16/11/2009 - 17:02h Entre deux pluies d’or

L’exposition du Louvre titrée Rivalités à Venise (jusqu’au 4 janvier) est une splendeur. Non seulement elle met côte à côte des Titien, des Véronèse, des Bassano, des Tintoret et quelques autres, montrant leurs différences, leurs similitudes, leurs inspirations réciproques, leurs manières de traiter tel ou tel thème, mais de plus elle a l’intelligence de  replacer ces rivalités dans un contexte historique, social, économique, politique tout à fait pertinent (ainsi du mécanisme des commandes publiques). Certes, mieux vaut connaître déjà un peu l’oeuvre de chacun des peintres, ce n’est pas une exposition d’initiation à la peinture vénitienne, et mieux vaut éviter les comparaisons simplistes (Giorgione = Manet, Titien = Renoir et Bassano = Monet…). Et, trop souvent, l’oeil non érudit est bien en peine d’attribuer un tableau avant de lire le cartel.

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On commence donc par une Danaé de Titien (1544/1546), pure et idyllique, sensuelle et étonnée, flanquée de Cupidon, qui nous vient de Naples, et on finira avec celle qu’il peint dix ans plus tard (1553/1554) avec la servante cupide (une autre forme de désir), venue du Prado.

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Entre les deux, on a du mal à choisir parmi les merveilles, éclairées par des cartels fort intelligents. Prenons par exemple ces trois portraits féminins côte à côte : celui de Tintoret (1553/1555), frontal, montre une jeune aristocrate distante et impassible. Celui de Titien (1560), en trois quarts gauche, en présente une autre somptueuse et altière (serait-ce sa propre fille ?), alors que la femme de Véronèse (1570/1572), en trois quarts droite, dénuée de bijoux, semble plus réelle et mature, mais peu amène.

veronese_a-barbarigo_cleveland1.1257692709.jpgLe portrait de l’amiral Agostino Barbarigo par Véronèse (1571/1572) est posthume, l’amiral est mort à Lépante d’un trait de flèche qui a percé son armure et que le peintre pérennise : il nous regarde avec détachement, de par delà la mort, le temps est ici suspendu.

titien_f-venier_madrid1.1257692650.jpgQuant au doge Francesco Venier, Titien (1554/1556) ne nous épargne rien de sa laideur, de son visage buriné et marqué de taches rouges, de son corps voûté, écrasé par le poids de la conduite de la République, mais quelle majesté !

Sans entrer ici dans les débats savants sur le paragone – sculpture, il est l’occasion de présenter nombre de tableaux où le jeu des reflets dans des miroirs ou des armures est prétexte à une grande virtuosité : Tintoret peignant un reflet de la princesse dans l’armure de Saint Georges qui la délivre, et Titien jouant avec la multiplication des images dans sa Femme aux miroirs.

veronese_livia_baltimore4001.1257692734.jpgveronese_iseppo_uffizi4001.1257692722.jpgL’exposition réunit les deux portraits par Véronèse (1551) de la famille da Porto (l’un vient de Florence, l’autre de Baltimore), mais curieusement échoue à recréer le jeu des regards entre mère et fils, qui faisait originellement écho d’un tableau à l’autre.

Plus loin, on peut voir ensemble trois baptêmes du Christ, celui de Bassano nocturne et massif, celui de Tintoret surnaturel et chorégraphique, et celui de Véronèse doux et onctueux, cependant que la très sombre Prière du Christ au Jardin des Oliviers de Titien relègue le Christ en haut du tableau comme une vignette lumineuse au dessus d’une masse obscure où on peine à distinguer un soldat, son chien et sa lanterne : superbe distorsion des priorités picturales, forçant le regard.

tintoret_tarquin-lucrece_chicago1.1257692560.jpgtitien_tarquin-lucrece_cambridge.1257692670.jpgEncore une juxtaposition, de Lucrèce et Tarquin : chez Tintoret (1580), on pourrait croire Lucrèce quasi consentante; certes le collier de perles est brisé et la statue chute, mais sa résistante semble presque caressante. Titien, lui, dans deux tableaux du même viol (1568/1571, Cambridge, montré ci-contre, et surtout Bordeaux, plus sombre, plus sauvage) peint la violence, les yeux exorbités, l’appel à l’aide.

veronese-mars-venus_cheval_turin1.1257692695.jpgDans ce tableau de Mars et Vénus, Véronèse (1575/1580) représente les amants dans une joute sensuelle,  surpris non par Vulcain, mais par un cheval voyeur, une tête de cheval qui étrangement descend un escalier (prouesse difficile comme le savent tous les cavaliers). Cupidon le mène par un licol : cette grosse tête de cheval peut paraître surréaliste ou étrangement inquiétante (voir le petit livre d’Edouard Dor*), elle dérange et trouble la vision esthétique des corps des amants.

sustris_venus_louvre1.1257692522.jpgEnfin, avec un sujet voisin, voici Vénus et l’Amour attendant Mars de Lambert Sustris (1550/1555), hollandais vivant à Venise : voyez comme le corps féminin est ici différent, plus fin, plus nerveux, moins indolent. Ce tableau d’un homme du nord à demi converti aux grâces vénitiennes vient en contraste de toute l’exposition, dont il est un peu le contrepoint.

Le catalogue est excellent, et comprend plusieurs textes passionnants, dont celui de Guillaume Cassegrain sur la mort; il est disponible chez Dessin Original pour 39.90 euros.  Je vous conseille aussi de lire Nudités de Venise d’Alain Buisine, récemment décédé (chez Dessin Original pour 16.15 euros).

* livre disponible chez Dessin Original pour 14.25 euros.

05/11/2009 - 16:08h Na intimidade com Mario Cravo Neto

Mostra em homenagem ao artista destaca uma obra que vai muito além da linguagem fotográfica como forma de expressão

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White Mother I (1990) Mario Cravo Neto


Maria Hirszman – O Estado SP

Eternamente Agora, que será aberta hoje no Instituto Tomie Ohtake, é bem mais do que um merecido tributo a Mario Cravo Neto (1947-2009), um dos grandes nomes da fotografia contemporânea brasileira, que morreu precocemente em agosto. Concebida em parceria por Cristian Cravo, fotógrafo e filho do artista, e por Paulo Herkenhoff, a mostra indica – por meio de uma seleção enxuta, mas criteriosa de trabalhos – questões centrais em sua produção. Além de nexos estéticos e temáticos, a exposição se pauta pelo Herkenhoff define como “trama dos afetos”, privilegiando seu universo afetivo e deixando de lado o caráter mais mundano de sua produção.

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Dentre esses liames se destaca com grande força a intensa relação entre Mario Cravo Neto e seu pai, o escultor Mario Cravo Junior, presente a partir de obras, registros fotográficos (seu último trabalho, presente na mostra, era justamente para ilustrar um livro que idealizava realizar sobre a obra do pai) e um impressionante retrato. Familiares (modelos frequentes do artista) e a cena doméstica estão presentes, inclusive pela transposição para o espaço da exposição de um canto, com móveis e objetos da casa em que viveu.

Há também, fechando o ciclo, uma bela imagem de autoria de Cristian. De grandes dimensões e num pouco usual recorte vertical, a foto mostra um menino de costas, em posição de reverência diante de uma magnífica cachoeira. “Um ato de humildade diante de algo muito maior”, diz Cristian explicando por que escolheu essa imagem dentre tantas para a mostra. A exposição evidencia ainda uma forte relação existente entre o fotógrafo e Pierre Verger e não apenas pelo viés do fascínio compartilhado pela Bahia e pelo candomblé.

A maioria das obras selecionadas pertence a um universo fechado, de registro intimista em ateliê, de retratos de pessoas ou objetos, conciliando sólida busca formal com sensível apreensão poética e simbólica do mundo à sua volta. Mais conhecido pela obra fotográfica, Cravo Neto não se atinha a essa linguagem como forma de expressão, pelo menos até meados da década de 70, quando realiza e performances, posteriormente registradas em foto. A exposição traz uma delas, Câmaras Queimadas (1977), nas duas versões. Também é mostrado, em versão fotográfica e com toda sua materialidade física, o ninho feito com fiberglass que tanto fascinava o artista por sua situação ambígua e provocadora, entre a natureza e a artificialidade.

Aliás, a transitoriedade, a relação de choque e harmonia entre imagens distintas, o contraste entre a ação impactante da cor e a densidade da imagem em preto e branco, o jogo entre o real e a representação são elementos quase constantes na poética de Mario Cravo Junior. No tríptico A Flecha em Repouso, é explorada uma associação potente entre as simbologias míticas do candomblé e da iconografia cristã, ora tirando faíscas do choque entre as imagens e ora estabelecendo estranhas harmonias entre os elementos. A imagem central, que retrata a fachada de uma igreja parisiense, parece mergulhar no cinza escuro que lhe é bastante característico. No entanto, ao observar as pernas das imagens esculpidas, vê-se que isso é ilusório. Estamos, na verdade, diante de uma fotografia tão colorida quanto o prato do sacrifício do candomblé à esquerda ou a moça que dorme à direita. Mas foi necessária uma fricção, uma reação quase epidérmica para que os tons do metal brotassem. “Ele parece lidar com a carnalidade da fotografia”, sintetiza Herkenhoff.

Apesar do forte caráter barroco de sua obra, o curador parece interessado em abordar outro aspecto menos explorado da produção do artista: a relação com o minimalismo. Além da importância do movimento em sua formação (Cravo Neto vivia em Nova York no fim dos anos 60 e teve contato com a primeira grande publicação sobre o tema, editada em 1968 por Gregory Battcock), o que leva o curador a fazer essa aproximação é a redução poética e a economia formal fortemente presentes em seu trabalho. Obra essa que ainda tem muito a ser explorada. Cristian Cravo calcula que apenas 1% da obra do pai tenha sido ampliada até o momento e promete para breve a criação de um instituto para preservação e divulgação de sua obra, a instalar-se provavelmente em São Paulo.

25/10/2009 - 19:06h Amor+muerte=?

Civilización & Barbarie

El punto de partida es el último ensayo publicado por Georges Bataille antes de morir.

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Rachel Weisz en una foto de James White

Se trata de Lágrimas de Eros (1961) y a partir de esta obra, el Museo Thyssen de Madrid presenta una exposición que toma el nombre del libro de Bataille y que bucea en las relaciones a veces fieles, a veces traicioneras entre Eros y Tánatos, o lo que es lo mismo: entre entre amor y muerte, el deseo y el fin de la vida.

El deseo sexual desde una mirada tanto masculina como femenina, el voyeurismo y el exhibicionismo, el fetichismo, lo homosexual y lo heterosexual, lo religioso y lo prohibido se despliegan a lo largo de la muestra que analiza la resistencia de los mitos grecorromanos ligados a Eros y la simbología ligada a algunas bíblicas en la creación artística, desde el Renacimiento hasta la contemporaneidad.

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Venus de Amaury-Duvel, 1862

Lágrimas de Eros se organiza temáticamente y resalta la irrupción en la obra de artistas de épocas y tendencias distintas a través de motivos comunes, esos que hablan, a cómo de lugar, de la vida y de la muete: enfrentadas, juntas, aliadas o superpuestas.

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grimas de Man Ray

Obras de Rodin y Gustave Courbet, se contraponen con imágenes más actuales de artistas como Man Ray o Andy Warhol en un intento de “diálogo” entre los grandes maestros del pasado y artistas del siglo XX. Y en un intento de aunar modernidad y erotismo, el Thyseen venderá una caja con tres preservativos con la imagen de Adán y Eva procedente del cuadro Eva y la serpiente de Jan Gossaert al precio de 3,5 euros, según indicaron a Europa Press fuentes del Thyssen.

La muestra se abre con la musa erótica por excelencia, Venus recién nacida, diosa de la belleza, que esconde la más horrible trasgresión, segun cuenta Hesíodo, la diosa surgió del semen de Urano, castrado por su hijo Cronos.

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San Sebastián de Bronzino

La siguiente sala, titulada ‘Eva y la serpiente’, está protagonizada por las serpientes que cubren los cuerpos de Nastassja Kinski y Rachel Weisz, fotografiadas por Richard Avedon y James White, respectivamente.

La segunda parte de la muestra, que se desarrolla en la sede de Caja Madrid, explora los peligros mortales de Eros, en donde es la muerte misma la que se ve erotizada.

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Un imagen del video de Taylor Wood

En esa sección es donde se incluye un vídeo de David Beckham durmiendo, realizado por Sam Taylor-Wood.
El vídeo se enmarca dentro de la sección dedicada al mito de ‘Endimión’, un joven cazador que dormía una noche en el monte Latmos, cuando la diosa de la Selene miró hacia la tierra y se enamoró de él. Ella le pidió a Zeus que sumiera a Endimión en un sueño eterno, para poder contemplarle eternamente.

Paseá por la exposición en este especial propuesto por El País.

Publicado por Cristina Civale

19/10/2009 - 17:53h ”Pintamos como um único artista”

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ENCONTROS com o ESTADÃO: Às vésperas de inaugurar mostra na Faap, a dupla os gemeos conta como funciona a arte de juntar dois talentos em um só

Sona Racy – O Estado SP

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Eles já foram idênticos. Hoje, Gustavo e Otávio Pandolfo estão com visual diferente e não são mais chamados de grafieteiros. Otávio, de cabeça raspada, e Gustavo, com barba e cabelo compridos, formam a consagrada dupla de artistas plásticos osgemeos. Foi exatamente desta forma, com as duas palavras juntas em minúsculo, que eles se autobatizaram desde pequenos, quando já pintavam as paredes e muros da casa onde moravam no bairro do Cambuci, em São Paulo.

Embora muita coisa tenha mudado de lá para cá, o processo de criação da dupla é o mesmo. “Criamos juntos e executamos juntos, como se fôssemos a mesma pessoa. Nada de um questionar o que o outro faz”, conta Gustavo. Conflito é coisa impénsável para a dupla: “Eu sou a terapia dele e ele, a minha”, brinca Otávio. No caminho inverso da maior parte dos artistas, a primeira galeria a representá-los era de fora do Brasil – a Deitch Projects, de Nova York. Dentro do País, os dois mantêm exclusividade com a Fortes Vilaça.

Vai longe o tempo dos meninos que sonhavam em ser bombeiros e que precisavam sair à noite para pintar os muros da cidade. Hoje eles são convidados para expor em museus do mundo todo – ano passado fizeram um painel gigante na Tate Modern, de Londres. No momento, estão totalmente envolvidos com a exposição Vertigem, que abre sábado na Faap. Nela há um painel com mosaicos de 38 metros feito especialmente para a mostra – além de esculturas inéditas. E foi no meio desta montagem de 60 obras, que envolveu ajuda de mais de 10 profissionais, que a dupla conversou com a coluna.

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Como foi para vocês a transição da rua, de uma arte urbana, para dentro das galerias?
Gustavo: Foi muito natural. Não percebemos o que estava acontecendo. É claro que já existia uma vontade ocupar um espaço fechado, de criar um ambiente tridimensional. Porque na rua não podíamos fazer isso. Porque lá está tudo pronto. Já no ambiente fechado podemos colocar uma escultura, mexer com som, luz. Além de lidarmos com todos os sentidos. E o mais bacana de tudo isso foi que aconteceu sem pretensão. Não tínhamos a noção dessa grandeza.

Então vocês já tinham vontade de fazer esculturas?
Gustavo: Sim. A gente não trabalhava nessa direção ainda, mas já queríamos fazer. Construir. Quando fomos para galerias, isso se tornou possível. É incrível. As pessoas mexem na obra, entram no teu universo. Isso é o mais legal. Transformar. Para nós, fazer uma mostra não é simplesmente colocar uma tela em um espaço expositivo. Não conseguimos fazer isso. Mexemos no espaço inteiro.

Vocês podem dar um exemplo? Otávio: Nunca deixamos uma parede em branco. G: Fizemos um trabalho no CCBB do Rio, onde não havia mosaicos – no estilo em que estamos realizando nessa mostra da Faap. Eram só telas, mas pintamos a parede de rosa. Nunca conseguimos deixar algo só branco.

E como começaram a se envolver com a cultura do grafiti? G: Começamos nos inserindo na cultura hip-hop. Íamos para o Largo São Bento dançar break, por exemplo. Passávamos o tempo na rua. Porque o Cambuci é um bairro assim, em que as pessoas ficam na porta de casa batendo papo, as crianças jogando bola na rua.

