24/11/2009 - 12:21h Viagens de negócios aquecem mercado aéreo

Volta dos passageiros corporativos vem sendo fundamental para o crescimento do setor

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Michelly Chaves Teixeira – O Estado SP

A ascensão das classes C e D abre às companhias aéreas perspectivas de negócios animadoras, mas foi a volta dos viajantes a negócios que mereceu destaque nos balanços financeiros da TAM e Gol. Parte da expansão de 26% do mercado doméstico no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2008, é atribuída pelas aéreas às viagens corporativas, que engrenam uma retomada neste cenário de reativação da atividade econômica.

Para o presidente da TAM, Líbano Barroso, este segmento deve manter o ritmo histórico de superar duas vezes e meia a expansão do PIB, estimada em 5% pelos economistas para 2010. Segundo ele, esse mercado reagiu de forma mais clara a partir da segunda quinzena de setembro. Até 15 de dezembro, a busca destes clientes por voos continuará “forte”, mas depois, até o fim de janeiro, entram em cena os viajantes a lazer. “A volta do viajante a negócios coincide com a percepção de melhora do momento econômico”, afirmou o executivo. Hoje, cerca de 75% dos passageiros da TAM viajam a negócios, enquanto a média do mercado ronda os 68%, diz Barroso.

A Gol também detectou um aumento no número de passageiros corporativos no terceiro trimestre, segundo Eduardo Bernardes, diretor comercial da empresa. Além da melhora na economia, contribuiu para a maior procura de usuários corporativos a integração da malha aérea com a Varig, além da possibilidade de os clientes da Gol acumularem milhas no programa de milhagem Smiles. Dos clientes que viajam pela Gol, 62% pertencem ao mercado corporativo. “Em 2001, quando a Gol iniciou suas operações, perto de 80% dos viajantes na indústria brasileira de aviação eram deste segmento”, diz.

As duas empresas disputam palmo a palmo os clientes pessoas jurídicas. Segundo os dados mais recentes da TMC Brasil (Associação das Empresas Administradoras de Viagens de Negócios do Brasil), no primeiro semestre a TAM tinha 52% das vendas nacionais de seis agências de viagens corporativas filiadas à entidade. Apesar da liderança, a participação é inferior aos 61,4% indicados nos primeiros seis meses de 2008. O grupo Gol/Varig, por sua vez, saiu de 34,2% para 40,7% no período.

PREÇOS

O consultor de Aviação da Bain & Company, André Castellini, observa que o crescimento do mercado aéreo, seja com passageiros de turismo ou de negócios, não significou uma melhora nas tarifas na mesma proporção. Somente agora é que a perspectiva de recomposição dos preços das passagens começou a ocorrer. Dados da Associação Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que o preço médio das passagens aéreas em outubro subiu 16,6% nos voos nacionais, na comparação com setembro. O valor médio ficou em R$ 312,20 em outubro, ante os R$ 267,75 verificados no mês anterior.

Além da política agressiva de preços das empresas, Castellini diz que o excesso de oferta de assentos também dificulta a recuperação das receitas.

17/11/2009 - 17:05h Exuberância feminina no interior da França

Meu prato: Marie-Pierre é a mulher que faz a diferença na expansão dos domínios Troisgros.

Por Nicholas Lander, Financial Times – VALOR


Divulgação
Foto Destaque
A contribuição especial de Marie-Pierre para o império Troisgros emergiu pela primeira vez na abertura do Le Central


Nos últimos 79 anos, o nome Troisgros e a cidade de Roanne (a 100 km de Lyon, no leste da França) são sinônimos da melhor cozinha francesa. Em 1930, Jean-Baptiste Troisgros abriu o restaurante da família do lado aposto da estação ferroviária. Seus filhos, Jean e Piere, o administraram depois dele e agora o filho de Pierre, Michel, está no comando.

O local original, a Maison Troigros, é hoje um restaurante com salas que há muito recebe a classificação máxima de três estrelas do celebrado guia Michelin. A família também é dona do Le Central, o café-delicatessen que fica ao lado, e do La Colline du Colombier, um “auberge” de campo que fica a 30 minutos de automóvel de Roanne.

Mas nos últimos 25 anos a força comercial que vem conduzindo o sucesso dos Troisgros é uma mulher que nunca quis de fato se estabelecer em Roanne. Marie-Pierre Lambert nasceu em Valença no vale do Rhône. Ela se matriculou no hotel-escola de Grenoble em 1973 porque queria uma profissão que lhe permitisse conhecer o mundo. Michel Troisgros era um colega de classe e ela descreve o primeiro encontro dos dois como um “coup de foudre”, ou amor à primeira vista.

Foto Destaque
La Colline du Colombier: restaurante de campo e hotel com abrigos de ferramentas transformados em cabanas-iglus


Assim que se formaram, ela fez com ele uma viagem ao redor do mundo, enquanto ele estabelecia sua carreira. Mas não foi fácil. “Michel cozinhou em Bruxelas, no [hotel cinco estrelas] Connaught de Londres e em Nova York. Naqueles dias os hoteleiros relutavam em contratar casais”, explica ela. “Hoje é muito diferente. Fico feliz em dizer isso.”

No começo de 1983, eles retornaram a Roanne para uma estadia de seis meses, com planos de se mudarem para a Austrália e lá abrir seu próprio restaurante. Mas em agosto daquele ano, o tio de Michel, Jean, morreu. Marie-Pierre e Michel decidiram ficar. Naquela altura já casados, Marie-Pierre assumiu seu papel na Maison Troisgros junto com a família do marido.

Marie-Pierre diz que sua falecida sogra era supergentil, mas que a função dela era puramente de “maîtresse” do restaurante, alguém que recebia os clientes, certificava-se de que tudo estava correndo tranquilamente no salão e então se despedia dos comensais.

Marie-Pierre teve dificuldade para encontrar seu próprio nicho, mas agora admite que provavelmente a adaptação foi mais difícil para Michel, que estava trabalhando com duas madames Troisgros.

A contribuição especial de Marie-Pierre para o império Troisgros emergiu pela primeira vez na abertura do Le Central em 1996, a poucas portas de “la grande maison”, como ela se refere ao restaurante principal.

O Le Central é descrito pela família como “café/mercearia”. Suas prateleiras estão cheias de vinagres, pasta e molhos, enquanto suas paredes são cobertas de fotografias em branco e preto de seus fornecedores de ingredientes e vinhos. Para o jantar, tivemos suflê de queijo, risoto com cogumelo marrom, pernas de rã com gengibre e alho, e uma maravilhosa torta Tatin.

Marie-Pierre parece estar ainda mais em seu elemento no La Colline du Colombier, um restaurante de campo e hotel criado em uma ex-fazenda perto de Iguerande.

O La Colline du Colombier recebeu seu nome por causa do pombal que havia no local, que hoje abriga um cozinha circular e um banheiro maravilhoso logo acima dela. Ele é a coroação da busca por um local empreendida por Marie-Pierre durante oito anos, com um conjunto de construções que permitisse à família fazer algo original e instigante no exuberante interior da França.

No começo, tudo que a família viu foram construções deterioradas. “Queríamos algo que expressasse o estilo Troisgros, queríamos algo bem mais tranquilo, em harmonia com o século XXI.”

Com o arquiteto Patrick Bouchain, eles também conseguiram encontrar uma solução bem incomum para o problema de que as casas existentes na fazenda não ofereciam quartos suficientes para tornar a conversão viável.

Inspirando-se nas cabanas locais, ou “cadoles”, usadas pelos produtores de vinho como abrigo de ferramentas. Eles construíram três dormitórios no estilo cadole, que são os quartos mais confortáveis e talvez mais românticos. Eles se parecem com iglus cortados ao meio, em estilo pastoral, com um espaço de estar ultramoderno construídos diante de estacas de aço para permitir uma visão ininterrupta do cenário rural.

O belo celeiro que acomodava o gado é hoje o restaurante Le Grand Couvert. Seu cardápio de outono a € 35 oferece pratos com presuntos variados, bruschetta de escargot com ervilhas; um mousse de fígado de frango com camarão de água doce; salmão com molho de pimenta vermelha; e um delicioso pot-au-feu.

Marie-Pierre fala com grande paixão do Le Colombier e do tempo que já está com os Troisgros – ela diz, modesta, que se vê como “braço direito” de Michel -, mas seu sorriso aumenta quando ela fala de César, o filho mais velho do casal.

César está seguindo os passos da família e atualmente trabalha como chef do restaurante French Laundry, no Napa Valley, na Califórnia. Mas somente o tempo dirá se ele vai sucumbir ao charme de Roanne – como fez sua mãe.

(tradução Mario Zamarian)

08/11/2009 - 12:56h A “gestão” tucana e o ambiente para os negócios

Na campanha eleitoral de 2004, José Serra acusava a administração municipal de Marta, por emperrar os negócios e as empresas em São Paulo, com excesso de burocracia. Já na época a principal responsabilidade recaía sobre o governo estadual e sua burocracia, administrada pelo PSDB.

Hoje, após 14 anos de governo tucano no Estado e quase 6 anos na prefeitura, a situação só piora.

Segundo o artigo do Estadão, “o governo paulista tem consciência do problema“, ah bom… LF

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Burocracia emperra negócios em SP

Distrito Federal, Amazonas e Minas lideram ranking de melhor ambiente para negócios, enquanto SP aparece em 11º lugar

Renée Pereira – O Estado SP

O excesso de burocracia tem castigado os investidores que decidem fazer negócios em São Paulo, a principal economia do Brasil. Hoje, é mais fácil tirar um projeto do papel na Bahia, no Maranhão, em Santa Catarina e em Mato Grosso do Sul do que em território paulista, mostra levantamento da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), com base em dados do Banco Mundial.

No ranking geral, o Estado ocupa apenas a 11ª posição no quesito melhor ambiente de negócios, que considera tempo e custo de abertura de empresa e registro de propriedade e garantias, além de procedimentos para recolhimento de impostos, carga tributária e cumprimento de contratos. As três primeiras posições são do Distrito Federal, Amazonas e Minas Gerais (onde é mais rápido abrir uma empresa no Brasil).

“Apesar das várias medidas que começam a ser tomadas, São Paulo ainda é um Estado muito burocrático”, avalia o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho. Na opinião dele, por causa da melhor infraestrutura em relação ao resto do País, São Paulo se esforça pouco para atrair investimentos. “Nos demais locais, a necessidade de capital novo tem incentivado a simplificação dos processos para ganhar competitividade.”

Um dos principais pontos fracos do Estado é a demora na abertura de empresas, três vezes maior que a média nacional. O advogado José Samurai Saiani, do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice, conta que recentemente gastou seis meses na montagem de uma indústria automotiva no Estado para um investidor europeu. “Eles ficam incrédulos com a burocracia e a falta de conexão entre os órgãos públicos.”

Na avaliação dele, mais complicado que conseguir o CNPJ e a Inscrição Estadual é obter licenças de instalação e operação das empresas. Isso porque há uma sobreposição de avaliações entre as esferas municipal, estadual e federal. “E nem sempre há consenso entre os órgãos. Por isso, alguns processos se arrastam por um ano.”

A advogada Eleonora Altruda de Faria, da Advocacia Celso Botelho de Moraes, teve de recorrer à Justiça para fazer um registro de mudança societária na Junta Comercial de São Paulo. “Eles pediam documentos que não tinham nenhuma relação com o processo. Levamos três meses para efetuar o registro. Isso depois de conseguir uma liminar.”

O governo paulista tem consciência do problema. Exemplo disso é que lançou o Programa Estadual de Desburocratização (PED) para reduzir os prazos de abertura de empresas e concessão de licenças. Até o fim do ano, a expectativa é lançar o Sistema Integrado de Licenciamento (SIL), que unificará os processos.

“No caso de atividade de baixo risco, o empreendedor receberá um alvará provisório enquanto as vistorias não são feitas dentro de, no máximo, seis meses”, diz o secretário do Emprego e Relação do Trabalho de São Paulo, Guilherme Afif Domingos. Ele afirma que o governo trabalha na criação de um Poupatempo para pessoa jurídica. A intenção é permitir que requerimentos sejam feitos via internet, possibilitando a abertura de empresa em 15 dias.

Responsável por mais de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) do País, São Paulo ajuda a puxar para baixo a posição brasileira no ranking dos mais burocráticos do mundo. No último relatório Doing Business, do Banco Mundial, o Brasil aparece em 129º lugar – dois a mais que na pesquisa anterior.

“A burocracia é uma epidemia nacional. Está no DNA do País”, critica o presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), André Franco Montoro Filho.

Para ele, um dos principais problemas está na burocracia tributária, que eleva a informalidade da economia e aumenta a sonegação. Isso sem contar a complexidade no recolhimento dos impostos. De acordo com o levantamento da Fiesp, entre 13 Estados, Minas Gerais e São Paulo impõem maior dificuldade para o pagamento dos tributos. A Bahia tem o melhor sistema para recolher tributos, ao lado de Rondônia e Mato Grosso do Sul.

Em recente evento, Jorge Gerdau, presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau, contou que sua empresa conta com 200 pessoas no Brasil para controlar a área tributária, enquanto no Canadá precisa de apenas “meia pessoa” para a mesma função.

Tudo isso provoca um gasto adicional equivalente a 5% do PIB, conforme cálculos do próprio governo federal. “Os estrangeiros estão muito interessados em investir no Brasil, mas reclamam muito da burocracia e da carga tributária”, destaca a advogada Eleonora.

28/07/2009 - 10:55h Grupos brasileiros crescem em ranking dos maiores do mundo. Petrobras avança do 37º para o 8º lugar

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Para consultoria, números mostram que empresas do País estão se recuperando mais rápido

Renato Cruz – O Estado SP

As grandes empresas brasileiras estão entre as que mais se valorizaram no mundo no primeiro semestre, avançando no ranking das 300 maiores empresas globais, por valor de mercado, elaborado pela consultoria Ernst & Young. O levantamento mostrou a recuperação das empresas depois do ponto mais crítico da crise mundial, no final do ano passado.

O número de empresas brasileiras na lista passou de cinco, em dezembro, para oito, em janeiro, com três delas entre as 100 maiores: Petrobrás (8º lugar), Vale (46º) e Itaú Unibanco (76º). Entre as 300 maiores, ainda aparecem o Bradesco (120º), a AmBev (147º), o Banco do Brasil (204º) e o Banco Santander do Brasil (254º). O estudo tem como base o valor das ações das empresas ao fim do semestre.

“A recuperação está muito alinhada com os Brics”, disse Paulo Sérgio Dortas, sócio da área de transações corporativas da Ernst & Young, referindo-se ao grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia e China. “A Rússia e a China também se recuperaram.”

O total de empresas chinesas na lista das 100 maiores passou de oito no fim de 2009 para 11 em junho. No entanto, as três brasileiras entre as 100 maiores foram as que apresentaram a maior valorização, com valor conjunto de US$ 313,8 bilhões. Elas subiram 101%, ficando muito à frente das russas, que acumularam um aumento de 42%, com o segundo melhor resultado entre os países.

A China tem três empresas entre as dez maiores: Petrochina (1º), Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) (3º) e China Construction Bank (6º). A operadora de telecomunicações China Mobile (5º) tem sede em Hong Kong. A Petrochina ultrapassou a americana Exxon Mobil, que ocupava o topo da lista no fim do ano passado e passou para o segundo lugar.

