14/11/2009 - 09:38h Lucro da Petrobras é o melhor entre as grandes do petróleo

Kelly Lima – O Estado SP

Com lucro de R$ 7,3 bilhões, a Petrobrás foi a empresa do setor, entre as grandes transnacionais, a ter a menor queda no resultado comparado com o mesmo período de 2008, conforme a avaliação de especialistas. O saldo, 25,8% inferior ao do terceiro trimestre, representa uma queda bem menor do que o recuo das outras grandes – entre elas Shell, Chevron e Exxon -, entre 50% e 60%.

Para os especialistas, a explicação está relacionada à política de preços da Petrobrás. Apesar de manter os preços do QAV, óleo combustível e nafta atrelados ao mercado internacional, a gasolina e o diesel permanecem com política descolada do mercado externo. E, apesar da redução parcial do valor desses dois principais combustíveis em meados de junho, resta ainda pequena vantagem em relação ao barril fora do País.

Também foi destacado pelos analistas o fato de a produção da companhia ter aumentado em 0,5% no período e as vendas terem começado a se recuperar, apresentando aumento de 6,5% em relação ao trimestre anterior. “A sazonalidade que puxou as vendas e a recuperação da economia contribuíram positivamente para o resultado”, destacou o analista do Credit Suisse, Emerson Leite.

A queda drástica do preço do barril do petróleo após a crise mundial em setembro do ano passado fez com que a maioria das grandes companhias apresentasse tombo no resultado no terceiro trimestre. Em 2008, essa foi a época em que o petróleo despencou no mercado internacional, saindo de um nível próximo dos US$ 150 o barril para chegar no fim do ano a US$ 40.

A anglo-holandesa Shell, por exemplo, registrou de julho a setembro deste ano lucro líquido de US$ 3,24 bilhões, queda de 62% ante o mesmo período do ano passado. De janeiro a setembro o resultado caiu 64%, de US$ 29 bilhões (2008) para US$ 10,5 bilhões.

Lucro da Petrobrás cai 25% no 3º trimestre

Resultado foi afetado pelo pagamento de R$ 2 bilhões em participações especiais adicionais à ANP

Nicola Pamplona – O Estado SP

A Petrobrás anunciou ontem lucro líquido de R$ 7,303 bilhões no terceiro trimestre de 2009. O volume, que representa queda de 25,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, foi fortemente influenciado por acordo fechado com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para o pagamento de R$ 2,048 bilhões em participações especiais adicionais do Campo de Marlim, na Bacia de Campos. Do ponto de vista operacional, a estatal sofreu algum impacto da queda do preço do petróleo, mas manteve bom desempenho em suas vendas internas.

Segundo o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, o preço do petróleo Brent caiu 46% entre os terceiros trimestres de 2008 e 2009, com impacto na receita da companhia, que chegou a R$ 47,877 bilhões no último período. Excluindo o impacto do acordo com a ANP, porém, a redução no lucro seria menor, disse Barbassa. “Se somar o valor pago à ANP, o lucro agora chegaria a R$ 8,6 bilhões”, afirmou o executivo. No terceiro trimestre de 2008, foi de R$ 9,843 bilhões.

O desempenho é mais favorável do que o de outras companhias petroleiras que já anunciaram balanço, principalmente pela estabilidade nos preços internos dos combustíveis. Desde outubro do ano passado, quando as cotações internacionais desabaram após a crise financeira, a Petrobrás mantém seus preços de venda de combustíveis acima dos valores vigentes nos Estados Unidos. No terceiro trimestre, a cesta de combustíveis da Petrobrás custava R$ 162,96 por barril, enquanto o valor americano foi de R$ 121,62 por barril. “É uma política de preços vencedora”, comentou Barbassa.

A grande dependência do mercado interno também foi favorável à estatal no trimestre. Segundo Barbassa, as vendas de combustíveis no País já superaram as do terceiro trimestre do ano anterior, atingindo 1,810 milhão de barris por dia. A produção de petróleo cresceu 4%, chegando a 2,543 milhões de barris de óleo equivalente (somado ao gás) por dia.

