12/11/2009 - 19:00h 3° Semana de Fotografia do Recife

Blog Images & Visions

clicio
© Foto de Clicio Barroso. Ensaio intitulado Fakeye, 2008.


Recife promove a partir do próximo domingo (15/11), a 3° Semana de Fotografia, que este ano vai debater sobre a história da fotografia no Estado de Pernambuco. A programação inclui seminários, palestras, exposições, leitura de portfólios, mesas-redondas, debates e oficinas, até o dia 21. Paralelamente acontece a IV Mostra Recife de Fotografia, que exibirá em toda a cidade, mais de 50 trabalhos de fotógrafos profissionais e amadores de todo o Brasil e do exterior. A Oficina “Técnica de Iluminação de Estúdio”, do fotógrafo Clicio Barroso é um dos destaques da programação. As inscrições para as oficinas e para leitura de portfólios vão até quinta-feira (12/11). Inscrições Aqui

11/11/2009 - 18:26h Retrospectiva Michael Kenna em Paris

Michael_Kenna
© Foto de Michael Kenna. Central elétrica de Ratcliffe, étude 31. Nottinghamshire, Inglaterra, 1987.

A Biblioteca Nacional da França em Paris estará exibindo ate o dia 24 de janeiro de 2010, uma mostra retrospectiva do fotógrafo britânico Michael Kenna. De origem irlandesa, nascido em 1953, na cidade de Lancashire na Inglaterra, Michael é hoje um dos fotógrafos de paisagens mais respeitados do mundo. É celebre pelas suas fotografias em preto e branco, sempre oníricas e poéticas. Exposição “Michael Kenna – Rétrospective”. Bibliothèque nationale de France, site Richelieu, Galerie de photographie. 58, rue de Richelieu 75002 Paris. Mêtro : Bourse, Pyramides. Ate 24 de janeiro de 2010.Fonte Images & Visions.

Docking Poles, Venice, Italy, 1980

Teotihuacan, Study 1, Mexico, 2006

http://www.michaelkenna.net/splash_images/a8aff4.jpg

09/11/2009 - 17:32h Images & Visions, o mundo pela foto

O blog Images & Visions, animado pelo fotógrafo Fernando Rabelo é uma jóia rara. Tudo o que concerne a arte fotográfica passa por lá. Aqui e no mundo. Vale a pena dar uma olhada, ao menos, uma vez por dia, um deleite.

O mundo celebra os 20 anos da queda do Muro de Berlim

Peter Leibing_Muro
© Foto de Peter Leibing. O soldado Hans Conrad Schumann decidiu abandonar o lado oriental de Berlim pulando a cerca de arame farpado que separava as duas Alemanhas, dois dias depois do início da construção do muro, 1961.


O mundo celebra hoje a queda do Muro de Berlim. Há exatos 20 anos que o símbolo da divisão da Alemanha e da Guerra Fria caiu quando na noite de 09 de Novembro de 1989 uma multidão de pessoas da parte leste da cidade avançou rumo aos postos fronteiriços que separavam os habitantes da zona leste de Berlim ao ocidente. A fotografia acima é uma das mais marcantes do século XX. Na imagem de autoria de Peter Leibing, vemos a fuga do soldado Hans Conrad Schumann, de 19 anos, que foi o primeiro a atravessar a fronteira para o lado ocidental de Berlim, em agosto de 1961, dois dias depois do início da construção do muro, quando a fronteira seria fechada definitivamente. Com ele, 2000 soldados seguiram o mesmo caminho. Veja Aqui um emocionante ensaio fotográfico sobre o muro de Berlim feito pelo fotógrafo Jürgen Müller-Schneck, que retratou vários momentos do Muro e seus efeitos sobre a vida da cidade.

Fotos da dupla francesa Pierre et Gilles são exibidas pela primeira vez no Brasil

pierre e gilles
© Foto de Pierre et Gilles. A obra “Saint Sebastien de la Guerre”, criada pelos artistas especialmente para a mostra, tendo como motivo o padroeiro da cidade do Rio de Janeiro.


O Oi Futuro no Rio, apresenta pela primeira vez no Brasil, a partir de hoje, dia 09/11 (para convidados), e amanhã para o público, a exposição “Pierre et Gilles: A Apoteose do Sublime”. A mostra faz parte das comemorações do Ano da França no Brasil. Serão expostas 26 fotografias dos artistas franceses Pierre et Gilles, de tiragem única e de grandes dimensões. As imagens, de grande poder formal e sensualidade, foram produzidas nas décadas de 80, 90 e já nestes anos 2000. Entre as obras estão: Legend (1995), que teve como modelo a popstar Madonna, além de uma série de auto-retratos dos artistas, dentre eles Les Pistolets (1987). O destaque da exposição é a obra intitulada “Saint Sebastien de la Guerre”, criada pelos artistas especialmente para a mostra, tendo como motivo o padroeiro da cidade do Rio de Janeiro. A curadoria é de Marcus de Lontra. Os artistas se afirmaram como uns dos principais nomes da arte européia atual ao se basearem na publicidade, em símbolos de sensualidade e outros elementos estéticos, tanto para construir uma decoração inspirada no barroco e rica cromaticamente, quanto para criar uma obra que amplia o inquietante repertório de ações artísticas contemporâneas, ao explorar os campos da sensualidade, da loucura e do desejo. Exposição Pierre et Gilles: A Apoteose do Sublime. OI Futuro. Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo – Rio de Janeiro. De 10 de novembro de 2009 a 17 de janeiro de 2010. Terça a Domingo das 11h às 20h. Informações (21) 3131 3060.

Veja mais fotos da dupla Pierre et Gilles Aqui

05/11/2009 - 16:08h Na intimidade com Mario Cravo Neto

Mostra em homenagem ao artista destaca uma obra que vai muito além da linguagem fotográfica como forma de expressão

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White Mother I (1990) Mario Cravo Neto


Maria Hirszman – O Estado SP

Eternamente Agora, que será aberta hoje no Instituto Tomie Ohtake, é bem mais do que um merecido tributo a Mario Cravo Neto (1947-2009), um dos grandes nomes da fotografia contemporânea brasileira, que morreu precocemente em agosto. Concebida em parceria por Cristian Cravo, fotógrafo e filho do artista, e por Paulo Herkenhoff, a mostra indica – por meio de uma seleção enxuta, mas criteriosa de trabalhos – questões centrais em sua produção. Além de nexos estéticos e temáticos, a exposição se pauta pelo Herkenhoff define como “trama dos afetos”, privilegiando seu universo afetivo e deixando de lado o caráter mais mundano de sua produção.

http://noravr.blog.lemonde.fr/files/2009/08/mario-cravo-neto.1250194276.JPG

Dentre esses liames se destaca com grande força a intensa relação entre Mario Cravo Neto e seu pai, o escultor Mario Cravo Junior, presente a partir de obras, registros fotográficos (seu último trabalho, presente na mostra, era justamente para ilustrar um livro que idealizava realizar sobre a obra do pai) e um impressionante retrato. Familiares (modelos frequentes do artista) e a cena doméstica estão presentes, inclusive pela transposição para o espaço da exposição de um canto, com móveis e objetos da casa em que viveu.

Há também, fechando o ciclo, uma bela imagem de autoria de Cristian. De grandes dimensões e num pouco usual recorte vertical, a foto mostra um menino de costas, em posição de reverência diante de uma magnífica cachoeira. “Um ato de humildade diante de algo muito maior”, diz Cristian explicando por que escolheu essa imagem dentre tantas para a mostra. A exposição evidencia ainda uma forte relação existente entre o fotógrafo e Pierre Verger e não apenas pelo viés do fascínio compartilhado pela Bahia e pelo candomblé.

A maioria das obras selecionadas pertence a um universo fechado, de registro intimista em ateliê, de retratos de pessoas ou objetos, conciliando sólida busca formal com sensível apreensão poética e simbólica do mundo à sua volta. Mais conhecido pela obra fotográfica, Cravo Neto não se atinha a essa linguagem como forma de expressão, pelo menos até meados da década de 70, quando realiza e performances, posteriormente registradas em foto. A exposição traz uma delas, Câmaras Queimadas (1977), nas duas versões. Também é mostrado, em versão fotográfica e com toda sua materialidade física, o ninho feito com fiberglass que tanto fascinava o artista por sua situação ambígua e provocadora, entre a natureza e a artificialidade.

Aliás, a transitoriedade, a relação de choque e harmonia entre imagens distintas, o contraste entre a ação impactante da cor e a densidade da imagem em preto e branco, o jogo entre o real e a representação são elementos quase constantes na poética de Mario Cravo Junior. No tríptico A Flecha em Repouso, é explorada uma associação potente entre as simbologias míticas do candomblé e da iconografia cristã, ora tirando faíscas do choque entre as imagens e ora estabelecendo estranhas harmonias entre os elementos. A imagem central, que retrata a fachada de uma igreja parisiense, parece mergulhar no cinza escuro que lhe é bastante característico. No entanto, ao observar as pernas das imagens esculpidas, vê-se que isso é ilusório. Estamos, na verdade, diante de uma fotografia tão colorida quanto o prato do sacrifício do candomblé à esquerda ou a moça que dorme à direita. Mas foi necessária uma fricção, uma reação quase epidérmica para que os tons do metal brotassem. “Ele parece lidar com a carnalidade da fotografia”, sintetiza Herkenhoff.

Apesar do forte caráter barroco de sua obra, o curador parece interessado em abordar outro aspecto menos explorado da produção do artista: a relação com o minimalismo. Além da importância do movimento em sua formação (Cravo Neto vivia em Nova York no fim dos anos 60 e teve contato com a primeira grande publicação sobre o tema, editada em 1968 por Gregory Battcock), o que leva o curador a fazer essa aproximação é a redução poética e a economia formal fortemente presentes em seu trabalho. Obra essa que ainda tem muito a ser explorada. Cristian Cravo calcula que apenas 1% da obra do pai tenha sido ampliada até o momento e promete para breve a criação de um instituto para preservação e divulgação de sua obra, a instalar-se provavelmente em São Paulo.

02/11/2009 - 17:21h PHotoEspanha Trasatlántica

Arte Photographica

© João Castilho

Não são novidade as ambições extra fronteiras do festival PHotoEspaña que em edições anteriores já se estendeu para França e Portugal. Agora, atravessou o Atlântico para se instalar na América do Sul instituindo um novo fórum. A iniciativa foi apelidada de Trasatlántica e a motivação principal passa por “promover o encontro de profissionais e criar redes de trabalho no âmbito da fotografia e das artes visuais” naquele continente. O fórum arranca no início de Novembro e prolonga-se até Janeiro de 2010 em vários países latino-americanos. Haverá crítica de portfólios, selecção dos melhores trabalhos para futuras exposições, incentivo ao comissariado online, encontro de críticos, teóricos e investigadores de fotografia e envolvimento de instituições de fotografia da América do Sul.
O site do Trasatlántica tem os pormenores. aqui

01/10/2009 - 17:20h Walker Evans no MASP

Images&Visions

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© Foto de Walker Evans. Nova York, 1931.

