17/12/2008 - 11:21h Petistas obstruem venda da Nossa Caixa

César Felício, de São Paulo - VALOR

A Assembléia Legislativa deverá votar hoje o projeto de lei que permite a absorção da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. A base de sustentação do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), foi surpreendida pela disposição do PT de criar obstáculos para a aprovação da proposta, já que contava que o partido não iria se opor a um projeto do interesse de uma instituição financeira federal.

Coordenador da ação do partido contra o projeto, o deputado estadual Rui Falcão (PT) impediu a votação em plenário ainda ontem ao apresentar uma emenda convocando um referendo popular para tornar definitiva a incorporação do banco popular paulista. A votação foi transferida para hoje, já que o regimento interno obriga a publicação no Diário Oficial de todas as emendas.

Foi uma forma de ganhar tempo para que o Tribunal de Justiça examine um mandado de seguro com pedido liminar para que a tramitação do projeto seja interrompida. Ao impetrar o mandado ontem, Falcão alegou que a incorporação teria que ser feita por emenda constitucional, já que a Constituição do Estado cita nominalmente o banco como agente financeiro do tesouro estadual.

“O PT havia decidido não obstruir. Parece que mudou de idéia. Vou propor que as reuniões do colégio de líderes comecem a ser gravadas e registradas em atas”, ironizou o líder governista na Casa, deputado Barros Munhoz (PSDB). “Nunca existiu acordo”, rebateu Falcão.

O deputado petista levantou razões políticas para o partido se opor ao projeto. “O governador se desfaz do banco, engorda seu caixa de campanha e transfere todo o desgaste possível do fechamento de agências para o Banco do Brasil e para o governo federal. Meu dever é lutar até as últimas consequências para que este crime não se consuma”, afirmou, ao expor sua posição para deputados em reunião conjunta das comissões. Segundo Falcão, o Banco do Brasil não é um braço do governo federal, mas “uma sociedade anônima de direito privado”.

Apesar da resistência petista, somente a ação judicial poderá impedir a aprovação da proposta do governo Serra, que conta com o apoio de 71 dos 94 deputados estaduais. A aprovação na Assembléia Legislativa é o último passo legal para que o banco estadual seja absorvido pelo Banco do Brasil, em uma transação que proporcionará R$ 5,3 bilhões para que Serra possa tentar cumprir sua meta estadual de investimentos.

24/11/2008 - 17:09h Debater é preciso

DE OLHO NOS DEPUTADOS
          estaduais de SP          OPINIÃO



 

Venda da Nossa Caixa: acordo que interessa a situação e a oposição

Imprensa, governo do Estado, governo federal, deputados estaduais da situação e da oposição de São Paulo parecem sofrer de uma amnésia. Isto porque desde que foi anunciada a venda da Nossa Caixa ao Banco do Brasil, no último dia 20 de novembro, as notícias e comentários da transação foram invertidos e passou a ser qualificada como a compra da instituição pelo Banco do Brasil, como se o governo do Estado nunca tivesse anteriormente colocado a sua intenção de liquidar este patrimônio público.

O discurso que parece interessar a todos é de que o Banco do Brasil, bastante preocupado com a perda da liderança no mercado financeiro nacional pela fusão do Itaú e Unibanco, com a compra volta figurar como a segunda maior instituição financeira do país. “Essa é uma compra que faz sentido dentro do contexto do BB e atende ao nosso objetivo de crescer em participação no Estado de São Paulo”, afirmou o presidente do BB, Lima Neto.

Este discurso atende muito bem a ambos os lados. Aos tucanos paulistas que tiram dos ombros o peso de ver o governador José Serra ser acusado de estar vendendo um patrimônio do governo do Estado e de ser privatista e a oposição que também não fica ameaçada de conviver com as críticas do presidente Lula estar “ajudando” Serra a fazer sua campanha à presidência para 2010 – com mais dinheiro em caixa, Serra pode fazer mais obras e, por consequência, ter mais o que mostrar como candidato.

O grande acordo também parece interessar aos funcionários da Nossa Caixa que acreditam que passarão a ter o “status” de funcionários do Banco do Brasil, inclusive com ganhos salariais. Só que já se ventila o fechamento de pelo menos 30 agências.

Para a efetividade da transação são necessárias, ainda, a liberação do Banco Central e a aprovação da Assembléia Legislativa de São Paulo, que pelo que foi exposto acima não deverá ser entrave para a negociação.

Um questionamento que fica é por que o governo estadual não fez um leilão, dando a oportunidade também a outros bancos de fazerem propostas?

É certo que, sem a Nossa Caixa, o governo paulista perderá importante braço financeiro para intervir no setor produtivo, especialmente em momentos de crise de crédito. Para financiar projetos de interesse do Estado, o governo paulista deverá contar com uma agência de fomento com capital autorizado de R$ 1 bilhão, que funcionará como uma espécie de BNDES paulista. A agência segue o modelo implementado em Minas Gerais e aguarda aprovação do Banco Central para sair do papel. Digamos que seu patrimônio não é tão grande assim para suas pretensões.

A Nossa Caixa foi vendida por R$ 5,3 bilhões e a nós, povo paulista, apenas interessa o que será feito com esse dinheiro.

Em maio/2008, quando das primeiras notícias do interesse do governador Serra em vender a Nossa Caixa, o De olho nos Deputados já perguntava: o que será feito com o dinheiro da venda? Quem vai decidir em que será investido o dinheiro da venda? O Estado de São Paulo realmente precisa se desfazer deste patrimônio, por quê? É assim? O governador decide, a Assembléia aprova e o verdadeiro dono (o povo paulista) não é consultado? Será que alguém vai explicar por que é preciso vender a Nossa Caixa, o que farão com o dinheiro, o que Estado vai ganhar com tudo isso?

O governador José Serra diz que o dinheiro será investido em infra-estrutura e atendimento à área social. Segundo ele, a maior parcela dos recursos será usada para a ampliação do Metrô, modernização dos trens metropolitanos e para a renovação de estradas de acesso a municípios.

Como o dinheiro pertence aos 41 milhões de paulistas não seria interessante alguma forma de discussão com a população para definir onde serão gastos esses recursos e criar verdadeiros mecanismos de fiscalização de sua aplicação?

