10/11/2009 - 15:13h Contagem regressiva para novo recorde

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Negócios & Cia – O Globo

Nem o mais otimista dos executivos ousou prever que a indústria automobilística brasileira terminaria 2009 com novo recorde histórico. A julgar pelo comportamento das vendas na 1a semana de novembro, o setor terá ultrapassado, antes do fim do mês, o recorde de 2.820.381 de veículos emplacados de 2008. Até domingo, o número estava em 2.492.824, 6% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Poucos segmentos da economia, incluindo o próprio PIB, crescerão num ritmo tão forte. A previsão é fechar dezembro com 3,1 milhões de unidades. O setor começou 2009 nocauteado pela escassez do crédito.

Reagiu após um empurrão do governo, que reduziu o IPI e levou consumidores de volta às concessionárias. O benefício começou a ser retirado em outubro, com a gradual elevação das alíquotas até dezembro.

Mês passado, foram emplacados 294.466 veículos; em setembro, 308.718.

Este mês, a estimativa é de 280 mil. É um ótimo número, levando-se em conta que um modelo 1.0 já está pagando 3% de IPI, contra 1,5% em outubro e zero no mês anterior. As montadoras, em geral, estão operando em dois turnos para dar conta da demanda, que só não está melhor em razão da queda nas exportações. Em 2008, até a crise explodir, operavam em três turnos. Por isso, o nível de emprego não retornou ao nível anterior. Infelizmente, vai demorar a chegar lá.

27/10/2009 - 10:14h Juro mais baixo aumenta venda de caminhões e já provoca fila de espera

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Chico Santos, do Rio – VALOR

A compra de caminhões novos por caminhoneiros, tanto microempresários como autônomos (pessoas físicas), está ajudando a alongar o prazo entre a encomenda e o recebimento do veículo, que já chega a três meses, dependendo do modelo e do fabricante. Após três anos patinando, o programa Procaminhoneiro, criado pelo BNDES em maio de 2006 para financiar a renovação da frota dos autônomos, disparou nos últimos três meses, após o governo reduzir, em junho, a taxa de juros de 13,5% para 4,5%. De agosto até 19 deste mês, o programa aprovou R$ 381 milhões em novas operações, contra R$ 341 milhões no ano passado.

“Pela primeira vez na história o governo federal conseguiu ter um programa que está permitindo ao caminhoneiro renovar sua frota”, disse Norival de Almeida Silva, presidente do sindicato dos caminhoneiros do Estado de São Paulo. Segundo ele, São Paulo tem 211 mil caminhoneiros autônomos – donos de 264 mil veículos – e está havendo uma corrida na categoria para trocar o equipamento. Entre aqueles que têm contratos de fretes firmes, a renovação chega a 90%, de acordo com Silva.

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Embora o Procaminhoneiro financie a compra de veículos novos e usados, o sindicalista disse que os caminhoneiros estão preferindo comprar o caminhão novo e, em muitos casos, ficando também com o antigo para ajudar a fazer dinheiro para pagar o financiamento. Édson Moret, gerente de operações indiretas do BNDES, confirmou que a participação dos usados no total de operações aprovadas é pequena.

A redução da taxa de juros do BNDES Procaminhoneiro foi anunciada pelo governo no dia 29 de junho. Além de baixar a taxa em 67%, equalizando a diferença com recursos da União, o governo aumentou de 84 para 96 meses o prazo do financiamento para veículos novos. A linha de crédito total para o programa, que era de R$ 1 bilhão, passou a ser de R$ 1,8 bilhão. As montadoras estão pleiteando ao governo que o prazo de validade das condições atuais, limitado a 31 de dezembro, seja prorrogado.

Moret disse que a prorrogação depende de decisão de governo, porque os recursos para equalização saem do Orçamento da União, mas afirmou que da parte do banco não faltarão recursos, mesmo que as aprovações possam se aproximar de R$ 1 bilhão até o fim do ano. Atualmente restam R$ 760 milhões do total da linha a serem contratados, mas Moret avalia que, por se tratar de decisão interna do banco, não haverá problema se for necessário ampliar o volume de recursos.

Os números do BNDES mostram que o desempenho da linha foi negativo ao longo dos sete primeiros meses deste ano, com queda de 62,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados revelam ainda que o volume maior de recursos vai para as microempresas. Do total do ano passado, R$ 195 milhões foram para elas e R$ 146 milhões para as pessoas físicas. Até setembro deste ano, de R$ 332 milhões, as microempresas ficaram com R$ 186 milhões.

O gerente de vendas e marketing da Ford , Cláudio Terciano, disse que, graças à redução dos juros, a empresa está percebendo forte participação do programa Procaminhoneiro nas vendas. Segundo ele, 90% dos atuais financiamentos para caminhões estão saindo da Finame, agência do BNDES para financiar máquinas e equipamentos nacionais, e desses, 30% são do Procaminhoneiro.

Terciano disse que a disponibilidade de financiamento barato está fazendo com que as vendas de caminhões estejam alcançando o patamar do ano passado. Segundo ele, até o dia 25 deste mês a média diária de caminhões novos acima de 3,5 toneladas emplacados foi de 527 unidades, praticamente igual ao recorde de 530 registrado em setembro do ano passado.

01/10/2009 - 15:37h Venda de carros bate recorde histórico em setembro

No último mês de isenção do IPI foram comercializadas 296,6 mil unidades.
Marca anterior era de junho, com 289,7 mil automóveis e comerciais leves.


IPI voltará a ser cobrado de forma gradativa (Foto:                 TV Globo/Reprodução)
IPI voltará a ser cobrado de forma gradativa (Foto: TV Globo/Reprodução)

Do G1, em São Paulo

As vendas de automóveis e comerciais leves em setembro alcançaram um recorde histórico na indústria automobilística. Foi o último mês do benefício da isenção do IPI para carros novos, impulsionando a venda de carros para 296.651 unidades de automóveis e comerciais leves, superando a marca anterior de junho, quando foram vendidos 289.792 unidades.

O desempenho das vendas de automóveis e comerciais leves no varejo foi  21,85% maior do que agosto (204,8 mil) e 19,8% superior em relação a setembro de 2008 (208,3 mil unidades). Os números foram divulgados nesta quinta-feira (1º) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).


No acumulado do ano, as vendas deste segmento aumentaram 5,49% em comparação ao período de janeiro a setembro de 2008, saltando de 2.096.396 unidades para 2.211.421 unidades.

Incluindo os emplacamentos de caminhões e ônibus, o total em setembro sobe para 308.713 unidades, número também inédito para o setor. Até então, o recorde mensal havia sido registrado em junho deste ano, com 300.174 unidades, conforme dados da Fenabrave.

Já o mercado geral de veículos, que engloba automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros produtos tracionáveis, teve alta de 13,59% em relação a agosto e caiu 1,27% comparando a setembro de 2008. Foram vendidos 456.477 veículos em setembro e 3.553.272 no ano.

Fim do IPI

“Apesar da crise, o desempenho das vendas de automóveis e comerciais leves foi positivo, uma conseqüência não apenas da redução da alíquota do IPI, mas também devido à oferta de crédito”, afirmou Sérgio Reze, presidente da Fenabrave.

“Com a volta do imposto, as vendas de veículos devem retrair um pouco devido, inclusive, à antecipação das compras. Mas, não causará grande impacto. O fim do benefício chega num momento em que a economia está praticamente restabelecida, há oferta de crédito e consumidores confiantes”, comentou o presidente da entidade.

A Fenabrave continua mantendo suas projeções de crescimento para até um dígito este ano, mas o percentual pode sofrer variações dependendo da resposta dos consumidores à volta gradativa das alíquotas de IPI. “Estimamos um crescimento em torno de 3%, mas se obtivermos os mesmo resultados do ano passado, já será um dado positivo para o setor”, conclui Reze.

30/09/2009 - 17:59h Vendas de carros sobem 18,4% em setembro ante agosto, diz fonte

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ALBERTO ALERIGI JR. – REUTERS – Portal Estado

SÃO PAULO – As vendas de automóveis e comerciais leves em setembro até o dia 29, no último mês com desconto cheio do IPI de carros, cresceram 18,4 por cento ante igual intervalo de agosto, afirmou uma fonte do mercado nesta quarta-feira.

No acumulado do mês até a terça-feira, as vendas totalizaram 271.145 unidades, disse a fonte à Reuters. Na comparação com setembro de 2008, exceto o último dia daquele mês, o número representa avanço de 13,8 por cento.

O volume indica uma média diária de vendas de 13.557 veículos, que se for mantida nesta quarta-feira fará setembro ultrapassar julho como segundo maior mês em vendas da história do setor no país, quando o total das vendas ficou em 273.581 veículos e comerciais leves.

O recorde ocorreu em junho, com 289.780 unidades vendidas, quando consumidores anteciparam as compras de automóveis diante da expectativa de que a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) terminasse no fim daquele mês.

O governo acabou por prorrogar pela segunda vez o desconto do IPI sobre automóveis em junho, em uma medida que foi adotada inicialmente em dezembro para ajudar o setor combalido pela crise econômica global.

“A alta (das vendas em setembro) era esperada justamente pelo mesmo fenômeno de junho, quando ficou aquela dúvida nos consumidores se o governo iria ou não prorrogar a medida de incentivo do IPI”, afirmou analista de setor automotivo Mariana Oliveira, da Tendências Consultoria.

“Para os próximos três meses, estamos esperando um recuo das vendas para um patamar próximo de julho e agosto, em torno de uma média mensal de 260 mil unidades”, acrescentou a analista, considerando o movimento de setembro como “atípico”.

De janeiro a setembro, com base nos números até o dia 29 deste mês, as vendas de automóveis e comerciais leves somam cerca de 2,18 milhões de unidades, um crescimento ao redor de 4 por cento sobre igual período de 2008.

A Fenabrave, entidade que reúne as concessionárias, divulgará na quinta-feira as vendas de automóveis no país em setembro.

No próximo dia 7 é a vez da Anfavea, que representa as montadoras e também revelará os números referentes à produção.

PRODUÇÃO EM BAIXA

Apesar da alta nas vendas, a produção em setembro pode ter arrefecido devido às greves e paralisações neste mês que envolveram milhares de trabalhadores em fábricas de empresas como Volkswagen, General Motors, Renault e Ford durante negociações salariais.

Só na unidade da Volkswagen no Paraná, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, 14 mil veículos deixaram de ser produzidos em 17 dias de greve por reajuste salarial.

“A greve não foi tão extensa e nem tão intensa quanto se esperava, mas acho que deve ter afetado a produção na comparação com agosto”, afirmou professor de Economia Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios.

Os dados de setembro até o dia 29 apontam a Fiat na liderança, com vendas de 64.382 automóveis e comerciais leves no mês, informou a fonte. Em seguida aparece a Volkswagen, com 60.014 unidades.

19/09/2009 - 11:14h 30 empresas cedem aos metalúrgicos

Empresas do ABC procuram sindicato e se comprometem a atender às reivindicações; produção é retomada

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Marcelo Rehder e Evandro Fadel – O Estado SP

No primeiro dia de greve por tempo indeterminado dos metalúrgicos da região do ABC paulista, 30 empresas, que empregam quase 21% dos grevistas, procuraram ontem o sindicato e se comprometeram, por escrito, a atender às reivindicações da categoria. Nessas fábricas, os metalúrgicos decidiram voltara ao trabalho. Nas demais empresas da região, a greve continua.

As empresas que aderiram à proposta do sindicato empregam 12,5 mil metalúrgicos. Os sindicalistas dizem que mais de 60 mil trabalhadores iniciaram o movimento. Entre as empresas que não aderiram ao acordo e seguem com a produção paralisada estão as fabricantes de autopeças Mahle Metal Leve e Sachs, ambas em São Bernardo do Campo, Detroit (Diadema) e Faparmas (Ribeirão Pires).

A categoria reivindica reajuste de 6,53%, dos quais 2% de aumento real , mais abono equivalente a um terço do salário médio, o que, segundo o sindicato, equivale a mais 2% de aumento real. Os índices são os mesmos obtidos pelo sindicato na negociação com o Sindicato Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotivos (Sinfavea), na semana passada, e aprovados pelos trabalhadores da Ford, Scania, Mercedes-Benz, Volkswagen e Toyota.