O Museu de Arte de São Paulo apresenta ao público “Walker Evans”, exposição que cobre os 50 anos de carreira de um dos maiores nomes da fotografia mundial. Composta pela principal coleção do grande retratista da América do Século XX, em sua maioria em preto e branco. Mais de 120 imagens detalham a perspectiva de Walker Evans sobre a sociedade americana dos anos 20 ao início da década de 70. Séries sobre a Grande Depressão, o cotidiano de Nova York e imagens de Havana sob o comando do ditador Machado, são alguns dos destaques na mostra em cartaz de 1º de outubro a 10 de janeiro, no 2º andar. O norte-americano Walker Evans, que originalmente queria ser escritor, descobriu a sua paixão pela fotografia durante os anos 20. Em imagens da modernidade das cidades registradas com uma câmera Leica, em 1928, Evans fotografou os arranha-céus de Nova York, demonstrando ousadia com ângulos inéditos para a época. A exposição traz também imagens de maio de 1933, quando Evans esteve em Havana, na época sob comando do ditador Geraldo Machado, e registra uma série de fotografias para ilustrar o livro “O Crime de Cuba”, de Carleton Beals. A foto Família cubana indigente, que exibe uma mãe sem-teto com três filhos vestidos e roupas esfarrapadas é típica de seu trabalho nesse momento. Dois anos depois o fotógrafo entra na Farm Security Administration, organismo federal criado pelo governo Roosevelt para divulgar a política do New Deal. Em 1936, em plena Grande Depressão, o escritor James Agee foi enviado pela revista Fortune ao Alabama para relatar a vida de agricultores do algodão e Agee convidou Walker Evans para acompanhá-lo. O resultado não foi aceito pela revista, mas foi publicado em livro com sucesso em 1941 sob o título “Let us Now Praise Famous Men”. Este trabalho é considerado expoente máximo da fotografia documental, como poética do cotidiano; foi tema da primeira exposição de fotografia realizada pelo Museum of Modern Art de Nova York – MOMA – e é um dos destaques da mostra do MASP. Num acompanhamento cronológico de sua carreira, a mostra chega ao período em que Evans trabalhou como fotógrafo e redator na revista Times, além de todo o projeto desenvolvido na revista americana Fortune, entre os anos de 1945 a 1966. Numa seção final de seu trabalho, da década de 50 ao ano de 1975, data de sua morte, Evans usa fotos coloridas para transmitir sua percepção da realidade, inovadora ao ponto de revolucionar história da fotografia mundial. Sua obra estava à época longe do que se considerava fotografia de arte, marcada pelo caminho equivocado do sentimento e da beleza evidentes. Com Evans, pela primeira vez a fotografia podia ter a mesma aparência de qualquer outra fotografia e mostrar qualquer coisa, de sapatos velhos a um passageiro no metrô. Sua arte dependia apenas da clareza, da inteligência e da originalidade de sua percepção como fotógrafo. Exposição “Walker Evans”. MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. Av. Paulista, 1578. Fone: (11) 3251 5644. Vernissage: 30 de setembro, 19h. Exposição: 01 outubro a 10 de janeiro de 2010. Horários: De terças-feiras a domingos e feriados, das 11h às 18h. Às quintas-feiras, das 11h às 20h. Ingressos: Inteira: R$ 15,00. Estudantes: R$ 7,00. Gratuito até 10 anos e acima de 60 anos. Às terças-feiras a entrada é gratuita para todos. Classificação etária: Livre.
Fonte: Eduardo Cosomano – Comunique Assessoria de Comunicação
Veja mais fotos de Walker Evans Aqui

24/09/2009 - 18:38h Amantes da fotografia se encontram no 5º Paraty em Foco

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© Foto de Claudia Jaguaribe. O workshop da fotógrafa é um dos destaques do 5º Paraty em Foco.

Images&Visions

De hoje até domingo acontece a 5º edição do Paraty em Foco – Festival Internacional de Fotografia Fnac. A programação deste ano apresenta um panorama das revoluções e renovações pelas quais passa a fotografia contemporânea. A cidade de Paraty é palco de relevantes discussões e apresentações, além de receber uma enorme gama de jovens e consagrados talentos da cena fotográfica brasileira e mundial. O evento inclui workshops, entrevistas, projeções e exposições de artistas que representam de forma significativa as tendências da arte no momento. Além disso, ações sociais, leilões, encontro de blogueiros e noites de festa contribuem para ampliar o público apreciador da fotografia e aproximar ainda mais os participantes do Festival. Outro destaque da programação são as noites de projeção, destacando sempre algum tópico especial da fotografia, como a noite da fotografia Pernambucana. O Images&Visions é um dos blogs convidados para participar do 1º Encontro da Blogosfera Fotográfica que vai ocorrer durante o evento. Leia mais Aqui

16/09/2009 - 18:46h “Bressonianas”

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© Foto de Marcelo Buainain. Crianças na praia de Puri. Estado de Orissa, Índia.

Paralelamente à exposição de Henri Cartier-Bresson, outra mostra estará sendo exibida à partir de 17 de setembro no SESC Pinheiros, em São Paulo. Sob a curadoria de Eder Chiodetto, a exposição “Bressonianas” é composta pela seleção de 42 imagens de sete fotógrafos brasileiros que têm em suas obras a influência de Bresson, entre eles: Cristiano Mascaro, Flavio Damm, Carlos Moreira, Orlando Azevedo, Juan Esteves, Marcelo Buainain e Tuca Vieira. “A paixão pelo prosaico e pela fugacidade da vida são marcas profundas da obra bressoniana. Sua investigação não buscava a obtenção de fotografias grandiosas, mas sim, a descoberta da beleza e da delicadeza dos pequenos gestos cotidianos, reveladores da face humana”, define o curador da mostra Eder Chiodetto, que partiu desta premissa para conceber Bressonianas, que ocupará o espaço expositivo do 3º andar. Bressonianas. SESC Pinheiros, de 17/09 a 20/12. Terça a sexta, das 10h30 às 21h30; sábados, domingos e feriados, das 10h30 às 18h30. Uma extensão desta mostra paralela estará exposta na galeria externa do SESC Santana. Fonte Images&Visions

04/09/2009 - 16:39h Sean Lennon e namorada recriam foto famosa de John e Yoko

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O Globo

RIO – O músico Sean Lennon, filho de John Lennon e Yoko Ono, e a namorada, a modelo Kemp Muhl, de 22 anos, recriaram a emblemática foto dos pais do músico tirada por Annie Leibovitz para a capa da “Rolling Stone” americana publicada em janeiro de 1981. O ensaio original foi fotografado apenas cinco horas antes de o ex-Beatle ser assassinado por Mark Chapman, em 8 de dezembro de 1980.

Quem assina a homenagem é o cultuado fotógrafo americano Terry Richardson. A foto, que mostra Sean no lugar de mãe e a namorada nua, como posou John Lennon, será publicada na próxima edição da revista “Purple”.

01/09/2009 - 18:36h Elliott Erwitt é um dos destaques da terceira edição da SP-Arte/Foto e Olhar São Paulo, duas exposições de relieve

Blog Images&Visions

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© Foto de Elliott Erwitt. Dog Legs. New York City, 1974.

 

De 10 a 13 de setembro de 2009, o 9º andar do Shopping Iguatemi sediará a terceira edição da SP-Arte/Foto, que reúne 17 excepcionais galerias de arte e mais de 100 artistas, entre jovens talentos e nomes consagrados no circuito nacional e internacional. O conjunto das obras das galerias participantes permitirá uma visão magnífica e ampla da produção moderna e contemporânea do Brasil e do mundo representada pelos artistas: Miguel Rio Branco, Mario Cravo Neto, Caio Reisewitz, Rochelle Costi, Albano Afonso, Márcia Xavier, J.R.Duran, Claudia Jaguaribe, Cristiano Mascaro, Daniel Senise, Brigida Baltar, Cao Guimaraes e Luiz Braga, artista escolhido para representar o Brasil na Bienal de Veneza de 2009, e presenças internacionais como Neil Hammon (artista selecionado na última Bienal de Veneza), Richard Galpin, Thomas Hoepker, Martin Parr, Elliott Erwitt, Nicola Constantino e Michael Wesely, entre muitos outros. O evento é gratuito e acontece no 9º andar do Shopping Iguatemi, com acesso pelos elevadores centrais do Shopping. Um dos destaques é a presença do célebre fotógrafo Elliott Erwitt, que acabou de completar 81 anos. Filho de imigrantes russos, ele se mudou com os pais para os EUA quando tinha 10 anos e registrou inesquecíveis imagens, como a foto dos pés de uma mulher ao lado de um chihuahua.

 

 

 

A cidade de São Paulo vista sob diferentes olhares

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© Foto de Filipe Araújo. Foto que compõe a mostra “Olhar São Paulo”.

A cidade vista sob diferentes olhares resgatando a história, os costumes e seus universos paralelos; esta é a proposta da exposição fotográfica “Olhar São Paulo”. Entre locais desconhecidos e cartões postais, a mostra pretende revelar panoramas e detalhes da maior cidade do país que passam despercebidos. A Mostra organizada pela ARFOC-SP com o patrocínio da Bourbon Convention Ibirapuera, entra em cartaz dia 02 de setembro, em comemoração ao dia do Repórter Fotográfico. Ao todo serão expostas 40 fotografias de 35 fotojornalistas do Estado de São Paulo. A seleção foi feita por membros da Comissão Organizadora, que recebeu cerca de 138 imagens de 51 profissionais. Exposição Olhar São Paulo, Abertura: 02 de setembro de 2009, às 19:30h. Bourbon Convention Ibirapuera. Avenida Ibirapuera, 2.927 – Moema – São Paulo. Exposição: de 02/09/2009 a 10/12/2009.
Participam da mostra:
Alexandre Tokitaka, Alf Ribeiro, Apu Gomes, Claudio Capucho, Danilo Verpa, David Santos Junior, Diego Padgurschi, Edilson Dantas, Ernesto Rodrigues, Evelson de Freitas, Fernando Donasci, Filipe Araujo, Gaspar Nobrega, Gerardo Lazzari, Guilherme Lara Campos, Hélvio Romero, JF Diorio, Jose Cordeiro, Jose Luis da Conceição, Leonardo Soares, Marcos Alves, Mario Lucio Sapucahy, Marlene Bergamo, Moacyr Lopes Jr, Patricia Stavis, Paulo Whitaker, Raquel Toth, Robson Ventura, Rodrigo Paiva, Rubens Chiri, Thiago Bernardes, Tiago Queiroz, Toninho Cury, Valéria Gonçalvez e Zanone Fraissat.

10/08/2009 - 20:40h Encontros de Arles

Blog Arte Photographica – Arles

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Hyman Goldin, Barbara in mask, Washington DC, 1953
© Hyman Goldin

Há 40 anos a marcar Encontros
(P2, 09.08.2009)

Os Encontros de Fotografia de Arles entraram na casa dos 40, mas parecem longe de acusar a idade. Na passagem do milénio, o festival de fotografia mais antigo do mundo parecia estagnado e sem argumentos para recuperar o cariz político (que lhe deu impacto), o espaço criativo (que lhe deu reputação), a força do debate (que suscitou paixões) e a atitude libertária (que seduziu viajantes) – tudo marcas fundamentais das primeiras edições, concretizadas durante a ressaca do Maio de 68. Em 2001, o programa oferecia 14 exposições que foram vistas por nove mil pessoas. No ano passado, as 60 mostras do cartaz receberam 60 mil visitantes. Os Encontros alargaram o leque de géneros, tendências e suportes, recuperaram brilho e ganharam o fôlego de outros tempos.

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Oan Kim, da série Je suis le chien Piti
© Oan Kim

Se há coisas que se podem repetir no tempo com alguma nitidez, há outras que se vão desvanecendo, às vezes irremediavelmente. François Barré, presidente do festival francês desde 2001 e um dos artífices deste novo alento, lembra algumas das características que já estão muito longe dos “heróicos” primeiros anos: os Encontros deixaram de ser apenas “profissionais” para se “destinarem a todos e abrirem a todos”; as máquinas Leica deixaram de ser as únicas “relíquias” da prática fotográfica; o preto e branco e o suporte analógico deixaram de ser opções exclusivas da imagem fixa (em contramão, a cor passou a estar “por todo o lado” e o digital “invadiu o planeta fotografia”). Barré proclama no texto de apresentação deste ano a “continuação do espectáculo” (“apesar da crise”) e antevê edições de “extraordinária mutação”.

