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	<title>Blog do Favre &#187; negros</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>680 cidades comemoram &#8221;Consciência Negra&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 19:05:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Roldão Arruda &#8211; O Estado SP
Levantamento da Secretaria Especial da Igualdade Racial indica que cerca de 680 municípios do País vão comemorar amanhã &#8211; com feriado ou ponto facultativo &#8211; o Dia Nacional da Consciência Negra. Isso representa 12,2% do total de 5.564 municípios. No Rio e em Mato Grosso, a data será lembrada em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://carva1.files.wordpress.com/2008/10/zumbi.jpg" alt="http://carva1.files.wordpress.com/2008/10/zumbi.jpg" /></p>
<p>Roldão Arruda &#8211; O Estado SP</p>
<p>Levantamento da Secretaria Especial da Igualdade Racial indica que cerca de 680 municípios do País vão comemorar amanhã &#8211; com feriado ou ponto facultativo &#8211; o Dia Nacional da Consciência Negra. Isso representa 12,2% do total de 5.564 municípios. No Rio e em Mato Grosso, a data será lembrada em todos os municípios, por determinação de suas Assembleias Legislativas.</p>
<p>Em São Paulo, Estado com a maior população negra do País, em termos absolutos, 104 municípios, de um total de 645, aderiram à comemoração. Na Bahia, apenas seis municípios vão lembrar a data, segundo o levantamento. É um número que pode ser considerado pequeno, levando em conta que, entre todos os Estados, a Bahia é o que registra a maior participação de negros no conjunto da população, chegando a 13%. Este foi, aliás, um dos motivos que levaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a optar pela cidade de Salvador para anunciar, amanhã, medidas que beneficiam a população negra.</p>
<p>Por motivos diferentes, também chama a atenção no levantamento a situação do Rio Grande do Sul. Embora os negros representem ali 5,2% da população, trata-se do Estado com o maior número de municípios que decretaram feriado ou ponto facultativo: são 281, mais da metade dos 486 municípios gaúchos.</p>
<p>Existem dois prováveis motivos para essa cifra. O primeiro é que as comunidades negras do Rio Grande do Sul estão entre as mais organizadas do País. O segundo é o fato de ter surgido naquele Estado, em 1971, a ideia de se lembrar o dia da morte do herói negro Zumbi dos Palmares, ocorrida em 20 de novembro de 1695, como o Dia da Consciência Negra.</p>
<p>Em plena ditadura, a proposta do movimento negro era criar uma celebração que se opusesse à celebração oficial, o 13 de Maio. No lugar da princesa Isabel, que assinou a lei de libertação dos escravos, puseram o herói da resistência armada à escravidão.</p>
<p>Foi só em 1995, no entanto, que a data foi oficialmente reconhecida por uma cidade. Quem encabeçou a lista foi o Rio, após a Câmara de Vereadores ter aprovado uma lei proposta pelo atual ministro da Igualdade Racial, o petista Edson Santos. Em 2002, a Assembleia estendeu a data a todos os municípios</p>
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		<title>Desemprego entre negros cai para 16%, mas é maior do que entre brancos</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 18:37:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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da Folha Online
O desemprego entre os negros caiu mais de 6 pontos percentuais entre 2004 e 2008, período de maior dinamismo da economia brasileira, mas ainda supera a falta de ocupação entre os brancos, segundo pesquisa do Seade/Dieese divulgada nesta quarta-feira.
De acordo com o levantamento, as disparidades na forma de inserção produtiva de negros e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://4.bp.blogspot.com/_FtvI14u6klU/SkZM6TtC11I/AAAAAAAABGE/DvKw0m16kWk/s320/Constru%2520o%2520Civil%2520-%2520Geral%2520-%2520Pedreiro%252002.jpg" alt="http://4.bp.blogspot.com/_FtvI14u6klU/SkZM6TtC11I/AAAAAAAABGE/DvKw0m16kWk/s320/Constru%2520o%2520Civil%2520-%2520Geral%2520-%2520Pedreiro%252002.jpg" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><span style="background-color: #ffff99;">da Folha Online</span></h2>
<p>O desemprego entre os negros caiu mais de 6 pontos percentuais entre 2004 e 2008, período de maior dinamismo da economia brasileira, mas ainda supera a falta de ocupação entre os brancos, segundo pesquisa do Seade/Dieese divulgada nesta quarta-feira.</p>
<p>De acordo com o levantamento, as disparidades na forma de inserção produtiva de negros e não-negros no mercado de trabalho da região metropolitana de São Paulo registraram queda entre 2004 e 2008.</p>
<p>No período, a PEA (População Economicamente Ativa) negra diminuiu sua participação de 37,3% para 36,6%, mas aumentou sua proporção de ocupados, de 77,5% para 84,0% e caiu a de desempregados, de 22,5% para 16%.</p>
<p>No caso dos não-negros, o desemprego caiu de 16,4% para 11,9% no mesmo intervalo.</p>
<p>O levantamento apontou ainda uma redução dos negros nos serviços domésticos (de 8,7% para 7,7%), o que aproxima a participação das raças nesse segmento, já que a participação dos não-negros caiu de 12,9% para 12%.</p>
<p>A pesquisa também indica diminuição das diferenças entre negros e não-negros nas formas de inserção associadas a graus mais elevados de escolaridade e qualificação, mas ainda prevalece uma diferença bastante elevada.</p>
<p>Entre os negros ocupados, 5% ocupavam em 2008 cargo de direção, gerência e planejamento &#8211;contra 4,7% registrado em 2004.</p>
<p>No caso dos não-negros, a participação em tais cargos caiu de 18,7% para 17,4%, na mesma comparação.</p>
<p>&#8220;Tais fatos repercutiram no crescimento do rendimento médio real dos negros (6,1%) e na relativa estabilidade para os não-negros (0,1%) e, ainda que isto represente alteração muito pequena do diferencial de renda, mostra tendência de lenta aproximação na relação entre os dois grupos&#8221;, afirma a pesquisa.</p>