A Petrobrás é a única empresa brasileira entre as 10 maiores. Seu valor de mercado passou de US$ 95,895 bilhões para US$ 164,818 bilhões, avançando do 37º para o 8º lugar no ranking. A Vale subiu do 68º para o 46º lugar, com um valor de mercado de US$ 89,317 bilhões, o que equivale a um crescimento de 48% no trimestre. “A valorização da Petrobrás e da Vale reflete, em grande parte, a recuperação do mercado de commodities”, destacou Dortas.

A alta dos bancos brasileiros, com a entrada de dois deles na lista das 300 maiores empresas, mostra como eles foram pouco afetados pela crise, quando comparados com as instituições de países desenvolvidos. “Uma notícia muito boa foi o avanço da AmBev, que está muito mais ligada à situação do País que ao mercado internacional”, disse o consultor. “É uma empresa que depende mais do mercado interno, e sua recuperação mostra que as classes C, D e E continuam consumindo.”

Com base nos dados do estudo, Dortas apontou que já existem sinais de que a retomada do crescimento começa a acontecer mais rápido que o esperado, puxada pelos Brics. “O Brasil e a China são os carros-chefe, e estão surpreendendo quem só esperava uma recuperação para 2010.”

As empresas americanas e europeias perderam espaço na lista das 300 maiores do primeiro semestre, com um crescimento da Ásia. “Apesar de ainda estarem em primeiro lugar, essas economias têm perdido pujança”, apontou. O total de empresas americanas entre as 300 maiores manteve-se estável, com perdas de posições para muitas delas, enquanto o número de empresas europeias caiu de 110 para 95. Entre as 100 maiores, a presença europeia passou de 46 para 35 companhias.

Depois de cair 22% no primeiro semestre de 2008 e 33% no segundo, o valor das 300 maiores empresas voltou a crescer, com expansão de 8%, ou US$ 1,1 trilhão. No ano passado, perderam US$ 11,3 trilhões.

25/03/2009 - 15:32h Agências Fischer e Fala! se unem

Fusão faz parte da reestruturação do grupo Totalcom

Marili Ribeiro, O Estado SP

As agências de propaganda Fischer América e Fala!, ambas do grupo Totalcom, comandado por Eduardo Fischer, vão unir suas operações. A fusão faz parte de um processo de reestruturação da Totalcom, que busca integrar cada vez mais suas atividades. “O mercado publicitário global está buscando modelos de integração há tempos”, diz Fischer. “A atual crise mundial só agravou a necessidade de se encontrar um novo modelo de negócios para o segmento.”

Segundo Fischer, três fatores impulsionaram sua empresa a romper com o modelo vigente de holding de comunicação que abriga várias agências prestadoras de serviço: a queda da rentabilidade das agências nos últimos tempos; o crescimento da mídia online, que revolucionou a forma de as empresas enviarem mensagens publicitárias; e a crise econômica, que reduz verbas e obriga os profissionais do meio a se posicionarem como consultores estratégicos, capazes de oferecer mais do que uma boa ideia para uma campanha.

Com a fusão, a nova agência FischerAmérica + Fala! já se posiciona, pela soma de seus faturamentos brutos em 2008, entre as dez maiores agências do País. Assume a 8ª posição, com faturamento anual de R$ 1, 138 bilhão, segundo dados do Ibope Monitor. Ao se tornarem uma única agência, porém, Fischer e Fala! deixam de competir por verbas conflitantes de anunciantes concorrentes. Não poderá atender, por exemplo, dois fabricantes de automóveis ao mesmo tempo. Para não perder receita, o grupo pretende ampliar e aprofundar os serviços oferecidos a cada um dos clientes.

A Fala!, dedicada principalmente ao varejo, por conta da experiência de seu fundador, Allan Barros -que trabalhou vários anos nas Casas Bahia-, vem mantendo crescimento constante desde sua criação, há três anos. Seu sucesso tornou-a cobiçada no mercado e, há pouco mais de um ano, a Totalcom comprou 60% das ações. Agora, Barros assume a posição de copresidente comercial da nova agência e segue na condição de sócio. A presidência da nova agência fica com Antônio Fadiga, que já comandava a Fischer e é também sócio da Totalcom.

O varejo, aliás, é a saída para o atual cenário de crise, acredita Fischer. Os anúncios institucionais vão ceder espaço para as ações. “Na hora da crise, todo mundo quer essa inteligência comercial capaz de ativar vendas, e estamos nos preparando para oferecer isso com um diferencial que o mercado não tem.”

MUDANÇA

A reestruturação da Totalcom dividiu a empresa em quatro plataformas de atuação, com, por exemplo, uma área voltada para prestação de serviços de marketing promocional, incentivo e eventos, entre outros, assim como também prevê a criação de uma área voltada para o desenvolvimento de projetos de conteúdo.

Para Fischer, no entanto, essas plataformas de atuação devem se transformar, com o tempo, em uma só, com a total integração das atividades.

12/03/2009 - 11:04h Usineiros querem discussão sobre etanol em encontro de Lula e Obama

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Ricardo Balthazar, de Washington – VALOR

Usineiros brasileiros sugeriram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que proponha ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a criação de mecanismos capazes de aprofundar a cooperação entre os dois países na área energética e aumentar as vendas de etanol do Brasil para o cobiçado mercado americano, onde o produto enfrenta barreiras para entrar.

Representantes do setor estiveram nos últimos dias com ministros e o próprio Lula, num esforço para assegurar que o tema entre na conversa que ele terá com Obama sábado, na Casa Branca. Diplomatas envolvidos com os preparativos da reunião esperam que o assunto seja discutido, mas duvidam que o encontro, que será o primeiro contato pessoal dos dois presidentes, produza avanços nessa área.

O Brasil e os EUA assinaram há dois anos um memorando de entendimentos para promover o uso de combustíveis alternativos como o etanol em alguns países do Caribe e ampliar a demanda mundial pelo produto. Mas o acordo não produziu até hoje benefícios para os usineiros brasileiros e isso acabou gerando enorme frustração na indústria.

O Brasil vendeu no ano passado 1,7 bilhão de litros de álcool para os EUA, o equivalente a pouco mais de 5% do consumo americano e 7% da capacidade de produção brasileira. Os usineiros acham que teriam condições de dobrar suas exportações para os EUA se fossem removidas as tarifas que o país cobra do etanol importado atualmente.

“Tem álcool sobrando no mundo inteiro hoje e o Brasil poderia ajudar os americanos a aumentar o consumo de biocombustíveis, complementando a produção das usinas americanas”, disse o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, que chegou a Washington na terça-feira para manter contatos com o governo e o Congresso.

A crise econômica internacional atingiu em cheio a indústria de etanol dos EUA. Pelo menos 23 usinas fecharam nos últimos meses e investimentos na expansão do setor foram suspensos, gerando dúvidas sobre sua capacidade de aumentar a produção de combustível no ritmo necessário para cumprir metas de consumo estabelecidas pela legislação para os próximos anos.

Muitas usinas brasileiras também estão enfrentando dificuldades financeiras, mas o álcool do Brasil, onde o combustível é extraído da cana-de-açúcar, é mais competitivo do que o produzido nos EUA, onde as usinas usam o milho como matéria-prima. A principal tarifa cobrada pelos americanos nas importações de álcool do Brasil vence em dezembro de 2010, mas pode ser renovada pelo Congresso.

Na campanha eleitoral do ano passado, Obama defendeu em várias ocasiões a manutenção dos incentivos que protegem a indústria americana. Mas de lá para cá o setor perdeu parte do apoio que tinha no Congresso por causa da preocupação crescente com o impacto da expansão dos biocombustíveis sobre o meio ambiente e os preços dos alimentos no mundo inteiro.

Paralelamente, empresários do Fórum Brasil-EUA de Altos Executivos, grupo que representa vários setores com negócios nos dois países, planejam enviar a Lula e Obama até amanhã uma carta para cobrar seu empenho nas negociações de um acordo que elimine a dupla tributação das empresas que têm atividades nos dois países, uma antiga reivindicação do setor privado.

Brasil e EUA discutem esse assunto há vários anos e recentemente assinaram um acordo para troca de informações na área tributária, considerado um passo preliminar para a discussão de um tratado mais abrangente. Mas o acordo empacou no Congresso brasileiro, por causa do incômodo gerado em setores da indústria nacional pelo grau de acesso exigido pelas autoridades americanas às informações que o fisco brasileiro tem sobre elas.

19/02/2009 - 09:21h Um seminário no momento oportuno

Editorial do caderno Economia do jornal O Estado SP

No dia 16 de março será realizado em Nova York, por iniciativa do The Wall Street Journal e do jornal Valor, um seminário sobre a economia brasileira com o objetivo de atrair investidores estrangeiros. O presidente Lula e alguns dos seus ministros estarão lá, assim como representantes de empresas brasileiras.

O evento se mostra oportuno nesta conjuntura, porque o Brasil parece se destacar entre os países emergentes como o que menos será afetado pela crise atual, mas precisa captar investimentos estrangeiros para enfrentar dificuldades no balanço de pagamentos e para aperfeiçoar sua tecnologia.

A maior resistência à crise se explica, sobretudo, por o Brasil dispor de um sistema bancário que, graças às normas do Banco Central, escapou dos graves problemas que os bancos enfrentam na maioria dos países industrializados – que permite acesso a recursos importantes, embora insuficientes, para investimentos na infraestrutura, capazes de criar novas oportunidades de trabalho e de dar um salto na capacidade de concorrência em relação a outras economias.

A crise, neste momento, no Brasil, tem seu foco principal na queda da demanda interna em razão do aumento do desemprego e, ao mesmo tempo, de uma forte restrição na oferta de crédito, consequência do fechamento do mercado financeiro internacional, que não somente reduz a disponibilidade de crédito interno, como também do crédito destinado às exportações.

A queda da rolagem da dívida externa, embora ligeiramente melhor do que há alguns meses, ilustra claramente essas dificuldades, ficando hoje em torno de 50%, ante mais de 120% anteriormente. E até o dia 13 de fevereiro o saldo cambial era negativo em US$ 1,992 bilhão, ante um saldo de US$ 1,554 bilhão no mesmo período de 2008.

Com uma melhoria no nível de emprego e uma maior oferta de crédito a um custo razoável, seria possível, em pouco tempo, uma reação positiva da demanda. Ao contrário do que ocorre nos países industrializados nesse quadro da crise, onde o universo de negócios se apresenta bastante saturado tanto do lado da demanda quanto do da oferta, o Brasil oferece ainda muitas oportunidades que podem interessar aos investidores estrangeiros, dadas as nossas reservas internacionais elevadas, a nossa estrutura administrativa estável, nossa legislação segura para o capital estrangeiro e – como se verifica atualmente – a flexibilização progressiva da legislação trabalhista.

27/01/2009 - 11:29h Retrato da crise

Celso Ming – O Estado SP

celso_ming2.jpgAs contas externas, que registram todo o movimento da economia com os demais países ao longo de um período, são as primeiras a sofrerem o impacto de uma crise global. E isso já vai claramente apontado nos números finais de 2008 que ontem o Banco Central divulgou.

O rombo geral em Conta Corrente, onde não é computada a entrada líquida de capitais, foi de US$ 28,3 bilhões, o primeiro déficit em 6 anos.

A desaceleração das exportações junto com a aceleração das importações tiveram lá seu peso. Mas foi decisiva a disparada da remessa de lucros e dividendos para o exterior, que saltou de US$ 22,4 bilhões em 2007 para US$ 33,9 bilhões em 2008. Só nos três últimos meses de 2008 as remessas para fora foram de US$ 21 bilhões.

Não se trata de fuga de capitais, como acontecia a cada crise do passado no Brasil. Desta vez, a principal explicação para essa paulada foi o movimento imposto às filiais das empresas estrangeiras no País: no meio da crise, as matrizes ficaram sem caixa lá fora e obrigaram suas controladas a remeterem de volta suas disponibilidades.

Esse fenômeno é novo no Brasil e não deve se repetir em 2009. Por isso, é perfeitamente plausível contar com um déficit em Conta Corrente até mais baixo neste ano. De todo modo, as projeções sobre esse item são disparatadas. O Banco Central projeta US$ 52 bilhões, volume um pouco maior do que o do ano passado. Mas o mercado, cujos números são aferidos pelo Banco Central na pesquisa semanal Focus, trabalha com metade disso.

O dado mais impressionante é o vigor dos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) que, apenas em dezembro – portanto em plena crise -, injetaram US$ 8,1 bilhões no País, o que totalizou US$ 45,1 bilhões ao longo do ano, o correspondente a 1,78% do PIB, bem mais do que os US$ 30 bilhões projetados pelo Banco Central.

A força dos investimentos estrangeiros tem várias explicações. A primeira é a de que, apesar da crise, o comportamento da economia brasileira é razoável, o que contribui para atrair capitais de longo prazo. Mas começa a influenciar um fator circunstancial. O Brasil é o B de uma sigla que ficou em evidência. Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) foi uma invenção do economista Jim O?Neill, do Goldman Sachs, para caracterizar os quatro emergentes com maior probabilidade de se tornarem ricos em menos de 40 anos. Trata-se de uma sigla fortuita, que nem obedece à ordem alfabética, mas que pegou. O crescente protagonismo em eventos internacionais colaborou para o aumento da percepção de que está chegando a hora de o Brasil deixar de ser o país do futuro para ser o do presente.

Assim, estrategistas dos grandes negócios passaram a enxergar o Brasil como o país que não pode ficar fora de uma carteira de investimentos de longo prazo.

Para 2009, as projeções sobre o IED também são disparatadas, o que não deixa de ser normal, nas circunstâncias. O Banco Central, por exemplo, prevê um IED de US$ 30 bilhões. Mas as expectativas do mercado, medidas pelo Focus, apontam um total 23% menor, de US$ 23 bilhões.

Mas esta é uma crise de comportamento imprevisível. A esta altura, qualquer projeção para contas externas não passa de exercício de futurologia.

CONFIRA

Fim da arbitragem? – Há meses, ninguém mais se queixa de que os especuladores estão tomando empréstimos lá fora e mandando dólares para o Brasil de maneira a tirar proveito dos juros internos.

Os juros no Brasil continuam sendo os mais altos do mundo, os externos caíram para mais perto do zero e a alta do dólar garante, no câmbio, mais reais por dólar trazido para o Brasil.

No entanto, os investimentos em carteira fecharam o ano negativos: saída líquida de US$ 4,3 bilhões. No ano anterior, foram US$ 48,4 bilhões (positivos). Ou seja, na crise a a tal arbitragem sumiu.

27/01/2009 - 10:54h Investimento estrangeiro é recorde

Em 2008, apesar da crise global, IED no País somou US$ 45 bilhões, melhor resultado desde 1947, segundo o BC

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Sérgio Gobetti – O Estado SP

O Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil bateu o recorde em 2008, atingindo a surpreendente cifra de US$ 45 bilhões, apesar de todo o pessimismo decorrente da crise financeira internacional. Foi o melhor resultado desde 1947, segundo os registros do Banco Central (BC).

O IED reúne todas as transações financeiras de entrada de dólares para investimentos produtivos ou aquisição de empresas no Brasil. Com esse resultado, o valor do IED mais do que compensou o déficit em transações correntes do ano passado, que atingiu US$ 28,3 bilhões, o pior resultado desde 1998.

A conta de transações correntes registra o saldo das operações de comércio, serviços e rendas do País com o exterior. Em2007, ela havia registrado superávit de US$ 1,5 bilhão.