A Redação do De olho nos deputados de São Paulo

23/11/2008 - 12:11h Transparência

Coluna do ombudsman da Folha hoje

“Nossa Caixa
Banco público é vendido sem leilão; Folha se exime de promover debate sobre o tema por seis meses”

Meu post de ontem

“O que se questiona é a venda da Nossa Caixa, ou seja a decisão política do governador Serra de vender este patrimônio do Estado de São Paulo. Qual é a justificativa do governador? Porque está venda seria positiva para o Estado? Curiosamente ninguém na mídia exige explicações do governador. Mas é um dever de transparência informar a opinião pública sobre esta decisão e debater na Assembléia legislativa sobre suas motivações. LF A decisão de vender Nossa Caixa deve ser discutida com transparência

22/11/2008 - 11:00h Negócio com a Nossa Caixa ficou caro, dizem analistas


A maioria esperava que o valor ficasse entre 1,8 e 2 vezes o patrimônio líquido, mas foi para 2,36 vezes

Renée Pereira - O Estado de São Paulo

O valor pago pelo Banco do Brasil pela aquisição da Nossa Caixa, de R$ 7,6 bilhões, ficou bem acima das projeções feitas pelo mercado financeiro antes do anúncio do negócio, na quinta-feira. Na avaliação dos analistas do setor bancário, o preço foi bastante salgado para um momento de extrema incerteza no cenário mundial, com o valor dos ativos em queda. A maioria esperava que o banco federal pagasse algo entre 1,8 a 2 vezes o valor do patrimônio líquido da Nossa Caixa, mas o valor fechado ficou em 2,36 vezes, R$ 70,63 por ação.

“Achei caro, eles pagaram um múltiplo (variação patrimonial) maior que o verificado na fusão entre Itaú-Unibanco, de 2,3 vezes, e com a qualidade dos ativos inferior”, afirmou o analista da Modal Asset, Eduardo Roche. Ele pondera que, apesar de cara, a aquisição trará benefícios para o BB, já que hoje a Nossa Caixa não tem uma gestão eficiente. Isso significa que há potencial de crescimento em vários setores no médio e longo prazos.

Outro ponto que pesou na análise dos especialistas foi o fato de o BB pagar a aquisição em dinheiro, apesar de ter sido parcelada em 18 meses. “Havia uma expectativa de que pudesse ser troca de ações”, destaca o analista da Planner Corretora, Ricardo Martins.

Na primeira projeção dele, a expectativa era de que o preço pela compra ficasse em R$ 55 por ação. Com a fusão entre Itaú e Unibanco, Martins refez a projeção para R$ 62, ainda abaixo do valor anunciado. “Refiz minha projeção com base na expectativa em torno da argumentação do governo estadual depois da fusão. Eles não venderiam pelo preço anterior. Por isso, saiu caro para o BB.”

O analista da Spinelli Corretora, Max Bueno, esperava que o preço ficasse em, no máximo, 2 vezes o patrimônio líquido da Nossa Caixa. Mas a necessidade do BB de retomar a liderança perdida para Itaú-Unibanco falou mais alto.

Ele destaca ainda que se o banco estadual fosse a leilão o preço seria bem menor por causa dos depósitos judiciais que obrigatoriamente têm de ser geridos por bancos oficiais. “As instituições privadas deduziriam o valor dos depósitos do preço. Isso significa que a Nossa Caixa seria mesmo mais atraente para o BB.”

Essa corrida em busca da liderança do setor bancário brasileiro deixou muitos analistas preocupados com as iniciativas futuras a ser tomadas pelo BB. “A compra da Nossa Caixa pode ser um exemplo do que a instituição federal fará daqui para a frente para retomar o posto de número 1. Há risco de partir para as compras sem olhar preço. Queremos saber quanto ele vai pagar por outras aquisições para se recuperar no ranking”, comenta Roche, da Modal.

No pregão de ontem, as ações da Nossa Caixa subiram 22,81%, para R$ 63, tentando se aproximar da oferta de R$ 70,63. Já as ações do BB recuaram 14,34%.

22/11/2008 - 10:00h NEGÓCIO OPACO

OPINIÃO - O GLOBO

ACERTADA A compra da Nossa Caixa pelo BB, o governo federal deixa transparecer, de forma nítida, a preocupação em fazer o banco voltar à liderança do ranking do setor. A fusão Itaú-Unibanco é cada vez mais vista como uma afronta aos espíritos estatizantes oficiais.

É ATÉ possível que o BB, em 2009, volte a ser o primeiro banco, mas continuará um paquiderme estatal, de lucratividade menor que as instituições privadas, um instrumento sempre a postos para satisfazer projetos de poderosos de ocasião, sejam ou não rentáveis.

DESDE O Império, quando foi fundado, o banco quebrou algumas vezes, e o contribuinte terminou convocado para ressuscitá-lo. Infelizmente, nada indica que essa regra será um dia revogada.

QUANTO AO governador José Serra, os paulistas aguardam dele uma explicação convincente para não ter vendido a Nossa Caixa em leilão, pelo qual poderia fazer um negócio melhor para o Tesouro paulista, e com total transparência.

