09/09/2008 - 09:30h Metalúrgico estimula bancário a obter reajuste real elevado

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A negociação de data-base dos metalúrgicos, que no fim de semana garantiu à trabalhadores de montadoras do ABC reajuste salarial de 11,01%, sendo 3,6 pontos percentuais de ganho real, trouxe ânimo extra aos bancários, que iniciam na próxima semana as negociações de reajustes para a categoria. “Sem dúvida, a conquista dos metalúrgicos reforça nosso argumento”, diz o presidente da Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e coordenador do comando nacional que negocia os reajustes salariais dos bancários, Wagner Freitas.

A categoria, que iniciou ontem a rodada de negociações de cláusulas sociais com os bancos, reivindica um ganho sobre a inflação de 5 pontos percentuais. A proposta será colocada em debate na reunião marcada para o dia 16. A partir daí, as instituições financeiras terão até a data da plenária nacional dos bancários (marcada para 25 de setembro) para aprovar a proposta ou fazer uma contra-oferta. “Caso não haja acordo, também estamos dispostos a deflagrar greve a partir da data da plenária”, diz Freitas. Para o sindicalista, o momento de negociar ganhos reais é este, em que a economia brasileira se expande e dá sinais de que crescerá de forma sustentada. “Essa crença é o que levou as montadoras a aceitarem o repasse.”

A Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar) também trabalha com o objetivo de obter ganhos mais robustos na negociação, que se inicia no dia 19. A categoria, que reúne profissionais das indústrias química, cosmética e de fertilizantes, exige reajuste de 15%, sendo 7% de reposição da inflação, afirmou o presidente da Fequimfar, Danilo Pereira. “As indústrias do setor, como o setor automotivo, tiveram ganhos de produtividade e a idéia é que dividam os ganhos.”

O coordenador da campanha salarial da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antonio de Moraes, também vai exigir da Petrobras, na primeira rodada de negociações que ocorre no dia 16, aumento real de 5%, apoiando-se nas negociações realizadas por outras categorias ao longo do ano. Para o supervisor do escritório regional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), José Silvestre Prado de Oliveira, o reajuste aos metalúrgicos - certamente um dos maiores registrados no ano - reforça o poder de negociação de outras categorias que têm data-base no segundo semestre. “Os metalúrgicos são uma categoria que serve como referência para as negociações de outros grupos”, afirmou.

Mesmo entre os metalúrgicos, a negociação fechada no sábado pelos trabalhadores do ABC serviu de referência para que os trabalhadores da Volkswagen do Paraná endurecessem o discurso. Na semana passada, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba obteve reajuste de 10,1%, sendo 2,6% de ganho real, mas a proposta foi rejeitada pelos trabalhadores da Volks, que querem o mesmo reajuste obtido pelos metalúrgicos do ABC, abono superior aos R$ 1,45 mil oferecidos pela montadora e pagamento dos dias parados, afirmou Sérgio Butka, presidente do sindicato. Em São Paulo, os metalúrgicos do setor de autopeças, funilaria e forjaria também recusaram a proposta das indústrias (8,8% de reajuste, sendo 1,5% de aumento real) para exigir ganho acima da inflação de 3,6%. (CB)

07/09/2008 - 10:44h Metalúrgicos do ABC fecham acordo e suspendem greve

Sindicalistas aprovam proposta das montadoras
Ernesto Rodrigues/AE

Sindicalistas aceitam reajuste salarial de 11,01% proposto pelas montadores; aumento real é de 3,6%

Rodrigo Petry, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Os metalúrgicos do ABC aprovaram neste sábado em assembléia a proposta das montadoras de reajuste salarial de 11,01%, o que representa um aumento real de 3,6%. “Foi um valor bastante significativo”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre. A categoria ameaçava entrar em greve por tempo indeterminado caso um índice satisfatório de reajuste não fosse atingido.

Além do reajuste, Nobre afirmou que foi acertada ainda a elevação do piso da categoria em 12,6%, que passará de R$ 1.110,00 para R$ 1.250,00. Os metalúrgicos receberão abono em setembro de R$ 1.450,00. “Com o abono, a reposição real chegará a 5%”, afirmou Nobre.

As bancadas patronal e sindical ficaram 18 horas em reunião, até as 4h30 deste sábado. Participaram junto dos metalúrgicos do ABC, os de Taubaté, São Carlos e Tatuí. A proposta foi aceita também pelos trabalhadores do chamado grupo 8, das áreas de metais não-ferrosos, balanças e laminação.

“A expansão da indústria automobilística no último ano nos colocou em condições de buscar esse aumento dos salários”, disse Nobre. Em 2 de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia de posse da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e, em seu discurso, disse aos metalúrgicos que a hora de se lutar por aumentos reais de salário é justamente quando a economia está em crescimento, o que vem acontecendo com o País.

Na segunda-feira, os trabalhadores do setor de autopeças vão se reunir para negociar o reajuste salarial. Essa categoria sempre espera as montadoras para definir seus reajustes.

05/09/2008 - 10:11h Volvo reajusta salário em 10%. No ABC, impasse

Assembléia de metalúrgicos da Teksid do Brasil e da Nemak, em Betim (MG)http://portalctb.org.br/site/images/stories/Imagens/di_greve_mg_metal_teksid_nemak_betim.jpg

Continuam em greve no Paraná trabalhadores de Volks, Renault e Nissan.

Em SP, funcionários pararam por 2 horas

Lino Rodrigues - O Globo

SÃO PAULO e RIO. A onda de paralisações de trabalhadores das montadoras produziu ontem um primeiro resultado. A Volvo aceitou conceder 10% de reajuste linear a seus empregados, a ser pago a partir deste mês, mais abono de R$ 1.500. As duas partes cederam: os metalúrgicos, que pediam 5% só de reajuste real (acima da inflação), e a empresa, que reviu sua oferta de 1,25% para 2,5%. A fábrica da Volvo, na Região Metropolitana de Curitiba, estava parada há três dias. Continuam parados na região os 8 mil trabalhadores de Volkswagen, Renault e Nissan. Ao contrário da Volvo, as três querem que o reajuste seja apenas a partir de dezembro.

O impasse também perdura no ABC paulista, onde paralisações de uma a duas horas interromperam ontem a produção na Ford, na Volks e na Scania. Até as 21h de ontem, representantes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e do Sinfavea (das empresas) continuavam reunidos em São Paulo para tentar um entendimento. De manhã, em assembléias, os trabalhadores decidiram suspender a produção extra para este fim de semana. Eles ameaçam entrar em greve por tempo indeterminado na segundafeira, caso as montadoras não apresentem nova proposta.

A entidade não revela a proposta feita aos empresários. — Acreditamos que as empresas vão oferecer proposta razoável para evitar uma greve que não interessa a ninguém — disse o presidente do sindicato, Sérgio Nobre, antes da reunião.

Os metalúrgicos da Força Sindical (mais de 700 mil no estado de São Paulo) devem engrossar o movimento na próxima semana. Ontem, eles fizeram passeata na Avenida Paulista para entregar a pauta de reivindicações à Fiesp. A campanha envolve 54 sindicatos com data-base em 1ode novembro, e reivindica 20% de aumento salarial e jornada de 40 horas semanais.

A pressão dos metalúrgicos pegou as montadoras com estoques em alta, diz a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O volume de veículos nas concessionárias e na indústria subiu 30% entre julho e agosto, de 23 para 30 dias. Para o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, a alta reflete a acomodação do mercado de carros no país, após sucessivos recordes. As vendas de veículos caíram 15,1% em agosto sobre julho, mas subiram 4% contra igual mês de 2007, atingindo 244,8 mil unidades. Já a produção recuou 1% na comparação mensal e avançou 12,6% na anual. — Você não pode crescer sempre 25% — disse Schneider. Sobre as negociações com os metalúrgicos, ele afirmou: — Acredito na maturidade dos atores (sindicalistas e empresários) e que chegaremos a um ponto de equilíbrio com a expectativas dos trabalhadores.