Como era o relacionamento na rua, difícil? O: O relacionamento a era bom. O difícil foi, durante uma fase, a bandeira do grafite. Mostrar que essa manifestação é uma coisa legal para a cidade, que deveria ser feita de dia e não somente à noite.

Mas vocês ainda saem à rua para grafitar, ou os trabalhos de rua são na maioria das vezes encomenda?
O: Saímos para pintar na rua, às vezes, mas só por diversão.

O sucesso de vocês começou antes da Street Art entrar na moda. Vocês tiveram um padrinho que ajudou no começo da carreira? O: Acho que não. Foi fruto da nossa insistência em querer pintar sempre. Não pensávamos em viver de arte e ganhar dinheiro com isso, no começo.

Já trabalharam em outras coisas? G: Sim. Em funilaria, banco, em fábrica de picles, locadora. Trabalhávamos para ajudar em casa porque nossos pais eram separados e tínhamos que ajudar a nossa mãe.

E como é pintar a quatro mãos? O: Quando pintamos é como se fossemos uma pessoa. É tudo junto. Sempre foi e será assim.

Mas vocês não brigam?
O: Nunca. A gente não tem conflitos pintando. Um complementa o outro.

Vocês fazem terapia?
O: Eu sou a terapia dele e ele, a minha.

Mesmo com sucesso e sendo reconhecidos vocês conseguem manter a autonomia do trabalho que fazem?
G: Temos a total liberdade. Foi algo que conquistamos devagar. Hoje, se alguém quiser nosso trabalho é isso aí (aponta para as obras) que tem para comprar. Não foi fácil conquistar essa autonomia, especialmente no Brasil.

E vocês vendem tudo que produzem? Em quantos museus já têm obras? G:Não vendemos tudo. Fazemos acervo próprio. Mas em NY nossa galeria vende muito. O último que fizemos foi umtrabalho um grande para o Museu Nacional de Tokyo.

Qual é o melhor mercado para arte? G: O americano. Mas o do Brasil é bom também. Aqui tem muita gente que acompanha o nosso trabalho desde sempre e há muitos colecionadores.

E a crítica? Incomoda? G: Nós é que somos nossos críticos de arte. Não ligamos para o que escrevem da gente, mas para o que cada um de nós fala sobre o trabalho.

E a pichação? O: Não falamos de pichação porque é outro mundo. Não discriminamos porque faz parte da cidade, mas não falamos disso porque não tem nada a ver com o que fazemos.

E o que vocês discriminam? G: Sinceramente? Nada. O: Quem destrói a Amazônia, ou que está aí poluindo os rios.

E o spray de grafite não é nocivo para a camada de ozônio? O: Não tem mais CFC no spray que usamos. É especial para grafite.

Como nascem as criações? G: Não nascem, já existem. Só colocamos para fora. É como se fosse um filme que está na cabeça, ao qual foi dado um “pause”. As pinturas já existem lá dentro e estão em movimento. O: Nascem outras coisas, o trabalho, o relacionamento.

Quais são os projetos futuros? G: Temos um trabalho com o Plasticiens Volants, grupo francês que mescla teatro e arte cênica, num esquema ligado ao Ano da França no Brasil, para o fim do ano. Depois, vamos participar da Art Basel Miami. Além disso, temos exposições programadas em outras cidades como Milão, e também em Portugal.

DORIS BICUDO e MARILIA NEUSTEIN

16/10/2009 - 15:59h Rio recebe mais de 300 obras de Chagall

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O museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, receberá mais de 300 obras de Marc Chagall, entre pinturas, guaches e gravuras. A exposição ocorrerá de hoje até o dia 6 de dezembro. Entre os trabalhos apresentados estão Les Âmes Mortes (As Almas Mortas) e La Bible (A Bíblia). A mostra O Mundo Mágico de Marc Chagall também contará com uma parte que contextualiza as relações do artista com o Brasil e sua influência na arte brasileira. Neste núcleo foram selecionadas 25 obras de artistas brasileiros que fazem referência ou tiveram influência da obra de Marc Chagall. (Av. Rio Branco, 199, tel. (21) 2240-0068.). Fonte O Estado SP.

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Chagall

Chagall

04/09/2009 - 18:02h Exposição Max Ernst em Paris

Les collages surréalistes de Max Ernst au Musée d’Orsay

23/08/2009 - 15:23h matissismo, no cáderno + Mais da Folha

A alegria de viver

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O HISTORIADOR JORGE COLI INSERE A OBRA DE HENRI MATISSE, QUE GANHA EXPOSIÇÃO NO BRASIL NO INÍCIO DE SETEMBRO, NA TRADIÇÃO DOS “ARTISTAS DA DECORAÇÃO”, DA QUAL FAZEM PARTE VAN GOGH E GAUGUIN -E QUE INFLUENCIA TAMBÉM O CINEASTA WONG KAR-WAI

Dmitri Kessel/Time Life Pictures/Getty Images
O pintor francês Henri Matisse (1869-1954) desenha modelo, em 1950

JORGE COLI
COLUNISTA DA FOLHA

Uma tela de Matisse oferece sempre a impressão de que as angústias, os desesperos, as pulsões afetivas são sentimentos de mau gosto e devem ser excluídos. Matisse é o antirromântico, o antiexpressionista e também o anti-intelectual, o antiteórico.
Pintor da felicidade plena, que é aristocrática, na sua maneira de ignorar, desdenhosa, toda e qualquer miséria, incluindo nelas as do próprio artista. Pintor da luz sem sombra.
No início de sua carreira, ligou-se a um grupo, do qual ele teria sido mesmo o instigador: os “fauve”, as feras, que reunia artistas muito diversos, sem doutrina nem unidade estilística, mas que faziam explodir cores por meio de traços vívidos, habitados por acordes ao mesmo tempo selvagens e requintados.
Depois do episódio “fauve”, Matisse prosseguiu seu caminho bastante indiferente aos movimentos de vanguarda que surgiam. É possível aqui e ali encontrar, em suas telas, leves ecos de um ou outro contemporâneo, mas eles são insignificantes.
Talvez seja superficial querer ordenar sua produção em “fases”. Sem dúvida essa organização permite classificar as obras em períodos e segundo algumas características comuns. É importante, porém, que essas divisões não escondam a unidade evidente que preside a todo o conjunto, unidade infinitamente mais poderosa do que as diferenças, bem secundárias: Matisse não é Picasso.
As preocupações, tanto teóricas quanto históricas, sempre convocadas para se compreenderem as artes do século 20 não servem para ele: nem a abstração, nem as forças do imaginário surrealista, nem o gesto voluntariamente crítico, nem a desconstrução como objetivo, nada disso permite de fato apreender esse artista que dizia, com falsa candura, que seu único desejo era agradar.

Palavra-chave
Um caminho, não muito usual, pode conduzir à compreensão de alguns aspectos importantes de sua arte. Ele se inicia com o aprendizado no ateliê de Gustave Moreau [1826-98]. O mundo precioso desse mestre, cheio de ouros que se associam a tons e brilhos de esmeraldas, safiras ou rubis; o espírito de crueldade decadentista, perversamente sexuada, nada disso parece avizinhar-se da arte que seu discípulo desenvolveria.
Contudo, muitos quadros de Gustave Moreau criaram imagens nas quais personagens e cenário, altamente decorativos, se fundem. Este é o ponto. O próprio Matisse lançou a palavra-chave numa frase: “A composição é a arte de organizar, de maneira decorativa, os diversos elementos de que o pintor dispõe para exprimir seus sentimentos”.
Decorativo, decoração, termos odiados pelos pintores abstratos que surgiriam no século 20, temerosos de serem acusados de superficialidade frívola e agradável.
Mas a decoração significou, para vários artistas, o lugar em que a pintura podia se dar. Nesse sentido, Matisse não é um solitário.
Os padrões de papel de parede, as estampas de tecido, os desenhos de estofados, os arabescos orientais, o torneado de uma cadeira, o aveludado de uma almofada, tudo isso era tratado não como acessório, mas como o lugar da visualidade (pensar em “O Convite à Viagem”, de Baudelaire: “Móveis lustrosos/ Polidos pelos anos/ Decorariam nosso quarto./ As flores mais raras/ Fundindo seus odores/ Aos vagos eflúvios do âmbar,/ Os tetos suntuosos/ Os espelhos profundos/ O esplendor oriental/ Tudo lá falaria/ À alma em segredo…”).

Paraíso artificial
Ali, nessa visualidade em que as superfícies determinam o mundo, surgia uma lírica própria à pintura, sem que esse “próprio à” signifique abstração, que tantos pensaram ser a quintessência pictural.
Todos esses motivos que completam o conforto quotidiano pelo embelezamento dos objetos concebidos para o prazer dos olhos, ao serem levados a sério, constituíram, portanto, um “lugar”. Nele, a natureza é transfigurada, graças ao universo decorativo, num paraíso artificial. Basta ver “As Musas”, de Maurice Denis [1870-1943], ou um jardim pintado por Vuillard [1868-1940], para perceber do que se trata.
Matisse intitulou uma de suas obras “Luxe, Calme et Volupté” (Luxo, Calma e Volúpia). É um estribilho no poema “O Convite à Viagem”, de Charles Baudelaire [1821-67], escritor que inventou e celebrou os paraísos artificiais, embriagadores, irreais.
O Baudelaire de Matisse vem despido de angústias e perversões: o pintor instalou-se naquela utopia sem falhas. As telas são convites à viagem no sentido exato do poema: criam uma Pasárgada de atmosfera imóvel e de prazer perfeito.
Avesso a qualquer espírito de sistema, Matisse inventa sempre soluções, recusa a aplicação de fórmulas ou receitas. Assim, por vezes, dispõe o espaço, como no caso do “Torso Grego com Flores” (1919), do Masp, em que a escultura repousa sobre uma mesinha meio cézanniana. Ao contrário, em “O Quarto Vermelho (Harmonia Vermelha)”, do Hermitage (1908), os motivos da toalha e da tapeçaria se unem para neutralizar o volume do móvel.
Em 1935, o “Grande Nu Deitado (Nu Rosa)”, do museu de Baltimore, recorta uma ampla forma feminina num talho achatado, que adere aos desenhos geométricos do fundo: essa obra, que faz lembrar Tom Wesselman [1931-2004], sugere o quanto certos criadores da pop art foram próximos de Matisse.
Maurice Denis, Vuillard são vizinhos, porém distintos de Matisse, irmanados nesse mundo de estofos e tapetes. Mas seria preciso pensar também em Klimt [1862-1918]. Tudo o opõe a Matisse: sua poética simbolista, sua aspiração a um horizonte filosófico, a finura nítida de seus contornos, seus ouros raros.
No entanto, Klimt também ajusta suas figuras, seus tecidos, seus fundos, na mesma intensidade presente, recortando superfícies, justapondo-as, exaltando magníficos padrões de estamparia. Como Matisse, é fascinado pela ambiguidade entre a figuração e os poderes decorativos.

Esplêndida família
Seria necessário agrupar e classificar alguns “artistas da decoração” (sem que -mas é preciso dizer?- essa palavra tenha aqui a menor sombra de menosprezo) para melhor perceber o universo ao qual Matisse pertence.
Gustave Moreau é o pai de todos. Seu espírito decadentista e cintilante, à maneira de Huysmans na literatura, se prolonga em Klimt. Seu artificialismo, a elegância de seu desenho permanecem também entre os nabis (artistas espiritualizados e marcados por Gauguin), sobretudo Maurice Denis, e se metamorfoseiam então numa serenidade de tapeçaria. Vuillard, por sua vez, não assume a calma elevada de Denis e torna-se o “tapeceiro” de um quotidiano aconchegante.
Surgiram também, nessas mesmas décadas, os cenários dos balés russos, criados por Bakst e por Benois, feitos de imaterialidade, como escreveu Proust, graças a seus ornamentos lineares, suas manchas coloridas, que a iluminação estratégica fazia viver.
Essa esplêndida família que confere ao visível o destino de seduzir os olhos, que o transfigura para ordená-lo em harmonia sem peso, tem os seus referentes mais antigos, os seus avós, por assim dizer.
Van Gogh [1853-90], em particular o do período de Arles, o mais clássico, menos atingido pelas tensões torturantes, que não ilumina os objetos e pinta diretamente a luz, como manchas de ouro.
Mas ainda o Van Gogh da “Noite Estrelada” de Saint-Rémy, na qual as estrelas explodem metamorfoseadas em fogos de artifício. Gauguin também, com seus recortes achatados de soberbas sinuosidades, coloridos com os tons mais ricos, que Matisse homenageia, confessando a grande dívida que tem para com ele.


Matisse elimina qualquer preciosismo, qualquer veleidade de afetação ou de dandismo


Veludos
Antes de todos, está Ingres [1780-1867], pintor que abole a atmosfera para fazer melhor luzir as superfícies, que trata um rosto feminino e o bordado de um vestido com a mesma exata importância. Artista do desenho soberano, dos magníficos e longos percursos lineares que ondulam. As odaliscas de Matisse e as de Ingres unem-se num parentesco muito próximo.
Seria injusto também não evocar Delacroix [1798-1863]: de suas “Mulheres de Argel” brotam outras odaliscas nos quadros de Matisse.
Dentre os seus descendentes atuais, está o cineasta Wong Kar-wai, que dispõe personagens diante de paredes ricas de motivos e de cores ou em meio a uma saturação de sedas e veludos caros.
Matisse, nessa galáxia, elimina qualquer preciosismo, qualquer veleidade de afetação ou de dandismo. Sultão voluptuoso, é o hedonista que ama o luxo das cores generosas e a fluência das curvas femininas.
Em suas telas, toma posse do visível graças às harmonias cromáticas as mais audaciosas em que, muitas vezes, irrompe o tom negro e franco, herdado de Manet, portador de uma luz paradoxal.
Essas harmonias se dispõem no equilíbrio das formas, sem que nunca adquiram a espessura ou o peso de um volume material que as sustente. Possuem a leveza abreviada dos motivos estampados, que flutuam graças aos seus próprios ritmos.

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A dança

Mostra é a 1ª individual do pintor no Brasil

ERNANE GUIMARÃES NETO
DA REDAÇÃO

A exposição “Matisse Hoje”, na Pinacoteca do Estado, é uma das principais iniciativas do Ano da França no Brasil.
Mais do que a primeira retrospectiva no país dedicada especificamente ao pintor francês, com o apelo popular do nome famoso, a mostra tem um papel de “resistência”: Henri Matisse (1869-1954) é um contraponto às vanguardas cerebrais ou esquemáticas do século 20 e continua sendo uma influência central para críticos e artistas plásticos, inclusive no Brasil .
A exposição será aberta para o público em 5 de setembro. A Pinacoteca abriga também, de 8 a 10 desse mês, um colóquio internacional em que tais questões serão debatidas.
Por exemplo, a professora da USP e curadora Sônia Salzstein apresentará a comunicação “Matisse – Imaginação, Erotismo e Visão Decorativa”, nome semelhante ao do livro que ela organiza pela Cosac Naify.

Revolução discreta
Emilie Ovaere, curadora da exposição, falará sobre “os descendentes abstratos de Matisse modernos e contemporâneos”. Ovaere, que é curadora-adjunta do Museu Matisse de Cateau-Cambrésis (cidade natal do artista), defende o pintor da acusação de conservador quando comparado a Picasso e outros contemporâneos: “Matisse era menos heroico ou extravagante. Era revolucionário, mas mais reservado”.
Um exemplo de técnica moderna desenvolvida por Matisse privilegiada pela curadora é o “papel recortado” -utilizado frequentemente em capas de livros.
A seleção tem cerca de 80 obras de Matisse emprestadas de coleções francesas -não espere ver “A Dança”- e a participação de artistas contemporâneos em diálogo com elas.
Ovaere orienta o olhar do visitante: “Matisse olhou para coisas simples, que todos podem ver: flores, paisagens, jardins, mulheres, tecidos. A exposição mostra que ele tem uma atitude simples em relação à vida cotidiana. Não é algo intelectual, é algo que se sente. É por isso que Matisse é tão popular; tem uma sensibilidade que é imediata”.