Enquanto espera pelas imagens de mudança do futuro, o festival olha para as imagens de ruptura que ajudaram a construir o seu (nosso) passado. A programação dos Encontros, a decorrer até 18 de Setembro, assenta em dois eixos principais: 40 ans de Rencontres celebra a dedicação e os múltiplos talentos de Robert Delpire (criador da célebre colecção de livros de fotografia Photo Poche) e reúne exposições de novos talentos escolhidos por antigos directores artísticos e fotógrafos que ajudaram a escrever a história do festival; 40 ans de ruptures integra trabalhos apresentados em Arles que provocaram debate e desafiaram convenções. É aqui que se encontra a retrospectiva de Duane Michals e as exposições dos 13 fotógrafos escolhidos pela americana Nan Goldin, comissária convidada deste ano e uma das muitas fotógrafas lançadas pelo festival de Arles. Goldin apresenta ainda imagens das séries The Ballad of Sexual Dependency e Soeurs, Saintes et Sybilles e fotografias da sua colecção privada. Paulo Nozolino é outro dos fotógrafos da ruptura representados, ao lado de Brian Griffin, Eugene Richards, Martin Parr e René Burri.

Eugene Richards, do livro The Blue Room, Corinth, Dakota do Norte, 2006
© Eugene Richards

Pendant la crise, le spectacle continue, texto de François Barré

40 de Rencontres, 40 ans de ruptures, texto de François Hébel
Programação completa dos Rencontres d`Arles

24/06/2009 - 19:00h Arte: os desnudos são femininos, os artistas quase todos homens. Discriminação?

Na França, como nos Estados-Unidos as mulheres não encontram espaço nos museus ou exposições, salvo tirando a roupa. Quase nunca como artistas. Mas a proporção de mulheres nas escolas de belas-Artes na França, por exemplo, é majoritária. Uma exposição no Centro Pompidou trata do assunto. O debate apenas está começando. É no Brasil?

L’art est-il macho?

Rue 89

Quelle place pour les femmes dans le monde de l’art ? Petite, si l’on en croit leur sous-représentation dans les musées. Au Centre Pompidou, une expo propose une histoire de l’art 100% féminine. Mais ce séparatisme des sexes ne pose-il pas lui aussi problème ?

« Faut-il que les femmes soient nues pour entrer au Metropolitan Museum? Moins de 5% des artistes de la section d’art moderne sont des femmes, mais 85% des nus sont féminins » : placardé en 1989 dans les rues de New York par le groupe d’activistes féministes les Guerrilla Girls, ce constat ironique fait désormais partie de la collection du musée d’Art moderne et, aujourd’hui, de son nouvel accrochage sous le titre Elles@centrepompidou. Une exposition 100% féminine : un geste fort mais assurément problématique.

Sous-représentée en dépit de l’irruption massive qu’elles ont fait sur la scène de l’art tout au long du XXe siècle, plus souvent célébrées comme muses, modèles ou sources d’inspiration que comme créatrices, la grande majorité des artistes femmes est encore aujourd’hui dans l’ombre des hommes. En virant les mecs de l’exposition, en laissant les femmes entre elles, le Centre Pompidou relance donc le débat et espère peut-être inverser cette tendance générale des musées, voire du monde culturel tout entier, cet espace social qui ne fait pas ici figure d’« exception » et où la domination masculine semble encore largement de mise.

Où sont les femmes ?

Elles, et « elles seules » : l’exposition gynécée du Centre Pompidou a au moins le premier mérite de mettre les pieds dans le plat autour d’une question longtemps tenue à l’écart du champ de l’art en France. En l’espace de quelques mois, on a d’ailleurs vu se multiplier expositions et tables rondes sur le sujet (« Les Formes féminines » à la Friche de la Belle de mai de Marseille, « Cris et chuchotements » au Centre Wallonie-Bruxelles à Paris, ou encore la parution de la revue arty-féministe Pétunia).

Aujourd’hui, ce sont les statistiques qui remontent comme un constat implacable de la sous-représentation des femmes artistes en France : alors que depuis le tournant des années 2000, on constate que 60% des artistes diplômés des écoles des beaux-arts en France sont des filles, leur proportion dans les collections publiques reste largement dérisoire, avec une moyenne de 15% (à l’exception du Frac Lorraine dont la directrice Béatrice Josse mène depuis 1993 une action en faveur des artistes femmes). Rappelons qu’en 2004, on ne comptait que 5% d’œuvres signées par des femmes exposées aux deux étages muséaux du Centre Pompidou. Soit le même chiffre qu’avant la Révolution française aux Salons de l’Académie !

Evidemment, on peut contrebalancer cet inquiétant bilan en dressant une liste d’artistes femmes, en invoquant les figures très établies de Tatiana Trouvé, Sophie Calle, Annette Messager, Louise Bourgeois, Delphine Coindet, Ulla von Brandenburg ou Sophie Ristelhueber, qui ont bénéficié dans les deux années écoulées d’expositions majeures dans les institutions françaises.

Mais d’autres statistiques montrent un second visage de la condition artistique féminine contemporaine : si on compte en 2007 79% d’artistes hommes dans les collections des Fonds régionaux d’art contemporain, soit un score légèrement au-dessus de la moyenne nationale, en revanche « elles » ne représentent que 11,5 % des œuvres acquises : lorsque l’Etat s’intéresse à un artiste homme, il lui achète en moyenne 14 œuvres, contre 7 pour une artiste femme.

Situation d’autant plus étonnante que de nombreuses femmes sont aujourd’hui à la tête de musées, centres d’art, revues ou galeries : mais cette montée en masse d’un personnel féminin n’a presque aucune incidence sur la représentation d’artistes femmes. On se souvient d’ailleurs de l’exposition « Dionysiac » au même Centre Pompidou en 2005, où la commissaire Christine Macel avait écarté les artistes femmes d’une réflexion sur le corps dionysiaque et en était restée à un phallocentrisme confondant.

La solidarité féminine serait-elle donc un leurre ? Ou cette sous-représentation ferait-elle à ce point partie de notre inconscient collectif ? Eric Fassin, sociologue et spécialiste des questions de genre, commente :

« On approche toujours l’œuvre un peu différemment lorsqu’on sait qu’il s’agit d’une femme. Autrement dit, le sexe de l’art n’est pas seulement inscrit dans sa production mais aussi dans sa réception. »

Un jugement confirmé par l’artiste Lili Reynaud Dewar :

« Le fait d’être une femme ne fait pas de moi une victime, il ne m’inscrit pas automatiquement dans la catégorie “dominé”. Par contre, je sais que les réflexes d’appréciation des œuvres d’art sont parfois adossés à un concept soi-disant neutre (masculin, hétéro, blanc) et qu’ils s’inscrivent dans une histoire largement masculine. »

Des quotas ou des happenings ?

Quels moyens pour remédier à ces chiffres alarmants mais constants ? Et la parité est-elle un concept applicable au champ artistique ? Si certain(e)s refusent d’emblée cette option, et en appellent à la responsabilité du commissaire d’exposition pour garantir une représentation sinon équilibrée des deux sexes, d’autres n’hésitent pas à revendiquer la parité en art comme en politique et dans les entreprises, soulignant que ce n’est peut-être pas seulement le champ de l’art qui serait encore macho, mais la société française dans son ensemble.

C’est justement l’option militante qu’a choisie le collectif français La Barbe, inspiré des activistes des années 1960-1970 : avec leur nom en forme de ras-le-bol (la barbe ! ), ce gang des postiches intervient au Sénat ou à la Bourse, et a manifesté tout récemment au Grand Palais le jour d’ouverture de l’exposition « La Force de l’art » (où l’on ne comptait que 7 femmes pour 42 artistes).

Autre stratégie, adoptée par la grande manifestation « WACK ! l’art et la révolution féministe » organisée en 2007 au musée national des Beaux-Arts féminins (NMWA) de Washington, le seul musée au monde consacré uniquement au travail des artistes femmes : à mi-chemin du politique et de l’esthétique, il s’agit de mettre le travail des artistes femmes en relation avec les mouvements d’émancipation des minorités.

Car à trop vouloir écarter l’art des problématiques sociales ou culturelles, à trop nier les conditions d’apparition d’une œuvre et l’inscription de son auteur dans un faisceau social, bref à trop considérer que l’art serait au-dessus de la mêlée, on en revient inconsciemment à se laisser dicter la loi du « masculin neutre », pour reprendre une expression du sociologue Pierre Bourdieu dans « La Domination masculine ».

Mais pour l’historienne Yolanda Roméro, plutôt que de « chercher à accroître la visibilité des pratiques artistiques des femmes -une entreprise autrefois nécessaire et à laquelle le mouvement a consacré jusqu’à présent une grande partie de ses efforts-, il s’agit maintenant de transformer l’institution artistique, en s’appuyant sur les nouveaux paramètres nés du dépassement des rapports de domination traditionnellement admis ».

L’art féminin : une notion douteuse ?

Retour donc au musée. Et à l’exposition Elles@centrepompidou : refusant un parcours trop linéaire d’un XXe siècle au féminin, Beaubourg a fait le choix d’une lecture thématique (« le corps slogan », « immatérielles », « eccentric abstraction », « architecture et féminisme ? »). Avec l’intention, selon la co-commissaire Camille Morineau, « de “dé-lisser” le genre, de “démonter” le préjugé d’un art féminin ».

Les « pionnières » (les peintres Sonia Delaunay ou Suzanne Valadon, la photographe américaine Diane Arbus) côtoient les adeptes d’une abstraction sexuellement indifférenciée, les militantes des années 70 jouxtent la condition autrement féministe des artistes de la nouvelle génération. Une manière d’en découdre avec le féminin dans l’art, hésitant entre affichage et effacement. Mais une façon aussi d’exposer cette évidence qu’une histoire de l’art du XXe siècle s’écrit au féminin.

Phénomène intéressant, on remarque ainsi comment les femmes ont su dès les années 1960-1970 explorer des pratiques vierges, encore peu marquées du sceau masculin, comme la photographie, la performance ou la vidéo. Quand d’autres aujourd’hui, telles Anita Molinero ou Morgane Tschiember, infiltrent au contraire le domaine réservé d’une certaine « sculpture virile », qui n’hésite pas à se coltiner un corps à corps musclé avec des matériaux aussi connotés que le béton, le plastique ou les carrosseries de voitures.

Reste pourtant que cet accrochage réfléchi du Centre Pompidou est problématique à bien des égards. Avec son sponsor tout trouvé (Yves Rocher) et malgré des apparences trompeuses, l’exposition Elles@centrepompidou ne déroge pas à la règle : ici comme ailleurs dans le champ de l’art, les artistes femmes sont assignées à une place précaire, périphérique et ponctuelle. Pourquoi, par exemple, se féliciter « d’écrire une histoire de l’art du XXe siècle avec “elles” seules » ? Pourquoi vouloir isoler les femmes quand ce sont leurs pairs masculins qui ont imposé leur lecture de l’histoire de l’art ? Est-il judicieux pour un musée du XXIe siècle d’imposer l’identité sexuelle comme un thème ?

La critique d’art Emilie Renard commentait récemment :

« Aujourd’hui, dédier les collections d’un musée aux femmes, c’est prôner un séparatisme des sexes qui n’a plus cours. »

En effet, le choix douteux que représente la seule identité sexuelle apparaît aujourd’hui comme une proposition datée, presque anachronique. Faut-il rappeler combien les « gender studies » ont permis de différencier le « sexe » (biologique) et le « genre » (culturellement construit) ? Et que déjà en 1995, l’exposition « Féminin/masculin, le sexe de l’art », qui se déroula précisément au Centre Pompidou, explorait l’hypothèse d’un « érotisme non-phallocentriste, ouvrant sur une autre donne artistique » ?

Ce que la philosophe Monique Wittig dans « La Pensée straight » caractérise encore de la sorte :

« Le genre est employé au singulier car en effet il n’y a pas deux genres, il n’y en a qu’un : le féminin. Le masculin n’étant pas un genre. Car le masculin n’est pas le masculin mais le général. »

Sous d’autres formes, la lutte des classes continue.

