01/05/2008 - 13:50h Narcisismo de homens e mulheres

CONTARDO CALLIGARIS

http://exacto.blogspot.com/man_woman_24242.jpg

O homem vive um narcisismo valentão; a mulher questiona: “Será que gostam de mim?”

NA COLUNA da quinta retrasada, “O Trauma do Amor”, escrevi o seguinte: “Mesmo quando a iniciativa da separação foi da própria mulher (ou compartilhada por ela) e não houve “infidelidade” do lado do homem, as mulheres tendem a viver a separação como uma traição, como uma crueldade que lhes foi feita, uma sacanagem”.
Acrescentei que deixaria para outra vez a explicação dessa especificidade feminina. Respondendo aos pedidos de vários leitores e leitoras, aqui vai UMA explicação.
Muitas culturas (não só a nossa) preferem que, no início do jogo amoroso, os homens façam o primeiro passo. Ultimamente, o recato deixou de ser uma qualidade feminina essencial: uma mulher que se arrisque a ser a primeira a mostrar seu interesse não é mais uma atrevida (ou pior). Mas o hábito permanece: “Que os homens se manifestem, e as mulheres aceitem ou rejeitem”.
Há, nesse costume antigo, uma certa sabedoria, pois, para os homens, em geral, é mais fácil lidar com uma negativa. Raramente a recusa os leva a uma dúvida radical sobre eles mesmos. Muito antes de perguntar-se “Será que não sou aquela maravilha toda que minha mãe e minhas tias diziam que eu era (e, se não disseram, deveriam ter dito)?”, os homens conseguem inculpar detalhes contingentes (”Hoje, excepcionalmente, o desodorante me largou”) e, sobretudo, acusam a própria mulher que os recusou: se ela não quis, é porque é “uma puta”. Paradoxal, não é?
Pois é, mas o paradoxo é revelador. Para o homem, como era de esperar, a única que não seja “puta” é a mãe, que, supostamente, gostava e gosta só dele.
As outras, que não se extasiam diante de seus vagidos, são “putas” porque podem lhe preferir terceiros quaisquer. Por sorte (de todos nós), essa “segurança” narcisista do homem tem uma pequena falha: a própria mãe, por mais que se extasiasse com ele, fechava-se no quarto com o pai, de vez em quando (para o menino, aliás, não é um bom negócio que a mãe se esqueça de ser mulher).
Seja como for, o narcisismo masculino não se deixa abalar por uma recusa. A convicção de ter sido objeto exclusivo e insubstituível do amor materno é um recurso (quase) seguro: “Pouco importa que as outras não gostem de mim, pois a única que importa gostava e gosta”.
Para a maioria das mulheres, acontece o contrário. Uma recusa e uma negativa valem como uma espécie de confirmação do que era suspeitado por elas desde sempre: “Não agrado e nunca fui verdadeiramente amada”.
Hoje, depois de décadas de um lento processo de mudança cultural em que o feminino foi valorizado, afirma-se que o amor de mãe é o mesmo para menino ou menina. Mas a “Escolha de Sofia” (o romance, note-se, foi escrito por um homem) seria, provavelmente, a mesma: acuada, tendo que escolher entre o filho e a filha, Sofia ainda salvaria o menino.
O sentimento de que um filho satisfaz a mãe mais do que uma filha continua na cultura, solidamente.
Quer seja pela ilusão de que o filho homem não sumirá pelo mundo afora, mas, por eternizar o sobrenome, ele ficará na tribo (perto da mãe).
Quer seja pela sensação de completude que talvez acompanhe a constatação materna de ter conseguido dar à luz um ser tão diferente dela, um ser do outro sexo.
A conseqüência dessa disparidade do amor materno é a tragicomédia cotidiana, em que uma mulher, mesmo em seu melhor dia, precisa perguntar a seu companheiro se ele a acha bonita. E um homem, deformado por churrascos e cerveja, julga-se irresistível.
Em suma, homens e mulheres, em geral, padecem de narcisismos diferentes: o homem é blindado por uma segurança eficiente e um pouco obtusa, e a mulher é constantemente exposta ao risco de um dúvida radical sobre o amor que ela recebe.
O discurso comum pensa que a mulher, mais cuidadosa com sua aparência, seja “mais narcisista” do que o homem.
Não é nada disso: o homem vive um narcisismo valentão, enquanto a mulher não pára de questionar: “Será que gostam de mim?”. Corolário: a mulher, por isso mesmo, é melhor psicóloga do que o homem -mais perspicaz na leitura das palavras e dos gestos dos outros.
Conclusão: a rejeição, para uma mulher, é uma experiência que coloca em perigo sua precária certeza de ser aceita no mundo, é uma experiência que abala seu ser, que a fere além da conta. Inclusive além da conta possível de perdas e danos numa separação.


