15/11/2008 - 11:40h Comissão responsabiliza servidor da Abin por grampo a presidente do STF


Acusado é presidente da Associação dos Servidores da Abin.

Ele e mais três pessoas são suspeitas de tramar escuta para derrubar cúpula da agência

Suspeito de ter feito grampo de Gilmar Mendes é da Abin

BRASÍLIA - Investigações da Comissão de Sindicância do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) apontam o presidente da Associação dos Servidores da Abin (Asbin), Nery Kluwe, como um dos principais suspeitos de participar da operação que resultou na produção e divulgação de trechos de uma conversa do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) . Segundo reportagem de Jailton de Carvalho publicada neste sábado no GLOBO, o ministro-chefe do GSI, general Jorge Félix, tratou do assunto com dirigentes da Abin, na quinta-feira. Sindicalista há longo tempo, Kluwe lidera uma campanha interna para tirar o delegado Paulo Lacerda em caráter definitivo do comando da Abin. ( No blog do Noblat: Fonte foi a mesma da “Veja” )

A fonte da “Veja” foi ele (Kluwe)


Lacerda foi afastado do cargo em caráter temporáriopelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início de setembro, quando a revista “Veja” divulgou reportagem sobre suposto grampo. Gilmar Mendes cobrou providências imediatas de Lula e, no meio da crise, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, sugeriu o afastamento de Lacerda. Agora, o caso começa a tomar novos contornos.

- A fonte da “Veja” foi ele (Kluwe) - disse o general no encontro de quinta-feira, segundo relato de uma fonte do governo.

Eu acredito em prova. Provar é impossível. Não fiz o grampo


Em nota divulgada no início da noite desta sexta, o GSI nega que o general tenha apontado suspeitos de escutas telefônicas. A Comissão do GSI foi aberta em 5 de setembro com o objetivo de investigar o envolvimento de servidores da Abin no grampo dos telefones de Gilmar ou de Demóstenes. Desde então, a comissão vem chamando para depor servidores da Abin que trabalharam na Operação Satiagraha , investigação da Polícia Federal sobre o banqueiro Daniel Dantas que contou com o apoio de aproximadamente 80 analistas de inteligência. Kluwe também foi interrogado.

Ouvido pelo GLOBO, o presidente da Asbin negou as acusações:

- Suspeitam que eu sou o autor do grampo e do vazamento. Mas o ônus da prova cabe a quem acusa. Eu acredito em prova. Provar é impossível. Não fiz o grampo - afirmou.

Leia a matéria completa na edição deste sábado do GLOBO (somente para assinantes)

14/09/2008 - 23:03h Procura-se a oposição a Lula. Alckmin já aderiu

 

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Blog de Noblat

Você viu a oposição por aí? Em qualquer lugar?

Não se avexe. Você não está cego. A oposição ao governo desapareceu. Escafedeu-se. Saiu de cena porque Lula não pára de crescer e porque ela não tem nada de novo a propor.

A eleição municipal ainda dá uma chance à oposição de apresentar sugestões para administrar melhor as cidades. Desde naturalmente que não pareça que ela ousa esboçar qualquer tipo de crítica a Lula ou ao seu governo. Proceder assim seria um desastre, teme a oposição.

Tem candidato (ACM Neto, em Salvador) ladeira à baixo nas pesquisas de intenção de voto só porque ameaçou dar uma surra em Lula. A ameaça foi feita há três anos. E não passou de uma infeliz bravata.

Sem perder a elegância que ele não é disso, Geraldo Alckmin, candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB, pôs um vídeo na tv onde critica o PT, mas poupa Lula. Ou melhor: avaliza Lula.

25/08/2008 - 17:24h A opinião de Ricardo Noblat

Eleições - Quem sobe, quem cai

Blog de Noblat

Os resultados das pesquisas de intenção de voto do Instituto Datafolha divulgados no último fim de semana pouco ou nada têm a ver com os efeitos da primeira semana de propaganda eleitoral no rádio e na televisão dos candidatos a prefeito de algumas das capitais do país.

A atenção do brasileiro estava voltada para as olimpíadas de Pequim.

O período de 42 dias de propaganda eleitoral foi inaugurado na última terça-feira dia 19. Nos dias 21 e 22, o Datafolha entrevistou entre 800 a 1.200 eleitores em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife.

Até então apenas dois programas de candidatos a prefeito haviam ido ao ar – embora não devam ser desprezadas eventuais conseqüências dos comerciais veiculados diariamente a respeito deles e que pegam os eleitores desprevenidos. São peças de propaganda mais eficientes do que os programas.

Mas não foram os comerciais que provocaram as mudanças no quadro eleitoral registradas pelo Datafolha. A exceção fica por conta de Curitiba onde nada mudou. Candidato à reeleição, o prefeito Beto Richa (PSDB) coleciona 70% das intenções de voto.

No Rio, o favoritismo de Marcelo Crivella (PRB) está cada vez mais a perigo. Crivella caiu no Datafolha de 24% das intenções de voto no final de julho para 20%. Eduardo Paes (PMDB) saiu de 13% para 17%. Jandira Feghali (PC do B) empacou em 15%. Qualquer um dos dois será capaz de derrotar Crivella no segundo turno.

O que explica no Recife o salto espetacular dado por João da Costa (PT)?

Em julho, ele tinha 22% das intenções de voto, atrás de Mendonça Filho (DEM) com 30%. Foi para 37%. Mendonça caiu para 26%. Cadoca (PSC) despencou de 22% para 13%.

O tempo decorrido desde julho parece ter sido suficiente para o eleitor identificar João da Costa como o candidato da esquerda. Sim, ainda existe essa história de direita e esquerda no Recife. Cerca de 30% dos eleitores votam na esquerda. Outros 30% na direita. Os demais decidem as eleições.

