30/07/2008 - 11:20h Uma discussão necessária

Blog de Luis Nassif abriu este debate e aqui no blog nós deveríamos discutir também estas questões essenciais para o presente e o futuro da educação e do país. LF

A aprovação automática

http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/05/escola_estadual.jpg

Tem um tema quentíssimo para discutirmos – postados quase ao mesmo tempo pelo André e pelo Emílio. Trata-se da chamada educação continuada, a aprovação automática, mas analisada por um outro ângulo: a perda de autoridade do professor.

Tenho lido inúmeros comentários de professores da rede pública alertando para a rebelião dos alunos, a indisciplina ampla. Por outro lado, o velho modelo pedagógico, fundado nas informações compartimentalizadas em 50 minutos/aula e na relação rigidamente hierarquizada professor-aluno também tem sofrido questionamentos constantes.

Qual o caminho?

Por Andre Araujo

A aprovação automática é a mãe dos maiores problemas que hoje sofre a educação paulista. Com esse mecanismo o professor perdeu autoridade que derivava de seu poder sobre o futuro do aluno. É cruel mas é a realidade. Funcionou por séculos e a inovação foi desastrosa. Se o aluno passa de qualquer maneira perde-se a disciplina, o estimulo, o incentivo. A repetição de ano era uma forma dura de punição, o professor tinha o comando do processo e disso derivava sua capacidade de impor disciplina na classe. Tirada a reprovação, desmontou-se o sistema e nada ficou no lugar.

A aprovação automática é resultado da direção do sistema por economistas. Esse mecanismo adoça as estatitiscas para apresentr à ONU, ao congressos, seminários e simpósios internacionais, o Brasil sai bem na foto, aumenta o numero de alunos matriculados, é a fruta bonita por fora e podre por dentro.

Sem educadores de verdade, com amor à educação no comando de todo o sistema, chegamos a essa situação de gerenciamento da educação por planilhas e resultados estatísticos como um fim em si mesmo.

É uma ironia que nos Governos tucanos, geridos por intelectuais e gestores modernos, a educação tenha caido nessa arapuca e ficado em pior situação, mas muito pior, do que nos Governos Maluf e Quercia, que não eram intelectuais mas não desmontaram o sistema tradicional. Agora não temos sistema algum, nem antigo e nem moderno, só um enorme vazio, um anti-sistema.

Por Emílio

A administração tucana, na figura da Sra. Rose Neubauer, estabeleceram que as notas eram “instrumentos de opressão” dos professores sobre os alunos. Mas nas escolas particulares, onde estudam os filhos do tucanato, muito dos quais foram meus alunos, as avaliações, as distinções por mérito, continuaram intactas.

A administração tucana, na figura da Sra. Rose Neubauer, propuseram a progressão continuada (que é defensável) e logo a transformaram em aprovação automática. Mas nas escolas particulares, onde estudam os filhos do tucanato, as reprovações não só continuaram, como muitas “convidam” os alunos com baixo aproveitamento a retirarem-se.

A administração tucana, na figura do Sr. Gabriel Chalita e seu “mundo encantado” da educação com amor, passaram ao largo de qualquer orientação pedagógica utilizada no mundo (construtivismo, sócio-construtivismo, enculturação, etc..) . Mas nas escolas particulares, onde estudam os filhos do tucanato, domina o mais arcaico estudo tecnicista-conteudista. Discordo dessa orientação, é claro, mas é bem melhor que o “nadismo” oferecido pelas escolas públicas para os pobres.

Em São Paulo, na era tucana, a saúde, segurança e transporte públicos foram tratados com o desdém (”nojo-de-nóis”, como diz o Macaco Simão) que a elite tucana reserva ao povo do nosso país.

Sem querer partidarizar, é claro.

Por mcn

Nassif,

O sistema de progressão continuada é adotado com sucesso em inúmeros países e está prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). É uma prática defendida por inúmeros especialistas, inclusive pelo atual Ministro da Educação, Fernando Haddad, e pela atual Secretária de Educação Básica do MEC, professora Maria do Pilar.