O crescimento da produção, que deve manter o ritmo até o fim do ano, garantiu à empresa reverter seu déficit comercial, que somava US$ 1,813 bilhão nos primeiros nove meses de 2008. Em 2009, por outro lado, a companhia acumula superávit de US$ 1,795 bilhão. Segundo Barbassa, há espaço ainda para o crescimento da produção nas três plataformas que iniciaram as atividades este ano. Juntas, as unidades têm capacidade de 460 mil barris por dia, mas só estão produzindo 216 mil barris por dia.

A empresa investiu R$ 50,7 bilhões nos nove primeiros meses de 2009, quando conseguiu captar US$ 34 bilhões em empréstimos.

12/03/2009 - 10:37h Para OMC, Brasil é exemplo a ser seguido

Assis Moreira, de Genebra – VALOR

http://www.ofir4news.com.br/wp-content/uploads/2009/02/6jpg8.jpgO Brasil indicou ontem na Organização Mundial do Comércio (OMC) que uma proposta de aumento da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul para produtos lácteos, de couro, têxteis e de madeira, se for aprovada e implementada terá “abrangência muito limitada e para resolver situações muito específicas”. A proposta está em discussão no bloco desde novembro e vários parceiros comerciais pediram esclarecimentos sobre sua aplicação, durante o exame da política comercial brasileira, encerrada ontem com a entrega de 316 páginas de respostas de Brasília.

Segundo o mediador do exame, o embaixador húngaro Istvan Major, o sentimento geral dos parceiros foi de que o Brasil, apesar da desaceleração econômica, “tem muito boas chances de resistir muito melhor na crise do que os outros”. Para ele, “o Brasil é um modelo a ser seguido”.

Uma “apreciação generalizada” foi manifestada sobre a decisão do país de “resistir a pressões protecionistas” ao não expandir a abrangência de licenças de importação não-automáticas. Mas várias delegações questionaram demandas atuais de licença. O Brasil respondeu que está tomando medidas para minimizar o impacto das licenças e que não tem intenção de impor novas exigências sobre uma lista maior de produtos.

Países pobres se manifestaram em peso elogiando o Brasil, mas também cobraram a promessa de acesso livre de cotas e tarifas para seus produtos no mercado brasileiro, feita no âmbito da Rodada Doha, que está longe de terminar.

O relatório dos economistas da OMC, que inclui o brasileiro Alberto Bueno, apontou o aumento da presença do Estado nos financiamentos e a suspeita de que as taxas de juros cobradas pelos bancos oficiais embutem subsídios que atropelariam as regras internacionais. Mas a reação foi bem tímida, no rastro da crise atual. Segundo o mediador, poucos países indagaram sobre os programas de financiamento à exportação que teriam “algumas distorções no comércio”.

Em relação ao exame realizado em 2004, a conclusão foi de que a política comercial hoje é mais aberta, que a burocracia persiste, mas diminuiu, e a modernização está em curso nas aduanas. Sobre a pouca transparência em regulações técnicas e medidas sanitárias e fitossanitárias, o mediador disse que “são problemas não só do Brasil, mas de outros países também”.

O exame do Brasil provocou 800 questões, muitas delas refletindo preocupações bem específicas. A China recusa há meses prorrogar um acordo com o Brasil pelo qual restringe voluntariamente exportações de têxteis e vestuário para o país. O resultado é que aumentarão as medidas antidumping contra os chineses. Assim, sem surpresas Pequim indagou sobre uma suposta cláusula de “interesse nacional” que a Câmara de Comércio Exterior usaria para decisão final nos casos de dumping. O Brasil respondeu que as sobretaxas só visam combater o dumping que causa prejuízos à indústria nacional.

Os Estados Unidos, o Canadá e o México, sócios no Nafta, apareceram com um extenso comentário sobre a importância de países produtores de aço “não influírem nas exportações”, nem limitarem as importações. O Brasil retrucou que só monitora o preço do aço importado. E que está preocupado com a implementação do “Buy America” aplicado aos siderúrgicos.

Entre as inúmeras perguntas da União Europeia, uma foi sobre o que o Brasil está fazendo para assegurar produção sustentável de biocombustível, incluindo respeito a padrões trabalhistas e implicação na mudança do uso da terra. A resposta foi de que a ocorrência de “práticas de trabalho ilegal em plantações de açúcar são residuais”, que a expansão da cana de açúcar é em áreas degradadas e que o governo tem um plano agroecológico que dirá onde o cultivo de cana será proibido, autorizado ou encorajado.

