19/12/2008 - 08:30h Lula critica empresários que demitem

Capa Folha de S.Paulo - Edição São Paulo

Para presidente, empresa deve usar lucros acumulados para manutenção de emprego em tempo de crise econômica

Petista afirma que governo não aceita flexibilizar leis trabalhistas, mas que pode facilitar entendimento entre empresa e empregado

SIMONE IGLESIAS E IURI DANTAS - FOLHA DE SÃO PAULO

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou ontem um recado claro aos empresários: o governo não irá se engajar na flexibilização das relações de trabalho, não aceita pagar seguro-desemprego durante suspensão temporária de contrato de trabalho e não vê motivo para demissões neste momento.

Em reunião com Lula na semana passada, os presidentes da Vale, Roger Agnelli, e da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto, defenderam mudanças na legislação para permitir a suspensão de salários por dez meses, período em que o empregado receberia só seguro-desemprego, pago pelo governo, e manteria o vínculo empregatício.

Grandes empresas como Vale e CSN já anunciaram demissões nas últimas semanas, com o agravamento da crise, e muitas outras deram férias coletivas.

“Eu acho que é muito engraçado. Os empresários poderiam pagar [os funcionários] com parte dos lucros que acumularam. O governo não vai deixar de assumir a responsabilidade de cuidar dos trabalhadores, mas nenhum empresário tem motivo para mandar trabalhador embora”, disse Lula.

E acrescentou: “É só analisar os números do comércio, é só ver como está o final de ano, o que aconteceu na feira do automóvel no fim de semana passado. O papel do empresário agora não é ficar encontrando um jeito de continuar mantendo o mesmo lucro, mas trabalhar de forma muito rápida junto com o governo para que a gente evite que a crise chegue a toda a sociedade”, afirmou.

Lula disse que está “pronto” para se envolver nas negociações, mas como forma de auxiliar o lado mais fraco: “Se em alguma situação os trabalhadores quiserem a participação ou a intermediação do governo, estaremos prontos”, afirmou, mas insistiu em dizer que o “problema” é de trabalhadores e empresários, não do governo.

“Eu não sei de onde saiu essa notícia [que o governo vai propor a flexibilização da legislação trabalhista]. De vez em quando alguém cria uma coisa e passa a ter o tom de verdade. Não fiquem esperando que o governo faça tudo. O governo vai fazer de tudo para evitar que a crise não atinja o mercado de trabalho. Agora, se por qualquer circunstância uma empresa tiver em crise, essa empresa e o sindicato se coloquem de acordo e, com muita maturidade, evitem que os trabalhadores sejam penalizados”, afirmou. (…)

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22/11/2008 - 09:30h BB se compromete a não fazer demissões

Direção firma acordo com sindicalistas

BRASÍLIA e SÃO PAULO. A direção do Banco do Brasil (BB) firmou com sindicalistas um compromisso de que não haverá demissões em decorrência da compra do estatal paulista Nossa Caixa. A informação foi dada ontem pelo presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino, após a reunião com os executivos do BB, que não quiseram se pronunciar.
Luiz Marcolino disse que as conversas com o BB estão em curso desde que as negociações foram anunciadas.
Segundo ele, o processo de realocação de pessoal da Nossa Caixa tem de acontecer, até para que não ocorram demissões. Mas deverá haver um programa interno de requalificação profissional. Ele disse ainda que está previsto um processo de transferência de pessoal onde houver duplicidade de mão-de-obra, mas tudo será negociado. A Nossa Caixa tem 14.300 servidores e 559 agências.
O processo de incorporação da Nossa Caixa pelo BB deverá levar entre 12 e 18 meses. A preocupação do sindicato é que não se percam direitos como valerefeição, entre outros. Um benefício a ser ajustado é da assistência médica. Segundo Marcolino, embora a do BB seja melhor, o funcionário contribui com 4,5%, enquanto o da Nossa Caixa colabora com 3%.
Embora sejam concursados, os funcionários da Nossa Caixa são contratados pelo regime da CLT e não têm estabilidade assegurada — situação semelhante à do BB. Portanto, se o BB quiser, pode demitir.
A saída para uma redução de pessoal, acreditam os sindicalistas, está nas aposentadorias.
Segundo Raquel Kaceunikas, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo, entre este ano até 2010 mais de três mil empregados da Nossa Caixa devem atingir o tempo de serviço para se aposentar.
Para o deputado estadual Davi Zaia (PPS), que também preside a Federação dos Bancários de São Paulo e Mato Grosso do Sul, os números de funcionários aptos a se aposentar traz certa tranqüilidade em relação às ameaças de demissão. Ele disse que os quadros da Nossa Caixa são muito enxutos. (Mônica Tavares, Ronaldo D’Ercole e Vinicius Segalla - O Globo)