Exposition Elles@centrepompidouCentre Pompidou, 75 004 Paris – jusqu’au 24 mai 2010.

Photos : « ssMay 07 002 » et « Princess Die » (p22earl/Flickr).

17/06/2009 - 17:27h Fotografias de Fernando Rabelo retornam ao Rio. “Imagens de um Flâneur Brasileiro em Paris” estão no Rio Scenarium

 

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Depois de ser exibida no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Niterói, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Joinville, Curitiba, São Carlos,Goiânia e Brasília, a exposição itinerante “Imagens de um Flâneur Brasileiro em Paris”, do fotógrafo Fernando Rabelo (editor do blog Images&Visions), retorna ao Rio de Janeiro. A mostra ocorre no Rio Scenarium, uma das casas de espetáculos mais tradicionais da cidade. Influenciado pelo olhar de uma Paris humanista da segunda metade do século XX, Fernando Rabelo iniciou sua carreira na capital francesa no final da década de setenta aos quatorze anos de idade, durante o exílio do pai, onde tomou contato com as primeiras luzes da fotografia. Retratou a cidade luz onde realizou sua primeira mostra em preto e branco. Em 2005 viveu novamente na França pelo período de um ano, onde realizou o trabalho intitulado “Imagens de um Flâneur Brasileiro em Paris”. Fernando Rabelo percorreu a cidade como um “flâneur”, desvendando becos, ruas, igrejas, pontes e personagens de uma Paris popular e cosmopolita. O termo flâneur se refere àquele que caminha tranqüilamente pelas ruas, observando cada detalhe, sem ser notado, sem se inserir na paisagem. O jornal londrino The Guardian, considerado o mais importante da Grã-Bretanha, colocou o Rio Scenarium como um dos 10 melhores bares do mundo. Na lista figuram ainda o parisiense Chez Georges e o argentino OJ´s. Exposição itinerante “Imagens de um Flâneur Brasileiro em Paris”, Rio Scenarium. Rua do Lavradio, 20- Lapa. Centro Antigo – Rio de Janeiro – RJ (próximo à Praça Tiradentes) – Telefone (21) 3147-9005. Aberto a partir de 18h30 às terças, quartas e quintas. Às sextas, a partir de 19h e aos sábados, a partir de 20h.

Fernando Rabelo

http://imagesvisions.blogspot.com/

17/06/2009 - 16:33h Venise 3 : encore quelques émerveillements

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Encore cinq pavillons nationaux dans ma liste des incontournables de la Biennale de Venise (jusqu’au 22 novembre). D’abord, difficile à trouver dans un palazzo décrépit, le Mexique présente What else could we talk about ? de Teresa Margolles. Vous y verrez peu de choses, des draps et des rideaux rougis, des seaux avec serpillère dans chaque pièce, comme s’il n’y avait rien, au milieu de ce palais en demi-ruine. Mais ce rien est la mort, celle des 5000 personnes tuées de mort violente au Mexique l’an dernier. C’est leur sang qui est ici, qui tache les tissus exposés ici et là, qui teinte l’eau avec laquelle on lave les parquets chaque jour. C’est le fantôme de leur présence qui hante ces lieux. Il n’y a presque rien à voir et c’est un des spectacles les plus forts de la Biennale. Plutôt qu’une vue du Palazzio Rota vide, voici une photographie de l’installation clandestine au pavillon des États-Unis en avril dernier, où Teresa Margolles suspendit ces suaires tachés de sang pour occulter portes et fenêtre du pavillon. Les néons moralisateurs de Bruce Nauman, installés par la suite au même endroit, en prennent une dimension expiatoire.chile.1245187949.jpgDans l’Arsenal, une des installations les plus spectaculaires est celle du pavillon chilien, qui 2009-biennale-venise190-navarro.1245187969.JPGtranche sur la fadeur des autres Latino-Américains. Iván Navarro, avec Threshold, présente un couloir de la mort (ci-dessus), juxtaposant treize portes d’aluminium magiquement habitées par un néon, qui créent une illusion saisissante, comme un arc-en-ciel vers l’abyme, cependant qu’à côté, un puits reflète le mot BED à l’infini : nous sommes en effet sur le seuil, prêts à basculer dans l’irréel, l’illusoire. C’est très simple et très beau (sa troisième pièce, une sculpture cum video, est trop littérale pour avoir la même force).

Alors que tant d’états présentent leur pire art officiel (j’ai cité l’Iran avant-hier, mais c’est tout aussi vrai de l’Arménie, d’Israël ou du Maroc), on ne s’attend guère à être étonné par le pavillon non-officiel de l’Arabie Séoudite au Palazzo Contarini (jusqu’au 2 août 2009-biennale-venise135-mater-saudi.1245187987.JPGseulement). C’est donc une agréable surprise d’y retrouver les photos voilées et tourbillonnantes de Faisal Samra, les figures féminines volontaires de Manal al Dowayan et les compositions en boîtes de Kleenex de Ayman Yossri Daydban. Mais encore mieux, j’y ai découvert Ahmed Mater Aseeri et son Magnétisme, jeu d’attraction et de répulsion, organisation du monde par des voies impénétrables, que j’ai lu comme une réflexion sur la religion (d’ailleurs, ne serait-ce pas une pierre noire ?). 2009-biennale-venise133-alem-saudi.1245188003.JPGLes deux soeurs Shadia & Raja Alem créent des installations intimes et mystérieuses, l’une combinant l’érotisme de la chevelure et la froideur utilitaire de l’ordinateur, l’autre dissimulant derrière un rideau de films négatifs un corps féminin drapé de noir baigné dans une lumière chaude et sensuelle (Negative no more) : une réflexion sur la féminité qui va bien au delà des stéréotypes. Bien mieux que ce que j’attendais là.

poland.1245188032.jpgDe retour aux Giardini, il faut voir deux autres pavillons, et d’abord celui de la Pologne, tout en longueur : Krzysztof Wodiczko y a installé des écrans sur trois murs et au plafond. Des êtres à peine visibles, des quasi fantômes 2009-biennale-venise123-wodiczko.1245188044.JPGy apparaissent comme derrière du verre dépoli, dans une brume épaisse et y accomplissent des gestes quotidiens, lavant méthodiquement les vitres. Parfois, il pleut. Ce sont des invités, Guests, comme on dénomme les immigrés en Allemagne Gastarbeiter, travailleur invité, des hommes et des femmes à côté de qui nous passons tous les jours, mais qui sont invisibles à nos yeux, fondus dans le paysage urbain, simples mécaniques de notre moteur économique à qui nous avons dénié toute existence réelle. C’est un spectacle dont on ne peut se détacher.

provenance-4.1245188065.JPGEt puis Fiona Tan, hollandaise d’honneur, dont, à côté des deux grandes installations vidéo (’Disorient’ sur Marco Polo et ‘Rise and fall’ sur les âges de la vie d’une femme), j’ai beaucoup aimé Provenance, une série de petits portraits vidéo, scènes de la vie quotidienne. Elle se rattache fort bien à l’art classique du portrait, inspirée par les portraits hollandais du siècle d’or. Pour une migrante comme elle, que peut bien être la provenance ?

Photos 3, 4, 5 & 7 de l’auteur; photos 2 et 6 courtoisie du service de presse de la Biennale; photos 1 et 8 provenant de catalogues.

16/06/2009 - 20:36h Ser jovem na França

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© Foto de I. Moukthin. Imagem que compõe a mostra “Ser Jovem na França”, na CAIXA Cultural da Praça da Sé, em São Paulo.

Obras dos consagrados fotógrafos Martin Parr, Marie-Paule Nègre e Marc Riboud, ao lado de jovens artistas cujo trabalho está ligado à maneira de viver da juventude francesa atual compõem a exposição “Ser Jovem na França”, que a CAIXA Cultural (Praça da Sé, 111) promoverá de 20 de junho a 26 de julho. A entrada é franca. Com curadoria do fotógrafo brasileiro Milton Guran, a convite dos organizadores do Ano da França no Brasil, a exposição apresenta 109 obras, algumas em grande formato, de 28 renomados fotógrafos, do acervo do Fundo Nacional de Arte Contemporânea da França. Originalmente chamado de “Le Plus Bel Âge”, estes trabalhos tiveram origem em uma das maiores encomendas públicas do gênero, sob a coordenação de Agnès de Gouvion Saint-Cyr, do Ministério da Cultura francês. As obras retratam a juventude francesa, sua maneira de ser, seus caminhos e descaminhos. Segundo Guran, “a exposição se caracteriza por uma linguagem atual e instigante, situada, em sua maioria, no campo da arte contemporânea, no que se convencionou chamar de a nova documentação”. Além dos consagrados Martin Parr, Marie-Paule Nègre e Marc Riboud, participam da mostra I. Balogh, H. Bamberger, E. Bouvet, E. Brotherus, S. Caron, G. Coulon, P. Durand, V.Ellena, C. Garcia, B. Gysembergh, G.Herbaut, O. Kim, M.-J. Lafontaine, O. Lele, M. Locatelli, P. Maître, Y. Morvan, I. Moukhin, Z. Mthetwa, D. Rosenfeld, R.-P. Savignan, P. Tourneboeuf, L. Van Der Stockt, C. Vivier e B. Wilson. A exposição ficará em cartaz de 20 de junho a 26 de julho, de terça a domingo, das 9h às 21h na CAIXA Cultural (Praça da Sé, 111). A entrada é franca. A recomendação de faixa etária é 12 anos. Mais informações podem ser obtidas pelo público através do telefone 11 3321-4400 ou no site www.caixa.gov.br/caixacultural. Fonte Imgaes & Visions

16/06/2009 - 16:26h Venise 2 : pavillons chéris

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2009-biennale-venise166-ondak.1245110385.JPGVachard hier, enthousiaste aujourd’hui. Suite de la visite de la Biennale de Venise (jusqu’au 22 novembre). D’abord, un pavillon supranational, celui de la défunte Tchécoslovaquie avec cette année un artiste slovaque et un commissaire tchèque. Un pavillon, où ça ? Circulez, il n’y a rien à voir : on passe au travers du pavillon, ouvert à tout vent, et on ne voit rien. Ou plutôt on voit la même chose que ce qu’on a vu dehors, les jardins des Giardini, des arbustes, un chemin. Roman Ondák, qui a récemment participé à l’exposition Vides à Pompidou, a de nouveau ici su questionner avec humour et pertinence l’idée même d’exposition. Reprenant à l’intérieur ce qui était à l’extérieur, il déroute, il fait d’abord sourire, puis s’interroger sur ce mécanisme grandiloquent d’expositions nationales. Ce que Steve McQueen tente lourdement de faire au pavillon britannique, questionner le rapport entre art et réalité, démonter l’interrupteur qui, à un certain moment, transforme ces jardins en un lieu d’art, Ondak le réalise avec élégance et finesse ici (Loop, fort bien nommé). C’est une des deux ou trois choses qui m’ont le plus marqué ici.2009-biennale-venise128-nauman.1245110661.JPGBruce Nauman a obtenu le Lion d’or de la Biennale et ça ne surprendra personne. Mais c’est une drôle d’idée pour les États-Unis d’avoir présenté un artiste aussi indubitable, aussi confirmé, d’avoir fait preuve d’aussi peu d’audace. C’est donc un beau pavillon, avec des pièces assez anciennes, présentées de manière très muséale. À l’extérieur, péchés capitaux et vertus cardinales, à l’intérieur, entre autres, une piscine noire avec des têtes fontaines. Respect, mais pas d’émotion. Le seul pincement de coeur vient de ce que sa fameuse spirale The true artist helps the world by revealing mystic truths est accrochée à l’envers, illisible de nauman-pink-and-yellow-light-corridor-variable-lights.1245110685.jpgl’intérieur du pavillon: il faut se frayer un chemin parmi les buissons à l’arrière de la bâtisse pour en lire le texte, sortir pour mieux voir (à droite). De même, il faut sortir des Giardini et aller sur les campus universitaires de Venise pour découvrir des pièces récentes et stimulantes de Nauman : les séries Days (à IUAV Tolentini) ou Giorni (à Ca’Foscari) comprennent chacune quatorze haut-parleurs dissimulés dans des écrans blancs suspendus en deux rangées parallèles, qui égrènent en anglais ou en italien, avec des accents et des tonalités diverses, les noms des jours de la semaine dans un ordre parfois 2009-biennale-venise039-nauman.1245110762.JPGrégulier et parfois erratique, voire chaotique; c’est une superbe métaphore du temps. Le couloir du cloître éclairé de néons à Tolentini date certes de 1972, mais il est superbe (Pink and Yellow Light Corridor (Variable Lights)); et à Ca’ Foscari, deux jeunes étudiantes de l’université dansent sur une double vidéo, au sol et au mur, se tordant au sol en se tenant par les mains, sur un cadran carré dont l’image elle-même tourne, comme une spirale temporelle sans fin (Untitled, 1970-2009).