Em 2008, a conta corrente foi deficitária tanto porque o saldo da balança comercial diminuiu – de US$ 40 bilhões em 2007 para US$ 24,7 bilhões no ano passado – quanto porque o déficit da balança de serviços piorou, com o aumento das remessas de lucros e dividendos ao exterior.

REMESSAS

No ano passado, as empresas multinacionais instaladas no Brasil aproveitaram os altos lucros obtidos no País e transferiram US$ 33,8 bilhões para tentar melhorar as contas de suas matrizes no exterior.

Levaram mais vantagem as empresas que fizeram essas remessas antes da desvalorização do real, a partir de setembro, mas muitas ainda faziam transferências em dezembro por causa da necessidade de ajudar as matrizes no fechamento de balanço anual.

Os analistas esperavam que, a partir do agravamento da crise financeira internacional, o movimento do IED acompanhasse a saída de dólares decorrente de remessa de lucros e dividendos e do refluxo de investimentos em títulos públicos e ações.

Nos últimos quatro meses, o Brasil perdeu mais de US$ 10 bilhões de investimentos especulativos. O IED, ao contrário, se manteve em alta e chegou a somar, em dezembro, US$ 8,1 bilhões – o segundo maior valor mensal da série do Banco Central.

Até mesmo o Banco Central foi surpreendido por esses números. Até agosto, quando o IED acumulava um valor de US$ 24,6 bilhões, projetava-se um ingresso de total de US$ 35 bilhões no ano – ou seja, mais US$ 10 bilhões. Desde setembro, entretanto, o movimento se intensificou e houve um ingresso de mais US$ 20,5 bilhões, principalmente para participação no capital de empresas.

“A despeito da crise, o investidor estrangeiro continua acreditando nos fundamentos da economia brasileira e essa credibilidade é disseminada por vários setores econômicos”, disse o chefe do Departamento Econômico do Banco Central , Altamir Lopes.

AGRICULTURA

O maior crescimento de Investimento Estrangeiro Direto ocorreu no setor de agricultura, pecuária e extração mineral, que pulou de US$ 4,7 bilhões em 2007 para US$ 13 bilhões em 2008. O alto valor de investimento verificado em dezembro (US$ 8 bilhões), por exemplo, foi influenciado por uma operação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que vendeu 40% da subsidiária Namisa para uma companhia formada por acionistas japoneses.

A venda da Namisa somou US$ 3,08 bilhões, segundo comunicado da CSN enviado à Bolsa de Valores de São Paulo. Mesmo descontando essa operação, o valor dos Investimento Estrangeiro Direto em dezembro foi substancial.

Altamir observou que esses recursos ingressaram no País pelo negócio, mas saíram em seguida em um investimento da CSN no exterior. Isso fez com que o Investimento Brasileiro Direto (IBD) somasse US$ 3,148 bilhões em dezembro.

Ou seja, essa operação teve um efeito nulo sobre o resultado global da balança de pagamentos, que terminou o ano com um superávit de US$ 2,9 bilhões. O balanço de pagamentos é resultado de todas as transações correntes e financeiras realizadas pelo País com o resto do mundo.

No ano passado, o Investimento Estrangeiro Direto ajudou o Brasil a ter um superávit financeiro ligeiramente maior do que o déficit corrente.

ONDE ESTÁ O DINHEIRO

Investimento Estrangeiro Direto (IED) nos principais setores, segundo levantamento do Banco Central

Extração de Minerais Metálicos: US$ 10,645 bilhões

Serviços Financeiros: US$ 5,109 bilhões

Metalurgia: US$ 4,984 bilhões

Comércio (Exceto veículos): US$ 2,564 bilhões

Produtos Alimentícios: US$ 2,226 bilhões

Atividades Imobiliárias: US$ 1,721 bilhões

Coque, derivados de Petróleo e Biocombustíveis: US$ 1,568 bilhões

Construção de edifícios: US$ 1,386 bilhões

Extração de Petróleo e gás natural: US$ 1,339 bilhões

27/12/2008 - 12:45h Vendas de Natal têm crescimento moderado

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Sondagens preliminares apontam aumento real no faturamento de até 5%

Márcia De Chiara – O Estado SP

Às custas de muita promoção, o comércio conseguiu espantar o baixo-astral da crise e as vendas de Natal tiveram crescimento moderado. Duas sondagens sobre faturamento divulgadas ontem revelam alta de 3,5% e 5% na receita na comparação com o Natal de 2007, que foi o melhor da década.

O crescimento modesto nas vendas pode ser um bom presságio para indústria no primeiro trimestre de 2009, porque sinaliza uma reposição dos estoques ainda em meados de janeiro. A volta às compras de grandes redes varejistas logo no início do ano era algo impensável para vários industriais que cogitavam reduzir a produção no período. De toda forma, o desempenho positivo do Natal não deve interromper a forte onda de promoções que ocorre ininterruptamente desde novembro.Ontem, por exemplo, várias redes varejistas anunciavam descontos de até 70%.

“O varejo pode festejar os resultados em razão dos problemas que tivemos”, afirma o presidente da Associação dos Lojistas de Shoppings (Alshop), Nabil Sahyoun. Sondagem preliminar feita pela entidade indica crescimento real de 3,5% no faturamento do Natal deste ano em relação ao de 2007.

É bem verdade que os segmentos com maiores taxas de crescimento foram exatamente os de produtos de menor valor, como óculos e acessórios (14%) e perfumaria e cosméticos (9%), enquanto os bens duráveis, como eletrônicos, ampliaram em 4% o faturamento. Esse resultado é coerente com o valor médio da compra de Natal, que neste ano ficou 20% abaixo do registrado em 2007, observa Sahyoun. Com faturamento que deve atingir R$ 75,2 bilhões este ano, os 689 shoppings brasileiros respondem por 25% das vendas no varejo.

Outra sondagem feita com 90 lojistas pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio) aponta crescimento de 5% no faturamento no Natal, superando em um ponto porcentual a sondagem prévia. O destaque foi para artigos de vestuário e calçados, que cresceram 6% na comparação anual, enquanto itens de maior valor, como eletroeletrônicos, tiveram acréscimo de 2% nas mesmas bases de comparação. Emprego e renda em alta garantiram esse resultado, segundo avaliação da entidade. Sem a crise financeira, haveria espaço para crescimento maior, diz o comunicado da Fecomércio.

“O desempenho do Natal foi razoável, considerando que a base de comparação é forte”, afirma o assessor econômico da Serasa Experian, Carlos Henrique de Almeida. Segundo o Indicador Serasa de Nível de Atividade do Comércio, o volume de negócios entre os dias 18 e 24 de dezembro cresceu 2,8% em todo o País em relação ao mesmo período de 2007, quando o acréscimo havia sido de 5,3%. Na cidade de São Paulo, a alta foi de 1,1%.

Almeida destaca que o movimento de vendas nas cidades do interior do País superou o das capitais, cuja a população está mais atenta para as notícias sobre a crise financeira. Ele atribui o resultado positivo ao parcelamento oferecido pelas lojas.

“Ainda houve oferta de crédito neste Natal, mas com prazos reduzidos”, diz o economista. Com juros em alta e o risco crescente de desemprego, ele alerta que a inadimplência deverá aumentar no primeiro trimestre de 2009.

Os números da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostram queda de 1,4% em dezembro no número de consultas para vendas a prazo em relação a igual período de 2007. Nos negócios com cheque à vista ou pré-datado, houve alta de 4,7% no número de consultas. Na média dos dois sistemas, o volume de consultas cresceu 1,65%, resultado tido como “razoável” pelo economista da ACSP, Emílio Alfieri.

Nos supermercados, as vendas de Natal também não decepcionaram. Levantamento da Associação Paulista de Supermercados (Apas) aponta crescimento de 4% real na receita de vendas deste Natal ante a mesma data de 2007. “Esse desempenho foi alcançado por conta de muita promoção e redução de preço”, ressalta o vice-presidente da entidade, Martinho Paiva Moreira.

14/12/2008 - 10:23h Montadora repassa queda de IPI para preços e feirão lota

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GM espera que entre 15 mil e 17 mil pessoas visitem evento no fim de semana

PAULA PACHECO – O Estado SP

A decisão do governo de reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) surtiu efeito dois dias depois do anúncio. As montadoras e concessionárias que apostaram em feirões para desovar os estoques abarrotados tiveram um retorno rápido. Ontem, no feirão da General Motors, na sede da empresa, em São Caetano do Sul, logo pela manhã já havia muita gente à procura da melhor oferta. Um batalhão de 350 vendedores recebia os visitantes.

A GM colocou no feirão 70 carros novos expostos e outros 5 mil em estoque. O financiamento máximo era de 60 meses, com entrada mínima de 20% do valor do veículo. Fernando Rodrigo Macedo e a irmã Fabiana Macedo foram ao pátio da GM após pesquisar em muitas concessionárias e outros feirões. Depois que soube da redução do IPI, na noite de quinta-feira, Macedo achou que era o momento de fechar um bom negócio. Comprou com a vendedora Viviane Souza de Lima o primeiro carro zero, um Corsa hatch. Pagou R$ 10,5 mil de entrada e fechou um financiamento de R$ 570 por mês, em 60 meses, com taxa de juros de 1,72%.

Atualmente, o carro de Macedo é um Fiat Premium 1986. O sonho era comprar um modelo zero. Com a queda do preço, não só o especialista em manutenção industrial fechou negócio por um preço abaixo do que pretendia gastar como pôde incluir alguns opcionais, como direção hidráulica, ar-condicionado e vidros elétricos.

Macedo tem certeza de que fez uma boa compra. Ele teme que em janeiro, caso as montadoras se recuperem do mau momento, comecem a elevar as taxas de financiamento. “O governo poderia baixar mais os impostos, que ainda são muito altos. Se o preço dos carros baixar mais, tenho certeza que não vai faltar comprador.”

Rodrigo Rumi, gerente regional de marketing e vendas da GM, esperava receber no pátio da montadora durante o fim de semana entre 15 mil e 17 mil pessoas. Nos feirões anteriores, feitos em novembro e no começo de dezembro, o público chegou a 12 mil visitantes. “O IPI reduzido vai ajudar bastante. Já sentimos um começo de retomada nas vendas nas últimas semanas, mas agora deve melhorar”, diz o executivo.

Uma da formas de melhorar o movimento nas concessionárias, segundo ele, foi com o pagamento de até 7% a mais que o valor de mercado na compra de carros usados. “Conseqüentemente, isso reflete na venda de novos”, explica.

Durante promoções como a do feirão, segundo Rumi, as vendas chegam a ser até 35% maiores do que num fim de semana normal. No caso da GM, as condições de compra são flexíveis. O cliente pode levar o carro para casa com juro zero, 50% de entrada e o saldo em 12 vezes ou dar 20% de sinal, parcelar o restante em 60 meses e pagar juro de 1,48% ao mês nos modelos Celta e Prisma.

12/12/2008 - 19:33h Executivos respondem à recessão com adultério

http://www.maison-du-muscat.com/images/blog/fr%C3%A8res%20Rabus%202.jpg

Lucy Kellaway – Financial Times – VALOR

No último mês eu arrumei 247 homens. Um trabalho ligeiro em apenas quatro semanas, mas eu me esforcei bastante. Durante meu período sabático no “Financial Times”, eu mandei e-mails de forma obsessiva para estranhos em um site de adultério da internet, participando, assim, do que descobri ser a atividade recessiva mais quente da cidade.

Entre os meus novos namorados estão um ex-poderoso administrador de fundo de hedge, muitos banqueiros agora ociosos, alguns empresários, vários diretores de empresas, um músico conhecido, alguns advogados corporativos e um construtor bastante sexy.

http://www.investigacao-virtual.org/images/traicao_virtual.jpgDuvido que era isso que o “Financial Times” tinha em mente quando decidiu que seus jornalistas deveriam receber uma folga de quatro semanas a cada quatro anos trabalhados, para o auto-aperfeiçoamento. Também não era o que eu tinha em mente quando embarquei em meu período sabático: minha intenção era escrever um romance.

Então, quando entrei pela primeira vez no “Illicit Encounters” (”Encontros ilícitos”), o mais sofisticado dos sites extra-conjugais, foi para pesquisar o adultério na internet para o meu livro. Mas, meia hora após colocar meus detalhes no site (sob o pseudônimo de Sophie Scribe), consegui 20 namorados e, uma hora depois eu já estava fisgada. Quatro semanas mais tarde, saí de tudo aquilo me sentindo um pouco suja e mais que ligeiramente incomodada com a maneira como a vida real é muito mais excitante que o livro que estou escrevendo.

O “Illicit Encounters” é parecido com uma sauna em que 230.000 profissionais casados trocam olhares lascivos por entre uma névoa virtual em busca de alguém que possa ser o amante ideal.

Enquanto estive no site, percebi que os negócios pareciam particularmente velozes entre aqueles que afirmam trabalhar no setor financeiro. Várias e várias vezes fui abordada por homens usando nomes como “Alpha 123″, ou “Civilised”, ou “CityGent”, cada um contando a mesma história: sou um banqueiro bem sucedido, agora com tempo livre, em busca de emoções/amor/romance/sexo casual, etc.

Cheia de curiosidade, entrei em contato com os donos do site para saber o que estava acontecendo. Eles me disseram que, desde setembro, o número de registros de homens londrinos trabalhadores do setor financeiro aumentou quase 300%. Ao que parece, quanto mais frio o mercado de trabalho, mais quente o mercado de adultério.

Se os números me surpreenderam, os próprios homens me surpreenderam ainda mais. Aqueles com quem conversei não eram devassos, e também não pareciam vulgares. Com freqüência, estavam sendo adúlteros pela primeira vez e eram do tipo “banqueiro careca da porta ao lado”, em vez de mais sedutores.

http://buenoecostanze.adv.br/images/stories/Estatutos/adulterio.jpg

Para aqueles leitores que nunca tiveram uma experiência do tipo, talvez eu deva explicar como o site funciona. Para manter o sigilo, todos usam nomes falsos e os membros revelam suas fotografias apenas para os membros em que sentem confiança. Isso foi um problema delicado para mim, dada a alta densidade de leitores do “Financial Times” que sempre estavam online.

À menor espiadela em minha foto, vários deles fugiram apavorados dizendo: “Meu Deus, você é Lucy Kellaway?”. Além de encontrar pessoas que lêem o “Financial Times”, me deparei até mesmo com uma que já escreveu para o jornal. Isso me levou para uma nova área da etiqueta no ambiente de trabalho: qual é a maneira correta de se comportar quando você tromba com alguém que conhece em um site de adultério? Atrevo-me a dizer que isso acontece mais e mais. De fato, um resultado da minha infiltração de quatro semanas nas vidas dos adúlteros é que agora eu suspeito que todo homem tem uma vida dupla no “Illicit Encounters”.

Na semana passada, almocei com John Quelch, professor de marketing da Harvard Business School, e perguntei a ele o que ele achava que isso significa. Por quê tantos executivos experientes estão respondendo à recessão com o adultério?

Ele disse que, numa recessão, as pessoas querem ser abraçadas. Isso me pareceu uma explicação bem fraquinha. Certamente há maneiras mais fáceis de ganhar abraços do que colocar o casamento em risco. Abraçar uma criança, ou- se a pessoa estiver desesperada- até mesmo a esposa parece ser mais fácil e seguro.

