10/10/2008 - 18:22h A realidade está nos números

Nada mais “chato” que os números e porem, nada mais esclarecedor. O balanço da gestão demo-tucana em São Paulo está retratado nas finanças municipais.

Já no primeiro mês de sua administração, trinta dias depois da posse, a atual administração tinha um excedente de caixa de mais de R$ 1,1 bilhão. Inexplicavelmente,  a maior parte deste dinheiro foi para aplicações financeiras e não para pagar os fornecedores que eles apresentavam em TVs e jornais como “caloteados” por Marta Suplicy.

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Balancete Patrimonial de Janeiro /2005

 

 

Hoje, Gilberto Kassab gosta de dizer que, na época, seu governo foi “prevenido” e “responsável”, por isso não contou com a receita excedente de janeiro…. Então, tá: mas como explicar que, ao fim do primeiro trimestre, esse valor de superávit já passasse de R$2 bilhões e, desse dinheiro, 90% engordasse os lucros dos bancos onde eles aplicaram os recursos da Prefeitura?

 

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 Balancete Patrimonial de Março /2005

 

E o imobilismo desses “gestores modernos” continuou. Ao final do primeiro semestre de 2005, o dinheiro sobrando no caixa da Prefeitura somava quase R$ 2,3 bilhões. E mais de R$ 2 bilhões continuavam nas aplicações financeiras.

 

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Balancete Patrimonial de Junho /2005

A falácia da “crise de endividamento” simulada no começo daquele ano se mostraria por inteiro quando da publicação dos resultados econômicos e financeiros ao final de 2005. O superávit era quase quatro vezes maior do que a soma dos investimentos feitos naquele período, de pouco mais de R$ 680 milhões!

 

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Balancete Patrimonial de DEZEMBRO /2005

Esse desempenho se repetiria por toda a gestão “demo-tucana”. Ao final do segundo ano de governo, em 2006, o superávit passava de R$ 4 bilhões, dos quais R$ 3,3 bilhões ainda dormiam nas aplicações financeiras da Prefeitura de São Paulo.

 

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Balancete Patrimonial de DEZEMBRO /2006

O ápice desta maneira “pouco ortodoxa” de governar chegaria no final do primeiro ano em que Kassab foi responsável direto pela administração da cidade. No final de 2007, o excedente de caixa já chegava perto dos R$ 5,2 bilhões e as aplicações financeiras viravam a marca dos R$ 4 bilhões!

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Balancete Patrimonial de DEZEMBRO /2007

A Prefeitura de uma cidade não é uma empresa, portanto, não visa lucro nem acumulação de capital. Mas, mesmo que fosse como é no conceito do “Estado mínimo”, porque não distribuir então os “dividendos” entre os acionistas”? Porque não proceder a uma redução dos impostos e da carga tributária, já que o dinheiro arrecadado não é gasto?

Uma administração pública deve, sem dúvida, manter equilíbrio entre receitas e despesas - seja por responsabilidade moral, seja por responsabilidade legal – como Marta, aliás, fez em todo seu governo. Mas as contas devem fechar em “zero”, ou seja, deve-se gastar tudo o que foi arrecadado em prol da cidade. Dinheiro aplicado em bancos é coisa de especulador, não de administrador público comprometido com sua cidade.

Os recursos das Prefeituras têm que ser aplicados em ações de ampliação e melhoria dos atendimentos prestados em saúde, educação, assistência social, transportes, habitação, cultura – enfim, em todas as frentes em que a população, sobretudo a mais pobre, é mais dependente das ações governamentais.

Tentando patética e desesperadamente caracterizar sua inação como “responsabilidade” e “equilíbrio gerencial”, o que Kassab faz, na verdade, é escancarar sua profunda incompetência e falta de projetos para a cidade.

O gráfico abaixo não deixa dúvidas a esse respeito. Veja a enorme distância que o governo “demo-tucano” vai abrindo, a partir de 2005, ano a ano, entre o saldo do dinheiro que sobrava nas suas contas e era aplicado em bancos no mercado financeiro (cada vez maior, em verde) e os investimentos feitos em São Paulo (cada vez menores, em vermelho).

 

 

Aplicações Financeiras x Investimentos

PMSP – 2005 / 2008 (R$ mil – valores nominais)

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Em verde as aplicações financeiras e em vermelho os investimentos

* Últimos dados disponíveis, publicados em setembro / 2008

 

Por isso a propaganda e a realidade mostram tamanha disparidade. Como no exemplo do cheque de R$1 bilhão para o metrô ilustrado nesta reportagem do Jornal da Tarde. Ou no anuncio repetido de novas licitações e obras nas vésperas das eleições. A intenção é a manipulação eleitoral e não um projeto de verdade para melhorar a vida das pessoas, nem para diminuir a desigualdade social.

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10/10/2008 - 15:55h A palavra de Marta

Candidata estabelece seu compromisso com São Paulo

foto: Luciano Andrade.  Marta, Dilma Rousseff, Carlos Luppi e Luiz Dulci

Quero agradecer de todo o coração a cada um dos mais de dois milhões de paulistanos que me deram sua confiança no primeiro turno destas eleições. E de tudo vou fazer para estar à altura deste apoio firme e caloroso.

Tenho certeza de que cada um desses votos vai se confirmar no próximo dia 26. Mas peço ainda um pouco mais a todos vocês: vamos trabalhar juntos, com garra e vitalidade, para que novos votos venham se somar aos nossos, no caminho para a vitória.

Nesses poucos dias que faltam para o momento decisivo, quero me comprometer com a população de São Paulo de que continuarei a fazer uma campanha sem ataques pessoais. Meu propósito é apresentar e debater propostas capazes de melhorar a vida de nosso povo.