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		<title>Exemplo de luta contra a pobreza, de crescimento da classe média e de ascensão como potência. Brasil continua terrivelmente desigual</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 19:09:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Mencione o Brasil e vem a adulação&#8221;, abre o &#8220;Christian Science Monitor&#8221;. &#8220;Sua luta contra a pobreza, sua crescente classe média, sua ascensão como potência são estudadas como modelos.&#8221; Mas, reage o texto de dois correspondentes:
&#8220;Em uma área o país está muito atrás: desigualdade de renda. Num novo estudo, o Brasil está no fim da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;Mencione o Brasil e vem a adulação&#8221;, abre o &#8220;Christian Science Monitor&#8221;. &#8220;Sua luta contra a pobreza, sua crescente classe média, sua ascensão como potência são estudadas como modelos.&#8221; Mas, reage o texto de dois correspondentes:<br />
&#8220;Em uma área o país está muito atrás: desigualdade de renda. Num novo estudo, o Brasil está no fim da lista de 18 países da região, no pagamento a mulheres e minorias pelo mesmo trabalho de um homem branco&#8221;. Fonte Toda Mídia, de Nelson de Sá &#8211; Folha SP.</em></p>
<table id="mainPhoto" border="0">
<tbody>
<tr>
<td><img src="http://www.csmonitor.com/2009/1013/csmimg/OBRAZILGAPS_P1.jpg" border="0" alt="(Photograph)" /></td>
<td>
<table style="width: 166px; float: right;" border="0">
<tbody>
<tr>
<td><span>Employees assemble computers at Positivo Computers, Brazil&#8217;s largest computer producer, in Curitiba on September 25. Men earn                         30 percent more than women of the same age and education level in Brazil.</span></td>
</tr>
<tr>
<td>Cesar Ferrari/Reuters</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><!--startclickprintinclude--></p>
<h1>Latin America&#8217;s worst wage gap for women and minorities? Powerhouse Brazil.</h1>
<h2>Men earn 30 percent more than women in Brazil, according to a new report from the Inter-American Development Bank. That gap          is almost zero in Guatemala and Bolivia.</h2>
<address style="margin-bottom: 0pt;"><strong>By Andrew Downie</strong> | Correspondent of The Christian Science Monitor<br />
<strong>and <a href="http://www.csmonitor.com/cgi-bin/encryptmail.pl?ID=B2B0B0B3B0B7B1B0B1B4B4B9B4B5&amp;url=/2009/1013/p06s07-woam.html">Sara Miller Llana</a></strong> | Staff writer of The Christian Science Monitor </address>
<p><span>São Paulo, Brazil; and Mexico City &#8211; </span>Mention Brazil today and adulation follows. Its fight against poverty, its growing middle class, and its emergence as an economic powerhouse are all being studied as models to be applied elsewhere. (Read our three-part &#8220;<a href="http://www.csmonitor.com/2008/1112/p01s01-woam.html">Brazil Rising</a>&#8221; series for more.)</p>
<p>In one area, however, the country is far behind its peers: income equality. In a new study by the Inter-American Development Bank (IADB), released Monday, Brazil sits at the bottom of a list of 18 regional countries when it comes to how much women and minorities are paid for the same job a white man does.</p>
<p><!--startclickprintexclude--> <!--endclickprintexclude-->Men earn 30 percent more than women of the same age and education level in Brazil. In Bolivia and Guatemala, that gap is essentially zero. Compared to Mexico, the other economic engine of the region, Brazil also stands out: Men in Mexico earn just 7 percent more than their female peers. The same gaping divide appears in Brazil when comparing wages for whites and minorities – a blow to a nation where half the population considers itself black or mixed race and prizes itself on being &#8220;color blind.&#8221;</p>
<p>&#8220;Brazil is regarded in gender and ethnic terms as a very equalizing country. Everywhere there is inclusion. This is what Brazilians like to think about themselves,&#8221; says Hugo Ñopo , an IADB economist and lead author of the study. &#8220;What the statistics show is that there are important gaps&#8230;. We think of it as an invisible wall.&#8221;</p>
<p>Women: majority of workers in Latin America</p>
<p>With trade liberalization, economic growth, and urbanization, women throughout Latin America have joined the workforce in droves in recent decades, today comprising about 52 percent of all workers. But fair income distribution has not caught up. In the 18 nations studied, men earn on average 17 percent more than women, when accounting for age and educational attainment levels. In most countries, the gap is biggest among those with the least education. Women&#8217;s participation in the informal sector, such as domestic work that typically is underpaid and without benefits, drives down their earning power.</p>
<p>But in Brazil, the gap is so high, Mr. Ñopo says, because women are absent from the highest levels of corporate hierarchies. According to Leila Linhares Barsted, executive coordinator of Cepia, a Rio woman&#8217;s rights group, gender gaps have closed over the decades and women now comprise 40 percent of the nation´s workforce – an all-time high, she says. Brazil has good social policies in place, giving women 120 days of maternity leave. That&#8217;s more than in the US.</p>
<p>But wage inequality looms large. &#8220;In spite of government campaigns for equality, there is a still a sector that discriminates,          salary wise, against women,&#8221; Ms. Barsted says.</p>
<p>While old-fashioned discrimination is to blame in part for unequal wage distribution, there are other forces at play, says Ñopo. The study revealed the same gender income gaps for those who are self-employed – data that surprised the researchers and goes against long-held views that the employer is always to blame. &#8220;It&#8217;s the other way around. Self-employment is very attractive for females who have to take care of household responsibilities,&#8221; Ñopo says. &#8220;Having flexibility is invaluable for them. But the result is this flexibility that they look for in the labor market comes at a price.&#8221;</p>
<p>Brazil also at bottom for racial disparity</p>
<p>After Brazil, Uruguay and Nicaragua are the worst for wage inequality between genders. In Uruguay men earn 26 percent more          than women and in Nicaragua, 20 percent more.</p>