Nos idos de 60, quando ainda se votava em separado para prefeito e vice-prefeito, Recife elegeu Pelópidas da Silva, pela esquerda. O vice dele, Miguel Arraes, perdeu para Augusto Lucena, apoiado pela direita.

Até um dia desses, João da Costa era um desconhecido secretário do prefeito João Paulo (PT). Os estrategistas de sua campanha imaginavam que ele atingiria o patamar dos 30% depois de duas semanas de propaganda eleitoral.

Subestimaram o fato de que João da Costa dispõe de três poderosos padrinhos: Lula, aprovado por 74% dos recifenses; o prefeito João Paulo, por 61%, e o governador Eduardo Campos (PSB) por 52%. Está em Belo Horizonte, contudo, o caso mais exemplar de pura e simples transferência de votos.

Quem é Márcio Lacerda (PSB), candidato a prefeito?

É um empresário que jamais disputou uma eleição. Filiou-se ao PSB só para ser candidato. Subiu de 6% das intenções de voto em julho para os atuais 21%, ultrapassando Jô Moraes (PC do B) que tem 17%.

A administração do governador Aécio Neves (PSDB) é considerada ótima ou boa por 86% dos habitantes de Belo Horizonte. A do prefeito Fernando Pimentel (PT), por 76%. Os dois apóiam Lacerda, que tem 12 minutos diários de comerciais no rádio e na televisão contra dois minutos de Jô.

Quase 95% dos mineiros estão convencidos de que Aécio sucederá Lula em 2010. Fazer o quê? Lacerda na cabeça.

A essa altura, o que o PSDB poderá fazer para evitar o desastre anunciado em São Paulo?

É cedo para falar em desastre ali? Talvez não. Marta Suplicy (PT) continua em ascensão – dessa vez passou de 36% na pesquisa de julho para 41%. Geraldo Alckmin (PSDB) continua caindo - tinha 32% das intenções de voto, agora tem 24%. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) foi de 11% para 14%. Paulo Maluf (PP) está com 8% ou 9%. A divisão do PSDB entre Alckmin e Kassab desorientou o eleitorado do partido.

A culpa é de quem? Ora, de Alckmin.

O governador José Serra, a bancada de vereadores do PSDB, secretários municipais e subprefeitos estavam dispostos a apoiar a reeleição de Kassab. Seria o natural. Kassab é Serra na prefeitura.

Aí o filhinho mimado de Pindamonhangaba bateu com o pé e anunciou: “Sou candidato”. Capaz de perder uma eleição para não perder a elegância, o PSDB engoliu a seco a decisão de Alckmin e bovinamente tomou o caminho do matadouro.

Como consertar a situação? E tem conserto?

22/08/2008 - 23:01h Programa de Marta dá um banho nos outros

Opinião de Ricardo Noblat

Descobri que pela tv paga posso assistir aqui em Brasília aos programas dos candidatos a prefeito de São Paulo. Vi os desta noite.

A tarefa de comentá-los é da Cila Shulman, especialista no assunto (veja post mais abaixo). Mas não resisto a fazer uma rápida observação: o programa da Marta Suplicy me parece disparado o melhor. Em tudo: beleza, ritmo, senso de oportunidade, dinamismo, posicionamento.

Em segundo lugar vem o de Gilberto Kassab. Em terceiro o de Geraldo Alckmin.

29/07/2008 - 10:25h Kassab esgotou sua cota de erros

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Blog de Ricardo Noblat

Salvo um novo mandato, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (DEM) nada tem a perder se for derrotado em outubro próximo.

Ele jamais disputou uma eleição majoritária. E até virar vice de José Serra e depois prefeito na vaga dele, era conhecido como um deputado jovem e muito hábil, apenas isso.

Montou uma poderosa coligação de partidos para tentar se reeleger. Tem mais tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão do que seus adversários Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB).

Se fizer uma boa campanha, mesmo que perca, sairá da prefeitura maior do que entrou. Serra não o deixará ao relento. Precisa do DEM para aspirar à sucessão de Lula.

O que Kassab não pode é incorrer em novo desastroso erro político como esse de se valer do seu cargo para tentar influir nos resultados de uma pesquisa de intenção de voto.

Na semana passada, ele usou seu e-mail pessoal para cobrar dos 26 subprefeitos da cidade a identificação dos locais onde os entrevistadores do Instituto Datafolha ouviriam eleitores. Orientou-os a promover “uma ação” em tais locais.

Que ação? Segundo ele, qualquer coisa, até mesmo chamar a polícia, para impedir que partidários Marta provocassem tumulto e impedissem a livre manifestação dos entrevistados.

Menos, Kassab, menos. O mais provável é que o objetivo da tal “ação” fosse influenciar os entrevistados para que declarassem voto a favor do prefeito.

O Datafolha ouviu 1.099 pessoas nos dias 23 e 24 últimos. O e-mail foi enviado no fim da tarde do dia 23.

A pesquisa apontou Kassab em terceiro lugar com 11% das intenções de voto. Marta (36%) e Alckmin (32%) estão tecnicamente empatados.

Há um axioma que os marqueteiros amam repetir: ganha eleição quem erra menos e não quem acerta mais.

Kassab já esgotou sua cota de erros. Outro de tal magnitude o remeterá de vez pelo ralo.

Ricardo Noblat

23/06/2008 - 09:04h O ponto de vista de Serra

A trilha de Alckmin


“É importante que nada seja de mão beijada. A disputa me faz um candidato melhor”. (Geraldo Alckmin, que levou sem disputa)

Ricardo Noblat - O Globo

serra_presidenc.jpgSabe quem ganhou a convenção do PSDB que indicou, ontem, Geraldo Alckmin para candidato a prefeito de São Paulo? O atual prefeito, Gilberto Kassab, do DEM, candidato à reeleição. Foi o único que nada perdeu com o episódio. Com o racha do PSDB, Alckmin sai enfraquecido — assim como Serra, que tentou, em vão, barrar a candidatura de Alckmin.