Minha agenda vem desde o meu primeiro mandato. Com as coisas boas que fizemos na educação, nos transportes, na habitação, na saúde, na cultura e em nossas demais áreas de atuação. Até mesmo nossos tropeços, que reconheço com humildade, nos deram ensinamentos.

Depois da desastrosa experiência que atormentou São Paulo, ao longo da gestão de Celso Pitta, entendi que, para enfrentar o imenso desafio de reconstruir São Paulo, era necessária a união de todas as forças vivas da cidade. O apoio que recebi de Mário Covas e do PSDB, no segundo turno das eleições municipais de 2000, me fez ver que a união era possível e que poderíamos realizar um governo de reconstrução com a participação de todos. Isso só não se concretizou, na dimensão pretendida, por atropelos do processo das eleições presidenciais que se avizinhavam.

Mas em 2002, em sua Carta ao Povo Brasileiro, o então candidato Lula convocou o espírito da parceria e do consenso, assumindo compromissos que respondiam com clareza à vontade de união e mudança. Espírito e compromissos que dariam, em seguida, a marca de sua ação governamental. De que foi exemplo maior, desde logo, a criação do Conselho Econômico e Social, reunindo representantes de todos os setores sociais – para começarem juntos, sob a presidência de Lula, a construção de um novo caminho nacional.

Por esse caminho, o Brasil reencontrou o rumo do crescimento, da superação da dependência do FMI, da diminuição da pobreza, da geração de emprego e renda, da promoção da ascensão social e da ampliação de oportunidades educacionais para jovens de baixa renda. O avanço foi possível – e sensível – porque a disposição do presidente, no combate à desigualdade, se firmou na convergência do esforço de todos.

Não estou na disputa política para dividir. Mas, sim, para unir e construir. Não virão de mim apelos ao ódio, à destruição ou à rejeição de adversários. O que farei será mostrar com firmeza, ao povo de São Paulo, a alternativa que represento para a cidade. Seu voto indicará o destino que se deseja. E vou me empenhar para que tal destino coincida com o caminho que o presidente Lula traçou para o país.

Como primeiro passo no sentido da união de São Paulo, assumo aqui o compromisso de, se eleita, constituir um Conselho da Cidade. Um conselho de representantes de todos os segmentos da população. Das entidades representativas da sociedade civil, dos empresários e dos sindicalistas, do comércio e da universidade, das igrejas, da cultura, do esporte e dos usuários dos serviços públicos. Com um só objetivo: realizar uma cruzada – e canalizar o esforço de todos, a fim de enfrentar as questões mais cruciais do município, a começar pelo transporte coletivo.

Tenho apoio do presidente Lula para, na articulação das três instâncias de governo, construir 228 km de corredores de ônibus e 47 km de metrô, nos próximos quatro anos. Para, assim, dar um salto de qualidade na vida paulistana, superando um problema crítico que vem prejudicando fortemente a economia urbana e a saúde da cidade e do cidadão. E assim como, para combater a segregação dos mais carentes, o metrô deve chegar a mais lugares da periferia, me comprometo a não criar qualquer pedágio urbano, que atingiria em cheio os menos privilegiados, sem resolver o problema do trânsito, como já ficou demonstrado em grandes cidades do mundo.

Quero também assumir uma nova atitude na questão tributária. Os níveis recordes de arrecadação da prefeitura permitem um amplo programa de incentivos à produção e ao empreendedorismo, tão forte em nossa capital, com desoneração dos impostos municipais e desburocratização dos procedimentos. E reafirmar meu compromisso de isentar os profissionais liberais autônomos do pagamento do ISS.

Com a união de todos os setores sociais, poderemos projetar São Paulo na era digital. Segmentos empresariais da área de informática já manifestaram interesse em participar do programa de acesso gratuito à internet banda larga em nossa cidade. O governo federal assinou convênio para equipar, com esse fim, 800 escolas municipais. E pretendo combinar esta ação com investimento em qualificação profissional no espaço dos CEUs, que, com a construção de mais 20 unidades, irão configurar a Rede-CEU.

Uma outra ofensiva do governo de união por São Paulo deverá se desenvolver no campo da saúde, diante da realidade da falta de médicos e de atendimento em especialidades. Venho propondo a criação de 31 policlínicas na cidade, uma em cada subprefeitura. E quero agora incorporar, ao desenho dessa rede, a proposta de criação de centros de atendimento aos idosos, apresentada pelo candidato Geraldo Alckmin.

Para finalizar, quero dizer que, para governar São Paulo e superar a crise que estamos vivendo, será fundamental a mobilização de nossas melhores energias. A coragem de ousar e inovar, combinando planejamento e imaginação. Generosidade e rigor.

São Paulo precisa crescer. Mas crescer com inclusão social. Crescer em benefício de todos. E é para isso que a todos convoco, no sentido da construção de um governo de união por São Paulo. Um governo voltado para construir uma cidade melhor, mais forte e mais justa.

10/10/2008 - 15:37h Instrumento de desinformação

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A cobertura da campanha de Marta, no jornal O Estado de São Paulo de hoje, ilustra muito bem o que tenho escrito no post anterior sobre o debate que importa.

Ontem 11 ministros e uma sala cheia acompanharam o lançamento feito por Marta de uma carta-compromisso com São Paulo. A ministra Dilma Rousseff; o ministro da Justiça, Tarso Genro; o ministro da Educação, Fernando Haddad; o ministro do Trabalho, do Turismo, da Presidência, todos expondo o porque do engajamento em favor da Marta.

