15/08/2009 - 11:28h Para Meirelles, banco privado seguirá estatal e cortará juros

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Presidente do BC não vê sinais de taxas “insustentáveis” nos bancos públicos

Dirigente do Banco Central prevê normalização do crédito no país, com o arrefecimento da crise e a estabilização da economia

TONI SCIARRETTA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que os bancos privados terão de seguir as instituições públicas e reduzir as taxas de juros cobradas dos consumidores, se quiserem recuperar mercado no crédito. Na véspera, o ministro Guido Mantega havia afirmado que os bancos privados iriam “comer poeira” se não fizerem isso.
Para Meirelles, não há sinais de que as instituições públicas estejam trabalhando com taxas de juros “insustentáveis”, como afirmou o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal. “Isso refletiria claramente nos resultados [financeiros]. Existem mecanismos prudenciais de ajuste através dos sistemas de alocação de capital pelo volume, risco de crédito e constituição de provisões. Não temos avaliação [de problemas]“.
Meirelles afirmou que os bancos estatais tiveram um papel importante de estimular a economia, enquanto houve um movimento mundial de contração no crédito, aperto de liquidez e aumento de “spreads” (diferença entre o juro captado e o repassado ao consumidor).
“Eles [bancos públicos] estavam sendo beneficiados por mais depósitos devido à busca por segurança. Então, puderam exercer um papel, com segurança, na expansão do crédito e na queda gradual dos “spreads”. Com isso, ganharam mercado. É natural agora que o setor privado procure recuperar isso, voltando a competir com taxas e também com “spreads”.”
Segundo Meirelles, os bancos privados nunca tiveram dificuldade para competir com as instituições públicas no crédito no Brasil. “Isso aconteceu neste período. À medida que ocorra uma normalização, acredito que o setor privado deverá voltar não só a emprestar como captar, praticar custos competitivos e disputar fatias de mercado como sempre ocorreu nas últimas décadas”, disse.
A carteira de crédito dos bancos públicos cresceu 10,9% de janeiro a junho, segundo o Banco Central. No período, os bancos privados tiveram expansão de apenas 1,4% e as instituições estrangeiras, queda de 1,9% no saldo de empréstimos.
Para Meirelles, há sinais claros de recuperação no mercado de crédito, que ganha novo impulso por conta de um movimento conjuntural que vem com a saída da crise. O presidente do BC afirma que vê um segundo movimento, de caráter estrutural, que é consequência da estabilização da economia e que possibilitou ao país ter juros hoje de 8,75%.

15/08/2009 - 10:49h Empréstimo em banco público cresce 29,7%

Segundo estudo do Inepad, crédito em banco privado cresceu apenas 7,51% de agosto de 2008 a junho de 2009

GUSTAVO PORTO – O Estado SP

O volume mensal de crédito concedido pelos bancos públicos cresceu 29,7% entre agosto de 2008 e junho de 2009 no País, variação porcentual quase quatro vezes superior ao aumento de 7,51% do crédito liberado pelos bancos privados no período. Os dados constam no levantamento do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad), feito a partir de dados do Banco Central (BC) e obtido pela Agência Estado.

Em agosto do ano passado, mês anterior ao agravamento da crise mundial, os bancos públicos liberaram R$ 380,32 milhões em crédito, volume que cresceu em todos os meses seguintes, até atingir R$ 493,42 milhões em junho deste ano. Já o crédito concedido pelos bancos privados passou de R$ 729,7 milhões para R$ 784,83 milhões ao mês no período.

Ao contrário dos bancos públicos, a oferta dos privados recuou por dois meses seguidos, entre dezembro do ano passado e fevereiro de 2009. Já o volume total de crédito saltou 15,13%, de R$ 1,11 bilhão durante agosto no ano passado, para R$ 1,278 bilhão em junho deste ano.

Segundo o professor titular da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e coordenador do Inepad, Alberto Borges Matias, as ações tomadas pelo governo após a crise foram refletidas no levantamento e, curiosamente, contrariaram o padrão do mercado de crédito no País. “As ações do governo na crise seguiram o ritmo verificado apenas anteriormente do mercado internacional, com taxas baixas de juros e volume alto de crédito”, disse Matias.

INADIMPLÊNCIA

Para o economista, os bancos privados não aumentaram o crédito no mesmo ritmo pelo temor de inadimplência e “por não terem o mesmo fator de empreendimento que o governo teve durante a crise”, disse. “Com isso, vão perder mercado”, completou. E os dados apurados junto ao BC ratificam que a participação dos bancos privados no total de crédito oferecido no País caiu de 65,75%, em agosto de 2008, para 61,4%, em junho deste no. Já a fatia dos bancos públicos cresceu de 34,25% para 38,6% no período.

Matias avalia ainda que o temor em relação a inadimplência não é justificativa para que os bancos privados restrinjam o crédito. O levantamento do Inepad aponta que o porcentual dos que não honraram compromissos acima de 90 dias saiu de 5,3% em agosto do ano passado para 6,7% em junho deste ano, que por sua vez mostra estabilidade em relação a maio. “Além de não explodir como o esperado e de crescer pouco durante a crise, a inadimplência deu sinais que pode ter parado de aumentar, com os números iguais de maio e junho”, avaliou.

QUALIDADE

O Inepad analisou ainda a qualidade da dívida medida pela classificação de risco (rating) do total das operações de crédito no Brasil no período e concluiu que houve praticamente uma estabilidade. Apesar de haver uma redução de 24,58% para 20,27% nas dívidas classificadas como “AA”, as dívidas de rating “A” cresceram de 40,21% para 43,04% do total. Essas dívidas são dos credores completamente adimplentes, ou seja, sem nenhum dia de atraso.

O instituto avalia ainda que, de maneira geral, o movimento aponta uma pequena queda na qualidade de dívidas de crédito no País. O estudo conclui que mesmo em meio à crise e à volatilidade dos mercados globais, o Brasil sustentou o crédito.

15/08/2009 - 10:38h Bancos públicos retomam fatia na oferta de crédito

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FABRICIO VIEIRA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Os bancos públicos têm ampliado sua participação no total do crédito oferecido no país, conquistando importante fatia que há pouco tempo estava nas mãos das instituições privadas.
A participação dos bancos públicos no bolo total do crédito ofertado subiu de 34,5% em junho de 2008 para 38,6% no mesmo mês deste ano.
Enquanto a crise econômica levou os bancos privados a diminuir a oferta de crédito desde o último trimestre de 2008, os públicos, liderados pelo Banco do Brasil, ampliaram sua atuação no mercado.
A carteira das instituições financeiras ligadas ao governo aumentou 33,8% em 12 meses. Já a carteira dos bancos privados registrou elevação de apenas 12,3% no mesmo período.
Os dados foram levantados pelo Inepad (Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração), a partir de números computados pelo Banco Central.
“Diante do aperto feito pelos bancos privados na concessão de empréstimos após a crise, o governo empurrou o Banco do Brasil e a Caixa para fomentar o crédito. Quando há situações de risco e incertezas, como as vividas após setembro do ano passado, se o governo não operar, não há funcionamento adequado do sistema”, afirma Alberto Borges Matias, coordenador do Inepad.
Até o primeiro semestre de 2000, o setor público respondia por mais de 50% do mercado de crédito do país. Mas as privatizações e a contínua expansão do setor privado levou a participação do segmento público no total oferecido a recuar para 34% do total no fim de 2007, ficando em um de seus mais baixos níveis históricos.
“Os grandes bancos privados reclamaram e agora vão ter de correr atrás para recuperar espaço de novo”, afirmou Matias.

18/05/2009 - 10:44h “Conservadorismo” afetou lucro do BB


Entrevista: Presidente do banco diz que perda na rentabilidade decorre de “exagero” na restrição ao crédito


Ruy Baron / Valor

O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine: “Sempre acreditei que o principal componente do resultado é a intermediação financeira”

 Alex Ribeiro, de Brasília – VALOR

O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, afirma que a queda do lucro da instituição no primeiro trimestre é resultado de exagero na restrição de crédito e nas provisões para devedores duvidosos. “Veio um cenário de conservadorismo, consequência da crise”, afirma Bendine, em entrevista ao Valor. “Essa equação não ficou bem equilibrada.”

O lucro do BB no primeiro trimestre foi de R$ 1,655 bilhão, 12,9% menor que o mesmo período de 2008. Bendine pondera que essa cautela era natural, dado o ambiente de incerteza provocado pela crise financeira internacional. Mas diz que, a partir de maio, percebe-se a convergência da inadimplência a patamares mais próximo da normalidade, o que vai permitir que o banco amplie mais o crédito e recomponha a rentabilidade.

Bendine foi nomeado presidente do BB em abril porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava insatisfeito com a resistência do antigo titular do cargo, Antonio Francisco de Lima Neto, em reduzir spreads e ampliar o crédito em meio a um cenário econômico incerto.

A indicação de Bendine foi, no princípio, mal recebida pelo mercado financeiro, que receava ingerências políticas no BB. “Não tenho nem tive nenhum tipo de vinculação ou filiação partidária”, afirma Bendini, na entrevista. A seguir, os principais trechos.

Valor: A sua nomeação para a presidência do BB foi mal recebida pelo mercado. As ações do banco chegaram a cair 11%, embora tenham se recuperado. A que o sr. atribui essa repercussão?

Aldemir Bendine: Discordo que tenha sido mal recebida. Talvez tenha sido mal interpretada num primeiro momento. Nos dois primeiros dias, dada uma série de interpretações, que considero errôneas, houve queda nos preços das ações. A partir do terceiro dia, depois de eu ter feito uma conferência com os analistas de mercado, as ações têm se mantido em constante alta.

Valor: O mercado se preocupava com uma eventual politização do BB. O sr. tem vinculação com o PT?

Bendine: Nenhuma. Sou um funcionário com 30 anos de casa. Tenho uma carreira dentro do banco, com passagem nas mais importantes áreas. Subi os degraus naturalmente. Não tenho nem tive nenhum tipo de vinculação ou filiação partidária, nem agora nem ao longo de minha trajetória. É natural esse tipo de interpretação quando é feita a substituição no comando de uma empresa em que aproximadamente 70% do capital é do governo, em que o decreto de nomeação é do presidente da República. Mas não tenho vinculo partidário.

Valor: Outra preocupação é se o sr. vai se vincular mais aos interesses do governo do que aos dos acionistas, que esperam resultados.

Bendine: O que houve, na verdade, foi uma coincidência de visão e de postura. Sempre acreditei, ao longo de minha história no banco, que o principal componente do resultado é a intermediação financeira. O BB sempre foi um grande especialista em crédito. Para mim, a estratégia natural do banco é a alavancagem do crédito. Isso coincidiu com algumas interpretações (dentro do governo) de que o banco não vinha atuando de forma decisiva no crédito.

Valor: Haverá um compromisso formal de gestão com o governo?

Bendine: Não, não terá. De fato, assumi um compromisso com o ministro (da Fazenda, Guido Mantega), um compromisso moral de conduzir o banco para uma ação mais decisiva, mais pragmática.

Valor: Seria para reduzir os juros e o spread dos empréstimos?

