16/11/2008 - 20:12h Nara Leão

27/07/2008 - 12:59h Já tentou dançar ao ritmo do minueto?

Forró universitário

O jovem autor deste artigo vai acabar colunista na Folha de São Paulo, se o seu artigo é levado ao pé da letra. Já se for uma critica ácida do elitismo snob, expondo seu gigantesco preconceito, Leandro Sarubo poderá almejar um prêmio literário, e também trabalhar na Folha de São Paulo. Tem Folha para todos os gostos, incluso os meus. LF

ARTIGO

Leandro Sarubo

Nota errada

Passei dois dias analisando os dados sobre os gêneros musicais prediletos dos jovens. Queria encontrar um que fosse positivo.

Que me fizesse parar com essa minha mania de reclamar do Brasil. Perdi tempo.

O primeiro dado negativo está no líder da pesquisa: o forró. No Nordeste, a adesão é ainda maior. As chances de o Nordeste evoluir cessam nesse dado. Pois, por mais preconceituoso que isso possa parecer, o Nordeste só evoluirá quando abandonar suas arcaicas raízes culturais.

O pagode aparece em segundo lugar, com 23% de masoquistas, mesmo índice de quem ainda não desistiu do rock.

É difícil entender essa relação de amor entre os brasileiros e o batuque. O samba, variante do pagode com letras mais chateadas, foi lembrado por 11% dos jovens. O axé, patrocinado por cantoras que só sabem gritar “sai do chão”, tem a atenção de 15%.

A MPB ficou em sexto lugar: 40% dos ouvintes estão no mais alto nível de escolaridade. O gênero cresce no público que, em tese, deveria reparar na inaptidão musical de nossos artistas.

E é aqui que constatamos uma nuance do Brasil: independentemente do nível de escolaridade, sempre a música mais tosca, mais atolada de frases de duplo sentido, será a predileta.

Com o tempo, a educação passou a elitizar nossas asneiras. O efeito disso é que os jovens e o Brasil vão regredir ano após ano. O lado bom é que podemos escolher o batuque que será a trilha da derrota tupiniquim.


LEANDRO SARUBO, 20, é estudante de jornalismo em Sorocaba/SP

24/07/2008 - 12:50h Supla e João Suplicy misturam rock e MPB no Brothers of Brazil, que tem temporada no Mistura Fina

Irmãos de sangue e de música

Publicada em 24/07/2008

Christina Fuscaldo - O Globo

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Supla e João Suplicy são os Brothers of Brazil

RIO - Pai de família tranqüilão, João Suplicy atende o telefone de seu apartamento no Rio, disponibilizando o tempo que for necessário para bater um papo sobre o Brothers of Brazil. Solteirão do rock, Supla pega o celular, não ouve quase nada do que a repórter diz, mas decide continuar a entrevista assim mesmo. Isso porque ele está em estúdio, em São Paulo, e tem poucos minutos de intervalo. Mas falar sobre o projeto, que iniciou junto ao irmão mais novo há oito meses e que terá temporada no Mistura Fina a partir desta quinta-feira, faz com que o primogênito da família Suplicy perca a noção da hora. E também da lista de lugares por onde o dueto já passou:

Veja o Brothers of Brazil no Rock in Rio Lisboa

- Fizemos o primeiro show no Made in Brazil, que fica ao lado do pub mais punk de Camden Town (Londres), um que Amy Winehouse freqüenta. Depois, tocamos no Guanabara, no Buffalo, que é onde bandas que já estão no circuito se apresentam. Todos os dias foram bem cheios. Também fomos a Bruxelas, Paris, Los Angeles, Santa Mônica, Nova York. Fizemos show no Rock in Rio Lisboa… Vamos agora ao Rio, depois tem Bahia, Curitiba, Porto Alegre…

Ouça ‘Brothers of Brazil’

Ouça ‘Vanity funk’

Ouça ‘My samba’

Ouça ‘Stay tranqüilo’

Era para ser só um encontro informal entre Supla e João, que estavam fazendo shows pela Europa na mesma época. Mas a parceria inusitada entre o punk rocker e o apaixonado por música brasileira acabou consolidada no momento em que Bernard Rhodes, ex-empresário do The Clash, batizou a dupla de “Brothers of Brazil”. Aí, não tinha mais como voltar atrás: Supla voltou a tocar bateria e dar atenção à MPB e João resgatou o roqueiro que tinha dentro de si com seu violão em punho.

