05/07/2009 - 09:44h Argentina sofre com o cesarismo de Kirchner

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Tomás Eloy Martínez* – O Estado SP

A última campanha eleitoral confirmou na Argentina o papel inesgotável do cesarismo nas nações que ainda têm instituições frágeis na América Latina. Ou seja, quase todas.

Se tomarmos a definição de Gramsci, “o cesarismo expressa sempre a solução arbitrária, confiada a uma grande personalidade, de uma situação histórico-política caracterizada por um equilíbrio de forças de perspectivas catastróficas”.

Para o marxista italiano pode haver cesarismos progressistas, como os de Júlio César e Napoleão, ou reacionários, como os de Napoleão III e Bismarck. Mas, em todos os casos, trata-se de uma saída chefiada por um líder militar, embora não apenas militar, de uma situação excepcional.

A América Latina tem sido fértil em autocratas de grande popularidade, os quais, nos tempos modernos, foram expandindo e afiançando seu poder mediante o controle da corrupção, da polícia e da faculdade de repartir os recursos do Estado segundo sua conveniência.

Não há maior símbolo de cesarismo democrático do que o regime do venezuelano Juan Vicente Gómez. Um de seus ministros, Laureano Vallenilla Lanz, estabeleceu a validade do termo em um livro de 1919.

Gabriel García Márquez inspirou-se em Gómez para criar o personagem do ditador em seu romance O Outono do Patriarca. Quando cheguei à Venezuela, em 1975, a figura de Gómez continuava ocupando o centro da imaginação nacional, e agora que encontrou no presidente Hugo Chávez seu melhor discípulo, não passa praticamente uma semana sem que a oposição invoque o termo.

Gómez cresceu ao lado de seu predecessor, Cipriano Castro, que iniciou o século 20 enfrentando uma poderosa ameaça internacional por não poder pagar a dívida contraída com empresas estrangeiras que haviam sido expropriadas.

Navios de bandeira inglesa, italiana e alemã bloquearam o porto de La Guaira, em 1902, mas a Venezuela conseguiu evitar a asfixia invocando a Doutrina Drago, que defende a ilegalidade da cobrança violenta de dívidas por parte de grandes potências em detrimento da soberania, estabilidade e dignidade dos Estados fracos.

Ao se tornar o líder do nacionalismo, Gómez pôde dar o salto para a vice-presidência. Quando Cipriano Castro teve de se submeter a uma cirurgia na Alemanha, ele o traiu com um golpe que o instalou na presidência por 27 anos. Ali, na cadeira patriarcal, morreu em 1935.

Seu ideólogo, Vallenilla Lanz, um sociólogo positivista, tentou argumentar que povos como o venezuelano não estavam capacitados para respirar uma atmosfera republicana. Somente um militar poderia tirá-los da miséria e da anomia.

Ele determinou que “o caudilho constitui a única força de conservação social” e “o militar, eleito ou hereditário, é uma necessidade fatal em quase todas as nações da América espanhola, condenadas a uma vida turbulenta”.

Como eficiente porta-voz da ideologia oficial, Lanz não se refere a Gómez de maneira direta em seu ensaio. Ele se baseia na figura tutelar de Simón Bolívar, que propôs a presidência vitalícia. E escreve que Bolívar “nunca abrigou a mínima esperança” de que aquelas “Constituições de papel” pudessem estabelecer a ordem.

Seus críticos, como o exilado Rómulo Betancourt, do Partido Revolucionário Venezuelano – posteriormente presidente constitucional -, o chamaram de “Maquiavel tropical recheado de papel higiênico”. Longe de se ofender, Lanz agradeceu a comparação com o autor de O Príncipe.

Chávez não é o único herdeiro da ideia de um César avalizado periodicamente por eleições livres. Decidido a concentrar todo o poder em suas mãos, ele está no governo há dez anos, o mesmo tempo que Carlos Menem.

Figuras como o ex-presidente peruano Alberto Fujimori ou Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, viram na perpetuação presidencial o veículo para moldar seus países segundo seus desejos. Sem falar no líder cubano Fidel Castro, que não conseguiu achar um sucessor que não fosse do seu sangue.

O Brasil superou, com os governos de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva, a herança do autoritarismo populista de Getúlio Vargas, mas, na Argentina, o exemplo de Perón está impregnado no partido que ele fundou e se confunde com o Estado.

Muito contribuem as torpezas de uma oposição que se mostra menos interessada na construção da democracia do que no assalto aos privilégios da coisa pública.

O ex-presidente argentino Néstor Kirchner, como Gómez, tentou prolongar seus planos de hegemonia alternando-se com seus parentes no governo, como fez ao decidir a candidatura da atual presidente, Cristina, sua mulher.

Agora, Néstor sai em defesa do modelo agitando o fantasma de um conflito de interesses entre grupos e classes que somente uma figura providencial, o César, poderia conter.

