15/11/2009 - 17:01h Mulheres marcadas


Obra esmiúça a história de campo de concentração nazista onde 117 mil prisioneiras foram mortas

EVA BLAY ESPECIAL PARA A FOLHA

Desvendar o Holocausto, negado pelos ignorantes, punir os nazistas assassinos foi um processo que só se aprofundou na Alemanha depois do julgamento de Eichmann [em 1961], disse Hannah Arendt. E quanto falta conhecer!
Sabia-se da presença de mulheres em todos os campos, mas não que houvesse um campo especialmente destinado a elas e a meninas forçadas ao trabalho escravo.
É o que nos revela Rochelle G. Saidel, em seu magnifico “As Judias do Campo de Concentração de Ravensbrück”. Ravensbrück era um campo só para mulheres. Rochelle Saidel, ao visitá-lo em 1980, constatou que se falava de todas as prisioneiras, especialmente das comunistas, e nada se dizia sobre as judias, mesmo as judias comunistas.
Por que essa omissão? Esclarecer esta questão se tornou seu objetivo. Durante 25 anos, coletou documentos, ouviu sobreviventes, judias ou não, pesquisou bibliotecas em vários países e voltou ao campo diversas vezes por ocasião das comemorações de sua libertação. Rochelle descobriu que, de cada 100 mulheres, pelo menos 20 eram judias. Os responsáveis pelo memorial do campo tentavam se desculpar pela omissão afirmando que faziam uma classificação pelas nacionalidades, e não religião. Paradoxo, pois as deportadas de cada uma das “nacionalidades” o eram em decorrência da condição judaica, mesmo as que tivessem aderido a outras religiões, e não devido à nacionalidade.
No campo havia comunistas, antinazistas, social-democratas, homossexuais, criminosas, prostitutas, ciganas, testemunhas de Jeová e judias. Construído por prisioneiros de campos de concentração próximos, Ravensbrück recebeu a primeira leva de mulheres em 18 de maio de 1939. A cada ano chegavam centenas de deportadas. Vieram de Polônia, Áustria, França, Bélgica, Holanda, Noruega, Iugoslávia e outros países ocupados. Um campo previsto para 3.000 mulheres chegou a ter 132 mil prisioneiras durante seus seis anos de existência.

Tifo e inanição
Mas a crueldade da morte por tifo, tuberculose, inanição ou monóxido de carbono dos escapamentos de caminhões não bastava e, em novembro de 1944, [o chefe da polícia nazista Heinrich] Himmler ordenou que se construíssem câmaras de gás em Ravensbrück.
Das 132 mil mulheres que passaram pelo campo, 117 mil foram mortas. A Cruz Vermelha resgatou 7.500 prisioneiras, enviando-as para a Suíça e a Suécia no último momento da dominação nazista. Quando o Exército russo libertou o campo, em abril de 1945, restavam 3.000 mulheres moribundas.
O livro descreve detalhadamente como as prisioneiras realizavam um trabalho escravo. Construíam estradas, formavam uma fileira como animais para carregar pedras do lago das circunvizinhanças e depois as esmagavam com um cilindro que exigia dez mulheres para ser movido; alinhavam as pedrinhas à mão pelos caminhos do campo. As mulheres trabalhavam também fora do campo: foram escravas da fábrica Siemens na produção de armamentos.
Fome, frio, total ausência de roupas adequadas ao rigoroso inverno, falta de sapatos se somavam a chibatadas e ataques de cães. Mulheres e meninas eram também enviadas para terríveis “experiências” médicas que ultrapassam o limite da razão.
Várias prisioneiras de Ravensbrück tiveram ligações temporárias ou permanentes com o Brasil e suas histórias são relatadas no livro. Elisabeth Saborovski Ewert, conhecida como Sabo, veio ao Brasil enviada pelo Comintern [a Internacional Comunista] para, junto com Prestes, atuar no Partido Comunista.
Presa, teve destino semelhante a Olga Benário Prestes; ambas foram enviadas num navio nazista, em 1936, para a Alemanha. Sabo passou no Brasil por prisões, tortura, foi estuprada diante do marido, acabou em Ravensbrück, onde teve de trabalhar terrivelmente, embora fosse tuberculosa, e seu corpo, apenas pele e ossos.
Quando desmaiou, carregando pedras, foi chutada e mordida pelos cães atiçados pelas guardas do campo. Apesar dos esforços das companheiras, não resistiu.

Vida no campo
A condição de gênero teve várias consequências distintas para homens e mulheres. O perigo dos estupros estava sempre presente. Mulheres grávidas eram mortas ou tinham seus bebês mortos, às vezes por elas mesmas para que não sofressem a vida torturante do campo.
Socializadas para o pudor, sofriam quando tinham de ficar nuas diante de homens e mesmo de mulheres do campo. Mas essa mesma socialização para o “cuidar” ajudou a preservar a dignidade e até a sobrevivência de algumas.
Mulheres preparadas para as tarefas domésticas enganavam a fome trocando receitas, fazendo pequenos presentes como um simples desenho, esculpindo uma escova de dentes, bordando um pequeno pano, lembrando um aniversário. Simples gestos ganhavam enorme significado.
Após o fim da guerra, Ravensbrück ficou sob a supervisão dos comunistas russos e depois da República Democrática Alemã. De início, o Memorial de Ravensbrück ressaltava o heroísmo das mulheres comunistas russas ou alemãs, ignorando inteiramente as judias -mesmo as que também eram comunistas. Só depois de 1995 se abriu um espaço para essas mulheres esquecidas, certamente obra da competente e persistente pesquisadora Rochelle Saidel.

EVA BLAY é professora titular de sociologia na Universidade de São Paulo e autora de “Assassinato de Mulheres e Direitos Humanos” (ed. 34).


AS JUDIAS DO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DE RAVENSBRÜCK

Autor: Rochelle G. Saidel
Tradução: Antonio de Pádua Danesi
Editora: Edusp (tel. 0/xx/11/ 3091-4008)
Quanto: R$ 59 (344 págs.)

20/07/2009 - 15:24h Virtude x vício

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Propaganda nazista contra o tabaco e Bogart acendendo um cigarro a Lauren Bacall

Denis Lerrer Rosenfield – O Estado SP

O Brasil tem vivido nos últimos anos, e particularmente nos últimos meses, uma invasão do que poderíamos chamar de politicamente correto. São Paulo encontra-se, agora, na iniciativa. Tal invasão vem acompanhada de uma série de medidas legais, sejam leis propriamente ditas, sejam atos administrativos como decretos, resoluções, portarias e instruções normativas que restringem cada vez mais a liberdade de escolha. O politicamente correto apresenta-se, então, como se fosse, moralmente falando, uma forma do bem que estaria enfrentando o mal, no caso, o mau comportamento. Tivemos, assim, uma avalancha de medidas contra o álcool e o fumo que são apresentadas como se fossem as expressões mesmas da virtude. Sua ampliação já é cogitada para vários alimentos considerados daninhos ao organismo, com diferentes graus de gorduras.

Importa ressaltar que o Estado patrocina essas medidas, impondo-as, de fato, aos cidadãos, como se pudesse arvorar-se em representante do bem, da virtude. O Estado arroga para si uma função que não deveria ser dele, pelo menos na perspectiva de cidadãos que exercem a sua liberdade de escolha, sendo, portanto, responsáveis por aquilo que fazem. O Estado termina por assumir uma função propriamente “ética”, ditando aos cidadãos o que deve ou não ser feito, sendo esse dever seguido de medidas jurídicas, tornando obrigatórios tais comportamentos, sob pena de multas e punições em geral.

Nada disso, no entanto, é muito novo. Embora seja normalmente atribuída a uma moda americana com origem nos anos 50-60 do século passado, a partir de pesquisas correlacionando o hábito do fumo, do álcool, de determinados alimentos e de radiações de aparelhos a certas doenças como câncer, cardiorrespiratórias e outras, sua origem remonta à Alemanha nazista. A ciência médica durante o nazismo não se caracterizou só pelas aberrações cometidas nos campos de concentração, na eugenia, na eliminação de “doentes”, do corpo e da alma, na discriminação racial, mas também por medidas que recomendavam – algumas obrigavam – aos cidadãos determinados comportamentos tidos pelos dirigentes nazistas como saudáveis para o corpo e a alma. Estava em questão aquilo mesmo que era considerado como devendo ser o bom alemão (sigo aqui o livro de Robert N. Proctor The Nazi War on Cancer, Princeton University Press, 1999).

Um slogan nazista utilizado sobretudo para os alimentos assim proclamava: “O seu corpo pertence à nação! O seu corpo pertence ao Führer! Você tem a obrigação de ser saudável! Alimento não é uma coisa privada.”

Ora, dentro dessa lógica, se o corpo do indivíduo pertence à nação, ele pertence a seu dirigente máximo, o Führer, que sabe, em sua onisciência, o que é melhor para todos os cidadãos. O Führer encarna a sabedoria; os cidadãos, a ignorância. A obrigação é a primeira de suas virtudes e a única forma que lhes é reservada de escapar do vício. A saúde do corpo deixa de ser algo individual, objeto de preocupação própria de cada um, e torna-se uma política de Estado, devendo ser simplesmente seguida.

A propaganda nazista não cessava de apregoar a virtude de seus dirigentes, ressaltando que Hitler era antitabagista, enquanto seus inimigos, como Churchill, Roosevelt e Stalin, eram adeptos do fumo, o primeiro, de charutos e os outros dois, de cigarros. Mussolini e Franco eram também não-fumantes. O Führer, ademais, era vegetariano, só comia carne em raras ocasiões, e tampouco bebia. Churchill, seu grande adversário, era renomado tomador de uísque e champanhe em grandes doses. E também não era adepto do vegetarianismo.

Na perspectiva nazista, assinalada em sua propaganda, Hitler era um homem virtuoso, que se dedicava a combater o vício, enquanto os seus adversários eram capitalistas ou comunistas degenerados, frutos de uma civilização decadente. Tratava-se, portanto, para ele, de fazer um resgate da virtude, em contraposição aos que se dedicavam ao vício. Em linguagem contemporânea, diríamos que Hitler era politicamente correto, enquanto os seus inimigos eram libertinos da pior espécie, não propriamente humanos. Eram os representantes dos sub-humanos, embora costumasse reservar mais propriamente essa expressão aos judeus, ciganos, homossexuais e comunistas.

É interessante observar que o álcool e o fumo são considerados enquanto doenças, na verdade, vícios civilizatórios de uma sociedade decadente, de um capitalismo corruptor do corpo e da alma, formas de expressão a serem banidas de um “estilo de vida liberal”. Ambos prejudicariam o desempenho no trabalho e a pureza do corpo, numa mistura de considerações sanitárias, trabalhistas, médicas e ideológicas. O tabaco, em particular, era tido como uma “praga”, uma “epidemia”, uma “bebedeira seca” e uma “masturbação do pulmão”. Também era considerado um “veneno”, uma forma do capitalismo (tobacco capitalism) e o “inimigo da paz mundial”. O ato de fumar era associado à depravação sexual, ao comunismo, ao judaísmo, à África e aos negros degenerados.

A palavra câncer funcionava como uma espécie de metáfora daquilo que deveria ser eliminado, seja um câncer de pulmão, provocado pelo fumo, sejam os judeus, que deveriam ser exterminados. A metáfora do câncer funcionava como um substituto do mal, que exigiria medidas públicas de saneamento, tanto podendo estas se traduzir por medidas raciais, pelo eugenismo, quanto por iniciativas tidas por de saúde pública. Em todo caso, surge, nessas diferentes modalidades, a ideia da criminalização: do alcoolista, do fumante, do judeu, do cigano e do homossexual. Alguns poderiam ser tratados, outros simplesmente eliminados. Um dos mais proeminentes médicos nazistas, Hans Auler, professor em Berlim, considerava o regime nazista como anticancerígeno: “É uma sorte para os pacientes alemães de câncer que o Terceiro Reich estivesse ele mesmo fundado na conservação da saúde alemã.”

Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia
na UFRGS. E-mail: denisrosenfield@terra.com.br

17/03/2009 - 15:48h Ute Lemper consagra todos os outsiders da canção e da literatura

Ute Lemper – Kurt Weill – “Die Moritat von Mackie Messer”, Kurt Weill; “Berlin, die Symphonie der Großstadt”, Walter Ruttmann (1927)

Cantora alemã faz show hoje com um repertório baseado na obra subversiva de Kurt Weill, entre outros

Ubiratan Brasil – O Estado SP


Quem traçar uma linha imaginária unindo as músicas provocantes de Kurt Weill, a sedutora interpretação de Marlene Dietrich e as clássicas canções de musicais da dupla Kander e Ebb, certamente vai fechar o círculo com o nome de Ute Lemper. A cantora alemã que há mais de dez anos vive em Nova York tornou-se a mais fiel representante do cabaré operístico, aquele que une dança e voz cristalina na apresentação de canções sensuais e políticas. Esse é o repertório que vai marcar a única apresentação de Ute em São Paulo, hoje à noite, na Sala São Paulo.

