12/04/2009 - 18:30h Erudita, mas popular

A música clássica parte em busca de novo público, repensando a experiência do concerto ao vivo e apostando na internet como ferramenta de divulgação

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“Partimos do pressuposto de que há muitas coisas curiosas a serem descobertas sobre a música clássica”,
diz o maestro norte-americano Michael Tilson Thomas

 

João Luiz Sampaio – O Estado SP

 


É um conto tão antigo quanto o próprio tempo. Aconteceu na primeira metade do século 20. Após perder sua hegemonia como forma de entretenimento caseiro, naquela época em que a diversão familiar costumava ocorrer em torno do piano, a música erudita refugiou-se nas salas de concerto. Até que a tecnologia de gravação a levou de volta, por meio dos discos, ao cotidiano das famílias. Foram décadas de parceria bem-sucedida. Mas os teatros começaram a ficar vazios. O que valia era o CD. Nos últimos anos, porém, foi a vez de a indústria fonográfica entrar em crise, com queda nas vendas e cancelamentos de contratos um dia milionários. Alguns autores foram categóricos: a música clássica havia morrido. Devagar com a procissão. Uma nova geração de intérpretes está procurando mostrar que ainda há vida para os clássicos, redefinindo o papel do concerto ao vivo e embarcando na onda de novas tecnologias.

A guerra está sendo travada em duas frentes. Na primeira, o esforço é pela reinvenção da experiência do concerto ao vivo; na segunda, o que se arquiteta são maneiras de levar esta produção a um público cada vez maior, extravasando os limites dos teatros. Dois concertos previstos para este mês em São Paulo são exemplos do primeiro caso. Na terça, o Mozarteum Brasileiro promove uma Gala Haendel em que o próprio compositor estará no palco, interpretado pelo ator Sergio Viotti, oferecendo ao público o contexto de criação das peças programadas; no final do mês, quem sobe ao palco da Sala São Paulo é Hector Berlioz, interpretado por Marco Ricca, pelo Cultura Artística. Já da busca por novos públicos um exemplo recente é a transmissão para os cinemas das produções do Metropolitan Opera de Nova York, iniciada há dois anos nos EUA e na Europa e cuja renda da bilheteria já é suficiente para bancar a totalidade do projeto. No Brasil, ele chegou em janeiro, com uma sessão no Rio – quatro óperas depois, Madama Butterfly, de Puccini, teve, em março, 94 sessões, espalhadas por 33 salas Brasil afora. “Não se trata apenas de alcançar um público mais amplo. A transmissão no cinema devolve a ópera ao cotidiano das pessoas, ela passa mais uma vez a ser algo próximo do público”, disse o diretor-geral do Met, Peter Gelb, em entrevista recente ao Estado.

“Partimos do pressuposto de que há muitas coisas curiosas a serem descobertas sobre a música clássica”, diz o maestro norte-americano Michael Tilson Thomas em entrevista ao San Francisco Gate. Ele é tido nos EUA como o “salvador” do gênero. Diretor da Sinfônica de São Francisco, ele criou o Keeping Score, que prevê apresentações antes dos concertos, contextualizando as peças a serem executadas, e grava ao vivo as récitas, lançadas mais tarde em DVD no qual cada passagem ganha explicação detalhada. “É preciso falar para o público sobre o que está por trás de um concerto e, claro, do que trata uma peça específica, a época em que foi escrita. É divertido ouvir um concerto e de fato compreender como a música funciona”, completa.

Iniciativas como essa, explica Tilson Thomas, têm como objetivo quebrar a aura de formalidade que cerca os clássicos. Em outras palavras, a noção é de que uma sala de concertos pode ser um espaço vibrante. “Nunca duvidei que esta música é um direito de nascença de todas as pessoas – assim como a natureza, os esportes, a comida. Isso não quer dizer que todos amem os esportes ou estar em meio à natureza, mas é difícil resistir a esse prazer se você consegue encontrar um guia entusiasmado que explique as regras e envolva você em seus mistérios. O regente é um vigário. Precisa garantir que seu público esteja de volta no próximo domingo”, explica o maestro inglês Benjamim Zander, diretor da Filarmônica de Boston e um dos pioneiros da prática de introduzir concertos com conversas entre músicos e membros da plateia.

Em essência, o que a música erudita busca é uma maior aproximação com o público – e, portanto, com sua época. Nesse sentido, é preciso aprender novos idiomas. Se o DVD e o cinema são linguagens possíveis, nenhuma é mais hegemônica, no entanto, que a internet. E, no mundo virtual, os clássicos entram com força surpreendente. Pesquisa da NielsenSoundscan mostra que em 1990 eles representavam 3,1% do total de discos vendidos; 16 anos mais tarde, queda para 2,4%. Já nos downloads, a realidade é muito diferente. Em 2005, o setor representava 12% do total de faixas baixadas e, em 2008, o número já chega a quase 15%, sendo o gênero que mais cresceu nos últimos anos em procura. “Todo mundo ganha. Para o neófito, é um sistema de risco baixo, pois é fácil e barato fazer o download; para o especialista, há a oportunidade de ampliar sua coleção com versões alternativas de suas peças preferidas”, disse ao jornal The Guardian Jonathan Gruber, da gravadora Universal.