Ele disse que é exatamente este o ponto: a atração despertada pelo risco. Os banqueiros estão sofrendo com um déficit de risco: suas vidas profissionais foram compulsoriamente limadas de risco e isso pode ser uma maneira de compensação, acrescentar risco às suas vidas privadas.

Se for verdade, dá para imaginar qual será o resultado macro. Se houvesse uma grande mudança na tomada de riscos, dos mercados financeiros para o mercado doméstico, isso significaria uma instabilidade doméstica em massa com o aumento das taxas de divórcio e assim por diante?

Os criadores do site gostam de afirmar que, ao fornecerem um mercado bem comportado para o adultério, eles na verdade estão criando estabilidade doméstica. Setenta por cento dos clientes do “Illicit Encounters” afirmam ter atração pelo adultério como uma alternativa ao divórcio, e não como precursor dele. Pode não ser engraçado de todo, mas parece ser um pouco cedo para tirar qualquer conclusão de uma maneira ou de outra.

Entretanto, não é cedo demais para tirar três outras conclusões depois que passei um mês entrando no site. A primeira é que as pessoas que ainda estão no trabalho parecem ter muito tempo livre das 9h às 17h. A segunda é que todo mundo mente: eles diminuem a idade e aumentam sua atração, a freqüência com que vão à academia de ginástica, o bom humor e assim por diante.

A última lição é uma que já conhecemos: mais homens estão interessados em adultério do que mulheres. O site tenta corrigir isso com preços diferenciados, cobrando 119 libras dos homens por mês, enquanto as mulheres podem entrar de graça. Mesmo assim, o desequilíbrio persiste e agora sei que os meus 247 pretendentes podem não ter se rendido totalmente ao meu charme. Eu comentei sobre o site com uma amiga e ela se registrou. O número de namorados que ela conseguiu depois de apenas uma semana: 295.

Lucy Kellaway é colunista do “Financial Times”. Sua coluna é publicada quinzenalmente na editoria de Carreiras

11/12/2008 - 09:22h Trabalhador informal vai poder se legalizar pagando R$ 50 em julho

Microeempreendedor

Cibele Gandolpho – Diário de SP

SÃO PAULO – Trabalhadores informais do país conseguiram mais uma vitória no Governo para a aprovação do sistema que vai permitir o pagamento unificado de tributos por micros e pequenas empresas, por meio do Supersimples.

Na quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou, por 346 a zero, o projeto que cria a figura do microempreendedor dentro do Supersimples, que vai incentivar os donos de pequenos negócios. Agora, o projeto segue para a sanção do presidente Lula.

Ambulantes, cabeleireiros, costureiros, entre outros, serão beneficiados e poderão formalizar suas atividades a partir de 1º de julho, pagando cerca de R$ 50.

A nova lei já havia sido aprovada na Câmara e encaminhada ao Senado, mas voltou porque os deputados alteraram a o início da vigência das regras, anteriormente previstas para janeiro.

Contratação

Outro benefício proposto pelo Senado permitirá ao empresário contratar um empregado pelo piso da categoria ou um salário-mínimo. O texto anterior permitia a contratação somente pelo mínimo. No entanto, a contribuição que ele pagará à Previdência passa de um valor fixo de R$ 12,45 para 3% do salário do empregado.

Para aderir ao programa, o faturamento anual do pequeno empresário tem que ser inferior a R$ 36 mil. A empresa não poderá ter mais do que um empregado.

Aposentadoria

Já para ter direito à aposentadoria, ao auxílio-doença e à licença-maternidade, o contribuinte vai pagar entre R$ 50 e R$ 55 por mês ao INSS. Deste valor, R$ 45,65 são para a contribuição individual da Previdência e R$ 1 é para quem é contribuinte do ICMS ou R$ 5 se for do ISS.

Segundo o relator do projeto, deputado Claudio Antonio Vignatti, a mudança é importante porque vai auxiliar a formalização destes pequenos negócios e o combate à pirataria.

- Agora, estas pessoas vão emitir notas e também pegar notas.

Quem tiver mais de um estabelecimento, participar de outra empresa como titular, sócio ou administrador, ou contratar mais de um empregado não poderá optar pelo novo sistema.

Só poderão se aposentar quem contribuir por, no mínimo, 15 anos e quem tiver 65 anos (homens) e 60 anos (mulheres). O benefício a ser pago aos aposentados desta categoria é de um salário-mínimo.

Cadastro vai agilizar benefício

A Câmara aprovou também a ampliação da base de dados certificada do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), com a inclusão de informações de 1976 em diante. Com o aumento da base, o INSS poderá reconhecer vínculos empregatícios e remunerações desde janeiro de 1976, o que possibilitará identificar automaticamente quem tem direito a benefícios.

Será possível usar os dados para conceder aposentadoria por idade, a partir de janeiro, em apenas 30 minutos. O ministro da Previdência Social, José Pimentel, disse que outras aposentadorias serão incluídas no cadastro, como por tempo de serviço, especial, pensão por morte e salário-maternidade.

03/12/2008 - 08:46h Latin America Grows in Popularity as Trade Partner as Opportunities in Traditional Markets Shrink

Toda Mídia de Nelson de Sá destaca hoje a pesquisa publicada por Market Watch. A pesquisa, da consultoria Economist Intelligente Unit, ligada à “Economist”, mostra como “a América Latina continua atraente às empresas” multinacionais. A razão, responde a maioria, é a desaceleração nos mercados tradicionais. E para 69% o Brasil é “chave na sua expansão a médio prazo”.

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AMSTERDAM, Netherlands, Dec 01, 2008 /PRNewswire via COMTEX/ — According to a 2008 survey by the Economist Intelligence Unit, undertaken on behalf of Atradius, the leading global credit insurer, the countries of Latin America continue to be attractive markets for businesses looking for opportunities to expand their sales, as their traditional markets are becoming increasingly crowded. Key findings include:

More than half of those surveyed (53%) said that their decision to seek out opportunities in the region was influenced mainly by a slowdown in their traditional markets.

50% of respondents identified competitive pressures in their home market as a deciding factor.

69% of those surveyed identified Brazil as a market that will be key to their expansion in the medium term, with Mexico running a creditable second at 48%.

61% percent of respondents estimate that their annual revenue from trade with the region would increase by more than 6% over the next three years, and 59% expect their annual profit growth from the region over that same period to reach 6%.

The report, A complex picture – investing and trading in Latin America, is the outcome of the survey of more than 300 companies from around the world who currently trade or plan to trade in Latin America. This is the latest in a series of reports commissioned by Atradius, designed to inform businesses of the opportunities and risks of trade with emerging markets.

The picture that emerges from the report is not wholly optimistic — crime, corruption and political instability are all cited as obstacles to successful trade — but within the region several countries stood out as strong prospects for successful international trade. Both Brazil and Mexico operate sound market-friendly economic policies, while others in the region — notably Venezuela and Argentina — have yet to come to grips with their soaring inflation and perceived political instability.

Peru and Chile both fared well in Atradius’ survey when it came to the overall ease of operation for overseas companies, scoring well for economic and political stability, good corporate governance, legal system and customs, and lack of contract disputes.

While those surveyed recognized that in the short term, Latin America isn’t immune to the global downturn, the medium-term outlook was still upbeat.

Commenting on the report’s findings, Atradius CEO Isidoro Unda observed: “Latin America clearly has much to offer businesses that are looking for new markets for expansion. It has a young and growing population, eager for imported consumer goods, and the reforms of recent years continue to improve the economic and political stability in much of the region.”

A copy of A complex picture – investing and trading in Latin America can be downloaded from the Publications section of the atradius.com website.

About Atradius:
Atradius provides trade credit insurance, surety and collections services worldwide, and has a presence in 40 countries. Its products and services aim to reduce its customers’ exposure to buyers who cannot pay for the products and services customers purchase. With total revenues of approximately EUR 1.8 billion and a 31% share of the global trade credit insurance market, its products contribute to the growth of companies throughout the world by protecting them from payment risks associated with selling products and services on credit. With 160 offices, it has access to credit information on 52 million companies worldwide and makes more than 22,000 trade credit limit decisions daily.
     Further information:     Atradius Corporate Communications and MarketingKathy FarleyTel.: +1 410-246-5584E-mail: kathy.farley@atradius.com

http://www.atradius.com
SOURCE Atradius
 http://www.atradius.com

25/11/2008 - 14:47h Anatomia do pânico com o Morgan Stanley

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Susan Pulliam, Liz Rappaport, Aaron Lucchetti, Jenny Strasburg e Tom McGinty, The Wall Street Journal – VALOR

Dois dias depois que a Lehman Brothers Holdings pediu concordata, espalhou-se um boato explosivo: outra grande firma de Wall Street, o Morgan Stanley, estava prestes a quebrar. O que se dizia no mercado naquele 17 de setembro é que o Deutsche Bank AG tinha cancelado uma linha de crédito de US$ 25 bilhões para o banco de investimento.

Não era verdade, mas o boato ajudou a desencadear uma cascata de apostas contra o Morgan Stanley. O diretor-presidente John Mack queixou-se amargamente de que operadores desejosos de lucros estavam semeando o pânico. Mas faltava uma informação essencial: quem, exatamente, estava por trás dessas transações?

Registros de transações examinados pelo Wall Street Journal oferecem agora uma resposta parcial. Esses documentos revelam que algumas das maiores firmas de Wall Street – Merrill Lynch & Co., Citigroup Inc., Deutsche Bank e UBS AG – estavam apostando pesado contra o Morgan. A estratégia dessas firmas era usar complicados instrumentos financeiros chamados swaps de crédito, uma forma de seguro contra perdas com crédito.

Um exame dessas transações feito pelo WSJ também revela que os swaps tiveram papel importante ao amplificar a avaliação pessimista do mercado sobre o Morgan Stanley, o que, por sua vez, levou os operadores a investir contra as ações da firma, vendendo-as a descoberto. A inter-relação entre as transações com swaps e a venda a descoberto acelerou a espiral descendente da firma.

Este relato foi elaborado a partir dos registros das transações e de mais de 70 entrevistas com executivos de Wall Street, operadores, corretores, administradores de fundos de hedge, investigadores e autoridade reguladoras.

Durante anos, a venda de swaps de crédito foi uma mina de ouro para Wall Street. Mas, por ironia, naqueles dias tumultuados de setembro, o mercado de swaps virou-se contra o Morgan Stanley como um Frankenstein financeiro. Esse mercado se tornou um termômetro bem visível do Pânico de 2008, insuflando a crise que acabou exigindo a intervenção do governo.

Outras firmas também estavam negociando com swaps do Morgan em 17 de setembro: Royal Bank of Canada, Swiss Re e vários fundos de hedge, como King Street Capital Management LLC e Owl Creek Asset Management LP.

A pressão também se intensificou em outra frente: houve um aumento nas vendas a descoberto – apostas contra as ações da Morgan – por parte de grandes fundos de hedge. No fim do dia, a ação do Morgan tinha caído 24%, e as autoridades temiam que investidores com práticas predatórias estavam mirando os bancos de investimento.

Esse tipo de transação, que já havia derrubado Bear Stearns Cos. e Lehman, fez com que as ações do Citigroup desabassem 60% na semana passada, o que forçou novo socorro do governo.

Os investigadores estão tentando identificar o que causou o caos do mercado em meados de setembro e saber se os swaps de crédito ou as ações do Morgan Stanley foram negociados de forma imprópria. O procurador-geral de Nova York, Andrew Cuomo, o escritório em Manhattan da Procuradoria-Geral dos Estados Unidos e a comissão de valores mobiliários americana (SEC) estão investigando se houve manipulação do mercado por parte de corretores que teriam divulgado intencionalmente falsos boatos para lucrar com suas apostas. As investigações também querem verificar se os operadores compraram swaps por altos preços para provocar o medo quanto à estabilidade do Morgan e assim lucrar em outras aplicações, e se as transações envolveram cotações falsas e fechamento de negócios inexistentes, segundo pessoas a par do assunto.

Ainda não surgiu publicamente nenhuma prova de que qualquer firma tenha feito algo de errado em relação às ações ou swaps do Morgan Stanley. A maior parte das firmas afirma que comprou os swaps simplesmente para se proteger contra eventuais prejuízos com vários tipos de negócios que estavam fazendo com o Morgan. Algumas garantem que suas aplicações em swaps foram pequenas em relação a todas as transações desse tipo ocorridas naquele dia.

Provar que o preço de qualquer papel foi manipulado é extraordinariamente difícil. O mercado de swaps não é nada transparente: as transações são feitas por telefone e email entre os corretores, sem cotações públicas.

Erik Sirri, um diretor de mercados da SEC, afirma que o mercado de swaps é vulnerável à manipulação. “Transações de baixo volume em um mercado relativamente pequeno podem ser usadas para (…) sugerir que um crédito é considerado fraco pelo mercado”, disse ele em depoimento ao Congresso americano no mês passado. Sirri disse que a SEC temia que as transações com swaps estivessem causando investimentos prejudiciais às ações.

O Morgan tinha começado setembro em boa forma. Teve lucro nos dois primeiros trimestres fiscais, até 31 de maio. Ao contrário da Lehman, não tinha muita exposição aos créditos imobiliários residenciais de alto risco, embora estivesse exposto ao mercado de imóveis comerciais e de empréstimos alavancados. Mack sabia que os lucros do terceiro trimestre seriam maiores do que o esperado.

Em 14 de setembro, enquanto a Lehman se preparava para pedir concordata, Mack disse aos funcionários, em memorando interno, que o Morgan estava “em uma posição única para ter sucesso neste ambiente tão cheio de desafios”. No dia seguinte, a firma conseguiu alguns novos clientes de fundos de hedge que estavam fugindo da Lehman.

Mas os rumores corriam soltos, com operadores preocupados com qual firma de Wall Street seria a próxima a cair. A conversa nos fundos de hedge, segundo alguns operadores, é que o Morgan Stanley tinha US$ 200 bilhões em risco devido às suas transações com a seguradora American International Group Inc., então prestes a pedir concordata. Isso não era verdade. O Morgan informou à SEC que sua exposição à AIG era “irrelevante”.

Alguns corretores do J.P. Morgan Chase & Co. estavam sugerindo a clientes do Morgan Stanley que era arriscado manter contas nessa firma, segundo pessoas a par do assunto. Mack queixou-se a James Dimon, diretor-presidente do J.P. Morgan, que pôs fim às conversas, segundo essas pessoas. Deutsche Bank, UBS e Credit Suisse também ofereceram seus serviços a fundos de hedge atendidos pelo Morgan, segundo pessoas a par do assunto.

No dia 16, a ação do Morgan desabou durante o dia, mas com uma recuperação no final do pregão. Alguns fundos de hedge retiraram seus recursos da firma, temendo que o Morgan seguisse os passos da Lehman no tribunal de falências, com risco de imobilizar os ativos dos clientes. Em um esforço para amainar as preocupações, o Morgan divulgou seus resultados naquela tarde, às 16h10, um dia antes do previsto.

“É muito importante devolver um pouco de sanidade ao mercado”, disse Colm Kelleher, diretor financeiro do Morgan, em teleconferência com investidores. “As coisas estão realmente saindo de controle, e boatos ridículos estão sendo repetidos.”

Glenn Schorr, analista do UBS, perguntou a Kelleher sobre o alto custo de proteção da dívida do Morgan Stanley no mercado de swaps. A proteção para US$ 10 milhões em dívidas do Morgan tinha subido para US$727.900 por ano, ante US$221.000 em 10 de setembro, segundo a CMA DataVision.

