26/10/2009 - 11:11h “faz só alguns anos, o México simbolizava o sucesso da América Latina, e o Brasil, seu fracasso. Hoje é o oposto”

“MÉXICO, NO; BRASIL, SÍ”
Moisés Naím, editor-chefe da “Foreign Policy”, publicou ontem no “El País” a coluna “México, não; Brasil, sim”. Abre dizendo que, “faz só alguns anos, o México simbolizava o sucesso da América Latina, e o Brasil, seu fracasso. Hoje é o oposto”. Saúda até a taxa sobre aplicação externa, citando o editorial do “conservador “Financial Times’”. Na frase em destaque, “Nos últimos anos, 20 milhões de brasileiros saíram da pobreza”.
Encerra lamentando como os “cartéis de empresas privadas, sindicatos, meios de comunicação” impedem o progresso mexicano. E dizendo, “Oxalá a competição com o Brasil estimule” competição por lá.

Fonte Toda Mídia, coluna de Nelson de Sá, na Folha SP

MOISÉS NAÍM – EL PAÍS

México, no; Brasil, sí


En los últimos años, 20 millones de brasileños han salido de la pobreza extrema


Hace apenas unos años México simbolizaba el éxito de América Latina, y Brasil, su fracaso. Hoy sucede lo contrario.

Las reformas políticas y económicas de México en los años noventa fueron ejemplares. De repente, el país se liberó de un hiper-nacionalismo que le impedía relacionarse sanamente con el mundo, sobre todo con su problemático vecino del norte. También se sacudió, sin violencia, un sistema político dominado durante siete décadas por un mismo partido. La firma del Tratado de Libre Comercio con EE UU y Canadá, su entrada a la OCDE -el club de países ricos-, su rápida recuperación del crash financiero de 1994, su posterior estabilidad económica, su potencial petrolero, su atractivo turístico, su gran tamaño (es la 11ª economía más grande del mundo) y su privilegiada situación geográfica hicieron de México la promesa de América Latina. En los foros mundiales, y en los titulares de prensa, el protagonista -y la esperanza- era México, no el otro gigante continental: Brasil. El sarcasmo mil veces repetido era que Brasil es el país del futuro… y lo seguiría siendo. Para siempre.

No más. Ahora, Brasil es la esperanza y México, la desazón. La percepción es que mientras Brasil despega, México está empantanado. El año pasado la economía brasileña creció un 5%, mientras que la mexicana lo hizo un 1%. Brasil es, junto con China e India, uno de los países que menos ha sufrido por la crisis económica mundial. México, en cambio, es uno de los más afectados. En Brasil, el empleo ya ha alcanzado los niveles que existían antes de la crisis. Las cifras financieras también son sorprendentes: este año, los bancos brasileños prestaron el 60% de los créditos otorgados en toda América Latina. La Bolsa ha aumentado un 144%. Brasil antes mendigaba dinero del FMI; hoy, le presta. El magnetismo financiero de Brasil es tal que el Gobierno, buscando frenar el enorme flujo de capitales que está entrando al país, acaba de poner un impuesto a las inversiones extranjeras (”Una sabia medida”, editorializó el conservador Financial Times).

Los mexicanos ven estas noticias con nostalgia por los tiempos en que este tipo de noticias se referían a ellos. También ven con envidia cómo Brasil se está convirtiendo en una potencia petrolera mundial, mientras que una combinación suicida de restricciones legales, políticos irresponsables y sindicatos corruptos impiden que México desarrolle su enorme potencial.

Lo más importante es que el progreso de Brasil no es sólo económico. En los últimos años, 20 millones de brasileños han salido de la pobreza extrema y la distribución de los ingresos ha mejorado, aunque continúa situándose entre las peores del mundo. En México también ha habido progreso social y una importante expansión de la clase media. Pero este progreso se ha visto limitado por una economía que crece poco y, más recientemente, por una avalancha de plagas: la narcoviolencia, el virus H1N1 y la caída de exportaciones, remesas, inversiones, turismo y petróleo.

Brasil también ha desplazado a México en influencia internacional: se ha convertido en país indispensable en las negociaciones sobre el medio ambiente, el comercio, las reformas del sistema financiero y hasta la no-proliferación nuclear. Es ilustrativo que, en la crisis de Honduras, Brasil esté teniendo más protagonismo que el vecino México.

Todo lo anterior no quiere decir que Brasil haya superado sus inmensos problemas. Padece tragedias sociales tan graves o peores que las de México. Los criminales brasileños no tienen nada que envidiar a los mexicanos. Además, en las diferencias entre México y Brasil, la suerte, la geografía y la geopolítica también han desempeñado papeles importantes. No es culpa del Gobierno mexicano que el virus H1N1 haya atacado al país y devastado el turismo. O que China sea un extraordinario cliente de las materias primas de Brasil y un terrible competidor de los productos fabricados en México.