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Odalisca

Lições de cor

OS PINTORES PAULO PASTA E MARINA RHEINGANTZ E A CURADORA SÔNIA SALZSTEIN DESCREVEM SEU APRENDIZADO COM A OBRA DE MATISSE, QUE SOUBE REAFIRMAR A BELEZA E A ALEGRIA NA PINTURA SEM NEGAR AS CONTRADIÇÕES DO MUNDO

PAULO PASTA
ESPECIAL PARA A FOLHA

Afirmar que Matisse foi um dos maiores pintores do século 20 talvez seja dizer pouco. Muitos receberam esse epíteto, mas poucos o sustentam com o mesmo sentido de comemoração jubilosa. Gostar da pintura de Matisse é reforçar a própria noção do gostar, retomar o desejo, quase sempre infindável, de vida em harmonia.
E o grande exemplo que ele deixa é o de dirigir-se a esse objetivo por meio da inclusão das diferenças, isto é, somando as contradições. Por isso, também, ele produz um trabalho que pode nos acompanhar, trazer alento ao cotidiano, sem que, por isso, negue seus atributos mais comuns: a instabilidade, a dúvida e até mesmo a dissensão.
Talvez por esses mesmos motivos a obra de Matisse tenha conseguido, com força pouco vista na contemporaneidade, repor a possibilidade da beleza, reinventando-a, deixando-a mais de acordo com as nossas necessidades. Essa obra guarda, como poucas, esse sentido de comunhão, de consonância de opostos.
Sua maneira de organizar as cores pode comprová-lo. Ele as queria todas em cooperação, alavancando-se, até formarem um contínuo, sem diminuição recíproca. Incluía o preto na categoria de cor, a despeito dos mandamentos da teoria das cores, que ensinava ser esse a ausência de luz.
Aspirava também à superação do conflito entre desenho e cor, assim como gostava do tema das janelas justamente pelo seu poder de sugerir a unidade de interior e exterior, dentro e fora. Toda a alegria das suas pinturas parece vir também da operação paradoxal pela qual a máxima complexidade deveria resultar em simplicidade, espontaneidade. Tornar o outro alegre, de alegria genuína, consolando-o das penas de existir, pode parecer muito pouco para justificar esse trabalho. No entanto, é das coisas mais difíceis de se obter, no duro mundo que Matisse via formar-se. De lá para cá, essa brutalidade não fez senão crescer.


PAULO PASTA é a rtista plástico.

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O Ateliê Vermelho

MARINA RHEINGANTZ
ESPECIAL PARA A FOLHA Cada vez que observo suas pinturas, de todas as surpresas, a que mais me comove é a forma como ele relaciona as cores -elas são infinitas. Matisse transparece muita liberdade com as cores. “O Ateliê Vermelho” (1911) é uma pintura corajosa. Ela me impressiona demais, principalmente por ele usar uma cor tão intensa, o vermelho -cor que tenho dificuldade de colocar no meu trabalho-, de maneira simples.
No trabalho de Matisse, junto com a cor está sempre a forma. Muitas vezes, a cor determina a forma. O arabesco, por exemplo, pode ser o ornamento do parapeito de um terraço, a estampa de uma toalha ou de um papel de parede e até mesmo o caule de uma árvore. Tudo isso acontece apenas com a variação da cor.
Deixando de lado a questão formal da pintura, me admira ainda a maneira como Matisse lida com o trabalho.
Em uma passagem de seus escritos, ele revela a relação passional que teve com a própria obra: “Às vezes digo a mim mesmo: que belo dia! Como seria agradável fazer um pequeno passeio: ir aqui perto ver [Georges] Rouault ou [Pierre] Bonnard! Mas penso na tinta que secaria na tela, estou preso à obra, e se me afasto fico cheio de remorsos. Da mesma forma, à noite só consigo dormir depois de preparar o trabalho para o dia seguinte. Eu me agarro à pintura, como um animal àquilo que ama”.
Essa paixão, tão visível nos trabalhos dele, me emociona e dá vontade de ir para o ateliê.


MARINA RHEINGANTZ é pintora.

 

 

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Odalisca

SÔNIA SALZSTEIN
ESPECIAL PARA A FOLHA Falta pouco para a inauguração, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, da primeira grande exposição brasileira de Henri Matisse, e um pouco mais para que se completem 140 anos de seu nascimento, em dezembro. Trata-se de oportunidade inestimável de reexame de uma obra crucial do modernismo, sobretudo porque, contrastada, de um lado, com as peripécias picassianas de desmontagem e remontagem das formas e, de outro, com o silêncio provocador de Marcel Duchamp [1887-1968], a muitos ela pareceu “conservadora” -reputação que ainda seria reforçada pela célebre declaração do artista, de que sonhava com uma pintura que servisse de lenitivo ao “homem de negócios”, “algo como uma boa poltrona” onde este poderia “relaxar o cansaço físico”.
Num século 20 atribulado por visões escatológicas, de assombro e destruição, sua obra nos oferecia, surpreendentemente, uma imaginação de bem-estar, conforto e felicidade amena, divisada, além do mais, através de soberbos padrões decorativos. É admirável que essa pintura continue a provocar o presente, justo porque se confirma, hoje como nunca, a improbabilidade desses mundos a cuja exploração o pintor se entregou de modo tão pleno, mesmo que recolhido a um sóbrio ceticismo. Essa imaginação do impossível o perseguiu por cinco décadas, da tela “Luxo, Calma e Volúpia”, de 1904-05, até as derradeiras colagens que o artista realizou em idade avançada e já bastante enfermo. De tudo resultam verdadeiras epifanias às inesgotáveis dimensões eróticas da arte, frutos de trabalho árduo e disciplinado, a condensar no suprassumo da experiência o apelo múltiplo e fragmentário das sensações e o ramerrão da vida prática.
A despeito do que se disse do pintor, seu percurso foi de radical experimentalidade -silencioso, feito de revisões e autorrecapitulações compenetradas. Em todo caso, acabou por valer quase sempre a Picasso, cuja verve mercurial era contraposta ao “classicismo” do amigo/rival, o posto do artista emblemático da arte moderna.
A sensação de que a Arcádia, um mundo deleitável, por certo diferente deste, poderia estar logo ali, a um passo ou a um abismo de nós -tal é o aspecto que não cansamos de aprender com Matisse.


SÔNIA SALZSTEIN é professora de artes plásticas na USP e curadora.

 

 

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Mulher com chapeu

Celebração numa época fraturada

EM TRECHOS DE ENSAIO INÉDITO, RONALDO BRITO RELACIONA AS FORMAS DE MATISSE AOS CONFLITOS MODERNOS

RONALDO BRITO

Matisse é o grande disponibilizador de mundo da arte moderna. Nenhuma essência trava a livre desenvoltura das aparências em seus quadros. Brilha aí a única verdade definitiva ao alcance do eu moderno: o mundo é inacabado, nunca terminamos de vê-lo e, com isso, provisoriamente completá-lo. E, como a tarefa é infinita, dispomos de uma razão sensível, sempre renovada, para viver.

O que era em Cézanne [1839-1906] ânsia de construção, angústia diante da multiplicidade do real, sublima-se em seu discípulo em perene abertura para o mundo. Claro, há que conquistá-la, longo e custoso esforço de depuração: tudo reduzir à matéria da luz. Quando todo o trabalho infatigável transmuda-se em graça. O que, de certo modo, arremata o projeto iluminista ao tornar absoluta a graça secular.

Esta dispensa sumariamente outro mundo. É simples: ele não poderia ser tão bonito quanto esses quadros. A própria ideia de Deus parece uma extravagância, falta de consideração com a realidade. A cor, a luz da cor, assegura agora a estrutura volátil do real, sua atualidade sem substância, sem fundamento, inteiramente plástica. O princípio do espaço é a feliz ambiguidade. Tudo é viável, plausível para essa vontade voraz de espacialização, sempre a promover acordos entre nós e coisas outra vez reanimadas.

Mundo em gerúndio, prodigiosa arquitetura do instante, a sustentar um presente estético que redime nossa finitude pela ação palpável do amor. E amor pagão, espontâneo, autossuficiente. Coincidem fruição do tempo e sedução do espaço -o que mais pode esperar um mortal?
Harmonia aqui é verbo, capacidade de provocar, prodigalizar dilemas, desafios e contradições para resolvê-los em seus próprios termos.

Problemas que a história da arte, como o próprio artista, costuma atribuir ao eterno conflito entre desenho e cor. Pelo visto, nem a célebre divisa cézanniana -desenhar com a cor- veio a suprimi-lo. Acho apenas que a severa exigência de harmonia -o superego de Matisse- impõe a lei da contradição a todos os seus meios.

As cores extrapolam, buscam extremos e opostos, até brilharem, justas e inequívocas, como se acabassem de ser descobertas; os arabescos decorativos, seguindo as pegadas de Cézanne, empenham-se em uma reflexividade ininterrupta até se determinarem como forças construtivas.
E tantas vezes, de propósito, a carnalidade escultórica das figuras deve integrar-se a um puro ambiente de luz. Um admirador, Clement Greenberg, via nesses quadros lendários um impasse: a tentativa de conciliar o inconciliável.

Cordialmente, discordo. Penso que eles pretendem expor de maneira ostensiva o conflito, não dar trégua ao senso moderno do paradoxo. A tela assimila e suporta, em precário equilíbrio, seus conflitos e, assim, mente um pouco menos ao curso incerto da vida.

Os temas por excelência da modernidade -o estar no mundo, a transcendência na imanência, enfim, a via-crúcis do eu moderno- encontram uma solução natural, despretensiosa e, por isso mesmo, inigualável. Nem sequer formulada, muito menos alardeada, a solução apresenta-se com a força irresistível da pura evidência.

Daí a sensação quase inevitável de que a pintura de Henri Matisse resume a lírica da sintaxe visual moderna. E que a tela guarde um pouco da “physis”, um resto de “mímesis”, que essa pioneira empresa de transformação siga em parte sob os auspícios da tradição antropomórfica ocidental, no limite de coerência da morfologia, isso acaba de algum modo desimportante.

Nas últimas colagens, em “O Caracol” (L’Escargot, 1953), em particular, Matisse parecia de fato na iminência de emancipar-se por completo da continuidade morfológica, prestes a dispor da liberdade do signo plástico abstrato. Até o último instante, próximo ao desenlace, ele deixa no ar uma interrogação e cumpre assim o mandamento moderno do inacabado, mandamento que levou, acima de qualquer outro artista de seu tempo, à sua máxima -celebrar a forma aberta da vida moderna. Outro céu não espere, nem outro inferno.

RONALDO BRITO é professor de história da arte na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Este texto é parte do livro “Matisse – Imaginação, Erotismo, Visão Decorativa”, a ser lançado pela Cosac Naify.

 

 

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Caderno de Matisse

Livro colige crítica desde os anos 30

DA REDAÇÃO

Está previsto para setembro o lançamento de “Matisse – Imaginação, Erotismo, Visão Decorativa” (Cosac Naify), que mescla “ensaios históricos” e textos inéditos sobre o pintor. O livro é organizado por Sônia Salzstein.
Os textos clássicos, escritos entre 1935 e 1968, são cinco artigos do poeta Louis Aragon e outros de Roger Fry, Alfred Barr e Clement Greenberg.
Os artistas Iole de Freitas e Paulo Pasta e os professores Ronaldo Brito e Robert Kudielka assinam textos encomendados para esse volume.

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Henri Matisse e modelo

tinta fresca

RENOVADORES DA PINTURA NO PAÍS, ARTISTAS DA GERAÇÃO DOS ANOS 1980 E DA DÉCADA ATUAL FALAM DE SUAS INFLUÊNCIAS E DO PAPEL DE DESTAQUE QUE A LINGUAGEM GANHOU NA PRODUÇÃO ARTÍSTICA BRASILEIRA

MARIO GIOIA
SILAS MARTÍ
DA REPORTAGEM LOCAL

Nos anos 80, jovens na faixa dos 20 anos ficaram na linha de frente da arte brasileira e tornaram famosa essa década como a da retomada da pintura. Nos anos 2000, um coletivo de jovens na faixa dos 20 anos foi, pouco a pouco, conquistando o mercado, a crítica e o circuito das instituições.
Hoje, nomes da geração 80 e da geração 00 partilham desse bom momento da pintura, que tem provocado reações positivas no meio artístico brasileiro. A Folha reuniu para um debate sobre a pintura destacados representantes dos anos 80 -Fábio Miguez, 47, Paulo Pasta, 50, Paulo Monteiro, 48, e Sérgio Sister, 61- e artistas emergentes da novíssima geração, participantes do coletivo 2000 e Oito -Bruno Dunley, 25, Marina Rheingantz, 25, e Rodrigo Bivar, 27.
No encontro, surgiram influências comuns -Matisse, Albers, De Kooning-, mas os novos artistas já se beneficiam de um mercado mais estável e da própria ascensão do trabalho dos oitentistas. “A pintura chama uma coisa para si que é falsa, a de ser mais afeita ao mercado e mais fácil de ser vendida. Isso é uma bobagem”, opina Pasta, com a concordância de seus colegas. “Eu sou um experimental, sim.”
Pasta, que reivindica maior atenção da historiografia para sua geração, é um dos artistas cuja obra será catalogada pela produtora Mó Cultural, que planeja colocar até o fim do ano no ar um site com sua obra e as de Miguez, Monteiro, Rodrigo Andrade e Ester Grinspum. A seguir, trechos do debate.

FOLHA – Há semelhanças entre essas duas gerações de pintura. Para parte da crítica, a geração 80 é uma reação ao experimentalismo dos anos 70. Nos anos 2000, a arte conceitual predomina em boa parte do sistema institucional, e aí surge o coletivo 2000 e Oito. Como veem esses dois momentos?

PAULO PASTA – Eu, por exemplo, pude dar aulas de pintura para o Bruno Dunley. Eu não tive isso. Quando comecei, nos anos 80, já estava muito ligado à pintura. Acho que ela foi favorecida e fez ressurgir a arte brasileira, dentro daquele lugar estagnado no qual estava, com o conceitualismo e a ditadura. Durante um certo tempo, nos anos 70, a arte no Brasil virou sinônimo de luta política.
Os anos 80 tiveram essa “desopressão”, essa vontade de a arte não nascer mais do confronto político e de poder nascer de outras fontes. Só que a escola onde eu estudei [ECA-USP] estava identificada com outro tipo de arte. Eu queria pintar, mas era obrigado a não o fazer.
Aí vem essa história do experimentalismo dos anos 70… Fico me perguntando: o que é experimentalismo? Eu acho que faço experimentalismo quando mudo a minha escala, quando mudo meus temas, quando faço experiência com tons -eu sou um experimental.
A gente tem de mudar esse enfoque do experimentalismo, senão vai chegar àquela história de um progresso interno da arte, a uma espécie de teleologia. O destino da pintura vai ser a evasão dela? O destino é a tecnologia? Havia essa certa ideologia, sim, nos anos 70, uma crença ingênua. Essa coisa se perdeu, graças a Deus.

PAULO MONTEIRO – Primeiro teve a ditadura, que era barra-pesada. Não vinha nada para cá também, as bienais estavam empobrecidas. Embora a volta da pintura nos anos 80 tenha sido um lance de mercado, outras coisas centrais do Primeiro Mundo na história da arte também foram lances do mercado.
A volta da pintura foi importante. Viu-se que um objeto duchampiano deslocado de um lugar para o outro pode ser muito mais reacionário do que uma pintura.

FÁBIO MIGUEZ – Eu reivindico um estatuto experimental para meu trabalho. Não repito uma exposição. É como se o experimental estivesse em vídeo ou em outras áreas. Você pega essas últimas Bienais, por exemplo. Numa das mais recentes, com curadoria da Lisette [Lagnado, em 2006], 90% das instalações tinham vídeo. Isso é uma “academia”.
Nessa última [no ano passado, com curadoria de Ivo Mesquita], nem tinha pintura. Se você tem uma Bienal inteira onde todo mundo faz vídeo, isso é uma coisa escolar.

BRUNO DUNLEY – Acho que com o 2000 e Oito é um pouco diferente. Minha formação já veio com essa arte dos anos 60, 70. Vejo um momento bom para as coisas conviverem.

RODRIGO BIVAR – Quando eu tive aula, tive com pintor, tive aula com fotógrafo. Eu podia escolher, não tinha que responder a nada. A gente poderia ter escolhido o vídeo, a fotografia.

FOLHA – As duas gerações se consolidaram por meio de grupos. Nos anos 80, o Casa7; recentemente, o coletivo 2000 e Oito. Foi mais fácil se afirmar por meio deles?