- Eu sempre gostei de rock, a coisa que mais ouvi foi Beatles. Mas depois enveredei para o samba e para a bossa nova. Meu irmão também curte MPB, mas a bateria dele é mais pesada. Foi o primeiro instrumento dele - comenta João. - Musicalmente, a gente buscou um ponto em comum, coisa que parecia difícil, porque um não tem nada a ver com o outro: eu faço MPB e Supla é todo punk. Acho que não seria possível se não fôssemos irmãos. As vozes timbram bem juntas, por sermos irmãos. E temos liberdade de falar “isso aí não dá”. Acabamos encontrando mais afinidades compondo em inglês.

Esta é a primeira vez que João (34 anos, marido da apresentadora do “Casseta & Planeta” Maria Paula e pai de Maria Luiza e Felipe) faz parceria com Supla (42 anos, namorado de Brijitte West, vocalista da banda de punk rock New York Loose). Antes, os dois só tinham trabalhado juntos no disco “Bossa furiosa”, que o segundo lançou em 2003. Mas o caçula apenas emprestou seu violão ao disco do irmão.

Tenho personalidade forte, mas a gente sempre deixa prevalecer o bom senso, sem ego, porque ego destrói tudo


- João participou em oito músicas. Gravei metade do disco no estúdio em que o Beastie Boys gravava, em Nova York, e depois coloquei só eu e ele nessas outras faixas. Todo mundo gostou da parte dele, só que eram minhas músicas. No Brothers of Brazil, a gente realmente está compondo juntos. Não é aquela coisa de ele dizer: “Edu”, que é como ele me chama, “vem cantar na minha música?” Fazemos melodias juntos. Cada um é bom em um negócio e a gente vai misturando - diz Supla.

O repertório do show, que fica em cartaz até 7 de agosto no Mistura, vai de Dorival Caymmi a Ramones, passando por parcerias dos irmãos, entre elas “Brothers of Brazil”, que inicia e encerra o show, “Samba around the clock”, “I love the french”, “Stay tranqüilo” e “My ballon”. Estão no roteiro também brigas ensaiadas e/ou espontâneas, porque, afinal, João Suplicy e Supla são irmãos. “Mulher americana” já é um dos pivôs.

- Fizemos essa para a namorada do meu irmão, porque ele estava com saudades - entrega João. - A gente tem bastante atrito, sim. Mas já incorporamos ao show, porque deixamos rolar naturalmente. E, no palco, somos só nós dois, vozes, violão e bateria.

- Meu irmão quer tocar essa droga e nem ensaiamos ainda - replica Supla. - Tenho personalidade forte, mas a gente sempre deixa prevalecer o bom senso, sem ego, porque ego destrói tudo. Com a gente, é briga de amor. Falei de fazermos uma música chamada “I hate Beatles” e primeiro João falou: “Que é isso? Pára.” Mas depois ele adorou.

O sucesso a jato do Brothers of Brazil fez com que João e Supla fossem convidados para apresentar um programa na Rede TV. “Brothers” estréia em agosto, com direção de Fabio Embu (o Homem Berinjela do “Pânico”).

- O “Brothers” vai ser diário. Às segundas, terças e quartas, vamos ao ar ao vivo. Nas quintas e sextas, o programa será gravado. Não posso falar muita coisa ainda, só que será um espaço para variedades e que estou encarando como um desafio - declara João.

Brothers of Brazil: Qui (24 e 31 de julho e 7 de agosto), às 21h, no Mistura Fina (Rua Rainha Elizabeth 769, Arpoador - RJ - tel.: 2523-1705). R$ 30.