26/04/2012 - 08:05h Na construção, salário inicial da mulher é superior ao do homem

Romilda dos Santos: “A empresa me valoriza, por isso quero fazer um curso de qualificação, existe espaço para eu crescer”


VALOR

Romilda Consolação dos Santos tem 34 anos e apenas em 2009 conseguiu o primeiro emprego com registro em carteira profissional, como rejuntadora. Antes, ela havia trabalhado como babá, manicure e cabeleireira. Depois de terminar um curso técnico de pedreiro no Senai de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, ela foi imediatamente recrutada por uma construtora como auxiliar de pedreiro. Em pouco mais de dois anos na empresa, Romilda foi promovida três vezes e conseguiu dobrar o seu salário.

O salário médio real de contratação da mulher na construção civil já é maior que o do homem. No primeiro trimestre deste ano, ele foi quase 6% maior. O baixo índice de desemprego na economia brasileira e o aquecimento do setor na última década chamaram a atenção para as oportunidades que surgem, principalmente aquelas que exigem certo grau de detalhismo, como o acabamento. É nesse espaço que profissionais como Romilda têm se destacado. O diferencial das mulheres é que, na hora de se candidatarem a uma vaga, elas estão mais qualificadas e acabam fechando salários maiores, segundo analistas de mercado e profissionais de recursos humanos consultados pelo Valor.

De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o valor médio pago a profissionais da construção civil no primeiro trimestre deste ano ficou em R$ 1.066,36. Mas são as mulheres que puxam a média para cima, já que elas receberam 5,65% mais que os homens. Esse índice não significa que o salário das mulheres é maior, mas sim que, ao serem contratadas por uma empresa do setor, elas começam ganhando mais, seja pelo tipo de função que exercem, seja pela experiência que trazem de outros empregos.

Além da construção civil, a mulher entra na profissão ganhando mais que o homem em apenas outros dois setores: extrativa mineral e serviços industriais de utilidade pública. Nem na educação, nem na saúde, isso ocorre, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Na média do país, as mulheres são contratadas com um salário médio 15% inferior ao do homem.

“A presença da mulher na construção civil ainda é muito pequena. É óbvio que ela não entra no setor para carregar tijolo, pelo contrário, ela entra mais qualificada e vai trabalhar com pintura, na parte hidráulica ou operar máquinas e equipamentos”, explica Ana Maria Castelo, coordenadora de estudos da construção civil da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Na construtora mineira Caparaó, para quem Romilda trabalha, a presença das mulheres no canteiro de obras ainda é bem pequena. “Não chega a 5%, mas esse índice está crescendo, porque falta mão de obra especializada e muitas mulheres estão se qualificando para atuar no setor, que paga bem”, explica Silvano Aragão, gerente de recursos humanos.

“Onde eu trabalho, sou a única mulher. Mas vejo que a empresa me valoriza, por isso quero fazer um curso de qualificação. Existe espaço para eu crescer aqui dentro”, afirma Romilda. “Elas são muito comprometidas no canteiro de obras. São detalhistas, cuidadosas e acabam subindo na profissão mais rápido”, diz Aragão.

Enquanto as mulheres representam 20% do quadro geral de funcionários da construtora Tecnisa, nos canteiros de obra elas são apenas 4%. A diferença se explica por elas desempenharem funções mais administrativas. “O uso maior de tecnologia tanto na área fabril como na construção civil permite que o trabalho feminino no setor avance. Métodos construtivos que utilizem menos força física e o uso de automação na fabricação de componentes também ajudam”, diz Marcello Zappia, diretor de recursos humanos da empresa, que acredita haver espaço para as mulheres no setor.

Zappia levanta um diferencial que destaca as mulheres no exercício de suas funções. “A mulher tem mais capacidade que o homem em ser multitarefa. Elas se destacam na própria ação do engenheiro, que acompanha várias frentes de trabalho ao mesmo tempo. E também se sobressaem em serviços que exigem cuidados mais elaborados e atenção para detalhes.”

Jessica Clarissa da Silva, de 24 anos, também é a única mulher nos canteiros de obras em que trabalha – ao todo, quatro, em São Paulo. Ela fez um curso de dois anos em técnica de segurança e orienta trabalhadores sobre ergonomia, planos de emergência e segurança em geral durante as diferentes etapas de uma obra. “Comecei na indústria metalúrgica, mas surgiu uma oportunidade melhor na construção civil. Gosto tanto da área que, agora, estou cursando uma faculdade de engenharia”, conta.

O salário inicial de Jessica na construção civil equivalia a cerca de três salários iniciais de um auxiliar de pedreiro na mesma obra. Hoje ela ganha 20% a mais do que ganhava há dois anos, quando mudou de ramo.

Entre os oito grandes setores analisados pelo MTE, o salário médio de admissão das mulheres também é maior que o dos homens na indústria extrativa mineral e nos serviços industriais de utilidade pública. Na indústria de transformação, a “vantagem” masculina é bem alta. Em média, elas recebem 80% do salário de admissão dos homens. O salário real médio de admissão do país ficou em R$ 993,44 no primeiro trimestre deste ano, sendo que a média masculina (R$ 1.045,10) foi 15,5% maior que a média feminina (R$ 904,76).

28/03/2012 - 11:29h A mulher no poder

ELIANA CARDOSO – O Estado de S.Paulo

Sete anos valem milênios neste nosso século 21. Entre 2003 e 2010, a participação das mulheres em cargos de alto escalão cresceu 4,2 % no Brasil e impressionantes 30% na Noruega. Por lá essa participação anda agora em torno de 45%. Aleluia! A ala feminina vence obstáculos depois de séculos de submissão. As jovens americanas estão passando na frente dos rapazes: nas 150 maiores cidades dos EUA, as mulheres com menos de 30 anos ganham em média mais do que os homens da mesma idade. Reflexo do sucesso acadêmico. Em 2011, engenheiras na fronteira técnica e administradoras de empresas de TI entraram no elenco das “100 mulheres mais poderosas do mundo”, que, tradicionalmente, listava apenas autoridades e ativistas.

Na Europa as mulheres agora representam 60% dos formandos nas universidades e entram no mercado de trabalho em igualdade de condições com os homens. Resta saber se subirão as escadas do sucesso junto com os colegas. Ou se, mal integradas nas redes masculinas que dominam organizações complexas, sumirão ao longo do caminho. De qualquer maneira, embora não seja possível determinar uma relação de causalidade, vale a pena observar que as empresas mais bem-sucedidas na Europa e nos EUA contam com maior número de mulheres em altas posições.

Nem tudo são rosas. O relatório do Banco Mundial Mulheres, Negócios e Direito (2011) mostra que, dos 141 países analisados, em 103 deles as mulheres ainda sofrem discriminação. Na média, as mulheres trabalham mais e ganham menos que os homens. Mas a média ilumina pouco. Esconde a diferença entre a sueca e a afegã. Divide a soma de uma parcela – que tem carreira igual à dos homens e ganha tanto quanto eles – com outra maior – que come o pão de cada dia em empregos de baixa produtividade e se esfalfa em tarefas organizadas em torno da necessidade de servir à família.

Considere o Índice de Oportunidade Econômica para Mulheres em 128 países, publicado pela revista The Economist e obtido a partir da combinação de informações sobre, por exemplo, o status legal da mulher e seu acesso a financiamento e educação. É imensa a distância entre os países onde as mulheres praticamente gozam de igualdade com os homens – como Suécia, Noruega e Finlândia – e aqueles onde a desigualdade entre os gêneros é extrema – como Irã, Chade e Sudão. O Brasil fica no meio do caminho.

No mundo diverso do século 21, Dilma Rousseff, Angela Merkel e Christine Lagarde dividem espaço com Obama, Sarkozy e Putin. Na política internacional, enquanto Lagarde bate o tambor pedindo aos europeus que ponham à disposição mais recursos para os países periféricos, Merkel proclama a necessidade de consolidação fiscal. São posições contraditórias apenas na aparência. Ambas acreditam que as duas coisas precisam ocorrer. Merkel representa a Europa do Norte e enfatiza o papel da disciplina fiscal, que sempre foi dogma no Fundo Monetário Internacional (FMI) de Lagarde, enquanto esta representa a Europa do Mediterrâneo, na busca de recursos para evitar o caos.

Será apenas simbólico o bom convívio entre elas? Não, diria Steven Pinker, psicólogo da Universidade Harvard. Ele acredita num mundo mais pacífico, desde que governado por mulheres. De fato? Duvido. Golda Meir, Indira Gandhi, Margaret Thatcher e rainhas inglesas de outras eras levaram seus países à guerra. Contudo é verdade que – ao contrário das regiões em que a violência vem diminuindo – as regiões onde a violência perdura são as que impõem barreiras para dificultar às mulheres o controle do próprio corpo e o acesso a posições de poder nas empresas e no governo.

Há quem acredite que, como líderes, as mulheres são menos hierárquicas do que os homens e mais capazes de estimular a participação dos subordinados. Nem sempre. A História presta testemunho do contrário. Para chegarem ao topo das organizações muitas adotam estilo masculino e contrariam expectativas de doçura. Ora, gente de sucesso combina o lado masculino e o feminino e abraça modos duros ou brandos conforme necessário. Estereótipos não servem à mulher nem ao homem.

Nossa presidente entrou em rota de colisão com Angela Merkel no evento que deveria marcar a comunhão de interesses entre Brasil e Alemanha. Nas relações com o Congresso prefere afirmar sua autoridade a evitar enfrentamentos. Estaria mais à vontade com o lado da pedra dura do que com o da água macia? A imprensa retrata-a como nossa dama de ferro. Ao mesmo tempo, acusa-a de ingenuidade ao tentar impor novos padrões à conduta dos políticos. Mas ao demitir ministros acusados de corrupção conquistou a mais alta popularidade desfrutada por um presidente brasileiro no seu primeiro ano de governo. Apesar do fraco desempenho da economia, a imprensa também a retrata como boa administradora – traço mais importante numa prefeitura do que na Presidência da República. Ainda é cedo para saber se, além de gerente, Dilma Rousseff tem os traços de personalidade comuns a presidentes de sucesso.

Em geral, um presidente bem-sucedido usa máscara política sem trair as próprias convicções. Convencido de que é líder de nascença, como Lula, intui o contexto no qual se acha inserido e fareja oportunidades. Combina informações numerosas e mutantes num modelo coerente, como FHC. Dotado de apetite voraz por contato social e de desejo quase compulsivo de se ver cercado de pessoas, como JK, consegue extrair de milhares de encontros sociais a percepção do que os outros desejam. Ao contrário de Jânio Quadros, goza de segurança emocional e não guarda ressentimentos. É capaz de empatia com o sofrimento alheio. Flexível quando as coisas vão mal. E, sabendo que precisa dos outros, evita o excesso de arrogância conferido pelo poder e pelos bajuladores.

*PH.D. EM ECONOMIA PELO MIT, É AUTORA DE MOSAICOS DA ECONOMIA (SARAIVA, 2010), SITE: WWW.ELIANACARDOSO.COM

19/03/2012 - 10:35h Perú: “Nada le haría mejor a nuestro país que tener una mujer como presidenta”

Lunes, 19 de marzo de 2012


Deslinde. Merino agradece que se hable de ella como candidata presidencial, pero asegura que no se guía por los demás sino que marca su propia agenda.

Deslinde. Merino agradece que se hable de ella como candidata presidencial, pero asegura que no se guía por los demás sino que marca su propia agenda.


Beatriz Merino. Ex primera ministra, ex defensora del Pueblo y recientemente nombrada representante de quienes son acreedores de la deuda agraria.

Ana Núñez – La República

–Tras su salida de las AFP, usted llamó a esta nueva etapa de su vida “de reinvención”. ¿Por qué?

–La reinvención significa la capacidad de tener una nueva visión sobre sí misma, de preguntarse dónde estoy y dónde quiero estar en los próximos cinco años o en los próximos días, y qué tengo que hacer para estar en ese lugar. Uno debe mantener la capacidad de no ser autocomplaciente con lo que uno ha logrado o con lo que uno es, y eso exige una reinvención. Esa es la modernidad y la juventud real: la capacidad de seguir teniendo objetivos, visiones y sueños.

–¿Y un nuevo sueño suyo es ser la primera presidenta del Perú?

–Nuestro país necesita a una mujer como presidenta porque se debe brindar la oportunidad a una persona que ejerce sus sentimientos sin temor, que sabe mostrar. En este país tan dolido, con tanta gente abandonada y que se siente abandonada, es necesario ese instinto maternal, que no es un tema biológico. Para entrar a ese Perú reinventado, nada le haría mejor que tener una mujer al frente. Ese sí es un sueño mío.

–Por esa convicción, y sabiendo que nada la motiva más que representar a los peruanos más vulnerables, ¿qué mejor oportunidad para ello que ser quien conduce el rumbo del país?

–No es un tema personal, así como he dicho que no es un tema de género. El Perú tendrá que encontrar a esa mujer, ese liderazgo que requiere. Pero yo sí creo que es momento. Yo veo con entusiasmo monumental a Argentina, Chile, Brasil, pareciera que ahora México, Alemania, Inglaterra, Estados Unidos casi… hace 50 o 60 años las mujeres ni votábamos, no podíamos elegir. Entonces, a mí me parece extraordinario que en una generación ya estemos en capacidad de dirigir y creo que en este país ya lo hemos demostrado. Lo único que falta es que aparezca esa candidatura que el país respalde.

–Más allá de su decisión sobre una posible candidatura, lo cierto es que hay un fortalecimiento de la figura de la mujer en la política. A don Isaac Humala le ha gustado mucho su teoría al respecto y ha agregado que la fuerte presencia de Nadine Heredia podría ser el nacimiento de un matriarcado en el Perú…

–Bueno, yo escucho esos comentarios con gran ternura… Tengo un aprecio personal por don Isaac desde mis años en la Defensoría del Pueblo, él tenía la bondad de asistir a las sesiones y en alguna oportunidad me escribió una carta personal que guardo con mucho cariño. Lo que él dijo es que le había parecido muy interesante lo que dije en relación con la Primera Dama.

–Usted salió al frente de las críticas en su contra…

–Yo dije varias cosas. En primer lugar, ya no está de moda eso de que los hombres llevan la voz cantante en los matrimonios. En segundo lugar y en relación directa con Nadine Heredia, dije que la democracia más consolidada del mundo occidental moderno es la de Estados Unidos, y ¿qué pasó con la señora Hillary Clinton después de haber sido ocho años primera dama? Fue elegida senadora de uno de los estados más importantes, Nueva York; y posteriormente fue una extraordinaria precandidata presidencial que compitió cuerpo a cuerpo con el actual presidente Barack Obama en las primarias. Si le hubiera ganado, habría sido la primera presidenta mujer de los Estados Unidos. Entonces, ¿qué tiene de malo que una mujer, después de haber sido Primera Dama, intente servir a su país en los cargos más importantes como senadora, canciller o presidenta? ¿Cuál es la razón de criticar a la señora Heredia si ese fuera su deseo?

–Usted no ve ningún problema…

–Ninguno. Y qué magnífico sería que ella se convirtiera en la mujer más respetada de este país durante 10 años. Ella o cualquier otra. Tenemos que empezar del pasado. En este caso es algo así como “compra uno y te damos dos”. Los peruanos votaron por Ollanta Humala y ahora tienen a su lado a una mujer con talento político y ganas de servir a su país en la vida pública. ¡Qué bueno! Ya el Perú decidirá cuál es el resultado de esa gestión que aún no tiene ni un año. Hasta ahora son buenos… Pero a mí sí me molesta ese tipo de ataques a la señora Heredia, por quien guardo un aprecio personal.

–Lourdes Flores ha expresado su interés; más allá de las diferencias políticas, Keiko Fujimori también estará en la partida; usted ha dicho que lo va a pensar…

–Yo solo he sonreído… Los hombres deben sentirse un tanto amenazados, ¿no? No debieran, ellos han gobernado este país por casi 200 años y ahora le toca a una mujer.

–Y usted ha dicho que nuestro país ha tenido la mala suerte de tener malos gobiernos…

–Pero ya esto se está corrigiendo. Además, el país ha vivido en dictaduras, una tras otra, ha vivido en corrupción. Pero debemos mirar el pasado solo para aprender de nuestros errores y no cometerlos más. Las épocas de la violencia, de violaciones de derechos humanos, de corrupción, no pueden volver más. Somos un país con el derecho de encontrar la felicidad para todos, sin dejar a un tercio de la población atrás.


–Usted se ha calificado como liberal sin temor por el rechazo que eso podría generar en ese tercio de gente al que alude…

–Cuando empecé la vida pública con nuestro premio Nobel Vargas Llosa, nuestras ideas eran las de una minoría absoluta. Hoy podemos ver que en la economía esas ideas han triunfado, traen el desarrollo económico y logran que poco a poco se vaya reduciendo la pobreza. Pero no solo en el Perú, sino en el mundo. El Muro de Berlín ya se cayó. Si ese es el liberalismo que muchos propugnamos y pensamos que debe ser una opción electoral en el Perú, lo que debería quedar fuera de esa opción electoral son los radicalismos de izquierda y los radicalismos de derecha, que solo buscan implantar la intolerancia, la discriminación, a veces el racismo, la destrucción y la violencia. Entonces, el Perú tiene que discurrir entre una izquierda moderna y una derecha moderna, entre un liberalismo democrático y defensor de los derechos humanos y una izquierda que respete las economías libres y las libertades.