ccalligari@uol.com.br

08/03/2008 - 16:41h Nem grandes, nem pensadores…

ni_grandes_ni_pensadores.jpg

Um grupo de mulheres argentinas idealizou este target, branco, para alfinetar frases de grandes homens, pequenos em relação a igualdade do gênero. Clique na imagem para ampliar

08/03/2008 - 16:21h Nada a acrescentar

mulher.jpg

08/03/2008 - 09:57h A desigualdade da mulher

jt_mulheres.jpg


Pesquisa do Insituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que 60% das trabalhadoras estudaram 11 anos ou mais e que só 52% dos homens têm o mesmo nível. Pior: quanto maior a escolaridade, maior a diferença salarial.

07/03/2008 - 11:12h “A mulher deve ter o direito sobre seu corpo”, diz ministro do STF

Debate sobre descriminação do aborto volta à tona com voto do relator

Brasília - O Estado de São Paulo

O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade das pesquisas com células-tronco embrionárias desencadeou outra discussão polêmica: a descriminação do aborto. O voto do ministro Carlos Ayres Britto, relator da ação de inconstitucionalidade da Lei de Biossegurança, alimentou a discussão e o receio dos críticos das pesquisas que diziam que a liberação dos estudos seria o primeiro passo para a legalização do aborto.

Pelo menos dois pontos do voto de Britto levaram quatro ministros do STF e advogados das duas partes a verem um caminho aberto para a legalização do aborto. Na parte mais contundente de seu voto, Britto define que nem embrião nem feto podem ser considerados detentores de vida humana. “Vida humana (…) é o fenômeno que transcorre entre o nascimento com vida e a morte cerebral”, disse Britto no voto. O ministro distinguiu quem é protegido pela Constituição: “Quando fala da dignidade da pessoa humana, é da pessoa humana naquele sentido ao mesmo tempo notarial, biográfico, moral e espiritual. E, quando se reporta a direitos da pessoa humana (…) como cláusula pétrea, está falando de direitos e garantias do indivíduo-pessoa.”

Outro argumento de Britto: se o feto tem direito à vida, o aborto em caso de estupro ou risco de vida para a mulher, permitido pelo Código Penal, seria inconstitucional, uma vez que a lei maior proíbe a pena de morte.

Ontem, o ministro Celso de Mello defendeu abertamente a ampliação dos casos de aborto. “Deve ser permitido aborto de fetos inviáveis fora do útero. Além disso, alguns países permitem o aborto até a 12ª semana de gravidez. Não rejeito essa idéia. Eu entendo que, no contexto dos direitos sexuais, a mulher deve ter o direito sobre seu corpo, sua sexualidade e sua fertilidade”, disse Celso de Mello.

09/02/2008 - 20:03h Las dos muchachas que amaban al mismo asesino

María Antonieta Multari confió en Delfino, a pesar de ser sospechoso de un asesinato,
hasta que él empezó a pegarle

En este texto, la prestigiosa escritora italiana Dacia Maraini relata, a la manera de Capote en A sangre fría, dos asesinatos cometidos por un hombre enfermo de celos. El caso, que conmovió a todo un país, forma parte de una serie de crímenes cuyos autores tienen como rasgos comunes la ternura y la “cara del ángel”

Luca Delfino aparece descrito como un muchacho “dulce y protector”. Así se presentaba a las mujeres cuando las cortejaba. Había deslumbrado a Luciana Biggi, la había conquistado con sus modales de muchacho generoso y educado, para después agredirla a la primera ocasión y golpearla ferozmente. Pero las mujeres, cuando se enamoran, son presas de la manía de actuar como redentoras.

Ante los hombres de mala voluntad que beben y golpean, se transforman en madres aprensivas, seguras de poder redimir al niño maligno a fuerza de amor y abnegación. Desafortunadamente, el hombre violento, tratado como un niño al que se debe corregir y salvar, se torna aún más inquieto y a la primera ocasión se subleva, furibundo, para morder la mano que quería acariciarlo.

(more…)

28/10/2007 - 14:23h Mulher