09/11/2009 - 09:02h Pobres já gastam 5% mais que ricos

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Estudo mostra avanço do consumo das classes D e E do Norte e Nordeste em relação às classes A e B do Sudeste

Márcia de Chiara – O Estado SP

Os pobres do Norte e Nordeste estão consumindo mais que os ricos do Sudeste. Nos últimos 12 meses até setembro deste ano, as classes D e E das regiões Norte e Nordeste do País gastaram R$ 8,8 bilhões com uma cesta de alimentos, produtos de higiene pessoal e limpeza. Essa cifra é 5% maior que a desembolsada pelas camadas A e B (R$ 8,4 bilhões) que vivem no Sudeste do País no mesmo período com esses itens, revela estudo exclusivo da LatinPanel, maior empresa de pesquisa domiciliar da América Latina.

Em igual período do ano passado, a situação era exatamente inversa: o gasto das camadas que compõem a base da pirâmide social no Norte e Nordeste com bens não duráveis havia sido 5% inferior ao das classes A e B do Sudeste. “Houve uma reversão”, afirma Christine Pereira, diretora da empresa e responsável pela pesquisa.

Ela atribui a mudança a fatores conjunturais. Inflação em baixa, que dá mais poder de compra ao consumidor, ganhos de renda dos trabalhadores que recebem salário mínimo e o fato de a crise não ter afetado as camadas de menor renda explicam, segundo Christine, o avanço do consumo dos bens não duráveis pelos mais pobres. Os dados da pesquisa foram obtidos a partir de visitas semanais a 8,2 mil domicílios para auditar o consumo de 65 categorias de produtos.

Embora em maior número, as famílias das classes D e E do Norte e do Nordeste têm renda agregada bem menor que a das famílias das classes A e B do Sudeste. No Norte e no Nordeste, há 6,9 milhões de lares que recebem até quatro salários mínimos (R$ 1.860) por mês, o que corresponde a 40% do total de famílias das classes D e E do País. Já as classes A e B somam 4,9 milhões de domicílios no Sudeste ou 45% dos lares desse estrato social do Brasil. Essas famílias têm renda mensal superior a dez salários mínimos (R$ 4.650).

Para o economista chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, boa parte do avanço do consumo dos mais pobres se deve ao aumento real do salário mínimo de 5,7% concedido neste ano. “O salário mínimo pesa muito nas regiões Norte e Nordeste”, diz.

Nas contas dele, a massa real de renda dos ocupados, pensionistas da Previdência e também beneficiários do Bolsa Família cresceu 7,7% no Norte e Nordeste no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2008. O acréscimo é mais que o dobro do registrado para essa população que vive no Sudeste do País, que foi de 3,1% nas mesmas bases de comparação.

Além disso, Borges ressalta que a inflação dos mais pobres, que ganham até cinco salários mínimos (R$ 2.325), medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), perdeu fôlego este ano. Após fechar 2008 com alta de 6,5%, a maior taxa desde 2003, o INPC deve encerrar 2009 com aumento de 4,5%, prevê.

19/10/2009 - 14:32h Crescimento do NE precisa ir além da alta do consumo

Conjuntura: Evento do Centro Celso Furtado debate modelo para região

Leo Pinheiro/Valor
Foto Destaque
Jair do Amaral Filho, da Universidade Federal do Ceará: “Estamos crescendo, e isso é ótimo. Mas ninguém discute como esse crescimento está acontecendo”


João Villaverde, do Recife – VALOR

A retomada do crescimento econômico brasileiro, que já aponta elevação de 5% do PIB em 2010, tem sido sustentada pelo mercado interno. Para isso, programas de transferência de renda e elevação do emprego nos segmentos ligados ao setor de serviços foram decisivos para contrabalançar a retração da indústria, que sofreu com o corte do crédito e o fechamento do mercado externo. O modelo de crescimento do Brasil pós-crise pode ser simbolizado pelo Nordeste, o maior beneficiado pelas transferências sociais de renda e o principal impulsionador do comércio varejista.

Nos primeiros sete meses do ano, as vendas do varejo na região aumentaram 5,6% sobre o mesmo período do ano passado, e um ponto percentual acima do crescimento verificado pelo setor no país. O setor industrial, mais concentrado na produção de alimentos e bebidas, sofreu menos no Nordeste que no resto do país. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), alimentos e bebidas representam cerca de 25% da produção industrial na região. Assim, o crescimento do consumo contribui para que a queda no setor seja menor. Dados de setembro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho, dão conta que quase 40% dos empregos formais gerados no último mês do terceiro trimestre ocorreram no Nordeste – ao todo, 100,4 mil postos. No entanto, este modelo de crescimento não é o ideal, avaliam economistas e cientistas sociais que participaram do seminário Desenvolvimento Regional do Nordeste, realizado em Recife pelo Centro Celso Furtado, na semana passada.

“Estamos crescendo, e isso é ótimo. Mas ninguém discute como esse crescimento está acontecendo”, afirma Jair Amaral Filho, economista da Universidade Federal do Ceará (UFCE). Os setores que mais empregam na região, segundo Amaral, são comércio varejista e administração pública, além da indústria produtora de alimentos e bebidas. Segundo dados do Caged, metade dos postos criados no setor industrial em setembro no país atendeu o setor de produtos alimentícios e bebidas (62,7 mil), tendo os Estados nordestinos à frente.

Boa parte da renda que tem sustentado o crescimento constante do setor de serviços na economia é oriunda de transferências promovidas pela União. Os Estados e municípios do Nordeste receberam no ano passado quase US$ 40 bilhões por meio de transferências orçamentárias como Cide, Fundeb, Fundo de Participação dos Estados (FPE) e Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Neste ano, com a desaceleração econômica, que achatou as receitas, e políticas de isenções fiscais, como a redução do IPI para montadoras e para eletrodomésticos da linha branca, as transferências orçamentárias serão menores. Mas este efeito, dizem os analistas, será compensado pela elevação do salário mínimo – que também corrige dois terços dos benefícios previdenciários – e programas sociais como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BCP).

Segundo Amaral, fatores antes criticados na região, hoje são apontados como contribuidores do crescimento mais acelerado. “O Nordeste estava se beneficiando pouco das altas nas commodities antes da crise, além da menor importância da indústria exportadora em comparação a outras regiões”, afirma. Além disso, o corte nas alíquotas do IPI beneficiou o comércio atacadista e varejista.

O maior receio entre os acadêmicos da região é que se consolide entre as empresas e o governo federal o modelo de crescimento atual, que vê os Estados do Sul e Sudeste com uma política de desenvolvimento industrial e o Nordeste com uma política de consumo de massas. Para Amaral, a política promovida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de fortalecer empresas nacionais por meio de empréstimos para fusões e aquisições – política de “campeãs nacionais” segundo o banco – poderia incluir empresas da região, e não apenas as sediadas em Estados do Sudeste.

Segundo o chefe do departamento regional do BNDES para o Nordeste, Paulo Ferraz Guimarães, não se trata de uma questão de “exclusão regional”, mas de distribuição estrutural da indústria, historicamente concentrada no Sudeste. “Estamos interessados no desenvolvimento, não há regionalização do financiamento”, afirma.

De janeiro a agosto deste ano, o BNDES liberou R$ 15,3 bilhões para companhias nordestinas. Segundo Guimarães, esse valor deve alcançar R$ 18 bilhões até o fim do ano. Há maior número de operações também – 20.300 mil, o equivalente a 91% mais que no mesmo período de 2008. “Talvez a participação do BNDES na região nunca tenha sido tão boa”, diz. Estaleiros portuários em Suape (PE) e Pecém (CE) e projetos federais como a rodovia Transnordestina – que deve integrar sete Estados do Nordeste – apontam a direção do que o banco pretende fazer na região.

“O setor de serviços, o maior empregador, é o que necessita de trabalhadores menos instruídos e o que paga os salários mais baixos”, afirma Lena Lavinas, economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mesmo diante dos avanços na diminuição da pobreza e da miséria nos últimos anos, o Nordeste continua com os piores indicadores sociais. Segundo Lavinas, o Nordeste apresenta os índices mais elevados de indigentes – 16 milhões de pessoas – e de pobres que vivem apenas com renda do trabalho – 48,8%. “Não é possível sustentar uma família de quatro pessoas com um salário mínimo, por mais que ele tenha se recuperado nos últimos anos”, afirma a economista.

Para Lavinas, as transferências de renda devem ser ampliadas a fim de garantir eficiência total, uma vez que mesmo sendo o maior receptor dos programas sociais, 42,7% dos moradores pobres do Nordeste ainda não recebem o Bolsa Família. Segundo Tania Bacelar, economista da UFPE, mais de um terço dos que vivem em regiões rurais da região são analfabetos. “O problema é sério também nas capitais. Metade dos moradores do Recife estão vivendo em favelas”, afirma. Para a economista, após a dissipação das turbulências financeiras mundiais, a retomada econômica brasileira permite uma “rediscussão” quanto ao modelo de crescimento. “A questão a partir deste último trimestre não é mais sobre o crescimento, já recuperado, mas a maneira como ocorrerá o desenvolvimento, que deve diminuir as desigualdades regionais”.


Efeitos do Bolsa Família dividem acadêmicos

Numa região em que os níveis de mortalidade infantil ainda são os mais elevados do Brasil – 34,4% do total – e com produção industrial pouco diversificada, programas de transferência de renda como o Bolsa Família são uma forma de monetizar comunidades carentes, gerando demanda por bens de consumo. Segundo o Ministério de Desenvolvimento Social, 50,07% dos beneficiários do Bolsa Família vivem no Nordeste. “O programa é importantíssimo para garantir que um mínimo de dinheiro alcance municípios pobres do interior, onde, historicamente, a circulação de moeda é rara”, afirma Marcos Costa Lima, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Para ele, o Bolsa Família é crucial para entender a melhora econômica da região, uma vez que, ao proporcionar meio de troca a comunidades carentes, promove o incremento da produção de itens básicos, como alimentos e vestuário, que sentem o fortalecimento do mercado interno na região.

Francisco de Oliveira, sociólogo da Universidade de São Paulo (USP), critica o modelo de desenvolvimento baseado no varejo, mas, diferentemente dos outros analistas, não acredita que programas sociais possam elevar o comércio. “O Bolsa Família aumenta a compra do quê? De arroz, feijão e farinha? Ele é importante, mas não garante comércio de massas”, avalia. Para Oliveira, o programa é importante por aliviar a miséria, mas não transcende o assistencialismo, ficando restrito à transferência de dinheiro.

Segundo Amélia Cohn, socióloga da USP que pertenceu à equipe do Ministério de Desenvolvimento Social no começo do Bolsa Família, é preciso avaliar o impacto do programa na renda familiar. “Em várias regiões do Nordeste o valor mensal do programa é maior do que o que uma família pobre ganha em 12 meses. Isso impulsiona o comércio na região, que estava natimorto”, diz.

15/10/2009 - 19:47h Lula defende candidato único e eleição plebiscitária

ANGELA LACERDA – Agencia Estado

FLORESTA, PE – “Gostaria que tivéssemos apenas um candidato, que fizéssemos uma eleição plebiscitária – pão pão, queijo queijo”. A defesa incisiva foi feita hoje pelo presidente Luiz Inácio da Silva durante sua visita a Floresta, no sertão pernambucano, onde vistoriou o canteiro de obras na tomada d”água do eixo leste da transposição do São Francisco.

“Se não for possível, paciência”, completou ele, ao deixar claro, no entanto, que no que depender dele, sua sucessão será disputada por um representante da situação e um da oposição.

Indagado sobre a possibilidade de dois palanques presidenciais em Pernambuco – com as candidaturas da ministra Dilma Rousseff (PT) e do deputado federal Ciro Gomes (PSB) – ele brincou: “não vê que a Dilma e o Ciro estão sempre juntinhos?”

Confiante na relação construída com os governadores de Pernambuco, Eduardo Campos, e do Ceará, Cid Gomes, ambos do PSB, acredita que haverá entendimento nacional em torno de um só candidato. “Não me vejo indo a Pernambuco sem estar no palanque de Eduardo, não me vejo indo ao Ceará sem estar no palanque de Cid”.

“Vamos trabalhar, temos seis meses para maturar, muita coisa vai acontecer, vamos maturar”, observou na expectativa de poder anunciar um só candidato.

Obra irreversível

O presidente considerou a obra da transposição do São Francisco “irreversível”, independente de quem venha a sucedê-lo. “Vamos ter (em 2010) um canal pronto (eixo leste) e outro com mais ou menos 70% (eixo norte) pronto”, observou.

“Acho que as pessoas que vierem depois de mim vão terminar e fazer outras obras mais importantes ainda”, afirmou ao destacar que pretende deixar “uma prateleira de projetos e dinheiro previsto no orçamento para que quem vier possa começar bombando, trabalhando muito, porque o Brasil aprendeu a gostar de crescer, o povo aprendeu a gostar de trabalhar”.


Crescimento

“Não há possibilidade de o Brasil parar de crescer”, destacou ao citar que o Brasil irá gerar mais de um milhão de empregos neste ano, de recessão internacional. “Aprendemos que este País só se transformará numa grande potência se não parar de crescer e para não parar de crescer o Estado tem que ter capacidade de investimento, de planejamento, precisa trabalhar junto com governadores e com prefeitos”. Por isso, segundo ele, agora será necessário um novo PAC – 2011/2015 – para a Copa do Mundo e a Olimpíada. “Até 2016, vamos ter tarefas incomensuráveis para fazer neste País”, afirmou. “E agora com o pré-sal nem me fale”. “O próprio Banco Mundial estima que em 2016 o Brasil será a quinta economia do mundo”, lembrou.

Oposição

Lula voltou a criticar seus opositores ao afirmar que se dependesse da oposição ele não faria nem o primeiro PAC. “O que a oposição quer é que o País pare para eles terem razão e o que a situação quer é trabalhar mais para não dar razão para a oposição”. O dado concreto, segundo o presidente, é que a oposição teve chance de fazer e não fez. “Nós estamos fazendo”.

Ainda sobre a obra da transposição, o presidente disse ser possivelmente a obra mais importante do Nordeste, mais do que a Transnordestina e mais do que a refinaria de Pernambuco, e as refinarias que serão instaladas em Fortaleza e São Luís do Maranhão. “Por uma razão: trata de um direito elementar e básico do mundo animal e do ser humano que é água para beber. Não é possível que as pessoas não se deem conta que a gente não pode ficar a cada verão chorando a seca no Nordeste brasileiro”.