Não por acaso, o Keeping Score já chegou à internet; e selos tradicionais, como o alemão Deutsche Grammophon, decidiram colocar praticamente todo o seu acervo disponível para download. “Vivemos um momento estimulante de diálogo entre a produção ao vivo e a gravada”, diz o maestro John Elliot Gardiner, diretor do English Baroque Soloists. Seu projeto é pioneiro. Você assiste a um concerto do grupo e, se gostar, pode já no intervalo comprar uma senha que, dias mais tarde, vai lhe permitir fazer o download da apresentação. Há cerca de um mês, a mais famosa orquestra mundial, a Filarmônica de Berlim, também entrou na onda e criou um sistema, em seu website, que permite ao internauta assinar a temporada de concertos da orquestra, que vai acompanhar pela internet. “Nosso passado é de glórias, mas precisamos olhar para o futuro”, disse na coletiva de anúncio da Digital Concert Hall o maestro Simon Rattle sobre a filarmônica. Poderia estar falando de todo um gênero.

NÚMEROS

1,25 milhão
de pessoas já assistiram em todo o mundo às transmissões
para o cinema de óperas do Metropolitan Opera House,
de Nova York, projeto criado no segundo semestre de 2007

13 mil
pessoas já acompanharam as transmissões no Brasil desde o início do projeto, em janeiro. A última ópera foi exibida, em março, em 33 salas de todo o País

2,4%
do total de discos vendidos em 2007 correspondem a lançamentos e reedições de música clássica e ópera

15%
do total de downloads feitos em todo o mundo correspondem a faixas de artistas clássicos

75%
do total das vendas do novo disco da violinista Janine Jansen, com as célebres Quatro Estações, de Vivaldi, lançado pela Universal, foram feitas por meio de downloads

1,4 milhão
de internautas fizeram o download das nove sinfonias de Beethoven, disponibilizadas gratuitamente no site da BBC Radio 3 durante duas
semanas em 2007

12/04/2009 - 18:03h Lições de Beethoven em Ruanda

Lançamentos atualizam compositores na busca por diálogo com plateias

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O regente Gustavo Adolfo Dudamel Ramírez

João Marcos Coelho – O estado SP

O maestro venezuelano Gustavo Adolfo Dudamel Ramírez, 28 anos, é o mais vistoso e provavelmente um dos últimos produtos de um sistema agonizante. Durante todo o século 20 a indústria fonográfica fez sucederem-se gênios da batuta promovidos e exaltados por um pesado esquema promocional e empresarial. Dudamel, que assumiu a direção artística da Filarmônica de Los Angeles, é legítimo produto desta máquina parideira de geninhos: nasceu em El Sistema, projeto musical de inclusão social venezuelano.

Não deixa, porém, de ser curioso que, mesmo titular em Los Angeles, Dudamel continue a maravilhar a Europa com a Orquestra Jovem Simon Bolívar, formada por integrantes do Sistema. A Universal acaba de lançar no mercado nacional um CD gravado ao vivo em janeiro do ano passado em Caracas. No repertório, duas das mais gravadas obras de Tchaikovski: a Sinfonia nº 5 e o poema sinfônico Francesca da Rimini. A brilhante execução da Orquestra Simon Bolívar é mesmo um espanto. Projetos sociais costumam promover de fato a inclusão social, mas carecem de qualidade artística. Pois este é o inédito mérito do Sistema: rigor na formação técnica musical. Dudamel é espetaculoso ao reger, mas sabe fazer música como poucos. Tchaikovski não é fácil. Sucesso justo, portanto.

O caso é que a fórmula convencional já está com prazo de validade vencida. Os ventos, afinal, sopram noutra direção. O que vale é mesmo a música ao vivo, mesmo que gravada e lançada em disco. O avassalador balde de democracia da internet na produção e recepção de música transformou a derrocada anunciada da indústria num inesperado e promissor recomeço. Músicos e seu público estabelecem agora contato imediato. Um diálogo virtual que leva ao limite o que Walter Benjamin chamou lá atrás de perda da aura da obra de arte. Ele louvava a democratização do acesso à arte. Mas o fato é que as artes performáticas parecem ter recuperado ao menos parte de sua aura neste início de século 21.

Exaurido de tanta intimidade virtual, o indivíduo quer sentir-se parte do acontecimento artístico. Pode ser a utopia do retorno a uma situação primitiva. Não custa sonhar. Mas, sem dúvida, enquanto se martela o último prego na indústria convencional da música gravada, a música ao vivo floresce de modo incontestável. Durante meio século, músicos se esfalfavam para alcançar o status de gravar um disco. Hoje, ganham dinheiro na sua atividade-fim: em recitais e concertos. Ainda bem.