–El liberalismo que propugna nos ha regido en los últimos 3 gobiernos? ¿No se siente representada por ellos?

–Por más que algunos se autoproclamen, yo no me siento representada en ninguno de ellos porque el liberalismo trae consigo una cantidad de propuestas que no han sido abordadas. No se trata de administrar la economía, se trata de acometer lo que está pendiente en la reforma del Perú. Hoy, por ejemplo, tenemos el problema de la terrible minería ilegal que trae lo peor a una sociedad, pero también es verdad que es una obligación del Estado trabajar en cómo incorporar a esos empresarios privados al mundo de la formalidad. No se trata de salir a destruirlos, sino incorporarlos a la formalidad. ¿Quién habla de eso?

–Finalmente, hoy tiene nuevo encargo, es representante de los acreedores de la deuda agraria…

–Lo primero que se debe decir es que el presidente Humala ha heredado este problema. Es evidente que los primeros meses de gobierno debían ser de ordenamiento (además lo ha hecho muy bien, acuérdese de la inestabilidad económica que había). Una vez pasado eso, es importante poner en la agenda pública temas pendientes de solución. El Colegio de Ingenieros, y otros bonistas, se han acercado a mí diciéndome: “necesitamos que se cumpla con nosotros como alguna vez se cumplió con los extranjeros…”.

–Pero es una deuda que alcanzaría los 4 mil millones de soles…

–No, la propuesta que me han traído tiene varios elementos. El primero es que no se trataría de un pago en efectivo, sino de un canje de bonos que hoy están emitidos en una moneda que ya no existe por bonos en la moneda actual. Para ello, evidentemente, como dijo el Tribunal Constitucional hace once años, hay que actualizar el valor. Hecho eso, mi sugerencia es que la Administración Tributaria podría encargarse de recibir estos bonos y que si alguien tuviera deudas tributarias con el Estado, debiera compensarse. El tercer aspecto es que ellos están dispuestos a donar el 10% de sus nuevos bonos a una fundación de inclusión social, que en línea con la política de Estado del presidente Humala pudiera tener fondos para dar becas en países de más desarrollo educacional a los peruanos más pobres y para que se pueda hacer inversiones productivas en zonas de cultivos alternativos de coca. A mí me han pedido que lidere esa fundación, con lo cual se compraron mi corazón y creo que hay que decirles al presidente Humala y al ministro de Economía que esta es una extraordinaria oportunidad para terminar este tema tan bochornoso para la historia del Perú y sobre todo para evitar daños para el Estado. Aquí no está en discusión la deuda, hablamos de voluntad política

08/03/2012 - 11:02h As 18 mulheres do pré-sal brasileiro

Petrobras tem 15,4% do efetivo formado por mulheres, menos do que cursos de Engenharia

Clarice Spitz – O GLOBO

8/03/12

RIO — Já forma um time de futebol, mas ainda não dá uma partida. A Petrobras tem hoje apenas 18 mulheres com o crachá como o da presidente da empresa trabalhando em plataformas do pré-sal, um dos projetos mais promissores da economia brasileira. Elas são apenas 4% dos funcionários dessas unidades de produção _o que corresponde a uma proporção de 23 homens para cada mulher_ percentual que desafia a presença feminina em cursos de Engenharia. Dos cinco mil alunos matriculados na Escola Politécnica da UFRJ, 30% são mulheres. Na engenharia civil, chegam a 40%.

FOTOGALERIA: Veja imagens das mulheres que trabalham na estatal

Na empresa comandada por Graça Foster, ela própria a segunda mulher na empresa a subir em uma plataforma, as funcionárias ainda vivem em um ambiente dominado por homens, mas que vem mudando de cara lentamente. As mulheres representam hoje 15,4% do efetivo da estatal. Em 2003, eram 12,1%. A maior parte das embarcadas no pré-sal não tem filhos ou é casada há pouco tempo.

Além das 18 do pré-sal, há muitas outras terceirizadas nas plataformas da empresa. A estatal não passa os números, mas segundo o Sindipetro-NF, as terceirizadas são de longe a maioria entre as mulheres nas plataformas (de todos os tipos) do Norte Fluminense: com um placar de 1.707, contra 254 efetivas.

Poucas mudanças na rotina de trabalho

Sobre o que mudou no pré-sal? Muitas dizem que a rotina de trabalho pouco se alterou. Citam a viagem de helicóptero até a plataforma, que agora ficou mais longa (cerca de uma hora e vinte minutos), e o aumento da cobrança por rapidez nos resultados.

— O trabalho é basicamente o mesmo, mas a plataforma ganhou mais visibilidade na mídia por causa do pré-sal — afirma a técnica de suprimentos Adriana Souza da Cruz, 29 anos, embarcada há três na P-53, na Bacia de Campos.

Embora não falem em discriminação ou preconceito, reconhecem que passaram por um sentimento de “estranheza” quando começaram.

—Agora é tranquilo. No início teve um pouco de estranheza pelo fato de ser mulher, tradicionalmente nas plataformas onde a maioria de trabalhadores é homens. Mas, a cada dia que passa, há mais mulheres chegando. A mulher sendo competente e sabendo se colocar não tem problema – diz ainda Adriana.

Do total de funcionários com nível superior na estatal hoje, 20,8% são mulheres. Entre as 18 funcionárias do pré-sal, uma ocupa função com nível superior e as outras 17 são técnicas, embora muitas dessas tenham formação superior. Na posição de liderança, a Petrobras tem hoje 960 gerentes mulheres – o número quase dobrou de 2003 para cá, quando eram 526. Entre os homens, o comando fica com 5.013 deles.

Conversar pelo Skype com o marido

A química Cândida Carolina de Paula Santana, 30 anos, trabalha na FPSO Cidade Angra dos Reis, na Bacia de Santos, fiscalizando a atuação da da Modec, operadora da plataforma. Casada há um ano, desde outubro do ano passado está embarcada. Ela diz que a função é conveniente. O marido trabalha como engenheiro para a indústria automobilística no Uzbequistão, na Ásia. Nos 21 dias que tem de descanso, ela voa para encontrá-lo. Quando está embarcada, sua rotina inclui conversas pelo Skype, a leitura de um livro, quando há tempo, e os momentos em que socializa com os colegas no refeitório.

—É bem intenso quando se trabalha, mas depois quando tem a folga, há longo período de descanso. Exige planejamento, tenho minhas contas todas no débito automático — afirma.

A técnica de operações Vívian Patrícia de Paula Reis trabalha na sala de controle, junto a monitores e telas, acompanhando os dados de exploração, sem nenhuma outra mulher para tratar diretamente. Está há quase quatro anos na P-53. Namora, tem 28 anos e acha que por enquanto é difícil compatibilizar a ideia de filhos com o trabalho que leva.

—Ter filho para nós, pelo menos por um período, é inviável porque passamos muito tempo fora de casa. É complicado ter um bebezinho e estar embarcando — diz.

“Não temos que ouvir só futebol”

A engenheira Ana Maria Blanco, da Gerência de Desenvolvimento de Projetos do Pré-Sal, vê uma mudança no panorama das mulheres dentro da empresa, desde que começou na empresa, trabalhando embarcada, na década de 80.

— Quando comecei havia muito poucas mulheres. Hoje, no departamento que trabalho, somos 42 pessoas, sendo que a metade, mulheres. O ambiente fica mais equilibrado, mais agradável, não temos que ouvir só futebol — afirma.

Se a ascensão de Graça Foster acelera o espaço das mulheres na empresa? As opiniões são divididas, mas boa parte acha que a escalada profissional está mais ligada ao empenho pessoal.

—Não sei, acho que a mudança principal tem a ver com a competência – considera Ana Maria.

Segundo a Petrobras, na área de pesquisa, as mulheres também aumentam a participação. Em 2002, antes da descoberta do petróleo na camada pré-sal, 113 mulheres atuavam nas atividades de pesquisa e desenvolvimento relacionadas à Exploração e Produção, no Cenpes. Hoje são 162 mulheres dedicadas às atividades de pesquisa ligadas ao pré-sal.

“18 virou número cabalístico”

A economista Hildete Pereira, especialista em gênero e pobreza no Brasil, lembra que além do número funcionárias do pré-sal, 18 também é o número de mulheres que ocuparam cargo de ministras na república brasileira. A conta vai até 2010 e não considera o governo Dilma.

— É um número que parece ter virado cabalístico. Temos nas plataformas do pré-sal, que são as plataformas do futuro também 18 mulheres, o que permite pensar que o poder pode ser dividido entre calças e saias — afirma.

Hildete considera um avanço a petrolífera ser comandada pela primeira vez por uma mulher, em um setor eminentemente masculino, mas lembra que no Parlamento e nas empresas, elas ainda estão em menor número.

—As mulheres são muito boas para administrar a pobreza, tomar conta da casas, gerir o Bolsa Família, mas para gerir a riqueza e o poder, chamam os homens. Isso ainda acontece no mundo inteiro — afirma.

04/03/2012 - 15:20h Gênero e Mudança Social em El Salvador


Vanda Pignato, Primera Dama e Secretária de Inclusão Social da República de El Salvador

Apesar das declarações e compromissos da comunidade internacional acerca da igualdade de gênero, as condições da mulher no mundo continuam sendo trágicas, mesmo quando se registrem certos avanços em alguns estados e em determinadas sociedades.
Essas condições se replicam, com suas especificidades, em todo o mundo em desenvolvimento. Em El Salvador, que é o menor país da América Latina, vulnerável, e onde estão mais dramaticamente acentuadas as iniquidades, a discriminação, iniquidade e violência que padecem as mulheres são tão evidentes como indignantes.
Os dados estatísticos, na realidade, são uma fria manifestação dessas deploráveis tragédias. A sociedade salvadorenha está integrada por quase 53% de mulheres. Até faz apenas três anos, a sociedade salvadorenha ainda vivia sob governos inclinados a proteger o privilégio de um pequeno grupo social e a desamparar as grandes maiorias. Estes governos que, sob a ideia de uma igualdade formal, escondiam por trás das normas e das políticas as evidentes discriminações, iniquidades e violência que, por razão de gênero e desde uma base e consideração estrutural e histórica, têm segado a qualidade de vida e o desenvolvimento da sociedade e das mulheres em particular.
Meus anos de residência e trabalho político, social e cultural em El Salvador me deram um conhecimento profundo dessa realidade, que me indignava. Durante a campanha eleitoral do Presidente Mauricio Funes, concebi a ideia de criar um centro destinado à atenção integral da problemática das mulheres, e para as mulheres, que não tivesse nenhuma relação com as velhas e fracassadas políticas ensaiadas durante anos na América Latina.
Surgiu, então, “Ciudad Mujer” (www.inclusionsocial.gob.sv). A ideia da criação de “Ciudad Mujer” esteve baseada em três fatores, que são: o reconhecimento das iniquidades de gênero como parte inaceitável da realidade; a existência de normativa nacional e internacional, que gera a obrigação de dar passos progressivos para a promoção e realização dos direitos das mulheres, incluindo a eliminação de toda forma de violência e de discriminação, por questão de gênero; e, finalmente, a visão estratégica de país e de sociedade que pretende alcançar o atual governo de El Salvador.
Desde una perspectiva conceptual, “Ciudad Mujer” é um centro de serviços baseado em um enfoque de direitos que supera a visão do assistencialismo e da caridade, geralmente muito próprios da maneira tradicional de realizar ação social na América Latina. As necessidades de atenção que as mulheres apresentam estão entendidas como privações, carências, vazios ou exclusões que, por questão de gênero, as mulheres enfrentam na realização e gozo de seus direitos.
Trata-se de uma aposta inovadora, que começou a dar frutos além dos esperados, apesar da sua breve existência. Inúmeras mulheres vêm recebendo atenção na primeira sede de “Ciudad Mujer” e este ano começaremos a construção de outras sedes, com o apoio financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que tem tomado o projeto como modelo para toda a América Latina.
Por esse impacto, e por seu potencial, “Ciudad Mujer” foi reconhecida a nível internacional com o Prêmio à Iniciativa em Saúde e “Empoderamiento” que oferece South South News Initiative (Nações Unidas), e com o Prêmio Américas 2011, pela promoção da igualdade de gênero e a autonomia da mulher (Nações Unidas, Organização dos Estados Americanos, Centro Carter). A experiência se afirma e começa a estender-se a outros países americanos.
Com este instrumento, as mulheres tradicionalmente excluídas ao longo da história, começaram a se tornar visíveis nas políticas públicas. Ao serem reconhecidas pelo Estado, reconhecem-se a si mesmas como titulares de direitos e como cidadãs. Essa é a potência transformadora de “Ciudad Mujer”. Será o grande legado do Presidente Mauricio Funes à luta autêntica, de ações, e não de palavras, pela igualdade de gênero.

21/10/2011 - 20:29h Para ter êxito têm que dar, meu bem

Il faut coucher pour réussir, ma fille

Agnès Giard – les 400 culs

Il existe une forme revancharde et perverse de féminisme qui consiste à jouer de ses charmes pour mettre les hommes à ses pieds. En quelque sorte : les prendre à leur propre piège. Mais que vaut cette soi-disant émancipation ?

Alex-expo

Catherine Hakim, pseudo “sociologue”, vient de publier un livre qui fait controverse : Honey Money, the power of erotic capital. Traduction : “Tu me donnes la trique, je te donne du fric. Le pouvoir du capital érotique”. J’avais déjà parlé de cette notion plus que douteuse de “capital érotique” dans un article de 2010. Les idées pernicieuses de Catherine Hakim soulèvent une nouvelle vague d’indignation. Non contente d’affirmer qu’il est normal de réussir en jouant de ses charmes, la britannique enfonce le clou en prétendant qu’elle est féministe. Féministe ?? “Les  femmes n’ont pas encore appris à exploiter la mine d’or qu’elles sont”, explique-t-elle, encourageant toutes les femmes à s’habiller sexy, à mettre en avant leurs seins et à onduler des hanches au bureau afin de faire avancer leur carrière. Les “belles femmes” gagnent 12% de plus que les autres, ajoute-t-elle pour appuyer ses dires (1). Pour Catherine Hakim, de toute évidence, le féminisme ne consiste pas à être ce que l’on est, sans honte et sans tabou, ni à s’épanouir dans son corps et dans sa sexualité. Il consiste à manipuler les hommes, en leur tendant un décolleté profond… comme une carotte.

Rappelons que Catherine Hakim travaille à la London school of Economics, qui forme les battants et les super-winner : on se doute que la sociologie ici pratiquée relève surtout du coaching. Tous les moyens sont bons dans cette école de l’ultra-libéralisme. Y compris gérer sa sexualité dans le cadre d’un plan-carrière…  Le féminisme de Catherine Hakim est donc profondément marqué par cette idéologie du rendement à tout prix : pour elle, les femmes ne devraient prendre conscience de leurs pouvoirs que pour obtenir des avantages matériels, dans le cadre de rapports de force économiques et politiques. Ce point de vue est vulgaire, mais il est indéniable que dans les faits, ça marche : les gens beaux réussissent effectivement mieux dans la vie. Les gens qui semblent avoir une vie sexuelle bien remplie dégagent également plus de charisme et se distinguent du lot : on leur prête plus d’attention. Il est certain que cela joue en leur faveur sur le plan professionnel. “On peut d’ailleurs chiffrer le prix de la beauté, raconte Sonia Arnal, dans un article consacré au livre de Catherine Hakim : à compétences et formations égales, un bel homme gagne en moyenne 17% de plus que ses collègues moins attrayants”. De nombreuses études ont confirmé ces faits : les personnes de grande taille, aux formes athlétiques, aux traits harmonieux, gagnent mieux leur vie. Et pour cause. Mais de ce simple constat -qui relève presque de l’évidence et qui concerne les deux sexes– Catherine Hakim a tiré des conclusions plus que douteuses : puisque ça marche, profitons-en à fond, suggère-t-elle.

Encourageant de façon implicite les femmes à fréquenter les salles de fitness et les cabinets de chirurgie esthétique, son livre ne se contente pas de dire que la position sociale d’un individu dépend autant de sa culture, de sa fortune que de sa beauté… Il affirme qu’une femme doit investir aussi bien dans sa formation intellectuelle que dans l’achat de tailleurs fendus, de talons hauts et de rouges à lèvre. Histoire de gravir plus vite les échelons. “Attention, je ne dis pas que c’est nécessaire pour faire carrière, ni qu’on doit accepter des avances si on n’a pas envie (source : Le Matin). Je dis que c’est une option parmi d’autres, et que les femmes qui font ce choix doivent s’assurer qu’en échange, elles obtiennent un bon prix, parce que leur capital érotique a une grande valeur, qu’elles sous-estiment.” On pensera ce qu’on veut du cynisme latent de ce genre d’affirmation. Là où Catherine Hakim fait véritablement scandale c’est lorsqu’elle prétend que les femmes sont bien plus douées que les hommes pour mettre en avant leurs avantages physiques.