O jornal decidiu ocultar de fato este ato, diminuir sua importância e tentar contribuir assim a desinformar os leitores sobre a campanha de Marta. Para isto o jornal utiliza os artigos da Vera Rosa dedicados a semear intrigas e ocupa o espaço “nobre” da página para tratar do marido da Marta.

O jornal dedica menos espaço, sem fotos, ao encontro de 11 ministros do governo, às propostas apresentadas por Marta no Compromisso com São Paulo, jogado ao pé da página, que a minha presença junto com minha esposa na sinagoga.

Para justificar os objetivos políticos evidentes nessa escolha do jornal, a manchete do artigo com foto de 1/4 de página proclama uma mentira: Favre reaparece ao lado da ex-prefeita.

Vou repetir, a manchete é uma mentira. Estive presente, por exemplo, em todos os debates que foram organizados pelas emissoras durante o primeiro turno. Estive em todos os comícios nos quais o presidente Lula participou da campanha. Estive na convenção do lançamento da candidatura e também em todos os seminários organizados pela Marta antes do horário eleitoral na TV. Em todos estes eventos fui fotografado e conversei com inúmeros jornalistas. Como foi o caso, por exemplo, no lançamento do livro da Marta, recentemente. Não acompanhei minha esposa na votação porque fiquei em casa com os netinhos, enquanto Marta e seus filhos iam votar.

Acontece que, diferentemente das eleições de 1989, 1994, 1998, 2000, 2002, 2004 e 2006, nestas eleições não estou participando da campanha porque escolhi dedicar meu tempo a animar este blog e contribuir assim ao debate de idéias e a compartilhar as informações e minhas leituras neste espaço.

A primeira mentira, a manchete, serve para “justificar”, volto a repetir, a decisão de evitar que a questão da força da participação dos ministros e das questões levantadas nos seus discursos, assim como o conteúdo do Compromisso da Marta com São Paulo sejam objeto de atenção, destaque e possam alimentar alguma reflexão nos leitores do jornal. Trata-se de sonegar informação de maneira deliberada para, ao mesmo tempo, procurar explorar os preconceitos e a vida privada da Marta.

O resto do artigo nauseabundo da Vera Rosa envereda para minha nacionalidade, onde o “argentino” e oposto a “homem bom”; não por ela claro mas por supostas pesquisas, que supostos anônimos, comunicaram a ela. A xenofobia e o preconceito propalado com o pretexto de tratar da “rejeição”, com o objetivo, volto a repetir de ocultar o ato de ontem, assim como o conteúdo do manifesto lançado por Marta.

Alguns dos leitores deste blog se perguntam como se contrapor a esta campanha contra Marta e em favor da direita?

Penso, em primeiro lugar, que a resposta é: falando do ato de ontem e distribuindo o Compromisso com o povo de São Paulo entre seus amigos e conhecidos.

Em segundo lugar, recusando a tentação de “fazer igual”, falando da vida privada dos outros. Abaixar-se ao nível do esgoto, sob pretexto de combater uma ignomínia, é se arriscar a ficar como os outros, que no lodaçal se esfregam todo dia.

Luis Favre

10/10/2008 - 13:28h O debate que importa

As reportagens do jornal Valor publicadas embaixo, no bairro de Santana, na Zona Norte e no bairro de Piraporinha, na Zona Sul, são ótimos. Eles retratam visões, motivações, preconceitos e argumentos presentes entre os habitantes da cidade. Mas “Santana”* não expressa as preocupações e os sentimentos da imensa maioria dos cidadãos de São Paulo. Não expressa tampouco as motivações da maioria do eleitorado, não só da Marta, mas mesmo de os outros candidatos que tiveram até votação consagradora em Santana.

Os argumentos e motivações expressos na reportagem sobre o voto, por parte de eleitores de Santana, mesmo pouco representativos dentro do universo eleitoral da cidade, são o alicerce que devidamente propalados pela mídia contribui a alimentar o voto anti-PT ou a famosa “rejeição” da Marta. Eles ocupam um espaço desmedido na mídia, a qual “agrega” este “moralismo” de circunstância a seus interesses anti-populares.

Muitos eleitores progressistas caem na armadilha de querer encaminhar as campanhas eleitorais visando desmontar e desmistificar esses argumentos para convencer esses eleitores, considerando que a classe média se espelha neles. O conservadorismo “moral” é um pretexto para votar em favor da direita. Por exemplo, a maioria dos eleitores de Santana votaram nos candidatos Alckmin e Kassab, mesmo que ambos tenha declarado que eram a favor da união cívil de pessoas do mesmo sexo. Argumentam contra o divorcio de Marta, e é o bairro que tem o maior número de divorciados da cidade, segundo a reportagem do Valor. Como já fora apontado pelo famoso Molière, a tartufice é a fantasia preferida dos pequenos burgueses, na procura para serem admitidos nos salões iluminados das classes dominantes. O pior é que no caso, eles se contentam em compartilhar os preconceitos, a ignorância e a pretensão sabendo que na festa do andar superior o “numerus clausus” esta reduzido a uns poucos.

Já “Piraporinha”* concentra os temas centrais da disputa eleitoral, não sem preconceitos e desinformação, porem concentrados na questões cruciais das aspirações da maioria da população da cidade, mesmo que na votação em Piraporinha apareça como minoritário o que está presente as vezes majoritariamente em outras regiões e vice-versa.

Os “temas” de “Piraporinha”* concernem todas as classes sociais, porem preocupam e motivam o voto essencialmente da classe média-média e da nova classe média, a dos assalariados e demais setores populares. Os resultados do primeiro turno na cidade e a definição do segundo turno dependerá das respostas de cada campo político e de seus partidos e candidatos a essas preocupações, críticas, dúvidas.