A estratégia de comprometer as empresas foi definida em assembleia, quinta-feira, como forma de levar as fábricas a pressionar as bancadas patronais a fecharem um acordo coletivo com a categoria. O sindicato não divulgou quantas empresas foram paralisadas ontem.

Já os metalúrgicos da General Motors (GM) de São José dos Campos e de São Caetano do Sul decidiram ontem entrar em greve por tempo indeterminado. A fábrica da GM em São Caetano do Sul emprega 10,5 mil trabalhadores e a de São José dos Campos, outros 8,5 mil. Em São Caetano, segundo o sindicato, que é ligado à Força Sindical, são produzidos os modelos Astra, Vectra e a família Cosa, a uma média diária de 852 veículos. Os trabalhadores querem 10% de reajuste salarial mais R$ 2 mil de abono.

Já os metalúrgicos de São José dos Campos, cujo sindicato é ligado à Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), pedem 14,65% de reajuste. A GM produz na região os modelos Corsa, Zafira, Blazer, picapes S10 e Montana, além de veículos desmontados para exportação (CKDs). A cada dia de paralisação deixam de ser produzidos cerca de mil veículos.

Em audiência de conciliação entre a GM e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) propôs ontem que a empresa conceda 8,3% de reajuste salarial mais abono de R$ 1.950. A GM se comprometeu a dar uma resposta ao sindicato até amanhã. Na segunda-feira, os trabalhadores realizarão nova assembleia para votar a proposta.

A Volkswagen-Audi pediu ontem que o TRT faça o julgamento da greve que paralisa a fábrica de São José dos Pinhais (PR) desde o dia 3. O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba terá cinco dias para expor os argumentos favoráveis às reivindicações da categoria. Depois, a Volkswagen tem o mesmo prazo para colocar seu ponto de vista. Posteriormente, o TRT marcará a data de julgamento e emite a sentença.

11/08/2009 - 10:58h Mercado interno atrai novos investimentos

Veículos: Na terceira onda, coreanos e chineses terão de enfrentar concorrentes tradicionais mais preparados

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Os novos lideres mundiais da indústria automotriz: China e Brasil 

Marli Olmos, de São Paulo – VALOR

Nos dois últimos anos, o mercado brasileiro de veículos saltou cinco posições no ranking mundial. Passou do décimo para o quinto maior volume anual de vendas. É esse o principal motivo que leva as montadoras a se interessarem tanto pelo Brasil e deverá, aliado à crise nos países desenvolvidos, ser o impulso para uma nova onda de ampliações industriais do setor no país. Os investimentos dos fabricantes de veículos para o período entre 2007 e 2012 deverá ficar perto de US$ 15 bilhões. Somente os planos das empresas que já atuam no país já somam quase US$ 12 bilhões.

Ao contrário do que aconteceu em outras épocas, desta vez os fabricantes de veículos não vêm no impulso de aproveitar incentivos fiscais. As vantagens oferecidas pelos governos marcaram as ondas de investimento do setor automotivo na década de 50 e uma vez mais em meados de 90, com o regime automotivo, que ofereceu redução de impostos em troca de fábricas e promessas de exportação.

Talvez também pela falta desses atrativos fiscais, as manifestações de interesse pelo país e os programas de investimentos já em curso não vieram em conjunto. Os anúncios tem sido feito pouco a pouco. Alguns silenciosamente. Surgem à medida em que as multinacionais percebem a persistência do ritmo das linhas de montagem no país. Desta vez não há como fazer promessas em favor do aumento de divisas para o país porque a exportação de carros deixou de ser um bom negócio. O que chama a atenção agora é o mercado doméstico.

Ainda que turbinadas recentemente com a redução do IPI, as vendas de carros no Brasil esbanjam em seu histórico potencial de crescimento. Por isso, embora algumas empresas estejam segurando planos de expansão à espera de como o mercado doméstico vai reagir ao final do incentivo fiscal, no fim do ano, nenhum projeto foi cancelado.

Os olhares que se voltam com mais intensidade para o mercado brasileiro vêm agora de novas partes do mundo. Coreanos da Hyundai e chineses da Chery prometem instalar no país fábricas de onde sairão veículos que o brasileiro ainda nem conhece.

Instaladas no país há décadas, as montadoras das marcas com as quais o brasileiro já está acostumado mostram que não vão entregar esse mercado facilmente. No mês passado, a General Motors anunciou investimento de US$ 1 bilhão em Gravataí (RS). Na semana passada, uma apresentação da VW para fornecedores revelou a intenção de elevar a produção para 1 milhão de carros em 2012, um salto de 39% em relação a 2009.

As pequenas iniciativas também contam. Praticamente todas as montadoras começaram a chamar trabalhadores que haviam sido dispensados no auge do aperto no crédito. Na quinta-feira, o grupo Renault anunciou a contratação de mais 600 e a abertura do segundo turno em uma das suas duas fábricas.

A indústria automobilística está sufocada nos países de origem. Dos 20 maiores mercados de veículos do planeta, apenas cinco apresentaram crescimento na primeira metade do ano. Nesse grupo, o Brasil está acompanhado de Turquia, Índia, China e surpreendentemente pela Alemanha – que desfrutou de uma demanda atraída pelos bônus do governo.

Na disputa pelos futuros investimentos, o Brasil terá de brigar com países como Índia e China. Até aqui, a engenharia brasileira levava vantagem no desenvolvimento dos carros. Mas, com o avanço do desenvolvimento da indústria na China – que logo ultrapassará EUA em numero de vendas – esse triunfo está praticamente anulado. Para alguns, haverá espaço para o crescimento de Brasil e China, sem confrontos. Cada um está num lado do planeta e deverá servir de base de abastecimento dos países vizinhos.

Para o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, o Brasil é a nova vitrine mundial. Mas, diz ele, o país tem de fazer ajustes internos em questões como logística e simplificação da tributação se quiser pleitear lugar de destaque no novo mapa de produção de veículos.

11/08/2009 - 10:33h Todo mundo está de olho no Brasil, diz Schneider

Marisa Cauduro/Valor Foto Destaque
Foto Destaque
Para o presidente da Anfavea, mercado interno é atraente para novos investimentos, mas setor também quer exportar

De São Paulo – VALOR

Há mais de duas décadas, a associação que representa os fabricantes de veículos, a Anfavea, convoca a imprensa todos os meses para divulgar os números do setor. Ontem, o gaúcho Jackson Schneider, um executivo da Mercedes-Benz que ocupa a presidência da entidade desde 2007, cumpriu o ritual mais uma vez. As principais notícias não foram muito diferentes das dos últimos encontros: o mercado interno mantém-se aquecido, com resultados que sucessivamente têm superado expectativas. Já a exportação continua indo mal.

Este será o sexto ano de crescimento consecutivo do mercado brasileiro. Já a produção, que vinha vinha num ritmo crescente há nove anos, fechará este exercício com a primeira queda desde 1999.

A força do mercado interno faz com que o Brasil continue a atrair investimentos do setor. “Este é um mercado que todo o mundo vai olhar”, diz Schneider. “Não há condições de a indústria automobilística projetar investimentos e nem estratégias sem considerar o Brasil, acrescenta ele. A Anfavea tem recebido visitas de representantes de empresas da China e também da Índia interessadas em iniciar atividade no país.

Schneider diz que “o mercado interno é apetitoso o suficiente para atrair novos investimentos”. No entanto, afirma, o setor quer também se preparar para voltar a vender para outros países quando a crise passar. “O reforço da competitividade de produto feito aqui ajuda na exportação”, diz.

Para ele, o Brasil depende de ajustes internos para ganhar competitividade no mercado externo. Ele aponta o processo de arrecadação fiscal, logística e acesso a pesquisa como áreas em que o país precisa avançar.

Com um mercado hoje de 3 milhões de veículos por ano, o Brasil centraliza a produção e o comando de todo o mercado do Mercosul, que chega a 3,5 milhões. No disputa de competitividade, o Brasil terá de enfrentar o Leste europeu e a China. Schneider lembra que o Leste europeu apresenta boas condições de produção. Mas no desenvolvimento de produto, os mais avançados são Brasil e China.

Comparações com outros países justificam o interesse das empresas. Numa recente palestra dirigida a fornecedores, o diretor de vendas da General Motors, Marcos Munhoz, mostrou o que aconteceu na relação habitantes/automóveis no mundo nos dois últimos anos.

No Japão, o número de vendas de veículos para cada mil habitantes passou de 42,1 em 2007 para 38,7 este ano. No Canadá, verificou-se queda de 16%, passando de 51,8 para 34,9. Já nos Estados Unidos, a retração foi ainda maior: saiu de 54,4 para 29,5. Por sua vez, no Brasil, no mesmo período, a relação subiu de 12,9 para 14 e na China, de 6,5 para 8.

“Todo o mundo está convencido de que o mercado da Europa não vai crescer de maneira significativa nos próximos dez ou 20 anos. Por isso, o importante é conseguir avançar nas regiões onde prevemos um crescimento importante”, diz o presidente do grupo PSA Peugeot Citroën no Mercosul, Vincent Rambaud. Para ele, quando se fala em Brasil não se pode separar mercado e produção. “O lugar mais interessante para se produzir carros é onde se pode vendê-los”.

“O mercado do Brasil está em crescimento não apenas porque recebeu incentivos do governo, mas porque tem potencial”, diz o presidente mundial do grupo Renault/Nissan, Carlos Ghosn. “Na relação número de habitantes por veículo o país ainda está muito longe de onde pode chegar”.

O Brasil abriga hoje 16 montadoras de automóveis, ônibus e caminhões, com 26 fábricas espalhadas em oito Estados. Ao ritmo de 3 milhões de unidades por ano, esse parque industrial funciona com ociosidade média de 25%. Os programas de investimentos anunciados nos últimos meses levarão a uma capacidade de 4 milhões em breve. (MO)

27/06/2009 - 10:00h Venda de carros atinge melhor nível da história

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Junho pode superar a marca de 288 mil carros vendidos em julho de 2008

Cleide Silva – O Estado SP

As montadoras estão prestes a fechar o melhor mês da história do setor. Até quinta-feira, foram vendidos no País 241,4 mil veículos novos. As empresas acreditam que, até o dia 30, conseguirão ultrapassar o recorde de 288,1 mil unidades comercializadas em julho do ano passado, incluindo caminhões e ônibus.

O resultado será obtido, em parte, por causa de antecipação de compra de consumidores que temiam o fim do corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os automóveis. Na segunda-feira o governo federal vai anunciar nova prorrogação da medida, em vigor desde meados de dezembro.

Neste fim de semana, quase todas as marcas estão realizando feirões ou ações nas próprias concessionárias ainda com o mote de último fim de semana de IPI reduzido. A medida possibilitou a redução de 5% a 7% nos preços dos carros com motores 1.0 a 2.0. Somado ao imposto menor, fábricas e revendedores ampliaram os descontos e os automóveis estão, em média, 9% mais baratos em relação aos preços sugeridos na tabela de dezembro.

Há casos em que os descontos são maiores. No primeiro feirão que a francesa Peugeot realiza este ano, no estacionamento do Shopping Center Norte, na capital paulista, o compacto 206 1.4 flex é oferecido por R$ 24.990, 19% abaixo do preço de tabela anterior à redução do IPI. O modelo sedã 207 Passion 1.4 flex tem desconto de R$ 2,5 mil e é vendido por R$ 36.990.

A Renault realiza feirão no terreno ao lado do Playcenter, também na zona norte de São Paulo, enquanto Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford optaram por ações nas concessionárias. Somente no segmento de automóveis e comerciais leves, as vendas até o dia 25 somam 232,8 mil unidades, cerca de 15% a mais que em maio.

Com caminhões e ônibus, os negócios chegam a 241,4 mil unidades, enquanto em todo o mês de maio foram vendidos 247 mil veículos. Há vários modelos de carros em falta, com espera de até 40 dias.