Quem era Kassab até virar vice na chapa de Serra, candidato a prefeito de São Paulo em 2004? Apenas um hábil deputado federal de um partido, na época o PFL, sem futuro em São Paulo.

Ganhou a confiança de Serra enquanto foi seu vice. E seu coração ao assumir o cargo de prefeito abandonado por Serra para se eleger governador de São Paulo.

Manteve a equipe montada por Serra. Tocou a adm i n i s t r a ç ã o d e c o m u m acordo com ele. E saiu-se bem. De olho na sucessão de Lula, empenhado em manter a aliança do PSDB com o DEM, o novo nome do PFL, nada mais natural que Serra identificasse em Kassab o candidato ideal para enfrentar a ex-prefeita Marta Suplicy.

Mas havia uma pedra no caminho de Serra. E essa pedra, velha conhecida dele, atendia pelo nome de Alckmin.

De nada adiantou Serra garantir a Alckmin que o apoiaria para o governo de São Paulo em 2010 caso venha a ser o candidato do PSDB à vaga de Lula. Ou que o apoiaria para o Senado se preferir se candidatar outra vez ao governo de São Paulo. Alckmin não confia em Serra. Atropelouo em 2006, roubando-lhe a condição de candidato a presidente. Atropelou-o novamente desta vez. “Como deixar de ser candidato a prefeito, se lidero as pesquisas?”, argumentou Alckmin.

O argumento não valeu para Alckmin há dois anos, quando era Serra que liderava as pesquisas.

Ao desembarcar em São Paulo na manhã do último sábado, de volta de uma viagem a Moscou, Serra se viu diante de um dilema.

Onze dos 12 vereadores do PSDB haviam registrado uma chapa favorável a Kassab para concorrer contra Alckmin na convenção marcada para o domingo. A chapa atraiu a assinatura de 425 dos 1.300 delegados à convenção com direito a voto. A turma de Alckmin espalhou que algumas assinaturas foram obtidas em troca da promessa de empregos na prefeitura ou simplesmente do pagamento de propinas. Mais de 50 assinaturas acabaram retiradas.

Nunca antes na história do elegante PSDB se batera chapa em convenções.

O que Serra deveria fazer? Correr o risco de ser acusado de estraçalhar o partido? Correr o risco de, mesmo assim, ainda assistir a uma provável vitória de Alckmin na convenção? Pesou na decisão dele, de forçar a retirada da chapa dos partidários de Kassab, o que ouviu de um amigo há pouco mais de um mês: “A única coisa que você não pode permitir é que Alckmin vença sem seu apoio”.

Dito de outra forma: ou Serra teria força para ajudar Kassab a derrotar Alckmin na convenção, ou o melhor seria que ele interviesse em favor de Alckmin, e que este ficasse lhe devendo o favor.

Alckmin não se sente devedor. Pelo contrário.

Acha que ganhou contra Serra e Kassab.

O PSDB de Kassab faltou à convenção. Alckmin só conseguirá atraí-lo, no todo ou em parte, se crescer nas pesquisas de intenção de voto e pintar como o adversário certo de Marta no segundo turno. Serra não se m e t e r á d i re t a m e n t e n a campanha. Alckmin é o candidato da maioria do PSDB — mas o candidato de Serra a prefeito continua sendo Kassab. Serra está convencido de que uma campanha bem-feita no rádio e na televisão empurrará Kassab para cima nas pesquisas.

E que Alckmin se ressentirá da falta de um discurso consistente. Ele não poderá bater em Kassab, que governa a cidade junto com o PSDB. E muito menos no governo do estado.

Imagine duas largas e bem pavimentadas vias expressas.

Por uma trafegará Marta, amparada pelo governo federal. Por outra, Kassab, amparado pelo cargo que ocupa e animado por Serra.

E Alckmin? Não lhe falta disposição para ir em frente pelo gramado estreito que separa as duas vias.

19/06/2008 - 21:47h A direita está brava (p. da vida)

Nota de Noblat

Por que Aldo virou vice de Marta

Mais uma vez o PT bateu o pé, esticou a corda e ganhou a parada na hora de se compor com seus aliados mais próximos para disputar eleições.

O chamado bloquinho de partidos de esquerda (PC do B, PSB, PDT e, vá lá, PRB) estava unido em torno da candidatura do deputado Aldo Rebelo (PC do B) a prefeito de São Paulo.

Para que Aldo virasse candidato a vice de Marta Suplicy, como queria o PT, o bloquinho pedia:

a) a desistência de Alessandro Molon, candidato do PT a prefeito do Rio;

b) o apoio do PT carioca à candidatura a prefeita de Jandira Feghalli (PC do B);

c) a revogação do veto da direção nacional do PT a uma aliança formal entre o PT mineiro e o PSDB do governador Aécio Neves para eleger Márcio Lacerda (PSB) prefeito de Belo Horizonte;

d) a desistência da candidata do PT a prefeita de Manaus e o apoio do partido à reeleição do prefeito Serafim Fernandes (PSB).

O PT não atendeu a nenhum dos pedidos - apesar do aparente empenho de Lula para que pelo menos atendesse alguns.

Aldo aceitou ser vice de Marta porque o PSB cedeu ao apelo de Lula, interessado em ajudar sua ex-ministra. Se Aldo se recusasse a ser vice, o PSB indicaria para a vaga a ex-prefeita Luiza Erundina.

E o que o PSB ganhou em troca?

A promessa de Lula de que dará uma força para que Serafim se reeleja em Manaus. E para que Lacerda se eleja em Belo Horizonte.

Lula ficou grato a Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB.

O PT não se sente grato a ninguém.