Já os argumentos de “Santana”* só servem de escudo hipócrita a uma minoría da classe média e alta. Eles servem essencialmente para a mídia alimentar seu ódio contra o PT e a Marta. Por isso ocupam um lugar de destaque nos jornais e com eles se detectam e deles falam até pelos cotovelos, comentaristas e “cientistas”, além de pretensos jornalistas que só se interessam pela vida privada da Marta e olham para outro lugar quando de outros se trata.

Acostumados como são a ofertar suas penas para qualquer baixaria em troca do “vil metal”, escrevem orgulhosos na casa de tolerância generosa em que se transformou uma parte da mídia. Devemos desmistificá-los e mostrar seus objetivos, apontar para seus argumentos preconceituosos e arrancar assim o disfarce que utilizam para ocultar o que são, verdadeiras sicofantas a serviço da direita.

Mas não perder tempo com eles na campanha eleitoral e ir ao encontro da discussão que interessa a maioria da população e que definirá seu voto.

Luis Favre

* Os nomes dos bairros, “Santana” e “Piraporinha”, entre aspas, não concernem nem os bairros e menos ainda seus habitantes. São utilizados aqui em refêrencia aos artigos do jornal Valor como representação dos argumentos retratados nesses artigos por pessoas de ambos os bairros. Qualquer generalização seria abusiva e seguramente nos dois lugares existem opiniões diferentes as retratadas na reportagem do jornal.

Clique na imagem para ampliar e ler ou veja nos post embaixo o conteúdo das reportagens

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08/10/2008 - 17:52h Cesar Maia continua dando palpites

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O demo Cesar Maia não se abalou com a derrota de sua candidata Solange e já esta novamente no seu ex-blog analisando questões eleitorais. Com a cabeça no Rio, ele expõe alguns itens que tem valor seguramente para outras campanhas. Vejam o que ele escreve:

“1. Em várias eleições no Brasil, com segundo turno, foi demonstrado que não necessariamente o eleitor que votou num candidato no primeiro tenha que repetir o voto no segundo turno. Isso só ocorre com os partidários ou militantes das campanhas, o que na realidade brasileira é em geral uma pequena fração do eleitorado.

2. O eleitor não vê nenhum problema de consciência ou infidelidade mudar de voto do primeiro para o segundo turno. E isso se torna ainda mais possível pela igualação dos tempos de TV e a focalização em apenas dois nomes na imprensa e na propaganda eleitoral. Para o eleitor médio é como se fosse outra eleição. Não diria nova, mas outra.

3. Quem pensa que leva -necessariamente- os votos do primeiro turno para o segundo e depois busca apoios para agregar sobre o que já teve, pode estar cometendo um erro fatal. Mas há uma faixa de probabilidades -maior ou menor. Quanto mais as agendas fixadas pelos candidatos no primeiro turno foram as razões firmes de seu voto, maior a probabilidade do eleitor repetir o voto. E ao contrário: quanto mais o voto estiver ligado à visibilidade, coreografia na TV, etc… menor a probabilidade de repetir o voto.” (…)

08/10/2008 - 12:18h Verdade

Diário de São Paulo

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08/10/2008 - 12:10h Serra criou em SP o adultério partidário sem culpa

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Blog de Josias

Reconheça-se: como no casamento, a união partidária já é dissolúvel na véspera. O PSDB é igual às outras legendas. Só que leva a fatalidade às últimas conseqüências.

Em 2002, Serra sufocou Tasso. Em 2006, foi sufocado por Alckmin. “Isso passa! Isso passa”, dizem sempre os tucanos do “deixa-disso”.

Bobagem. Dor de traição não passa. Fica enterrada na alma, sob camadas de cinismo. Como em certos casamentos, entre o desquite e a traição, recorre-se à segunda opção.

Súbito, a vítima de ontem torna-se o algoz de hoje. E, para o bom equilíbrio partidário, convém que a nova vítima aceite o seu papel.

Serra vai à crônica da eleição paulistana de 2006 no papel de marido violento: bateu, mas calado. E jamais disse a Alckmin: “Não chateia! Não amola!”

Agora, depois de eliminar, em 2008, o algoz de 2006, o governador flerta com 2010 de mãos dadas com o ‘demo’ Kassab, objeto da traição.

Serra ajudou a produzir algo que o PT vem tentando há anos, sem sucesso: uma derrota do PSDB em São Paulo, vitrine do tucanato.

De resto, o governador está na bica de proporcionar ao DEM um feito com o qual o ex-PFL sonha desde a sua fundação: uma vitória em São Paulo.

Nesta terça (8), decorridas menos de 48 horas da abertura das urnas, Serra saiu da toca (veja no vídeo no blog de Josias).

Para aplainar o terreno presidencial, Serra inventou um novo tipo de infidelidade política: o adultério partidário sem culpa.

Escrito por Josias de Souza

08/10/2008 - 10:15h O mapa dos resultados eleitorais dos partidos, por região e em números de votos

O jornal O Globo publicou um mapa com os resultados eleitorais comparativos entre 2004 e 2008. Os resultados mostram, como já indicamos no blog, uma importante vitória eleitoral dos partidos da base do governo Lula e quedas expressivas dos partidos de oposição.

É assim, por exemplo, no Nordeste, onde o PMDB registra um crescimento de 25% no número de prefeituras conquistadas, o PDT um crescimento de 126% de prefeituras ganhas, o PSB mais 91% de novas prefeituras e o PT um crescimento de 105% novas conquistas. Em contraposição, o DEM (ex-PFL) registra menos 63%, o PSDB menos 16% e o PPS menos 78%.