14/11/2008 - 10:42h Seqüência do Bretton Woods fracassará

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Gideon Rachman - Financial Times - VALOR

Atribuo toda a culpa a Dean Acheson. O estadista americano, há muito falecido, foi uma grande figura na conferência original de Bretton Woods, em 1944, e posteriormente ajudou a inventar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Acheson deu a suas memórias o modesto título de “Present at the Creation” (presente à criação, em inglês) e, ao fazê-lo, inadvertidamente alimentou as fantasias de grandiosidade dos líderes do grupo dos 20 (G-20) países com maior economia, que se reúnem em Washington no fim de semana. Por que eles não poderiam também chegar ao status de quase deuses, reordenando as instituições do mundo?

Alguns dos líderes que se dirigem a Washington são surpreendentemente francos sobre o prazer que estão tendo. Nicolas Sarkozy, o dinâmico presidente da França, congratulou-se por sua “sorte” em ter a chance de refazer o sistema financeiro mundial. Gordon Brown, primeiro-ministro britânico, visivelmente deleita-se com a idéia de ser um líder intelectual mundial.

Como a maioria das seqüências, no entanto, o Bretton Woods II não chegará nem perto do original. A primeira conferência criou o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Seu substituto será mais maçante e gerará menos conseqüências significativas.

O primeiro motivo é que a crise financeira mundial - mesmo tão grave como é - está longe de ser a Segunda Guerra Mundial. A guerra destruiu a ordem estabelecida e, portanto, os estadistas que desenharam as instituições do pós-guerra tinham um papel em branco para rabiscar.

O segundo é que não há tempo suficiente. A conferência original de Bretton Woods teve os benefícios de dois anos de preparação, não duas semanas.

O terceiro - especialmente importante - é que os países que se reunirão em Washington neste fim de semana divergem. Os europeus, que adoram todas as formas de governança internacional, pressionam por novos reguladores mundiais para o sistema de finanças internacionais. Os americanos e chineses - mais zelosos de sua soberania nacional - estão mais cautelosos.

Por fim, ao contrário do ocorrido no Bretton Woods original, os Estados Unidos não têm o poder nem a inclinação para impor um novo conjunto de planos para o resto do mundo.

Este último ponto é algo que os europeus, em particular, mostram dificuldade em compreender. Sua visão geral é a de que há duas formas opostas de arrumar o mundo. A primeira - associada com o temido presidente George W. Bush - era baseada no poder e “unilateralismo”. A segunda - que esperam ser adotada pelo santificado Barack Obama - é baseada em um EUA repreendido, que trabalha com os outros para construir uma nova ordem multilateral. Parte da excitação européia em relação ao Bretton Woods II é baseada na idéia de que a era da primazia dos EUA acabou - e que amanhece uma nova era multilateral.