A l’en croire, les femelles du genre humain sont “naturellement”, “génétiquement” douées pour séduire les mâles. Mieux encore : elles ont moins de besoins sexuels, ce qui leur permet de négocier pied à pied au lit et de faire payer le prix fort en échange d’une gâterie. Appuyant ses affirmations sur des études bidon, Catherine Hakim établit en dogme “scientifique” ces vieux préjugés qui frappent les femmes depuis des siècles. Il est étonnant de penser qu’en 2011, des gens puissent encore croire que les femmes ont moins de libido que les hommes, et que cela les avantage puisqu’elles en profitent traîtreusement pour demander de l’argent ou des cadeaux en échange… Catherine Hakim oublie un peu vite que les désirs sexuels des femmes sont -dans toutes les sociétés depuis l’apparition de l’agriculture- jugulés et tenus sous contrôle pour des raisons qui tiennent strictement à des questions de patrimoine : les hommes ont besoin d’être sûrs qu’ils transmettent leurs biens à leurs héritiers légitimes (et non pas au fils du voisin). C’est donc aux femmes que l’on attribue, dans toutes les sociétés humaines, la responsabilité de la faute. Ce sont les femmes que l’on brûle comme sorcières, que l’on enferme dans leur chambre, à qui l’on pose des ceintures de chasteté, que l’on tue en cas d’adultère, que l’on excise et que l’on culpabilise. Ce sont les femmes qui apprennent depuis des millénaires à taire leurs désirs, car ces désirs mettent en danger l’ordre social.

Passant totalement sous silence cette notion essentielle de la sociologie (la repression de la sexualité féminine), Catherine Hakim affirme donc avec une bêtise ahurissante que les femmes ont moins de libido et de désirs que les hommes. Décrétant que dans le monde entier les hommes passent leur temps à quémander du sexe à des épouses qui ont mal à la tête, Catherine Hakim affirme qu’il y aurait, “sur le marché des relations sexuelles”, une “demande” (des mâles frustrés) “totalement supérieure à l’offre” (des femelles semi-frigides). Et que les femmes feraient bien d’en profiter un peu plus. Les femmes seraient donc des serpents froids et manipulateurs par nature ? Encourager les femmes à faire du chantage au sexe serait une forme de féminisme ?

Pour en savoir plus sur Catherine Hakim et le “capital érotique” : “Soyez érotique, devenez des battants“. Pour en savoir plus sur pourquoi les femmes donnent l’impression d’avoir moins de besoins sexuels que les hommes, ce que Catherine Hakim surnomme le “male-sex deficit” (sic) : une interview de Françoise Héritier (Le Point)

Illustration : Alex, photographe.

Note 1 : On notera que même lorsqu’elles se font remarquer pour leur “beauté”, les femmes gagnent toujours moins que les hommes. Les beaux mâles gagnent en effet 17% de plus que leurs collègues moins séduisants.

04/10/2011 - 13:12h Centenas de vítimas de tráfico sexual são resgatadas na Amazônia peruana


Autoridades dizem que mulheres eram forçadas a se prostituir em região de mineração informal.

04 de outubro de 2011

Agência Estado

Quase 300 mulheres foram resgatadas de situação de exploração sexual na Amazônia peruana, informou a polícia do país na última segunda-feira.

As mulheres, de acordo com as autoridades, trabalhavam como prostitutas para mineiros na Província de Madre de Dios, no sudoeste do Peru, região fronteiriça com o Acre e com a Bolívia.

Ao menos sete menores de idade estavam no grupo resgatado, a mais jovem delas com apenas 13 anos de idade.

Promotores afirmam que as mulheres são atraídas à região por ofertas de trabalho no comércio e em serviços domésticos, mas acabam sendo forçadas a trabalhar como prostitutas em bares locais.

“Quase sempre as adolescentes são atraídas (das cidades) de Cusco ou Puno com enganações, mas acabam sendo colocadas em bares para ‘acompanhar’ (mineiros) ou se prostituir”, disse ao jornal local El Comercio Hilda Calderón, psicóloga de uma associação que oferece abrigo a jovens resgatadas.

Prisões

Quatro pessoas foram presas na cidade de Puerto Maldonado (a maior cidade de Madre de Dios), sob suspeita de tráfico de pessoas.

A operação contou com mais de 400 policiais, em uma das regiões mais pobres do país, conhecida por ter atraído um fluxo intenso de mineiros informais em busca de ouro.

Um representante do governo peruano anunciou, de acordo com o El Comercio, a instalação de um posto policial na cidade de Mazuko, para conter não apenas o tráfico de mulheres, mas de madeira ilegal, de drogas e de combustível, além da própria mineração informal.

No mês passado, a ONG britânica Save the Children afirmou, em relatório, haver mais de 1,1 mil menores de idade sendo usadas como escravas sexuais em campos mineiros ilegais em Madre de Dios.

19/09/2011 - 18:00h Participação feminina no poder cresce muito pouco

19 de setembro de 2011

AE – Agência Estado

O número de países com mais de 20% dos cargos ministeriais ocupados por mulheres cresceu de 13 para 63 entre 1998 e 2008, revelou o “Relatório de Desenvolvimento Mundial 2012: Igualdade de Gênero e Desenvolvimento”, do Banco Mundial (Bird). De uma forma geral, no entanto, a proporção de mulheres ocupando esses postos é de 17% no mundo inteiro, 8% a mais que em 1998, um crescimento considerado lento pela instituição.

O documento, divulgado hoje, destaca maior participação feminina no cenário político, principalmente em quatro regiões do globo: Europa Ocidental, sul da África, América Latina e Caribe. Em 2008, Chile, Finlândia, França, Granada, Noruega, África do Sul, Espanha, Suécia e Suíça tinham mais de 40% de ministérios ocupados por mulheres.

“Embora homens e mulheres sejam igualmente aptos para exercer sua voz política pelo voto, homens são frequentemente percebidos como superiores em exercer poder político”, atesta o relatório. “As pessoas continuam vendo os homens como líderes políticos e econômicos melhores que as mulheres.”

Atualmente, o governo Dilma Rousseff conta com 10 ministras, do total de 38 postos (26,3%). Dos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o que apresenta menos preconceito quanto a essa questão: 32% dos brasileiros veem os homens como líderes políticos superiores a mulheres – contra 63% da Índia, 62% da Rússia e 51% da África do Sul . No Chile, que já foi presidido por uma mulher – Michelle Bachelet (2006-2010) -, o índice ficou em 49%.

Poucos países têm restrições legais à ocupação de cargos públicos por mulheres, mas mesmo assim, a presença feminina em postos no Parlamento é “muito pequena” e o progresso nos últimos 15 anos tem sido “lento”, observa o relatório. De acordo com o Banco Mundial, em 1995 as mulheres representavam 10% dos parlamentares, fatia que subiu para 17% em 2009.

19/09/2011 - 09:27h Produtividade poderia crescer 25% com mais igualdade entre sexos, avalia Bird

Por Sergio Leo | VALOR

De Brasília

Apesar de avanços notáveis nos últimos anos na redução das desigualdades entre homens e mulheres, no mercado de trabalho e no acesso à saúde e educação, persiste grande distância em termos de salários e produtividade, quando comparados trabalhadores e patrões do sexo feminino e masculino.

Com base nessa constatação, o Relatório de Desenvolvimento Mundial de 2012, divulgado pelo Banco Mundial (Bird) indica que, se fosse eliminada a brecha entre homens e mulheres, o produto agrícola mundial cresceria entre 2% e 4,5% e a produtividade nos países cresceria no mínimo 3% ou até 25%, dependendo do país.

O Brasil é um dos países com mais destaque no relatório. É citado cerca de 40 vezes, 10 delas como exemplo negativo e 20 como bom exemplo de iniciativas ou apoio à redução da desigualdade entre os gêneros. No capítulo sobre como as tecnologias de comunicação e informação podem ajudar a reduzir a discriminação contra mulheres, o relatório cita estudos segundo os quais as novelas da TV Globo ajudaram a reduzir a taxa de fertilidade. O efeito das novelas, diz o relatório, “é significativo”: equivale ao aumento de um médico por mil habitantes, ou de dois anos de educação formal.

O exemplo brasileiro também é citado para alertar para o perigo das generalizações nas análises. A situação das mulheres. não é homogênea, como mostram os movimentos em defesa dos direitos das empregadas domésticas no Brasil, cita o Banco Mundial.

O relatório contém a óbvia demonstração de que, em regiões mais atrasadas do mundo, é maior a disparidade de oportunidades entre os gêneros, mas aponta também para conclusões como a de que, apesar da redução do hiato educacional entre homens e mulheres – particularmente acelerado nos últimos anos em países em desenvolvimento da América Latina -, as mulheres têm continuado a receber salários mais baixos, mostrar menor produtividade e ser menos eficientes quando no comando de empresas.

Segundo o relatório, o valor agregado por trabalhador, na Europa e Ásia Central, é 34% menor em firmas controladas por mulheres que em empresas administradas por homens. Na América Latina, o percentual é de 35%, e fica entre 6% e 8% na África Subsaariana. “Companhias em que mulheres são as proprietárias também têm desempenho menos favorável que firmas de propriedade masculina em outras dimensões”, nota o relatório. “Elas tendem a ser menos lucrativas e gerar vendas menores”, além de ter menores probabilidades de sobrevivência, relata o Banco Mundial.

O relatório mostra que as diferenças de capital humano (como níveis educacionais) explicam apenas parte da persistente desigualdade de produtividade e remuneração entre os gêneros – em alguns países, até dificulta encontrar explicação, já que as mulheres passaram a ser maioria entre os de melhor nível educacional.

Reduzir o hiato educacional não será suficiente para melhorar a situação das mulheres, porque a desigualdade continua em outros fatores, como responsabilidades na família e acesso a empregos e posições de mando em certos setores.

A constatação estatística de que, na média, empresas com mulheres no comando têm pior desempenho que as dirigidas por homens podem ser explicadas por fatores como a concentração de mulheres em postos de mando em setores de menor produtividade e tamanho, com menos acesso a recursos produtivos e menor uso desses recursos.

“As evidências mostram que mulheres têm a mesma produtividade que homens quando têm acesso aos mesmos recursos”, afirma o Banco Mundial. O documento aponta exemplos de medidas capazes de reduzir as disparidades, como a iniciativa de garantir créditos a empresas de propriedade feminina na África, por parte da Corporação de Finanças Internacional, braço do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o setor privado.

“Em um mundo globalizado, pequenas mudanças podem levar a grandes vantagens competitivas”, disse a co-diretora do Banco Mundial para o relatório de Desenvolvimento, Ana Revenga, ao defender a adoção de políticas para reduzir o hiato entre homens e mulheres no mercado de trabalho.

A eliminação das diferenças no acesso a oportunidades econômicas e dos hiatos de produtividade e remuneração entre homens e mulheres devem ser complementadas por medidas que reduzam a mortalidade e desigualdade na educação de mulheres, o que ainda ocorre principalmente em países da África Subsaariana, e a adoção de programas para reduzir a diferença de gênero na família e na sociedade, como a garantia de creches.

Uma dessas medidas, elogiada no estudo, é a decisão de conceder à mulher o dinheiro dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, no Brasil. Embora no México esse tipo de medida tenha levado ao aumento da violência doméstica, ele, em geral, leva ao aumento do poder de barganha da mulher no lar, favorecendo a uma mudança no papel das donas de casa.

18/09/2011 - 20:26h Aquí no pasa nada

Tomado de Perú 21, columna Que lisura  de Patricia del Río.- Siempre me pregunto cuándo llegará el día en que caminar por las calles deje de convertirse en un deporte de aventuras para las mujeres. A veces nos ganamos con un simple: “Psst, psst, flaquita”. Otras nos toca un mañosón que nos persigue cuadra y media haciendo unos ruidos horribles. Nunca falta el que cree que puede referirse a nuestro cuerpo como si fuera un plato de Mistura: “Qué rico culo, mamita”, “me comería tus…” “te chuparía la ….”. Ya, mejor ustedes completen.

Las mujeres no nos hemos resignado. Todos los días insultamos, gritamos y hasta lloramos de rabia. Pero nada cambia. El acoso es cotidiano y, salvo protegernos con sprays de pimienta o clases de karate, no tenemos mucho más que hacer. Cuál debería ser nuestra estrategia: ¿Acercarnos al policía de la esquina? ¿A decirle qué: “A ese señor le gusta mi poto”? No pues. Nadie está dispuesta a pasar por tremenda humillación por las puras. Al acosador no lo van a encarcelar, y lo más probable es que al policía le parezca que llevamos la falda muy corta y que la culpa es nuestra.

Así estamos. La violencia contra la mujer crece a pasos agigantados, y la ministra Aída García Naranjo tiene el firme propósito de enfrentar el problema con una justicia de género. Es decir, dictando leyes severas y específicas que reconozcan el feminicidio, sancionando efectivamente a los culpables. Y todo eso está muy bien. Sin embargo, cuando veo a una chica, aterrada, pasando al lado de una turba de escolares que se la comen a groserías, no puedo dejar de pensar que este es un tema muy complejo que ni las leyes ni las líneas de ayuda van resolver, porque insistimos en plantear soluciones para cuando el daño ya está hecho. La gran pregunta es: ¿Cómo convencemos a los hombres de que las mujeres merecemos respeto siempre? ¿Cómo nos adelantamos para evitar el golpe en lugar de curar el ojo morado?

Para que un problema se resuelva, el primer requisito es que los involucrados se enteren de que existe. Las mujeres lo tenemos bastante claro. Y si por casualidad nos olvidamos, zas, aparece el vivazo de turno con un piropo vomitivo y nos devuelve a la triste realidad. Hace unos días, por ejemplo, apareció un enfermito en el Twitter (la red social de moda) y, entre otras gracias, nos amenazó a varias mujeres con violarnos salvajemente. Suena terrorífico, ¿no? Pues lo es. A modo de experimento y de queja por las agresiones, escribí esta frase en mi cuenta que puede ser vista por más de 17 mil personas: “La peor desigualdad entre los hombres y las mujeres es que nosotras vivimos con miedo: con miedo a que nos violen en el taxi, a que nos acosen, a que nos peguen… Miedo a que no nos alcance la fuerza para defendernos”.

Y las respuestas, como se imaginarán, fueron de lo más diversas. Obviamente, la gran mayoría de mujeres se sintió identificada y contó alguna experiencia traumática. Pero no pocos hombres se pusieron a la defensiva y negaron el problema, con respuestas indignantes o que denotaban una absoluta ignorancia de lo que realmente ocurre. @Carlos_Zafra, por ejemplo, me escribió: “Mayor miedo es que nadie te quiera violar”. El solícito @renatomast me lanzó la siguiente perla: “Quién te ha metido la mano, preciosa”. Al reflexivo @Deiver20 le dio por regañarme: “Totalmente exagerado, yo no soy machista, las cosas malas nos pasan por igual a los hombres y mujeres”. @MauricioRozasV se puso poético: “El ser humano siempre está inconforme. Si guapas… que las acosan mucho. Si no-guapas… que nadie las mira”; y a @pericosSAP se le salió una típica vulgaridad de macho: “Lo único que me da miedo es dejar a una mujer con ganas. Me pone los cuernos. Debo acabar después de Ella”.

Y esto es solo una muestra. Más allá de la falta de creatividad y de la pobreza de respuestas, creo que el punto está claro: muchos hombres en el Perú son incapaces de siquiera ver el problema. Para ellos, aquí no pasa nada, nos tildan de paranoicas, de locas histéricas, mientras van pensando el nuevo piropo vulgar con el que harán sonrojarse a esa mamita rica que se asoma por la esquina.

lamula.com

16/09/2011 - 12:45h LA ENTREVISTA. AÍDA GARCÍA NARANJO MINISTRA DE LA MUJER Y DESARROLLO SOCIAL DEL PERÚ

“Voy a recuperar la rectoría del Ministerio de la Mujer”

Disminuir las brechas salariales que existen entre hombres y mujeres, y erradicar el analfabetismo femenino son dos metas fundamentales que se ha trazado la Ministra de la Mujer y Desarrollo Social

Por: Iana Málaga – EL COMERCIO

Viernes 16 de Setiembre del 2011

Esta semana Aída García Naranjo asiste a la cumbre Diálogo de Políticas de Alto Nivel sobre Mujeres y la Economía en el APEC, que por estos días se desarrolla en San Francisco, Estados Unidos. Allí expondrá temas fundamentales sobre acceso a créditos y mercados, desarrollo de capacidades y liderazgo femenino. Todo indica que la flamante nueva ministra de la Mujer aplicará políticas muy claras a la hora de cerrar las brechas de género que existen en el Perú.

Hace unos días el cardenal Juan Luis Cipriani le llamó la atención por proponer la elaboración de un protocolo que legalice el aborto terapéutico. ¿Cuál es su respuesta?
No tengo el más mínimo interés de confrontarme con la Iglesia Católica. Soy muy respetuosa de esta institución y me he pronunciado claramente en contra del aborto. Pero hay una ley promulgada en 1924 que no penaliza el aborto terapéutico, práctica ya se realiza en algunos hospitales y los médicos buscan que se generalice.

¿En qué casos se aplica el aborto terapéutico?
Esos son detalles que más bien deben responder los médicos especialistas, pero se aplica en los casos donde la madre corre el riesgo de perder la vida y hay graves malformaciones en el niño que no tienen solución.