15/10/2009 - 10:48h Pela 1ª vez no ano, Nordeste abre mais vagas que o Sudeste

Isabel Sobral – O Estado SP

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Os Estados da Região Nordeste registram um saldo positivo entre admissões e dispensas de 100,4 mil novas vagas no mês passado. Pela primeira vez no ano, a região superou o Sudeste, onde foram gerados 85,8 mil postos. Comparando apenas os estados, São Paulo continuou na liderança do ranking com a abertura de 59,5 mil novas vagas de trabalho, impulsionado pela recuperação da indústria e pelos serviços.

Por causa da colheita da safra de cana-de-açúcar e produção sucro-alcooleira, Alagoas foi o segundo Estado que mais abriu novas ocupações.

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No Estado de São Paulo, foram criadas 59.547 novas vagas. A indústria foi o setor que mais contratou: 21.146. Serviços ficou com o segundo lugar no ranking, com a contratação de 19.750 trabalhadores com carteira de trabalho, segundo o Caged.

Emprego formal bate recorde em setembro

Indústria é responsável por quase metade das 252,6 mil vagas criadas

A recuperação da indústria avançou em setembro. As fábricas foram responsáveis por quase metade dos 252,6 mil novos empregos formais criados em setembro – o melhor resultado deste ano do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. O setor industrial abriu 123,3 mil ocupações com carteira assinada, duas vezes mais que em agosto, e alcançou o melhor saldo mensal do setor na série do Caged, iniciada em 1992. O subsetor de alimentos e bebidas, com quase 63 mil novas vagas, foi o grande destaque da indústria.

O resultado geral do Caged foi ainda o segundo melhor da série histórica para um mês de setembro. Mas ainda ficou abaixo do resultado obtido em setembro de 2008, antes do início da fase mais aguda da crise, quando 282,8 mil vagas formais foram criadas na economia.

Com o bom desempenho de setembro, o mercado formal de trabalho acumulou 932,6 mil novos postos de trabalho no ano. Com isso, o estoque de empregos com carteira assinada no País subiu para 32,9 milhões. O saldo dos nove primeiros meses do ano é pouco menos da metade dos dois milhões de empregos criados de janeiro a setembro do ano passado, mas representa o primeiro período acumulado deste ano em que todos os setores da economia contrataram mais trabalhadores do que demitiram.

PERSPECTIVA MELHOR

Empolgado com os dados favoráveis, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, estimou que a economia vai gerar este ano 1,1 milhão de empregos formais – 100 mil a mais do que previa até agora. Ele ressaltou, porém, que essa é uma avaliação pessoal. “Ainda é cedo para termos uma projeção precisa de como o mercado de trabalho vai se comportar em dezembro”, comentou.

No último mês do ano, as demissões tradicionalmente superam as admissões por causa da dispensa dos trabalhadores temporários contratados pelas empresas no início do segundo semestre. Na média, nos últimos anos cerca de 300 mil empregos formais foram fechados nos meses de dezembro. Em dezembro de 2008, quando esse fator sazonal se combinou com os efeitos da crise financeira mundial, foram perdidas 654 mil vagas, um número recorde.

Confiante que a indústria continuará com um ritmo forte de contratações em outubro e novembro, o ministro antecipou esperar para este mês “um resultado (do Caged) melhor do que o de setembro”. Se se confirmar, esse movimento será atípico já que em anos anteriores nos meses de outubro houve redução de contratações em relação a setembro.

“Mas, como houve forte retração no primeiro semestre por causa da crise, deveremos ter uma surpresa positiva agora”, comentou Lupi.

ALIMENTOS E BEBIDAS

Em setembro, todos os 12 segmentos do setor industrial tiveram saldo positivo entre contratações e demissões, com destaque para a indústria alimentícia e de bebidas. O setor têxtil e de vestuário foi o segundo destaque, com 10,5 mil novos postos. No mês passado, os serviços também contrataram mais, gerando 62,7 mil novos empregos. Na sequência, veio o comércio com 50,3 mil postos e a construção civil com 32,6 mil. Apenas a agropecuária eliminou empregos no mês passado, registrando um saldo negativo 17 mil vagas, por causa da entressafra na região Centro-Sul do País.

05/10/2009 - 18:16h 8 de outubro, Dia do Nordestino na cidade de São Paulo

Nordestino

29/09/2009 - 11:05h Natal deve criar 130 mil vagas de temporários

Márcia De Chiara – O Estado SP

A contratação de trabalhadores temporários para as lojas de shopping centers neste Natal será recorde. O setor vai abrir 130 mil vagas neste ano, um número 30% maior em relação à mesma data de 2008, segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop).

O otimismo dos lojistas por causa das melhores condições de crédito e do aumento da renda no bolso do consumidor explica parcialmente o crescimento do número de contratações neste ano. Segundo o presidente da Alshop, Nabil Sahyoun, houve um aumento significativo de lojas nos últimos 12 meses, o que ampliou a necessidade de trabalhadores temporários para o fim de ano.

De acordo com os números da entidade, 26 novos shoppings vão entrar em funcionamento até dezembro deste ano e pelo menos 29 passaram por reformas que expandiram a área de vendas e o número de lojas em 2009. Com isso, serão necessários não apenas funcionários para as lojas, mas também para o setor de limpeza e infraestrutura, observa Sahyoun, explicando que a projeção inclui esse tipo de trabalhador.

Ele conta que muitas empresas já iniciaram o processo de seleção este mês e o salário médio fixo de vendedor é de R$ 673 na cidade de São Paulo. “Com as comissões, é possível tirar entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil”, diz o presidente da Alshop. No momento, ele não vê dificuldade para recrutar mão de obra. “Existe muita gente desempregada, a economia está crescendo, mas o mercado não está eufórico.”

29/09/2009 - 10:18h Obras públicas mudam rotina do pobre Piauí: “Porque o Piauí está para o Brasil como o Brasil está para o mundo”. Bombando!

Desenvolvimento: Estado lidera alta nas vendas do varejo e triplicou, em cinco anos, o investimento público


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Wellington Dias, governador de Piauí (PT) durante visita as obras no Boqueirão do Piauí

Marta Watanabe, de Teresina e Jatobá – VALOR

É um típico fim de tarde de setembro em Teresina. Sob o calor que sobrou dos quase quarenta graus do meio-dia, centenas de homens pegam suas bicicletas no ainda isolado bairro de Santa Maria do Codipi. Eventuais carros precisam se desviar. Contra um horizonte vermelho e laranja, as sombras compridas dos ciclistas dominam o chão de terra e o asfalto, rumo à região mais central da capital piauiense, perto de onde as bicicletas se espalharão para destinos diversos, em um movimento que lembra a de um amontoado de bolas de gude atingido em cheio. Amanhã, antes das sete da manhã, as centenas de ciclistas voltarão, em movimento convergente, à Santa Maria do Codipi.

Clemilton Cardoso da Rocha é um dos homens que integra este movimento. Desde maio ele faz parte da massa de trabalhadores que levanta 4,3 mil casas populares do Jacinta Andrade, maior conjunto de moradias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mesmo sem nenhuma experiência na construção civil, conseguiu a vaga após uma procura de três meses. Ele trabalhava no setor de almoxarifado e agora é apontador de uma das construtoras do Jacinta Andrade – ele administra o estoque do material de construção e, ao lado de outros quatro apontadores, o trabalho de 700 homens.

No meio da poeira que se levanta de um chão praticamente sem chuvas desde julho, ele está satisfeito. Seu salário é 30% maior do que recebia antes e ele considera a nova área promissora. “Agora só não trabalha quem não quer. Está até difícil arranjar pedreiro”, diz, referindo-se à profusão de obras em Teresina. “Aqui tem muita gente que assinou a carteira de trabalho pela primeira vez na vida.”

Rocha integra o batalhão de 11 mil trabalhadores que fazem casas brotar do chão não só em Teresina, mas por todo o Piauí. As casas populares são apenas uma das prioridades dos cerca de R$ 1,5 bilhão em investimentos públicos totais no Estado previstos para 2009. O valor inclui não só recursos estaduais como de terceiros, inclusive do governo federal. De 2003 a 2008 o Piauí teve o maior crescimento relativo nos investimentos públicos entre todos os Estados. Juntamente com as inversões financeiras, os investimentos saltaram no período de 4% para 12,6% da receita não-financeira líquida.

O conjunto Jacinta Andrade é apenas um dos empreendimentos gerados com investimento público. Quem procura o Jacinta esbarra fatalmente em outros conjuntos de casas populares, seja ligados a programas federais como o PAC ou o Minha Casa, Minha Vida, seja de convênios do governo estadual com a Caixa Econômica Federal. Junto com as ruas arborizadas e as barracas de peixe ao lado dos rios Poty e Parnaíba, casas em construção hoje integram a paisagem da capital piauiense. Mas as obras públicas não fizeram diferença apenas no desenho urbano.

José Gomes, diretor do sindicato dos trabalhadores da construção civil no Piauí, conta que até o ano passado a média salarial para pedreiros era de R$ 600 em Teresina. Atualmente, está entre R$ 800 e R$ 900. Mudou também a perspectiva de permanência no emprego. Antes, diz ele, os trabalhos duravam em média 90 dias. Agora as pessoas são contratadas para 12 ou 14 meses. “Estamos no paraíso”, diz. Ele conta que as construtoras estão com dificuldade de conseguir pedreiros, principalmente para trabalhos mais sofisticados, como colocação de azulejos e outros acabamentos. “O que estamos vivendo não tem paralelo. Muita gente está voltando para o Piauí por conta disso”, conta.

Um dos que retornaram à terra foi o pedreiro Antonio Francisco Soares, “nascido e criado” em Jatobá, município do interior piauiense que pode ser alcançado, a partir de Teresina, depois de 134 quilômetros de estrada margeada por redondas copas de carnaúba.

Deixando esposa e dois filhos no município, Soares chegou a migrar para São Paulo. Depois de três meses desempregado na capital paulista, porém, o pedreiro voltou no início do ano não só ao Piauí como à sua cidade e está construindo uma das 34 moradias de um programa no qual o beneficiário deve ter o terreno para que o governo estadual levante as casas.

Soares tem pressa com a cavadeira que usa para fazer uma fundação. Ele conta que precisa terminar de levantar a casa de três quartos na qual trabalha para começar a outra logo em seguida. Sua expectativa é que o programa tenha continuidade e que também comecem as obras do hospital e das salas prometidas para a Universidade Aberta. “Se eu puder, fico aqui para sempre”, diz ele, acrescentando que seus colegas estão todos trabalhando em obras da cidade ou arredores. Uma delas é a estrada que liga o município a Teresina, boa parte dela pavimentada este ano. Cerca de 40 quilômetros restantes prometem render ainda mais algum emprego.

Com 4,5 mil habitantes e acostumada a ver seus filhos saírem em busca de oportunidades em outros locais, Jatobá está até atraindo profissionais de outras cidades piauienses. É o caso do mestre de obras Paulo Afonso dos Santos, que mora em Teresina e desde dezembro trabalha na construção da nova escola de Jatobá, comandando um total de 18 trabalhadores. Antes de Jatobá, Santos esteve por seis meses em Simplício Mendes, na construção de um ginásio poliesportivo público. “Nos últimos cinco meses tenho trabalhado praticamente em obras públicas”, diz.

A movimentação da cidade despertou o tino comercial de alguns moradores. Diego Oliveira dos Santos ignorou as poucas notícias que teve sobre os impactos da crise financeira mundial sobre a economia brasileira e abriu em maio uma casa de materiais de construção. “Abri um negócio porque a cidade está se desenvolvendo. As pessoas estão todas construindo ou reformando suas casas”, conta. Ele deve concorrer com uma loja de material de construção já tradicional na cidade, mas acredita que há mercado para ele também. “As pessoas antes viviam de bicos e agora estão tendo empregos mais permanentes”, conta.

O efeito da disponibilidade de renda que Santos percebe se estende bem além dos limites da pequena cidade eminentemente rural, na qual galinhas e porcos disputam comida e sombra no chão. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), desde maio o Piauí apresenta, entre todos os Estados, a maior elevação no volume de vendas do comércio varejista em relação a 2008. Em julho, o aumento foi de 20%, bem acima da média brasileira, de 5,9%. No acumulado do ano, o crescimento foi de 11%. A média total ficou em 4,7%.

Em Jatobá não é somente a construção de casas no núcleo urbano que está gerando maior disponibilidade de renda, explica Valmir Pereira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais. Ele conta que o programa estadual de assentamentos, que hoje alcança cerca de 150 famílias espalhadas em seis áreas do município, fixou à terra os jatobaenses. O programa Crédito Fundiário fornece além de terras e construção de uma casa, eletrificação, água e estímulo voltado principalmente ao cultivo de melancia, o que trouxe renda adicional para quem vivia da subsistência.

O agricultor Francisco Luiz de Barros é um jatobaense que havia migrado para Teresina, mas retornou à cidade para plantar a fruta, além de macaxeira e milho. O assentamento Pacheco, onde mora, é o mais avançado, criado há cerca de quatro anos. Lá vivem 12 famílias que dividem cinco hectares. “Em Teresina tinha até me formado no curso de segurança particular”, conta o agricultor. Barros não pretende mais voltar a vestir o uniforme de vigia agora que tem a alternativa de cultivar uma roça que vai além da subsistência. No último ano, sua produção de melancia e macaxeira rendeu R$ 2,8 mil, e seu trabalho ainda é subsidiado.

Cada produtor do assentamento ainda recebe auxílio financeiro para a compra de sementes e fertilizante e assistência técnica, principalmente para o sistema de agricultura irrigada, imprescindível para fazer melancia brotar no verão do sertão piauiense. A renda da família é complementada com o benefício federal do Bolsa Família recebido pela mulher.

No Estado com o terceiro pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, o Bolsa Família tem presença forte. São 380 mil famílias beneficiadas em todo o Piauí. “O salário mínimo e o Bolsa Família fizeram muita diferença para o Estado”, reconhece o secretário de Fazenda, Antonio Neto. Apesar do crescimento recente, o Piauí continua sendo, ao lado de Sergipe e Alagoas, um dos que menos arrecadam entre os nove Estados do Nordeste. A participação do Piauí no total do ICMS recolhido pela região, no acumulado de janeiro a julho de 2009, foi de 4,6%, mas o Estado apresentou a maior elevação de arrecadação no período, com alta nominal de 11,3% em relação a igual período do ano passado. O segundo Estado foi Pernambuco, com 9,2%.

A ideia do governo estadual é investir pesadamente em infraestrutura logística para atrair mais empresas e gerar uma economia mais dinâmica, que dependa menos de programas públicos. Segundo dados do Ministério do Trabalho, 41% do estoque de mão de obra de 2008 era de servidores públicos e militares. “Trata-se de uma participação grande. No total do Brasil, os servidores são 21,7%”, diz Fábio Romão da LCA Consultores.