Ricardo Noblat

19/05/2008 - 17:12h Alerta para Serra

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Carlos Lindemberg, no Jornal da Itatiaia, avalia que a pesquisa Datafolha é um alerta para o governador José Serra. “O candidato dele, Gilberto Kassab, ficou em terceiro lugar. Se Marta ganhar, aprofundará o racha no PSDB paulista e nacional, para proveito de Aécio. Serra será demonizado por ter permitido a volta do PT à prefeitura de São Paulo e Aécio poderá ser endeusado por tirar o PT da prefeitura daqui, caso vença com Márcio Lacerda”.

Acontece que para o governador Serra, com Alckmin o problema seria igual ou até pior. Como Marta e Alckmin aparecem no Datafolha com 30% e 29% respectivamente, a necessidade de catapultar seu pupilo Kassab, começa a ser urgente. Por isso Kassab ficou tão irritado com a pesquisa.

José Serra e Kassab contavam e contam com o efeito Alstom para atingir Alckmin e com os jornalistas amigos para tentar atingir Alckmin e Marta.

O Ricardo Noblat me fez rir hoje. Segundo ele Marta estaria pedindo ajuda desesperadamente. Vários articulistas tem batido na mesma tecla do “isolamento”. Alckmin e Marta estariam “isolados”. Kassab é que está muito confortável.

A dupla Serra-Kassab governa a cidade faz quatro anos e o governo estadual faz dois, e com ajuda da mídia, da propaganda, da apropriação de obras alheias, almeja 15% nas pesquisas. Pior ainda, no caso de Alckmin pode se falar em recall da recente campanha para presidente, onde derrotou Lula no primeiro e no segundo turno aqui em São Paulo. Mas no caso de Marta Suplicy é uma maneira simples da população dizer: “Ela sim era uma boa prefeita.”

Isso explica o que Diretor do Instituto Datafolha, Mauro Paulino, constatou sobre os números da pesquisa para prefeito de São Paulo, no Jornal da Manhã, de Joseval Peixoto, na Jovem Pan: “Marta, Alckmin e Kassab mantêm percentuais muito próximos dos observados há um mês. Nas regiões periféricas, a gente encontra o eleitorado mais convicto em votar em Marta Suplicy. Enquanto nas regiões mais centrais, há uma definição maior por Alckmin ou Kassab”. Falta precisar que onde Alckmin e Kassab disputam o eleitorado, Alckmin está muito mais à frente que Kassab.

Noblat, Josias, Dora Kramer deveriam tentar descobrir porque Kassab está “isolado” no eleitorado de São Paulo, apesar da grana, do apoio de Quercia e Antonio Carlos Rodrigues, do governador Serra, da maioria dos vereadores do PSDB, de boa parte da mídia e do uso escancarado da máquina pública em seu favor.

Luis Favre

05/05/2008 - 14:13h Alckmin, o ranheta! de Ricardo Noblat concordando com Serra

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Ricardo Noblat - O Globo

Aplicada há pouco mais de 10 dias, saiu do forno o resultado da mais recente pesquisa do Instituto Data Kirsten sobre a eleição para prefeito de São Paulo. Marta Suplicy (PT) tem 26% das intenções de voto. Geraldo Alckmin (PSDB), 24%, e Gilberto Kassab (DEM), 18%. Em comparação com pesquisa anterior, Marta e Kassab subiram. Alckmin caiu

Por ora, só há más notícias para Alckmin, que teima em ser candidato a prefeito, contrariando a ordem natural das coisas e os caciques do seu partido. Circula, por exemplo, um documento de apoio à reeleição de Kassab e às candidaturas em 2010 de José Serra a presidente e de Alckmin a governador.

São 1.100 os delegados do PSDB à convenção que decidirá se o partido deve disputar a prefeitura com candidato próprio. Quase metade deles já assinou o documento.

Alckmin é o único nome forte do PSDB à sucessão de Serra.

O que ele diz a respeito? Para o público interno, que não pode ficar mais dois anos sem mandato e que não confia no apoio de Serra em 2010. Recita para o público externo: “O PSDB, pela força do partido, é evidente que quer liderar a cabeça de chapa na eleição para prefeito de São Paulo”.

Não lhe incomoda romper a aliança do PSDB com o DEM? Nem um pouco. Considera que o DEM está obrigado a seguir a reboque do PSDB — agora e mais tarde na eleição presidencial.

Dos 21 deputados estaduais do PSDB, pelo menos 15 apóiam Kassab. Dos 12 vereadores, 11. São filiados ao PSDB 19 dos 31 subprefeitos de São Paulo. É natural que apóiem Kassab. Há 22 secretários municipais, 14 deles do PSDB. Os 14 também apóiam Kassab.

Sem subtrair os méritos do prefeito, não se pode dizer a rigor que ele governa São Paulo. Quem governa é Serra, que se elegeu prefeito em 2004 e renunciou ao mandato para suceder Alckmin no governo do estado. Foi quando Kassab, o vice, ocupou a vaga de Serra e limitou-se a dar continuidade à sua administração.

O que diz Alckmin a respeito? Nada de convincente. Alega que o PSDB é um partido importante demais para abrir mão de ter candidato próprio a prefeito da maior cidade do país. Ora, no Rio, a segunda maior cidade, o PSDB apóia Fernando Gabeira (PV). Em Belo Horizonte, a terceira, apoiará o candidato do PSB — se possível, junto com o PT. E no Recife, o candidato do PMDB. A eleição deste ano é o ato inaugural da eleição de 2010. Testará futuras alianças.

O PMDB de Orestes Quércia anunciou seu apoio a Kassab por obra e graça de Serra.

Caso o PMDB e o PSDB se unam em São Paulo daqui a dois anos, Quércia apoiará Serra para presidente. E por ele será apoiado para senador. Serra está por trás do apoio a ser anunciado, em breve, do PR do vice-presidente José Alencar à candidatura Kassab.

