04/07/2008 - 10:42h O espetacular declínio da desnutrição

http://brasil.indymedia.org/images/2006/01/342781.jpg

CARLOS AUGUSTO MONTEIRO - O GLOBO

Estudiosos e cientistas, com razão, relatam suas descobertas em textos sóbrios, evitando o emprego de adjetivos e superlativos, particularmente nos títulos dos artigos que assinam. Embora assim deva ser, exceções por vezes se impõem. Este é caso dos achados sobre o estado nutricional das crianças brasileiras revelados pela Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde (PNDS). Essa pesquisa, realizada entre novembro de 2006 e maio de 2007 em uma amostra probabilística de todos os domicílios brasileiros, foi conduzida por um consórcio de instituições acadêmicas coordenado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento.

Antes de tudo, deve-se dizer que a desnutrição nos primeiros anos de vida é um dos maiores problemas de saúde enfrentados por países em desenvolvimento.

Há evidências exaustivas de que a ocorrência de desnutrição na infância determina maior mortalidade, excesso de doenças infecciosas, comprometimento do crescimento linear, prejuízo para o desenvolvimento psicomotor, menor aproveitamento escolar e menor capacidade produtiva na idade adulta.

Enumeramos a seguir os achados mais expressivos de análises realizadas com base na PNDS 2006 e em inquérito comparável realizado em 1996: 1) a exposição das crianças brasileiras a formas agudas de desnutrição (déficit de peso para altura) tornou-se virtualmente nula em todo o país, incluindo a Região Nordeste e os estratos das famílias de menor renda, onde o problema ainda alcançava dimensões relevantes em meados da década de 90; 2) a prevalência de formas crônicas de desnutrição (déficit de altura para idade), de mais difícil controle, foi reduzida em cerca de 50% entre 1996 e 2006 (de 13% para 7%), com perspectivas de virtual controle em mais dez anos; 3) a desnutrição infantil crônica declinou de modo espetacular na Região Nordeste (de 22% para 6%), eliminando toda a tradicional diferença existente entre essa região e o Centro-Sul do país (o declínio menos intenso na Região Norte faz dessa região, no momento, a única ainda a ostentar prevalências de desnutrição típicas de países em desenvolvimento); 4) o declínio particularmente intenso da desnutrição nos estratos de menor renda reduziu em 70% a desigualdade existente nos anos 90 entre o quinto mais pobre e o quinto mais rico das crianças brasileiras; 5) a prevalência atual de desnutrição infantil no Brasil é uma das mais baixas no mundo em desenvolvimento, sendo cerca de 50% inferior à estimada para países com semelhante nível de desenvolvimento econômico — no México, por exemplo, no mesmo ano de 2006, o risco de desnutrição infantil foi mais de duas vezes superior ao encontrado no Brasil.

Modelagens estatísticas relativamente complexas para serem explicadas em detalhe neste espaço, realizadas a partir do conjunto de informações fornecido pelos inquéritos de 1996 e 2006, identificam quatro fatores que justificam a maior parte do declínio da desnutrição infantil no período: o aumento da escolaridade das mães, em particular a duplicação da proporção daquelas que cursaram pelo menos o ensino fundamental completo (de 32% para 60%), o crescimento do poder aquisitivo dos estratos mais pobres (com migração substancial da classe E para as classes D e C de consumo), a expansão da assistência prénatal e ao parto e a ampliação das redes públicas de abastecimento de água e coleta de esgoto.

Em síntese, as causas para a trajetória especialmente favorável do estado nutricional das crianças brasileiras no último decênio parecem residir no aumento da cobertura de serviços públicos essenciais e no aumento da renda familiar, ambos beneficiando em particular as regiões e as famílias mais pobres do país. É importante reconhecer que a melhoria no perfil de escolaridade das mães responde à expansão do acesso de jovens ao ensino fundamental ocorrida há 10 ou 20 anos.

Já as melhorias na assistência à saúde materno-infantil e no saneamento básico representam ampliações contínuas do acesso a esses serviços havidas ao longo do período 1996-2006.

Por outro lado, o crescimento expressivo do poder aquisitivo dos mais pobres é de ocorrência mais recente, decorrendo do reaquecimento da economia, da redução do desemprego e de políticas dirigidas para o aumento da renda dos mais pobres, em particular a elevação do salário mínimo e a expansão e intensificação dos programas de transferência de renda.