O especialista em contas públicas Amir Khair acredita que o investimento público tem papel importante e é positivo para a economia piauiense. Ele lembra, porém, que além das obras aparentes, como pontes, estradas e moradias, é necessário que haja investimento em qualidade de vida, como saneamento básico, e também em educação. Caso contrário, haverá apenas disponibilidade de renda passageira, sem maior distribuição da riqueza entre a população. “As obras um dia acabam”, alerta.

Por enquanto, cada um faz, a seu modo, sua aposta para o futuro. Recém-instalada em uma das casas do conjunto Nova Therezina, integrante das obras do PAC, Maria Helena Pereira Dutra já abriu seu salão de beleza – R$ 3 o corte -, onde fatura mensalmente dois salários mínimos. Paga pela casa financiada R$ 30 mensais – 75 parcelas no total. Antes de ir para a casa nova, em julho, Maria Helena morava em uma área de risco no bairro de Vila Cidade Leste, “no alto de um morro que desabou e levou a casa junto”. No salão antigo, faturava um pouco mais, mas sobrava menos, porque gastava R$ 450 de aluguel. Ela aproveitou o dinheiro extra para comprar escovas e até novembro quer comprar cadeira e espelho para o salão.

Anna Carolina Negri / Valor
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A cabeleireira Maria Helena abriu um salão na nova casa: mais dinheiro no fim do mês depois que trocou aluguel de R$ 450 por prestação de R$ 30

Não muito longe dali, a comerciante Yane Maria Barbosa da Silva foi rápida ao perceber a oportunidade criada com a contratação de centenas de homens no Jacinta Andrade. Abriu em junho um restaurante que fornece quentinhas para os pedreiros. As marmitas custam entre R$ 3,50 e R$ 4 e o preço é acertado diretamente com a construtora. No começo, diz, eram 20 a 30 marmitas por dia. “Agora eu vendo 150 por dia”, conta, animada. Nos últimos três meses ela contratou quatro pessoas que começam a trabalhar às seis da manhã para conseguir entregar, às 11h30, o arroz e feijão que vai sustentar um dia de trabalho pesado.

Teresina tem aberto espaço também para investimentos mais sofisticados. Eliana Fortes não desistiu de ampliar os negócios na crise. Sócia de um grupo que já incluía duas agências de viagens e uma central de intercâmbio, ela abriu em dezembro a primeira e única casa de câmbio da cidade. O negócio tem fechado no azul e já está bem na classificação de desempenho da franquia que escolheu, diz.

Eliana pretende prestar serviço de câmbio para os exportadores, mesmo não tendo muita ideia de que o Piauí também tem surpreendido no comércio exterior. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento (Mdic), os valores embarcados no Piauí aumentaram 39,97% no acumulado de janeiro a agosto, indo em sentido oposto ao total do Nordeste, cujas exportações caíram 30% no mesmo período. As vendas piauienses foram puxadas principalmente pela soja e seus derivados. Eliana acredita que, se há demanda para um serviço diferenciado como o de câmbio, também há para outros produtos. Por isso, pretende abrir até o fim do ano a franquia de uma sofisticada marca de produtos de beleza . “Acho que Teresina está crescendo. Porque o Piauí está para o Brasil como o Brasil está para o mundo”, resume, animada com sua cidade, seu Estado e seu país.

04/08/2009 - 10:44h Agenda de um não candidato

Serra unirá PSDB e DEM em viagens pelo Nordeste

Silvia Amorim – O Estado SP

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), visitará o Nordeste na próxima semana. Em reunião ontem com lideranças nacionais do DEM, Serra acertou uma viagem à Bahia, para segunda-feira, e outra ao Rio Grande do Norte, em setembro. O objetivo é usar a presença de Serra, provável candidato à Presidência da República em 2010, para consolidar e fortalecer alianças recentes entre DEM e PSDB nos dois Estados. Há alguns meses, os partidos, juntos na oposição no plano federal, eram adversários nesses locais.

Na Bahia, Serra combinará a assinatura de um convênio na área tributária com o governo de Jacques Wagner (PT) e um evento partidário que reunirá lideranças do PSDB e DEM, que até pouco tempo estavam em lados opostos no Estado, caso do deputado Jutahy Magalhães Junior (PSDB) e ACM Neto (DEM). Os dois partidos tentarão derrotar Jacques Wagner na próxima eleição.

Na conversa de ontem com o presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, o senador José Agripino (DEM-RN) e o deputado ACM Neto, o governador confirmou a visita ao Rio Grande do Norte para setembro, ainda sem data definida. Lá a construção da aliança entre os dois partidos também foi conturbada.

O PSDB fazia parte da base do governo Wilma de Faria (PSB) até há poucos meses. O DEM sempre foi oposição. No início deste ano, os tucanos selaram uma parceria com o DEM para 2010 e anunciaram o desembarque da máquina estadual. O problema é que parte do tucanato local continua no governo e a ida de Serra ao Estado para um evento com o DEM ajuda a descolar a imagem do PSDB do governo de Wilma.

“Não há dúvida de que a presença dele no Estado ao lado das lideranças do partido (DEM) vai fortalecer e muito a aliança que firmamos há pouco tempo”, disse Agripino. A cúpula do DEM deixou a sede do governo paulista sem dar entrevista. O acerto desses palanques regionais é considerado peça-chave para organizar a campanha presidencial da chapa DEM-PSDB e derrotar a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

O retorno de Serra ao Nordeste acontecerá uma semana após a última visita, quando esteve em Pernambuco e Ceará. O PSDB já traçou um plano para “nordestinizar” seus pré-candidatos à Presidência, Serra e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. As visitas à Bahia e Rio Grande do Norte também têm esse objetivo.

O senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, e o vice-governador Alberto Goldman também participaram da reunião de ontem.

03/08/2009 - 10:54h No sertão, Serra diz que SP e Nordeste se entrelaçam. Em São Paulo dizia que os migrantes eram responsáveis do mau desempenho da Prefeitura na educação

2010: Homenagem a Luiz Gonzaga inclui carne de bode e crianças no colo

No sertão, Serra diz que SP e Nordeste se entrelaçam

Helder Tavares/DP/D.A.Press Foto Destaque
Foto Destaque
Garantindo não estar em campanha, José Serra só permitiu que o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, e o deputado federal Raul Henry o acompanhassem a Exu

 

Carolina Mandl, de Exu (PE) – VALOR

“Quem aqui tem um parente que mora em São Paulo?” Embaixo do palco, a maior parte da plateia de cerca de 150 pessoas levantou a mão. “Isso mostra que São Paulo e o Nordeste se entrelaçam.”, disse o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), depois de observar as respostas. “São Paulo é a cidade que mais tem nordestinos fora do Nordeste”.

Em visita a Exu, cidade do sertão pernambucano onde nasceu o compositor Luiz Gonzaga, o governador paulista e pré-candidato à Presidência da República, vestiu chapéu de vaqueiro, comeu bode e cantou baião. A visita foi uma homenagem aos 20 anos da morte do compositor pernambucano.

Serra sempre gostou de Luiz Gonzaga, e Gonzagão sempre gostou de política. Apesar de nunca ter sido eleito a nenhum cargo, o músico que traduziu o sofrimento nordestino com Asa Branca sempre esteve ligado aos políticos. Apoiou candidatos da Arena durante muitas eleições e os seguiu no PDS e depois e no PFL, partido que originaria o DEM, atualmente o principal partido aliado do governador. Chegou, inclusive, a avaliar ser prefeito de Exu quando voltou a morar na cidade em 1982.

Exu é uma cidade marcada há décadas pela violência causada pelas brigas das famílias Alencar e Saraiva. Hoje é o tráfico de drogas que a motiva. Em junho, Léo Saraiva (PR), prefeito de Exu, foi preso em uma operação de combate ao tráfico de drogas e ao porte ilegal de armas. No mês passado, foi solto.

No centro dessa cidade que fica na região Polígono da Maconha pernambucano, lá pelas 21h de sábado, cerca de 150 pessoas ouviam o governador de São Paulo. Pouco antes Serra tinha acabado de receber de presente uma réplica do chapéu de couro usado por Gonzaga em dias especiais. Além de ouvir Serra, o pequeno grupo aguardava o início dos festejos de comemoração dos 20 anos da morte do compositor, marcado para as 22h.

O contingente reduzido pode ser explicado em parte pelo receio do próprio PSDB em caracterizar a visita de Serra ao Parque Asa Branca, local onde o compositor viveu e construiu um museu, como comício eleitoral. Depois de ser convidado para conhecer a terra de Gonzaga por um radialista pernambucano em um programa ao vivo, o governador vetou da comitiva nomes políticos de expressão no Estado, além das tradicionais faixas de boas-vindas. Apenas o deputado federal Raul Henry (PMDB-PE), defensor do parque, e o senador e presidente do PSDB, Sérgio Guerra, foram ao sertão. Serra também se negou a cantar no microfone. “Podem descobrir que eu sou tão bom cantor quanto governador”, esquivou-se. O resultado foi um evento que pareceu mais programado para ser divulgado por jornais, rádios e televisão.

Mas nem por isso os beijos em crianças, autógrafos e fotos – tão comuns em época de eleição – ficaram fora do script. Tampouco impediu que alguns exuenses fossem ao parque para vê-lo. “Estou aqui porque ele é o meu candidato a presidente. Já votei nele na eleição de 2002 e vou dar meu voto de novo. Gosto dele porque ele já foi prefeito e governador de São Paulo e ainda foi um bom ministro da Saúde”, disse Itamar Aluísio, representante de uma operadora de telefonia celular.

Dona Mundica – Raimunda de Sales, cozinheira de Gonzaga por quase 20 anos – participou do evento com Serra como convidada. Aos 59 anos, ela não conhecia muito bem o currículo do governador, mas se sentiu prestigiada com a visita. “Ele não tem nada a ver com o Nordeste, mas saiu lá do Sul para vir aqui. Isso mostra consideração”. Na plateia, muitos conheciam Serra de vê-lo “na televisão” e de lembrar dele na eleição de 2002, como a vendedora de doces Iolanda Batista. Segundo pesquisa Datafolha divulgada em junho, apesar de liderar a disputa pela presidência em todas as regiões do país, Serra tem sua menor votação no Nordeste, enquanto a ministra Dilma Rousseff tem o maior percentual de votos entre os nordestinos. É esse cenário que o PSDB quer reverter até o dia da votação.

Problema na educação em São Paulo se deve à migração, diz Serra


Da Redação FOLHA SP
Em São Paulo – 16/08/2006

O candidato tucano ao governo de São Paulo, o ex-prefeito da capital José Serra, participou de entrevista ao vivo nesta quarta-feira ao programa SPTV, da TV Globo de São Paulo. Na entrevista, Serra creditou os maus resultados da educação no Estado aos “migrantes” e se esquivou da pergunta sobre sua permanência no governo de São Paulo até o fim do mandato caso seja eleito em outubro.Questionado sobre o mau desempenho do Estado de São Paulo em avaliações nacionais de educação, o tucano creditou os maus resultados aos migrantes que vêm para o Estado. “Diferentemente dos Estados do Sul [que foram os primeiros colocados na avaliação], São Paulo tem muita migração. Muita gente que continua chegando… Este é um problema”, afirmou. São Paulo tem uma grande população de migrantes nordestinos, especialmente na capital.Segundo a avaliação Prova Brasil, realizada pelo Ministério da Educação no fim do ano passado, a 4ª série da rede de ensino da Prefeitura de São Paulo está entre as sete piores do país, quando comparada com a das demais capitais. Com média 160,42 em português e 166,86 em matemática, os alunos das escolas municipais da capital não alcançaram a metade do total de pontos possíveis nas provas (350).

Sobre sua permanência no Palácio dos Bandeirantes caso seja eleito, o tucano tergiversou. “2010 está muito longe, nem você sabe onde você vai estar. Eu vou trabalhar bastante para corresponder à expectativa das pessoas”, disse, em resposta ao apresentador Chico Pinheiro. O tucano tem sido acusado de usar as eleições para governador como um possível trampolim para a candidatura à Presidência em 2010. (…)

27/07/2009 - 11:09h Estados do Nordeste se unem em campanhas turísticas

Estados do Nordeste se unem em campanhas

http://viajeaqui.abril.com.br/imagem/vt159_nordeste1.jpghttp://www.anhembi.com.br/anhembi/pub/Acontece/AconteceAnhembi1208519139/material.jpg

De São Paulo – VALOR

As secretarias de Turismo nordestinas estão se unindo para fazer campanhas de divulgação turística. O objetivo é economizar recursos e buscar aumentar o tempo de permanência dos visitantes, fazendo com que eles passem por mais de um Estado durante suas férias.

Pernambuco e Bahia, por exemplo, se uniram para lançar o roteiro do vinho. Durante o passeio, os turistas visitam vinícolas como a fazenda Ouro Verde, da Miolo, e a Garziera, nos arredores das cidades sertanejas de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).

Outro passeio interligando os Estados foi batizado de “civilização do açúcar”. É um roteiro que percorre engenhos de Pernambuco, de Alagoas e da Paraíba, três maiores produtores de açúcar do Nordeste. Usinas de álcool e fabricantes de cachaça, rapadura e açúcar, além de antigos engenhos já inativos, são as atrações.

“Ao se unir, os Estados podem dar uma força maior para o Nordeste inteiro. Todos só têm a ganhar”, afirma Bismarck Maia, presidente da Fundação Comissão para o Turismo Integrado do Nordeste e secretário de Turismo do Ceará. Além de as despesas de divulgação serem divididas entre os governos, os Estados deixam de concorrer entre si pelo turista.

Para Sílvio Costa Filho, secretário de Turismo de Pernambuco, outra vantagem da criação de roteiros integrados com temas é que o Nordeste deixa de ser visto só como um destino de sol e mar. “Isso tem duas vantagens. Uma é que atrai o turista que não está a fim só de praia. E outra é que cria uma identidade diferenciada para os Estados. Fica difícil brigar pelo turista só dizendo que se tem mar.”

Na Bahia, a preocupação também é no sentido de desenvolver novos produtos. Além do enoturismo, que faz parte do conjunto de roteiros integrados, o governo vem promovendo as festas de São João baianas, o turismo étnico voltado para o público afro-descendente e eventos como a Stock Car, cuja sexta etapa acontecerá em Salvador no mês que vem. “Junto com a melhoria dos serviços e da atividade econômica dos destinos, inovação é um eixo fundamental”, diz Domingos Leonelli, secretário de Turismo da Bahia.