O melhor desempenho deste ano foi em março, com 271,4 mil veículos vendidos. Inicialmente, o corte do IPI estava previsto para três meses e deveria acabar no dia 30 daquele mês, quando houve corrida às lojas. O governo federal decidiu manter a desoneração por mais três meses, prazo que venceria na quarta-feira.

Na segunda-feira, em encontro em Brasília com representantes das montadoras e das centrais sindicais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vão anunciar oficialmente a manutenção do corte de imposto para os automóveis e também para os setores da linha branca e materiais de construção, além de incluir máquinas e equipamentos no pacote.

No setor automotivo, um dos entraves está no segmento de caminhões, que também teve o IPI de 5% suspenso no período. Ao contrário do que ocorreu com os automóveis e comerciais leves, com vendas praticamente empatadas com as de igual período de 2008, os negócios com veículos pesados caíram quase 20% neste ano.

Há empresas do segmento de caminhões e ônibus estudando corte de trabalhadores, por isso não querem se comprometer com o governo em manter empregos caso essa contrapartida seja sugerida novamente.

“Não vamos abrir mão de manutenção de empregos”, disse ontem o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. A medida só entrou em pauta quando houve a prorrogação do corte do IPI. Ainda assim, foram fechados este ano 6,4 mil postos de trabalho referentes a contratos temporários vencidos e programas de demissão voluntária.

INADIMPLÊNCIA

Outra preocupação é o constante aumento da inadimplência nos financiamentos de automóveis. Segundo o Banco Central, 5,4% dos contratos estavam com atrasos acima de 90 dias em maio, ante 5,2% em abril. É o maior nível desde 2000.

Pesquisa informal feita em agências de cobrança de São Paulo pela MSantos, especializada no varejo de carros, mostra 20% dos contratos com atrasos de até 30 dias, 12% de 60 a 90 dias e 5,4% acima desse período, o que pode sinalizar para um aumento do calote nos próximos meses.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) ainda não vê o índice de atraso acima de três meses como preocupante. Antes de 2008, contudo, a média estava na casa dos 3,5%.

17/06/2009 - 12:26h Faltam automóveis nas lojas

http://www1.bestgraph.com/gifs/transport/voitures/voitures-05.gifPerto do fim do prazo de redução do IPI, faltam automóveis nas lojas

Modelos de maior saída só têm entrega prevista para julho, quando termina oficialmente a redução do imposto

Cleide Silva – O Estado SP

A duas semanas do fim do prazo oficial de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, modelos de maior saída desapareceram das concessionárias. A maioria dessas versões só tem entrega prevista para julho, quando o benefício terá acabado, caso o governo decida suspender a medida que zerou a alíquota do imposto para modelos 1.0 e cortou à metade a de carros com até 2.0 de potência.

A redução, em vigor desde dezembro, inicialmente teria validade por três meses, mas foi prorrogada por mais três, com prazo de vencimento em 30 de junho. Agora, o governo estuda se mantém o corte – que reduziu os preços dos carros novos entre 5% e 7% -, se aumenta o IPI gradualmente ou se retoma a alíquota normal, de 7% a 13%.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, voltou ontem a dizer que é contra a nova prorrogação e a retomada gradual das alíquotas. Ele defendeu a manutenção do corte apenas para o setor da construção civil, pois a medida iria ao encontro do programa do governo de construção e financiamento de casas populares.

O ministro admitiu, porém, que negociações sobre o tema entre governo, montadoras e sindicatos ainda não começaram, o que deve ocorrer na última semana do mês. “Até o último momento vou dizer que sou contra a prorrogação”, disse Miguel Jorge, ao citar representantes do setor automobilístico que alegam que “toda vez que se fala em prorrogação, diminuem as vendas”.

Na dúvida, os consumidores tentam antecipar compras, mas enfrentam falta de produtos. “Quase todos os modelos têm fila de espera de 20 a 30 dias, com exceção de Palio Fire e Mille Fire”, informou Daniel Queiroga, gerente da revenda Fiat Amazonas, grupo que tem seis lojas na capital paulista.

Na concessionária Toyota Caltabiano, na zona oeste, quase toda a linha Corolla e Hilux só tem entrega para daqui a 30 ou 45 dias, admitiu a gerente Maria de Lourdes Gameiro. “Para pronta entrega só temos algumas versões de menos saída, como Corolla XEi com câmbio mecânico, que custa cerca de R$ 64 mil”. Versões mais sofisticadas, como a de câmbio automático e banco de couro estão em falta. Essa versão está com preço reduzido em R$ 3,2 mil após o corte do IPI e é vendida a R$ 72,4 mil.

Na linha Volkswagen, a maior espera é pelo Voyage 1.0, de 20 a 25 dias, segundo o gerente da Amazon, na zona leste, Marcos Leite. “A fábrica está produzindo o que pode, fazendo horas extras aos sábados, mas não dá conta da demanda”, disse. “Muitos clientes pedem para eu garantir o preço reduzido até a entrega, mas não posso.”

Em outras revendas Volkswagen consultadas pelo Estado, também há fila de até 30 dias para a versão mais barata do novo Gol. A General Motors informou que “há espera em algumas lojas de 15 a 20 dias para Celta, Classic e Prisma”, mas revendas consultadas informaram que também faltam Meriva e Vectra. Na Ford, a espera para Fiesta, Ka e EcoSport é de 10 a 15 dias.

VENDAS EM ALTA

Na primeira quinzena de junho foram vendidos 117,8 mil veículos. Só em automóveis e comerciais leves foram 113,3 mil unidades, 6,4% a mais que em igual período de maio e cerca de 1% acima do volume do mesmo período de 2008. No acumulado do ano, foram vendidos 1,267 milhão de veículos, 3 mil a mais em relação ao ano passado.

A indústria trabalha com expectativa de vendas de cerca de 270 mil veículos até o fim do mês, volume próximo ao de março, quando também houve corrida às lojas por receio do fim da redução do IPI.

A medida foi adotada em meados de dezembro, quando as vendas despencaram em consequência da crise internacional e da falta de crédito. Desde então, as vendas estão praticamente empatadas com as do ano passado, quando não havia crise. O crédito também voltou ao bancos.

Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou a vontade de tornar a redução do tributo uma política permanente para o setor automotivo. Miguel Jorge, porém, acredita que a intenção de Lula é de um plano mais amplo de redução de impostos, mas sem esperar a reforma tributária, ainda longe de solução. O ministro quer ainda que seja tratada de forma isolada a discussão sobre a redução do IPI para carros, produtos da linha branca e material de construção.

03/06/2009 - 15:08h Adeus, GM

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Michael Moore

Michael Moore *, GLOBAL VIEW POINT – O Estado SP

Escrevi isso na manhã do fim da antes poderosa General Motors. Por volta do meio-dia, o presidente dos Estados Unidos tornaria oficial: a GM, tal como a conhecemos, teve perda total.

Enquanto estou aqui sentado no berço da GM, em Flint, Estado de Michigan, estou cercado de amigos e famílias cheios de ansiedade pelo que acontecerá com eles e com sua cidade. Quarenta por cento das casas e negócios da cidade foram abandonados. Imaginem como seria viver numa cidade em que quase metade das casas está vazia. Qual seria seu estado de espírito? É uma triste ironia que a companhia que inventou a “obsolescência planejada” – a decisão de construir carros que se desmantelariam após alguns anos para que o consumidor tivesse de comprar um novo – agora se tornou obsoleta.

Ela se recusou a fabricar automóveis que o público queria, carros mais econômicos, que fossem tão seguros quando poderiam, e fossem expressivamente confortáveis de dirigir. Oh… e que não começariam a se desmanchar depois de dois anos. A GM teimosamente combateu regulamentos ambientais de segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os carros japoneses e alemães “inferiores”, carros que se tornariam o padrão ouro para compradores de automóveis. E ela foi determinada em punir sua força de trabalho sindicalizada, cortando milhares de empregos por nenhuma boa razão além de “melhorar” os resultados financeiros de curto prazo da corporação.

A partir dos anos 80, quando a GM registrou lucros recordes, ela deslocou incontáveis empregos para o México e outros lugares, destruindo assim as vidas de dezenas de milhares de americanos que trabalhavam duro. A flagrante estupidez dessa política foi que, quando eles eliminaram a renda de tantas famílias de classe média, quem vocês acham que seria capaz de comprar seus carros? A história registrará essa trapalhada da mesma maneira como escreve hoje sobre a construção francesa da Linha Maginot ou de como os romanos envenenaram inadvertidamente seu próprio sistema de água com chumbo letal em seus canos.

Então, aqui estamos ao pé do leito de morte da GM. O corpo da companhia ainda não esfriou, e eu me vejo cheio de – ousaria dizê-lo – alegria. Não é a alegria da vingança contra uma corporação que arruinou minha cidade natal e trouxe miséria, divórcio, alcoolismo, sem-teto, debilitação física e mental, e vício em drogas para as pessoas com as quais cresci. Eu não tenho, obviamente, nenhuma alegria em saber que mais 21 mil trabalhadores da GM serão informados de que também eles estão sem trabalho.

Mas os Estados Unidos agora possuem uma empresa automobilística! Eu sei, eu sei… quem, na terra, quer gerir uma montadora de carros? Quem de nós quer 50 bilhões de nossos dólares atirados no buraco sem fundo para tentar ainda salvar a GM? Salvar a nossa preciosa infraestrutura industrial, porém, é outra questão e deve ser uma alta prioridade. Se permitirmos o fechamento e desmantelamento de nossas plantas automotivas, nós dolorosamente desejaremos ainda as possuir quando percebermos que essas fábricas poderiam ter construído os sistemas de energia alternativa de que hoje desesperadamente precisamos. E quando percebermos que a melhor maneira de nos fazer transportar é em trens-bala e de superfície e ônibus mais limpos, como faremos isso se tivermos permitido que nossa capacidade industrial e sua força de trabalho especializada desapareçam?

Tal como fez o presidente Roosevelt após o ataque a Pearl Harbor, o presidente Obama precisa dizer à nação que estamos em guerra e precisamos imediatamente converter nossas fábricas de automóveis em fábricas que produzam veículos de transporte de massa e dispositivos de energia alternativa. Em poucos meses de 1942, em Flint, a GM paralisou toda a produção de carros e usou imediatamente as linhas de montagem para construir aviões, tanques e metralhadoras. A conversão não tomou nenhum tempo. Todos se empenharam. Os fascistas foram destruídos.

Estamos agora num tipo diferente de guerra – uma guerra que foi conduzida contra os ecossistemas e foi movida por nossos líderes corporativos. Essa guerra atual tem duas frentes. Uma tem seu quartel-general em Detroit. Os produtos construídos nas fábricas de GM, Ford e Chrysler estão entre as maiores armas de destruição em massa responsáveis pelo aquecimento global e o derretimento de nossas calotas polares. As coisas a que chamamos “carros” podiam ser divertidas de guiar, mas são como um milhão de adagas no coração da mãe natureza”.

Persistir na sua fabricação só levará à ruína de nossa espécie e de boa parte do planeta.

A outra frente nessa guerra está sendo travada pelas companhias de petróleo contra você e eu. Elas estão empenhadas em nos depenar sempre que puderem, e têm sido as gerentes implacáveis da quantidade finita de petróleo que está localizado sob a superfície da terra. Elas sabem que o estão sugando até o bagaço. E como os magnatas da madeira no início do século 20, que não davam a mínima para futuras gerações quando derrubaram as florestas, esses barões do petróleo não estão dizendo ao público o que eles sabem que é verdade – que existem apenas algumas poucas décadas de petróleo aproveitável. E à medida que os últimos dias do petróleo se aproximam, nos preparar para algumas pessoas muito desesperadas dispostas a matar e ser mortas apenas para pôr as mãos num galão de gasolina.

Há 100 anos, os fundadores da GM convenceram o mundo a desistir de seus cavalos, selas e carruagens para tentar uma nova forma de transporte. Agora chegou a hora de nós dizermos adeus ao motor de combustão interna. Ele pareceu nos servir tão bem por tanto tempo. Nós gostávamos de fazer malabarismos com os carros, tanto sentados no banco da frente como no de trás. Assistíamos filmes em grandes telas ao ar livre, íamos as corridas da Nascar por todo o país. E víamos o Oceano Pacífico pela primeira vez através da janela na Highway 1. E agora isso acabou. Este é um novo dia e um novo século.