Em 1944-45, entretanto, instituições multilaterais como o FMI, Banco Mundial e Organização das Nações Unidas (ONU) nasceram da força dos EUA e não de sua fraqueza. Um dos motivos para o Bretton Woods ter funcionado é que os EUA eram claramente o país mais poderoso na mesa de negociação e, portanto, no fim das contas tinha capacidade para impor sua vontade aos outros, incluindo uma Grã-Bretanha freqüentemente consternada. Na ocasião, uma alta autoridade do Banco da Inglaterra descreveu o acordo alcançado como “o maior golpe desferido contra a Grã-Bretanha depois da guerra”, em grande parte porque ressaltava a forma como o poder financeiro havia passado do Reino Unido para os EUA.

O encontro do próximo fim de semana também reconhece mudanças no poder global. Os entusiastas do G-20 gostam que o grupo não seja o cansado e velho G-8, que vêem como sendo composto principalmente de países europeus exauridos destinados a entrar no matadouro da história. O G-20 inclui novas potências emergentes, como China, Índia, Brasil e África do Sul.

Isso é importante. Um sistema internacional que não acomode a China, Índia e outros novos emergentes claramente não pode funcionar no longo prazo. Contudo, trazê-los ao sistema não é garantia de sucesso. Quanto mais vozes ao redor da mesa do Bretton Woods II - e mais igualdade houver entre eles -, mais difícil será chegar a um acordo.

De fato, o mundo emergente multilateral e multipolar - há muito defendido por aqueles desconfortáveis com o poder americano - mostra todos os sinais de ser altamente inepto.

A ONU está cada vez mais paralisada - assolada por uma liderança fraca e um conselho de segurança bloqueado. Nos últimos 12 meses, a Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) fracassou. E se as negociações da OMC não conseguiram produzir resultados, que chance haverá de sucesso em uma tarefa muito mais difícil, como a de negociar um acordo mundial de mudanças climáticas no próximo ano?

As rodadas comerciais anteriores foram concluídas com êxito, em parte, porque foram costuradas por Europa, América e Japão. Porém, na rodada mais recente, os países em desenvolvimento - em particular a Índia - ficaram poderosos demais para serem ignorados. Este é certamente um avanço para a justiça e equidade mundiais, mas torna muito mais difícil atingir um acordo. O mesmo problema provavelmente afligirá as negociações sobre mudanças climáticas no próximo ano, nas quais a China desempenhará papel central.

Ter montes de países na mesa de negociação não é por si só um fator destruidor de consensos. Havia 44 países no Bretton Woods original. Porém, o que se precisa é de liderança. Em 2008, como em 1944, o líder mais plausível é os EUA. Isso torna duplamente infeliz o fato de que o presidente americano anfitrião em Washington será Bush e não Obama.

Sob o comando do presidente Bush, os EUA descobriram que não podem liderar o mundo por meio do exercício da força bruta. A tarefa do presidente eleito Obama será ver se os EUA agora podem liderar por meio da persuasão. Infelizmente, ele não estará presente à recriação neste fim de semana.

31/10/2008 - 14:28h “É dando que se recebe”

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A festa de Babette

 

O loteamento na prefeitura de São Paulo avança a todo vapor.

Enquanto a Soninha brada por uma secretaria em retribuição aos serviços prestados, Orestes Quercia manifesta um interesse menor na máquina municipal e procura compromisso público de apoio a sua candidatura ao senado em 2010. Acontece que a equação no campo demo-tucano é muito mais complexa, que no campo do PT. Tem Afif, tem Alckmin, tem Goldman, tem Kassab, tem Aluisio Nunes, tem…

No aguardo, Alda Marcoantonio não vê graça nenhuma na assistência social e almeja um cargo mais suculento.

Na Câmara o “centrão” aguarda, arma ao pé, as subprefeituras que serão atribuídas ao grupo enquanto prepara a eleição do presidente do legislativo.

A mídia acompanha as negociações políticas entre os partidos aliados, com objetividade. Aqui não tem interesses menores, boquinhas, cargos e loteamento.