A UE quis saber em detalhes também o estado e as condições de negociações de acordos do Mercosul com a Índia, a África do Sul e outros países. E perguntou se o bloco pretende incluir cláusulas sociais e trabalhistas nos acordos. A resposta foi “não”.

Cingapura, um paraíso fiscal, quis saber porque o Brasil cobra 25% na repatriação de ganhos para países com baixos impostos, comparado a 15% para outros países. O Brasil explicou que carrega mais na taxa no fluxo de capital com os paraísos fiscais para prevenir evasão fiscal.

O Canadá, um dos grandes exportadores agrícolas, perguntou sobre o impacto da crise atual sobre os produtores agrícolas brasileiros. A delegação brasileira respondeu que a liquidez está melhorando, mas a produção de grãos cairá 6,4% e há preocupações sobre a demanda e preços externos.

A Nova Zelândia, um dos maiores exportadores de lácteos, quis saber a racionalidade de o Mercosul, hoje exportador desses produtos, aplicar taxa bem maior na importação, de 18,8%. O Brasil respondeu que enquanto persistirem os subsídios para lácteos no comércio internacional, a taxa não diminuirá.

04/03/2009 - 10:09h Situação do emprego no País é melhor que no resto do mundo

bandeira_emprego.gif

Pesquisa com 7.200 empresas de 36 países revela tendência de alta no Brasil

Marcelo Rehder – O Estado SP

 Clique na imagem para ampliar

emprego_mundo.jpg

A perspectiva para o trabalhador brasileiro neste ano não é boa, porém menos ruim do que a de seus pares em outras partes do mundo. É o que revela pesquisa recente da consultoria Grant Thornton International, que ouviu 7.200 empresas de 36 países, das quais 150 são do Brasil. Entre os empresários brasileiros, 12% disseram que não deverão conceder aumentos salariais em 2009, enquanto 61% pretendem apenas repor as perdas com a inflação. Além disso, 2% querem reduzir os ganhos do trabalhador.

Ainda assim, 20% das empresas brasileiras mostraram-se dispostas a dar aumentos acima da inflação. Das 7.200 empresas pesquisadas no mundo, apenas 10% pretendem dar aumentos reais. Para 54%, o reajuste acompanhará a inflação. Já 21% não vão conceder reajuste e 3% reduzirão salários.

“O número de empresas brasileiras que vão aumentar os salários é alto porque as leis trabalhistas garantem essa reposição”, diz Wanderley Ferreira, sócio coordenador da divisão de tributos da Terco Grant Thornton, que representa a consultoria internacional no Brasil. “As empresas que não darão aumento algum terão de negociar benefícios, sociais ou econômicos, com os sindicatos de cada categoria profissional.”

A pesquisa indica ainda que o nível de emprego tende a crescer no País, ao contrário das previsões para 2009 na maiorias das regiões pesquisadas.Para 36% das empresas brasileiras, a tendência é aumentar seus quadros, enquanto 47% pretendem manter o mesmo quadro e 16% querem cortar postos de trabalho. Ponderado pelo número de funcionários das empresas, o nível de emprego deverá crescer 20%.

Essa tendência, no entanto, fica menos animadora quando comparada com o resultado da pesquisa anterior. No ano passado, as empresas brasileiras projetavam crescimento de 71% para o emprego. Mas, na média global, o saldo entre demissões e contratações deverá ficar negativo em 4% este ano.

As previsões mais pessimistas são dos países da Ásia, onde 29% das empresas não pretendem elevar os salários. Em Taiwan, por exemplo, 72% dos empresários consultados responderam que não farão reajustes este ano. Pelo menos 44% das empresas asiáticas pretendem manter os postos de trabalho, mas 24% querem cortar.

No ano passado, o emprego cresceu 0,5%, em média, entre as empresas ouvidas. Em 2007, porém, a alta foi de 4%. Para os responsáveis pela pesquisa, com a atual situação econômica mundial, o desemprego já é uma realidade em muitos locais e, por isso, não haverá crescimento do emprego este ano. No Nafta, bloco formado por Estados Unidos, Canadá e México, por exemplo, a projeção é de queda de 9% no emprego. A tendência para a União Europeia é ainda mais sombria, com retração de 12%.