22/11/2008 - 09:30h BB se compromete a não fazer demissões

Direção firma acordo com sindicalistas

BRASÍLIA e SÃO PAULO. A direção do Banco do Brasil (BB) firmou com sindicalistas um compromisso de que não haverá demissões em decorrência da compra do estatal paulista Nossa Caixa. A informação foi dada ontem pelo presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino, após a reunião com os executivos do BB, que não quiseram se pronunciar.
Luiz Marcolino disse que as conversas com o BB estão em curso desde que as negociações foram anunciadas.
Segundo ele, o processo de realocação de pessoal da Nossa Caixa tem de acontecer, até para que não ocorram demissões. Mas deverá haver um programa interno de requalificação profissional. Ele disse ainda que está previsto um processo de transferência de pessoal onde houver duplicidade de mão-de-obra, mas tudo será negociado. A Nossa Caixa tem 14.300 servidores e 559 agências.
O processo de incorporação da Nossa Caixa pelo BB deverá levar entre 12 e 18 meses. A preocupação do sindicato é que não se percam direitos como valerefeição, entre outros. Um benefício a ser ajustado é da assistência médica. Segundo Marcolino, embora a do BB seja melhor, o funcionário contribui com 4,5%, enquanto o da Nossa Caixa colabora com 3%.
Embora sejam concursados, os funcionários da Nossa Caixa são contratados pelo regime da CLT e não têm estabilidade assegurada — situação semelhante à do BB. Portanto, se o BB quiser, pode demitir.
A saída para uma redução de pessoal, acreditam os sindicalistas, está nas aposentadorias.
Segundo Raquel Kaceunikas, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo, entre este ano até 2010 mais de três mil empregados da Nossa Caixa devem atingir o tempo de serviço para se aposentar.
Para o deputado estadual Davi Zaia (PPS), que também preside a Federação dos Bancários de São Paulo e Mato Grosso do Sul, os números de funcionários aptos a se aposentar traz certa tranqüilidade em relação às ameaças de demissão. Ele disse que os quadros da Nossa Caixa são muito enxutos. (Mônica Tavares, Ronaldo D’Ercole e Vinicius Segalla - O Globo)

22/11/2008 - 09:15h Lula critica posição do PT sobre Nossa Caixa

Presidente afirma que ‘não pode agir com mesquinharia quando se trata dos interesses do país e de São Paulo’

Ricardo Galhardo e Juliana Rangel - O Globo

SÃO PAULO e RIO. Em uma crítica à posição da bancada do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo, que ameaça votar contra a venda da Nossa Caixa para o Banco do Brasil (BB), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não pode agir com mesquinharia. Segundo Lula, o PT, ao usar o argumento de que o dinheiro reforçaria a candidatura do governador José Serra (PSDB) à Presidência em 2010, errou por politizar uma questão comercial.

— O Banco do Brasil não tomou uma posição política ou ideológica. O Banco do Brasil fez um negócio que interessava a ele, à Nossa Caixa, e quem ganha com isso é o Brasil. Vamos ter um banco público mais sólido, mais competitivo, com muito mais agências e dinheiro para podermos irrigar o crédito do Brasil. O que querem mais do que isso? — reclamou.
Lula revelou que o PT usou o argumento eleitoral para tentar barrar o negócio: — O argumento é que eu estaria dando R$ 6 bilhões para o governador Serra, que é um suposto candidato em 2010. Ora, um presidente da República não pode agir com mesquinharia quando se trata dos interesses do país e do povo de São Paulo.
Lula também refutou os temores do Sindicato dos Bancários de São Paulo (de onde saíram os ex-ministros Luiz Gushiken e Ricardo Berzoini, hoje presidente do PT) de que os trabalhadores serão prejudicados: — Não conheço nenhum bancário brasileiro que não quisesse trocar o banco em que trabalha pelo Banco do Brasil.
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, também afirmou ontem que as críticas de petistas à operação não procedem: — Acho que isso é uma visão um pouco ultrapassada. Não acho que esse tipo de política, eu diria assim mesquinha, tem espaço em um Brasil moderno — afirmou. — O que é o atraso? O atraso é o seguinte: venha com um pires na mão me pedir e, se você for simpático a mim eu te dou o recurso; se você não for, não dou. O governo Lula se caracteriza pelo respeito aos entes federados e às populações.

Ações da Nossa Caixa podem subir mais ainda

De olho em uma fatia dos R$ 5,4 bilhões — ou R$ 70,63 por ação controladora — que o BB vai pagar pela Nossa Caixa, investidores correram ontem para comprar ações do banco paulista, que dispararam 22,8%, para R$ 63, a maior alta da Bolsa de São Paulo, que recuou 6,45%. Já os papéis do BB caíram 14,34%.
No início de 2009, o BB comprará os 25% dos papéis da Nossa Caixa ainda em circulação, pelo valor pago aos controladores.
Investidores viram aí uma boa oportunidade: na quarta-feira, antes do anúncio da operação, as ações fecharam a R$ 51,30. No ano, a valorização dos papéis chega a 177,36%, frente à queda de 51,08% da Bolsa. Considerando o fechamento de ontem, o potencial de ganho é de 12,1%.

— O BB vai fazer o pagamento em 18 parcelas, e ainda não se sabe como será feito o tag along (direito ao prêmio pago pelo controle) dos minoritários — diz Eduardo Roche, gerente de análises do Modal Asset, que acredita que o pagamento aos minoritários possa ser feito de uma só vez.

21/11/2008 - 16:41h Gotas

1.000.216

Normalmente é no fim de mês que faço um balanço do blog. Mas acabei de verificar que no dia de hoje o Blog passou o milhão de leitores, desde que em 20 de fevereiro 2008 foi para IG.

Em 9 meses ter atingido esse número de leitores me reconforta. Ao mesmo tempo implica novos desafios para consolidar este instrumento de reflexão e dialogo. A cada mês o número de leitores tem crescido e contrariamente ao que pensei que aconteceria após as eleições municipais, não teve diminuição dos internautas que todos os dias entram nesta casa.

 

Mensalinho

O jornal O Estado de São Paulo fez um retrospecto sobre os escândalos do uso “político” do banco Nossa Caixa.

A nota, por sua vez, é um escândalo.  Para o Estadão o retrospecto para com a chegada dos tucanos ao comando do banco. Nos últimos 14 anos o jornal nada viu. Porem, faz pouco tempo o responsável da publicidade do banco teve que ser afastado pela generosidade com deputados estaduais aliados.

A Nossa Caixa gastou R$ 43,8 milhões em contrato com agências de publicidade, entre setembro de 2003 e julho de 2005. Duas empresas foram beneficiadas. Elas foram contratadas em 2002 para prestar serviços por 18 meses. Vencidos os contratos, os serviços continuaram sendo prestados sem que houvesse nova licitação ou que os contratos tenham sido prorrogados. Há a suspeita, amparada na liberação de verbas e em correspondência eletrônica trocada pelo Palácio dos Bandeirantes com as agências e o banco, de que empresas ligadas a deputados da base de sustentação política do governador foram favorecidas.

