22/07/2008 - 12:38h Nossa! quanto bla, bla, bla…
A frase não é, como você pensa, tirada do programa do PT. Ela foi pronunciada ontem por Alckmin para manifestar sua concordância com uma aspiração que Marta Suplicy começou a implementar em São Paulo durante sua administração: a descentralização e a participação popular.
Os organizadores do ato, onde Alckmin “incorporou” uma das realizações de Marta, prometem realizar uma campanha publicitária contra o “bla, bla, bla” de alguns candidatos.
Gilberto Dimenstein exulta de entusiasmo: “A campanha publicitária vai bater na tecla do fim da conversa fiada –ou seja, contra o blablablá. Os indicadores serão divulgados para que se popularizem meios de medir o desempenho do poder público. Nunca se fez nada parecido, em esfera local, no país. É reflexo do amadurecimento da democracia, do aprendizado da articulação comunitária e do cansaço com o caos paulistano –um caos que foi provocado pela conversa fiada dos políticos e, vamos reconhecer, baixa participação da comunidade.”
Precisamente, na cara dos representantes da ONG Nossa São Paulo e na frente da mídia, com a maior desenvoltura, o “gerentão” nos proporcionou um magnífico bla, bla, bla sobre os conselhos de representantes, as subprefeituras e a descentralização contra a qual seu partido lutou quando Marta era prefeita, que nunca implementou no governo estadual e que, no comando da prefeitura, procurou contornar, tanto na discussão da revisão do plano diretor, como passando por cima do conselho de representantes na saúde (para citar apenas dois exemplos).
Não teve nenhum jornalista que confrontasse o cinismo do autor da frase e que questionasse a contradição entre o bla, bla, bla é a prática do PSDB e do ex-governador. Ou seja a mídia continuará seu bla, bla, bla sobre a conversa fiada dos políticos e passará sob silêncio a desenvoltura do tucano.
De sorte que a combinação dois dois dará um interminável bla, bla, bla…
Luis Favre