MIGUEZ
– O grupo foi fundamental. Foi uma forma de a gente suprir a falta de escola, algo institucional, porque ninguém fez faculdade de artes lá no Casa7 [formado em 1982 por Miguez, Monteiro, Nuno Ramos, Rodrigo Andrade e Carlito Carvalhosa].
MONTEIRO – Houve uma reação muito contrária ao Casa7 de cara. Lembro de críticas nos jornais, as pessoas falavam que era fogo de palha, outros falavam que era “centro de dezenovistas”, os “novos dezenovistas”. Depois, houve mais troca.
BIVAR – Acho que nosso caso é diferente do Casa7. Lá, de fato, eles dividiam o ateliê, tinham trabalhos similares. No 2000 e Oito [além de Bivar, Dunley e Rheingantz, integram o coletivo Ana Elisa Egreja, Marcos Brias, Regina Parra, Renata de Bonis e Rodolpho Parigi], a gente se juntou para fazer uma exposição. De certa forma, foi muito mais um fenômeno de mídia do que de crítica.
MARINA RHEINGANTZ – Ninguém nem conhecia nosso trabalho.
PASTA – Eu e o Sérgio Sister podemos dar um depoimento diferente, porque não éramos do Casa7. Nasci no interior, vim para São Paulo fazer escola de arte e queria pintar. O pessoal com quem eu mais me identificava era com o Casa7.
SÉRGIO SISTER – Tive uma trajetória completamente autista até 1986. Expus lá na galeria Paulo Figueiredo, já conhecia algumas pessoas em 1983, depois em 1986, mas acho que a coisa mais importante foi quando a gente se juntou em 1987, 88, aí virou um grupo. Eram Casa7, Paulo Pasta, Laura Vinci, Célia Euvaldo, Marco Giannotti. Era legal porque tinha uma conversa de arte.

FOLHA – E quais são as suas influências ao pintar?


MIGUEZ
– Matisse foi uma das razões que me fizeram começar a pintar, sua obra me instigou a pintar. Uma das primeiras coisas que me levaram para a pintura foi ver Giotto. Ele não está tão distante de Matisse, Cézanne ou Morandi ou das coisas mais recentes, não é?
PASTA – Acho que o pintor de que mais gosto, o maior para mim, é o Matisse. Se a gente tem a ideia do Picasso como genial, o grande inventor, o grande revolucionário da forma, a gente não pode esquecer que o Matisse fez a mesma coisa com a cor, houve a cor antes do Matisse e depois do Matisse. Outro na história da pintura é o [Pierre] Bonnard. Ele também estende esses limites da cor. Eu gosto, tendo a me identificar muito com esses pintores que têm o tratamento da cor. Albers, por exemplo, que ganhou mostra no Instituto Tomie Ohtake ["Homenagem ao Quadrado", encerrada em março passado], tem uma obra muito rica para a gente. Aqui no Brasil, gosto muito de [Alfredo] Volpi. Foi um grande pintor.
MONTEIRO – Eu gostava desses caras, Gauguin, Picasso. Mais ou menos com uns 13 anos, comecei a fazer história em quadrinhos. Adorava o cara do Pafúncio [George McManus, 1884-1954], o dos Sobrinhos do Capitão, o R. Dirks [1877-1968], imitava a assinatura dele. [Philip] Guston me chamou a atenção por causa disso. tinha uma coisa de quadrinhos na pintura. Tive uma identificação forte com ele.
SISTER – Eu gostava muito de Modigliani e Picasso. Gostava de copiar aqueles pescoções do Modigliani, gostava daqueles olhos vazados.
RHEINGANTZ – Eu comecei copiando, colecionava rolinhos de papel higiênico para construir umas naturezas-mortas, pensando, talvez, nos carretéis do Iberê [Camargo]. Não tenho essa ligação poética que Iberê tinha com os carretéis, era uma coisa mais para descobrir o que pintar mesmo, para ter o que pintar. O [Willem] De Kooning foi uma descoberta também. E o Nicolas de Staël, uma relação da paisagem com a abstração, que me interessa muito.
BIVAR – A primeira relação com arte que eu tive foi pelo cinema. Quando comecei a estudar arte, um artista que era quase que imediatamente próximo, de certa forma, era o [Andy] Warhol, que eu achava que era um mundo que eu já conhecia, dominava. Mas, para mim, quem está no trono é o [Edouard] Manet. Quando eu comecei a estudar arte, não gostava do Richter [Gerhard, pintor alemão], mas é um artista de que você não consegue fugir, aprendi a gostar da sua obra.
DUNLEY – As influências também são coisas de momento, vão mudando. Mas as minhas primeiras foram coisas que eu fui vendo aqui mesmo, em São Paulo. O que me deixava entusiasmado era arte brasileira. Sempre acompanhei o trabalho do Fábio, do Paulo, do Monteiro, do Sérgio. Mas quando eu descobri a Mira Schendel, fiquei besta [risos].

FOLHA – A geração 80 reabilitou muitos artistas brasileiros, não?


SISTER
– Sim, houve uma recuperação do neoconcretismo, de toda uma cultura que vinha da década de 50. A Mira Schendel, que estava praticamente abandonada, voltou a ser lembrada. A gente se aproximou também do Amilcar. Fizemos um livro sobre a obra dele, na raça. Até 1990, não havia nenhum livro do Amilcar de Castro no Brasil.
MIGUEZ - Havia também o Jorge Guinle [pintor fluminense, 1947-87]. O Jorginho fez um trabalho acima do que nós fazíamos, o melhor dos anos 80. E a gente começou a descobrir o [Oswaldo] Goeldi, que foi um cara que apareceu de novo naqueles anos.

FOLHA – E a relação com o mercado, como vocês a veem?


MIGUEZ
– No momento em que a gente surgiu, era um momento bom do mercado. Havia várias galerias em atividade, com um certo vigor. Mas todos nós mais velhos aqui já passamos por momentos de crise. E a década de 90? A Folha decretava a morte da pintura uma vez por semana.
PASTA – A pintura chama uma coisa para si que é falsa, que seria mais afeita ao mercado, mais fácil de ser vendida. É bobagem, porque o que mais vende agora não é pintura.
MIGUEZ – Essa questão de a pintura ser uma coisa de mercado não resiste a um exame básico de números. O problema do mercado é a fugacidade com que as coisas são vistas hoje.

22/08/2009 - 17:23h Cores de Matisse chegam à Luz

O pintor que iluminou a cena moderna ganha mostra na Pinacoteca que sintetiza seu percurso

Antonio Gonçalves Filho – O Estado SP

O poder transcendental da pintura do francês Henri Matisse (1869-1954), que atravessou o século 20 como principal rival de Picasso, é inquestionável. Tanto que Émilie Ovaere, curadora adjunta do museu que leva seu nome na França, ao organizar a exposição Matisse Hoje na Pinacoteca do Estado, aberta a partir de 5 de setembro, reuniu, além de 80 obras suas, trabalhos de pintores contemporâneos franceses que ainda fazem uso de suas técnicas e invenções. Como eles, Matisse buscava, acima de tudo, a expressão. Injustamente, diziam dele que tudo o que procurava não ia além de uma satisfação puramente visual. Acusavam-no, enfim, de ser decorativo. Ele, parafraseando Delacroix, respondia que os artistas não são compreendidos, apenas aceitos. E defendia o decorativo como uma qualidade essencial de uma obra de arte. Concordam com ele seus cinco discípulos contemporâneos que dialogam com Matisse na exposição.

Assim, a mostra da Pinacoteca traz pinturas, esculturas, desenhos, gravuras e papéis recortados “comentados” visualmente pelos artistas Cécile Bart, Christophe Cuzin, Frédérique Lucien, Pierre Mabille e Phillipe Richard, cinco representantes da arte contemporânea francesa que não fazem feio ao lado do deus da cor, um homem que atravessou duas guerras mundiais sem permitir, como disse o crítico italiano Giulio Carlo Argan (1909-1992), que a dor do mundo entrasse em sua pintura. A arte, defendia Argan, “conserva e restitui aos homens a alegria de viver que a tragédia destrói”. Por isso, Matisse é, conforme a visão do crítico, um dos pilares da ponte artística que uniu a França ao resto do mundo (oriental, inclusive).

A mostra, diz a curadora Emilie, faz um percurso retrospectivo da pintura “incorruptível” de Matisse – e não só dela. Ele vem acompanhado de obras contemporâneas que exploram os temas básicos de sua arte: a cor, a linha, o arabesco e o espaço, que, segundo o pintor, não tinham autonomia para desprezar as relações entre esses elementos constituintes da boa pintura. E há inúmeros exemplos dela na exposição, desde uma paisagem feita no final do século 19 em Belle-île-en-Mer, uma ilha na costa atlântica da Bretanha, até os papéis recortados da fase terminal, época em que Matisse se concentra nos vitrais e ornamentos litúrgicos da Capela de Vence e sua caligrafia abre falência por conta de um derrame cerebral que o levou à morte em 1954.

Felizmente, essa “indesejada das gentes” não marca presença na mostra – alegre, colorida, sensual -, que tem pinturas icônicas como Torso Grego e Vaso de Flores (1919) e Natureza Morta com Magnólia (1941), esculturas de bronze (Nu au Canapé), gravuras , livros ilustrados e as collages com papéis recortados dos anos 1940. Por essa época, Matisse, submetido a uma colostomia e preso a uma cadeira de rodas, passou a usar a tesoura no lugar do pincel. Com a ajuda de assistentes, ele criou collages de grandes dimensões que chamou de ‘gouaches découpés’. Painéis serigrafados (da série Océanie) e pranchas do livro Jazz, publicado em 1947, completam a exposição, que traz ainda fotografias do ateliê do artista feitas por Cartier-Bresson e Man Ray.

Essas imagens registram mais que a figura do pintor. Documentam seu modo de produção. A curadora Emilie chama a atenção para a relação afetiva que Matisse mantinha com os objetos, intensa como a de Morandi com suas garrafas. “Ele gostava de se ver rodeado por flores e mulheres”, observa, lembrando que as fotos de Cartier-Bresson flagram o pintor integrado à arquitetura do ambiente do ateliê como se fizesse parte da decoração. E, mesmo idoso, transpira sensualidade, saudoso de suas odaliscas. A esse respeito, a curadora é tão cautelosa como a biógrafa inglesa do pintor, Hilary Spurling, que jura ter Matisse feito amor “apenas na tela” com sua modelo Lydia – ela começou como enfermeira da mulher do artista e virou sua assistente. “Os ingleses são um pouco moralistas, não é mesmo?”, observa a curadora francesa, elogiando o primeiro volume da biografia, mas acirrando a histórica rivalidade com os súditos da rainha. Em tempo: a biógrafa inglesa esqueceu que madame Matisse exigiu a demissão de Lydia. A razão parece óbvia.

De qualquer modo, mulheres não faltam na mostra. A fixação de Matisse pelo corpo feminino, por cores vibrantes, tecidos, roupas e acessórios – justificada pela biografia do pintor, nascido em um povoado têxtil (Le Cateau-Cambrésis)- é sintetizada no óleo Odalisque à la Cullote Rouge (1921). De cores vivas, ele traz uma odalisca em pose sensual e distante da paleta sombria do começo de carreira, que seguia os mestres do Louvre. É possível, percorrendo a mostra, organizada de forma cronológica, acompanhar a evolução dessa pintura, da influência de Cézanne e dos orientais até os sintéticos papéis recortados, passando pelas obras fauvistas e as de caráter decorativo, que dão espaço, em 1914, a uma expressão mais sofisticada – e que será analisada num colóquio (promovido pela Pinacoteca) e num livro (Matisse: Imaginação, Erotismo, Visão Decorativa) que a editora Cosac Naify lança durante a mostra (aberta até 1º de novembro).

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Odalisque à la Cullote Rouge

20/06/2009 - 19:55h Para além dos seus olhares

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Francesca Leone

21/05/2009 - 18:13h William Blake

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Et voilà l’opportunité idéale d’apprécier l’œuvre absolument singulière de William Blake, génie visionnaire du romantisme anglais en rétrospective à Paris. Voici l’occasion de plonger dans la mythologie personnelle d’un poète passionné et dans le trait raffiné d’un dessinateur-graveur d’exception qui, inspiré par les manuscrits enluminés du Moyen Age et les fresques de la Renaissance, a inventé ses propres techniques pour concevoir une œuvre originale et intensément lyrique. Considéré non seulement comme un des poètes anglophones les plus importants de tous les temps, Blake exercera une influence décisive sur la modernité prônée par les surréalistes au XXe siècle, tels que Breton et Gide.L’exposition rassemble environ cent cinquante dessins, gravures, enluminures, aquarelles et livres prêtés par les principaux musées britanniques. Magnifique !

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A casa dos mortos

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Pietá

 

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Sata, amor, adão e eva

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Newton

William Blake, le génie visionnaire du romantisme anglais - Petit palais – Avenue Winston Churchill 75008 Paris – du mardi au dimanche, de 10 heures à 18 heures – jusqu’au 28 juin.

17/05/2009 - 15:20h Bauhaus

Exposições e livros discutem legado da escola de arquitetura e design mais influente do século 20, fundada na Alemanha há 90 anos por Walter Gropius

Reprodução do livro BAUHAUS, Judith Carmel-Arthur, Cosac Naify, 2001
Walter Gropius, edifício da Bauhaus, em Dessau, de 1925 a 1926

Reprodução do livro BAUHAUS, Judith Carmel-Arthur, Cosac Naify, 2001
A poltrona Wassily, de 1925, feita em tubos de aço cromado; cadeira de autoria de Marcel Breuer, feita em homenagem ao pintor russo e professor da Bauhaus, Wassily Kandinsky

Antonio Gonçalves Filho – O Estado SP

Por mais que o irrequieto jornalista e escritor norte-americano Tom Wolfe, criador do termo “radical chique”, fale mal da Bauhaus, a histórica escola alemã de arquitetura e design acaba de completar 90 anos ainda jovem e celebrada com lançamentos de livros e exposições nos principais museus do planeta – do MoMA, o Museu de Arte Moderna de Nova York (Bauhaus 1919-1933: Workshops for Modernity, a partir de 8 de novembro) ao museu da Universidade de Artes de Tóquio (Bauhaus Experience, em cartaz até julho). Tom Wolfe é autor do polêmico livro sobre a escola criada por Walter Gropius, Da Bauhaus ao Nosso Caos (Rocco), em que lhe atribui a culpa pelos desastres arquitetônicos do mundo moderno.

Wolfe insiste que a escola alemã foi a responsável pela uniformização arquitetônica que fez das metrópoles americanas e asiáticas enfadonhas réplicas do modelo europeu bauhausiano. Segundo ele, por causa do primeiro mandamento da Bauhaus – “forma segue a função” -, toda a ornamentação externa dos edifícios desapareceu. Como consequência, diz, o chamado “estilo internacional”, funcionalista, só pode ser apreciado por arquitetos, e não pelos operários que constroem esses prédios, contrariando a filosofia da escola de Gropius, que pregou a democratização e o acesso do bom design a todas as categorias sociais, até ser fechada pelos nazistas em 1933, acusada de ser um antro de comunistas.

De certo modo, o livro que acaba de ser lançado no Brasil sobre a escola, ABC da Bauhaus, organizado pelos designers Ellen Lupton e J. Abbott Miller (Cosac Naify, tradução de André Stolarski, 72 págs., R$ 55), é igualmente crítico quanto ao legado da instituição, mas, ao contrário de Wolfe, seus autores estão interessados em investigar os princípios teóricos que fizeram os professores de lá – artistas como Kandinski, Paul Klee, Albers e arquitetos como Mies van der Rohe – criarem a noção de linguagem visual.

A obra parte de uma pesquisa feita por Kandinski dentro da Bauhaus, em 1923. Com ela, o pintor russo criou uma gramática visual poderosa e menos ambígua que a verbal, reduzindo a sintaxe a três figuras geométricas – um triângulo, um quadrado e um círculo – e às cores primárias. O triângulo amarelo seria o elemento dinâmico, o quadrado vermelho representaria o estático e o círculo azul seria um signo da serenidade. Foi com essa gramática que muitos artistas construíram sua obra – e até hoje formulam novas propostas visuais.

Reprodução do livro BAUHAUS, Judith Carmel-Arthur, Cosac Naify, 2001
Folha de rosto de Staatliches Bauhaus Weimar (1919-1923); desenho de László Moholy-Nagy, de 1923

 

A herança da Bauhaus é discutida também em outros livros programados para este ano: Bauhaus Women, de Ulrike Müller, sai em outubro pela Random House, que lança no mesmo mês The Bauhaus Group, de Nicholas Fox Weber. Bauhaus Women será a primeira monografia a tocar num ponto nevrálgico, a participação das mulheres na elaboração da linguagem visual, mostrando que foram vistas como uma “ameaça” pelos mestres da escola, a ponto de ser criado na Bauhaus um departamento só para elas, de onde saíram grandes designers como Anni Albers. A mulher do pintor Josef Albers foi amiga de Nicholas Fox Weber, que traça em sua obra o retrato íntimo de seis dos principais criadores envolvidos com o ensino na instituição – Paul Klee, Kandinski, Mies van der Rohe, Gropius e o próprio casal Albers.

