06/03/2008 - 09:27h Alckmin finca pé na prefeitura

DORA KRAMER - O ESTADO DE SÃO PAULO

alckminolholmarmenor.JPGGeraldo Alckmin anda tão decidido a ser candidato a prefeito de São Paulo que nada do que se apresente a ele como obstáculo o abala.

A preferência do governador José Serra pelo prefeito Gilberto Kassab? “Serra é um homem de partido, estará no meu palanque.”

O risco da derrota para o PT se PSDB e DEM forem divididos à disputa? “Se não concorrer o candidato mais forte (ele mesmo), aí sim a chance será do PT.”

A falta de discurso para enfrentar um oponente cuja administração é toda do PSDB? “O projeto é tucano, defendo, mas vou falar do futuro, porque o que interessa é o próximo mandato.”

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06/03/2008 - 09:20h O jogo do tudo ou nada de Alckmin

VALOR

A decisão de Geraldo Alckmin (PSDB) de disputar a prefeitura de São Paulo, passando por cima de uma aliança política entre a banda serrista de seu partido e o DEM, não é apenas mais um ato da conhecida determinação do ex-governador. Se não tiver rapidamente a visibilidade que uma eleição proporciona, a carreira política de Alckmin estará encerrada - melancolicamente, depois de ir para o segundo turno numa disputa presidencial, estará fadado ao ostracismo. O risco que corre, e não é desprezível, é o de perder a eleição. Nesse caso, será melancolicamente excluído do cenário político depois de uma derrota na disputa por uma prefeitura. Se ganhar, poderá continuar a ser uma pedra no sapato do status quo tucano, um outsider que conquistou no grito a legenda tucana quando o atual governador de São Paulo, José Serra, queria disputar a Presidência, em 2006, e que forçou o rompimento do acordo entre os serristas e o DEM de apoio à reeleição do atual prefeito ex-pefelista, Gilberto Kassab, agora, em 2008.

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05/03/2008 - 21:38h No oráculo de Delfos eu ouvi…

Ao que tudo indica e contrariamente ao conteúdo de artigos plantados nos jornais paulistas, Geraldo Alckmin estaria prestes a anunciar sua candidatura.

Sua precipitação estaria motivada pelo temor das movimentações dos tucanos pro Kassab (e eventual melhora nas pesquisas de seu rival demo). O anúncio criaria um fato consumado e obrigaria José Serra a suspender suas aparições com o prefeito em inaugurações na cidade. Este é o cálculo de Alckmin, mas duvido que José Serra aceite obtemperar.

O lançamento da candidatura provocaria, no cálculo alckminista, uma imediata ruptura da aliança com o DEM, deixando os tucanos kassabistas entre a espada e a parede, obrigando-os a definições precipitadas. Por isso, Alckmin sinaliza sua aliança preferencial com o PTB, de Romeu Tuma e Campos Machado, com o xerife de vice. Uma maneira de dizer que a ruptura com o DEM não terá marcha a ré.

Serra e Kassab foram ao oráculo de Delfos perguntar sobre a iminência do perigo. Diz a lenda que os deuses ficaram mudos, mas é fato que o jogo Pítico de Alckmin procura pôr Serra no sarcófago, antes de ele mesmo acabar asfixiado pelo Píton anêmico (licencia poética inspirada do macaco Simão)

Cassandra

Image:DelphicSibylByMichelangelo.jpg

04/03/2008 - 17:50h Dois na gangorra

Dora Kramer - O Estado de São Paulo

caricatura_tucanos_arvore.jpgA cúpula do PSDB desistiu e a direção do Democratas insistiu. Sendo assim, não haverá aliança entre os dois principais partidos de oposição na eleição para prefeito de São Paulo: Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab serão candidatos.

O grupo do governador José Serra, ao qual se alia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, chegou à conclusão de que até poderia, mas não seria conveniente “forçar a mão” pela aliança sem correr o alto risco de criar uma monumental aresta dentro do partido para o projeto presidencial de Serra em 2010.

Já os dirigentes do DEM não vêem razão alguma para o atual prefeito deixar de se candidatar. Ao contrário: com dois dígitos (12%) nas pesquisas, a máquina municipal nas mãos e o governador nesse período pré-eleitoral inaugurando obras para baixo e para cima com Kassab, os democratas acham que só têm a ganhar.

Na pior das hipóteses, o partido, que nunca teve nada em São Paulo, se estabelece como força eleitoral, levando um dos seus a subir de patamar político para, quem sabe, tentar outros vôos mais adiante. Na melhor, chega ao segundo turno. Na mais remota, ganha a eleição.

Por ora, até o tucanato mais refratário a Alckmin acha que, no fim, ele leva essa. Não se pode dizer que o cenário produza imensa felicidade no grupo, mas trata-se aqui de lidar com a realidade: sem arrumar uma confusão de proporções amazônicas, José Serra e companhia não têm condições políticas nem de comprar a briga para valer com Alckmin nem de convencer Kassab a não concorrer.