PMDB, DEM, PR e PV garantem a Kassab dez minutos de propaganda no rádio e na televisão a partir de meados de agosto. Marta conta com os três minutos do PT e corre atrás dos minutos do PTB. E Alckmin? Se por cima de pau e de pedra ele arrancar do PSDB a indicação para candidato, prepare-se para enfrentar a mais ingrata campanha de sua vida. No primeiro momento, os cardeais do partido posarão sorridentes para fotos ao lado dele.

Depois manterão distância. A não ser que Alckmin dispare nas pesquisas. A legislação eleitoral impedirá Serra de subir no palanque de Kassab como ele pretende. Mas a ninguém Serra antecipa se subirá no palanque de Alckmin.

É improvável. O discurso de campanha de Alckmin será um desafio para o mais experiente dos marqueteiros. Ele poderá criticar Kassab? Não. Porque o PSDB é quem de fato governa a capital. Por óbvio, não poderá fazer reparos ao governo Serra. Oporse ao governo bem avaliado de Lula? Esqueça. A eleição é local. Restará então a Alckmin falar sobre o futuro.

De resto, como se comportarão os tradicionais financiadores de campanhas diante de um candidato rejeitado pelo governador e adversário do presidente da República?

25/04/2008 - 17:45h Acordo Serra-Kassab-Quercia acirra a crise no PSDB de São Paulo

Sérgio Lima/Folha
alckmin_papeis.JPGUma das particularidades do acordo eleitoral e do apoio do PMDB a candidatura de Kassab é o fato que este acordo foi organizado pelo governador Serra, do PSDB. Ou seja, aparece confirmada a determinação do setor serrista do PSDB em impedir uma candidatura própria à prefeitura, em favor da aliança em favor de Kassab.

O acordo é diretamente um golpe contra Alckmin e indica que o governador Serra não está disposto a ficar a meio caminho na luta contra um candidato tucano à prefeitura. Se Alckmin não obtemperar e manter sua candidatura, teremos um candidato DEM-PMDB trabalhando com o apoio e em favor de José Serra, contra um candidato do PSDB que será adversário direto do governo estadual tucano e da administração municipal demo-tucana. Uma situação ainda mais esdrúxula pois Alckmin, por enquanto, não questiona em nada a política aplicada por Serra-Kassab na prefeitura de São Paulo.

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As declarações de Kassab, Quercia, FHC visam propor a Alckmin uma capitulação e renúncia a suas pretensões, em troca de uma hipotética candidatura ao governo estadual em 2010. Se Alckmin aceitar, o PSDB poderá fazer parte da coligação do DEM-PMDB e segundo Kassab poderá designar o vice. Como o ex-governador Quercia não protestou, fica implícito o acordo do PMDB em abrir mão do lugar de vice na chapa, para ajudar a tirar do páreo o adversário Geraldo Alckmin.

O resultado imediato da jogada de Serra-Kassab terá sido a de debilitar publicamente a candidatura de Alckmin, apresentando-o como um outsider, contrário a união da situação demo-tucana e peemdebistas. Rapidamente Ricardo Noblat no seu blog traduziu este desejo serrista fazendo um chamado para mostrar a porta para Alckmin. Outro resultado da habilidade mostrada por Serra é o entusiasmo que provocou nos articulistas afins nos jornais. Todos saudaram o “trunfo” de Serra , parecendo compartilhar o desejo de Noblat de mostrar o caminho de Pinhamonhangaba para o “gerentão”, que até pouco tempo atrás, todos eles queriam como cunhado.

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Para o PT a decisão do PMDB de apoiar Kassab significa deixar de acrescentar um importante tempo de TV a sua candidatura, mas é também um sinal das dificuldades em assegurar o PMDB na base de apoio do governo federal. No que concerne às eleições municipais, onde o peso regional é muito forte, isto é evidente. No plano nacional o problema começará mais abertamente após o pleito eleitoral de 2008.

De outro lado, que o polo de agrupamento dos serristas, DEM e PMDB tenha como cabeça de chapa o atual prefeito Gilberto Kassab, em terceiro lugar nas pesquisas, e não Geraldo Alckmin, que até pouco tempo atrás se perfilhava como o favorito, reforça a possibilidade de uma vitória da oposição petista. Não só pelo clima de guerra e de golpes baixos que estão desgarrando o PSDB, mas também pelo resultado pifio de sua administração na capital.

Luis Favre

05/04/2008 - 13:56h IBOPE - Blog de Noblat: Marta dispara, Alckmin cai e Kassab cresce

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do Blog de Noblat

Anotem aí os resultados da mais recente pesquisa de intenção de voto feita pelo IBOPE sobre a eleição para prefeito de São Paulo e que será divulgada neste fim de semana:

* Marta Suplicy, do PT - 31% (na anterior, 25%);

* Geraldo Alckmin, do PSDB - 23% (na anterior, 27%);

* Gilberto Kassab, do DEM - 14% (na anterior, 12%).

A pesquisa foi feita sob encomenda da Associação Comercial do Estado de São Paulo. Confirma o que pesquisas anteriores do IBOPE e do DataFolha mostram há mais de um ano: Marta só faz crescer. Alckmin só faz cair. E Kassab só faz subir lenta e gradualmente.

03/04/2008 - 17:06h “Risco de cair” na real armação da oposição

ombudsman.jpg“Risco de cair”

MÁRIO MAGALHÃES
ombudsman@uol.com.br

Título da Folha na sexta feira passada (alto da pág. A7, edição São Paulo): “Para governo, caso é grave e exige resposta rápida da ministra”.

Abertura: “A cúpula do governo avalia que a situação política da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, se agravou e que ela precisa dar uma resposta rápida. Do contrário, corre risco de cair. Segundo apurou a Folha, essa resposta seria a demissão dos servidores da Casa Civil que elaboraram um dossiê sobre gastos secretos do governo Fernando Henrique Cardoso”. Mais: “Um ministro de Lula classificou a informação [sobre o ‘documento vazado para a imprensa’] de gravíssima”.