Em paralelo, o governo estadual anuncia obras na marginal e ninguém pergunta se as pistas que serão reformadas e a nova pista prevista serão pedagiadas. Cada coisa em seu tempo e no seu devido lugar.

Quando o governador decidirá informar, a mídia transmitirá.

Luis Favre

17/10/2008 - 09:04h A greve dos policiais

PM fez barreira para impedir chegada ao Bandeirantes - Foto João Clara, Diário de S.Paulo

O GLOBO

A greve dos policiais civis de São Paulo começou há um mês. No movimento por aumento salarial, a categoria reivindica 15% de reajuste retroativo a março (mês da data-base), 12% em 2009 e 12% em 2010, além de incorporação dos adicionais ao salário, para que estes sejam somados às aposentadorias. Os policiais ainda estão pedindo a reestruturação da categoria.

O movimento atinge delegados, investigadores, escrivães e peritos, que pedem aumento de salário e melhores condições de trabalho.
A Polícia Civil tem 35 mil policiais no Estado de São Paulo.

Há uma semana, policiais começaram as manifestações, inclusive fechando a maioria das delegacias de São Paulo e cidades da região metropolitana.

O sindicato diz que a categoria está sem reajuste há doze anos e que as perdas nos rendimentos chegam a 60%.

O governo estadual propôs aumento linear de 6,2% para os policiais civis da ativa, aposentados e pensionistas, além de aposentadoria especial, reestruturação das carreiras com eliminação da 5 aclasse e a transformação da 4aclasse em estágio probatório. Por fim, o governo também ofereceu a fixação de inter valos salariais de 10,5% entre as classes.

A polícia civil chegou a suspender a greve por 48 horas na semana passada. A categoria já havia paralisado o trabalho no dia 13 de agosto, reivindicando aumento salarial de 60%. O movimento foi suspenso depois de reunião conciliatória entre representantes de sindicatos, associações de categoria e do governo estadual no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Três dias depois, no entanto, a paralisação foi retomada.

Segundo a orientação da cartilha da greve, devem ser registrados apenas casos de flagrantes, captura de procurados e homicídios.

As diligências referentes a investigações devem ser feitas apenas se forem inadiáveis.

A cartilha, entretanto, ressalta o uso do bom senso na triagem dos casos.

Segundo o diretor do Sindicato dos Investigadores de Polícia de São Paulo (Sipesp), Paulo Kotzent, “o governo se mantém intransigente nas negociações”.

De acordo com ele, a proposta do governo apresentada na semana passada, de reajuste de 6,2%, foi considerada “absurda” pelo movimento grevista, e, por isso, decidiu-se pela realização do protesto. Uma comissão de greve não havia conseguido, até o início da noite, uma audiência com o governador José Serra para discutir o assunto.

09/09/2008 - 09:30h Metalúrgico estimula bancário a obter reajuste real elevado

http://laurobarbosa.com/wp-content/uploads/2007/09/megafone.gifVALOR

A negociação de data-base dos metalúrgicos, que no fim de semana garantiu à trabalhadores de montadoras do ABC reajuste salarial de 11,01%, sendo 3,6 pontos percentuais de ganho real, trouxe ânimo extra aos bancários, que iniciam na próxima semana as negociações de reajustes para a categoria. “Sem dúvida, a conquista dos metalúrgicos reforça nosso argumento”, diz o presidente da Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e coordenador do comando nacional que negocia os reajustes salariais dos bancários, Wagner Freitas.

A categoria, que iniciou ontem a rodada de negociações de cláusulas sociais com os bancos, reivindica um ganho sobre a inflação de 5 pontos percentuais. A proposta será colocada em debate na reunião marcada para o dia 16. A partir daí, as instituições financeiras terão até a data da plenária nacional dos bancários (marcada para 25 de setembro) para aprovar a proposta ou fazer uma contra-oferta. “Caso não haja acordo, também estamos dispostos a deflagrar greve a partir da data da plenária”, diz Freitas. Para o sindicalista, o momento de negociar ganhos reais é este, em que a economia brasileira se expande e dá sinais de que crescerá de forma sustentada. “Essa crença é o que levou as montadoras a aceitarem o repasse.”

A Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar) também trabalha com o objetivo de obter ganhos mais robustos na negociação, que se inicia no dia 19. A categoria, que reúne profissionais das indústrias química, cosmética e de fertilizantes, exige reajuste de 15%, sendo 7% de reposição da inflação, afirmou o presidente da Fequimfar, Danilo Pereira. “As indústrias do setor, como o setor automotivo, tiveram ganhos de produtividade e a idéia é que dividam os ganhos.”

O coordenador da campanha salarial da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antonio de Moraes, também vai exigir da Petrobras, na primeira rodada de negociações que ocorre no dia 16, aumento real de 5%, apoiando-se nas negociações realizadas por outras categorias ao longo do ano. Para o supervisor do escritório regional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), José Silvestre Prado de Oliveira, o reajuste aos metalúrgicos - certamente um dos maiores registrados no ano - reforça o poder de negociação de outras categorias que têm data-base no segundo semestre. “Os metalúrgicos são uma categoria que serve como referência para as negociações de outros grupos”, afirmou.

Mesmo entre os metalúrgicos, a negociação fechada no sábado pelos trabalhadores do ABC serviu de referência para que os trabalhadores da Volkswagen do Paraná endurecessem o discurso. Na semana passada, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba obteve reajuste de 10,1%, sendo 2,6% de ganho real, mas a proposta foi rejeitada pelos trabalhadores da Volks, que querem o mesmo reajuste obtido pelos metalúrgicos do ABC, abono superior aos R$ 1,45 mil oferecidos pela montadora e pagamento dos dias parados, afirmou Sérgio Butka, presidente do sindicato. Em São Paulo, os metalúrgicos do setor de autopeças, funilaria e forjaria também recusaram a proposta das indústrias (8,8% de reajuste, sendo 1,5% de aumento real) para exigir ganho acima da inflação de 3,6%. (CB)

05/09/2008 - 10:11h Volvo reajusta salário em 10%. No ABC, impasse

Assembléia de metalúrgicos da Teksid do Brasil e da Nemak, em Betim (MG)http://portalctb.org.br/site/images/stories/Imagens/di_greve_mg_metal_teksid_nemak_betim.jpg

Continuam em greve no Paraná trabalhadores de Volks, Renault e Nissan.

Em SP, funcionários pararam por 2 horas

Lino Rodrigues - O Globo

SÃO PAULO e RIO. A onda de paralisações de trabalhadores das montadoras produziu ontem um primeiro resultado. A Volvo aceitou conceder 10% de reajuste linear a seus empregados, a ser pago a partir deste mês, mais abono de R$ 1.500. As duas partes cederam: os metalúrgicos, que pediam 5% só de reajuste real (acima da inflação), e a empresa, que reviu sua oferta de 1,25% para 2,5%. A fábrica da Volvo, na Região Metropolitana de Curitiba, estava parada há três dias. Continuam parados na região os 8 mil trabalhadores de Volkswagen, Renault e Nissan. Ao contrário da Volvo, as três querem que o reajuste seja apenas a partir de dezembro.

O impasse também perdura no ABC paulista, onde paralisações de uma a duas horas interromperam ontem a produção na Ford, na Volks e na Scania. Até as 21h de ontem, representantes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e do Sinfavea (das empresas) continuavam reunidos em São Paulo para tentar um entendimento. De manhã, em assembléias, os trabalhadores decidiram suspender a produção extra para este fim de semana. Eles ameaçam entrar em greve por tempo indeterminado na segundafeira, caso as montadoras não apresentem nova proposta.