19/12/2008 - 10:00h Em janeiro, juro vai cair

http://www.correioweb.com.br/especiais/ir2008/imagens/header-bg2.gif
http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081219/fotos/capa.jpg

Banco Central reduzirá taxa básica para combater a desaceleração econômica brasileira

Vicente Nunes – Correio Braziliense

A taxa básica de juros (Selic) deverá cair 0,5 ponto percentual em janeiro próximo, dos atuais 13,75% para 13,25% ao ano, como contribuição do Banco Central para minimizar os impactos da crise financeira internacional na economia brasileira. Foi essa a conclusão da maioria dos analistas depois da leitura da ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual os juros permaneceram inalterados. Divulgado ontem, o documento mostrou que no BC já vê a inflação de 2009 convergindo para o centro da meta, de 4,5%, em meio a um quadro que combina consumo em queda, produção industrial menor, desemprego em alta e crédito ainda restrito. “Somente um fato muito sério fará com que o Copom não corte os juros no mês que vem”, disse Flávio Serrano, economista-sênior do Banco BES Investimento.

A tendência, segundo Serrano, é de que o Copom promova três reduções consecutivas da Selic em 2009, sendo duas de 0,5 ponto e uma de 0,25. “A partir daí, os juros ficarão estacionados em 12,5%, permitindo ao BC uma visão mais clara da atividade econômica. Se realmente constatar que a desaceleração será forte, inviabilizando por completo o repasse da alta do dólar para os preços, o BC retomará o processo de corte dos juros”, acrescentou. A baixa da Selic em janeiro, segundo ele, será ditada por dados relevantes que estarão à disposição do Copom: a retração da indústria e do comércio em novembro e os indicativos de um novo tombo em dezembro. É com base nesse cenário, inclusive, que os analistas, endossados pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, falam em queda do Produto Interno Bruto (PIB) de até 1,5% no quarto trimestre do ano.

Movimento
Na avaliação do economista José Márcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos, em princípio, há espaço para que o Copom promova redução de até dois pontos percentuais no juros, para 11,75%, ao longo de 2009, movimento que poderá até ser acentuado se a inflação cair para um patamar abaixo de 4,5%. “O BC identificou que a economia está sofrendo dois choques, um inflacionário, outro, deflacionário”, disse. “De um lado, a significativa arrancada do dólar criou uma inflação potencial, que, em algum momento, pode ser repassada aos consumidores. De outro, a restrição do crédito fez o consumo e os investimentos desabarem. O problema é que não se sabe qual desses choques prevalecerá. Caso o choque deflacionário se sobreponha, os juros terão de cair mais”, frisou.

Para os diretores do BC, apesar da certeza de piora da economia em 2009, há muitas incertezas à frente. Por isso, mesmo com os integrantes do Copom tendo discutido a possibilidade de derrubarem a Selic em 0,25 ponto na semana passada, optou-se pela manutenção da taxa por pura cautela. No entender dos diretores do BC, criou-se um cenário mais benigno para a inflação, com o equilíbrio entre oferta e demanda, cujo descompasso vinha sendo o principal motivo para o arrocho na política monetária. Mas é preciso lembrar que a demanda interna se mantinha robusta até o terceiro trimestre, devido ao aumento da renda a da maior oferta de emprego e do crédito. Agora, com o crédito escasso, a economia será movida, basicamente, pelos rendimentos dos trabalhadores. Caso, porém, não sejam suficientes para sustentar um crescimento do PIB em um nível adequado, o estímulo adicional virá por meio dos juros, para deleite do presidente Lula.


“Não houve contradição. O fato de discutir um assunto não quer dizer que houve decisão. Não vejo como a ata poderia ser mais clara”

Henrique Meirelles, presidente do Banco Central

“Não consigo entender o que aconteceu naquela sala. A maioria dos diretores defendia o corte de juros, mas foi pulverizada pela minoria. É incompreensível”

Aloizio Mercadante, deputado federal (PT-SP)

Gasolina mais barata

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central admite a possibilidade de a Petrobras reduzir os preços da gasolina e do diesel nos próximos meses, repassando aos consumidores parte da expressiva queda da cotação do petróleo no mercado internacional. A expectativa — e a torcida — é para que os preços caiam ao longo dos primeiros seis meses de 2009, como forma de aliviar a inflação e permitir cortes seguidos na taxa básica de juros (Selic) sem grandes traumas. Os analistas estimam que a gasolina esteja 52% mais cara no Brasil do que no exterior e o diesel, 19%.

