06/01/2009 - 14:59h In memoriam
OLIVEIRA FERREIRA DA SILVEIRA (1941-2009)
Um idealizador do Dia da Consciência Negra
ESTÊVÃO BERTONI
DA REPORTAGEM LOCAL Folha SP
O 13 de Maio, dia em que uma princesa branca aboliu do país a escravidão negra com a Lei Áurea, em 1888, não significava muito para Oliveira Ferreira da Silveira.
Em 1971, sob o governo do general gaúcho Emílio Garrastazu Médici, ele e os amigos, reunidos em Porto Alegre (RS), decidiram que, a partir de então, comemorariam o 20 de Novembro.
Princesa Isabel foi posta de lado: com a nova data, dia da morte de Zumbi, líder do Quilombo de Palmares, celebrava-se “um legítimo herói da resistência negra”. “Eles foram os primeiros a comemorar o 20 de Novembro, e a data começou a se espalhar”, lembra a filha Naiara, 39.
O governo, então acostumado a monitorar reuniões civis, chegou a pedir explicações sobre as atividades do Grupo Palmares, do qual Oliveira fazia parte. Mas não tiveram grandes problemas.
O Dia da Consciência Negra, como ficou conhecida a data desde 1978, entraria oficialmente para o calendário nacional apenas em 2003.
“Ele também brigou para que a história afro-brasileira fosse ensinada nas escolas”, conta a filha. Professor de português e literatura em escolas estaduais, Oliveira foi integrante do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, do governo federal. Lançou livros de poesia e trabalhava atualmente num estudo sobre a história de clubes negros, que a doença o impediu de concluir.
Na quinta, primeiro dia do ano, morreu em Porto Alegre, com um câncer na próstata. Deixa filha e dois netos.