Como se vê, uma história mal contada.

Era o governo Alckmin, é o Estadão.

Uma coisa explica a outra?

 

Maioralserra_caricatura2.jpg

“Os bancos estatais brasileiros padecem de três enormes problemas crônicos. O primeiro deles é o clientelismo. Qualquer maioral da política se julga no direito de obter favores especiais”, a frase é da coluna de Celso Ming, articulista econômico do jornal O Estado de São Paulo.

Estranhamente ninguém utilizou este surrado argumento para aplicá-lo ao preço obtido por José Serra pela venda da Nossa Caixa ao BB, nem ao próprio fato dele ter decidido vender o banco. Tampouco serviu esta “verdade” para condenar a compulsória compra da folha de pagamento dos servidores estatais pela Nossa Caixa, imposta pelo governador.

O “clientelismo” só é condenado quando não favorece a escolha “politicamente correta”?

Argumentos

Não encontrei nenhum argumento que explique porque é um bom negocio pra o Estado de São Paulo vender Nossa Caixa e deixar de contar com um banco de incentivo para a indústria e o comércio estadual (Se este banco não for necessário, porque criar uma instituição de fomento, no seu lugar?). Muito foi dito sobre o interesse eleitoral de José Serra, mas ninguém parece considerar que este interesse deveria corresponder ao interesse público do Estado de São Paulo.

A venda da Nossa Caixa é um bom negocio para o Estado de São Paulo?

Porque?

 

 

Parabéns

O Ministério de Turismo está de parabéns. Graças ao seu trabalho e ao apoio das emendas dos parlamentares, o investimento no setor terá um acréscimo importante de verbas. Isto é essencial, particularmente em momentos de crise econômica mundial.

Segundo o jornal Folha de SP, que informa com destaque o assunto, as emendas estão destinadas a “obras de saneamento básico, construção de estradas, melhorias urbanas, investimentos em meio ambiente, qualificação profissional e campanhas de promoção de destinos turísticos.
“Considerando que o orçamento de programação é pequeno em face das necessidades e que o turismo é uma atividade econômica muito importante no país e em franco desenvolvimento, o aporte de emendas é fundamental e característico dos orçamentos do ministério desde 2004″, informou o ministério.
No Orçamento deste ano, de R$ 2,7 bilhões, R$ 2, 2 bilhões tiveram origem em emendas. Em 2007, foram propostos R$ 6,5 bilhões de emendas ao programa do Turismo. Os dados são das consultorias de Orçamento do Congresso.

 

Ar novo

As perspectivas de sucesso da luta mundial para combater o aquecimento global ganharam peso depois que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, deixou claro que o país pretende fazer sua parte nas negociações para a renovação do Acordo de Kioto para redução das emissões dos gases-estufa.

Suas palavras colocaram um ponto final em oito anos de obstruções impostas pelo governo de George W. Bush, que se recusou a ratificar o acordo em 2001, impondo danos incalculáveis aos esforços internacionais de elaborar uma resposta unificada ao problema.

Em contraste, as palavras do presidente eleito, gravadas em vídeo, injetaram novo ânimo e otimismo entre os negociadores.

Embora não vá participar da próxima reunião de clima na Polônia, em dezembro, ele garantiu: — Assim que eu assumir, vocês podem estar certos de que os Estados Unidos vão, mais uma vez, se engajar vigorosamente nessas negociações e ajudar a liderar o mundo em direção a uma nova era de cooperação global em mudanças climáticas. (Fonte The Independent e O Globo).

 

O lado bom

A direita já atira contra Dilma. Escolhendo o lado dos torturadores, ditadores e inimigos da democracia, a direita procura sujar o passado de Dilma Rousseff. O lado escolhido por Dilma na época do regime militar é motivo de orgulho para os defensores da democracia. Torturada e presa, esse passado é um argumento a favor de Dilma Rousseff, mesmo se a opção da “luta armada” não era a mais adequada, na minha opinião.

A direitona faz circular na internet este suposto curriculum vitae para atingi-la. Minha solidariedade para Dilma e meu respeito pela sua coragem.

http://homemculto.files.wordpress.com/2008/11/atgaaablwclsv-qni4uez62h_d1drxeta1bgpqzszwjntsdu9asf4ugzskp4vsi-urtbb5p9h1c3sv248332lwlzud38ajtu9vc7jmmmwnwwed7vksry3mtnzme7ka.jpg?w=455&h=598

 

 

 

Gotas, por Luis Favre

21/11/2008 - 11:29h Promissória?

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/images/LulaSerraZeCruz3.jpg

análise

Negócio entre bancos atende a Lula e a Serra

KENNEDY ALENCAR - FOLHA SP
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Em mais um gesto de boa vizinhança administrativa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de São Paulo, José Serra, fecharam um negócio bom para os dois. A compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil atende aos interesses econômicos e políticos de Lula e Serra.
Contrariado com os grandes bancos privados, que têm segurado a concessão de crédito na crise financeira, Lula estimulou o Banco do Brasil a não deixar brecha para o Bradesco tentar comprar a Nossa Caixa.
A MP (medida provisória) 443, que abria a possibilidade de o BB e a Caixa Econômica Federal comprarem instituições financeiras total ou parcialmente, facilitou a negociação, porque o Bradesco queria um leilão para a venda do banco do governo paulista.
A MP 443 permitiu a compra direta da Nossa Caixa, fundamental para o BB tentar voltar a ser o primeiro no ranking nacional de bancos.
Essa, aliás, é uma meta de Lula: deixar o Palácio do Planalto em 2010 com o Banco do Brasil de novo na primeira posição, perdida após a fusão do Itaú com o Unibanco.
Já Serra ganhará uma bolada para financiar projetos nos seus dois últimos anos de governo.
O tucano pretende ser candidato à Presidência em 2010 e está na dianteira na briga interna no PSDB contra o governador de Minas, Aécio Neves. Serra cobra da equipe agilidade nos projetos para o dinheiro que entrará com a venda. Corre contra o tempo.
Do ponto de vista político, a operação pode ser resumida assim: um mandatário que caminha para os seus dois últimos anos de governo faz um negócio de pai para filho com o pré-candidato a presidente mais forte nas pesquisas. Na linguagem do mercado financeiro, seria uma espécie de hedge lulista.
Na transição dos governos FHC para Lula, um acordo político foi cumprido à risca: o petista não investigaria atos da gestão do antecessor tucano.
Não deixa de ser irônica coincidência o anúncio do negócio entre BB e Nossa Caixa acontecer no mesmo dia em que Lula autoriza, por decreto presidencial, a compra da Brasil Telecom pela Oi. Tudo indica que Serra, se eleito, agirá em relação a Lula como o petista atuou com FHC na rubrica “decisões de Estado com alguma margem para controvérsia”.
Por último, Lula aposta as fichas na candidatura presidencial da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), mas não vê mal em ter boa relação com Serra e Aécio. O petista pode sonhar em concorrer ao Palácio do Planalto em 2014.

