aug 2009 15:12:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nos EUA, dívida pública preocupa a longo prazo, mas cenário não chega a ser catastrófico; problema maior é político e diz respeito à qualidade dos gastos

PAUL KRUGMAN DO &#8220;NEW YORK TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP
Temos novas projeções orçamentárias que mostram um deficit cumulativo de US$ 9 trilhões ao longo dos próximos 10 anos. De acordo com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nos EUA, dívida pública preocupa a longo prazo, mas cenário não chega a ser catastrófico; problema maior é político e diz respeito à qualidade dos gastos</strong></p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/08/deficit-salvou-o-mundo-de-cair-em-crise-economica-pior/13021/" rel="attachment wp-att-13021" title="krugman_paul.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/08/krugman_paul.jpg" alt="krugman_paul.jpg" align="left" /></a><span style="background-color: #ffff99"></span></p>
<p style="background-color: #ffff99">PAUL KRUGMAN DO &#8220;NEW YORK TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP</p>
<p>Temos novas projeções orçamentárias que mostram um deficit cumulativo de US$ 9 trilhões ao longo dos próximos 10 anos. De acordo com muitos comentaristas, é um número apavorante e requer medidas drásticas que envolvem, especialmente, o cancelamento dos esforços de estímulo à economia e o abandono da proposta de reforma do sistema de saúde no país.<br />
A verdade é mais complicada e menos assustadora. No momento, o deficit está na verdade ajudando a economia, já que salvou os Estados Unidos e outras grandes economias do mundo de uma queda ainda mais profunda. A perspectiva de longo prazo é preocupante, mas não se pode dizer catastrófica.<br />
A única causa real de preocupação é política. Os Estados Unidos serão capazes de enfrentar suas dívidas se os políticos de ambos os partidos se provarem dispostos a demonstrar um mínimo de maturidade. Será que preciso dizer mais?<br />
Comecemos pelos efeitos do deficit deste ano.<br />
Existem dois motivos principais para a disparada do deficit. O primeiro é que a recessão gerou tanto queda acentuada na receita tributária quanto elevação nos gastos com seguro-desemprego e outros programas de proteção aos cidadãos. Segundo, houve pesados desembolsos no resgate às instituições financeiras. Estes são computados como parte do deficit, embora o governo esteja adquirindo ativos no processo e, no futuro, deva receber de volta ao menos uma parte do que gastou.<br />
O que isso nos informa é que no momento é bom manter um deficit. Considerem o que teria acontecido caso o governo dos Estados Unidos e os de outras nações do mundo tivessem tentando equilibrar seus orçamentos, como fizeram no início dos anos 30. É uma ideia assustadora. Caso os governos tivessem elevado os impostos ou cortado os gastos diante da crise, caso tivessem se recusado a resgatar as instituições financeiras, poderíamos facilmente ter assistido a uma versão renovada da Grande Depressão.<br />
Como eu afirmei, o deficit salvou o mundo.</p>
<p><strong>Gastos maiores</strong><br />
Na verdade, seria melhor para nós que os governos se dispusessem a aumentar seus gastos ainda mais pelos próximos dois anos. A projeção oficial da Casa Branca mostra uma nação condenada a um longo purgatório, com a persistência de desemprego alto por anos. Se tudo isso se provar correto e temo que seja inevitável, deveríamos estar fazendo mais, e não menos, para sustentar a atividade da economia.<br />
Mas e quanto a todas essas dívidas que estamos acumulando? Elas são um problema, mas é necessário manter a perspectiva. Os economistas normalmente avaliam a sustentabilidade das dívidas nacionais observando a relação entre seu valor e o PIB (Produto Interno Bruto). E embora US$ 9 trilhões sejam uma soma imensa, nós também temos uma economia imensa, o que significa que as coisas são menos assustadoras do que seria de imaginar.<br />