É preciso aproveitar este bom momento e ampliar o público potencial da música clássica. Isso se faz desengessando o ritual do concerto, formato do século 19 hoje obsessivamente cultuado apenas pela chamada tribo erudita. Felizmente o gesso está trincando. Não por acaso, em um livro recente, The End of Early Music, o oboísta e pesquisador Bruce Haynes equipara os intérpretes convencionais que se limitam à execução fiel das grandes obras-primas do passado às bandinhas cover tipo Beatles4Ever. É música de museu, decreta. E aposta na tese de que a música clássica só voltará a ser viva e pulsante se os músicos voltarem a ser, como no barroco, não só intérpretes, mas improvisadores e coautores. Tese ousada, mas antenada com a atualidade. Dois notáveis exemplos comprovam seu acerto. O regente Kent Nagano, que assumiu há pouco a direção da Orquestra Sinfônica de Montreal, realizou um projeto radical, agora transformado num álbum duplo do selo Analekta. Intitula-se Beethoven: Ideals of French Revolution. Nagano convidou o crítico inglês Paul Griffiths para criar um espetáculo a partir desse tema e ele escreveu The General, para orquestra com soprano, coro e narrador, a partir da peça Egmont, de Goethe, para a qual Beethoven compôs a música incidental em 1809.

Mas atenção: Griffith substitui as letras das músicas de Beethoven, abandona a trama de Goethe e traz a ação para perto de nós, em Ruanda, em 1993-94, onde houve o pavoroso genocídio de mais de 800 mil tutsis pelos hutus. O comissário era Romeo Dallaire, chefe da missão de Paz da ONU em Ruanda. Nenhum governo ajudou-o. A tragédia seguiu seu curso. “Quis trazer, para as plateias atuais, o peso de acontecimentos recentes e ressituar a música de Beethoven no mundo de hoje, onde vivemos um momento de extrema desumanidade.”

MONTEVERDI JAZZÍSTICO

Christina Pluhar toca teorba, uma espécie de grande alaúde criado na Itália no século 17. Trabalhou com os papas da música historicamente informada, como Jordí Savall, Gabriel Garrido e Marc Minkowski. Fundou na década passada o grupo L’Arpeggiata. Austríaca, fixou-se em Paris e focou seu objeto de mergulho artístico no período 1600-1640 italiano. Seu grupo faz enorme sucesso em apresentações públicas. Pluhar realiza em suas performances o ideal de Bruce Haynes, de que, para manter viva a música, os intérpretes precisam ser improvisadores, arranjadores, coautores. Todo o CD Teatro D’Amore (Harmonia Mundi), que só traz músicas de madrigais variados de Monteverdi, é um espanto. Sobretudo a versão que o contratenor Philippe Jaroussky e L”Arpeggiata fazem da conhecidíssima canção Ohimé ch?io Cado. Nesta eles injetam tamanho swing que fazem Monteverdi ir literalmente para as ruas – ou seria um clube de jazz? A guitarra faz um “walking bass” tipicamente jazzístico; um cornet intromete-se e improvisa na metade final da performance; até o cravo brinca com blue notes. E a voz privilegiada de Jaroussky completa uma interpretação inesperada e maravilhosa. Irresponsabilidade? Não, diz Christina. “Não fomos nós quem pusemos jazz em Monteverdi, ele é que influenciou o jazz e escreveu este walking bass. Há vinte anos só toco música deste período, então acredito que já conseguimos fazer fluir naturalmente este universo sonoro, o que inclui, claro, o improviso.” Afinal, Vivaldi não tocava Albinoni. Preferia tocar Vivaldi mesmo. E Bach, quando quis aprender com Vivaldi, adaptou livremente seus concertos. Se nem eles próprios consideravam suas obras intocáveis, talvez possamos embarcar nessa com tudo.

29/03/2009 - 16:18h Sob a batuta do tempo

 

 

Em O Resto É Ruído, o crítico Alex Ross questiona ideia de que a música clássica viveu alheia às principais questões do século 20

João Luiz Sampaio – O Estado SP

“O jovem Adolf Hitler compareceu à estreia austríaca da obra.” A informação, na nota de rodapé de um volume publicado no fim dos anos 80 sobre Salomé, ópera de Richard Strauss baseada na peça de Oscar Wilde, tinha tudo para passar despercebida. Mas, para Alex Ross, então na universidade, foi como uma revelação. E se pensássemos a música produzida no século 20 em conjunto com o contexto político e social? Surgia ali a ideia para O Resto É Ruído, livro do agora crítico musical da revista New Yorker, que chega às livrarias brasileiras nesta semana após causar polêmicas nos Estados Unidos e na Europa com sua tese principal: a música clássica, em que pese a perda de público das últimas décadas, jamais esteve alheia às principais questões do século 20. Mais do que isso: é porta de entrada privilegiada para que se compreenda o período.

“Compositores são relevantes”, brinca ele, em entrevista ao Estado, definindo aquele que seria o fio condutor das quase 700 páginas de seu livro, lançado no Brasil pela Companhia das Letras. A noção vai contra o senso comum ou mesmo o pensamento de alguns intelectuais, como o palestino Edward Said, principal teórico da ideia de que a música clássica, ao se voltar à experimentação por si mesma, perdeu sua relevância social. “Tendo os compositores se infiltrado em todas os aspectos da existência moderna, sua obra só pode ser retratada na maior tela possível”, defende Ross. “Por isso, O Resto É Ruído não trata apenas dos artistas, mas também dos políticos, ditadores, mecenas milionários e diretores de empresa que tentaram determinar que música seria escrita; das tecnologias que mudaram o modo de fazer e ouvir música; ou então das guerras quentes e frias, levas migratórias e profundas transformações sociais que alteraram a paisagem onde trabalhavam os autores.”