Há um estudo comparativo do pesquisador do IPEA Serguei Soares sobre a doação da progressão continuada em 49 países e os resultados são surpreendentes: as melhores notas e os resultados mais efetivos obtidos no ensino básico foram observados exatamente entre os países que adotaram esse regime.

Para ler o artigo completo, clique aqui.

O sistema consiste na identificação das dificuldades de cada aluno no ano letivo e sua pronta resolução, de modo a evitar a reprovação, permitindo que os professores concentrem esforços nas deficiências dos alunos desde as primeiras semanas de aula.

O entendimento equivocado, da população, dos alunos e das próprias escolas, de que progressão automática = aprovação automática foi, e continua sendo, o grande problema na adoção desse regime em SP.

Por bruno

Nassif,
contribuição para uma discussão mais informada.

Dê uma olhada no texto do ipea (clique aqui) compara o desempenho educacional de países com e sem reprovação:

O Brasil se caracteriza por um altíssimo nível de repetência. Apenas Angola tem taxas tão altas quanto as brasileiras. As evidências qualitativa e quantitativa estabelecendo um elo entre a repetência e a evasão escolar são extensas.

No entanto, há pouca discussão no Brasil sobre o impacto da repetência no contexto internacional. O objetivo deste texto é usar os dados de duas avaliações internacionais – em matemática e ciências (Trends in International Mathematics and Science Study, Timss) e em leitura (Progress in International Reading Literacy Study, PIRLS) – para estimar em que medida as políticas de combate à repetência têm impactos negativos sobre o desempenho em testes padronizados.

Para estimar este impacto, usei tanto comparações univariadas dos resultados de países com diversas políticas com relação à progressão continuada, como também análise de regressão na qual cada país
representa uma unidade.

Os resultados mostram que as políticas de progressão continuada não exercem qualquer impacto negativo sobre o desempenho escolar dos alunos. Ao contrário, verifica-se um impacto positivo de políticas de progressão continuada sobre os resultados dos exames, embora estes não sejam significativos devido ao baixo número de observações na amostra.

12/07/2008 - 18:26h Luis Nassif publica acusações da PF a jornalistas

Blog de Luis Nassif
PF acusa Mainardi e Veja

O relatório do delegado Protógenes Queiroz, encaminhado ao Juiz Fausto Martin de Sanctis - que serviu de base para o pedido de prisão de Daniel Dantas e outros réus – acusa diretamente as revistas IstoÉ Dinheiro e Veja e os jornalistas Leonardo Attuch, Lauro Jardim e Diogo Mainardi de colaborarem com uma organização criminosa. Mainardi é explicitamente apontado como “jornalista colaborador da organização criminosa”.

O nome do documento é “Relatório Encaminhado ao Juiz Federal Fausto Martin de Sanctis”. É o Inquérito Policial 12-0233/2008. Nele consta Procedimento Criminal Diverso no. 2007.61.81.010.20817.

Foi preparado pela Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros do Departamento da Polícia Federal

O capítulo 13 tem por título “Do papel da mídia no processo investigatório”.

Diz o seguinte:

Evidentemente com maior assiduidade na programação quase que diária dos meios de comunicação disponíveis, o grupo comandado por Dantas se serve com maior freqüência do que o grupo comandado por Naji Nahas. Ambos são convergentes quanto ao interesse comum e divergentes quanto às matérias publicadas, como forma de ludibriar para atingir seus objetivos. Com vantagens no final da falsa discussão pública.

Curiosamente, (…) o volume de dados analisados a respeito do material publicado ao longo da existência dessa organização criminosa usando a mídia, ora em proveito próprio ora em outros propósitos chantagistas

Neste momento trazemos à luz algumas matérias de fomento ao acordo recentemente efetivada pela BrT, Oi, Citigroup, Opportunity, aqui Daniel Valente Dantas, referente a alguns “conceituados” órgãos da imprensa escrita, tais como revista IstoÉ Dinheiro e Veja, ambos veículos a serviço do relevante grupo.

Apontamos a revista Veja, data de 16/01/2008, matéria “Rumo à supertele”, três folhas dedicadas exclusivamente aos interesses escusos da organização pelo jornalista Lauro Jardim.