Eis uma maneira de considerar: estamos diante de uma alta de cerca de 40% na relação entre a dívida e o PIB. Os juros reais sobre essas dívidas adicionais (é necessário subtrair a inflação) serão de provavelmente 1% do PIB, ou 5% da receita federal. Não parece um fardo esmagador.<br />
É claro que isso presume que o crédito do governo dos Estados Unidos continuará a ser bom, de modo a que o país possa continuar captando recursos a taxas de juros relativamente baixas. Até agora, isso continua verdade. A despeito da perspectiva de grande deficit, o governo continua capaz de captar fundos a uma taxa de juros de menos de 3,5%, baixa sob os padrões históricos. As pessoas que fazem apostas com dinheiro real não parecem preocupadas com a solvência dos Estados Unidos.</p>
<p><strong>Administrável</strong><br />
Os números explicam o motivo. De acordo com as projeções da Casa Branca, em 2019 a dívida federal líquida dos Estados Unidos será de cerca de 70% do PIB. Não é um bom número, mas fica em uma faixa que se provou historicamente administrável para os países avançados, mesmo aqueles que tenham governos relativamente fracos. No começo dos anos 90, a Bélgica país profundamente dividido em linhas idiomáticas, tinha dívida de 118% do PIB, enquanto a Itália, que afinal de contas é a Itália, tinha dívida líquida de 114% do PIB. Nenhum dos dois países enfrentou uma crise financeira.<br />
Assim, será que existe algo com que devamos nos preocupar? Sim, mas os perigos são políticos e não econômicos.<br />
Como afirmei, essas projeções para os próximos 10 anos não são tão más quanto algumas pessoas vêm dizendo. Em prazo realmente longo, porém, o governo dos Estados Unidos enfrentará grandes problemas a menos que realize algumas mudanças importantes. É preciso, especialmente, conter o crescimento dos gastos com os programas federais de saúde Medicare e Medicaid.<br />
Isso não deveria ser difícil no contexto de uma reforma geral da saúde. Afinal, os Estados Unidos gastam muito mais com a saúde do que outros países avançados, sem apresentar resultados melhores, de modo que deveríamos ser capazes de obter melhor custo benefício em nosso sistema.<br />
Mas isso não acontecerá, é claro, se até mesmo as mais modestas tentativas de melhorar o sistema forem objeto de esforços demagógicos de parte dos conservadores, para retratá-las como uma forma de &#8220;desligar os aparelhos da vovó&#8221;.<br />
Assim, não se incomode com o deficit deste ano; na verdade precisamos elevar a dívida federal no momento, e precisaremos continuar a fazê-lo até que a economia esteja solidamente a caminho da recuperação. E as dívidas adicionais devem ser administráveis. Se estamos enfrentando a possibilidade de um problema, não é porque a economia seja incapaz de aceitar dívidas adicionais. Em lugar disso, é a política, estúpido.</p>
<p>Tradução de PAULO MIGLIACCI</p>
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		<title>EUA, China e a ordem econômica emergente</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 14:55:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Henry Kissinger*, TRIBUNE MEDIA SERVICES &#8211; O Estado SP
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<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Henry Kissinger*, TRIBUNE MEDIA SERVICES &#8211; O Estado SP</p>
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<p><img src="http://www.thewashingtonnote.com/archives/kissinger.jpg" alt="http://www.thewashingtonnote.com/archives/kissinger.jpg" align="left" />Num recente jantar de encerramento anual de seu diálogo estratégico e econômico em nível ministerial em Washington, dirigentes dos Estados Unidos e da China expressaram seu compromisso com uma atitude cooperativa com um entusiasmo maior que nos quase 40 anos desde que os dois países retomaram contato em 1971. É bom que seja assim, pois a próxima década testemunhará desafios radicais à sua adaptabilidade e visão.</p>
<p>O diálogo anual, tal como é, se concentra inevitavelmente nos problemas do momento. Por mais proveitoso que seja, o desafio mais profundo para uma relação descrita pelo presidente Barack Obama como tão importante quanto qualquer outra no mundo, é alcançar uma visão com respeito à ordem mundial emergente.</p>