De qualquer sorte, e mais importante: a superação definitiva do flagelo da desnutrição infantil, vislumbrada no último decênio, dependerá tanto da manutenção do crescimento econômico e das políticas de redistribuição de renda quanto de investimentos na universalização, ainda não completada, do acesso de todas as famílias brasileiras a educação, saúde e saneamento.

04/07/2008 - 10:30h Doenças atingem crianças mais pobres

No Norte e no Nordeste, diarréia é causa comum de internações e mortes

http://www.mundodorap.blogger.com.br/fo2.JPG

BRASÍLIA. A Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) mostra como a saúde das crianças continua a ser um alvo preferencial da pobreza.

De acordo com o estudo, os menores de 5 anos que moram nas regiões mais pobres do país sofrem mais de diarréia, um sintoma típico de má alimentação, falta de saneamento e consumo de água contaminada. Nos casos mais graves, a diarréia pode levar à morte por desidratação. No Norte, 27,7% das crianças tiveram a doença nos três meses anteriores à visita dos pesquisadores.

No Sudeste, o percentual cai para 18,7%.

Entre as crianças que foram internadas em hospitais no mesmo período, a diarréia foi responsável por 36,4% dos casos no Norte, contra apenas 7,4% no Sudeste. “Sabese que a diarréia ainda é considerada um importante problema de saúde pública e, em algumas regiões e segmentos populacionais, permanece como causa comum de internação e mortes infantis”, diz o capítulo do estudo dedicado à saúde das crianças, escrito pelas pesquisadoras Estela Pinto da Cunha e Raquel Eichman Jakob.

No Nordeste, 94,9% buscam atendimento na rede pública A pesquisa também mostra que as mães das regiões mais pobres dependem mais do atendimento na rede pública de saúde. No Nordeste, 94,9% das mulheres que buscaram atendimento para crianças com diarréia bateram na porta de hospitais ou postos médicos do Sistema Único de Saúde (SUS), e só 3,7% buscaram a rede privada. No Sul, a taxa de atendimento em consultórios e hospitais privados foi dez vezes maior: 37,4%, contra 62,6% na rede do SUS.

Ao examinar os números da mortalidade infantil, as pesquisadoras concluíram que a escolaridade das mães está diretamente ligada à possibilidade de morte das crianças.

Segundo o estudo, no caso das mães que não completaram quatro anos de estudo, o risco de morte de seus filhos é 46% superior ao daquelas que superaram os oito anos de instrução, e 40% mais elevado entre aquelas com 4 a 7 anos de estudo (ensino fundamental incompleto). “Fica evidente a importância deste fator social como condicionante decisivo do fenômeno”, diz o relatório.

De acordo com o estudo, as crianças filhas de mães negras ainda estão mais sujeitas à morte antes de completar 12 meses de vida. “As crianças menores de 1 ano cujas mães declararam ser negras apresentam uma situação de desvantagem em relação às brancas, com um nível de mortalidade infantil 25% mais elevado”, afirmam as pesquisadoras.

04/07/2008 - 10:12h Doméstica esperou três gerações para se livrar do fantasma da desnutrição

Célia perdeu 6 irmãos, teve de internar os filhos, mas comemora saúde dos netos

Letícia Lins - O Globo

RECIFE. A lembrança do tempo em que a única refeição do dia era o aruá, um caramujo, ainda é forte para a empregada doméstica Célia Alves Barbosa da Silva, de 38 anos. Dos seus dez irmãos, seis morreram por desnutrição.

Ela lembra que só fazia três refeições diárias quando a mãe arranjava emprego nos engenhos do interior da Paraíba.

Do contrário, a única alternativa era mesmo o aruá, encontrado em riachos e córregos da Zona da Mata e catado pelos cortadores de cana durante o período de entressafra açucareira.

— Quando ela (a mãe) limpava roça ou cortava cana, a coisa melhorava. Mesmo assim, a ração era muito limitada. De manhã era só fubá. No almoço, ela cozinhava tudo junto, feijão e macarrão. Carne, nem pensar.

De noite, era aquele mel preto de engenho com farinha. Mas isso já era considerado um luxo.

Lembro que eu e meu irmão íamos à padaria mendigar pedaços de pão, e eles eram tão duros que doíam se a gente jogasse na cabeça de uma pessoa.

Mas comíamos mesmo assim.

Leite doado para sobreviver a várias internações Aos 7 anos, Célia começou a trabalhar como babá em troca de roupas usadas e pratos de comida. Foi para Recife em busca de um ganho maior, mas, aos 15 anos, teve o primeiro filho e, aos 18, o segundo, uma menina.