Pelas contas de Flávio Serrano, economista-sênior do Banco BES Investimento, a cada 5% de baixa nos preços da gasolina nas bombas dos postos, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para o sistema de metas do governo, encolhe 0,2 ponto percentual. “Se realmente os combustíveis ficarem mais baratos, não será surpresa se a inflação fechar o ano que vem abaixo de 4,5%, o centro da meta perseguido pelo BC”, afirmou. Pelo governo, os preços da gasolina e o diesel já teriam caído. Mas a Petrobras alegou que precisa fazer caixa nesse momento de grande escassez de crédito.

Segundo o BC, ainda que os preços da gasolina e do diesel não tenham se alterado, o impacto da retração da cotação do petróleo de quase US$ 150 para US$ 40 o barril desde junho já se faz presente na economia brasileira, por meio da indústria petroquímica (resinas plásticas, por exemplo), base para as demais cadeias produtivas. O principal insumo da petroquímica, a nafta, ficou bem mais barato, assim como o querosene de aviação e o óleo combustível que move as fábricas de muitas empresas. “É por isso que os Índices Gerais de Preços (IGPs) estão desabando, ficando próximos de zero”, afirmou Serrano.

Os consumidores, no entanto, devem se preparar para pagar 2,6% a mais pelo gás de cozinha até o fim do ano e arcar com reajuste de 3,6% nas contas de telefonia fixa. Na média, estimou o Copom, os preços administrados pelo governo (tarifas públicas e serviços como planos de saúde e medicamentos) terão reajustes médios de 3,8% neste ano e de 5,5% em 2009. (VN)
Bate-boca no Senado

Ricardo Allan
Da equipe do Correio

Sob pesado tiroteio político por causa da manutenção dos juros em níveis altos, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, protagonizou ontem um bate-boca com o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). Na audiência pública trimestral para discutir a atuação do BC, o senador se mostrou inconformado com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de deixar a taxa básica de juros (Selic) inalterada em 13,75% na semana passada. Constrangido, Meirelles foi obrigado a defender veementemente a decisão. Para ele, ainda não era o momento de baixar a Selic, apesar dos nítidos indícios de forte desaceleração econômica no país.

Logo no início da sessão, Mercadante usou a ata do Copom, divulgada ontem, para basear o seu ataque. “Não consigo entender o que aconteceu naquela sala. A maioria dos diretores defendia o corte de juros, mas foi pulverizada pela minoria. É incompreensível”, disse. Na avaliação do senador, a recusa em amenizar a política monetária pode agravar a situação econômica. “Lendo a ata, fiquei ainda mais convencido de que havia espaço para uma redução dos juros em pelo menos 0,25 ponto.”

Meirelles tentou explicar. “Quando a ata diz que a maioria considerou cortar os juros já naquele momento, não diz que a maioria decidiu por isso. Houve uma discussão sobre essa possibilidade, mas se concluiu que esse não seria o movimento adequado naquele momento”, disse. Para ele, as razões para a manutenção da taxa estão “muito claras” na ata. Meirelles apelou para que os senadores não fizessem um “encontro pós-ata”, o que, a seu ver, seria “altamente inadequado” e poderia dar sinalizações indevidas ao mercado.

Mesmo com o apelo, Mercadante voltou à carga, afirmando que a manutenção dos juros altos no Brasil num momento em que os demais países do mundo estão cortando suas taxas, prejudica a competitividade dos produtos brasileiros. “Na ata, não fica claro porque os diretores mudaram de opinião”, disse. Mais uma vez, Meirelles rebateu: “Não houve contradição. O fato de discutir um assunto não quer dizer que houve decisão. Não vejo como a ata poderia ser mais clara.” Para o presidente do BC, se o órgão tivesse errado a mão ao calibrar os juros, a economia não estaria crescendo tanto e a inflação estaria abaixo da meta.