21/11/2008 - 10:25h Nossa Caixa: na Assembléia, PT diz que é contra venda

Apesar do discurso crítico, aprovação é dada como certa ainda este ano

Clarissa Oliveira - O Estado SP

http://www.cutsp.org.br/imagens/2008/junho/robertofelicio.jpgApesar da expectativa de que a venda da Nossa Caixa seja aprovada sem a menor dificuldade na Assembléia Legislativa, o PT empenhou-se - ao menos no discurso - em criticar duramente a operação. Reconhecendo que está em “aparente contradição”, pelo fato de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estar por trás da compra, petistas não economizaram nos ataques. Na prática, entretanto, nem os críticos mais ferrenhos duvidam que o aval dos deputados sairá ainda este ano.

“É um negócio ruim para o governo do Estado. O fato é que São Paulo perde um importante instrumento de fomento”, disse o líder do PT na Assembléia, deputado estadual Roberto Felício. Ele afirmou que o negócio serve apenas aos interesses políticos do governador José Serra, que terá um reforço de caixa para investimentos, no momento em que seu nome ganha força para a disputa presidencial de 2010.

Felício disse que o Banco do Brasil foi guiado por “interesses comerciais”. “Claro que, se o governo do Estado decide vender a Nossa Caixa, o Banco do Brasil vai se apresentar. Mas não significa que o governo Lula acredite que a Nossa Caixa deve ser vendida.”

Líder da minoria na Assembléia, o deputado Ênio Tatto (PT) seguiu a mesma linha. Assim como Felício, ele reconheceu que o fato de a base governista contar com nada menos do que 70 deputados é garantia de que a venda será aprovada. Ainda assim, ele disse que o PT quer a garantia de que o acordo não trará demissões e que o BB assumirá um papel de fomento no Estado. “São Paulo não deveria abrir mão de ter um banco.”

Na base de apoio de Serra, entretanto, o clima já é de vitória. Ontem, líderes governistas trocaram telefonemas com petistas, para preparar o terreno para a chegada do projeto na Assembléia, previsto para segunda ou terça-feira. Entre apoiadores do governo, a tese é de que, com o Banco do Brasil como comprador, nem o PT vai atrapalhar a votação. E, em caso de qualquer dificuldade, um simples pedido do presidente Lula ou do governador José Serra resolveria a questão.

“As condições políticas para uma aprovação ainda este ano são muito favoráveis e eu acredito que ela vai acontecer”, afirmou o presidente da Assembléia, deputado Vaz de Lima (PSDB). “Poderá haver mais ou menos dificuldade, dependendo do texto. Mas há um interesse de Estado no negócio.”

O líder tucano na Casa, deputado Samuel Moreira (PSDB), não escondeu o otimismo. “Acho que o processo todo será muito tranqüilo”, afirmou. “Tenho convicção de que poderá haver uma ou outra emenda. Mas, ao final, será certamente aprovado”, completou o líder do DEM, Estevam Galvão.

Ainda assim, até na base governista há quem discorde do negócio. O deputado Pedro Tobias (PSDB) avisou que só vota a favor se estiver convencido de que será um bom negócio para o Estado. “Em princípio, eu sou contra. Se me convencer, eu voto a favor. Mas, se eu não estiver convencido, não há nada que me faça votar.”

21/11/2008 - 09:57h Nossa Caixa: analistas se dividem sobre o valor do negócio

O Banco do Brasil pagou o equivalente a 2,36 vezes o patrimônio líquido da Nossa Caixa, o que significa R$ 70,63 por ação. Na quarta-feira, os papéis do banco paulista estavam cotados em R$ 51,30, com alta de 125% em 2008 enquanto o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) caiu 47,71% no mesmo período.

O preço pago pela Nossa Caixa foi considerado justo e ficou de acordo com as avaliações técnicas feitas anteriormente, afirmou o presidente da agência de classificação de risco Austin Rating, Erivelto Rodrigues. Apesar disso, há especialistas que acreditam que o negócio saiu caro para o BB, cujo preço, de R$ 5,4 bilhões, embute um prêmio de 37,7%. Para eles, o banco federal deveria ter pago algo em torno de R$ 50 por ação.

21/11/2008 - 09:20h BB paga R$ 7,6 bi pela Nossa Caixa e agora parte para Votorantim e BRB

Governo paulista vai receber R$ 5,4 bi; banco federal mantém 2.º lugar no ranking nacional, mas lidera em SP

http://www.maxiar.com.br/images/nossa_caixa.jpg

Leandro Modé e Ricardo Grinbaum - O Estado SP

Depois de uma novela que durou pelo menos seis meses, o Banco do Brasil (BB) anunciou ontem a compra da Nossa Caixa. O governo paulista receberá R$ 5,4 bilhões, mas o valor total do negócio alcançará R$ 7,56 bilhões por causa do pagamento aos acionistas minoritários do banco estadual. A transação é parte da resposta do BB à fusão entre Itaú e Unibanco, que criou a maior instituição financeira do País.

Fontes do BB dizem que o contra-ataque não deve parar por aí. Nos últimos dias, avançaram as conversas para a aquisição da metade do Banco Votorantim. Só faltaria definir o valor. O BB também está em negociação avançada para ficar com o Banco de Brasília (BRB), como já informou em fato relevante em setembro de 2007. Na semana retrasada, o BB anunciou a incorporação do Banco do Estado do Piauí (BEP).

