15/06/2008 - 23:51h Brasil busca supervacina dos trópicos

País desenvolve imunizante inédito contra malária e febre amarela

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Roberta Jansen - O Globo

Se tudo correr conforme o previsto, dentro de alguns anos o Brasil poderá conseguir vencer um dos maiores desafios mundiais na área da imunologia: o desenvolvimento de uma supervacina tropical contra a febre amarela e a malária, uma das doenças que mais matam no mundo e contra a qual nunca se conseguiu obter um imunizante eficaz.

Uma pesquisa inédita conduzida no Instituto Oswaldo Cruz (IOC) conseguiu produzir vírus recombinantes de febre amarela que seriam capazes de imunizar também contra a malária.

Uma vacina capaz de proteger ao mesmo tempo contra duas graves doenças que ocorrem em zonas geográficas semelhantes seria um avanço dos mais significativos em termos de saúde pública alcançados no mundo nas últimas décadas. E a idéia de reunir as duas num único produto partiu justamente da constatação de a vacina contra a febre amarela ser uma das mais bem-sucedidas do mundo há décadas enquanto que todas as tentativas de se criar um imunizante para a malária não vão adiante.

Gene do parasita se une ao vírus

Feita a partir de vírus atenuado, a vacina contra a febre amarela é usada com sucesso no Brasil há 80 anos. Foi com ela que o país conseguiu erradicar a doença dos centros urbanos e controlá-la na maior parte do território nacional.

— Atualmente essa é uma das vacinas mais exploradas pelo pessoal que trabalha na área da imunologia — conta a pesquisadora Myrna Cristina Bonaldo, do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do IOC, responsável pela linha de pesquisa. — Por ser tão eficaz, com um percentual de proteção muito alto, as pessoas tendem a estudá-la para entender de que forma um bom imunizante induz uma resposta protetora. Então a nossa idéia é justamente usar uma vacina que tem boa performance para imunizar contra um doença cujos imunizantes até agora não conseguiram proteção.

O desenvolvimento de uma vacina contra a malária representa um grande desafio para os cientistas porque o parasita causador da enfermidade adota diversas formas ao longo do ciclo da doença no organismo humano e apresenta vários mecanismos de escape às defesas produzidas. Além disso, o uso do próprio parasita atenuado como vacina (técnica mais comum na produção de imunizantes) mostrou-se inviável. Os cientistas partiram então para a identificação de moléculas de proteínas do parasita capazes de induzir uma resposta imunológica.

O grupo de Myrna conseguiu inserir no vírus da febre amarela genes do Plasmodium falciparum. Com isso, o vírus recombinante passou a fabricar proteínas do parasita, além das proteínas virais que já produzia. A idéia é que, a exemplo do que ocorre com a vacina simples da febre amarela, uma vez exposto às proteínas do parasita, o organismo tenha capacidade de montar uma resposta imunológica mais eficaz no caso de uma infecção.

— Agora estamos fazendo testes pré-clínicos, vendo como o vírus prolifera e se é eficaz — afirmou Myrna. — Em estudos iniciais com camundongos queremos ver se os animais apresentam uma resposta contra a febre amarela e a malária, se há a formação de anticorpos.

Dependendo dos resultados que obtivermos, começaremos a expandir os testes, inclusive em macacos.

Entre os próximos passos está a obtenção de um vírus recombinante também para o Plasmodium vivax.

O grupo trabalha também, numa linha de pesquisa paralela, com a criação de um outro vírus recombinante, dessa vez para atuar contra febre amarela e dengue. Embora nesse caso os resultados sejam ainda mais incipientes, fica a esperança de, no futuro, se conseguir uma vacina contra as três doenças.

— Potencialmente é possível, mas ainda é muito cedo para falarmos disso — afirmou a pesquisadora.

Mais de um milhão de mortes

A malária é hoje a doença tropical que mais causa problemas sociais e econômicos no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Ela atinge as áreas mais pobres do planeta, sobretudo na África, produzindo mais de um milhão de mortes por ano — um número que só é inferior ao de óbitos causados pela Aids.

Além de não haver uma vacina contra a doença, os tratamentos disponíveis se encontram muito ultrapassados.

Por se tratar de uma doença que atinge majoritariamente áreas pobres do planeta, os investimentos em pesquisa de drogas e imunizantes são poucos. No Brasil são registrados cerca de 500 mil casos por ano, sobretudo na região amazônica, mas a letalidade é baixa no país, não chega a 0,1% do total.

A malária é uma doença infecciosa que ataca os glóbulos vermelhos do sangue, provocando anemia. Em casos mais graves, bloqueia a circulação, levando à morte.

A doença é causada por protozoários do gênero Plasmodium, introduzidos no homem através da picada do mosquito anófeles.