<p>For minorities, Brazil is also is ranked at the bottom of the list at 30 percent disparity (followed by Guatemala at 24 percent          and Paraguay at 22 percent).</p>
<p>The indigenous, who comprise about 10 percent of Latin America´s population, have made strides in countries such as Bolivia and Ecuador, reasserting their rights to resources and political inclusion. But in the seven countries where data was collected for the IADB study, ethnic and racial minorities earn 28 percent less than their white counterparts.</p>
<p>Mario Theodoro, a director at the government-sponsored research institute Ipea and author of a book on racial inequality in          Brazil, says that Brazil&#8217;s emergence on the world scene has not included everybody.</p>
<p>&#8220;What we have shown is that in spite of the growth, in spite of a more diversified economy, in spite of more jobs and higher paying jobs, the difference between blacks and whites remain,&#8221; says Mr. Theodoro. &#8220;The classic economic instruments are not sufficient to resolve problems of racism that are historical and cultural. We need to use different methods.&#8221;</p>
<p>The government defends Brazil&#8217;s record. Edson Santos, the Special Secretary for Policies Promoting Racial Equality, says that          President Luiz Inácio Lula da Silva has made it a point to address inequality.</p>
<p>&#8220;The gaps are high but they are being reduced over time, especially since Lula took power,&#8221; Mr. Santos says, adding that under          Lula the income of the poor has risen by 10 percent while the income of the rich has risen 2 percent.</p>
<p>Ivanir dos Santos, the executive secretary of the Center for the Articulation of Marginalized Peoples, says that the country´s legacy of slavery has taken a toll and that affirmative action programs, such as those developed in the US, are crucial to promote real change. An optional quota for blacks in federal universities, for example, is a step forward but does not go far enough. The government needs to take more mandatory measures, Mr. Dos Santos says.</p>
<p>Compounding the problem, he says, is that Brazil&#8217;s Congress and the media are dominated by white men and blacks tend not to be in politics in Brazil, in large part because they are poor and uneducated. There is neither an influential lobby nor a thriving black middle class.</p>
<p>&#8220;Brazil is growing but the difference between blacks and whites remains the same,&#8221; says dos Santos. &#8220;More concrete measures          are needed.&#8221;</p>
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		<title>Alguns jamais aceitarão um presidente negro</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 19:13:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Maureen Dowd, THE NEW YORK TIMES
O presidente Barack Obama, que em geral tem uma atitude de grande desenvoltura, ficou estupefato. Cercado de brancos de meia idade, Joe Wilson berrou &#8220;você mente!&#8221; para o presidente, que não estava mentindo.
Mas, certo ou não, o que eu ouvi foi uma afirmação implícita: Você mente, rapaz! (o termo rapaz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_8Us7czZwmqg/SRIues32bWI/AAAAAAAABrI/_Ib1hzzewfc/s400/charge-obama-vitoria.jpg" alt="http://1.bp.blogspot.com/_8Us7czZwmqg/SRIues32bWI/AAAAAAAABrI/_Ib1hzzewfc/s400/charge-obama-vitoria.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Maureen Dowd, THE NEW YORK TIMES</p>
<p>O presidente Barack Obama, que em geral tem uma atitude de grande desenvoltura, ficou estupefato. Cercado de brancos de meia idade, Joe Wilson berrou &#8220;você mente!&#8221; para o presidente, que não estava mentindo.</p>
<p>Mas, certo ou não, o que eu ouvi foi uma afirmação implícita: Você mente, rapaz! (o termo rapaz era usado aos negros pelos brancos do sul). Foi uma explosão inesperada, por se tratar de um parlamentar republicano de segundo escalão da Carolina do Sul, que até então mal havia chamado a atenção da imprensa.</p>
<p>Agora, graças ao episódio ele se transformou, da noite para o dia, num herói da direita. O deputado pertence aos Filhos dos Veteranos Confederados. Em 2000, ele liderou uma campanha para que a bandeira dos Confederados tremulasse no topo da Câmara dos Representantes da Carolina do Sul, e denunciou como uma &#8220;calúnia&#8221; a declaração de uma mulher negra, cuja veracidade foi posteriormente confirmada, que se dizia filha de Strom Thurmond, o candidato segregacionista à presidência em 1948.</p>
<p>Hesitei em admitir que a loucura histérica &#8211; os esforços frenéticos para pintar nosso primeiro presidente negro como o outro, o estrangeiro, socialista, fascista, marxista, racista, comunista, nazista; uma pessoa de moral duvidosa que deixará os velhos morrer; uma víbora que envenenará as crianças com sua doutrina &#8211; tinha a ver com raça.</p>
<p>Eu tendia a concordar com alguns assessores de Obama, segundo os quais os presidentes democratas sempre provocaram uma reação raivosa em pessoas paranoicas. Mas a chocante falta de respeito de Wilson pela pessoa do presidente &#8211; nenhum democrata jamais gritou &#8220;mentiroso&#8221; para Bush quando ele nos impingiu a falsa justificativa da guerra no Iraque &#8211; me convenceu: algumas pessoas não conseguem acreditar que um negro é o presidente, e jamais acreditarão.</p>
<p>&#8220;Essas explosões, em grande parte, têm a ver com a vontade de tirar de Obama a legitimidade de seu cargo&#8221;, disse o deputado democrata Jim Clyburn, um dos mais representativos da Carolina do Sul. &#8220;Estas questões devem ser tratadas com rigor. Meu pai costumava dizer: &#8220;Filho, lembre sempre de que quem cala consente.&#8221;"</p>
<p>Obama, da geração pós-60, vivendo no longínquo Havaí, não participou das importantes lutas racistas da história dos EUA. Agora, ele está bem no meio de um período de turbulência racial provocada por sua ascensão. Mesmo que ele e seus assessores brancos prefiram não reconhecer abertamente o fato, este presidente é a figura do defensor dos direitos humanos por excelência &#8211; um negro cuja legitimidade é continuamente contestada por um setor radical de malucos.</p>