A entidade não revela a proposta feita aos empresários. — Acreditamos que as empresas vão oferecer proposta razoável para evitar uma greve que não interessa a ninguém — disse o presidente do sindicato, Sérgio Nobre, antes da reunião.

Os metalúrgicos da Força Sindical (mais de 700 mil no estado de São Paulo) devem engrossar o movimento na próxima semana. Ontem, eles fizeram passeata na Avenida Paulista para entregar a pauta de reivindicações à Fiesp. A campanha envolve 54 sindicatos com data-base em 1ode novembro, e reivindica 20% de aumento salarial e jornada de 40 horas semanais.

A pressão dos metalúrgicos pegou as montadoras com estoques em alta, diz a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O volume de veículos nas concessionárias e na indústria subiu 30% entre julho e agosto, de 23 para 30 dias. Para o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, a alta reflete a acomodação do mercado de carros no país, após sucessivos recordes. As vendas de veículos caíram 15,1% em agosto sobre julho, mas subiram 4% contra igual mês de 2007, atingindo 244,8 mil unidades. Já a produção recuou 1% na comparação mensal e avançou 12,6% na anual. — Você não pode crescer sempre 25% — disse Schneider. Sobre as negociações com os metalúrgicos, ele afirmou: — Acredito na maturidade dos atores (sindicalistas e empresários) e que chegaremos a um ponto de equilíbrio com a expectativas dos trabalhadores.

Protesto no Rio deu um nó no trânsito do Centro

No Rio, metalúrgicos da capital, de Niterói e Angra fizeram manifestação em frente à sede da Petrobras, no Centro, pela construção da plataforma P-62 no estaleiro Mauá, de Niterói. Cerca de 3 mil manifestantes iniciaram a caminhada na Praça XV, dando um nó no trânsito. Segundo sindicalistas, a construção da plataforma pode gerar 2.500 empregos no Rio, mas corre o risco de ser levada para outro estado.

05/09/2008 - 09:14h Sem acordo, metalúrgico ameaça greve geral na 2ª. Inflação pesa nas negociações salariais

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CLAUDIA ROLLI - Folha de São Paulo


DIMITRI DO VALLE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA

Sem chegar a um acordo salarial com as montadoras, os metalúrgicos de Volkswagen, Ford, Scania e Mercedes-Benz decidiram suspender a realização de horas extras e a produção no final de semana para pressionar os fabricantes de veículos a negociarem um aumento real “razoável”. Se não houver acordo até amanhã, a categoria pode fazer greve geral a partir de segunda-feira.

A medida vale para os trabalhadores do ABC de outras empresas que também estão em campanha salarial, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (CUT). Ao menos 10 mil empregados da Volkswagen, Ford, Scania e autopeças de Diadema paralisaram em até duas horas as atividades ontem.

As paralisações, concentradas na entrada dos turnos da manhã, não afetaram a produção, segundo as montadoras.

No Paraná, base da Força Sindical, cerca de 8.000 metalúrgicos da Renault/Nissan e Volkswagen/Audi decidiram ontem manter a greve em São José dos Pinhais. A paralisação completa hoje cinco dias.

Até a noite de ontem, representantes das montadoras do ABC e dos trabalhadores estavam reunidos na sede do Sinfavea (sindicato dos fabricantes de veículos) para tentar chegar a um acordo.

“As montadoras têm até sábado [amanhã] para apresentar um proposta decente, caso contrário a greve será por tempo indeterminado a partir de segunda-feira. O que foi oferecido está longe do razoável”, afirma Sérgio Nobre, presidente do sindicato da categoria no ABC.
“Na negociação, pensamos a longo prazo e não apenas no atual momento da indústria, assim como as decisões sobre investimento. Temos de pesar também as condições competitivas da indústria no cenário internacional e nos impactos de qualquer aumento de custo”, diz Jackson Schneider, presidente da Anfavea (fabricantes). “Estamos abertos à negociação e acredito na maturidade dos atores nesse diálogo.”
Os sindicalistas não divulgam o índice de reajuste pretendido no ABC, mas já descartaram a proposta feita anteriormente de 1,25 ponto percentual de aumento acima da inflação.