Ou a ministra é forte demais e dá de ombros à “cúpula do governo”, ou a história, integralmente baseada em fontes não nomeadas, parece não estar bem amarrada. Mais que isso, sugere que adversários de Dilma no governo aproveitaram o anonimato para alvejá-la.

Manchete do “Estado” no domingo: “Planalto vai tirar Dilma da vitrine eleitoral”.

É outra informação que, pelo menos até agora, não se confirmou, pelo contrário.

Os dois episódios exemplificam os riscos da cobertura das crises e intrigas brasilienses.

Hoje a Folha cometeu, creio, um erro ao omitir na primeira página o confronto de ontem no Congresso. O senador Álvaro Dias admitiu ter visto o dossiê antes de sua divulgação. Dar destaque ao fato não implica tomar partido no noticiário, mas reconhecer a importância da declaração.

O “Estado” titulou na parte superior da capa: “Governistas acusam tucano de vazar dossiê dos cartões”.

O senador afirmou ontem: “Na segunda, logo após a circulação da revista ‘Veja’ no domingo, desta tribuna afirmei ter visto o dossiê”.

Hoje o título (de sentido dúbio) da Folha é “Aliados pressionam tucano que admitiu ter visto dossiê” (alto da pág. A6).

Se Dias conta a verdade, por que a Folha –e o conjunto ou parcela significativa do jornalismo– não publicou a declaração do senador assim que ele a fez? Por que só agora?

O senador tem razão: ele está protegido por garantia constitucional de não revelar a fonte que lhe permitiu acesso ao dossiê. Essa prerrogativa deve ser defendida pela democracia. Ela assegurou revelações importantes, oriundas de parlamentares, que os cidadãos conheceram por meio do jornalismo.

Dúvida: Dias avisou FHC sobre o dossiê? Se não avisou, como houve chantagem? Quem foi chantageado?

Seis dias atrás, a Folha manchetou: “Braço direito de Dilma montou dossiê”.

O relato continua a carecer de comprovação, e o jornal o flexibiliza. Hoje diz que a assessora “deu ordem para a compilação de dados”. Ou que ela “assumiu a ordem para a confecção de um ‘banco de dados’”. O “furo” da sexta virou, também, a “ordem para elaborar o banco de dados”.

O banco de dados não é o dossiê. O dossiê de 13 páginas foi elaborado a partir de informações do banco de dados. Pelo menos é o que eu entendi da cobertura.

O quadro “Perguntas e respostas” (pág. A6) confunde, em uma passagem: “A Folha chama o arquivo de dossiê”. Até aqui, a rigor, o jornal chamou o relatório de 13 páginas de “dossiê”, e não o “arquivo paralelo ao sistema oficial de controle de gastos”.

O jornal já afirmou que a Casa Civil assumira a autoria do dossiê (considero como dossiê o relatório de 13 páginas). Na edição de sábado, entretanto, Dilma disse o contrário: sua pasta reconhecia a produção da “base de dados”, da qual foram retiradas as informações que constam do dossiê.

Quem contradiz a ministra, hoje, é o seu chefe. Lula afirmou que alguém “roubou peças de um documento de um banco de dados”. Ou: “Nunca saberemos quem foi que pegou o documento de um banco de dados e vendeu como se fosse dossiê”.

Segundo Lula, as 13 páginas são um documento do “banco de dados”. A ministra dissera que as 13 páginas não foram elaboradas por sua equipe, mas confeccionadas por alguém de identidade ignorada a partir de informações classificadas na Casa Civil.

Na sexta, a Folha informou que teve acesso ao dossiê e publicou trecho dele em fac-símile. Por que não permitiu que os leitores conhecessem, pelo menos na internet, a íntegra do documento, para tirarem suas próprias conclusões? O blog do Noblat faz isso agora. Ainda é tempo de o jornal fazer.

O noticiário de hoje reforça a impressão de que governo e oposição se empenham no desgaste mútuo, mas nenhum está, realmente, disposto a investigar os gastos palacianos das gestões atual e passada. Se Álvaro Dias conheceu e repassou? um documento que considerava manipulação de informações sigilosas por funcionário público para fim de divulgação e chantagem, por que não denunciou o fato à Polícia Federal e pediu abertura de inquérito?

O mesmo vale para o governo, que qualificou como criminoso o vazamento de informações da Casa Civil protegidas por sigilo. Por que o Planalto não pediu inquérito à PF? Em vez disso, o Ministério da Justiça se moveu em sentido contrário, para abafar o caso.

Mantêm-se muitas dúvidas. Sobre quem, a partir da dita “base de dados”, montou o relatório de 13 páginas. Quem vazou o dossiê para fora do Planalto. E quem fez uso dele –embora essa resposta tenha começado a ser delineada ontem.

Outra incerteza permanece: o dossiê é incapaz de causar dano a FHC; como instrumento de chantagem, é inexpressivo (a não ser, repito, que sinalize o conhecimento sobre outras despesas, cabeludas); ele faz mal, mais que ao governo, a Dilma Rousseff; por que a ministra o patrocinaria?

É bom que o jornal, mesmo com o silêncio da primeira página, tenha recuado na cobertura de tom unilateral.

Como se vê nas páginas da Folha, há mais perguntas que respostas no caso do dossiê.

03/04/2008 - 14:18h Dilma, Simon e um conhecido blog

*Gilson Caroni Filho

Ricardo Noblat cobrou de Pedro Simon que fizesse um discurso no Senado denunciando o suposto “dossiê” dos cartões corporativos. O senador gaúcho estava falando de outro assunto. Pediu desculpas ao jornalista e cobrou explicações da ministra Dilma Roussef. Simon sabe qual é o seu exato lugar.