<p>Durante dois séculos, o Sul temeu que os negros ou os federados tomassem o poder. Com Obama, agora eles se defrontam com ambos. O Estado que disparou o primeiro tiro na Guerra Civil nos EUA nos presenteou com o senador Jim DeMint, que exortou os conservadores a &#8220;quebrar&#8221; o presidente derrubando seu plano de reforma da saúde; com Rusty DePass, um ativista republicano que afirmou que um gorila que fugiu do zoológico é &#8220;apenas um dos antepassados de Michelle&#8221;; com Mark Sanford, que tentou recusar o dinheiro do pacote de ajuda do presidente. E agora temos Joe Wilson.</p>
<p>&#8220;Muitas pessoas na Carolina do Sul repudiam a ideia de que fazemos parte da união&#8221;, afirmou Don Fowler, o ex-presidente nacional do Partido Democrata, que leciona Política na Universidade da Carolina do Sul. Ele observou que quando a escravidão foi destruída por forças externas e a segregação foi abolida pelos líderes do movimento pelos direitos humanos e pelo Congresso, isso provocou uma verdadeira xenofobia.</p>
<p>Clyburn alertou os assessores de Obama, que querem perdoar Wilson, a ignorar os repentes ignorantes e ir em frente: &#8220;O pessoal da Casa Branca terá de descobrir como lidar com esse tipo de coisa e não deixar a situação degenerar. Caso contrário, o apoio que Obama tem recebido irá para a direção errada.&#8221;<br />
<strong><br />
*Maureen Dowd é cronista política </strong></p>
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		<title>De baixo para cima</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/09/de-baixo-para-cima/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 18:41:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ 
Luis Fernando Verissimo &#8211; O Estado SP
Especulei aqui se o certo não seria chamar de pós-sal, em vez de pré-sal, o lugar de onde sairá o bendito óleo, já que as brocas virão de cima para baixo, e recebi correções de todos os lados. Quem adivinharia que entre 17 leitores houvesse tantos entendidos em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/09/de-baixo-para-cima/13408/" rel="attachment wp-att-13408" title="verissimo.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/verissimo.thumbnail.jpg" alt="verissimo.jpg" align="left" /></a><span style="background-color: #ffff99"></span></p>
<p style="background-color: #ffff99">Luis Fernando Verissimo &#8211; O Estado SP</p>
<p>Especulei aqui se o certo não seria chamar de pós-sal, em vez de pré-sal, o lugar de onde sairá o bendito óleo, já que as brocas virão de cima para baixo, e recebi correções de todos os lados. Quem adivinharia que entre 17 leitores houvesse tantos entendidos em geologia, em contraste com a minha completa ignorância? A explicação mais autorizada e simpática veio de um geólogo profissional, Guilherme Estrella, diretor de Exploração e Produção da Petróleo Brasileiro S.A. Segundo ele, os geólogos têm uma lógica peculiar. Estudam a história do planeta de baixo para cima, pela sedimentação das suas rochas empilhadas ininterruptamente através do que chamam de tempo geológico. As brocas retrocedem no tempo geológico. O que está por baixo é mais velho do que o que está por cima, por isso é pré. Pós-sal é tudo que está acima da camada de sal, inclusive você, eu e os peixinhos. Entendi.</p>
<p><strong>DEMÔNIO</strong><br />
Há dias a CNN mostrou uma mãe americana chorando, preocupada com o que iria acontecer com seus filhos. E o que iria acontecer com seus filhos era terem que ouvir pela TV um discurso do presidente Barack Obama dirigido a estudantes do ensino básico de todo o país, no primeiro dia do ano escolar. Barack recomendaria a todos que fossem bons alunos e tomassem o seu leite, mas a direita histérica criou a expectativa de que ele aproveitaria a oportunidade para doutrinar as crianças sobre os seus programas nazicomunistas, talvez até recorrendo à hipnose. Muitas escolas se recusaram a mostrar a preleção presidencial. A mãe entrevistada pela CNN estava apavorada com o que o demônio negro de fala mansa poderia fazer com a mente dos seus filhos.</p>
<p>A demonização do Obama se deve em grande parte à sua intenção de criar um sistema universal de saúde pública como os que já existem em todos os países civilizados do mundo (e mesmo semicivilizados, não vamos citar nomes), para garantir assistência médica aos mais de 50 milhões de americanos que hoje não têm proteção alguma. As seguradoras, indústrias farmacêuticas e empresas hospitalares que já tinham liquidado com um plano similar do Clinton mobilizaram-se de novo, com a colaboração da imprensa conservadora, de políticos reacionários e de almas simples como a mãe apavorada, e transformaram a ameaça aos seus lucros numa guerra ideológica. Ainda é incerto se o Baraca conseguirá ver seu plano, ou uma versão chocha do mesmo, aprovado. Ou se chegará ao fim do seu mandato, nesse clima.</p>
<p>Dias depois da mãe chorosa a mesma CNN mostrou um pastor do Sul dos Estados Unidos declarando que rezava para Obama morrer de câncer e ir para o Inferno. E a congregação dizendo &#8220;Amém!&#8221;</p>
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		<title>Em prol das cotas para a população negra nas universidades</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Aug 2009 14:51:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ 
Natália Maria Alves Machado &#8211; Correio Braziliense
Fórum de Mulheres Negras do DF
É muito evidente que, embora haja momentos de confluência, a questão da população negra no Brasil não é unicamente socioeconômica, uma vez que essa mesma população carrega em seus corpos as marcas de uma história e de um presente de desumanização; corpos que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/05/cotas2.jpg" alt="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/05/cotas2.jpg" align="left" /><span style="background-color: #ffff99"></span></p>
<p style="background-color: #ffff99">Natália Maria Alves Machado &#8211; Correio Braziliense</p>
<p>Fórum de Mulheres Negras do DF</p>