Protesto no Rio deu um nó no trânsito do Centro

No Rio, metalúrgicos da capital, de Niterói e Angra fizeram manifestação em frente à sede da Petrobras, no Centro, pela construção da plataforma P-62 no estaleiro Mauá, de Niterói. Cerca de 3 mil manifestantes iniciaram a caminhada na Praça XV, dando um nó no trânsito. Segundo sindicalistas, a construção da plataforma pode gerar 2.500 empregos no Rio, mas corre o risco de ser levada para outro estado.

05/09/2008 - 09:14h Sem acordo, metalúrgico ameaça greve geral na 2ª. Inflação pesa nas negociações salariais

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CLAUDIA ROLLI - Folha de São Paulo


DIMITRI DO VALLE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA

Sem chegar a um acordo salarial com as montadoras, os metalúrgicos de Volkswagen, Ford, Scania e Mercedes-Benz decidiram suspender a realização de horas extras e a produção no final de semana para pressionar os fabricantes de veículos a negociarem um aumento real “razoável”. Se não houver acordo até amanhã, a categoria pode fazer greve geral a partir de segunda-feira.

A medida vale para os trabalhadores do ABC de outras empresas que também estão em campanha salarial, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (CUT). Ao menos 10 mil empregados da Volkswagen, Ford, Scania e autopeças de Diadema paralisaram em até duas horas as atividades ontem.

As paralisações, concentradas na entrada dos turnos da manhã, não afetaram a produção, segundo as montadoras.

No Paraná, base da Força Sindical, cerca de 8.000 metalúrgicos da Renault/Nissan e Volkswagen/Audi decidiram ontem manter a greve em São José dos Pinhais. A paralisação completa hoje cinco dias.

Até a noite de ontem, representantes das montadoras do ABC e dos trabalhadores estavam reunidos na sede do Sinfavea (sindicato dos fabricantes de veículos) para tentar chegar a um acordo.

“As montadoras têm até sábado [amanhã] para apresentar um proposta decente, caso contrário a greve será por tempo indeterminado a partir de segunda-feira. O que foi oferecido está longe do razoável”, afirma Sérgio Nobre, presidente do sindicato da categoria no ABC.
“Na negociação, pensamos a longo prazo e não apenas no atual momento da indústria, assim como as decisões sobre investimento. Temos de pesar também as condições competitivas da indústria no cenário internacional e nos impactos de qualquer aumento de custo”, diz Jackson Schneider, presidente da Anfavea (fabricantes). “Estamos abertos à negociação e acredito na maturidade dos atores nesse diálogo.”
Os sindicalistas não divulgam o índice de reajuste pretendido no ABC, mas já descartaram a proposta feita anteriormente de 1,25 ponto percentual de aumento acima da inflação.

No ano passado, o aumento real nos salários chegou a 2,5 pontos acima da inflação. A indústria automobilística encerrou o ano com 2,34 milhões de automóveis e comerciais leves emplacados -melhor resultado dos últimos dez anos. Nos oito primeiros meses deste ano, os licenciamentos já alcançaram 1,94 milhão de unidades -26,4% de aumento sobre mesmo período de 2007.

“Uma parcela do crescimento do setor tem de ir para o bolso do trabalhador. Não estamos pedindo 20% de aumento real.

Sem acordo, vamos cortar as horas extras”, diz Moisés Selerges, diretor do sindicato.

Na Mercedes-Benz, os metalúrgicos estimam que 400 caminhões e ônibus deixarão de ser produzidos no final de semana. Anteontem, outros cem já deixaram de ser fabricados com uma paralisação.

Os metalúrgicos ligados à Força Sindical fizeram passeata e manifestação ontem pela manhã em frente ao prédio da Fiesp (federação das indústrias), na avenida Paulista. Para a central, a adesão foi de 5.000 trabalhadores representados por 54 sindicatos paulistas. Para a PM, foram cerca de 1.500.

“Os 20% de reajuste que pedimos foi calculado com base na produtividade que o setor teve e na inflação que tem de ser reposta”, diz Eleno Bezerra, presidente do sindicato da categoria em São Paulo e da confederação nacional da Força.

No Paraná, os trabalhadores rejeitaram contraproposta das empresas de reajustar os salários em 10% -sendo 2,5 pontos percentuais de aumento real.

Os grevistas pedem o dobro.

Já os 2.700 funcionários da Volvo (Curitiba) aceitaram a proposta patronal e receberão 10% mais abono de R$ 1.500. O sindicato da região informa que cerca de 6.600 veículos deixaram de ser fabricados desde o início da paralisação. Colaborou KAREN CAMACHO, da Folha Online

 

 

Cai o número de acordos salariais que não têm perdas

Marcelo Rehder - O Estado de São Paulo

A escalada da inflação atrapalhou a campanha salarial das categorias com data-base no primeiro semestre. O resultado das negociações foi o pior dos últimos três anos, segundo levantamento divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

De um total de 309 acordos analisados pela entidade, 86% conseguiram zerar as perdas com a inflação ou garantir aumento real de salário na primeira metade do ano. O número é menor que os apurados nos acordos fechados em igual período de 2006 e de 2007 , que ficaram próximos de 97%.

“O repique na inflação dificultou as negociações, principalmente em setores que sofrem a concorrência das importações, que ficaram mais baratas por causa da valorização do real em relação ao dólar”, disse Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Dieese.

Segundo ele, as empresas continuam a obter ganhos expressivos de produtividade, mas o aumento da inflação reduz a margem de manobra para alguns setores concederem aumentos reais sem repasse para os preços. “Os trabalhadores são os que mais perdem com a inflação, pois sofrem arrocho salarial e têm o poder aquisitivo corroído ainda mais pela inflação futura”.

Apesar de inferior ao dos últimos dois anos, o resultado das campanhas salariais de 2008 foi o terceiro melhor para um primeiro semestre desde 1996, quando a pesquisa passou a ser feita.

De acordo com o Dieese, 74% dos acordos firmados na primeira metade deste ano garantiram aumento real de salários. O porcentual é menor que o verificado nos últimos dois anos: 84% e 87%, pela ordem. A proporção de acordos que não conseguiram sequer repor as perdas com a inflação aumentou de 3%, em 2007, para 14%, agora.

As empresas do setor industrial foram as que concederam maior número de aumento de salários acima da inflação, com 81% das negociações. Em seguida ficou o comércio, com 80%, e os serviços, com 64%.

04/09/2008 - 10:52h Greve por salário paralisa montadoras

Trabalhadores aprovando estado de greve no pátio da Ford

Cibelle Bouças - VALOR

Na segunda-feira, 8 mil metalúrgicos do Paraná que trabalham nas montadoras Volkswagen, Renault e Nissan fizeram uma paralisação de 24 horas em resposta à falta de uma nova contraproposta de reajuste salarial pelas empresas, prazo que foi estendido em 48 horas e, na ausência de uma nova oferta das montadoras, será convertida em greve por tempo indeterminado. Ontem, no Estado de São Paulo, 14,2 mil metalúrgicos fizeram paralisação de 24 horas em cinco fábricas, para forçar as indústrias a reverem suas propostas de reajuste salarial, cuja data-base é setembro - em um dos casos, com ameaça de greve por tempo indeterminado, dependendo da proposta feita pelas indústrias.

O risco de greve de cunho nacional - estratégia adotada pela última vez pela categoria em 2001 e substituída em anos recentes pelas chamadas greves-pipoca, localizadas e de curta duração - parece ter voltado a rondar as montadoras. Não existe um acordo entre Conlutas, Intersindical, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical para criar um movimento de paralisação unificado mas, individualmente, essas lideranças sindicais seguem a mesma estratégia. E um ponto que deve preocupar as montadoras: a paralisação feita ontem na Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo (SP) por 3 mil metalúrgicos com indicativo de greve por tempo indeterminado pode estimular a disseminação do movimento no ABC Paulista, que não passa por uma greve por reajuste salarial desde 2003.