“Certas pessoas estão se concentrando nos swaps de crédito como desculpa para olhar para as ações”, respondeu Kelleher, sugerindo que os operadores que investiam nos swaps também estavam vendendo a descoberto ações do Morgan Stanley, apostando que elas cairiam.

É impossível saber com certeza qual era a motivação dos que compravam swaps do Morgan. Eles receberiam pagamentos caso o Morgan não pagasse títulos e empréstimos. Alguns desses compradores, sem dúvida, possuíam créditos do banco e estavam simplesmente tentando proteger-se contra uma eventual insolvência.

Mas os swaps também eram uma boa maneira de especular, para operadores que não detiam esses créditos. O valor do swap aumenta com o medo da inadimplência. Os operadores que apostavam no aumento dos temores sobre o Morgan Stanley podiam usar os swaps para obter um lucro rápido.

Em meio às incertezas daquele 16 de setembro, a Millennium Partners LP, fundo de hedge com US$ 13,5 bilhões, pediu para retirar US$ 800 milhões dos mais de US$ 1 bilhão que mantinha no Morgan, segundo pessoas a par dessas retiradas. Em separado, a Millennium também tinha vendido a descoberto ações do Morgan Stanley – parte de uma série de apostas na queda das ações de firmas financeiras, disse uma dessas pessoas. Além disso, a fundo de hedge comprou opções de venda, que lhe davam o direito de vender ações do Morgan no futuro a um preço determinado.

“Escute, nós precisamos proteger nossos ativos”, disse Israel Englander, presidente da Millennium, a um executivo do Morgan Stanley, segundo uma pessoa a par da conversa. “Não é nada pessoal.” Essas apostas na queda das ações, pequenas em comparação com o volume total de transações da Millennium, subiam de valor à medida que caíam as ações do Morgan.

Na manhã do dia 17, David “Tiger” Williams, presidente da Williams Trading LLC, que presta serviços de transações para fundos de hedge, ouviu um de seus operadores dizer que certo fundo havia transferido uma conta de US$ 800 milhões do Morgan Stanley para uma firma rival. O operador, que estava ao telefone com o gestor do fundo que retirou o dinheiro, perguntou por quê. O Morgan estava quebrando, respondeu o cliente.

Pressionado a dar detalhes, o administrador do fundo repetiu o rumor sobre o cancelamento da linha de crédito de US$ 25 bilhões por parte do Deutsche Bank. Williams passou a dar vários telefonemas, mas suas fontes no mercado opinaram que se tratava de um boato falso.

Mas o estrago já estava feito. Às 7h10, um operador do Deutsche Bank cotou em US$ 750.000 a compra de proteção para US$ 10 milhões em dívida do Morgan. Às 10h, o Citigroup e outros operadores já cotavam preços de US$ 890.000. E à medida que se alastrava o boato sobre o Deutsche, as ações do Morgan despencaram, de cerca de US$ 26 às 10h para perto de US$ 16 às 11h30.

Antes do meio-dia, operadores de swap começaram a cotar o custo de seguro para o Morgan em “pontos adiantados” – jargão de Wall Street para transações em que os compradores têm de pagar pelo menos US$ 1 milhão adiantado, mais um prêmio anual, para segurar US$ 10 milhões em dívida. No caso do Morgan Stanley, alguns operadores estavam exigindo mais de US$ 2 milhões adiantados.

Durante o dia, a Merrill comprou swaps para cobrir US$ 106,2 milhões em dívida do Morgan Stanley, segundo os documentos das transações. A King Street comprou swaps que cobriam US$ 79,3 milhões; o Deutsche Bank, US$ 50,6 milhões; a Swiss Re, US$ 40 milhões; a Owl Creek, US$ 35,5 milhões; UBS e Citigroup; US$ 35 milhões cada; Royal Bank of Canada, US$ 33 milhões; e ACM Global Credit, um fundo de investimento operado pela AllianceBernstein Holding, US$ 28 milhões, segundo os documentos.

No dia seguinte, 18 de setembro, algumas dessas mesmas firmas estavam de volta ao mercado. A Merrill comprou proteção para outros US$ 43 milhões em dívida do Morgan; o Royal Bank of Canada, US$ 36 milhões; a King Street, US$ 30,7 milhões; e o Citigroup, US$ 20,7 milhões, indicam os registros.

Nenhuma das firmas comenta quanto pagou pelos swaps, ou se lucraram com as operações.

“A proteção que compramos foi um simples hedge, não baseado em nenhuma visão negativa do Morgan Stanley”, diz John Meyers, um porta-voz da AllianceBernstein. Um porta-voz do Royal Bank of Canada diz que o banco comprou os swaps para administrar seu “risco de crédito” com o Morgan Stanley e que não estava “apostando contra o Morgan Stanley nem realizou apostas na baixa de sua ação”.

A King Street, um fundo de hedge com US$ 16,5 bilhões, comprou os swaps para cobrir sua exposição ao Morgan Stanley, que incluía títulos de renda fixa, segundo uma pessoa ligada ao fundo. O fundo não tinha uma posição vendida na ação, diz essa pessoa.

Porta-vozes de Deutsche Bank e Citigroup dizem que as transações deles foram relativamente pequenas e com o propósito de proteger contra perdas em outros investimentos relacionados ao Morgan, e para atender a ordens dos clientes. Um porta-voz da Owl Creek diz que ela comprou os swaps “para segurar o colateral que tínhamos no Morgan Stanley na época”, e que continua a fazer negócios com a firma.

Merrill, UBS e Swiss Re negaram-se a prestar comentários.

Durante o frenesi de transações em 17 de setembro, Mack havia começado a discutir uma fusão com o Wachovia Corp. Quatro dias depois, o Morgan Stanley alterou o curso, tornando-se uma holding bancária e ganhando maior acesso a recursos do governo. No mês passado, depois de captar US$ 9 bilhões do japonês Mitsubishi UFJ Financial Group, o Morgan recebeu US$ 10 bilhões do governo americano.

O Morgan Stanley precisa agora revisar sua estratégia para lidar com um ambiente avesso a risco e com a supervisão mais rígida do governo que acompanha a condição de holding bancária. Este mês, o banco anunciou que demitiria 2.300 empregados, ou 5% do total.

O custo de segurar sua dívida caiu. Ontem sua ação subiu 33,13% e fechou a US$ 13,38.

25/11/2008 - 11:04h Soberania tecnológica às avessas

http://www.cib.org.br/imagens/basico/ft_lavoura.jpg

* por Rui Falcão

http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2008/04/129_2921-rui%20falcao.JPGA compra das empresas brasileiras Alellyx e CanaVialis pela norte-americana Monsanto, anunciada no início de novembro, arrancou críticas do ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende, e sugere uma reflexão sobre o sentido do financiamento público da pesquisa em ciência e tecnologia (C&T) no Brasil. Certamente, o ministro teria permanecido calado se se tratasse de um negócio comum. Em declaração ao jornal “O Estado de S. Paulo”, Resende afirmou que “a venda (da Alellyx e CanaVialis) para qualquer grupo estrangeiro é decepcionante. Como é que eles foram vender duas jóias como essas, tão importantes para o País?”.

Ambas as empresas pertenciam à Votorantim Novos Negócios, fundo de capital de risco do grupo Votorantim, que as criou e financiava desde 2002, e têm a sua origem associada à pesquisa pública e a forte subvenção por parte do Estado na forma de investimento a fundo perdido, por se tratar de empresas brasileiras voltadas para pesquisa de interesse estratégico nacional. Segundo Rezende, nos últimos três anos a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), do Ministério da Ciência e Tecnologia, havia aprovado a destinação de R$ 49,4 milhões para pesquisas nas duas empresas, dos quais R$ 6,4 milhões já foram desembolsados. “São duas empresas que receberam investimento do governo e, justo quando esses investimentos amadureciam, foram vendidas por um preço bastante módico”, afirmou – cerca de US$ 290 milhões, segundo informa o jornal.

Como observou o físico Joelmo Oliveira, diretor de Políticas de C&T do Sindicato dos Pesquisadores de São Paulo (SinTPq) e colaborador do Grupo de Análise de Políticas de Inovação (GAPI – UNICAMP), Alellyx e CAnaVialis eram vistas até então como ícones de uma bem-sucedida política de Estado que visa a incentivar a pesquisa em C&T dentro das empresas brasileiras e fomentar o espírito empreendedor entre os cientistas da Academia. “É em momentos como esse que vem à tona a importância das unidades públicas de pesquisa; são elas que de fato garantem a apropriação nacional do conhecimento tecnológico desenvolvido a partir de investimentos públicos”, escreveu Oliveira.

Com sede em Campinas, ambas as empresas foram criadas por pesquisadores acadêmicos que participaram dos primeiros grandes projetos de genômica no País, financiados em sua totalidade por recursos públicos. Sua história, na verdade, é indissociável dos resultados de investimentos públicos em pesquisa, e tem origem na esteira do primeiro seqüenciamento genético de um organismo vivo no Brasil, em 1999, anunciado como o “maior feito científico brasileiro dos últimos tempos”. Tratava-se da finalização do mapeamento genético da Xylella fastidiosa, a bactéria causadora da praga conhecida como “amarelinho”, que ataca os laranjais paulistas. O projeto Genoma-Xylella custou aos cofres públicos US$ 13 milhões, parte financiados pelo governo Federal, parte pelo governo paulista, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp).

A partir do conhecimento gerado pelo seqüenciamento do “amarelinho”, foi fundada em 2002 a empresa Alellyx Applied Genomics. Os sócios da empresa, lembra Oliveira, eram professores e pesquisadores da Unicamp, da USP e da Unesp, três das principais instituições acadêmicas do País. Por indicação do professor do Instituto de Química da USP, Fernando Reinach, à época já diretor-executivo da Votorantim Novos Negócios, a Votorantim Novos Negócios tornou-se sócia da nova empresa. Havia sido o próprio Reinach quem propôs o projeto Genoma-Xylella ao então diretor-científico da FAPESP, José Fernando Perez, em 1997. Ou seja, os professores que fundaram a Alellyx eram os mesmos que exerciam funções de coordenação na FAPESP, uma das principais financiadoras das pesquisas que levaram à criação da empresa.

No ano seguinte, foi fundada a CanaVialis S.A., também com participação da Votorantim Novos Negócios. Diferentemente da Alellyx, a pesquisa da CanaVialis prende-se ao melhoramento clássico de variedades da cana-de-açúcar, o que não envolve ainda alterações genéticas a partir de técnicas oriundas do seqüenciamento genético da cana.

Não é novidade o interesse de países como os EUA na tecnologia brasileira de produção de álcool de cana-de-açúcar em grande escala e na obtenção de variedades transgênicas da cana adaptadas às suas condições climáticas. Assim se explica a compra da Alellyx e da CanaVialis pela Monsanto, negócio que se tornou público em 2007, quando a Votorantim anunciou uma “parceria tecnológica” com a multinacional. Então, o diretor-executivo da Votorantim Novos Negócios, Fernando Reinach, afirmou: “Esta parceria tecnológica permitirá à Alellyx e CanaVialis disponibilizarem para o setor sucroalcooleiro tecnologias desenvolvidas pela Monsanto. Além disso, possibilitará à Monsanto utilizar tecnologias desenvolvidas por nossas empresas”.

Porém, o desfecho da “parceria” foi outro. Como observa o diretor do sindicato dos pesquisadores de São Paulo: “o ‘maior feito científico brasileiro dos últimos tempos’, que provavelmente se tornaria também o mais lucrativo negócio do século XXI, já não é brasileiro”, em que pesem os recursos públicos, o engenho e o esforço nacionais nele empenhados.

A curta trajetória da Alellyx e da CanaVialis sob controle nacional assume caráter emblemático do que vem a ser o destino dos resultados da C&T em países que ainda não acordaram para a dimensão estratégica de C &T como elemento central do poder nacional. A capacidade científica e tecnológica é na atualidade o grande ordenador do poder mundial nos seus desdobramentos político, econômico e militar. Dos assim chamados fatores de produção – capital, mão-de-obra, matéria-prima e tecnologia – o último predomina sobre os demais em valor estratégico. Países dotados de capital, mão-de-obra, matérias-primas abundantes mas sem tecnologia encontram-se em desvantagem frente a países detentores de tecnologia, mesmo carente dos demais fatores. É a disponibilidade de tecnologias que abre as portas para o domínio sobre os demais fatores onde quer que estejam eles.

Por isso, C &T tornaram-se preocupação política primordial dos países desenvolvidos. Ali, não se dissocia C&T da disputa entre empresas pela hegemonia em mercados ou da disputa pelo poder entre nações ou blocos de nações. Estão aí para atestá-lo a atualidade e a candência das questões internacionais referentes a investimentos, propriedade intelectual e ao comércio de serviços técnicos. De um lado da trincheira, os países desenvolvidos, tecnologicamente avançados, em busca da abertura de mercados para suas empresas e fechamento das possibilidades de acesso por terceiros às tecnologias por eles geradas. Do outro, países em desenvolvimento, tentando proteger seus mercados, para a expansão de empreendimentos nacionais, em busca de assegurar o acesso às tecnologias de que necessitam para o seu desenvolvimento.

De acordo com os fundamentalistas do mercado, ora em debandada no mundo, o veículo principal de transferência de tecnologia das economias avançadas para as sociedades periféricas seria o investimento direto estrangeiro. O conhecimento científico e tecnológico estaria, como qualquer mercadoria, disponível no mercado, bastando pagar o seu preço para adquiri-lo, ou bastando atrair a empresa que o detêm para fazer com que tal conhecimento se incorpore ao sistema econômico nacional. A atração de capitais estrangeiros permitiria a um país periférico, como o Brasil, dispensar investimentos vultosos em C&T, “queimar etapas de desenvolvimento” e não “reinventar a roda”.

Essa foi a recomendação feita pelos EUA ao Brasil nas décadas 1960/70, quando da decisão brasileira de criar uma empresa estatal de pesquisa agropecuária tropical (a Embrapa), para atender às peculiaridades de um país com biomas localizados nessas latitudes. Sabe-se hoje que o Brasil somente é independente e líder mundial em tecnologia agropecuária tropical porque não deu atenção e não cedeu à pressão norte-americana. Obstáculos semelhantes se interpuseram na decisão brasileira de proceder com autonomia na pesquisa nuclear.

O fato é que cada país confere à sua política de C&T grau de importância correspondente ao que atribui à utilização do conhecimento científico para o desenvolvimento, autonomia e defesa nacionais. Em princípio, não existe diferença entre o Brasil e os EUA no que se refere ao interesse de um físico pela estrutura nuclear, ou de um geneticista pelo genoma de um vegetal. Mas, quando se trata de saber quais pesquisas físicas ou genéticas podem tornar-se economicamente úteis em cada um dos países, a experiência do outro país é relativamente de pouca relevância. Cabe à política de C&T, orientada pela estratégia e soberania nacionais, fazer a escolha adequada das áreas de pesquisa de interesse, com vistas a atingir os objetivos econômicos e sociais desejados pela nação.

Numa conjuntura histórica em que o velho mundo bipolar se desfez, assiste-se hoje ao surgimento de nova espécie de divisão internacional do trabalho, com a emergência da polarização tecnológica entre países dotados de alta tecnologia e países consumidores forçosamente dependentes. A posse de um monopólio tecnológico permite ao país dinâmico extrair renda tecnológica dos países dependentes, daí resultando perdas sociais, já que estes são (e, presumivelmente, permanecerão) importadores líquidos de tecnologia.