Pernambuco investirá este ano R$ 20 milhões na divulgação de seus destinos turísticos. Em busca do crescimento da atividade, o Estado decidiu elevar seus gastos. Em anos anteriores, a média de investimento estava em R$ 3 milhões.

Na Bahia, a verba deste ano para promoção e publicidade é de R$ 27 milhões, quantia igual à do ano passado. Outros R$ 12 milhões estão sendo gastos durante o biênio 2008/2009 em capacitação de profissionais, segundo Leonelli.

De acordo com Bismarck Maia, secretário de Turismo do Ceará, o Estado investe entre R$ 25 milhões e R$ 35 milhões por ano para atrair os turistas.

Quando se leva em conta a entrada de estrangeiros no país, a Bahia aparece na frente entre os Estados nordestinos, com 178 mil pessoas em 2008. O Ceará vem em seguida, com 98 mil, seguido de Pernambuco, com quase 82 mil e Rio Grande do Norte, com 70,5 mil. O levantamento é da Embratur.

Não há dados precisos sobre a entrada de turistas domésticos em cada Estado. Porém, com base no fluxo dos aeroportos registrado pela Infraero, o mais movimentado é a Bahia, seguido de Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte. (CM e RC)

18/06/2009 - 12:19h Dilma prepara plano para o Nordeste

Ministra anunciou ontem em Fortaleza que trabalha no projeto

Carmen Pompeu – O Estado SP

http://www.maisacao.net/blog/wp-content/uploads/2009/01/ministra_chefe_casa_civil_dilma_rousseff_novo_visual_fotoblogmaisacao120109_400pxl.jpgA ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse ontem, em Fortaleza, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu para ela pensar na elaboração de um Plano de Desenvolvimento para o Nordeste. De acordo com a ministra, o tema estará em discussão nos próximos meses, tornando-se “prioridade dos mais diversos ministérios”.

“Essa é uma grande preocupação do presidente Lula”, garantiu Dilma, nome mais cotado hoje no Planalto para a eleição presidencial de 2010.

Sem dar mais detalhes, ela garantiu ser um plano estratégico para o Brasil. O anúncio foi feito durante reunião de avaliação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na sede do Banco do Nordeste.

Dilma passou o dia em Fortaleza e participou também, ao lado do governador Cid Gomes (PSB), da assinatura de um convênio para a instalação de uma siderúrgica no Porto de Pecém. No início da noite, ao lado da prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), a ministra esteve na Favela Maravilha, cuja urbanização integra o PAC.

O aliado Cid Gomes elogiou Dilma. Disse que o nome dela o remete “às pessoas mais humildes do País, ao trabalho e à disciplina”. “Gostaria de cumprimentá-la. A senhora tem se comportado como uma verdadeira titã. Setores que criticam são os que não encontraram nada. É um para fazer e dez para criticar. A máquina está azeitada”, prosseguiu.

CRISE

Dilma admitiu que a crise financeira chegou ao Brasil. Mas garantiu que a economia dá sinais de melhora e que voltará a crescer em 2010.

“O PAC é uma vacina, um antídoto. Nós não quebramos. Não temos nada a ver com aquele País de 2002, que quebrava”, comentou.

23/04/2009 - 10:33h Mercado nordestino cresce 19% e acirra disputa de supermercados

http://diariodonordeste.globo.com/imagem.asp?Imagem=320647

Redes locais crescem mesmo após chegada de multinacionais como Wal-Mart e Carrefour

Márcia De Chiara – O Estado SP

O mercado consumidor do Nordeste registrou no ano passado a maior taxa crescimento de vendas entre os supermercados brasileiros e virou alvo de disputa tanto de redes locais como de grandes varejistas internacionais. Enquanto o faturamento nacional dos supermercados cresceu 10,6%no ano passado e atingiu R$ 159,1 bilhões, uma cifra recorde, a receita das redes nordestinas aumentou quase o dobro, 19,7%, descontada a inflação do período, revela o 38º Relatório Anual da Revista Supermercado Moderno. O estudo, de âmbito nacional, envolveu 460 empresas do varejo de autosserviço, que somam 3,8 mil lojas e respondem por 63,5% do faturamento do setor.

Ganhos de renda, benefícios sociais como o Bolsa-Família e a própria agressividade das redes locais após a chegada de grandes multinacionais à região são apontadas por Maurício Pacheco, diretor da revista e responsável pela pesquisa, como fatores que impulsionaram o forte crescimento de vendas no Nordeste.

O Bonanza Supermercados, com sede em Caruaru (PE), por exemplo, foi uma das empresas que se destacaram no ano passado. O faturamento de R$ 205,9 milhões atingido em 2008, com 15 lojas, cresceu 18,7% na comparação com 2007, descontada a inflação do período. “Conseguimos esse desempenho porque a renda na nossa região cresceu e fizemos boas negociações com fornecedores para ampliar as vendas”, diz o presidente da empresa, Djalma Faria Cintra. Ele conta que importou, por conta própria, bacalhau da Noruega e fígado bovino da Argentina. Além disso, ofereceu arroz e frango a preços reduzidos.

Cintra conta também que, no último ano, o mix de produtos de suas lojas foi ampliado de 5 mil para 9 mil itens. “O nordestino mudou seu padrão de consumo: passou a comprar, com maior frequência, chocolates e biscoitos recheados.” Líder do setor em Pernambuco, com a maioria das lojas no interior do Estado, a rede vai investir R$ 10 milhões em três novas unidades este ano. A primeira foi inaugurada em janeiro. No ano passado, não houve abertura de lojas.

O Wal-Mart, maior varejista do mundo, que faturou no ano R$ 16,9 bilhões no Brasil e expandiu em 13% sua receita, confirma o interesse e o bom desempenho das lojas localizadas no Nordeste. “As vendas do Nordeste cresceram dois dígitos e puxaram para cima o desempenho da companhia”, afirma o vice-presidente de operações para a região, José Rafael Vasquez.

Mais da metade do R$ 1,2 bilhão investido pela companhia no País em 2008 foi para inaugurar ou reformar lojas no Nordeste. Das 34 lojas abertas no ano passado, 18 estão localizadas na região, que reúne atualmente 140 das 350 lojas da rede. “A redistribuição de renda está dando maior visibilidade para a região”, diz Vasquez. Ele observa, que mesmo com a mudança de cenário econômico, não houve retração nas vendas ou migração para marcas mais baratas.

O Carrefour, líder do setor, com vendas de R$ 17,7 bilhões em 2008 e crescimento de 26,3%, segundo a pesquisa, praticamente abriu uma loja por mês no ano passado no Nordeste e no Centro-Oeste, destaca Sheila Hissa, editora da publicação. Hoje, por exemplo, a empresa inaugura seu segundo hipermercado em João Pessoa (PB). A loja recebeu investimentos de R$ 31 milhões.

07/03/2009 - 18:38h É justo questionar dogmas católicos

A Igreja Católica é composta por homens e mulheres de carne e osso. Como toda instituição viva, seus dogmas merecem contestação de quem pertence aos seus quadros, de quem já pertenceu e de que não pertence. Os de fora têm o direito de opinar sobre as decisões de uma instituição poderosa e que influencia o debate público no mundo inteiro.

No Brasil, há separação entre Estado e igreja. Apesar disso, os religiosos se julgam no direito de criticar decisões legais, como o aborto de uma criança de 9 anos que foi estuprada. Ora, se podem meter o bedelho nas regras do Estado laico e democrático, podem também ouvir críticas a seus dogmas.

Nesse contexto, é absurda a excomunhão dos médicos e da mãe da menina estuprada pelo padrasto. Pior, o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, disse que aborto é pior do que estupro. Os idiotas da subjetividade vão dizer que é assunto da Igreja Católica e ponto final. No direito canônico, o aborto é mais grave que o estupro. Quem é católico que se acomode, e os incomodados que se retirem.

Esse discurso serve a um conservadorismo anacrônico que afasta cada vez mais a Igreja Católica do cotidiano de seus seguidores. É um erro considerar um meio católico ou um mau católico quem apoia a decisão de abortar na circunstâncias em que se encontrava a menina de 9 anos. Ela pesa 30 quilos. Sua gravidez poderia matá-la. A lei brasileira permite aborto em caso de estupro e quando se coloca em risco a vida da gestante.

Há outro agravante: a menina é de um região pobre do Nordeste, na qual o peso dos valores religiosos é maior do que em outras partes do Brasil. Uma condenação da Igreja Católica soa a uma espécie de sentença de morte religiosa.

É uma pena que a Igreja Católica tenha abandonado a opção preferencial pelos pobres. O homem que deu início à caminhada dessa instituição milenar teria reparos a fazer à turma de Bento 16.

Mais debate

A briga é meio perdida, mas é preciso discutir a ampliação do direito ao aborto num país em que isso é questão de saúde pública. A mulher deve ter o direito de decisão. Legalizar mais amplamente o aborto, com limite até determinado tempo de gestação, não vai obrigar ninguém a tirar filho da barriga.

E-mail: kennedy.alencar@grupofolha.com.br


Kennedy Alencar, 41, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre bastidores do poder, aos domingos. É comentarista do telejornal “RedeTVNews”, de segunda a sábado às 21h10, e apresentador do programa de entrevistas “É Notícia“, aos domingos à meia-noite.

05/03/2009 - 12:52h PIB nordestino deve crescer mais que a média, diz estudo

http://www.revistaportuaria.com.br/arquivos/noticia_121379752848591498511ea.jpg

 Novos investimentos no nordeste e consumo em alta fazem o PIB crescer mais (na foto Pernambuco)

Carolina Mandl, do Recife – VALOR

O consumo das famílias deve puxar o crescimento da região Nordeste neste ano para níveis acima da média do país, segundo a Datamétrica. Em relatório divulgado ontem, a consultoria apontou que em 2009 o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados nordestinos ficará em 3,12%, enquanto o país terá uma alta de 1,8%.

Pelos cálculos da Datamétrica, desde 2005 o Nordeste cresce acima da média. Em 2008, a consultoria prevê que o PIB da região aumentou 6,12%, ante 5,62% do país. Agora, mesmo em um cenário de crise, o movimento deve se repetir.

De acordo com Alexandre Rands, sócio da Datamétrica, os dois fatores que mais podem favorecer a região são o aumento do salário mínimo e a Bolsa Família. “Por terem um peso maior na região, eles podem amortecer o impacto da crise”, diz Rands. Com um contracheque maior, o consumo familiar se elevará, ajudando a atividade da região.

Outros pontos também podem pesar a favor do Nordeste, segundo ele, como o fato de as indústrias terem uma importância menor para o crescimento do que no Sudeste, por exemplo. “Por enquanto, a crise está afetando mais o setor industrial, que é menos significativo na região”, afirma ele.

Além disso, políticas públicas de combate à crise podem favorecer mais os Estados nordestinos. “O governo Lula demonstra ter mais agilidade para gastos sociais do que com infraestrutura, por exemplo. E o Nordeste é mais beneficiado com isso, por ter mais pobres”, avalia Rands.

O Estado que mais deve crescer em 2009 é Pernambuco, com um aumento de 4,29%, puxado principalmente por empreendimentos privados que estão em fase avançada de obras, como o estaleiro Atlântico Sul, no litoral, e as fábricas da Perdigão e da Sadia, no interior. O menor aumento do PIB está estimado para Alagoas, com 2,14%, ainda acima da média nacional. Entre esses extremos estão Bahia (2,89%), Ceará (2,87%), Maranhão (2,97%), Piauí (3,03%), Sergipe (2,46%), Paraíba (2,83%) e Rio Grande do Norte (2,93%).

16/02/2009 - 09:31h Para 60%, economia melhora no 2º semestre

VALOR – Folha News, de São Paulo

Cerca de 60% dos consumidores entrevistados pela pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e instituto Ipsos acreditam que a situação econômica do país vai melhorar no segundo semestre. O índice de confiança caiu para 142 pontos em janeiro deste ano, contra 145 em dezembro de 2008, mas continua acima dos 138 pontos de janeiro de 2008. Em janeiro de 2007, considerado um ano bom, estava em 129 pontos.

A região Nordeste passou a ser a menos otimista com 128 pontos, provavelmente, em função da perda do poder aquisitivo do salário mínimo de janeiro, de R$ 415, -mas que deverá se recuperar a partir de fevereiro ou março com o reajuste para R$ 465. A região Sudeste, no momento, é a mais otimista, com 148 pontos, seguida por Norte/Centro-Oeste, com 146 pontos, e Sul, com 143 pontos.

Para os próximos seis meses, na média de todas as regiões, 46% dos entrevistados acham que a economia estará mais forte, contra apenas 13% que acham que estará pior. Além disso, olhando para os próximos seis meses o consumidor demonstra otimismo com a situação financeira pessoal: 59% acham que vai ficar melhor; e apenas 8% acham que vai ficar pior.

A pesquisa Ipsos/ACSP mostra também que 40% dos entrevistados continuam à vontade para comprar eletrodomésticos, como geladeiras, fogões, televisores e móveis, contra 36% menos favoráveis. Mas o consumidor continua menos disposto a comprar bens de maior valor, como carros e imóveis: 45% menos e 31% mais favorável.

16/02/2009 - 08:56h Aumento real do mínimo injeta R$ 21 bi e reduz crise

Aliada à inflação menor, alta real de 6,4% do salário fortalece mercado interno

Setores como alimentos, roupas e fármacos e regiões como Norte, Nordeste e Centro-Oeste devem ser mais beneficiados

PEDRO SOARES – FOLHA SP

DA SUCURSAL DO RIO

Reajustado neste mês em 6,4% em termos reais, o novo salário mínimo de R$ 465 injetará diretamente na economia R$ 21 bilhões pelos cálculos do Ministério do Trabalho e será um importante instrumento de política anticíclica nestes tempos de crise, segundo especialistas. Permitirá, dizem, manter algum dinamismo em setores que dependem da expansão da renda, como o de alimentos.

Para Fábio Romão, economista da LCA, o aumento do mínimo, aliado à inflação menor neste ano, vai sustentar o consumo de alimentos e outros bens semi e não-duráveis (como roupas, calçados e produtos de limpeza e de higiene pessoal) e amortecer o impacto da crise tanto na produção como no emprego. O reajuste real também terá mais peso nas regiões onde a penetração do mínimo é maior, como Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Antes mesmo do aumento total de 12,05% do mínimo, o desempenho dos setores ligados à renda já destoava do resto. De outubro a dezembro, a indústria geral registrou tombo sem precedentes em crises anteriores, de 19,8%. Mas, em alimentos, a queda foi suave -0,7%, a menor dos ramos.