No ano passado, o aumento real nos salários chegou a 2,5 pontos acima da inflação. A indústria automobilística encerrou o ano com 2,34 milhões de automóveis e comerciais leves emplacados -melhor resultado dos últimos dez anos. Nos oito primeiros meses deste ano, os licenciamentos já alcançaram 1,94 milhão de unidades -26,4% de aumento sobre mesmo período de 2007.

“Uma parcela do crescimento do setor tem de ir para o bolso do trabalhador. Não estamos pedindo 20% de aumento real.

Sem acordo, vamos cortar as horas extras”, diz Moisés Selerges, diretor do sindicato.

Na Mercedes-Benz, os metalúrgicos estimam que 400 caminhões e ônibus deixarão de ser produzidos no final de semana. Anteontem, outros cem já deixaram de ser fabricados com uma paralisação.

Os metalúrgicos ligados à Força Sindical fizeram passeata e manifestação ontem pela manhã em frente ao prédio da Fiesp (federação das indústrias), na avenida Paulista. Para a central, a adesão foi de 5.000 trabalhadores representados por 54 sindicatos paulistas. Para a PM, foram cerca de 1.500.

“Os 20% de reajuste que pedimos foi calculado com base na produtividade que o setor teve e na inflação que tem de ser reposta”, diz Eleno Bezerra, presidente do sindicato da categoria em São Paulo e da confederação nacional da Força.

No Paraná, os trabalhadores rejeitaram contraproposta das empresas de reajustar os salários em 10% -sendo 2,5 pontos percentuais de aumento real.

Os grevistas pedem o dobro.

Já os 2.700 funcionários da Volvo (Curitiba) aceitaram a proposta patronal e receberão 10% mais abono de R$ 1.500. O sindicato da região informa que cerca de 6.600 veículos deixaram de ser fabricados desde o início da paralisação. Colaborou KAREN CAMACHO, da Folha Online

 

 

Cai o número de acordos salariais que não têm perdas

Marcelo Rehder - O Estado de São Paulo

A escalada da inflação atrapalhou a campanha salarial das categorias com data-base no primeiro semestre. O resultado das negociações foi o pior dos últimos três anos, segundo levantamento divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

De um total de 309 acordos analisados pela entidade, 86% conseguiram zerar as perdas com a inflação ou garantir aumento real de salário na primeira metade do ano. O número é menor que os apurados nos acordos fechados em igual período de 2006 e de 2007 , que ficaram próximos de 97%.

“O repique na inflação dificultou as negociações, principalmente em setores que sofrem a concorrência das importações, que ficaram mais baratas por causa da valorização do real em relação ao dólar”, disse Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Dieese.

Segundo ele, as empresas continuam a obter ganhos expressivos de produtividade, mas o aumento da inflação reduz a margem de manobra para alguns setores concederem aumentos reais sem repasse para os preços. “Os trabalhadores são os que mais perdem com a inflação, pois sofrem arrocho salarial e têm o poder aquisitivo corroído ainda mais pela inflação futura”.

Apesar de inferior ao dos últimos dois anos, o resultado das campanhas salariais de 2008 foi o terceiro melhor para um primeiro semestre desde 1996, quando a pesquisa passou a ser feita.

De acordo com o Dieese, 74% dos acordos firmados na primeira metade deste ano garantiram aumento real de salários. O porcentual é menor que o verificado nos últimos dois anos: 84% e 87%, pela ordem. A proporção de acordos que não conseguiram sequer repor as perdas com a inflação aumentou de 3%, em 2007, para 14%, agora.

As empresas do setor industrial foram as que concederam maior número de aumento de salários acima da inflação, com 81% das negociações. Em seguida ficou o comércio, com 80%, e os serviços, com 64%.