Ela conta que as duas crianças eram desnutridas. A menina foi internada diversas vezes, e Célia pensou que, como seus irmãos, eles morreriam por inanição.

Mas a filha sobreviveu às internações, alimentando-se, muitas vezes, com leite doado.

— A gente trabalhava em casa de família, mas era sem carteira assinada nem salário mínimo.

Eu não tinha nem dinheiro para comprar leite.

Com 1 ano, Mariana era tão magra e fraca que nem conseguia ficar em pé .

Analfabeta, ganhando R$ 520 mensais, além de alimentação e recolhimento do INSS sem desconto no seu salário, Célia cria dois netos e os três filhos de uma irmã que tem problemas psicológicos. Seu companheiro é pedreiro e, embora não tenha carteira assinada, nunca lhe falta serviço.

Casal não conseguiu benefício do Bolsa Família O casal tentou a ajuda do programa Bolsa Família, mas não conseguiu. Célia não reclama: acha que suas cinco crianças vivem bem melhor do que seus filhos e do que ela e seus irmãos.

Camila, de 9 anos, Tiago, de 5, Márcio, de 4, Tauana, de 2, e Miguel, de 10 meses são bem nutridos, ao contrário dos pais e dos tios. Célia consegue comprar comida em quantidade.

— Feijão, macarrão e arroz só compro em fardo (dez quilos).

Sempre tem galinha ou carne, e de noite todo mundo tem direito a pão, café com leite.

Compro até iogurte para os meninos — conta Célia, que se beneficia de um programa de distribuição de leite.

Os netos e filhos adotivos nunca precisaram de internação por desnutrição.

Apesar de o período das festas juninas sempre forçar os preços para cima, o bom inverno aumentou a oferta do milho, que ficou barato: — Comemos canjica, pamonha, milho assado. Quando eu era criança, a gente ouvia os fogos pipocarem, mas também É singular na história polítio ronco do estômago

04/07/2008 - 09:49h Desnutrição infantil cai 46% no pais e 74% no Nordeste

A imagem “http://www.mds.gov.br/ascom/videos/vd01-%20combate%20a%20pobreza.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

‘A desnutrição aguda sumiu’

Na forma crônica, mal caiu 46% no Brasil e 74% no Nordeste, em dez anos

Bernardo Mello Franco e Evandro Éboli - O Globo

A imagem “http://oglobo.globo.com/jornal/oglobo/foto/capa__i.jpg” contém erros e não pode ser exibida. BRASÍLIA

Estudo divulgado ontem pelo Ministério da Saúde mostra que o país conseguiu reduzir quase à metade, em dez anos, os principais índices que medem o impacto da pobreza sobre a saúde das crianças. A desnutrição infantil crônica, calculada a partir do percentual de crianças que deixaram de crescer por falta de alimentação adequada, era 46% menor em 2006 do que na edição anterior da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), realizada em 1996. Na Região Nordeste, a redução chegou a 74%.

No mesmo período, a taxa de mortalidade infantil caiu 43,5% no país.

Segundo o estudo, a parcela de crianças de até 5 anos que sofrem de desnutrição crônica caiu de 13% para 7%. O índice leva em conta o déficit de altura em relação à idade. Entre as crianças nordestinas, a taxa de desnutrição diminuiu de 22% para 5,7%. O número de crianças com excesso de peso variou pouco, e ficou em 6,6%.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que o resultado deve ser comemorado, e atribuiu parte da evolução aos programas de transferência de renda do governo federal, como o Bolsa Família: — A desnutrição se reduziu drasticamente.

É evidente que há um impacto das políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e da ampliação do emprego e da renda média. O que a pesquisa mostra é que o padrão alimentar melhorou, o consumo de alimentos foi ampliado.

A taxa de desnutrição infantil aguda, que pode levar à morte, caiu 13% no mesmo período. Na pesquisa anterior, 2,3% das crianças apresentavam déficit de peso em relação à altura.

Em 2006, o índice baixou para 2%. Para Carlos Augusto Monteiro, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP e um dos autores do estudo, já se pode dizer que o país conseguiu eliminar a calamidade: — Esse problema no Brasil já era pequeno. A PNDS mostra que ele sumiu.

Hoje, a relação peso/altura das crianças brasileiras é a mesma da dos Estados Unidos e de outros países.