“Com a paralisação, os trabalhadores estão mandando um recado. A intensidade dos protestos só vai aumentar se não houver avanço nas negociações”, disse Moisés Selerges, diretor-executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A paralisação na Mercedes foi feita em desagravo à proposta do Sindicato dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea) de aumento de 1,25 ponto percentual sobre a inflação - menos da metade do reajuste acordado em 2007 e aquém do pedido dos metalúrgicos neste ano, de 5% de ganho real.

Na manhã de hoje, sindicalistas realizam assembléias na porta das fábricas da Volkswagen, Ford e Scania para discutir a possibilidade de paralisações nessas montadoras. Ontem, a Mercedes deixou de produzir 150 veículos e, no fim de semana, outros 400 deixarão de ser fabricados, já que os trabalhadores decidiram paralisar os três turnos extras implantados no fim de semana, para a acelerar a produção das linhas 2009. No fim de semana, 9 mil metalúrgicos da montadora deixarão de trabalhar em São Bernardo do Campo.

As greves ocorrem no primeiro momento do ano em que a euforia crescente trouxe sinais de acomodação. De janeiro a julho, as montadoras produziram 2,01 milhões de veículos, volume 21,8% superior ao de igual período do ano passado. Em licenciamentos (vendas internas), o aumento chegou a 30%, também na comparação com os primeiros oito meses de 2007. Depois desse forte avanço, contudo, as vendas de agosto mostraram um crescimento mais tímido em comparação com o mesmo mês de 2007, de 4,05%. A indústria já esperava índices menores (por causa da base de comparação mais forte), mas o resultado veio abaixo do esperado e, junto com o aumento de estoques (com a média de veículos disponíveis para venda passando de 216 mil para 250 mil unidades), acendeu sinais de alerta no setor.

Enquanto os metalúrgicos miram os resultados até julho para ancorar seu pedido de aumento real de 5%, as montadoras usam agosto e as recorrentes notícias de que o governo pode adotar medidas para conter o financiamento de automóveis para justificar a cautela e oferecer 0,5% de aumento real. Neste ano, ao contrário de outros momentos, os metalúrgicos têm a seu favor a recuperação do emprego. Dados da Anfavea mostram que, em julho, as montadoras estavam empregando 129,4 mil metalúrgicos, número 13% superior ao de igual mês de 2007.

No Paraná, por conta da paralisação iniciada segunda-feira, a Volkswagen-Audi deixou de produzir cerca de 1,7 mil automóveis. Na Renault, a perda foi de 1,6 mil veículos, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. Uma unidade da Volvo ficou parada por 24 horas e voltou a operar terça-feira, à espera de uma nova proposta até hoje. “Se não houver proposta, o movimento vai se encaminhar para a greve por tempo indeterminado a partir de quinta-feira [hoje]”, afirmou Sérgio Butka, presidente do sindicato.

No interior paulista, a estratégia dos sindicatos está concentrada nas greves-pipoca. Ontem, na região de Campinas, metalúrgicos das montadoras Honda (3.500), Toyota (1.900) e Mercedes Benz (800) realizaram paralisação de 24 horas. “Nos últimos anos, adotamos a greve-pipoca como estratégia. Estoura aqui e ali e logo todos voltam a trabalhar. Mas passou a ser importante ampliar esse movimento porque os empresários estão muito resistentes a aceitar as propostas dos metalúrgicos”, afirmou Eliezer Mariano da Cunha, diretor do sindicato de Campinas.

Na segunda-feira, a metalúrgica Wirex Cable, do setor de eletroeletrônicos, ficou parada. Ontem, foi a vez dos 5 mil metalúrgicos da General Motors. A paralisação afetou a produção de 950 a 1 mil veículos. Hoje, disse Vivaldo Moreira Araújo, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, outras empresas terão sua atividade parada sem aviso prévio. “Cada dia será uma fábrica. E se o patronato não melhorar a proposta, não vamos ter outra opção que não seja a greve por tempo indeterminado”, afirmou Moreira. Os metalúrgicos do interior de São Paulo pedem aumento real de 9,17% e garantia de gatilho salarial quando a inflação atingir 3% em 12 meses. A última proposta feita pelo Sinfavea foi de 1,25% de aumento real. Procurada, a assessoria de imprensa da entidade informou que não comenta detalhes das discussões com os trabalhadores.

29/08/2008 - 09:02h Autopeças abrem novas fábricas

Enquanto a ZF anuncia investimentos de R$ 715 milhões, a Hyundai planeja trazer 10 fornecedores para o Brasil

Cleide Silva - O Estado de São Paulo


A fabricante de autopeças ZF vai investir R$ 715 milhões no Brasil na ampliação das quatro fábricas do grupo e na construção de uma quinta filial, em local a ser definido. A unidade da Argentina receberá R$ 38 milhões, totalizando R$ 753 milhões a serem aplicados na região até 2013. O valor é 40% superior ao previsto pela companhia no início do ano.

Puxadas pelas montadoras, que anunciaram ampliação de capacidade e novas unidades, empresas de autopeças também partem para um novo ciclo de investimentos que ampliará o número de fabricantes no País. Só a Hyundai, que estuda a construção de uma fábrica em Piracicaba (SP), deve atrair pelo menos 10 fornecedores coreanos que não atuam no Brasil.

Juntas, montadoras e autopeças planejam investir US$ 23 bilhões (cerca de R$ 37 bilhões) de 2008 a 2012, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Só neste ano, as fábricas de veículos vão gastar US$ 4,9 bilhões (R$ 8 bilhões), enquanto as de componentes calculam aportes de US$ 1,6 bilhão (R$ 2,6 bilhões).

A capacidade produtiva das montadoras saltará de 3,5 milhões de veículos este ano para cerca de 5 milhões nos próximos cinco anos. A Toyota anunciou para 2011 nova fábrica em Sorocaba (SP), para 150 mil carros, projeto que deve consumir cerca de US$ 700 milhões (R$ 1,1 bilhão). Embora ainda não tenha batido o martelo, a Hyundai deve ter uma fábrica própria em São Paulo para mais de 100 mil automóveis anuais, com investimentos próximos ao da concorrente japonesa.

“A América do Sul, principalmente o Brasil, tem sido cenário atraente para investimentos”, disse ontem o presidente mundial da ZF, Hans-Georg Härter. Segundo o executivo, a região e outros mercados, como os do chamado Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), devem compensar a queda de vendas em mercados maduros, como os Estados Unidos.

A ZF produz no Brasil sistemas de embreagens e de direção e peças como coxins e buchas em fábricas em Sorocaba, São Bernardo do Campo e Araraquara, em São Paulo, e Belo Horizonte. Na Argentina, produz amortecedores e suspensões. Juntas, as fábricas empregam mais de 4 mil pessoas.

O local da próxima fábrica de transmissões no País deve ser anunciado até novembro, e deve ficar com cerca de R$ 200 milhões do investimento previsto até 2013. Disputam o projeto os Estados de São Paulo (com Sorocaba), Santa Catarina (com Lages) e Minas Gerais.

“Vamos levar em conta principalmente custos com logística e mão-de-obra”, informou Wilson Bricio, presidente da ZF América do Sul. Além da nova unidade, o investimento ampliará a produção atual de sistemas de direção em 30% e dobrará a linha de embreagens (de 2 milhões para 4 milhões de peças/ano). A produção de transmissões passará de 40 mil para 200 mil unidades por ano.

Parte do aporte também irá para o desenvolvimento de novas tecnologias, como a de sistemas híbridos, uma combinação de motor elétrico com transmissão automatizada.