<p>A suposição de que o fim da recessão vai restaurar o sistema econômico global familiar, ignora a subversão psicológica e política que ocorreu.</p>
<p>Uma vasta maré de liquidez combinada com o apetite americano por bens de consumo enviou quantidades imensas de dólares para a China que, por sua vez, a China nos emprestou de volta para um consumo ainda maior.</p>
<p>Antes da crise, a China enviou legiões de especialistas aos Estados Unidos e investiu em grandes instituições financeiras americanas para aprender os segredos do sistema que parecia produzir um crescimento global permanente com pouco risco.</p>
<p>A crise econômica abalou essa convicção. Os dirigentes econômicos chineses perceberam que o sistema financeiro americano submeteu uma década de suas poupanças a flutuações potencialmente catastróficas.</p>
<p>Para proteger o valor de seu investimento em títulos do Tesouro e para sustentar sua própria economia movida a exportações, a China se vê obrigada a continuar aumentando a posse desses títulos para perto de US$ 1 trilhão.</p>
<p>A ambiguidade é a consequência inevitável tanto na China como nos Estados Unidos.</p>
<p>Por outro lado, as duas economias se tornaram cada vez mais dependentes uma da outra. A China tem grande interesse numa economia americana estável &#8211; e de preferência em crescimento. Mas a China também tem um interesse crescente em reduzir sua dependência das decisões americanas.</p>
<p>Como tanto a inflação como a deflação americanas se tornaram pesadelos tão graves para a China quanto são para os Estados Unidos, os dois países se defrontam com o imperativo de coordenar suas políticas econômicas.</p>
<p>Como maior credora dos EUA, a China tem um grau de alavancagem econômica sem precedentes na experiência americana. Ao mesmo tempo, a busca pela ampliação do escopo de decisão independente existe numa combinação ambivalente em ambos os lados.</p>
<p>Algumas iniciativas chinesas refletem essa tendência. Autoridades chinesas se sentem mais livres para oferecer conselhos públicos e privados aos Estados Unidos do que antes. A China começou a fazer comércio com Índia, Rússia e Brasil em suas próprias moedas.</p>
<p>A proposta do presidente do banco central chinês de criar gradualmente uma moeda de reserva alternativa é outro ponto em questão. Muitos economistas americanos fazem pouco dessa ideia. Mas ela aflora em tantos fóruns, e a China tem um histórico tão consistente de perseguir seus projetos com grande paciência, que deveria ser levada a sério.</p>
<p>Para evitar uma deriva gradual para políticas antagônicas, a influência chinesa nos mecanismos globais de tomada de decisões econômicas precisa ser reforçada.</p>
<p>A sabedoria convencional de uma nova ordem econômica mundial cria outro imperativo de coordenação de políticas econômicas de longo alcance. Segundo ela, a economia mundial recuperará sua vitalidade assim que a China consumir mais e os EUA consumirem menos. Mas à medida que ambos os países aplicarem essa prescrição, isso inevitavelmente alterará a estrutura política.</p>
<p>Uma América que consome menos importará menos da China. À medida que as exportações chinesas para os EUA diminuírem e a China mudar a ênfase de sua economia para um maior consumo e um aumento nos gastos com infraestrutura, uma ordem econômica diferente surgirá. A China será menos dependente do mercado americano e seu padrão de mudanças comerciais, enquanto a crescente dependência de países vizinhos de mercados chineses aumentará a influência política da China. Até certo ponto, a cooperação política terá de compensar essa mudança.</p>
<p>Uma definição cooperativa para um futuro longo não será fácil.</p>
<p>Historicamente, China e Estados Unidos têm sido potências hegemônicas capazes de estabelecer suas próprias agendas de forma essencialmente unilateral.</p>
<p>Elas não estão acostumadas a alianças estreitas ou a processos consultivos que restrinjam sua liberdade de ação numa base de igualdade. Quando estiveram em alianças, elas tenderam a dar como certo que o manto de liderança lhes pertencia e exibiram um grau de dominação inconcebível numa emergente parceria sino-americana.</p>