Os Estados Unidos, e com eles outros países avançados, aprenderam a se tornar ciosos do controle sobre tecnologias sensíveis. País que nada tem fixado em leis referente ao capital estrangeiro ou ao controle sobre tecnologias, os EUA arbitrariamente não autorizam, por período de anos ou décadas, a venda ao exterior de tecnologias consideradas sensíveis. A revisão em curso no sistema de propriedade intelectual na Organização Mundial do Comércio, sob a hegemonia dos países ricos, aponta para o estabelecimento de severas limitações à transferência de tecnologia, de forma a dificultar ou retardar ainda mais o surgimento de novos competidores.

A primeira conseqüência prática para países como o Brasil seria um incremento na conta de remessa de royalties para o exterior, que já é alentada. Mesmo quando a pesquisa se realiza aqui, no caso de empresa estrangeira a patente será registrada em nome da companhia, e sua utilização no Brasil, ou em qualquer país gerará pagamentos e remessas para a sede da empresa, detentora da patente. Ou seja, os direitos de propriedade intelectual pertencem à empresa matriz, independentemente da localização da pesquisa. Outro custo social associado à dependência externa em C&T é a perda efetiva para os consumidores acarretada pelos altos preços que resultam do processo de monopolização.

A desnacionalização, como ocorreu no caso da Alellyx e da CanaVialis, tende ainda a acarretar, num contexto mais amplo, a transferência para o exterior dos centros de decisão da atividade econômica, do investimento, da alocação de recursos em geral e da P&D em especial – e, na sua extensão, dos centros de decisão política. Essa transferência afeta a capacidade do Estado de cumprir com suas funções referentes ao desenvolvimento, à defesa e à soberania nacionais e amplia, portanto, o hiato entre o país periférico e os países avançados, numa espiral perversa e recorrente. Há quem acredite que, em princípio, as forças de mercado poderiam também cumprir com essas funções. Porém, nada indica em parte alguma do mundo que isso esteja ocorrendo ou que venha a ocorrer.

A desnacionalização da Alellyx e da CanaVialis serve, assim, de lição para lembrar que a produção do conhecimento cria ela própria novas vulnerabilidades e novas ameaças, para as quais um país grande, que tem muito a proteger, como o Brasil, não pode deixar de estar preparado. É dizer que a construção de uma base de C&T condizente com as nossas aspirações e possibilidades depende do que sejamos capazes não somente de desenvolver mas também de manter “em casa”, sem prejuízo de parcerias internacionais que venham a fortalecer a soberania nacional em suas dimensões política, econômica, social e democrática.

O Estado brasileiro carece de uma definição do que se pretende com o financiamento público de pesquisa em C&T.

Rui Falcão, 64 anos, advogado e jornalista, é deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores. Foi deputado federal, presidente do PT e secretário de governo na gestão Marta Suplicy.

22/11/2008 - 11:00h Negócio com a Nossa Caixa ficou caro, dizem analistas


A maioria esperava que o valor ficasse entre 1,8 e 2 vezes o patrimônio líquido, mas foi para 2,36 vezes

Renée Pereira – O Estado de São Paulo

O valor pago pelo Banco do Brasil pela aquisição da Nossa Caixa, de R$ 7,6 bilhões, ficou bem acima das projeções feitas pelo mercado financeiro antes do anúncio do negócio, na quinta-feira. Na avaliação dos analistas do setor bancário, o preço foi bastante salgado para um momento de extrema incerteza no cenário mundial, com o valor dos ativos em queda. A maioria esperava que o banco federal pagasse algo entre 1,8 a 2 vezes o valor do patrimônio líquido da Nossa Caixa, mas o valor fechado ficou em 2,36 vezes, R$ 70,63 por ação.

“Achei caro, eles pagaram um múltiplo (variação patrimonial) maior que o verificado na fusão entre Itaú-Unibanco, de 2,3 vezes, e com a qualidade dos ativos inferior”, afirmou o analista da Modal Asset, Eduardo Roche. Ele pondera que, apesar de cara, a aquisição trará benefícios para o BB, já que hoje a Nossa Caixa não tem uma gestão eficiente. Isso significa que há potencial de crescimento em vários setores no médio e longo prazos.

Outro ponto que pesou na análise dos especialistas foi o fato de o BB pagar a aquisição em dinheiro, apesar de ter sido parcelada em 18 meses. “Havia uma expectativa de que pudesse ser troca de ações”, destaca o analista da Planner Corretora, Ricardo Martins.

Na primeira projeção dele, a expectativa era de que o preço pela compra ficasse em R$ 55 por ação. Com a fusão entre Itaú e Unibanco, Martins refez a projeção para R$ 62, ainda abaixo do valor anunciado. “Refiz minha projeção com base na expectativa em torno da argumentação do governo estadual depois da fusão. Eles não venderiam pelo preço anterior. Por isso, saiu caro para o BB.”

O analista da Spinelli Corretora, Max Bueno, esperava que o preço ficasse em, no máximo, 2 vezes o patrimônio líquido da Nossa Caixa. Mas a necessidade do BB de retomar a liderança perdida para Itaú-Unibanco falou mais alto.

Ele destaca ainda que se o banco estadual fosse a leilão o preço seria bem menor por causa dos depósitos judiciais que obrigatoriamente têm de ser geridos por bancos oficiais. “As instituições privadas deduziriam o valor dos depósitos do preço. Isso significa que a Nossa Caixa seria mesmo mais atraente para o BB.”

Essa corrida em busca da liderança do setor bancário brasileiro deixou muitos analistas preocupados com as iniciativas futuras a ser tomadas pelo BB. “A compra da Nossa Caixa pode ser um exemplo do que a instituição federal fará daqui para a frente para retomar o posto de número 1. Há risco de partir para as compras sem olhar preço. Queremos saber quanto ele vai pagar por outras aquisições para se recuperar no ranking”, comenta Roche, da Modal.

No pregão de ontem, as ações da Nossa Caixa subiram 22,81%, para R$ 63, tentando se aproximar da oferta de R$ 70,63. Já as ações do BB recuaram 14,34%.

13/11/2008 - 10:42h Os impactos diferenciados da crise

Antônio Palocci – O Estado SP

http://www.estadao.com.br/fotos/apalocci.jpgNo debate sobre as ações dos governos ante a crise financeira atual vale a pena observar uma questão de fundo: o impacto da crise nos países não ocorre de maneira idêntica e simultânea. Ele é diferenciado, atingindo economias de diferentes maneiras e exigindo, assim, múltiplas e adequadas respostas. A simples transferência de medidas de um país para outro não é boa conselheira nessa situação.

É verdade que há efeitos comuns e globais na turbulência e o principal deles é um extraordinário aumento da aversão ao risco, com redução da liquidez e um quase congelamento do crédito.

Fora essa questão geral, porque sistêmica, que tem sido tratada pela garantia às instituições bancárias onde ela se apresentou de forma mais intensa, a situação em cada país varia bastante, em função dos fundamentos de suas economias. Uma estratégia para evitar o pior da crise exige, portanto, ações específicas, diferenciadas e adequadas no espaço, na forma e no tempo.

Um exemplo das distinções fundamentais entre países é a evolução do consumo do varejo nos EUA e no Brasil. Lá, o consumo está em queda generalizada e consistente, porque se reconhece a inevitabilidade do ajuste macroeconômico, postergado por anos de política monetária folgada e expansão fiscal. O consumidor, ao pensar no futuro, não reagiu sequer ao pacote de devolução de impostos iniciado em abril. Na crise das torres gêmeas, o governo Bush já havia utilizado o expediente da devolução de impostos, obtendo algum efeito no aumento do consumo de bens duráveis, já que a percepção na época era de um choque de curto prazo. Agora, o cidadão americano resolveu guardar o dinheiro ou utilizá-lo para saldar dívidas, porque vê dias difíceis pela frente.

No Brasil, o consumo no varejo ainda segue forte porque, apesar do aumento do crédito nos anos recentes, as famílias não estão endividadas e o País não tem grandes gargalos no balanço externo que pudessem precipitar uma crise. Há sinais, claro, de queda no caso de bens duráveis, mas pela falta aguda de crédito. Nos serviços e bens não-duráveis, no entanto, o consumo se mantém a taxas elevadas.

Um indicador dos motivos da diferença de tendências aqui e nos EUA é a evolução recente do emprego nas duas economias. Enquanto o Brasil gerou mais de 2 milhões de empregos formais neste ano, nos EUA houve queda de 1,2 milhão de empregos no mesmo período.

Outra diferença está nas conseqüências das variações cambiais sobre a dívida externa. Na Europa do Leste, o impacto do câmbio tem levado a um forte aumento da dívida líquida, como ocorreu no Brasil em crises passadas. Aqui, no entanto, houve uma diminuição líquida, dada a posição atual do País de credor em moeda estrangeira. Talvez por isso é que eles tiveram de buscar apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) e nós não precisamos fazê-lo.

No Brasil, o primeiro impacto importante da crise também se deu sob a forma de drástica redução das linhas de financiamento. As respostas do governo a esse problema têm sido enérgicas e diretas, aliviando muito a situação, embora o crédito ainda não se tenha restabelecido plenamente.

Mas o stress financeiro é apenas a primeira onda. Mesmo que ele arrefeça, inclusive nos países desenvolvidos, deverá haver marcada desaceleração da economia real, afetando a vida das empresas, os empregos e os salários por algum tempo. Isso acontecerá nos países desenvolvidos, ainda que eles adotem políticas de estímulo fiscal.

Também é certo que o crescimento no Brasil vai desacelerar. É realmente lamentável que isso ocorra, mas lamentar de nada adianta. É preciso cuidar para que o impacto seja, tanto quanto possível, suavizado no tamanho e no tempo. É natural, por exemplo, que haja alguma queda nas vendas de bens duráveis. Mas não é natural que as vendas sejam paralisadas abruptamente por absoluta falta de crédito. No curto prazo, portanto, o crédito público tem um papel importante, que vai além das medidas de política monetária já tomadas.

Sua expansão pode ser necessária até que a situação de obstrução das artérias do crédito seja superada nos planos mundial e nacional. A extensão do prazo de recolhimento de impostos e contribuições é uma resposta positiva e que vai direto ao ponto. Mas o fornecimento de novas linhas de crédito continuará sendo uma necessidade para se evitarem contrações traumáticas no curto prazo.

Mas para que as empresas realmente planejem sua produção e suas vendas, acomodem seus procedimentos e se preparem para um período mais difícil é indispensável que o governo faça alguma sinalização que vá além de medidas de apoio emergencial, por maiores que elas sejam.

Medidas de melhoria do funcionamento da economia continuam necessárias e terão papel fundamental para vencermos a crise. Na medida em que o mundo nos vai ajudar muito menos nos próximos anos, temos de nos ajudar muito mais, continuando o trabalho das reformas estruturais e microeconômicas. Melhorar o ambiente de negócios e fortalecer as instituições reguladoras é um trabalho que deve ser permanentemente valorizado.

Igualmente importante é evitar, neste momento, a eclosão de problemas internos que impactem negativamente a estabilidade econômica. Temas em tramitação no Poder Judiciário, como os relativos aos planos econômicos do passado ou a legislação de capitalização de juros de poupança e empréstimos, precisam do melhor tratamento, seja no próprio Judiciário ou no aperfeiçoamento da legislação no Congresso. Qualquer legislação que traga riscos à Previdência Social também deve ser evitada.

Encarar com tranqüilidade e sabedoria um processo de desaceleração é a melhor maneira de encurtar o tempo para o início de uma retomada vigorosa do crescimento.

Antônio Palocci, deputado federal (PT-SP), foi ministro da Fazenda

10/11/2008 - 12:13h O que fazer com a China na crise

http://www.lawrei.eu/MRA_Alliance/wp-content/uploads/2008/07/china_growth.jpg

Sergio Leo – VALOR

O Brasil tem dois tipos de preocupações em relação à China, que, apesar do tamanho, é um participante discreto das reuniões de cúpula convocadas para evitar uma ameaçadora recessão mundial. Analistas buscam na peculiar macroeconomia chinesa pistas da reação do país à crise e da capacidade de ajudar o mundo a atravessá-la. Ao mesmo tempo, o Brasil debate a melhor estratégia para lidar com a crescente voracidade chinesa no mercado internacional.

Em Brasília, as autoridades esperam receber neste mês um sinal de como a China vai combinar a retração dos mercados consumidores e as sensibilidades afetadas pelo apetite dos exportadores chineses. Vence em dezembro o prazo combinado na OMC para que os países sócios pudessem impor salvaguardas contra produtos têxteis chineses. Com a extinção das salvaguardas hoje aplicadas pelo Brasil, estará liberada a entrada de têxteis da China no mercado brasileiro, o que apavora os concorrentes nacionais. O governo brasileiro sugeriu uma alternativa às salvaguardas; os chineses fazem mistério.

O Brasil quer um “mecanismo de consultas” entre os setores privados dos dois países, sob a supervisão dos governos: sempre que houver alta muito forte nas vendas chinesas ao Brasil, se não houver acordo privado para evitar danos sérios aos concorrentes nacionais, o governo brasileiro poderia adotar “medidas administrativas” contra as “distorções” no comércio.

“É um mecanismo muito mais suave do que existe hoje”, defende o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, que não dá detalhes sobre as “medidas administrativas” cogitadas. Os chineses temem criar precedentes contra as próprias importações e estão calados desde meados de outubro, quando receberam respostas a pedidos de esclarecimento sobre a proposta brasileira.

Neste ano, haverá déficit recorde no comércio com a China. As compras de produtos chineses vão superar em mais de US$ 2 bilhões as vendas do Brasil àquele país. Até outubro, mesmo com menor ritmo de crescimento, o déficit já chegou perto do alcançado em 2007 (US$ 1,87 bilhão): as importações brasileiras foram quase US$ 1,8 bilhão superiores às vendas para aquele mercado. “Precisamos diversificar a pauta de exportações para a China, que importa muitos manufaturados, mas não do Brasil”, diz Ramalho.

No último trimestre, houve aumento forte no ritmo de aumento das vendas à China, e uma redução do ritmo de crescimento das compras. Mas os negócios com grãos e óleo de soja são os maiores responsáveis pelo melhor desempenho, e representam, sozinhos, 42,5 % das exportações brasileiras à China. Com as exportações de minério, somam 70% do total. No caso da soja, pelo menos, é boa notícia o fato de que se destinam ao mercado consumidor interno, como reflexo da melhoria nas condições locais de alimentação e urbanização – algo que a recessão mundial não abalará muito..

O governo prepara um esforço de exportação para a China e, baseado nas estatísticas de comércio, já identificou setores como máquinas para têxteis e couros, autopeças e motores, preparações alimentícias e equipamentos diversos que os chineses compram de outros países. “Estamos na fase de identificar, no caso de máquinas e equipamentos, que produtos são comprados, de quem e por quê”, relata Ramalho. No próximo ano, missões comerciais para vender manufaturados serão enviadas à China.

O secretário-executivo da Câmara de Comércio Brasil-China, Rodrigo Maciel, argumenta que o principal fator responsável pelo aumento de importações de produtos da China são as compras feitas pela própria indústria brasileira, de máquinas e equipamentos. Essas importações de bens de capital representam, há anos, mais de 50% do total das importações, e o crescimento até setembro de 2008 chegou a 78% em relação ao mesmo período do ano passado, lembra ele.