*Michael Moore é o cineasta americano de Roger and Me sobre a indústria automotiva americana e Fahrenheit 9/11 sobre a guerra do Iraque. Este artigo foi escrito para o Huffington Post.

27/05/2009 - 13:35h Para a indústria automotiva, sem a redução do IPI, o setor teria deixado de vender 200 mil automóveis e demissões em toda a cadeia

Veículos: Acumulado do ano, até 25 de maio, mostra avanço de 1,06%
Mercado mantém vigor a um mês do fim do IPI menor

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Marli Olmos, de São Paulo – VALOR

O mercado de veículos continua tão aquecido quanto nos cinco primeiros meses do ano passado. O acumulado das vendas de janeiro até a segunda-feira passada ficou em 1,086 milhão de veículos, incluindo os carros de passeio e comerciais. Trata-se de um volume 1,06% maior do que o total de 1,075 milhão de unidades registrado em igual período de 2008.

O resultado das vendas até o dia 25 mostra que maio atendeu às expectativas dos fabricantes de veículos, que esperavam alcançar o volume de 230 mil unidades no mês. O total de licenciamentos até segunda-feira somou 183.883.

Se a média diária de 11.492 unidades até aqui, for mantida nos quatro últimos dias do mês, maio terminará com a venda de 230 mil veículos. Mas, como lembram os vendedores, o movimento nos últimos dias costuma ser mais intenso, o que indica a possibilidade de um volume ainda maior.

O ritmo das vendas indica que maio será para a indústria automobilística muito semelhante a abril, quando foram licenciados 234,4 mil veículos em todo o país.

Numa comparação de dias úteis acumulados no mês – 16 até segunda-feira – com igual quantidade do mês passado, registrou-se em maio um crescimento de 3%. Nos primeiros 16 dias úteis de abril foram emplacados 178,3 mil veículos.

Junho deverá ser ainda mais aquecido, segundo os revendedores, pois trata-se do último mês de incentivo fiscal. Até o dia 30 de junho está valendo o IPI com alíquota zero para carros com motor 1.0 e 50% menor para os modelos com motor entre 1.0 e 2.0.

Oficialmente, os representantes da indústria automobilística dizem trabalhar com a perspectiva do fim do incentivo tributário. Mas representantes das montadoras demonstram interesse em defender a extensão do benefício. Alguns já levantaram a hipótese de o governo concordar com um aumento gradativo da alíquota do imposto.

O principal argumento da indústria é que a redução do IPI foi um instrumento sem o qual o setor teria deixado de vender 200 mil automóveis, o que teria evitado demissões em toda a cadeia.

Na virada do ano, poucos dias depois de o governo reduzir o IPI para automóveis, a indústria tinha mais de 300 mil veículos estocados nas fábricas e nas concessionárias, volume suficiente para dois meses de vendas.

Com o incentivo fiscal pelo menos na primeira metade do ano, os fabricantes estimam vendas totais de 2,7 milhões de veículos em 2009. Isso representará uma queda de 4% na comparação com o mercado de 2008. Mas alguns dirigentes das montadoras dizem que o volume pode ser menor se o incentivo fiscal for retirado em junho.

19/05/2009 - 11:26h Vendas de veículos novos atingem a marca de 1 milhão

Apesar da crise, marca foi atingida um dia antes do que no ano passado

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Cleide Silva – O Estado SP

As vendas de veículos novos no País este ano chegaram a 1 milhão de unidades um dia antes de essa marca ter sido atingida em 2008, ano recorde de vendas para a indústria automobilística. Foram necessários 91 dias úteis de licenciamentos para alcançar 1,02 milhão de unidades, volume registrado na quinta-feira. No ano passado, sem nenhum sinal de crise financeira, foram 92 dias para atingir esse desempenho.

Na sexta-feira, as vendas acumuladas desde janeiro somavam 1,014 milhão de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, ante 1,032 milhão de unidades no ano passado, uma queda de apenas 1,8%.

Somente na primeira quinzena de maio foram licenciados 111,4 mil veículos, 18,6% menos que em igual período de abril e 9,7% menor que o resultado do mesmo mês de 2008, de acordo com fontes do setor automotivo com base nos números do Registro Nacional de Veículos (Renavan).

O mercado brasileiro de modelos zero-quilômetro tem sido mantido pelo corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a volta de planos de financiamento com prazos mais longos e juros mais baixos e descontos extras oferecidos pelas montadoras e concessionárias. Essas medidas, porém, não tiveram o mesmo efeito no segmento de caminhões e ônibus, que não está reagindo.

A indústria automobilística projeta para este mês vendas de 230 mil veículos, muito próximo do volume registrado em abril, de 234,4 mil unidades. Para o ano, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê vendas totais de 2,7 milhões de unidades, 4% menos que em 2008, quando foram vendidos 2,82 milhões de veículos.

O presidente da Anfavea, Jackson Schneider, acredita ser possível chegar a esse volume mesmo que a redução do IPI, em vigor desde meados de dezembro para modelos com motores até 2.0, termine em 30 de junho, conforme está previsto pelo governo federal.

As principais montadoras do País – Fiat, Ford, GM e Volkswagen -, porém, acham que esse volume só será atingido se o governo prorrogar o corte do imposto até o fim do ano. Do contrário, as apostas variam de 100 mil a 300 mil unidades a menos, de 1,4 milhão a 1,6 milhão de veículos. “A posição que temos até agora é de que o IPI voltará ao normal em 1º de julho”, disse Schneider. “É com esse cenário que trabalhamos.”

04/05/2009 - 12:37h O ponto G no futuro do presidente Lula Sergio Leo

Sergio Leo – VALOR

Quase dois anos depois de ter anunciado que procurava chegar ao “ponto G” das negociações comerciais, com o então presidente dos EUA, George Bush, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pensou que aproveitaria, por algum tempo, o momento G-20, de consenso entre as vinte principais economias do mundo sobre as medidas contra a crise internacional. O anúncio, na quinta-feira, da concordata da gigante automotiva Chrysler, nos Estados Unidos, mostra, porém, que o mundo ainda não superou o ponto GM – de General Motors, uma das empresas, que se sucedem de maneira preocupante no noticiário sobre a resistência da crise no setor produtivo.

O mergulho das vendas nas montadoras de automóveis americanas já anunciava problemas no setor meses antes do colapso financeiro internacional, no ano passado. Executivos das companhias automotivas nos EUA já levavam ao governo pedidos de socorro para saírem dos problemas criados por anos de decisões equivocadas na produção de carros de alto consumo e índices anacrônicos de emissão de gases poluentes. Mas a concretização da concordata da Chrysler serve para lembrar os avisos sombrios do FMI em abril, quando seus dirigentes previram perdas de US$ 4,1 trilhões no setor financeiro dos EUA, Europa e Japão, com a queda no valor dos ativos nessas economias.

Não há confiança que resista a uma maré de más notícias, e o mercado internacional parece guardar várias, para soltá-las pouco a pouco. Após a quebra da Chrysler, as ações de outras companhias automobilísticas subiram no mercado, mas só porque os investidores perceberam que, mais uma vez, a mão generosa do Estado está pronta para socorrer o setor privado de seus próprios erros. Compraram barato para vender depois da ajuda estatal.

O prêmio Nobel, Paul Krugman, defendeu o direito do governo Barack Obama de interferir na remuneração dos executivos financeiros porque eles se tornaram uma espécie de empregado estatal; agora pode dizer o mesmo dos funcionários de uma das maiores montadoras americanas, a primeira, como lembrou o New York Times, a pedir concordata desde a Studebaker, em 1933. O desejado intervencionismo obamista tranquiliza, ao evitar o pior, mas não tem o poder de extinguir o temor de novas fontes de turbulência.

Afinal, ainda está na mesa do presidente Obama o pedido da GM para que o governo americano se torne o sócio majoritário da companhia, evitando que ela também entre em concordata em julho. Não é nenhum alívio para a cadeia de fornecedores das 11 fábricas cujo fechamento já foi anunciado pela companhia. O FMI e outros analistas afirmam que ainda é delicada a situação dos bancos nos países desenvolvidos. Quem precisa de crédito, por esses dias, sabe do que eles estão falando.

Há garantias de que a crise das montadoras nos EUA não chegará às subsidiárias em outros pontos do mundo, como o Brasil. É difícil imaginar novas ondas de investimento no setor, porém. No ponto GM, onde se encontra o setor, os tempos ainda são de redução de estoques no Brasil.

Recente sondagem industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontava um índice de utilização da capacidade instalada na indústria automotiva de 64%, um dos mais baixos da história recente e inferior aos 68% da média na indústria. Quando consultados se os estoques estariam de acordo com o planejado, a grande maioria dos empresários do setor também indicou estoques superiores ao desejado, num grau de insatisfação também maior que o da média da indústria de transformação.

A mesma sondagem mostrou que as grandes empresas, as mais antenadas, já apostam em aumento de demanda nos próximos meses, no Brasil. Esse otimismo (a CNI prefere falar em “menor pessimismo”) se reflete em indicadores como o Índice de Confiança da Indústria, medido pela FGV, que também mostrou, pela quarta vez seguida, uma recuperação em março, superando o nível a que havia despencado em novembro. Esse indice mostra que os empresários já falam em aumentar a produção. Não encoraja, porém, previsões de aumento do investimento.

É um consenso entre os especialistas que o Brasil pode sair da crise em melhores condições do que entrou, mas também é evidente que isso dependerá de investimento, de aumento da capacidade de produção e da eficiência nesse parque produtivo nacional. O Ipea alertou, na semana passada, em seu comunicado da presidência, para a necessidade de incluir, ao lado do Programa de Aceleração de Crescimento, com suas obras de infraestrutura, um plano de melhoria da logística, para permitir um uso mais competitivo das obras, quando ficarem prontas.

É a perspectiva de superação da crise e de melhor competitividade da economia brasileira que transmutará em investimentos o ligeiro aumento de confiança da indústria. Os dados disponíveis até agora mostram redução no ritmo de ampliação da capacidade produtiva. Com base nos indicadores, principalmente o de produção física do IBGE, e informações como a utilização da capacidade instalada, a CNI prevê uma queda forte, de 4,4%, em vez do aumento esperado pelo governo na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, indicador do volume de compras de máquinas e equipamentos e de construção de instalações físicas da indústria).

Essa queda nos investimentos para aumentar a capacidade de produção deve contribuir com menos 0,8% para o comportamento do Produto Interno Bruto, equivalente à contribuição de mais 0,8% proporcionada pelo consumo do governo, na previsão da CNI, de estagnação (0%) do PIB em 2009.

Para evitar a concretização dessa previsão pessimista, a economia terá de multiplicar fatos positivos, como o aparente consenso em torno do combate à crise, alcançado precariamente na reunião do G-20. E casos como o incerto destino da GM terão de dar lugar a notícias que aumentem a confiança na capacidade de recuperação da economia americana. Oscilando entre esses dois pontos G, a economia brasileira tem apenas o apoio do ainda resistente mercado interno, de quem o governo terá de cuidar com atenção redobrada.

Sergio Leo é repórter especial em Brasília

E-mail sergio.leo@valor.com.br

03/05/2009 - 13:28h EUA vivem grande onda de estatização

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Depois de bancos e seguradora, governo deve entrar em montadoras

Patrícia Campos Mello – O Estado SP

Em pouco mais de seis meses, o governo dos Estados Unidos se tornou sócio de duas empresas de hipoteca, a Fannie Mae e a Freddie Mac, uma seguradora, a AIG, vários bancos e em breve deve ter participação em duas montadoras, Chrysler e General Motors. O presidente Barack Obama afirma que o objetivo do maior país capitalista do mundo não é estatizar e administrar empresas privadas.

“Somos acionistas que querem sair. Não quero administrar montadoras ou bancos. Já tenho duas guerras para administrar. É o suficiente”, disse,durante entrevista na semana passada. “Assim que a situação se estabilizar e a economia estiver menos frágil, vamos sair e achar investidores privados.”