Estes resultados aparecem em todas as regiões do país, em maior ou menor medida. Ao mesmo tempo na região sudeste e em parte também na região sul, a oposição resiste melhor. Nesse sentido se repete o que já foi constatado na eleição presidencial de 2006, são essas regiões as que dão maior sustentação para a oposição.

Mas é significativo que no sudeste, onde a oposição ao governo Lula esta mais implantada e onde seu resultado foi menos ruim, o DEM (ex-PFL) tenha sofrido um recuo de 11% de prefeituras a menos e o PPS uma perda de 25%, compensadas em parte pela melhora do PSDB que conquistou 8% de novas prefeituras. O PT, por sua vez, conseguiu nesta região um crescimento de 18% no número de prefeituras novas, o PDT 23% e o PSB 36%.

No mesmo jornal O Globo, na coluna de Ilimar Franco, um quadro retrata os resultados em votantes para cada partido. O quadro mostra que os partidos de oposição a Lula (PSDB, DEM e PPS) fizeram 5,2 milhões de votos a menos que em 2004. Já só os partidos de esquerda (PT, PCdoB e PSB) conseguiram 2,2 milhões de votos a mais que em 2004 e o PMDB, que também faz parte da base de apoio do presidente, amplio sua votação em 4,1 milhões. LF

Clicar na imagem para ampliar e ler o mapa do jornal O Globo

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Clique na imagem para ampliar e ler o gráfico da coluna de Ilimar Franco, do jornal O Globo

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07/10/2008 - 13:05h Como votou o Brasil

Clique na imagem para ampliar e ler a Folha SP

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07/10/2008 - 10:43h As urnas mostram uma derrota da oposição e vitória dos partidos do governo Lula, em primeiro lugar do PT

Eleições municipais no Brasil mostra que o PT é quem mais prefeituras novas conquistou e o DEM e PSDB, os que mais perderam

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Ontem a Folha de São Paulo informava assim sobre o resultado nacional das eleições municipais, após o primeiro turno:
“Passado o primeiro turno, PT, PMDB e PSDB são os maiores vencedores nas 26 capitais e nos 53 municípios com mais de 200 mil eleitores, o chamado G79 -um universo de 46.819.495 eleitores, o equivalente a 36,4% do total dos habilitados a votar para prefeito.” (Folha SP, 6/10/2008 “PT, PMDB e PSDB dominam capitais e maiores cidades”).

Aqui no blog, apoiado em artigos precisos do jornal O Estado de São Paulo, mostrei que existia uma vontade de ofuscar e confundir sobre os resultados eleitorais, sonegando a questão central: o primeiro turno consagrou uma vitória expressiva do governo Lula e sua base de apoio, com destaque para o PT.

Hoje a Folha de SP (ver nos post precedentes) tem que reconhecer os fatos ignorados ontem. DEM e PSDB são os partidos que mais prefeituras perderam e o PT foi o partido que ganhou mais prefeituras. A oposição perdeu duplamente. Primeiro na política, fugindo de qualquer questionamente ao governo ou “federalização” da disputa municipal, ao contrário do que ela fez em 2004. A oposição perdeu também nas urnas, no voto. O DEM quase desaparecendo e o PSDB, encolhendo. O DEM já perdeu neste primeiro turno 176 prefeituras, foi o partido que mais perdeu. Em segundo lugar, com 109 prefeituras a menos, o PSDB e em terceiro lugar do ranking dos derrotados, o aliado dos demo-tucanos, o PPS de Roberto Freire e a Soninha, que perdeu 70 prefeituras.

O resultado das eleições municipais neste primeiro turno, obscurecido pelo interesse político e a parceria mídia-oposição, não conseguiu tapar o sol com a peneira. Os demo-tucanos estão cada vez mais confinados ao Estado de São Paulo e mesmo aqui o avanço do PT foi importante, particularmente nas cidades do cinturão indústrial de São Paulo.

Luis Favre

 

 

07/10/2008 - 09:52h Oposição perde espaço pelo país; PT tem o maior crescimento

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Desempenho do partido de Lula, porém, ficou aquém do projetado por sua direção; em números absolutos, o PMDB foi o partido mais vencedor do domingo, com 1.194 prefeitos eleitos no primeiro turno

ALAN GRIPP - LETÍCIA SANDER da FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Os três principais partidos de oposição ao governo Lula foram os que mais perderam prefeituras no primeiro turno da eleição de domingo. O DEM deixará o poder em 176 cidades; o PSDB, em 109; e o PPS, em 70.

Embora com desempenho aquém do projetado por sua direção, o PT sai das urnas com o maior crescimento no número de municípios. O partido tem atualmente 391 prefeitos, esperava chegar a 700 e saiu das urnas com 548 eleitos.

Mas, pelo critério de número de votos nominais, o grande vencedor no primeiro turno é o PMDB. Seus candidatos a prefeito receberam 18,4 milhões de votos, embora o número de prefeituras do partido tenha ficado praticamente estável (de 1.212 para 1.194).

A comparação foi feita pela Folha entre os resultados parciais da eleição divulgados até o fechamento desta edição pelo Tribunal Superior Eleitoral e a lista dos partidos hoje no poder, elaborada pela CNM (Confederação Nacional de Municípios), a principal entidade municipalista do país. Esse cruzamento retrata mais fielmente a realidade política brasileira, pois contempla o troca-troca partidário desde 2004.

O TSE havia computado até o final da tarde de ontem os votos em 5.544 municípios -em 29 deles, a eleição será decidida somente no segundo turno.