Denunciar irregularidades na efera pública, com o amparo de sólido trabalho investigativo, é tarefa irrenunciável do jornalismo. Deixar de fazê-lo, sob qualquer pretexto, é recusar os princípios que fundamentam a liberdade de imprensa, assegurada em qualquer regime democrático. Sobre isso não cabe qualquer discussão. É ponto pacífico para os que desejam a solidez das instituições políticas.

Mas, como já frisamos inúmeras vezes, quando a informação deixa de se submeter a outro imperativo que não seja o do aprofundamento democrático, a liberdade desejada se apresenta como sua própria contrafação. É servida, como subproduto de uma vulgata do utilitarismo, para satisfazer os interesses de seus leitores e sócios maiores.

Um jornalismo que se presta à instrumentalização partidária, distorcendo a realidade, infamando quem considera adversário político, usurpa uma franquia do Estado de Direito para funcionar como panfleto de ocasião. Deixa de ser instância fiscalizadora dos Poderes para tentar substituí-los como única instância legitimadora, subtraindo-lhe direitos e deveres. Quando a imprensa vira partido, seja de oposição ou de apoio a qualquer governo, renuncia ao seu caráter republicano, passando a ser ferramenta de interesses escusos. Há dúvidas se merece ainda ser mesmo chamada de imprensa.

É o que parece estar ocorrendo agora com o vazamento de um suposto dossiê contendo gastos feitos com cartão corporativo na época do governo Fernando Henrique. Antes de verificar se foi montado pela revista Veja, useira e vezeira em construir castelos de cartas, parcela expressiva da grande mídia não hesita em atribuí-lo ao Palácio do Planalto.

Há quase três anos, Luciano Martins escreveu um artigo para o Observatório da Imprensa ( “Quando faltam a razão e o direito”) que se tornou definitivo pela dinâmica do jornalismo brasileiro. Analisando o que se delineava como tendência no surgimento do ” blog do Noblat”, o articulista foi preciso:

“A estréia do jornalista Ricardo Noblat, com seu blog político, no Estado de S. Paulo, traz uma lição inestimável para a compreensão do momento que vive nossa imprensa. Traz também uma mensagem claríssima aos jovens profissionais que sonham um dia escrever no outrora vetusto diário paulista.

A constatação é clara: engajada na luta partidária, a tradicional imprensa brasileira, bem representada pelo Estadão, perdeu os últimos pruridos e não se acanha em abrigar um panfleto em suas páginas, desde que venha a reforçar seus propósitos com relação ao atual governo. A mensagem aos jovens também não poderia ser mais explícita: se quiserem ser bem-sucedidos num grande jornal, aprendam a nadar de acordo com a corrente. Se possível, sejam radicalmente a favor de tudo que pensa o patrão. Substituam a ética pela moral do dia, e boa carreira”.

Mudou o veículo (hoje o blog se encontra na sombra da família Marinho) mas a toada permaneceu a mesma. O jornalismo (?) praticado ali comporta não só pleno endosso ao discurso da oposição como, em circunstâncias especiais, busca orientá-la visando à maior eficácia política. Não faltam, é claro, advertências públicas aos que não se comportam de acordo com a orientação da grande imprensa. Afinal, quem, senão ela, pode ser a única instância de intermediação possível? Quem, de fato, é a atora relevante do jogo político?

Quem melhor conhece os atalhos que levam à desestabilização de governos eleitos através de coberturas tendenciosas? Nesse sentido, nada mais pedagógico que duas postagens de Noblat, na sexta-feira, 28 de março. Em ambas, o jornalismo-torcida evidencia quem é quem na esfera pública midiática. Demonstra como se produz o esvaziamento de instituições clássicas de representação para que a imprensa reitere sua centralidade política.

Irritado com um discurso do senador Pedro Simon que, inadvertidamente, sobe à tribuna sem a pauta atualizada, o blogueiro não mede a intensidade da carraspana naquele que tem se notabilizado por um posicionamento incondicional às demandas tucanas. O texto foi ao ar às 9h53m:

“O que faz Pedro Simon (PMDB-RS) que discursa na tribuna do Senado sobre a harmonia das relações entre os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e não diz uma palavra, uma palavrinha só sobre o escândalo do dossiê produzido pela secretária-executiva da Casa Civil da presidência da República contra o casal Fernando Henrique Cardoso e o governo anterior?

Será que Simon não leu a reportagem publicada hoje pela Folha de São Paulo? Será que nenhum assessor dele o alertou a respeito? Ou será que ele considera a história mais uma invenção da mídia dita golpista? Ô Simon, atentai bem: não dá para bancar o senador combativo e na hora agá afinar a voz. Não dá para enganar os trouxas o tempo todo”.

A irritação obedece à lógica midiática. De onde o senador gaúcho imagina que há espaços para autonomia relativa? Às 11h20m, menos de duas horas após a advertência, Simon passa recibo e expõe o servilismo solicitado. Noblat registra com satisfação:

“Há pouco, Pedro Simon (PMDB-RS) voltou a discursar no Senado. Referiu-se à nota deste blog que cobrou sua omissão diante do fato denunciado hoje pela Folha de S. Paulo - o de que a Secretária-Executiva da Casa Civil encomendou o dossiê (ou “levantamento de dados”) contra o governo FHC no caso do uso de cartão corporativo. Simon alegou que o discurso que fizera pouco antes estava preparado há muito tempo. E que ele não lera a reportagem da Folha. Pediu desculpas ao blog. Tudo bem, Simon. Não há de ser nada. Foi erro de sua assessoria, que não o alertou há tempo. É muito raro um político pedir desculpas. Não caberia pedir desculpas ao blog, mas aos brasileiros que assistiam à sessão do Senado transmitida pela televisão. A adesão à humilde ordem dos franciscanos fez bem a Simon.”