Só registraram expansão bebidas (0,2%), também dependente da renda, e outros veículos automotores (20,1%), por causa da fabricação de aviões encomendados antes da crise, contra queda de 54% na produção de veículos, diz o IBGE.

Isabella Nunes, do IBGE, diz que os ramos ligados à renda já tiveram resultados um pouco melhores nos três últimos meses de 2008 -quando a indústria sentiu, progressivamente, o forte baque da crise.

“A indústria desabou em dezembro, mas a renda ainda sustenta um pouco os não-duráveis.” Em dezembro, a produção da indústria geral caiu 14,5% ante dezembro de 2007 -a maior retração desde 1991. Naquele mês, outro ramo ligado à renda, a indústria farmacêutica, cresceu 11,7%.
Para Nunes, uma eventual estabilidade do mercado de trabalho e o efeito do reajuste do salário mínimo jogarão um papel importante para definir o rumo da economia neste ano.

Já Romão vê o mínimo como um “amortecedor” da crise, mas que não impedirá uma desaceleração do ritmo da atividade. Regionalmente, os Estados do Nordeste já registraram em dezembro resultados “menos ruins”, diz Romão, justamente por causa do maior peso das indústrias de semi e não-duráveis. Tiveram recuos abaixo da média de 14,5% as indústrias de Pernambuco (-6,2%) e Ceará (-3,9%). Goiás registrou expansão -1,1%-, impulsionado pela indústria de alimentos, cujo peso é de 66% no Estado.

“Sentiremos a crise, mas menos que os outros setores. A produção deu pequena desacelerada, mas estamos otimistas. A indústria de alimentos deve crescer 3% no ano, e o aumento real do mínimo ajudará o consumo”, diz Denis Ribeiro, da Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação).

Segundo Ciro Mortella, presidente da Febrafarma (Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica), o setor ainda não sente o impacto da crise na produção, mas também não deve ficar inume. “Seremos afetados, mas em menor escala.”

Reajuste do mínimo e queda da inflação devem manter rendimento real em alta

DA SUCURSAL DO RIO

O reajuste do salário mínimo e a menor inflação em 2009 -projetada pela LCA em 4,7%, abaixo do IPCA de 5,90% em 2008- devem manter o rendimento real em alta neste ano, segundo Fábio Romão, economista da consultoria. Em dezembro, a renda nas seis maiores regiões metropolitanas do país cresceu 3,6%, menor do que nos meses anteriores. Na média de 2008, subiu 3,4%.
Já o impacto no emprego, diz, será maior na indústria e menos intenso nos serviços, o que deve conferir um desempenho melhor às metrópoles, onde se concentra o setor.
Em dezembro, esse perfil já se delineava. O emprego industrial cresceu 1,5% na região metropolitana de São Paulo, contra uma expansão de 4,5% nos serviços, segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE elaborados pela LCA.
“Para a indústria, o pior momento foi o último trimestre do ano passado. O cenário ainda é ruim, mas tende a se recuperar um pouco. Comércio e serviços vão sentir os efeitos da crise com mais defasagem e com menor intensidade”, diz Romão.
Na pesquisa de emprego e salário na indústria do IBGE, o nível de ocupação se sustentou na maior parte dos setores no quarto trimestre de 2008, mesmo naqueles que lideraram a queda de produção. São os casos de metalurgia básica (7%), máquinas e equipamentos (5,8%), material eletroeletrônico e de comunicações (5,8%) e meios de transporte (4,1%). Todos se desaceleram na comparação com setembro. No último trimestre de 2008, se destacou o emprego na indústria extrativa (3,8%), impulsionada pelo setor de petróleo e gás.
Os ramos intensivos em mão-de-obra e que já vinham com desempenho negativo aprofundaram a tendência de queda no nível de emprego. Os piores desempenhos no quarto trimestre ficaram com fumo (8,3%), têxtil (5,8%), vestuário (8,5%), calçados (7,4%) e madeira (11%), segundo o IBGE.
“No acumulado de 2008, os setores que lideraram a produção, como máquinas e equipamentos e veículos, também foram os que mais geraram empregos, especialmente por causa do bom desempenho até setembro”, afirma Isabella Nunes, gerente da pesquisa de indústria do IBGE.
Os principais impactos positivos no emprego vieram em 2008 de máquinas e equipamentos (10,4%), meios de transporte (8,5%), aparelhos eletrônicos e de comunicações (10,6%) e alimentos (2,3%) -todos com expansão acima da média, de 2,1%. (PS)

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43 milhões têm ganho ligado ao mínimo

DA REDAÇÃO

Segundo dados do governo, 42,8 milhões de pessoas têm vencimentos atrelados ao salário mínimo. De acordo com a política do governo Lula de valorização do mínimo, o reajuste deste ano incorporou a variação do PIB de 2007 (5,65%) e do INPC de março de 2007 a janeiro de 2008 (6,40%). Fixado em R$ 465, o piso salarial deste ano incorporou reajuste de 12,05%, ou R$ 50 de acréscimo aos R$ 415 válidos em 2008.
Segundo o Ministério do trabalho, o salário mínimo acumula um reajuste acima da inflação de 46% desde 2003.

09/02/2009 - 11:52h Concessão não explorada vai ser retomada, adverte Dilma

Ruy baron/valor

Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil: governo não permitirá que a Petrobras reduza investimentos e orientação é para que a estatal reavalie custos

 

Claudia Safatle e Cristiano Romero, de Brasília – VALOR

A partir de agora, a empresa que não explorar uma concessão do governo, em qualquer área, vai perdê-la, avisa a ministra- -chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O objetivo não é retomar a concessão, mas exigir que haja a exploração, adianta a ministra, em entrevista ao Valor. Alguns quilos mais magra e com uma fisionomia bem mais jovem, Dilma revela também um ótimo humor. “A perda de peso é mérito meu; a aparência mais jovem é mérito da faca”, diz, referindo-se à plástica que fez no fim do ano passado.

Com dedicação integral a fazer os investimentos públicos andarem, a ministra não alimenta um segundo sequer de uma conversa sobre sua candidatura à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Ele nunca falou comigo sobre isso”, desconversa e ri. Mas debruça-se com ânimo sobre a vasta pasta de dados sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), agora engordado em mais R$ 142,1 bilhões até 2010, para mostrar que o programa é a principal ação anticrise do governo Lula.

Os investimentos da Petrobras são, juntamente com os do governo federal, peça crucial para manter o nível de atividade econômica do país. São US$ 60 bilhões (cerca de R$ 138 bilhões) até 2010, dos quais, R$ 45 bilhões serão assegurados por empréstimos feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – R$ 25 bilhões neste ano e R$ 20 bilhões no próximo.

Ao menor risco de a estatal ter que baixar suas pretensões por falta de recursos, como indicou o presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, semana passada, em Londres, Dilma não titubeia: “O Gabrielli é um especialista em choro, mas esta ele não leva. Nós já sabemos de todo mundo que ofereceu (crédito). Fizemos um acordo. Eles fizeram uma conta e mostraram que tem condições de levantar o restante (além dos R$ 45 bilhões do BNDES). Tem uma parte que é caixa da empresa, outra que é venda antecipada de óleo”.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: Uma das críticas feitas ao PAC é que se trata apenas de uma lista de obras. Como a sra. vê essa crítica?

Dilma Rousseff: O PAC não é nem uma lista de obras nem uma peça de marketing. O que há é uma disputa política em cima do PAC. Eu até entendo que queiram fazê-la, mas a gente pode levar a disputa para um outro patamar, que não precisa ser esse, da negação.

Valor: Como?

Dilma: O PAC é uma proposta que fizemos num determinado momento do governo, quando achávamos que era fundamental acelerar o crescimento da economia. Ele é a expressão do que entendíamos como modelo de desenvolvimento baseado em duas coisas: inclusão social e aumento de oportunidades. Subdividimos isso em quatro objetivos. O primeiro foi colocar o investimento na ordem do dia depois de anos, o que fizemos em janeiro de 2007. Dissemos que íamos pegar os gargalos que existem na infraestrutura e adotar medidas para superá-los. O segundo foi fazer claramente uma política de distribuição de renda, propondo a universalização dos serviços públicos. Nessa linha, incluímos no PAC o programa “Luz Para Todos”, o abastecimento de água nas regiões metropolitanas até o fim de 2010 e o encaminhamento da questão do esgotamento sanitário. O terceiro objetivo é superar o desequilíbrio na distribuição regional da renda. Vamos enviesar o crescimento econômico também para as regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste. O quarto objetivo é reconstruir algumas indústrias.

Valor: De que forma?

Dilma: Eu destaco a indústria fornecedora de bens e serviços do setor de petróleo. A indústria naval, por exemplo. O PAC foi montado com esses objetivos, mas, aí, teve o momento em que começou a crise. O país vinha bem, houve a quebra do banco Lehman Brothers, que provocou uma freada brutal na economia. A gente já vinha, desde janeiro de 2007, olhando obras que poderíamos incorporar ao PAC. Diante da crise, decidimos antecipar investimentos e, na medida do possível, ampliá-los, e também substituir investimentos que não estão saindo do papel por outros que possam ocorrer.

Valor: Qual é o acréscimo?

Dilma: Antes, não estava no PAC, por exemplo, o trem de alta velocidade (entre Campinas e Rio de Janeiro). Agora, foi incluído. Em logística, até 2010, vamos aumentar os investimentos em R$ 37,1 bilhões. No eixo de energia, serão R$ 20,2 bilhões a mais, sendo que uma parte é da Petrobras. Esse número é conservador, um pouco subestimado. Acho que a Petrobras, nas novas refinarias e na exploração da camada pré-sal, pode gastar mais do que está previsto agora. São US$ 60 bilhões (cerca de R$ 138 bilhões) até 2010. Neste ano, ela pode investir até 2% do PIB – em 2008, foi 1,2% do PIB. No eixo das áreas social e urbana, são mais R$ 84,2 bilhões. O total acrescentado ao PAC dá R$ 142,1 bilhões.

Valor: Mas não vai faltar dinheiro para a Petrobras investir? O mercado externo está fechado.

Dilma: Não. Nós fizemos um acordo com a empresa. O governo está colocando, em recursos do BNDES, R$ 45 bilhões na Petrobras nestes dois anos – R$ 25 bilhões em 2009 e R$ 20 bilhões em 2010.

Valor: O presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, disse em Londres que poderá ter que cortar investimento se não houver funding externo.

Dilma: O Gabrielli é um especialista em choro, mas esta ele não leva. Nós já sabemos de todo mundo que ofereceu (crédito). Fizemos um acordo. Eles fizeram uma conta e mostraram que têm condições de levantar o restante (além dos R$ 45 bilhões do BNDES). Tem uma parte que é caixa da empresa, outra que é venda antecipada de óleo. É por isso que eu acho que o acréscimo de R$ 20,2 bilhões que estamos fazendo para a área energética está subestimado.

Valor: O preço do barril de petróleo despencou nos últimos meses. Isso não prejudica os investimentos da Petrobras?

Dilma: Um orçamento feito em setembro de 2008, antes da crise, foi calculado com os preços de sonda, cimento, aço, lá em cima. Depois da crise, esses preços começaram a cair. O preço do barril, de fato, caiu de US$ 147 para US$ 47 (expectativa de preço médio para 2009). Com isso, a receita despenca imediatamente. Já a despesa – o custeio mais o investimento – cai de forma mais lenta, mas cai. A questão é como é que eu aproprio o valor da despesa que diminui, qual o valor que vou apropriar da relação diferenciada que tem o cimento e o aço no mercado internacional e aqui. Diante disso, a recomendação do Conselho de Administração [presidido pela ministra] à Petrobras é que ela tome providências no sentido de reavaliar os custos.

Valor: Esse aumento de investimento público garantirá quanto de crescimento do PIB?

Dilma: Não dá para fazer esse cálculo. Esse esforço tem o efeito de manter o investimento privado também.

Valor: O que faz a sra. acreditar nisso?

Dilma: Recebemos cartas de grandes construtoras onde elas garantem que estão mantendo suas atividades em alta por causa do PAC, por causa da carteira de projetos que já têm no programa e da expectativa (em relação a novas obras). Isso vai de projetos de indústria naval à construção de hidrelétricas, passando pela interligação de bacias hidrográficas. Esse é o país que não parou com a crise.

Valor: O PAC é um programa de investimentos públicos, mas o grosso da taxa de investimentos da economia é bancado pelo setor privado.

Dilma: O setor privado está em todas as rodovias, porque não há nenhuma rodovia sendo construída pelo governo. Em todas as ferrovias, portos, aeroportos. Tudo é setor privado.

Valor: Dos R$ 142,1 bilhões adicionais para 2009 e 2010, quanto é do setor privado?

Dilma: Não dá para dizer. Mas eu devolvo a pergunta: o que não é? Mesmo o investimento da Petrobras é setor privado, afinal, ela não constrói nada diretamente. Toda a parte de energia é setor privado. Nós não construímos, nem os Estados e municípios, um tostão. O fato de ser dinheiro do Orçamento não significa que ele não seja para o setor privado. O governo licita a obra de construção de uma rodovia e paga a empreiteira. Isso vale para todas as obras. Tudo o que financiamos para o setor público acaba no setor privado. Tem uma parte dos recursos do PAC que é setor privado – o equity (participação acionária). Mas, nessa época de crise, temos ajudado o setor privado com empréstimos-ponte.

Valor: Por quê?

Dilma: Porque as empresas não estão conseguindo dar equity integral nos investimentos. Fazemos um empréstimo-ponte que depois as empresas pagam e, assim, vão caminhando. O PAC não é uma análise do Orçamento Geral da União. É uma análise das estruturas de financiamento do poder público para assegurar o investimento privado e uma demanda para o setor privado. Não somos um país com setor privado fraco. É o contrário. Somos um país com um setor privado forte. A relação privado-público é que pode segurar essa história (enfrentar a crise).

Valor: E por que a sra. espera que ele cumpra esse papel?

Dilma: Porque o PAC é demanda direta na veia de quem constrói infraestrutura. Isso vale para as empresas pequenas, médias e grandes. Onde estão as pequenas? Por exemplo, no PAC habitação e saneamento. E as grandes? Na construção da Ferrovia Norte-Sul, por exemplo.

Valor: Como a sra. responde à crítica de que as obras do programa não saíram do papel?