Mas economistas à esquerda e à direita acreditam que será bem complicado o governo se desembaraçar de suas participações acionárias. Segundo eles, o país deve manter seu título de “Estados Socialistas da América” por um bom tempo.

“É como na guerra do Iraque: eles entraram, mas não têm uma estratégia de saída”, compara William Shughart II, professor de Economia da Universidade do Mississippi e pesquisador do Independent Institute, entidade que apoia o livre mercado. “Suponho que o governo queira ter algum retorno sobre esse dinheiro que pôs nas empresas e, para isso, essas companhias precisam sair do vermelho, o que vai demorar muito tempo”, diz. “Se o governo sair muito rápido, o contribuinte vai arcar com enorme prejuízo.”

Dean Baker, codiretor do Center for Economic and Policy Research, entidade de esquerda, concorda. “O governo vai ter de manter essas participações nas empresas, no mínimo, até 2011, 2012.”

O pior é que, para o contribuinte, se trata de um péssimo negócio. “Se o governo fosse o administrador da minha carteira, já estava despedido. Imagine investir em GM, Chrysler, Bank of America e Citibank”, diz Sydney Finkelstein, professor de administração no Dartmouth College e autor do livro Pense de novo: porque bons líderes tomam decisões erradas.

O maior desafio a partir de agora é conciliar os interesses como acionista – o maior lucro possível para a companhia – e como governo – pode ser aumentar o emprego, o crédito e outros. “O governo pode se focar em resultados políticos em vez de lucro”, diz Baker. “Por exemplo, a Casa Branca pode decidir que a GM e a Chrysler devem se concentrar na produção de carros elétricos, mesmo que isso não dê lucro no curto prazo, porque ajudaria na redução da emissão de poluentes, um grande objetivo de Obama.”

Apesar de dizer que não quer administrar as empresas ou influenciar no dia a dia das operações, a Casa Branca já está imprimindo sua marca nas companhias. Para começar, defenestrou Rick Wagoner, ex-presidente da GM.

Estabeleceu limites de remuneração após os escândalos dos bônus na AIG e está fazendo o mesmo na Fannie Mae e Freddie Mac. O governo comprometeu US$ 400 bilhões com essas duas empresas – e quer ter certeza de que estão cumprindo sua função “social” de reativar o mercado imobiliário com financiamentos de juros mais baixos, ainda que essa não seja a melhor opção em termos de rentabilidade. As companhias já advertiram que isso vai afetar seus resultados.

Em última instância, o governo está recompensando quem mais errou. A Ford, por exemplo, será vítima de competição desleal da Chrysler e da GM. A Ford não recebeu injeção de recursos do governo porque não estava tão mal quanto as outras duas grandes de Detroit. Agora, o governo está subsidiando seus concorrentes. “É como se fosse um imposto implícito sobre a Ford”, diz Dan Ikenson, diretor associado do Cato, instituto libertário. Ikenson, como outros conservadores, está preocupado com a “guinada socialista do governo”.

Hoje em dia, diz Ikenson, somando-se os US$ 700 bilhões do plano de resgate aos bancos (o Tarp, de onde saiu boa parte das injeções de capital no sistema bancário), o pacote de estímulo de cerca de US$ 787 bilhões e o orçamento de US$ 3,5 trilhões, o governo está como investidor ou garantidor de cerca de US$ 5 trilhões – mais de um terço da economia americana, cujo PIB é de US$ 14 trilhões.

Na opinião de conservadores, o governo deveria ter deixado várias empresas e bancos quebrarem, como parte da chamada destruição criativa do livre mercado, em vez de manter companhias zumbis que vão atrasar a recuperação da economia. Para economistas de esquerda e para a Casa Branca, Obama não tinha opção. Era arriscado demais deixar empresas ou bancos quebrarem – e isso ficou claro após o contágio causado pela quebra do banco Lehman Brothers.

Além do mais, perder milhares de empregos na maior crise desde 1930 não seria politicamente sustentável. “O governo Obama está assumindo o controle das empresas porque a alternativa seria um desastre para a economia”, diz Baker.

O problema, para alguns, é a moda pegar. “A Casa Branca abriu a porteira e agora vem aí a boiada”, afirma Shughart. “O governo federal perdeu a credibilidade de dizer que não vai mais resgatar ninguém. Estão fazendo fila para pedir dinheiro, as empresas de autopeças são as próximas”, avalia.

14/04/2009 - 12:31h Vendas do setor automotivo em março é o melhor resultado para o mês em todos os tempos

Montadoras retomam nível pré-crise

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Unidades da GM e da Volks ampliam horas extras e trabalham em ritmo acelerado para atender a demanda gerada pela redução de IPI

Vendas do setor automotivo em março chegaram a 271 mil unidades, melhor resultado para o mês em todos os tempos

FÁBIO AMATO DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS DIMITRI DO VALLE DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA

Pouco mais de seis meses após o agravamento da crise financeira, que derrubou as vendas e a produção de carros no Brasil, funcionários de montadoras já fazem horas extras para atender à demanda por automóveis, aquecida pela redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
Entre janeiro e março, a indústria automotiva registrou forte crescimento e, em pelo menos duas fábricas -uma da Volkswagen e outra da GM-, o ritmo de produção já é igual ao do período pré-crise. O número de empregos no setor, entretanto, continuou caindo no período (veja texto na Folha).
Em março, o setor automotivo registrou o melhor resultado de vendas para um mês de março. Foram 271.494 veículos vendidos -incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus-, 17% a mais que em igual período de 2008. O primeiro trimestre também foi o melhor da história para a indústria, com o emplacamento de 668.314 veículos.
Na fábrica da Volkswagen em Taubaté (SP), de onde saem os modelos Gol e Voyage, a produção já retomou o ritmo do período anterior à crise -cerca de 1.050 carros por dia. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Isaac do Carmo, disse que, de janeiro a março, os funcionários da planta trabalharam nove sábados (a jornada normal é de segunda a sexta).
Para este mês, foi assinado acordo entre o sindicato e a empresa que prevê o funcionamento da fábrica em três sábados e dois feriados. Carmo disse que, em março, 280 trabalhadores foram efetivados ou tiverem o contrato renovado.
Situação semelhante vive a fábrica da GM em Gravataí (RS), onde são produzidos os modelos Celta e Prisma. Segundo o presidente do sindicato dos metalúrgicos local, Valcir Ascari, os cerca de 4.500 empregados estão fazendo 22 minutos de hora extra por dia, além de trabalharem dois sábados por mês, jornada igual ao do período pré-crise.
A produção na unidade, disse Ascari, também voltou aos níveis de setembro, com cerca de 880 carros por dia. “A produção aqui está bombando. Temos a informação de que já tem até fila de espera para comprar Celta e Prisma”, afirmou ele. “Acho que o governo deve estender a redução do IPI enquanto tiver rumores de crise.”
Nas fábricas da GM em São José dos Campos e São Caetano do Sul (ambas em SP), a produção já atinge os níveis de 2007 e também há setores em que os funcionários fazem horas extras, informam os sindicatos dos metalúrgicos.
Na unidade de São José dos Campos, onde em janeiro a GM fez um corte de 744 funcionários, a produção, que no auge da crise caiu a 500 carros por dia, está agora em cerca de 780.
A direção do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim (MG) diz que a fábrica da Fiat vem dando expediente também aos sábados para aumentar a produção, o que motivou uma denúncia na Delegacia Regional do Trabalho. Segundo o presidente do sindicato, Marcelino da Rocha, a inclusão dos sábados não estava prevista em acordo e os trabalhadores não estão recebendo pelas horas a mais. O dirigente disse que em 2009 a montadora já acionou os funcionários para cumprir jornada extra em nove sábados.
A assessoria da Fiat diz que foram trabalhados quatro sábados e que “há um saldo de horas não trabalhadas a compensar”.
A Fiat tem produção de 2.700 unidades por dia, segundo o sindicato dos trabalhadores, ante a média de 3.100 veículos fabricados até outubro.
Na unidade da Ford em Camaçari (BA), a produção está em 800 carros por dia, segundo o sindicato dos metalúrgicos. O pico diário da produção, antes da crise, foi de 912 carros.

02/04/2009 - 08:59h Montadoras têm melhor trimestre da história

Com o corte do IPI, as vendas chegaram a 668 mil veículos, alta de 3,14% em relação ao ano passado

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Cleide Silva – O Estado SP

Março foi o segundo melhor mês da história da indústria automobilística brasileira, com vendas de 271,4 mil veículos, incluindo caminhões e ônibus. Em relação ao mesmo mês de 2008, foi registrado crescimento de 16,9%. Na comparação com fevereiro deste ano, o aumento foi de 36,1%. O melhor mês até agora é julho passado, com 288,1 mil carros vendidos.

Empresários do setor admitem que parte do desempenho se deve a antecipação de compras de consumidores que não confiavam na renovação do acordo de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que venceria em 31 de março e foi estendido até 30 de junho, conforme anúncio do governo federal feito na segunda-feira. A medida permite preços entre 5% a 7% mais baixos para modelos com motor 1.0 até 2.0.

De janeiro a março, as vendas somaram 668,3 mil veículos, um aumento de 3,14% ante os mesmos meses do ano passado e o melhor resultado já obtido para esse período. Os dados, na visão de executivos, comprovam as previsões de que o Brasil sofreria menos com a crise internacional. Nos Estados Unidos, as vendas de carros despencaram 40% na comparação com março de 2008.

A ajuda recebida do governo, que além do benefício tributário incluiu a liberação de crédito para financiamento, também foi fundamental para o desempenho. “O impacto da redução do IPI, no entanto,vai começar a se diluir nos próximos meses”, diz o presidente da General Motors, Jaime Ardila. Para ele, as vendas nesse trimestre devem ficar na casa das 230 mil unidades ao mês.

Segundo Luiz Carlos Andrade, vice-presidente da Toyota, entre 20% a 30% das vendas em março foram antecipação de compra. “Abril será um mês morno, maio será mais quente e em junho vamos retomar (as vendas nos níveis do mês passado)”, prevê o executivo. Ele não quis fazer projeções para o ano. Ardila aposta em vendas de 2,4 milhões a 2,5 milhões de veículos, entre 11% a 15% menor que em 2008 por levar em conta um segundo semestre mais fraco que o anterior.

Só em automóveis e comerciais leves foram vendidos em março 261 mil unidades, 36,4% acima do volume de fevereiro e 11,6% maior que o de igual mês de 2008. No trimestre, as vendas cresceram 3,9% ante o ano passado, para 642,4 mil unidades. Fiat e Volkswagen travam disputa acirrada pela liderança no mercado, com 152,7 mil unidades vendidas pela primeira e 151,7 mil pela segunda. Depois vem a GM, com 123,3 mil veículos.

30/03/2009 - 17:18h Governo Lula enfrentando a crise: desoneração de impostos para carros e construção. Acordo com montadoras para evitar demissões

Anticrise

Governo reduz impostos para carros, motos, cimento e aumenta taxação de cigarros

 

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O Globo, com Valor e Reuters

SÃO PAULO – O governo brasileiro divulgou nesta segunda-feira novas medidas anticrise que preveem a ampliação, por mais três meses, da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e caminhões, iniciada em dezembro; a suspensão da cobrança de Cofins (3%) para motocicletas; a redução de impostos para construção civil e o aumento do IPI e do PIS/Cofins sobre cigarros.

- Esta medida foi muito bem-sucedida, porque houve uma recuperação rápida da atividade. A indústria automotiva é importante para o país, porque é uma cadeia produtora que chega a representar 23% do PIB industrial – disse Mantega.

Esta medida foi muito bem-sucedida, porque houve uma recuperação rápida da atividade


As medidas, anunciadas em São Paulo pelos ministros da Fazenda, Guido Mantega, do Desenvolvimento, Miguel Jorge, e pelo presidente em exercício, José Alencar, entram em vigor no dia 1º de abril, com exceção do aumento do IPI sobre o cigarro, que entra em vigor em 30 dias.