Bendine: Não. Reduzir os juros e o spread é algo que já está dado, que faz parte de um processo econômico, das condições de mercado. Não é um processo exclusivo do BB e não se faz de forma artificial. Mas, ao aproveitar a nossa competitividade, que já existe, porque por tradição o BB pratica as menores taxas de juros do mercado, ao atuar de forma mais agressiva, vamos conquistar espaço, conquistar clientes. O movimento natural de defesa da concorrência é procurar se manter atrativo para manter os seus clientes. Então pode ser que, naturalmente, leve para uma redução do spread mais acelerada.

Valor: Ao mesmo tempo em que o sr. assumiu um compromisso com o governo de destravar o crédito, também assumiu com o acionista minoritário o compromisso de manter a rentabilidade. Como conciliar esses dois objetivos aparentemente conflitantes?

Bendine: Não acho conflitantes, acho convergentes. Quando você tem uma condição de queda do spread dada ao longo do tempo, a única forma para compensar a sua rentabilidade na intermediação financeira é com o aumento do volume de negócios. Há ainda espaço para crescer em áreas onde o banco não tem um volume compatível com o seu tamanho. Temos áreas novas para explorar e trazer resultado, notadamente no financiamento de veículos, financiamento imobiliário, cartões de crédito e, principalmente, seguridade.

Valor: Mas a redução da rentabilidade é um fato concreto. O resultado recorrente passou das casa dos 25% em 2008 para 19% em 2009, o que é o limite inferior da meta para o ano, definida entre 19% e 22%. Haveria espaço para continuar reduzindo o spread?

Bendine: A redução do spread foi dada, aconteceu, mas numa velocidade e num volume superior ao crescimento da carteira de crédito. A carteira de crédito não cresceu na mesma proporção.

Valor: Por quê?

Bendine: Veio um cenário de conservadorismo, consequência da crise. Essa equação não ficou bem equilibrada. A queda de spread não foi proporcional ao crescimento de crédito.

Valor: A restrição do crédito foi uma decisão gerencial equivocada?

Bendine: Era uma tendência natural, dada a crise, quando você tinha um ambiente de incerteza. Considerando que temos para frente um cenário macroeconômico com clareza um pouco maior, em que a gente enxerga que o país não está em uma situação tão agravada como se imaginava no início da crise, a gente vê uma possibilidade de evolução do crédito em uma velocidade muito maior do que a do primeiro trimestre. Notadamente, a partir de maio.

Valor: O resultado também foi afetado pelas provisões. O que houve?

Bendine: Talvez a gente não conseguiu, e isso vale para todo o mercado, e o BB especificamente, lidar com algumas questões que tiveram um impacto muito maior. Teve um leve descolamento da inadimplência, em função de um cenário de incerteza na economia, teve que trabalhar com um cenário de maior provisionamento.

Valor: Mas o que aconteceu com as provisões? A avaliação se mostrou equivocada?

Bendine: Foi um pouco de insegurança do ponto de vista do consumidor, em relação cenário de manutenção de emprego e renda. Mas o BB tradicionalmente tem a menor taxa de inadimplência do mercado e isso foi mantido. Inclusive esse descolamento (alta da taxa de inadimplência) no BB foi menor do que no mercado. O que a gente percebe é que voltou a um patamar mais próximo de normalidade.

Valor: O nível de provisionamento se mostrou exagerado para o cenário que houve mais tarde?

Bendine: Talvez um pouco.

Valor: Isso também teria afetado o resultado?

Bendine: Afetou, na medida em que você faz um provisionamento maior em relação a isso.

Valor: Como avançar no crédito sem abrir mão da segurança na avaliação de risco?

Bendine: Nossa técnica bancária e nossas regras na concessão de crédito estão mantidas e são rígidas. O que a gente vê como oportunidade não é alavancar crédito com empresas que já são tradicionalmente clientes. A gente vê espaço para buscar novos clientes que talvez não estejam tendo um atendimento que eles imaginam necessário para suas atividades.

Valor: O BB entrou no programa do governo “Minha Casa, Minha Vida”, que tem uma ênfase em baixa renda. Isso significa que o BB vai operar no segmento com menor margem sem ainda ter adquirido larga experiência no crédito imobiliário. Não seria uma estratégia perigosa?

Bendine: A gente entrou no crédito imobiliário já no ano passado e vem buscando esse aprendizado. Ao aderir ao programa “Minha Casa, Minha Vida”, não significa que estamos abrindo mão de atuar no segmento de maior renda. Essa política permanece. Naquela faixa de menor renda, não estamos entrando de forma decisiva porque essa é uma exclusividade da Caixa Econômica Federal. Estamos trabalhando no segmento acima de três salários mínimos. Nesse programa há uma oportunidade ímpar para financiar o produtor, a construção, o que é uma bela margem de negócio.

Valor: Outro programa de interesse do governo que o Banco do Brasil entrou é o financiamento de eletrodomésticos da linha branca. Mas é justamente esse segmento, nas estatísticas do Banco Central, que tem apresentado o maior aumento da inadimplência. Os riscos não seriam excessivos?

Bendine: Os bancos atuam normalmente em duas arenas no financiamento direto ao consumidor. Uma é o crédito a clientes do próprio banco, que têm um histórico, um relacionamento anterior. O outro é o financiamento do cliente não correntista, através de uma parceria com uma rede varejista, por exemplo. O histórico, o conhecimento desse cliente, o relacionamento, é um pouco menor do que aquele que é um cliente tradicional seu. No caso específico desse programa no BB, a gente criou uma linha voltada para o nosso correntista. Por isso que nós tivemos condições de colocar uma taxa bastante agressiva, acreditando numa demanda maior que vai existir em função da recente decisão do governo de reduzir o IPI para a linha branca.

Valor: No caso do cliente do BB, a inadimplência é menor?

Bendine: No dados do BC você não consegue separar isso. É natural que a inadimplência entre os não correntistas seja maior do que entre os clientes em que há um relacionamento anterior.

Valor: A compra de metade do Banco Votorantim devolveu a liderança do mercado ao BB, que foi perdida para o Itaú Unibanco?

Bendine: Deve-se tomar cuidado com esse tipo de afirmação. O Votorantim ainda não foi incorporado nos nossos ativos, até porque depende da aprovação do BC. Nas incorporações de bancos, como as recentes operações envolvendo bancos privados, ocorre uma sinergia negativa de ativos. Há uma sinergia positiva nos resultados, tarifas, receitas de serviços, mas nos ativos a sinergia é negativa.

Valor: Como assim?

Bendine: Ela ocorre, por exemplo, na exposição de crédito que os dois bancos têm com uma mesma empresa. O banco A, que é o controlador, já tem esse nível de exposição com a empresa. E verifica-se que o banco B também tem sua própria exposição a essa empresa. Ao trazer essas duas exposições à analise de risco de uma única instituição, a tendência é diminuir o grau de exposição. Então você tem uma tendência de ter uma redução nos ativos.

Valor: Há algum horizonte para o BB retomar a liderança?

Bendine: São duas variáveis: o crescimento orgânico (ampliar as operações do próprio banco) e o inorgânico (fusões e aquisições). O concorrente pode, a qualquer tempo, adquirir uma empresa. Essa é uma variável não controlável. Considerando só o crescimento orgânico, até o próximo ano o BB retoma a liderança.

Valor: O sr. tem repetido que a área de seguridade pode contribuir mais para o resultado do banco. Esta definida a estratégia?

Bendine: Por uma questão de acordo de confidencialidade assinado com parceiros ou interessados, não posso me alongar nessa questão. O que eu posso adiantar é que temos um modelo estabelecido no segmento de seguridade bastante diferente da concorrência, até por algumas características de um banco de sociedade de economia mista. O banco vinha com esse modelo há 15 anos e algumas alterações ocorreram nesse mercado. Por exemplo, a gente trabalha segmentado aqui no banco o ramo de vida do ramo de previdência, coisa que o mercado há muito tempo mostrou ser mais eficiente trabalhar isso no mesmo “business”. O banco tinha “n”, empresas que não estavam debaixo de uma “holding”. Então não havia ganhos de sinergia, havia “n” plataformas em cada uma das empresas.

Valor: O BB vai seguir sozinho na seguridade ou vai continuar com parceiros privados?

Bendine: Não posso falar. Tenho um acordo de confidencialidade e posso ferir compromissos com os meus parceiros se fizer comentários sobre isso.

Valor: As negociações para aquisição do BRB foram suspensas?

Bendine: Não tenho nenhum comunicado formal do governo do Distrito Federal ou do próprio BRB de que as negociações foram interrompidas. Soube de algumas declarações (que indicam a desistência do negócio), mas não tive ainda a oportunidade de estar com o governador. A gente tem uma agenda próxima marcada. Dada a troca de comando no BB e outros fatores extraordinários, talvez tenha tido alguma interrupção no cronograma, mas eu estou confiante que o cronograma siga o ritmo normal.

Valor: E no caso do Banestes?

Bendine: Esta dentro do cronograma, na fase de avaliação pelos dois lados. Ainda não estão concluídas

Valor: No fim do ano passado, o índice de Basiléia do BB caiu bastante, em virtude das aquisições. Esse pode ser um limite para ampliar o volume de crédito?

Bendine: Claro que, dado essas aquisições recentes, que reduzem o índice de Basiléia, isso vem se apertando. Mas a gente tem ainda uma folga que nos permite uma grande alavancagem em 2009. Mas a gente vai ter sim a preocupação de começar uma discussão sobre o patrimônio, sobre a estrutura de capital do banco para que a gente não fique refém de uma impossibilidade de maior alavancagem no próximo ano.

Valor: Quais são as alternativas?

Bendine: Pode ser aumento de capital, retenção de dividendos, divida subordinada e outros instrumentos. No devido momento, a gente vai conversar com o Tesouro Nacional e com a Fazenda para ver a melhor alternativa.

Valor: O BB tinha, antes da crise, um programa de internacionalização, que incluía atuar no varejo nos Estados Unidos. Esse projeto está mantido?

Bendine: Não só está mantido, como estamos fazendo uma revisitação sobre novas oportunidades, dado esse cenário que a gente vivenciou a partir de setembro. Não nos esqueçamos que ele tem também um lado voltado para a presença do brasileiro lá fora. Ainda temos um número expressivo de brasileiros no mercado americano, por volta de 1,5 milhão de pessoas. Então alí tem um nicho importante de alavancagem de negócios.

Valor: E a Visanet?

Bendine: Fizemos um pedido de registro na CVM, e é o máximo que eu posso falar porque estamos em um processo de oferta.

Valor: Vai ter alguma troca na presidência da Nossa Caixa?

Bendine: Eu desconheço.

17/12/2008 - 11:21h Petistas obstruem venda da Nossa Caixa

César Felício, de São Paulo – VALOR

A Assembléia Legislativa deverá votar hoje o projeto de lei que permite a absorção da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. A base de sustentação do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), foi surpreendida pela disposição do PT de criar obstáculos para a aprovação da proposta, já que contava que o partido não iria se opor a um projeto do interesse de uma instituição financeira federal.

