22/05/2009 - 09:17h Temor sobre rebaixamento de países ricos afeta mercados

 Agência pode reduzir nota do Reino Unido; Bolsa cai 2,26%

TONI SCIARRETTA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Três dias após o mercado global falar em fim da crise e testar novos recordes, voltou a prevalecer ontem o pessimismo em relação às dificuldades enfrentadas pelas maiores economias do mundo para melhorar a saúde do sistema financeiro e criar condições para sair da recessão.
Ontem, o mau humor foi catalisado pela possibilidade de o Reino Unido perder o status de economia de risco zero de calote de sua dívida (leia texto na página B9). A agência Standard & Poor’s colocou em revisão para possível rebaixamento a nota “AAA”, a melhor na escala de risco, devido à expansão da dívida britânica.
Mas o temor do mercado é que o mesmo aconteça com os EUA, maior economia do mundo e que aumentou consideravelmente seu endividamento para conter os efeitos da crise.
Na próxima semana, o Tesouro dos EUA vai leiloar um lote gigante de US$ 101 bilhões em títulos públicos. A notícia derrubou em até 1,3% o preço dos papéis e elevou em 4,68% os juros dos títulos de dez anos, que atingiram 3,35% ao ano -em janeiro, eram 2,5%.
No mercado internacional de câmbio, o dólar americano recuou 0,9% em relação ao euro e 0,6% diante do iene, mantendo-se nos menores patamares desde janeiro deste ano.
Para acentuar o pessimismo, o ex-presidente do Federal Reserve Alan Greenspan também rompeu o silêncio para afirmar que os bancos americanos precisam levantar muito mais capital (leia texto na página B10) e que há um potencial enorme de perdas de crédito ainda não contabilizadas. Segundo Greenspan, essas perdas só serão estancadas quando os preços dos imóveis se estabilizarem, o que pode estar longe.

Aversão ao risco
O resultado foi um retorno da aversão ao risco, movimento que derrubou ontem preços de ações, commodities e moedas emergentes em todo o mundo.
O petróleo recuou 1,6%, para US$ 61,05, em Nova York.
A Bolsa de Nova York teve baixa de 1,59% no índice Dow Jones e de 1,68% no S&P 500. A Bolsa Nasdaq recuou 2,26%.
No Brasil, até o discurso otimista do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sobre sinais “bastante claros” de recuperação da economia foi entendido como um recado de que a redução de juros poderá ter fim em breve.
Na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), os juros para janeiro de 2010 subiram de 9,26% para 9,34%, enquanto as taxas para janeiro de 2011 passaram de 9,73% para 9,88% ao ano.
A Bolsa brasileira terminou a sessão em baixa de 2,26%, com o Ibovespa em 50.087 pontos. Durante a tarde, o índice chegou a cair 3,27% e voltou a trabalhar abaixo dos 50 mil pontos. “A Bovespa não teve motivo para se descolar e acompanhou o mercado lá fora. Os dados de desemprego até vieram melhor que o esperado, mas não permitiu um descolamento”, disse Kelly Trentin, analista da corretora SLW.
“O pessimismo internacional abriu espaço para correção na Bolsa”, disse Newtons Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos.
Após três dias de queda, o dólar comercial voltou ontem a subir. Terminou o dia com valorização de 0,39%, novamente a R$ 2,037. Um dia após comprar cerca de US$ 1,2 bilhão em “cash” dos bancos, o BC voltou a adquirir a moeda americana. O volume, no entanto, não passou de US$ 52 milhões, um dos menores em maio. “O dólar deve cair mais até o final do mês, depois pode ter alguma recuperação”, disse Sidnei Nehme, diretor da corretora NGO.

20/05/2009 - 15:29h Brasil é possível candidato a upgrade, diz Moody’s

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REGINA CARDEAL – Agencia Estado

SÃO PAULO – O Brasil e o Peru são possíveis candidatos para uma elevação da nota de crédito (upgrade) após provarem que são resilientes à crise global, embora não haja planos imediatos de elevação do rating, disseram analistas da agência de classificação de risco Moody´s Investor Service. “As crises revelaram a capacidade de resistência dos países aos choques e o Brasil e o Peru se saíram muito bem”, disse Mauro Leos, responsável da Moody´s para os ratings regionais, em teleconferência.

Enquanto a Standard & Poor´s e a Fitch Ratings conferiram grau de investimento à dívida soberana do Brasil e do Peru no ano passado, a Moody´s assumiu uma postura mais cautelosa, mantendo os dois países um nível abaixo do grau de investimento. Leos destacou que a Moodys se sente confortável ao elevar ratings durante uma crise, como fez com o Chile, mas sua equipe de analistas se reservará o julgamento até que veja mais dados econômicos sobre o impacto da crise. Os ratings para a dívida soberana do Brasil e do Peru têm perspectiva estável e normalmente a Moody´s altera a perspectiva antes de mudar o rating.

Segundo o analista sênior da Moody´s Gabriel Torres, o México está bem estabelecido três níveis acima do grau de investimento e tem amplo acesso aos mercados. O México, no entanto, é vulnerável por causa de sua dependência dos EUA, acrescentou. Torres indicou que a Moody´s não tem pressa para mudar o rating do México.

Os países da América Latina estão se saindo melhor do que muitos outros na desaceleração global, particularmente do que a Europa Oriental. “Os ratings da dívida da região começaram em geral mais baixos do que os de outras áreas. De fato, a crise tem mostrado que alguns são mais fortes do que muitos pensavam”, disse Torres. Enquanto isso, o impacto político da crise foi muito limitado e os sistemas bancários se mantiveram, em geral, sólidos, ele acrescentou.

No lado fiscal, alguns países da América Latina apresentavam superávits até serem atingidos pela crise e o declínio na renda não foi suficientemente dramático para atingir a maioria dos países, disse Torres. A Moody´s prevê um déficit fiscal médio de 3% do Produto Interno Bruto em 2009.

No caso da Argentina, o país não pode ser rebaixado mais a menos que haja um default ou risco iminente de default. “Em geral, estamos confortáveis com nossos ratings na região”, disse Leos. As informações são da Dow Jones.