¿Y cuál es su posición respecto a las políticas de Planificación Familia?
Estoy a favor de los métodos de planificación familiar utilizados de forma voluntaria e informada. Estoy a favor de la educación sexual en los colegios y el ejercicio de los derechos sexuales y reproductivos de las personas.

¿Cuál es la agenda prioritaria de su cartera?
Buscamos recuperar la rectoría del Ministerio de la Mujer a la hora de aplicar políticas que busquen la equidad de género. Para ello se requiere trabajar de forma transversal con todos los ministerios para promover el adelanto de la mujer, un sujeto que históricamente ha sido vulnerado. Mi meta es reducir las brechas de inequidad que todavía existen en el país.

¿Hemos avanzado?
Muchísimo. El historiador Jorge Basadre señaló que al inicio del siglo XX se educaban 1.000 mujeres en el Perú. Hoy se educan 8,5 millones de personas de las cuales 4,3 son mujeres. Y en la universidad se gradúan más mujeres que varones y con los mejores puestos. Sin embargo, de cada cuatro analfabetos que hay en el Perú, tres son mujeres.

¿Qué plantea para mejorar la educación de las mujeres?
Trabajar de la mano con el Ministerio de Educación al crear una red de educación rural llamada Florecer, que buscará erradicar el analfabetismo femenino y evitar la deserción escolar de las niñas rurales y amazónicas. De los S/.2.195 millones que se han asignado a los programas en logros de aprendizaje, se debe invertir más en la niña, pues en este grupo hay más deserción escolar y analfabetismo.

¿Y que planes trabajará con el Ministerio de Trabajo?
Si este gobierno busca generar 500 mil nuevos empleos, personalmente tengo que velar por que más mujeres consigan trabajo y achicar las brechas salariales de género. Por ejemplo, a las mujeres se les paga entre S/.8 y S/.9 menos que a los hombres por jornal en la agroindustria. Y la tasa de desempleo femenino es 50% más alta que el masculino.

¿Cómo va a mejorar la gestión de los programas sociales del Mimdes?
Con más servicios sociales y menos burocracia. Hoy el presupuesto del Mimdes asciende a S/.222 millones, lo que implica un incremento de S/.18,5 millones respecto al año anterior. De esa partida se han incrementado S/.9 millones para el Programa Integral Nacional para el Bienestar Familiar (Inabif), con el fin de atender a los niños, adultos mayores y las mujeres que han sido violentadas. También buscamos mejorar la atención de las personas con discapacidad.

Este gobierno ha planteado acabar con la desnutrición crónica, pero es una meta muy ambiciosa teniendo en cuenta que hoy existe 16% de desnutrición en el país.
No se ha planteado erradicarla. La ruta es disminuir la desnutrición hasta llegar a 6%. Para eso se tienen que fusionar todos los programas de atención alimentaria dirigidos a la primera infancia y que los beneficiarios reciban raciones con un mínimo de componentes nutricionales.

¿Qué hará su sector para atacar el grave problema de tuberculosis que en el Perú?
Actualmente existen 30 mil personas con tuberculosis cuando ese era un mal que casi se había erradicado en el país. Pero la pobreza, el hambre y la falta de atención durante el gobierno de Alan García hicieron que el problema recrudezca. Nuestro objetivo es priorizar el programa Pantbc que forma parte del Pronaa y le dará atención a las personas que sufren de tuberculosis con raciones especiales de alimentos. No basta con una pastilla para erradicar el mal. Se requiere una estrategia integral que pasa por mejorar la calidad de los alimentos y dar atención en salud acorde a los derechos de las personas.

EL PERFIL
Nombre: Aída García Naranjo.
Cargo: Ministra de la Mujer.
Estudios: Educadora graduada en la Pontificia Universidad Católica del Perú (PUCP). Diplomada en Migraciones y Relaciones Internacionales. Maestría en Ciencias Políticas y Gobierno en la PUCP.

04/07/2011 - 11:49h Denúncias de violência doméstica já crescem em toda a capital paulista


Mapeamento inédito revela explosão de registros com o avanço de serviços especializados; em 1 ano, vara pulou de 49 para 2.522 casos

Valéria França – O Estado de S.Paulo

Com base nas estatísticas de 11 fóruns regionais, uma pesquisa inédita mapeou pela primeira vez os índices de violência doméstica contra a mulher em São Paulo. A pesquisa encomendada pela juíza assessora da presidência da Seção Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo Maria Domitila Domingos mostra que este é um problema comum a todas as áreas da cidade – e não só às regiões mais carentes.

“O estudo reforça a necessidade de um trabalho mais especializado”, diz Maria Domitila. Desde que a Lei Maria da Penha foi aprovada, em 2006, a Justiça ganhou instrumentos legais para combater esse tipo de crime. Muitos casos, no entanto, não chegam ao tribunal. Bem antes disso, ainda na delegacia, caem na vala comum dos crimes, e não raro são encarados como uma “briguinha de marido e mulher”. “É um crime que acontece dentro de quatro paredes e acaba sendo banalizado pela sociedade”, diz a promotora Maria Gabriela Manssur. “Identificá-lo com rapidez pode significar salvar uma vida.”

A preocupação da Justiça é evitar casos como o de Eliza Samudio, que em outubro de 2009 fez um boletim de ocorrência denunciando ter sido agredida e forçada a tomar remédios abortivos pelo então amante, o goleiro Bruno. Nenhuma medida legal foi tomada. Acusado de matar a jovem, Bruno foi condenado a 4,5 anos de prisão por lesão corporal, cárcere privado e constrangimento ilegal em dezembro do ano passado.

Especialização. “Os números reais da violência contra a mulher são superiores ao volume que chega à Justiça”, diz Maria Gabriela. Há dois anos, no Fórum da Barra Funda, foi criada a primeira vara especializada, o Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. “Na época, questionava-se se haveria demanda que justificasse seu funcionamento”, lembra a desembargadora Angélica de Maria de Almeida Mello, do Tribunal de Justiça de São Paulo. “Bastou criar um sistema especializado para as denúncias surgirem.”

Quando o serviço abriu as portas eram 49 casos. A vara fechou 2010 com 2.522 inquéritos e processos em andamento. Não por outra razão, o Fórum da Barra Funda aparece no mapa da violência como o campeão em volume de processos e inquéritos, seguido pelo Fórum de Santo Amaro, com 1.595, e Itaquera, 1.385.

Isso não quer dizer que a região do Fórum da Barra Funda seja a com maior número de vítimas, mas sim onde elas encontram recursos mais ágeis e específicos para seguirem com suas denúncias. Ali foi montada uma equipe multidisciplinar, com uma psicóloga e uma assistente social, responsáveis por analisar o caso e encaminhar a vítima e o agressor, quando necessário, para ONGs e serviços públicos, como grupos de dependentes químicos e alcoólicos anônimos, entre outros. A vítima tem facilidades como o direito a um defensor público – e não apenas o réu. Além disso, a vara concentra os casos da região e de toda capital, quando graves, cujas vítimas correm risco de morte.

Há muitas mulheres que desistem da denúncia. Dependência econômica, pressão do companheiro, filhos e o envolvimento emocional pesam na hora de se defenderem na Justiça. “Não é um crime comum. O agressor é alguém íntimo da vítima”, diz Maria Gabriela. No Fórum de Santo Amaro, apenas 30% dos inquéritos viram processos.

“Esse dado nem sempre avalia agilidade e êxito da Justiça”, diz Aparecida Angélica Correia, juíza da 1.ª Vara Criminal do Juizado da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher do Fórum Regional de Pinheiros.

Respeito. “As mulheres querem ser respeitadas. Elas chegam esperando uma ação rápida e eficaz da Justiça, mas nem sempre o processo é o melhor caminho, ao contrário, pode levar à perda do emprego do agressor, considerado muitas vezes bom pai, e piorar o drama familiar.”

A juíza tenta resolver a situação com acordos provisórios. “Muitas brigas são motivada pela separação dos bens”, conta. Depois do acordo firmado, ela continua controlando o desenrolar do caso para ver se medidas mais duras serão necessárias.

“Estamos vivendo uma mudança de mentalidade”, diz o juiz Sergio Hideo Okobayashi. “Hoje, nos BOs já existe espaço especial para a Lei Maria da Penha. Mas o machismo é grande.”

31/05/2011 - 10:55h Perú: ’A Keiko no le interesa el dolor’

Testimonio. Habla Victoria Vigo, una de las miles de mujeres afectadas por las esterilizaciones. El médico que esterilizó a Victoria Vigo le dijo que había cumplido órdenes de sus superiores de aplicar la política de planificación familiar de Fujimori.

María Elena Hidalgo – LA REPUBLICA

“Yo he sido esterilizada en 1996, durante el gobierno de Alberto Fujimori. No es verdad que el caso se ha terminado. El Estado peruano se ha comprometido a investigar y a sancionar a los responsables. Y eso todavía no ocurre”, expresó Victoria Vigo, una de las víctimas del programa de planificación familiar compulsivo que aplicó el régimen de Fujimori para supuestamente reducir la pobreza.

Durante el debate presidencial, la candidata Keiko Fujimori afirmó que el caso de las esterilizaciones, a las que fueron sometidas 314 mil mujeres, en particular andinas, campesinas y analfabetas, fue archivado por la fiscalía y defendió a los miembros de su equipo técnico, los ex ministros de Salud Alejandro Aguinaga y Marino Costa.

Lo que no dijo es que el Estado peruano se comprometió en el 2003 con la Corte Interamericana de Derechos Humanos a investigar y castigar a los autores del programa fujimorista de planificación familiar. En el 2009, el fiscal Jaime Schwartz archivó 2 mil 064 denuncias de esterilizaciones forzadas con el argumento de la supuesta prescripción de los delitos. La Corte de San José ha instado al Perú para que cumpla con su compromiso de judicializar el caso. En la práctica, las esterilizaciones masivas, que inutilizó de por vida a miles de mujeres, es un crimen impune.

“Lo que Keiko Fujimori demuestra con lo que dijo en el debate es que no le interesa el tema. No le interesa el dolor de las mujeres afectadas por las esterilizaciones. Ella ha dicho que los responsables son los médicos que se equivocaron y no el gobierno. ¿Pero acaso más de dos mil médicos pueden equivocarse? Imposible”, expresó Victoria Vigo.

En 1996, después de dar a luz y de perder a su recién nacido, el médico que atendía a Vigo, Nicolás Angulo Silva, aprovechó para ligarle las trompas sin su consentimiento. Días después, un técnico le confió que había sido esterilizada y desde entonces lucha para conseguir la condena del médico que la perjudicó.

“Durante su defensa, el doctor Nicolás Angulo dijo que lo hizo obedeciendo las órdenes de sus superiores, que era parte de la política de planificación familiar”, anotó.

“Lo que ha dicho Keiko Fujimori es repetir el argumento del ex ministro Alejandro Aguinaga. Está desinformada o sabe lo que pasó y miente”, explicó Victoria Vigo: “Mi dignidad fue arrebatada por el gobierno de Fujimori. Ella debe saber que las mujeres esterilizadas somos tratadas como inútiles por no poder tener hijos”.

Respecto a Alejandro Aguinaga y Marino Costa, integrantes del equipo de campaña de Fuerza 2011, Victoria Vigo usó expresiones duras: “Son personas inescrupulosas. No tienen ética para ser médicos porque autorizaron esterilizaciones contra la voluntad de las mujeres y ahora pretenden regresar con el gobierno de Keiko Fujimori”.

Victoria Vigo es vocera de las mujeres afectadas por las esterilizaciones ante la Comisión Interamericana de Derechos Humanos (CIDH), instancia ante la que ha ratificado su demoledor testimonio: “Las esterilizaciones masivas del fujimorismo son un crimen impune”, ha dicho.

Para recordar

Rafael Rey. El 10 de setiembre de 1995, el congresista Rafael Rey pidió al entonces presidente Alberto Fujimori y al ministro Eduardo Yong Motta que se sometan a una vasectomía, para demostrar que la operación era sencilla y reversible. “Lo que hay detrás de todo esto es un engaño. Es truco viejo, se está mintiendo al pueblo. No hay derecho a mutilar a una persona sin que lo sepa”, subrayó Rey. Sin embargo, ahora minimizó las esterilizaciones olvidando que en esa época Keiko era primera dama de la nación.

Hay 2,064 denuncias

1]”El caso de las esterilizaciones forzadas no está cerrado. El 2003 el Estado peruano se comprometió a investigar y tomar todas las medidas para que las víctimas tengan justicia y eso no se ha conseguido hasta ahora”, afirmó la abogada Marisabel Sedano, de la organización Demus.

“En el 2010, el Estado peruano informó ante la CIDH que el caso terminó, pero el organismo rechazó el informe. Es imposible archivar 2,064 denuncias”, anotó.

El presidente de la Asociación Nacional de Médicos del Ministerio de Salud (Minsa), Jesús Bonilla Yaranga, aclaró a Keiko Fujimori que los responsables de las esterilizaciones no son los médicos, sino los ex ministros Alejandro Aguinaga, Marino Costa Bauer y Eduardo Yong Motta.

01/05/2011 - 16:28h O drama da violência doméstica

A triste realidade retratada pelo filme ‘Amor?’, que aborda limites entre amor e agressão

Cristiana Vieira e Rosângela Rezende – O Estado de S.Paulo

“Eu achava normal quando era um beliscão. Depois, quando começou a puxar meu cabelo, pensei: ‘Se eu casar com ele, me mata’.” Aos 14 anos, Cláudia (o nome é fictício) começara a namorar um rapaz mais velho, extremamente ciumento. Um dia, quando a viu conversando com um surfista na praia, o namorado agarrou sua cabeça e a enfiou na água, num “caldo” de intermináveis segundos, enquanto ela esperneava, submersa, acreditando que ia morrer.

Vítima de violência do pai desde a infância, Cláudia ficava impotente diante das agressões e tendia a acreditar que “faziam parte do amor”. “O fato é que o meu pai me batia, então, até que ponto eu poderia interpretar um tapa, um aperto forte no braço, um beliscão, um puxão de cabelo como um “não gostar”?”, questiona.

O primeiro ato de libertação ocorreu aos 18 anos, quando já desenvolvida fisicamente, respondeu aos insultos do pai e o agrediu. O segundo, anos depois, quando, ao bater no filho de 3 anos, percebeu que estava repetindo o ciclo trágico de sua família também levado adiante por seu irmão – que espancava mulher e filhos. “Prometi neste dia que nunca mais bateria e que só o colocaria de castigo”, lembra-se. No entanto, ainda hoje, uma pergunta a atormenta: “Qual a fronteira entre amar uma pessoa e querer matá-la?”

O caso acima é uma das oito histórias verídicas envolvendo amor e violência relatadas no filme Amor?, do cineasta João Jardim, em cartaz em São Paulo. O filme lança luz sobre o tema da violência doméstica, especialmente contra a mulher, uma realidade presente em milhões de lares brasileiros e considerada uma preocupação para 56% das mulheres brasileiras, segundo pesquisa do Ibope e do Instituto Avon, realizada em 2009.

Dependência – Calcula-se que, no País, metade das mulheres agredidas sofra sem pedir ajuda. Os agressores são maridos, companheiros ou ex-companheiros. Entre as que não denunciam, as razões são: dependência financeira (24%), medo de serem mortas caso rompam a relação (17%) ou vergonha de admitir a agressão (8%).

Com base na experiência de 20 anos à frente da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher, em São Paulo, a delegada Celi Paulino Carlota identificou uma trajetória comum entre os casos que chegam à polícia. A primeira fase da violência é falar alto e perder o respeito. Depois vêm as ofensas morais e o empurrão. Daí, para o pior. Muitos agressores se arrependem, prometem mudar, dão presentes e, assim, convencem a mulher de que tudo ficará bem. Ledo engano. O ciclo se repete e a violência volta com mais intensidade. “O erro é dar mais uma oportunidade, mas a ameaça pode ser concretizada e isso pode levar à morte”, avalia a delegada.

Legislação – Graças à Lei Maria da Penha (leia texto ao lado), a violência doméstica contra a mulher deixou de ser um crime de menor poder ofensivo. E, com a maior divulgação do tema, as denúncias estão crescendo. Houve aumento de 123% no número de queixas à Central de Atendimento a Mulher – Ligue 180, da Secretaria de Política para as Mulheres (SPM), na comparação entre 2009 e 2010.

Além de penas mais rigorosas, houve ganhos de agilidade. O processo, que antes passava por dois juízes, atualmente é resolvido por um só. “A delegacia tem 48 horas para enviar o processo para o juizado e, este, 48 horas para responder. O mesmo juiz que vai julgar a lesão também vai afastar o agressor do lar”, explica a delegada Celi. A lei prevê a saída do agressor de casa, proteção dos filhos, distância mínima
entre eles e, em casos extremos, abrigo para a mulher.

Não bastasse todo o trauma, a violência doméstica também tem um custo social. Segundo dados do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, um em cada cinco dias de falta ao trabalho no mundo é causado pela violência sofrida pelas mulheres dentro de suas casas. A instituição estima que o custo total da violência doméstica varia de 1,6% a 2% do PIB de um país.