A filial brasileira, inaugurada há 50 anos, foi a primeira do grupo fora da Alemanha e responde por 4% da receita mundial, de 12,7 bilhões em 2007 (R$ 30 bilhões). “Este ano a participação deve aumentar para 5%, de um faturamento total de 13 bilhões”, disse o vice-presidente executivo do grupo, Wolfgang Vogel. A ZF está presente em 25 países, com 119 fábricas. As exportações da filial devem passar de R$ 302 milhões em 2007 para R$ 660 milhões em 2010. Entre os mercados que receberão produtos brasileiros estão a China e a Rússia.

25/08/2008 - 10:28h Aumento da classe média atrai companhias

Brasil aparece como 8.º destino das empresas, mostra estudo da KPMG

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Patrícia Cançado e Renato Cruz - O Estado de São Paulo

Até 2010, cem milhões de pessoas terão migrado para a classe média no mundo. A estatística faz parte de um estudo encomendado pela General Eletric com o objetivo de entender de onde veio e virá o crescimento no mundo a partir de 2002. “Até agora, 65 milhões já mudaram de patamar. Um terço deles no Brasil”, afirma o vice-presidente de marketing para a América Latina da GE, João Geraldo Ferreira.

Na sede da GE, nos Estados Unidos, poucos poderiam imaginar essa mudança rápida em pouco tempo. O País era relegado a segundo plano na gestão de Jack Welch. No primeiro trimestre, o faturamento da operação local aumentou 87% e, no segundo, 41%. “Para a GE, a América Latina é maior do que a China e Índia juntas”, diz Ferreira.

Entre este e o próximo ano, a companhia vai instalar três fábricas no Brasil. A de locomotivas foi inaugurada em maio. Uma de equipamentos para a área de saúde deve começar a funcionar em 2009. A terceira fábrica produz máquinas de purificação de água.

Os números nem sempre falam por si. Os brasileiros da GE começaram a estimular visitas de executivos estrangeiros ao País para fazer com que a matriz reconheça o potencial local. “O americano, quando conhece o Brasil, leva um choque cultural”, diz Ferreira. “Muitas vezes, levamos o executivo de helicóptero, do aeroporto de Guarulhos para o hotel, e ele fica admirado com a extensão de São Paulo, com a quantidade de prédios em construção.” E a GE já é uma empresa com alto grau de internacionalização. Hoje, metade do seu faturamento tem origem fora dos EUA. Em 2020, a expectativa é que a operação internacional responda por 80% das receitas.

O País nunca recebeu tantas visitas de presidentes mundiais e executivos de alto escalão de empresas estrangeiras. Com um discurso invariavelmente igual, eles vêm para reafirmar o interesse pelo mercado. Virou clichê dizer que o Brasil é estratégico para as mais diversas companhias, desde a fabricante de alimentos Pepsi até a grife de luxo de jeans Diesel.

A Pepsi veio ao País neste mês para anunciar aporte de US$ 450 milhões até 2013. A Diesel abriu aqui, há duas semanas, a sua maior loja no mundo. “O Brasil tem seu mérito nesse cenário, mas eu somaria a isso o fato de a economia lá fora não estar boa. Se todo o mundo estivesse bem, o País não brilharia tanto”, diz a sócia da consultoria KPMG, Marienne Munhoz.

O grau de investimento também serviu como uma chancela para empresas de menor porte e fundos de pensão e de investimento tentarem a sorte por aqui. “No passado, o perfil das empresas que procuravam o Brasil era muito diferente do das atuais. Empresas como as montadoras e a Nestlé tinham estrutura para suportar investimentos com retorno de longo prazo”, diz Marienne.

Segundo pesquisa anual da KPMG, de junho deste ano, o Brasil aparece como oitavo principal destino das empresas. Nos próximos cinco anos, sobe para a sexta posição, atrás de China, EUA, Rússia, Índia e Reino Unido.

BRICS

Por muitas décadas, o Brasil sequer era citado nos balanços das multinacionais. Hoje o País ganhou status de queridinho. Na Unilever, o Brasil já é o terceiro maior mercado. Estava em sétimo lugar há dois anos. Em alguns casos, o lucro gerado aqui está ajudando a pagar a conta das problemáticas operações nos seus países de origem.

A Volkswagen anunciou na quinta-feira que o Brasil passou a Alemanha pela primeira vez em número de carros vendidos. Agora, só perde para a China. Na Fiat, Ford e GM, a subsidiária também escalou posições numa velocidade espantosa.

Em termos absolutos, o Brasil tende a receber menos investimentos porque já é um país relativamente maduro em relação aos outros Brics (Índia, China e Rússia). Até 2007, o estoque de investimento representava 20,8% do PIB. Na China, ainda é de 11,1%. “A China e a Índia estão construindo a casa, enquanto o Brasil está reformando”, diz o presidente da consultoria Boston Consulting Group, Walter Piacsek.

25/08/2008 - 10:13h Brasil lidera investimento entre países emergentes

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Brasil é o ”queridinho” entre as principais economias emergentes

 

 

País está a frente de China, Índia e Rússia

 

 

País registra a maior taxa de crescimento de investimento direto estrangeiro de 2006 para 2007, revela Unctad

 

 

 

Patrícia Cançado - O Estado de São Paulo

A mineradora sul-africana Anglo American viveu dois milagres econômicos no Brasil. Mas foram necessários 24 anos para apostar de fato suas fichas no País, onde fincou sua base em 1973. Até o ano passado, a operação brasileira da Anglo era a lanterninha entre as dez subsidiárias. A entrada em minério de ferro, com a compra da MMX do empresário Eike Batista, colocou a filial em outro patamar.

Hoje aparece entre os três maiores destinos de investimentos do grupo, ao lado do Chile e da África do Sul. Só essa área vai receber US$ 10 bilhões até 2010, sendo 55% apenas neste ano, um recorde na história da multinacional e talvez o maior desembolso feito por estrangeiros neste ano de uma só vez. “O Brasil entrou no radar da Anglo. A companhia decidiu apostar alto porque quer participar desse crescimento”, diz o presidente da Anglo Ferrous Brazil, Alexandre Gomes.

O “radar” da Anglo dá a medida da importância que o Brasil ganhou no cenário internacional. Entre 2006 e 2007, o País teve o maior crescimento de investimentos diretos estrangeiros entre as economias emergentes, à frente de China, Índia e Rússia, segundo a Unctad, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. O volume dobrou - saiu de US$ 18,8 bilhões para US$ 37,4 bilhões. Até julho deste ano, encostou em US$ 20 bilhões, o que leva a acreditar que o País deve atingir neste ano o mesmo patamar de 2007, contrariando a tendência mundial, que aponta queda de 37% no fluxo de investimentos.

Quando a expressão Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) foi cunhada pelo banco Goldman Sachs, há sete anos, economistas do mundo inteiro questionaram a presença do Brasil. Até 2006, ainda não havia consenso se o País poderia ou não fazer parte do bloco que dominaria a economia em 40 anos. O banco revisou suas análises e o manteve na lista.

Ainda assim, para muitas multinacionais e fundos de participação estrangeiros, o Brasil só foi redescoberto mais recentemente. “O País está passando por novas fases de crescimento, diferente dos vôos de galinha de antes. Os investidores agora conseguem enxergar a longo prazo”, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luis Afonso Lima.

O avanço em alguns aspectos macroeconômicos é indiscutível. Com a inflação sob controle, os juros em queda, a melhora na renda e a maior oferta de crédito, o consumo disparou, fazendo a festa das montadoras, das construtoras, das empresas de alimentos, dos bancos, das fabricantes de eletroeletrônicos e do varejo de forma geral.

O Brasil ainda perde em termos de tamanho e custo de mão-de-obra, mas os estrangeiros estão sendo atraídos principalmente pelo crescimento do mercado local. Nesse quesito, o País já ganha da China, iguala-se à Índia e só perde para a Rússia, segundo levantamento da Unctad e elaborado pela Sobeet.