Nesse mesmo dia 16.01.2008, matéria de capa da revista IstoÉ, “Os Vencedores da Telefonia”, como Carlos Jereissati e Sérgio Andrade, sócios da Oi, foram escolhidos pelo governo para comprar a BrT e, com o auxílio generoso do BNDES, formar um gigante das telecomunicações”, do jornalista Leonardo Attuch.

E aqui nesse momento, eu vou me servir do recente artigo publicado no dia 12.04.2008, edição 2054, da própria revista Veja, elaborado por um dos jornalistas colaboradores dessa organização criminosa, Diogo Mainardi, sob o título

“Entendeu, Tabatha”.

“Eles retomaram algumas das práticas mais antigas e mais imundas do jornalismo, como a chantagem, a mentira, a propaganda do poder e a matéria paga”.

Ao lembrar essa assertiva ele talvez tenha revelado e audaciosamente expressado a vertente resumida de como funcionava a mídia para o grupo Opportunity, comandado por Daniel Valente Dantas, o que reforça e confirma todo o material coletado através de interceptações de dados telefônicos e telemáticos.

Em uma avaliação bem literal das condutas e comportamentos de alguns jornalistas que hoje estão no bojo do trabalhos coletados, é de se considerar como participantes da organização criminosa liderada por Daniel Valente Dantas especialmente aqueles que têm indícios de remuneração direta ou indireta de recursos originados do referido investigado ou de seus colaboradores.

No relatório de análises constou no dia 13/01/2007 que o investigado Daniel Dantas mantém diálogos com Verônica Dantas e Danielle Silbergleid afirmando textualmente da necessidade de utilizar a conexão direta entre ele e a imprensa como instrumento para plantar informações a fim de confundir a opinião de autoridades públicas nacionais e internacionais na disputa do grupo Opportunity, Citigroup, Telecom Italia pelo controle da BrT

Embora esse tema não seja foco inicial da presente investigação,é necessário conhecermos os meios ardilosos na divulgação das informações plantadas.

A voracidade em lançar informações falsas e até com cunho difamatório, e menciona o nome Moreira Alves (…) na empreitada suja de baixo nível.

E aqui vai a indagação: a mídia é um veículo independente comprometido com a verdade imparcial. Certo? Errado. O que estamos assistindo, o desmascaramento por meio do Judiciário Federal com a atenção auspiciosa do Ministério Público Federal é repugnate !!! sob o ponto de vista ético e moral do papel da imprensa.

E aqui reproduzimos ipsis literis a mensagem interceptada de conteúdo sem o mínimo escrúpulo que possa nortear regras de boa conduta e convivência social.

Assunto: Pendências
De; Cristina Caetano 18/02/2008
Para Alberto Pavi

Pavi,

Obrigado. Outro dia retomaremos a conversa com Moreira Alves. Nosso prazo para entrar com a campanha difamatória é no começo de março. E se não formos fazer com ele temos que achar outra pessoa. Nós preferimos que você redigisse. Achamos que nesse caso tem muitos fatos, seria melhor ser redigido por um civilista do que por um criminalista. Vamos focar nisso?

Beijos

Conclusões

Depois, fala de contatos de Nahas com jornalistas, mas sem envolvimento com o a organização criminosa. Menciona jornalistas que tiveram reuniões com Nahas, no plano jornalístico apenas. Quando menciona Attuch, o relatório diz que

seria também responsável pela publicação de artigos jornalísticos “encomendados” pela organização criminosa com o objetivo de facilitar o tráfiuco de influência perante autoridade são públicas.

Para esse seleto grupo jornalístico Naji Najas ora se posiciona falsamente como opositor e inimigo de Daniel Dantas.

É comum jornalistas acima citados (acrescentamos o colunista Diogo Mainardi, na revista Veja) assinarem matérias favoráveis ao interesse do grupo Opportunity, principalmente à pessoa de Daniel Valente Dantas.

A contextualização e os tópicos de análise do papel da mídia na presente investigação, por questão didática, preferimos fazer referência aqui na forma de anexo digitalizado.