As vendas chinesas de têxteis ao Brasil aumentaram 50%, mas perderam espaço no total das importações originadas na China, pela primeira vez nos últimos anos, de 7,9% para 7%. As de brinquedos também decresceram de 2% do total para 1,2% do total (o aumento das exportações de brinquedos em relação a 2007 foi de quase 35%). Maciel desdenha dos temores de uma invasão potencial de produtos chineses deslocados pela recessão dos mercados desenvolvidos. “O esforço estratégico das exportações chinesas para diversificar mercados já aconteceu e eles ocuparam o que podiam”, argumenta. “O Brasil foi um dos países para os quais mais cresceram as vendas da China.”

“Os chineses estão aumentando o valor agregado dos produtos vendidos para cá e isso preocupa cada vez mais setores industriais”, responde o presidente do Conselho d e Comércio Internacional da Fecomercio, Mario Marconini, que, amanhã, promove um seminário em São Paulo dedicado às conseqüências da crise para a China e o Brasil. “Todos precisamos da China, para dar fôlego ao mercado mundial. A a questão é como irão reagir à crise”, acrescenta.

Muito do que acontecerá no comércio com os chineses dependerá da reação da China ao desaquecimento na economia mundial. Até setembro, apesar da redução no ritmo de crescimento, as exportações chinesas aos EUA continuam firmes, e mesmo os bancos mais expostos a maus negócios no mercado americano mostraram bons resultados no terceiro trimestre, segundo a consultoria GaveKalDragonomics. O setor imobiliário contraiu-se com as medidas oficiais de restrição de crédito, e a produção industrial perde fôlego, mostrando sinais de acúmulo de estoques.

Ainda não se sabe se são estoques de bens intermediários, sinal de gestão de preços nas indústrias, ou de bens finais, que mostrariam preocupante retração na demanda tradicional por mercadorias chinesas. Na semana passada, as autoridades locais anunciaram liberação de quase US$ 600 milhões para incentivar o mercado interno. Mas a resposta chinesa ainda é um dos maiores enigma da crise.

Sergio Leo é repórter especial em Brasília e escreve às segundas-feiras

E-mail: sergio.leo@valor.com.br

23/10/2008 - 08:22h De volta ao poço

http://www.monitorinvestimentos.com.br/noticias/bovespa4_597.jpg

Por Angelo Pavini, VALOR

A instabilidade voltou com força aos mercados ontem e deve ter seus reflexos nas cotas dos fundos de investimento nos próximos dias. Além da queda da bolsa para o menor nível desde setembro de 2006, que afetará os fundos de ações, e da alta do dólar, de 12% em dois dias, chama a atenção o forte ajuste dos juros dos títulos públicos, de mais de um ponto percentual ao ano. Ontem, os papéis prefixados longos, as NTN-Fs, com vencimento em janeiro de 2012, preferidas dos estrangeiros, chegaram a pagar 17,77% ao ano, para 16,17% do dia anterior.

Essa alta deverá atingir em cheio os fundos de renda fixa, que têm papéis prefixados, e até alguns fundos DI. O impacto vai ser diretamente proporcional à porcentagem de prefixados de cada carteira e do prazo dos títulos, mas é provável que vários renda fixa tenham cotas negativas hoje. Fundos multimercados que achavam que o pior da crise já tinha passado e arriscaram aumentar aplicações em câmbio, bolsa e juros também devem sofrer. Mas a maioria dos gestores vinha mantendo a maior parte do dinheiro em caixa ou no overnight, o que deve limitar as perdas.

A alta dos juros refletiu ontem um misto de medo dos mercados com a saúde financeira dos bancos e com o impacto da alta do dólar na inflação e uma aversão maior ao risco no exterior com relação aos países emergentes por conta de a Argentina estar estatizando o setor de previdência privada. O receio aqui começou ironicamente com as medidas do governo para que bancos oficiais possam comprar instituições privadas em dificuldades, levantando a questão da existência de problemas. Havia boatos de fundos estrangeiros em dificuldades liquidando posições na BM&FBovespa e vendendo títulos para honrar compromissos no exterior. Por isso o impacto forte nos papéis de 2012, mas que se espalhou para outros vencimentos e títulos .

“Muitos vêem a América Latina como uma coisa só e ficam com medo que o que a Argentina fez ocorra aqui”, afirma André Schibuola, sócio da Precision Asset Management. O ambiente de forte oscilação acaba contaminando ainda outros investidores, que também saem do mercado para reduzir seu risco, criando um círculo vicioso. “Não me surpreenderia se hoje mais gente saísse do mercado por exigência de suas áreas de controle de risco ao ver os números de ontem”, diz Schibuola. Para ele, os fundos de renda fixa vão sofrer com a puxada dos juros. “Devemos ter números péssimos nas cotas, tanto por conta dos papéis públicos, quanto dos privados, que também devem ter subido”, diz.

Olhando para além da crise, a alta dos juros acaba criando oportunidades para o investidor. Depois do ajuste das cotas, a rentabilidade das carteiras de renda fixa deve aumentar para quem entrar agora. Papéis indexados à inflação também se tornam atrativos, com remuneração real perto de 10% ao ano mais a variação do IPCA, com a proteção adicional para o caso de a alta do dólar pressionar os preços.

Se olharmos o comportamento do mercado de juros, o que ocorreu foi uma típica zeragem de posição, quando os investidores vendem tudo e saem do mercado, diz Marco Sudano, diretor de Tesouraria do Itaú. “Basta olhar o comportamento distinto entre o dólar e os juros”, diz. Ontem, o dólar subiu 6,67%, perto dos 4,99% do dia anterior, acumulando 12% em dois dias. Mas o juro, que havia subido menos de 0,50 ponto percentual no dia anterior, avançou em média 1,20 ponto percentual, proporcionalmente muito mais que o dólar. “O que parece é que alguém teve de zerar suas aplicações e vendeu a qualquer preço, puxando as taxas”, explica. E isso leva outros participantes do mercado a fazerem o mesmo.

Sudano lembra que o mercado brasileiro de renda fixa tem bastante participação de estrangeiros, seja diretamente nos mercados da BM&FBovespa, seja no exterior, por meio de um banco intermediário. Esse banco, por sua vez, acaba fazendo sua proteção, ou seja, o hedge, na BM&FBovespa. “O que pode ter acontecido é que um banco resolveu liquidar a posição de um cliente no exterior e com isso o obrigou a vender os papéis aqui”, afirma Sudano. Ele lembra que os bancos, pelo aperto de liquidez, estão mais rigorosos com relação às margens de garantia. “No exterior, os negócios não são feitos em bolsa, são no mercado de balcão, e os ajustes de garantias são feitos de acordo com critérios de cada banco”, diz. É diferente da BM&FBovespa, onde o ajuste das perdas e ganhos é diário. “Pode ser que o banco resolveu apertar as margens do cliente no contrato de balcão e ele resolveu vender tudo”, diz. A pressão maior nos papéis de 2012 seria outro sinal de que o culpado da oscilação seria um estrangeiro.

Para Sudano, as taxas de juros ficaram completamente desconectadas do fundamento. Ele explica que o comportamento dos juros é diferente do do dólar, pois não é possível definir um valor justo para a moeda. “No câmbio, o que há é um preço de equilíbrio, a partir do qual há vendas ou compras, mas no juro, os participantes fazem contas e chegam ao que consideram um valor justo para as taxas no futuro”, explica. Por isso, a propensão do mercado em assumir posições de maior risco é maior no juro do que no câmbio. E as taxas são também freqüentemente confrontadas com as decisões do Banco Central no Copom. Para ele, as taxas justas são mais baixas que as atuais. “Mas no curto prazo, podem subir ainda mais”, diz ele. A oportunidade seria para quem olhar para o médio prazo, explica.

16/09/2008 - 10:43h Falha “geológica” expõe sistema frágil

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Abalo sísmico no mercado financeiro revela como o setor construi inovações e se expandiu em bases inconsistentes

Operações da banca privada sem fiscalização oficial ruem e dificultam avaliação exata das perdas, necessária para controlar colapso

GILLIAN TETT DO “FINANCIAL TIMES” – FOLHA SP

Nesta década, o sistema financeiro ocidental parece uma cidade do Terceiro Mundo, construída sobre uma falha geológica e crescendo em ritmo acelerado. Em teoria, seus bem remunerados habitantes sempre souberam que um grande terremoto era possível e chegaram até ocasionalmente a olhar através da lama para verificar as fundações dos edifícios.
Mas a maior parte dos financistas estava tão ocupada com a expansão de seus negócios que essas verificações de segurança em geral foram perfunctórias. E as pessoas pagas para monitorar as fundações -as autoridades regulatórias- encontraram dificuldades para realizar a tarefa em meio à neblina que o frenesi de construção e inovação do setor fazia levantar.
Agora, porém, o terremoto chegou, e com uma violência que poucos esperavam. E à medida que nomes como o do Lehman Brothers desabam numa nuvem de poeira, torna-se chocantemente óbvio até que ponto eram frágeis algumas das fundações das finanças modernas, tendo em conta as vastas atividades que sustentavam.
Em retrospecto, por exemplo, hoje parece loucura que as autoridades tenham um dia permitido a uma instituição como o Lehman operar nos últimos anos com nível de alavancagem de 35 vezes ou mais seu capital. Afinal, com tamanhas dívidas empilhadas numa base minúscula de capital, não é necessária uma grande deterioração nos preços dos ativos para causar pânico.
Mas ficou também dolorosamente evidente que a infra-estrutura logística que sustenta o moderno sistema financeiro é preocupantemente instável em parte porque foi montada ao improviso, por diversos protagonistas do setor privado.
Tomem por exemplo o mercado de CDS (”credit default swaps”), que movimenta US$ 62 bilhões. Grupos como a ISDA (Associação Internacional de Swaps e Derivativos) vêm trabalhando incansavelmente nos últimos anos para criar contratos legais que estipulem o que acontece quando a contraparte num contrato de CDS quebra. E nas últimas 48 horas a ISDA vem trabalhando com o Fed de Nova York a fim de implementar esses procedimentos no caso do Lehman.
Mas ainda não está claro, e isso é muito grave, se essas medidas bastarão para compensar o pânico. O mercado de derivativos se baseia em contratos privados e bilaterais que podem variar em termos de detalhes. Muitos bancos não têm recursos para enfrentar as dificuldades logísticas da liquidação de uma montanha de transações.
Na melhor das hipóteses, isso significa que o mundo do crédito poderia agora enfrentar semanas de incerteza; na pior, alguns mercados poderiam se congelar, criando reações em cadeia e tornando ainda mais difícil estabelecer o valor dos ativos de crédito problemáticos, no Lehman e outros.
Não surpreende que siga existindo incerteza quanto ao escopo exato dos ativos tóxicos do Lehman (as estimativas vão de US$ 40 bilhões a US$ 80 bilhões). Nem que as autoridades regulatórias agora lamentem seu fracasso em reforçar as fundações do setor de derivativos negociados privadamente.
É justo apontar que os bancos haviam criado planos, recentemente, para enxugar os contratos CDS e colocar essas atividades em uma Bolsa regulamentada, em lugar de depender de transações privadas bilaterais, sem fiscalização oficial. Mas essas reformas sensatas não se materializaram ainda, e já se tornaram necessárias, o que explica a corrosiva sensação de incerteza.
A boa notícia, claro, é que os acontecimentos estão acelerando o processo de reforma e forçando bancos e corretoras a considerar essas questões seriamente. Caso o sistema de derivativos consiga cambalear até a semana que vem sem congelar, no futuro ele parecerá mais confiável.
Ainda mais importante, as quebras e as fusões estão removendo parte da capacidade excedente e da alavancagem que vinham prejudicando o sistema financeiro. Essa é uma precondição essencial para a recuperação. De fato, existe uma boa chance de que, quando os historiadores narrarem a história, retratem a implosão do Lehman como o ponto mais baixo do grande choque do crédito em 2007/8.
No entanto, antes que uma verdadeira recuperação possa começar, há ainda um desdobramento necessário: os investidores têm de começar a crer que preços genuínos de liquidação surgiram para os ativos tóxicos que residem nas carteiras do Lehman e de outros.
E, embora os acontecimento possam acelerar essa limpeza, o momento crucial ainda não chegou em larga escala. Restam muita incerteza e opacidade.
Aguardem novos choques. Talvez ainda precisemos de muitos meses antes que os destroços de uma década de exageros financeiros sejam removidos.

16/09/2008 - 08:52h Roleta-russa financeira

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Paul Krugman* – O Estado SP – O Globo – Folha SP

O sistema financeiro dos Estados Unidos entrará em colapso nos próximos dias? Não acredito, mas também não estou muito certo. Ocorre que o Lehman Brothers, um dos maiores bancos de investimento, está ameaçado de colapso. E ninguém sabe o que acontecerá depois.

Para compreender o problema, é preciso saber que o antigo mundo dos bancos, no qual instituições instaladas em enormes edifícios de mármore aceitavam depósitos e emprestavam dinheiro no longo prazo, em grande parte desapareceu e foi substituído por aquilo que se costuma chamar de “sistema bancário sombra”.

Os bancos de depósitos, que ocupam os edifícios de mármore, agora se limitam a desempenhar um papel menor na canalização de recursos dos poupadores para os tomadores; a maior parte dos negócios é feita mediante complexos acordos elaborados por instituições comerciais, como o falecido Bear Stearns e o Lehman.

Acreditava-se que o novo sistema trabalharia melhor, diluindo e reduzindo os riscos. Mas, com a crise da habitação e a conseqüente crise do crédito hipotecário, ficou evidente que o risco não chegou a ser reduzido, mas ocultado: os investidores, em sua maior parte, não tinham idéia do grau de exposição em que se encontravam.

E, como as incógnitas desconhecidas se tornaram incógnitas conhecidas, o sistema presencia corridas pós-modernas aos bancos. Não são as mesmas que se viam na versão antiga: com poucas exceções, não estamos falando de multidões de poupadores desesperados batendo furiosos nas portas fechadas dos bancos. Falamos de telefonemas frenéticos e mouses clicando, enquanto os operadores do mercado financeiro conseguem arrancar linhas de crédito e tentam reduzir o risco dos parceiros. Mas os efeitos econômicos – congelamento do crédito, queda abrupta do valor dos ativos – são os mesmos das grandes corridas aos bancos da década de 30.

Essa é a questão: as linhas de defesa criadas para impedir novas corridas aos bancos, principalmente o seguro dos depósitos e o acesso a linhas de crédito do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), protegem apenas os que ocupam os edifícios de mármore, que não estão no centro da crise atual. O que cria a possibilidade concreta de 2008 tornar-se uma reedição de 1931.

Agora, os estrategistas estão cientes dos riscos. Antes de ser investido da responsabilidade de salvar o mundo, Ben Bernanke era um dos nossos maiores especialistas em economia da Grande Depressão.

Portanto, no ano passado, o Fed e o Tesouro elaboraram uma série de planos de ajuda específicos e foram criadas linhas de crédito especiais, com siglas impronunciáveis, disponíveis para instituições comerciais. O Fed e o Tesouro intermediaram um acordo que protegeu os parceiros do Bear – os que estão do outro lado de seus acordos -, embora não seus acionistas. E ainda na semana passada, o Tesouro assumiu o controle da Fannie Mae e do Freddie Mac, gigantescas instituições hipotecárias patrocinadas pelo governo.