A compra da Nossa Caixa ainda não devolve a liderança do ranking nacional ao BB, mas o aproxima do Itaú-Unibanco em termos de ativos. Juntos, BB e Nossa Caixa têm R$ 512,4 bilhões, ante R$ 575 bilhões do Itaú-Unibanco. Mas a operação dá ao BB o primeiro lugar em São Paulo, com 1.324 agências, em comparação com 1.240 do Itaú-Unibanco, 1.204 do Santander e 1.168 do Bradesco.

“Diferentemente dos bancos privados, o Banco do Brasil caminhou do resto do País para São Paulo”, disse o vice-presidente de Finanças do BB, Aldo Mendes. Em razão disso, a sobreposição dos dois bancos é relativamente baixa. O presidente do BB, Antônio Francisco de Lima Neto, estimou que, no máximo, 30 agências terão de ser fechadas, a maioria delas em pequenas cidades paulistas.

Mas ele não exibiu a mesma tranqüilidade ao falar dos 103 mil funcionários dos dois bancos. “Se vão ocorrer demissões ou não depende do processo de incorporação”, disse. “A premissa básica que nos motivou é a baixa sobreposição de estrutura e de pessoas.”

O BB calcula que a união resultará em ganho de sinergia entre R$ 2 bilhões e R$ 4 bilhões nos próximos cinco anos. Além disso, o ágio, estimado pelo BB em R$ 1,8 bilhão, originará crédito fiscal de mesmo valor, a ser recuperado em cinco anos. A marca Nossa Caixa deve desaparecer até meados de 2010.

Os primeiros rumores sobre a negociação surgiram no primeiro semestre. Em maio, os dois bancos divulgaram fato relevante sobre as negociações. Na época, banco privados que também tinham interesse na Nossa Caixa, como Bradesco e Itaú, protestaram. Defenderam a realização de leilão.

Por isso, um fantasma sempre rondou a negociação: que um banco privado poderia contestar a transação. Esse temor foi debelado depois que o Conselho Nacional de Justiça decidiu, no início de novembro, que depósitos judiciais devem permanecer com bancos públicos. A Nossa Caixa tem R$ 15,8 bilhões em depósitos judiciais.

A partir desse momento, o principal entrave à negociação foi o preço. O governador José Serra pedia de R$ 7 bilhões a R$ 7,5 bilhões. O BB, que queria pagar no máximo R$ 6 bilhões, achou caro e desistiu. As conversas voltaram a esquentar após a fusão Itaú-Unibanco. O BB voltou a procurar Serra para negociar nos termos que o governador havia proposto.

19/11/2008 - 11:49h Lula e Serra acertam venda da Nossa Caixa

Presidente e governador se encontram hoje no Palácio do Planalto para tentar concluir as negociações, incluindo o preço a ser pago pelo BB

O Estado SP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador José Serra (SP) se encontram hoje, no Palácio do Planalto, para bater o martelo na compra da Nossa Caixa paulista pelo Banco do Brasil. Na mesa do encontro, os dados revelam que o governo de São Paulo pede pela instituição pouco mais de R$ 7 bilhões e quer que o pagamento seja feito em dinheiro, com um prazo máximo de um ano para a quitação total. Mas, na conversa com o governador paulista, Lula pensa baixar um pouco o preço.

O governo vai insistir no parcelamento do valor. A maior preocupação é com a possibilidade de descapitalizar o BB. “O pagamento não pode significar a descapitalização do banco e a capitalização do governo de São Paulo”, segundo uma fonte.

Ontem, numa cerimônia no Itamaraty, Lula não escondeu a expectativa de que o negócio irá fortalecer o BB. “O Banco do Brasil era o principal banco do País, mas, com a fusão do Unibanco com o Itaú, passou a ser o segundo”, afirmou ele num almoço oficial para o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono. “Agora, queremos que o Banco do Brasil seja muito maior que qualquer outro banco brasileiro”, arrematou.

O presidente afirmou, no entanto, que somente tomará a decisão final sobre valores após consultar Serra, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do BB, Antônio Francisco de Lima Neto. O encontro entre Lula e Serra está marcado para as 16 horas, no Palácio do Planalto.

Na conversa com Lula, Serra tentará reavivar o pacote que apresentou ao governo federal desde o início do ano: além de vender a Nossa Caixa, ele quer federalizar as Centrais Elétricas de São Paulo (Cesp). A venda da Cesp começou a fazer água depois que o governo federal se negou a renovar concessões das hidrelétricas de Jupiá e Ilha Solteira, mas Serra insistirá no negócio ampliado.

As negociações para a compra da Nossa Caixa pelo BB começaram no início do ano. Um dos principais atrativos do banco são os depósitos judiciais, que estão na casa de R$ 16 bilhões. O negócio começou a se viabilizar recentemente, quando os governos Lula e Serra identificaram vários pontos de convergência.

Desde o anúncio da união do Itaú com o Unibanco, o BB perdeu o posto de maior banco brasileiro e isso se transformou numa obsessão para o presidente Lula. A compra da Nossa Caixa não devolverá o primeiro posto ao BB, mas o deixará perto.

Para o governo Serra, a venda da Nossa Caixa vai gerar recursos para aumentar os investimentos do governo paulista em 2009, questão vital para emoldurar uma eventual candidatura de Serra à presidência em 2010. Por isso, Serra quer receber dinheiro pela venda, de forma que o pagamento possa se transformar rapidamente em investimentos em infra-estrutura.

A venda direta ao BB permitirá ao governo paulista alienar a Nossa Caixa sem enfrentar protestos da CUT e de sindicatos de bancários paulistas, o que seria inevitável se a venda fosse feita a um banco privado.

Por último, Serra planejava fazer da Nossa Caixa uma espécie de BNDES estadual, para alavancar a atividade econômica em regiões menos desenvolvidas do Estado. Mas depois ele resolveu criar uma Agência de Fomento para cumprir essa função. A venda da Nossa Caixa permitirá que uma parte do dinheiro vá para a agência.