Segundo Mantega, o aumento da taxação dos cigarros deve gerar alta de cerca de 30% no preço final do produto. O valor da nova alíquota do IPI para o cigarro ainda não foi definido.

O ministro da Fazenda acrescentou que, desta vez, em conjunto com o benefício fiscal, haverá um acordo com as montadoras para a não demissão dos trabalhadores.

O pacote de medidas, segundo Mantega, representará uma renúncia fiscal do governo de R$ 1,5 bilhão

O aumento do preço do cigarro é uma vantagem porque, a rigor, reduz a capacidade de compra de cigarro pelo fumante. Se ele fuma menos, está prejudicando menos sua saúde


- O aumento do preço do cigarro é uma vantagem porque, a rigor, reduz a capacidade de compra de cigarro pelo fumante. Se ele fuma menos, está prejudicando menos sua saúde, e isso é bom também – disse Alencar, que se recupera de uma cirurgia para retirada um tumor no abdômen.

Mantega anunciou também que haverá redução do IPI para diversos itens de segmento de construção, como cimento (de 4% para zero), tintas e vernizes (5% para zero), revestimento não-refratário (5% para zero), massa de vidraceiro (10% para 2%) e chuveiro elétrico (5% para zero), entre outros.

Para as motocicletas, haverá diminuição da alíquota da Cofins. O objetivo do governo é reduzir preços para compensar a redução do crédito bancário.

- O setor de motos não tem, como o de automóveis, bancos das montadoras e depende do crédito bancário – explicou o ministro Miguel Jorge.

Ainda como incentivo fiscal, Mantega comunicou a redução da alíquota de Imposto de Renda para as pessoas jurídicas instaladas na Zona Franca de Manaus, bem como para as empresas do setor de papel e celulose e para a fabricação de materiais escolares, como lápis, canetas, apontadores e lapiseiras.

Sindicalistas negociaram condiçõesSindicalistas disseram que negociaram a inclusão da questão do emprego com os ministérios da Fazenda, do Planejamento e do Trabalho. Segundo José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da General Motors no Brasil, o acordo permite a implementação de Programa de Demissão Voluntária e também a demissão de trabalhadores temporários ao fim de seus contratos.

- É o preço do acordo – disse Pinheiro Neto, acrescentando que houve muita negociação e que o entendimento só foi fechado na tarde da última sexta-feira.

28/03/2009 - 13:38h Corte de IPI de carro é prorrogado

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Cleide Silva – O Estado SP

Uma manhã de conversas ao telefone entre sindicalistas, dirigentes de montadoras e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, selou ontem a renovação do acordo de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os carros por mais três meses. O anúncio oficial será feito na segunda ou terça-feira, pois depende da agenda dos envolvidos nas negociações.

O governo já vinha manifestando intenção de renovar a medida, que ajudou as montadoras a venderem, em plena crise, mais veículos no primeiro trimestre deste ano do que em 2008. O impasse estava na contrapartida a ser exigida, de manutenção de empregos, sugerida pelas centrais sindicais. Só em janeiro e fevereiro as montadoras cortaram 4 mil vagas.

As fabricantes concordaram, desde que ficassem de fora os trabalhadores com contratos temporários. Os sindicalistas encontraram uma “frase mágica” para endossar o acordo, que terá cláusula afirmando que “os contratos temporários serão cumpridos”. Ou seja, aqueles que vencerem nos próximos três meses não serão renovados, pois tinham validade por um ano. A abertura de programa de demissão voluntária está liberada.

O corte do IPI em meados de dezembro e com validade inicial até 31 de março foi adotado para reduzir o efeito da crise financeira nas vendas de carros no País, que despencaram nos últimos meses de 2008. Apesar de ter provocado queda de 90% na arrecadação do imposto, a medida é vista como uma das poucas anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com resultado efetivo.

O primeiro trimestre deve ser fechado com vendas próximas a 655 mil veículos, 1% a mais do que em igual período de 2008, quando somaram 647,9 mil unidades. No segmento de automóveis e comerciais leves, o mais beneficiado pela medida, o aumento deve ficar perto de 2%, com 630 mil unidades.

Os estoques nos pátios das fábricas e das revendas, que chegaram a 305 mil veículos em dezembro, equivalentes a 56 dias de vendas, baixaram no mês passado para 181 mil unidades, ou 27 dias de comercialização.

A alíquota do IPI, que era de 7% para carros 1.0, permanecerá isenta. Para modelos 1.4 até 2.0, ficará em 5,5% para motores flex e 6,5% para a gasolina, metade da alíquota normal. Com o novo imposto, os preços dos carros caíram em média de 5% a 7%.

FEIRÕES

Com o anúncio da prorrogação só a partir de 2ª-feira, o governo não vai atrapalhar as campanhas das montadoras neste fim de semana, que usam como atrativo a última oportunidade para comprar carro com IPI reduzido.

A Volkswagen faz feirão hoje e amanhã na fábrica Anchieta e na área ao lado do Playcenter com o slogan “Último fim de semana de IPI reduzido”. A Fiat fará ações nas lojas de todo o País e divulga anúncios com a chamada “Aproveite o último fim de semana com IPI reduzido e condições especiais.”

27/03/2009 - 10:51h Governo Serra: ICMS paulista desconsidera desconto na venda de carros

Ricardo Benichio/valor

Guilherme Silva, da Fazenda: “Revendedor deve pedir nova lista às montadoras”

 

Marta Watanabe, de São Paulo – VALOR

O alívio de custos trazido pela isenção de IPI concedida pelo governo federal para os automóveis tem sido, na prática, neutralizado em parte para as revendedoras paulistas por uma recente mudança da lei estadual do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Desde janeiro, São Paulo impede a restituição do ICMS pago a mais por substituição tributária pelas montadoras, o que tem, segundo o setor, elevado a carga tributária do imposto. Algumas concessionárias já estudam contestar a restrição e outras já foram ao Judiciário.

O ICMS por substituição tributária sobre automóveis é antecipado pelas indústrias com base nos preços sugeridos pela fábrica. Até o ano passado, quando o valor de venda efetivo ao consumidor estava abaixo do da tabela, a concessionária conseguia de volta o imposto que havia sido pago a mais na antecipação da indústria. A partir de janeiro, porém, essa restituição não é mais concedida pela Fazenda de São Paulo aos varejistas. A mudança afetou especialmente as concessionárias de veículos.

O problema é que em função das ofertas e feirões que jogaram para baixo os preços dos veículos no varejo, a defasagem entre o preço sugerido pela montadora e o efetivamente cobrado do consumidor final aumentou. Como resultado, aumentou a diferença entre o ICMS antecipado com base no preço sugerido e o que seria efetivamente devido de acordo com o preço da concessionária. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, (Fenabrave), os valores de veículos novos atualmente estão 10% abaixo do que era praticado em setembro. O Estado de São Paulo participa com 61% da venda de veículos novos em todo o país.

“Como essa diferença não é mais restituível, a carga tributária das concessionárias, na prática, aumentou. É como se tivessem elevado a alíquota de ICMS em São Paulo”, diz Sérgio Reze, presidente da Fenabrave. “Como é impossível repassar esse custo ao consumidor neste momento, as revendedoras estão realmente pagando um ICMS maior.”

Algumas concessionárias já foram ao Judiciário para questionar a restrição. Uma revendedora da marca Fiat que questionou o assunto alegou defasagem de preços de R$ 2 mil a R$ 5 mil por veículo, conforme o modelo de carro. Tal defasagem foi apontada por pesquisa de preços divulgada em publicação especializada e também alegada no processo com base nas notas de entrada e saída da concessionária.

A empresa conseguiu liminar na 1ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo. O advogado Almério Antunes de Andrade Júnior, do escritório Andrade e Gattás Advogados, que já entrou com oito ações contestando a mudança, alega que a diferença de valores entre o preço da fábrica e o cobrado pela varejista configura confisco. A liminar foi dada pelo juiz levando em consideração a anterioridade de 90 dias que não teria sido respeitada pela Fazenda. Por essa regra, as medidas que resultem em aumento do imposto só podem fazer efeito 90 dias após a sua publicação.

Douglas Rogério Campanini, da ASPR Auditoria e Consultoria, diz que a medida afeta sensivelmente a carga de ICMS do segmento. Uma pequena revendedora que o escritório atende, por exemplo, vendeu no mês de fevereiro um total de 29 automóveis. O total da diferença entre o preço praticado ao consumidor e o valor sugerido e usado como cálculo do imposto antecipado foi de R$ 212 mil. Isso quer dizer que cada veículo foi vendido, em média, a um preço R$ 7,3 mil menor do que o usado para antecipação do ICMS.

A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo diz que a legislação em vigor determina que o ICMS antecipado por substituição sobre automóveis deve ser calculado sobre o preço sugerido pela fábrica. “Essa é a determinação da regulamentação em vigor no Estado”, diz Guilherme Rodrigues Silva, coordenador adjunto de administração tributária da Fazenda. Segundo ele, os preços fornecidos pelas montadoras podem ser alterados a qualquer momento. “Caso a defasagem esteja acontecendo, as revendedoras devem pleitear às indústrias a revisão dos preços de suas tabelas.” Silva diz ainda que São Paulo está apenas seguindo uma prática já adotada pelos demais Estados, de não conceder a restituição do ICMS antecipado por substituição tributária.

Para o tributarista Marcelo Botelho Pupo, do escritório Queiroz e Lautenschläger Advogados, que estuda o assunto para algumas concessionárias, a sugestão da Fazenda não é tão simples de ser acatada. “As concessionárias não têm grande poder de negociação com montadoras e os preços são sugeridos pelas fábricas de acordo com o nicho de mercado que as indústrias querem atingir com cada modelo.”

Pupo acredita que a restrição à restituição pode ser questionada judicialmente. O grande entrave é a existência de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, ainda em julgamento no Supremo Tribunal Federal, que analisa se a vedação à restituição é válida ou não. No caso de São Paulo, porém, acredita ele, seria possível o questionamento porque a legislação permite o ressarcimento para os casos em que o ICMS é definido de acordo com preços de pauta fiscal, uma outra forma de aplicação da substituição tributária. Um argumento possível, portanto, seria de que a lei traz tratamento desigual.

27/03/2009 - 10:33h Venda de veículos no primeiro trimestre vai superar 2008

Anna Carolina Negri / Valor

Baltar Jr, gerente de marketing da Ford: “o IPI reduzido tirou as incertezas e trouxe energia para o mercado”

 

Marli Olmos, de São Paulo – VALOR

As vendas de veículos neste trimestre ficarão acima das registradas no mesmo período do ano passado. Além disso, a indústria automobilística terá de manter o ritmo de produção acelerado em abril porque o apelo do IPI mais baixo fez os estoques baixarem a um volume inferior ao necessário para as montadoras poderem trabalhar sem filas de espera nas revendas.

Do início de janeiro até o dia 25 deste mês foram vendidos no país 606,7 mil veículos, o que representou elevação de 2,8% na comparação com igual período de 2008. Mantida a média diária de vendas – uma projeção modesta para um fim de mês – o trimestre fechará com pelo menos 653 mil veículos vendidos. Nos primeiros três meses de 2008, o volume somou 647,9 mil unidades.

O consumidor não arriscou contar com a prorrogação do IPI reduzido para além do dia 31, como determina o decreto que concedeu o benefício fiscal, em meados de dezembro. Muitos anteciparam compras que fariam mais tarde. É o caso da publicitária paulista Cibele Adriana. Ela conta que pretendia comprar um novo automóvel no fim do ano, seguindo a sua rotina de trocar o carro a cada quatro anos. Mas não resistiu à oferta de um preço mais baixo por conta do IPI.

Cibele trocou sua Ecosport 2005, pela qual pagou R$ 50 mil à época, por outra do mesmo modelo novinha, com motor mais potente, assentos em couro e ainda o sonho da publicitária: um câmbio automático. Preço da nova: R$ 57 mil. “Quando voltei de férias e soube da redução do IPI decidi antecipar a compra”, conta.

A maior surpresa de Cibele foi constatar que a prestação do financiamento do carro novo baixou R$ 100 em relação ao que ela pagava no antigo. Ambos foram financiados em 48 meses.