<p>É muito evidente que, embora haja momentos de confluência, a questão da população negra no Brasil não é unicamente socioeconômica, uma vez que essa mesma população carrega em seus corpos as marcas de uma história e de um presente de desumanização; corpos que são continuamente desqualificados por sua origem cultural e suas características. Os reflexos disso, não apenas ditos por mim, mas pelas estatísticas, são uma enorme ausência de pessoas negras em postos de poder/relevância/mídia/padrões hegemônicos e de elevada presença destas pessoas nos índices de marginalização.</p>
<p>A mobilidade social no Brasil é dificílima, mas pode-se aumentar a renda, também troca-se de roupa, mas nunca de corpo. Não basta matemática financeira para resolver algo tão complexo e, ainda que ocorra uma revolução de valores que reveja esse fenômeno, são necessárias medidas emergenciais. Trata-se de vidas tolhidas, a lentidão de processos históricos arbitrários não dá conta da urgência dessas demandas de humanidade.</p>
<p>Mesmo sanada a questão econômica, o que geralmente não ocorre e torna tudo ainda mais difícil, as marcas da discriminação continuam a prejudicar a trajetória de quem passa por isso. Não se está apenas diante de condenação a uma natureza inferior, mas de uma socialização inferiorizante. A questão é sociológica e não biológica, não custa reafirmar. É como se uma/um negro tivesse que correr uma maratona com toneladas nas costas, toneladas impostas, as toneladas do racismo. As cotas são uma espécie de corretor dessa distorção.</p>
<p>O sistema de cotas é um sucesso. Em todo o país, tem formado profissionais excelentes e com o adicional da diversidade de origens culturais. Isso é fato irrefutável! Ganham os/as cotistas, ganham as universidades, ganha-se em conhecimento, toda a sociedade se beneficia.</p>
<p>Ações contrárias são mostras da reação de quem não enxerga o diferente como digno e quer manter a exclusão para assim também manter privilégios. Todos (as) cotistas são aprovadas no vestibular. Não há critérios facilitadores, há apenas concorrência específica: negros concorrem com negros dentro daquele percentual de vagas. As provas e os critérios são os mesmos. E mesmo assim, além do mérito da prova, pessoas negras, assim como outras pessoas de grupos preteridos, possuem o mérito de uma trajetória de superação. Há menos de 150 anos, o Brasil mantinha senzalas e ainda hoje as mantém em seus padrões de exclusão desumanizadora. Não há esforço individual capaz de ignorar a força das condicionantes de origem estrutural.</p>
<p>Se as cotas são importadas dos EUA? Absolutamente não, e ainda que fossem, importa-se tudo, moda e teorias científicas, inclusive vícios e dominação. Por que agora é errado importar medidas positivas? Não há importação e sim esforço transnacional conjunto e adaptado à realidade de cada país. O Brasil é signatário de acordos internacionais que preveem essas medidas e que aqui representam força de lei. Não há aí inconstitucionalidade, mas sim reparação de uma dívida histórica.</p>
<p>Cotas mudam imagens, possibilidades profissionais, padrões culturais, dinâmica de espaços de poder; criam combinações intelectuais mediante a proximidade de pessoas antes apartadas, podendo inclusive gerar ideias e resoluções; afetam toda uma estrutura e não apenas sujeitos individualizados, levam a sociedade a rever suas regras e a experimentar o poder de nelas intervir; não desqualificam outros grupos ou outras questões, antes abrem espaço para a ampliação da noção de igualdade em todas as formas que esta pode assumir; não excluem outras medidas como a melhoria do ensino no geral, ou distribuição de renda e sim fazem parte desse esforço conjunto para superação das desigualdades de todas as origens.</p>
<p>Nada disso é fácil de ser alcançado, assim como não é fácil dar continuidade ao atual estado das coisas. Para coabitarmos nste mundo não há saídas possíveis fora do esforço de transformação.</p>
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		<title>Negros americanos impulsionam turismo na BA</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jul 2009 16:56:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Turismo étnico]]></category>
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		<description><![CDATA[ 

A presença de Condolezza Rice, convidada por Marta e Jaques Wagner foi o detonador do turismo étnico na Bahía


Tiago Décimo &#8211; O Estado SP
Diretor da Tatour, agência de turismo de Salvador especializada na recepção de visitantes americanos, Connor O&#8217;Sullivan é uma exceção entre os colegas do mercado de viagens na Bahia. Em plena crise [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/07/negros-americanos-impulsionam-turismo-na-ba/12386/" rel="attachment wp-att-12386" title="marta_condoleezza.jpg"></p>
<div align="center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/07/marta_condoleezza.jpg" alt="marta_condoleezza.jpg" width="517" height="415" /><font size="1"><em><br />
A presença de Condolezza Rice, convidada por Marta e Jaques Wagner foi o detonador do turismo étnico na Bahía</em></font></div>
<p></a></p>
<div align="center"></div>
<p style="background-color: #ffff99">Tiago Décimo &#8211; O Estado SP</p>
<p>Diretor da Tatour, agência de turismo de Salvador especializada na recepção de visitantes americanos, Connor O&#8217;Sullivan é uma exceção entre os colegas do mercado de viagens na Bahia. Em plena crise econômica mundial, ele mantém o otimismo e faz planos para a ampliação dos negócios, enquanto o resto do mercado amarga queda no número de clientes.</p>
<p>Segundo o Ministério do Turismo, entre 2007 e 2008, o número de visitantes na Bahia encolheu 7,9%, de 193.867 para 178.571. Os principais países emissores de turistas registraram queda. O único mercado a apresentar crescimento expressivo entre os principais emissores de turistas para a Bahia foi o americano: aumento de 333% entre 2007 e 2008, de 3.478 visitantes para 15.085. Entre 2002 e 2006, os Estados Unidos haviam mandado, em média, 2.600 turistas à Bahia. Os EUA saltaram da 10ª posição no ranking de turistas para a 5ª.</p>