03/04/2008 - 06:05h ‘Cesar é irresponsável em tudo o que faz‘

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Assessor de Lula manda prefeito cuidar dos mosquitos

Karla Correia - JB

Brasília

cap_jb.jpgO prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, atiçou a ira do assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia ao afirmar, em seu ex-blog, a existência de fotos do assessor no computador do guerrilheiro Raul Reyes, o segundo homem na hierarquia das Farc, morto no mês passado em ação do exército colombiano em território da Bolívia. Marco Aurélio reagiu com irritação. Negou ter visitado qualquer acampamento ou escritório das Farc e criticou as declarações do prefeito, chamando-o de “irresponsável”. Citando matéria do Jornal do Brasil sobre a ausência de Cesar Maia em meio à crise gerada pela epidemia de dengue, o assessor falou para o prefeito “voltar a governar o Rio”.

O avanço da dengue na capital carioca foi o ponto escolhido pelo assessor para atacar o prefeito.

– César Maia que cuide dos mosquitos dele e não me obrigue a falar dele como meu aluno na Faculdade de Economia no Chile – disparou Marco Aurélio Garcia, logo depois de participar de almoço oferecido ao presidente da Eslovênia, Danilo Türk. Questionado se o prefeito carioca teria sido irresponsável em sua declaração, Marco Aurélio aproveitou para subir o tom.

‘Olhem a manchete do JB’

– Ele é irresponsável em tudo o que faz. Olhem a manchete do JB hoje: o prefeito sumiu. O que ele tem de fazer é governar o Rio.

Em seu ex-blog, boletim que envia por correio eletrônico, o prefeito Cesar Maia faz referência a suposta declaração feita pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante sua visita ao Brasil, no mês passado. Na cidade de Recife, Chávez teria chamado atenção para a existência de fotos de Marco Aurélio no computador do guerrilheiro Raul Reyes, o que, de acordo com o assessor da Presidência, não teria passado de uma “piada” do presidente venezuelano.

– Não estive em nenhum acampamento das Farc e, se estivesse, não haveria nenhum problema em dizer porque estaria em missão oficial. Eu não tenho missões extra-oficiais, nem vida clandestina – retrucou.

O assessor especial da Presidência disse, ontem, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve comparecer à abertura dos Jogos Olímpicos em Pequim, mas que isso não significa a adesão do governo brasileiro a um movimento de boicote por conta do conflito entre China e Tibet, país considerado pelo governo chinês como parte do território da China. A violência crescente nos confrontos entre tibetanos e o exército chinês em Lhasa, capital do Tibet, já levou o Parlamento Europeu a admitir medidas de boicote contra a China.

Marco Aurélio disse desconhecer a posição do presidente Lula sobre o assunto e se esquivou de falar sobre um possível boicote do Brasil às Olimpíadas de Pequim. O assessor responsabilizou o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) por qualquer decisão sobre a ida de atletas brasileiros aos Jogos Olímpicos e criticou movimentos de boicote.

– Acho sempre complicada essa mistura de política com esportes – disse Marco Aurélio.

03/04/2008 - 03:37h De Boston a Bahía Blanca, em breve

VALOR

O alerta já foi feito pelo Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID). Na página da entidade na Internet, apresenta-se ao país a doença e ensina-se até a pronunciar seu nome em inglês (”Deng-ee”). Antes restrita ao Havaí, a doença está entrando no Texas por meio da fronteira mexicana. Em 2006, foram 104 casos. No ano passado, 488 ocorrências.

Estatisticamente é uma insignificância, mas confirma o vaticínio de epidemiologistas: o aquecimento global do planeta está fazendo o mosquito da dengue expandir-se para as regiões temperadas das Américas. “O que se comenta é que até 2025 teremos casos de dengue de uma faixa de Boston à Bahía Blanca”, afirma Paulo Lotufo, médico que, como diretor do Hospital Universitário de São Paulo, enfrentou o surto epidêmico na cidade no ano passado.

No sentido meridional, foram apenas 49 casos na Argentina no ano passado, mas a doença cresce de maneira exponencial no Paraguai -sem ocorrências até 1998 e com 108,8 episódios por 100 mil habitantes no ano passado. Em todos os países continentais das Américas, a dengue hoje só está completamente ausente do Uruguai e do Canadá.

É a elevação da temperatura, mais que razões de natureza gerencial, o principal vetor para que o mosquito da dengue se alastre pelo mundo. O que se altera, de governo para governo, não é a curva de incidência - crescente na maioria dos países - mas a maneira como se lida com o problema. Para uma doença exótica, da qual os americanos não sabem nem pronunciar o nome e cujo nível de ocorrência é um traço estatístico, já foram reservados no orçamento do ano passado uma verba de US$ 33 milhões para pesquisas. No Brasil, há uma guerra de transferência de responsabilidades.

Dos cinco maiores registros anuais de dengue no Brasil no período entre 1997 e 2006, três foram em anos eleitorais: 1998, 2002 - ocasião em que o país teve 454,8 casos por 100 mil habitantes, um recorde histórico - e 2006. Do ponto de vista médico, não há razão para crer que a dengue siga um ciclo epidêmico quadrienal e partiu do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a afirmação de que não estamos diante de uma coincidência. “Todos os anos quando há disputa eleitoral nos municípios, a guerra contra a dengue perde. Desmobilizam-se programas, demitem-se servidores e faz-se politicagem com uma coisa tão grave”, afirmou Temporão a jornalistas ontem, em uma declaração perigosa.