Coordenador da ação do partido contra o projeto, o deputado estadual Rui Falcão (PT) impediu a votação em plenário ainda ontem ao apresentar uma emenda convocando um referendo popular para tornar definitiva a incorporação do banco popular paulista. A votação foi transferida para hoje, já que o regimento interno obriga a publicação no Diário Oficial de todas as emendas.

Foi uma forma de ganhar tempo para que o Tribunal de Justiça examine um mandado de seguro com pedido liminar para que a tramitação do projeto seja interrompida. Ao impetrar o mandado ontem, Falcão alegou que a incorporação teria que ser feita por emenda constitucional, já que a Constituição do Estado cita nominalmente o banco como agente financeiro do tesouro estadual.

“O PT havia decidido não obstruir. Parece que mudou de idéia. Vou propor que as reuniões do colégio de líderes comecem a ser gravadas e registradas em atas”, ironizou o líder governista na Casa, deputado Barros Munhoz (PSDB). “Nunca existiu acordo”, rebateu Falcão.

O deputado petista levantou razões políticas para o partido se opor ao projeto. “O governador se desfaz do banco, engorda seu caixa de campanha e transfere todo o desgaste possível do fechamento de agências para o Banco do Brasil e para o governo federal. Meu dever é lutar até as últimas consequências para que este crime não se consuma”, afirmou, ao expor sua posição para deputados em reunião conjunta das comissões. Segundo Falcão, o Banco do Brasil não é um braço do governo federal, mas “uma sociedade anônima de direito privado”.

Apesar da resistência petista, somente a ação judicial poderá impedir a aprovação da proposta do governo Serra, que conta com o apoio de 71 dos 94 deputados estaduais. A aprovação na Assembléia Legislativa é o último passo legal para que o banco estadual seja absorvido pelo Banco do Brasil, em uma transação que proporcionará R$ 5,3 bilhões para que Serra possa tentar cumprir sua meta estadual de investimentos.

24/11/2008 - 17:09h Debater é preciso

DE OLHO NOS DEPUTADOS
          estaduais de SP          OPINIÃO



 

Venda da Nossa Caixa: acordo que interessa a situação e a oposição

Imprensa, governo do Estado, governo federal, deputados estaduais da situação e da oposição de São Paulo parecem sofrer de uma amnésia. Isto porque desde que foi anunciada a venda da Nossa Caixa ao Banco do Brasil, no último dia 20 de novembro, as notícias e comentários da transação foram invertidos e passou a ser qualificada como a compra da instituição pelo Banco do Brasil, como se o governo do Estado nunca tivesse anteriormente colocado a sua intenção de liquidar este patrimônio público.

O discurso que parece interessar a todos é de que o Banco do Brasil, bastante preocupado com a perda da liderança no mercado financeiro nacional pela fusão do Itaú e Unibanco, com a compra volta figurar como a segunda maior instituição financeira do país. “Essa é uma compra que faz sentido dentro do contexto do BB e atende ao nosso objetivo de crescer em participação no Estado de São Paulo”, afirmou o presidente do BB, Lima Neto.

Este discurso atende muito bem a ambos os lados. Aos tucanos paulistas que tiram dos ombros o peso de ver o governador José Serra ser acusado de estar vendendo um patrimônio do governo do Estado e de ser privatista e a oposição que também não fica ameaçada de conviver com as críticas do presidente Lula estar “ajudando” Serra a fazer sua campanha à presidência para 2010 – com mais dinheiro em caixa, Serra pode fazer mais obras e, por consequência, ter mais o que mostrar como candidato.

O grande acordo também parece interessar aos funcionários da Nossa Caixa que acreditam que passarão a ter o “status” de funcionários do Banco do Brasil, inclusive com ganhos salariais. Só que já se ventila o fechamento de pelo menos 30 agências.

Para a efetividade da transação são necessárias, ainda, a liberação do Banco Central e a aprovação da Assembléia Legislativa de São Paulo, que pelo que foi exposto acima não deverá ser entrave para a negociação.

Um questionamento que fica é por que o governo estadual não fez um leilão, dando a oportunidade também a outros bancos de fazerem propostas?

É certo que, sem a Nossa Caixa, o governo paulista perderá importante braço financeiro para intervir no setor produtivo, especialmente em momentos de crise de crédito. Para financiar projetos de interesse do Estado, o governo paulista deverá contar com uma agência de fomento com capital autorizado de R$ 1 bilhão, que funcionará como uma espécie de BNDES paulista. A agência segue o modelo implementado em Minas Gerais e aguarda aprovação do Banco Central para sair do papel. Digamos que seu patrimônio não é tão grande assim para suas pretensões.

A Nossa Caixa foi vendida por R$ 5,3 bilhões e a nós, povo paulista, apenas interessa o que será feito com esse dinheiro.

Em maio/2008, quando das primeiras notícias do interesse do governador Serra em vender a Nossa Caixa, o De olho nos Deputados já perguntava: o que será feito com o dinheiro da venda? Quem vai decidir em que será investido o dinheiro da venda? O Estado de São Paulo realmente precisa se desfazer deste patrimônio, por quê? É assim? O governador decide, a Assembléia aprova e o verdadeiro dono (o povo paulista) não é consultado? Será que alguém vai explicar por que é preciso vender a Nossa Caixa, o que farão com o dinheiro, o que Estado vai ganhar com tudo isso?

O governador José Serra diz que o dinheiro será investido em infra-estrutura e atendimento à área social. Segundo ele, a maior parcela dos recursos será usada para a ampliação do Metrô, modernização dos trens metropolitanos e para a renovação de estradas de acesso a municípios.

Como o dinheiro pertence aos 41 milhões de paulistas não seria interessante alguma forma de discussão com a população para definir onde serão gastos esses recursos e criar verdadeiros mecanismos de fiscalização de sua aplicação?

A Redação do De olho nos deputados de São Paulo

23/11/2008 - 12:11h Transparência

Coluna do ombudsman da Folha hoje

“Nossa Caixa
Banco público é vendido sem leilão; Folha se exime de promover debate sobre o tema por seis meses”

Meu post de ontem

“O que se questiona é a venda da Nossa Caixa, ou seja a decisão política do governador Serra de vender este patrimônio do Estado de São Paulo. Qual é a justificativa do governador? Porque está venda seria positiva para o Estado? Curiosamente ninguém na mídia exige explicações do governador. Mas é um dever de transparência informar a opinião pública sobre esta decisão e debater na Assembléia legislativa sobre suas motivações. LF A decisão de vender Nossa Caixa deve ser discutida com transparência

22/11/2008 - 11:00h Negócio com a Nossa Caixa ficou caro, dizem analistas


A maioria esperava que o valor ficasse entre 1,8 e 2 vezes o patrimônio líquido, mas foi para 2,36 vezes

Renée Pereira – O Estado de São Paulo

O valor pago pelo Banco do Brasil pela aquisição da Nossa Caixa, de R$ 7,6 bilhões, ficou bem acima das projeções feitas pelo mercado financeiro antes do anúncio do negócio, na quinta-feira. Na avaliação dos analistas do setor bancário, o preço foi bastante salgado para um momento de extrema incerteza no cenário mundial, com o valor dos ativos em queda. A maioria esperava que o banco federal pagasse algo entre 1,8 a 2 vezes o valor do patrimônio líquido da Nossa Caixa, mas o valor fechado ficou em 2,36 vezes, R$ 70,63 por ação.

“Achei caro, eles pagaram um múltiplo (variação patrimonial) maior que o verificado na fusão entre Itaú-Unibanco, de 2,3 vezes, e com a qualidade dos ativos inferior”, afirmou o analista da Modal Asset, Eduardo Roche. Ele pondera que, apesar de cara, a aquisição trará benefícios para o BB, já que hoje a Nossa Caixa não tem uma gestão eficiente. Isso significa que há potencial de crescimento em vários setores no médio e longo prazos.

Outro ponto que pesou na análise dos especialistas foi o fato de o BB pagar a aquisição em dinheiro, apesar de ter sido parcelada em 18 meses. “Havia uma expectativa de que pudesse ser troca de ações”, destaca o analista da Planner Corretora, Ricardo Martins.

Na primeira projeção dele, a expectativa era de que o preço pela compra ficasse em R$ 55 por ação. Com a fusão entre Itaú e Unibanco, Martins refez a projeção para R$ 62, ainda abaixo do valor anunciado. “Refiz minha projeção com base na expectativa em torno da argumentação do governo estadual depois da fusão. Eles não venderiam pelo preço anterior. Por isso, saiu caro para o BB.”

O analista da Spinelli Corretora, Max Bueno, esperava que o preço ficasse em, no máximo, 2 vezes o patrimônio líquido da Nossa Caixa. Mas a necessidade do BB de retomar a liderança perdida para Itaú-Unibanco falou mais alto.

Ele destaca ainda que se o banco estadual fosse a leilão o preço seria bem menor por causa dos depósitos judiciais que obrigatoriamente têm de ser geridos por bancos oficiais. “As instituições privadas deduziriam o valor dos depósitos do preço. Isso significa que a Nossa Caixa seria mesmo mais atraente para o BB.”

Essa corrida em busca da liderança do setor bancário brasileiro deixou muitos analistas preocupados com as iniciativas futuras a ser tomadas pelo BB. “A compra da Nossa Caixa pode ser um exemplo do que a instituição federal fará daqui para a frente para retomar o posto de número 1. Há risco de partir para as compras sem olhar preço. Queremos saber quanto ele vai pagar por outras aquisições para se recuperar no ranking”, comenta Roche, da Modal.

No pregão de ontem, as ações da Nossa Caixa subiram 22,81%, para R$ 63, tentando se aproximar da oferta de R$ 70,63. Já as ações do BB recuaram 14,34%.

22/11/2008 - 10:00h NEGÓCIO OPACO

OPINIÃO – O GLOBO

ACERTADA A compra da Nossa Caixa pelo BB, o governo federal deixa transparecer, de forma nítida, a preocupação em fazer o banco voltar à liderança do ranking do setor. A fusão Itaú-Unibanco é cada vez mais vista como uma afronta aos espíritos estatizantes oficiais.

É ATÉ possível que o BB, em 2009, volte a ser o primeiro banco, mas continuará um paquiderme estatal, de lucratividade menor que as instituições privadas, um instrumento sempre a postos para satisfazer projetos de poderosos de ocasião, sejam ou não rentáveis.

DESDE O Império, quando foi fundado, o banco quebrou algumas vezes, e o contribuinte terminou convocado para ressuscitá-lo. Infelizmente, nada indica que essa regra será um dia revogada.

QUANTO AO governador José Serra, os paulistas aguardam dele uma explicação convincente para não ter vendido a Nossa Caixa em leilão, pelo qual poderia fazer um negócio melhor para o Tesouro paulista, e com total transparência.