A imagem “http://www.mds.gov.br/ascom/videos/vd02%20-%20desnutricao%20infantil.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Mortalidade infantil também cai muito

A mortalidade infantil registrou outra queda expressiva, de 39 por mil nascidos vivos para 22 por mil nascidos vivos. Nesse ritmo, os pesquisadores estimam que o país conseguirá atingir a Meta do Milênio para superar o problema até 2012, três anos antes do prazo fixado pelas Nações Unidas.

Os especialistas atribuem o avanço ao uso do soro caseiro, ao aumento do aleitamento materno e às melhoras na alimentação e no saneamento.

A pesquisa registrou a insatisfação das mães com a falta de dinheiro para comprar comida: 37,5% afirmaram não ter acesso a alimentação em quantidade e qualidade suficiente para suas famílias. No Nordeste, esse número salta para 54,6%. O estudo mostra que 4,7% dos domicílios passaram por alguma situação de fome, classificada como insegurança alimentar grave, nos três meses anteriores à pesquisa.

No Norte, essa taxa é de 13,3%.

Após cruzar dados do estudo, Monteiro apresentou números, não incluídos no relatório final, que mostram que a queda da desnutrição infantil estaria ligada ao aumento da escolaridade das mães (24,6%), à elevação do poder aquisitivo das famílias (22,5%), à melhora nos programas de assistência à saúde (10,4%) e à expansão da rede de saneamento (5,8%). Ele disse não ter encontrado uma justificativa única para 36,7% dos casos, mas afirmou que, entre esses fatores, está a redução da taxa de natalidade. Segundo o professor da USP, não é possível medir o impacto dos programas de transferência de renda, que influem em mais de uma variável da evolução.

Realizada pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e financiada pelo governo federal, a PNDS ouviu 15 mil mulheres em idade fértil, entre 15 e 49 mil anos, e pesquisou a situação de saúde de 5 mil crianças de até 5 anos.

03/12/2007 - 11:06h IBGE: Expectativa do brasileiro ao nascer subiu para 72,3 anos em 2006

O Globo Online

RIO - Em 2006, a esperança de vida do brasileiro ao nascer era 72,3 anos, de acordo com o estudo Tábuas Completas da Mortalidade divulgado nesta segunda-feira pelo IBGE. Na comparação com a expectativa de vida do brasileiro em 1960 (que era de 54,6 anos), esse indicador cresceu 32,4% (ou 17 anos, 8 meses e 1 dia). Em 2005, a esperança de vida era de 71, 9 anos.

De 1960 a 2006 , a esperança de vida das mulheres teve a maior alta (35,7%), chegando 76,1 anos , contra 68,5 anos para os homens (28,9%). Alguns dos fatores que contribuíram para esta mudança, de acordo com o IBGE, foram a melhoria no acesso da população aos serviços de saúde , as campanhas de vacinação, o aumento da escolaridade , a prevenção de doenças e os avanços da medicina.

Distrito Federal tem a maior esperança de vida

Em 2006, entre as unidades da federação, o Distrito Federal liderava, com a mais alta esperança de vida (75,1 anos), e Alagoas (66,4 anos), ocupava o último lugar. Em 1980, ano em que teve início as comparações regionais, a maior expectativa estava no Rio Grande do Sul (67,8 anos ); Alagoas já estava em último lugar (55,7 anos ).

Para os homens , a maior esperança de vida dos estados é em Santa Catarina (71,8 anos) e a menor, em Alagoas (62,4 anos ). No caso das mulheres, o Distrito Federal se destaca (78,9 anos ), enquanto, novamente, Alagoas fica na base da lista com 70,4 anos.

Mortalidade infantil caiu 64%

Já a mortalidade infantil (24,9%) declinou 64,0%, entre 1980 e 2006. Alagoas (51,9%) e Maranhão (40,7%) permaneceram com as maiores taxas do país. Nesse mesmo período, a violência fez aumentar muito a mortalidade masculina, principalmente no grupo dos 20 aos 24 anos, sendo que os maiores saltos foram no Amapá (de 1,6 para 6,1 vezes ) e no estado de São Paulo (de 2,4 para 5,9 vezes ).

Em 2006, o estado com a mais baixa taxa de mortalidade infantil era o Rio Grande do Sul (13,9?), seguido por São Paulo (16,0%). O Ceará conseguiu a maior redução, no período estudado (72,4%), passando de 111,5 % para 30,8%.