A respeito das mulheres da escola alemã, a organizadora do livro ABC da Bauhaus, Ellen Lupton, em conversa telefônica com o Estado (leia texto na próxima página), observa que, se não foram exatamente discriminadas, elas tampouco chegaram a ter alguma projeção como arquitetas. Essa é uma questão importante quando se considera que a lendária Bauhaus, inicialmente projetada como uma escola de arte, virou a Meca da arquitetura moderna quando Gropius lançou, em abril de 1919, seu primeiro manifesto. Nele, o arquiteto define sua principal meta: criar uma escola sem distinção de classe social ou barreiras entre artesãos e artistas. Evoque-se que seu panfleto é lançado um ano depois do fim da 1ª Guerra, pretendendo anunciar uma nova era, condizente com a industrialização e produção de massa. Gropius sonhou com uma escola pluralista, em que a unidade arquitetônica seria atingida graças a mestres de várias disciplinas. Parecia utópico, mas a história provou o contrário.

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O eterno fascínio da velha escola

Freud e Lacan usaram linguagem visual dos modernos alemães e até a física bebeu nessa fonte

Antonio Gonçalves Filho – O Estado SP

A Bauhaus sobreviveu não apenas como uma histórica escola de arquitetura e design, mas um movimento artístico independente, que deixou frutos em toda parte – e isso tanto por seu purismo estético como pela força que involuntariamente os conservadores deram a ela, expulsando as melhores cabeças da Alemanha e obrigando-as a buscar asilo nos Estados Unidos, após a ascensão de Hitler. O livro ABC da Bauhaus, organizado por Ellen Lupton e J. Abott Miller, reúne textos de especialistas que tratam justamente de episódios nebulosos da escola de Gropius, sobretudo a incômoda conexão entre o apelo à ordem feito pela Bauhaus e a evocação do caráter mítico germânico pelo Terceiro Reich, que perseguiu e fechou a instituição.

Esse é um dos capítulos mais polêmicos do livro agora lançado, na realidade mais uma obra referencial sobre a teoria e a atividade pedagógica da Bauhaus do que propriamente um ensaio político. Designer, Tori Egherman se encarrega de traçar na obra um panorama da República de Weimar à época da fundação da Bauhaus, mostrando como um país em estado de desintegração moral e ética como a Alemanha, que evocou o espírito germânico para incendiar a massa, viu nascer uma escola capaz de produzir um estilo internacional de arquitetura. E foi justamente esse feito de Gropius, o de afirmar o poder político e moral da arquitetura – capaz de definir condições de vida de uma sociedade -, que fez de sua escola uma instituição revolucionária e ameaçadora.

A organizadora do livro, Ellen Lupton, em conversa com o Estado, diz que selecionou o texto não com o propósito de provocar controvérsia, como a obra de Tom Wolfe a respeito da escola, sobre o qual não tem opinião favorável. “Ele despreza o impacto provocado pela emergência da Bauhaus num mundo em ruínas, após a 1ª Guerra, e minimiza a modernidade que ela levou a outros continentes com a subsequente emigração de ex-alunos e professores da escola”, diz, lembrando que conceitos como funcionalidade e artista-artesão eram impensáveis no começo do século passado. Além disso, a influência da “nova Bauhaus” fundada por Moholy-Nagy em Chicago, no ano de 1937, ou as atividades de Gropius, Albers e Mies van der Rohe nos EUA, ajudaram a criar uma outra mentalidade artística entre os americanos, levados a deglutir a obra dos abstratos de forma menos traumática.

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Tom Wolfe, ao contrário, acha que a modernidade arquitetônica da Bauhaus foi uma praga que se alastrou pelas cidades dos Estados Unidos e contaminou o senso estético americano com o “dicionário visual” criado por Kandinski e outros artistas europeus defensores da abstração – geométrica ou não. A designer Ellen Lupton, a esse respeito, diz que a Bauhaus não só teve de conviver no passado com uma comunidade hostil como tem de suportar, no presente, conservadores como Wolfe, avessos à ideia de que a escola é a origem mítica do modernismo. A Bauhaus foi, defende a designer, um lugar onde se reuniram diversas vertentes da vanguarda europeia para explorar uma “linguagem da visão”, e não para dominar o mundo. “A reação contra os mandamentos estéticos da Bauhaus é mais ou menos uma resposta ao pai que censura a criança transgressora, que quer se expressar com autonomia”, analisa a autora. Ela classifica Wolfe de “injusto” por não reconhecer o quanto essa linguagem abriu caminho para ferramentas como a internet, “impensável se os pioneiros da Bauhaus não tivessem abolido as fronteiras das expressões artísticas e promovido a interconexão entre a escrita visual e verbal”.

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A escola alemã deu ao mundo tanto torres como a da Seagram de Nova York, assinada em 1954 por Mies van der Rohe, como ensinou o mundo a ver de novo com olhos de criança-artista – e, nesse aspecto particular, o texto do teórico Abbott Miller sobre a influência do movimento alemão do Jardim da Infância (Kindergarten) é um dos pontos altos de ABC da Bauhaus. A linguagem visual de formas elementares e cores básicas que seria adotada pela escola já estava em teste nos reformistas “jardins” da infância alemães no século 19, que se espalharam pela América e países asiáticos, fazendo com que artistas se sentissem liberados para recorrer à criança e acessar uma janela para a infância da arte – o que fica transparente tanto nas pinturas “infantis” de Paul Klee como nas obras de Kokoschka.

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Ellen Lupton diz mais: ela submeteu o teste de Kandinski sobre as formas geométricas elementares e cores primárias a historiadores, teóricos e escritores. Os resultados foram inesperados. Antes de todos esses, Freud, assumidamente pouco capaz de visualizar relações espaciais, elegeu o triângulo bauhausiano para desenvolver um gráfico do sujeito psicanalítico. Já a escritora Frances Butler escolheu essa forma geométrica “porque o triângulo é a forma mais pontuda, menos volumosa e mais leve e o círculo é o centro na cultura ocidental, a vitalidade sangrenta”. A conjunção entre psicanálise e geometria não era exatamente impensável quando Kandinski aplicou o teste. Freud elegeu o triângulo como o “edípico”, condição básica da sexualidade humana, porque na base estão o pai e a mãe e no topo do triângulo domina a criança na posição masculina, podendo trocar de lugar com os pais. Frances Butler apenas confirmou Freud. E o que seria do estruturalismo de Lacan sem a figura do triângulo bauhausiano?

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Pintura de Kandinsky 

 

Nem mesmo o fundador da Bauhaus, Walter Gropius, ou seus primeiros professores seriam capazes de prever que a escola viria a se tornar objeto de fascínio entre tantos profissionais distantes da arquitetura, da pintura, do desenho e do design. “Hoje, os médicos usam os mesmos princípios para desenhar diagramas de identidade cerebral”, lembra a autora de ABC da Bauhaus, enfatizando a necessidade de valorizar o legado da escola alemã. “Gropius previu uma nova era com o fim da 1ª Guerra e queria que um novo estilo arquitetônico fosse o espelho desse novo tempo, defendendo sobretudo a funcionalidade e a economia de meios, tudo o que precisamos também agora nesta época de crise econômica, marcada pelo individualismo.”

A linguagem “universal” da visão bauhausiana, resumida a três figuras geométricas e três cores primárias, diz ela, já levou físicos como Alan Wolf a imaginar como seria viver em um espaço com mais ou menos de três dimensões e a considerar, segundo Ellen Lupton, a estrutura fractal do mundo. Se isso não serve para atestar a importância da escola, é só abrir a janela e imaginar um planeta sem a poltrona Wassily de Marcel Breuer. Conseguiu?


Estante

Além do livro ABC da Bauhaus, lançado pela Cosac Naify, as estantes das livrarias têm alguns bons títulos sobre a escola de arquitetura e design alemã que ajudam a entender seus princípios e história. A Taschen, por exemplo, publicou no Brasil o livro Bauhaus, de Magdalena Droste. Na mesma linha, pode-se citar Bauhaus, de Judith Carmel-Arthur, lançado há algum tempo pela Cosac Naify. O livro Bauhaus: Nova Arquitetura (Perspectiva) é um estudo assinado por seu fundador. Gropius é analisado com muita propriedade pelo historiador e crítico italiano Giulio Carlo Argan em Walter Gropius e a Bauhaus, editado pela José Olympio e até hoje, passados 58 anos de sua publicação, o mais respeitado trabalho sobre o criador da escola. Gropius é objeto de um outro livro, Bauhaus, Dessau – Walter Gropius, escrito por Dennis Sharp e lançado pela Phaidon Press. Outra boa indicação é Bauhaus Ideal – Then and Now, de William Smock, publicado pela Academy Chicago Publishers.

15/05/2009 - 16:55h Uma abertura total para o realismo


Masp abre hoje mostra com mais de 120 obras que traduzem representações do mundo real, criadas entre 1860 a 1960

 

Maria Hirszman – O Estado SP

 

Ousada, a exposição Arte na França 1860-1960: O Realismo, no Masp, propõe-se a três grandes objetivos: apresentar um panorama amplo da pintura francesa, que percorre um século de produção e debate sem igual; colocar em pauta o tema, quase sempre polêmico, do realismo; e ampliar as possibilidades de leitura a partir da aproximação de coleções do Brasil, da França e de Portugal. Além disso, ainda procura inserir a produção nacional do período no contexto da escola francesa e mostra um sucinto panorama da atual produção pictórica francesa, dos anos 90 e 2000, como maneira de reafirmar seu retorno, após grande hiato em que apenas os novos meios pareciam ter vez no país.”Como representar o mundo? Essa é a questão que nos interessa verificar aqui”, explica Eric Corne, curador independente que vem trabalhando há dois anos nesse projeto, um dos destaques do Ano da França no Brasil. Não se trata, segundo ele, de enfocar o realismo enquanto movimento, mas sim de lidar com as várias aberturas do termo. “O realismo procura uma semelhança com o real, uma coincidência entre um pensamento social e uma imersão física no mundo”, sintetiza.Certamente a figura de Gustave Courbet, que em 1855 escreveu o manifesto no qual defende os princípios de uma arte viva, atuante, é vital. Tanto que o primeiro impulso de Corne foi iniciar a mostra com sua tela Origem do Mundo. O empréstimo de uma obra desse calibre, na qual o pintor representa da maneira mais crua possível o sexo feminino, mostrou-se inviável. Em contrapartida, o Museu d?Orsay cedeu um conjunto significativo de obras, bem como outras instituições francesas, tais como o Beaubourg e o Museu Nacional de l?Orangerie. Somando-se esses empréstimos às obras dos dois pilares centrais da mostra, o acervo do Masp e o da Coleção Berardo, de Lisboa, chega-se a mais de 120 trabalhos.

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De forma significativa, a exposição acabou tendo uma dupla abertura: de um lado do corredor está um pequeno conjunto de telas de Jean-Baptiste Corot, espécie de pai do realismo e surrealismo franceses e, diante de si, uma natureza-morta assinada por Pedro Alexandrino, mestre brasileiro associado à tradição da pintura acadêmica do século 19. Os diálogos e contraposições estabelecidos nesse primeiro núcleo seguem sendo a tônica de toda a mostra. A montagem, bastante arejada, auxilia esse processo de encontro entre as obras, assinadas pelas estrelas de primeira grandeza da arte moderna.

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Orphée de Jean-Baptiste Corot

Organizada de forma cronológica, a exposição é um passeio por diferentes expressões e poéticas, uma trajetória que leva do hiper-realismo, tributário da fotografia, de Rosa Bonheur, à arte popular de um Douanier Rousseau ou José Antonio da Silva. Basta citar alguns dos nomes presentes para que se tenha uma ideia da diversidade proposta: Monet, Matisse, Cézanne, Renoir, Van Gogh, Giacometti, Almeida Junior, Anita Malfatti, Iberê Camargo e Vieira da Silva.

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O sonho do Douanier Rousseau

Núcleos são dedicados às diferentes vanguardas, ao retorno à ordem do período que antecede a 2.ª Guerra Mundial e também a produção brasileira entre os anos 30 e 50, período um tanto relegado e em relação ao qual Corne tem especial apreço. Ele avalia que nesse período, tanto na América como no Brasil, “o realismo é também uma emancipação da supremacia europeia”.

A partir dos anos 60, as obras parecem problematizar a crise por que passavam os modelos de representação e a própria França, que perdia seu papel de centro hegemônico das artes para os EUA. Surge o nouveau réalisme e, por outro lado, a representação da realidade parece diluir-se numa crescente abstração. A mostra terminaria aí, não fosse o desejo de Corne de trazer alguns exemplos mais recentes da pintura francesa, que segundo ele passa por uma retomada após décadas de crise.

CURSO

Os interessados em aprofundar seu conhecimento sobre as questões abordadas na mostra podem fazer curso organizado pelo Carrefour. Informações e inscrições: tel. 5180-4622. O patrocinador também está distribuindo 5 mil convites para a mostra para alunos da rede pública e clientes.

Preste Atenção…

…na pintura Mulher Nua com Cão, de Gustave Courbet, uma das obras centrais da exposição. Ladeada por outros dois magníficos nus femininos, assinados por Manet e Renoir, a tela pintada no início dos anos 1860 sintetizaria aspectos centrais da produção do autor. Ali se fundem alguns dos gêneros mais trabalhados por ele, com destaque para o tratamento de fundo, no qual se vê uma transição, uma colagem instigante entre a paisagem natural e um fundo composto e cenográfico. A questão da relação entre tradição e busca da realidade corporificada na pintura se faz presente. “É um quadro de representação, que dialoga com toda uma tradição, com mestres como Ticiano e, ao mesmo tempo, é uma mulher de verdade (no caso Léontine Renaude, sua amante e modelo) que está ali representada”, diz Corne.

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Mulher nua com cão de Gustave Courbet

Serviço
Arte na França 1860-1960: O Realismo. Masp. Avenida Paulista, 1.578, tel. 3251-5644. Das 11 h/ 18 h (5.ª até 20 h). R$ 15. Até 28/6. Abertura hoje, para convidados

11/05/2009 - 11:53h O fotógrafo britânico Martin Parr desembarca em São Paulo

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© Foto de Bill Jay. O fotógrafo Martin Parr, 2004.

O fotógrafo inglês Martin Parr, da Agência Magnum vai tirar algumas horas, hoje, segunda-feira (11/05) para fotografar o que encontrar pela frente na Avenida Paulista, em São Paulo. Escolheu o rush do horário de almoço. As fotos na Paulista fazem parte do workshop que realiza para um grupo fechado de 12 fotógrafos. Amanhã, terça-feira (12/05), a partir das 19h30, dará uma palestra gratuita no Museu da Imagem e do Som (MIS). Nos dois eventos, mas, principalmente, no encontro com o público na terça, em que ele será entrevistado pelos jovens membros do coletivo fotográfico Garapa (Leo Caobelli, Rodrigo Marcondes e Paulo Fehlauer), Martin Parr falará de sua carreira e de sua maneira de tratar a fotografia. Para quem não puder ir ao MIS, a palestra terá transmissão simultânea pelo site www.garapa.org

Fonte Images & Visions

19/04/2009 - 11:24h Aquele que comenta a arte de hoje e de ontem

 

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Embora sintoma de sua época, criações de Vik Muniz não apelam ao espetáculo

Affonso Romano de Sant’Anna – O Estado SP

A exposição de Vik Muniz mexe numa série de questões: o reencontro da arte com o público; o reencontro com a figuração; o reencontro com o social-histórico; a desmistificação da falsa querela entre fotografia e pintura; e a superação das “in-significâncias” que caracterizam grande parte de obras “contemporâneas”.

A essas se seguem outras questões igualmente instigantes. Algumas pessoas ao verem sua exposição ficam sem saber como classificá-lo. Criador ou re-criador? Teria ele descoberto (como ocorre com alguns artistas hoje em dia) alguns “truques” e “macetes”, que repete, ou supera esse vício da arte do nosso tempo?