Pero la realidad es que, por ahora, Brasil está dejando atrás a México. Las explicaciones son muchas. Pero una, y que para mí es la más importante, es que el progreso de México ha sido secuestrado por sus carteles. Y no me refiero a los carteles de la droga. Me refiero a empresas privadas, sindicatos, agrupaciones políticas, universidades, medios de comunicación y gremios profesionales que limitan la competencia dentro de sus respectivos sectores. México está lleno de carteles, muchos de los cuales gozan de privilegios y vetos que impiden los cambios sin los cuales el país seguirá perdiendo oportunidades. Ojalá que la competencia con Brasil estimule la competencia dentro de México.

16/04/2009 - 11:54h “Agora o Brasil joga em outro escalão, tem um papel global, está na mesa de negociações mundiais e tem uma voz importante nas discussões centrais da humanidade”

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”Cúpula deve marcar estreia do Lula estadista”

Para analista, Trinidad e Tobago é a primeira reunião latina na qual o papel do Brasil irá além das questões regionais

 

Patrícia Campos Mello – O Estado SP

 

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, estreia na sexta-feira, na Cúpula das Américas, seu novo status de “estadista internacional” em um fórum latino-americano, diz Moisés Naím, editor-chefe da revista Foreign Policy e influente analista da região. Segundo Naím, o “eixo de Lula” e o “eixo de Hugo” (do presidente venezuelano, Hugo Chávez) vão se encontrar na cúpula em meio a uma grande reorientação geopolítica. Abaixo, trechos da entrevista concedida ao Estado por telefone:

Como Obama cumprirá sua promessa de mudar a mensagem para a região?

Podemos olhar para o que Obama fez na Turquia, onde ele admitiu que os EUA têm sido uma nação arrogante, que não atuava no mundo da forma mais construtiva. Ele pode seguir a mesma linha para a América Latina, admitindo que a região não tem sido prioridade para os EUA. Na Turquia, ele disse que os EUA não estão nem nunca estiveram em guerra contra o Islã. Em Trinidad e Tobago, ele pode dizer que os EUA não estão em guerra contra ninguém, e se limitam a querer países democráticos na região. Não queremos dominá-los, não queremos impor nossas opiniões e vamos respeitar seus processos eleitorais, desde que seus líderes sejam eleitos de forma democrática, ele poderia dizer.

Nesse contexto, o sr. acha que Obama tentará uma aproximação com Chávez durante a cúpula?

Uma das grandes perguntas é que tipo de espetáculo para a mídia Chávez montará. Chávez e seus colegas do mesmo eixo vão se encontrar em Caracas e irão juntos para a cúpula – Daniel Ortega da Nicarágua, Rafael Correa do Equador, Evo Morales da Bolívia, talvez Fernando Lugo do Paraguai e os presidentes de Honduras e da República Dominicana. Chávez não se pode dar o luxo de ir à cúpula e não ser o centro das atenções. Na ONU, ele falou sobre George W. Bush e o cheiro de enxofre, depois houve o bate-boca com o rei da Espanha, em toda reunião ele faz algo.

Mas não será mais difícil fazer isso com um presidente americano menos polarizador?

Será difícil confrontar Obama pessoalmente, mas ele pode confrontar o império. Recentemente, Chávez esteve no Irã e censurou a presidente chilena, Michelle Bachelet, por ter convidado (o vice-presidente americano) Joe Biden e (o premiê britânico) Gordon Brown para a cúpula dos governos progressistas. Ele provavelmente não se referiráa Obama, mas criticará o imperialismo.

Há espaço para que Lula seja um mediador entre Obama e Chávez?

Agora o Brasil joga em outro escalão, tem um papel global, está na mesa de negociações mundiais e tem uma voz importante nas discussões centrais da humanidade, como mudança climática, crise econômica, luta contra pobreza e até proliferação nuclear. Lula assumiu esse papel recentemente e está mais confiante. Agora que o país está indo bem, ele assumiu mais o papel de estadista internacional.

Essa seria a primeira cúpula da região em que o Brasil desempenharia um papel global?

Sim. E é importante lembrar que o eixo de Lula não tem uma relação de confronto com Chávez. Eles deixam Chávez fazer o que quer, mas não prestam muita atenção. Todas as iniciativas que Chávez propôs, Lula apoiou entusiasticamente e não executou nenhuma. Eles assinam acordos, se abraçam, sorriem, e nada acontece. O Brasil apoiou todos os planos grandiosos do Chávez – Oleoduto Transcontinental, Banco do Sul -, mas nenhum saiu do papel. Enquanto Lula deixa que Chávez lide com Nicarágua, Paraguai e outros, ele se reúne com China, Índia, África do Sul, criando uma poderosa coalizão global.

O que uma mudança na política americana para Cuba significaria para a região?

Eu acho que é uma tragédia, mas a cúpula pode ser distorcida pelo excesso de atenção a Cuba ou para os Castros. Cuba é simbolicamente importante, mas estrategicamente é irrelevante. Para a vida de 99,9% dos latino-americanos, mudanças na política de envio de recursos e visitas a Cuba são irrelevantes. Muito mais importante é garantir que um país como o Brasil continue estável, que os mercados de crédito sejam abertos, que o Banco Interamericano de Desenvolvimento tenha recursos para a região. Essas são questões importantes.