CARLOS MARCHI, VERA ROSA E DENISE CHRISPIM MARIN

14/11/2008 - 11:39h Cai 83% o lucro líquido da Nossa Caixa no terceiro trimestre

O título acima é mais adequado, na minha modesta opinião, que o escolhido pela Folha no artigo a seguir. Mais ainda se comparamos, por exemplo, com o título de outro artigo da própria Folha: “BB lucra R$ 1,8 bi no 3º tri e vai às compras”.

A compra do banco estadual parece ser questão de dias permitindo ao governador Serra um bom reforço de caixa. A Nossa caixa já tinha sido posta a contribuição com a compra por mais de R$2 bi da folha de pagamento dos servidores estaduais, sendo que a maioria já tinha sua conta na Nossa Caixa. O dinheiro do banco, equivalente ao lucro liquido de 4 anos, também foi para o caixa do governo estadual. Talvez isto explique em parte a frágil situação do banco e o ardente desejo de Serra de obter com sua venda ao BB um reforço das finanças estaduais, que o banco já não poderia oferecer. LF

http://www.adusp.org.br/noticias/Informativo/221/caixa.jpg

Nossa Caixa tem lucro líquido 87,5% maior até setembro

DENYSE GODOY - FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL

O lucro líquido da Nossa Caixa caiu 83% no terceiro trimestre deste ano, passando dos R$ 411 milhões registrados no segundo trimestre para R$ 70 milhões. Houve melhora, porém, em relação ao mesmo período de 2007, quando o banco teve prejuízo de R$ 68 milhões. No acumulado de 2008, o lucro líquido é de R$ 596 milhões, um aumento de 87,5% ante igual intervalo do ano passado.
Os ativos totais recuaram 1,1% no terceiro trimestre na comparação com o segundo, para R$ 53,4 bilhões. “A queda se deu em função de uma diminuição da carteira de valores mobiliários. Alguns títulos venceram e não foram repostos para que o banco ficasse com um pouco mais de liquidez”, explicou Milton Santos, presidente da instituição. Ante o terceiro trimestre de 2007, os ativos cresceram 15%.
Os depósitos na Nossa Caixa somaram R$ 34 bilhões no final de setembro, dos quais R$ 15,8 bilhões são judiciais, R$ 11 bilhões, de poupança, R$ 3,4 bilhões são à vista, e R$ 3,8 bilhões, a prazo.
Nas operações de crédito, a Nossa Caixa superou a média do mercado com uma alta de 33% na sua carteira -que atingiu R$ 11,5 bilhões-, no período de julho a setembro, enquanto no sistema em geral a elevação foi de 22,7%. Esse volume não inclui o R$ 1,409 bilhão em carteiras de crédito que a instituição havia comprado de outros bancos até setembro, segundo Santos. A Nossa Caixa deve adquirir mais R$ 1,019 bilhão até o final do ano e R$ 1,467 bilhão em 2009. São cerca de dez as instituições vendedoras.
O carro-chefe do banco paulista, o crédito consignado, avançou 35,9% em relação a 2007, para R$ 4,5 bilhões -a média do mercado foi de um aumento de 23,8%. “As instituições que apostam nos empréstimos para aposentados pelo INSS estão vendo o número de operações cair. Mas nós damos ênfase ao servidor público estadual”, disse Santos.
O executivo afirma não temer que o banco perca essa parte da sua identidade caso seja realmente vendido para o Banco do Brasil. “O BB, com a experiência que tem de lidar com o servidor público federal, terá condições de ampliar a posição junto ao funcionário estadual”, destacou.
Com a crise financeira internacional chegando ao Brasil, a expectativa é de que a taxa de crescimento do crédito observada neste ano não se repita no próximo. Os níveis de inadimplência da Nossa Caixa não devem aumentar muito, entretanto, justamente porque o maior montante de crédito concedido pelo banco é no segmento consignado.
Quanto à compra pelo Banco do Brasil, Santos disse esperar que aconteça “o mais rápido possível”. “A negociação está evoluindo”, comentou. “A fusão de bancos é uma tendência mundial, um movimento para fortalecer as instituições que se intensificará no Brasil.”

13/11/2008 - 13:50h A alquimia do Estadão

http://veja.abril.com.br/070606/imagens/brasil5.jpgOs anteparos ideológicos permitem ao Estadão travestir o chumbo em ouro. Mas os limites da mágica ilusionista são a realidade, como critério da verdade. O chumbo continua chumbo.

No espaço que o jornal dedica a sua luta ideológica em favor dos temas prediletos da direita, o Estadão publicou hoje um apoio explicito a política de José Serra no governo de Estado e contra o PAC. O título do editorial é um programa: “PAC paulista é melhor”.

O entusiasmo, o mesmo do jornal Valor (Me engana que eu gosto), utiliza com a mesma desenvoltura as cifras fornecidas pelos secretários da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, e do Planejamento, Francisco Vidal Luna do governo estadual.

Essas cifras estão infladas no que concerne os investimentos estaduais e não correspondem com os dados federais sobre o PAC. Para o jornal aparentemente, pouco importa.

Como tampouco importa qualquer comparação séria entre, por exemplo, o leilão das estradas federais e seu equivalente com as estradas paulistas. Por isso, tanto faz se para encher o cofre do governador em vistas de 2010, os pedágios estaduais são uma extorsão que contribui para alimentar a pressão inflacionaria e os leilões federais estabelecem os pedágios bem mais em conta. A questão não é nem evocada.

O cinismo chega a tal ponto no artigo, que é elogiada a compra-venda compulsória feita pelo governador, da folha dos servidores estaduais para o banco Nossa Caixa. A maioria dos servidores já tinha sua folha nesse banco, que pertence ao próprio Estado, e o banco foi obrigado a repassar mais de R$2 bi para o orçamento estadual, o equivalente a mais de 4 anos de lucro liquido do banco. Depois é elogiada a venda do mesmo banco para o BB, porque permite continuar a fazer caixa, mesmo que o comprador é o governo federal via BB.