17/11/2008 - 11:42h EUA e Brasil: vencendo o medo

lula_positivo.jpghttp://readwritenow.files.wordpress.com/2008/03/obama_sc_04_01_2007-731285.jpg

 *Kellie Meiman – VALOR

http://www.mdic.gov.br/arquivos/not1209160803.jpgAo longo dos anos, o relacionamento entre Estados Unidos e Brasil passou por várias fases. Caracterizou-se em grande parte, durante a segunda metade do século XX, por uma tensão natural entre os poderes continentais do hemisfério, apesar do afável relacionamento pessoal na década de 90 entre os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Bill Clinton. Um Brasil relativamente insular driblou os EUA quando possível, enquanto a superpotência americana freqüentemente tentou isolar o Brasil no contexto de políticas regionais.

Já no governo do presidente George W. Bush, um sério esforço para o aprofundamento das relações bilaterais foi um destaque dentro de uma agenda de política externa desafiadora em outras áreas. O Brasil, de sua parte, entrou no século XXI realizando concretamente suas ambições como o “país do futuro”, ocupando seu próprio lugar no cenário global. Não apenas o governo brasileiro, mas também o setor privado contribuíram para essa nova realidade, com multinacionais brasileiras de vários setores investindo pesadamente em mercados tão distintos como os dos EUA, China, Índia e de países da África.

Hoje, temos a oportunidade de elevar a relação EUA-Brasil a um patamar diferente em questões críticas de ambos os lados, incluindo a segurança regional, global, energética, ambiental e econômica. Em um mundo fracionado e multipolar, despedaçado pela crise financeira e dominado por uma tecnologia que em sua essência difunde o poder, o Brasil pragmático e os EUA multilateralistas podem, juntos, alcançar muito mais. A construção de um relacionamento estratégico mais amplo entre as duas nações beneficiará ambos os países na medida em que entrarmos nos próximos quatro anos sob uma revigorada liderança nos EUA.

Por motivos óbvios, os conflitos no Oriente Médio e a economia global serão prioridades do presidente eleito Barack Obama. Ao mesmo tempo, os EUA precisam enviar um sinal claro ao mundo de que a era do unilateralismo acabou. Um modo de realizar isso é recuperar a credibilidade de importantes instituições multilaterais, como as Nações Unidas, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), assim como o G-7 e o G-20, todos desesperadamente carentes de reformas. O Brasil tem muito a contribuir para esse esforço, considerando sua perspectiva única sobre o melhor modo de integrar poderes emergentes no contexto internacional. A crise financeira atual tem mostrado a um público amplo que há a necessidade de modernizar as instituições internacionais de forma que elas venham a se igualar às novas realidades políticas e econômicas. Ao fazer isso, devemos ter a certeza de que qualquer reforma manterá espaço para discussões pragmáticas e produtivas nos fóruns multilaterais.

O fracasso até o momento da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), onde os interesses americanos e brasileiros estão claramente alinhados, justifica o foco do Brasil e dos EUA em perseguir a abertura de mercados e evitar uma resposta protecionista aos desafios econômicos globais, como tem sabiamente destacado o chanceler Celso Amorim. Não será fácil levar nossos parceiros de comércio ao progresso de Doha, porém, o benefício dessa negociação para nossas economias, mais ainda para o mundo em desenvolvimento, vale o sacrifício.

Vamos deixar o medo de lado. A imprensa brasileira tem expressado preocupação quanto a um governo democrata, temendo que ele seja “protecionista” e, portanto, contra aos interesses do Brasil. Muito pelo contrário.

Na difícil economia de hoje, um líder americano de centro-esquerda pode ser o mais bem-sucedido na reconstrução do consenso bilateral para apoiar o livre comércio que imperou nos EUA durante o governo Clinton. Antes da posse do ex-presidente, em 1993, muitos americanos e brasileiros expressaram preocupações sobre o que representaria a política econômica da gestão Clinton. Esses medos e preocupações, como se comprovou depois, se mostraram desnecessários.

O Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) possivelmente não teria ocorrido sem a persistência do presidente Clinton, um líder democrata como Barack Obama. Lembremos que foi Clinton também quem aprovou a Rodada Uruguai nos EUA. Esses e outros feitos foram conquistados através da ampliação do apoio doméstico à abertura do mercado. Apesar das dificuldades envolvidas, precisamos cautelosamente nos esforçar para readquirir um apoio de base ampla para a liberalização comercial dos EUA, de modo a permitir que nosso país lidere novamente o mundo nestas importantes questões.