Dilma: É um absurdo falarem que o PAC está no papel. Só fala isso quem tem outras intenções. Nós já concluímos obras no valor de R$ 48,3 bilhões. Foram 270 ações concluídas, sendo que 124 totalizaram R$ 9,5 bilhões na área de logística e de infraestrutura social e urbana. Na área energética, foram 146 ações, totalizando R$ 38,8 bilhões. Eu queria lembrar que, quando começamos o PAC, havia ações sem projeto, outras sem licenciamento, outras sem projeto executivo. Tivemos que selecionar as obras. Podem nos questionar sobre se estamos fazendo certo ou não, mas é um absurdo dizer que não existe, que não produz efeitos…

Valor: E os atrasos? O TCU, por exemplo, se transformou em órgão consultivo das obras. O Ministério Público quer participar do processo, que é exclusivo do Poder Executivo.

Dilma: Já fizeram pior. ‘Ah, é do PAC? Então, aumenta a fiscalização.’ Há uma disputa política em cima do PAC. Nós conseguimos com o TCU uma parceria bastante pró-ativa. Nós dependemos deles. Eu tenho na Casa Civil um setor especializado em TCU.

Valor: O que a sra. acha da proposta do ex-diretor da Aneel Jerson Kelman, de fazer com que os relatórios de impacto ambiental de obras públicas passem a ser feitos pelo Ibama e que a decisão sobre os projetos seja do presidente da República, depois de ouvido o Conselho Nacional de Defesa?

Dilma: No dia em que fizermos isso, haverá um tiroteio contra nós que não vale a pena. Politicamente não é sustentável. Eu pergunto: como é que os ambientalistas justificam a entrada em funcionamento de 7 mil megawatts de energia térmica a óleo combustível? Que compromisso ambiental é esse que essa distorção ideológica em torno da hidrelétrica provoca? Para isso tem que ter um debate nacional. Qualquer usina térmica no Brasil é licenciada em apenas quatro meses. Não é admissível que uma hidrelétrica seja um samba-enredo. O pobre do Roberto Messias (presidente do Ibama) levou três ações de improbidade. O Kelman também sofreu uma (por ter sugerido ao Ibama que desse uma licença ambiental provisória para a construção da usina de Jirau, no rio Madeira).

Valor: O governo mudou a forma de concessão das rodovias, privilegiando a modicidade tarifária em vez da arrecadação da outorga. Por que fez isso?

Dilma: Fizemos nas rodovias o que já havíamos feito no setor de energia: criamos a concorrência. E, ao fazer isso, acabamos com a brincadeira da outorga, que é uma forma de tributação. O governo arrecada um recurso através da tarifa, o que é uma distorção, porque deveria tirar através de imposto. Quer fazer estrada, quer investir diretamente, deve tirar o recurso através de imposto, sem distorcer toda a infraestrutura do país, onerando-a. Porque essa é uma oneração que dura 20 anos. A concessão de rodovias não financia nada. O que ela faz é produzir estradas de qualidade através de novos investimentos. Nós concedemos estradas que precisam de novos investimentos. A manutenção de uma rodovia não é motivo, a não ser em um país quebrado, para se fazer concessão.

Valor: Qual é a vantagem efetiva do modelo escolhido pelo governo?

Dilma: Quando se comparam as tarifas médias dos pedágios de estradas licitadas pelo governo de São Paulo em 1997/1998 e pelo governo federal em 1996 com as tarifas das concessões feitas em 2007 e em 2009 pelo governo Lula, vê-se que elas estão num patamar três ou quatro vezes maior.

Valor: Por quê?

Dilma: Por causa da cobrança de outorga. Além disso, na licitação de São Paulo em 1997 e 1998 e na do governo federal em 1996, os ganhadores das licitações só faziam manutenção, ou seja, não duplicavam, não faziam nada de investimento. Acho que tem uma justificativa para eles terem feito uma coisa dessas, que era a crise (fiscal). Só acho que não dá para fazer da necessidade uma virtude. Isso não é virtuoso. Outorga é custo-Brasil durante 20 anos.

Valor: Como o governo pretende lidar com os casos em que as concessões não são exploradas pelos ganhadores das licitações?

Dilma: Informamos aos donos da Ferronorte (ALL, BNDES e fundos de pensão de empresas estatais) da possibilidade de caducidade da concessão para a construção e exploração da ferrovia entre Alto Araguaia e Rondonópolis, no Mato Grosso, com 260 quilômetros de extensão. Agora, eles estão investindo. A partir de agora, quem tiver uma concessão do governo, em qualquer área, e não explorar vai perdê-la. O objetivo, claro, não é retomar a concessão. O governo vai exigir que haja a exploração.

04/02/2009 - 11:46h A crise e o investimento público

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Cristiano Romero – VALOR

Preocupado com o aprofundamento da crise econômica no Brasil, o governo Lula anuncia hoje medidas para ampliar o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). O plano é elevar em cerca de R$ 100 bilhões, neste e no próximo ano, os investimentos do setor público no programa, incluídos nessa conta os recursos de empresas estatais, como a Petrobras e a Eletrobrás. Um dos setores que mais receberão atenção nesta nova fase do PAC é o ferroviário.

Por meio de concessões ao setor privado, o governo pretende licitar a construção de novas ferrovias e também de trechos de ferrovias existentes ou em construção. Um exemplo é a ligação da Ferrovia Norte-Sul entre Anápolis (GO) e Panorama (SP). Outro projeto prevê a construção de uma ferrovia entre Ilhéus (BA) e o Estado de Tocantins – a chamada Ferrovia Leste-Oeste – e de uma outra de lá até Rondônia, cujo objetivo é fazer a ligação do Brasil com o Oceano Pacífico, porta de saída das exportações ao continente asiático.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, deve anunciar hoje uma mudança importante no modelo de concessão. A ideia é que os ganhadores de concessões no setor ferroviário sejam obrigados a investir num determinado prazo, do contrário, perderão a permissão. Hoje, não existe a obrigatoriedade. Assessores do governo informaram que a nova regra valerá também para os casos antigos, de empresas que receberam a concessão de um serviço, mas cruzaram os braços.

“Vamos acabar com essa história da empresa que ganha uma concessão apenas com o objetivo de que seu concorrente não possa explorá-la”, disse um ministro do núcleo decisório do governo em Brasília. Um exemplo de concessão não-explorada, mas já superado, segundo o governo, é o da Ferrovia Transnordestina, a cargo da Companhia Ferroviária do Nordeste, uma subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). “Agora, quem quiser uma concessão será obrigado a explorá-la.”

Ainda no setor ferroviário, a menina dos olhos do governo é o trem de alta velocidade que deverá ser construído entre o aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), e o Rio de Janeiro. A obra será incluída hoje no PAC. Como o governo vai promover uma licitação internacional e exigir transferência de tecnologia, o plano é criar o Instituto Ferroviário, uma pequena estatal voltada para a administração dessa tecnologia e a elaboração do planejamento estratégico do setor, a exemplo do que faz a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) no setor elétrico.

Há uma explicação óbvia para o esforço do governo em aumentar os investimentos públicos. Os investimentos do setor privado, que vinham crescendo, antes da crise, a uma velocidade 2,5 vezes superior à do Produto Interno Bruto (PIB), estão evaporando. Os dados da produção industrial divulgados ontem pelo IBGE mostram que a categoria de uso que mais caiu em dezembro foi a de bens de capital (máquinas e equipamentos) – 22,2% em relação a dezembro de 2007 (resultado já dessazonalizado).

As empresas, portanto, pisaram no freio no que diz respeito à compra de máquinas para sustentar a expansão da produção. Os números do último trimestre de 2008, justamente a fase mais aguda da crise, até agora, para o Brasil, vão certamente mostrar forte recuo da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), o indicador que mede a taxa de investimento da economia.

Para se ter uma ideia, no terceiro trimestre do ano passado, a FBCF expandiu 19,69% em relação ao mesmo período de 2007, levando a taxa de investimento nominal a 20,42% do PIB. É verdade que, como a economia vinha crescendo de forma acelerada – entre julho e setembro passados, avançou 6,8% em termos anualizados -, as empresas estão agora desovando estoques, num processo que pode levar alguns meses ainda para ser concluído – quando isso acontecer, presume-se que a produção volte a crescer, embora não nos níveis anteriores ao da crise.

Não é à toa, portanto, que o governo conte com a Petrobras para alavancar investimentos no setor produtivo. Em 2007, a Petrobras respondeu, sozinha, por 9% da Formação Bruta de Capital Fixo do país. Neste ano, com os US$ 28,6 bilhões (cerca de R$ 66,3 bilhões) em novas aplicações já anunciados, a estatal deverá aumentar a sua proporção na FBCF, uma vez que o setor privado está retraído.

De sua parte, o governo quer ampliar, em 2009, os investimentos da administração direta. Em 2008, o PAC (excluído o dinheiro de estatais e empresas privadas) representou apenas 24% do investimento pago pela União, em meio a um total que chegou a 0,9% do PIB (cerca de R$ 27 bilhões). A meta, agora, é elevar esse valor para pelo menos 1,2% do PIB. Já a Petrobras investiu, no último ano, o equivalente a 1,1% do PIB e pretende aumentar sua fatia neste ano para algo em torno de 2% do PIB.

O esforço do governo para ampliar os investimentos, desde mantendo o curso da responsabilidade fiscal, é louvável. Por causa da crise, Brasília tomou a si a responsabilidade de fazer os investimentos para manter a economia crescendo. O problema é que o governo, qualquer governo, não tem as condições operacionais para fazer muito mais do que já se tem feito.

Estima-se que uma obra pública de infra-estrutura leva, na melhor das hipóteses, ou seja, quando não enfrenta nenhum óbice de natureza judicial ou administrativa, 33 meses para sair do papel. Quando se acrescenta a isso o tempo de execução do projeto, fica claríssimo que não se trata de um prazo razoável – para ficar num exemplo, a usina hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira, deve consumir dez anos desde a concepção até a conclusão da obra.

Hoje em dia, há interferências de toda ordem nas decisões de investimento do Poder Executivo. Entidades, como o Tribunal de Contas de União, que deveriam analisar os projetos após a execução, se transformaram em órgãos consultivos. Isto, evidentemente, atrasa as obras, quando não as bloqueia. Embora tenha o mérito de ser um projeto que estrutura a logística do país, o PAC é marcado pela lentidão, e o país tem pressa.

Cristiano Romero é repórter especial e escreve às quartas-feiras.

E-mail cristiano.romero@valor.com.br

26/01/2009 - 10:41h Caixa deve aumentar para até R$ 600 mil crédito para imóvel

Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR

O pacote de medidas na área habitacional que o governo deverá anunciar esta semana, em mais uma tentativa de minorar os efeitos da crise financeira internacional, terá como sua linha mestra duas ações: a ampliação do crédito para financiar imóveis para as classes média e média alta e a concessão de subsídios para a construção de moradias à classe de baixa renda (até cinco salários mínimos). Com o pacote, a Caixa Econômica Federal (CEF) passará a financiar imóveis, com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), avaliados em até R$ 500 mil ou R$ 600 mil – atualmente, o limite é R$ 350 mil.

O conjunto de medidas tem como objetivo, além de aumentar a oferta de imóveis no setor, que responde por 17% da mão-de-obra total do país e aproximadamente 10% do Produto Interno Bruto (PIB), reduzir os juros cobrados pelos bancos e dar estímulos para a iniciativa privada investir em obras de infra-estrutura, como saneamento básico.

A decisão de elevar para R$ 500 mil a R$ 600 mil o preço máximo dos imóveis que poderão ser financiados pela Caixa Econômica Federal contraria os secretários de habitação estaduais, que defendem a manutenção do limite atual de R$ 350 mil , alegando que, assim, sobram mais recursos para as “habitações de interesse social”. Mas o governo quer trazer também para esse programa a classe média e a chamada classe média alta que, ao buscar imóveis mais caros, contrairá financiamentos de longo prazo, ajudando a estimular a economia. Isto aumentaria ainda a concorrência entre os bancos públicos e privados e, desta forma, contribuiria para a redução dos “spreads” bancários, uma das obsessões do governo federal nestes tempos de crise econômica internacional.

Esse será mais um capítulo na briga do governo para que os bancos públicos baixem os juros. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se na quinta-feira com os presidentes do Banco do Brasil, CEF, BNDES, Banco da Amazônia (Basa) e Banco do Nordeste (BNB). Foi duro quanto à missão das instituições públicas em liderar a redução dos spreads. Dados do Banco Central apresentados no encontro mostraram que o BB, por exemplo, cobra um um spread entre 25% e 30% nos empréstimos habitacionais. “Fizemos a nossa parte reduzindo a Selic (em um ponto percentual), e vocês?”, cobrou o representante do Banco Central durante o tenso encontro com o presidente Lula.

O pacote habitacional também vai elevar, de 80% para 100%, o valor dos imóveis financiados. Esta medida é apoiada pelos bancos privados e pela equipe econômica, mas enfrentava resistências enormes da Caixa Econômica Federal. Durante as diversas reuniões para definir os pontos do pacote, integrantes da CEF defendiam que, se alguma mudança no formato de financiamento fosse adotada, o melhor seria alongar o prazo. Hoje, o limite máximo é de 30 anos. A proposta é aumentar para 40 ou 50 anos.

As opiniões contrárias afirmam que um financiamento com um prazo muito longo desestimularia a adimplência dos mutuários. A CEF apresentou, então, dados mostrando que a inadimplência ocorre com maior freqüência nos primeiros cinco anos dos financiamentos e que, posteriormente, ela se torna praticamente residual. Por isso, não está descartado que o prazo dos financiamentos também seja alongado. Mas há uma expectativa de que isso não seja anunciado no dia da divulgação do pacote. A intenção do governo é estimular o aumento dos prazos, mas por meio de crédito consignado, que dá mais segurança quanto à quitação dos empréstimos.

Se o governo está querendo estimular a participação da classe média na compra de imóveis, também vai mudar radicalmente as regras para financiamento de casas populares, atendendo a população que recebe até cinco salários mínimos. No modelo atual, uma parte do custo de uma casa popular é arcado pelo governo federal (com recursos do FGTS), outra por Estados e municípios (que cuidam de cessão de terrenos e obras de infra-estrutura, como saneamento básico). Uma terceira parte é de responsabilidade dos compradores.

Uma casa de R$ 12 mil, por exemplo, tem a seguinte composição financeira: R$ 7,5 mil são subsidiados com verbas da União, R$ 1,5 mil com recursos de Estados e municípios e o restante, com dinheiro do comprador. Agora, 100% do valor do imóvel será financiado pela União e caberá à iniciativa privada dar o terreno e fazer as obras de saneamento. Além de estimular o setor, os investidores privados ficam livres da burocracia de licitação para iniciar suas obras, já que antes eles dependiam de parcerias com prefeituras e governos estaduais.