“Tenham bem claro”, declarou Kirchner antes das eleições realizadas há uma semana, “que não é mais uma eleição. Ou é a volta ao passado para tentar impor projetos que nada têm a ver com o povo ou é a consolidação de um projeto nacional e popular que devolva a justiça social.”

De algum modo, esse é o jogo bonapartista, uma das formas do cesarismo. Depois das revoluções de 1848, Luís Bonaparte foi eleito – no primeiro voto universal na Europa – presidente da Segunda República Francesa. Suas constantes convocatórias para referendos desvirtuaram a representatividade republicana e consolidaram sua popularidade.

No dia 2 de dezembro de 1851, ele arrasou a crescente oposição monárquica convocando um plebiscito com a pergunta: “Querem ser governados por Bonaparte? Sim ou Não?” Um ano mais tarde, após uma reforma constitucional, converteu-se num imperador autoritário.

A presidente Cristina conhece bem a história de Napoleão III, pois citou a obra de Marx O 18 Brumário de Luís Bonaparte, evocando a famosa frase: “A história se repete, inicialmente como tragédia, depois como farsa.”

A influência do estilo cesarista de seu marido – para o qual discordar é trair – ameaça a estabilidade institucional tanto quanto a falta de ideias da oposição. Do seu púlpito partidário, o ex-presidente Kirchner não vislumbrou outro futuro além do caos ou da continuidade do modelo imposto pela vontade do César. Nada empobreceu tanto na Argentina quanto a imaginação de seus políticos.

* Tomás Eloy Martínez, escritor e jornalista argentino, recebeu recentemente o Prêmio Ortega y Gasset de jornalismo

27/06/2009 - 18:39h Argentina renueva el Parlamento en un contexto de contracción económica

El Gobierno de Cristina Fernández afronta este domingo unas elecciones legislativas en las que están llamados a votar unos 28 millones de argentinos

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EFE – Buenos Aires – 27/06/2009 – El País

El Gobierno de Cristina Fernández afronta este domingo unas elecciones legislativas en las que están llamados a votar unos 28 millones de argentinos y está en juego la mayoría oficialista en el Parlamento, en un contexto de contracción económica después de seis años consecutivos de crecimiento económico.

La alarma por el avance de la gripe A N1H1, que hasta ahora ha causado 26 muertos, y las encuestas que prevén una reñida votación en la provincia de Buenos Aires, el mayor distrito electoral del país, son los otros elementos a tener en cuenta en unos comicios que tienen lugar en la mitad de la gestión de Fernández. En medio de medidas de prevención sanitaria en los lugares de votación, el domingo se renovará la mitad de los 257 escaños de diputados y un tercio de los 72 del Senado, además de legislaturas provinciales y municipales.

El Gobierno ha instalado unas 100 cámaras de vídeo en mesas electorales de populosos distritos bonaerenses vecinos a la capital argentina, como pidió la Cámara Nacional Electoral. “Bajamos la cantidad de electores por mesa para evitar inconvenientes y se instalaron cámaras de seguridad para darle mayor transparencia” a la votación, ha explicado el ministro de Interior, Florencio Randazzo, quien ha calificado de “irresponsables” las denuncias de algunos candidatos opositores sobre posibles fraudes.

Randazzo ha explicado que las denuncias de fraude tienen “la intencionalidad política” de quitar “legitimidad” a “aquellos que finalmente son elegidos por la voluntad popular” en unas elecciones en las que se movilizará a unos 120.000 efectivos de las Fuerzas Armadas y de seguridad.

El ex presidente Néstor Kirchner (2003-2007), esposo, antecesor de Fernández y quien encabeza la lista oficialista de diputados por la provincia de Buenos Aires, se juega en estos comicios no solo la mayoría parlamentaria del oficialismo y sus aliados, sino su estabilidad como líder del Partido Justicialista (PJ, peronista). La hegemonía de Kirchner se ve amenazada por el empresario Francisco de Narváez, que aspira a un escaño de diputado al frente de la coalición Unión-Pro, formada por peronistas disidentes como él y seguidores del conservador Mauricio Macri, el alcalde de la capital argentina, líder de Propuesta Republicana (Pro).

Los últimos sondeos arrojan un empate técnico entre ambas fuerzas políticas en la provincia de Buenos Aires, tradicional bastión peronista, cuyo voto es decisivo para dibujar el mapa político del país con vistas a las presidenciales de 2011.

En la capital argentina, segundo distrito electoral del país, se da por descontada la victoria de Gabriela Michetti, candidata de Pro, seguida por la lista de centroizquierda del cineasta Fernando Pino Solanas, convertido en la revelación de estos comicios, y con estrecho margen sobre Alfonso Prat Gay, aspirante del Acuerdo Cívico y Social, en tercer lugar. Este resultado supondría que Carlos Heller, del Frente para la Victoria de Kirchner, sería el gran perdedor de la jornada en la capital argentina.