Bater pé na manutenção da aliança daria aos adversários internos de José Serra a chance de atribuírem a ele a divisão do partido. Quanto a fazer Kassab desistir, descontado o problema político com o DEM, a questão parece ser mesmo de uma imensa falta de vontade de que ele desista.

Basta ver a reação serena do DEM à evidência de que o PSDB terá mesmo candidato. O presidente do partido, Rodrigo Maia, passou o fim de semana em São Paulo, participou de duas inaugurações - ambas de secretarias comandadas pelo PSDB -, saiu “encantado” com o tratamento que recebeu dos tucanos e bastante compreensivo no tocante à candidatura própria dos parceiros.

“É claro que o ideal seria a aliança, mas compreendemos que a vontade pessoal de alguém que foi candidato a presidente da República, foi governador do Estado e tem apoio dentro do partido é difícil de ser contestada”, diz Rodrigo Maia, para acrescentar uma reverência a José Serra: “Nossa relação com ele não muda nada.”

E com o PSDB que ocupa 70% da máquina municipal?

Aí serão outros quinhentos a serem resolvidos pelos tucanos. Kassab não tomará a iniciativa de demitir nenhum secretário, uma vez assumidas as candidaturas.

Deixará ao encargo do PSDB, mais exatamente de Geraldo Alckmin, a decisão de bater em retirada ou de ficar. Se ficarem, estarão trabalhando para o adversário, mas a operação saída também não é tão fácil assim de ser executada sem provocar resistências e, por conseqüência, fortes divergências.

Nesse quadro, vê-se que a sinuca a ser resolvida na campanha está com o tucanato: o PT concorre como oposição, o DEM como situação, mas o PSDB ainda vai precisar encontrar uma posição.

15/02/2008 - 16:34h Jogando a toalha?: ‘Se Alckmin decidir ser candidato, ele será’, diz Serra

jose_serra_caricatura.jpgGovernador descarta elo entre José Aníbal para a liderança do PSDB na Câmara com a candidatura de Alckmin

GUSTAVO PORTO - Agencia Estado


RIBEIRÃO PRETO - O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), afirmou nesta sexta-feira, 15, que o ex-governador Geraldo Alckmin será o candidato a prefeito de São Paulo se assim o quiser. Serra descartou ainda uma ligação entre a eleição de José Aníbal para a liderança do PSDB na Câmara com a viabilização da candidatura de Alckmin à prefeitura paulista, já que Aníbal é do grupo de apoio ao ex-governador. “José Aníbal, homem experiente, já foi líder e vai saber conduzir a bancada”, disse Serra. “Com relação à Prefeitura de São Paulo, não tem nada a ver. Todos sabemos que se o Alckmin decidir ser candidato, ele será”, completou o governador.

Serra esteve nesta manhã na inauguração de uma escola estadual em Ribeirão Preto, em São Paulo, onde enfrentou protestos de representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de uma moradora no bairro do Ribeirão Verde. Os sem-terra do acampamento Mário Lago pediam a construção de uma escola no acampamento e a retirada do projeto de lei do governo paulista da Assembléia que regulariza terra no Pontal do Paranapanema. A presença de cerca de cem assentados obrigou a Polícia Militar a isolar o entorno da escola e a van em que o governador estava precisou ser colocada no estacionamento para que ele deixasse o local, sob vaias.

Já a dona de casa Raquel Farias por pouco não subiu no palanque em que Serra estava, mas foi impedida pelos seguranças. De acordo com ela, o motivo do protesto era a falta de atendimento médico integral no posto de saúde do bairro. “O posto fecha às 16 horas. Se quisermos atendimento à noite, vamos pegar dois ônibus para outro bairro”, afirmou a dona de casa. Ainda segundo ela, existe apenas um médico no posto de saúde, exceto hoje, quando o governador estava presente, quando “o posto estava cheio”. Serra deveria, pela agenda oficial, ir ao Aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto, antes de seguir para Cravinhos, cidade vizinha, onde deve inaugurar uma rotatória na via Anhangüera. No entanto, o governador seguiu direto para Cravinhos.

14/02/2008 - 08:58h Reprise

Aécio-Alckmin, uma dobradinha que vem para ficar

 

ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SÃO PAULO

BRASÍLIA - O governo Lula tem, para 2010, uma vitrine, um forte bloco de poder e um grande líder. Falta-lhe um nome.

A oposição tem dois grandes nomes, Serra e Aécio, e as vitrines de São Paulo e Minas. Falta-lhe um forte bloco de poder, com unidade interna no PSDB e sólida unidade com os aliados, como DEM e PPS.

O que é mais fácil? Forjar um nome ou sedimentar um bloco de poder? Considerando-se o cenário atual, parece que é fazer um nome. Lula testa Dilma.