Trata-se do concerto que marca a abertura da temporada 2009 da Tucca, associação que trata de crianças carentes com câncer. Ute vai apresentar canções que se tornaram imortais na voz de Edith Piaf e Marlene Dietrich, mas, essencialmente será um concerto baseado na obra de Kurt Weill (1900-1950) – fiel parceiro de Bertolt Brecht, ele incendiou os palcos com uma escritura musical subversiva, confrontando especialmente o nazismo que abominava sua obra. Afinal, o que interessava para a dupla eram temas provocantes, como prostituição, jogatina, crise moral do capitalismo. “Como poucos, ele soube traduzir as paixões e as frustrações que assolavam a sociedade alemã que enfrentou a 2ª Guerra Mundial”, disse Ute ao Estado, em entrevista por telefone desde sua casa, em Nova York. Totalmente adaptada à sociedade americana, ela se prepara para musicar a obra de outro famoso contestador, o escritor Charles Bukowski.

Como vai ser o show em São Paulo?

Vou me apresentar com uma orquestra (a Sinfônica Municipal de São Paulo) e o repertório vai trazer Kurt Weill, Bertolt Brecht, Edith Piaf e um pouco dos musicais, ou seja, união de canções alemãs, francesas e americanas. Estou muito motivada pois nem conheço a orquestra tampouco o regente (Rodrigo Carvalho). Vai ser muito emocionante.

Mas, no momento, você vinha apresentando um show diferente em Nova York, não?

Sim, chamava-se Last Tango em Berlin, no qual cantava para um público pequeno, cerca de 85 pessoas, no Cafe Carlyle. Era um show que eu descrevia como uma viagem entre passado e futuro (título, aliás, de seu CD com músicas próprias), pois unia meu repertório habitual (Weill, Piaf) com o tango de Astor Piazzolla, além de tratar de questões atuais (Ute fazia um monólogo em que brincava com a política mundial). Ao mesmo tempo, eu terminava os últimos detalhes do álbum que devo lançar nos Estados Unidos e Canadá até o fim de março, que é o mesmo que saiu na Europa no ano passado, com canções minhas. Não sei quando vai ser lançado na América do Sul, tenho feito o possível para isso acontecer. E, para não perder o fôlego, já iniciei a preparação do meu próximo projeto, que será inspirado na literatura de Charles Bukowski.

Acredito, então, que você não tem mais tempo para pintar, outra de suas habilidades, não?

Realmente, não tenho mais tempo. Pintei muito até há três ou quatro anos, até o nascimento do meu filho caçula, Julian, que passou a tomar mais do meu tempo. E, como comecei a compor, as poucas horas que me sobravam eram dedicadas às aulas de piano e à criação. Mas continuo admirando os expressionistas e surrealistas.

Mas o que parece não ter mudado é sua intensa identificação com a obra de Kurt Weill.

É verdade, especialmente por sua importância para a cultura alemã. Mas o repertório de Weill marca minhas raízes musicais. Foi um capítulo particular da música popular da Alemanha – muito breve, mas que compreendeu o nazismo, o final da República de Weimar e todas as transformações sofridas pelo país, especialmente por ele, chamado de macaco e negro pelos nazistas. Uma época que ele traduziu, de forma única, as paixões e as frustrações que assolavam a sociedade alemã. Quando eu tinha 17 anos, fiz um curso na Áustria no qual aprendi muito sobre a obra de Weill. Continuei interessada mesmo depois de me tornar profissional. Assim, ao longo dos anos, assumi como missão reviver esse repertório, dar-lhe vida novamente. O que não é tão difícil, já que as canções continuam atuais, pois tratam das rachaduras da democracia moderna como a corrupção, falam da liberdade sexual e de expressão.

Mesmo assim você não pretende voltar a morar na Alemanha?

Não, pois vivo em Nova York há 11 anos, estou ambientada aqui, uma sociedade moderna e internacional. Antes ainda, morei em Londres e Paris. Atualmente, a Alemanha é alemã demais para mim (risos). Acho que não me habituaria mais a viver lá. Toda minha família continua morando na Alemanha e, quando os visito, eu me sinto uma imigrante (risos).

Você também deixou de dançar?

Sim, desde o momento em que me concentrei em trabalhar com a voz. Participei de diversos trabalhos envolvendo a dança, especialmente os musicais que apresentei na Broadway e em Londres. Hoje, o ato de dançar continua apenas em minha mente. Até me mantenho em forma, teria condições de executar alguns passos, mas não faz parte dos meus planos.

O mesmo se pode dizer de sua carreira no cinema?

Sim, a produção de um filme normalmente consome várias semanas do tempo de um ator, o que implica se afastar de outros projetos e, especialmente, da família. E, francamente, não tenho mais disposição para ficar longe dos meus três filhos. É preciso que seja algo que realmente me interesse, como um filme que devo rodar em maio, na França, chamado Deauville, com direção de Miguel Cruz. Mas será uma exceção e não mais a regra – quando eu era jovem, eu participava de tudo (filmava, interpretava musicais, fazia shows, gravava CDs). Agora, prefiro focar no que mais me interessa, que é minha carreira musical.

O que ela tem em comum com a obra de Charles Bukowski, que vai inspirar seu novo projeto?

Na verdade, sempre considerei fascinante o fato de o próprio Bukowski não considerar seus escritos como literatura. Para ele, o que escrevia não passava de um relato de sua vida miserável, que não interessaria a quase ninguém. Mas essa sensação de ser um outsider permitiu que ele observasse a sociedade com um olhar crítico e original. Não há máscaras em sua escrita. Sabe, em alguns momentos me faz lembrar Bertolt Brecht, que também jamais pretendeu ser considerado um poeta. Ambos buscavam apenas retratar as dificuldades de se viver em sociedade. Foi justamente essa linguagem crua, suja, realista que me fascinou a ponto de me inspirar a criar uma melodia para essas palavras. Ainda não está pronto, mas tenho certeza que resultará em algo muito interessante.

Serviço

Ute Lemper. Sala São Paulo (1.484 lug.). Praça Júlio Prestes, 16, Campos Elíseos. Ingressos só pelos tels.: 3057-0131, 3884-4921, 4003-1212. Hoje, às 21 horas. R$ 50 a R$ 120

As Influências Da Cantora

KURT WEILL: O compositor foi o fiel parceiro de Bertolt Brecht, com quem criou obras como A Ópera dos Três Vinténs, Réquiem Berlinense e Os Sete Pecados Capitais. Interessada em seu trabalho, Ute leu até os artigos desdenhosos dos nazistas sobre Weill.

CHARLES BUKOWSKI: Cínico, anti-herói e dono de um desprezo militante contra instituições, o autor (1920-1994) deixou obra irregular, notadamente ególatra e escrita à base de muito álcool. A linguagem crua, no entanto, incentiva Ute a compor o próximo trabalho.

MARLENE DIETRICH: Maior estrela do cinema alemão, crítica do nazismo, a atriz (1901-1992) foi transformada em mito da sensualidade pelo filme O Anjo Azul. Ute sempre a homenageia nos shows.

Set List

Padam Padam (Henri Contet/Norbert Glanzberg)
La Vie en Rose (Louisguy/Edith Piaf)
Gershwin Medley (George Gershwin)
Moondance (Van Morrison)
Die Moritat von Meckie Messer (Kurt Weill/Bertolt Brecht)
Song of Mandalay (Kurt Weill/Bertolt Brecht)
Sourabaya Johnny (Kurt Weill/Bertolt Brecht)
Pirate Jenny (Kurt Weill/Bertolt Brecht)
J”attends un Navire (Kurt Weill/Jacques Deval)
Youkali (Kurt Weill/Roger Fernay)
Saga of Jenny (Kurt Weill/Ira Gershwin)
I”m Stranger Here Myself (Kurt Weill/Ogden Nash)
Milord (Margerite Monnot/Georges Moustaki)
Cabaret (John Kander/Fred Webb)
All that Jazz (John Kander/Fred Webb)

Sujeito a alterações

Ute Lemper – Ghosts of Berlin

16/01/2009 - 23:10h Petistas divulgam carta sobre nota do partido em relação ao Oriente Médio

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16 de janeiro de 2009

Ao companheiro Ricardo Berzoini,
Presidente Nacional do PT,

Nós aqui subscritos, na qualidade de militantes do PT profundamente consternados com a tragédia que vem se desenrolando no Oriente Médio e com o número crescente de vítimas, inclusive de crianças, gostaríamos de manifestar publicamente desacordo com o teor da nota do Partido sobre o conflito, divulgada a 4 de janeiro corrente.

Em nossa visão, a nota posiciona equivocadamente o PT em relação a um conflito de notável complexidade, devido, em síntese, aos seguintes pontos:
i. ignora a posição histórica do Partido, que sempre se pautou pela defesa da coexistência pacífica dos povos;
ii. banaliza e distorce o fenômeno histórico do nazismo;
iii. não registra a necessária condenação ao terrorismo;
iv. não afirma o reconhecimento do direito de existência de Israel negado pelo Hamas;
v. não se coaduna com a posição equilibrada assumida pelo governo brasileiro sobre a questão; e
vi. queima, ao invés de construir, pontes para o entendimento.

Estamos convictos de que o Brasil, conforme propõe o Governo Lula e com base na convivência exemplar das duas comunidades em sua sociedade, pode contribuir para o engajamento das partes na busca de uma paz duradoura, baseada na coexistência pacífica de um Estado Palestino viável e próspero e de um Estado de Israel definitivamente seguro.

Nosso partido pode desempenhar um papel importante no aprofundamento do debate e na defesa, junto às partes e à sociedade brasileira, do caminho do cessar-fogo imediato e do desbloqueio da entrada de ajuda humanitária.

Assinam*:

Alberto Kleiman
Alexandre Padilha
Alfredo Schechtman
Aloizio Mercadante
Ana Copat Mindrisz
Carlos Minc Baumfeld
Clara Ant
Denise Rosa Lobato
Diogo de Sant’Ana
Edna Cassimiro
Esther Bemerguy de Albuquerque
Fernando Haddad
Fernando Kleiman
Itajaí Oliveira de Albuquerque
Ivo Bucaresky
Ivone de Santana
Jaques Wagner
José Genoino
Luciano Pereira da Silva
Marcelo Behar
Marcelo Zero
Marcos Damasceno
Maria Luíza Falcão
Marta Suplicy
Mauricio Mindrisz
Nadia Somekh
Paul Israel Singer
Paulo Moura
Paulo Vannuchi
Pedro Vieira Abramovay
Rômulo Paes de Sousa
Sergio Gusmão Suchodolski
Suzanne Serruya
Tarso Genro
Thiago Melamed de Menezes
Vitor Sarno
……………………………………….

*até o momento

08/01/2009 - 15:17h O debate faz parte da luta pela paz entre palestinos e israelenses

Reproduzo a seguir duas cartas trocadas entre o presidente da Conib (entidade representativa da comunidade judaica brasileira) e do presidente da ONG ABC Sem Racismo, sobre a intervenção militar na Faixa de Gaza.

Tenho reproduzido aqui alguns artigos para alimentar a reflexão dos leitores sobre o conflito no Oriente-Médio. Minha opinião está registrada em Paz em Gaza: uma solução complexa

LF

 

 

 

Prezado Senhor Cláudio Lottenberg,
Presidente da CONIB

Não sou um ativista anti-judeu. Ao contrário: sou um admirador da luta do povo judeu e de sua milenar história. Mais do que isso: me considero um parceiro do povo judeu na luta contra o racismo e qualquer espécie de discrimnação.
Mas, por favor, me responda: como é possível que um povo que há menos de cem anos foi vítima de crimes contra a humanidade como o holocausto praticados pelo nazismo, possa estar, precisamente hoje, repetindo os mesmos crimes, com a mesma crueldade, contra um povo inteiro – o palestino?
As imagens falam mais forte do que mil palavras e de nada adianta a propaganda do seu Exército mostrar ao mundo que se trata apenas de uma guerra contra o Hamas, a quem o seu Governo e Bush acusam de terrorista. Os mortos, às centenas, senhor Lottenberg, são na sua maioria civis – homens, mulheres e crianças desarmadas.
Como explicar esse crime às gerações futuras, senhor Lottenberg? Como poderá o povo judeu continuar falando de holocausto, quando transformou a Palestina, há décadas, em verdadeiro campo de concentração, com todos os requintes a que a crueldade humana pode chegar? Porque o seu Exército e os seus Governos sistematicamente, sob proteção americana, descumprem Resoluções da ONU que asseguram o direito inalienável do povo palestino ao seu Estado, onde possa viver em paz e em segurança? Por que o seu Governo recusa-se ao cessar fogo proposto pela União Européia? É apenas para ganhar tempo para perpretar o massacre contra civis indefesos?
Estamos todos cansados, senhor Lottenberg, da sua propaganda. Quando jovem eu e muitos da minha geração ficamos alarmados com as imagens de Sabra e Chatila, o senhor se lembra? Também lá, homens, mulheres e crianças palestinas foram vítimas de um verdadeiro massacre, praticados sob o comando do seu Exército. Na época, senhor Lottenberg, o Hamas sequer existia.
Assim como não há propaganda capaz de apagar as imagens da resistência judaica no gueto de Varsóvia; assim como não há palavras para descrever os sofrimentos do seu povo, Senhor Lotenberg, nos campos de concentração sob o nazismo; tampouco há propaganda e ou palavras que possam apagar os crimes contra a humanidade que hoje são praticados à luz do dia e sob as câmeras de TV pelo seu Exército. Protegido, apoiado e amparado pelas vítimas de ontem!
Chega! Basta de mentira e de hipocrisia!
Cordialmente,
Dojival Vieira
Jornalista Responsável pela Afropress – www.afropress.com
Presidente da ONG ABC SEM RACISMO
Fones: 9647-7322

Resposta do presidente da CONIB

Prezado Senhor Dojival:

Agradeço que me escreva e fico feliz que o senhor seja um admirador, como assim se manifesta, do povo judeu e de sua historia milenar, colocando-se como um verdadeiro parceiro na luta contra o racismo.