O relatório tem menção a vários links com gravações de conversas telefônicas.

enviada por Luis Nassif

30/05/2008 - 14:15h Caso Alstom

Blog de Nassif

O Estadão dá uma matéria detalhada sobre os meandros do ciclo de dinheiro no caso Alston. Ainda tem muito para caminhar, mas há ingredientes para ser um escândalo de proporções enormes. Clique aqui. São 34 milhões de francos franceses que circularam pela alta esfera.

Já a Folha dá uma suite sobre o pagamento de R$ 120,00 da Internet de um dos filhos do Lula com cartão corporativo. A matéria, relevante, diz que a quantia foi ressarcida.

enviada por Luis Nassif

07/05/2008 - 12:18h Tucanos: quem leva?

jose_serra_caricatura.jpgalckmin_cavalo.jpg

O esperto complexo ou o simples?

Blog de Nassif

A indicação de Geraldo Alckmin como candidato a candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo torna interessante o jogo de xadrez do governador José Serra.

No passado, Serra se caracterizou pelo purismo nas alianças. Flertou com uma área do chamado PMDB autêntico, com partidos de centro-esquerda, juntou em torno um grupo grande com quem mantinha afinidades intelectuais. Havia “serristas” no PMDB autêntico, no PSB, no PDT, no PT moderado.

Apos as eleições de 2002, provavelmente julgou que esse purismo seria insuficiente. Mesmo com queixas em relação ao tratamento recebido do então presidente FHC, deixou-se guiar por ele e aí foi gradativamente se descaracterizando. Hoje é conduzido pela mão pelo pragmatismo de FHC. E é refém da pior parcela do jornalismo patrício.

Politica e administrativamente é superior a Alckmin.

Alckmin quase hostilizava os prefeitos do interior. Um deles me contou que foi ao Palácio com um colega de uma cidade mais pobre. Lá, pediu para que determinada verba destinada à sua cidade pudesse ser repassada para a cidade do colega. Alckmin sacou do seu caderninho, conferiu suas anotações pessoais e concluiu que aquela cidade já recebera muito. E que o remanejamento deveria ser para outra cidade. Perdeu o aliado.

Serra montou uma base de apoio política competente em São Paulo. Eleito prefeito da cidade, entregou a sub-prefeituras a ex-prefeitos do interior. O Secretário Guilherme Afif Domingos montou uma base de dados ampla em que os dados do orçamento estão claramente fixados. O prefeito chega, conversa, coloca suas reivindicações e recebe resposta na hora, sem a necessidade dos rapapés ao governador.

Alckmin colocou Arnaldo Madeira com articulador político. Madeira tentou impor o presidente da Assembléia Legislativa. Usou de todos os meios mas foi fragorosamente derrotado pelo deputado Rodrigo Garcia, que fez campanha em dobradinha com Kassab. Eleito, Rodrigo foi até o Palácio e ofereceu a vitória ao governador – que pretendia derrotá-lo.

Serra fez dobradinha com Kassab a partir da qual pensava lançar as bases de uma nova aliança nacional com o DEM.

Um esbanja amadorismo, outro aparentemente esbanja profissionalismo. Quem leva?

Quem decide oe sua majestade, o eleitor. E aí Serra se enrola.

Nas útlimas campanhas presidenciais, Serra perdeu a indicação em parte por falta de vontade – sabia ser muito difícil vencer Lula. Mas também porque Alckmin passou a viver seu grande papel: o do homem simples, sem firulas, que se propõe a enfrentar os cardeais do partido. Foi quando cresceu e se tornou personagem nacional.

É evidente que contribuiu para isso o anti-lulismo arraigado da mídia, que escondeu a fraqueza administrativa do candidato – o homem do caderninho apresentado como gerente moderno.

Agora, se repete o enredo, mas de forma mais complicada para Serra. São Paulo talvez seja o último reduto de militância do PSDB. Para conseguir alguns minutos a mais de TV, Kassab-Serra fecharam com Orestes Quércia, político de baixa penetração na capital (a eleição não é para prefeito?) com altos índices de rejeição.

Agora se trata do homem só – Alckmin – e sua teimosia, contra uma geléia geral, que junta o DEM (baixa penetração em São Paulo), o PMDB de Quércia e… e… e não sei mais. Serra criou sua sinuca de bico. Não poderá fazer campanha a favor de Kassab, para não ser visto como traidor do partido. Ao mesmo tempo coloca seus homens para uma campanha de desgaste em cima de Alckmin – não apenas os políticos mas aceitando o anti-jornalismo mais desqualificado para ataques baixos contra adversários.