Mais de 80% das mortes violentas ocorrem entre homens

Em 2005, mais de 80% dos óbitos violentos ocorreram entre os homens. De 1980 a 2005, os percentuais relativos às mortes por homicídios quase duplicaram, indo de 19,8% para 37,1% entre o total de óbitos , de 22,4% para 40,8% entre os homens e de 9,4% para 18,3% entre as mulheres O IBGE estima que 15,6% das mortes ocorridas em 2005 podem não ter sido registradas, e que 13,7% dos óbitos em hospitais podem não ter sido notificados (sub-notificação).

Dados do Ministério da Saúde mostram que , no Brasil, em 2005, houve 1.003.005 óbitos e 12,5% deles (125.816) foram por causas externas . Entre estes , 83,5% (105.062) ocorreram na população masculina . Comparando suas projeções demográficas com o número de óbitos registrados nos cartórios brasileiros , o IBGE estima que , em 2005, 15,6% das mortes ocorridas podem não ter sido registradas (sub-registro). Da mesma forma, em relação às estatísticas do Ministério da Saúde, o IBGE estima que 13,7% dos óbitos em hospitais, em 2005, podem não ter sido notificados (sub-notificação). Em relação ao grupo etário dos 20 aos 29 anos , esses indicadores seriam, respectivamente, de 20,0% e de 34, 4%.

11/09/2007 - 13:17h Mortalidade infantil cai 13% em seis anos

Índice faz referência à mortalidade de crianças de até 1 ano de idade. Governo diz que dado está ligada à melhoria da atenção básica e ampliação do PSF.

G1 portal da Globo
O Brasil reduziu, em média, 13% dos óbitos entre menores de um ano entre 1999 e 2004. O índice faz parte do artigo “Uma análise do Programa Saúde da Família e a mortalidade infantil no Brasil”, publicado pela “Social Science & Medicine”.

Segundo o Ministério da Saúde, a redução está associada à melhoria da qualidade da atenção básica e da ampliação do Programa Saúde da Família (PSF), principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país.

Na mortalidade pós-neonatal (quando os bebês têm entre 28 dias e 1 ano de idade), a queda chegou a 16%, em média. Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, as mortes por diarréia sofreram queda de 44% nesse grupo.

Foram avaliadas 557 microrregiões que abrangem os 5.564 municípios brasileiros. Segundo o estudo, o PSF cobre 60% da população dessas microrregiões.

Embora o país tenha obtido a expressiva redução da mortalidade infantil, o estudo indica o aumento dos óbitos neonatais precoces, aqueles que ocorrem até seis dias de vida. Esse dado indica a necessidade melhoria na assistência ao bebê ainda na maternidade.

Também houve crescimento da ordem de 10% na quantidade de bebês com baixo peso, crianças que nascem com menos de 2.500 gramas.

29/08/2007 - 19:53h Pobreza extrema no Brasil caiu de 8,8% para 4,1% da população, diz governo

Objetivos do Milênio

O Globo

BRASÍLIA - A pobreza no Brasil está se reduzindo. É o que revela o terceiro relatório de acompanhamento dos objetivos do milênio, divulgado, nesta quarta-feira, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que diz que um dos objetivos a serem alcançados pelos signatários da Declaração do Milênio - “reduzir à metade a pobreza extrema - renda per capita inferior a US$ 1 - e a ocorrência da fome” - foi alcançado pelo Brasil em 2005, quando se reduziu de 8,8% (1990) para 4,1% o total da população vivendo com renda familiar per capita inferior a R$ 40 por mês. Isso significou a retirada de 4,7 milhões de brasileiros da miséria. Em relação à fome, o parâmetro é a desnutrição proteico-calórica. O Brasil também superou este desafio em todas as regiões.

No entanto, ainda há 7,5 milhões de brasileiros vivendo em pobreza extrema e o Brasil se propôs a reduzir esta condição em 75% até 2015. Além disso, mesmo que tenham caído as desigualdades entre sexo, regiões e raças - a queda da miséria entre negros, pardos, nordestinos e residentes em áreas rurais foi mais intensa, em alguns casos, a um ritmo três vezes maior - o próprio relatório afirma que a pobreza tem cor e origem no Brasil.

O Brasil é, junto com outras 190 nações, signatário da Declaração do Milênio, firmada em 2000 e que traça oito objetivos a serem alcançados até 2015. O principal deles é erradicar a pobreza, mas existem metas ainda na saúde, na educação, na igualdade de gênero e no meio ambiente, por exemplo.