O acesso a recursos naturais e a mão-de-obra eficiente faz o Brasil ter preferência dentro dos Brics. Daí o espantoso interesse da Anglo American, da ArcelorMittal, que na semana passada pagou US$ 830 milhões por uma única mina de ferro em Minas Gerais, e das petrolíferas. Isso, sem falar no etanol, que fez uma legião de gringos construírem ou apenas visitarem usinas por aqui.

O Wal-Mart, no País desde 1995, não teria reservado um investimento de R$ 1,8 bilhão para o próximo ano se não confiasse num bom cenário. Neste ano, a classe média tornou-se maioria (51%). Desde 2004, a rede americana já aplicou R$ 3 bilhões na operação brasileira, sendo R$ 1,2 bilhão neste ano. Hoje a filial é referência para outros emergentes.

O último presidente, Vicente Trius, assumiu no ano passado a operação da cadeia de supermercados na Ásia. A expectativa em Bettonville, sede do Wal-Mart, é que ele repita do outro lado do mundo a experiência tida aqui. O Carrefour chegou a cogitar sair do Brasil por dificuldades em competir com o alto grau de informalidade no setor. Em 2007, deu o recado contrário ao pagar R$ 2,2 bilhões (à vista) pelo Atacadão.

DESTAQUES

US$ 37,4 bilhões
foi quanto o Brasil recebeu de investimento direto estrangeiro em 2007

US$ 18,8 bilhões
foi quanto o Brasil captou de investimento direto estrangeiro em 2006

99,3% foi a taxa
de crescimento no período

09/08/2008 - 14:06h Mercedes-Benz investe cerca de US$ 500 milhões no ABC

Empresa vai ampliar produção de caminhões em 25% e abrirá centro de logística em Diadema

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Cleide Silva - O Estado de São Paulo

A Mercedes-Benz, maior fabricante no País de caminhões e ônibus, vai ampliar a capacidade produtiva da fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, em 25%. Para abrir espaço para novas máquinas, a montadora deve transferir a área de logística e montagem de CKDs (kits de veículos para exportação) para uma área em Diadema. Os dois projetos devem consumir aproximadamente US$ 500 milhões em equipamentos e instalações.

O anúncio da ampliação da fábrica será feito na segunda-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao governador de São Paulo, José Serra. A estimativa de fontes do governo é de criação, ao longo dos próximos anos, de cerca de 1,5 mil novos empregos na unidade de São Bernardo, que já emprega 12 mil pessoas, e de 350 na de Diadema. A direção da empresa não confirma os dados.

Para abrigar a nova unidade de logística a Mercedes vai alugar o prédio da Papaiz, tradicional fabricante de fechaduras e cadeados que está transferindo sua produção para a Bahia. Atualmente, a Papaiz só produz em Diadema peças de esquadrias, mas concluirá a transferência da linha nos próximos meses. Inaugurada há 52 anos, a fábrica de São Bernardo está tomada, sem espaço para ampliação, por isso a decisão pela transferência das áreas de logística e CKD para outra área.

Com a ampliação em São Bernardo, a montadora terá capacidade aproximada de 75 mil veículos por ano. A empresa exporta parte de sua produção, principalmente de motores para caminhões fabricados pela marca nos Estados Unidos.

CONCORRÊNCIA

O presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Gero Hermann, vinha negociando a liberação do investimento há vários meses com a matriz alemã. O projeto foi aprovado num momento em que as vendas totais de caminhões crescem a um ritmo de 30,5% (de janeiro e julho) e há filas de espera que chegam a nove meses para determinados produtos. No ano, as vendas totais somam 69,3 mil unidades. A produção atingiu 94,9 mil caminhões, 27,5% a mais que em igual período de 2007.

A Mercedes-Benz vendeu este ano 22,7 mil caminhões, 31,5% a mais que em 2007. Sua principal concorrente, a Volkswagen, ficou muito próxima, com 21,6 mil unidades, um aumento de 40% na comparação com o ano passado. As duas travam acirrada disputa pela liderança do mercado e a vantagem da Mercedes é garantida pela Sprinter, com capacidade para até 5 toneladas de carga, segmento em que a rival ainda não atua.

Já em ônibus, a Mercedes mantém liderança absoluta, com 9,2 mil unidades vendidas este ano, 16,6% a mais que em 2007. A Volkswagen vendeu 5,3 mil unidades, desempenho 20,7% melhor que o do ano passado.

A Mercedes também tem uma fábrica em Juiz de Fora (MG), que deve produzir este ano cerca de 30 mil unidades de um sedã de luxo para exportação. A fábrica foi inaugurada em 1999 para produzir 70 mil unidades ao ano do compacto premium Classe A, mas nunca atingiu esse volume. A produção foi suspensa em 2005.

País pode ser 4º maior produtor

CÉLIA FROUFE - OESP

Apesar da robustez dos números da indústria automobilística brasileira, que levaram o setor ao posto de sexto maior fabricante mundial neste ano, ela ainda não chegou ao seu máximo, na avaliação do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. “Acho que tem mais investimento, mais salário, mais crescimento da população pobre indo para a classe média e, claro que não vai ser logo, mas podemos crescer mais”, afirmou ele na noite de sexta-feira, durante a Edição 2008 do prêmio “As melhores da Dinheiro”, em São Paulo. Ele embasou sua previsão no fato de que os mercados europeus estão saturados e sem crescimento populacional. “Podemos crescer mais e ir para o quarto lugar”, afirmou. Jorge descartou a possibilidade de o governo oferecer mais incentivos ao setor. “Os incentivos que demos já estão no plano de desenvolvimento produtivo e equivalem para outras indústrias”, disse, citando a depreciação acelerada de investimento e o drawback verde e amarelo (compra de insumos e peças sem impostos para produtos a serem exportados). Ele atribuiu o crescimento da produção e vendas de carros à expansão do crédito e à melhoria do poder aquisitivo de parte da população.

Volks decide ampliar produção no País

Fábrica de caminhões receberá R$ 2 bi em 10 anos

Alberto Komatsu - OESP


A Volkswagen Caminhões planeja dobrar seus investimentos no País no longo prazo, ou R$ 2 bilhões nos próximos 10 anos. A montadora já havia anunciado um desembolso de R$ 1 bilhão entre 2008 e 2012, mas o presidente da empresa, Roberto Cortes, contou que a tendência é de mais R$ 1 bilhão entre 2012 e 2018, com o objetivo de atender a crescente demanda da China, Índia e Rússia.

A estratégia de expansão para até 2018 já está definida. Nesse período, a Volkswagen pretende exportar o equivalente a 25 mil veículos (caminhões e ônibus) de sua fábrica em Resende, no interior do Rio, para serem montados na China, Índia e Rússia. O aumento na demanda dos principais países emergentes do mundo irá puxar a ampliação da capacidade da montadora. A previsão é mais do que triplicar a produção no período, das atuais 47 mil unidades para 150 mil por ano.

“Nossa vocação é crescer 20% ao ano e a estratégia é estar em todos os países em desenvolvimento”, afirma. A idéia é abrir unidades nos três países para montar os veículos com peças exportadas de Resende. A companhia já conta com filiais com esse mesmo perfil de produção na África do Sul, Colômbia e México.

As exportações da Volkswagen de caminhões e ônibus já alcançam 30% da produção atual da fábrica de Resende. No início de julho, a empresa anunciou o terceiro turno de produção a partir de setembro, com a contratação de 1,3 mil funcionários. Essa medida deverá fazer com que a capacidade produtiva da unidade seja ampliada de 220 para 260 veículos por dia.

O objetivo da Volkswagen de abrir filiais de montagem nos demais países que pertencem ao grupo de países em desenvolvimento conhecido como BRIC deverá ser viabilizado com a mesma estratégia que originou a fábrica de Resende. Segundo o presidente da montadora, o objetivo é fazer o investimento nas novas unidades com o apoio de recursos de seus parceiros e fornecedores.