Ao tomar a liberdade de me escrever também tomo à liberdade de lhe contestar a luz da sugestão de que o senhor aprofunde o seu conhecimento no sentido de admirar de forma consistente, baseado em fatos concretos, e não alimentado por informações isoladas e não verdadeiras como o senhor aqui coloca.

A historia relativa ao Estado de Israel tem dados sobre os quais eventualmente o senhor desconheça. Em 1948 este Estado foi criado com a participação decisiva do brasileiro Osvaldo Aranha e, desde então uma longa historia vem acontecendo. Acordos são realizados e desrespeitados, diálogos são interrompidos e acredite que nos desaponta muito que o caminho da paz ainda não tenha sido atingido.

Comparar a situação da Faixa de Gaza com o Holocausto reflete um desconhecimento absoluto acerca dos dois episódios. O Holocausto foi fruto de uma indiferença de uma sociedade que condenou um povo à morte, liderado por um grupo minoritário. Este povo não caminhava com morteiros, não lançava foguetes e não matou civis, como é o caso daquilo que ocorreu na faixa de Gaza. Estes civis que morreram no Holocausto não morreram por serem terroristas ou por quererem a exterminação de um povo. Morreram por serem judeus.

Em 2005, Israel se retirou da Faixa de Gaza e entregou conforme acordado a região a Autoridade Palestina. Esta foi aos poucos lateralizada pelo braço terrorista Hamas, que é assim denominado pela União Européia e pelos EUA que progressivamente iniciou estimulado pelo Iran, um processo de agressões sistemáticas aos israelenses, moradores da região vizinha a Faixa de Gaza. Foguetes e morteiros eram lançados diariamente, civis assassinados e Israel inutilmente avisava que tomaria medidas caso isto não fosse interrompido. O Hamas, braço terrorista, coloca claramente que com Israel não há dialogo e que Israel deve ser destruído, e que, portanto mesmo os acordos previamente realizados não têm valor. Optou, portanto, em manter os ataques aos civis e aí, efetivamente, não haveria alternativa que não aquela tomada legitimamente de defesa. Cabe a toda estrutura de Estado garantir a segurança de seus cidadãos e exigir que seus vizinhos tenham um comportamento adequado. Portanto deixo claro ao senhor que a comparação com o Holocausto é no mínimo um reflexo de falta de sensibilidade, de desrespeito e que suas informações sobre a Faixa de Gaza são incompletas e fruto de manchetes de jornal isoladas de um contexto maior.

Quero lhe dizer mais uma coisa. Sou brasileiro e, portanto peço ao senhor respeito, pois meu julgamento é acerca de um comportamento de uma situação internacional, mas o meu governo é o governo brasileiro assim como o seu. Portanto, faça suas observações, mas não me cobre como o senhor assim o faz, pois a minha contribuição junto a este país tem sido enorme bastando que o senhor levante parte das atividades que desenvolvi. Acho que este cuidado que o senhor não teve, reflete o perfil de uma pessoa que por sua posição deveria ser um pouco mais justa e informada na maneira de se dirigir a um cidadão.

Eu, pelo contrario. Tomei o cuidado de ver suas contribuições, saber sobre o seu passado e se respondo é porque uma pessoa como o senhor merece minha atenção e quem sabe um pouco de compartilhamento de meu conhecimento para quem sabe rever seus pontos de vista.

Aprendi em minha vida que certas atitudes têm importância compensatória, pois são momentâneas. Elas passam mais rapidamente e são pontuais. Existem outras que são estruturantes, por trazerem propostas que a médio e longo prazo mudam situações para sempre. Ao escrever-lhe, peço que não tome minha resposta como algo para o momento, mas sim que dentro do espírito de união e de entendimento, que marca a relação entre as nossas comunidades, o senhor se proponha a entender o contexto que fez com que Israel legitimamente defendesse seus cidadãos.

Cordialmente,

Claudio Lottenberg

08/01/2009 - 09:51h A Hitler o que é de Hitler

 

por Marcos Guterman* – Blog O Estado de São Paulo

Guerras, por definição, sinalizam rupturas. Enquanto a diplomacia oferece portas de saída, o conflito armado só se justifica pela decisão de destruir o inimigo e aquilo que ele representa. E a destruição não pode ser apenas militar ou material; ela tem de se dar também, e sobretudo, no campo moral. O conflito que simboliza melhor esse conceito é a Segunda Guerra Mundial, que passou à história como a luta contra o mal absoluto, resumido no nazismo. Hitler e sua ideologia insana tornaram-se paradigmas daquilo que deve ser combatido sem trégua e sem quartel, em nome da humanidade. Por isso, mesmo passadas seis décadas do fim do conflito, o nazismo continua sendo a referência mais implacável que alguém pode usar quando pretende desqualificar completamente seu inimigo no campo de batalha da opinião pública e da justificativa moral. O caso da presente guerra entre Israel e Hamas mostra justamente os exageros dessa retórica.

Em artigo publicado no Wall Street Journal, o líder da oposição israelense Benjamin Netanyahu comparou os ataques do Hamas no sul de Israel à blitz aérea promovida pela Alemanha de Hitler contra Londres. Já do lado palestino, Mustafa Barghouti escreveu um texto no jornal egípcio Al-Ahram, a respeito da ofensiva israelense, cujo título é “A Guernica dos palestinos”, em referência ao dramático bombardeio nazista contra essa cidade espanhola em 1937.

Trata-se de um óbvio exagero, de ambos os lados, e é um exagero calculado. Ao igualar os palestinos aos nazistas, Netanyahu simplifica grosseiramente o quadro com o objetivo de invocar, no imaginário israelense, o pesadelo da “solução final”. Não é possível, em qualquer sentido, dar pesos semelhantes às forças nazistas e ao limitado poder de fogo do Hamas, ainda que este, a exemplo de Hitler, tenha como objetivo eliminar os judeus. Netanyahu, além disso, se esquece de informar que os palestinos vivem em situação de desespero – que gera grandes ressentimentos – em parte como resultado das ações brutais e dos erros de Israel ao longo de mais de 40 anos de ocupação, com laivos de apartheid.

Barghouti, por sua vez, recorre à velha fórmula anti-semita de comparar os israelenses aos nazistas. É uma fórmula de duplo objetivo, ambos perversos. Primeiro, iguala a vítima ao seu maior algoz, um algoz que reduziu a população judaica na Europa de 9,5 milhões para 3,5 milhões de seres humanos em menos de dez anos. Ele poderia ter comparado os israelenses aos americanos, por exemplo, mas isso não teria o efeito desejado, qual seja, o de ligar os judeus ao mal absoluto. O segundo objetivo da fórmula é diminuir a importância e a singularidade do Holocausto, para então adaptar a impactante imagem do extermínio em massa perpetrado pelos nazistas a qualquer outra circunstância conveniente – por exemplo, a morte de palestinos por israelenses.

A retórica que Netanyahu e Barghouti aplicaram, em lugar de explicar o conflito, obscurece ainda mais o já complicado quadro das tensões no Oriente Médio. Argumentos desse tipo podem até fazer um grande sucesso entre gente oportunista e panfletária – um bom exemplo foi a grosseira nota em que o PT acusou os israelenses de “prática típica do Exército nazista” –, mas eles definitivamente não ajudam a entender a crise nem muito menos a construir pontes para sua superação. Para o bem do debate, deixemos a Hitler o que é de Hitler.

Marcos Guterman é historiador e jornalista de O Estado de S.Paulo

09/11/2008 - 10:01h A noite dos cristais

Documentario preparado pela FIERJ

08/11/2008 - 18:40h Seita, sexo e chantagem

Fascinante aventura onde a intriga combina uma poderosa família alemã, uma seita italiana e uma inacreditável história de chantagem. Parece um filme ou uma novela digna do grande público, mas é uma história real.

‘Lady BMW’ cayó en las garras del gigoló

Susanne Klatten, heredera de la empresa automovilística alemana, fue extorsionada por un amante que le amenazó con difundir grabaciones de sus escarceos sexuales

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Susanne Klatten, “Lady BMW”

JUAN GÓMEZ – El País

08/11/2008

Helg Sgarbi tiene un don para las mujeres. Más exactamente, para las millonarias. Oficial del Ejército suizo, licenciado en Derecho, conserva a sus 43 años un aspecto juvenil y cultiva un encanto indefenso que conmueve a mujeres maduras y poderosas. Mujeres como Susanne Klatten, de 46 años, heredera de la empresa automovilística BMW, cuyo patrimonio se estima en 8.000 millones de euros. Esta madre de familia, rubia, delgada y discreta, célebre por su timidez, ha declarado a la policía italiana que Sgarbi, “un hombre fascinante de ojos azules, alto y delgado”, le pareció enseguida “muy triste y digno de que lo ayudaran”. Nada más conocerlo en el bar de un hotel de la ciudad austríaca de Innsbruck, sintió una “gran cercanía”. Era el 17 de agosto de 2007 y, sin que ella lo supiera, acababa de caer en la trampa de una red de chantajistas.

Meses más tarde, Ernano Barretta, acaudalado gurú de una secta local de los Abruzos, en Italia, reconoció, en una conversación grabada por la policía, cuál fue “el mayor error” de su vida: Susanne Klatten, lady BMW, la mujer a la que habían pedido 50 millones de euros a cambio de no divulgar vídeos de su adulterio, no cedía. “¿Tienes idea de quién es? ¡Es demasiado poderosa! ¡La mujer más rica de Alemania!”.

Desde que, hace una semana, salió a la luz el chantaje de Sgarbi y Barretta, la heredera de BMW y el gigante químico Altana es, además, la protagonista pública de una historia de infidelidad, engaños, extorsión y lavado de cerebro con cuyo argumento, de puro rocambolesco, costaría arreglar una ficción verosímil.

El gigoló Helg Sgarbi mantuvo relaciones íntimas con Klatten durante ocho semanas. Ahora se sabe que ella sólo fue el pez más gordo que picó el anzuelo de Barretta, del que Sgarbi era el cebo por convicción religiosa.

Ernano Barretta, ex mecánico, charlatán milagrero, es el gurú de la pequeña secta a la que son adeptos Sgarbi y su esposa, Gabriele (de 39 años). Barretta, de 63 años, tiene el refugio Valle Grande, un hotel en Pescosansonesco (Italia), donde sus discípulos trabajaban para él. Además de prestarle servicios sexuales a su capricho, los creyentes debían proporcionar a Barretta determinadas cantidades de dinero. Cuando Sgarbi, abandonados ya su apellido de soltero y su trabajo en el banco Credit Suisse, no pudo satisfacer las demandas financieras, el líder le encargó la caza de millonarias para su extorsión.

La denuncia presentada por Klatten contra su ex amante Sgarbi destapó la trama urdida por el grupo sectario de Barretta entre Zúrich y la localidad italiana de Pescosansonesco para chantajear a mujeres maduras y millonarias. Haber caído en ella le costó a Klatten más de siete millones de euros y, ahora, la publicación mundial de su torpeza. Apenas un año después de que un documental desvelara el pasado nazi de la fortuna familiar, su infidelidad asesta otro grave estacazo a la proverbial discreción de uno de los clanes industriales más poderosos del mundo, los Quandt, del que Klatten forma parte.

Todo empezó el 17 de agosto de 2007 en Innsbruck. El galán Sgarbi abordó a Susanne Klatten. La reconoció por alguna de las escasas fotos que existen de ella en Internet. Empezó así la inopinada amistad entre Susanne Klatten, casada y madre de tres hijos, modelo de discreción y sobriedad, y el sectario cazafortunas Helg Sgarbi. Unos días más tarde se reunieron en la habitación 629 del Holiday Inn de Múnich-Schwabing. Nada de lujos asiáticos: el precio medio para dos personas en este hotel de cuatro estrellas, sin minibar ni suplemento confort, es de 109 euros. Desde la habitación contigua, Barretta grababa con una cámara oculta el apasionado encuentro sexual. Esta excursión al adulterio de clase media fue sufragada, sin duda, por Sgarbi. Klatten no sospechaba que, ya desde el primer día, el delincuente había reservado la habitación 630 para que su compinche Barretta manejara desde allí la cámara de vídeo.

Fueron ocho semanas de “relación sentimental”, en palabras de Klatten. Una serie de citas en el Holiday Inn, todas grabadas; una excursión alpina que les proporcionó “días inolvidables” y una salida a Francia. El galán no tuvo que esforzarse demasiado para obtener la simpatía de Klatten, que demostró un natural generoso para su patrimonio, estimado en 8.000 millones de euros.