<p>A principal ação para incentivar a chegada de visitantes americanos foi a institucionalização de um patrimônio cultural da Bahia: as tradições africanas mantidas pelos descendentes de escravos &#8211; legado que os negros americanos passaram a explorar mundo afora, em especial na última década. Na Bahia foi criado, no fim de 2007, departamento específico para desenvolver esse nicho na Empresa de Turismo da Bahia S.A. (Bahiatursa), o de Turismo Étnico-Afro.</p>
<p>O maior impulso para a divulgação foi a viagem da então secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, a Salvador, em março do ano passado. Ela havia manifestado o desejo de conhecer a cidade quando foi visitada pelo governador baiano, Jaques Wagner, em Washington, meses antes. Disse ter curiosidade de estar na que chamou de &#8220;maior cidade africana fora da África&#8221;.</p>
<p>O impacto da divulgação se refletiu já na edição seguinte da centenária Festa da Irmandade da Boa Morte, celebrada em agosto, em Cachoeira, no Recôncavo Baiano. No ano passado, 250 negros americanos acompanharam a festa, promovida por descendentes de escravos. Este ano, são esperados 500 americanos no evento.</p>
<p>O?Sullivan prepara-se para receber os conterrâneos com um roteiro que inclui, além da participação na festa, passeios a bairros como Pelourinho e Liberdade e visitas a igrejas, terreiros de candomblé, além de aulas de música e percussão.</p>
<p>Segundo o secretário de Turismo da Bahia, Domingos Leonelli, apenas para ações promocionais do governo nos EUA foi aplicado R$ 1 milhão nos últimos dois anos.</p>
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		<title>As cotas desmentiram as urucubacas</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Jun 2009 14:39:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ELIO GASPARI &#8211; FOLHA SP
Os negros desorganizariam as universidades, como a Abolição destruiria a economia brasileira
QUEM ACOMPANHASSE os debates na Câmara dos Deputados em 1884 poderia ouvir a leitura de uma moção de fazendeiros do Rio de Janeiro:
&#8220;Ninguém no Brasil sustenta a escravidão pela escravidão, mas não há um só brasileiro que não se oponha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99">ELIO GASPARI &#8211; FOLHA SP</p>
<p><img src="http://envolverde.ig.com.br/fotos/32811.jpg" alt="http://envolverde.ig.com.br/fotos/32811.jpg" align="left" /><strong><font size="4">Os negros desorganizariam as universidades, como a Abolição destruiria a economia brasileira</font></strong></p>
<p>QUEM ACOMPANHASSE os debates na Câmara dos Deputados em 1884 poderia ouvir a leitura de uma moção de fazendeiros do Rio de Janeiro:<br />
&#8220;Ninguém no Brasil sustenta a escravidão pela escravidão, mas não há um só brasileiro que não se oponha aos perigos da desorganização do atual sistema de trabalho.&#8221;<br />
Livres os negros, as cidades seriam invadidas por &#8220;turbas ignaras&#8221;, &#8220;gente refratária ao trabalho e ávida de ociosidade&#8221;. A produção seria destruída e a segurança das famílias estaria ameaçada.<br />
Veio a Abolição, o Apocalipse ficou para depois e o Brasil melhorou (ou será que alguém duvida?).<br />
Passados dez anos do início do debate em torno das ações afirmativas e do recurso às cotas para facilitar o acesso dos negros às universidades públicas brasileiras, felizmente é possível conferir a consistência dos argumentos apresentados contra essa iniciativa.<br />
De saída, veio a advertência de que as cotas exacerbariam a questão racial. Essa ameaça vai completar 18 anos e não se registraram casos significativos de exacerbação. Há cerca de 500 mandados de segurança no Judiciário, mas isso nada mais é que a livre disputa pelo direito.<br />
Num curso paralelo veio a mandinga do não-vai-pegar. Hoje há em torno de 60 universidades públicas com sistemas de acesso orientados por cotas e nos últimos cinco anos já se diplomaram cerca de 10 mil jovens beneficiados pela iniciativa.<br />
Havia outro argumento: sem preparo e sem recursos para se manter, os negros entrariam nas universidades, não conseguiriam acompanhar as aulas, desorganizariam os cursos e acabariam deixando as escolas.<br />
Entre 2003 e 2007 a evasão entre os cotistas na Universidade Estadual do Rio de Janeiro foi de 13%. No universo dos não cotistas, esse índice foi de 17%.<br />
Quanto ao aproveitamento, na Uerj, os estudantes que entraram pelas cotas em 2003 conseguiram um desempenho pouco superior aos demais. Na Federal da Bahia, em 2005, os cotistas conseguiram rendimento igual ou melhor que os não cotistas em 32 dos 57 cursos. Em 11 dos 18 cursos de maior concorrência, os cotistas desempenharam-se melhor em 61 % das áreas.<br />
De todas as mandingas lançadas contra as cotas, a mais cruel foi a que levantou o perigo da discriminação, pelos colegas, contra os cotistas.<br />
Caso de pura transferência de preconceito. Não há notícia de tensões nos campus. Mesmo assim, seria ingenuidade acreditar que os negros não receberam olhares atravessados. Tudo bem, mas entraram para as universidades sustentadas pelo dinheiro público.<br />
Tanto Michelle Obama quanto Sonia Sotomayor, uma filha de imigrantes portorriquenhos nomeada para a Suprema Corte, lembram até hoje dos olhares atravessados que receberam ao entrar na Universidade de Princeton. Michelle tratou do assunto em seu trabalho de conclusão do curso. Ela não conseguiu a matrícula por conta de cotas, mas pela prática de ações afirmativas, iniciada em 1964. Logo na universidade onde, em 1939, Radcliffe Heermance, seu poderoso diretor de admissões de 1922 a 1950, disse a um estudante negro admitido acidentalmente que aquela escola não era lugar para ele, pois &#8220;um estudante de cor será mais feliz num ambiente com outros de sua raça&#8221;. Na carta em que escreveu isso, o doutor explicou que nem ele nem a universidade eram racistas.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Rappers exigem a realização da Semana do Hip Hop em São Paulo</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Mar 2009 20:16:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
O Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo lança na internet um documento exigindo que a administração da cidade e a Coordenadoria de Juventude realizem a Semana de Hip Hop de 2009.
Colem no fórum hip hop municipal de são paulo!