Passado um ano do seu segundo casamento, o músico carioca Walter (nome fictício), de 51 anos, foi parar na delegacia por agredir seriamente sua mulher. Como trabalham juntos, as pessoas mais próximas ficaram sabendo. Na delegacia, reparou num cartaz anunciando o Noos – uma ONG que trabalha para a prevenção e interrupção da violência intrafamiliar e de gênero, entre outras coisas -, e foi procurá-los. Hoje, diz que aprendeu a controlar a pressão. “Aprendi a me proteger das emoções externas, a não chegar mais àquele estado.”

Para além das estatísticas, é difícil enxergar a presença de razão nos relatos de violência. “Impressionante como se chega ao ponto em que matar ou não matar depende de um segundo, literalmente de uma fagulha, um barulho qualquer que desvie a atenção, tire a concentração, afaste a pessoa da vertigem”, afirma a jornalista Renée Castelo Branco, responsável pela coleta e análise de mais de 60 depoimentos para o filme Amor? em delegacias de polícia, juizados e organizações de proteção e apoio, tanto a mulheres vítimas de agressão quanto a homens agressores.

Após a experiência de ouvir tantos relatos, Renée não afirma categoricamente que amor e violência são indissociáveis, mas acredita que praticamente todas as relações de amor resvalam, em algum momento, para algum tipo de violência. “Basta olhar em volta e ver como as pessoas se comportam, com relação aos filhos, aos namorados e namoradas, aos pais.”

Ninguém precisa esperar ser espancada para procurar a delegacia. A ajuda pode começar a partir daquela briga em que a agressão, mesmo no âmbito verbal, passa dos limites, podendo ser enquadrada como violência psicológica. É a partir desse ponto que se deve procurar ajuda psicológica e social numa ONG especializada ou no Juizado Especial de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher.

Unidades de apoio – Há também serviços que funcionam em hospitais e universidades e que oferecem atendimento médico, assistência psicossocial e até orientação jurídica. Outro caminho são as Defensorias Públicas e Juizados Especiais, nos Conselhos Estaduais dos Direitos das Mulheres e em organizações de mulheres. E se achar que a própria vida ou a dos filhos e familiares está em risco, a vítima pode ter ajuda de casas-abrigo, que são moradias em local secreto em que fica afastada do agressor.

O exemplo de Maria da Penha

A farmacêutica cearense que deu nome à Lei Maria da Penha e voz a tantas mulheres sofreu uma série de violências. Um dia, acordou com um tiro nas costas que a condenou a viver numa cadeira de rodas. Maria da Penha lutou durante 19 anos e 5 meses, mas só quando faltavam seis meses para o crime prescrever é que o agressor foi julgado. Isso porque ela buscou ajuda em órgãos internacionais. Ele foi condenado, mas saiu do fórum em liberdade. Ela escreveu o livro Sobrevivi e Posso Contar, de 1994, em que relatou o processo e as histórias de agressões que ela e as filha sofreram.

O julgamento foi anulado. No segundo, em 1996, ele voltou a ser condenado e, mais uma vez, saiu em liberdade. Duas ONGs internacionais denunciaram o Brasil no Comitê Interamericano dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos. Condenado, o País foi obrigado a mudar as leis para que os autores de violência contra suas mulheres fossem punidos.

Fim do silêncio

Uma campanha para quebrar o silêncio, informando a sociedade sobre a dimensão e a gravidade do problema no Brasil. Com esse objetivo, o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) criou a Campanha Bem Querer Mulher. A ideia é financiar projetos de prevenção e apoio à mulher vítima de violência física, sexual e moral. Em março, um leilão beneficente de obras de arte ajudou a arrecadar fundos para a causa.

SERVIÇO:

SECRETARIA DE POLÍTICAS PARA MULHERES: 180

1ª. DELEGACIA DE DEFESA DA MULHER: 3241-3328

CENTRO MARIA MIGUEL PARA O ATENDIMENTO À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA: 6581-3135

CENTRO DE REFERÊNCIA ÀS VÍTIMAS

DE VIOLÊNCIA: 3866-2756

CRAVI – CENTRO DE REF. E APOIO À VÍTIMA: 3666-7778

INSTITUTO NOOS: (21) 2197-1500 – WWW.NOOS.ORG.BR

24/04/2011 - 11:59h Só para mulheres

O sujeito de direito sob proteção da Lei Maria da Penha é a mulher, diz autora, discordando da abrangência para homossexuais homens

Debora Diniz – O Estado de S.Paulo

A Lei Maria da Penha é clara: protege mulheres em situação de violência familiar e doméstica. Não há ambiguidade em seus conceitos – os agressores são homens e as ofendidas são mulheres. Há uma única exceção ao sexo dos agressores, um parágrafo revolucionário para a moral heterossexista brasileira em que se lê: “As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual”. Ou seja, as ofendidas são sempre mulheres, embora possa haver agressoras, em casos de relações homossexuais entre duas mulheres. A abertura da lei é ainda mais direta ao enunciar seus objetivos, criar “mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher”. A lei descreve e especifica esses novos dispositivos de proteção à mulher – uma rede robusta entre polícia, saúde, Justiça e assistência que permitirá às mulheres enfrentar diferentes regimes de violência familiar e doméstica.

Há quem considere que a Lei Maria da Penha ofenda a isonomia constitucional entre homens e mulheres. O princípio constitucional de não discriminação entre os sexos seria o fundamento de uma leitura ampliada da lei, garantindo aos homens os mesmos dispositivos de proteção oferecidos às mulheres. A conclusão, segundo alguns juízes, é que somente uma lei neutra em gênero seria correta para nosso ordenamento jurídico. Por isso, homens ofendidos em relações heterossexuais ou homossexuais deveriam também ser incluídos na proteção da lei. Em vez de falar em ofendidas e agressores, a Lei Maria da Penha teria que ignorar sua gênese histórica e política como ação afirmativa de proteção às mulheres e sair à procura de uma linguagem universal em gênero para proteger milhares de mulheres e uns poucos homens que sofrem violência doméstica e familiar. Tais juízes esquecem que nosso ordenamento jurídico é patriarcal em sua gênese, neutro em sua linguagem e universal em sua potência. A Lei Maria da Penha é uma exceção.

Essa interpretação universalista e sem sexo é injusta para as mulheres. Ela modifica o espírito da lei – de um documento para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, passa a ser uma peça para coibi-la contra qualquer pessoa. A neutralidade sexual da vítima negligencia o fenômeno sociológico persistente de violência contra a mulher e enfraquece o espírito da lei de promoção da igualdade sexual. A lei não confunde violência contra a mulher com violência de gênero: o sujeito de direito a ser protegido é claro e resiste a hermenêuticas mais criativas que comparariam os fora da lei heterossexista, isto é, homens homossexuais, às mulheres. A personagem vulnerável, sem qualquer ruído pós-moderno sobre como defini-la, é a mulher. Os homens não foram esquecidos por nosso ordenamento jurídico e democrático. Juízes solidários aos homens ofendidos podem instituir medidas protetivas às vítimas, sem para isso precisar reclamar o princípio da isonomia entre homens e mulheres em um fenômeno marcadamente desigual na sociedade brasileira.

A Lei Maria da Penha foi idealizada para proteger as mulheres que sofrem violência na casa, na família e nas relações interpessoais. Seus agressores são maridos, namorados, pais, padrastos, uma rede de homens que as silencia para a denúncia e a fuga da relação violenta. A lei está inscrita em uma ordem patriarcal de opressão às mulheres, em que os corpos femininos são docilizados pela potência física e sexual dos homens. Para abarcar esse caráter estrutural da opressão sexual em que elas vivem, a lei tipifica cinco expressões da violência – física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, um conjunto de domínios da vida em que as mulheres se veem controladas por homens que as oprimem. Como em todos os fenômenos sociológicos, é possível que alguns homens vivam sob regime de violência, mas a lei não se refere a eles, e sim a homens agressores e mulheres ofendidas. Desconheço histórias de homens vítimas de violência que requereram medidas protetivas de casa-abrigo, transferência do trabalho, inclusão na assistência social, guarda dos filhos, profilaxia de emergência contra DSTs ou aborto legal. Essas são particularidades do corpo e da existência das mulheres previstas na lei.

O principal risco da leitura universalista e sem sexo da Lei Maria da Penha é o enfraquecimento político do fenômeno sociológico que motivou sua criação. O enquadramento da lei são os domínios da vida típicos das mulheres em um regime heterossexual de família – o cuidado com os filhos, a dependência econômica dos homens, o domicílio compartilhado com o agressor. Em nome da igualdade sexual entre homens e mulheres, não tenho dúvida de que juízes sensibilizados por homens vítimas de violência serão capazes de encontrar fundamentação jurídica em outros documentos para protegê-los da violência familiar e doméstica. Esse é um pedido de respeito e de cuidado à história de milhares de mulheres como Maria da Penha Maia Fernandes, que esperou quase 20 anos para que seu agressor fosse preso por deixá-la paraplégica. A Lei Maria da Penha rompeu com o silêncio estrutural de que a violência doméstica e familiar não era problema de Justiça – neutralizar o sexo das ofendidas é falsamente universalizar uma prática que se inscreve majoritariamente nos corpos das mulheres, ameaçando sua dignidade e sua vida.

DEBORA DINIZ É PROFESSORA DA UNB E PESQUISADORA DA ANIS: INSTITUTO DE BIOÉTICA, DIREITOS HUMANOS E GÊNERO

17/04/2011 - 09:41h Mulheres na política

Dora Kramer – O Estado de S.Paulo

Uma das perguntas que mais se fazem a uma mulher que tem a política como instrumento de trabalho é a razão pela qual o público feminino não está representado no Congresso, nas Assembleias Legislativas e nas direções partidárias na proporção adequada à força quantitativa de seu voto.

Escolher um motivo e a partir dele tentar desvendar essa questão é impossível, dada a gama de causas objetivas e subjetivas envolvidas. Mas uma coisa é certa: a desproporção indica que há correções de rumo a serem feitas, e urgentemente, sob pena de a democracia brasileira perpetuar uma deformação que põe em xeque a própria legitimidade da representação.

O público feminino hoje no Brasil representa 52% do eleitorado. No entanto, as deputadas são 9% da Câmara, as senadoras 15% e as deputadas estaduais em média têm presença de 12% nas Assembleias Legislativas.

Nesse ritmo, pesquisa do demógrafo José Eustáquio Diniz garimpada pela senadora do PT do Paraná, Gleisi Hoffmann, indica que as mulheres brasileiras levariam 207 anos para alcançar, nos Legislativos, condição de igualdade já obtida em vários setores.

Gleisi é a favor do sistema de cotas para mulheres nos partidos, mas não como vem sendo aplicado, na forma de reserva de vagas para registro de candidaturas. Na opinião dela, o modelo ideal é o que consta na proposta de reforma política a ser examinada pelo Senado: cotas nas cadeiras a serem ocupadas, 50% para homens, 50% para mulheres.

Quanto às razões da baixa participação e representação das mulheres na política, a senadora aposta num conjunto de fatores: resistência dos homens em dividir o poder, um acentuado grau de misoginia (aversão às mulheres) dos políticos quando se trata de compartilhar a profissão, discriminação histórica, imposição de obstáculos que impedem as mulheres de adquirir prática e com isso melhorar o desempenho.

“As regras não são iguais, por isso as cotas me parecem o caminho mais adequado”, diz, baseada na experiência do PT, onde a presença feminina na base era ampla, mas ínfima no diretório nacional. O cenário mudou e hoje os 30% de vagas reservadas às mulheres estão ocupados.

Além de adequação da representação à proporção do eleitorado, Gleisi Hoffmann aponta um dado essencial para que se abra o caminho da paridade: “Questões essenciais para mais da metade da população estão sendo decididas pela parte minoritária”.

Precedentes. Todo mundo se lembra do deputado “motosserra” Hildebrando Pascoal. Menos gente, mas certamente muitos se lembram do deputado Talvane Albuquerque.

Ambos foram cassados em 1999 por crimes ocorridos antes de assumirem seus mandatos. Hildebrando, por homicídios cometidos quando era coronel da Polícia Militar do Acre, e o alagoano Talvane, pela acusação de ser mandante do assassinato da deputada Ceci Cunha em dezembro de 1998, depois da eleição e antes da posse, para assumir como suplente o mandato dela.

O entendimento do Conselho de Ética da Câmara de que não se pode cassar parlamentares por atos anteriores ao mandato em curso foi obra do atual ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Em 2007, quando era deputado, usou o argumento e instituiu a “doutrina” para salvar mensaleiros descobertos em 2005 e reeleitos em 2006.

Hoje a “jurisprudência” é usada pela defesa da deputada Jaqueline Roriz, filmada recebendo R$ 50 mil do operador de um esquema de corrupção montado no governo de Brasília, quatro anos antes de obter mandato federal.

O senador Aloysio Nunes Ferreira lembra-se bem, pois era deputado quando do julgamento dos casos de Hildebrando Pascoal e Talvane Albuquerque, atuando em um deles como relator e no outro como integrante da Comissão de Constituição e Justiça.

“O decoro é atemporal e se a Câmara concluir que um de seus integrantes é indigno de compor o colegiado por ações presentes ou passadas tem o dever de excluí-lo”, diz Aloísio.

Para isso, contudo, é preciso que o Poder Legislativo considere que ainda tenha alguma reputação a zelar.

28/03/2011 - 08:23h Programa federal para gestantes terá R$ 9 bi até 2014

Agência Brasil – VALOR
de Brasília

O programa Rede Cegonha, que será lançado hoje pela presidente Dilma Rousseff, em Belo Horizonte, prevê investimentos de R$ 9,4 bilhões do orçamento do Ministério da Saúde até 2014. Os recursos, de acordo com o ministério, serão aplicados na construção de uma rede de cuidados para a mulher e para as crianças de até dois anos.

O programa é uma promessa de campanha da presidente e tem foco na gestão de saúde, mais que a criação de novas unidades. Os investimentos, de acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, vão atingir toda a rede que começa pela unidade básica de saúde, passa pelos exames do pré-natal, pelo transporte seguro, até o parto nos leitos maternos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para criar a rede, o governo informou que investirá recursos na criação de estruturas de assistência e acompanhamento das mulheres e reforço na rede hospitalar convencional. Outras estruturas previstas no programa são as Casas da Gestante e do Bebê e os Centros de Parto Normal, que funcionarão junto com a maternidade. O objetivo é “humanizar o nascimento”.

Uma das medidas do programa será a de oferecer nos postos de saúde testes rápidos de gravidez. Confirmado o resultado positivo, a gestantes deverá se submeter a, no mínimo, seis consultas durante o pré-natal, além de exames clínicos e laboratoriais. Entre os exames a serem exigidos pelo Ministério da Saúde estão o de HIV e sífilis. De acordo com o Ministério da Saúde, a Rede Cegonha também prevê a qualificação de profissionais de saúde para dar assistência adequada às gestantes e aos bebês.

A meta, de acordo com o Ministério da Saúde, é levar a Rede Cegonha para todo o Brasil, mas o governo quer iniciar o atendimento pelo Nordeste, Amazônia Legal e nove regiões metropolitanas onde há a maior concentração de gestantes. As primeiras cidades a receber programa serão: Manaus, Recife, Distrito Federal, Belo Horizonte, Rio, Campinas, Curitiba, Porto Alegre e São Paulo. O programa terá atuação integrada com as demais iniciativas para a saúde da mulher no SUS, com foco nas cerca de 61 milhões de brasileiras em idade fértil.

24/03/2011 - 17:00h As lágrimas femininas

Fernando Reinach – O Estado de S.Paulo

Choro e lágrimas chegam juntas, sinalizam emoções fortes, geralmente tristeza. Animais sociais usam muitos métodos para informar seu estado mental a outros membros do grupo. Expressões faciais (um sorriso), ruídos (gritos e uivos), cheiros (como o de um gambá irritado) ou mesmo hormônios, como os secretados pelos insetos, são alguns exemplos. O surgimento da linguagem falada tornou menos importante esses meios de comunicação, mas nem por isso deixamos de sorrir, gritar e gesticular. As crianças, muito antes de aprenderem a falar, já possuem uma enorme e eficiente capacidade de se comunicar.

Foi Darwin quem sugeriu que esses métodos de comunicação surgiram antes da linguagem falada. Quando observamos a mímica de um macaco quase acreditamos saber o que se passa na sua mente. Darwin também sugeriu que antes dos animais desenvolverem cérebros sofisticados, capazes de interpretar sinais visuais e auditivos complexos, a comunicação entre animais sociais já deveria ocorrer por meio de substâncias químicas capazes de modificar o comportamento do animal que recebe o sinal. Feromônios capazes de modificar o comportamento sexual dos parceiros são comuns entre insetos e é o cheiro da fêmea no cio que atrai os cachorros machos.

Mas e as lágrimas, para que serviriam? Para sinalizar tristeza não bastaria uma mudança de expressão? A grande maioria dos mamíferos não produz lágrimas e sabemos que as produzidas para lubrificar o globo ocular têm uma composição diferente das que escorrem pela face quando a emoção é forte. Agora um grupo de cientistas resolveu investigar se as lágrimas não conteriam algum composto químico capaz de modificar o comportamento humano. Se você está com preguiça de ler o resto, a resposta é sim.