Ross mostra, por exemplo, como a escrita de Strauss em Salomé está diretamente ligada às novas ideias sobre sexualidade na Viena de Freud; na capital austríaca, a presença de Trotski nas primeiras décadas do século 20 e a crescente oposição entre burguesia e vanguarda levariam a uma sensação de catástrofe iminente, de fim de um sistema estabelecido de valores, o que, na música de Arnold Schoenberg, significaria a quebra da hegemonia do sistema tonal. Na mesma época, em Paris, o russo Igor Stravinsky criava o balé A Sagração da Primavera (1913), tirando da música o status de “teatro da mente” consagrado pelo Romantismo e introduzindo o conceito de “música do corpo”, quase ritualística, que bebia nas “nascentes das montanhas”, e não na “pretensamente sofisticada” vida urbana.

Dança dos 7 véus da Ópera salome de Richard Strauss

Com a 1ª Guerra, os franceses, imbuídos de certo espírito nacionalista, defenderiam o rompimento com o cânone musical, leia-se “a tradição germânica”. Já com a 2ª Guerra, música virou propaganda. Na União Soviética, Stalin elegia os artistas como delegados responsáveis por transmitir a mensagem de que “a vida está ficando melhor”. Nos Estados Unidos de Roosevelt, o New Deal jogava quantias jamais imaginadas de dinheiro nas artes, levando o maestro da Sinfônica de Boston, Sergei Koussevitzky, a afirmar que “o próximo Beethoven viria do Colorado”; Georges Gershwin acabaria recriando a música popular no palco de ópera; e Aaron Copland, aos poucos, abandonaria as ligações com o Partido Comunista, entrando na dança da busca por uma identidade cultural norte-americana.

Fanfarra para um homem comum de Aaron Copland – WOODY HERMAN and the THUNDERING HERD

Logo chegariam os anos 60. Na Europa, a música do alemão Karlheinz Stockhausen pregaria a liberação definitiva das amarras da traição – e também dos sentidos, dos amores, das paixões. O mesmo faria, nos EUA, o maestro e compositor Leonard Bernstein, mas como uma espécie de espelho artístico do presidente John F. Kennedy, carismático, capaz de articular para as câmeras um discurso repleto de referências à vanguarda e, como autor, aproximar-se da música popular como fonte principal de inspiração.

A lista é longa e há ainda meio século a ser discutido. O apresentado até aqui, no entanto, já é suficiente para que se pergunte a Ross: se a música manteve diálogo tão próximo com a sociedade, por que então se afastou do público e perdeu a relevância nos debates culturais, como quer Said? “Não há apenas uma resposta”, ele começa. “Por um lado, o surgimento da gravação redefiniu o papel da música clássica na vida das pessoas. Até o fim do século 19, os clássicos eram os únicos autores que conseguiam editar suas obras, consumidas no dia a dia das famílias. Com a possibilidade de registrar em áudio as obras, perdeu-se essa hegemonia e também a cultura popular passou a frequentar os lares. É fato que, com isso, surgiu toda uma fortuna crítica que antes era destinada apenas aos clássicos.” Em outras palavras, um novo disco com canções de Bob Dylan é analisado como se poderia analisar um novo caderno de canções de Schumann – e a música clássica, então, deixaria de ser representante exclusiva de uma forma de arte sofisticada, com artistas populares suprindo essa “necessidade social”. “Mas é preciso ir além. O que houve com a cultura musical foi uma desintegração em uma série de culturas e subculturas, cada uma com cânone e jargões próprios”, diz o autor. Os clássicos, portanto, deixaram de ser hegemônicos – viraram alternativos. Mas não perderam sua relevância. Um exemplo seria a obra do norte-americano John Adams, que trata de questões contemporâneas, como a criação da bomba atômica, levando, dessa maneira, à busca de uma nova estética de composição em acordo com essa temática.

QUEM É O AUTOR

Alex Ross nasceu em 1968, em Washington. No fim dos anos 1980, em Harvard, estudou com o compositor Peter Lieberson e fez seu doutorado sobre a obra do escritor irlandês James Joyce. De 1992 a 1996, foi crítico do New York Times; em seguida, assumiu o posto na revista New Yorker. Já colaborou com publicações como The New Republic, Slate e London Review of Books. Mantém o blog www.therestisnoise.com e atualmente prepara dois livros. O primeiro é uma coletânea de textos sobre música popular; o segundo, Wagnerism, trata da influência da música de Richard Wagner na segunda metade do século 20.