Cada um desses tópicos mereceria desdobramento. Limito-me, no entanto, em sumarizar alguns comentários e em levantar algumas questões.

1. Esta é uma exposição que realiza o reencontro do público com a arte. Isto é raríssimo hoje em dia. O que tem caracterizado certas mostras é aquilo que Jean Clair – crítico de arte de maior prestígio na França – chamava de “multidões sonâmbulas”. Ir a museu virou uma variante do turismo. Pessoas vagando entre obras que não entendem sem conseguir compatibilizar as bulas oferecidas com o produto exposto. Ou então, propostas de interatividades entre a in-singificância e a idiotice. VM consegue a empatia e a admiração do público e a atenção de críticos daquilo que Howard Becker chamava de “arte oficialista”.

2. Essa exposição derruba outra falácia “contemporânea”: de que a figura acabou/a representação morreu. Neste sentido, VM superou essa espécie de querela entre os atuais “protestantes” (contra figura) e os atuais católicos (pela representação).

3. Coloca mais uma pá de cal na equivocada querela entre pintura e fotografia. Se há cerca de cem anos uns achavam que a fotografia mataria a pintura, a obra de VM inscreve um capítulo nessa novela que poderia ter um título: quando a fotografia ressuscita a pintura, o quadro e o painel. Aqui a fotografia está dialogando com várias artes vizinhas: a escultura, o desenho, a pintura, a gravura, etc. O fotógrafo não compete com outros gêneros, mas soma-os ao seu fazer.

4. Ao contrário de in-certas manifestações “contemporâneas”, as obras de VM têm um sentido social, histórico e político. Trabalha com imagens de favelados, com ícones de nossa cultura, com fatos jornalísticos, faz uma crítica clara ao momento histórico e à sociedade de consumo, além de se envolver pessoalmente em programas sociais. Retomando a já clássica e incontornável relação entre lixo & luxo, diverge da arte produzida nas últimas décadas que exercitava um tipo de niilismo e alienação. Sua exposição, já no princípio mostra, criticamente, aquele mapa do mundo onde os continentes são representados por computadores e peças eletrônicas amontoadas e outros dejetos da cultura moderna.

5. VM dialoga com a arte “anterior”, não para ridicularizá-la juvenilmente, mas para reinscrevê-la, metamorfoseá-la no tempo & espaço. Desenvolve um trabalho de paráfrase, paródia e de estilização de obras de Caravaggio, Goya, Monet, Gauguin, Piranesi, Boticelli, Bosh, etc. (Por vício acadêmico alguém pode querer chamá-lo de pós-moderno.) É curioso notar, contrastivamente, que se alguns artistas do princípio do século 20 queriam queimar museus e jogar a arte anterior no lixo, no final do mesmo século, como se tivessem juntando as contradições, outros artistas, como VM, não pregam a ruptura, mas vão ao passado com olhos no presente & futuro para reprocessar, reciclar conteúdos e conceitos.

Neste sentido, diria que é um “comentarista” da arte de ontem & hoje, pois está relendo várias obras clássicas à sua maneira, “refazendo-as”, “reinterpretando-as” com materiais pouco convencionais. Ao retomar os “antigos”, ele está não apenas revisitando, mas “reilustrando” a história.

E aqui a palavra “ilustração” tem sua pertinência. Há algo de ilustração no sentido jornalístico do termo. E talvez aí esteja, ao mesmo tempo, tanto a força quanto os riscos de suas obras. Se alguns de seus trabalhos aparecessem como ilustração em jornais e revistas, funcionariam perfeitamente. E o caráter jornalístico e documental é tão evidente, que ele trabalha também sobre fotos & fatos da imprensa. Deve ser neste aspecto que algumas pessoas têm dificuldade em qualificá-lo, apesar de seu êxito de crítica, de público e de venda. Em contrapartida, pode-se também indagar se certas ilustrações em revistas e jornais, se certas vitrinas de lojas, se certos anúncios não transcendem também o provisório e não mereceriam a perenidade dos museus.

6. Do ponto de vista estrutural & estruturante da obra de arte, VM vai na contramão de outro vezo contemporâneo: a entropia, a fragmentação, o improviso, o rascunho, o recorte, a dispersão, o aleatório, o acaso. Ao contrário, está ordenando a desordem, a confusão, a ambiguidade e a indecisão. E, enquanto outros artistas se perdem entropicamente nos fragmentos, ele está fazendo a “reunião”, conforme uma noção heideggeriana de arte como “reunião relevante e/ou revelante”. Enfim, onde outros dispersam, ele aglutina, onde outros se confundem, ele se esclarece. VM está reunindo as partes em função do todo, o átomo em função da matéria, o pigmento em função da imagem e do assunto. Oferece uma visão gestaltiana do caos, ordenando-o, mostrando-o pelo seu avesso.

7. Daí outra característica essencial de seu trabalho. E a palavra “trabalho” aqui faz sentido. Nele há técnica e criatividade. Onde outros praticam aquilo que no livro O Enigma Vazio, Impasses da Arte da Crítica, chamei de “irresponsabilidade estética e a estética da irresponsabilidade”, esse é um autor que não apenas se insere no seu tempo & espaço históricos, mas tem métier, pesquisa e desenvolve um projectum. Seu fazer tem uma “estrutura”, em que a “invariante” é o fragmento e as “constantes” são os diversos materiais que usa para preencher o conjunto.

8. Poder-se-ia alegar que ele utiliza técnicas mais velhas que a Sé de Braga. Com efeito, nas procissões religiosas em Ouro Preto ou São João Del Rey, para ficarmos apenas no Brasil, as ruas são decoradas com pétalas de flores, utilizando uma técnica pontilhista. Igualmente, os que fazem desenho com areia colorida dentro de garrafas, como no Ceará, ou até mesmo aqueles artistas de calçada que, em Nova York e Paris, desenham nos passeios surpreendentes cópias de quadros que estão nos museus, tudo isto tem a ver com a obra de Vik Muniz.

Igualmente o ilusionismo, o trompe l?oeil, as anamorfoses que no barroco conhece/eram seu apogeu, podem ser lembradas em relação a algumas de suas obras. É até possível que alguém queira chamá-lo de neobarroco, como se tornou moda dizer nos últimos 40 anos. Com efeito, olha-se a obra, e de longe se vê uma coisa, de perto se vê outra , e as duas visões se informam, a informação se complementa até pelo avesso. Mas o seu ilusionismo, reconheça-se, produz efeito, não é um jogo gratuito, mas resulta em nova informação e sensibilização estética. Não tem nada a ver com a falsa equivocada pregação duchampiana da “indiferença”.

Em síntese, a obra de VM sendo de certo modo sintoma de sua época, por outro lado, se opõe ao que tenho definido como “in-significância”. Ou seja, grande parte das obras expostas em galerias, museus e festivais tipo Documenta Kassel, são “enigmas vazios”. São exercícios falaciosos que, se chamam a atenção, devem isto à estratégia de marketing da espetacularização.

Dou um exemplo, apenas um, das correlações possíveis entre as obras de VM e outros “contemporâneos”. Consideremos as obras de Daniel Spoeri, lá nos anos 60. No afã de ter que inventar sempre algo de novo e/ou diferente, lançou ele um tipo de arte ligada à comida – a eat art (arte comida), que consistia em expor pratos com restos de comida deixados às vezes até a podridão. Uma típica “in-significância” como tantas outras. No caso de VM ele retoma a ideia, não a coisa. O que ele expõe não é apenas o chocolate representando uma figura nem o macarrão parodiando a Medusa de Caravaggio, mas a representação, a fotografia da ideia. Ou seja, enquanto em outros (como na “land art”) o espetáculo é a obra, no caso de VM a obra é espetáculo. Vamos a um exemplo do que digo: uma coisa “in-significante” é encher um caminhão de lixo e espetaculosamente despejar os dejetos dentro de uma galeria de arte, com já foi feito na França e outros países; outra, bem outra, é trabalhar sobre o lixo, reprocessá-lo teórica e tecnicamente. Enfim, a matéria bruta não é necessariamente arte. Arte é transformação, melhor ainda, transfiguração.

VM dá a sensação de descontração, de liberdade, de estar centrado num trabalho consequente. Picasso falou aquela frase de efeito que é apenas parcialmente verdadeira: “Eu não procuro, eu acho.” De VM se poderia dizer que ele encontra, porque procura com atenção, paciência e criatividade.

Affonso Romano de Sant’Anna, poeta, professor, ensaísta, é autor de, entre outros, Drummond, Um Gauche no Tempo (Record)

18/04/2009 - 12:07h Exposição reconta historia da fotografia pelo olhar de artistas transgressores

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© Foto de Paul Bonzon. Paisagem noturna, 1918

 

 

O Museu de Arte Moderna de São Paulo-MAM está no Ano da França no Brasil, com a exposição “Olhar e fingir: fotografias da coleção Auer”. A mostra, com curadoria realizada pela historiadora francesa Elise Jasmin em parceria com o fotógrafo brasileiro Eder Chiodetto (curador do Clube de Colecionadores de Fotografia do MAM), reúne cerca de 290 peças da abrangente coleção do casal Michel e Michèle Auer e compreende quase 170 anos da história da fotografia. A coleção adquirida ao longo de mais de 40 anos pela Fundação Auer é a maior coletânea particular de fotografias do mundo, contando atualmente com cerca de 50 mil imagens. A exposição contará com imagens produzidas ao longo dos séculos 19, 20 e 21 por autores de diferentes continentes – entre os sul-americanos, estão os brasileiros Geraldo de Barros, Pedro Vasquez, Fabiana de Barros e Mario Cravo Neto – e garimpadas pelo casal em suas pesquisas e viagens pelo mundo. Entre outros tesouros da história da fotografia, o público brasileiro terá uma única de ver daguerreótipos, inclusive raras peças colorizadas e um calótipo (exemplar do processo positivo/negativo desenvolvido por William Henry Fox Talbot) da década de 1850, além de algumas obras do pictorialismo do final do século 19 e início do século 20. Entre os nomes de peso representando o século 20, estão fotografias de Cartier-Bresson, Brassaï e Man Ray e cartões de Marcel Duchamp, Salvador Dali e René Magritte. Os curadores selecionaram imagens que trazem à tona a história da fotografia contada pelo prisma de artistas transgressores. No lugar de buscar uma cópia do mundo real, esses artistas se apropriaram da fotografia para falar do imaginário, do universo das sensações e das percepções não visíveis representadas por meio de experimentações e metáforas visuais. A fotografia como invenção e não como catalogação do mundo.

Visitação: de 23 de abril a 28 de junho de 2009. Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 3. Tel (11) 5085-1300. Horários: Terça a domingo e feriados, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h). Ingresso: R$ 5,50. Sócios do MAM, crianças até 10 anos e adultos com mais de 65 anos não pagam entrada. Aos domingos, a entrada é franca para todo o público, durante todo o dia. http://www.mam.org.br/

Fonte Images & Visions

15/04/2009 - 17:21h Arte da indústria

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MARCELO COELHO


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Fernand Léger, os construtores – 1950

Léger, em cartaz na Pinacoteca, foi um dos que mais incorporaram a textura das máquinas

CABELOS QUE BRILHAM como chapas de metal. Braços e pernas tubulares, como calhas ou chaminés. Rostos inexpressivos, não mais que um esquema de olhos, boca e nariz. Dos pintores do começo do século 20, Fernand Léger (1881-1955) foi provavelmente um dos que mais incorporaram em seus quadros a estética da vida industrial, a rudeza do trabalho mecânico, a textura das máquinas e dos materiais de construção.

O corpo humano, diz ele num dos escritos de “Funções da Pintura” (editora Nobel), não deve mais ser considerado na pintura como algo que tenha “valor sentimental ou expressivo”. Cabe ao artista moderno tratá-lo “como um objeto”, igual a qualquer outro.

Essa convicção, aparentemente austera, não dá ideia da imensa alegria, do senso de festividade quase ingênuo, que tomam conta dos quadros de Léger, na exposição que está em cartaz na Pinacoteca do Estado. Muitos artistas modernos se preocuparam, é claro, com a questão da técnica, da indústria, da urbanização. Excetuando as celebrações mais estridentes do futurismo, parece entretanto prevalecer um sentimento de angústia, ou pelo menos de ironia, na maioria deles.

Os surrealistas cercavam objetos industriais (um telefone, um ferro elétrico) de uma “disfuncionalidade” inquietante: abate-se sobre tudo um silêncio de pesadelo, uma indagação fantasmagórica, que não é possível formular em palavras. Para outros artistas, o humano tenta sobreviver em desespero, aos gritos, contra as ameaças da vida anônima das cidades.

Na maior parte do tempo, os quadros de Léger parecem expressar felicidade diante desse anonimato, dessa mecanização. Não há silêncio nem desespero: coisas e figuras cantam, dançam e giram atleticamente, cobertas de cores afirmativas. Esse espírito “positivo” do artista francês é sem dúvida um dos fatores a aproximá-lo do modernismo brasileiro. Industrialização, progresso, velocidade urbana não eram, para os modernistas, inimigos do Brasil selvagem, mítico, tropical. Essas duas realidades, aparentemente opostas, podiam ser saudadas com o mesmo entusiasmo. Varriam do mapa, com efeito, aquilo que os modernistas identificavam como falso, artificial, afetado: o sentimentalismo romântico, a arquitetura empetecada do século 19, a retórica bacharelesca, os refinamentos parnasianos.

Postos lado a lado na exposição da Pinacoteca, os quadros de Tarsila do Amaral e de Fernand Léger apresentam semelhanças quase que didáticas, de tão evidentes. Tarsila conheceu Léger em Paris, e os mesmos cabelos de metal, braços e pernas de fantoche, plantas e árvores parecendo tubulações, transferem-se de um quadro a outro.

No livro “A Aventura Brasileira de Blaise Cendrars” (Imprensa Oficial/Edusp), Alexandre Eulalio (1932-1988) escreve páginas inacreditavelmente precisas e detalhadas a respeito da influência de Léger sobre Tarsila. Vendo a exposição, talvez seja possível imaginar o inverso também. Embora Léger nunca tenha estado no Brasil, alguns de seus quadros e projetos para cenários de teatro parecem, por vezes, retratar cenas de carnaval de rua, ou de bumba-meu-boi. Nada mais de acordo com o programa antropofágico, como se sabe. A própria ideia do corpo humano como “um objeto qualquer”, formulada por Léger, já é um passo no caminho da sua devoração.

Mas o que mais surpreende, em meio à estética explosiva, robusta e viril de Léger, é o quanto os quadros de Tarsila, afinal de contas bem alegres em suas cores brasileiras e no seu falso “primitivismo”, terminam parecendo um pouco melancólicos. Estão ali as palmeiras, as casas coloridas do morro, uma torre Eiffel de brinquedo, trenzinhos, estações, estradinhas… Só que, nessa junção de paisagem bucólica e signos de progresso técnico, parece faltar uma coisa essencial: o movimento.

Quando Léger pinta uma cena de circo, ou quando mostra os operários de um arranha-céu suspensos entre vigas de ferro, a sensação do espectador é que o volume espesso daqueles corpos, sua mineralidade proletária, está pronto para sair voando no céu limpo. As festas interioranas de Tarsila, com todo seu perfume de mato e tinta fresca, não deixam de impregnar-se também de um certo ar de estagnação.
É a poesia da estagnação, talvez: coisa que todo brasileiro conhece bem, e de que, no fundo, até que não desgosta tanto assim.

coelhofsp@uol.com.br

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Tarsila do Amaral Carnaval em Madureira – 1924

12/04/2009 - 19:39h Banhista e jardim

Desnudito lineal


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Bañista y jardin

Original perspectiva de Whiteley, llena de luz y simplicidad. La línea manda y la expresividad resulta clara y diáfana.

Brett Whiteley (1939-1992) nació en Sydney, Australia, estudió pintura en Julian Ashton Art School y en 1960 con una beca viajó a Francia e Inglaterra. En 1961 fue seleccionado para representar a Australia en la Convención de Jóvenes Pintores organizada por la UNESCO en París, y ese mismo año ganó un premio en la Bienal Internacional de París para Jóvenes Artistas.

En la década del 60 se hizo famoso mediante exposiciones individuales y colectivas, sobre todo en Inglaterra y Australia. Luego viajó a Estados Unidos y a Asia, y durante la década de 1970 llegó a convertirse en el pintor más conocido de Australia en ese país.