Um grupo de mulheres voluntárias concordou em assistir a filmes tristes. As lágrimas que rolaram pelas faces foram coletadas. Se o filme for bem escolhido, cada mulher é capaz de produzir um mililitro de lágrimas. O primeiro experimento tinha o objetivo de determinar se nosso olfato era capaz de distinguir o cheiro das lágrimas do cheiro de uma solução contendo somente sais minerais (salina). Vinte e quatro homens concordaram que fosse fixado no seu lábio superior, logo abaixo das narinas, um pequeno pedaço de papel que podia ser molhado com lágrimas de mulheres tristes ou com salina. Desse modo, eles poderiam absorver por via nasal qualquer molécula volátil que existisse nas lágrimas. Foi descoberto que somos incapazes de identificar se o que foi colocado no papel é uma gota de lágrima ou uma gota de salina. Assim, os voluntários não sabiam o que estavam recebendo quando foram submetidos a outros experimentos.

No experimentos seguinte, os dois grupos de voluntários (um cheirando salina e o outro, lágrimas) foram colocados na frente de fotos de faces de mulheres e foi pedido a eles que avaliassem o “sex appeal” de cada face. Foi observado que os homens que estavam cheirando lágrimas davam notas mais baixas para as faces, ou seja, achavam as mulheres menos atraentes.

No teste seguinte, a capacidade dos homens de ficarem sexualmente excitados ao observar fotos foi medida diretamente por meio da passagem de uma corrente elétrica pela pele. Já se sabe que as propriedades elétricas da pele se alteram quando ficamos excitados e o que se observou é que os homens que estavam sob efeito das lágrimas ficavam menos excitados que o grupo controle. Novamente as lágrimas pareciam inibir o instinto sexual.

Em dois outros experimentos foi possível demonstrar que a simples presença das lágrimas sob a narina reduz a produção de testosterona na saliva e diminui a ativação das áreas cerebrais relacionadas à excitação sexual. Como os efeitos foram obtidos sem que os homens observassem visualmente o ato da mulher chorando e sem que soubessem o que estava sob suas narinas, esses resultados demonstram que nas lágrimas femininas existe algum componente volátil capaz de inibir o instinto sexual dos machos da nossa espécie.

Agora os cientistas planejam repetir o estudo usando lágrimas masculinas, testar o efeito da lágrimas sobre o mesmo sexo e caracterizar essa substância. Como ela só atua a uma distância muito curta, os cientistas acreditam que o efeito das lágrimas só é obtido quando abraçamos uma mulher que esteja chorando, aproximando nossas narinas da face por onde escorrem as lágrimas.

A existência desse sinal químico, que inibe o instinto sexual, provavelmente facilita a tarefa dos homens de consolar suas mulheres. Sem esse inibidor, o ato de consolar pode levar à excitação sexual, o que geralmente irrita uma mulher triste. É importante lembrar que a existência dessa molécula não significa que esse mecanismo tenha um papel importante no nosso comportamento – ele pode ser simplesmente um vestígio de um mecanismo que foi importante para nossos antepassados distantes. De qualquer forma, vai ser interessante observar como a indústria de perfumes utilizará esse composto, afinal ele parece ser um potente antiafrodisíaco.

BIÓLOGO

MAIS INFORMAÇÕES: HUMAN TEARS CONTAIN A CHEMOSIGNAL. SCIENCE VOL. 331 PAG. 226 2011
(FERNANDO@REINACH.COM)

20/03/2011 - 18:48h Porque as mulheres são malucas

Pourquoi les femmes sont folles

Agnès Giard – les 400 culs

La sexualité des femmes pose un gros problème à ceux qui les maintiennent en état de manque. Dépression, neurasthénie, troubles mentaux… Détail révélateur: les vibromasseurs ont été créés en France dans le service du professeur Charcot, à la Salpétrière où l’on enfermait les “folles de l’utérus”.

Carlos-clark

Il existe en Chine une légende ancienne relative à l’usage détourné d’un instrument de ménage : le battoir à vêtement. C’est l’histoire (rapportée dans le T’sien Han Chou) d’une femme qui attend son mari, prisonnier des Huns. A force de l’attendre, rongée par la frustration, elle se met à chercher un moyen d’exprimer son amour qui la soulage du manque… Alors, saisissant un battoir, elle tape sur le vêtement de son mari, préalablement enduit d’empois, afin de le lustrer… Chaque nuit, sur le toit de sa maison, elle frappe le vêtement de soie, en égrenant les secondes. Le son mat de ces coups traverse l’espace et propage –un millier de kilomètres plus loin– le message de tendresse jusqu’aux oreilles de l’absent. Il reconnait le bruit synonyme du foyer. Il sait que sa femme pense à lui, ce qui lui donne le courage de survivre. Pendant 19 ans, la femme, comme une aliénée, fait résonner les coups de battoir, jusqu’à ce que son mari lui revienne…

La légende est si belle qu’elle inspire les poètes. Au VIIe siècle après JC, l’empereur Yang-Ti loue ainsi l’épouse d’un ambassadeur envoyé en mission lointaine : “La nuit, en proie à la tristesse, elle ne trouve plus le sommeil. Elle s’occupe à coudre des vêtements au pied de sa lampe mourante et, sous la clarté de la lune d’automne, elle fait résonner le battoir.” Au IXe siècle, le poète Bai juyi écrit sur ce bruit de ce battoir : “Les nuits sont vraiment longues”. Au début du XVe siècle, le dramaturge japonais Zeami écrit l’histoire d’une femme qui devient hystérique à force d’attendre son époux. Au bout de trois années, pour “trouver l’apaisement”, elle se met à frapper du battoir sur le lit qui abritait leurs étreintes. Elle tape sur le vêtement de l’homme, répétant –sans le savoir– les gestes les plus symboliques du monde : ceux des silex que l’on heurte pour en faire jaillir l’étincelle, ceux du mortier et du pilon, ceux du tambour et du bâton, ceux du marteau qui imite la foudre… Elle tape, mais aucun battoir hélas ne remplacera le geste qui pourrait véritablement la soulager. Elle sombre dans la folie et meurt.

Il est toujours étonnant de voir qu’à travers les civilisations, les femmes en manque essayent de se satisfaire symboliquement, à l’aide d’ustensiles de ménage : les balais, les brosses, les battoirs, les machines à coudre, etc. Tous ces instruments auxquels la société associe la femme, elle les détourne de leur fonction primitive. Fourbissant les cuivres et frottant le cul des casseroles, certaines ménagères soulagent leurs nerfs en faisant reluire tout ce qui leur tombe sous la main. Celles que l’on appelle des “sorcières” s’envolent dans les airs, montées sur des balais comme sur des étalons imaginaires. D’autres encore font tourner la quenouille et manipulent des fuseaux pointus qui sont, dans les contes populaires, les métaphores transparentes des premières émotions sexuelles. Il y a aussi celles qui font trépider le pédalier de leur machine à coudre, comme si elles chevauchaient les “chevaux du désir”. Et puis il y a celles qui tapent, comme si elles pressentaient que le moyen le plus efficace d’accéder à la jouissance consistait à se marteler le corps, à se le faire vibrer de coups redoublés, pour entrer en résonnance avec ce sang qui bat en elles.

Au XIXe siècle, trouvant une solution technologique à ces besoins violents qui font des femmes des êtres incontrôlables, les scientifiques mettent au point des instruments permettant, officiellement, des les délivrer de leur neurasthénies, douleurs dentaires, congestions, hyperémie ou problèmes de circulation sanguine… Les publicités pour les vibromasseurs –essentiellement publiées dans les magazines de tricot- affirment que ces machines font disparaître jusqu’à la constipation. Aux Etats-Unis, “l’électrification des foyers progressa rapidement à partir de 1876, explique l’historienne Rachel P. Maines, dans une étude pionnière (Technologies de l’orgasme, éd. payot), et les femmes se révélèrent de bonnes consommatrices d’appareils électriques. Le premier appareil ménager à être électrifié fut la machine à coudre en 1889, suivie en l’espace de dix ans par le ventilateur, la bouilloire, le grille-pain et le vibromasseur. Ce dernier précéda l’aspirateur électrique  de neuf ans, le fer électrique de dix ans et la poële électrique de plus d’une décennie, ce qui reflète peut-être l’ordre des priorités des consommateurs. A ma connaissance, la première réclame pour un vibromasseur fut celle du Vibratile, parue dans McLure’s en mars 1899, qui présentait l’engin comme une cure contre “la névralgie, la migraine et les rides”.

Il peut paraître étrange que les médecins et les savants aient développé à cette époque autant d’instruments destinés à faire jouir les femmes, alors qu’ils condamnaient parallèlement les auto-attouchements et le tribadisme. Pour Rachel Maines la réponse est pourtant simple. A cette époque, la masturbation étant réprimée, cela entrainait toutes sortes de désordre : privées de jouissance, les femmes entraient en crise, déprimaient ou somatisaient. La seule sexualité envisageable était celle qui convenait aux hommes, à savoir la pénétration génitale, “finalisée dans l’éjaculation”. Hélas, insiste Rachel Maines “les femmes n’ont, en majorité, aucun orgasme résultant de l’absorption du pénis dans le vagin.” Pour contrôler le sexe dit faible, les hommes avaient donc tout intérêt à mettre en place des “thérapies”, ce qui les avantageait doublement : d’une part ils transformaient les besoins naturels des femmes en maladies, d’autre part ils leur proposaient des “traitements curatifs” destinés à “maintenir l’ordre de la domination”. Le tour était joué… ou presque. Avec l’électrification des foyers, les vibromasseurs se démocratisent, hors du contrôle des médecins, et la sexualité féminine petit à petit s’affirme. Les femmes se “soignent” seules. C’est plus économique, et surtout, plus efficace. Paradoxalement, les instruments créés pour les maintenir sous contrôle ouvrent la voie d’une certaine indépendance. Et cette indépendance n’est pas sans faire peur…

Lorsque Rachel Maines fait des conférences, elle se heurte parfois à de violentes réactions : certains membres du public se sentent personnellement attaqués, comme si l’évocation même du vibromasseur était une forme de reproche masqué. Il y a des hommes qui craignent si profondément d’être remis en cause, qu’ils gardent, en l’écoutant le masque impassible à quoi elle reconnait les angoissés : “Les hommes se partagent entre les rieurs décontractés et les songeurs au masque impénétrable, dit-elle. Autant que je puisse en juger, les premiers trouvent dans ma recherche la confirmation que les femmes sont aussi excitables qu’ils l’espéraient. Les seconds, qu’elles le sont autant qu’ils le redoutaient.” Rachel Maines a le coup de griffe vengeur. Sa recherche lui a valu, il faut quand même le souligner, son poste et sa réputation. Quand elle commence à travailler sur ce thème, dans le milieu universitaire des années 80, on estime que ses recherches sortent trop de l’académisme. Plus concrètement, on s’inquiète fort de savoir si ces vibromasseurs ne vont pas finir par devenir indispensables à leurs utilisatrices, briser les couples, créer des phénomènes d’accoutumance et fournir aux femmes une source de plaisir impossible à concurrencer. Aucune étude historique sérieuse n’avait été, jusqu’ici, consacrée à ce sujet délicat.

La plus courante des réactions à laquelle Rachel Maines doit faire face tient généralement en une phrase : “Si vous dites vrai, alors les femmes peuvent se passer des hommes !”. A quoi elle répond : “Si le problème se résume à l’orgasme, alors les hommes aussi peuvent se passer des femmes”. La sexualité, heureusement pour nous, ne se résume pas à l’orgasme et ne se réduit pas aux corpuscules de Krause, dit-elle. La sexualité n’a pas pour but unique de procurer du plaisir, ni d’assurer la reproduction. Elle est tellement plus merveilleuse que cela et, selon toute évidence, elle se fait à deux. Alors, rassurés ?

Mais, au fait, à quoi sert la sexualité ? Il y a un début de réponse ici (pourquoi l’amour c’est bien quand c’est sale). Et là (pourquoi faut-il qu’il y ait transgression en matière de fantasmes ?). Et ici aussi (Pourquoi on voit du sexe partout).

Illustration : Bob Carlos Clarck.

08/03/2011 - 17:31h Traição virtual

Em Apego, Isabel Fonseca mostra como adultério na internet põe em xeque ideais e valores femininos

Ubiratan Brasil – O Estado de S.Paulo

O mundo desaba para Jean, jornalista bem-sucedida de 46 anos, quando ela descobre que o marido Mark, publicitário de grande sucesso, troca e-mails lascivos com uma jovem identificada como “Coisinha n.º 2″. Em vez de confrontar Mark, com quem mantém um relacionamento de mais de 20 anos, ela decide continuar a troca de mensagens, assumindo a identidade dele, “Coisinha n.º 1″. É a partir dessa crise moral e de ciúme em que Jean se afunda que a escritora Isabel Fonseca constrói sua primeira obra de ficção, Apego.

Mais que uma simples trama de adultério, Isabel, que é mulher do também escritor Martin Amis, propõe questões mais profundas, como a instabilidade dos afetos na sociedade contemporânea, que leva a um doloroso autoquestionamento, capaz de colocar em xeque ideais e valores. Isabel faz pensar também sobre o envelhecimento, que vem se tornando um fardo, especialmente para as mulheres. Sobre esses assuntos, ela respondeu, por e-mail, às seguintes questões.

Escritores refletem suas inquietações nos textos. O que o incomodava quando escrevia Apego?

Concordo que a escrita tende a ser uma resposta à ansiedade – às vezes, é algo público ou sociopolítico, como foi o caso do meu livro Enterrem-me em Pé. Em Apego, há mais ansiedades pessoais relativas ao trabalho, apesar de serem definitivamente universais – por exemplo, a preocupação com a velhice, nossa e de outras pessoas, ou seja, dos nossos pais e filhos. O livro é ambientado no momento em que Jean primeiro reconhece e experimenta a vulnerabilidade de seus pais. Isso acontece a todos, à medida que o tempo passa: há uma mudança, súbita ou gradual, na forma do cuidado e os pais normalmente ficam à frente, nos guiando e apoiando, ou então se mantendo rígidos quando precisam de nós, ainda que sofrendo fragilidades físicas ou mentais. É profundamente inquietante esse desconhecido e tardio episódio da fase de crescimento a que somos obrigados a enfrentar, tão dramático como deixar precocemente a infância. De repente, nossos pais demandam uma séria atenção: o oposto da promessa de que eles são os únicos a nos protegerem. Ao mesmo tempo, o romance mostra Victoria, filha de Jean e Mark, avançando à fase adulta. E seus pais são exigidos, talvez contra a vontade deles, a fazerem um ajuste. Às vezes, comparo os membros de uma família a pessoas assistindo a um filme no cinema: elas vão para frente e para trás, dão saltos, arremessam pipocas, abraçam-se no corredor enquanto vestem seus casacos e, por fim, voltam as costas para a tela – isso é a vida.

A velhice feminina é tratada de forma irônica, desabusada e até franca. A maturidade não traz um amadurecimento emocional?

Acredito que a idade, para homens e mulheres, é “desconfortável”, pois não estamos apenas falando da perda da sedução, mas do reconhecimento de que a morte vem para todos: até mais ou menos os 45 anos isso é apenas sentido, quando somos honestos, como uma proposta teórica. A prova disso é a quantidade de tempo que se perde quando se é jovem (embora talvez não seja totalmente perdido: tudo faz parte da descoberta do que fazer da vida). Há um pressuposto, visível mesmo em sua pergunta, de que a juventude é melhor e a velhice, o inferno. Mas a juventude é tanto carregada de incertezas e de estresse como de benefícios físicos (saúde, energia, beleza). Para mim, a idade até os 20 anos não é invejável. Certamente, as mulheres enfrentam dificuldades diferentes com a velhice do que os homens, especialmente por conta da insana importância que se dá à beleza da mulher jovem (na mesma idade, homens atraentes são medidos pelo sucesso ou poder social). Claro que os homens também são vaidosos, mas não gostam de admitir. Com as mulheres, a história é outra – a perda da fertilidade (uma espécie de tiro de advertência) vem quando muitas mulheres começam a se sentir bem. O que é melhor? Não sei. Jamais quis ser homem, exceto nos acampamentos nos quais fazer xixi na mata impõe uma desvantagem evidente para as mulheres. Talvez seja mais fácil ser mulher, pois é mais evidente. A maioria dos homens está condenada à eterna repetição de soluções de problemas que são mais próprias para os jovens. Basta comparar velhos com moços. Dadas essas ambiguidades e ajustes, por que acreditar que a velhice traz sabedoria? Melhor esperar que ela venha quando estivermos finalmente velhos, ou seja, já desfrutando da onipresença da “crise da meia-idade”.

Você teme que os leitores possam não simpatizar com Jean?

Pelas cartas apaixonadas que recebo, tenho certeza que os leitores simpatizam com Jean, pois revelam problemas semelhantes. Antes de o livro ser publicado, notei um certo receio de meus editores de que Jean não fosse uma heroína feminista de fato. “Por que ela não confronta Mark? Por que não o golpeia na cabeça com uma frigideira e vai embora?”, eram questões que surgiam e que tento explicar no livro. Mas todos sabemos que, na vida real, as pessoas raramente agem de acordo com o socialmente esperado. A realidade é uma loucura e pessoas – incluindo as mais agradáveis, inteligentes e decentes – tomam decisões erradas. Também o amor pode nos fazer perdoar comportamentos extremamente desagradáveis. Estou convencida de que isso interessa aos leitores, pois está mais próximo da vida. O humor que está no livro é um reflexo do encontrado em nossa sociedade. Estamos fartas das mulheres aborrecidamente retocadas que estampam as capas das revistas.