Além do PT, o PTB e siglas que compõe o chamado “bloquinho de esquerda” foram os partidos que mais ganharam prefeitos. O PT fez 157 prefeituras a mais do que tem hoje e ainda disputa o segundo turno em 15 cidades, entre elas 3 capitais (São Paulo, Salvador e Porto Alegre).
O PSB obteve o resultado mais consistente entre as legendas do bloquinho -95 prefeitos a mais do que os 214 que governa hoje, de acordo com os dados da CNM. O PTB terá a partir do próximo ano 35 prefeituras a mais, e o PDT, 33. PC do B e PV também cresceram -cada um ganhou no primeiro turno 21 prefeituras a mais.

Hoje, os 14 partidos que apóiam o governo Lula no plano federal têm 3.360 prefeituras, contra 1.852 governadas pelas demais siglas. Os três principais partidos de oposição no plano federal -PSDB, DEM e PPS- têm juntos 1.761.

No primeiro turno desta eleição, os partidos da chamada base aliada conquistaram 4.036 cidades, um crescimento de 20% em relação a hoje. Os demais enxugaram seus quadros -saíram do primeiro turno com 1.479, uma queda de 20%. PSDB, PPS e DEM fizeram 1.406 prefeituras, de acordo com os dados parciais do TSE.

Parte do declínio do DEM no número de prefeituras se deve ao fraco desempenho da sigla na Bahia, na primeira eleição após a morte do ex-governador Antônio Carlos Magalhães. O partido tem atualmente 116 prefeitos, de acordo com a lista da CNM. Neste primeiro turno, só elegeu 44, aponta o TSE. Se comparado ao resultado no primeiro turno da eleição de 2004, a derrocada do DEM fica ainda maior (71%) na Bahia. Naquele ano, a legenda chegou ao poder em 153 cidades.

O PMDB, comandando na Bahia pelo ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), sai deste primeiro turno como o grande herdeiro do carlismo. Em 2004, os peemedebistas fizeram 20 prefeituras no Estado. Atualmente têm 57. Saem das urnas com 113.

O PT, do governador Jaques Wagner e que disputa com o PMDB o espólio político de ACM, elegeu 66 prefeitos no domingo -hoje tem 25, seis a mais do que elegeu em 2004.

Sob a liderança do governador Eduardo Campos, o PSB consolidou Pernambuco como um forte reduto do partido. Em 2004, a legenda fez 12 prefeituras no Estado. Agora, assegurou o controle de 49.

Considerando o número total de votos nominais computados até agora, o PT ficou em segundo lugar, atrás do PMDB, com 16,5 milhões de votos. Em terceiro, ficou o PSDB, com 14,45 milhões de votos, seguido do DEM, com 9,3 milhões, puxado pelo bom desempenho de Gilberto Kassab em São Paulo.

No fim da tarde, em reunião do conselho político, Lula ironizou a oposição, segundo relato de presentes: “Existem três partidos que estão muito nervosos: o DEM, porque perdeu muitas prefeituras, e o PSDB e o PPS, que perderam boas prefeituras”.

07/10/2008 - 09:36h Sem medo de ser feliz

PT continua líder nas capitais e nas maiores cidades do país

Partido confirma favoritismo, elege 13 prefeitos e está no 2º turno em 15 municípios

Já o PMDB pode eleger até 21 prefeitos e o PSDB pode governar 19 prefeituras do grupo das 79 cidades com mais de 200 mil eleitores

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FERNANDO RODRIGUES - FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Apurados os votos em todas as 26 capitais e nos 53 municípios com mais de 200 mil eleitores, o PT confirmou seu favoritismo nas urnas e avançou nesse universo de grandes centros. O partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou 13 dessas cidades no primeiro turno e disputa outras 15 localidades no segundo turno, no dia 26 deste mês.
Hoje, os petistas governam 17 cidades do chamado G79, o grupo das capitais e cidades grandes que abriga 46,8 milhões de eleitores, o equivalente a 36,4% do total do país. Na eleição de domingo estavam em jogo 5.563 prefeituras.
Na sua hipótese mais otimista, o PT poderá chegar a 28 cidades governadas no G79, o que daria ao partido um eleitorado governado de 21,2 milhões nessas localidades.
É raro um partido ter sucesso em todos os segundos turnos para os quais se qualifica. O melhor indicador nesta fase da campanha é saber se o candidato passou à fase final na primeira ou na segunda colocação. Quem sai na frente, em geral, leva alguma vantagem -embora viradas também não sejam impossíveis. Dos 15 petistas no segundo turno, 11 terminaram o 1º turno na frente do adversário mais direto.
Junto com o PT no topo da tabela do G79 estão PMDB e PSDB, quase empatados. Os peemedebistas elegeram dez prefeitos no primeiro turno e disputam mais 11 cidades. Os tucanos já garantiram nove municípios grandes no domingo e estão em outros dez segundos turnos.
A diferença entre PMDB e PSDB é que seis candidatos peemedebistas passaram ao turno final na primeira colocação. Entre os tucanos, só quatro estão nessa situação.
Essa trinca somada -PT, PMDB e PSDB- tem hoje mais da metade das capitais e cidades com mais de mais de 200 mil eleitores. Em 2009, há uma tendência de leve ampliação nesse domínio.