Quanto à segunda meta, que é “garantir que as crianças de ambos os sexos terminem um ciclo completo de ensino”, o Brasil praticamente já a alcançou, com a universalização da educação para crianças entre 7 e 14 anos, subindo de 81,4% para 94,5% aquelas que vão à escola. A freqüência também cresceu, para 96,5%.

O desafio central é elevar dos atuais 53,5% a taxa de conclusão do ensino fundamental. Diminuíram bastante as disparidades, mas as regiões Nordeste e Norte, a população rural, os 20% mais pobres e as crianças negras e pardas ainda sofrem desvantagem no acesso à educação. No ensino médio, a taxa de comparecimento à escola é de 46%, em grande medida porque os jovens de 15 a 17 anos estão muitos atrasados.

Em outra meta, “promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres”, o governo anunciou que as mulheres vão mais à escola (ensinos médio e fundamental e universidade), e têm escolaridade mais elevada, e estão dividindo com os homens o mercado de trabalho. Também vêm ampliando espaço nos poderes Legislativo e Judiciário.

Por outro lado, As mulheres ainda têm muito menos representatividade política e são alvos de discriminação, social e no mercado de trabalho, especialmente se forem negras e pobres. É preciso, portanto, aperfeiçoar ações para reduzir as disparidades.

Mortalidade infantil

A meta número 4, “reduzir em dois terços a mortalidade de crianças menores de 5 anos”, ainda não foi alcançada. Até agora, o país reduziu em 46,6% a mortalidade, de 53,7 crianças a cada mil nascidas vivas para 28,7. O objetivo é chegar a 18 mortos por mil nascidos vivos. O Nordeste se destacou, com redução de 55,4%. Também caiu a mortalidade dos bebês até 1 ano.

Relacionado a isso está a meta número 5, “reduzir em três quartos a taxa de mortalidade materna”. O número caiu de 61,2 para 53,4 óbitos por 100 mil nascidos vivos entre 1997 e 2005, redução de 12,7%. Subiu de 49,1% para 53,6% o número de gestantes que fazem 7 ou mais consultas pré-natais e caiu em 50% o número daquelas não ter feita nenhuma consulta. Mas uma submeta dentre deste objetivo, a redução do câncer de cólo de útero e de mama, não está sendo alcançada, pois a incidência está crescendo.

A redução, no entanto, deve ser vista com cautela, pois há evidências de que as mortes são subnotificadas no país. As principais causas relacionadas à complicação na gravidez são omissão, tratamento incorreto e falta de pré-natal. O país continua sendo um dos que registram a maior taxa de cesarianas: a taxa subiu de 38,6% em 2002 para 43,3% em 2005. Esse tipo de parto expõe a mulheres a maiores riscos.

Saúde

A sexta meta, ainda na área da saúde, é de “deter a propagação do HIV/Aids, e deter a incidência da malária e outras doenças”. A proporção de brasileiros infectados pelo HIV manteve-se estável, entre 2000 e 2004, em cerca de 600 mil portadores do vírus. O tratamento gratuito ajudou a reduzir as mortes, o que fez a taxa cair de 9,6 mortes por 100 mil habitantes, em 1996, para 6, em 2005. A participação dos usuários de drogas injetáveis entre os casos notificados recuou de 16,2%, em 1998, para 7,3%, em 2005. A malária concentra-se na Amazônia Legal e, após crescer entre 2003 e 2005, voltou a recuar em 2006.

Quanto à meta de “garantir a sustentabilidade ambiental”, o Brasil vem tentando conter os desmatamentos - 54,2% do territórios são cobertos pro florestas - na Amazônia, no cerrado e na Mata Atlântica, mas a tarefa não tem sido fácil. Nos últimos 20 anos, 300 mil quilômetros quadrados foram desmatados e o avanço na Amazônia, admite o governo, continua muito forte. O Brasil também conseguiu reduzir em 90% o consumo de clorofluorcarbonetos (CFCs) _ presentes em geladeiras, ar-condicionados etc. As fontes renováveis são 45% da matriz energética.

A última meta, “estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento”, refere-se a um conjunto de iniciativas para ajudar os países mais pobres a se desenvolverem, desde promover o acesso a produtos farmacêuticos até facilitar o comércio e ampliar o volume de ajuda financeira. O Brasil alega estar atuando nesta frente ao dar ênfase à cooperação e ao comércio Sul-Sul, ao criar o G-20, ao ceder tropas à ONU, ao financiar obras dos vizinhos sul-americanos e ao perdoar dívidas de nações africanas, por exemplo.