22/11/2008 - 09:30h BB se compromete a não fazer demissões

Direção firma acordo com sindicalistas

BRASÍLIA e SÃO PAULO. A direção do Banco do Brasil (BB) firmou com sindicalistas um compromisso de que não haverá demissões em decorrência da compra do estatal paulista Nossa Caixa. A informação foi dada ontem pelo presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino, após a reunião com os executivos do BB, que não quiseram se pronunciar.
Luiz Marcolino disse que as conversas com o BB estão em curso desde que as negociações foram anunciadas.
Segundo ele, o processo de realocação de pessoal da Nossa Caixa tem de acontecer, até para que não ocorram demissões. Mas deverá haver um programa interno de requalificação profissional. Ele disse ainda que está previsto um processo de transferência de pessoal onde houver duplicidade de mão-de-obra, mas tudo será negociado. A Nossa Caixa tem 14.300 servidores e 559 agências.
O processo de incorporação da Nossa Caixa pelo BB deverá levar entre 12 e 18 meses. A preocupação do sindicato é que não se percam direitos como valerefeição, entre outros. Um benefício a ser ajustado é da assistência médica. Segundo Marcolino, embora a do BB seja melhor, o funcionário contribui com 4,5%, enquanto o da Nossa Caixa colabora com 3%.
Embora sejam concursados, os funcionários da Nossa Caixa são contratados pelo regime da CLT e não têm estabilidade assegurada — situação semelhante à do BB. Portanto, se o BB quiser, pode demitir.
A saída para uma redução de pessoal, acreditam os sindicalistas, está nas aposentadorias.
Segundo Raquel Kaceunikas, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo, entre este ano até 2010 mais de três mil empregados da Nossa Caixa devem atingir o tempo de serviço para se aposentar.
Para o deputado estadual Davi Zaia (PPS), que também preside a Federação dos Bancários de São Paulo e Mato Grosso do Sul, os números de funcionários aptos a se aposentar traz certa tranqüilidade em relação às ameaças de demissão. Ele disse que os quadros da Nossa Caixa são muito enxutos. (Mônica Tavares, Ronaldo D’Ercole e Vinicius Segalla – O Globo)

22/11/2008 - 09:15h Lula critica posição do PT sobre Nossa Caixa

Presidente afirma que ‘não pode agir com mesquinharia quando se trata dos interesses do país e de São Paulo’

Ricardo Galhardo e Juliana Rangel – O Globo

SÃO PAULO e RIO. Em uma crítica à posição da bancada do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo, que ameaça votar contra a venda da Nossa Caixa para o Banco do Brasil (BB), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não pode agir com mesquinharia. Segundo Lula, o PT, ao usar o argumento de que o dinheiro reforçaria a candidatura do governador José Serra (PSDB) à Presidência em 2010, errou por politizar uma questão comercial.

— O Banco do Brasil não tomou uma posição política ou ideológica. O Banco do Brasil fez um negócio que interessava a ele, à Nossa Caixa, e quem ganha com isso é o Brasil. Vamos ter um banco público mais sólido, mais competitivo, com muito mais agências e dinheiro para podermos irrigar o crédito do Brasil. O que querem mais do que isso? — reclamou.
Lula revelou que o PT usou o argumento eleitoral para tentar barrar o negócio: — O argumento é que eu estaria dando R$ 6 bilhões para o governador Serra, que é um suposto candidato em 2010. Ora, um presidente da República não pode agir com mesquinharia quando se trata dos interesses do país e do povo de São Paulo.
Lula também refutou os temores do Sindicato dos Bancários de São Paulo (de onde saíram os ex-ministros Luiz Gushiken e Ricardo Berzoini, hoje presidente do PT) de que os trabalhadores serão prejudicados: — Não conheço nenhum bancário brasileiro que não quisesse trocar o banco em que trabalha pelo Banco do Brasil.
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, também afirmou ontem que as críticas de petistas à operação não procedem: — Acho que isso é uma visão um pouco ultrapassada. Não acho que esse tipo de política, eu diria assim mesquinha, tem espaço em um Brasil moderno — afirmou. — O que é o atraso? O atraso é o seguinte: venha com um pires na mão me pedir e, se você for simpático a mim eu te dou o recurso; se você não for, não dou. O governo Lula se caracteriza pelo respeito aos entes federados e às populações.

Ações da Nossa Caixa podem subir mais ainda

De olho em uma fatia dos R$ 5,4 bilhões — ou R$ 70,63 por ação controladora — que o BB vai pagar pela Nossa Caixa, investidores correram ontem para comprar ações do banco paulista, que dispararam 22,8%, para R$ 63, a maior alta da Bolsa de São Paulo, que recuou 6,45%. Já os papéis do BB caíram 14,34%.
No início de 2009, o BB comprará os 25% dos papéis da Nossa Caixa ainda em circulação, pelo valor pago aos controladores.
Investidores viram aí uma boa oportunidade: na quarta-feira, antes do anúncio da operação, as ações fecharam a R$ 51,30. No ano, a valorização dos papéis chega a 177,36%, frente à queda de 51,08% da Bolsa. Considerando o fechamento de ontem, o potencial de ganho é de 12,1%.

— O BB vai fazer o pagamento em 18 parcelas, e ainda não se sabe como será feito o tag along (direito ao prêmio pago pelo controle) dos minoritários — diz Eduardo Roche, gerente de análises do Modal Asset, que acredita que o pagamento aos minoritários possa ser feito de uma só vez.

21/11/2008 - 16:41h Gotas

1.000.216

Normalmente é no fim de mês que faço um balanço do blog. Mas acabei de verificar que no dia de hoje o Blog passou o milhão de leitores, desde que em 20 de fevereiro 2008 foi para IG.

Em 9 meses ter atingido esse número de leitores me reconforta. Ao mesmo tempo implica novos desafios para consolidar este instrumento de reflexão e dialogo. A cada mês o número de leitores tem crescido e contrariamente ao que pensei que aconteceria após as eleições municipais, não teve diminuição dos internautas que todos os dias entram nesta casa.

 

Mensalinho

O jornal O Estado de São Paulo fez um retrospecto sobre os escândalos do uso “político” do banco Nossa Caixa.

A nota, por sua vez, é um escândalo.  Para o Estadão o retrospecto para com a chegada dos tucanos ao comando do banco. Nos últimos 14 anos o jornal nada viu. Porem, faz pouco tempo o responsável da publicidade do banco teve que ser afastado pela generosidade com deputados estaduais aliados.

A Nossa Caixa gastou R$ 43,8 milhões em contrato com agências de publicidade, entre setembro de 2003 e julho de 2005. Duas empresas foram beneficiadas. Elas foram contratadas em 2002 para prestar serviços por 18 meses. Vencidos os contratos, os serviços continuaram sendo prestados sem que houvesse nova licitação ou que os contratos tenham sido prorrogados. Há a suspeita, amparada na liberação de verbas e em correspondência eletrônica trocada pelo Palácio dos Bandeirantes com as agências e o banco, de que empresas ligadas a deputados da base de sustentação política do governador foram favorecidas.

Como se vê, uma história mal contada.

Era o governo Alckmin, é o Estadão.

Uma coisa explica a outra?

 

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“Os bancos estatais brasileiros padecem de três enormes problemas crônicos. O primeiro deles é o clientelismo. Qualquer maioral da política se julga no direito de obter favores especiais”, a frase é da coluna de Celso Ming, articulista econômico do jornal O Estado de São Paulo.

Estranhamente ninguém utilizou este surrado argumento para aplicá-lo ao preço obtido por José Serra pela venda da Nossa Caixa ao BB, nem ao próprio fato dele ter decidido vender o banco. Tampouco serviu esta “verdade” para condenar a compulsória compra da folha de pagamento dos servidores estatais pela Nossa Caixa, imposta pelo governador.

O “clientelismo” só é condenado quando não favorece a escolha “politicamente correta”?

Argumentos

Não encontrei nenhum argumento que explique porque é um bom negocio pra o Estado de São Paulo vender Nossa Caixa e deixar de contar com um banco de incentivo para a indústria e o comércio estadual (Se este banco não for necessário, porque criar uma instituição de fomento, no seu lugar?). Muito foi dito sobre o interesse eleitoral de José Serra, mas ninguém parece considerar que este interesse deveria corresponder ao interesse público do Estado de São Paulo.

A venda da Nossa Caixa é um bom negocio para o Estado de São Paulo?

Porque?

 

 

Parabéns

O Ministério de Turismo está de parabéns. Graças ao seu trabalho e ao apoio das emendas dos parlamentares, o investimento no setor terá um acréscimo importante de verbas. Isto é essencial, particularmente em momentos de crise econômica mundial.

Segundo o jornal Folha de SP, que informa com destaque o assunto, as emendas estão destinadas a “obras de saneamento básico, construção de estradas, melhorias urbanas, investimentos em meio ambiente, qualificação profissional e campanhas de promoção de destinos turísticos.
“Considerando que o orçamento de programação é pequeno em face das necessidades e que o turismo é uma atividade econômica muito importante no país e em franco desenvolvimento, o aporte de emendas é fundamental e característico dos orçamentos do ministério desde 2004″, informou o ministério.
No Orçamento deste ano, de R$ 2,7 bilhões, R$ 2, 2 bilhões tiveram origem em emendas. Em 2007, foram propostos R$ 6,5 bilhões de emendas ao programa do Turismo. Os dados são das consultorias de Orçamento do Congresso.

 

Ar novo

As perspectivas de sucesso da luta mundial para combater o aquecimento global ganharam peso depois que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, deixou claro que o país pretende fazer sua parte nas negociações para a renovação do Acordo de Kioto para redução das emissões dos gases-estufa.

Suas palavras colocaram um ponto final em oito anos de obstruções impostas pelo governo de George W. Bush, que se recusou a ratificar o acordo em 2001, impondo danos incalculáveis aos esforços internacionais de elaborar uma resposta unificada ao problema.

Em contraste, as palavras do presidente eleito, gravadas em vídeo, injetaram novo ânimo e otimismo entre os negociadores.

Embora não vá participar da próxima reunião de clima na Polônia, em dezembro, ele garantiu: — Assim que eu assumir, vocês podem estar certos de que os Estados Unidos vão, mais uma vez, se engajar vigorosamente nessas negociações e ajudar a liderar o mundo em direção a uma nova era de cooperação global em mudanças climáticas. (Fonte The Independent e O Globo).

 

O lado bom

A direita já atira contra Dilma. Escolhendo o lado dos torturadores, ditadores e inimigos da democracia, a direita procura sujar o passado de Dilma Rousseff. O lado escolhido por Dilma na época do regime militar é motivo de orgulho para os defensores da democracia. Torturada e presa, esse passado é um argumento a favor de Dilma Rousseff, mesmo se a opção da “luta armada” não era a mais adequada, na minha opinião.

A direitona faz circular na internet este suposto curriculum vitae para atingi-la. Minha solidariedade para Dilma e meu respeito pela sua coragem.

http://homemculto.files.wordpress.com/2008/11/atgaaablwclsv-qni4uez62h_d1drxeta1bgpqzszwjntsdu9asf4ugzskp4vsi-urtbb5p9h1c3sv248332lwlzud38ajtu9vc7jmmmwnwwed7vksry3mtnzme7ka.jpg?w=455&h=598

 

 

 

Gotas, por Luis Favre

21/11/2008 - 11:29h Promissória?