DEM e segundo pelotão
Há um segundo pelotão de partidos no G79 cujo número de cidades governadas gravita em torno de quatro a nove. O grupo pode ser agora liderado pelo DEM (quatro cidades no primeiro turno e duas disputas no segundo). A atenção sobre os democratas está em São Paulo, onde a sigla disputa para valer pela primeira vez em sua história. A capital paulista é considerada a jóia da coroa por todos os partidos -pela exposição nacional e por causa do número de eleitores (8,2 milhões).
Junto nesse grupo intermediário de partidos nos grandes centros estão o PSB (três prefeitos eleitos no primeiro turno e outros seis em disputa agora), PDT (quatro primeiros turnos e um no segundo) e PP (três no último domingo e outros três em disputa no final do mês).
Na parte de baixo da tabela, várias siglas pequenas se esforçam para aparecer, mas sempre de maneira isolada. O caso mais notório desta vez é o PV, que já elegeu a prefeita Micarla de Souza, em Natal (RN), e disputa pela primeira vez a Prefeitura do Rio, com o deputado federal Fernando Gabeira.

Segundos turnos

Das 79 cidades grandes e capitais, 50 liqüidaram a eleição no domingo durante o primeiro turno. Em 29 municípios a definição foi para o segundo turno. Entre as 26 capitais, 15 já têm os seus prefeitos definidos.
O PT já está com seis capitais. PMDB, PSDB e PSB garantiram duas cada. PC do B, PP, e PV tem, até agora, uma capital cada um.

06/10/2008 - 23:28h Empresário vota em Kassab, entre outros motivos, pela beleza do prédio da prefeitura

O jornal Valor, que publicou a entrevista que reproduzi embaixo no post anterior, do empresário Alexandre Saigh em favor da Marta, publicou também uma entrevista com o empresário Abreu Duarte, que explica porque votou em Kassab.

Reproduzo o artigo que permite comparar os argumentos e motivações, que merecem respeito, bem que sejam distantes das motivações do empresário Alexandre Saigh. Gostaria de destacar, porem, um fato significativo. Um dos argumentos que Abreu Duarte apresenta em favor de Kassab é a admiração pelo prédio da prefeitura, “Voltei a entrar no prédio apenas neste ano e fiquei abismado com a beleza do local e em como ele está preservado.”, diz o empresário. Ele ignora provavelmente que foi Marta que recuperou o prédio, mudou a sede do antigo Palácio das Indústrias para o velho “Banespinha”, após ter recuperado e restaurado sua antiga beleza. Marta conseguiu isto após uma negociação com o Banco dono do prédio e sem utilizar dinheiro do orçamento municipal. O empresário viu na beleza da restauração uma das provas que Kassab é… um bom gerente!

Eta, grau de informação de uma parte de nossa elite. LF

 

 

Baixo custo do Cidade Limpa ganha eleitor

 Danilo Fariello, VALOR

Laodse de Abreu Duarte pode ser perfeitamente descrito como um quatrocentão. Ele é diretor da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) há mais de 30 anos e controla a empresa fundada por seu pai, a JB Duarte, que começou no ramo de óleos vegetais e agora, reformulada, tem participações em companhias de autopeças e tecnologia. Por circular pela elite da cidade, é amigo de Marta Suplicy (PT) e de alguns integrantes da família Matarazzo. Mas seu voto ontem foi para Gilberto Kassab (DEM), a quem considera um bom administrador.

Davylim Dourado/Valor

Abreu Duarte: expectativa de que eleição de Kassab fortaleça Serra em 2010

Aliás, a relação com a família e o Edifício Conde Matarazzo é um dos fatores que permeiam essa sua decisão de voto. Duarte lembra quando, algumas décadas atrás, freqüentava o prédio ao lado do Viaduto do Chá, terminado em 1940, e onde hoje está localizada a sede da Prefeitura. “Voltei a entrar no prédio apenas neste ano e fiquei abismado com a beleza do local e em como ele está preservado.” O edifício, onde se encontra um busto de seu pai, ainda preserva suas colunas de mármore e portas em jacarandá. O prédio de 16 andares é também conhecido como Banespinha, por ter abrigado o banco estadual por décadas.

O visual exterior da cidade também é motivo para Duarte sustentar seu voto no candidato do DEM. “O Cidade Limpa embelezou a cidade e não custou nada”, diz ele, ao correr os olhos sobre o Vale do Anhangabaú, de cima do viaduto. Para Duarte, a grande virtude de Kassab é ser um bom administrador - do ponto de vista empresarial, como ratifica. “Na parte política, todos são iguais.” O rodízio de caminhões nas marginais também não exigiu um centavo de gasto, diz ele, ressaltando outra que considera uma boa decisão administrativa da prefeitura atual. “São pequenos exemplos que mostram que precisamos manter esse gerente.”

Kassab, que foi eleito como vice, assumiu a prefeitura em março de 2006, quando José Serra elegeu-se governador. Para Duarte, ele teve pouco tempo para mudar a cidade e ainda há muito a ser feito em revitalização de calçadas e de vias públicas e para o trânsito, principalmente. “Não dá para mudar tudo o que é necessário em tão pouco tempo.” O empresário também não se assusta com a possibilidade de, se eleito, o prefeito partir para outras candidaturas no futuro, como o governo estadual. “Não me preocupa se amanhã ele sai. Seria normal.”

Apesar de se relacionar com candidatos e eleitos, Duarte nunca foi muito íntimo de política. Aos 65 anos, define-se como apartidário. Já votou em candidatos de diversas legendas que apareceram depois de implantado o pluripartidarismo. Nos negócios, também sempre evitou política. “Nunca forneci nada para governos, nem na época em que atuávamos na área de alimentação.” A JB Duarte é uma companhia de 96 anos, com capital aberto em bolsa desde 1936, que criou o óleo vegetal Maria - hoje sob controle da multinacional Cargill.