A boa vontade do Estadão com Serra é tal (a mesma que no passado recebera Alckmin), que chega até a elogiar o substancial aumento da carga tributária estadual, bem acima da inflação, sem sequer repetir o que sempre escrevem nesses casos recomendando abaixar os impostos. Pior, se extasiam perante o aumento do endividamento do Estado. Endividamento que foi ampliado pela boa disposição do governo federal e que agora será, aparentemente, novamente ampliado pelo Senado, para reforçar -com dívidas- o caixa do governador. Percebe-se quanto era hipócrita e partidária a gritaria do mesmo jornal e dos demo-tucanos quando Marta tentou negociar a situação da dívida feita por Maluf-Pitta na prefeitura da capital.

Mas, será que toda esta gigantesca montanha de dinheiro conhecerá um destino diferente, daquela outra montanha gigantesca obtida por FHC com as privatizações?

A Polícia Civil de São Paulo, segundo reportagem do próprio Estadão, ganha menos que a do Estado de Alagoas. Os servidores municipais com salários bem desfazados com relação a inflação e aos dos seus homólogos federais ou mesmo de outros Estados bem menos ricos que São Paulo.

Os resultados na educação pifios e apenas atingem a media nacional. Mesmo em matéria de obras, a passo de tartaruga no metrô e sem grande progresso no Rodoanel. Para um jornal que insiste em dizer que as obras do PAC estão atrasadas, é muita falta de equilíbrio.

Um “press-release” do governo estadual teria sido seguramente mais comedido.

O que é mais evidente ainda com este editorial é que a mídia de São Paulo claramente assume seu lugar na campanha de José Serra a presidente em 2010. Dificilmente este tipo de posicionamento, retomado regularmente pelos articulistas em outras páginas dos mesmos jornais, deixará de impregnar o conjunto da cobertura dos próprios jornais.

Esse monopólio da mídia em favor de um partido e um candidato é um perigo para a democracia e para a própria liberdade de imprensa.

O pluralismo é a primeira vítima, a segunda é a verdade e por último é a própria liberdade que estará ameaçada.

Luis Favre

http://img522.imageshack.us/img522/4153/senliberdadeaverdadenonoc3.jpg

Jornal O Estado de São Paulo

Opinião

O PAC paulista é melhor

O governo de São Paulo investiu em obras de infra-estrutura R$ 9 bilhões, em 2007, e R$ 12,7 bilhões, entre janeiro e outubro de 2008, enquanto o governo federal aplicava, nos mesmos períodos, respectivamente, R$ 8 bilhões e R$ 8,2 bilhões nas obras incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Pode-se afirmar, portanto, que a versão paulista do PAC é mais eficiente que a do governo federal - e para isto contribui tanto a firmeza no controle de despesas como a boa gestão dos projetos.

A política do governo paulista consiste em gerar recursos para investir usando os meios disponíveis, do enxugamento de gastos de custeio ao aperfeiçoamento tributário, sem preconceitos contra privatizações, concessões de serviços públicos ou venda de ativos a outros entes estatais, como relataram ao jornal Valor de segunda-feira os secretários da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, e do Planejamento, Francisco Vidal Luna.

O Banco Nossa Caixa, por exemplo, já pagou ao Tesouro paulista R$ 2 bilhões para administrar a folha de pagamento do Estado. Agora, está prestes a ser concluída a venda do controle da Nossa Caixa para o Banco do Brasil, o que propiciará ao Tesouro uma receita da ordem de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões.

Em março, o governo estadual tentou privatizar a Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Não teve êxito, mas nem por isso desistiu. Quer agora que a União aumente o prazo de concessão das Usinas Jupiá e Ilha Solteira, que expira em 2015 - sem o que não haverá investidores dispostos a comprar a Cesp.

Em 2007, São Paulo obteve R$ 2 bilhões ao conceder à iniciativa privada o Trecho Oeste do Rodoanel. Serra não dá atenção ao “debate ideológico”, notou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que privatizou as telecomunicações e a distribuição de energia e acabou com o monopólio da Petrobrás.

São Paulo recorre também às Parcerias Público-Privadas (PPPs) para tocar obras e projetos, como a Linha 4 do metrô e a produção e distribuição de água em Mogi das Cruzes. Até o final do ano, quer fazer PPPs para reformar trens antigos e comprar vagões novos para a Linha 8 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e lançar um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para a Baixada Santista.

Atuando em outra frente - a da reorganização fiscal - o Estado elevou a receita tributária em 13,5% acima da inflação, entre janeiro e agosto, sem criar impostos ou aumentar alíquotas. Ao mesmo tempo, cortou 15% dos cargos em comissão, economizando R$ 77 milhões, e auditou a folha de pagamento, poupando R$ 400 milhões. O uso maciço do sistema de pregão eletrônico nas compras permitiu reduzir seu custo em 28%, calcula a Secretaria da Fazenda. A renegociação de contratos gerou outros R$ 600 milhões de economia e foi feito um programa de parcelamento de débitos de R$ 8,4 bilhões, que propiciou receita extra de R$ 1,1 bilhão. A criação da Nota Fiscal Paulista, com devolução de R$ 270 milhões para 13 milhões de pessoas e um programa de sorteio de prêmios, está ajudando no combate à sonegação.

O resultado desse conjunto de políticas é que a capacidade anual de investimentos do Estado passou de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões, em janeiro de 2007, para R$ 17,7 bilhões, hoje. Com maior superávit primário, a capacidade de endividamento paulista ampliou-se em R$ 6,7 bilhões. Depende da aprovação do Senado a elevação desse limite em mais R$ 3,5 bilhões. Com isto, em 2009 São Paulo deverá investir R$ 18,2 bilhões, 50% mais do que em 2008 - e a participação dos investimentos nas despesas totais passará de 4,73%, em 2003, para 10,82%, no ano que vem, calcula Vidal Luna.

Rodoanel, metrô, estradas vicinais, recuperação e implantação da malha rodoviária, habitação, saneamento, tratamento e coleta de esgotos, expansão das escolas técnicas e faculdades de tecnologia e programas de inteligência policial estão entre os investimentos previstos para 2009. Na elaboração do orçamento, a prioridade passou a ser investir em projetos bem-feitos e exeqüíveis, não gastar. Esta é a diferença entre as administrações estadual e federal.