Serra, considerado o candidato mais consistente da oposição, enfrenta desde já sérios obstáculos, que começam em São Paulo, chegam a Minas e alastram-se para outras regiões do país. Ontem, seu candidato a líder na Câmara, Arnaldo Madeira, perdeu para o de Aécio e Alckmin, José Aníbal. E perdeu feio. Foi São Paulo contra São Paulo, com uma curiosidade: Madeira, “homem de Covas”, foi da Casa Civil de Alckmin por mais de três anos.

A decisão, aparentemente insignificante no conjunto, mostra quanto dura será a corrida de obstáculos de Serra, que enfrentará três turnos se quiser ser presidente da República.

Nas eleições municipais, o desenho é PSDB contra PSDB. Alckmin deve ser o nome oficial do partido, e Kassab, do DEM e ponte com os “demos”, tem Serra e governa a prefeitura com 80% de tucanos.

Na convenção para a escolha de presidente, Serra terá de enfrentar Aécio, com Minas e parte do Nordeste por trás, e Alckmin, com parte da própria São Paulo por trás. Como ontem, tudo indica que Aécio-Alckmin é uma dobradinha que vem para ficar.

Se der Serra, ele já chegará à eleição enfrentando a força do governo federal, de Lula e do bloco governista. E ilhado pelos náufragos da eleição municipal e da convenção. Vida de oposição já é difícil. A de Serra pode ficar de amargar.


 Eliane Cantanhêde é colunista da Folha, desde 1997, e comenta governos, política interna e externa, defesa, área social e comportamento. elianec@uol.com.br

31/01/2008 - 11:50h Esplanada: Cargos por apoio em SP

CORREIO BRAZILIENSE

Acordo para reforçar a candidatura de Marta Suplicy à prefeitura paulista é o trunfo do PMDB na disputa com os petistas pelos postos de Minas e Energia


Gustavo Krieger
Da equipe do Correio

Márcio Fernandes/AE - 12/2/07
Quércia defende a candidatura própria do PMDB em São Paulo, como forma de pressionar o Planalto

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A disputa pela prefeitura de São Paulo é o trunfo do PMDB para conquistar os cargos que disputa com o PT no Ministério de Minas e Energia. Os petistas querem o apoio dos peemedebistas à candidatura da ministra do Turismo, Marta Suplicy. Esse acordo depende de dois interlocutores. O deputado Michel Temer, presidente nacional do partido, e o ex-governador Orestes Quércia, que controla a legenda no estado. Temer é o encarregado de negociar os cargos. Seu principal objetivo é a diretoria internacional da Petrobras, cobiçada pela bancada do partido na Câmara. Quércia luta para emplacar no governo o ex-prefeito Miguel Colassuono. Ele já foi cotado para um cargo no Ministério da Agricultura, mas perdeu a disputa para o PT. Os petistas também barraram a indicação dele para a secretaria-executiva no Ministério de Minas e Energia. Agora, a briga é por uma diretoria da Eletrobras.

Nas conversas dos últimos dias, os dirigentes do PMDB informaram ao governo que a negociação dos cargos terá reflexo direto na articulação por um acordo em São Paulo. “Se o PT continuar atacando todos os nomes que o partido apresenta não haverá clima para negociar um acordo eleitoral”, diz um dirigente peemedebista. “Se a coligação não funciona no governo, porque funcionaria na campanha?”, questiona.

O PMDB é estratégico na disputa em São Paulo. Na capital, o partido transita entre o PT e os adversários do PSDB e DEM. Um acordo da legenda com qualquer um dos lados pode desequilibrar a eleição. Em primeiro lugar, pelo tempo que o partido acrescentaria aos espaços nos programas do rádio e televisão. Em segundo, por sua estrutura na capital.

Negociações
Até aqui, a legenda negocia com todos os lados. Orestes Quércia já recebeu enviados do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e do PT. Quem o procurou em nome de Marta Suplicy foi o prefeito de Araraquara, Edinho Silva, presidente estadual do PT. Quércia não se comprometeu com ninguém. Mas na conversa, reclamou muito do PT. Disse que o partido atropela acordos e não respeita os aliados.

A irritação de Quércia já fez com que ele adotasse um discurso crítico em relação a Lula. Isso não fez com que ele interrompesse as negociações para nomear Colassuono. A primeira negociação foi para que ele assumisse a presidência da Ceagesp, estatal ligada ao Ministério da Agricultura. O cargo ficou com o PT e a articulação transferiu-se para o Ministério de Minas e Energia.

Um acordo com os tucanos ou com o DEM é uma operação complicada. Afinal, o partido tem cinco ministérios no governo Lula. A direção do PMDB pressiona Quércia a evitar o confronto. Por isso, nos últimos dias o ex-governador passou a defender o lançamento de candidatura própria. É uma forma de manter a negociação em aberto e pressionar o governo.

Como não conseguiu emplacar nenhum dos cargos desejados essa semana, o PMDB decidiu resguardar-se e esperar até depois do carnaval. Nesse momento, com o Congresso reaberto, o partido espera estar mais forte na negociação. A eleição de São Paulo aumenta esse poder.