Ensuite, rien de surprenant si vous avez lu précédemment ce que j’écrivais sur lui, j’ai bien aimé Le Grand Soir de Claude Lévêque. Dans l’espace clos du pavillon français, nous sommes parqués, enfermés derrière des grilles, dans des cellules prêtes à nous 2009-biennale-venise143-leveque.1245110556.JPGaccueillir, comme dans un camp, à un checkpoint: régime d’oppression, de terreur, de surveillance (on cherche machinalement les caméras de vidéosurveillance). Et le bruit du vent s’amplifie, grandit : au fond, à peine visibles, les drapeaux noirs fasseyent. Serait-ce un message d’espoir, après tout ? Ce grand soir nous sauvera-t-il, ou annonce-t-il une fin tragique ? L’opposition entre clair et obscur, entre rugueux et lisse, l’économie de moyens et la magie de la transformation de l’espace sont bien au rendez-vous, mais, pour être franc, c’est une pièce moins puissante, moins évocatrice que mes installations préférées de Lévêque : un peu trop dépouillée, un peu trop parcimonieuse, trop sèche je trouve (Catalogue en vente chez Dessin Original pour 46.55 euros).

2009-biennale-venise080-forgacs.1245111053.JPGEnfin (pour aujourd’hui), l’exposition de Péter Forgács au pavillon hongrois ne semble d’abord pas payer de mine : des vidéos de morphing de Rembrandt animées d’imperceptibles mouvements, bof ! Et puis on avance vers des murs de portraits, vers une tête pour phrénologue et on réalise l’ampleur historique de son projet (Col tempo – il progetto W.) qui se penche sur la manière dont les nazis hier (et d’autres oppresseurs aujourd’hui) analysent les caractéristiques des visages et des crânes humains pour catégoriser, classer, discriminer. 2009-biennale-venise081-forgacs.1245111068.JPGAvec une variété de représentations (photos, vidéos, dessins, installations), c’est une décomposition de l’anthropométrie, de la réduction de l’homme à ses caractéristiques physiques, de l’ethnocentrisme communautariste et de l’épuration qui l’accompagne. Yeux de verre et mèches de cheveux (ci-dessus et ci-contre) sont là pour étalonner, cataloguer, inclure ou exclure : êtes-vous aryen ? juif ? palestinien ? tsigane ? On saura tout de vous. 2009-biennale-venise082-forgacs.1245111082.JPGLe Docteur W est l’anthropologue viennois qui en 1939, classa ainsi la population juive de la ville. Gershon Evan fut l’un d’eux; 70 ans plus tard, il contemple l’empreinte faciale qu’on fit alors de lui, jeune homme. En sortant de l’exposition, on se heurte à un miroir un peu déformant et on regarde son propre visage avec inquiétude. C’est assez terrifiant.

La suite demain, avec Pologne, Pays-Bas, Chili, Mexique et Arabie Séoudite.

Claude Lévêque, Bruce Nauman et Peter Fergacs étant représentés par l’ADAGP, les photos de leur travail seront ôtées du blog à la fin de la Biennale. Photos de l’auteur, sauf la première évidemment et excepté Pink and Yellow Light de Bruce Nauman (courtoisie du pavillon américain).

15/06/2009 - 17:23h Venise 1 : préjugés et déceptions

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2009-biennale-venise127.1245081895.JPGC’est fou le nombre de gens qui viennent de passer deux jours à la Biennale de Venise (jusqu’au 22 novembre) et qui, rencontrés ici ou là, vous assènent des jugements péremptoires et négatifs : “nul ! moins bien qu’il y a deux ans ! rien d’intéressant !” Il m’a fallu presque une semaine, après mes cinq jours sur place, pour classer mes papiers, trier mes photos, relire mes notes et savoir sur quoi j’ai envie d’écrire. Je ne me sens guère capable de porter un jugement d’ensemble sur la diversité des expositions. J’ai eu des coups de coeur (billet de demain), j’ai vu des choses sans intérêt ou un peu étranges (billet d’aujourd’hui) et puis bien d’autres travaux qui, sans me transporter au 7ème ciel, vont rester dans ma mémoire et dont je vais tenter de parler.Commençons par une promenade d’ensemble. Les pavillons nationaux, aux Giardini ou ailleurs, sont par essence hétéroclites, et il est donc amusant de les classer, voire même de les noter. Je réserve donc à demain ceux que j’ai beaucoup aimés, la Tchécoslovaquie (pays qui n’existe plus, sauf à Venise), la Hongrie, la Pologne, la France, les Etats-Unis (même si…), les Pays-Bas dans les Jardins et le Chili, le Mexique et l’Arabie Saoudite ailleurs dans la ville, et je veux d’abord décerner aujourd’hui les bonnets d’âne.

2009-biennale-venise186-danemark.1245081639.JPG2009-biennale-venise173-nordic.1245081622.JPGIl y a d’abord les pavillons, pas inintéressants en eux-mêmes, mais qui présentent une exposition d’historien d’art, revisitant le passé de manière didactique et sans surprises. C’est le cas du Vénézuela avec une exposition très muséale sur l’expérience de l’archive, c’est le cas des pays nordiques avec d’un côté une collection homo-érotique (la seule pièce qui m’y ait plu, à droite, cette absurde double porte brisée, n’était même pas sur le plan listant les oeuvres) et de l’autre (au prix d’une longue attente), un ensemble danois ennuyeux, présenté sous la guise d’un appartement à vendre que vous ferait visiter un agent immobilier : il y a même une accorte soubrette et une collection d’insectes, ci-dessus à gauche.

2009-biennale-venise116-sraceno.1245083904.JPGLe pavillon international, ex italien, est aussi une superbe exposition d’oeuvres historiques, avec les Danseurs dans les arbres de Gordon Matta-Clark (vidéo de 9h 32 minutes), une très belle salle dédiée au mouvement japonais Gutai et cette incroyable installation de Tomas Saraceno. Par contre, l’installation de la nouvelle star du marché Nathalie Djurberg est trop spectaculaire pour être honnête à mes yeux.

Parlant d’attente, le ratio durée d’attente sur qualité du pavillon, très mauvais au Danemark et en Roumanie, est pulvérisé par le pavillon britannique où il faut s’inscrire à l’avance pour voir une vidéo de 30 minutes de Steve McQueen, qui filme les Giardini l’hiver, abandonnés, sales, avec des chiens errants (des lévriers de race, quand même) et des rencontres homosexuelles louches; le seul moment où l’intérêt s’éveille un peu pendant cette demie heure d’ennui profond est quand on voit des insectes caméléons ayant la forme et la couleur des feuilles sur lesquels ils se posent. Sinon, à fuir absolument.

2009-biennale-venise126.1245081878.JPGLa seule raison de visiter le pavillon égyptien est la magnifique et généreuse odeur de paille qui l’imprègne, mais gardez-y les yeux fermés, et la seule raison de visiter le pavillon israélien est qu’on vous y offre le café, bien meilleur qu’au restaurant voisin, mais évitez à tout pris les toiles de Rafi Lavie autour du bar. Le choix des artistes dans les pavillons nationaux est en général un indicateur subtil du mécanisme à l’oeuvre derrière le choix et on décèle assez vite les académies conservatrices (Israël, sans doute), les ministères de la culture (le pavillon iranien est absolument redoutable, mais les bons artistes iraniens contemporains ne sont sans doute pas bien en cour), voire la maîtresse du ministre (devinez…; voici peut-être sa garde d’honneur).

2009-biennale-venise100-bertozzi-cassoni.1245081728.JPG2009-biennale-venise099-bertozzi-cassoni.1245081710.JPGLa plus grande tristesse vient du pavillon italien (à l’Arsenal). Que celui de Venise semble sponsorisé par les verriers de Murano est déjà triste, mais que le pavillon national montre une image aussi déplorable du pays hôte m’a désolé. Même Silvio Wolf est mal représenté. J’ai cru un instant que ce mur d’armoires à pharmacie, par Bertozzi & Casoni, titré Rebus, sauvait la mise, mais c’était avant de voir ce que contiennent lesdites armoires (cliquez à gauche, puis à droite). Quelques photos d’Elisa Sighicelli sur la lumière et les grillages (ci-dessous, sans titre) relèvent un peu le niveau (mais certainement pas sa vidéo de feux d’artifice à l’envers).2009-biennale-venise101-sighicelli.1245081763.JPG

Allez, encore un peu de bile : les Emirats Arabes Unis font leur marketing, la Croatie de la peinture d’école des beaux-arts du dimanche, et je n’aime pas du tout Dado.

2009-biennale-venise117-jussi-kivi.1245081841.JPGPour se remettre un peu, il y avait quelques lieux reposants, calmes, sans emphase, qui n’impressionnaient pas, mais nous laissaient apaisés, sereins : ainsi les dessins de Silvia Bächli au pavillon suisse ou l’herboristerie de Jef Geys au pavillon belge. Le finlandais Jussi Kivi a fait rêver le petit garçon qui sommeille en moi avec son musée de voitures de pompiers et je n’étais pas le seul, mais peu de femmes dans ce pavillon, qui avait donc choisi d’exposer la collection d’une artiste (il y avait aussi ses affiches soviétiques de protection civile) plutôt que son oeuvre. Et Miguel Barcelo était un des rares peintres intéressants de cette biennale, avec des toiles paysages comme agitées par le vent, avec des friselis à la surface de la peinture; il montrait aussi de belles céramiques, dans une exposition du pavillon espagnol très rétrospective (je n’ai vu ni le pavillon catalan, ni le murcien). Dans mes regrets aussi, le pavillon estonien où je n’ai pas vu l’installation et la vidéo de Kristina Norman sur le monument aux morts soviétiques déplacé il y a deux ans du centre de Tallinn.

2009-biennale-venise130-comores.1245081964.JPGDeux expositions maritimes pour conclure ce billet. D’abord, face aux Giardini, la pays le plus pauvre du monde, les Comores, a un pavillon, avec l’artiste italien Paolo Tamburella : une barque traditionnelle comorienne a été déplacée ici et ele héberge un container estampillé Capital. Parfois, des marins comoriens y font une performance. Cette présence des Comores à une encablure du nouveau Palais Pinault est un magnifique pied de nez.

15-06-2009-1841-56_edited.1245084206.jpgAutre pied de nez, le projet du belge Jacques Charlier, 100 Sexes d’artistes, que la Biennale a refusé d’inclure dans le calendrier officiel des manifestations collatérales, censure imbécile. Il squatte donc un bateau à proximité et attire les foules avec force publicité. Il n’ ya bien sûr pas de quoi fouetter un chat et beaucoup moins de sexe que dans bien d’autres expositions. Mais le sexe d’artiste est apparemment intouchable pour Daniel Birnbaum. Or ceux-ci ne sont que des évocations et je vous invite à faire le test en ligne; moi je vais essayer d’améliorer mon score (39/100 sur place). L’indice de celui-ci est “souvent à Rome”.