O plano de habitação também vai criar um Fundo Garantidor, com recursos do Tesouro Nacional, para suprir eventuais inadimplências de financiamentos contraídos pelas camadas mais carentes da população. Isso eliminará a preocupação do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), Paulo Simão, de que o seguro feito pela Caixa Econômica Federal para evitar perdas encareça o preço final do produto e desestimule o consumidor.

O montante dos recursos destinados ao fundo ainda não está definido, mas ele poderá ser integrado por recursos do Fundo Soberano, criado recentemente, ou do superávit primário.

O Fundo Garantidor também poderá cobrir gastos com financiamento para a aquisição de materiais de construção. Está quase certa também a redução do IPI para esses produtos, nos moldes da desoneração que beneficiou o setor automotivo.

26/01/2009 - 09:37h Cortes nos orçamentos estaduais podem não ser necessários. A União e a maioria dos Estados aguardará os resultados do primeiro trimestre

Reproduzo a seguir dois artigos do caderno Dinheiro, da Folha de São Paulo, com dados importantes para o acompanhamento do desdobramento no Brasil da crise econômica internacional.

Como indica o artigo “O governo federal quer que os Estados mantenham o ritmo de investimentos para evitar um impacto ainda maior da crise na economia”.

Manter o ritmo de investimentos é possível porque para vários e importantes Estados a arrecadação não foi afectada e para alguns até tem crescido. Como registram os artigos da Folha, em São Paulo, de acordo com números do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), a arrecadação do ICMS está mais alta que em 2007: “Naquele ano, o Estado recebeu R$63,2 bilhões do tributo. Até novembro, já acumulava R$69,6 bilhões”. Mesmo se o ritmo do crescimento da arrecadação tem diminuído nos últimos meses, ela cresceu de 10% em novembro 2008 em relação ao mesmo mês de 2007.

Com os repasses da União aos Estados acontece algo semelhante. Elas tem crescido de 13% em 2008, em comparação com 2007, mas oscilaram para baixo em 1% no mês de dezembro quando comparada com dezembro de 2007, mesmo se aumentaram em relação a novembro de 2008.

A maioria dos Estados deve esperar o fim do primeiro trimestre para definir os ajustes no orçamento de 2009, diz a Folha, o que me parece uma atitude responsável pois “a expectativa é que a economia melhore a partir de abril e não seja necessário rever as despesas” segundo a ótica das Secretarias estaduais de fazenda. “O secretário da Fazenda de Minas, Simão Cirineu, explica que a receita prevista no Orçamento estadual deve aumentar 7% em relação a 2008, chegando a R$ 23,6 bilhões. Se a economia crescer cerca de 2% e a inflação não passar de 5%, o secretário diz que a meta será cumprida.”

A União também procede a uma avaliação no primeiro trimestre antes de tomar medidas de ajustes orçamentários, segundo declarações de Paulo Bernardo reproduzidas no jornal O Estado de São Paulo.

Estas precauções e o acompanhamento dos resultados nos primeiros meses serão essenciais para agir, evitando que atitudes de panico provoquem um aprofundamento da crise (ver também Governador Serra, só com palavras não se criam empregos). LF

Novos cortes podem ocorrer no 2º trimestre

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Embora alguns governadores já tenha anunciado corte de gastos devido à crise, a maioria dos Estados deve esperar o fim do primeiro trimestre para definir os ajustes no orçamento de 2009.
As secretarias estaduais de Fazenda já fazem contas para saber quanto será necessário contingenciar, mas a expectativa é que a economia melhore a partir de abril e não seja necessário rever as despesas.
O secretário da Fazenda de Minas, Simão Cirineu, explica que a receita prevista no Orçamento estadual deve aumentar 7% em relação a 2008, chegando a R$ 23,6 bilhões. Se a economia crescer cerca de 2% e a inflação não passar de 5%, o secretário diz que a meta será cumprida.
No Rio Grande do Sul, as despesas de custeio serão contingenciadas em R$ 120 milhões no início do ano. “Preservaremos os recursos de investimento e, se a arrecadação melhorar, liberaremos o custeio no segundo semestre”, diz Ricardo Englert, secretário da Fazenda.
O secretário Joaquim Levy, do Rio de Janeiro, estima os cortes necessários em R$ 500 milhões mas avisa que “pode ser bem mais”, dependendo da frustração ou não de receitas extraordinárias.
No começo do mês, o governo de São Paulo congelou, por decreto, R$ 1,569 bilhão de suas despesas. Na Bahia, a expectativa é de um primeiro trimestre ruim na arrecadação.

Arrecadação com o ICMS cai 3,7%

Receita do principal tributo estadual recuou de R$ 19,7 bi em outubro para R$ 19 bi em novembro

Repasses da União tiveram queda de 1% em dezembro de 2008 sobre igual período de 2007; Rio prepara corte de R$ 500 mi no orçamento

LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A crise financeira internacional chegou ao caixa dos Estados. A arrecadação do ICMS, principal tributo estadual, caiu 3,7% -de R$ 19,727 bilhões em outubro para R$ 19,007 bilhões no mês de novembro.
Os repasses constitucionais feitos pela União, outra fonte importante de recursos, ainda registraram crescimento em dezembro -5,2% em relação a novembro. Mas, quando comparados a dezembro de 2007, há uma queda de quase 1%, o pior resultado do ano.
E os dados preliminares do ICMS de dezembro e janeiro não são animadores. Na Bahia, o imposto caiu cerca de 10% em relação a janeiro de 2008. Em Minas Gerais, o recolhimento em dezembro foi 3% inferior a novembro. No Rio de Janeiro, o corte no orçamento será superior a R$ 500 milhões. No Rio Grande do Sul, as metas de arrecadação não foram alcançadas pela primeira vez no ano em dezembro.
“O Rio de Janeiro abastece alguns insumos para a indústria automotiva e se ressentiu um pouco [da queda nas vendas do setor]. Vamos continuar observando o comportamento da economia. É possível que façamos alguns contingenciamentos”, afirma o secretário da Fazenda, Joaquim Levy.
“A crise está chegando. A arrecadação perdeu fôlego nos últimos meses. Já vimos reflexos na indústria do Estado, especialmente de mineração e automóveis. No comércio, é possível que chegue em janeiro”, diz o secretário de Fazenda de Minas Gerais, Simão Cirineu.
Na quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne-se com os governadores das regiões Norte e Nordeste, os mais afetados pela queda nos repasses da União. O governo federal quer que os Estados mantenham o ritmo de investimentos para evitar um impacto ainda maior da crise na economia.
“Ainda é cedo para saber a magnitude da perda na arrecadação, mas o cenário de recuperação dos investimentos dos Estados nos próximos dois anos não deve se confirmar”, diz o economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Marcelo Piancastelli, que renegociou a dívida dos Estados quando era secretário-adjunto do Tesouro Nacional.
Em São Paulo, de acordo com números do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), a arrecadação do ICMS caiu 12,9% em novembro em relação a outubro, mas ainda continuava mais alta do que em 2007. Naquele ano, o Estado recebeu R$ 63,2 bilhões do tributo. Até novembro, já acumulava R$ 69,6 bilhões.

Desaceleração
A queda no ritmo de crescimento das receitas estaduais também se confirma quando a comparação é feita com 2007. O recolhimento do ICMS no ano passado, por exemplo, aumentava em média 16% a cada mês na comparação com os mesmos períodos de 2007. Em novembro, a taxa de crescimento da arrecadação foi a mais baixa de todo o ano: 10% sobre o mesmo mês de 2007.
Apesar de ser um crescimento ainda considerável, essa taxa mostra a velocidade com que os Estados estão sendo afetados.
“Perdemos R$ 40 milhões de arrecadação no setor petroquímico e outros R$ 7 milhões no setor atacadista em dezembro. O comércio está queimando estoque e não compra. Além disso, não houve aumento na demanda de matéria-prima no setor petroquímico, o que para uma cadeia produtiva que responde por 25% do ICMS aqui”, afirma o coordenador de tributação da Secretaria de Fazenda da Bahia, Luis Henrique Alexandre.

Repasses
Os repasses feitos pela União foram ainda mais afetados nessa comparação. As transferências aumentavam num ritmo de 13% em relação a 2007. Mas em dezembro de 2008 houve queda de quase 1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o pior resultado do ano. Ou seja, os Estados receberam menos em dezembro de 2008 do que haviam levado em dezembro de 2007.
“Vamos ter que acabar compensando a queda nos repasses com receita própria”, diz o secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul, Ricardo Englert. O Estado esperava receber R$ 1,2 bilhão neste ano, mas já estima uma diminuição de R$ 100 milhões.
No Rio Grande do Sul, o sintoma mais claro da crise foi no aumento das empresas que declaram dever ICMS ao Estado, mas não fazem o recolhimento.
Em setembro do ano passado, antes da crise, de cada 100 declarantes, 3,9 não pagavam o imposto. Em dezembro, o percentual dos inadimplentes já havia subido para 5%.
Além de perder com o desaquecimento da economia, que reduzirá o IR (Imposto de Renda), uma das fontes dos repasses aos Estados, os governadores também terão que arcar com parte das desonerações tributárias que a União fez.
As reduções de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), uma das medidas mais importantes para beneficiar o setor automotivo, reduzem o valor do Fundo de Participação dos Estados, que é composto também por esse tributo.
O secretário de Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo, por meio da assessoria, disse que só falaria sobre o desempenho da arrecadação do Estado após receber os dados do recolhimento setorial do ICMS, cuja divulgação acontece nesta semana.

19/01/2009 - 13:52h Na crise, classes D e E terão o maior ganho real na renda

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Cibelle Bouças – VALOR, de São Paulo

As classes D e E terão em 2009 ganho real mais expressivo na massa de rendimentos que as demais classes, aponta estudo realizado pela LCA Consultores. Pelo cálculo, baseado nos dados de renda média real individual relativos a outubro divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as classes D e E terão em 2009 incremento real de 7,8% – o maior entre as classes e superior em um ponto percentual ao ganho obtido no ano passado.

A classe C terá crescimento menor, de 4,7%, que também é inferior aos 5,5% de aumento real obtidos em 2008. As classes A e B terão o incremento mais baixo, de 3,4%, também abaixo do ganho real obtido no ano passado (4,9%). Na média, a massa real de rendimentos no país terá crescimento de 4,5% em 2009, ante 5,4% em 2008.

A massa real de rendimentos é calculada a partir do número de trabalhadores empregados e do seu ganho mensal. A LCA considerou como parte das classes D e E o trabalhador com ganho mensal médio de R$ 430; para a classe C, renda mensal per capita média de R$ 725 e, para as classes A e B, renda individual de R$ 2.113 ao mês. “As classes D e E têm uma renda muito próxima à do salário mínimo, por isso ela terá crescimento superior ao das demais classes”, afirma o economista responsável pelo estudo, Fábio Romão.

A previsão para este ano é de que o salário mínimo seja reajustado em 12%, para R$ 465, considerando o PIB de 2007 (que cresceu 5,7%) e a inflação acumulada em 12 meses até fevereiro. O aumento acima da inflação é superior ao obtido no ano passado, de 3,6%. Outro ponto favorável é a previsão de inflação de alimentos mais baixa, estimada em 5,5%, contra 11,1% em 2008. “A inflação de alimentos tem impacto mais forte sobre a renda das classes D e E, que comprometem mais o seu ganho mensal com esse grupo de produtos.”

Romão diz ainda que os trabalhadores das classes D e E sofrerão menos o impacto do desaquecimento da economia por se concentrarem nos setores de comércio e serviços, que apresentam uma desaceleração mais suave que os setores da indústria e da construção civil. Já no caso das classes A, B e C, o principal fator responsável pelo menor aumento na renda é a queda no nível do emprego formal, que tem afetado sobretudo o setor industrial. “O emprego industrial é o primeiro a sofrer os efeitos da crise e é o setor que concentra as classes A, B e C em função dos salários mais altos”, observa. Outro segmento em que se situam essas classes é o financeiro, que já vinha reduzindo vagas de trabalho com as fusões e aquisições.

Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), prevê cenários diferenciados para as regiões. “Regiões agrícolas circunscritas à agricultura familiar não sofrerão tanto os efeitos da crise internacional como as áreas voltadas à agricultura comercial. Regiões que dependem fortemente de previdência e transferência de renda intragovernamental também tendem a ser menos afetadas”, afirma.

Famílias cujos membros trabalham no setor privado também sofrerão impacto mais forte da crise, diz. “Tudo indica que as decisões de investimento de governos no plano do desenvolvimento produtivo não devem ser afetadas. A manutenção do nível de emprego no país ficará mais ligada a decisões de investimento público, principalmente as decorrentes do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]“, afirma. Para Pochmann, se o efeito da crise externa sobre a economia brasileira for apenas um crescimento mais fraco do PIB, ainda assim a expansão do nível de emprego formal não será suficiente para atender ao aumento de pessoas que entram no mercado de trabalho. “Os mais jovens também terão mais dificuldades de se empregar no próximo ano” diz.

No plano regional, Pochmann estima que as regiões Nordeste e Norte terão a renda menos afetada pela crise que as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. A maioria das empresas exportadoras, tanto de manufaturados como de commodities, está sediada no centro-sul, por isso a dificuldade de exportar já provoca um processo de cortes de mão-de-obra, diz. “O real desvalorizado vai estimular mais o turismo no país e menos o turismo no exterior, o que também terá um impacto positivo para o Nordeste”, acrescenta.

18/01/2009 - 11:14h Lula quer lançar Dilma já em 2009 para fazer alianças

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KENNEDY ALENCAR colunista da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dito a ministros, aliados e petistas que deseja lançar publicamente até o final deste ano a candidatura ao Palácio do Planalto da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. A eleição presidencial acontecerá em outubro de 2010.

Legalmente, o PT deve esperar até junho de 2010, o mês para realização das convenções partidárias que oficializam as candidaturas. Mas Lula pretende ganhar um semestre para articular alianças.

O raciocínio do presidente é o seguinte: o PT deve terminar 2009 ungindo Dilma como candidata. O presidente tem até data: durante as eleições internas petistas marcadas para o final de novembro deste ano.

Na sequência, Lula acha que o PT deve buscar uma ampla aliança com PMDB, PSB e a penca de outras legendas que sustentam seu governo no Congresso.

Se o partido ficar esperando até junho de 2010, Lula avalia que será mais complicado viabilizar a aliança para uma candidatura única das atuais forças governistas.

O presidente insiste na tese da candidatura única para fazer disputa plebiscitária com a oposição na campanha de 2010. Crê que mais de um candidato do campo lulista inibirá sua ação a favor de sua favorita.

A primeira opção do Planalto é por um entendimento com o PMDB. Lula e Dilma gostariam que o governador do Rio, Sérgio Cabral, fosse o candidato a vice da ministra. No entanto, ele já disse a Lula e a Dilma que deseja tentar a reeleição no Rio e sugeriu um nome do Nordeste: o atual ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima.