Venham! Fazer o hip hop ser respeitado, seja você mc, dj, grafiteiro(a), break, produtor, estudante, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="meta"></div>
<div class="storycontent">O <strong><span style="color: #ff6600"><a href="http://forumdehiphopeopoderpublico.blogspot/">Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo</a></span></strong> lança na internet um documento exigindo que a administração da cidade e a Coordenadoria de Juventude realizem a Semana de Hip Hop de 2009.</p>
<p style="text-align: left"><span style="color: #800000"><em><strong>Colem no fórum hip hop municipal de são paulo!</strong></em></span></p>
<p style="text-align: left"><span style="color: #800000"><em><strong>Venham! Fazer o hip hop ser respeitado, seja você mc, dj, grafiteiro(a), break, produtor, estudante, simpatizante e ou somente ouvinte de rap. A parada é nossa.<br />
</strong></em>(abertura do manifesto divulgado pelo Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo)</span></p>
<p>A semana do Hip Hop é uma conquista do movimento organizado do hip hop e acontece desde 2006. Realizada anualmente na segunda quinzena de março, gira em torno de 21 de março, o Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial.</p>
<p>Durante sete dias, breakers, grafiteiros, DJs e Bboys juntam-se a ativistas de organizações não-governamentais para denunciar o preconceito, divulgando o hip hop e discutindo o papel da juventude afro-brasileira e da periferia na sociedade.</p>
<p>Devido à pressão política do Movimento Hip Hop, a Semana passou a figurar no calendário oficial da capital paulista (Lei Ordinária de São Paulo-SP, nº 14485, de 19/07/2007) e ganhou dotação orçamentária de 100 mil reais para 2009 (empenho 1944).</p>
<p>- A gente fez pressão na votação do orçamento deste ano e conseguimos incluir o recurso para a realização da semana do Hip Hop. Agora eles vêem dizer que não tem dinheiro? &#8211; diz André Luiz, o <strong><span style="color: #ff6600"><a href="http://rapperpirata.blogspot.com/">Rapper Pirata</a></span></strong>, uma das vozes mais atuantes do Fórum de Hip Hop.</p>
<div id="attachment_1452" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px" align="center"><em><a href="http://iurirubim.blog.terra.com.br/files/2009/03/06032009_vermelho.jpg"><img src="http://iurirubim.blog.terra.com.br/files/2009/03/06032009_vermelho-300x225.jpg" class="size-medium wp-image-1452" alt=""Cobramos como cidadãos"" width="300" height="225" /></a></em></p>
<p class="wp-caption-text"><em>Rapper Pirata: &#8220;Cobramos como cidadãos&#8221;</em></p>
</div>
<p>O rapper lembra que é dever de quem está na administração municipal cumprir com os compromissos assumidos: “Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos”.</p>
<p>Leia a seguir a entrevista feita com o Rapper Pirata, 34, na qual ele fala da realização da Semana do Hip Hop e das negociações do movimento com o poder público:</p>
<p><strong>Desde quando existe o Fórum Hip Hop? Quem participa dele?</strong></p>
<p>Seu início foi no ano 2005, já fazem 3 e meio. Um Fórum é um espaço público então não existe um número de membros. Em todas reuniões temos uma frequencia de 15 a 30 pessoas, mas temos uma lista de 500 pessoas.</p>
<p><strong>Existe uma lei prevendo a realização da Semana do Hip Hop?</strong></p>
<p>Sim, foi uma conquista do movimento hip hop paulistano, e elaborada pela ex vereadora do PT Claudete Alves e sancionada em 2004 pela ex-prefeita Marta Suplicy (Lei nº 13.924/04). Agora tem uma nova, lei municipal 14.485/2007.</p>
<div id="attachment_1453" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px" align="center"><em><a href="http://iurirubim.blog.terra.com.br/files/2009/03/06032009_maos.jpg"><img src="http://iurirubim.blog.terra.com.br/files/2009/03/06032009_maos-300x225.jpg" class="size-medium wp-image-1453" alt=""A Semana do Hip Hop é uma conquista da Sociedade"" width="300" height="225" /></a></em></p>
<p class="wp-caption-text"><em>&#8220;A Semana do Hip Hop é uma conquista da Sociedade&#8221;</em></p>
</div>
<p><strong>Quais os sinais de resistência do poder público municipal ao cumprimento dessa lei?</strong></p>
<p>Eles dizem que vão fazer a semana, mas falam sempre que existem dificuldades. Esse ano é o papo de crise, algo que na administração pública é balela, porque eles deixam de arrecadar um determinado volume grana em impostos, não é que eles ficam sem caixa, porque não são empresas.</p>
<p>Não existe conversa do poder público com a sociedade jovem da periferia, eles ficam na disputa partidária, algo que não nos interessa.</p>
<p><strong>Chegaram a um acordo?</strong></p>
<p>O Fórum está com conversa na Câmara de Vereadores junto a Comissão de Juventude, e a Secretaria de Participação e Parceria, nas Coordenadoria do Negro e Juventude, mas não temos resposta positiva. Não sabemos ainda se estão só enrolando.</p>
<p>Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos.</p>
<p><strong>Caso a prefeitura não queira realizar a Semana, o que vocês pretendem fazer? </strong></p>
<p>Estamos fazendo um carta de moção para entregar aos vereadores e secretárias da prefeitura. Temos um lance de panfletagem e depois entregaremos um abaixo-assinado para Ministério Público contra a administração.</p>
<div id="attachment_1454" class="wp-caption aligncenter" style="width: 230px" align="center"><em><a href="http://iurirubim.blog.terra.com.br/files/2009/03/06032009_rosto.jpg"><img src="http://iurirubim.blog.terra.com.br/files/2009/03/06032009_rosto.jpg" class="size-medium wp-image-1454" alt=""Parecem desinformados referente às pol�ticas públicas geradas por eles mesmos"" width="220" height="165" /></a></em></p>
<p class="wp-caption-text"><em>Pirata: &#8220;Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos&#8221;</em></p>
</div>
<p><strong>Como o fórum hip hop municipal vê as ações dos três poderes públicos em relação a esse gênero artístico?</strong></p>