2009-biennale-venise063-gonzalez-foerster.1245081917.JPGAh oui, Yves Klein est enterré dans un bosquet reculé des Giardini (tout en haut), et Dominique Gonzalez-Foerster m’énerve toujours autant.

Toutes photos de l’auteur, excepté le sexe d’artiste.

11/06/2009 - 19:50h Donas de casa em vias de extinção

Amas de casa, una especie en extinción

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Me lo cuenta Silvia Armoza del colectivo Loca…. como tu madre que lo vio en Barcelona en un viaje reciente. Me habla de la obra de Karol Bergeret, una catalana de 32 años, que realizó un homenaje a las amas de casa inspirado en un repasador que tenía su madre en los años 70. “Un trapo”, dice la artista, donde de describían todas las actividades que debía realizar la mujer en su hogar.

Así nació la muestra Santas amas de casa.

Bergeret realiza una serie de esculturas luminosas a partir de tablas de planchar a las que interviene con elementos estrictamente hogareños: desde tenedores hasta broches; desde almohadillas para alfileres hasta ollas.

Las distintas piezas diseminadas por los espacios de su estudio ubicado en el barrio del Raval son “la limpiadora”, “la electrodoméstica”, “la lavandera”, “la camarera”, “la costurera”, “la nodriza” y “la proveedora”, entre otras.Son esculturas iluminadas realizadas a partir de “tablas” recicladas encontradas en la calle, cuyo origen estudia Bergeret antes de convertirlas en obras de arte que reproducen las labores del hogar.Utiliza tejidos antiguos, cortinas o de colchón que ha encontrado en la basura “que me teletransportan a esa época ya superada”, de hace unos 30 o 40 años, dice, para forrar las tablas y colocar en ese collage doméstico minipimers, plumeros, espumaderas, cintas de costura, bastidores de bordar, puntillas y hasta heladeras.

Todas las esculturas de la serie están presididas por una cara de mujer “que voy encontrando en las revistas o que fotografío yo misma” para ilustrar la cara del trabajo doméstico al que alude.

Aquí un recorrido por la muestra:

07/06/2009 - 20:21h PhotoEspaña na visão de

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PHE09

Gerhard Richter, 4.12.06
© Gerhard Richter

Começou esta semana a maratona de inaugurações do PhotoEspaña. Hoje abre ao público a muito aguardada exposição do alemão Gerhard Richter, Fotografias Pintadas, uma das grandes apostas do conjunto de mostras da Secção Oficial, grande parte das quais comissariadas por Sérgio Mah. O texto que apresenta e defende o tema da edição deste ano, Quotidiano, está disponível no portal do PHE, aqui.

ps: ao longo dos próximos quatro dias tentarei, na medida do possível, dar aqui algumas notas sobre o arranque do festival.

PHE09

Pedro Costa, Tarrafal (fotograma), 2007

À janela a olhar o dia que passa

(P2, Público, 03.06.2009)

A vista da janela de Le Gras, captada pelo pai da fotografia, Niépce, nos arredores de Chalon-sur-Saône, entre 1826 e 1827, mostra um trivial conjunto de casas, um par de janelas e uma vaga linha de horizonte. A vista de Le Gras (França) é uma experiência ainda enublada e tosca, mas é, ao mesmo tempo, a matriz de um postal nítido que já vimos vezes sem conta.

O sujeito que compõe a imagem fundadora da fotografia não podia ser mais premonitório do universo que mais se colou à sua prática ao longo dos anos – o quotidiano tornado visível através da ínfima variedade de gestos do dia-a-dia, comuns e repetitivos. É a percepção da realidade imediata que está simplesmente ao nosso alcance, ali, do outro lado da janela, na face de um postal ilustrado ou na janela de um browser de Internet. Se por um lado passámos a partilhar mais o nosso quotidiano, por outro também nos tornámos consumidores vorazes do quotidiano dos outros. Como se estivéssemos todos à janela.

São tão voláteis, complexas e diversas as manifestações visuais da vida diária que não deixa de surpreender (e de mostrar coragem) a escolha do tema Quotidiano como eixo central do PhotoEspaña, o festival de fotografia e artes visuais comissariado pelo segundo ano pelo português Sérgio Mah e que é hoje oficialmente inaugurado em Madrid.

Talvez por causa dessa dificuldade de limitar campos criativos que escapam a convenções e regras estabelecidas, Mah prefere abordar o tema de uma forma aberta e abstracta, não vinculando directamente nenhuma exposição do programa à defesa concreta da quotidianidade enquanto experiência criativa. “O PhotoEspaña não pretende ser uma referência de autoridade estética e moral. Acima de tudo, trata-se de um espaço aberto à multiplicidade de sensibilidades, motivações e comportamentos que compõem o panorama actual das práticas da imagem”, escreve no texto do catálogo oficial.

Mas o certo é que as propostas expositivas que apresenta, sozinho ou em conjunto com outros comissários, abarcam uma cronologia muito alargada (a mostra de trabalhos de Dorothea Lange dos anos 30 é a mais recuada na Secção Oficial) e o conjunto acaba por funcionar mais como ponto da situação do que “reflexão sobre tendências recentes da cultura e das artes visuais contemporâneas concentradas na realidade imediata e ordinária do quotidiano”.

Faltam, por exemplo, propostas que questionem a fruição de imagens via Web (o suporte onde hoje o quotidiano está mais efervescente), que representem as actuais ferramentas digitais de partilha de imagens – que estão a perder as qualidades vídeo-foto-gráficas para se tornarem cada vez mais “pixográficas” – ou ainda que reflictam sobre a tendência para dar ao conjunto alargado de quem vê através da Net o poder de escolher aquilo que deve ser levado para o museu, como recentemente aconteceu no nova-iorquino Brooklyn Museum of Art com a exposição Click!, na prática comissariada pelos cerca de cem mil cibernautas de todo o mundo que seleccionaram as 389 fotografias da mostra.

Inspirado no facto de nos últimos anos a fotografia, o cinema documental e a vídeo-arte terem redobrado o interesse por objectos visuais que se concentram na crueza do “verdadeiro”, no “reconhecível” e nas propostas que se dedicam e exploram “o movimento banal e rotineiro das situações do dia-a-dia”, o comissário decidiu dar protagonismo na Secção Oficial à obra do cineasta português Pedro Costa, autor que leva a experiência do documental até à sua expressão mais extrema.

Ao PÚBLICO Mah justifica a escolha de Costa com a “atitude criativa baseada em gestos muito simples”. “O cinema de Pedro Costa é um exemplo paradigmático. Trabalha com suporte vídeo, o que lhe permite filmar com menos pessoas e focar-se no essencial. Ele não está preocupado com o espectacular nem com o extraordinário.”

Na programação do festival, Pedro Costa é o único autor com direito a mais do que uma iniciativa relacionada com o seu trabalho. Para a Filmoteca Española, durante todo o mês de Junho, está programada uma retrospectiva completa que inclui o último filme, Ne Change Rien (2009), um retrato singular da actriz e cantora francesa Jeanne Balibar, até agora visto apenas no Festival de Cannes.

Pedro Costa em Madrid, Benoliel em Cuenca
No Cine Doré da Filmoteca passarão ainda alguns filmes escolhidos pelo realizador e no Matadero de Madrid será montada uma instalação (Back Home. Video Works) com três momentos criados a partir de material audiovisual captado durante a rodagem dos filmes No Quarto da Vanda (2000) e Juventude em Marcha (2006).

Um sinal de que a obra de Pedro Costa reúne muitos admiradores no país vizinho foi dado pela versão espanhola da revista Cahiers du Cinéma, que dedica uma edição especial à obra do realizador português com textos assinados por mais de uma dezena de pessoas. Para Sérgio Mah, Pedro Costa “sempre se sentiu próximo da fotografia pela facilidade e simplicidade do seu processo de criação”. A exposição no Matadero promete dar “uma perspectiva do seu trabalho para além da produção cinematográfica” e propõe uma reflexão “sobre a sua aproximação a outros universos das artes visuais”.

Longe do reconhecimento internacional de que goza Pedro Costa, o repórter fotográfico Joshua Benoliel, pioneiro do fotojornalismo, é o outro representante português na programação deste ano. A exposição que será inaugurada em Cuenca, cidade nos arredores Madrid escolhida como sede do festival, trará parte do conjunto de imagens fotográficas e outros documentos que foram vistos durante a última edição do LisboaPhoto, em 2005. Incluída na secção OpenPhoto, que reúne propostas de vários países fora do tema geral do festival, a mostra, comissariada por Emília Tavares, representa, no entanto, uma oportunidade rara de divulgar internacionalmente o trabalho de um fotógrafo “histórico”, no caso a colossal produção de Benoliel ao longo dos primeiros e cruciais 30 anos do século XX português.

Lugar para todos
Entre o conjunto de exposições da Secção Oficial, aquela que mais próxima tenta estar da ideia geral do tema, encontram-se propostas muito diversas, com múltiplos modelos criativos e autores de diferentes gerações e geografias. Lado a lado com representações mais actuais e imediatas do quotidiano (Pedro Costa e Zhao Liang) surgem propostas que apelam mais a momentos históricos de criação onde o fotográfico se cruza com o documento ético (anos 30, com Dorothea Lange) ou onde o estilo documental se mistura em definitivo com o conceptual e passa, no fim dos anos 70, a ser encarado como suporte artístico.

É dentro deste último universo que se inscrevem as exposições de Patrick Faigenbaum (retrospectiva em torno do documental e prática pictórica) e daquele que é considerado um dos mais influentes artistas vivos, o alemão Gerhard Richter, que apresenta uma monumental série de Fotografias Pintadas que cruzam dois universos criativos e problematizam a nossa percepção das imagens e da realidade.

Na colectiva Anos 70. Fotografia e Vida Quotidiana, comissariada por Sérgio Mah e Paul Wombell, tenta estabelecer-se um mapa das vanguardas ligadas à imagem fotográfica de uma década considerada fundamental para compreender tudo o que se passou na arte contemporânea dos últimos 35 anos. Estão representados, entre outros, Allan Sekula, Victor Burgin, Boltanski e Sophie Calle.

Para um festival preocupado em aumentar a cada ano o número de visitantes e empenhado em conquistar novos públicos, há também propostas que piscam o olho ao imediatamente reconhecível e ao universo da espectacularidade. No campo das exposições de encher o olho aparece, por exemplo, a ultramediática Annie Leibovitz e sua Vida de Uma Fotógrafa, que oscila entre a captura da intimidade familiar e o registo da mais brilhante constelação de estrelas de Hollywood.

PHE09 – Notas 1

Anders Petersen, s/t, da série Café Lehmitz, 1977
© Anders Petersen

# A palavra mais ouvida quando se anda à noite pela Calle Atocha: cariño.

# O presidente da Telefónica conhece bem a obra de Gerhard Richter. Divagou sobre a morte da fotografia e foi descortinar um poema de um Pulitzer dedicado ao artista alemão. O presidente da Telefónica gosta de fotografia, dá dinheiro para exposições e parece boa pessoa, mas é um péssimo diseur.

# A exposição de Richter é magnífica, talvez demasiado extensa. Ficará como um dos grandes acontecimentos da edição deste PHE.

# No Circulo de Bellas Artes o sistema de som parece que nunca funciona como deve ser. Falou-se francês, castelhano, checo e castelheco e tudo foi mais difícil de entender. Já as fotografias de Patrick Faigenbaum não aparentam nenhum problema técnico e adequam-se muito bem ao tema proposto. Quando vimos Jindřich Štyrský já estávamos em countdown para a realeza, mas deu para perceber que foi o surrealismo a mandar no universo do multifacetado artista checo.