Ninguém entende melhor do que o presidente Lula a importância de uma liderança de esquerda baseada em uma política econômica forte e sustentável. Os benefícios sociais e econômicos para o Brasil decorrentes dessa liderança para a estabilização e o crescimento da economia são óbvios. Como acontece no Brasil, toda a política comercial dos EUA está repleta de desafios políticos, porém, ninguém esquece o legado da Lei Smoot-Hawley, que introduziu o protecionismo na política econômica dos EUA no pior momento possível – no calor da depressão de 1929.

Os conselheiros econômicos do presidente eleito Barack Obama estão entre os mais sábios executivos e economistas dos EUA, muitos dos quais contribuíram significativamente para a administração Clinton. Seria difícil imaginar que os ex-secretários do Tesouro Robert Rubin e Larry Summers, o presidente do Federal Reserve de Nova York, Timothy Geithner, e o megainvestidor Warren Buffet ignorem as realidades da globalização, mesmo durante tempos difíceis. Todos eles são francamente favoráveis à expansão do comércio mundial.

É chegada a hora. Se o Brasil conseguir se firmar como um ator verdadeiramente pragmático na economia global e nas instituições internacionais, ao mesmo tempo em que os EUA ressurgirem como um paladino do multilateralismo, há muito mais a ser alcançado por nossos países de maneira conjunta. Nem sempre estaremos de acordo, mas, acima de tudo, o presidente Lula e o presidente eleito Obama compartilham de um slogan de campanha cuja premissa é: “a esperança vence o medo”. Esta mesma noção descreve bem como nossas nações devem abordar as relações políticas e econômicas no início desta nova era. Devemos e podemos elevar esse relacionamento a um novo patamar de sofisticação e, assim, cumprir a promessa e as possibilidades desta relação tão importante.

Kellie Meiman é diretora executiva da McLarty Associates e foi diplomata e negociadora de comércio internacional durante o governo Clinton.

27/02/2008 - 12:48h Obama e Hillary: Nafta, saúde e Iraque no último debate, antes de voto crucial

hillary_obama4.jpg

 

da Folha Online

Atualizado às 11h09

Os pré-candidatos democratas à Casa Branca Barack Obama e Hillary Clinton trocaram acusações sobre a saúde, a Guerra no Iraque e a economia –principalmente sobre o Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio) no debate desta terça-feira.

Foi o debate final entre os dois rivais antes das prévias em Ohio, no Texas, em Rhode Island e em Vermont na semana que vem, quando um total de 370 delegados estarão em jogo.

Os dois pré-candidatos devem fazer campanha em Ohio nesta quarta-feira. Hillary terminará seu dia em Virgínia Ocidental, e Obama deve terminar os atos de campanha no Texas.

Ela precisa vencer nas prévias da próxima semana, depois de 11 derrotas consecutivas para Obama desde a Superterça –as principais prévias da corrida, realizadas em 5 de fevereiro.

Segundo contagem da Associated Press, Obama possui 1.372 delegados contra 1.264 de Hillary. Um total de 2.025 são necessários para assegurar a indicação do Partido Democrata.

(mais…)

21/02/2008 - 11:46h As Crucial Tests Loom, Clinton Hits Harder

She Says Obama Isn’t Ready to Be President

hillary_comicio.jpg

Sen. Hillary Rodham Clinton makes a campaign stop Tuesday at Chaney High School in Youngstown, Ohio.
That state and Texas will hold primaries on March 4, and both are do-or-die battles for her.(By Jeff Swensen — Getty Images)

By Anne E. Kornblut and Shailagh Murray Washington Post Staff Writers
Thursday, February 21, 2008; Page A01

NEW YORK, Feb. 20 — Sen. Hillary Rodham Clinton launched a tough new offensive against Sen. Barack Obama on Wednesday, asserting flatly that her rival for the Democratic presidential nomination is not prepared to serve as commander in chief.

“It is time to get real — to get real about how we actually win this election, and get real about the challenges facing America,” the senator from New York told a cheering crowd at Hunter College in Manhattan.