Cortes afirma que a nacionalização de peças em mercados fora do Brasil é viável quando a demanda em cada país alcança o patamar de 15 mil unidades. Por isso, a operação inicial na China, Índia e Rússia deverá ser atendida somente com as peças e componentes produzidas principalmente no Rio.

A fábrica de Resende fez parte de um pacote de investimentos de R$ 1 bilhão entre 1995 e 2001. Foi construída em 1997, após a dissolução da Autolatina, a união entre a Volks e a Ford, no Brasil. Naquela época, a montadora tinha 15% de participação no mercado de caminhões. Este ano a empresa está com 31,4%, segundo o diretor de vendas e marketing, Ricardo Alouche.

05/08/2008 - 09:33h Produção e vendas na indústria batem recorde no semestre

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Puxado pelo mercado interno, crescimento é o maior desde 2003, segundo a CNI; emprego e massa de salários também avançam

Para economista, ritmo da atividade industrial deve se desacelerar sob reflexo do aumento dos juros; uso da capacidade instalada sobe

LUCIANA OTONI - Folha de São Paulo

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O setor industrial bateu recorde de faturamento e produção no primeiro semestre. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), de janeiro a junho as indústrias registraram alta de 8,4% nas receitas e de 5,9% na produção ante o primeiro semestre de 2007, configurando os maiores percentuais desde 2003, quando os indicadores do setor começaram a ser pesquisados.

O emprego nas indústrias aumentou 4,4%. Esse desempenho representou o melhor primeiro semestre desde 2005, quando a variação havia sido de 5,4%. Sob essa mesma base de comparação, a massa de salários pagos aos operários ficou 5,6% maior.

Já o uso da capacidade instalada no primeiro semestre foi de 83,3 (numa base de 100), tido como elevado para padrões tradicionais do setor. Ao comentar esse nível, Paulo Mol, economista da CNI, disse que o uso intensivo do parque fabril é positivo por ser fator de estímulo ao investimento. Segundo ele, a tendência é a expansão do investimento nas indústrias na segunda metade do ano.

O uso da capacidade instalada reflete as condições operacionais das indústrias em atender a demanda sem que haja pressão de preços. É, também, um dos principais indicadores analisados pelo BC nas decisões sobre aumento dos juros.

Especificamente em junho, todos os indicadores apresentaram alta tanto na comparação com maio como na comparação com junho de 2007. O destaque foi, mais uma vez, o faturamento, que avançou 10,5% ante junho do ano passado e 2% sobre maio.

Os setores que apresentaram os maiores percentuais de aumento da receita foram as indústrias de aviões e motos, montadoras de veículos, fábricas de material eletrônico, de máquinas e equipamentos, de refino de álcool, de papel e celulose e fábrica de metais.

Para Paulo Mol, os bons resultados refletem o mercado interno, que se mantém ano como o motor da economia.

A CNI analisa que o ritmo intenso da atividade industrial tende a ser manter, mas com desaceleração, devido à elevada base de comparação com os primeiros seis meses do ano e como efeito da decisão do governo de combater a inflação por meio da elevação dos juros.

A alta dos juros encarece o crédito a empresas e consumidores e provoca redução do ritmo de expansão da economia.

22/07/2008 - 10:03h ABC e D: 40% dos postos de trabalho recuperados e novos horizontes para a região

ABC recupera vigor, mas perde poder sindical

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Marli Olmos e Raquel Landim, de São Paulo, São Bernardo do Campo e Diadema - VALOR

Regiane Maria da Silva, 22 anos, casada, trocou de emprego no começo do ano e está trabalhando na linha de montagem da Federal Mogul, em Diadema. Passam por sua mãos 220 faróis de moto por hora. O trabalho é corrido, mas ela não reclama. Regiane aproveitou as contratações da indústria automotiva para ganhar mais. Com a mudança, o salário aumentou 25%, para R$ 926. Ela conta que utiliza o dinheiro extra para pagar dívidas, comprar roupas e passear com o filho, Gustavo - um luxo praticamente impossível antes.

A operária ocupa uma das mais de 22 mil vagas abertas na base metalúrgica que abrange São Bernardo do Campo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra nos últimos cinco anos, período em que o nível de emprego nesse setor industrial na região do ABC paulista voltou a crescer.

Desde 2003 a categoria metalúrgica dessas cidades recuperou em torno de 37% dos postos de trabalho perdidos na década de 90. Os números oficiais serão divulgados pelo sindicato hoje. O último dado oficial da entidade mostrava 97,6 mil trabalhadores em março. Como a média de abertura de novas vagas está em mil empregos por mês, a categoria dessa base já passa de 100 mil.

A capacidade de o ABC voltar a criar empregos e atrair investimentos, inclusive como berço de novos projetos de veículos, coincide, porém, com um momento de enfraquecimento político daquele que já foi o principal sindicato do país e onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou a atividade de líder sindical.

Disputas de poder moldaram um novo mapa na representação dos trabalhadores. O grupo de São Bernardo, onde nasceu o Partido dos Trabalhadores (PT) e seu braço sindical, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), perdeu em agosto do ano passado uma parte importante da base. Depois de uma disputa na Justiça, que se estendeu de 1996 a agosto do ano passado, a Força Sindical tomou o controle da base de Santo André.

Para evitar que o impasse se arrastasse ainda mais na Justiça, os sindicalistas resolveram fazer uma partilha da base de forma consensual. O grupo de São Bernardo continuou com Diadema e levou mais dois pequenos municípios: Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. A turma de Santo André ficou com Mauá e mais um prédio de treinamento que também estava na disputa.

A Força Sindical comanda também o Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, que há anos está totalmente descolado do resto do movimento sindical da região. Outro ponto de enfraquecimento é que, uma vez feita essa divisão de grupos, surgiram três datas-base na região: agosto, setembro e novembro, o que, por si só já contrapõe com as históricas mobilizações que reuniam milhares dentro de um estádio durante as negociações trabalhistas dos tempos de Lula.

Dessa forma, a entidade que leva o nome Sindicato dos Metalúrgicos do ABC representa cada vez menos o ABC, apesar de ser a maior entidade, a mais estruturada e a mais afinada com as poderosas comissões de fábrica, especialmente das montadoras.

Os sete municípios que compõem o ABC têm, juntos, mais de 140 mil trabalhadores. O atual presidente do Sindicato do ABC, José López Feijóo, argumenta que a sua base é a maior. De fato, essa entidade é dona de 72% da categoria na região, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), subseção ABC. Santo André e Mauá, a segunda maior base, reúne 23 mil.

No próximo dia 2, Feijóo será substituído por um novo presidente, Sérgio Nobre, um empregado da Mercedes-Benz. Nobre tem a própria história ligada aos momentos de crise na região. Seu pai trabalhou na Brastemp , uma das empresas que desistiram da região na década de 90 e ele, aprendiz do Senai, começou a trabalhar na indústria automobilística quando só se falava em demissões .

As empresas que não desistiram do ABC hoje crescem junto com a região. José Carlos Ferreira Catib, diretor geral da ZF Sachs, uma multinacional do setor de autopeças, conta que a empresa chegou a cogitar a possibilidade de sair da região 15 anos atrás. Na época, pesavam a ação sindical e os custos, afirma Catib. “Mas a mudança nessa postura sindical nos levou a ficar”, destaca. “Os sindicalistas perceberam que tinham que atuar em conjunto com as empresas”, destaca.

Do seu lado, os sindicalistas dizem que as empresas também mudaram. “Antigamente as empresas não aceitavam sequer receber uma pauta de reivindicações e, por isso, tínhamos que partir logo para a greve”, destaca Adilson Torres dos Santos, diretor do Sindicato de Santo André.