O romance mostra como a internet pode ser fascinante e perigosa. A atitude de Jean seria diferente se não existisse a internet?

Sem dúvida que a vida dela seria diferente, assim como também a nossa. Jean (como muitas pessoas) confunde o real com o virtual – basta lembrar dos jovens que têm “milhares” de amigos nas redes sociais (Facebook, etc.) mas que nunca conheceram nenhum. O que essa forma de interação (emocional e intelectual) significa para o comportamento humano, ainda não é possível dizer. Como qualquer pessoa do mundo moderno, Jean, uma vez na meia-idade, é essencialmente vulnerável às armadilhas nas quais tentações e ilusões se misturam com sua personalidade (que é tímida, reservada) e com suas aventuras no mundo virtual (como o passeio pela pornografia). Isso reforça as dificuldades próprias da meia-idade e da consequente solidão, nesse período de ajuste.

22/02/2011 - 18:30h Infidelidade: você me engana, ok, mas com quem?

Infidélité: tu me trompes, oui, mais avec qui?

par Agnès Giard – Les 400 culs

La dernière étude sur l’infidélité vient de tomber. 50% des hommes sont prêts à pardonner l’infidélité de leur compagne si celle-ci a eu une aventure avec une autre femme. 22% seulement des hommes pardonnent, si elle les a trompé avec un homme. Que faut-il en déduire?

Belladonna

Selon une étude menée par des psychologues de l’Université d’Austin (USA) sur l’infidélité, les hommes sont deux fois plus susceptibles de pardonner à leur copine-épouse, si elle les trompe avec une femme plutôt qu’avec un homme.

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Les psychologues américains en déduisent de façon surprenante que les hommes craignent d’être supplantés dans leur fonction reproductrice. Pourquoi ne pas supposer, simplement, que les hommes —tout imbus de leur pénis— estiment qu’aucune femme ne pourra jamais rivaliser avec eux au lit? Ne considèrent-ils pas les lesbiennes comme de simples “boutes en train” ? Dans les clubs échangistes, encourageant les femmes à se “lutiner” entre elles, ils regardent le spectacle comme une excitante mise en bouche, un prélude avant que les choses sérieuses ne commencent… Les choses sérieuses, bien sûr, impliquent la pénétration.

Le lesbianisme reste donc —aux yeux des hommes— une forme plutôt inoffensive d’adultère: l’équivalent d’une masturbation. Ils ne considèrent pas vraiment les femmes comme des rivales susceptibles de leur voler leur compagne. L’homosexualité masculine, en revanche, est perçue par les épouses comme un véritable danger. Si vous trompez votre compagne avec un homme, vous serez presque aussi coupable à ses yeux que si vous aviez une maîtresse. Et vous aurez 78% de chance qu’elle vous quitte.

Comment comprendre cette différence? Selon les psychologues texans, les femmes craignent d’être abandonnées. Ce qui expliquerait qu’elles digèrent aussi mal l’amant dans le placard. Que leur époux puisse être bisexuel (ou homo refoulé) ne fait donc à leurs yeux que doubler les chances de le perdre.

L’explication est de bon sens: on est jaloux quand on a peur. On a si peur qu’on préfère rompre. Plutôt quitter quelqu’un que se faire larguer… A priori, ça fait moins mal.

Reste à savoir pourquoi les hommes tolèrent moins l’adultère que les femmes. Ils sont seulement 22% à passer l’éponge (si leur compagne les trompe avec un homme), contre 28% des femmes (si leur compagnon les trompe avec une femme).

Admettant implicitement que la fidélité conjugale est un devoir un peu inhumain, les femmes sont-elles capables de comprendre que leur conjoint puisse commettre des écarts? Peut-on dire qu’elles sont réalistes? Compatissantes ? Ou qu’elles ont plus confiance en elles-mêmes ? Ou bien qu’elles s’accordent, de façon très stratégique, la possibilité de succomber ? Ou que se sentant coupables, elles préfèrent ne pas jeter la première pierre? Beaucoup d’explications sont possibles…

Si l’on s’en tient aux chiffres sur l’infidélité (pour autant qu’on puisse leur faire confiance), il existe entre 40 et 76% de chance que vous trompiez votre compagne ou votre conjoint au cours de votre vie commune.

Est-ce que jouir c’est tromper?

Peut-on dire que l’on «trompe» son conjoint quand on se masturbe avec un instrument? Non. Et quand on se masturbe avec un amant, dûment muni d’un préservatif? La notion d’adultère —autrefois liée aux liens de parenté- a tellement changé de sens que le mot même semble dépassé. Pour comprendre, petit retour en arrière.

Manon-bijoux

Dans les sociétés patri-linéaires (transmission des biens de père en fils), le péché d’adultère ne concerne pas les hommes, qui sont libres d’avoir des maîtresses. Les femmes, elles, doivent rester fidèles, histoire de ne pas brouiller les pistes génétiques… Durant la Grèce antique, le mari peut très bien entretenir une concubine (pallake) dans la même maison que son épouse. Si sa femme commet une faute, le mari peut la tuer. S’il ne la tue pas, il est censé la répudier sous peine de perdre son honneur et d’être déchu de ses droits civiques. L’indulgence n’a pas droit de cité dans ces sociétés qui assignent les épouses au statut de reproductrice. Les premières lois sur l’adultère ne sont d’ailleurs mises en place que pour limiter les déchaînements de haine qui frappent —dans les sociétés archaïques— la femme prise en flagrant délit d’adultère: elle est lapidée, poursuivie à coups de pierre hors de la cité, puis abandonnée à demi-mourante du côté des décharges et des eaux usées. Les premières lois anti-adultère sont donc volontairement humiliantes, afin de soustraire les coupables à de plus graves sanctions. L’amant se voit parfois entièrement épilé. La femme exposée mi-nue en public. Certaines lois condamnent l’amant à une amende. L’amende est deux fois plus élevée si il a séduit la femme que s’il l’a forcée. Ca coûte moins cher de violer.

Dans la Rome antique, le système est le même à une différence près: parfois la femme se donne la mort, comme Lucrèce, violée par le fils de Tarquin et qui préfère mettre fin à ses jours que “souiller” le lit conjugal. Autre exemple révélateur: Pompeia, l’épouse de César, est répudiée car un homme amoureux s’est introduit dans ses appartements en se déguisant en femme. Il voulait juste la voir. Pompeia est innocente. Mais «la femme de César ne saurait être soupçonnée». Avec la décadence, les moeurs se relâchent: les femmes prennent l’initiative du divorce et en changent parfois si souvent qu’elles calculent leur âge par nombre de mari (un par an). «Elle a eu 8 maris en 5 hivers», ironise Juvénal à propos d’une joyeuse divorcée. Les hommes eux-mêmes échangent leur épouse quand l’une des deux n’a pas d’enfant… Au 1er siècle avant notre ère, les frontières entre mariage et amour libre sont difficiles à établir, à tel point que l’empereur Auguste se voit obligé d’édicter une loi nommée lex Julia de adulteris, du nom de sa famille (les Julius). Sa propre fille – Julia – fait partie des premiers condamnés : son inconduite est si scandaleuse qu’il la bannit sur un îlot perdu, Pandataria. Elle y reste 16 ans, sans bijoux, sans vin, sans hommes.

La monogamie qui se met en place, progressivement, sous l’influence du christianisme connaît sans cesse des hauts et des bas. Il est si dur de rester fidèle à une unique et seule personne. Les cours d’Europe donnent l’image de la plus grande dissolution. Au XVIe siècle, en Angleterre, Ben Jonson affirme qu’aucne femme n’accepte de se contenter d’un seul homme: «C’est comme si vous leur demandiez de se contenter d’une seule jambe ou d’un seul oeil.» En France, si l’on en croit Brantôme, toutes les dames de la Cour sont «galantes», à commencer par la Reine Margot. Un pamphlet intitulé le Manifeste des Dames de cour (1587) dévoile les confessions de dames qui, comme Madame de Villeroy, réclament miséricorde: «Voyant mon petit mari si faible et de petite complexion, j’ai fait ma provision du chevalier Breton et ne fais pas grande conscience de passer mon temps par une si petite offense. Monseigneur de Lyon m’en donnera l’absolution.» L’Eglise peine à réprimer ces écarts que certains prélats ou moines voient d’un oeil tolérant ou complice, parfois pire…

Au XIXe siècle, avec le recul de la religion, l’adultère devient un sujet de conversation polémique: tout le monde en parle. Les juristes, les savants, les écrivains, les demoiselles de la bonne bougeoisie… et les féministes (comme Balzac) qui réclament pour les femmes «le droit de tromper» autant que leur époux. Dans la loi, l’adultère est uniquement défini comme une faute commise par la femme. Que l’homme aille voir ailleurs n’est pas considéré comme un délit. Le Code civil de 1804 réaffirme nettement cette inégalité: si les époux se doivent mutuellement fidélité (art.212), l’homme n’est passible d’une condamnation que s’il a entretenu et logé sa maîtresse sous le même toit que son épouse (art. 230). Tout ce que lui demande la loi, c’est donc d’avoir une garçonnière! Le code pénal de 1808 punit la femme adultère de trois mois à deux ans de prison (art. 337). Le mari, lui, n’a droit qu’à une amende. Autre injustice: le mari est «excusable» s’il tue les amants après les avoir surpris en flagrant délit. L’adultère restera criminalisé jusqu’en 1975.

Au XXe siècle, grâce à la pilule et au test de paternité, la notion traditionnelle de couple vole en éclat. Les femmes sont désormais libres d’aller voir ailleurs, sans que cela ait de conséquence fâcheuse sur le principe sacro-saint de la transmission du patrimoine. L’identité du père biologique peut facilement être établie en cas de doute. En 1938, la femme obtient le droit d’avoir une carte d’identité et un passeport. En 1942, elle peut gérer ses biens propres et travailler (mais elle ne peut pas mettre de côté l’argent qu’elle gagne, il faut donc qu’elle le confie à son mari). En 1963, elle peut ouvrir un compte bancaire sans l’autorisation de son mari et disposer librement de l’argent qu’elle gagne. La femme peut donc elle aussi «produire» du patrimoine, ce qui la dédouane du devoir d’obéissance conjugale. Elle n’est plus considérée comme une «mineure», mise sous la tutelle d’un mari propriétaire.

Il y a bien sûr des hommes suffisamment cyniques pour assimiler les «fantasmes féministes d’égalité» à une «cochonnerie libérale». «Tous au turbin sans distinction», se moquent-ils, estimant qu’il n’y a là aucun progrès dont on puisse se réjouir. Le travail (légalement reconnu) des femmes, à leurs yeux, n’est qu’une forme moderne d’exploitation… comme si les femmes, avant la mise en place du système capitaliste, n’avaient jamais travaillé. Mais peu importe. Le cri d’horreur «Ciel, mon mari» – désormais relégué au rang d’amusant souvenir —laisse la place à d’autres formules, typiquement bourgeoises elles aussi, mais bien moins dramatiques: «Que faites-vous après l’orgie?». L’amour étant devenu la seule digne raison de se marier, on estime désormais possible de s’offrir des «rencontres échangistes» ou des «partenaires multiples»: je t’aime, mon chéri, et je t’aimerais bien plus fort si tu m’emmenais dans une party… A quoi ça sert d’avoir un(e) conjoint(e) si ce n’est pas pour tout partager avec lui/elle ?

PETITE HISTOIRE DE L’AMOUR A PLUSIEURS (DE L’ADULTERE AU POLY-AMOR)

IXème siècle avant JC: légalité

Il semblerait qu’à Sparte, contrairement à toutes les autres cités grecques qui punissent sévèrement les coupables, l’adultère soit «inconnu» : «La vie conjugale ne s’y prête guère, expliquent Sabine Melchior-Bonnet et Aude de Tocqueville (Histoire de l’adultère). Le mariage consiste en un “rapt”, par lequel le mari enlève une jeune fille et l’emmène en cachette, la nuit, sur sa couche; puis la jeune femme est remise à sa nouvelle famille qui la garde recluse jusqu’au retour de l’époux, tandis que celui-ci continue de coucher en dortoir militaire jusqu’à l’âge de 30 ans. Sparte connaît par ailleurs une sorte d’adultère légal: les femmes peuvent faire des expériences amoureuses avec d’autres hommes que leur époux si ce dernier y consent. Aussi la jalousie est-elle bannie. Le législateur Lycurgue (IXe s. avant notre ère) permettait au mari âgé d’introduire auprès de sa jeune femme un jeune homme bien né qu’il estimait “pour s’unir à elle et avoir un enfant de sang généreux, qu’il considérait comme le sien propre”. Mieux encore: un homme de mérite, s’il admirait une femme, pouvait demander à son mari de lui prêter cette épouse pour y “semer”. Cependant, dès le IVe siècle, les moeurs spartiates tendent à se relâcher et la vie privée retrouve une place importante.» Il n’est plus question de laisser un autre inséminer celle qu’on aime, sous prétexte que cela donnerait de beaux enfants et renforcerait les liens entre guerriers… L’amitié virile a ses limites.

Vème s. av JC: fraternité
En Grèce, Platon propose aux soldats de mettre en commun leurs femmes, pour supprimer la jalousie et le sentiment de propriété.

18 av JC: liberté
En pleine période de décadence romaine, l’empereur Auguste édicte la lex Julia qui condamne les rapports charnels illégitimes. L’adultère devient une offense criminelle, jugée devant un tribunal. La France observera ce droit jusqu’en 1789. La fille d’Auguste, Julia, belle, cultivée, voluptueuse, mariée trois fois entre 16 et 20 ans, épuisée d’amour entre les bras de ses nombreux amants, organise une orgie en plein forum, là même où son père avait prononcé la loi contre l’amour libre… Elle sera punie: 16 ans d’exil.

1er siècle de notre ère: orgies romaines
Malgré les réformes d’Auguste, la dissolution règne à Rome: les matrones s’inscrivent sur la liste des prostituées, Messaline va au lupanar, 2000 procès pour adultère sont en attente au tribunal. Le christianisme naissant —qui impose le mariage monogamique et indissoluble– apparaît comme un vrai refuge moral…

630 ap JC: harems barbares
Le Bon roi Dagobert vit avec trois reines et de nombreuses concubines. Malgré tous les efforts de l’Eglise, les rois francs et carolingiens pratiquent la polygamie jusqu’au XIème siècle.

XIème siècle: guerriers brutaux
Les barons misogynes et grossiers considèrent la femme comme un être inférieur guidé par ses ovaires (mulier totae in utero), moyennant quoi violable à volonté. Presque tous les grands seigneurs ont pour maîtresses des femmes mariées de haut rang. Résultats: ils sont tous cocus, “grattant le con” de la femme d’autrui, tandis que leur épouse reçoit son amant. René Nelli, théoricien de l’Erotique des troubadours les nomme “maris-druts”.

XIIème siècle: amour courtois
Le fin’amor inventé par les poètes met au point l’image d’une dame au coeur pur, être de grâce, belle, vertueuse, digne d’être servie par un amant désespéré. Bref, une image de la Vierge Marie. Les relations extra-conjugales deviennent alors idéales, sublimées par le code de la chevalerie. Ce qui ne les empêche pas d’être concrètes, ardentes, fiévreuses. L’amant, paradoxalement, doit être fidèle à une seule et unique femme, celle de son coeur.

XIVème siècle: les galantins
Malgré la toute puissance de l’église, certaines coutumes populaires d’origine paienne perdurent, comme le “valentinage”, qui permet aux épouses de prendre un amant, “valentin” ou “galantin, au vu et au su de son mari: le prétendant (célibataire) est tiré au sort puis, sous prétexte de célébrer le retour du printemps, il prend du bon temps. A Turin et à Florence, la coutume perdure jusqu’au XVIIIème siècle.

XVIème siècle: comi-tragédie
Pris de “chaude colle” (colère), le mari tue parfois sa femme infidèle. Les homicides pour adultère constituent moins de 1% des crimes au XV et XVIème siècles. Mais Shakespeare, Cervantes, Molière et Boccace en font un sujet littéraire majeur. Drame de la jalousie.

XVIIIème siècle: badinage et patinage
En plein siècle des lumières, on estime que trois maris sur quatre ont une maîtresse. Les philosophes revendiquent pour la femme le droit au bonheur et critiquent dans L’Encyclopédie l’inconstance des hommes, pour justifier celle des épouses. Diderot fait l’apologie des galants. Choderlos de Laclos veut voir «expirer la vertu». La belle Ninon de Lenclos dit à l’un de ses amants: «Je crois que je t’aimerai trois mois, c’est l’infini pour moi».

XIXème siècle: retour de bâton
La loi du 20 septembre 1792, qui admettait le divorce par consentement mutuel, fait trop de dégâts. «Devant l’hécatombe des couples se séparant, la loi de 1804 en restreint les modalités jusqu’à son abolition complète en 1816» (Histoire de l’adultère). Le code Napoléon, qui empêche les époux de se séparer, reconnaît aux hommes le droit de tromper leur femme. Ils n’y trouvent donc pas trop à redire. La femme adultère, elle est passible de prison. L’émancipation féminine, née et enterrée avec la Révolution, connaît tout de même ses défenseurs chez les Romantiques qui s’attaquent violemment à la notion de couple. Certains médecins, s’intéressant aux origines de l’adultère, établissent que toute la constitution morale de la femme dérive de «la faiblesse innée de ses organes». Ils recommandent que l’époux use du coït avec mesure, afin de préserver le mystère de l’union et de maintenir la flamme.