<p>Para fazer esse esforço funcionar, os líderes americanos precisam resistir ao canto de sereia de uma política de contenção extraída do manual de estratégia da Guerra Fria. A China precisa evitar uma política voltada para reduzir alegados desígnios hegemônicos americanos e a tentação de criar um bloco asiático para esse fim. No fim das contas, um confronto esgotará as duas sociedades em detrimento do bem-estar global como a 2ª Guerra fez com a Europa. Questões que só podem ser tratadas numa base global, como energia, meio ambiente, proliferação nuclear e mudança climática, requererão uma visão comum do futuro.</p>
<p>No outro extremo, alguns argumentam que Estados Unidos e China deviam se constituir num G-2. Um órgão governante global sino-americano tácito não é, porém, do interesse de nenhum dos dois países ou do mundo. Os países que se sentirem excluídos poderiam derivar para um nacionalismo rígido no preciso momento em que se requer uma perspectiva universal.</p>
<p>A grande contribuição dos Estados Unidos nos anos 50 foi tomar a frente no desenvolvimento de um conjunto de instituições pelas quais a região atlântica pudesse lidar com sublevações sem precedente. Uma região até então dilacerada por rivalidades nacionais encontrou mecanismos para institucionalizar um destino comum, reduzindo, em grande medida, as perspectivas de guerra, e levando, com o tempo, a uma ordem mundial muito mais benigna.</p>
<p>O século 21 hoje requer uma estrutura institucional apropriada para este tempo. As nações que margeiam o Pacífico têm um senso de identidade nacional mais forte que o dos países europeus que saíram da 2ª Guerra. Elas não devem derivar para uma versão do século 21 da clássica política de equilíbrio de poder. Será particularmente pernicioso se blocos antagônicos se formarem em cada lado do Pacífico.</p>
<p>Enquanto o centro de gravidade dos assuntos internacionais pende para a Ásia, e os Estados Unidos descobrem um novo papel diferente da hegemonia, mas compatível com a liderança, precisamos de uma visão de estrutura do Pacífico baseada numa cooperação estreita entre os Estados Unidos e a China, mas também suficientemente ampla para permitir que outros países que margeiam o Pacífico concretizem suas aspirações.</p>
<p><strong>*Henry Kissinger é ex-secretário de Estado dos Estados Unidos</strong></p>
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		<title>BCs: não é hora de economizar</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 14:09:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Os presidentes dos bancos centrais reunidos nos Estados Unidos reafirmaram que a recessão global está perto do fim e, mais uma vez, alertaram contra o otimismo prematuro. &#8220;O Fed (banco central americano) não está preparado para jogar confete ao primeiro sinal de crescimento&#8221;, afirmou Bernanke. &#8220;É cedo para tirar os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99">Alberto Tamer* &#8211; O Estado SP</p>
<p>Os presidentes dos bancos centrais reunidos nos Estados Unidos reafirmaram que a recessão global está perto do fim e, mais uma vez, alertaram contra o otimismo prematuro. &#8220;O Fed (banco central americano) não está preparado para jogar confete ao primeiro sinal de crescimento&#8221;, afirmou Bernanke. &#8220;É cedo para tirar os trilhões de dólares injetados na economia e o apoio dos bancos centrais. Falta muito para que a economia se autossustente&#8221;, acrescentou. Seus colegas confirmam essa tese. E é exatamente isso que Meirelles vem dizendo no Brasil, apesar de um certo clima que vai além do alívio e beira a euforia. Há muitos riscos a enfrentar, mesmo que a economia volte a crescer.</p>
<p><strong>E QUANDO O GOVERNO SAIR?</strong></p>
<p>Mas por que insistem tanto nessa cautela, mesmo admitindo que o pior passou e que, como disse Bernanke, &#8220;o colapso possível do sistema financeiro global foi evitado?&#8221;</p>