Catib lembra que a região tem mão-de-obra qualificada e proximidade do porto de Santos. Mas o que freia um pouco esse crescimento é o esgotamento da capacidade. A própria ZF instalou uma nova unidade em Araraquara, no interior paulista, porque precisava ampliar a produção.

Em São Bernardo, a ZF faz componentes de embreagem , que são, posteriormente montados em Araraquara. Dali, as peças seguem para as montadoras do Brasil e do exterior. Qualquer paralisação pode pôr a perder essa sintonia.

“O setor automotivo é a porta na nossa cadeia produtiva. Ainda é o alicerce da economia”, diz Fernando Longo, secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de São Bernardo. Ele recebe solicitações diárias de empresas procurando área livre para se instalar na cidade, mas ressalta que é bastante complicado.

Graças aos novos empregos, a região voltou a crescer e atrair investimentos imobiliários e do comércio. Dimitrios Markakis, presidente da Dicico, está investindo na região do ABC paulista. Ele instalou uma loja em Diadema em 2007 e vai abrir outra em São Bernardo este ano. Em 2009, será a vez de Santo André. O executivo encomendou pesquisas sobre a região e, apesar do alto custo dos imóveis, a indicação é de retorno positivo, porque o potencial econômico é promissor.

“Quando abrimos uma loja, não podemos errar, porque o custo chega a R$ 12 milhões”, diz. Markakis avalia que, com o boom do setor automotivo, a tendência é de melhora do poder aquisitivo. Ele não duvida de que será seguido pelos concorrentes em breve. “Provavelmente todos os grandes varejistas de material de construção estarão em todas as cidades do ABC”.

Com 100% de ocupação nas lojas e alta de 14% nas vendas em 2007, o ABC Plaza Shopping, em Santo André, faz planos de ampliação. Segundo Márcia Pacheco, gerente de marketing do shopping, serão construídas mais 86 lojas - quase um terço das atuais 305. A incorporadora Cyrella vai investir R$ 30 milhões no projeto. “Com o boom imobiliário, as pesquisas detectaram a necessidade de novas lojas”, diz Márcia. Ela explica que o objetivo não é elitizar o shopping, cujo público majoritário é das classes B e C, mas atender à sofisticação nos hábitos de consumo.

Augusto Toldo, diretor e um dos donos da Super Mad, varejista de madeiras, está em São Bernardo desde 1951. Hoje a rede possui sete lojas no Estado. “O ABC sempre foi o carro-chefe, porque temos tradição aqui”, diz. Toldo se lembra das crises econômicas, mas afirma que sempre acreditou na região e agora está mais animado com o crescimento da construção civil nas cidades do ABC paulista.

O carinho com o ABC não impede que o empresário tente a sorte em outros lugares, mas sempre atento à movimentação das montadoras. Toldo tira da gaveta uma matéria de jornal recortada sobre a fábrica da Toyota em Sorocaba. “Veja isso. Vai gerar muito emprego. Nós vamos para lá no ano que vem”, diz.

Uma conseqüência do crescimento econômico é o aumento de arrecadação e folga no caixa das prefeituras do ABC para investir. Entre 2000 e 2007, o repasse estadual de ICMS aumentou 85% para Santo André, 53% para São Bernardo, 119% para São Caetano e 72% para Diadema, conforme dados da secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

Fábio Piangentini, secretário de Desenvolvimento Econômico de Santo André, afirma que a prefeitura investiu R$ 28 milhões em um complexo viário para reduzir o trânsito na cidade e facilitar a logística para as empresas. Além disso, a cidade vai inaugurar um novo hospital na periferia, voltado para a saúde da mulher.

22/07/2008 - 09:44h ABC e D: mais segura, Diadema atrai grandes redes

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De Diadema - VALOR

Em abril do próximo ano, Diadema vai ganhar seu primeiro shopping center. A obra ocupa um quarteirão no centro, a 250 metros do comércio popular da cidade, em uma área onde existiam um prédio da prefeitura, algumas casas e uma chácara. Serão cerca de 150 lojas.

O shopping Praça da Moça é um dos empreendimentos que promete mudar a cara do município do ABC paulista que até pouco tempo era conhecido pela violência e pelo abandono. Diadema vive um boom imobiliário, com outdoors espalhados pelas ruas anunciando prédios de apartamentos e lojas.

Várias redes de varejo decidiram se estabelecer no município. A Dicico, que vende material de construção, abriu uma loja em 2007 em um movimentado cruzamento da região central. O Tenda Atacado inaugura uma unidade em meados de agosto. O Wal-Mart também pretende abrir sua loja até o fim deste ano.

“Chegou a nossa vez”, diz Celso Ruiz, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Diadema. Ele acredita que é o início de um círculo virtuoso, porque as novas lojas vão ajudar a “segurar” o consumidor em Diadema. A cidade é exportadora líquida de renda, porque faltam opções de comércio e lazer.

Existem 1.866 empresas em Diadema nos setores de autopeças, plástico, químico e borracha. Além disso, operários das montadoras instaladas no ABC paulista moram na cidade. Segundo a prefeitura, 25% a 30% do Produto Interno Bruto (PIB) está relacionado à indústria automotiva, que está batendo recordes de vendas e contratando mais operários.

Em 2007, o emprego cresceu 6,4% em Diadema, acima da média nacional de 5,85%. Na indústria, que concentra a maior parte das vagas, aumentou 5,4%. Na construção civil, a alta chegou a impressionantes 27,5%. No primeiro semestre deste ano, o emprego em Diadema cresceu 3,8% - ritmo similar a média do Brasil.

Com a atividade econômica mais forte, a arrecadação fiscal também melhorou, possibilitando investimento em segurança e saúde. Entre 2003 e 2007, o repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do governo estadual para Diadema cresceu, em média, 13,6% ao ano. No mesmo período, a arrecadação de Imposto sobre Serviços (ISS) também avançou 25,2% na média anual.

“O crescimento econômico foi a cereja do bolo”, disse Roberto Martins, diretor da Empreendi e coordenador do projeto do novo shopping. Graças à expansão da atividade local, 75% das lojas já foram alugadas. Segundo o executivo, algumas redes confirmadas são C&A, Riachuelo, Renner, Marisa e Magazine Luiza. O shopping será destinado à classe C, que responde por metade da população de Diadema.

Martins explica que a redução da criminalidade também foi fundamental para convencer os investidores. Para viabilizar o empreendimento, o executivo conseguiu R$ 150 milhões com fundos de investimentos, pessoas jurídicas e físicas. A Funcef adquiriu recentemente 40% do empreendimento.

O Wal-Mart está investindo R$ 21 milhões na nova loja em Diadema. Segundo Leonardo Taufer, diretor comercial da divisão Maxxi do grupo, o objetivo é atender pequenos estabelecimentos comerciais e famílias das classes C e D. “Escolhemos Diadema por conta do crescimento econômico e do aumento de consumo e renda”, explicou.

O Tenda Atacado vai trabalhar com itens de alimentos, higiene pessoal, perfumaria e limpeza para varejistas independentes e também para o consumidor final. Segundo Eduardo Severini, diretor do Tenda, a loja faz parte de um plano mais amplo de expansão do grupo e Diadema foi escolhida porque possui um grande potencial de consumo.

Conforme Dimitrius Markakis, presidente da Dicico, as vendas na loja de Diadema superam a expectativa. A média diária de visitantes da rede é de 800 pessoas por loja nos dias úteis. Em Diadema, são mil visitantes/ dia. A loja abriu há oito meses e a Dicico é o único grande varejista de construção civil na cidade. Por enquanto. (RL)

22/07/2008 - 09:31h ABC e D: em expansão, região já dispensa o título de “Detroit brasileira”

Divulgação
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De São Paulo - VALOR

Houve um tempo em que todas as previsões seguiam na mesma direção: com características semelhantes às da cidade do Estado de Michigan onde nasceu a linha montagem, a região que abriga o pólo automotivo do ABC estaria igualmente fadada ao lento e doloroso processo de esvaziamento por que passa a cidade onde estão os fabricantes de veículos americanos. Seria, no entanto, injusto hoje chamar o ABC de “Detroit brasileira”.