1903: discours médical
Les médecins apportent des arguments pseudo-scientifiques contre l’adultère: ce n’est pas «hygiénique»! Le docteur Surbled écrit: «Le coeur d’une vierge est sans prise: c’est le palpitant foyer d’un amour sans bornes qui ne se donne qu’une fois et pour toujours» (La Vie de jeune fille, éd. A. Maloine). Amen.

1927: No comment
«Le premier devoir que vous avez envers votre mari, c’est la fidélité. Vous l’avez promise, il faut la tenir, coûte que coûte, même s’il vous donnait l’exemple du contraire. Votre devoir ne dépend pas du sien» (L’amour conjugal et maternel, Edward Montier, association du mariage chrétien).

1946: féminisme
Un an après la création du magazine Elle, qui parle aux Françaises de sexualité, on peut encore lire dans les publications catholiques: «La satisfaction des appétits sexuels en dehors du mariage est un crime contre le prochain» (Devoir et instinct, éd. Familiales).

Années 60-70: amour libre
Au cinéma, Jules et Jim (1961) fait un tabac. Le stérilet est inventé en 1963. La contraception autorisée en 1967. Le sigle du MLF créé en 1970. L’avortement légalisé en 1975. Les femmes ont le “droit de disposer de leur corps” (Simone Veil) et… en profitent.

Années 90: trio gagnant
En 1992, le rapport ACSF sur la sexualité des Français établit les chiffres suivants: 10% des hommes et 2% des femmes déclarent avoir une fois dans leur vie fait l’amour avec deux personnes en même temps. En 1999, un sondage Max-20 ans va plus loin: 70% des garçons de 18-30 ans rêvent d’une partie à trois. 18% l’ont réalisé. «Le couple c’est fini, l’amour à trois c’est mieux», titre L’Echo des savanes dès 1995.

1996: le nouvel ordre amoureux
Dans une interview réalisée par Le Nouvel Observateur, Philippe Sollers et sa femme la psychanalyste Julia Kristeva expliquent que la fidélité est parfaitement compatible avec les aventures extra-conjugales: «La véritable infidélité est de trahir la conception du couple telle qu’on l’a forgée dans l’expérience de vie commune». C’est désormais la sincérité qui devient le garant des liens amoureux, et non plus la chasteté.

2011: Selon une étude réalisée par l’Université D’Austin (Texas), 50% des hommes pardonnent leur femme si celle-ci les trompe avec une autre femme. 22% seulement des hommes pardonnent, si elle les trompe avec un homme.
Côté femme, en revanche, le pourcentage reste pratiquement le même dans les deux cas. Si leur compagnon les trompe avec une femme, ça ne passe pas (28% seulement pardonne). S’il les trompe avec un homme, ça ne passe pas non plus (22% pardonne).
Les soirées échangistes apparaissent comme le moyen le plus pratique de désamorcer le désir d’adultère. Pour satisfaire sans danger ses besoins d’expériences nouvelles, on “baise” à trois, quatre ou plus. Quand la party est finie, on se retrouve à deux, on s’embrasse tendrement et… on “fait l’amour”.

SOURCES : Histoire de l’Adultère, Sabine Melchior-Bonnet et Aude de Tocqueville, éd. La Martinière. Petite histoire du sexe et de son apprentissage, de Florence Lanzmann, éd. JC Lattès.

Illustration : Manon des Gryeux. Collectionneuse de beaux pénis, Manon des Gryeux est une danseuse des Folies Bergères reconvertie dans les “bijoux de famille” qu’elle photographie en gros plan, au moment où ils retombent mollement, arqués, mais souples.

Article corrigé le mardi 22 février sur l’explication du mot “Julia” dans “lex julia de adulteris”.

Plus d’infos sur l’histoire de l’émancipation des femmes ici. (Merci à Monigi qui m’a corrigée sur la date concernant l’ouverture du compte bancaire, si tardive)

21/02/2011 - 11:00h A cada 2 minutos, 5 mulheres espancadas


Apesar de chocante, nº vem caindo nos últimos anos – eram 8 há uma década; 8% dos homens admitem já ter agredido a companheira

Flávia Tavares – O Estado de S.Paulo

Pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o Sesc projeta uma chocante estatística: a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas violentamente no Brasil. E já foi pior: há 10 anos, eram oito as mulheres espancadas no mesmo intervalo.

Realizada em 25 Estados, a pesquisa Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado ouviu em agosto do ano passado 2.365 mulheres e 1.181 homens com mais de 15 anos. Aborda diversos temas e complementa estudo similar de 2001. Mas a parte que salta aos olhos é, novamente, a da violência doméstica.

“Os dados mostram que a violência contra a mulher não é um problema privado, de casal. É social e exige políticas públicas”, diz Gustavo Venturi, professor da USP e supervisor da pesquisa.

Para chegar à estimativa de mais de duas mulheres agredidas por minuto, os pesquisadores partiram da amostra para fazer uma projeção nacional. Concluíram que 7,2 milhões de mulheres com mais de 15 anos já sofreram agressões – 1,3 milhão nos 12 meses que antecederam a pesquisa (veja acima).

A pequena diminuição do número de mulheres agredidas entre 2001 e 2010 pode ser atribuída, em parte, à Lei Maria da Penha. “A lei é uma expressão da crescente consciência do problema da violência contra as mulheres”, afirma Venturi.

Entre os pesquisados, 85% conhecem a lei e 80% aprovam a nova legislação. Mesmo entre os 11% que a criticam, a principal ressalva é ao fato de que a lei é insuficiente.

Visão masculina. O estudo traz também dados inéditos sobre o que os homens pensam sobre a violência contra as mulheres. Enquanto 8% admitem já ter batido em uma mulher, 48% dizem ter um amigo ou conhecido que fizeram o mesmo e 25% têm parentes que agridem as companheiras. “Dá para deduzir que o número de homens que admitem agredir está subestimado. Afinal, metade conhece alguém que bate”, avalia Venturi.

Ainda assim, surpreende que 2% dos homens declarem que “tem mulher que só aprende apanhando bastante”. Além disso, entre os 8% que assumem praticar a violência, 14% acreditam ter “agido bem” e 15% declaram que bateriam de novo, o que indica um padrão de comportamento, não uma exceção.

Na infância. Respostas sobre agressões sofridas ainda na infância reforçam a ideia de que a violência pode fazer parte de uma cultura familiar. “Pais que levaram surras quando crianças tendem a bater mais em seus filhos”, explica Venturi. No total, 78% das mulheres e 57% dos homens que apanharam na infância acreditam que dar tapas nos filhos de vez em quando é necessário. Entre as mulheres que não apanharam, 53% acham razoável dar tapas de vez em quando.

23/01/2011 - 10:44h Presidente ”gerentona” entusiasma executivas

Responsáveis por empresas e resultados, elas torcem pelo estilo gerencial de Dilma

Luciana Nunes Leal – O Estado de S.Paulo

Os modos de executiva da iniciativa privada da presidente Dilma Rousseff, demonstrados em três semanas no poder, não livraram o governo das disputas de cargos nem da crise no Enem, mas executivas de grandes empresas e especialistas em administração ouvidas pelo Estado aprovam a estreia da presidente e sua intenção de imprimir características da gestão privada no poder público. Todas admitem, porém, que não há como ignorar as demandas políticas.

Qualidade, velocidade e ética são conceitos que Luiza Helena Trajano, superintendente do Magazine Luiza, uma das maiores redes de varejo nacionais, gostaria de ver aplicados na administração federal. “As reuniões têm de ser objetivas, focadas em poucos assuntos. E é preciso cobrar as pendências que ficaram da reunião anterior, além de fixar prazo. Sem cronograma não há comprometimento”, diz a empresária. “Acredito muito em gestão e organização. A presidente terá de conciliar com o jogo político, que é muito pesado. Ela pode fazer as coisas acontecerem com mais velocidade”.

Na primeira reunião ministerial, no dia 14, a presidente reconheceu a dificuldade de um diálogo objetivo quando 37 ministros aguardam a vez de falar. Formalizou a divisão do primeiro escalão em quatro grupos de gestão e deu prazo de 20 dias para cada pasta apresentar um plano de corte de gastos. Na véspera, outra experiência. Discutindo no Rio de Janeiro medidas contra enchentes, ela viu a conversa caminhar para medidas de longo prazo e interrompeu: “Neste momento, estou preocupada com o que as pessoas estão precisando. Retroescavadeiras? Helicópteros? Barracas?”

Meritocracia. “Na iniciativa privada, você fixa metas e todos têm de se comprometer com o resultado. E os 37 ministros devem seguir esse modelo. Não pode a presidente imprimir um formato e cada ministro ter sua forma própria de gestão”, diz Sônia Hess, presidente da Dudalina, maior fabricante de camisas masculinas do País. “O que há de mais moderno é a meritocracia. Nossa costureira sabe qual é a meta dela e tem participação nos resultados. No poder público, o servidor pode ter bônus por metas alcançadas”, sugere Sônia.

No caso da administração federal, a presidente da Lupo, líder do mercado nacional de meias, Liliana Aufiero, aponta medidas de austeridade como fundamentais. “Li que os ministros não vão poder pegar jatinhos da FAB para ir para casa no fim de semana. É uma medida necessária para acabar com a lambança. A conferir”, diz a executiva.

Nessa direção, Dilma anunciou há dias a criação de um Fórum de Gestão Competitiva, para o qual convidou o empresário Jorge Gerdau Johannpeter. Além disso, tem estimulado a contratação de instituições especializadas em diagnóstico e orientação de melhorias gerenciais. E já definiu como primeira tarefa desse projeto mudar o funcionamento da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

PADRÃO DILMA

Meritocracia

A avaliação da carreira e a atribuição de recompensas a partir de resultados, ou seja, a meritocracia, é um dos pilares da organização na economia privada. Adotá-la no serviço público é um desafio

Gestão competitiva

Para dar agilidade aos projetos governamentais, a presidente anunciou a criação de um Conselho de Gestão Competitiva, a ser comandado pelo empresário Jorge Gerdau Johanpetter.
Entre suas tarefas, estabelecer formas de acompanhar os prazos e os custos

Reuniões ministeriais

A presidente não gostou do que viu na primeira reunião ministerial, com 37 ministros “na fila” para falar. Já decidiu dividir as atividades do governo em grupos ligados a áreas
comuns, para encurtar as discussões e poder cobrar mais rapidez

07/01/2011 - 18:12h Documentário sobre o orgasmo discute os mitos do prazer feminino

O Globo

RIO – A edição de vídeos eróticos para um laboratório farmacêutico foi o ponto de partida da jornalista Liz Canner, que durante o trabalho começou a questionar como a indústria dos medicamentos trata o prazer feminino. A fábrica estava envolvida na produção do primeiro Viagra para mulheres, e Liz começou a acreditar que os médicos estavam inventando uma doença para vender remédios. Assim nasceu o documentário ‘Orgasm Inc.’, sobre os bastidores das campanhas de marketing da indústria farmacêutica e a forma como as mulheres lidam com o próprio prazer.

- Estava cansada de falar sobre pobreza, assassinatos e crises econômicas. Queria algo que me desse prazer. E o que é melhor do que investigar as formas de aumentar o meu próprio prazer e também ajudar mulheres em todo mundo? – disse Liz à rede de notícias ABC.

No documentário, a jornalista investiga de onde vêm os bilhões de dólares gasto anualmente pelas farmacêuticas para criar soluções que tratem as disfunções sexuais femininas. Também discute até que ponto a falta de desejo é realmente um problema.

- Não queria fazer uma denúncia, mas percebi que as revistas, os jornais e a equipe de marketing dos grandes laboratórios estão criando uma cultura na qual as mulheres estão sempre insatisfeitas com sua sexualidade, achando que precisam fazer mais sexo e ter mais orgasmos o tempo todo.


Quem tem autoridade para dizer o que é um orgasmo normal?”


Uma das histórias que mais chamam a atenção no filme é a de Charletta, uma mulher de meia-idade que concorda em colocar eletrodos em sua coluna para aumentar a frequência dos orgasmos.

Para Liz, os obstáculos do prazer não costumam ser hormonais, mas sim psicológicos, e é por isso que é tão difícil criar um remédio que aumente o prazer feminino.

- Durante a pesquisa, percebi que a libido das mulheres cai por causa do excesso de trabalho, relacionamentos ruins, falta de informação e abusos sexuais. Quem tem autoridade para dizer o que é um orgasmo normal?


trailer em inglês

07/01/2011 - 10:30h A “presidenta”: primeira obra da presidente

César Felício – VALOR

Uma vez posto que gramaticalmente tanto “presidente” como “presidenta” são aceitáveis para se referir à chefe (ou chefa?) de Estado Dilma Rousseff, cabe a reflexão de por que a escolha oficial por “presidenta”, uma vez que não há gestos gratuitos na política. A questão simbólica sintetiza toda a estratégia de opinião pública de Dilma na reta final do governo do antecessor e em sua primeira semana presidencial.

Durante a campanha eleitoral, seja porque havia outra mulher como candidata à presidência, seja porque Lula era uma figura tão central e tão solar que obscurecia a personalidade de sua indicada, a questão de gênero não teve papel relevante. Por vezes a sensação é de que estava em jogo no Brasil uma espécie de terceiro mandato disfarçado para o presidente, como se Dilma não existisse.

Paradoxalmente, Dilma começou a construir a sua imagem após a sua eleição. É o que observa o cientista Antonio Lavareda, dono da empresa de consultoria MCI e atuante em campanhas do PSDB e do DEM nos anos 90 e filiado ao PSDB desde 2009.

“Foi só agora que a questão de gênero ganhou um significado especialíssimo, porque garante à Dilma um caráter único. Assim como nunca houve um presidente como Lula, ela , a ‘presidenta’, também é diferente de tudo. Todos os demais foram apenas presidentes”, observou Lavareda.

Mulher no comando pode mudar imaginário social

A busca de símbolos que reforçam a questão de gênero não se limitou à gramática, mas se estendeu ao entorno imediato de Dilma: do ministério com nove Pastas ocupadas por mulheres até às policiais que fazem sua segurança. Não é pouco o fato de Dilma ter destacado a sua condição na primeira frase de seu discurso inaugural: “Hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher. Sinto uma imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado histórico desta decisão”, disse. Discorre sobre o tema nos quatro parágrafos seguintes e só então afirma que irá consolidar conquistas do antecessor.

“Depois de uma campanha fria, em que havia apenas um apelo racional para o voto em Dilma, que era a defesa da continuidade, era necessário agora colocar um pouco de emoção para gerar empatia com a opinião pública” , interpreta outro especialista em pesquisas, o cientista político Marcos Coimbra, do instituto Vox Populi.

Sobre o “significado histórico” da posse de uma presidente tudo indica que não será pequeno. Para feministas, poderá ter o poder de uma revolução nas mentes. “A presença dela na Presidência transforma a formação da representação social da mulher. O imaginário social muda”, avalia a historiadora Tânia Navarro-Swain, professora aposentada da UnB que criou o primeiro mestrado e doutorado em estudos feministas do país. Segundo a professora, uma presidente desestabiliza a vinculação da mulher com o espaço privado da sociedade e do homem com o espaço público.

A professora relembra uma famosa frase de Simone de Beauvoir: “Não se nasce mulher, mas torna-se uma”. “Existe uma construção social do ser, que no Brasil associa o feminino com a fragilidade, a inconsistência, a irracionalidade. Dilma quebra esta imagem. Até a voz dela é impositiva, de mando”, disse. A historiadora não mostra o mesmo entusiasmo em relação ao ministério montado por ela. “São nove ministras, mas com exceção de Miriam Belchior, no Planejamento, as demais estão confinadas a áreas laterais da administração, usualmente identificadas com o feminismo, como o Desenvolvimento Social e a Cultura, ou então em Pastas totalmente irrelevantes, como Pesca”. Neste ponto, aponta a professora, não há diferenças entre o governo de Dilma e o de seu antecessor. A própria Dilma foi a única ministra com poder efetivo na administração de Lula.

Descendo à questão pragmática da manutenção da popularidade, a perspectiva internacional mostra que o encantamento da opinião com a mandatária mulher dura pouco. Ministra da Defesa no governo de Ricardo Lagos, a chilena Michelle Bachelet se viu em meio a uma crise que comprometeu sua imagem poucos meses depois da posse, ao enfrentar protestos de estudantes secundaristas, em 2006. Na Argentina, a presidente Cristina Kirchner começa a recuperar sua popularidade somente nas últimas semanas, após a comoção despertada pela morte do marido e antecessor. E é no momento em que começaram as dificuldades, que não tardará, que a questão de gênero pode deixar de ser um trunfo, ou até mesmo pesar contra. “Não há dúvida que um insucesso da sua administração será associado ao fato de ela ser mulher”, opina Tânia Navarro.

César Felício é correspondente em Belo Horizonte. A titular da coluna, Maria Cristina Fernandes, está em férias

E-mail cesar.felicio@valor.com.br