14/11/2009 - 09:38h Lucro da Petrobras é o melhor entre as grandes do petróleo
Kelly Lima – O Estado SP
Com lucro de R$ 7,3 bilhões, a Petrobrás foi a empresa do setor, entre as grandes transnacionais, a ter a menor queda no resultado comparado com o mesmo período de 2008, conforme a avaliação de especialistas. O saldo, 25,8% inferior ao do terceiro trimestre, representa uma queda bem menor do que o recuo das outras grandes – entre elas Shell, Chevron e Exxon -, entre 50% e 60%.
Para os especialistas, a explicação está relacionada à política de preços da Petrobrás. Apesar de manter os preços do QAV, óleo combustível e nafta atrelados ao mercado internacional, a gasolina e o diesel permanecem com política descolada do mercado externo. E, apesar da redução parcial do valor desses dois principais combustíveis em meados de junho, resta ainda pequena vantagem em relação ao barril fora do País.
Também foi destacado pelos analistas o fato de a produção da companhia ter aumentado em 0,5% no período e as vendas terem começado a se recuperar, apresentando aumento de 6,5% em relação ao trimestre anterior. “A sazonalidade que puxou as vendas e a recuperação da economia contribuíram positivamente para o resultado”, destacou o analista do Credit Suisse, Emerson Leite.
A queda drástica do preço do barril do petróleo após a crise mundial em setembro do ano passado fez com que a maioria das grandes companhias apresentasse tombo no resultado no terceiro trimestre. Em 2008, essa foi a época em que o petróleo despencou no mercado internacional, saindo de um nível próximo dos US$ 150 o barril para chegar no fim do ano a US$ 40.
A anglo-holandesa Shell, por exemplo, registrou de julho a setembro deste ano lucro líquido de US$ 3,24 bilhões, queda de 62% ante o mesmo período do ano passado. De janeiro a setembro o resultado caiu 64%, de US$ 29 bilhões (2008) para US$ 10,5 bilhões.
Lucro da Petrobrás cai 25% no 3º trimestre
Resultado foi afetado pelo pagamento de R$ 2 bilhões em participações especiais adicionais à ANP
Nicola Pamplona – O Estado SP
A Petrobrás anunciou ontem lucro líquido de R$ 7,303 bilhões no terceiro trimestre de 2009. O volume, que representa queda de 25,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, foi fortemente influenciado por acordo fechado com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para o pagamento de R$ 2,048 bilhões em participações especiais adicionais do Campo de Marlim, na Bacia de Campos. Do ponto de vista operacional, a estatal sofreu algum impacto da queda do preço do petróleo, mas manteve bom desempenho em suas vendas internas.
Segundo o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, o preço do petróleo Brent caiu 46% entre os terceiros trimestres de 2008 e 2009, com impacto na receita da companhia, que chegou a R$ 47,877 bilhões no último período. Excluindo o impacto do acordo com a ANP, porém, a redução no lucro seria menor, disse Barbassa. “Se somar o valor pago à ANP, o lucro agora chegaria a R$ 8,6 bilhões”, afirmou o executivo. No terceiro trimestre de 2008, foi de R$ 9,843 bilhões.
O desempenho é mais favorável do que o de outras companhias petroleiras que já anunciaram balanço, principalmente pela estabilidade nos preços internos dos combustíveis. Desde outubro do ano passado, quando as cotações internacionais desabaram após a crise financeira, a Petrobrás mantém seus preços de venda de combustíveis acima dos valores vigentes nos Estados Unidos. No terceiro trimestre, a cesta de combustíveis da Petrobrás custava R$ 162,96 por barril, enquanto o valor americano foi de R$ 121,62 por barril. “É uma política de preços vencedora”, comentou Barbassa.
A grande dependência do mercado interno também foi favorável à estatal no trimestre. Segundo Barbassa, as vendas de combustíveis no País já superaram as do terceiro trimestre do ano anterior, atingindo 1,810 milhão de barris por dia. A produção de petróleo cresceu 4%, chegando a 2,543 milhões de barris de óleo equivalente (somado ao gás) por dia.
O crescimento da produção, que deve manter o ritmo até o fim do ano, garantiu à empresa reverter seu déficit comercial, que somava US$ 1,813 bilhão nos primeiros nove meses de 2008. Em 2009, por outro lado, a companhia acumula superávit de US$ 1,795 bilhão. Segundo Barbassa, há espaço ainda para o crescimento da produção nas três plataformas que iniciaram as atividades este ano. Juntas, as unidades têm capacidade de 460 mil barris por dia, mas só estão produzindo 216 mil barris por dia.
A empresa investiu R$ 50,7 bilhões nos nove primeiros meses de 2009, quando conseguiu captar US$ 34 bilhões em empréstimos.
O Brasil indicou ontem na Organização Mundial do Comércio (OMC) que uma proposta de aumento da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul para produtos lácteos, de couro, têxteis e de madeira, se for aprovada e implementada terá “abrangência muito limitada e para resolver situações muito específicas”. A proposta está em discussão no bloco desde novembro e vários parceiros comerciais pediram esclarecimentos sobre sua aplicação, durante o exame da política comercial brasileira, encerrada ontem com a entrega de 316 páginas de respostas de Brasília.







Ao longo dos anos, o relacionamento entre Estados Unidos e Brasil passou por várias fases. Caracterizou-se em grande parte, durante a segunda metade do século XX, por uma tensão natural entre os poderes continentais do hemisfério, apesar do afável relacionamento pessoal na década de 90 entre os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Bill Clinton. Um Brasil relativamente insular driblou os EUA quando possível, enquanto a superpotência americana freqüentemente tentou isolar o Brasil no contexto de políticas regionais.