Cierto día, Sgarbi narró la más grave de sus lastimosas historias. Le contó a su amante que había atropellado a un niño en Estados Unidos. Para mayor desgracia, era el hijo de un mafioso. Le hacía falta mucho dinero para evitar que le asesinaran como venganza. La mujeraccedió a prestárselo y le citó el 11 de septiembre de 2007, de nuevo en el Holiday Inn de Múnich, pero esta vez en el garaje, donde sólo pasaron de mano en mano siete millones de euros. Barretta se entusiasmó cuando Sgarbi le entregó aquel “metro cúbico” de billetes de 500 euros.

El 9 de octubre, Susanne Klatten decidió acabar con los encuentros. Así se lo dijo a Sgarbi. Pero éste le envió un mes después un DVD con “imágenes explícitas” de sus citas. Pedía 49 millones de euros y amenazaba con distribuir grabaciones comprometedoras en las empresas, fundaciones y organizaciones en las que ella tiene parte. Si bien es de suponer que alguien tan rico como Klatten siempre cuenta con que puedan quererlo por su dinero, el chantaje enfureció a la empresaria. Klatten quedó en enero pasado con Sgarbi para entregarle el dinero y, antes de que llegara al lugar convenido, el donjuán estaba en manos de la policía austriaca. Diez meses después, medio mundo conoce los detalles de la historia.

La acaudalada Susanne Klatten, nacida Quandt en 1962, está casada con Jan Klatten y, tras la muerte de su padre en 1982, controla el 50,1% de Altana y el 12,5% de BMW; junto con su madre y su hermano Stefan, entre los tres son dueños del 47% del grupo automovilístico. El jueves pasado, Klatten anunció su intención de hacerse con el resto de Altana por 910.000 millones de euros. Sólo los dividendos de estos dos grupos empresariales añaden cada año cientos de millones de euros a su patrimonio. El año pasado, Altana pagó 2.400 millones de euros a su propietaria. La revista norteamericana Forbes, famosa por las listas de personas ricas, incluyó en enero pasado a Susanne Klatten en un reportaje titulado Los multimillonarios de los que usted nunca ha oído hablar. Aparte de su fortuna, el rasgo que mejor ha definido durante décadas a la familia Quandt es la discreción. La riqueza no es nada nuevo para ellos, tampoco los divorcios y las infidelidades; la publicidad, sí.

Rüdiger Jungbluth, autor de La caja fuerte de BMW (Ed. Lid, 2006), es uno de los escasos periodistas que ha entrevistado a los dos herederos de BMW, Stefan y Susanne, hijos de Herbert Quandt y de la mujer con la que éste casó en terceras nupcias, hasta ese momento su secretaria, Johanna Brunn -que hoy cuenta con 82 años-. La impresión de primera mano que obtuvo sobre Klatten se corresponde con lo poco que se sabía de ella antes de su aventura con Sgarbi: “Extraordinariamente disciplinada, extraordinariamente cuidadosa, dedicada al trabajo y del todo reacia a participar en lo que llaman jet-set”. De estos rasgos de carácter y de su biografía, que él conoce bien, el periodista Jungbluth deduce que las experiencias de esta semana “deben de estar siendo horribles para ella”.

Jungbluth, que reconoce “cierta simpatía” por la heredera, cuenta cómo, una vez obtenido su máster de negocios en una prestigiosa escuela de Lausana, Klatten quiso familiarizarse con su empresa. Bajo el seudónimo de Susanne Kant, trabajó como becaria en la planta de BMW de Ratisbona. Allí conoció al ingeniero Jan Klatten, su actual marido. Desde la boda, en 1990, Klatten se ha dedicado a la administración de sus empresas. Paga los impuestos en Alemania y hace donaciones periódicas a la Unión Demócrata Cristiana (CDU), el partido de la canciller Angela Merkel.

La discreción de los miembros más jóvenes de la familia responde también a que pasaron su adolescencia durante los años de plomo del terrorismo de izquierdas alemán. Jürgen Ponto, banquero asesinado por la Baader-Meinhof en 1977, era buen amigo de Herbert Quandt.

“Vivimos con total normalidad, como muchas otras familias”, decía Johanna Quandt en el documental El silencio de los Quandt. Según se mire. Precisamente la retransmisión de ese documental, hace ahora un año, puso a la familia Quandt en boca de millones de alemanes. La dramática cinta muestra las estrechas relaciones entre el patriarca Günther Quandt y el régimen nazi, con el que también colaboró el propio Herbert. Los negocios de su antecesor habían vivido durante la dictadura de Adolf Hitler unos años excelentes debido al rearme y a la utilización de trabajadores esclavos en AFA (después Varta), la empresa familiar por aquel tiempo, que llegó a contar con un campo de concentración propio para una planta de Hannover. La reacción de los Quandt ante la difusión de estos hechos históricos fue tardía y, para sus críticos, poco convincente. El montaje del documental contrapone el llanto de un superviviente con la frialdad algo obtusa de Sven Quandt. El hermanastro de Susanne y primer hijo varón de Herbert exhibe tranquilamente su falta de conmiseración por las miles de víctimas de las inhumanas condiciones de trabajo en fábricas de su padre durante el nazismo. El devastador efecto permite al espectador explicarse por qué Susanne y Stefan prefieren no abrir la boca.

La fortuna de los Quandt se remonta a principios del siglo pasado y a la industria textil prusiana. Herbert Quandt, casi ciego por una enfermedad de retina, pasó sin muchos problemas la desnazificación impuesta por los aliados. Su militancia dentro del NSDAP de Hitler y los horrores del campo de concentración de Hannover no impidieron que retomara sus actividades industriales después de la guerra, igual que hizo su hermanastro Harald, a quien un providencial encierro británico le alejó del suicidio de su madre, Magdalena, que se había divorciado de Günther para casarse años más tarde con el ministro nazi de Propaganda, Josef Goebbels. Antes de suicidarse por miedo al avance del Ejército Rojo hacia Berlín, el matrimonio Goebbels asesinó a sus seis hijos comunes, hermanastros de Harald.

La compra de BMW en 1959 fue el golpe maestro de Herbert, que legó el consorcio a su última esposa y a los dos hijos que tuvo con ella. Susanne y Stefan Quandt nunca han concedido una entrevista regular a periodistas de ningún medio. De su imagen modesta y estilo de vida se dice que se corresponden con la legendaria tacañería familiar. La dueña del 12,5% de BMW conduce un Mini, el automóvil más pequeño de los que fabrica su empresa.

En un pueblo italiano de Los Abruzos, Ernano Barretta llevaba hasta el pasado junio un tren de vida bien distinto. Barretta, autoproclamado “instrumento divino”; su esposa, Beatrice Batschelet (60), y sus hijos Marcello (31) y Clelia (35), convivían en un ostentoso hotel de su propiedad conocido en la región como El Principado. Los Barretta usaban 10 automóviles de las marcas más caras: Lamborghini, Rolls-Royce, Ferrari y Porsche. En Pescosansonesco no rigen los mismos criterios que en la casa de Klatten. Ochenta policías italianos allanaron el recinto en la Operación Secta en junio y se incautaron de 1,7 millones de euros repartidos en escondrijos diversos. Mientras, su peón Sgarbi, el gigoló por encargo, vivía con suma modestia.

Los italianos descubrieron que la extorsión a Klatten no fue la primera: la fortuna y las posesiones del charlatán -decía que podía caminar sobre las aguas y que era el representante de Dios en la tierra- provienen de al menos otras cuatro víctimas de las maquinaciones de Barretta y los encantos de Sgarbi. Como primera reacción a su encarcelamiento, Barretta sostuvo que el chantaje a Klatten fue una venganza por el abuelo de Sgarbi, que, según él, era judío y pasó por un campo de concentración.

Según el portavoz de los Quandt, Klatten decidió denunciar a Sgarbi cuando se percató de que la relación sólo tenía un trasfondo criminal y de que fue exclusivamente venal desde el principio. Lo interesante de esta explicación es que puede inferirse que Klatten había partido de un supuesto amoroso cuando conoció al agente de la secta de Barretta. Diversos medios se han lanzado a buscar explicaciones a su inusitado comportamiento. Tanto el periódico suizo Tagesanzeiger como el alemán Bild consultaron a sendos psicólogos. Comparan a Sgarbi con el libertino vizconde de Valmont. Se habla del sexo, del hipotético enamoramiento de Klatten, de la soledad del poderoso…

‘Lady BMW’ cayó en las garras del gigoló’ es un reportaje del suplemento Domingo del periódico El País

18/06/2008 - 18:21h Violência dos sentidos nas telas de Max Beckmann

Irmã e irmão

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Max Beckmann é um expresionista alemão e artista gráfico cujas obras transmitem uma visão pessimista da sociedade. Nasceu na Alemanha, em Leipzig, em 1884 e estudou na Academia de Belas Artes de Weimar; as suas primeiras obras são de estilo impressionista. A sua dramática experiência como ajudante no corpo médico durante la I Guerra Mundial, levou-o a pintar obras enérgicas e de grande dramatismo, caracterizadas por contornos muito marcados, colorido forte e violência implacável. Tal como as obras do movimento Nova Objectividade (Neue Sachlichkeit), os seus quadros expressavam uma crítica social à Alemanha do pós-guerra. Na década de 1930, Beckmann refletiu a sua consternação pela ascensão do nacional-socialismo em nove trípticos, que são gigantescas alegorias figurativas com cores estridentes, como A Partida (1932-1933, Museu de Arte Moderna, Nova Iorque). Beckmann pintou esta obra imediatamente depois que os nazis o destituíram do cargo de professor de arte na Escola de Arte Städel, de Frankfurt, por ser considerado artista degenerado. Em 1937 emigrou para Amsterdão ao saber que a sua obra iria ser exposta como arte degenerada numa exposição nazi. Em1947 mudou-se para os Estados Unidos. Entre 1947 e 1949, foi professor na Universidade Washington de Saint Louis (Missouri), lugar que abandonou para ir para Nova Iorque, onde morreu no ano seguinte. Fonte O século prodigioso

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Cristo e mulher em adultério – 1917
Óleo sobre tela

149.2 x 126.7 cm.

 

 

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Retrato de família – 1920
Óleo sobre tela
25 5/8 x 39 3/4″
Museum of Modern Art, Nova Iorque

 

 

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Ponte de ferro – 1922
Óleo sobre tela
120.5 x 84.5 cm.
Kunstsammlung Nordrhein. Dusseldorf

 

 

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Lido – 1924
Óleo sobre tela
72.5 x 90.5 cm.
St Louis Art Museum. St Louis

 

 

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Lirios Negros – 1928
Óleo sobre tela
74.9 x 41.9 cm.
Coleccão privada

 

 

 

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Quappi – 1934
Óleo sobre tela
139.5 x 59.5 cm
Museum of Modern Art, Nova Iorque

 

 

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Inferno de Pássaros – 1938
Óleo sobre tela
120 x 160 cm.
St. Louis Art Museum. St. Louis

 

 

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A tarde – 1946
Óleo sobre tela
89.5 x 133.5 cm.
Museum am Ostwall. Dortmund

 

 

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The Argonauts – 1949-50
Óleo sobre tela
Tríptico, painel central- 80 1/4 X 48″
Paineis laterais74 3/8 X 33″
Colecção privada, Nova Yorque

04/06/2008 - 13:24h Ciganos são bode expiatório

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Gilles Lapouge* – O Estado de São Paulo

Tempos horríveis estes para os ciganos italianos, principalmente os chamados “romas”, de origem romena. O premiê italiano, Silvio Berlusconi, acaba de conceder poderes extraordinários para os chefes de polícia de Roma, Nápoles e Milão fazerem um novo censo dos ciganos e expulsarem os que têm problemas com a Justiça.

Será que Berlusconi tem o direito, na União Européia, de perseguir as pessoas desse modo? Os romas são três quartos romenos e um quarto italianos. Portanto, são cidadãos da UE e não podem ser detidos ou expulsos. Mas Berlusconi não está nem aí com isso. Bruxelas se comoverá com a sorte deles? Isso não é tão certo, embora seja desejável.

As medidas contra os ciganos têm precedentes assustadores. Em 1939, sob o nazismo, eles foram tachados de “raça inferior”. Cerca de 30 mil foram expulsos para o Leste e começaram os massacres e o confinamento em guetos. Em 1942, Heinrich Himmler, chefe da SS, deportou os ciganos alemães para campos de concentração.

As medidas de Berlusconi não têm nenhuma relação com tais horrores. Mas não podemos deixar de nos sentir chocados ao ver as mesmas pessoas perseguidas pelo mesmo “crime”: o de pertencer a uma determinada etnia. Pode-se até explicar o gesto de Berlusconi: a Itália padece. A crise é feroz. Nápoles, incapaz de administrar o próprio lixo, apodrece ao sol. Em casos semelhantes, todo líder procura um bode expiatório. O que Berlusconi tinha à mão era o povo cigano.

Sem desculpar Berlusconi, é preciso reconhecer que tal comportamento não é exclusivo dele: em 2007, seu predecessor, Romano Prodi, que não é de direita, mas de centro-esquerda, baixou um decreto que lhe permitiu expulsar ciganos.