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/images/LulaSerraZeCruz3.jpg

análise

Negócio entre bancos atende a Lula e a Serra

KENNEDY ALENCAR – FOLHA SP
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Em mais um gesto de boa vizinhança administrativa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de São Paulo, José Serra, fecharam um negócio bom para os dois. A compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil atende aos interesses econômicos e políticos de Lula e Serra.
Contrariado com os grandes bancos privados, que têm segurado a concessão de crédito na crise financeira, Lula estimulou o Banco do Brasil a não deixar brecha para o Bradesco tentar comprar a Nossa Caixa.
A MP (medida provisória) 443, que abria a possibilidade de o BB e a Caixa Econômica Federal comprarem instituições financeiras total ou parcialmente, facilitou a negociação, porque o Bradesco queria um leilão para a venda do banco do governo paulista.
A MP 443 permitiu a compra direta da Nossa Caixa, fundamental para o BB tentar voltar a ser o primeiro no ranking nacional de bancos.
Essa, aliás, é uma meta de Lula: deixar o Palácio do Planalto em 2010 com o Banco do Brasil de novo na primeira posição, perdida após a fusão do Itaú com o Unibanco.
Já Serra ganhará uma bolada para financiar projetos nos seus dois últimos anos de governo.
O tucano pretende ser candidato à Presidência em 2010 e está na dianteira na briga interna no PSDB contra o governador de Minas, Aécio Neves. Serra cobra da equipe agilidade nos projetos para o dinheiro que entrará com a venda. Corre contra o tempo.
Do ponto de vista político, a operação pode ser resumida assim: um mandatário que caminha para os seus dois últimos anos de governo faz um negócio de pai para filho com o pré-candidato a presidente mais forte nas pesquisas. Na linguagem do mercado financeiro, seria uma espécie de hedge lulista.
Na transição dos governos FHC para Lula, um acordo político foi cumprido à risca: o petista não investigaria atos da gestão do antecessor tucano.
Não deixa de ser irônica coincidência o anúncio do negócio entre BB e Nossa Caixa acontecer no mesmo dia em que Lula autoriza, por decreto presidencial, a compra da Brasil Telecom pela Oi. Tudo indica que Serra, se eleito, agirá em relação a Lula como o petista atuou com FHC na rubrica “decisões de Estado com alguma margem para controvérsia”.
Por último, Lula aposta as fichas na candidatura presidencial da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), mas não vê mal em ter boa relação com Serra e Aécio. O petista pode sonhar em concorrer ao Palácio do Planalto em 2014.

21/11/2008 - 10:25h Nossa Caixa: na Assembléia, PT diz que é contra venda

Apesar do discurso crítico, aprovação é dada como certa ainda este ano

Clarissa Oliveira – O Estado SP

http://www.cutsp.org.br/imagens/2008/junho/robertofelicio.jpgApesar da expectativa de que a venda da Nossa Caixa seja aprovada sem a menor dificuldade na Assembléia Legislativa, o PT empenhou-se – ao menos no discurso – em criticar duramente a operação. Reconhecendo que está em “aparente contradição”, pelo fato de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estar por trás da compra, petistas não economizaram nos ataques. Na prática, entretanto, nem os críticos mais ferrenhos duvidam que o aval dos deputados sairá ainda este ano.

“É um negócio ruim para o governo do Estado. O fato é que São Paulo perde um importante instrumento de fomento”, disse o líder do PT na Assembléia, deputado estadual Roberto Felício. Ele afirmou que o negócio serve apenas aos interesses políticos do governador José Serra, que terá um reforço de caixa para investimentos, no momento em que seu nome ganha força para a disputa presidencial de 2010.

Felício disse que o Banco do Brasil foi guiado por “interesses comerciais”. “Claro que, se o governo do Estado decide vender a Nossa Caixa, o Banco do Brasil vai se apresentar. Mas não significa que o governo Lula acredite que a Nossa Caixa deve ser vendida.”

Líder da minoria na Assembléia, o deputado Ênio Tatto (PT) seguiu a mesma linha. Assim como Felício, ele reconheceu que o fato de a base governista contar com nada menos do que 70 deputados é garantia de que a venda será aprovada. Ainda assim, ele disse que o PT quer a garantia de que o acordo não trará demissões e que o BB assumirá um papel de fomento no Estado. “São Paulo não deveria abrir mão de ter um banco.”

Na base de apoio de Serra, entretanto, o clima já é de vitória. Ontem, líderes governistas trocaram telefonemas com petistas, para preparar o terreno para a chegada do projeto na Assembléia, previsto para segunda ou terça-feira. Entre apoiadores do governo, a tese é de que, com o Banco do Brasil como comprador, nem o PT vai atrapalhar a votação. E, em caso de qualquer dificuldade, um simples pedido do presidente Lula ou do governador José Serra resolveria a questão.

“As condições políticas para uma aprovação ainda este ano são muito favoráveis e eu acredito que ela vai acontecer”, afirmou o presidente da Assembléia, deputado Vaz de Lima (PSDB). “Poderá haver mais ou menos dificuldade, dependendo do texto. Mas há um interesse de Estado no negócio.”

O líder tucano na Casa, deputado Samuel Moreira (PSDB), não escondeu o otimismo. “Acho que o processo todo será muito tranqüilo”, afirmou. “Tenho convicção de que poderá haver uma ou outra emenda. Mas, ao final, será certamente aprovado”, completou o líder do DEM, Estevam Galvão.

Ainda assim, até na base governista há quem discorde do negócio. O deputado Pedro Tobias (PSDB) avisou que só vota a favor se estiver convencido de que será um bom negócio para o Estado. “Em princípio, eu sou contra. Se me convencer, eu voto a favor. Mas, se eu não estiver convencido, não há nada que me faça votar.”

21/11/2008 - 09:57h Nossa Caixa: analistas se dividem sobre o valor do negócio

O Banco do Brasil pagou o equivalente a 2,36 vezes o patrimônio líquido da Nossa Caixa, o que significa R$ 70,63 por ação. Na quarta-feira, os papéis do banco paulista estavam cotados em R$ 51,30, com alta de 125% em 2008 enquanto o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) caiu 47,71% no mesmo período.

O preço pago pela Nossa Caixa foi considerado justo e ficou de acordo com as avaliações técnicas feitas anteriormente, afirmou o presidente da agência de classificação de risco Austin Rating, Erivelto Rodrigues. Apesar disso, há especialistas que acreditam que o negócio saiu caro para o BB, cujo preço, de R$ 5,4 bilhões, embute um prêmio de 37,7%. Para eles, o banco federal deveria ter pago algo em torno de R$ 50 por ação.

21/11/2008 - 09:20h BB paga R$ 7,6 bi pela Nossa Caixa e agora parte para Votorantim e BRB

Governo paulista vai receber R$ 5,4 bi; banco federal mantém 2.º lugar no ranking nacional, mas lidera em SP

http://www.maxiar.com.br/images/nossa_caixa.jpg

Leandro Modé e Ricardo Grinbaum – O Estado SP

Depois de uma novela que durou pelo menos seis meses, o Banco do Brasil (BB) anunciou ontem a compra da Nossa Caixa. O governo paulista receberá R$ 5,4 bilhões, mas o valor total do negócio alcançará R$ 7,56 bilhões por causa do pagamento aos acionistas minoritários do banco estadual. A transação é parte da resposta do BB à fusão entre Itaú e Unibanco, que criou a maior instituição financeira do País.

Fontes do BB dizem que o contra-ataque não deve parar por aí. Nos últimos dias, avançaram as conversas para a aquisição da metade do Banco Votorantim. Só faltaria definir o valor. O BB também está em negociação avançada para ficar com o Banco de Brasília (BRB), como já informou em fato relevante em setembro de 2007. Na semana retrasada, o BB anunciou a incorporação do Banco do Estado do Piauí (BEP).

A compra da Nossa Caixa ainda não devolve a liderança do ranking nacional ao BB, mas o aproxima do Itaú-Unibanco em termos de ativos. Juntos, BB e Nossa Caixa têm R$ 512,4 bilhões, ante R$ 575 bilhões do Itaú-Unibanco. Mas a operação dá ao BB o primeiro lugar em São Paulo, com 1.324 agências, em comparação com 1.240 do Itaú-Unibanco, 1.204 do Santander e 1.168 do Bradesco.

“Diferentemente dos bancos privados, o Banco do Brasil caminhou do resto do País para São Paulo”, disse o vice-presidente de Finanças do BB, Aldo Mendes. Em razão disso, a sobreposição dos dois bancos é relativamente baixa. O presidente do BB, Antônio Francisco de Lima Neto, estimou que, no máximo, 30 agências terão de ser fechadas, a maioria delas em pequenas cidades paulistas.

Mas ele não exibiu a mesma tranqüilidade ao falar dos 103 mil funcionários dos dois bancos. “Se vão ocorrer demissões ou não depende do processo de incorporação”, disse. “A premissa básica que nos motivou é a baixa sobreposição de estrutura e de pessoas.”

O BB calcula que a união resultará em ganho de sinergia entre R$ 2 bilhões e R$ 4 bilhões nos próximos cinco anos. Além disso, o ágio, estimado pelo BB em R$ 1,8 bilhão, originará crédito fiscal de mesmo valor, a ser recuperado em cinco anos. A marca Nossa Caixa deve desaparecer até meados de 2010.

Os primeiros rumores sobre a negociação surgiram no primeiro semestre. Em maio, os dois bancos divulgaram fato relevante sobre as negociações. Na época, banco privados que também tinham interesse na Nossa Caixa, como Bradesco e Itaú, protestaram. Defenderam a realização de leilão.

Por isso, um fantasma sempre rondou a negociação: que um banco privado poderia contestar a transação. Esse temor foi debelado depois que o Conselho Nacional de Justiça decidiu, no início de novembro, que depósitos judiciais devem permanecer com bancos públicos. A Nossa Caixa tem R$ 15,8 bilhões em depósitos judiciais.

A partir desse momento, o principal entrave à negociação foi o preço. O governador José Serra pedia de R$ 7 bilhões a R$ 7,5 bilhões. O BB, que queria pagar no máximo R$ 6 bilhões, achou caro e desistiu. As conversas voltaram a esquentar após a fusão Itaú-Unibanco. O BB voltou a procurar Serra para negociar nos termos que o governador havia proposto.

19/11/2008 - 11:49h Lula e Serra acertam venda da Nossa Caixa

Presidente e governador se encontram hoje no Palácio do Planalto para tentar concluir as negociações, incluindo o preço a ser pago pelo BB

O Estado SP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador José Serra (SP) se encontram hoje, no Palácio do Planalto, para bater o martelo na compra da Nossa Caixa paulista pelo Banco do Brasil. Na mesa do encontro, os dados revelam que o governo de São Paulo pede pela instituição pouco mais de R$ 7 bilhões e quer que o pagamento seja feito em dinheiro, com um prazo máximo de um ano para a quitação total. Mas, na conversa com o governador paulista, Lula pensa baixar um pouco o preço.

O governo vai insistir no parcelamento do valor. A maior preocupação é com a possibilidade de descapitalizar o BB. “O pagamento não pode significar a descapitalização do banco e a capitalização do governo de São Paulo”, segundo uma fonte.