Impacto eleitoral da dengue é pequeno

O Brasil já registrara mais de mil casos por dia no verão de 2007, ano em que o ministério destinou R$ 68 milhões do orçamento para o programa “Vigilância e Controle da Malária e da Dengue”, sendo que deste total apenas 39% foram pagos, segundo a ONG Contas Abertas.

A execução do Ministério da Saúde também ficou abaixo da média do governo federal em outros programas que poderiam atuar sobre o problema, como o de atenção à Saúde em situações de urgência e emergência, para o qual foram consignados R$ 314 milhões e pagos R$ 91 milhões, uma execução de 29%. No combate à infecção, Brasília passou o bastão para os Estados e municípios, que receberam R$ 821,5 milhões em transferências para ações de vigilância. Agora os responsabiliza pelo desastroso resultado.

A descentralização faz com que Temporão não pague a conta política da epidemia, como José Serra não a pagou quando concorreu a presidente nas eleições de 2002, com 150 mil casos de dengue apenas no Rio. A fatura é enviada para os prefeitos e governadores. Há seis anos, o Rio não é mais o Estado campeão de dengue no Brasil em termos proporcionais, mas o desgaste da prefeitura da capital é grande porque o município não resolve as distorções de seu sistema de Saúde desde a reunificação do Estado em 1975: a cidade conta com uma grande estrutura hospitalar e uma frágil rede de atenção básica.

O sucateamento desta rede e a disputa política entre o Planalto e o prefeito Cesar Maia provocou uma polêmica intervenção federal nos hospitais cariocas em 2005. O ato foi suspenso, por ser inconstitucional, pelo Supremo Tribunal Federal. Mas a crise na Saúde carioca permaneceu e é um dos fatores que marcam uma administração que há muito tempo já perdeu o brilho. Segundo a pesquisa do Datafolha, o percentual de eleitores que considera a gestão de Cesar Maia ruim ou péssima chegou a 43% na semana passada. Mas já havia pulado de 25% para 31% no ano passado.

Para a sorte do prefeito Cesar Maia, os hospitais superlotados, as camas de campanha do Exército e as mortes que se sucedem afundam sua popularidade muito longe do momento eleitoral. O ciclo da doença faz com que a maior parte dos casos ocorram de janeiro a abril, instante em que nem o quadro de candidatos está completamente definido. A candidatura que apóia, da deputada Solange Amaral (DEM), distante dos favoritos nas pesquisas de intenção de voto, já carecia de competitividade antes da eclosão da dengue deste ano. A crise do momento só cristaliza sua inviabilidade.

“A Saúde é motivo crônico de desgaste para a Prefeitura do Rio, mas a epidemia de dengue jamais teve qualquer impacto eleitoral e novamente não deverá ter este ano”, aposta o cientista político Marcus Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Figueiredo lembra que nos últimos anos o nível de competição tanto na eleição para o governo estadual quanto no da capital é baixo: para o Palácio das Laranjeiras, Leonel Brizola (1990), Marcello Alencar (1994), Anthony Garotinho (1998), Rosinha (2002) e Sérgio Cabral (2006) confirmaram o favoritismo. Na capital, a exceção foi a eleição de 2000, em que Cesar Maia conseguiu uma vitória apertada e até certo ponto surpreendente sobre o então prefeito Luiz Paulo Conde. É um sinal de que as maiorias políticas se sedimentam no eleitorado de modo relativamente autônomo a episódios conjunturais.

César Felício é repórter de Política

09/02/2008 - 13:46h CONCEIÇÃO LEMES: “UM VERDADEIRO CRIME CONTRA A SAÚDE PÚBLICA”

do Blog de Azenha, Vi o mundo

O texto abaixo nasceu de uma troca de mensagens que tive com a jornalista Conceição Lemes. Tanto quanto eu, ela ficou alarmada com o tratamento irresponsável que a mídia brasileira deu à epidemia de febre amarela, tão real quanto as armas de destruição em massa que até hoje são procuradas no Iraque. Dessa troca de mensagens nasceu a idéia de produzir um texto com o objetivo de fazer o que muitos não fizeram: bem informar o público. Por isso, convoco todos os leitores a disseminá-lo. E todos os blogueiros a reproduzí-lo. Quem quiser, imprima o texto.

Vou contar um causo verdadeiro para explicar que, mesmo que você não acredite, essa internet funciona. Fiz uma entrevista para o site com o dr. Granato, da UNIFESP. Na entrevista, pedi ao médico um conselho: minha mãe, de 83 anos de idade, moradora de Bauru, deveria ou não se vacinar? Minha mãe não lê o meu site. Porém, uma rádio de Bauru capturou o áudio da entrevista e colocou no ar. E minha mãe, ao ouvir a entrevista que fiz com o dr. Granato, finalmente se tranqüilizou e NÃO tomou a vacina, o que ela havia considerado fazer. Portanto, peço a vocês que tratem o artigo abaixo como uma peça de contra-desinformação.

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