A maldição que recai sobre os ciganos também é antiga. Eles deixaram seu berço, a Índia, na Antigüidade, e espalharam-se pela região do Mediterrâneo. Tinham uma fama detestável: os gregos os apelidaram de “intocáveis”.

Nas sociedades modernas, a sorte dos romas italianos mostra que o problema da imigração não pára de se agravar. A crise intensifica o ódio pelos imigrantes, esses sujeitos que vêm “tirar o nosso emprego”. Os países europeus endurecem suas leis, expulsam, separam as famílias, desprezam. Hoje, a Europa, que por muito tempo deu lições de direitos humanos, não exibe um rosto bonito. Ela é feia. Em todas as capitais, afiam-se as armas contra os imigrantes. O código civil é reformulado. A imigração é tratada como crime.

Evidentemente, não podemos esquecer que a imigração em massa representa um desafio. Mas a solução não é lotar aviões fretados, como faz o presidente francês, Nicolas Sarkozy. É necessária na Europa uma política de imigração firme, coerente, diferente das histerias anticiganas de Berlusconi. Uma política que tenha dois pilares: no interior, a solidariedade e a integração; no exterior, acordos de cooperação com os países de emigrantes.

*Gilles Lapouge é correspondente em Paris

http://sirolopez.com/fotografia/fotos/Ninos/gr/Ninos-gitanos.jpg

06/05/2008 - 20:00h A felicidade sob a ocupação


Blog A Francesa de Mário Camera

Do lado de fora da Biblioteque Historique de la Ville de Paris (BHVP) caem gotas frias de uma primavera que não se esforça para chegar. Do lado de dentro, penduradas na parede, três jovens francesas sorriem para uma lente que já não existe mais. Bem vestidas e bem penteadas por trás de modernos óculos de 1943. O sol bate em seus rostos. Elas estão felizes e a França, ocupada pelos nazistas.
A mais polêmica exposição dos últimos tempos em Paris traz dezenas de fotos da capital feitas por André Zucca durante o período da ocupação (1940-1944). O que se vê é alegria, elegância e uma vida que parece ter sido inventada para uma bizarra colagem dentro de uma Europa sangrando por causa da Segunda Guerra Mundial.
Antes da ocupação, Zucca trabalhava para várias publicações, entre elas a Paris Match. Quando a França capitulou, ele foi “convocado” pelos nazistas para ser fotógrafo da Signal, publicação bimestral que circulava pelos países dominados pelo Terceiro Reich. A colaboração com o regime nazista é uma das acusações dos detratores da exposição. O que não se vê nas fotos de Zucca é a outra. Filas para comprar comida, execuções de resistentes, abrigos antiaéreos lotados não estão pendurados nas paredes da BHVL.

 

André Zucca/Divulgação Marie de Paris

A exposição “Des Parisiens sous l’occupation” está dividida por bairros e nenhuma das fotografias foi publicada na Signal. Entre as salas, aparecem cartazes de filmes franceses exibidos durante a ocupação. Não é difícil encontrar oficiais nazistas, com seus uniformes cinza, passeando durante o que parece ser um ensolarado domingo de primavera.
É estranho percorrer as ruas de Paris nas fotografias de Zucca. Os clichês contrastam ruas vazias e aglomerações estivais em torno do Sena. Enquanto uma velha judia caminha por uma quase deserta Rue de Rivoli portando uma estrela de David costurada na roupa, dezenas de pessoas se espremem em uma piscina montada na beira do rio.
Diante do bombardeio de críticas causado pela felicidade, o prefeito da capital, Bertrand Delanoe, decidiu entrar no jogo e cedeu, em parte.

 

André Zucca/Divulgação Marie de Paris

Os cartazes que promoviam a exposição foram retirados das ruas, o nome da mostra foi trocado e o visitante recebe um aviso antes de entrar na sala. Um texto traduzido em cinco idiomas explicando que o que se vê emoldurado é apenas uma parte da sociedade aproveitando os anos de ocupação. As medidas só fizeram crescer a curiosidade pela mostra. A pequena BHVP estava lotada na última terça-feira.
Des Parisisiens sous l’occupation toca em um assunto sensível para os franceses. A colaboração com o regime nazista é um órfão inoportuno que passa de braço em braço, acompanhado de uma expressão clássica por aqui: “c’est pas ma faute”.

Quase no final da exposição, talvez adivinhando algo no meu olhar, um velho meio surdo, que tinha “16,17” anos durante a ocupação, me pergunta se eu entendo uma das fotos. Digo que estou tentando entender tudo aquilo e pergunto se existia aquela felicidade emoldurada. Ele não entende direito, não sei se por causa do meu francês ou por sua surdez. Mas diz: eu estou feliz. Acho que os estudantes deveriam ver isto. Eu concordo com ele.

Serviço:
“Des Parisiens sous l’occupation”
Bibliothèque historique de la Ville de Paris
22, rue Malher (4e)
Até 1 de julho.

29/04/2008 - 19:51h Brasileiros vão registrar em livro e documentário marcha para lembrar Holocausto

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Auschwitz

Luisa Guedes, O Globo Online

RIO – A partir desta terça-feira, cerca de 10 mil pessoas vão repetir uma manifestação realizada há 20 anos para lembrar o Holocausto, cruzando a Polônia e seguindo para Israel na chamada Marcha da Vida. Dessa vez, a reconstituição da trilha de muitos judeus – na morte ou na terra prometida – será registrada em livro pelo publicitário Márcio Pitliuk e o fotógrafo Márcio Scavone, dois dos 400 brasileiros que embarcaram para a viagem por antigos campos de concentração e locais sagrados para o povo judeu. Parte do trabalho que será publicado no fim do ano poderá ser acompanhada no GLOBO ONLINE durante os oito dias de marcha.

O percurso da “morte à vida” também será registrado em documentário dirigido por Jéssica Sanders, indicada ao Oscar e vencedora do Sundance Festival. Idealizador do projeto, orçado em R$ 3 milhões, e único judeu na equipe de 20 pessoas que embarcou para a Polônia, Márcio Pitliuk, que será responsável pelos textos do livro, conta que ficou impressionado com a reação da equipe durante a preparação para o trabalho.

” Auschwitz é uma fábrica da morte. É um pesadelo que não tem tamanho. Achei que não ia conseguir voltar lá, mas vou ter que encarar agora “

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- Quando eu levei (à Polônia) o pessoal da equipe que não é judeu e não tem tanta vivência com o Holocausto, vi o choque deles ao descobrir o tamanho da coisa. A gente fala em três milhões de pessoas, mas parece um número qualquer. Quando chega num campo como o de Treblinka, onde 800 mil pessoas foram mortas em 10 meses, a pessoa se dá conta de que 800 mil pessoas é uma cidade grande – contou Pitliuk, ainda em São Paulo, onde vive, antes de enfrentar de novo o terror dos campos de concentração. – Auschwitz é uma fábrica da morte. É um pesadelo que não tem tamanho. Achei que não ia conseguir voltar lá, mas vou ter que encarar agora – acrescentou.

A excursão ao passado começa em Cracóvia, onde será realizada uma cerimônia que relembra o fim do Holocausto. Em seguida, os participantes refazem a caminhada de três quilômetros entre o campo de concentração de Auschwitz e Birkenau, campo de extermínio. A marcha passará ainda pelos campos de Treblinka e de Majdanek e pelo Gueto de Varsóvia. Da Polônia, o grupo segue para Israel.

A manifestação foi criada em 1988 por Abraham Hirshson, um sobrevivente do Holocausto. Seu objetivo era, principalmente, fazer com que jovens estudantes pudessem conhecer os locais do “shoah”, como é chamado em hebraico o assassinato de milhões de judeus pelo regime nazista. A marcha, que acontece todos os anos desde a primeira edição, é aberta a todos. Agora, a organização fica a cargo da ONG internacional March of the Living .

Estima-se que 20% dos participantes não sejam judeus. Entre os brasileiros, 200 são estudantes de escolas judaicas que receberam subsídios para a viagem. Os outros 200 são adultos que arcaram com os custos por conta própria.

16/04/2008 - 17:04h Escribir para superar el dolor

Entrevista con la escritora estadounidense Helen Epstein, autora de Tras la historia de mi madre (El Ateneo)

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Por Loreley Gaffoglio

De la redacción de LA NACION

Entronizado en la nómina de libros notables por The New York Times cuando se publicó en 1997, Tras la historia de mi madre , la saga biográfica de tres generaciones de mujeres judías checas antes y después del Holocausto, es un relato intimista inquietante que combina de manera rigurosa el género de las memorias con la crónica histórica sobre la evolución de la identidad de la mujer judía en Europa Central.

Recientemente editado por El Ateneo y presentado en el país por su autora, el libro de la periodista estadounidense Helen Epstein, nacida en Praga en 1947 y criada en Nueva York, cautiva por su originalidad y por la distancia narrativa desde la que se sitúa la autora para reconstruir su propia –y aciaga– historia familiar.

Tras una rigurosa investigación, en la que entrevistó a sobrevivientes del genocidio nazi, Epstein hilvana el derrotero de su madre Frances, rehén en el ghetto de Terezín primero y luego en Auschwitz, con el de su abuela, Pepi, a la que nunca conoció porque los nazis la fusilaron cuando la deportaron a Riga, en Latvia. Y se remonta aún más atrás en el tiempo para retratar también a su bisabuela, Thérèse, la responsable de introducir la costura como fructífero modo de subsistencia familiar.

Une así dos siglos de historia centrados en el rol de la mujer en los que se reviven la misoginia del Imperio austrohúngaro; la supervivencia femenina durante la Primera Guerra Mundial; el nacimiento de Checoslovaquia; la implosión de la II Guerra Mundial y el avance del comunismo hasta llegar a la Revolución de Terciopelo, cuando la mujer conquista la igualdad de derechos al hombre luego de la instauración de la República Checa. El resultado es un fresco histórico, sociológico y humano que también destaca la trascendencia de las labores textiles como forma de emancipación femenina.

Docente y ex periodista freelance para The New York Times, donde escribía extensos perfiles para la revista dominical, Epstein se especializa en libros de no ficción, “el género que eligen mayoritariamente los lectores estadounidenses” –sostiene– en un intento por asir lo inextricable y complejo de la realidad. Epstein tiene publicados otros tres libros, traducidos a varios idiomas pero no en español: Children of the Holocaust (1979), Music Talks (1988) y Joe Papp. An American Life (1996).

De paso por Buenos Aires, donde días atrás presentó en la AMIA Tras la historia de mi madre , la autora, residente en Boston, revela que su libro fue una personal forma de duelo y una manera de darle visibilidad a los antepasados familiares que la sinrazón de la historia y el orden cronológico le impidieron conocer.

–¿De qué manera la escritura del libro fue una forma solapada de duelo?

–Mi madre amenazaba todo el tiempo con suicidarse, pero murió repentinamente de un aneurisma, a los 69 años, en Nueva York, ciudad a la que emigró finalizada la Segunda Guerra. No tuve tiempo de prepararme para su muerte. Entonces reconstruir su historia, que ella nunca me contó completa porque no hablaba de su vida, adquirió la forma ritual del duelo que tienen las familias tradicionales judías.

–¿Fue un proceso lacerante?

–Fue liberador. Y, curiosamente, las continuas interrupciones de mis hijos mientras escribía fueron como recreos del trauma que me ayudaron a tolerar el dolor. Pienso que muchos de los procesos creativos nacen a partir de una herida y que la escritura puede ser un modo de curación tanto para el autor como para los lectores que se identifican con la historia. En este caso, creo que es más doloroso para el lector leerlo, de lo que para mí fue escribirlo.

–¿Por qué?

–Porque cuando uno lee está pasivamente experimentando esos sucesos. Y cuando uno escribe, el autor se concentra en la eficacia sobre cómo comunicar mejor la historia; está obligado a tomar distancia. Lo que quizás sea difícil para el lector entender es que la mayoría de las personas normales tiene parientes, pero mientras yo crecía todos en mi familia estaban muertos. Eran como dioses; personajes no reales. No hubo una abuela que me contara cómo era mi madre de chica. Y así uno no tiene a nadie para “contextualizar” a sus parientes. Además, mis padres casi nunca hablaban de sus padres porque era muy traumático. Mis abuelos eran como un lienzo en blanco. Tuve que “crear” a mi abuela Pepi y fue maravilloso: construír una persona allí donde antes no había nada. Ni recuerdos, ni confidencias, ni relatos orales de la infancia.

–¿Cuál fue el motivo que la llevó a destacar el rol de las mujeres de su familia?

-Busqué el ángulo más original posible ya que como escritora me interesa escribir cosas que nadie más ha escrito antes. Siempre busco lo “invisible”. Y en este caso, había muchas cosas que eran invisibles: las vivencias de las mujeres en Europa Central, por ejemplo. Además, a lo largo de la historia han sido siempre las mujeres las que se animaron a contar y retrasmitir los dramas de su época. Los hombres por lo general no quieren aparecer como víctimas; soslayan los trances dolorosos, y se los guardan. Las mujeres, en cambio, sí se animan a ahondar con muchos detalles en los episodios más tristes, sin miedos. No tuve dudas, entonces, de que el énfasis debía situarse en ellas.