Caso não consiga a aliança com o PMDB, partido dividido e também cortejado pelo PSDB para a disputa presidencial, o PT deveria tentar um acordo com o PSB. O deputado federal Ciro Gomes (CE) ou o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, seriam opções de vices nordestinos para a mineira Dilma que fez carreira política no Rio Grande do Sul.

Mas Ciro ainda não desistiu de ser candidato, apesar de seu caminho ficar mais estreito a cada dia. Campos tem a alternativa de concorrer à reeleição.

*

8 anos para mudar o Rio

O governador Cabral acha que precisa governar o Rio por oito anos para se credenciar a voos mais altos. Ele começou a implementar uma política de ocupação “social” de favelas para enfrentar o crime organizado. Se o projeto pegar e se ampliar significativamente num eventual segundo mandato, ele se credenciaria para tais voos.

*

Paixãozinha

Dilma e auxiliares chamam o ministro Geddel de “paixãozinha”. O relacionamento entre eles é muito bom. Lula gosta do desempenho administrativo do peemedebista e criou com ele uma relação pessoal boa, apesar das críticas duras de Geddel ao presidente no primeiro mandato.

Na avaliação do Palácio do Planalto, a eventual indicação de Geddel para vice de Dilma mataria três coelhos com uma cajadada.

Daria a ela um vice peemedebista do maior Estado do Nordeste. Diminuiria a chance de o partido fechar oficialmente com os governadores tucanos José Serra (SP) ou Aécio Neves (MG), ambos potenciais candidatos em 2010. E resolveria a briga entre PT e PMDB na Bahia, facilitando a candidatura à reeleição do governador petista Jaques Wagner.

Kennedy Alencar, 41, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre bastidores do poder, aos domingos. É comentarista do telejornal “RedeTVNews”, de segunda a sábado às 21h10, e apresentador do programa de entrevistas “É Notícia”, aos domingos à meia-noite.

E-mail: kalencar@folhasp.com.br

12/01/2009 - 09:17h Programa de aids começa a estagnar

Na opinião de especialistas, epidemia tem novas características que exigem mudança, principalmente na prevenção

Lígia Formenti, BRASÍLIA – O Estado SP

Após sucessivos elogios recebidos no cenário internacional, o Programa Nacional de DST-Aids começa a dar sinais de estagnação. Indicadores importantes, como número de casos novos e taxa de mortalidade, praticamente não mudaram nos últimos cinco anos. Os índices de transmissão da mãe para o bebê durante a gravidez caíram, mas não como era esperado pelo próprio governo.

Além disso, com o aumento de casos no Norte e Nordeste entre homossexuais jovens e pessoas com mais de 50 anos, a epidemia adquiriu novas características, o que exige mudança na forma de atuação, principalmente na área de prevenção.

“O quadro é bastante preocupante, mas o que vemos é apenas comemoração”, afirma Mário Scheffer, da organização não-governamental Pela Vidda. Todos os dias , 97 pessoas se contaminam com o HIV, vírus da aids, e outras 30 morrem por causa da doença. “É como se um ônibus caísse do despenhadeiro diariamente e ninguém se importasse.”

Para Scheffer, os números estampam a necessidade de o programa fazer uma autocrítica, perceber o que não está dando certo e, nessas áreas, mudar a estratégia. “Mas o que vemos é o oposto. Há uma percepção coletiva de que tudo está maravilhoso, que temos o maior programa do mundo. Estamos vivendo de sofismas, não da realidade.”

O pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Alexandre Grangeiro diz que os dados divulgados no último boletim, em novembro, estampam uma lista de desafios que precisam ser enfrentados. Grangeiro, que já foi coordenador do programa nacional, observa que o País hoje apresenta não uma, mas várias epidemias de aids. Nas Regiões Sudeste, Sul e na faixa litorânea, há uma epidemia mais antiga e estabilizada, com queda do número de soropositivos usuários de drogas e um aumento dos casos entre gays jovens. No Norte e Nordeste, existe uma epidemia bem mais recente, formada principalmente por transmissão heterossexual. “Isso exige a adoção de estratégias diferenciadas na prevenção e na melhoria da qualidade do atendimento.”

O que preocupa nos Estados do Norte é a combinação de alguns fatores – menor tendência ao uso de preservativos, iniciação sexual precoce, menos interesse pelo teste para detectar o HIV. Todas características que dificultam a prevenção e o acesso mais rápido ao tratamento. Talvez por isso a Região Norte apresente uma tendência de aumento nos índices de mortalidade. “Com a interiorização da aids, o País enfrenta outro problema, que é a desigualdade na qualidade dos serviços, a dificuldade no acesso ao tratamento. Isso precisa ser solucionado”, avalia a coordenadora da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Cristina Pimenta.

Grangeiro aponta ainda outros dois pontos que precisam ser melhorados: quantidade de pessoas testadas para o HIV e o acesso a tratamento para gestantes contaminadas. “Muito se fala que a aids somente será controlada com a vacina. No caso das gestantes, o tratamento existente é uma forma de vacina, algo que previne a infecção do feto em quase 98% dos casos. Mesmo assim, o País continua registrando, todos os anos, uma triste marca de contaminações em bebês.”

O pesquisador da USP acredita que os maiores desafios estão em áreas que dependem de ações governamentais gerais. “Sem infraestrutura adequada nos serviços, não há como garantir diagnóstico precoce. Sem pré-natal de qualidade, não há como se certificar de que a gestante não é portadora do vírus, não há como ofertar tratamento adequado antiaids para o bebê. A qualidade das ações acaba esbarrando nos problemas gerais.”

PREVENÇÃO

A estimativa é de que 46% dos pacientes cheguem aos serviços em estágio adiantado da doença. Com isso, o efeito dos remédios antiaids será limitado. “Há muito o que melhorar nesta área”, diz Grangeiro. O infectologista Caio Rosenthal tem avaliação semelhante. “O programa melhorou muito, há avanços inegáveis. Mas em alguns pontos é possível avançar mais, como no diagnóstico precoce.” O infectologista Celso Ramos concorda: “É preciso mudar a cultura, tornar o teste mais disponível em toda a rede. “

10/12/2008 - 09:01h Massa salarial pode sustentar demanda das famílias

Rua 25 de março, em São Paulo

Ana Paula Grabois, do Rio – VALOR

O consumo das famílias subiu pela vigésima vez seguida no terceiro trimestre e atingiu nível igual ao maior já registrado na série do IBGE, de 7,3%, fortalecido pela massa salarial em alta e pelo crédito. “A massa salarial aumentou e afeta diretamente o consumo das famílias. Isso afeta o desempenho do PIB porque o consumo das famílias corresponde a pouco mais de 60% do PIB”, disse a gerente das Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis.

Na avaliação de economistas ouvidos pelo Valor, esse consumo deve sustentar o PIB de 2009. Se os investimentos devem diminuir sensivelmente pelo menos até o fim do primeiro semestre, o consumo de bens não duráveis e semi-duráveis, como alimentos, vestuário e remédios, ditará o crescimento da economia, ainda que em ritmo menor que o de 2008.

As projeções para a alta do PIB ano que vem giram em torno de 2% a 3%. “O que vai segurar a economia em 2009 serão os bens básicos”, disse o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. Os bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos, devem ter queda de vendas por conta do receio do consumidor de se endividar sem ter segurança da manutenção do emprego, avalia Vale.

Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, lembra que a massa salarial continuará reforçada pelo aumento real do salário mínimo no ano que vem, indexado ao PIB de 2007, de 5,7%. O mercado de trabalho, ainda que piore, não deve cortar vagas e sim reduzir o nível de contratações visto em 2007 e 2008. “O consumo das famílias vai segurar a economia e o reajuste do salário vai ser muito importante, principalmente no Norte e no Nordeste. E ainda tem as aposentadorias do INSS atreladas ao reajuste do salário mínimo. 2009 vai ser o ano do consumo básico, de bens essenciais e de mais baratos”, avalia.

O consumo do governo, que no terceiro trimestre acelerou-se para uma taxa de 6,4%, também deve contribuir de forma significativa para a manutenção do crescimento da economia em 2009, de acordo com os economistas da MB e da LCA. Sérgio Vale projeta para o próximo ano uma expansão de 4% do consumo, superior à sua expectativa para o PIB, de 2,8%. Para Bráulio Borges, o resultado do terceiro trimestre surpreendeu. “No primeiro trimestre se imaginava que o crescimento forte era por causa do calendário eleitoral, que impedia o comprometimento do Orçamento após o meio do ano. Mas as despesas de Estados e municípios seguiu acelerada e há sinais de que o governo continuará ajudando a aumentar a demanda agregada”, avaliou. Conforme o IBGE, o desempenho no trimestre passado foi influenciado também pelo aumento de obras públicas, entre as quais as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Do lado da oferta, a produção industrial se mantém como principal fonte de preocupação para o próximo ano. A MB estima para 2009 um crescimento da indústria de 2,4%, menos da metade da variação estimada para este ano (5,5%). Para o quarto trimestre deste ano, a produção industrial deve crescer 1,5% em comparação com igual intervalo de 2007; no terceiro trimestre, o aumento foi de 5,9%. “O crescimento com ajuste sazonal que foi de 0,8% no terceiro, vai se reverter em queda no quarto trimestre”, disse Vale. A LCA projeta queda de 1% em relação ao terceiro trimestre, e aumento de 3% sobre o quarto trimestre do ano passado.

Outro setor que deve sentir de forma forte o efeito da crise é o setor extrativo mineral, por conta da redução no ritmo de extração de minério e petróleo pela Vale e a Petrobras, diz o economista-chefe da MB. Ele estima que no quarto trimestre o setor crescerá 2,2%, após 7,8% no terceiro trimestre. Para 2009 a projeção é de 2,5%, ante 4,8% no ano fechado de 2008.

A área de serviços de intermediação financeira, que no terceiro trimestre cresceu 8,8%, também deve registrar desaceleração considerável, para 1,8% no último trimestre, também sob efeito da crise externa. Fernando Montero, economista-chefe da Convenção Corretora, prevê para o quarto trimestre um crescimento maior, de 5,7%. Ele ponderou que esse setor é influenciado pelo “momentum” e pode apresentar recuperação em 2009 com a retomada da concessão de financiamentos pelas instituições bancárias, caso os sinais de até onde a crise internacional pode chegar se tornem mais claros. (Colaborou CB)

05/12/2008 - 09:17h Para 67% dos brasileiros o país está melhor desde a eleição de Lula

País vai melhorar em 2009, diz brasileiro

Segundo Datafolha, 78% crêem que sua vida será melhor no ano que vem; 65% têm a mesma opinião positiva sobre situação do Brasil

72% afirmam ter tomado conhecimento da crise econômica mundial, mas apenas 14% responderam que estão bem informados

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CATIA SEABRA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Apesar da gravidade da crise mundial e do prenúncio de seus reflexos no país, o brasileiro está otimista quanto a 2009, revela o Datafolha. Segundo pesquisa realizada entre os dias 25 e 28 de novembro, 78% declaram que sua vida vai melhorar, enquanto apenas 3% afirmam que vai piorar, no ano que vem. Para 14%, a vida pessoal permanecerá como está.
A aposta em um ano novo melhor em comparação a 2008 chega a 82% nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Essa expectativa é de 75% na região Sul e de 74% no Sudeste.
Ainda segundo o Datafolha, 65% dos entrevistados declaram que a situação do Brasil vai melhorar, enquanto 22% afirmam que vai “ficar igual” em 2009. Só para 8% a situação do país vai piorar no ano que vem.
Para o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, “a crise não chegou à população”.
“A maioria dos brasileiros não está preocupada com a crise e se mantém otimista, com intenção de consumir neste Natal”, afirmou Paulino.
A confiança em um 2009 melhor na vida pessoal atinge 79% dos entrevistados com renda familiar mensal de até dois salários mínimos. Mas o grau de otimismo é dez pontos menor entre os com renda superior a dez mínimos por mês: 69%.
A pesquisa revela ainda que 78% dos entrevistados com renda de dois a cinco salários mínimos mensais acreditam que sua vida vai melhorar em 2009. Essa taxa é de 77% entre aqueles com faixa mensal de cinco a dez mínimos.
O otimismo é maior – 83% – entre os entrevistados de 16 a 24 anos e cai a 62% entre aqueles com mais de 60 anos.
Segundo o Datafolha, a vida do Brasil vai melhorar na opinião de 66% dos entrevistados com nível de escolaridade fundamental. Essa expectativa é de 65% entre aqueles com nível médio de ensino. Mas cai 11 pontos -para 54%- entre os brasileiros com nível superior.
“É a correlação direta com o acesso à informação. As pessoas mais bem informadas estão mais preocupadas”, avaliou Mauro Paulino.
A pesquisa mostra ainda que 60% dos brasileiros acreditam que sua situação econômica vai melhorar nos próximos meses. Há um ano, no fim de novembro de 2007, esse índice era de 54%. No fim de março deste ano, era 53%. Em oito meses, a taxa dos que acreditam numa situação econômica melhor subiu sete pontos.

Conhecimento
Questionados, 72% dos entrevistados afirmam ter tomado conhecimento da crise econômica mundial. Mas apenas 14% responderam estar bem informados, enquanto 18% se declararam mal informados. Quase a metade – 41% – disse que está “mais ou menos” informada sobre a crise.
Segundo o Datafolha, 42% dos entrevistados com renda mensal de até dois mínimos não tomaram conhecimento da crise. Esse índice é de somente 4% entre aqueles com mais de dez mínimos mensais e de 19% entre os entrevistados com renda familiar de dois a cinco mínimos por mês.
Ainda segundo o Datafolha, 48% dos brasileiros afirmam que sua vida melhorou desde a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto 43% afirmam que ficou igual. Somente 6% disseram que a vida piorou após a eleição de Lula.
Para 67% dos entrevistados o Brasil está melhor desde a eleição de Lula. Esse índice chega a 78% no Nordeste e a 71% nas regiões Norte e Centro-Oeste. No Sudeste, é de 62%, sendo de 57% no Sul.
Segundo a pesquisa, o país está igual para 24% e piorou na opinião de 6% dos brasileiros.
Para 56% dos moradores de São Paulo, o Brasil está melhor, enquanto 10% afirmam que piorou e 32% disseram que permanece como estava.
Ao fazerem um balanço de 2008, 59% dos entrevistados disseram que a vida melhorou em comparação ao ano passado. A vida ficou igual para 29% e piorou para 12%. O Datafolha ouviu 3.488 brasileiros.