***

 

 

Modernos, ma non troppo

Tese de Alex Ross esbarra na retomada da tradição, marca do trabalho de compositores atuais

 

João Marcos Coelho – O Estado SP

 


“Eu tenho um sonho.” Alex Ross poderia parafrasear Martin Luther King. O sonho de um denominador comum na música do século 20. Música não, músicas que unam numa só comunhão compositores e público. Afinal, desde o divórcio entre estes dois atores da cena musical, no início do século 20, a sensação de abismo entre uns e outros só cresceu. Hoje parece intransponível. De Schoenberg a Stockhausen e Pierre Boulez, uma linha reta de criadores deu as costas ao público. E ditou o modo como a música evoluiu no século. Mais: recalcou dezenas de grandes compositores que ousavam praticar as cartilhas ultrapassadas da tonalidade. Para promover esta reconciliação, só mesmo colocando um plural na palavra música. Foi o que fizeram, quarenta anos atrás, os norte-americanos Morton Feldman, Steve Reich e Philip Glass. O minimalismo, chamado com ironia mas justeza na Europa de “música repetitiva”, resgatou o pulso regular e a tonalidade na criação contemporânea. Sobretudo, ampliou o olhar para assimilar e deglutir as outras músicas: populares, folclóricas, orientais, etc. É o que também faz Alex Ross nas fascinantes páginas de texto corrido de O Resto É Ruído, traduzido por Claudio Carina e Ivan Weiz Kuck. Texto legível, que traz para o leitor comum o que ele chama de “obscuro pandemônio na periferia da cultura”. É a maior virtude deste livro admirável: trocar em miúdos uma história que até agora vinha sendo contada esotericamente, de modo complicadíssimo.

Mas, para entendermos o que está por trás deste discurso, o que alimenta suas concepções, precisamos dar uma boa olhada na cena norte-americana atual. Porque, mais do que pós-modernismo, creio que se pode chamar de estética da inclusão sua carta de princípios. A primeira geração minimalista, a de Reich e Glass, já é fenômeno velho. Incorporou sim o pulso regular, mas o fez de modo hipnótico. As peças minimalistas dos anos 60 são de fato instigantes e desafiadoras. O problema é que virou receitinha de composição, como, aliás, a música serial nas décadas anteriores do século 20. A grande maioria das peças minimalistas de segunda geração pode levar o ouvinte ao desespero em alguns minutos, pela repetição obsessiva.

Os pilares de sua argumentação são, pela ordem: o compositor John Adams, segunda geração minimalista, hoje com 61 anos; e o movimento Bang on a Can, erupção mais vistosa da música de “New York downtown”, que se opõe à oficialista “New York uptown”, que faz música para as elites de Manhattan.

Adams, depois de várias obras importantes, como Harmoniehlere, para orquestra, e as óperas Nixon in China (1987), A Morte de Klinghofer (1990) e El Nino (2000), acaba de lançar em DVD a ópera Doctor Atomic, focada no dilema de Oppenheimer e a bomba atômica. Se a música das três primeiras óperas já não era estritamente minimalista porém exibia vitalidade intensa, o mesmo já não se sente neste Doutor Atômico. Hoje, ele é apenas mais um compositor neoclássico lambuzando-se de século 19.

De igual modo, Bang on a Can, que nasceu como um festival de música experimental em 1987, hoje já tem sólido status na New York uptown: um de seus fundadores, David Lang, ganhou o Pulitzer de 2008, e o grupo é objeto de um excelente documentário dirigido por Frank Scheffer (os outros fundadores do grupo são Julia Wolfe e Michael Gordon). Mas a audição do mais recente CD com obras de Lang é frustrante. É música simplesmente chata, que retorna a um minimalismo meio caricato. Pierced, a faixa-título, trabalha com uma pequena célula melódica fincada num bate-estaca imutável. São 14 minutos difíceis. Das cinco faixas, a mais interessante não é composição, mas um arranjo de Lang para Heroin, o clássico de Lou Reed divinamente cantado por Theo Bleckmann (os 11 minutos valem o CD, mas a faixa pode ser baixada na internet a módico preço).

VAMPIRIZANDO O POP

Um olhar, aliás, sobre a cena norte-americana mostra que o arranjo de Lang não é atitude isolada. John Corigliano, em seu mais recente CD, Mr. Tambourine Man, musicou sete letras de Bob Dylan. Sim, você leu direito. Ele musicou clássicos como Blowin? the Wind e Forever Young, para soprano amplificada e orquestra. E jura que jamais ouviu as canções do bardo. É mais ou menos como alguém musicar Caetano Veloso e dizer que jamais ouviu suas músicas. Seria mera curiosidade ou idiotice – mas o Grammy 2009 premiou-o como CD de música contemporânea!

A fragilidade da música sobre a qual se apóia Ross enfraquece sua tese inclusiva. Mas não pense que a situação é animadora na Europa. O último CD de Penderecki, celebrado compositor polonês da vanguarda dos anos 60, contém duas obras neoclássicas quase-século 19 (ou seria barroco?): Concerto Grosso nº 1 para 3 Cellos e Orquestra, de 2000, e Largo para Cello e Orquestra, de 2003. O choque é que um desavisado completou o CD com uma obra de 1964 que soa amalucadamente vanguardista em relação às anteriores: Sonata para Cello e Orquestra. Nem sempre se caminha para a frente, não é mesmo?