O que temos aqui não é apenas a tutela da política pela imprensa. Mais que isso, fica evidente como se estrutura a hierarquia no campo conservador. Quem fugir da organização discursiva das oficinas de consenso deve ser advertido e, dependendo da relutância, silenciado.

O velho senador deve fazer sua contrição sem constrangimento. Ou será que ele não se deu conta de que o alvo do denuncismo vai além de Dilma Roussef? O que está em foco é a possibilidade de esvaziar a representação parlamentar do PT a partir de 2010. Para tanto, é preciso minar uma candidatura viável, seja ela qual for, desde já. Veleidades pessoais nessa hora soam absurdas. O jogo é sujo demais para melindres. Simon sabe qual é seu exato lugar.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, e colaborador do Jornal do Brasil e Observatório da Imprensa.

03/04/2008 - 10:41h O dossiê sub-reptício

Blog de Nassif
Do Blog do Noblat (que não briga com a notícia), postado às 16:52, informando claramente que quem repassou o suposto dossiê para a imprensa foi o Senador Álvaro Dias:

Quem divulgou a parte conhecida do dossiê foi o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Ele se recusa a dizer de quem a recebeu.

(…) Em conversa informal com jornalistas, Dias sugere que recebeu o dossiê de um parlamentar que apóia o governo, mas que discorda do uso de informações para chantagear a oposição.

(…) Ao vazar o que recebeu, o objetivo de Dias era, primeiro, desgastar o governo e, segundo, abortar uma eventual divulgação do resto do dossiê. Dias teve êxito.

Folha de São Paulo

Matéria secundária em página interna

Aliados pressionam tucano que admitiu ter visto dossiê

Álvaro Dias diz que recebeu dados sobre gastos de FHC, mas nega ter divulgado papéis
Senador citou o artigo 53 da Constituição para ressaltar que tem direito de preservar quem lhe repassou o dossiê produzido na Casa Civil

Estado de São Paulo

Com chamada de primeira página

Governistas acusam tucano de vazar dados sigilosos e querem ouvi-lo na CPI

Estratégia da base aliada e blindar a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e colocar oposição na defensiva

Dora Kramer

No caso do dossiê sobre os gastos de Fernando Henrique Cardoso, o governo apresenta sucessivas versões de uma história já na origem muito mal contada e ainda acha que as pessoas têm obrigação de abrir mão do próprio discernimento, da capacidade de cotejar fatos, e simplesmente acreditar.

Globo

Sem chamada de capa mas com destaque interno

Álvaro Dias não revela quem repassou dossiê

Tucano diz que levantamento circulava pelo Congresso de ‘forma clandestina’ antes da CPI; governo cobra origem

(…) Ao GLOBO, Álvaro Dias disse que o dossiê circulava de forma clandestina no Congresso, antes mesmo da CPI: — Não só eu tive acesso ao dossiê como muitos parlamentares e assessores também tinham conhecimento. Isso era motivo de comentário tanto na situação como na oposição. Esse dossiê circulava pelos corredores do Congresso de maneira clandestina, de forma sub-reptícia, não muito visual. Foi assim que eu tive acesso.

Comentário

Noblat colocou o elefante no meio da sala: Álvaro Dias admite que vazou o documento para a imprensa. Os jornais tentam esconder o elefante debaixo do tapete. Não dá, pessoal, não dá! Entendam que a Internet acabou com os pactos de silêncio.

A íntegra do “dossiê”

Clique aqui, para baixar a íntegra do documento do Blog do Noblat. É uma simples relação de gastos palacianos, todos perfeitamente justificáveis, nada que indique nada mais do que um cadastramento de despesas. É inacreditável como a mídia jogou todos seus esforços e arriscou mais uma vez sua credibilidade, essas semanas todas, para repercutir esse relatório.

enviada por Luis Nassif

03/04/2008 - 05:01h Operação tucana

a foto do dia

Álvaro Dias divulgou dossiê do governo contra FHC


Foto: Leopoldo Silva / Agência Senado

 

Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) conversa com Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Tião Viana (PT-AC). O blog revelou mais cedo que foi a oposição que divulgou dossiê do governo contra FHC. Logo em seguida, Álvaro Dias subiu à tribuna do Senado para comentar a matéria, mas não revelou quem foi sua fonte.

Reproduzido do Blog de Noblat.

Vacina e veneno

por Luis Favre

Começa a ficar desvendada a operação “Dossiê FHC”. O blogueiro Noblat noticiou que o senador Álvaro Dias, do PSDB, foi quem “vazou” o suposto documento.

Qual era o objetivo do senador tucano?

Ele era duplo. De um lado, uma vacina preventiva. Colocando alguns dados inócuos sobre gastos de FHC e sua esposa, transformar um eventual questionamento da natureza destes gastos na CPI em “ação ilegal”. De outro lado, utilizar o falso dossiê como instrumento de ataque contra a ministra Dilma Roussef.

Para que a “vacina” e o “veneno” funcionem a contento era necessária a ação de um “portador” cúmplice. A Veja foi a escolhida para a operação de destabilização e de proteção.

A mídia transformou rapidamente o governo e a Dilma em culpada, FHC em “vítima” e o assunto julgado.

Falou-se em “quebra do sigilo” e “ação criminosa”. Pois bem, os mesmos deveriam cobrar agora do Ministério Público e do STF uma ação contra o autor conhecido do vazamento: o senador do PSDB.

O conluio do senador tucano e a Veja não surpreende. Mas, será que o senador agiu sem consultar ninguém?

Artur Virgilio, normalmente bem informado, nada sabia?

E o presidente do PSDB?

Que um senador tucano vaze um dossiê que supostamente implicaria um alto cacique tucano como FHC, devia servir qual outro objetivo, se não o aqui exposto? FHC estava a par da operação?

O ato não deveria ser apreciado pela Comissão de Ética do senado? a do PSDB?

Luis Favre