Quando sua majestade, o eleitor, se manifestar, será mais fácil para ele entender as complexas estratégias políticas de Serra ou a simplicidade simplesinha de Alckmin?

É mais um passo da Serra em direção à descaracterização de sua proposta original. Poderá chegar às próximas campanhas repletos de aliados. Mas estará bem mais vazio de propostas.

enviada por Luis Nassif

25/04/2008 - 19:21h Amadores x profissionais

Luis Nassif

O apoio do PMDB de Orestes Quércia à candidatura Gilberto Kassab mostra duas coisas: a eficiência dos operadores políticos do governador José Serra; e a fragilidade da articulação política de Geraldo Alckmin.
Esse quadro estava claro nas eleições da Assembléia Legislativa de São Paulo, quando foi eleito Rodrigo Garcia, do DEM, e estreitamente ligado a Kassab.

Na época, Alckmin incumbiu seu chefe da Casa Civil, Arnaldo Madeira, de atuar para impedir a eleição de Garcia. Houve uma ação desencontrada, Garcia foi eleito e, seu primeiro gesto, foi ir até o Palácio Bandeirantes, apontar os equívocos de Madeira e Alckmin e se apresentar como aliado do governo.

Enquanto Alckmin, que tem baixos índices de rejeição, não conseguiu emplacar uma aliança sequer, Serra conseguiu fechar acordo até com seu ex-arquiinimigo Quércia.

Luis Nassif

03/04/2008 - 10:41h O dossiê sub-reptício

Blog de Nassif
Do Blog do Noblat (que não briga com a notícia), postado às 16:52, informando claramente que quem repassou o suposto dossiê para a imprensa foi o Senador Álvaro Dias:

Quem divulgou a parte conhecida do dossiê foi o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Ele se recusa a dizer de quem a recebeu.

(…) Em conversa informal com jornalistas, Dias sugere que recebeu o dossiê de um parlamentar que apóia o governo, mas que discorda do uso de informações para chantagear a oposição.

(…) Ao vazar o que recebeu, o objetivo de Dias era, primeiro, desgastar o governo e, segundo, abortar uma eventual divulgação do resto do dossiê. Dias teve êxito.

Folha de São Paulo

Matéria secundária em página interna

Aliados pressionam tucano que admitiu ter visto dossiê

Álvaro Dias diz que recebeu dados sobre gastos de FHC, mas nega ter divulgado papéis
Senador citou o artigo 53 da Constituição para ressaltar que tem direito de preservar quem lhe repassou o dossiê produzido na Casa Civil

Estado de São Paulo

Com chamada de primeira página

Governistas acusam tucano de vazar dados sigilosos e querem ouvi-lo na CPI

Estratégia da base aliada e blindar a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e colocar oposição na defensiva

Dora Kramer

No caso do dossiê sobre os gastos de Fernando Henrique Cardoso, o governo apresenta sucessivas versões de uma história já na origem muito mal contada e ainda acha que as pessoas têm obrigação de abrir mão do próprio discernimento, da capacidade de cotejar fatos, e simplesmente acreditar.

Globo

Sem chamada de capa mas com destaque interno

Álvaro Dias não revela quem repassou dossiê

Tucano diz que levantamento circulava pelo Congresso de ‘forma clandestina’ antes da CPI; governo cobra origem

(…) Ao GLOBO, Álvaro Dias disse que o dossiê circulava de forma clandestina no Congresso, antes mesmo da CPI: — Não só eu tive acesso ao dossiê como muitos parlamentares e assessores também tinham conhecimento. Isso era motivo de comentário tanto na situação como na oposição. Esse dossiê circulava pelos corredores do Congresso de maneira clandestina, de forma sub-reptícia, não muito visual. Foi assim que eu tive acesso.

Comentário

Noblat colocou o elefante no meio da sala: Álvaro Dias admite que vazou o documento para a imprensa. Os jornais tentam esconder o elefante debaixo do tapete. Não dá, pessoal, não dá! Entendam que a Internet acabou com os pactos de silêncio.