O caso do britânico Michael Nyman é parecido. Ele assinou, nos anos 70, um livro excepcional sobre a música contemporânea – Experimental Music : Cage and Beyond -, mas dos anos 80 em diante notabilizou-se pelas trilhas sonoras, principalmente para Peter Greenway. Pois ele virou abóbora. Seus dois últimos CDs não poderiam ser mais passadistas. Um traz gravações realizadas dez anos atrás, com o Concerto para Piano, com a ótima pianista Kathryn Stott; o outro intitula-se Nyman: Mozart 252, com pastiches popularizantes de música de Mozart (para quem se lembra, é pior, muito pior do que Waldo de los Rios, que arranjou Beethoven e a Sinfonia nº 40 de Mozart; este, pelo menos, tinha swing; Nyman parece um jumento tentando um pas-de-deux sonoro).

Em suma, a tese de Alex Ross é muito interessante. E merece nossa solidariedade, porque tenta oferecer alternativas à perspectiva européia. Mas não precisava ter tanto rancor de excepcionais compositores como Stockhausen ou Boulez. Este, especialmente, é tratado como um psicopata no livro. Não pega bem chamar Boulez de ilusionista: “Boulez sempre conseguiu habilmente manter a ilusão de estar muito à frente – a marca de um mestre da política”. Também soa forçado fazer de Thelonious Monk um influenciado por Schoenberg .

O DVD Music for Airports/In the Ocean, lançado em janeiro passado, é emblemático desta ambigüidade entre qualidade do discurso verbal e ausência dela na música. São 50 minutos: os líderes de Bang on a Can arranjam Music for Airports, composta por Brian Eno em 1978. Eno é guru de Michael Gordon, David Lang, Julia Wolfe e Evan Ziporyn. Se o original já era propositalmente papel de parede sonoro, segundo a feliz expressão de Erik Satie nos anos 20, estes arranjos provocam ainda mais letargia. Contribuem decisivamente as imagens sempre desfocadas de Sheffer, aparentemente de um aeroporto, claro.

O documentário In the Ocean é mais sintomático do tratamento dado aos europeus. Pretende, segundo o texto do folheto do DVD, contar a história das relações musicais entre Estados Unidos e Europa nos últimos trinta anos. Mas o que se vê é a história de como a América triunfou sobre o velho continente. Philip Glass, por exemplo, reverencia o fato de que “hoje a música pode ser tonal, o que é novo”. “Nos anos 60, sabíamos bem o que era a música moderna. Hoje não sabemos mais.” David Lang acrescenta: “Existem centenas de domínios válidos na música. Espero que no futuro haja milhares”. E Glass completa com esta estorinha: “Quando estudei com Nadia Boulanger em Paris, ela me dizia às vezes: tenho pena de vocês americanos, pois não têm o sentido da história. Eu não respondia nada, mas pensava: sim, exatamente, é isso que faz nossa força”.

Sinceramente, não sei se mergulhar de cabeça na música popular ou costurar arremedos de pulsos regulares é a solução. Pode ser um atalho e dar até bons e inesperados frutos. Mas não a chamada avenida principal.

O século 20 em cinco autores, por Ross

ARNOLD SCHOENBERG: Outros compositores da virada do século também concebiam sua situação como a luta solitária contra um mundo estúpido e cruel. Claude Debussy, em Paris, adotou uma postura antipopulista nos anos anteriores a 1900 e, não por acaso, rompeu com a tonalidade convencional. Mas Schoenberg foi responsável pelos avanços mais drásticos e introduziu uma elaborada teleologia da história musical, uma teoria do progresso irreversível, para justificar seus atos. A metáfora do Fausto faz justiça ao terror que a força destrutiva de Schoenberg inspirava nos primeiros ouvintes.

IGOR STRAVINSKY: O acorde (em A Sagração da Primavera) se repete cerca de 200 vezes. Ao mesmo tempo, a coreografia de Nijinsky trocou o gestual clássico por uma quase anarquia. (…) Dos camarotes, onde sentavam os espectadores mais abastados, vinham urros de desaprovação. Os estetas dos balcões e dos lugares de pé urraram de volta. Os eventos exibiam matizes de luta de classes. O compositor Florence Schmidt teria dito: “Calem a boca, vagabundas do seixième!” – provocação às damas da alta sociedade do sexto arrondissement. “Não se podia ouvir o som da música”, recordou Gertrude Stein.

JOHN CAGE: No espírito turbulento dos anos 60, uma onda de vanguarda fez com que o acaso, a indeterminação e a notação gráfica formassem uma tendência na Europa. Alguns gravitaram em direção ao passado musical, com citações e colagens. Outros procuraram espaços interestelares (…). Havia os dadaístas brincalhões, referências do pop, adeptos de um novo modismo envolvendo cantigas comunistas (agora em nome de Castro e Mao). (…) John Cage estava entrando em seu período de maior prestígio.

KARLHEINZ STOCKHAUSEN: Em 1960, Stockhausen completou Kontakte, em que sons eletrônicos e ao vivo se afastam ou misturam num borrão. (…) Em 1962, o mundo teve o primeiro vislumbre do que se tornaria o Momente, de duas horas de duração, envolvendo quatro corais, uma solista soprano, uma falange de trompetes e trombones, um par de órgãos eletrônicos e uma bateria de percussão centrada num tantã japonês muito grande. Foi a bacanal da vanguarda, uma liberação dos sentidos com gritos, bater de palmas e batidas de pé.