O diretor da Fiesp viu com animação a ascensão de Kassab nas pesquisas. “Isso foi uma resposta ao que ele fez”, comenta, animado com a expectativa de que seu candidato vá ao segundo turno.

Ontem, na Escola Morumbi, onde vota - a poucos metros da residência de Marta Suplicy -, Duarte chegou animado precisamente ao meio-dia. Os jornais do domingo davam-lhe a certeza de que Kassab iria ao segundo turno. “Mas agora vai começar outra batalha. O jogo não está ganho”, diz ele, que é também amigo de Guilherme Afif Domingos, um dos mentores políticos de Kassab.

Duarte estava empolgado ontem também por ter descoberto no currículo do candidato do DEM o diploma de engenheiro pela Escola Polítécnica, da USP, além da conhecida formação como economista. “A sua formação explica o fato de ser um bom gestor”, dizia. Ao encontrar Álvaro Augusto Vidigal, ex-presidente da Bovespa, na mesma zona eleitoral, soltou um “olha lá, hein!”, como quem cobrava um voto consciente do amigo.

Para o empresário, a esperada eleição de Kassab deverá fortalecer a candidatura do governador José Serra para a presidência em 2010. “Ele é o responsável por tudo isso”, avalia Duarte, para quem a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) foi um gesto de teimosia política.

06/10/2008 - 22:48h Um empresário paulistano e cidadão exemplar

Aposta no metrô motivou opção por petista

Lílian Cunha,VALOR

Nas eleições presidenciais de 1989, o então presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mário Amato, disse que se Lula ganhasse o pleito 800 mil empresários sairiam do Brasil. Dezenove anos depois, o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, está no segundo mandato como presidente da nação e Mário Amato, assim, como a maior parte dos 800 mil empresários a que se referiu, ainda está no Brasil. Muitos, inclusive, se tornaram petistas, como o sócio e co-fundador do banco Pátria Investimentos, Alexandre Saigh, paulistano, corinthiano, 41 anos. “Sempre votei na Marta Suplicy e também votei no Lula nas últimas eleições”, diz ele, se referindo à candidata do PT à prefeitura da capital de São Paulo.

Rogério Pallatta/Valor
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Saigh voltou de Nova York só para votar na petista: “ela tem garra”

Saigh garante que não se sente um peixe fora d’água quando diz a seus colegas também empresários que vota no Partido dos Trabalhadores. “Aquele ‘risco político’ que o Mário Amato temia no final dos anos 80 já não existe mais. Hoje o PT é situação e provou que tem disciplina e capacidade para uma boa gestão econômica.”

De família de classe média alta paulistana, Saigh se formou em ciências, com dupla concentração em Administração de Empresas e Financeira de Hotéis e Alimentos, pela Boston University, nos Estados Unidos, onde morou. Voltou à cidade natal no início dos anos 90. “Admiro a garra, a vontade e a competência política da Marta. Isso ficou evidente no primeiro mandato dela quando ela enfrentou e resolveu a questão dos perueiros”, lembra ele. “A Marta tem coragem de tomar decisões. E decidir, no meio político, é uma coisa bem complicada. Ela acredita que as coisas vão dar certo e essa crença leva ela para frente, como administradora.”

Para Saigh, os CEUs (Centros Educacionais Unificados) são o grande marco da gestão da ex-prefeita. Em seu governo, a petista ergueu 21 unidades dos “escolões” com área também para o lazer da comunidade em bairros da periferia. “Na época, ela enfrentou críticas da classe dominante porque o asfalto estava ruim na Zona Sul. Mas ela estava decidida a investir na periferia e teve coragem de insistir em sua decisão.”

Mas não foi só o passado como prefeita que pesou para a escolha de Saigh. O empresário acredita que Marta tem um plano diferente e a longo prazo para a cidade, que será uma das sedes da Copa do Mundo de Futebol de 2014. “No Ministério do Turismo, Marta ajudou a costurar o projeto que trouxe a Copa do Mundo para o Brasil. Ela já tem um plano de investimentos a longo prazo para preparar a cidade para o megaevento”, diz Saigh.

Uma das obras que a petista colocará como prioridade, segundo ele, é a conclusão e expansão do metrô. “Enquanto a Cidade do México tem 250 km de linha de metrô e Santiago, no Chile, tem 80 km, São Paulo, que é muito maior que todas essas capitais, tem só 61 km.” Embora a expansão dessa forma de transporte seja incumbência do governo estadual, e não do municipal, Saigh acredita que o relacionamento estreito de Marta com o governo federal será fundamental para canalizar investimentos na cidade. “Essa afinidade e a obrigatoriedade de preparar a cidade para o torneio mundial vão transformar muita coisa.”

Saigh, como responsável pela área de private equity do Pátria Investimentos, quase perdeu a oportunidade de votar em sua candidata. Na quarta-feira, teve que ir às pressas para Nova York, para tratar de negócios. A volta, conforme sua secretária, estava prevista somente para hoje à noite. Mas Saigh emendou uma reunião na outra para ter tempo de embarcar de volta para São Paulo na sexta-feira à noite. No sábado pela manhã, já havia desembarcado em Cumbica, Guarulhos.

Seguiu para casa onde teve tempo de participar da festa de aniversário da filha, de onze anos. “É uma correria só, mas no domingo pela manhã, na primeira hora estarei lá na Escola Britânica, para votar.” Ele, entretanto, digitou o número 13 apenas para a candidata à prefeitura. Seu voto para vereador foi para o PSDB, mais precisamente para a candidata Mara Gabrilli, defensora da acessibilidade para deficientes físicos. “Acredito que vereador tem que ser meio ‘temático’.”

06/10/2008 - 22:08h Longe da cidade da fantasia

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