–¿Se valió de licencias ficcionales para reconstruir la historia?

–No. Este es un libro de no ficción escrito en base a un larga investigación. A mi madre no la pude entrevistar porque cuando empecé a escribir el libro, ya estaba muerta. Los testimonios centrales fueron de gente de Praga, amigos de mi madre, que también conocieron a mis abuelos. Fue la mejor amiga de mi madre, la que me contó detalles de ella que yo desconocía. Por ejemplo, que de adolescentes bailaban tango en los salones. Otra persona importante fue Kitty, que permaneció en los campos de concentración junto a mi madre durante toda la guerra. Ambas fueron liberadas por los ingleses en Bergen-Belsen –el mismo campo donde murió Ana Frank–, enfermas de tifus y al borde de la muerte. Fue muy doloroso enterarme que en ése campo de concentración, por ejemplo, mi madre se abocaba a escribirles largas cartas a sus padres, cuyo paradero desconocía. En realidad, ya estaban muertos. Lo hacía en una libreta que un comandante le obligó a quemar en una estufa. Pero en el libro evité ahondar en la parte cruenta de la guerra: las vejaciones, el hambre, los ultrajes de los nazis, todo eso que se conoce bien, porque en los años ´60 mucha gente escribió sus memorias y yo leí muchas de ellas.

–¿Cómo fue la odisea de la reclusión?

-Mis abuelos y mi madre, entonces de 22 años, y su primer marido fueron deportados de Praga al ghetto de Terezín, un campo de tránsito a una hora de Praga. Al día siguiente de arribar, a sus padres los deportaron a Riga, en Latvia. Los bajaron del tren, los obligaron a alinearse y ahí nomás los exterminaron. Los tiraron a todos en una fosa común. Pero mi madre no sabía a dónde los habían enviado ni qué había sido de ellos. Mi madre permaneció junto a su marido en Terezín, lo cual fue bueno porque el centro estaba manejado por los checos, que eran bastante contemplativos con los judíos. Recibían correo de la gente en Praga y podían contrabandear toda clase de cosas. En 1943 los nazis intentaron matar a la mayor cantidad posible de personas, y enviaron a mi madre y a su prima Kitty a Auschwich. Pero lograron salir vivas de allí ya que los alemanes necesitaban trabajo esclavo. A mi madre, en realidad, la salvó una mentira. En un relato que ella escribió, contó que la pusieron frente al doctor Menguelle y que éste le preguntó si poseía alguna aptitud especial. Su padre había sido ingeniero eléctrico y ella había aprendido a arreglar artefactos de sólo observarlo. Cuando estuvo frente a Menguelle junto a otro montón de mujeres, pensó que todas las demás dirían que sabían coser. Y aunque ella era modista, para destacarse, dijo que era electricista. Se salvó arreglando radios y aparatos durante tres años. Lo más curioso era que improvisaba y que el miedo a morir la empujaba a hacer las cosas bien. Pero de toda esa historia terrible lo que más me llamó la atención fue que tanto hombres como mujeres aseguraron que la clave de la supervivencia radicaba en las relaciones humanas, la amistad, los vínculos que se establecían. En la fuerza que infundía el contacto con el otro.

15/04/2008 - 10:48h Il y a 65 ans, l’insurrection du ghetto de Varsovie

La passerelle entre le petit et le grand ghetto rue Chlodna.

 

 

Quand le 19 avril 1943, les 2 000 à 3 000 Waffen SS, auxiliaires ukrainiens, lettons et ” bleus ” de la police polonaise, commandés par le colonel von Sammern-Frankenberg entrent dans la rue Zamenhof pour liquider ce qui reste du ghetto de Varsovie, ils savent qu’il existe une résistance juive. Ils ne s’attendent peut-être pas à la combattre pendant plusieurs semaines. Les Allemands ont choisi, pour mettre un point final à la présence juive à Varsovie, la veille de la Pâque juive (Pesah), qui coïncide avec l’anniversaire d’Hitler. La violence du feu, les pluies de bouteilles incendiaires qui accueillent l’offensive empêchent les SS d’offrir au Führer les débris sanglants des juifs de Varsovie. L’attaque, lancée à 3 heures du matin, tourne à la confusion des assaillants. A 8 heures, le général SS Stroop relève von Sammern-Frankenberg de son commandement et prend en main la direction des opérations. Des combats éclatent rue Zamenhof, place Muranowska, rue Gesia. A 14 heures, les Allemands se retirent.Marek Edelman, l’un des dirigeants de l’insurrection, a confié en 1977 à la journaliste polonaise Hanna Krall l’effet que fit ce premier choc sur les combattants juifs : ” Nous pensions que c’était très important qu’ils n’aient embarqué personne ce jour-là. Nous prenions même ça pour une victoire. ” ” Embarquer personne ! “ Derrière ces deux mots gît tout le martyre des juifs de Varsovie depuis que, le 1 décembre 1940, un mur de brique long de 18 kilomètres les a isolés du reste du monde. Les Allemands ont entassé là près de 380 000 personnes (39 % de la population de la ville sur 8 % seulement de la superficie de la capitale). Le 16 novembre 1941, le ghetto est bouclé. Seuls les ouvriers travaillant dans les entreprises dites vitales pour l’économie du Reich obtiennent un laissez-passer pour le ” côté aryen “. Les autres perdent tout. La faim s’installe. Rien que dans la première année, on compte déjà près de 43 000 décès par malnutrition.

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 Première forme de résistance : celle de ces ” contrebandiers “ de sept à treize ans poursuivis impitoyablement par la Yiddisch Ordunges Dienst (la police juive), qui se faufilent par les trous de la muraille pour passer à tout prix de la nourriture. A la tête de l’administration du ghetto, devenu une entité séparée du reste de la Pologne, les Allemands ont nommé un Judenrat (Conseil juif) de vingt-quatre membres, présidé par l’ingénieur Adam Czerniakow. Début 1942, la “ solution finale ” s’accélère. Les officiels juifs prennent la mesure de ce que recouvrent les expressions de “ réinstallation “, d’” évacuation “, d’” Est “… L’historien officieux du ghetto, Emmanuel Ringelblum, note dans son Journal, le 17 juin 1942 : “ J’ai eu une conversation l’autre jour avec un ami de Biala-Podlaska, directeur de l’organisation d’aide sociale. Il avait aidé au ” transfert ” (il serait plus exact de dire au “ transfert dans l’autre monde ”) de la population à Sobibor, près de Chelm, où les juifs sont asphyxiés par les gaz d’échappement. “Lorsque commence la grande Aktion (l’évacuation du ghetto), Adam Czerniakow met fin à ses jours, le 23 juillet, quelques heures avant que le premier contingent de juifs en partance pour le camp d’extermination de Treblinka soit rassemblé sur l’Umschlagplatz (la gare de rassemblement et de triage). (mais…)

14/04/2008 - 13:10h El día en el que los judíos se enfrentaron a los nazis

Polonia celebra el 65 aniversario del levantamiento del gueto judío de Varsovia

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EFE – Varsovia

Los habitantes de Varsovia recuerdan mañana el 65 aniversario del levantamiento de los judíos del gueto contra los alemanes, un acto de desesperación para evitar la solución final nazi que suponía una muerte segura en los campos de concentración.

El presidente de Israel, Simón Peres, presidirá los actos conmemorativos junto con el jefe del Estado polaco, Lech Kaczynski, y una representación internacional que incluye al ministro francés de Asuntos Exteriores, Bernard Kouchner.

La presencia de Peres es especialmente importante en esta celebración, ya que el mandatario israelí regresa al país en el que nació en 1923, aunque a los diez años se trasladó con su familia a Tel Aviv.

El momento principal de estos actos tendrá lugar cuando Kaczynski y su esposa depositen un ramo de flores en el monumento dedicado a los héroes del gueto, mientras que la comunidad hebrea de Varsovia recitará el Kaddish, la oración judía para honrar a los muertos.

Marek Edelman, el último superviviente de los líderes del levantamiento, que aún vive en Varsovia, acompañará a los dirigentes en los homenajes de unos acontecimientos de los que él mismo fue testigo y actor principal.

La salvadora de 2.500 niños judíos

El programa también prevé un encuentro de Kaczynski y Peres con la heroína Irena Sendler, la anciana de 98 años que durante la II Guerra Mundial arriesgó su vida en cientos de ocasiones para salvar a 2.500 niños judíos, a los que sacaba a escondidas del gueto a pesar de la férrea vigilancia alemana.

Sendler fue propuesta para recibir el último premio Nobel de la Paz, que finalmente recayó en el norteamericano Al Gore, después de que su historia de heroísmo saliera a la luz tras permanecer durante años escondida entre los pliegues de la Historia dictada por el régimen comunista polaco.

La ciudad también ha preparado una serie de actos culturales para celebrar el 65 aniversario del levantamiento judío, incluyendo un concierto a cargo de la filarmónica israelí bajo la dirección de Zubin Mehta.

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De 3,5 millones de judíos a unos miles

Antes de la II Guerra Mundial, Polonia era uno de los países europeos con más población judía, estimada en alrededor de 3,5 millones, aunque tras el Holocausto llevado a cabo por los nazis la comunidad hebrea quedó reducida a apenas unos miles.

En 1940 las fuerzas alemanas de ocupación obligaron a los más de 400.000 habitantes judíos de Varsovia a concentrarse en una zona concreta del centro de la ciudad que pasó a llamarse gueto, y que fue aislada por un muro tras el cual apenas se disponía de alimentos, medicinas o ropa de abrigo.

Muchos murieron de hambre y enfermedad por las pésimas condiciones del gueto, mientras el resto aguardaba su traslado a los campos de concentración, donde también les esperaba una muerte segura en las cámaras de gas.

En el resto de la ciudad la situación no era mucho mejor, con continuos enfrentamientos entre la resistencia polaca y la guarnición nazi, en una guerrilla permanente que el director Roman Polanski describió en la premiada película El Pianista.

El levantamiento del Gueto de Varsovia se produjo el 19 de abril de 1943 y fue un acto de resistencia de los jóvenes judíos frente a la liquidación sistemática llevada a cabo por los alemanes, que planeaban reducirlo todo a cenizas.

Un enfrentamiento con 14.000 víctimas hebreas

En esta lucha perdieron la vida alrededor de 14.000 judíos, mientras otras decenas de miles fueron transportados por los nazis a los campos de concentración, donde fueron exterminados.

Los escasos supervivientes del gueto se unieron a la resistencia polaca para participar en otro sangriento levantamiento, que meses después pondría en jaque a los alemanes a costa del sacrificio de 200.000 ciudadanos y la destrucción del 90 por ciento de Varsovia.

Cuando los soviéticos decidieron entrar en la capital polaca se encontraron con un panorama desolador, que aprovecharon para tomar el control del país e imponer otra ocupación que sería mucho más prolongada y que se extendería hasta la caída del muro de Berlín, en 1989.

Partizanenlied -Chant des Partisans

Ne dis jamais que c’est ton denier chemin
Malgré les cieux de plomb qui cachent le bleu du jour
Car sonnera pour nous l’heure tant attendue
Nos pas feront retentir ce cri : nous sommes là

Le soleil illuminera notre présent
Les nuits noires disparaîtront avec l’ennemi
Et si le soleil devait tarder à l’horizon
Ce chant se transmettra comme un appel

Ce chant n’a pas été écrit avec un crayon mais avec du sang
Ce n’est pas le chant d’un oiseau en liberté :
Un peuple entouré de murs qui s’écroulent
l’a chanté, nagan* à la main

Du vert pays des palmiers jusqu’au pays des neiges blanches
Nous arrivons avec nos souffrances et nos douleurs
Et là où est tombé la plus petite goutte de sang
Jaillira notre héroïsme et notre courage

C’est pourquoi ne dis jamais que c’est ton dernier chemin
Malgré les cieux de plomb qui cachent le bleu du jour
Car sonnera pour nous l’heure tant attendue
Nos pas feront retentir ce cri : nous sommes là

*nagan, pistolet de l’armée rouge
Partizanenlied -PARTISAN’S SONG
Zog nit keynmol az du gayst dem letzten veg,
Ven himlen blayene farshteln bloye teg;
Vayl kumen vet noch undzer oysgebenkte shuh,
Es vet a poyk tun undzer trot – mir zaynen do!

Es vet di morgenzun bagilden undz dem haynt,
Un der nechten vet farshvinden mitn faynt;
Nor oyb farzamen vet di zun in dem ka-yor,
Vi a parol zol geyn dos leed fun door tzu door.

Geshriben iz dos leed mit blut und nit mit bly,
S’iz nit keyn leedl fun a foygel oyf der fry;
Dos hut a folk tzvishen falendi-ke vent,
Dos leed gezungen mit naganes in di hent.

Fun grinem palmenland biz land fun vaysen shney,
Mir kumen un mit undzer payn, mit undzer vey;
Un voo gefalen iz a shpritz fun undzer blut,
Shpritzen vet dort undzer gvure, undzer mut.