JOHN ADAMS: Nixon in China, a primeira ópera de John Adams, apresenta transmutação ainda mais drástica do estilo europeu. Nada parece mais improvável que a ideia de uma ópera americana baseada nos eventos que cercaram a visita de Nixon à China em 1972. Quando o diretor Peter Sellars propôs o tema pela primeira vez, Adams pensou que estivesse brincando. Sellars sabia o que fazia. Ao transportar a ópera para um cenário contemporâneo conhecido em todo o mundo, ele quase obrigava Adams a se livrar de todas as teias de aranha do passado europeu.

17/01/2008 - 17:42h “Liebestod” da Ópera Tristão e Isolda de Richard Wagner

‘Liebestod’ cantado por Jessye Norman, dirigido por Herbert von Karajan com a Filarmônica de Viena em 1987.

Do filme ‘Karajan in Salzburg”.

22/12/2007 - 16:08h Para refletir durante o natal

Racism A History, Music by Giulio Caccini Ave Maria

20/12/2007 - 23:32h Julia Migenes é Carmen, no filme com Placido Domingo

20/12/2007 - 23:25h Opera imaginaire: Carmen de Bizet


Chanteurs à la croix de bois

01/12/2007 - 17:41h "Lascia Ch’io Pianga", Philippe Jaroussky

E agora ouçam a mesma aria de Handel cantada por um contratenor. Sublime!

28/11/2007 - 21:43h Lascia ch’io Pianga na versão do filme Farinelli -

Aria da opera Rinaldo de Handel, que no filme é cantada por Ewa Mallas-Godlewska soprano, e Derek Lee Ragin contra-tenor. O filme Farinelli de Gerard Corbieau foi nominado no festival de Cannes em 1996 e a cantora ganhou o disco de oro no mesmo ano, após vender mais de 2 milhões de copias.

28/11/2007 - 08:07h Hilary Hahn toca o Adagio do concerto para violino no.1 de Paganini

Bom dia!

24/11/2007 - 13:38h Maurice Béjart

Amigos,

 

 

Algumas tantas lágrimas pela morte do genial Maurice Béjart (1927-2007)!!!

Se você não sabe quem foi ele, dê uma olhada nessa coreografia dele:

o Bolero, de Ravel, com solo do extraordinário bailarino argentino Jorge Donn (falecido em 1992). Esse bailado marcou muita gente que assistiu ao filme RETRATOS DA VIDA (1981 – Claude Lelouch).

 

Confirmem, por favor, se não é uma das obras mais marcantes da dança em todos os tempos!!! Bom, eu sou suspeito, pois sempre falo que foi a melhor tradução já feita da circularidade da música do “impressionista” Maurice Ravel.

 

In memoriam: Maurice Béjart
Maurice Béjart, l’homme qui voulait amener le grand public à la danse

Chico via Gloria F.

 

13/11/2007 - 16:16h Dvorak – Symphony No. 9 "From the New World" – 4th movement

New World Symphony by Antonin Dvorak. Wiener Philharmoniker. Herbert von Karajan, conductor

13/11/2007 - 16:10h Pompa e Circunstância – Elgar

Rare film of Elgar talking and then conducting the trio of his Pomp and Circumstance March no.1 at the opening of EMI’s Abbey Road studios in London on 12 November 1931.

Elgar’s words to the orchestra before he begins conducting are as follows: “Morning, gentlemen. Glad to see you all. Very light programme this morning. Please play this tune as though you’ve never heard it before.”

09/11/2007 - 17:15h 9 de novembro de 1989-2007: 18 anos da queda do Muro de Berlim, Ode a liberdade como homenagem

Leonard Bernstein with the Vienna Philharmonic performs Beethoven’s Ode to Joy.

Soloists are Gwyneth Jones, Shirley Verrett, Placido Domingo, and Martti Talvela.

This first video clip is divided into the following sections:

0:00-3:36 Bernstein’s introduction
1:27-2:15 The Ode to Joy played solemnly by Cello and Contrabass
2:15-3:04 A lighter, sweeter variation now including Viola and Bassoon
3:04-3:51 Larger, more expressive second variation with addition of 1st and 2nd Violins
3:52-4:38 Triumphant and majestic third variation utilizing entire orchestra. Instruments added: Flute, Oboe, Clarinet, contrabassoon, cornet, trombone, and timpani
4:39-5:31 Dizzying flight of passion including the brief introduction of a blithe tune that is almost immediately interrupted by a thunderous cadence
5:33-6:30 The bass introduces the chorus to the audience with a recitative
6:30-9:17 The Ode to Joy theme is now replayed with the significant inclusion of the chorus singing Schiller’s poem.

German words and English translation:

Baritone Solo:
O Freunde, nicht diese Töne!
Oh friends, not these sounds!
Sondern lasst uns angenehmere
Rather let us sing more
anstimmen und freudenvollere.
pleasant ones, and more full of joy.

Choral Bass join in:
Freude! Freude!
Joy! Joy!

Baritone Solo:
Freude, schöner Götterfunken
Joy, beautueous spark of divinity,
Tochter aus Elysium,
Daughter of Elysium
Wir betreten feuertrunken,
We enter drunk with fire
Himmlische, dein Heiligtum!
Heavenly One, your sanctuary!
Deine Zauber binden wieder
Thy magic power reunites,
Was die Mode streng geteilt;
All that custom has strictly divided
Alle menschen werden Brüder,
All men become brothers
Wo dein sanfter Flügel weilt.
Where your gentle wing abides.

Chorus sans Soprano:
Deine Zauber binden wieder
Thy magic power reunites,
Was die Mode streng geteilt;
All that custom has strictly divided
Alle menschen werden Brüder,
All men become brothers
Wo dein sanfter Flügel weilt.
Where your gentle wing abides.

Solo Alto, Tenor, and Baritone sans Soprano:
Wem der grosse Wurf gelungen,
Whoever has been so fortunate,
Eines Freundes Freund zu sein;
To be the friend of a friend

Solo Soprano enters, Alto, Tenor, and Baritone continue:
Wer ein holdes Weib errungen,
He who has obtained a dear wife,
Mische seinen Jubel ein!
Add his jubilation!
Ja, wer auch nur eine Seele
Yes, whoever also one soul
Sein nennt auf dem Erdenrund!
Can call his own in the earthly round!
Und wer’s nie gekonnt, der stehle
And who never could, he should steal
Weinend sich aus diesem Bund!
Weeping from this fellowship!

All Chorus responds (Bass one beat ahead):
Ja, wer auch nur eine Seele
Yes, whoever also one soul
Sein nennt auf dem Erdenrund!
Can call his own in the earthly round!
Und wer’s nie gekonnt, der stehle
And who never could, he should steal
Weinend sich aus diesem Bund!
Weeping from this fellowship!

Tenor and Baritone:
Freude trinken alle Wesen
All beings drink joy
An den Brüsten der Natur;
At the breasts of Nature;
Alto enters:
Alle Guten, alle Bösen
All things good, all things evil
Folgen ihrer Rosenspur.
Follow her rosy trail.
Soprano enters:
Küsse gab sie uns und Reben,
Kisses gave she us and wine,
Einen Freund, geprüft im Tod;
A friend, proven even in death;
Wollust ward dem Wurm gegeben,
Ecstasy is granted even to the worm
Und der Cherub steht vor Gott.
And the cherub stands before God

All Chorus responds:
Küsse gab sie uns und Reben,
Kisses gave she us and wine,
Einen Freund, geprüft im Tod;
A friend, proven even in death;
Wollust ward dem Wurm gegeben,
Ecstasy is granted even to the worm
Und der Cherub steht vor Gott.
And the cherub stands before God
Und der Cherub steht vor Gott.
And the cherub stands before God
(Alto a beat ahead) steht vor Gott.
vor Gott.
vor Gott.

08/11/2007 - 22:03h Os contos de Hoffmann de Jacques Offenbach


Anne Sophie von Otter and Stephanie d’Oustrac sing the Barcarolle from Les Contes d’Hoffmann

04/11/2007 - 19:32h "Die Winterreise" (The Winter Journey)

“Die Winterreise” (The Winter Journey)
‘Der Lindenbaum’ (words by Wilhelm Muller)
Music by Franz Schubert (1797-1828)
Brigitte Fassbender, mezzo-soprano
Wolfram Rieger, piano
A film by Petr Wiegl

02/11/2007 - 16:21h L’Opéra Imaginaire: Lakmé – Léo Delibes – "Viens Mallika …". Para Teo

Uma beleza em desenhos, nas imagens, em criatividade e na música sublime.

Para todas as idades a consumir sem moderação.

01/11/2007 - 22:22h Richard Wagner: Tristan und Isolde – Prelude

Zubin Mehta conducting Bayerische Staatsoper Bayerisches Staatsorchester (National Theatre Munich)

01/11/2007 - 22:13h Tristan und Isolde de Richard Wagner – Liebestod por Waltraud Meier

30/10/2007 - 20:06h "O patria mia" da opera Aida de Verdi cantado por Leontyne Price

24/10/2007 - 00:28h Jascha Heifetz plays Tchaikovsky Violin Concerto: 1st mov.

Jascha Heifetz plays Tchaikovsky Violin Concerto in D Major, Op. 35: I. Allegro moderato

*NOTE: This was from a movie, so Heifetz skips a LOT of the first movement due to time constraints. He skips nearly half of the piece, and so does the orchestra.

So please don’t ask for second or third movements because I do not have them.

You also get to see a bit of Heifetz acting at the end. A great treat!

Conductor: Fritz Reiner

23/10/2007 - 00:45h Mikhail Pletnev toca a Rapsodia sob um tema de Paganini de Rachmaninov

19/10/2007 - 20:06h Angela GHEORGHIU -Un bel di vedremo- Madama Butterfly


Music Video: Romanian soprano Angela Gheorghiu sings the aria “Un bel di vedremo”, from Puccini’s opera ‘Madama Butterfly’ (2004)

This video was filmed to promote Angela’s album “Puccini”

18/10/2007 - 22:37h Placido Domingo e Mirela Freni – Vieni la sera – "Madama Butterfly" de G. Puccini

10/10/2007 - 01:49h A Room with a View – O filme de James Ivory


A room with a view… film by James Ivory, dated 1986, This scène comes often back in my mind to evocate purity and fate, also the “bourgeoisy” of this time.