<p>Então temos a discussão que cultura não é valorizada no país, tanto que os recursos dos orçamentos nunca chegam a 1%.</p>
<p>Vemos como bons olhos a ação do governo federal, mas como a dita direita administra o estado e prefeitura, eles investem pouco porque disputam como partidos.</p>
<p>Mas o Fórum é apartidário. Cobramos como cidadãos. Os caras tão na administração e tem o dever que cumprir isso aí, de fazer os projetos. Se a gente não estiver ali, cobrando, eles vão fazer tudo sozinhos.</p>
<p>Veja, tem 80 milhões para se investir no primeiro emprego aqui em São Paulo. Não se investiu um centavo.</p>
<p>Eles fazem cursos para as pessoas serem empregadas como garçom, ajudante de cozinha, engraxate… Não desvalorizo essas profissões, mas querem que sejamos empregados o resto de nossas vidas.</p></div>
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		<title>Rosa Reis</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Mar 2009 20:09:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ /uma fotografia, um nome\

Greg Tardy, 2003
© Rosa Reis
“Os fundos negros, deliberadamente produzidos no exterior da figuração, já são comuns nas imagens de retrato do naturalismo fotográfico. Há uma famosa imagem de Alvin Langdon Coburn, de 1906, retratando o polémico escritor Henry James, tão nu como a estátua de “O Pensador” de Rodin que imita [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 class="post-title entry-title"> <font size="5"><a href="http://artephotographica.blogspot.com/2009/03/uma-fotografia-um-nome.html"><strong><span style="color: #33ccff">/</span></strong><em>uma fotografia, um nome</em><strong><span style="color: #33ccff">\</span></strong></a></font></h3>
<div align="center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/rosa-reis/9904/" rel="attachment wp-att-9904" title="greg_tardy.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/03/greg_tardy.jpg" alt="greg_tardy.jpg" /></a><br />
<span style="font-size: 78%"><em>Greg Tardy</em>, 2003</span></div>
<div align="center"><span style="font-size: 78%">© Rosa Reis</span></div>
<p><span style="font-size: 180%; color: #33ccff"><strong>“</strong></span>Os fundos negros, deliberadamente produzidos no exterior da figuração, já são comuns nas imagens de retrato do naturalismo fotográfico. Há uma famosa imagem de Alvin Langdon Coburn, de 1906, retratando o polémico escritor Henry James, tão nu como a estátua de “O Pensador” de Rodin que imita e tão rodeado do negro que muito lhe convém.</p>
<p>Mas é no modernismo já moderado de Edward Weston ou Imogen Cunningham que pensamos quando queremos encontrar os antecedentes desta interesseira forma de destacar a figuração.<br />
Os efeitos técnicos da lâmpada de magnésio definem, no fotojornalismo, a <em>noite americana</em> e acrescentam-lhe aquela característica barroca da focagem da cena no interior de um espaço iluminado; este dramatismo, não sendo novo, terá enorme êxito na imagem de imprensa e ajuda-nos a entender o espaço intervalar da cultura entre as duas guerras, que anuncia a banalidade do mundo. O que é comum a todas estas aproximações de uma forma de destacar é a pretendida coincidência entre o exterior e o modo como se organiza e mantém a imagem na nossa vida interior, na nossa evocação.</p>
<p>Por isso falo em cenário barroco. Nesta imagem de <strong>Rosa Reis</strong>, de esvaimento do corpo, apenas vemos a esforçada expressão do músico e a clarividência minuciosa do instrumento musical, que se impõem pela exuberância de uma luz quase errática. <strong>Rosa Reis</strong> &#8211; que conjuga de forma muito pessoal o humanismo do retrato e do grupo com a eleição da forma produzida pela luz e pela sombra &#8211; usa aqui do minimalismo figurativo que o branco parece percorrer na forma fluida do reflexo do metal. E, mais do que em qualquer outra das suas imagens desta série, é o jazz que aqui se contempla, essa colonização da alma que apenas necessita de vagos suportes visuais. A impressão recebida conota-se com a do barroco, é sugestão e ocultamento e toda a figuração, incompleta e fugidia está decisivamente encenada para destacar visualmente o ritmo<br />
que sugere.</p>
<p>O neo-barroquismo que trata da obsessão e transporta consigo o <em>efeito egípcio</em>, (a plenitude do tempo incorporada no momento presente, com uma narrativa mítica sem fim) é uma forma de reagir à linearidade do “actual”. O actual está firmado na legenda da imagem, (denominação e data) e indica o arquivo e armazenamento que hoje nos são tão caros. Mas a imagem não pertence a um acerbo de TV ou vídeo, que permitem o regresso do actual como presente, como reportório. Hoje, como sabemos, com a banalização destes registos, o passado é uma coisa que pode voltar, que é sempre um presente potencial. O <em>efeito egípcio</em> pertence à nossa mentalidade, sabemos bem que nada se pode apropriar exclusivamente do tempo e ninguém pode estabelecer com o tempo actual uma verdadeira relação de co-presença. Na imagem de <strong>Rosa Reis</strong> joga-se o tempo do jazz, aquele sopro que adivinhamos, porque a imagem tende a isso mesmo, permitir-nos essa apropriação de sentido e de evocação. E, para isso, nada melhor do que esta encenação de luz e sombra que tornam intermitente volumes e figurações, esta relação de orgânico e inorgânico, de permutabilidade que é também a ilusão de som e imagem. Tudo nesta imagem de <strong>Rosa Reis</strong> se revela e combina entre si, tudo se mistura num espectáculo de possessão.E o conceito, sendo um limite, não se define.<span style="color: #33ccff"><span style="font-size: 130%"><strong>”</strong></span><br />
</span><br />
<strong><span style="color: #666666">Maria do Carmo Serén</span></strong></p>
<p><strong>Rosa Reis</strong>, fotógrafa independente e <em>free-lancer</em>,<br />
vive em Lisboa e tem dezenas de álbuns publicados.</p>
<p><em><strong>Fonte Arte Photographica </strong></em></p>
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