(mais…)

16/11/2007 - 16:03h Hillary Clinton se defende de ataques em debate de democratas

EFE A senadora Hillary Clinton e o senador Barack Obama no debate dos pré-candidatos democratas em Las Vegas / Reuters

WASHINGTON – Hillary Clinton, aspirante democrata à Presidência dos Estados Unidos, se defendeu das críticas de seus rivais no partido, durante um debate nesta quinta-feira, e acusou dois deles de jogar lama na sua pré-candidatura.

- O povo dos Estados Unidos conhece a minha posição – disse a senadora de Nova York, que lidera as enquetes entre os pré-candidatos de seu partido.

Ela acrescentou que aceita as críticas “mas não é justo que joguem lama”:

Quando alguém joga lama, não se pode esperar que não esteja lendo o manual de instruções dos republicanos


- Quando alguém joga lama, não se pode esperar precisão e que não esteja lendo o manual de instruções dos republicanos – alfinetou.

Em um acalorado debate entre sete aspirantes democratas em Las Vegas, os dois principais rivais de Hillary, os senadores Barack Obama e John Edwards, insistiram nas suas críticas. Eles disseram que a ex-primeira-dama muda freqüentemente de posição sobre temas importantes do país. Entre eles, citaram a sua posição a respeito da previdência social, das fórmulas para o caso dos imigrantes ilegais e da Guerra do Iraque.

Ela não deu respostas diretas a perguntas diretas


- Ela não deu respostas diretas a perguntas diretas. Precisamos de um tipo diferente de direção neste país – disse Obama.

Edwards, que negou uma rivalidade pessoal, acusou a senadora de votar com o governo do presidente George W. Bush a favor da Guerra do Iraque e de defender um sistema que não funciona.

No começo do debate, Hillary prometeu levar à Casa Branca sua experiência e sua liderança. E assumiu a ofensiva, acusando Obama de propor um sistema de saúde social que exclui 15 milhões de americanos. Também negou que o fato de ser mulher possa impedir um bom trabalho na Casa Branca.

Quero chegar à Presidência não por ser uma mulher, mas porque tenho certeza de que posso dirigir o país pelo bom caminho


- Quero chegar à Presidência não por ser uma mulher, mas porque tenho certeza de que posso dirigir o país pelo bom caminho – afirmou.

A agressiva troca de acusações e denúncias foi criticada pelos outros quatro pré-candidatos democratas. Inicialmente, eles se viram excluídos do debate.

O governador do estado do Novo México, Bill Richardson, resumiu sua atitude.

- Não vamos nos atolar- pediu.

O senador Christopher Dodd concordou:

- Em vez de brigar, é preciso unir o partido em busca do melhor candidato.

Mas Richardson também se uniu aos ataques. Ele afirmou que Edwards se envolveu numa luta de classes, e acusou Obama de promover um conflito de gerações.

Richardson, o único hispânico pré-candidato à Presidência dos Estados Unidos, questionou as afirmações de Hillary de que pretende terminar a Guerra do Iraque.

- Só quero dar uma chance à paz – disse.

A senadora de Nova York é o centro dos ataques desde o último debate na Filadélfia, no mês passado. As suas hesitações levaram Obama e Edwards a descrever a adversária como cautelosa demais e calculista.

Os ataques se refletiram nas enquetes, que mostraram uma queda na vantagem de Hillary e deram a seus rivais mais esperanças de vitória em Iowa, estado que em janeiro será o cenário da consulta inicial do partido para as eleições de novembro de 2008.

O debate aconteceu na Universidade de Nevada, estado que realizará a consulta do partido em 19 de janeiro.

Mas os pré-candidatos concordaram em torno dos principais problemas do país, entre eles a oposição à Guerra do Iraque, o conflito com o Irã, os tratados de livre-comércio e, com algumas divergências, a necessidade de uma reforma integral do sistema de imigração.

Hillary Clinton, quem votou pela intervenção militar no Iraque, disse que rejeita a possibilidade de uma nova guerra, agora no Irã.

- Sou contra a guerra no Irã, mas é preciso mostrar muita seriedade na negociação diplomática para impedir que o país se transforme numa potência nuclear – disse.

Ela admitiu que o Tratado de Livre-Comércio da América do Norte, assinado com o Canadá e o México durante o governo de seu marido, Bill Clinton, foi um erro.

- Ele não produziu os resultados que esperávamos – reconheceu.

O debate também contou com o senador Joe Biden e o congressista Dennis Kucinich.