Resultado ou não do fim da guerra fiscal ou da mudança da conduta sindical na região, uma significativa parcela dos investimentos da poderosa indústria automobilística se voltou para o lugar que a fez surgir, na década de 50. No último ano, Volkswagen, Ford e General Motors, três dos quatro maiores fabricantes de automóveis do país, reforçaram investimentos e anunciaram novos modelos de carros nas fábricas da região. No caso da Volks e da Ford, os anúncios vieram acompanhados de acordos com o sindicato de São Bernardo autorizando flexibilidade em benefícios trabalhistas e na carga horária para ajudar na redução dos custos.

Somente no ano passado, a Volks abriu 1.216 vagas em São Bernardo, pondo um ponto final no desgastante episódio que um ano antes quase levou a empresa a encerrar atividades naquela unidade. No início deste ano, a Mercedes-Benz, anunciou a contratação de 500 trabalhadores para sua fábrica de caminhões, também em São Bernardo, nos primeiros sete meses do ano. Desde maio de 2007, foram mil novas vagas somente nessa empresa.

No mês passado, foi a vez da Ford anunciar a contratação de 400 empregados, o que representa um crescimento de cerca de 50% na força produtiva da fábrica de caminhões, também em São Bernardo, para conseguir dar início ao segundo turno de produção a partir do início do próximo ano.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), 53% dos metalúrgicos da base que abrange São Bernardo, Diadema, Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires, trabalham em montadoras e empresas de autopeças.

O ABC chegou a ter 228,8 mil metalúrgicos, quase 40% mais do que hoje. E é certo dizer que a região quase seguiu mesmo o caminho de Detroit. Há uma década, bairros que no passado abrigavam uma pujante indústria de autopeças, exibiam galpões vazios.

No início da década de 90, tornou-se uma rotina comum na região a saída de fábricas de áreas que, na seqüência foram ocupadas por supermercados ou shopping centers, incluindo aí o espaço da unidade da Villares em que o presidente Lula trabalhou.

Os investimentos que montadoras e seus fornecedores fazem hoje na região ajudam a incrementar os níveis de emprego. Mas, ao mesmo tempo, há uma parcela significativa de filiais dessas mesmas empresas no interior paulista. Se no passado, o movimento do ABC para o interior acontecia como resultado de relações trabalhistas menos cordiais, hoje as expansões nas fábricas do interior decorrem da falta de espaço no ABC paulista.

Isso já se reflete nos números de emprego. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), a participação do interior paulista no efetivo do setor subiu de 25,5% há uma década para 34,7% no ano passado. Ainda assim, o cenário do ABC está muito distante do que se vê na sombria Detroit. (MO)

07/07/2008 - 09:51h Governo Lula: desonerar para investir

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LDO prevê ampliar incentivos para R$ 114 bi no próximo ano

LUCIANA OTONI - FOLHA DE SÃO PAULO

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A renúncia de impostos e contribuições prevista pelo governo para o próximo ano, segundo a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), será de R$ 114 bilhões. Desse total, a LDO estima que R$ 97 bilhões serão renúncias de impostos e contribuições incidentes sobre os setores da economia.

Outros R$ 17 bilhões representarão isenções no recolhimento da contribuição previdenciária para o INSS, como a que é dada a entidades filantrópicas e clubes de futebol.

Do total estimado para o próximo ano, a maior parte das renúncias, R$ 29,6 bilhões, ocorrerá entre empresas de comércio e serviços e se deve, principalmente, à redução de tributos para micro e pequenas empresas no programa Super-Simples.

No setor industrial, a perda de arrecadação estimada será de R$ 19,2 bilhões e decorre, entre outros projetos, da redução na cobrança de impostos das empresas em atividades na Zona Franca de Manaus e de R$ 2 bilhões em benefícios destinados às montadoras.

Os benefícios dados a projetos de infra-estrutura vinculados ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) vão subtrair R$ 1,4 bilhão da arrecadação. O alto volume das renúncias mostra a opção do governo em conceder desonerações tributárias, em vez de promover uma efetiva redução da carga.

A criação de novos tributos e os ajustes feitos nas normas nos últimos anos ampliaram o total de impostos pagos pela sociedade. O dado oficial mais atualizado, da Receita Federal, é de 2006, quando a cobrança de impostos e contribuições feita por União, Estados e municípios somou R$ 795 bilhões, o correspondente a 34,23% do PIB (Produto Interno Bruto).

Outro fato apontado por tributaristas é que a opção por conceder desonerações, em vez de cortar ou diminuir tributos, significa privilegiar políticas específicas. Um exemplo é o da política industrial. Fortemente concentrada em ações de estímulo às exportações, a renúncia de tributos nesse programa é de R$ 21,4 bilhões até 2011.

Crítico do atual nível da carga tributária, o advogado Ives Gandra da Silva Martins diz que o alto peso dos tributos reflete o excesso de gastos na máquina pública. “No Brasil, gasta-se muito e gasta-se mal. Enquanto nos EUA e no Japão a carga tributária é de 30% sobre o PIB, no Brasil o percentual é de 37%. Isso reflete a incap

02/06/2008 - 09:59h Indústria mantém ritmo intenso no 2º trimestre

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De São Paulo, Rio, Florianópolis, Porto Alegre, Salvador e Curitiba - jornal VALOR

A indústria vai encerrar o segundo trimestre em um ritmo ainda intenso de atividade, puxada pelo setor automotivo, insumos para a construção civil e bens de consumo semiduráveis. Muitas empresas e setores consultados pelo Valor estimam terminar este trimestre com crescimento em relação ao desempenho dos três primeiros meses do ano, o que seria um sinal de aceleração do ritmo de atividade. Há relatos localizados de perda de ímpeto, como na indústria de alimentos, afetada pela alta dos preços, e de eletroeletrônicos, especialmente dos fabricantes de Manaus, cuja produção de abril e maio foi prejudicada pela greve dos auditores fiscais.

Junto com a produção aquecida crescem as pressões de custo. A queda-de-braço entre os produtores de resinas, fabricantes de artigos plásticos e de embalagens e os consumidores finais - como no setor de alimentos - pode afetar a produção. Na indústria automotiva, depois da nova rodada de reajuste do aço, as montadoras devem elevar preços. Também há aumentos nos setores têxtil e de insumos para a construção.

“Na siderurgia eu não consigo vislumbrar um desaquecimento até o fim do terceiro trimestre. Até lá, está tudo comprado”, diz o presidente da distribuidora Rio Negro, Carlos Loureiro. Beneficiadas pelo forte movimento do transporte de produtos agrícolas, alimentos e manufaturados, as indústrias de implementos rodoviários (reboques e semi-reboques) também entram em junho sem sinais de arrefecimento na demanda. A Anfir, associação dos fabricantes do setor, informa que os pedidos em carteira chegam a 90 dias de produção, ante 60 dias há um ano. A previsão de crescimento para 2008 foi elevada para 20% e pode ser revisada novamente no início do segundo semestre.

A produção de tintas e vernizes cresceu 8% no primeiro trimestre e depois de um abril prejudicado pelas chuvas, maio trouxe encomendas mais fortes. A Eternit, fabricante de telhas e caixas d’água, está desde o quarto trimestre do ano passado sem crescimento de produção porque chegou a seu limite. Uma linha de produção que entrou em operação em maio vai aumentar a oferta entre 8% e 10%. No setor têxtil, a queda das temperaturas ajudou e quem colocou a próxima coleção na rua já está com um volume negociado superior ao do mesmo período de 2007.