<p>A principal preocupação no momento não é mais com a recessão, mas o que poderá acontecer quando os governos, principalmente Estados Unidos e China, tiverem de retirar ou pelo menos reduzir o estímulo aos investimentos, ao consumo e, nos casos americano e europeu, ao socorro aos bancos? Estima-se que foi bem mais de US$ 10 trilhões, se somarmos o aporte de recursos aos grandes bancos, a salvação da indústria automobilística, a boia lançada aos mutuários com hipotecas atrasadas. Ainda agora, foram US$ 3 bilhões em algumas semanas, com o governo americano dando até US$ 5 mil para quem vendesse o carro velho e comprasse um novo menos poluidor. Isso é apenas uma gota do que já injetou no mercado interno.</p>
<p>Essa intervenção dos governos que salvou a economia deixará uma herança pesada que pode ser enfrentada mais adiante, sim, mas não aumentada indefinidamente, dão a entender os presidentes dos BCs . Há ainda espaço para mais ajuda, como vimos na penúltima coluna, mas há um limite também.</p>
<p><strong>MAIS GOVERNO AINDA</strong></p>
<p>É por essa razão que ninguém propôs na reunião dos BCs que sejam retirados os subsídios ao crescimento, que se volte a aumentar os juros, que se pare de injetar recursos no reaquecimento econômico. Mas todos se preocupam com a conta de governos que agiram certo contendo a recessão, mas saem profundamente endividados.</p>
<p>Os caminhos clássicos têm sido apresentados pelos economistas que acompanham a crise. Cito alguns: encontrar a hora certa de recuar sem afetar a retomada, a forma mais adequada de financiar a dívida, como a sociedade poderá ajudar a pagá-la e evitar que esse custo seja uma inflação elevada.</p>
<p><strong>CAMINHOS PENOSOS</strong></p>
<p>O já lendário bilionário Warren Buffet, em artigo publicado no Estado, quinta-feira, utiliza a situação dos Estados Unidos para mostrar como os governos podem obter esses recursos. A crise americana foi mais grave e o socorro oficial maior. Mas, considerando as proporções, os outros também vão sair endividados; alguns, até mais que o os Estados Unidos, em relação ao PIB. Buffet aponta três caminhos que merecem citação.</p>
<p>1. Pedir emprestado no exterior, em outros países ou no próprio mercado financeiro internacional. É o que está sendo feito pelos Estados Unidos, por meio de títulos do Tesouro. Financia a dívida, adia o vencimento, mas não a diminui. Ao contrário, pode aumentar.</p>
<p>2. Pedir emprestado internamente, vendendo títulos do governo. É o que o governo brasileiro tem feito, ainda que de forma calculada, com um endividamento suportável. No caso dos EUA, implica emitir dólares. A base monetária do país &#8211; dólares fora dos cofres do Tesouro &#8211; vem crescendo de forma significativa desde junho, sinalizando pesadas emissões. Não é o melhor indicador, mas serve para mostrar que, em quase desespero, o governo decidiu adotar a forma menos saudável de financiar sua luta contra a recessão. Buffet não o condena, mas pede cautela a partir de agora.</p>
<p>3. A terceira hipótese é o aumento de impostos, que enfraquecem a demanda, provocam evasão e, em última análise, desestimulam a economia. Lembrem-se que no caso do Brasil a redução de impostos foi um dos fatores de maior sucesso da política anticíclica.</p>
<p><strong>ESPERA AÍ, SR. COLUNISTA!</strong></p>
<p>O leitor meio irritado deve estar perguntando: não está esquecendo que aumentando o crescimento aumenta também a receita do governo?!</p>
<p>Sim, essa é forma mais saudável de resolver o problema. Mas não se esqueça de que, nas circunstâncias atuais, a recuperação econômica vai depender ainda da intervenção maciça dos governos, e isso só foi possível porque se endividaram e continuam se endividando!</p>
<p>Quem afirma isso não é a coluna, mas os respeitáveis presidentes dos bancos centrais!</p>
<p>Então, não tem saída? Sim, dizem eles, continuar estimulando a economia. O que os preocupa &#8211; e a todos neste momento &#8211; é que não calculem certo o momento de recuar. E esse momento é quando o sistema financeiro se estabilizar, a demanda voltar a crescer e o mercado global se recuperar.</p>
<p><strong>*E-mail: at@attglobal.net </strong></p>
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