A época em que o IPI baixou coincidiu com melhores oportunidades para o financiamento, o que deu ainda mais força ao ritmo das vendas. Quando a crise no crédito se agravou, os bancos resistiam aos pedidos de financiamentos mais longos. No último bimestre de 2008, a maior parte dos contratos era fechada com prazos entre 24 e 36 meses. Mas agora ficou mais fácil encontrar financiamento em 48 e até 60 meses. “Planos de 48 meses são o nosso best-seller”, afirma o gerente de marketing da Ford, Antonio Baltar Jr.

Quando há oportunidades de prazos mais longos, o vendedor acaba estimulando o cliente a optar por esses planos para convencê-lo a levar um modelo mais caro ou um zero-quilômetro no lugar de um usado.

Na primeira quinzena deste mês, as vendas da Ford cresceram 47,3% na comparação com igual período de 2008. Baltar lembra que agora a empresa não está mais presa aos problemas de capacidade que encontrava antes da crise, quando o ritmo de vendas estava muito mais acelerado que o de hoje. Com mais fôlego, a montadora conseguiu elevar a sua participação no mercado de 10% para 12%.

As melhores condições para o financiamento começaram a atrair também locadoras de veículos, que haviam suspendido as compras desde o fim do ano passado. Paulo Soares, franqueado da rede Avis em Salvador, costumava comprar carros todos os meses para renovar a frota. Mas a crise no crédito o levou a suspender as compras. “Agora os bancos sinalizam querer voltar a emprestar”, diz. “Chegou a hora de voltar ao mercado”, completa.

Soma-se a isso uma reação na valorização do carro seminovo, fator importante para ativar o mercado dos modelos novos

Pode ser até que a velocidade nas vendas diminua, a partir de agora, com a perspectiva de o IPI reduzido ser estendido por mais três meses. Mas, mesmo assim, a indústria terá de manter a produção acelerada, porque os estoques baixaram nos últimos dias. O número de veículos nas concessionárias e pátios das fábricas está hoje em torno de 175 mil unidades. Isso equivale a 20 dias de vendas, volume considerado baixo pelo setor, que precisa contar com folga maior para evitar a falta de modelos nas lojas.

O estoque está bem abaixo daquele que levou montadoras e fabricantes de autopeças a recorrer a férias coletivas e corte de pessoal para baixar a produção, no final do ano passado.

Em dezembro, os estoques passavam das 305 mil unidades, o que equivale dizer que a indústria poderia vender sem produzir por mais de 50 dias. Na sequência, os volumes em estoque baixaram para mais de 200 mil e agora caíram mais ainda. É por isso que algumas empresas tiveram de antecipar a volta de empregados que estavam em casa, em licença remunerada.

A necessidade agora de abastecer a rede de concessionárias se reflete na cadeia de fornecedores. A TRW trabalha hoje num ritmo equivalente a 80% do que estava um ano atrás, conta o diretor Wilson Rocha.

O bom desempenho do mercado interno em março foi uma das causas da queda nos estoques. Até o dia 25 deste mês, foram vendidos no país 209,9 mil veículos. Levando em conta a média de vendas ao longo do mês, de 11, 6 mil unidades por dia, março fechará com um volume em torno de 256 mil unidades, o que equivale a um crescimento em torno de 10% em relação a igual mês de 2008.

Março foi um bom período para a venda de automóveis. Além do apelo do IPI menor, o mês teve 22 dias úteis, o que é melhor para as vendas do que meses como abril, em que o número de dias úteis diminuirá por conta dos feriados.

“O IPI reduzido tirou as incertezas, trouxe energia para o mercado”, destaca Baltar, da Ford. O benefício também fez os executivos trabalharem mais. “Em 30 anos de indústria nunca pilotei tão rápido como agora. Em apenas três meses mudamos a programação oito vezes”, conta o diretor de marketing da Renault, Cássio Pagliarini.

08/03/2009 - 13:00h Metalúrgicos festejam volta à vida normal

Empresas que haviam cortado salários e jornada já suspenderam medida

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Cleide Silva – O Estado SP

Casado e pai de cinco filhos com idades de dois a 18 anos, o metalúrgico Humberto Pereira de Santana passou a controlar a compra mensal no supermercado. “Se passasse de R$ 220, eu tirava os produtos do carrinho”, conta ele. O controle rígido das despesas foi adotado em janeiro e fevereiro, período em que a empresa onde trabalha, a autopeça Polistampo, de Diadema, no ABC paulista, reduziu a jornada de cinco para três dias semanais, com corte também nos salários.

A medida iria até o fim de março. Ao ser avisado da volta da jornada normal, um mês e meio antes do previsto, Santana sentiu um alívio. “Voltamos à vida normal”, dizia ele na sexta-feira, num intervalo da tarefa de montar suportes de baterias. Com 40 anos e funcionário da Polistampo há 4,5 anos, ele conta que nos dias de folga forçada na fábrica ajudava a esposa e um dos filhos no atendimento de um pequeno bar pertencente à família.

As autopeças também precisam acompanhar o ritmo mais acelerado das montadoras em relação aos últimos meses de 2008. Várias fábricas que fizeram acordos de redução de jornada e salários estão voltando atrás antes do prazo previsto.

No ABC, além da Polistampo, já voltaram a operar em semana cheia a fabricante de buzinas Fiamm e a Proxyon, que produz chapas e outras peças. A Kostal fez acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos para redução de jornada a partir da semana passada, mas cancelou a medida antes mesmo de aplicá-la.

“Vimos uma luz no fundo do túnel já no início de fevereiro. Desconfiados, temíamos que fosse um trem vindo em posição contrária, mas logo depois confirmamos que as encomendas estavam aumentando”, conta Nelson Garcia, supervisor de Recursos Humanos da Polistampo.

A empresa foi fundada há 30 anos e hoje fornece diversos componentes para veículos da Volkswagen, Fiat, Renault, General Motors e Mercedes-Benz e para motocicletas da Honda. Foi a primeira vez que a autopeça precisou reduzir a semana de trabalho.

Em Taubaté, interior de São Paulo, a Thyssenkrupp KMAB, que produz eixos, vai recontratar 38 dos 70 trabalhadores demitidos em dezembro. O motivo é o aumento de pedidos por parte da Volkswagen.

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, Isaac do Carmo, “as empresas demitiram sem ter conhecimento do tamanho do impacto da crise na economia brasileira. Passado o susto inicial, estão recontratando para manter o nível da produção”.

Sueli Aparecida Souza de Oliveira, de 26 anos e há dois na Polistampo, chegou a trancar a matrícula em um curso técnico de química iniciado há três meses. “Por causa da crise, meu marido está desempregado desde janeiro e, com o salário menor, não daria para pagar o curso”, conta ela. Com o chamado para voltar a trabalhar cinco dias por semana no fim de fevereiro e o pagamento do salário integral, ela pretende retomar as aulas na próxima semana.

O operador de máquinas Kleuson dos Santos Vieira, de 31 anos e solteiro, suspendeu atividades de lazer, como ir ao shopping center e bares. Também cortou a compra de roupas. Nas semanas em que ficava em casa dois dias a mais, aproveitou para realizar serviços de pintura e manutenção da casa alugada em Diadema.

Na base do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, onde foram feitos 24 acordos de redução de jornada e salário, a maioria em autopeças, até agora apenas uma – a Thyssenkrupp – desistiu de aplicar a norma.

RETOMADA

Fiamm: Voltou à jornada de 5 dias na segunda-feira, suspendendo acordo que previa semana de 4 dias até maio na unidade de São Bernardo, com 168 empregados

Fiat: Chamou 12 mil funcionários (de um total de 14 mil) para repor produção em três sábados de março e tem feito diariamente 45 minutos de trabalho extra

GM: Suspendeu as férias coletivas de todos os 5,2 mil funcionários previstas para 26 de janeiro a 8 de fevereiro em Gravataí (RS)

Polistampo: Após adotarem semana de 3 dias, os 140 funcionários voltaram aos 5 dias em fevereiro, 1,5 mês antes do previsto

Proxyon: Suspendeu semana de 4 dias adotada em janeiro para os 228 trabalhadores em São Bernardo e voltou a operar em 5 dias na última quinta-feira

Renault:
500 funcionários com contratos suspensos até maio voltarão ao trabalho no dia 23 em São José dos Pinhais (PR), onde trabalham 4,5 mil pessoas

Thyssenkrupp KMAP: Empresa de Taubaté com 400 funcionários recontratou 38 demitidos

Volkswagen: Convocou 7 mil trabalhadores para horas extras nos próximos 3 sábados na Anchieta e 5 mil em Taubaté. As duas empregam 17,3 mil pessoas

06/03/2009 - 09:49h Indústria tem recuperação localizada

 

Silvia Costanti / Valor

Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit: “Os estoques já acabaram no varejo e é hora da reposição”

Sergio Lamucci, Sergio Bueno e Vanessa Jurgenfeld, de São Paulo, Porto Alegre e Florianópolis – VALOR

Os impactos da crise financeira sobre a atividade industrial foram díspares em fevereiro. Segmentos cuja demanda está ligada à renda da população, como calçadistas e têxteis, já sentiram claramente uma recuperação de encomendas e consideram que a pior fase da crise passou. Para empresas e setores cuja produção é alimentada por crédito ou investimento, as realidades são distintas. Ao mesmo tempo em que grandes usinas siderúrgicas desligam alto-fornos, fabricantes de máquinas e equipamentos, como Randon e Marcopolo, já sentiram uma melhora nas encomendas em fevereiro e março. Mesmo as empresas e setores que relatam uma recuperação em fevereiro e neste começo de março, contudo, indicam queda de produção em relação ao mesmo período do ano passado.

Hoje o IBGE divulga o resultado da produção industrial de janeiro. Os analistas esperam forte crescimento em relação a dezembro de 2008, feito o ajuste sazonal. A LCA Consultores projeta alta de 9,2%. Na comparação com janeiro do ano passado, contudo, a estimativa é de recuo de 10,2%. O Santander aposta em crescimento de 11% sobre dezembro e queda de 9,5% em relação janeiro de 2008.

Entre os indicadores já conhecidos, venda de automóveis e consumo de energia indicam que fevereiro voltou a crescer sobre janeiro. O licenciamento de automóveis e comerciais leves atingiu a média diária de 10,9 mil unidades, mais que os 10,1 mil de janeiro deste ano e os 10,4 mil de fevereiro do ano passado, na série com ajuste sazonal calculada pela LCA. O resultado é efeito da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), destacam analistas e empresários do setor. O consumo diário de energia elétrica, por sua vez, atingiu a média de 50,2 MW em fevereiro, 2,7% a mais do que no mês anterior, também na série livre de influências sazonais. Em relação ao mesmo mês de 2008, houve queda de 0,59%.

O setor têxtil brasileiro acredita que o pior da crise já passou e vê sinais de melhora das encomendas nos últimos dias, após um primeiro bimestre fraco. “O varejo retomou os pedidos, está conseguindo girar seus estoques. Ainda vai levar algum tempo para que esse movimento ganhe velocidade, mas há bons indicativos para março”, diz Zeno Fischer, diretor de controladoria e planejamento da Lepper, de Joinville (SC). Indústria de cama, mesa e banho, a Lepper fechou o primeiro bimestre com queda de 10% nas vendas em relação ao igual período de 2008. Em fevereiro, até registrou uma melhora de vendas em relação a janeiro deste ano em torno de 20%, mas as vendas ficaram 10% abaixo do mesmo mês do ano passado. Segundo Fischer, apesar de um começo de ano de vendas em queda, a Lepper projeta crescimento de 10% no faturamento do ano, para R$ 145 milhões em 2009.

Para o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, há sinais melhores no setor, mas fevereiro foi um período de vendas menores do que igual mês do ano passado. “Mas há um clima de retomada da atividade, os estoques já acabaram no varejo e é hora da reposição. Nossa expectativa é que o pior (da crise) tenha passado”, diz. Na sua avaliação, as empresas do setor não farão mais paradas de ajuste de estoques, e embora exista um crédito ainda caro e restrito, as têxteis poderão ter um desempenho no ano melhor do que outros setores porque as compras de vestuário dependem pouco de crédito.