También se prevén derrotas de las listas del oficialismo en las provincias de Córdoba (centro), donde la liza se centra entre peronistas disidentes, y Santa Fe (noreste), el tercero y cuarto distrito electorales del país, respectivamente. En Santa Fe, las encuestas vaticinan una reñida votación entre el ex corredor de Fórmula Uno y peronista disidente Carlos Reutemann y el socialista Rubén Giustiniani, quienes aspiran a renovar sus banca de senadores. Reutemann aspira a ser candidato presidencial del peronismo en 2011, mientras que una victoria socialista reforzaría la pretensión del gobernador santafesino, Hermes Binner, a competir por la jefatura del Estado.

Algunos analistas políticos, que prevén que el oficialismo perderá la mayoría parlamentaria aunque se mantendrá como principal fuerza política, han adelantado que los resultados electorales de este domingo pueden demorarse por lo ajustado de la votación en la provincia de Buenos Aires y la coincidencia de las legislativas provinciales y municipales.

08/11/2007 - 07:23h Memoria del infierno en Buenos Aires

Néstor Kirchner inaugura junto al Río de la Plata el mayor monumento de Latinoamérica en recuerdo de las víctimas del terrorismo de Estado

ALEJANDRO REBOSSIO - Buenos Aires – El País

Hay unos 30.000 ladrillos de piedra junto al Río de la Plata. Cada uno de ellos recuerda a los desaparecidos en la última dictadura de Argentina (1976-1983) y lo hace junto al mismo río al que fueron arrojadas decenas de ellos en los llamados vuelos de la muerte. El presidente argentino, Néstor Kirchner, inauguró ayer el Monumento a las Víctimas del Terrorismo de Estado, el mayor memorial de Latinoamérica.

Memoria del infierno en Buenos Aires

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Los ciudadanos pudieron visitar ayer, día de su inauguración,
el Monumento a las Víctimas del Terrorismo de Estado en Río de la Plata. En el discurso de inauguración, Kirchner exigió que los jefes de la última dictadura, incluidos sus “ideólogos civiles”, sean juzgados. Para ello, subrayó que “la tarea de la justicia es muy importante”. El mandatario reivindicó la “verdad y la justicia” y vaticinó que “Cristina [Fernández, su esposa y presidenta electa de Argentina] va a profundizar a fondo” para que se haga justicia. Kirchner Asistió a la ceremonia en compañía de Fernández.

Uno de los pilares del Gobierno en funciones de Kirchner, que finaliza dentro de un mes, ha sido su lucha por la condena judicial de las violaciones de los derechos humanos. Por eso, el acto de ayer cobró un significado especial para él.

El monumento se ubica en el Parque de la Memoria, un espacio verde que comenzó a gestarse hace 10 años y que cuenta con 16 esculturas de artistas como el colombiano Germán Botero y el argentino Clorinda Testa.

El parque se encuentra sobre la Costanera Norte de Buenos Aires, una ciudad que vive en su mayor parte de espaldas al río más ancho del mundo. Justo allí, organizaciones de derechos humanos, el Gobierno y la Legislatura porteñas y la Universidad de Buenos Aires han levantado este monumento para no dar la espalda al pasado. Entre sus promotores originales figuran la ex legisladora Gabriela Alegre y el fotógrafo Marcelo Brodsky, que pensó y llevó adelante el proyecto y las bases del concurso para el proyecto escultórico definitivo.

Las cuatro paredes zigzagueantes del monumento están hechas de los 30.000 ladrillos de pórfido, una piedra dura y púrpura de origen volcánico que se trajo de la Patagonia, casualmente la tierra natal de Kirchner. Los nombres de las víctimas cuya desaparición fue denunciada oficialmente están escritos en 8.917 bloques. Sin embargo, las organizaciones de derechos humanos aseguran que el número de desaparecidos triplica esa cifra y por eso la Comisión Pro Monumento a las Víctimas del Terrorismo de Estado se encarga de seguir recolectando nombres para continuar inmortalizándolos en las piedras. En esa comisión participan las Abuelas y Madres de Plaza de Mayo, la Asociación Civil Buena Memoria (de Alegre y Brodsky) y el Servicio de Paz y Justicia (del Nobel de la Paz Adolfo Pérez Esquivel), entre otras organizaciones de derechos humanos.

Los promotores del monumento explican que fue diseñado como “un corte, una herida abierta en una colina de césped”. Su trazado “recrea el esfuerzo necesario para la construcción de una sociedad más justa y la herida causada por la violencia ejercida por el Estado”. Las paredes parten de una plaza y terminan en la rambla ribereña. Precisamente, familiares y amigos de las víctimas suelen recordar a sus desaparecidos en el Río de la Plata arrojando flores a sus aguas.

A principios de año, meses antes de la inauguración del monumento, algunas placas con los nombres de las víctimas fueron destrozadas. Se desconoce la identidad de los vándalos. Como también se desconoce el paradero de Jorge Julio López, uno de los testigos de los juicios contra los criminales de la dictadura, que lleva más de un año desaparecido.