Ontem, numa cerimônia no Itamaraty, Lula não escondeu a expectativa de que o negócio irá fortalecer o BB. “O Banco do Brasil era o principal banco do País, mas, com a fusão do Unibanco com o Itaú, passou a ser o segundo”, afirmou ele num almoço oficial para o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono. “Agora, queremos que o Banco do Brasil seja muito maior que qualquer outro banco brasileiro”, arrematou.

O presidente afirmou, no entanto, que somente tomará a decisão final sobre valores após consultar Serra, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do BB, Antônio Francisco de Lima Neto. O encontro entre Lula e Serra está marcado para as 16 horas, no Palácio do Planalto.

Na conversa com Lula, Serra tentará reavivar o pacote que apresentou ao governo federal desde o início do ano: além de vender a Nossa Caixa, ele quer federalizar as Centrais Elétricas de São Paulo (Cesp). A venda da Cesp começou a fazer água depois que o governo federal se negou a renovar concessões das hidrelétricas de Jupiá e Ilha Solteira, mas Serra insistirá no negócio ampliado.

As negociações para a compra da Nossa Caixa pelo BB começaram no início do ano. Um dos principais atrativos do banco são os depósitos judiciais, que estão na casa de R$ 16 bilhões. O negócio começou a se viabilizar recentemente, quando os governos Lula e Serra identificaram vários pontos de convergência.

Desde o anúncio da união do Itaú com o Unibanco, o BB perdeu o posto de maior banco brasileiro e isso se transformou numa obsessão para o presidente Lula. A compra da Nossa Caixa não devolverá o primeiro posto ao BB, mas o deixará perto.

Para o governo Serra, a venda da Nossa Caixa vai gerar recursos para aumentar os investimentos do governo paulista em 2009, questão vital para emoldurar uma eventual candidatura de Serra à presidência em 2010. Por isso, Serra quer receber dinheiro pela venda, de forma que o pagamento possa se transformar rapidamente em investimentos em infra-estrutura.

A venda direta ao BB permitirá ao governo paulista alienar a Nossa Caixa sem enfrentar protestos da CUT e de sindicatos de bancários paulistas, o que seria inevitável se a venda fosse feita a um banco privado.

Por último, Serra planejava fazer da Nossa Caixa uma espécie de BNDES estadual, para alavancar a atividade econômica em regiões menos desenvolvidas do Estado. Mas depois ele resolveu criar uma Agência de Fomento para cumprir essa função. A venda da Nossa Caixa permitirá que uma parte do dinheiro vá para a agência.

CARLOS MARCHI, VERA ROSA E DENISE CHRISPIM MARIN

14/11/2008 - 11:39h Cai 83% o lucro líquido da Nossa Caixa no terceiro trimestre

O título acima é mais adequado, na minha modesta opinião, que o escolhido pela Folha no artigo a seguir. Mais ainda se comparamos, por exemplo, com o título de outro artigo da própria Folha: “BB lucra R$ 1,8 bi no 3º tri e vai às compras”.

A compra do banco estadual parece ser questão de dias permitindo ao governador Serra um bom reforço de caixa. A Nossa caixa já tinha sido posta a contribuição com a compra por mais de R$2 bi da folha de pagamento dos servidores estaduais, sendo que a maioria já tinha sua conta na Nossa Caixa. O dinheiro do banco, equivalente ao lucro liquido de 4 anos, também foi para o caixa do governo estadual. Talvez isto explique em parte a frágil situação do banco e o ardente desejo de Serra de obter com sua venda ao BB um reforço das finanças estaduais, que o banco já não poderia oferecer. LF

http://www.adusp.org.br/noticias/Informativo/221/caixa.jpg

Nossa Caixa tem lucro líquido 87,5% maior até setembro

DENYSE GODOYFOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL

O lucro líquido da Nossa Caixa caiu 83% no terceiro trimestre deste ano, passando dos R$ 411 milhões registrados no segundo trimestre para R$ 70 milhões. Houve melhora, porém, em relação ao mesmo período de 2007, quando o banco teve prejuízo de R$ 68 milhões. No acumulado de 2008, o lucro líquido é de R$ 596 milhões, um aumento de 87,5% ante igual intervalo do ano passado.
Os ativos totais recuaram 1,1% no terceiro trimestre na comparação com o segundo, para R$ 53,4 bilhões. “A queda se deu em função de uma diminuição da carteira de valores mobiliários. Alguns títulos venceram e não foram repostos para que o banco ficasse com um pouco mais de liquidez”, explicou Milton Santos, presidente da instituição. Ante o terceiro trimestre de 2007, os ativos cresceram 15%.
Os depósitos na Nossa Caixa somaram R$ 34 bilhões no final de setembro, dos quais R$ 15,8 bilhões são judiciais, R$ 11 bilhões, de poupança, R$ 3,4 bilhões são à vista, e R$ 3,8 bilhões, a prazo.
Nas operações de crédito, a Nossa Caixa superou a média do mercado com uma alta de 33% na sua carteira -que atingiu R$ 11,5 bilhões-, no período de julho a setembro, enquanto no sistema em geral a elevação foi de 22,7%. Esse volume não inclui o R$ 1,409 bilhão em carteiras de crédito que a instituição havia comprado de outros bancos até setembro, segundo Santos. A Nossa Caixa deve adquirir mais R$ 1,019 bilhão até o final do ano e R$ 1,467 bilhão em 2009. São cerca de dez as instituições vendedoras.
O carro-chefe do banco paulista, o crédito consignado, avançou 35,9% em relação a 2007, para R$ 4,5 bilhões -a média do mercado foi de um aumento de 23,8%. “As instituições que apostam nos empréstimos para aposentados pelo INSS estão vendo o número de operações cair. Mas nós damos ênfase ao servidor público estadual”, disse Santos.
O executivo afirma não temer que o banco perca essa parte da sua identidade caso seja realmente vendido para o Banco do Brasil. “O BB, com a experiência que tem de lidar com o servidor público federal, terá condições de ampliar a posição junto ao funcionário estadual”, destacou.
Com a crise financeira internacional chegando ao Brasil, a expectativa é de que a taxa de crescimento do crédito observada neste ano não se repita no próximo. Os níveis de inadimplência da Nossa Caixa não devem aumentar muito, entretanto, justamente porque o maior montante de crédito concedido pelo banco é no segmento consignado.
Quanto à compra pelo Banco do Brasil, Santos disse esperar que aconteça “o mais rápido possível”. “A negociação está evoluindo”, comentou. “A fusão de bancos é uma tendência mundial, um movimento para fortalecer as instituições que se intensificará no Brasil.”

13/11/2008 - 13:50h A alquimia do Estadão

http://veja.abril.com.br/070606/imagens/brasil5.jpgOs anteparos ideológicos permitem ao Estadão travestir o chumbo em ouro. Mas os limites da mágica ilusionista são a realidade, como critério da verdade. O chumbo continua chumbo.

No espaço que o jornal dedica a sua luta ideológica em favor dos temas prediletos da direita, o Estadão publicou hoje um apoio explicito a política de José Serra no governo de Estado e contra o PAC. O título do editorial é um programa: “PAC paulista é melhor”.

O entusiasmo, o mesmo do jornal Valor (Me engana que eu gosto), utiliza com a mesma desenvoltura as cifras fornecidas pelos secretários da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, e do Planejamento, Francisco Vidal Luna do governo estadual.

Essas cifras estão infladas no que concerne os investimentos estaduais e não correspondem com os dados federais sobre o PAC. Para o jornal aparentemente, pouco importa.

Como tampouco importa qualquer comparação séria entre, por exemplo, o leilão das estradas federais e seu equivalente com as estradas paulistas. Por isso, tanto faz se para encher o cofre do governador em vistas de 2010, os pedágios estaduais são uma extorsão que contribui para alimentar a pressão inflacionaria e os leilões federais estabelecem os pedágios bem mais em conta. A questão não é nem evocada.

O cinismo chega a tal ponto no artigo, que é elogiada a compra-venda compulsória feita pelo governador, da folha dos servidores estaduais para o banco Nossa Caixa. A maioria dos servidores já tinha sua folha nesse banco, que pertence ao próprio Estado, e o banco foi obrigado a repassar mais de R$2 bi para o orçamento estadual, o equivalente a mais de 4 anos de lucro liquido do banco. Depois é elogiada a venda do mesmo banco para o BB, porque permite continuar a fazer caixa, mesmo que o comprador é o governo federal via BB.

A boa vontade do Estadão com Serra é tal (a mesma que no passado recebera Alckmin), que chega até a elogiar o substancial aumento da carga tributária estadual, bem acima da inflação, sem sequer repetir o que sempre escrevem nesses casos recomendando abaixar os impostos. Pior, se extasiam perante o aumento do endividamento do Estado. Endividamento que foi ampliado pela boa disposição do governo federal e que agora será, aparentemente, novamente ampliado pelo Senado, para reforçar -com dívidas- o caixa do governador. Percebe-se quanto era hipócrita e partidária a gritaria do mesmo jornal e dos demo-tucanos quando Marta tentou negociar a situação da dívida feita por Maluf-Pitta na prefeitura da capital.

Mas, será que toda esta gigantesca montanha de dinheiro conhecerá um destino diferente, daquela outra montanha gigantesca obtida por FHC com as privatizações?

A Polícia Civil de São Paulo, segundo reportagem do próprio Estadão, ganha menos que a do Estado de Alagoas. Os servidores municipais com salários bem desfazados com relação a inflação e aos dos seus homólogos federais ou mesmo de outros Estados bem menos ricos que São Paulo.

Os resultados na educação pifios e apenas atingem a media nacional. Mesmo em matéria de obras, a passo de tartaruga no metrô e sem grande progresso no Rodoanel. Para um jornal que insiste em dizer que as obras do PAC estão atrasadas, é muita falta de equilíbrio.

Um “press-release” do governo estadual teria sido seguramente mais comedido.

O que é mais evidente ainda com este editorial é que a mídia de São Paulo claramente assume seu lugar na campanha de José Serra a presidente em 2010. Dificilmente este tipo de posicionamento, retomado regularmente pelos articulistas em outras páginas dos mesmos jornais, deixará de impregnar o conjunto da cobertura dos próprios jornais.

Esse monopólio da mídia em favor de um partido e um candidato é um perigo para a democracia e para a própria liberdade de imprensa.

O pluralismo é a primeira vítima, a segunda é a verdade e por último é a própria liberdade que estará ameaçada.

Luis Favre

http://img522.imageshack.us/img522/4153/senliberdadeaverdadenonoc3.jpg

Jornal O Estado de São Paulo

Opinião

O PAC paulista é melhor

O governo de São Paulo investiu em obras de infra-estrutura R$ 9 bilhões, em 2007, e R$ 12,7 bilhões, entre janeiro e outubro de 2008, enquanto o governo federal aplicava, nos mesmos períodos, respectivamente, R$ 8 bilhões e R$ 8,2 bilhões nas obras incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Pode-se afirmar, portanto, que a versão paulista do PAC é mais eficiente que a do governo federal – e para isto contribui tanto a firmeza no controle de despesas como a boa gestão dos projetos.