La obra de Whiteley abarca retratos y paisajes y escenas. Entre sus principales cuadros destacan los retratos de artistas y escritores del siglo XIX como Baudelaire (1970) y Van Gogh (1971) y excelentes estudios de la bahía de Sydney.

Whiteley logró numerosos premios artísticos y sus cuadros están en varios museos célebres.

04/04/2009 - 15:40h As afinidades eletivas no mundo da arte: Léger e o Brasil de Tarsila

Exposição na Pinacoteca flagra o mestre francês e suas ‘amizades’ brasileiras entre os anos 20 e 50

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Fernand Léger

 

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Tarsila de Amaral

 

Maria Hirszman – O Estado SP

Ao abrir o Ano da França no Brasil, a exposição de Fernand Léger (1881-1955), Amizades e Relações Brasileiras, promete ser uma das principais atrações desse recheado calendário. Não apenas porque apresenta um seleto conjunto de obras do mestre francês, realizadas entre as décadas de 20 e 50, mas sobretudo porque contextualiza sua arte à cena brasileira, evidenciando os fortes nexos que se estabelecem entre ele e o modernismo nacional. Como afirma Brigitte Hedel-Samson, conservadora-chefe do Museu National Fernand Léger, em Biot (França) e curadora da exposição, esse desejo de realizar uma mostra que desse conta dessa relação entre Léger e o Brasil é antiga.

De maneira simplificadora, costuma-se atribuir o papel representado por Léger nessa história ao fato de Tarsila do Amaral ter frequentado seu ateliê quando esteve em Paris no início da década de 20 e descobriu o cubismo, fazendo o que Mário de Andrade viria a chamar de “serviço militar obrigatório”, posto que todo artista que se queria moderno teria obrigatoriamente de saber pintar à moda da Escola de Paris. Acontece que quando Tarsila desembarca em Paris em 1923 e conhece Léger por intermédio de Blaise Cendrars (o poeta era grande amigo do pintor e um importante amigo dos brasileiros na capital francesa), Léger já havia abandonado a representação cubista.

Em sua obra desse período, destaca Brigitte, “há uma grande unidade de estilo”. O tema é pretexto para uma simples valorização das formas, diz ela, afirmando que “Tarsila adotou essa maneira muito característica de Léger de construir por planos coloridos”. A pintora teria contribuído por sua vez muito provavelmente com a sugestão de iconografias não-europeias, utilizadas em trabalhos como o balé A Criação do Mundo. Brigitte acredita até mesmo que ela tenha ajudado a financiar o filme Balé Mecânico e tenha ganho a peça Carlitos Cubista como uma espécie de retribuição.

Esses dados ilustram um outro aspecto interessante dessa exposição, que é o fato de ela não assumir uma direção de mão única. Se a convivência com Léger foi marcante para Tarsila e de certa forma levou-a a consolidar em pouco tempo um estilo bastante próprio, marcado pelo uso intenso da cor e por um fascínio pelo universo brasileiro, o convívio e a troca com os brasileiros também tiveram suas repercussões para a vida e a obra do francês.

Como diz Regina Teixeira de Barros, curadora adjunta da exposição, “Tarsila do Amaral foi quem mais se contagiou por suas ideias estéticas”. Mas não foi a única. Curiosamente, Léger manteve estreito contato com três das maiores artistas brasileiras do século 20: Tarsila, Maria Martins e Lygia Clark. Acredita-se que ele tenha conhecido Maria Martins ainda nos anos 30 a tendo reencontrado durante o período da guerra, quando se refugiou nos EUA, e teria até mesmo recorrido a ela em busca de auxílio para conseguir financiar o projeto de uma ópera. Provavelmente foi por intermédio da escultora que Léger participou com grande destaque das três primeiras Bienais de São Paulo. Na última delas chegou a ganhar o grande prêmio de pintura, morrendo logo após.

Com Lygia, que frequentou seu ateliê no início dos anos 50, a relação foi mais breve, mas segundo Regina o modelo de Léger estaria fortemente relacionado à série das Escadas que ela pinta no período. “Talvez o legado mais importante deixado pelo mestre francês para ambas tenha sido a liberdade para criar, a capacidade inventiva, que em Lygia despontou nos trabalhos neoconcretos e em Tarsila atingiu a maturidade nas pinturas e desenhos antropofágicos”, sintetiza Regina.

Vários também são os momentos de aproximação com instituições e colecionadores brasileiros, garantindo uma presença quase constante do artista em exposições relativas ao modernismo no País e algumas vezes resultando em aquisições importantes para as coleções brasileiras. Uma dessas obras, A Compoteira de Peras, que pertence ao Masp, infelizmente não foi cedida para a exposição.

A montagem da mostra, que privilegia afinidades entre as obras mais do que critérios cronológicos, procura evidenciar esse intercâmbio. Lá estão os quadros que Tarsila comprou ou ganhou dele, bem como uma bela tapeçaria feita a partir de desenhos elaborados por Léger para a decoração do Auditório que Niemeyer projetou para o Parque do Ibirapuera e que só se tornou realidade recentemente. O tapete foi tecido por iniciativa de sua mulher e hoje pertence ao Banco Itaú. A encomenda para a decoração do auditório, bem como outras exposições e trabalhos desenvolvidos por Léger em relação ao Brasil demonstram que – apesar de ele nunca ter estado por aqui – os nexos se mantiveram e talvez até se tenham fortalecido.

Ele desenvolveu, por exemplo, a pedido de Assis Chateaubriand e em parceria com o arquiteto André Bruyère, o projeto de uma luxuosa colônia para receber artistas brasileiros na Riviera Francesa, com dormitórios, cafés, piscinas e que nunca viu a luz do dia por seu custo exorbitante. Os desenhos, que pertencem ao MAC-USP, estão na exposição.

Ao mesmo tempo, paralelamente a esse forte cotejamento com o plano brasileiro, a exposição organizada pelo museu Léger com sede em Biot, na França, propõe por meio de obras cedidas por diversos museus e coleções particulares um apanhado da obra do artista em suas três últimas décadas de vida. Lá estão representados momentos importantes dessa trajetória, a começar pela projeção de Ballet Mecanique. Ao longo da mostra é possível ver um conjunto importante de naturezas-mortas, trabalhos em que se nota uma certa tendência ao surrealismo e até mesmo uma sala dedicada ao tema do circo, que lhe foi tão caro.

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Estudo (Academia n.º 2) de Tarsila de Amaral

 

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A Xícara de Chá de Fernand Léger

 

 

Preste Atenção…


… na grande proximidade entre as telas A Xícara de Chá, pintada por Léger em 1921 e adquirida por Tarsila, e obras um pouco posteriores da pintora, como Estudo (Academia n.º 2), de 1923. É possível notar a influência dos esquemas compositivos e cromáticos de Léger nas obras um pouco posteriores de Tarsila. Telas como Carnaval em Madureira (1924) “têm como paradigma as paisagens animadas pintadas por Léger no início da década”, aponta Regina Teixeira da Costa no catálogo.

…no filme Ballet Mecanique, cuja abertura foi feita com o boneco do Carlitos (”o personagem mais cubista que jamais existiu”, segundo Léger). A obra, realizada em 1923, é um importante trabalho experimental. Foi realizado sem roteiro, com câmera fixa que registra o movimento dos objetos que se movem diante da objetiva. Ele será exibido em alternância com um documentário produzido pelo Centro Georges Pompidou.

…no projeto elaborado por Léger e André Bruyère a pedido de Assis Chateaubriand de criação de uma colônia luxuosa para receber os artistas brasileiros na França. Trata-se de um projeto ambicioso, que acabou por não ser construído por seu custo excessivo (236 milhões de francos), que dialoga fortemente com a arquitetura modernista e faz aproximações sobretudo com Lúcio Costa.

…na liberdade compositiva e cromática da obra tardia de Léger. Se nos anos 20 e 30 ele ainda parece buscar uma estrutura mais rigorosa, procurando uma maneira de conciliar e agregar elementos díspares – das engenhocas mecânicas a orgânicos peixes e plantas -, com o passar dos anos ele adere a uma maior experimentação, desenhando multidões de corpos comprimidos no espaço, fortalecendo a intensidade das cores (O Vaso Vermelho com Guitarra, 1950) ou promovendo uma separação entre o desenho e a cor.

20/03/2009 - 20:47h De flores e corpos

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Mito de la revolución homosexual de los años setenta y ochenta en los Estados Unidos, Robert Mapplethorpe fue un fotógrafo de estudio que buscaba la belleza que emana o que se puede descubrir en los cuerpos animados e inanimados.

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Patti Smith

Controlaba con extrema precisión las composiciones, las proporciones, los equilibrios, los enfoques, el blanco y negro, las sombras y la luz así como las posturas de los cuerpos, las actitudes, las texturas de las pieles y todo aquello que debía entrar en la fotografía pero también todo lo que debía quedar fuera de ella.

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Autorretrato 1
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Autorretrato 2

A 20 años de su muerte, la institución española Es Baluard la rinde homenaje con una retrospectiva formada por obras realizadas entre 1975 y 1989. En ellas se representan los principales temas trabajados por el artista: autorretratos, desnudos masculinos y femeninos, retratos de personajes célebres (Andy Warhol, Louise Bourgeois, Patti Smith, Grace Jones, etc.), fotografías de flores, de estatuas y escenas de sexo.

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Su obra y su vida eran un mismo manifiesto y esta fusión y la serena y perturbadora belleza que emanan sus fotografías lo convierten en uno de los precursores de la fotografía artística contemporánea.

Todas las fotografías reproducidas pertenecen a la Robert Mapplethorpe Foundation ©. O texto é de Cristina Civale, do blog Civilización & Barbarie

12/03/2009 - 17:02h Na mira

Suíça radicada no Brasil, Mira Schendel (1919-1988), artista que “reinventou a arte a partir da língua”, ganha retrospectiva no MoMA, individuais em Londres e SP e vira tema de três novos livros

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Obra sem título da série “Objetos Gráficos” (1967), de Mira Schendel, que está na mostra do MoMA

 

  SILAS MARTÍ – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Uma frase solta, inconclusa, resume o retorno. Num dos quadros que abrem sua megarretrospectiva no Museu de Arte Moderna de Nova York, Mira Schendel escreveu discreta: “Agora que estou de volta”.
Era uma alusão ao retorno de Aquiles da batalha que travou. Mas, exposta na primeira sala da mostra que o MoMA abre no dia 5 de abril, serve de prelúdio à volta de uma artista que morreu sem atingir o reconhecimento internacional que está prestes a ganhar. Embora tenha participado de nove edições da Bienal de São Paulo, sendo eleita até parte da “santíssima trindade” da arte brasileira, Schendel nunca foi tão valorizada pelo mercado.
Além de “Tangled Alphabets”, mostra que reúne 200 obras para refazer os passos da artista e do argentino León Ferrari, em Nova York, a galeria Millan abre, na próxima quarta, em São Paulo, individual com 20 de suas monotipias, as gravuras que fazia em papel japonês. Em maio, a galeria Stephen Friedman, de Londres, também abre espaço para uma individual da artista.
No embalo das exposições, o mercado editorial se prepara para lançar farto material sobre o legado da artista que passou a vida tentando “imortalizar o fugidio” e “congelar o instante”, como dizia em seus diários.
Nascida na Suíça, em 1919, Schendel se mudou para o Brasil quando já tinha 30 anos, formada em Zurique e numa escola preparatória da Itália.

Orgias de letras

Nômade, falava mal quase todas as línguas que usava para se expressar, as mesmas que apareciam em seus desenhos-poemas -chegou a fazer cerca de 5.000 deles para amigos e conhecidos, passando ao largo do mercado, que a valorizou só depois da morte, em 1988.
Se em vida suas monotipias eram distribuídas ao acaso, vendidas às vezes por US$ 100, ela hoje é uma das artistas mais disputadas da cena brasileira, com trabalhos arrematados por mais de US$ 1 milhão.
“Só nos últimos anos conseguimos pôr a obra da Mira nas melhores coleções do mundo”, diz André Millan, 48, galerista que cuida do espólio da artista.
Depois da explosão conceitual e das formas geométricas dos concretos paulistas e cariocas, Schendel foi uma das primeiras no país a injetar forte carga subjetiva em suas obras, deixando ver suas obsessões na folha transparente de papel.
“Ela reinventa a arte, com base na língua”, resume Luis Pérez-Oramas, 48, curador da mostra no MoMA, em entrevista à Folha. “É a língua não como instrumento, mas como encarnação material da voz.”
Suas “pequenas orgias de letras flutuando no espaço”, como descreve Pérez-Oramas, tentam refletir o turbilhão de ideias que estudou à exaustão.
“A vida imediata é só minha, incomunicável, sem significado ou propósito; o mundo dos símbolos é antivida, vazio de emoção e de sofrimento”, escreveu Schendel. “Se pudesse juntar os dois, teria a riqueza da experiência com a permanência relativa do símbolo.”
Tentando mostrar esses dois lados, Schendel recorria às folhas transparentes, criando uma espécie de porta de entrada para os próprios pensamentos, já que a palavra tinha de mostrar “o maior número de faces para ser ela mesma”.
Talvez por essa obsessão, as obras também vão perdendo o peso da tinta e ganhando a leveza dos vazios, de palavras e letras soltas. Depois das naturezas-mortas dos anos 50, ela partiu para as monotipias, obras em acrílico e instalações.
No MoMA, Pérez-Oramas separa as pinturas mais tradicionais das instalações que vêm depois, como “Trenzinho”, uma série de folhas penduradas em sucessão, as “Droguinhas”, retalhos trançados de papel japonês, e “Ondas Paradas de Probabilidade”, rede de fios translúcidos juntos de uma citação da Bíblia.
Quanto mais abstrata a obra, mais presente parece estar a artista. “Há uma clara consciência da arte como corpo”, diz Pérez-Oramas. “É um encontro de corpos, uma forma de romper com a hierarquia, talvez uma metáfora para a voz impossível de Deus.”

06/03/2009 - 18:00h Images & Visions, um blog a serviço da arte fotográfica

Fotógrafo retrata mulheres com seios à mostra nas ruas de Nova York

 

  

© Fotos de Jordan Matter. Mulheres com seios a mostra nas ruas de Nova York. EUA.
Cem fotos de mulheres mostrando os seios de todos os tamanhos, formas e idades, em lugares públicos de Nova York. Essa é a obra do fotógrafo nova-iorquino Jordan Matter. Sua coleção intitulada “Uncovered”, acessível na web no endereço http://www.jordanmatter.com/, depois de ser exibida em várias partes do mundo, virou febre na Internet. “Porque exatamente homens podem desfilar por aí sem camisa e as mulheres não? Quando publiquei as primeiras fotos recebi 30.000 visitas em dois dias”, afirma o fotógrafo. As fotografias mostram mulheres na rua, nos mercados, nas pontes, em cenas cotidianas, com modelos voluntárias sempre de topless. Veja mais fotos Aqui

Uma inusitada invasão de campo

© Foto de Ian Bradshaw. “Twickenham Streaker”, 1974.
 
Michael O’Brien, o “Twickenham Streaker”, invadiu o campo completamente nu, durante uma partida de rúgbi entre a Inglaterra e a França em Twickenham, em fevereiro de 1974. Na foto um policial cobre estrategicamente o invasor com o quepe. A autoria da famosa imagem é do fotógrafo independente Ian Bradshaw, que foi eleita a foto do ano pela revista LIFE.