# No Real Jardín Botánico, o príncipe entrou a rir e a distribuir holas (não se sabe se a fazer publicidade à revista). Já a princesa está muito (mas mesmo muito) magra e menos expansiva. A realeza foi chamada outra vez para cortar a fita do festival. E cortou, salvo seja.

# Os homens-armário estavam por todo lado. E a floresta de fotógrafos fazia concorrência à floresta de árvores.

# No Botánico, para além da realeza em pessoa, reinam as fotografias-arte que já só foram fotografias-documento. São as provas de Sultan & Mandel.

# Ali ao lado, a banca de livros do PHE faz pensar no máximo de 23 quilos que se pode transportar na mala de regresso.

PHE09 – Notas 2

Bartolomé Ros, Franco e Millán Astray, 1926
© Cortesia Arquivo Familia Ros Amador

# O trabalho que Walid Raad tem desenvolvido no projecto Atlas Group é de uma grande consistência e mostra-nos como as mais básicas linguagens gráficas baseadas na cor e na forma continuam a ser veículos eficazes para contar histórias, mesmo as mais complexas como as que aconteceram durante os conflitos recentes no Líbano.

# A esplanada da Casa América convida ao descanso. Essa era a ideia do brasileiro Mauro Restiffe depois da apresentação de Mirante, não fosse a hora do avião para a Bienal de Veneza. Em Mirante, Mauro também andou em trânsito – passou de uma América para a outra para olhar para a tomada de posse de Obama, depois de ter feito o mesmo com Lula. No meio, sem multidões, aparecem a Casa de Serralves e mesquitas de Istambul.

# O canal de Isabel II é um encanto para a vista. É lá que Sergei Bratkov nos mostra o mundo complexo e tenebroso em que se transformou o antigo bloco de leste.

# O trabalho do espanhol Bartolomé Ros da primeira metade do século passado faz lembrar o de Joshua Benoliel.

PHE09 – Notas 3

William Egglestom, da série Seventies vol. II, circa 1970
© William Egglestom/Chaim & Read, Nova Iorque

# Não sei se o Teatro Häagen Dazs tem bom teatro. Bons gelados (como seria de esperar) e bom café (coisa mais ou menos difícil de encontrar em Espanha) tem.

# A Filmoteca Española e o PhotoEspaña respiram o cinema de Pedro Costa por estes dias. O trabalho do realizador português tem sido coberto de elogios.

# O vídeo de Zhao Liang escolhido para o festival (City Scene, 2004) é herdeiro da mesma linguagem narrativa que Pedro Costa utiliza na maioria dos seus filmes. Os dois estão interessados em dar-nos acontecimentos na sua escala mais ínfima. Divergem as abordagens formais para chegarem ao hiperrealismo.

# A edição deste ano do PHE já tem mais artes visuais para além da fotografia. Talvez ainda não tenha o suficiente.

# Dois títulos da primeira página do El Mundo de ontem: Antología del disparate en la recta final de la campaña; La ex alcaldesa de Marbella abofetea a un menor que la llamó “choriza”.

# Na exposição de Dorothea Lange (The Crucial Years) ouvem-se algumas gravações da voz de Dorothea Lange. Falava alto e era assertiva.

# O pudim flan na Cocina de Neptuno (c. Cervantes) é de se lhe tirar o chapéu. Agradeço a dica ao companheiro de trabalho da RTPN que tinha acabado de passar por lá.

# Há dois portugueses envolvidos no prémio para melhor livro de fotografia editado no ano passado – Edgar Martins, Topologies (Aperture); Helena Almeida, Tela Rosa para vestir (Telefónica).

# O comissário Paul Wombell saiu-se muito bem como DJ no Matadero. Ao contrário da exposição no Teatro Fernán Gómez, 70s. Photography and Everyday Life, a sessão dedicada aos sons da mesma época esteve carregada de nostalgia, coisa que, aliás, sentimos de uma forma mais aguda na música do que na imagem.

Fonte Arte photographica

28/05/2009 - 21:04h Mulheres sem fronteiras

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Xulia Arandas, Burkas

© Xulia Arandas
Mulheres sem fronteiras
Sérgio C. Andrade
(P2, Público, 24.05.2009)
Não terá sido ao acaso que a direcção dos Encontros da Imagem de Braga escolheu um mosteiro para cenário da principal exposição da edição deste ano da iniciativa, que decorre até final de Maio. O tema e as motivações da exposição colectiva Fronteiras do Género vão bem com a atmosfera de um antigo lugar de clausura. Esta dimensão e o seu oposto, de protesto (às vezes, pelo lado da ironia) e mesmo de combate social e político, compõem as imagens mais impressivas do conjunto de trabalhos das 22 mulheres fotógrafas, portuguesas e estrangeiras, que formam este núcleo dos Encontros.
Entramos na sala do milenar Mosteiro de Tibães, nos arredores de Braga, e somos recebidos por cinco produções das Guerrilla Girls, um colectivo feminista americano radical, que questiona desde o olhar de Hollywood sobre a mulher – um dos cartazes é um simulacro de poster de um filme intitulado The Birth of Feminism, protagonizado por Pamela Anderson, Halle Berry e Catherina Zeta-Jones e realizado por… Oliver Stone – até à sua representação no mundo das artes plásticas – outro cartaz pergunta por que é que a mulher tem de se despir para entrar na iconografia dos museus; outro ainda regista a evolução da percentagem de mulheres artistas na Bienal de Veneza, desde a primeira edição em 1895 (2,4 por cento) até cem anos depois (9 por cento)…
A mulher aprisionada surge logo a seguir, na série Burkas, de Xulia Aranda, que a figura enredada na sua própria condição feminina. O tema das burkas e da submissão da mulher ao estereótipo e à condição social de subalternidade nas sociedades dominadas pelo islão surge mais à frente, nos trabalhos de Susana Mendes da Silva e de Shirin Neshat.
Há, depois, a mulher-mãe nas diferentes poses que ela pode assumir perante a maternidade: desde a revolta e a violência sobre si própria no vídeo e na série de fotografias de Júlia Galán (que nestas retoma uma cena forte do filme de Tsai Ming-Liang O Sabor da Melancia) às poses das mães pós-parto nos trabalhos de Juliana Stein, que ora se apresentam como “documento”, ora como “monumento”, como escreve o crítico de arte brasileiro Artur Freitas, no texto do catálogo.
Solidão e fragilidade
Da figuração (e também desconstrução) do glamour, da moda, da publicidade e da mulher objecto sexual – “Odeio ser gorda, come-me por favor”, grita Ana-Perez Quiroga, no serviço de porcelana em que “serve” o seu corpo nu à mesa da refeição – falam as imagens de Ana Laura Aláez (o vídeo Make-up sequences), Mariana Nuñez, Cláudia Huidobro e Sophie Carlier. Até que em três instalações inesperadas – Point de vue, de Anna Malagrida, Terre annoncée, de Aurore de Sousa; e La mémoire: un voyageur du temps, de Marie-Elsa Niels – o feminino ganha também a dimensão da poesia, do sonho, da solidão, da fragilidade, da delicadeza. Respectivamente: um tríptico de janelas embaciadas pela humidade faz transparecer um exterior insondável; as mãos de uma mulher tornam-se véus para uma visão religiosa; pequenos cubos de gelo encerram flores e frutos entre o nascimento e a morte…
E há, ainda, EU, de Celeste Cerqueira, uma instalação de placas caneladas que representam os contornos dos países da União Europeia e sobre as quais é projectado um vídeo, numa montagem em que “a dinâmica social do sujeito/cidadão se encontra enredada por vezes nas ilusões vendáveis do poder político”, descreve a autora.
Para além de Fronteiras do Género, os Encontros da Imagem apresentam outros Olhares femininos em diferentes museus e galerias de Braga.
(a programação completa dos Encontros está aqui)

11/05/2009 - 11:53h O fotógrafo britânico Martin Parr desembarca em São Paulo

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© Foto de Bill Jay. O fotógrafo Martin Parr, 2004.

O fotógrafo inglês Martin Parr, da Agência Magnum vai tirar algumas horas, hoje, segunda-feira (11/05) para fotografar o que encontrar pela frente na Avenida Paulista, em São Paulo. Escolheu o rush do horário de almoço. As fotos na Paulista fazem parte do workshop que realiza para um grupo fechado de 12 fotógrafos. Amanhã, terça-feira (12/05), a partir das 19h30, dará uma palestra gratuita no Museu da Imagem e do Som (MIS). Nos dois eventos, mas, principalmente, no encontro com o público na terça, em que ele será entrevistado pelos jovens membros do coletivo fotográfico Garapa (Leo Caobelli, Rodrigo Marcondes e Paulo Fehlauer), Martin Parr falará de sua carreira e de sua maneira de tratar a fotografia. Para quem não puder ir ao MIS, a palestra terá transmissão simultânea pelo site www.garapa.org

Fonte Images & Visions

07/05/2009 - 22:22h Imagens de um Flâneur Brasileiro em Paris

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Um bistro no Marais

Depois de ser exibida no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Niterói, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Joinville, Curitiba, São Carlos e Goiânia, a exposição itinerante “Imagens de um Flâneur Brasileiro em Paris”, do fotógrafo Fernando Rabelo chega à Brasília para sua última exibição. A mostra percorreu o país com o apoio da Delegação Geral da Aliança Francesa no Brasil. Influenciado pelo olhar de uma Paris humanista da segunda metade do século XX, Fernando Rabelo iniciou sua carreira na capital francesa no final da década de setenta aos quatorze anos de idade, durante o exílio do pai, onde tomou contato com as primeiras luzes da fotografia. Retratou a cidade luz onde realizou sua primeira mostra em preto e branco. Em 2005 viveu novamente na França pelo período de um ano, onde realizou o trabalho intitulado “Imagens de um Flâneur Brasileiro em Paris”. Fernando Rabelo percorreu a cidade como um “flâneur”, desvendando becos, ruas, igrejas, pontes e personagens de uma Paris popular e cosmopolita. O termo flâneur se refere àquele que caminha tranqüilamente pelas ruas, observando cada detalhe, sem ser notado, sem se inserir na paisagem. Fernando Rabelo é atualmente o editor do blog Images&Visions. Exposição itinerante “Imagens de um Flâneur Brasileiro em Paris”. Local: Túnel de acesso ao Ministério da Previdência Social. Data: 06 a 22 de maio. Horário: 8h às 18 horas (segunda a sexta).


Fonte Fernando Rabelo
http://imagesvisions.blogspot.com/

03/05/2009 - 19:48h Talões e talentos: Bob Wolfenson em Brasília

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© Foto de Bob Wolfenson. A modelo Isabeli Fontana, 2005.

 

 

 

No próximo dia 23 de maio Brasília recebe o renomado fotógrafo Bob Wolfenson, um dos mais importantes nomes da fotografia de moda do país, vencedor do prêmio Moda Brasil. O workshop é voltado para profissionais de comunicação, estudantes e curiosos que queiram saber mais sobre o case de sucesso de Wolfenson e suas técnicas de fotografia. O evento marca a inauguração do novo estúdio de TV da Apoio 3 no Lago Norte. Bob Wolfenson começou sua carreira aos 16 anos em 1954. No currículo várias exposições internacionais, fotos, publicidades e ensaios para revistas. Wolfenson fez inclusive vários ensaios para a Playboy. Em 2006, Bob clicou a campanha da décima edição do São Paulo Fashion Week. O material virou um calendário com as 25 modelos mais importantes que já passaram pelo evento. Recentemente co-edita a revista S/Nº e foi eleito fotógrafo de Moda e Publicidade, pelo prêmio Melhor da Fotografia no Brasil e ganhador do Prêmio Moda Brasil. Workshop com Bob Wolfenson. Dia: 23 de maio de 2009. Horário: 9h às 17h. Local: Estúdio Apoio 3 Comunicação. (SHIN – CA 2, Bl.B, Lj 1 – Ed. Monumental, Lago Norte, Brasília-DF).Inscrições: (61) 3043-8104.Valor: R$ 700 (Visa, Mastercard ou depósito bancário).Infos: (61) 3043-8129. Fonte Images & Visions.

02/05/2009 - 15:04h Belas imagens em New York

Bellas imágenes en NYorK por Cristina Civale

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Sin título 54 Cindy Sherman

El Metropolitan Museum of Art de Nueva York hospeda desde esta semana la primera gran muestra retrospectiva dedicada a los artistas de la llamada The Pictures Generation. Artistas que, desde mediados de la década de los setenta y hasta mediados de los 80s crearon el mencionado colectivo, uno de los más destacados de la creación contemporánea estadounidense sobre finales del siglo 20.

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Walking gun de Laurie Simmons

Entre otros, la tribu de fotógrafos está formada por Cindy Sherman, Barbara Kruger, Laurie Simmons, Richard Prince, Robert Longo, Matt Mullican o David Salle. Todos ellos trabajaron con distintos medios pero priorizaron la fotografía. Con este medio intentaron explorar en qué medida nuestra forma de percibir las imágenes incide en el modo en que entendemos el mundo y en el que nos contemplamos a nosotros mismos.

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Sín título de Paul McMahon

La muestra comienza con la presentación de trabajos tempranos de John Baldessari en su etapa como profesor del California Institute of Arts. Baldessari, uno de los cabecillas del grupo, puso en tela de juicio los conceptos de “originalidad” y “autoría” de la obra de arte tras la proliferación de mecanismos de reproducción mecánica de fácil acceso.

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Sin título. John Baldessari
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Sin título. Bábara Kruger

Más tarde, a fines de los setenta, Sherman o Simmons analizarían la incidencia de la “apropiación” de las reflexiones propias y colectivas en la cultura contemporánea, sirviéndose para ello de los objetos e imágenes que marcaron su juventud. A comienzos de los ochenta, muchos de estos creadores pondrían en stand by la fotografía para convertir la pintura en su medio de expresión fundamental (fue el caso de Longo, Salle o Goldsten y sus trabajos a gran escala), otros, especialmente la vertiente femenina del grupo, representada por Kruger, Birnbaum y Erika Beckman optaron por continuar dentro de la fotografía, el cine o la instalación.

Fonte Civilización & Barbarie

19/04/2009 - 11:24h Aquele que comenta a arte de hoje e de ontem

 

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Embora sintoma de sua época, criações de Vik Muniz não apelam ao espetáculo

Affonso Romano de Sant’Anna – O Estado SP

A exposição de Vik Muniz mexe numa série de questões: o reencontro da arte com o público; o reencontro com a figuração; o reencontro com o social-histórico; a desmistificação da falsa querela entre fotografia e pintura; e a superação das “in-significâncias” que caracterizam grande parte de obras “contemporâneas”.

A essas se seguem outras questões igualmente instigantes. Algumas pessoas ao verem sua exposição ficam sem saber como classificá-lo. Criador ou re-criador? Teria ele descoberto (como ocorre com alguns artistas hoje em dia) alguns “truques” e “macetes”, que repete, ou supera esse vício da arte do nosso tempo?

Cada um desses tópicos mereceria desdobramento. Limito-me, no entanto, em sumarizar alguns comentários e em levantar algumas questões.

1. Esta é uma exposição que realiza o reencontro do público com a arte. Isto é raríssimo hoje em dia. O que tem caracterizado certas mostras é aquilo que Jean Clair – crítico de arte de maior prestígio na França – chamava de “multidões sonâmbulas”. Ir a museu virou uma variante do turismo. Pessoas vagando entre obras que não entendem sem conseguir compatibilizar as bulas oferecidas com o produto exposto. Ou então, propostas de interatividades entre a in-singificância e a idiotice. VM consegue a empatia e a admiração do público e a atenção de críticos daquilo que Howard Becker chamava de “arte oficialista”.

2. Essa exposição derruba outra falácia “contemporânea”: de que a figura acabou/a representação morreu. Neste sentido, VM superou essa espécie de querela entre os atuais “protestantes” (contra figura) e os atuais católicos (pela representação).

3. Coloca mais uma pá de cal na equivocada querela entre pintura e fotografia. Se há cerca de cem anos uns achavam que a fotografia mataria a pintura, a obra de VM inscreve um capítulo nessa novela que poderia ter um título: quando a fotografia ressuscita a pintura, o quadro e o painel. Aqui a fotografia está dialogando com várias artes vizinhas: a escultura, o desenho, a pintura, a gravura, etc. O fotógrafo não compete com outros gêneros, mas soma-os ao seu fazer.

4. Ao contrário de in-certas manifestações “contemporâneas”, as obras de VM têm um sentido social, histórico e político. Trabalha com imagens de favelados, com ícones de nossa cultura, com fatos jornalísticos, faz uma crítica clara ao momento histórico e à sociedade de consumo, além de se envolver pessoalmente em programas sociais. Retomando a já clássica e incontornável relação entre lixo & luxo, diverge da arte produzida nas últimas décadas que exercitava um tipo de niilismo e alienação. Sua exposição, já no princípio mostra, criticamente, aquele mapa do mundo onde os continentes são representados por computadores e peças eletrônicas amontoadas e outros dejetos da cultura moderna.

5. VM dialoga com a arte “anterior”, não para ridicularizá-la juvenilmente, mas para reinscrevê-la, metamorfoseá-la no tempo & espaço. Desenvolve um trabalho de paráfrase, paródia e de estilização de obras de Caravaggio, Goya, Monet, Gauguin, Piranesi, Boticelli, Bosh, etc. (Por vício acadêmico alguém pode querer chamá-lo de pós-moderno.) É curioso notar, contrastivamente, que se alguns artistas do princípio do século 20 queriam queimar museus e jogar a arte anterior no lixo, no final do mesmo século, como se tivessem juntando as contradições, outros artistas, como VM, não pregam a ruptura, mas vão ao passado com olhos no presente & futuro para reprocessar, reciclar conteúdos e conceitos.

Neste sentido, diria que é um “comentarista” da arte de ontem & hoje, pois está relendo várias obras clássicas à sua maneira, “refazendo-as”, “reinterpretando-as” com materiais pouco convencionais. Ao retomar os “antigos”, ele está não apenas revisitando, mas “reilustrando” a história.

E aqui a palavra “ilustração” tem sua pertinência. Há algo de ilustração no sentido jornalístico do termo. E talvez aí esteja, ao mesmo tempo, tanto a força quanto os riscos de suas obras. Se alguns de seus trabalhos aparecessem como ilustração em jornais e revistas, funcionariam perfeitamente. E o caráter jornalístico e documental é tão evidente, que ele trabalha também sobre fotos & fatos da imprensa. Deve ser neste aspecto que algumas pessoas têm dificuldade em qualificá-lo, apesar de seu êxito de crítica, de público e de venda. Em contrapartida, pode-se também indagar se certas ilustrações em revistas e jornais, se certas vitrinas de lojas, se certos anúncios não transcendem também o provisório e não mereceriam a perenidade dos museus.

6. Do ponto de vista estrutural & estruturante da obra de arte, VM vai na contramão de outro vezo contemporâneo: a entropia, a fragmentação, o improviso, o rascunho, o recorte, a dispersão, o aleatório, o acaso. Ao contrário, está ordenando a desordem, a confusão, a ambiguidade e a indecisão. E, enquanto outros artistas se perdem entropicamente nos fragmentos, ele está fazendo a “reunião”, conforme uma noção heideggeriana de arte como “reunião relevante e/ou revelante”. Enfim, onde outros dispersam, ele aglutina, onde outros se confundem, ele se esclarece. VM está reunindo as partes em função do todo, o átomo em função da matéria, o pigmento em função da imagem e do assunto. Oferece uma visão gestaltiana do caos, ordenando-o, mostrando-o pelo seu avesso.

7. Daí outra característica essencial de seu trabalho. E a palavra “trabalho” aqui faz sentido. Nele há técnica e criatividade. Onde outros praticam aquilo que no livro O Enigma Vazio, Impasses da Arte da Crítica, chamei de “irresponsabilidade estética e a estética da irresponsabilidade”, esse é um autor que não apenas se insere no seu tempo & espaço históricos, mas tem métier, pesquisa e desenvolve um projectum. Seu fazer tem uma “estrutura”, em que a “invariante” é o fragmento e as “constantes” são os diversos materiais que usa para preencher o conjunto.

8. Poder-se-ia alegar que ele utiliza técnicas mais velhas que a Sé de Braga. Com efeito, nas procissões religiosas em Ouro Preto ou São João Del Rey, para ficarmos apenas no Brasil, as ruas são decoradas com pétalas de flores, utilizando uma técnica pontilhista. Igualmente, os que fazem desenho com areia colorida dentro de garrafas, como no Ceará, ou até mesmo aqueles artistas de calçada que, em Nova York e Paris, desenham nos passeios surpreendentes cópias de quadros que estão nos museus, tudo isto tem a ver com a obra de Vik Muniz.

Igualmente o ilusionismo, o trompe l?oeil, as anamorfoses que no barroco conhece/eram seu apogeu, podem ser lembradas em relação a algumas de suas obras. É até possível que alguém queira chamá-lo de neobarroco, como se tornou moda dizer nos últimos 40 anos. Com efeito, olha-se a obra, e de longe se vê uma coisa, de perto se vê outra , e as duas visões se informam, a informação se complementa até pelo avesso. Mas o seu ilusionismo, reconheça-se, produz efeito, não é um jogo gratuito, mas resulta em nova informação e sensibilização estética. Não tem nada a ver com a falsa equivocada pregação duchampiana da “indiferença”.

Em síntese, a obra de VM sendo de certo modo sintoma de sua época, por outro lado, se opõe ao que tenho definido como “in-significância”. Ou seja, grande parte das obras expostas em galerias, museus e festivais tipo Documenta Kassel, são “enigmas vazios”. São exercícios falaciosos que, se chamam a atenção, devem isto à estratégia de marketing da espetacularização.

Dou um exemplo, apenas um, das correlações possíveis entre as obras de VM e outros “contemporâneos”. Consideremos as obras de Daniel Spoeri, lá nos anos 60. No afã de ter que inventar sempre algo de novo e/ou diferente, lançou ele um tipo de arte ligada à comida – a eat art (arte comida), que consistia em expor pratos com restos de comida deixados às vezes até a podridão. Uma típica “in-significância” como tantas outras. No caso de VM ele retoma a ideia, não a coisa. O que ele expõe não é apenas o chocolate representando uma figura nem o macarrão parodiando a Medusa de Caravaggio, mas a representação, a fotografia da ideia. Ou seja, enquanto em outros (como na “land art”) o espetáculo é a obra, no caso de VM a obra é espetáculo. Vamos a um exemplo do que digo: uma coisa “in-significante” é encher um caminhão de lixo e espetaculosamente despejar os dejetos dentro de uma galeria de arte, com já foi feito na França e outros países; outra, bem outra, é trabalhar sobre o lixo, reprocessá-lo teórica e tecnicamente. Enfim, a matéria bruta não é necessariamente arte. Arte é transformação, melhor ainda, transfiguração.

VM dá a sensação de descontração, de liberdade, de estar centrado num trabalho consequente. Picasso falou aquela frase de efeito que é apenas parcialmente verdadeira: “Eu não procuro, eu acho.” De VM se poderia dizer que ele encontra, porque procura com atenção, paciência e criatividade.

Affonso Romano de Sant’Anna, poeta, professor, ensaísta, é autor de, entre outros, Drummond, Um Gauche no Tempo (Record)