16/05/2008 - 12:52h Rancor por ‘60 anos de opressão’

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Paz - Shalom - Salam

Gilles Lapouge* - O Estado de São Paulo

Israel celebra seu 60º aniversário de fundação. Festas iluminam o país. Personalidades estrangeiras, entre elas o presidente George W. Bush, participam das comemorações. E os palestinos? Para os israelenses, a data é gloriosa. Para os palestinos é de luto, é o “dia da catástrofe”, ou “nakba. Já vimos algum dia um povo celebrar a sua “catástrofe”? O rancor palestino é total.

Até mesmo o moderado e indulgente presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, declarou em Ramallah que não receberia nenhuma delegação. E o premiê palestino, Salam Fayad, também mostrou seu mau humor: “Como vocês podem celebrar esta data enquanto o povo palestino padece sob o jugo de suas colônias e suas ações”, perguntou aos israelenses.

Por toda a parte é o furor. E uma rajada de críticas: a nakba começou em 1948, com a destruição de 400 povoados e o exílio de 760 mil palestinos expulsos de suas terras, enquanto 160 mil ficaram em Israel e se consideram cidadãos de “segunda classe”. Os palestinos forçados ao exílio tornaram-se 5 milhões. Israel proíbe seu retorno a um território que considera seu. Os que permaneceram em Israel, dizem-se vítimas de um apartheid. Mesmo a Corte Suprema de Israel reconheceu que eles eram discriminados.

Quando olhamos para os dois territórios palestinos, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, o quadro é ainda mais terrível. O famoso muro, erguido em 2000, foi sentido pelos palestinos como uma camisa-de-força mortífera com o fim de privá-los de seus campos e poços, para sufocá-los lentamente, matá-los sem muito ruído. Para eles, o objetivo do muro é tornar impossível o retorno dos palestinos às terras das quais foram espoliados.

A isso tudo se juntam os tiroteios, os foguetes, às vezes as bombas. Na quarta-feira, quatro palestinos foram mortos em Gaza. Desde o início das negociações de paz projetadas por Bush em novembro, 467 palestinos foram mortos (bem entendido, a essas acusações os israelenses replicam que foram os palestinos que começaram. Mas hoje fazemos eco das palavras dos palestinos, e não dos israelenses).

Os palestinos são vítimas de uma perseguição similar àquela sofrida pelos judeus nos tempos infames de Hitler. Gaza é “um campo de concentração”. O bloqueio paralisa a região. A vida ali é desumana. Para os palestinos, trata-se de um holocausto cometido pelos antigos mártires judeus.

O estranho é que essas acusações também são feitas por judeus europeus. Em Londres, cem personalidades judaicas assinaram um texto, publicado no jornal The Guardian, em que afirmam: “Nós não celebraremos o aniversário de um Estado criado tendo como base o terrorismo, os massacres e a espoliação das terras de outras pessoas. Um Estado que procede à limpeza étnica e inflige uma monstruosa punição coletiva à população civil de Gaza. É tempo de reconhecer o preço pago por um outro povo pelo anti-semitismo europeu e o genocídio hitlerista.”

* Gilles Lapouge é correspondente em Paris

01/08/2007 - 15:16h “Una afrenta para Latinoamérica”

Por Fernando Cibeira
desde México D. F. para Página12

Después de agradecerle al pueblo mexicano por “abrirles la puerta” a los exiliados argentinos durante la dictadura, el Presidente condenó “el indigno muro” que los Estados Unidos están construyendo en la frontera con México.

El discurso del presidente Néstor Kirchner en el recinto del Senado mexicano volvía sobre los tópicos en los que insiste desde que pisó el DF: los deseos de lograr una mayor integración y destacar las coincidencias alcanzadas entre ambos países. Pero, como suele suceder, cuando se apartó de la letra escrita llegó lo más sustancioso. Entonces agradeció al pueblo mexicano por “abrirles las puertas” a los exiliados argentinos de la dictadura y, hablando de derechos humanos, condenó enérgicamente el muro que la administración de George Bush pretende levantar en la frontera con México. “Quiero dejar en claro el repudio del pueblo argentino, de quien les habla y de quienes me acompañan, a la construcción del indigno muro que se está construyendo entre la hermana nación mexicana y la nación de Estados Unidos”, sostuvo el Presidente, que no pudo terminar la frase, interrumpido por los aplausos de los legisladores.

Kirchner profundizó sobre la cuestión. Dijo que la decisión del gobierno norteamericano “no es solamente una afrenta para la hermana nación mexicana, sino que es una afrenta para todos los pueblos de Latinoamérica y todos los pueblos del mundo”.

El muro en la frontera entre México y Estados Unidos es un proyecto de los legisladores republicanos pensado como muestra extrema de su intención de frenar la inmigración ilegal. Se estima que en Estados Unidos viven unos once millones de mexicanos y que la mitad habría ingresado ilegalmente. Con esos datos, el Congreso norteamericano votó a favor de la iniciativa que prevé la construcción de un muro de 1125 kilómetros de largo, a través de los estados de Texas, Nuevo México, Arizona y California. En rigor, ese muro –en forma de gigantescas alambradas, zanjas, casetas de vigilancia y también paredes de hormigón– ya existe en varios tramos de la frontera. Lea más aqui