A política do governo paulista consiste em gerar recursos para investir usando os meios disponíveis, do enxugamento de gastos de custeio ao aperfeiçoamento tributário, sem preconceitos contra privatizações, concessões de serviços públicos ou venda de ativos a outros entes estatais, como relataram ao jornal Valor de segunda-feira os secretários da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, e do Planejamento, Francisco Vidal Luna.

O Banco Nossa Caixa, por exemplo, já pagou ao Tesouro paulista R$ 2 bilhões para administrar a folha de pagamento do Estado. Agora, está prestes a ser concluída a venda do controle da Nossa Caixa para o Banco do Brasil, o que propiciará ao Tesouro uma receita da ordem de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões.

Em março, o governo estadual tentou privatizar a Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Não teve êxito, mas nem por isso desistiu. Quer agora que a União aumente o prazo de concessão das Usinas Jupiá e Ilha Solteira, que expira em 2015 – sem o que não haverá investidores dispostos a comprar a Cesp.

Em 2007, São Paulo obteve R$ 2 bilhões ao conceder à iniciativa privada o Trecho Oeste do Rodoanel. Serra não dá atenção ao “debate ideológico”, notou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que privatizou as telecomunicações e a distribuição de energia e acabou com o monopólio da Petrobrás.

São Paulo recorre também às Parcerias Público-Privadas (PPPs) para tocar obras e projetos, como a Linha 4 do metrô e a produção e distribuição de água em Mogi das Cruzes. Até o final do ano, quer fazer PPPs para reformar trens antigos e comprar vagões novos para a Linha 8 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e lançar um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para a Baixada Santista.

Atuando em outra frente – a da reorganização fiscal – o Estado elevou a receita tributária em 13,5% acima da inflação, entre janeiro e agosto, sem criar impostos ou aumentar alíquotas. Ao mesmo tempo, cortou 15% dos cargos em comissão, economizando R$ 77 milhões, e auditou a folha de pagamento, poupando R$ 400 milhões. O uso maciço do sistema de pregão eletrônico nas compras permitiu reduzir seu custo em 28%, calcula a Secretaria da Fazenda. A renegociação de contratos gerou outros R$ 600 milhões de economia e foi feito um programa de parcelamento de débitos de R$ 8,4 bilhões, que propiciou receita extra de R$ 1,1 bilhão. A criação da Nota Fiscal Paulista, com devolução de R$ 270 milhões para 13 milhões de pessoas e um programa de sorteio de prêmios, está ajudando no combate à sonegação.

O resultado desse conjunto de políticas é que a capacidade anual de investimentos do Estado passou de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões, em janeiro de 2007, para R$ 17,7 bilhões, hoje. Com maior superávit primário, a capacidade de endividamento paulista ampliou-se em R$ 6,7 bilhões. Depende da aprovação do Senado a elevação desse limite em mais R$ 3,5 bilhões. Com isto, em 2009 São Paulo deverá investir R$ 18,2 bilhões, 50% mais do que em 2008 – e a participação dos investimentos nas despesas totais passará de 4,73%, em 2003, para 10,82%, no ano que vem, calcula Vidal Luna.

Rodoanel, metrô, estradas vicinais, recuperação e implantação da malha rodoviária, habitação, saneamento, tratamento e coleta de esgotos, expansão das escolas técnicas e faculdades de tecnologia e programas de inteligência policial estão entre os investimentos previstos para 2009. Na elaboração do orçamento, a prioridade passou a ser investir em projetos bem-feitos e exeqüíveis, não gastar. Esta é a diferença entre as administrações estadual e federal.

13/11/2008 - 10:03h Maldades e bondades

CELSO MING – O Estado SP

celso_ming2.jpgA discussão da hora é se o governo deve ou não adotar políticas anticíclicas.

Trata-se de decisões de política econômica contra a paradeira da economia. A idéia é: se tudo vai bem, é melhor aplicar políticas de austeridade para equilibrar as finanças públicas. Se vai mal, é preciso gastar mais para ajudar na recuperação do sistema produtivo.

O Fundo Monetário Internacional, que sempre se bateu pelo rigor fiscal, agora recomenda o aumento das despesas públicas para ajudar a enfrentar a recessão que vem vindo braba.

Aqui essas políticas são mais conhecidas como sacos de maldades ou de bondades. O que se pede agora é que o governo despeje o conteúdo de sacos de bondades. Essas coisas estão chegando mais com propósitos eleitorais do que técnicos. O horizonte das manobras são as eleições presidenciais de 2010. E o quadro de fundo é o de que o presidente Lula não tem candidato vendável ao eleitor enquanto a oposição tem pelo menos dois nomes.

Isso posto, o governo Lula mandou que a Caixa Econômica Federal despejasse R$ 3 bilhões para reforçar o capital de giro das imobiliárias e que o Banco do Brasil (BB) enfiasse outros R$ 4 bilhões no crédito para compra de veículos.

Mas tanto o governador de São Paulo, José Serra, como o de Minas, Aécio Neves, ambos do PSDB, estão empenhados em mostrar serviço em escala nacional. As bondades de Serra prevêem R$ 4 bilhões da Nossa Caixa para financiar veículos.

E aí vai um lance especial de esperteza de Serra, que faz cumprimentos com chapéu alheio. Se o dinheiro é da Nossa Caixa, que será repassada ao BB, fica óbvio que os financiamentos acabarão sendo ativos do BB, com prazo de vencimento superior a dois anos.

O pacote de Aécio é mais modesto, de R$ 470 milhões, a serem distribuídos pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais para ajudar o setor produtivo a enfrentar a crise.

Boa pergunta consiste em saber se a paradeira das vendas da indústria automobilística é devida à falta de financiamento ou a certo esgotamento do mercado. Há boas razões para acreditar que é falta de mercado.

Em 2007, as vendas de automóveis cresceram 28% e, neste ano até outubro, 23%, avanços tão fantásticos como insustentáveis. Na maior parte desse período, os financiamentos foram feitos por mais de 36 meses. No início do ano, chegaram a ultrapassar 90 meses, o que levou o ministro Mantega a anunciar a intenção de intervir para reduzir os prazos. Isso significa que uma larga fatia do mercado parece atendida. O consumidor ainda está pagando seu carro e não pretende voltar tão cedo à concessionária.

Além disso, o estancamento do crédito ocorrido há cerca de um mês não se deveu a problemas nos bancos, como aconteceu no exterior. Apareceu com o estouro das operações com derivativos de câmbio, que lançaram dúvidas sobre a capacidade de pagamento de muitas empresas. Como o problema já está equacionado, o fluxo do crédito começa a ser restabelecido.

Dentro de algumas semanas saberemos até que ponto mais crédito à compra de veículos será suficiente para a retomada da produção. E, se for para combater a recessão que vem vindo aí, convém perguntar se o segmento a ser atendido prioritariamente é o de veículos.

Confira

Erro de foco – Vai ser difícil para o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, livrar-se da pecha de incompetente.

Há menos de um mês, praticamente chantageou o Congresso para que aprovasse o pacote de US$ 750 bilhões, mas ontem reconheceu que o pacote não está funcionando. Ele quer agora mudar o foco e passar a financiar o consumo.

O problema é que as demandas estão aumentando: é o resgate das hipotecas, o socorro à indústria de veículos, a capitalização dos bancos, a recessão fazendo estrago… E o governo Bush com sua credibilidade quase zero.

13/11/2008 - 09:41h BB pode herdar pacote paulista

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Renée Pereira = O Estado SP

O pacote de R$ 4 bilhões anunciado na terça-feira pelo governador de São Paulo, José Serra, deverá parar, em breve, nas mãos do governo federal. O dinheiro será liberado pela estatal estadual Nossa Caixa aos bancos de montadoras para financiar a compra de veículos pelos consumidores. A instituição, no entanto, está perto de ser vendida ao Banco do Brasil, que dias antes havia lançado pacote de ajuda ao setor automobilístico também no valor de R$ 4 bilhões.

Isso significa que, apesar da apresentação feita em São Paulo, com a presença do governador paulista e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a responsabilidade e o risco pela liberação dos recursos poderá ficar por conta do banco federal, cuja carteira de crédito para financiamento dos bancos de montadoras somará R$ 8 bilhões com a aquisição da Nossa Caixa. Hoje o portfólio do Banco do Brasil para financiar veículos é de R$ 5 bilhões.

Procurado, o governo paulista não quis comentar o fato de ter lançado o pacote às vésperas da venda da Nossa Caixa ao Banco do Brasil. Mas argumenta que não pode ficar parado enquanto a crise se agrava e afeta um dos setores mais importantes da economia do Estado.

12/11/2008 - 14:26h Nossa Caixa tem R$4 bi para emprestar para as montadoras nos próximos dois meses?

A Folha SP fez a principal manchete de capa com a anúncio do governador Serra para as montadoras: “SP libera R$4 bi para montadoras”, proclama o título principal e embaixo o jornal acrescenta: “Valor é igual ao disponibilizado pelo governo federal; em outubro venda de veículo caiu pela 1° vez no ano”. Também na capa é indicado artigo de Vinicus Torres Freire, que como no artigo de Kennedy Alencar que reproduzi embaixo, põe uma série de reparos ao anúncio do governador.

Aos que pretendem que a oferta teria só efeito de propaganda, pois a Nossa Caixa está prestes a ser adquirída pelo Banco do Brasil, o governador respondeu com razão que a venda pode demorar ainda vários meses, ou não se realizar, enquanto as necessidades da indústria automobilística são prementes.

Como diz até o título do artigo do jornal Valor que reproduzi no blog Ajuda de R$ 8 bi ao setor automotivo dá alívio de dois meses ; ou seja os R$4 bi já oferecidos pelo governo federal (dos quais já foram utilizados R$1,5 bi pelas montadoras), adicionados dos R$4 bi oferecidos por Serra são além de urgentes, só uma injeção necessária para passar o aperto imediato aguardando a retomada das vendas.

Quero deixar explicito meu apoio a esta intervenção, tanto do governo federal, como do governo estadual, para enfrentar o impacto da crise do crédito na economia real do país.

A questão que me preocupa é se existe essa disponibilidade de R$4 bi do banco Nossa Caixa. Ninguém fez essa pergunta ao presidente do banco, nem ao governador. Nenhum jornal quis levantar está questão. Ela me parece, porém, pertinente.

Segundo as informações dos jornais as negociações pela venda da Nossa Caixa ao Banco do Brasil giram entorno de R$6,5 a R$7 bi. Como pode um banco valer esse montante e ao mesmo tempo estar em condições financeiras e de liquidez para emprestar nos próximos dois meses R$4 bi?

Procurando o balanço do banco encontrei o quadro a seguir:

Informações financeiras (Fonte aqui)

Nesta seção estão contidos os principais indicadores e informações financeiras relacionados à performance do Banco Nossa Caixa S.A.