Mas as conseqüências dessas operações de resgate estão deixando as autoridades nervosas. Em primeiro lugar, assumiram grandes riscos com o dinheiro dos contribuintes. Hoje, por exemplo, a maior parte da carteira do Fed está vinculada a empréstimos respaldados por garantias duvidosas. Além disso, as autoridades temem que suas operações de resgate estimulem comportamentos de risco no futuro. De fato, parece que, se a regra for cara, você ganha; se for coroa, os contribuintes perdem.

O que nos leva ao caso do Lehman, que sofreu enormes prejuízos relacionados ao setor da habitação e enfrenta crise de confiança. Como muitas instituições financeiras, o Lehman tem um balanço patrimonial enorme – deve vastas somas, mas lhe são devidas vastas somas. Tentar liquidar rapidamente esse balanço poderia instalar o pânico no sistema financeiro. Por isso, representantes do governo e executivos de bancos privados passaram o fim de semana reunidos no Fed de Nova York, procurando elaborar um acordo para salvar o Lehman, ou, pelo menos, fazer com que sua queda fosse menos violenta.

Mas o secretário do Tesouro, Henry Paulson, foi categórico. Afirmou que não abrandaria o acordo colocando na linha mais recursos públicos. Muitos pensaram que ele estivesse blefando. Eu estava preparado para começar a coluna de hoje do seguinte modo: “Quando a vida lhe dá o Lehman, dê uma ajuda ao Lehman.”

Mas não houve nenhuma ajuda e, ao que tudo indica, nem mesmo acordo. Aparentemente, Paulson está apostando que o sistema financeiro – fortalecido por essas linhas de crédito especiais – possa enfrentar o choque da concordata do Lehman. Logo saberemos se ele foi corajoso ou louco.

Evidentemente, a resposta real ao problema atual teria sido a adoção de uma medida preventiva, antes que a situação chegasse a esse ponto. Mesmo deixando de lado a óbvia necessidade de regulamentar o sistema bancário sombra – se as instituições precisam ser salvas como os bancos, devem ser regulamentadas como os bancos – por que estávamos tão despreparados diante desse último choque?

Quando o Bear afundou, muitos falaram da necessidade de um mecanismo de “liquidação ordenada” dos bancos de investimentos em concordata. Bem, isso ocorreu há seis meses. Onde está esse mecanismo? E então aqui estamos nós, com Paulson achando, aparentemente, que tentar a roleta russa com o sistema financeiro americano foi a sua melhor opção.

*Paul Krugman escreve para o The New York Times

01/09/2008 - 09:27h Novos negócios da China

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Crescimento de uma classe média com estilo ocidental abre portas para marcas brasileiras

Eliane Oliveira – O Globo

Algoz das indústrias brasileiras de têxteis e calçados, a China pode se transformar num mercado altamente promissor para fabricantes de sapatos, confecções, produtos de higiene, cosméticos, metais e pedras preciosas do Brasil. Mas é preciso fazer um rigoroso dever de casa para aproveitar o enriquecimento dos chineses, a partir da abertura e do aquecimento do consumo no país asiático.

É o que diz um estudo inédito da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) denominado “Oportunidades de negócios para os setores de moda brasileira na China”.

Com uma participação pequena nas importações chinesas, o Brasil não atende hoje a um clube que abrange de milionários — cada vez mais sensíveis à marca e ao produto de luxo — a uma classe média de 300 milhões de consumidores, que também passaram a se interessar por produtos ocidentais que representem o status de quem os usa, principalmente grandes marcas.

“A abertura do mercado e as mudanças econômicas e demográficas provocaram alterações estruturais na China, o que afetou o estilo de vida local, especialmente nas grandes cidades. Os consumidores passam por um processo de ocidentalização, ainda que os padrões sociais e culturais, tipicamente chineses, continuem a definir o comportamento de consumo”, diz a pesquisa.

Para os próximos dez anos, uma ainda grande expansão do consumo é esperada na China, guiada pela combinação do aumento dos salários e do salário-mínimo, maiores lucros e ampliação do investimento governamental em áreas rurais. Estima-se que o número de famílias ganhando mais que US$ 5 mil por ano cresça 24%.

Osklen já está de olho nos chineses

Cerca de 5,8 milhões de famílias chinesas já possuem o estilo ocidental de consumo, com renda superior a US$ 10 mil por ano. Outro dado que chama a atenção é que, apesar das baixas taxas de juros na China, os chineses têm uma das poupanças mais altas do mundo, estimada entre 25% e 30% dos salários.

Os empresários brasileiros já estão se mexendo e usam como estratégia a promoção de seus produtos nos mercados desenvolvidos — Estados Unidos, União Européia e Japão — para depois entrarem nos emergentes. É o que revela Oskar Metsavaht, do Osklen Group: — Estamos semeando investimentos nos grandes centros para, em seguida, conquistarmos a China.

Sem poder concorrer com o luxo europeu e as marcas populares americanas, os fabricantes nacionais usam como trunfo o “jeito de ser do brasileiro”, conforme classificou o estilista Amir Slama, da grife Rosa Chá: — O que nos diferencia é o estilo de vida, o clima de verão. Nossa moda é sofisticada, mas despretensiosa. Chique e, ao mesmo tempo, despojada.

Segundo Metsavaht, a investida já apresenta resultados. Alguns grupos chineses já entraram em contato com a Osklen, que tem lojas em Milão, Roma, Tóquio, Genebra e Lisboa.

— Ainda teremos o mercado chinês.

Estamos investindo em criatividade e no posicionamento de nossas marcas no exterior — afirmou.

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Indústria têxtil ainda vê ameaças à competitividade

Depreciação do yuan e subsídios às exportações são principais obstáculos a produtos brasileiros

O diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, concorda com a avaliação do potencial do mercado chinês, mas lamenta que as relações comerciais sejam altamente desequilibradas. Ele citou exemplos de fatores que distorcem os preços no mercado internacional e torna os produtos brasileiros menos competitivos, como a alta depreciação da moeda chinesa, o yuan, frente ao dólar — o que torna as vendas do país asiático mais competitivas — e o aumento dos subsídios do governo da China às exportações, que já está em vigor.

— Hoje, a China é mais ameaça do que oportunidade — disse Pimentel.

Ao mesmo tempo, afirmou o dirigente da Abit, o empresário brasileiro enfrenta o real valorizado e a elevada carga tributária. Mesmo assim, Pimentel enfatizou que existe uma estratégia ofensiva da indústria nacional, com investimentos em roupas de marca, design e estilo.

— O que nos preocupa é o futuro — acrescentou.

Para conseguir entrar no mercado chinês — e aproveitar a ocidentalização dos hábitos de consumo e a incorporação das classes com rendas mais baixas —, são apontadas várias formas: exportação, abertura de escritório de representação comercial, instalação de uma planta de produção, licenciamento, joint venture, entre outras.

No entanto, a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) faz algumas ressalvas que devem ser observadas pelo empresário brasileiro. A primeira delas é que a China se diferencia de outros mercados pela peculiaridade nos tempos de maturação, após a entrada e o início da expansão do negócio. A maturação leva pelo menos cinco anos e só depois vem o retorno. “As empresas bem-sucedidas no mercado local seguiram passos comuns”, diz a pesquisa da agência sobre o consumo chinês.

A compreensão da cultura chinesa e de seu marco regulatório, a análise detalhada dos riscos associados à entrada no mercado, o desenvolvimento de um planejamento flexível e a adaptação ao pragmatismo dos empresários daquele país são algumas das recomendações.

— Há um potencial imenso para o Brasil, não apenas na China, mas também em outros mercados. Afinal, temos apenas 1,4% de participação no mercado mundial. Mas é importante o empresário brasileiro aparecer, participando de desfiles e outros eventos no exterior — disse o diretor de negócios da Apex, Maurício Borges. (E.O)

29/08/2008 - 09:33h Apesar da alta dos juros, confiança da indústria é a 2ª maior desde 1995

Indicador medido pela FGV cresce 1,1% este mês, como resultado da elevação do emprego e da produção

Márcia De Chiara – O Estado de São Paulo

A alta de 1,75 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic), iniciada pelo Banco Central (BC) em abril, até agora não abalou a confiança dos empresários da indústria. Isso se traduz em boas perspectivas de produção e vendas para o fim de ano e num risco adicional para o BC, que está preocupado com o ritmo da demanda.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) atingiu neste mês 122,8 pontos. O resultado de agosto foi o segundo maior nível da série histórica iniciada em abril de 1995. Ficou atrás apenas do indicador de outubro do ano passado (123,4 pontos). Na comparação com agosto de 2007, o ICI aumentou 0,7% este mês. Em relação a julho, a alta foi 1,1%.

“Na média da indústria, a confiança está se mantendo em níveis elevados, depois de ter passado por um período de desaceleração em abril e maio”, afirma o coordenador da Sondagem da Indústria de Transformação e responsável pelo ICI, Aloisio Campelo.

A FGV consultou cerca de mil indústrias – que, juntas, faturam R$ 567,1 bilhões por ano – entre os dias 1º e 26 deste mês. O economista destaca que a confiança da indústria cresceu neste mês, impulsionada principalmente pelo índice de expectativas para três meses. “O resultado do índice de expectativas surpreendeu”, diz Campelo.

Em julho, o índice de expectativas, que estava em 118,5 pontos, atingiu 121,2 pontos neste mês, marca recorde do indicador na série histórica iniciada em 1995. Os três componentes do índice de expectativas, que são a produção e o emprego previsto para três meses e a situação dos negócios para seis meses, tiveram resultados favoráveis neste mês. Aumentou de 49% em agosto de 2007 para 53% em agosto deste ano o número de indústrias que esperam ampliar a produção no terceiro trimestre. “O resultado é favorável e aborta os indícios de desaceleração que apareceram em maio.”

A previsão de contratações para o período de agosto a outubro também é positiva para a indústria. De acordo com a enquete, 35% das empresas declararam que pretendem contratar mais no terceiro trimestre, ante 34% delas em agosto de 2007 e no mês passado. Quando se analisa os dados do emprego previsto com ajuste sazonal, o nível atingido neste mês se equipara ao de setembro do ano passado, quando o ritmo des crescimento estava acelerado, observa Campelo.

“O índice de situação dos negócios para os próximos seis meses não atingiu níveis recordes, mas a combinação dos três fatores (produção prevista, emprego previsto e negócios em seis meses) é favorável para o desempenho futuro da indústria”, comentou.

CAPACIDADE

A sondagem industrial revela também que houve aumento do uso da capacidade instalada das fábricas neste mês. Em julho, o uso da capacidade, sem ajuste sazonal, estava em 86,1% e subiu para 86,5% em agosto. Apesar do aumento, o resultado ainda é inferior ao de novembro de 2007 (87,2%).

Com ajuste sazonal, o uso da capacidade instalada neste mês atingiu 86,2%, ante 86,1% em julho e 86,8% em junho. “O indicador de uso da capacidade está alto, porém andando de lado”, observa Campelo. Na sua opinião, isso mostra que os investimentos na ampliação das fábricas estão em fase de maturação. Apesar desse relativo conforto, o uso da capacidade no setor de materiais de construção atingiu neste mês 91,4%, o mais alto desde janeiro de 1993.

25/08/2008 - 10:19h País lidera Brics em tecnologia

Estudo da IDC mostra que Brasil investe mais do que outros emergentes, inclusive a China

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Renato Cruz – O Estado de São Paulo

No ano passado, a subsidiária brasileira da HP resolveu encomendar um estudo sobre o Brasil para a consultoria americana IDC. A idéia era mostrar para a matriz e para clientes internacionais as oportunidades que existiam no País, quando comparado a outros emergentes. “Naquela época, existia uma tremenda discussão se o Brasil fazia sentido, ou se o B dos Brics tinha morrido”, diz Denoel Eller, diretor de Marketing e Alianças da HP. “A HP vinha investindo no Brasil, mas menos do que nos outros Brics. Havia uma imagem de que o País não estava crescendo, que tinha violência e instabilidade.”

No meio do caminho, enquanto o estudo era feito, a situação mudou. Em 2007, foram vendidos 10,7 milhões de microcomputadores no País, o que tornou o Brasil o quinto maior mercado de PCs do mundo. A expectativa é que ele se torne o terceiro maior até 2010, atrás somente da China e dos Estados Unidos. Um exemplo da mudança foi o interesse da imprensa internacional em relação ao País.

Neste ano, o atual presidente da subsidiária brasileira, Mário Anseloni, visitou a matriz, nos EUA, e teve de dar uma entrevista coletiva para os americanos. “Eles acabaram surpresos ao saber, por exemplo, que o mercado brasileiro de software e serviços de tecnologia é maior que o de equipamentos”, conta Eller.

O estudo da IDC mostrou que, entre os Brics, o Brasil só perde para a China no volume de investimentos em tecnologia. Quando se analisa, porém, o total de investimentos como porcentual do Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil está à frente, sendo o único entre os emergentes com gastos maiores que 2% do PIB. “Isso coloca o Brasil ao lado de países como Japão, França e Alemanha”, afirma Roberto Gutierrez, diretor de Consultoria da IDC Brasil.

O mercado de tecnologia no País deve crescer três vezes mais que o PIB nos próximos quatro anos, a maior taxa entre os Brics. O da China, por exemplo, deve aumentar 1,43 vez em relação à economia em geral. O estudo da IDC também mostrou que o Brasil está em uma situação melhor no que diz respeito à estabilidade e à liberdade econômica. Como resultado, a HP conseguiu da matriz a contratação de 800 pessoas para o setor de serviços.

A mudança na imagem do Brasil fez com que a fabricante de computadores Dell nomeasse o brasileiro Fernando Loureiro diretor global de Mercados Emergentes, há cerca de um ano e meio. A divisão não existia e foi criada como uma das cinco iniciativas mundiais da empresa para acelerar o crescimento. O executivo continua sediado no Brasil, de onde comanda a divisão. “Pouquíssimos países receberam destaques em todos os relatórios da Dell nos últimos trimestres, como foi o caso do Brasil”, afirma Loureiro.

A situação atual contrasta bastante com o que acontecia há cinco ou seis anos, quando o mercado de PCs era pequeno e dominado pelos chamados fabricantes cinzas, que sonegam impostos e usam peças contrabandeadas. O corte de impostos federais, o câmbio favorável, o avanço do financiamento e a melhora da situação econômica mudaram a situação. “Em 2002, chegamos a pensar em deixar o País”, diz o diretor da Dell.

A Dell, que prosperou com um modelo de venda direta de computadores, começou a ir para o varejo, e o mercado brasileiro foi um dos pioneiros no movimento. “Fizemos uma série de ações fortes com varejistas como o Wal-Mart e o Ponto Frio”, explica Loureiro.

Outra empresa que recebe reflexos positivos do aumento na venda de PCs é a Microsoft. Em julho, o Brasil ganhou um prêmio da corporação como a melhor subsidiária de países emergentes. A redução do chamado mercado cinza levou a uma queda na pirataria de software, que beneficiou a Microsoft.

Além do crescimento do mercado, a diretora de Marketing e Negócios da companhia, Paula Bellizia, afirma que a Microsoft Brasil tem obtido bons resultados por causa de suas estratégias de aumento dos escritórios regionais, do número de empresas-parceiras e de profissionais treinados em suas tecnologias.

“No último ano, abrimos oito escritórios regionais no Brasil, chegando a 13 escritórios”, diz a executiva. “Ainda existe um potencial de crescimento muito grande no Brasil, tanto em tecnologia quanto em educação.”