Zog nit keyn mol az du gayst dem letzten veg,
Ven himlen blayene farshteln bloye teg;
Kumen vet noch undzer oysgebenkte shuh,
Es vet a poyk tun undzer trot — mir zaynen do!
Music:Dmitri and Daniel Pokrass – Yiddish Words:Hirsh Glik

שיר הפרטיזנים

ביצוע: שמעון ישראלי
מילים: הירש גליק
לחן: לא ידוע
גירסה עברית: אברהם שלונסקי

אל נא תאמר הנה דרכי האחרונה
את אור היום הסתירו שמי העננה
זה יום נכספנו לו עוד יעל ויבוא
ומצעדינו עוד ירעים אנחנו פה

מארץ התמר עד ירכתי כפורים
אנחנו פה במכאובות ויסורים
ובאשר טיפת דמנו שם נגרה
הלאינוב עוד עוז רוחנו בגבורה

עמוד השחר על יומנו אור יהל
עם הצורר יחלוף תמולנו כמו צל
אך אם חלילה יאחר לבוא האור
כמו סיסמא יהא השיר מדור לדור

בכתב הדם והעופרת הוא נכתב
הוא לא שירת ציפור הדרור והמרחב
כי בין קירות נופלים שרוהו כל העם
יחדיו שרוהו ונגאנים בידם

01/02/2008 - 11:22h Justiça veta carro alegórico sobre Holocausto

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O carro alegórico da Viradouro sobre o Holocausto

O GLOBO

Carnavalesco da Viradouro chora ao ver destruição de alegoria; escola modificará escultura e excluirá destaque de Hitler

Na madrugada de ontem, a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) conseguiu liminar na Justiça impedindo a exibição do quinto carro alegórico da Viradouro, que fazia referência às vítimas do Holocausto e mostrava uma pilha de corpos esquálidos e nus, onde desfilaria um destaque fantasiado de Adolf Hitler. A escola, que tem como enredo “É de arrepiar” e usaria a alegoria “para lembrar que o extermínio pode ser a conseqüência do preconceito, da intolerância, do desrespeito à diversidade” — segundo a sinopse do carnavalesco Paulo Barros — destruiu o carro ontem mesmo.

— Saber que haveria um Hitler no desfile não foi a gota d’água, pois meu copo estava vazio. Foi uma verdadeira tempestade — disse o presidente da Fierj, Sérgio Niskier, que, embora tivesse pedido sua retirada do desfile, não iria tentar impedila de ir para a avenida. — Há dois meses, fomos procurados pelo carnavalesco e pelo presidente da escola, Marco Lira, querendo saber nossa opinião sobre um possível carro do Holocausto.

Nós dissemos que não gostávamos da idéia, mas não adiantou. Depois disto, apenas mandamos cartas com pedidos para que eles mudassem de idéia, mas acreditava na palavra do Paulo de que o assunto seria tratado com respeito. Só que colocar Hitler sambando sobre estes corpos é inadmissível.
(mais…)

31/01/2008 - 16:05h Justiça proíbe carro alegórico que faz alusão ao Holocausto no Rio

HOLOCAUSTO DEVE SER ENSINADO EM ESCOLAS EDUCATIVAS, JAMAIS NAS DE SAMBA

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O carro alegórico da Viradouro sobre o Holocausto

da Folha Online

A Justiça do Rio concedeu proibiu nesta quinta-feira a escola de samba Viradouro, do Rio, de desfilar com um carro alegórico que faz alusão ao Holocausto. O carro apresenta vários corpos empilhados em alusão aos campos de concentração de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

O pedido de proibição foi feito pela Fierj (Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro) durante o plantão judiciário (das 18h às 11h) e acatado pela juíza Juliana Kalichsztein. Em sua decisão, a juíza impõe multa de R$ 200 mil para a escola se o carro desfilar.

Segundo o advogado Ricardo Brajterman, da Fierj, a federação já havia tentado, em conversas anteriores, dissuadir a Viradouro a desistir da idéia ou colocar uma mensagem de advertência, do tipo “Holocausto nunca mais” no carro. “Mas a escola silenciou”, disse Brajterman.

“Por volta das 23h ficamos sabendo que o carro traria um destaque vestido de Hitler. Imagine Hitler sambando à frente dos judeus e poloneses e outras vítmas do Holocausto mortas”, disse o advogado. “O Carnaval não é uma gesta sensual. Não é o espaço certo para a discussão desse tema”.

A decisão da juíza prevê multa de mais R$ 50 mil se algum membro da escola entrar na avenida vestido de Hitler.

O desfile da Viradouro, “É de arrepiar”, estava previsto para levar á avenida oito carros, segundo a sinopse dos desfiles divulgada pela Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio). Além do Holocausto, os carros trariam temas supostamente ligados ao arrepio, como o frio, o nascimento e o Kama Sutra –tema de um carro que viria antes do carro sobre a matança de judeus–, e baratas, que viria depois.

A reportagem entrou em contato com a Viradouro em cinco número de telefone diferentes, mas os recados não foram respondidos até a tarde de hoje.

31/01/2008 - 13:17h FIERJ IMPEDE AFRONTA AOS JUDEUS NO CARNAVAL

A Presidência da FIERJ tomou a decisão, como já informado anteriormente, de agir com rigor no sentido de coibir a exibição do carro sobre o Holocausto, onde haveria a presença de um figurante fantasiado de Hitler. Diante desta situação absurda, o Departamento Jurídico dirigido pelo Dr. Jackhson Grossman, através do escritório do Dr. Sergio Bermudes, e sob a direção do advogado Ricardo Brajterman e auxiliado pelo advogado Renato Beneduzzi, conseguiram a liminar que proíbe a exibição de fantasias de Hitler e de corpos representando vitimas do Holocausto. Mais uma vez, a FIERJ age em defesa de nossa comunidade, não permitindo que haja a banalização do Holocausto, e o desrespeito à memória de todas as vitimas desta barbárie, aqui incluindo os heróis brasileiros mortos nos campos da Itália.

Abaixo a liminar para conhecimento público.

Ver também neste blog

Dança macabra

Hitler e as lições de ontem, há 75 anos

O pianista, de Roman Polanski

DIA MUNDIAL DE LEMBRANÇA DAS VITIMAS DO HOLOCAUSTO

31/01/2008 - 08:50h Hitler e as lições de ontem, há 75 anos

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 Mauro Santayana – JB

No dia 30 de janeiro de 1933, há 75 anos, depois de constitucionalmente aprovado pelo Parlamento alemão (o Reichstag), Adolf Hitler foi nomeado primeiro-ministro pelo presidente Hindenburg. Seu partido, ainda que poderoso, não possuía maioria no Reichstag. O sistema parlamentarista de Weimar ajudou: um ano antes, Hitler fora derrotado na disputa pela Presidência da República. Os ricos conservadores e a velha nobreza o queriam. Ele era o homem ideal para estabelecer a ordem no país, que cambaleava sob a Constituição de Weimar e se confrontava com a crise econômica interna – agravada com a Depressão mundial iniciada em 1929. A esquerda, dividida entre os socialistas e os comunistas, não conseguia unir-se.

O melhor estudo sobre o nazismo continua sendo o de Joachim Fest: Hitler, Eine Studie über die Angst (Um estudo sobre o medo). É um erro reduzir o ditador aos seus problemas pessoais, à frustração juvenil e sonhos fantasiosos. Eles teriam sido inócuos, se à Depressão mundial não se somassem a ascensão dos movimentos operários na Europa, que incomodava a burguesia, o sentimento de humilhação de grande parte dos alemães com a derrota de 1918 e as pesadas reparações de guerra.

A primeira advertência daquele período é a de que o medo é o pior inimigo dos homens, porque corrói a razão, e os poucos que a conservam são contidos ou massacrados. O pavor cria falsos inimigos e salvadores perversos. Os tiranos, como Hitler, são, ao mesmo tempo, agentes e pacientes de igual angústia.

A segunda lição do nazismo é a de que qualquer um pode transformar-se em déspota, se combinar a capacidade pessoal de sedução com a indomável vontade de mando. A desqualificação de Hitler pelos seus inimigos é descuido que nos pode desarmar diante dos perigos de sempre. Hitler acreditava na Alemanha, mas acreditava em si mesmo. Foi assim que empolgou grande parte dos intelectuais alemães, começando por Martin Heidegger. A lucidez do autor de O ser e o tempo foi infectada pelos bacilos do nazismo. Integrando o partido logo depois da tomada do poder em 1933 – inscrição 312589, conforme fontes oficiais – Heidegger foi intransigente defensor da Neuordnung até o fim. Depois ele se justificaria, dizendo ter agido por oportunismo, a fim de manter a Universidade de Freiburg fora do controle direto dos nazistas. Mas os textos de seus pronunciamentos são firmes e claros. Ao tomar posse como reitor de Freiburg, em maio de 1933, o filósofo adere à teoria veterinária da História, quando afirma que o nazismo deve impor-se aos sentimentos humanistas dos cristãos, para a defesa da raça e do Estado. Em outro pronunciamento, invoca “o poder de preservar, da forma mais profunda, as forças do povo, que se enraízam na terra e no sangue”. Para ele, os estudos universitários deveriam constituir um risco, não “refúgio para a covardia”.

Os comunistas alemães se iludiam ao imaginar que a Aufklärung alemã não admitiria regime semelhante ao da Itália. E se enganam hoje os que acreditam que só na Alemanha poderia ter havido o totalitarismo quase perfeito. Onde haja tanto medo como na Alemanha (e no mundo) daqueles anos, combinado com o desemprego, a corrupção das elites e o nacionalismo exacerbado, a tirania totalitária é sempre uma eventualidade. A única forma de impedi-la é a aceitação da fragilidade dos homens.

Não há tempo e sociedade sem crises. As instituições políticas, desde a sua origem, são infiltradas de larápios e incapazes. Por outro lado, há a difusa e primitiva aversão aos diferentes, que constrói o racismo e a xenofobia – hoje de volta à Europa. Só a pluralidade de idéias e a liberdade política, com a aceitação do outro, criando as leis, podem tornar suportável o convívio dos homens.

Há muitas formas de totalitarismo, todas sangrentas. A brutalidade pode revelar-se em campos de extermínio, como os do nazismo, ou em prisões como as de Abu Ghraib e Guantánamo. Ela se mostra no massacre de povos desarmados, como o promovido por Suharto na Indonésia, e de algumas etnias africanas, e pelos bombardeios norte-americanos no Iraque, mas nenhum regime dos tempos modernos foi tão brutal quanto o de Hitler. Na repressão contra os conspiradores de julho de 1944, chefiados por von Schauffenberg, os nazistas criaram a figura da cumplicidade de sangue: além dos diretamente envolvidos no atentado frustrado contra o Führer, todos os seus parentes foram friamente assassinados – até mesmo uma criança de três anos. Isso com o apoio da hierarquia católica alemã e sob os olhos distraídos do papa Pio XII.

A humanidade não pode esquecer o tempo sombrio que começou em janeiro de 1933. Já há alguns anos, as circunstâncias perversas daquela época estão de volta e aguardam sua oportunidade – e seus tiranos.

31/01/2008 - 08:29h Dança macabra


HOLOCAUSTO DEVE SER ENSINADO EM ESCOLAS EDUCATIVAS, JAMAIS NAS DE SAMBA

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O carro alegórico da Viradouro sobre o Holocausto

ANCELMO GOIS

O GLOBO

Brincando com fogo I

Tomara que não seja verdade. Mas, ontem à noite, chegou à Federação Israelita do Rio uma cópia da ficha técnica do desfile da Viradouro, onde consta que o carro número 5 da escola, o tal polêmico do Holocausto, traria um folião vestido de… Hitler.
A conferir.

Brincando com… II

O tal carro, criado pelo carnavalesco Paulo Barros, ganhou as páginas de jornais lá fora.
Ontem, foi assunto no “Yediot Aharonot”, de Israel, e no “Corriere Della Sera”, da Itália.

Brincando com… III

Aliás, a Estácio de Sá, escola do grupo de acesso, avisou à Federação Israelita que retirou de seu desfile fantasias com o desenho de uma suástica. O símbolo do nazismo está banido do carnaval da escola.

27/01/2008 - 16:32h Holocausto: “Unidos para evitar a conspiração do esquecimento”

Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia alusiva ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

Palácio do Itamaraty – Rio de Janeiro (RJ), 25 de janeiro de 2008

 

Foto de Monumento al Holocausto

 

Monumento as vítimas do Holocausto, Berlim

Meus amigos, minhas amigas,

Eu acho que se nós tivéssemos encerrado este ato na fala do brigadeiro Ruy Moreira Lima, já estaria de bom tamanho o ato, porque é a testemunha viva do que aconteceu lá. Eu ainda não tinha nascido. Portanto, Deus o preserve por mais algumas décadas para contar essas histórias em outros dias 25 de janeiro.

Minhas amigas, meus amigos, jornalistas aqui presentes. Agradeço o honroso convite da comunidade judaica do Rio de Janeiro para participar deste ato. Meu reconhecimento à Conib por estabelecer este encontro como uma referência para a comunidade judaica brasileira. Dessa forma, agradeço as lideranças e os rabinos que se deslocaram de seus estados para prestigiar o evento. Finalmente, minha homenagem à ONU por instituir, com total apoio do Brasil, o dia 27 de janeiro, como a data para relembrar em todo mundo, a tragédia e as vítimas do Holocausto.