Indicadores 2007 2006 2005 2004 2003
ROAE (%) 11,0 17,8 33,7 18,2 27,6
ROAA (%) 0,7 1,2 2,4 1,2 1,7
Índice de Eficiência (%) 63,6 56,0 49,7 60,6 56,9
Índice de Basiléia (%) 15,8 23,4 24,3 28,9 28,7
Margem Financeira (%) 8,8 10,5 12,5 9,8 10,9
Lucro por ação 2,83 4,24 7,15 10,06 12,59
Resultado R$(mil) 2007 2006 2005 2004 2003
Resultado da intermediação financeira antes da provisão 3.562.355 3.633.579 3.741.280 2.689.855 2.686.432
Provisão para crédito de liquidação duvidosa (624.829) (689.066) (490.706) (328.724) (234.539)
Receitas de prestação de serviços 887.932 655.057 474.870 436.823 322.559
Despesas de pessoal e administrativas 2.482.764 2.259.702 1.998.434 1.848.310 1.541.970
Resultado Operacional 142.449 831.161 1.305.044 690.524 872.118
Lucro Líquido 303.127 453.472 765.569 358.840 449.342
Balanço Patrimonial R$(mil) 2007 2006 2005 2004 2003
Títulos e Valores Mobiliários 27.506.078 25.378.262 20.937.118 21.190.478 17.708.714
Operações de Crédito 8.738.411 7.166.642 6.103.002 4.871.940 3.820.962
Ativos Totais 47.430.638 39.307.649 33.401.894 31.254.507 27.537.704
Depósitos Totais 32.374.105 27.551.208 24.669.928 26.679.717 23.566.666
Patrimônio Líquido 2.765.660 2.598.951 2.298.707 2.163.340 1.823.642

Em 2007 Nossa Caixa comprou a folha de pagamento dos servidores estaduais por mais de R$2Bi. Será que em 2008 o banco dispõe de capacidade de crédito equivalente ao anuncio feito pelo governador?

De onde sairão os R$4 bi?

Luis Favre

12/11/2008 - 11:36h Financiamento de Nossa Caixa para montadoras

análise

Efeitos de medidas serão mais políticos

http://www.agenciapreview.com/DBImages/600X400/2542.jpg

Kennedy Alencar – Folha SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Terá mais efeito político que econômico a decisão do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), de anunciar R$ 4 bilhões de financiamento da Nossa Caixa para vitaminar as montadoras de carros.

O Banco do Brasil já colocou R$ 4 bilhões à disposição das montadoras -cerca de R$ 1,5 bilhão foi utilizado até agora. Provavelmente, os recursos da Nossa Caixa não serão usados na íntegra. E as razões são simples.

Os consumidores estão deixando de comprar carros, como mostram dados de queda nas vendas. Não adianta fabricar mais, se não há demanda. Mais: consumidores que compraram veículos começam a ter dificuldade de honrar o financiamento. Há sinais de aumento de inadimplência no setor.

Do ponto de vista político, a medida anunciada por Serra ajuda a manter o discurso otimista do governo federal. E também serve para o governador, que já acertou a venda da Nossa Caixa para o Banco do Brasil, fazer um pouco de política eleitoral com uma instituição financeira que em breve não será mais do governo paulista.

Um dos pré-candidatos do PSDB à Presidência em 2010, Serra é um crítico da política econômica de Lula. No entanto, evita aparecer como alguém que torce contra -impressão que poderia passar com um discurso agressivo.

O tucano atua no sentido contrário. Aparece como alguém afinado com Lula, disposto a adotar medidas para manter a economia brasileira aquecida. Nesse sentido, é conveniente o anúncio das medidas em benefício das montadoras de automóveis, um setor da economia com uma cadeia produtiva longa. Ou seja, altamente empregador. O setor é também uma espécie de termômetro da economia, e os sinais que vem dando são preocupantes.

No mesmo dia, o concorrente de Serra no PSDB, Aécio Neves, também lançou seu pacote para Minas Gerais, Estado dependente de produtos mais afetados pelos humores da crise, como a mineração. Para Aécio, é importante firmar a imagem de bom gestor, característica já associada a Serra.

12/11/2008 - 11:04h Ajuda de R$ 8 bi ao setor automotivo dá alívio de dois meses

Anna Carolina Negri / Valor

Presidente da Nossa Caixa, Milton Luiz Santos: medida para restabelecer a liquidez e estimular a economia real

Fernando Travaglini, VALOR de São Paulo

Os bancos de montadoras comemoraram os bons resultados de vendas no último fim de semana, o primeiro depois da ajuda de R$ 4 bilhões em empréstimos do Banco do Brasil anunciada na semana passada. Ontem foi a vez do governo de São Paulo liberar outros R$ 4 bilhões por meio da Nossa Caixa, como forma de estimular a retomada dos financiamentos de veículos.

A destinação de recursos para a desobstrução do crédito faz parte do esforço do governo para reduzir o impacto da crise de liquidez sobre a economia brasileira. Desde o agravamento da crise, em meados de setembro, os bancos reduziram fortemente a oferta de recursos e o setor de veículos foi um dos que mais sofreram.

Apesar da ajuda de R$ 8 bilhões, o volume pode ser insuficiente para que se retomem os patamares de vendas recordes registradas meses atrás. Isso porque, até setembro, em média, os bancos concederam montantes da ordem de R$ 4,5 bilhões mensais em crédito direto ao consumidor (CDC) e outros R$ 3 bilhões em leasing apenas para as compras de pessoas físicas neste ano, segundo dados do Banco Central.

Para manter o mesmo patamar de vendas, portanto, seriam necessários cerca de R$ 8 bilhões a cada mês, já que a dependência do crédito é bastante grande, com quase 70% das aquisições de automóveis feitas por meio de financiamento bancário. Prova disso é que em outubro, início do aperto de liquidez e da redução dos empréstimos, a indústria automobilística registrou redução de 11% das vendas em relação a setembro.

A expectativa, portanto, é que esses recursos dêem um alívio para o setor até o fim do ano. Segundo Jackson Schneider, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a ajuda deverá cobrir o período de retomada do crédito, até que a oferta dos bancos privados volte ao normal.

Segundo ele, a estimativa de crescimento para o setor neste ano, de 24%, ainda não foi revisada, mas para o próximo ano é esperada forte desaceleração, com ritmo de expansão na casa de um dígito.

Desde a ajuda do Banco do Brasil, que ofereceu empréstimos interbancários para as instituições financeiras ligadas às montadoras na semana passada, o mercado começou a destravar, segundo Luiz Montenegro, presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef). A Anef se prontificou a intensificar as promoções de juros mais baixos, até mesmo oferecendo linhas sem juros, para retirar o consumidor do estado de desconfiança e incentivar a compra de automóveis.

Parte dos créditos concedidos no fim de semana aos clientes já inclui a liberação dos recursos por parte do banco estatal. O total liberado pelo BB já se aproxima de R$ 1,5 bilhão para oito instituições, segundo a Anfavea. Esses recursos se somam agora aos R$ 4 bilhões da Nossa Caixa.

A linha do banco paulista poderá ser liberada por meio de uma transação interfinanceira tradicional (DI “clean”), para 15 instituições financeiras ligadas as montadoras, que operam no país, dependo do volume e da capacidade de crédito da instituição tomadora de acordo com analise da própria Nossa Caixa. Os prazos são de 18 meses.

Outra opção será por meio da vinculação dos empréstimos a cédulas de crédito bancário (CCB), com a garantia dos contratos de crédito ou de leasing em carteira emitidos pela instituição. Essa opção, que utiliza a plataforma Cetip, não era muito usada pelo mercado, mas passou a ser mais atrativa depois do agravamento da crise financeira.

A expectativa dos bancos de montadoras é que os custos dos empréstimos sejam os de mercado para as operações sem garantia e a taxas ainda mais baixas do que o CDI para transações com garantia.

De acordo com Milton Luiz de Melo Santos, presidente da Nossa Caixa, a medida se justifica pela importância do segmento para a economia, especialmente no caso de São Paulo, já que quase metade das 25 montadoras, 70% de toda a indústria automobilística e cerca de um quarto das concessionárias estão no Estado. Segundo ele, os recursos são necessários para “restabelecer a liquidez financeira e estimular a economia real”.

A situação se tornou dramática no mês de outubro, quando muitos bancos reduziram as ofertas, especialmente para veículos usados. Alguns concessionários ouvidos pelo Valor disseram que muitas financeiras simplesmente paralisaram as concessões de novas linhas enquanto outras elevaram os juros a níveis até duas vezes mais altos.

11/11/2008 - 20:08h Me engana que eu gosto II

http://pedroewbank.files.wordpress.com/2008/06/serra.jpgOntem o jornal O Estado de SP informava sobre as negociações entre o Banco do Brasil e o governo estadual de São Paulo pela compra da “Nossa Caixa”. Segundo o jornal:

“A negociação com a Nossa Caixa está perto de ser fechada, mas depende de três acertos, envolvendo diferentes combinações de preço, condições de pagamento e prazo. As negociações de preço têm variado entre R$ 6,4 bilhões e R$ 7 bilhões. O governo de São Paulo quer receber à vista. Já o BB quer concluir o pagamento em três anos. Enquanto o governador José Serra quer que todo o valor seja pago em dinheiro, o governo federal quer que uma parte do pagamento seja feita em ações do Banco do Brasil.”

Hoje, o governador ofereceu R$4 Bilhões em crédito para as montadoras. Mas se o BB desistir da compra, será que a Nossa Caixa terá como honrar o compromisso do governador com as montadoras?

Segundo o Blog de Josias:

“O dinheiro vem da Nossa Caixa, banco estatal paulista. Será emprestado a casas bancárias e financeiras ligadas às montadoras de carros.

Num instante em que tenta se firmar como presidenciável, Serra cuidou pessoalmente do anúncio da novidade. Fez o que pôde para dar à iniciativa uma dimensão nacional.

O governador comparou São Paulo a Brasília: “São cerca de R$ 4 bilhões –equivalente ao montante que o Banco do Brasil anunciou semana passada…”

“…Portanto, nós estamos anunciando esforços com o governo federal, no sentido de fornecer crédito para manter o nível de emprego na economia…”

“…Num setor muito importante que é o automobilístico, cuja cadeia emprega, no Brasil, cerca de 1,5 milhão de pessoas”.

Era nítida a intenção de Serra de “nacionalizar” a iniciativa paulista: “Essa linha de crédito da Nossa Caixa, que é um banco estadual, beneficia as montadoras de automóveis de todo o Brasil…”

“…Ela não é restrita ao Estado de São Paulo, ela vai se dirigir às financeiras das montadoras e aí são 15 financeiras que cobrem, praticamente, todo o setor automobilístico…”

“…Quando eu digo automobilístico, estamos incluindo também, além de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos, veículos utilitários, enfim, toda a gama de veículos que são produzidos no nosso país”.

O anúncio chega num instante em que o Banco do Brasil negocia com o Estado de São Paulo a compra da Nossa Caixa.

Ou seja, logo, logo a linha de crédito pode passar da esfera estadual para a federal. Até lá, Serra já terá faturado a iniciativa.”

Eu já tinha indicado no post Me engana que eu gosto, que a jogada de marketing do governador só funciona pela pusilanimidade de uma certa mídia. Será que algum jornalista perguntou para o governador se não estaria fazendo generosidade com o chapéu alheio?

Amanhã, a resposta nos jornais paulistas. LF