Na Indústria São Roberto, que atua no segmento de papelão ondulado, as vendas em fevereiro caíram 10% em relação ao mesmo mês do ano passado, uma queda ligeiramente inferior aos 12% registrados em janeiro na comparação com janeiro de 2008. A expectativa do presidente da empresa, Roberto Nicolau Jeha, é de que em março haja uma queda de 5% sobre o mesmo mês de 2008. “Março começou um pouco melhor do que fevereiro”, diz ele, acrescentando que só acredita numa melhora mais consistente no segundo semestre. Jeha diz que a demanda por papelão ondulado caiu menos por parte de empresas de alimentos e produtos de limpeza. No caso das companhias que dependem mais do crédito, como fabricantes de televisores e eletrodomésticos, o tombo foi maior.

O presidente da distribuidora de aço Rio Negro, Carlos Loureiro, diz que houve uma melhora na demanda por parte da indústria automobilística, beneficiada pela redução do IPI para veículos. Segundo ele, montadoras e empresas de autopeças voltaram a comprar com mais força, o que ajudou um pouco nas vendas de fevereiro e continua a auxiliar nas de março. “Mas não houve melhora nos outros segmentos”, diz ele, dizendo que continua fraca a procura por parte de empresas de máquinas agrícolas, rodoviárias e equipamentos para infraestrutura.

A indústria calçadista iniciou o ano com cenários distintos no mercado interno e nas exportações. As vendas domésticas arrancaram bem, turbinadas em alguns casos por descontos e aumentos de prazos de pagamento. Os fabricantes aguardam a reposição dos estoques dos lojistas, em maio, para confirmar a tendência. As exportações recuaram 23,9% no primeiro bimestre em comparação com igual período de 2008, para
US$ 280,6 milhões, mas o setor espera algum crescimento em 2009, impulsionado pela desvalorização do real, após a queda em volume e faturamento no ano passado.

Segundo o diretor comercial da gaúcha Piccadilly, Marlon Martins, em janeiro e fevereiro a empresa aumentou prazos de pagamento em 30 dias e concedeu descontos de 5% a 15% em algumas linhas para estimular os negócios no mercado interno. O resultado foi um aumento de três vezes no volume de vendas em fevereiro na comparação com janeiro, para mais de 600 mil pares. Em relação ao mesmo período de 2008, a alta foi de 2,5 vezes, informa o executivo.

No mercado externo, o recuo das vendas apontado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) no bimestre deveu-se à demora na reposição dos estoques dos importadores em função da desaceleração econômica na América do Norte e Europa, avalia o diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Ricardo Wirth. “Não esperávamos uma queda tão alta, mas não chegou a ser surpreendente.” Em fevereiro, as exportações renderam US$ 138 milhões, 3,3% a menos do que em janeiro e 29,3% abaixo do mesmo mês de 2008. Para o empresário, março ainda será um mês de “transição” entre as encomendas das coleções de verão e de inverno para o hemisfério norte.

Alguns setores e empresas ainda não sentiram recuperação da atividade, como a Usiminas e a CSN. A primeira anunciou que vai paralisar, a partir de segunda-feira e por tempo indeterminado, o alto-forno n 1 da usina de Cubatão na Baixada Santista. A CSN, que também produz aços planos, vai paralisar por 40 dias o alto-forno n 2, que responde por 40% da produção da usina de Volta Redonda (RJ). O presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, justificou a decisão pela falta de sinais mais consistentes de demanda para o segundo trimestre.

Por outro lado, a Marcopolo, maior fabricante brasileira de carrocerias para ônibus, após fechar o primeiro bimestre com vendas 10% menores, sentiu recuperação em março. A Randon, que produz implementos agrícolas, também espera retomada das vendas.

05/03/2009 - 12:09h Autopeça recontrata demitidos em Taubaté

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Cibelle Bouças, de São Paulo – VALOR

A recuperação nas vendas de veículos ocorrida em janeiro e fevereiro provoca uma lenta retomada da atividade no setor de autopeças. Empresas de Taubaté e do ABC Paulista reconvocam funcionários, estimuladas sobretudo pelo aumento das encomendas pela Volkswagen. Em janeiro, as vendas de automóveis e veículos leves cresceram 5,11% sobre dezembro e, em fevereiro, 0,85% sobre o mês anterior, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). No ano, a Volkswagen liderou as vendas de veículos do país, com 23,34% dos emplacamentos.

Ontem, a Thyssenkrupp KMAB, que fornece autopeças para a montadora alemã e possui 400 funcionários em Taubaté (SP), recontratou 38 funcionários dos 70 que havia demitido desde que a crise internacional se agravou, em meados de setembro de 2008. De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do município, Isaac do Carmo, por enquanto, as empresas que têm a Volkswagen como principal cliente estão retomando mais rapidamente o ritmo de produção. “Outras empresas de autopeças que também demitiram já estão aumentando o pagamento de horas extras. Nesses casos o sindicato tem orientado as empresas a recontratar”, afirmou.

Carmo observou que a decisão da Volkswagen de convocar os 5,3 mil empregados da unidade de Taubaté para horas-extras aos sábados injetou na economia local R$ 8 milhões no primeiro bimestre deste ano. No ano todo de 2008, o pagamento de adicionais pela empresa no município totalizou R$ 50 milhões. A empresa também renovou os contratos de 650 temporários em janeiro para garantir o ritmo de produção. “Existe também uma expectativa de que a Fiat normalize a produção até o mês que vem, o que também dará impulso às empresas locais”, disse.

Em São Bernardo do Campo, a Kostal, que havia negociado com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC a redução da jornada, voltou atrás, também devido ao aumento da demanda. Em fevereiro, outras duas empresas de autopeças da região cancelaram a redução de jornada, a Fiamm e a Polistampo. “As empresas estão aos poucos cancelando a redução da jornada, mas é preciso confirmar se há mesmo uma tendência”, afirmou o presidente do sindicato, Sérgio Nobre.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Miguel Torres, também confirmou a mudança nas indústrias de autopeças, mas salientou que a retomada do emprego é sempre muito mais lenta que o ritmo das demissões. Torres e Nobre citam como fonte de preocupação atual as empresas de máquinas e equipamentos, que têm procurado os sindicatos com o temor de que a redução do imposto de importação sobre máquinas usadas provoque mais quedas na demanda e as obrigue a demitir. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) estuda um plano de ações para evitar demissões nesse setor.

04/03/2009 - 09:30h Desoneração para compra de carro vai continuar

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Anúncio sobre IPI só ocorrerá no fim do mês

No entendimento do governo, se consumidor souber com antecedência da prorrogação do incentivo, poderá adiar compra de carro

Apesar da queda na receita com o imposto, Planalto avalia que medida ajudou a impedir uma crise de maior proporção no setor

KENNEDY ALENCAR – FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O governo federal decidiu prorrogar por mais três meses, do início de abril ao final de junho, a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) cobrado na venda de veículos. Segundo a Folha apurou, o presidente Lula está convencido de que essa foi uma das medidas que deram certo no combate aos efeitos negativos da crise econômica global.
A prorrogação do incentivo, que vigoraria até o dia 31, ocorre em meio à queda na arrecadação e ao aumento dos gastos oficiais em razão da desaceleração econômica, movimento que já comprometeu o relativo equilíbrio fiscal que o governo Lula vinha mantendo.
Adotado em dezembro para estimular as vendas no setor automotivo, o incentivo tinha renúncia fiscal estimada em R$ 1,35 bilhão no período de quatro meses. Com a redução, a arrecadação de IPI sobre veículos teve queda de 91% em janeiro ante igual período de 2008 e de 88,56% sobre dezembro.
A cúpula do governo avalia que esse é um efeito pequeno sobre a arrecadação se comparado à possibilidade de demissões no setor de veículos, caso não tivesse adotado a medida.
Uma queda muito forte nas vendas também afetaria a arrecadação. Logo, o preço da renúncia fiscal seria menor do que arrecadar menos IPI com um setor simbólico em crise.
Nas palavras de um ministro, como a cadeia produtiva do setor automobilístico é longa (emprega muita gente), o anúncio de demissões poderia gerar um efeito psicológico negativo para a economia. Ele citou como exemplo a recente demissão de 4.000 trabalhadores da Embraer. Na indústria automobilística, seria um número bem maior.
A Folha apurou que o governo vai esperar até o final do mês para anunciar a prorrogação da isenção do IPI e que não deverá confirmar a decisão até o último momento. Assim, evita uma queda nos números do mercado neste mês. Afinal, a medida tem caráter de “promoção” por tempo limitado. Se o consumidor souber agora que poderá comprar em abril nas mesmas condições, poderá esperar um pouco mais.
A redução do IPI ajudou na recuperação da venda de veículos, que teve alta de 0,15% em fevereiro ante o mesmo período do ano passado. Na comparação mensal, as vendas cresceram em dezembro (184 mil unidades), em janeiro (189 mil) e em fevereiro (191 mil).
A redução em dezembro fez com que o IPI de carros populares, de 1.000 cilindradas, caísse de 7% para zero. A medida também beneficiou veículos entre 1.000 e 2.000 cilindradas (veja quadro ao lado).
Além da redução de impostos, o governo também aumentou a oferta de crédito para o financiamento de veículos por meio do Banco do Brasil.
A avaliação do Planalto é que essa medida ajudou a evitar uma crise de grandes proporções no setor. Como o governo acredita que o segundo trimestre ainda sofrerá efeitos negativos da crise, a prorrogação do IPI faz parte da estratégia de comunicação do Planalto, que prega que o Brasil deverá sofrer menos do que outros países nesta crise.
Pesa ainda a favor da decisão de prorrogação do IPI a pressão das centrais sindicais, com forte presença na indústria automobilística. Não está definido se haverá eventual contrapartida das empresas. Sindicalistas têm defendido que o governo cobre a manutenção de empregos em troca de medidas setoriais de incentivo, como a redução do IPI sobre veículos.

04/03/2009 - 09:17h Fiat lucra R$ 1,87 bi, seu melhor resultado no País

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Cleide Silva – O Estado SP

 


A Fiat Automóveis obteve, em 2008, o maior lucro líquido de sua história no País. A líder em vendas de veículos registrou ganho de R$ 1,87 bilhão, ultrapassando em 11,3% o recorde anterior de 2007, quando teve resultado positivo de R$ 1,68 bilhão.

O montante equivale a quase 40% dos ganhos divulgados em janeiro pela matriz na Itália, de 1,61 bilhão (R$ 4,87 bilhões), valor 17% menor do que o obtido em 2007. O faturamento com vendas da filial brasileira atingiu R$ 18,4 bilhões, 7% a mais do que no ano anterior.

Em nota distribuída ao mercado ontem, a Fiat afirma que “apesar da redução na atividade durante o último trimestre, 2008 foi o melhor ano para a indústria automotiva no Brasil”. As vendas totais de automóveis e comerciais leves somaram 2,67 milhões de unidades, 14,1% a mais que em 2007. A Fiat cresceu 8,2%, com 657,7 mil carros.

O balanço foi o quarto seguido da subsidiária com resultados positivos. A Fiat é a única montadora que divulga balanço individual no País. Em 2005, a unidade de automóveis teve lucro de R$ 511,2 milhões e, em 2006, de R$ 803,7 milhões. A Fiat é a única montadora que divulga balanço no País.

RECALL

A Fiat inicia hoje a convocação de 52.986 modelos Punto para averiguação e, se necessário, troca do fecho do cinto de segurança do banco central traseiro. O recall envolve todos as unidades produzidas entre junho de 2007 e novembro de 2008, com motores 1.4 e 1.8.

Segundo Nilson Bretz, gerente de qualidade da Fiat, o problema foi detectado pela equipe da montadora e não há ocorrências de problema envolvendo consumidores. “É uma ação preventiva”, diz. A montadora constatou que se o passageiro do banco traseiro esquerdo, por engano, encaixar o cinto no fecho do assento central terá a falsa sensação de encaixe, mas a peça pode soltar-se. O recall é para substituir o fecho que não deveria aceitar a peça do cinto lateral.