Senhoras e senhores,

Participo desta cerimônia pelo terceiro ano consecutivo. Faço-o por ter a dimensão do que significa rememorar o terror e as iniqüidades cometidas pelo aparato do estado nazista contra o povo judeu. Aparato voltado também contra socialistas, social-democratas, comunistas, homossexuais, negros, testemunhas de Jeová, ciganos e portadores de doenças físicas. Lembranças tristes e trágicas como a do Holocausto, não devem e não podem ser apagadas, como não podem ser esquecidas todas as formas de intolerância, especialmente aquelas alçadas à condição de política de Estado.

Temos a responsabilidade e o dever de transmitir para todas as gerações que o anti-semitismo, o racismo, o preconceito e a intolerância atentam contra a dignidade humana e todos os valores mais profundos e sagrados da nossa civilização.

Precisamos nos manter vigilantes pois, infelizmente, alguns seres humanos foram capazes, são capazes, e ainda hoje ousam cometer todas as formas de violência contra esses valores. Sabemos que, frente à violência, os limites do ser humano são testados: de um lado, o da insanidade, da perversidade e da crueldade; do outro, a solidariedade, o altruísmo, a entrega e a compaixão. Penso que só seremos capazes de rejeitar, combater e aplacar todo tipo de intolerância, se formos sábios o suficiente para semear nos corações e mentes a repulsa ao ódio, à violência e à desumanidade. Reiterar com vigor os valores democráticos, o respeito inarredável à vida, à dignidade, à diversidade e aos direitos humanos.

Minhas amigas e meus amigos,

Com a memória da dor, aprendemos que é necessário lembrar e eternizar os heróicos exemplos de resistência à barbárie. É preciso lembrar e extrair lições dos momentos em que a justiça se impôs à estupidez, pela ação destemida de pessoas de bem, resgatar os ideais dos que resistiram (inaudível) daquele tempo. É preciso recordar. Aqui e em todo o mundo, homens e mulheres têm que estar unidos para impossibilitar a conspiração do esquecimento. É importante fazer a sociedade se lembrar sempre que o esquecimento está cheio de uma memória sufocada.

Hoje é dia de reverenciar todas as pessoas de coragem, que arriscaram suas vidas. E, por estarmos no Itamaraty, homenageio, na figura do embaixador brasileiro na França ocupada, Luís Martins de Sousa Dantas, os diplomatas e servidores de representações brasileiras que ousaram desafiar o III Reich, e salvaram centenas de judeus. Mais do que reverenciar os heróis, é preciso incorporar à nossa atuação cotidiana as lições que eles nos legaram. Só assim será possível impedir que se repitam os horrores da 2ª Guerra Mundial.

Com felicidade, podemos registrar que o Brasil é, hoje, uma das poucas democracias do mundo em que não há prescrição e nem fiança para crimes de racismo. Essa conceituação revela o objetivo do Estado, em respeito aos valores do povo brasileiro, de não aceitar e, ao mesmo tempo, combater qualquer espécie de discriminação.

O meu governo se empenha em fazer avançar a garantia dos direitos humanos. Para isso, tem se comprometido com ações práticas, no plano interno e no externo. Aproveitando que em 2008 o mundo comemora os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Brasil levou às Nações Unidas a proposta, aprovada no final do ano passado, de construir consensos em torno de metas mundiais referentes ao tema dos direitos humanos, repetindo o êxito da iniciativa em torno das Metas do Milênio. Por minha determinação, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, comandada pelo meu companheiro, ministro Paulo Vannuchi, aqui presente, realizará em 2008 um grande mutirão de debates por todo o País, visando atualizar nosso Programa Nacional dos Direitos Humanos. Um dos propósitos do governo no campo dos direitos humanos é, precisamente, atrair para esse grande mutirão nacional a reflexão de toda a sociedade, contando com o envolvimento de três importantes setores da vida brasileira: a universidade, o Poder Judiciário e a mídia. As propostas que serão pactuadas terão, e espero que tenham, grande repercussão e efetividade, contando também, é claro, com as organizações da sociedade civil, entre elas, as da comunidade judaica.

Somos um país de índole pacífica e tolerante, e o caminho na luta contra todas as violências passa por reconhecer o problema e atacá-lo pela raiz. Reconhecer que a educação, com o seu papel emancipatório, pode criar o ambiente ideal para que a paz floresça num longo prazo, mudando a história, avançando na direção de um mundo mais justo, humano e solidário.

Para concluir, quero reafirmar que exemplos como este são profundamente educativos. Eles nos chamam a atenção para os grandes erros do passado, nos apontam alternativas possíveis e nos indicam que um futuro diferente é possível, desde que sejamos capazes de sonhá-lo e construí-lo juntos. Sei que enquanto faço o meu discurso, minhas palavras vão sendo registradas pela imprensa e certamente repercutirão, de alguma forma, na sociedade. Se fosse possível, o presidente da República bateria na porta de cada lar brasileiro, de cada escola, para fazer um apelo: que todos sejamos tolerantes, que deixemos a violência de lado. É possível construir um país mais pacífico, com cada um contribuindo com pequenos gestos no dia-a-dia e acreditando na utopia da paz.

Muito obrigado.

26/01/2008 - 09:30h Holocausto: “anti-semitismo atenta contra a dignidade humana”, disse o Presidente Lula


Entrada principal do campo nazista de extermínio de Auschwitz

Presidente anuncia atualização do Programa de Direitos Humanos

Lula participou no Rio de evento em homenagem a vítimas do Holocausto

DA SUCURSAL DO RIO – FOLHA DE SÃO PAULO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem que o país terá neste ano um mutirão para atualizar o Programa Nacional de Direitos Humanos. A declaração foi feita durante evento do Dia Internacional de Lembrança das Vítimas do Holocausto, no Rio.
“Um dos propósitos do governo no campo de direitos humanos é atrair a reflexão de toda a sociedade, contando com o envolvimento de três importantes setores: a universidade, o Poder Judiciário e a mídia”, disse. O mutirão será coordenado pelo ministro Paulo Vanuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, e tem como objetivo atualizar propostas e planejar ações.
O evento foi organizado pela Federação Israelita do Rio de Janeiro. A data foi criada pela ONU em 2005 para marcar o dia de libertação do campo de extermínio de Auschwitz, no sul da Polônia, e marca o fim do terror nazista, em 27 de janeiro de 1945. Essa é a terceira vez que Lula participa da cerimônia, que contou com a presença de artistas e representantes da comunidade judaica.
Lula fez um apelo para que o país se torne mais pacífico. “Se eu pudesse, sairia por aí batendo na porta de cada residência, nas escolas, para fazer um apelo. Pedir para que as pessoas sejam mais tolerantes, que deixem a violência de lado. Pequenos gestos podem ajudar com que a gente continue acreditando na utopia da paz”, disse o petista, no evento.
O presidente destacou que as lembranças do Holocausto não devem ser esquecidas. “Temos a responsabilidade, o dever de transmitir para todas as gerações que o anti-semitismo, o racismo, o preconceito e a intolerância atentam contra a dignidade humana”, afirmou.

23/01/2008 - 18:53h Los ‘trenes de la muerte’ nazis ‘circulan’ de nuevo

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Varios deportados a campos de exterminio del Tercer Reich,
en una imagen de la exposición Sonderzüge in den Tod.- DEUTSCHE BAHN AG


Una exposición recupera los trenes que transportaron a las víctimas de los campos de exterminio

EFE – Berlín – EL PAÍS
La exposición “Trenes especiales a la muerte”, sobre las deportaciones de judíos y gitanos, entre otras víctimas del nazismo, arrancó hoy en Berlín, su primera estación en una muestra itinerante que la compañía de ferrocarriles Deutsche Bahn quiso vetar.
Unos cuarenta paneles ilustran desde el corazón del Berlín actual, la estación subterránea de la Potsdamerplatz, el destino de algunos judíos alemanes, franceses o austríacos deportados a partir de 1938 por el Reichsbahn -los ferrocarriles del Tercer Reich- hacia Auschwitz y otros campos de exterminio nazi.

Niñas como la berlinesa Steffi Bernheim, nacida el 11 de enero de 1930 y deportada a Auschwitz con sus padres el 24 de agosto de 1942. O Brigitte Joseph, nacida ese mismo año también en Berlín y deportada tras un largo periplo que empezó con el intento de huida a Cuba en el barco Sant Louis, junto con otros 937 alemanes, a quienes se desembarcó en distintos puertos, por lo que la nave acabó regresando a Europa.

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10/11/2007 - 06:42h Justiça condena professor por racismo contra judeus

Volnei Perin Della Giustina criou site em que enaltecia o líder nazista Adolf Hitler

Pena de reclusão foi substituída pela prestação de serviços à comunidade por um ano e fornecimento de 4 cestas básicas mensais

THIAGO REIS
DA AGÊNCIA FOLHA

A Justiça de Santa Catarina condenou um professor de Lages (213 km de Florianópolis) a dois anos de reclusão -substituídos por pena alternativa- e pagamento de R$ 127 de multa por crime de racismo contra os judeus. Volnei Perin Della Giustina, 44, que dá aulas em escolas estaduais do município, criou um site na internet com textos e relatos enaltecendo a figura do líder nazista Adolf Hitler (1889-1945).
A pena de reclusão acabou sendo substituída pela prestação de serviços à comunidade durante um ano e fornecimento de quatro cestas básicas mensais (no valor total de R$ 760) a uma instituição de caridade. Ainda cabe recurso.
Um dos trechos do site classificava Hitler como “líder da raça humana”. “As personalidades mundiais em diferentes tempos já alertaram do perigo judaico. O maior líder que a raça humana pôde produzir logo após Jesus Cristo, Adolf Hitler, trabalhou muito bem a questão judaica (…). O povo judeu sem dúvida possui geneticamente no seu “ser” características intrínsecas de ser altamente egoísta, e (…) a fama de sempre levar vantagem em tudo”, dizia.
“Caros camaradas, com o avançar dos tempos a nossa luta, com toda a certeza, originará uma guerra. Não uma guerra convencional, mas, sim, uma guerra racial”, afirma outra parte do endereço eletrônico.
Na ação, o Ministério Público afirma que a página, hospedada em um endereço gratuito, já havia sido visitada por 770 pessoas. Ela está fora do ar. Nela, havia ainda símbolos do regime nazista, como uma foto com cinco soldados fazendo reverência a uma bandeira com a cruz suástica.
Na sentença, o juiz Geraldo Corrêa Bastos afirma que “o respeito que se deve ter à condição racial de cada pessoa deve ser resguardado” e que “a História registra exemplos de um número sem fim de sofrimentos causados na humanidade pela adoção e sistematização de uma postura dogmática preconceituosa”.
“O que se vê é um claro propósito de glorificar a figura de Hitler, em seu fracassado objetivo de eliminar a população judia do mundo, incitando, assim, seus seguidores a concluir o fim perseguido, ao se manter acesa a chama de uma doutrina política odiosa”, diz, na decisão.

15/10/2007 - 15:56h Criminoso nazista conhecido como ‘dr. morte’ pode estar vivo

Polícias alemã e espanhola continuam as buscar pelo responsável por experiências com ‘cobaias humanas’

Ansa

Israelense afirma que Heim foi morto em 1982

Efe

Israelense afirma que Heim foi morto em 1982

MADRI – As polícias espanhola e alemã e o Centro Simon Wiesenthal, organização internacional dedicada à luta contra o nazismo e à defesa dos direitos humanos, acreditam que o criminoso nazista Aribert Heim, conhecido como “Doutor Morte” ainda esteja vivo e continuam a procurá-lo.

Segundo fontes ouvidas pela Ansa, não são verdadeiras as afirmações do ex-oficial israelense Danny Baz de que Heim teria sido morto por uma organização clandestina americana em 1982. O procurado foi um dos maiores assassinos do regime nazista e responsável por experiências cientificas com “cobaias humanas” no campo de concentração de Mathausen.

A polícia espanhola limita-se a dizer que enquanto estiver em vigor uma ordem de procura, o caso não será concluído. Mas fontes próximas da investigação dizem não acreditar na execução de Heim, que, segundo algumas pistas descobertas nos últimos anos, teria vivido na Espanha.

Efraim Zuroff, do Centro Simon Wiesenthal de Jerusalém, afirma que nem ele ou a polícia alemã acreditam nas declarações de Baz e estão convencidos de que Heim, de 93 anos, “esteja ainda vivo”.

Em um livro autobiográfico que será publicado em breve na França, Baz afirma que o grupo do qual participava capturou e matou Heim em 1982, no Canadá.

“Baz havia feito declarações semelhantes à imprensa israelense há cinco anos, falando sobre diversos nazistas que teriam sido assassinados pelo seu grupo, mas sem mencionar Heim, que seria a figura de maior importância”, explicou Zuroff à Ansa.

“As afirmações de Baz são absolutamente infactíveis, e continuamos a procurar Heim na Espanha e na América Latina”, afirmou Zuroff, para quem “a única coisa de bom que sairá desse livro será que o tema voltará à atualidade e talvez possamos receber alguma nova informação sobre criminosos nazistas”. “Já estamos seguindo boas pistas, estamos próximos e o prenderemos”, assegurou.