03/04/2008 - 18:17h O relógio e o calendário
Postado por Luiz Weis - Blog Verbo solto
Eric Alterman, o repórter de mídia da revista semanal New Yorker, escreveu um dos melhores artigos concebíveis sobre a disputa entre jornalismo impresso e jornalismo online nos Estados Unidos – e olhe que o que o assunto já rendeu não está escrito, como se diz. Na linha das matérias de fundo da revista, o artigo é grande em sentido literal também: tem 6.600 palavras, ou 10 telas em Times New Roman 12.
Chama-se “Out of print” (fora de circulação, ou esgotado), com o sub-título esperto “The death and life of the American newspaper” (a morte e a vida do jornal americano). Pode ser lido em http://www.newyorker.com/reporting/2008/03/31/080331fa_fact_alterman .
Antes de ir às idéias – as dele e as que ele inspira -, os números da crise do jornalismo-diário-como-o-conhecemos:
As editoras de jornais cujas ações são negociadas em bolsa perderam 42% do seu valor de mercado nos últimos três anos.
O patrimônio acionário da New York Times Company diminuiu 54% desde o fim de 2004.
A contar de 1990, 25% das vagas na imprensa diária americana foram fechadas.
O tempo médio gasto na leitura dos jornais nos Estados Unidos não chega a 15 horas por mês. (Portanto, nem 30 minutos por dia.)
Oito em cada dez americanos entre 18 e 34 anos nem batem os olhos num jornal.
O leitor típico tem 55 anos – e tende a ficar ainda mais velho.
Quase 40% das pessoas com menos de 35 anos ouvidas numa pesquisa disseram que esperam usar a internet no futuro para se informar. Só 8% falaram em se informar pelos jornais.
Menos de 20% dos americanos acham que se pode acreditar em todos ou na maioria dos relatos da mídia.
Muitíssimos mais americanos acreditam em discos voadores do que na imparcialidade da imprensa.
O site jornalístico progressista Huffington Post (sobre o qual Alterman escreve extensamente) emprega em tempo integral 46 pessoas (“muitas das quais mal chegaram à idade de poder alugar um carro”), publica textos de mais de 1.800 blogueiros (sem contar os famosos), e é acessado por 11 milhões de “visitantes únicos” por mês. Ultimamente, só perde para as versões online de oito jornais.
O New York Times emprega mais de 1.200 pessoas em atividades jornalísticas. O Washington Post e o Los Angeles Times, entre 800 e 900.
Só a sucursal de Bagdá custa ao Times US$ 3 milhões por ano.
Aos argumentos – do autor e do leitor.