A íntegra do “dossiê”

Clique aqui, para baixar a íntegra do documento do Blog do Noblat. É uma simples relação de gastos palacianos, todos perfeitamente justificáveis, nada que indique nada mais do que um cadastramento de despesas. É inacreditável como a mídia jogou todos seus esforços e arriscou mais uma vez sua credibilidade, essas semanas todas, para repercutir esse relatório.

enviada por Luis Nassif

25/03/2008 - 23:23h O fracasso do leilão da CESP

represa_tres_irmaos2.jpg

Blog de Nassif

A imagem de eficiência do governo Serra sai bastante arranhada desse episódio de tentativa frustrada de privatizar a CESP.

Primeiro, o governo do Estado agiu ideologicamente (e bairristamente) ao impedir a participação de estatais de outros estados no leilão. Com isso, reduziu a competição

Depois, não cuidou de eliminar problemas básicos de insegurança jurídica, como o prazo de concessões das hidrelétricas controladas pela CESP.

Também, não entendeu os movimentos de mercado. Com dois fatores de incerteza à vista, alguns bancos jogaram pesadamente em boatos para derrubar o valor da companhia e comprar na bacia das almas.

Finalmente, não avaliou os impactos da crise internacional no financiamento das concorrentes.

Tentei falar agora à tarde com Mauro Arce – o responsável pela operação – mas não foi possível. Como já estou na estrada, talvez consiga mais tarde pelo celular.

De qualquer modo, o mito da eficiência da equipe de Serra está abalado.

enviada por Luis Nassif

19/03/2008 - 23:42h Luiz Nassif sobre PHA

Alguns pontos a ponderar:

1. Há dois meses estou enfrentando o esquema mais barra-pesada que já atuou na imprensa brasileira. Nesse período todo, não houve nenhuma pressão da parte do iG. Em nenhum momento sofri qualquer espécie de veto ou restrição.

2. Houve um rompimento unilateral do contrato do iG com o Paulo Henrique. As duas partes têm sua dose de razão nas reclamações recíprocas, embora a forma como se deu o rompimento tenha sido desastrosa e deselegante.

3. Desejo todo sucesso do mundo ao Paulo Henrique – que, alias, me ligou hoje de manhã agradecendo a nota que coloquei sobre sua saída, assim como a menção ao novo endereço do seu site. Da parte do iG recebi ligação também informando que nada muda na liberdade com que o Blog tem atuado.

4. De modo algum o episódio pode ser interpretado como vitória do jornalismo de esgoto ou perda de espaço da blogosfera independente. O iG continua um espaço democrático. E Paulo Henrique sai bastante fortalecido com o episódio e as demonstrações de solidariedade e apoio que recebeu.

5. Aos leitores fiéis peço paciência e esforço para baixar a fervura.

enviada por Luis Nassif

21/12/2007 - 18:12h O segredo das pesquisas eleitorais

Luis Nassif

Se alguém tinha dúvidas sobre como as pesquisas eleitorais podem ser manipuladas, uma pequena matéria da “Folha” (que merecia destaque maior) demonstra.

A matéria fala de duas pesquisas do IBOPE sobre as eleições municipais de São Paulo. Em um dos levantamentos, divulgado pela TV Globo, Marta vence por 46% a 35%. Em outro, encomendado pela Associação Comercial de São Paulo (ligada a Kassab) ele vence por 47% a 38%. A diferença entre as pesquisas é de menos de um mês.

Qual o truque? No caso da pesquisa da ACSP, antes de perguntar sobre as intenções de voto, a pesquisa tinha oito questões sobre as obras de Kassab na cidade. Depois de lembrar (ou informar ) o leitor sobre as boas obras, sapecava a pergunta: em quem votaria?

enviada por Luis Nassif

leia também

Ibope dá 2 resultados sobre Marta e Kassab

Alencar Burti do “Cansei” e da Associação Comercial SP encomendou IBOPE por imagem de Kassab; e eu cansei de manipulação

30/07/2007 - 11:56h Aviso as Cassandras

O anti-lulismo e a anti-mídia

por Luis Nassif

A entrevista de Roberto Civita ao Jornalistas&Cia comprova a máxima: de onde nada se espera, nada vem. O que se tem, de um lado, é a grande imprensa apostando na radicalização. Perdeu o poder de derrubar presidentes; manteve o poder de influenciar amplas camadas na classe média.