Exposição de Vik Muniz é prorrogada no Rio

 

 

 

© Vick Muniz sobre foto de Richard Avedon. Marilyn Monroe, Nova York, 06 de maio de 1957.
O Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de janeiro prorrogou até o dia 22 de março a exposição “Vik”, com obras do artista plástico e fotógrafo paulistano Vik Muniz, antes prevista para acabar no domingo, dia 08 de março. No dia 23 a exposição segue para o Museu de Arte de São Paulo-MASP. A justificativa é o sucesso de público: em pouco mais de um mês, mais de 26 mil pessoas visitaram a mostra. Foram reunidas 131 fotografias de dimensões variadas de trabalhos realizados por Muniz a partir de diferentes técnicas e materiais inusitados, como geléias, sucatas e papéis picados. Exposição “Vik”, Museu de Arte Moderna – MAM. Horário: das 12h às 18h, de terça a sexta; das 12h às 19h, aos sábados, domingos e feriados. Ingressos: R$ 8 e R$ 4 (meia-entrada). Informações: (21) 2240-4944
Fonte: IG

Milão exibe cem das melhores fotografias de moda publicadas pela revista Vogue

 

 

© Foto de Irving Penn/Vogue. Hat Trick, 2007.
Cem das melhores fotografias de moda publicadas pela edição americana da revista “Vogue” nos últimos 80 anos compõem a exposição que pode ser vista no Palazzo della Regione de Milão, por ocasião da Semana da Moda que acontece na cidade. A exposição “Extreme Beauty” é uma análise fotográfica do papel da beleza na sociedade e da forma como, ao longo destes anos, os padrões e a percepção da beleza se alteraram. Annie Leibovitz, Steven Klein, Irving Penn e Helmut Newton são alguns dos fotógrafos que tem trabalhos expostos. Veja mais fotos Aqui
Fonte: Público/Portugal

25/02/2009 - 16:25h Picasso se aparece entre los clásicos

 Mujer sentada
mulher sentada, Pablo Picasso

La National Gallery abre sus puertas por vez primera al arte posterior a 1900 con una retrospectiva del artista

ÁNGELES GARCÍA – Londres – El País

Pablo Picasso desembarca en Londres para exhibir con insolencia sus indiscutibles galones de revolucionario del arte del siglo XX… pero no lo hace en cualquier contexto. La exposición Challenging the past (Retando al pasado), un espejo del pulso que el genio mantuvo siempre con grandes como Ingres, Manet, Delacroix, Goya o Velázquez, se abre hoy al público en medio, si no de la controversia, sí de la sorpresa: nunca un artista posterior a 1900 había traspasado las puertas del sagrado templo artístico de Trafalgar Square.

 Desnudo con manos juntas
Nu com mãos juntas, Pablo Picasso

El interés cultural (y económico) que despierta el artista español logró que el prestigioso museo londinense llegase a un acuerdo con la Tate Modern para que esta insólita exposición se pudiera celebrar aquí.

Una grandiosa fotografía de Picasso en blanco y negro firmada por Werner Bokelberg en 1961 descubre una mirada con tanta determinación que casi asusta. Esa mirada picassiana única es el hilo conductor de un fascinante conjunto artístico que arranca con seis autorretratos de diferentes etapas, que sigue por las obras centradas en los desnudos femeninos, avanza por los retratos masculinos y acaba deteniéndose en las obras creadas como versiones de los grandes maestros de la historia. En total, la muestra de la National alberga casi un centenar de obras prestadas por grandes museos de todo el mundo y de colecciones particulares: un pequeño tesoro cuya contemplación conjunta será difícil de repetir.

Ann Robbins, una de las dos comisarias de la exposición, destaca el carácter autobiográfico de una muestra que ella califica de “restrospectiva de restrospectivas”, porque entra en todos y cada uno de los grandes temas del artista malagueño.

 Desayuno en la hierba, según Manet
piquenique no parque segundo Monet, Pablo Picasso

La comisaria añade que la exposición sólo se ve de forma completa cuando se visualiza la colección permanente de la National Gallery. Su gran propuesta es contemplar la galería a través de los ojos del propio Pablo Picasso.

El concepto que Ann Robbins ha manejado en el montaje de la exposición intenta zanjar de manera contundente la polémica suscitada sobre la conveniencia de mezclar arte antiguo y arte moderno. Además de que no hay duda sobre la consagración de Picasso en el Olimpo de los grandes maestros, Robbins considera que la mirada clásica se enriquece con la moderna y al revés.

No es arriesgado sostener que, si bien Picasso no llegó a conocer la National Gallery, seguro que habría aprobado el lugar elegido para dar a conocer la esencia de su obra. Con la Venus del espejo de Velázquez como estrella principal, en las salas se agolpan pinturas de Piero della Francesca, Leonardo da Vinci, Turner, Hogart, Rembrandt o Zurbarán. Un feliz (y atrevido) encuentro entre Picasso y sus maestros que proyectará una luz especial en Londres.

Hombre con sombrero de paja y helado, de Pablo Picasso

homem com chapéu de palha e gelado, Pablo Picasso

23/02/2009 - 16:30h A arte na crise

Análise/Artes plásticas

Crise exige mudança no mercado

É mais uma vez hora de os artistas terem outros empregos convencionais;

o segredo é fazer deles uma fonte de energia

HOLLAND COTTER DO “NEW YORK TIMES’  - FOLHA SP

N o ano passado, a revista norte-americana “Artforum” possuía a espessura de uma lista telefônica, com edições de cerca de 500 páginas, a maioria das quais com anúncios de galerias. A edição atual tem pouco mais de 200 páginas. Muitos anúncios desapareceram.
Com sua reputação duradoura de transações pouco claras e valores inchados, o mercado de arte contemporânea é um organismo vulnerável, tradicionalmente atingido dura e precocemente por qualquer mal-estar econômico. É o que está acontecendo agora. As vendas desaparecem no ar. Carreiras estão minguando. Aluguéis em Chelsea estão sem pagar. O boom que havia deixou de existir.
A diminuição não foi quantitativa, de maneira alguma. Nunca antes houve tanto produto. Nunca antes o mundo americano das artes funcionou com tanta eficiência como indústria de marketing no modelo corporativo, dotada de todos os serviços necessários.
Todos os anos, escolas de arte em todo o país produzem milhares de formandos preparados para o sucesso, gente a quem caberá fornecer produtos desejáveis para as galerias e casas de leilões. Eles contam com o respaldo de hostes de especialistas em relações públicas (também conhecidos como críticos, curadores, editores, publishers e teóricos de carreira), que fornecem informações atualizadas e pontuais sobre o que significa “desejável”.
Muitos desses especialistas fazem parte, direta ou indiretamente, da folha de pagamentos dessa indústria, que é controlada por outro conjunto de profissionais: os marchands, corretores, assessores, financistas, advogados e (figuras cruciais nesta era de feiras de arte) planejadores de eventos, que representam a divisão de marketing e vendas da indústria.
São essas as pessoas que vasculham as escolas de arte, identificam talentos novos, orientam carreiras e, por meio de algum cálculo inescrutável, determinam o que vai vender -e por qual valor.
Não que esses departamentos sejam separados de qualquer maneira: as divisórias éticas não fazem o estilo dessa indústria. Apesar da profissionalização da década passada, o mundo da arte ainda gosta de enxergar-se como um grande e único barco do amor. Noite após noite, críticos e colecionadores consomem jantares pagos por marchands que estão promovendo artistas, ou museus que estão promovendo exposições, com todos juntos à mesa, bajulando uns aos outros, trocando ideias e farpas, pesando as vibrações.
E onde está a arte em tudo isso? Proliferando, mas enfraquecida. A “qualidade”, definida primariamente como habilidade formal, está em voga outra vez, como parte integral de um revival conservador -alguns diriam regressivo- da pintura e do desenho. E ela nos vem dando uma enxurrada de desenhos bem feitos, esculturas engenhosas, fotografias meticulosas e espetáculos cuidadosamente encenados, cada um baseado nos mesmos elementos fundamentais: uma ideia única, embutida no trabalho e exposta na declaração de um artista, e um visual ou estilo feito para captar a atenção tanto quanto o refrão numa canção de rock.
As ideias não variam muito. Durante algum tempo, ouvimos muito sobre o radicalismo da beleza; mais recentemente, sobre a política subversiva da ambiguidade estetizada. Seja o que for, é tudo alimento para o mercado. A tendência chegou a um nadir na véspera da eleição presidencial, quando, com fanfarra triunfalista, o New Museum, em Nova York, expôs uma pintura de Michelle Obama feita por Elizabeth Peyton e a acrescentou à retrospectiva da artista. O intuito promocional da exposição era evidente. E a grande declaração política? Que o establishment das artes votara no partido Democrata.

Expectativas
Os estudantes que ingressaram na escola de arte alguns anos atrás provavelmente terão que sair dela com expectativas drasticamente modificadas. Eles terão que se considerar com sorte se tiverem as facilidades profissionais hoje vistas como algo garantido e certo: a exposição solo numa fase precoce da carreira, as vendas iniciais, a possibilidade de poder viver de sua arte.
Hoje nos EUA é mais uma vez hora de artistas terem outros empregos convencionais para sobreviver, e tudo bem. Os artistas sempre tiveram esses empregos (Van Gogh foi pregador; Pollock, assistente de garçom) e os terão novamente. O segredo é fazer deles uma fonte de energia, e não algo que cansa e exaure.
Ao mesmo tempo, os artistas também poderão tomar conta da fábrica e tornar deles a indústria da arte. Coletiva e individualmente, poderão customizar os equipamentos, alterar os modos de distribuição, ajustar ritmos de produção de modo a permitir crescimento orgânico e mudanças de rumo e objetivo. Poderão fantasiar e se concentrar. Poderão fazer nada por algum tempo, ou fazer alguma coisa e fazê-la errada, poderão fracassar em paz e recomeçar.

Escolas
As escolas de arte também poderão mudar. A meta atual dos programas de ensino prático parece ser estreitar o talento até aguçá-lo para que possa penetrar agressivamente na arena competitiva. Mas, com os mercados incertos, possivelmente inexistentes, por que não afrouxar esse modo?
Por que não fazer do treinamento em ateliês uma experiência interdisciplinar, que se entrecruze com sociologia, antropologia, psicologia, filosofia, poesia e teologia? Por que não embutir em seu programa de estudos um semestre de estudos e trabalho que tire os estudantes totalmente do mundo das artes e os insira em lugares como hospitais, escolas e prisões, às vezes em ambientes extremos -ou seja, na vida real?
Mudanças como essas exigiriam novas maneiras de pensar e escrever sobre a arte, de modo que os críticos teriam que voltar à escola, faltar a algumas festas e mergulhar nos livros e na internet. A discussão sobre a “crise na crítica” percorre o mundo da arte periodicamente, sugerindo uma nostalgia pelos criadores de gosto à moda antiga, como policiais do trânsito.
Mas, se existe uma crise, não é uma crise de poder; é uma crise de conhecimento. Para dizê-lo em palavras simples, não sabemos o suficiente sobre o passado ou sobre quaisquer outras culturas exceto a nossa.
O século 21 quase certamente verá mudanças modificadoras de consciência no acesso digital ao conhecimento e na moldagem da cultura visual. O que os artistas farão com isso?
Será que a indústria da arte vai continuar a agarrar-se ao status analógico tradicional da arte, insistir que o objeto material, comprável é a única forma de arte verdadeiramente legítima, que é o que fez realmente o revival da pintura? Ou os artistas -e os professores e críticos- vão nadar para uma terra que ainda é difícil de localizar nos mapas e fazer dela seu lar e seu local de trabalho?


Tradução de Clara Allain TRECHO

Apesar da profissionalização da década passada, o mundo da arte ainda gosta de enxergar-se como um grande e único barco do amor. Noite após noite, críticos e colecionadores consomem jantares pagos por marchands que estão promovendo artistas, ou museus que estão promovendo exposições, com todos juntos à mesa, bajulando uns aos outros, trocando ideias e farpas, pesando as vibrações. E onde está a arte em tudo isso?

13/02/2009 - 16:15h Índia está na moda

Empieza a estarlo, al menos, en el arte contemporáneo.

Ayer se inauguró ARCO, la ya tradicional feria de arte contemporáneo de Madrid, que tiene este año como país invitado precisamente a la India.

En el apartado llamado inconfundiblemente Panorama India un centenar de artistas de ese país exhibe por primera vez en Europa parte de su obra a través de 13 galerías curadas por Bose Krishnamashari.

Si hace unos años, fue tiempo de China, los comienzos de este nuevo siglo parecen conjugarse con las obras que proceden de Bombay y Nueva Delhi.

Así lo expresa Subodh Gupta (Khagaul, Bihar, 1964), artista estrella de ARCO 09, en una entrevista con la periodista española Fietta Jarke: “En los últimos cinco años ha aumentado la actividad del arte contemporáneo en la India, y en los últimos dos años parece haberse disparado hacia el exterior. Después del auge del arte chino, los ojos están ahora en India. Están pasando muchas cosas. Han surgido artistas muy interesantes, especialmente en Delhi y Bombay, también en Bangalore y Baroda, la llamada Escuela de Baroda. Es un país enorme, aunque no se ha empezado a cultivar el arte al estilo occidental hasta hace poco tiempo. En comparación con Europa y América, somos muy pocos, apenas un centenar. Y por eso nos conocemos casi todos. En ese sentido, India aún tiene que ir muy lejos (…) Suceden cosas muy extremas en la India y muchos de los artistas las reflejan en sus obras. En lo político también hay mucha tensión con lo que sucede en Pakistán, en el golfo Pérsico o en Oriente Próximo.

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Very hungry god (2006), Subodh Gupta

Yo no hago arte político, aunque subconscientemente tampoco puedo evitarlo. Se filtra en mi obra y en la de muchos otros artistas indios. Estamos conectados a las noticias y a Internet todo el tiempo. Toda la elección de Obama se vivió con tanta o más intensidad y entusiasmo en India y en otros países que en EE UU. Hasta mi hijo pequeño se alegró. ¿Qué está pasando? Así es que debo decir que existe mucho interés en el mundo por el momento presente en el mundo. Es una época para trabajar duro y no quedarse atrás”.

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Perspectivas de Booth B20, Instalación

Más sobre ARCO 09 aquí.

Cruzando de modalidad expresiva, otro síntoma de India y su apogeo en el arte contemporáneo es la película Slumdog Millionaire dirigida por Danny Boyle -el mismo director de Transpoiting- que narra la historia de un chico indú que creció en la calle y que a golpe de puro conocimiento empírico contesta las complicadas preguntas de un programa de tevé para convertirse en millonario y lo consigue cuando nunca nadie antes lo había conseguido.

La peli, nominada al Oscar como mejor película, es de realización independiente y generó gran revuelo en India. Artistas de aquél país se quejan porque consideran que Boyle pinta la pobreza con la frivolidad del color local de un extranjero; otros consideran que es una gran ayuda para desnudar que en India no sólo hay vacas sagradas, spas Oshas, playas exóticas tipo Goa y madres Teresas ayudando a los desvalidos.

Aquí el trailer:

Civilización & Barbarie

11/02/2009 - 17:54h ”Nova poética que busca a exploração dos limites”


Cildo Meireles, Através, 1938-1989, materiais diversos, 600 x 1500 x 1500 cm, foto: Pedro Motta

Camila Molina, BARCELONA – O Estado SP

 


O crítico inglês Guy Brett, que acompanha desde a década de 1960 a arte brasileira (próximo a Sergio Camargo, Hélio Oiticica, Lygia Clark e Lygia Pape), afirma que os artistas do País têm a seu favor a inteligência de uma criação a partir da relação paradoxal entre “corpo e mente, intelecto e sentimento”. De uma geração que teve o neoconcretismo e a arte conceitual como fontes, Cildo Meireles cria numa “nova poética impossível de se definir”, como diz o diretor do museu, Bartolomeu Marì, que se caracteriza pela busca “de novos significados através do confronto e da exploração dos limites nos âmbitos da estética, percepção, ciência ou a economia” e pela reflexão “sobre seu próprio lugar na arte”.

Sendo assim, sua obra não se fecha no campo apenas do político e de temas nacionais, tampouco na efêmera sensorialidade. “Não se pode fazer um trabalho fundamentalmente panfletário e que resista a um embate com a história do objeto de arte, que é o que me interessa”, diz Cildo.

Dentro dessa complexidade, como afirma Brett, é fascinante a maneira com que o artista lida com a escala, indo do muito pequeno, como em Cruzeiro do Sul, em que um minúsculo cubo de carvalho e pinheiro está no chão de um grande espaço, iluminado por um foco de luz, até o grandioso, como a instalação Através, um imenso labirinto com piso de pedaços de cristal que carrega um percurso de “acumulação de proibições” entre arames farpados, redes, portas – e o som do vidro pisado é mais ainda arrebatador.

Mesmo as garrafas com as inscrições “Yankees go home!” do Projeto Coca-Cola, de 1970 e presente na mostra, vai além do contexto da censura ditatorial. “Na verdade, é um trabalho sobre escala, dar voz ao minúsculo dentro de uma macroestrutura”, explica Cildo. É especial também na mostra a passagem de Missão/Missões, imagem metafórica sobre o choque entre a cultura ocidental e a indígena, o seu massacre, feita de um chão de 800 mil moedas de cobre sob um céu a poucos metros de ossos e tendo no centro uma coluna de hóstias, para a instalação Desvio para o Vermelho, que faz parte da coleção do Centro de Arte Contemporânea Inhotim, em Minas Gerais.

A repórter viajou a convite do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA)