28/07/2009 - 10:14h Cracolândia para “inglês ver”

Arquitetos estrangeiros visitam a cracolândia

Em tour pela região, eles foram poupados de vias de uso de droga

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Fernanda Aranda – O Estado SP

A região onde fica a cracolândia, no centro, devastada pelo uso e comércio de drogas, foi apresentada ontem à elite mundial de arquitetos. Profissionais de todas as partes do mundo vieram conhecer o quadrilátero central que há anos espera receber um projeto de revitalização. Mas os “defeitos” da área não foram, assim, logo de cara escancarados. Escoltado por dois guardas-civis metropolitanos (GCM), o grupo realizou o tour às 10 horas e foi poupado de conhecer as Ruas Guaianases e Vitória – as vias que concentram o maior número de usuários crônicos de crack a qualquer hora.

O turismo realizado no centro paulistano fez parte do Fórum Urbano e Internacional. Estiveram presentes na caminhada arquitetos da China, Coreia do Sul, Marrocos, Austrália e Estados Unidos, entre outros. A visita ocorreu às vésperas do lançamento, pela Prefeitura, do edital de licitação para escolha de um projeto arquitetônico que, enfim, transforme a cracolândia em Nova Luz. O prazo previsto é agosto; e o governo municipal já afirmou desejar que escritórios internacionais participem da disputa.

O início do tour foi na Sala São Paulo. Lá, o arquiteto da Universidade Mackenzie Nélson Dupret, responsável pela obra, contou como foi transformar uma antiga estação ferroviária em um espaço de orquestras sinfônicas. Os estrangeiros anotavam tudo e disparavam flashes para tudo. As mesmas máquinas fotográfica iriam circular pelas ruas do centro, o próximo ponto do passeio. Como, de início, as Ruas Guaianases e Vitória faziam parte do roteiro, a orientação da guia era clara. “Cuidado por aqui, mantenham a bolsa próxima do corpo.” O tour ao ar livre começou às 10h30 – todo o passeio teria mais 20 minutos de duração – e ainda faltava conhecer a Pinacoteca. A garoa não dava trégua.

Essa foi a alegação do Instituto de Arquitetos do Brasil em São Paulo (IAB-SP), organizador do evento, para tirar as ruas “problemáticas” do roteiro. Ainda que só três quadras tenham sido percorridas, o encontro com a “realidade” foi inevitável. “Me dá dinheiro”, pedia um dependente químico, com um vidro de cola, ao grupo internacional. Imediatamente, ele foi “espantado” pelos GCMs.

“Não era nossa ideia entrar na cracolândia”, afirmou no fim da tarde a presidente do IAB-SP, Rosana Ferrari. “Degradação é degradação em qualquer lugar. Queríamos mostrar obras que justificam o investimento arquitetônico, como a Sala São Paulo e a Pinacoteca. Foi isso o que fizemos.”

Apesar da degradação da região não ter aparecido no tour, é essa característica que faz da área “única no mundo”, afirmou ontem também Nádia Somekh, pesquisadora que em seu projeto reúne experiências de todo o planeta na área de recuperação de áreas degradadas. Ela, que é representante brasileira na União Internacional dos Arquitetos, avalia que a Nova Luz precisa de um projeto que contemple habitação, inserção social e trabalho.

O secretário de Controle Urbano, Miguel Bucalem, no fim do evento, também descreveu a Nova Luz como “única”. “O modelo internacional serve como troca de experiência, mas nenhum pode ser aplicado na região.”

17/12/2008 - 09:19h Marinho mira 2010 com equipe de estrelas

Ex-presidente da Caixa está entre nomeados por petista em S. Bernardo

Joaquim Alessi, SÃO BERNARDO DO CAMPO – O Estado SP

 


O anúncio de nomes que já ocuparam postos nos governos federal e estadual para compor o secretariado de São Bernardo do Campo, a partir de janeiro, reforçou ontem as suspeitas de que o prefeito eleito, o ex-ministro do Trabalho e da Previdência Luiz Marinho (PT), prepara vôos mais altos para 2010, como a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

O projeto político ficou mais delineado com o anúncio de nomes como o do ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso para a pasta de Finanças. Mattoso deixou a Caixa acusado – assim como o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci – de envolvimento na quebra de sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, em 2006. O ouvidor da Polícia Militar no governo Mário Covas (PSDB), Benedito Mariano, cuidará da Segurança Urbana em São Bernardo do Campo. Ao todo, o prefeito eleito anunciou os titulares de 16 pastas.

Além de Mattoso e Mariano, compõem a equipe de Marinho o ator e diretor teatral Celso Frateschi, ex-secretário de Marta Suplicy (PT) em São Paulo e presidente da Funarte, na pasta de Cultura; Nadia Somekh (Planejamento Urbano), ex-presidente da Empresa Municipal de Urbanização de São Paulo (Emurb); e Valter Correia da Silva (Administração), presidente da Empresa Gestora de Ativos (Emgea), vinculada ao Ministério da Fazenda.

FRANK AGUIAR

Marinho tem outra questão a explicar para o eleitorado. Nos bastidores, é tido como certo que o vice-prefeito eleito, deputado Frank Aguiar (PTB), vai renunciar ao posto para continuar na Câmara. Graças à presença constante na mídia, Aguiar foi fundamental para a vitória de Marinho, já que o PT não vencia na cidade havia 20 anos.

O deputado admite que pode abdicar do cargo, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Marinho. Considera que seria mais importante para a cidade no Congresso.

Entre políticos ligados ao PTB, os comentários são de que ele estaria descontente por não ter participado da escolha do secretariado. Assim, o forrozeiro prefere tocar seus passos em Brasília, onde tem mandato, a passar quatro anos em expectativa, como vice-prefeito.

NEGATIVA

Marinho nega de forma veemente que pense em concorrer à sucessão do governador José Serra (PSDB) em 2010. “Já disse e repito que fui eleito para administrar São Bernardo, que precisa muito do nosso trabalho, e não serei candidato a governador em 2010″, disse ele, sem negar, contudo, que o secretariado tenha perfil para atuar no governo do Estado.

“Foi um trabalho intenso escolher esses nomes, para aliar competência técnica à afinidade política”, explicou o prefeito eleito, que também revelou ter feito um teste de fidelidade com os escolhidos, razão pela qual demorou a fazer o anúncio. “Fiz um teste para ver se eles tinham capacidade de guardar sigilo, pois se um profissional não tem capacidade de guardar sigilo, não faz parte da minha equipe de trabalho.”

Marinho ainda não definiu os titulares de secretarias importantes, como as de Obras e Desenvolvimento Econômico. O prefeito busca nomes com perfil técnico e trânsito junto ao governo do Estado e o federal.

“Procurei, por exemplo, para a Habitação, alguém que saiba o caminho na Caixa Econômica Federal para obter recursos de forma muito mais fácil”, explicou. Para essa pasta será nomeada Tássia Regino, ex-consultora do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para projetos nas Prefeituras de Curitiba e Aracaju, além de ter comandado o Instituto de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal, no governo Cristovam Buarque.

FRASES

Luiz Marinho
Prefeito eleito de São Bernardo do Campo

“Já disse e repito que fui eleito para administrar a cidade de
São Bernardo, que precisa muito do nosso trabalho, e não
serei candidato a governador em 2010″

“Foi um trabalho intenso escolher esses nomes, para aliar competência técnica à afinidade política”

“Procurei, por exemplo, para a Habitação, alguém que saiba o caminho na Caixa Econômica Federal para obter recursos de forma muito mais fácil”