É uma orquestração, que persiste há algumas décadas, e que só agora começa a sofrer algumas trincas dos novos meios de comunicações.

Há os veículos-âncora, que dão o tom e o toque. No momento, é o “Jornal Nacional”, jornal “O Globo” e a “Veja”. Depois, um subconjunto de grandes veículos que repercute: o “Estadão”, que, de qualquer forma, ainda tem uma linha própria; e a “Folha” que há alguns anos abriu mão de ser âncora para ir a reboque da “Veja”. De vez em quando se sente a “Folha” tentando recuperar o espaço perdido. Como o espaço que deixou não foi ocupado por ninguém, um pouquinho de racionalidade e de capacidade de pensar grande poderá trazê-la de volta ao eixo original.

Parte relevante dos colunistas políticos, e até de Variedades, continua prisioneira da “síndrome da indignação”. É uma armadilha que sempre pega gente mais insegura. O sujeito quer se identificar com seu leitor. Para tanto, tem que demonstrar indignação, indignação e indignação. Não lhe ocorre trazer explicações, análises. O que vale são os decibéis, que o igualam ao leitor. Tem audiência. No tempo de FHC, lembro-me de conversas com alguns colegas – que batiam diariamente em FHC – e que diziam que, no dia em que ficavam mais calmos, os leitores reclamavam. O problema

Esse estilo me embrulha o estômago há muito tempo. Não existe nada mais fácil e demagógico do que a indignação reiterada. A indignação é virtuosa quando isolada, quando a pessoa identifica um fato não notado e expressa sua indignação. É a maneira de chamar a atenção para o que não foi visto, é a expressão da surpresa, do espanto ante o inusitado. Quando se entra no “coral dos indignados”, na maratona de quem consegue ficar por mais tempo indignado, perde a nobreza, torna-se demagógica, previsível.

***

Não sei quanto tempo irá levar nessa situação. Concretamente, o que está ocorrendo é uma radicalização cada vez maior entre esse público da grande mídia e um amplo espectro que poderia ser denominado de anti-grande mídia – que, temo eu, seja mais amplo do que o arco lulo-petista, porque engloba pessoas que entenderam que não pode existir poder absoluto em um governo, mas também não pode existir na mídia.

Em uma sociedade de massa, a arrogância é veneno na veia. Sérgio Motta, grande político e brasileiro, tornou-se alvo quando seu estilo foi confundido com arrogância; Fernando Collor foi derrotado muito mais pela arrogância do que pelos abusos; FHC criou uma enorme resistência, muito mais por sua arrogância intelectual do que pelos seus atos; José Dirceu foi defenestrado quando permitiu que se disseminasse a imagem do super-poderoso.

Pois é essa mesma mídia, que nas últimas décadas, providenciou essa caça-ao-arrogante, que se deixou cair na armadilha da arrogância. Cada forçada de barra, cada manchete escandalosa, cada crítica mal-posta cria anti-corpos na hora – é só ler os comentários aqui no Blog.
Por outro lado, cada manifestação desse público midiático provoca uma contra-manifestação em igual ou maior força do público anti-midiático. E ai se complica. Os dois lados estão fervendo, radicalizados. Está-se criando um fosso no país, mesmo tendo na presidência da República um político fundamentalmente contemporizador.

***

O que ocorrerá, se esse clima persistir até as próximas eleições? Primeiro, inviabilizará qualquer candidatura de consenso. Candidatos que poderiam montar um grande arco de alianças de centro-esquerda serão expulsos do jogo. Havendo a radicalização, o candidato lulo-petista será aquele que desfraldar a bandeira anti-mídia: Ciro Gomes ou Roberto Requião. E o resultado será o confronto, que poderá ocorrer antes, durante ou após as eleições.

São tão óbvios esses desdobramentos que às vezes fico pensando em que país vive Roberto Civita.

enviada por Luis Nassif